ONG vai financiar quase R$ 9 milhões para restauração de reserva biológica no Maranhão

Por: Daniel Matos • 18 de janeiro de 2026 • 0 comentários

Em parceria com a WCS Brasil e outras instituições, unidade de pesquisa vinculada ao MCTI será a responsável técnica pela restauração de 260 hectares da Rebio Gurupi

Vista aérea da Reserva Biológica do Gurupi

restauração de 260 hectares da Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, unidade de conservação, conta com a coordenação técnica e científica do Museu Paraense Emílio Goeldi. A Rebio Gurupi, como é conhecida, tem 271,4 mil hectares e é formada por amostras representativas de florestas tropicais úmidas da Amazônia Maranhense.

O projeto custará cerca de R$ 8.982.490 e foi proposto pela Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil), uma organização sem fins lucrativos que, desde 2004, concentra suas ações na conservação colaborativa, em parceria com povos indígenas e comunidades afrodescendentes e tradicionais. Os trabalhos terão duração de quatro anos e estão previstos para começar no primeiro trimestre de 2026.

A reserva está inserida na chamada Área de Endemismo Belém (AEB), considerada a mais desmatada ecorregião do bioma, onde estão espécies ameaçadas de extinção, como os primatas cairara kaapor (Cebus kaapori) e cuxiú (Chiropotes satanas) e as aves mutum-pinima (Crax fasciolata pinima) e jacamim-de-costas-escura (Psophia obscura).

A Rebio Gurupi também compõe o Arco do Desmatamento, uma área de 500 mil km² que concentra cerca de 75% do desmatamento da Amazônia e que se estende do oeste do Maranhão (MA) e sul do Pará (PA) até o Acre (AC), passando por Tocantins (TO), Mato Grosso (MT) e Rondônia (RO).

Delimitação da Reserva Biológica do Gurupi

Coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi, a ecóloga Marlúcia Martins representa o Museu Emília Goeldi nesse trabalho e vai coordenar a equipe da instituição no projeto. “A participação dos analistas da Rebio e a nossa, do museu, se dará por suporte técnico nas metodologias de restauração e também em algumas atividades de pesquisa de monitoramento que serão desenvolvidas com a participação de outros membros do conselho, da comunidade, principalmente da Escola Familiar Rural, e de outros atores que já são parceiros nessa construção”, explica Marlúcia. O museu é uma unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Seundo ela, com a experiência da WCS Brasil na formação de cadeias produtivas, a ideia é criar uma cadeia da restauração, com a contratação e a capacitação de moradores locais para atuar no projeto. “Vamos apoiar a Casa Familiar Rural na formação de local de semente qualificada, que possa ser reconhecida pelo Ministério da Agricultura [e Pecuária], para que, no futuro, produza e comercialize mudas e sementes”, projeta Marlúcia. Os viveiros desenvolvidos na Terra Indígena Araribóia, ao sul da Rebio, também serão fomentados, conforme explicou. “Vamos apoiar a iniciativa das mulheres que já estão formando viveiros para que possam ser fornecedoras de mudas e de sementes, além de outras iniciativas, como cooperativas da região”, disse a coordenadora.

“A participação dos analistas da Rebio e nossa, do Museu, será dando suporte técnico nas metodologias de restauração e também em algumas atividades de pesquisa de monitoramento que vamos desenvolver com a participação de membros do conselho, da comunidade, principalmente da Escola Familiar Rural, e de outros atores que já são parceiros nessa construção”, afirma Marlúcia.

Integrantes do Conselho Consultivo da Rebio Gurupi. Foto: divulgação.

Produção científica e soluções tecnológicas

A produção científica — com a documentação das etapas — e a aplicação de tecnologias para superar possíveis obstáculos ficarão a cargo da coordenação do Museu Emílio Goeldi. Para isso, estarão disponíveis os 11 laboratórios dos Centro Integrado de Pesquisa em Restauração Ecológica e Produtiva da unidade vinculada ao MCTI. “Queremos construir um modelo de restauração que seja replicável em outras áreas”, afirmou Marlúcia.

