Nas locadoras: “Conspiração Xangai”

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Conspiração contra Xangai? Noir chega às locadoras.

Shanghai (2010). Direção de Mikael Håfström. Escrito por Hossein Amini. Estrelando John Cusack, Gong Li, Chow Yun-Fat, Ken Watanabe, David Morse e Jeffrey Dean Morgan.

Conspiração Xangai

A conturbada história dos bastidores de Conspiração Xangai renderia mais assunto para uma publicação do que comentários sobre o filme em si. Produzido pela Weinstein Co., dirigido pelo sueco Mikael Håfström, que fizera sucesso com o ótimo suspense 1408, e escrito por Hossein Amini, antes de despontar em Drive e Branca de Neve e o Caçador, este filme noir estrelado por John Cusack e ambientado na única cidade chinesa ainda não dominada pelos japoneses no curso da Segunda Guerra Mundial nos meses que antecederam o ataque a Pearl Harbor encontrou problemas quando a China embargou as filmagens no país, embora já houvesse sets construídos avaliados em US$ 3 milhões. Contornando a proibição e recriando tudo na Inglaterra e Tailândia (a pressa é refletida no mal-acabamento do porto logo na cena inicial), as gravações enfim finalizaram em 2008 e, embora o filme estivesse sendo exibido ao redor do mundo, ele amargou o esquecimento nas gavetas da produtora até ser lançado nos Estados Unidos só no ano passado através do sistema video on demand (rumores indicavam um vai-e-vem na pós-produção e as frustradas tentativas de reparar o filme…).

Já nós, brasileiros, temos a chance de conferir se Conspiração Xangai é o desastre anunciado e, para minha surpresa, os temores são exagerados. Na história, Paul Soames (John Cusack) é um espião infiltrado em Xangai para investigar o assassinato do melhor amigo e também espião (uma ponta de Jeffrey Dean Morgan). Aproximando-se do influente gângster Anthony Lan-Ting (Chow Yun-Fat) e da sua esposa Anna (Gong Li, bela e charmosa), por quem se apaixonará, Paul esbarra em um mistério maior do que esperaria e que envolve Tanaka (Ken Watanabe, comoventemente humano), um perigoso e desconfiado oficial japonês.

Como todo filme noir, a narrativa faz bom uso das sombras na fotografia de Benoît Delhomme, aposta na narração in off e recorre a personagens ambíguos e maliciosos, mas facilmente manipuláveis pelas mulheres que os cercam (as tais femmes fatales). É óbvio que nas mãos de John Huston ou Orson Welles, e estrelando Humprey Bogart em vez de John Cusack, a versão um tico menos picareta de Nicolas Cage, o resultado seria bem mais recompensador, refinado e focado na inesperada reviravolta. Da forma como está, ainda é um bom filme, embora carente de diálogos memoráveis, um grande protagonista, motivações concretas (a obsessão em desvendar o crime e a paixão por Anna são mornas mesmo para um espião) e um desfecho melhor trabalhado.

Falta-lhe a classe que esbanja no exotismo.

E você, o que achou de Conspiração Xangai? Deixe conosco a sua opinião.

3 comentários para "Nas locadoras: “Conspiração Xangai”"


  1. Jorge

    xanghai é apenas correto

  2. @dantast

    Quero ver (por causa do texto, unica e exclusivamente).

  3. jota paulista

    É um com filme, com um final cadê o resto.

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