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REI ZULU E SEU ESTILO DE MMA – O “TARRACÁ”

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REI ZULU E SEU ESTILO DE MMA – O “TARRACÁ”

 LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

IHGM / ALL

 Trabalho apresentado no Congresso Brasileiro de História do Esporte, Lazer e Educação Física, em Londrina-Paraná, em agosto de 2014:

TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO[1], LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ[2] – Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão / Academia Ludovicense de Letras

Palestra apresentada no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão em 27 de abril de 2011; publicado na Revista do IHGM 37, março 2011.

 

O lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava –  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense.

O Vale-Tudo é uma modalidade de combate sem armas, onde os lutadores utilizam apenas os seus corpos para ferir e possui com isso, poucas regras, o suficiente para preservar a integridade física dos lutadores, bastante amplo em termos técnico-táctico com um sistema muito próprio de preparação e desenvolvimento bastante complexo devido à exigência das lutas.

É uma modalidade de luta com contacto pleno (full contact) em que os adversários nem sempre precisam seguir um único estilo de arte marcial. Essa modalidade foi muito difundida no Brasil, inicialmente pelos irmãos Gracie. O evento que mais difundiu a modalidade foi o Ultimate Fighting Championship, que em seus primórdios havia menos regras e restrições, além de haver várias lutas na mesma noite, sem limite de tempo[1]:

O vale-tudo começou na terceira década do século XX, quando Carlos Gracie[2], um dos fundadores da luta marcial brasileira Gracie Jiu-Jitsu[3], convidou cada competidor de modalidades de luta diferentes. Isso era chamado de “Desafio do Gracie”. Mais tarde, Hélio Gracie e a família Gracie e principalmente, Rickson Gracie[4], mantiveram este desafio que passaram a se dar como duelos de Vale Tudo sem a presença da mídia. [5]

Tendo como referência o Rei Zulú, tem-se a origem do “Tarracá” e, leva-nos ao moderno movimento das lutas corporais, hoje corporoficadas na sigla MMA – as artes marciais misturadas modernas com suas raizes em dois acontecimentos: o vale-tudo no Brasil, e o “shoot wrestling japonês.

 Wrestling” (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em “clinch”, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do “grappling”. Uma luta de “wrestling” é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de “sparring”, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos (Wikipédia

Dentre as correntes esportivas contemporâneas, encontramos, dentre outros, os Esportes Tradicionais, esportes consolidados pela prática durante muito tempo – os Esportes das Artes Marciais – provenientes da Ásia, inicialmente praticadas militarmente pelos guerreiros feudais, e hoje práticas esportivas: jiu-jitsu, judô. Karatê, taekwondo; os Esportes de Identidade Cultural, que são aqueles com vinculação cultural: no Brasil, a Capoeira principalmente; são identificadas outras modalidades esportivas de criação nacional, de prática localizada nos seus ”lócus”, inclusive as indígenas: Uka-uka, Corrida de Toras, etc., sem preocupações de práticas por manifestação. ((TUBINO, 2010, p. 54-57).

 

SENHORAS E SENHORES PERMITAM-ME APRESENTAR-HE…TARRACÁ.

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984www.bullshido.net

 No Japão, década de 80, Antonio Inoki organizou uma série de lutas de artes marciais misturadas – o “shootwrestling, com a formação de uma das primeiras organizações japonesas de artes marciais misturadas conhecida como “shooto”.

A partir de 1993, Rorion Gracie e outros sócios criaram o primeiro torneio de UFC, quando as artes marciais misturadas obtiveram grande popularidade nos Estados Unidos.

Os japoneses, em 1994, criam o “Free Style Japan Championship” ou “Open Free Style Japan” em 1994.

Rickson Gracie – um grande lutador de Vale Tudo do Brasil na década de 1970 e 1980, e que fazia lutas em MMA no Open Japan, vencendo as duas primeiras edições (1995 e 1995); luta também nas Primeiras edições do “PRIDE Fighting Championships.