O projeto Restaura Gurupi integra as iniciativas contempladas por editais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o objetivo de transformar o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Os recursos do projeto são do Fundo Amazônia, e os esforços serão coordenados pela gestora parceira Conservação Internacional (CI-Brasil).


Entenda de quem é a responsabilidade da Iluminação Pública

Por: Daniel Matos • 18 de janeiro de 2026 • 0 comentários

Como funciona o serviço de iluminação em ruas, praças e avenidas

Entender como funciona os serviços e a gestão da Iluminação Pública ajudam a agilizar as solicitações

Quando uma via apresenta iluminação insuficiente ou pontos que não estão funcionando adequadamente, é comum surgir a dúvida sobre a quem cabe a responsabilidade pelo serviço.

No Maranhão, assim como em todo o país, essa definição está amparada por legislação específica e por normas do setor elétrico que nem sempre são de conhecimento da população.

A iluminação pública, responsável por contribuir com a visibilidade, a mobilidade urbana e a segurança em ruas, praças e avenidas, é uma atribuição dos municípios desde a Constituição Federal de 1988. Portanto, não cabe às distribuidoras de energia elétrica a responsabilidade por esse serviço.

Esse entendimento foi reforçado em 2010, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio da Resolução Normativa nº 414, estabeleceu a transferência dos ativos de iluminação pública às prefeituras, incluindo luminárias, braços de luz e demais equipamentos instalados nos postes.

Na prática, isso significa que, no Maranhão, embora a Equatorial Maranhão seja a empresa responsável pela distribuição de energia elétrica para residências, comércios e indústrias em todo o Estado, a iluminação pública é de competência das prefeituras municipais.

Segundo a gerente de Relacionamento com o Cliente da Equatorial Maranhão, Vanessa Soares, o papel da distribuidora nesse tema é bem definido. “As distribuidoras de energia atuam como agentes arrecadadores da Contribuição de Iluminação Pública (CIP). Os valores pagos pelos consumidores na conta de energia são repassados integralmente às prefeituras, que aplicam esses recursos na manutenção e na ampliação da iluminação dos espaços públicos”, afirma.

A iluminação pública é uma atribuição dos municípios desde a Constituição Federal de 1988

Solicitação de manutenção da iluminação pública

Quando uma lâmpada de poste não está funcionando adequadamente, quando há necessidade de ajustes em determinado trecho da via ou quando existe demanda por ampliação da iluminação em um bairro, o atendimento deve ser buscado junto à prefeitura do município.

Cabe ao poder público municipal realizar a troca de lâmpadas, o reparo de equipamentos, a manutenção dos pontos de iluminação pública e a implantação de novos sistemas, conforme o planejamento local.

Muitos municípios disponibilizam canais próprios para esse tipo de solicitação. Em geral, os pedidos não passam pela distribuidora de energia, uma vez que os equipamentos de iluminação pública não integram mais o patrimônio das concessionárias.


Operadora Maxx patrocina camarote no Carnaval da Av. Litorânea com ações de ativação de marca e brindes

Por: Daniel Matos • 18 de janeiro de 2026 • 0 comentários

Os promotores da operadora Maxx aguardam os convidados do Camarote Orla com muitos brindes e ações no stand da Maxx no período da folia na Av. Litorânea

Depois do sucesso da ação de ativação de marca realizada no Réveillon, a empresa volta à Avenida Litorânea, no Circuito Vem pro Mar; nessa temporada de pré-carnaval e carnaval, dentro do Camarote Premium Orla — espaço do qual é uma das patrocinadoras.

Instalado dentro desse super camarote, o estande da Maxx convida os foliões a participar de um desafio simples e lúdico: testar a pontaria em três arremessos de basquete. Quem consegue acertar duas das três tentativas é premiado com um copo térmico personalizado da operadora.

