Não sou mais Excelência

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Por José Sarney

Afinal eu nunca gostei de ser tratado como “excelência”. O Regimento do Senado determinava que os funcionários tratassem assim os senadores. Quando ali cheguei, em 1971, o ascensorista me cumprimentou: “Excelência Senador Sarney”. Disse-lhe: “Meu filho, não precisa do excelência”. Mas, no tempo do DASP – Departamento Administrativo do Serviço Público, havia uma regra que dizia como deviam ser tratados os chefes. Vinham de senhor a ilustríssimo, a excelentíssimo, etc. e tal. Era sempre uma pegadinha nos concursos a preparação de um expediente a uma autoridade, com o desafio para o concursando de acertar a fórmula de tratamento.

O Presidente Bolsonaro resolveu acabar com isso. Agora todos são SENHOR. Acho bom. Sempre me perguntam como quero ser tratado. Se Governador, Deputado, Senador ou Presidente. Sempre digo que, quando estudei, o Eduardo Carlos Pereira, autor da gramática em que estudei, ensinava que as pessoas deviam ser tratadas pelo título maior que tivessem. Assim, meu interlocutor dizia: “Presidente.” Eu respondia que gramaticalmente estava certo, mas como que eu gosto mesmo de ser tratado é de “Sarney”, filho da Dona Kiola.

Sempre foi uma coisa difícil o modo de tratar as pessoas. Aqui no Maranhão, por exemplo, um dos maiores brasileiros, o negro Cosme, que fundou o maior quilombo do Brasil — e a primeira medida que tomou foi mandar construir uma escola para as crianças —, gostava de ser chamado de “Imperador das Liberdades Bentivis”. Bentivis era o apelido dos membros do Partido Liberal.

Na Revolução Mexicana, iniciada por Madero, continuada por Pancho Villa, Orozco, Zapata, o primeiro decreto foi muito prático e aliviou grandemente o país. É que as solenidades públicas duravam sempre várias horas. Começavam com as nominatas — e haja nomes a citar, títulos a dar às pessoas, “ilustre”, “grande amigo”, “excelentíssimo”, “ilustríssimo”, “generalíssimo” e por aí iam. Madero proibiu que qualquer solenidade durasse mais de uma hora e que das nominatas constasse o tratamento das pessoas, todos saudados como “ciudadanos”. Naturalmente um plágio da Revolução Francesa, que determinou o tratamento geral de “citoyens”. A Revolução Russa firmou o tratamento socialista de “camaradas”, aliás também usado pelos nazistas e franquistas (sem esquerdismo). Os cubanos lançaram o “compañero”.

Quando George Washington foi eleito presidente dos Estados Unidos, seu vice, John Adams, propôs que fosse tratado de “His Highness, the President of the United States and Protector of the Rights of the Same” (Sua Alteza, o Presidente dos Estados Unidos e Protetor dos Direitos dos Mesmos). Benjamin Franklin foi singelo: “Loucura absoluta.” Já Thomas Jefferson achou que era “a coisa mais superlativamente ridícula que jamais ouvi.” Afinal o Congresso ficou ao tratamento de “Mr. President”.

E agora, à moda brasileira, sem revoluções, o Bolsonaro resolveu nossa situação: eu perdi Excelência, mas todos ganharam: agora sou Senhor, Zé do Sarney e de Dona Kiola. Só falta limitar as solenidades a UMA HORA.

*Coluna do Sarney

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Antecipação e recuo

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O secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, afirmou a um programa de televisão no fim de semana que o governador Flávio Dino (PCdoB) apenas brincou ao assegurar pré-candidatura à Presidência da República, quando fez referência ao tema no mês passado. A disputa do próximo pleito ocorrerá somente em 2022.

“O governador falou isso em tom de brincadeira. O foco é governar novamente o Maranhão, de uma forma ainda melhor do que foi feita no primeiro governo. Falar sobre isso [disputa presidencial de 2022] agora é uma precipitação sem tamanho”, enfatizou.

Dino havia lançado o seu nome à disputa, no dia 22 de fevereiro, durante uma plenária extraordinária do PCdoB.

“Estou me preparando para 2022. Vocês nem notaram, já estou até com cinco quilos a menos. Vamos enfrentar o laranjal e a turma do mal”, anunciou, sem reservas, o comunista.

Ele reforçou o objetivo em seguida: “Eu adoro uma eleição, estou doido para disputar mais uma, essa em especial. A gente quer plantar a coisa certa para colher a coisa certa”.

Além da declaração direta, o comunista tem feito das críticas no twitter ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) a sua rotina diária. São tentativas reiteradas de se inserir no cenário nacional.

O alerta de Tavares e o recuo, agora, diante da grave crise financeira, econômica e institucional do Governo do Maranhão, com queda brusca nos indicadores sociais e fiscais, desempenho pífio em áreas como a Saúde e a bagagem de ter ampliado a extrema pobreza no Maranhão, mostram que Dino, se quiser disputar mesmo a eleição presidencial, terá primeiro de arrumar a casa.

Há, aliás, muito trabalho a ser feito. Afinal, não vai dar para sustentar uma eventual campanha dessa magnitude com discurso vazio em rede social.

Estado Maior

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Flávio Dino segue falando sozinho

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O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), é um homem persistente. Isso não se pode negar.

Desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República, o comunista tenta, de todas as formas, provocar o capitão reformado do Exército Brasileiro. São postagens quase diárias nas redes sociais atacando o vencedor das eleições.

Na mais recente delas, de ontem, Dino fez uma juvenil comparação entre sua cerimônia de posse e a de Bolsonaro.

Os objetivos – pelo menos dois deles – parecem claros: o governador quer, primeiro, obter alguma resposta, seja ela qual for, para poder dizer que está no debate nacional; e, ainda, prepara o terreno para que, em caso de alguma decisão do Governo Federal ruim para a sua gestão, ele possa dizer que está sendo perseguido por fazer críticas ao presidente.

Entre os seus próprios seguidores, a estratégia não tem surtido efeito. Basta ver a quantidade de críticas que Flávio Dino tem recebido nas suas próprias redes por causa da sua postura de líder estudantil.

E assim, o governador maranhense segue em sua saga, falando sozinho.

Estado Maior

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Jair Bolsonaro é o novo presidente da República

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Jair Bolsonaro (PSL) é o novo presidente da República e vai governar o Brasil pelos quatro próximos anos.

Por volta de 19h21, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, oficialmente a vitória do candidato do PSL.

Capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro tem 66 anos, e é deputado federal pelo Rio de Janeiro há 7 mandatos. Ele é o 38º presidente da República Federativa do Brasil.

Jair Bolsonaro venceu em 15 estados e no Distrito Federal no 2º turno das eleições de 2018. Fernando Haddad, em 11. Nas capitais, o placar foi de 21 a 6.

Na divisão por regiões, Bolsonaro repetiu o desempenho do 1º turno: venceu em todos os estados e todas as capitais do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul.

Já Haddad teve o seu melhor desempenho no Nordeste, onde teve a maior parte dos votos em todos os estados e em 6 das 9 capitais.

No Maranhão, Jair Bolsonaro recebeu  26,74%, dos votos válidos e venceu em apenas 3 cidades (Imperatriz, Açailândia e São Pedro dos Crentes). Fernando Haddad venceu em 214 cidades, com 73,26% dos votos válidos.

Foto: Reprodução/Globonews

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