O UFC passou a ficar em baixa, perdendo valor e sendo proibido em vários estados dos Estados Unidos.

 Em 2001, os empresários Dana White, Lorenzo e Frank Fertitta compraram o UFC, fundando uma empresa chamada Zuffa. Após várias mudanças nas regras conseguiram legalizar o esporte em praticamente todos os estados americanos.

Em 2007 o UFC compra o Pride, levando vários atletas do Japão para os EUA e tranformando o UFC na maior organização de MMA do planeta.

WingChun Lawyer se posiciona, em sítio dedicado ao MMA:

I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough - although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.

Eu tenho medo que eu tenho não mais dados concretos sobre Zulu. Ele lutou basicamente depender de sua força impressionante, e foi-me dito que ele conseguiu lançar Rickson fora do ringue um par de vezes antes de serem apresentados. Principalmente o que eu encontrar on-line são posts no fórum com informações úteis ou não mais confiáveis, em inglês ou em português. Eu pensei que era um assunto interessante porque, bem, ele parece que Tarracá foi criado do zero – Rei Zulu´s habilidades de boxe são realmente estranhas, seus movimentos são estranhos, e olhar áspero – embora alguns dos seus lances faria muitos uma judoca invejosos. Só sei he afirma ter criado Tarracá do zero porque eu achei uma entrevista muito curta sobre um blogspot, aparentemente ainda luta e executa um ginásio onde ele ensina Tarracá.

Rei Zulú é a maior referencia do “Vale Tudo” no/do Maranhão. Nascido Casimiro de Nascimento Martins, em 09 de junho de 1947 é um lutador de Vale-Tudo. Ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Após 17 anos de competição estava invicto após 150 lutas (década de 1980). Lançou um desafio à família Gracie para ver quem era o melhor lutador de Vale Tudo de toda a nação.  Em entrevista – antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980) -, disse que “seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”.

O Rei Zulu tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali. Nunca freqüentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de freqüentar academia, por isso treina no quintal de casa: empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5 Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Possuía uma força naturalmente descomunal.

É pai do também lutador Zuluzinho. Em entrevista (Budo International, Blackbelt) Zuluzinho enumera seu jiu-jítsu (faixa-roxa) e Vale Tudo, afirma ter aprendido Tarracá com seu pai, responsável pelo método de treinamento utilizado pelo lutador em todos esses anos.

Rei Zulu nunca praticou artes marciais, desenvolveu seu estilo próprio que se aproxima de brigas de ruas: Eu só sei que ele afirma ter criado Tarracá a partir do zero, porque eu encontrei uma entrevista muito curto em um blogspot, aparentemente, ele ainda luta e corre uma academia onde ensina Tarracá. (WingChun Lawyer)

Mauricio Kubrusly, em “Me leva Brasil” entrevistou Rei Zulu em São Luis do Maranhão, onde reside: Quem primeiro me treinou foi meu pai. E tem a prática com zorras, os pneus… é que no interior chama zorras. E ele conhecia também o tarracá, a luta dos índios. 

Marc Magapi, em outra reportagem, descreve o ritual do Rei Zulú em suas lutas, como também informa ser seu pai o criador do estilo que “desenvolveu”:

Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia.

Esse mesmo autor informa ter havido em São Luís do Maranhão uma “arena de lutas”, denominada de “Terreiro Tarracá”, no Bairro do João Paulo, onde era disputado um campeonato semanal de Vale Tudo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú”:

1997 São Luis – MA – tem uma faixa lá no João Paulo (bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma […] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo […] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá. 

Mestre Baé – da Federação de Capoeira – responde e informa sobre o “ATARRACAR” em correspondência eletrônica,

Com relação ao tema ATARRACAR; posso lhe adiantar o seguinte: desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu sou da Baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana, Penalva, e Municípios vizinhos. Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tiso/avós falavam que isso sempre existiu o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremessar o outro no chão através de uma queda.Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases, nomenclatura de movimentos, regras e etc..