Para ganhar o copo térmica da Maxx basta participar do desfaio do basquete e acertar no mínimo duas das três tentativas de arremesso

A dinâmica fez sucesso junto ao público no Revéillon, e tem tudo para repetir o sucesso de engajamento, na temprada de folia que começa nesse domingo (18.01).

Mais do que distribuir brindes, a ação carrega uma mensagem alinhada a pautas contemporâneas. Ao oferecer copos térmicos reutilizáveis, a Maxx reforça um discurso de apoio à sustentabilidade, incentivando a redução do uso de copos plásticos e descartáveis durante os eventos de grande concentração popular.

O público do Camarote Orla já tem o stand da Maxx como parada obrigatória nos dias de folia

Em um período marcado pelo aumento expressivo da geração de resíduos como o carbaval, a iniciativa dialoga com a preocupação ambiental que começa a ganhar espaço também no universo do entretenimento e do marketing de experiência.

A presença da operadora no Camarote Orla integra ainda uma estratégia mais ampla de visibilidade de marca, que busca associar a Maxx a momentos de lazer, convivência e celebração coletiva, nos quais tem tudo a ver a missão da empresa, que é garantir tecnologia de ponta para que as pessoas se mantenham conectadas.

Além de promover conexões, a Maxx acertou no brinde. Ao oferecer copos térmicos reutilizáveis, a empresa apoia a sustentabilidade e ajuda na redução do uso de copos plásticos na folia

Para quem vai trabalhar ou se divertir na folia, e quiser compartilhar seus melhores momentos com qualidade e velocidade máximas, a dica é apostar no novo pacote premium de internet 100% Fibra “1000 Mega Maxx”.


Sobre meu querido amigo António Gaspar

Por: Joaquim Haickel • 18 de janeiro de 2026 • 0 comentários

Pensei em começar esse texto contando a você, que me prestigia com sua atenção, o que disse meu tio Zé Antonio Haickel, ao seu filho, meu primo, Elias Haickel Neto, depois que este lhe deu a notícia do falecimento de meu pai, Nagib Haickel.

Tio Zé Antonio, que estava jogando pife-pafe na casa de Zé Meireles, um velho amigo de Pindaré Mirim, ao ver Elias adentrar a sala onde estavam jogando, com uma cara de dor e constrangimento por ter de dizer ao seu pai que seu amado irmão havia falecido, ficou calado e recebeu, como resposta, uma pergunta exclamativa: “Foi Nagib!?”. Elias apenas sacodiu suavemente a cabeça, aquiescendo, e Tio Zé Antonio retrucou: Ô meu Deus, porque tu não levaste Miguel ao invés de Nagib!”. (Miguel era primo de Nagib e Zé Antonio)

Elias conta que, mesmo diante de tamanha consternação de todos os presentes, pela notícia trágica da morte de um ente tão querido, não se controlaram e riram de tamanha loucura proferida por um irmão corroído pela dor. A pergunta que todos faziam era por que Zé Antonio conclamou Deus a levar Miguel no lugar de Nagib e não se ofereceu ao todo-poderoso para ir à viagem no lugar de seu irmão.

O fato é que passei quatro dos melhores anos de minha vida convivendo de perto com Antonio Gaspar, de quem fui colega na Assembleia Nacional Constituinte e na Câmara dos Deputados, entre 1987 e 1991.

Antes de sermos deputados juntos, já nos conhecíamos informalmente, pelo convívio natural que tínhamos em nossa ainda pequena cidade.

Antonio era 16 anos mais velho que eu, mas, em muitos aspectos, tínhamos a mesma idade, pois eu sempre fui mais velho em meus gostos, costumes e afazeres, e Antonio, ao contrário, sempre foi mais jovem do que os de sua idade.