Então, é uma tradição na Baixada, uma forma de movimento agonístico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Este Mestre Capoeira não considera aquela brincadeira como luta, dado seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização.

Em outra correspondência, recebida de Mestre Marco Aurélio, em que indaguei sobre a busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que aprendera com seu pai, o Rei Zulú; Zulu, criado em Pontal, no interior do Maranhão, onde aprendera uma luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região: o Tarracá:

Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela região das águas falarem-me a respeito.  

No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”.  Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates. Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que se dava a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo… Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior.

Quanto à origem do Atarracado – Tarracá -, Mestre Marco Aurélio diz:

[…] não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências.  Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens” uma prática que existe rasteiras e desequilibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão. No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água.

Em outra mensagem eletrônica, Mestre Marco Aurélio acrescenta:

Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú.  Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante saíram em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú. Daí há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais.  

Encontrei, ainda, descrição de luta-jogo semelhante, trazida por vaqueiros portugueses, durante o período colonial, a Galhofa – o “wrestling tradicional transmontano” – que se define como um desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha.

Em depoimento de Álvaro (Vavá) Melo, de Osvaldo Pereira Rocha, e de Edomir Martins, jovens nos seus mais de 80 anos, que quando crianças e adolescentes, costumavam praticar o ‘atarracado’ e o ‘atarracar’, na região da Baixada, onde moravam.

Osvaldo Rocha, ilustre pesquisador e historiador, disse-me que, embora franzino, costumava ganhar algumas das ‘brincadeiras’, pois o segredo era a agilidade em agarrar a perna do adversário e levá-lo ao chão; tão logo autorizado o combate, a rapidez com que se lançava ao adversário era fundamental.

Já Álvaro Mello, Vavá, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, cronista do Arari e de São Bento, deu seu depoimento, ressaltando que os embates se davam na beira do rio, e os combatentes saiam cobertos de lama; O mesmo disse Aymoré Alvim – ilustre pesquisador hoje aposentado, da nossa UFMA/Medicina.

De Barreirinhas, em conversa com alguns professores de educação física de algumas comunidades do interior daquele município, falaram-me haver por ali, ainda, um jogo/luta semelhante ao descrito, mas que ali, denominavam de ‘queda’.

MALUTA OU QUEDA

Características. É uma forma de luta tradicional, conhecida em quase todo o distrito [Guarda] e praticada ainda em várias aldeias. É semelhante à luta grco-romana, embora tecnicamente mais rudimentar.

Espaço. É no feno e na palha, no Outuno e no Inverno, que os homens que os homens das zonas rurais medem as suas forças testando derrubar o opositor. Também no Verão, na época das malhas, surgem os desafios nas eiras.

Desenvolvimento. Na Maluta ou Queda, os dois lutadores agarram-se, passando um dos braços por cima do ombro do adversário e o outro por baixo, entrelaçando os dedos das mãos, assentes sobre as costas do adversário.

O único objetivo do jogo é fazer cair o opositor, por forma a que toquem com as costas no solo.

Conforme o combinado, poderá fazer-se ou não uso da ‘travinca’ (meter a perna para desequilibrar o outro lutador).

Trata-se, pois, de lutas saudáveis, em que os participantes continuam amigos depois de medirem forças, independentemente dos resultados e das pequenas mazelas que possam ser originados pela entrega mútua ao jogo.

Rei Zulú, que praticava o que denominou de “tarracá” em sua infância, como atividade corriqueira, jogo/luta de sua infância, e dada suas características físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão.

Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé, ou atarracado, segundo Marco Aurélio – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava –  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense…

Foi encontrado que em diversas regiões do Maranhão, ainda hoje, se pratica uma luta, que recebe diversas denominações – tarracá, atarracado, atarracar, queda – de origem possível portuguesa, tradicional hoje nas brincadeiras de crianças.

[1] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_tudo

[2] Carlos Gracie (Belém, 14 de setembro de 19027 de outubro de 1994) foi um mestre do Jiu-Jitsu no Brasil. Filho de Gastão Gracie e aluno de Mitsuyo Maeda, ele é considerado o criador do sistema de luta marcial brasileira Brazilian Gracie Jiu-Jitsu (BJJ) e o precursor de todos os lutadores que tornaram a família Gracie mundialmente famosa. Seu aluno mais famoso é o irmão mais jovem, Hélio Gracie. (In http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Gracie)

[3] Jiu-jitsu brasileiro ou Gracie jiu-jitsu – é uma luta marcial brasileira e estilo de jiu-jitsu desenvolvido pela família Gracie, que tornou-se a forma desse esporte mais praticada no mundo.

[4] Rickson Gracie (Rio de Janeiro, 20/11/1958) é um artista marcial praticante do Jiu-Jitsu Gracie (ou Jiu-Jitsu Brasileiro) e ex-lutador de MMA e vale-tudo. Atualmente mora nos Estados Unidos e é conhecido mundialmente. Possui 487 lutas entre desafios de Vale tudo, MMA, Torneios de Jiu-Jitsu, Sambô e Luta livre, e afirma ter vencido todas por finalização. (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie)

[5] in http://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_marciais_misturadas

[1] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Artes_marciais_misturadas

[1] Rorion Gracie é um praticante de artes marciais brasileiro. É o filho mais velho de Hélio Gracie. Rorion é uma das poucas pessoas do mundo a deter o grau 9, ou seja, a faixa vermelha do Jiu-jitsu brasileiro. Rorion recebeu essa promoção de seu pai em 27 de outubro de 2003. Foi um dos fundadores do Ultimate Fighting Championship. Tendo como base os combates de gladiadores, desenhou o octógono do UFC. É o criador e proprietário da Academia Gracie em Torrance, Califórnia. Ele mora nos Estados Unidos desde a década de 1970 onde, inicialmente dava aulas de jiu-jítsu na garagem de casa. (in http://pt.wikipedia.org/wiki/Rorion_Gracie)

[1] In (http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3  (grifos nossos)

[1] LAROCHE, Marília de. “Conheça Rei Zulu e Zuluzinho, os lutadores do Maranhão, disponível em  http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_13/2010/11/15/ficha_ragga_noticia/id_sessao=13&id_noticia=30972/ficha_ragga_noticia.shtml e em http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=126140

[1] Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rei_Zulu

[1] Algumas lutas de Zuluzinho:

http://www.youtube.com/watch?v=2RZtRfylWqA; http://www.youtube.com/watch?v=twbmb_i5YNk

[1] http://www.bullshido.net/forums/showthread.php?t=51830&page=3

[1] Kubrusly, Mauricio in

 http://fantastico.globo.com/platb/melevabrasil/2008/04/08/zuluzinho-x-zuluzao/

[1] MAGAPI, Marc. “Esses loucos lutadores e suas estranhas manias”disponível em http://www.fisiculturismo.com.br/forum2/viewtopic.php?t=27186

[1]MAGAPI, Marc “O encontro de Magapi com Rei Zulú” disponível em http://magatown.br.tripod.com/antigas.htm;

Ver também http://www.sherdog.net/forums/f2/closed-door-underground-fights-389143/

[1] TUBINO, Manoel José Gomes. ESTUDOS BRASILEIROS SOBRE O ESPORTE – ênfase no esporte-educação. Maringá: Eduem, 2010

[1] DIEM, Carl. História de los deportes. Barcelona: Corali, 1966

[1] EPPENSTEINER, F. El origen Del deporte. In CITIUS, ALTIUS e FORTIUS. Madri, XV, p. 259-272, 1973