Devo fazer aqui uma inconfidência sem trair a confiança do falecido. Ele e eu admirávamos muito a beleza e a inteligência das mulheres, e nisso eu era um monge do mosteiro, enquanto ele era um dos monsenhores.

Durante a campanha eleitoral de 1986, quando concorremos, ambos pelo PMDB, nos aproximamos bastante.

No dia da convenção do partido, no momento da escolha dos números com os quais iríamos concorrer, ficamos ele e eu propensos a escolher os mesmos números: 1515 e 1516
Em sinal de respeito a ele, deixei que ele escolhesse e ficaria com o outro. Ele escolheu 1515 e eu fiquei com o 1516. Naquele dia, brinquei com ele: “Gaspar, espero seguir sempre seus passos e nos elegermos um atrás do outro”.

Aquele pleito foi uma loucura. Eu tinha apenas 26 anos e vinha de um mandato de deputado estadual, no qual me elegera com 22 anos e fui o mais jovem do Brasil naquela legislatura, mas tive mestres como Celso Coutinho, Bento Neves, Raimundo Leal, Gervásio Protásio dos Santos e José Elouf, só para citar alguns.

Antonio tinha outra trajetória. Participou ativamente dos movimentos de política estudantil e chegou a ser presidente da União Maranhense de Estudantes Secundaristas, no período, entre 1962 e 1964. Formou-se em farmácia, especializou-se em bioquímica e passou a ser professor universitário desses cursos. Foi empresário de grande sucesso no ramo das análises clínicas, tendo construído um dos maiores laboratórios desse setor, não só do nosso Estado, mas do Norte e do Nordeste do Brasil.

Ainda durante a campanha eleitoral de 1986, muitos fatos nos colocariam lado a lado, lutando juntos por nossas eleições e também pelo maior aproveitamento possível dos votos de legenda, para que conseguíssemos eleger a maior quantidade de parlamentares naquela eleição.

Gaspar disparou na quantidade de votos e eu fui o penúltimo colocado naquele pleito, mas a caligrafia ruim dos eleitores foi responsável, em muitos casos, para que o 1515 fosse 1516, e vice-versa.

Outro fato interessante é que éramos votados em muitos municípios por lideranças adversárias, mas sempre mantivemos o respeito e a consideração um para com o outro, jamais permitindo que rusgas de chefes políticos locais, de Viana, São Bento, Matinha, Penalva, Cajarí, São João Batista, São Vicente de Ferrer, Peri Mirim, Palmeirândia, Cedral, Mirinzal, Pinheiro… afetassem nosso relacionamento e nossa amizade.

Durante os trabalhos da constituinte convivemos mais de perto. Tínhamos os mesmos grupos e nos relacionávamos com os mesmos amigos: Artur da Távola, Nelson Jobim, Gastone Righi, Pedro Ciolin, Manoel Moreira, sem contar os maranhenses, Albérico Filho, Haroldo Saboia e Eliezer Moreira.

A última vez que encontrei com Antonio foi na inauguração do Makani Mall, de Roberto Hachem e passamos duas horas falando sobre política, negócios, cinema, e falamos também sobre a vida, inclusive sobre saúde e descobrimos que nós dois tínhamos a mesma ideia sobre como deve ser a vida, depois de um determinado tempo, depois que atingirmos uma determinada idade: A vida só vale a pena ser vivida se ela for boa, se ela não trouxer para as pessoas, grandes dificuldades e incômodos, constrangimentos e humilhações, dores dilacerantes e insuportáveis. Que o melhor caminho para uma vida que não fosse satisfatória para o indivíduo, era uma morte serena e tranquila.

Tenho certeza de que Antonio Gaspar teve uma vida boa, cheia de alegrias e realizações. Tenho certeza que ele foi um homem feliz e realizado em todos os âmbitos e sei que quem mais perde com sua partida somos nós que ficamos aqui sem mais desfrutarmos de seu bom humor e de sua agradável companhia.


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