[1] in http://www.facebook.com/topic.php?uid=136381899755284&topic=70

“Como acontece com os adversários naturais, Luta Livre elementos absorvidos do jiu-jitsu, assim, como jiu-jitsu elementos absorvidos luta livre no processo de tornar-se “Bjj”. Muitos especialistas do jiu-jitsu lutaram profissionalmente no contexto pro-wrestling. Entre algumas das culturas de luta presentes no contexto brasileiro, tendo algum impacto sobre a luta livre brasileira, podemos considerar wrestling huka huka (dos povos indígenas amazônicos), marajoara wrestling (praticado nas areias da Ilha do Marajó), tarracá (praticado no Maranhão) e capoeiragem (especialmente a partir da tradição praticada no Rio de Janeiro). Enquanto alguns especialistas mais antigos vieram do “greco-romano” wrestling contexto, a luta livre também recebeu algumas de suas influências”

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grappling

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wrestling#Catch_wrestling

[1] Mestre Baé – FECAEMA – Federação de Capoeira do Estado do Maranhão. Mestre/Presidente do Grupo Candieiro de Capoeira Ver Orkut;Mestre Baé ou baecapoeira@hotmail.com

[1] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. In Blog do Leopoldo Vaz, disponível em: http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/22/em-busca-do-elo-perdido-historiamemoria-da-educacao-fisica-nodo-maranhao/

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CEV Novidades – •A Dispensa nas Aulas de Educação Física no Ensino Médio: Legalidade e Legitimidade

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Editores de Publicações Científicas : Revistas Científicas Aceitam Artigo Criado em Gerador de Lero-lero e Escrito Por Maggie Simpson

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Legislação Desportiva – CEVLeis: Resoluções Cne

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A Educação do Corpo nas Duas Primeiras Conferências Nacionais de Educação da Associação Brasileira de Educação (1927 e 1928)

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Los Primeros Juegos Deportivos Bolivarianos de Bogotá En 1938 Y La Integración Regional Por Medio Del Deporte

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O Desejo, o Direito e o Dever – a Trama Que Trouxe a Copa Ao Brasil

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Legislação Desportiva – CEVLeis: Bolsa-atleta Dou 8-12-14

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Agita (Programa): Maioridade do Agita no Blog do Douglas

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MIM-ENTREVISTA com Leopoldo Gil Dulcio Vaz

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Semana passada realizei uma entevista comigo mesmo – mim-entrevista – sobre o lançamento de meu livro ‘Querido Professor Dimas“. Hoje dou continuidade à mesma, mas me referindo aos outros lançaentos, dete ultimo ano…

Além de “Querido Professor Dimas”, lançado dia 29 ultimo, o que mais produziu/lançou este ultimo ano?

Se considerarmos’ultimo ano’ como os ultimosa 12 meses, foram:

1. ATLAS DO ESPORTE NO MARANHÃO- na Feira do Livro do ano passado (Outubro); edição já colocada à disposição desde 2012, pela Secretaria de Esportes; cedi os direitos dessa 1a. edição à SEDEL, que a publicou em CD, com uma capa bonita… é daquele tipo de trabalho que não acaba, pois está, esta edição, restrita aos primeiros 300 anos da implantação das atividadas da lúdica e do movimento; isso, sem contarmos o periodo pré-colonial… trabalkho iniciaod ainda em 2004, proposta do Prof.; Dr. Lamartine Pereira DaCosta, de realização do Atlas do Esporte no Brasil. Do qual sou pesquisador-associado, no capitulo referente ao Maranhão – ver www.atlasesportebrasil.org.br – em suas edições em papel (2005) e eletronica (2007), que vem sendo atualizada anualmente. Resolvi colocar, a pedido do Joaquim, em papel a parte referente ao Maranhão, que ainda está em cosntrução. Básicamente, está ali registrado desde as primeiras noticias de atividade esportiva, do periodo pre-colonial, colonial, iniciado este por volta do final dos 1600, até por volta de 1970… alguns capitulos estão atuyalizados até a decada de 1990, outros 2000…

2. PROJETO GONÇALVES DIAS foram tres livros

a. 1000 POEMAS PARA GONÇALVES DIAS – este em dois volumes

b. SOBRE GONÇALVES DIAS

– consta de tres volumes, dedicados a Antonio Gonçalves Dias, em parceria/coautoria com a poetisa Dilercy Aragão Adler. Coleta de 1000 (mil) poemas para Gonçalves Dias – contou com cerca de 898 poetas do mundo todo, quatro continentes, 22 paises, 23 estados brasileiros, 89 cidades maranhenses… foram quase quatro anos de trabalho; o segundo volume, uma coletanea de trabalhos literários-cientificos sobre a vida e a obra do poeta caxiense – sobre Gonçalves Dias – também com 48 pesquisadores… O primeiro livro – Mil Poemas para Gonçalves Dias, em dois volumes, sendo o I com 999 poemas, e o segundo, o milésimo, um unico poema de autoria de Alberico Carneiro…

Este ano, além do livro sobre o Dimas, foram lançados outros tres

3. CRONICA DA CAPOEIRAGEM, disponibilizado via ‘nuvem’ – livro eletronico – e é destinado aos alunos do curso que a UFMA está prestes a promover, aos Mestres Capoeiras, organizado pelo Prof. Dr. Tarcísio; a disciplina História da Capoeira firará sob minha responsabilidade. Espero que o projeto possa disponibiliza-lo em papel, de forma tradicional. Está diponivel em http://issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_issuu/1

CRONICA DA CAPOEIRAGEM JÁ ESTÁ NO AR!!! – Blogs  www.blogsoestado.com/…/2014/…/cronica-da-capoeiragem-ja-esta-no-ar…

 4. ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS – PERFIS ACADEMICOS: FUNDADORES – como o titulo se refere, trata-se dos perfis academios dos fundadores da ALL, orgasnizado por mim, na qualidade de Secretário Geral da Academia, e um dos membros fundadores. Lançado em agosto, no dia 10, data do primeiro aniversário da ALL, em cerimonia no Auditorio Cetral da UFMA.
5. DIÁRIO DE VIAGENS – o quarto volume do Projeto Gonçalves Dias, também em parceria com a poetisa Dilercy Adler (coautora); relatório da viagem que os navegantes da nau gonçalvina fizeram ano passado, por ocasião do lançamento dos “1000 Poemas…” e de “Sobre GD”. Desde a chegada dos mais de 200 convidados para a festa de lançamento, de várias partes do mundo, da America Latina, do Brasil, do Maranhão, de São Luis… Foram cinco dias de festas, aqui, em São Luis, em Caxias, e em Guimarães, retornando a São Luis… os participes, em viagem por essas cidades, resolveram escrever sobre a aventuda dessa Nau, transformada em um “Diário de Viagem”…
Foram, então seis livros…
Pois é… seis livros em um ano… sem contar os artigos, as intervenções no Blog… Este ano, agora em agosto, participei de mais um Congresso Brasileiro de História dos Esportes, Educação Física, e Lazer, na cidade de Londrina, no Paraná. Foram cinco os trabalhos aprovados e lá apresentados, em comunicação oral, além de ter participado como coordenador de mesa…
Dos trabalhos apresentados, tres se referem à História dos Esportes no Maranhão:

MIGUEL HOERHANN – PIONEIRO DA EDUCAÇÃO PHYSICA NO MARANHÃO

Leopoldo Gil Dulcio Vaz  /  IF-MA / IHGM – ALL / vazleopoldo@hotmail.com

RESUMO – Registra-se o nascimento das atividades esportivas no Maranhão e traz Miguel Hoerhann como o primeiro professor de Educação Física, atuando na Escola Normal, Escola Modelo, Liceu Maranhense, Instituto Rosa Nina, nas escolas estaduais e até nas municipais, estimulando a prática da cultura física.   Educação Física; História; Maranhão

FRAN PAXECO – UM DOS PROPUGNADORES DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO MARANHÃO

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ / IF-MA / IHGM / ALL / vazleopoldo@hotmail.com

RESUMO – Ao estudar a introdução da Educação Física/Ginástica no Maranhão, encontra-se o portugues Fran Paxeco como um dos incentivadores. Miguel Hoherann, o primeiro Diretor da Divisão de Educação Física do Estado expediu um diploma ‘aos propugnadores da educação física’, estando o consul portugues entre os agraciados. Anos depois, quando da realização do I Congresso Pedagógico do Maranhão, 1922, Fran Paxeco inclui a Educação Física como uma área a ser estudada, buscando sua regulamentação nas escolas públicas. EDUCAÇÃO FÍSICA. MARANHÃO. FRAN PAXECO

 

TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO…

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ / IF-MA / IHGM / ALL / vazleopoldo@hotmail.com

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984  www.bullshido.net

RESUMO – Busca-se a origem do estilo de luta “Tarracá”, supostamente criado pelo lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins. Rei Zulú, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava –  e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense. MMA. TARRACÁ. REI ZULU

Os outros dois trabalhos, aborda aspectos históricos da Educação Física escolar, e História da Capoeira, um dos capítuloos do livro “Cronica da Capoeiragem”:

O “CHAUSSON/SAVATE” INFLUENCIOU A CAPOEIRA?LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ  /  IF-MA / IHGM / ALL

RESUMO – Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.  Capoeira. História. Chausson. Savate.

 

INFLUENCIA MILITAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ  /  IHGM / ALL  /  vazleopoldo@hotmail.com

 RESUMO – A historiografia no campo da educação física tem afirmado, em vários estudos, a prerrogativa dos militares na educação por meio da educação física. Desde o século XVIII, encontram-se propostas precursoras de um tipo de Educação Física que se tornaria em modelo pedagógico para os séculos seguintes: a gymnastica, constituída como um conjunto de exercícios organizados com o objetivo de cuidar do corpo. EDUCAÇÃO FÍSICA. INFLUENCIA MILITAR. HISTÓRIA

Mandei ainda um quinto trabalho, que afinal foi aproveitado, quando da discussão sobre o uso da memória oral e da história de vida na historiografia:

 

Mais algum trabalho publicado este ano?

Como sabe, sou membro do IHGM e, agora, da ALL; na revista do IHGM que deve sair ainda este mes, parece-me que foram aprovados dois artigos; na ALL em Revista, além de ser seu editor, teremos quatro numeros este ano, referente ao anos de 2014, tres já disponiveis na nuvem, e o ultimo deste primeiro volume, a numero 4, deve sair ainda este ano, até o dia 30. Em todas tenho artigos mpublicados…

 

 

 

 

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CURSO INTERNACIONAL E GINÁSTICA RITMICA – EM PERNAMBUCO

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CURSO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA RÍTMICA COM A RUSSA KAMILLA KAYUMOVA, EM RECIFE (PE).

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GUARDA NEGRA NO IMPÉRIO – Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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monarquiaja

Apresentamos mais informações sobre Guarda Negra e a Capoeiragem
Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br/
Edição 54 – de 18/dez a 25/dez de 2005

Leopoldo Gil Dulcio Vaz
São Luis do Maranhão-MA
Dezembro de 2005

Os movimentos pela abolição da escravatura são iniciados a partir de alguns eventos ocorridos: a cessação do tráfico negreiro da África, em 1850; a volta vitoriosa de negros da Guerra do Paraguai, que se estendeu de 1865 a 1870, a promulgação da Lei do Ventre Livre; a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão (tendo José do Patrocínio e Joaquim Nabuco como fundadores); a Lei Saraiva-Cotegipe (mais popularmente conhecida como a Lei dos Sexagenários).

Dois conceitos históricos são entendidos por abolição da escravatura: o conjunto de manobras sociais empreendidas entre o período de 1870 a 1888 em prol da libertação dos escravos, e a própria promulgação da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, que promove a oficialização da abolição do regime.

As mudanças ocorridas afetavam diretamente a economia de produção neste período do Brasil. Após as medidas oficiais anti-escravistas determinadas pela Lei Áurea, os senhores escravistas, insatisfeitos com a nova realidade, intencionavam exigir indenizações pelos escravos libertos, não obtendo nenhum aval do Império. Desta forma, surgiram os movimentos republicanos, que foram engrossados com a participação dos mesmos senhores que eram antigos detentores da “mercadoria escrava” e que, descontentes com as atitudes do Império, acabaram por defender um novo sistema de governo, decorrendo daí um dos principais motivos da derrocada final do Império. Por outro lado, a mão de obra proveniente das novas correntes imigratórias passa a ser empregada. Os negros, por um lado libertos, não possuíam instrução educacional ou a especialização profissional que passa a ser exigida, decorrendo destes aspectos a permanência dos negros à margem da sociedade frente à falta de oportunidades a eles oferecidas pelos republicanos. Tivesse sido mantida a Monarquia, a situação dos negros seria outra.

Nesse contexto, a Guarda Negra foi formada por José do Patrocínio em 28 de setembro de 1888, como um movimento paramilitar, composto por negros, que tinha passagem pelo Exército e com habilidade em capoeira. O objetivo dele era demonstrar gratidão à família real pela abolição e intimidar republicanos e tumultuar os comícios. A ação da Guarda Negra travava batalhas com os partidários do fim da Republica, sendo classificados como terroristas.
Muito embora Patrocínio, em virtude da Lei Áurea, seja identificado como monarquista e formado a Guarda Negra para defender a Princesa Izabel, aderiu às idéias republicanas.
O jornalista Renato Pompeu, em “Confissões de um trirracial”, afirma saber que:

“… a República foi proclamada porque o Império, ao proclamar a Abolição, ficou comprometido com o futuro dos negros recém-libertados, como prova o fato de que só guarnições militares compostas de negros, como a Guarda Negra da Princesa Isabel, resistiram ao golpe de Estado de 15 de novembro de 1889. O regime republicano, assim, nasceu, e continua, sem nenhum compromisso maior com as pessoas de pele mais escura.”[5]

• Por essas ações, cada vez mais violentas, houve perseguição aos negros, em sua maioria capoeiras, e ligados a guarda negra, provocando sua marginalização, quando do advento da República, e a conseqüente criminalização do ato de praticar capoeira… (Logo após a Proclamação da República (1889), a capoeira foi proibida pelo Marechal Deodoro, permanecendo nessa situação até 1937 quando Mestre Bimba a tira do código penal e a leva a esporte nacional).

Em São Luís do Maranhão, encontramos um episódio relacionado com a participação dos negros no processo de combate à República recém proclamada. Foi denominado de “o fuzilamento do dia 17″, e ocorreu com uma manifestação de escravos, recém-libertos, contra Paula Duarte, o único republicano no novo governo, conforme informa Mario Meireles, e isso porque se dizia que o novo regime vinha para tornar sem efeito a Lei Áurea. Os manifestantes foram à redação de “O Globo”, jornal republicano, e tentaram o empastelar. A polícia interveio, dispersando-os. Na boca do povo, e naquelas circunstâncias, teria ocorrido um massacre – os fuzilamentos do dia 17. (Meireles, Mário. História do Maranhão. 2 ed. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1980, p. 307).

Milson Coutinho, ao descrever os acontecimentos daquele dia 17 de Novembro – Maranhão, 1889: fuzilamentos e torturas.
a percorrer as ruas de São Luís dando vivas à Monarquia.” (p. 18)

Prossegue Coutinho o seu relato, informando que a turba passou em frente à casa do Desembargador Tito de Matos, ainda respondendo pelo Governo da Província: “…estancou a passeata, com a finalidade de cumprimentar o Magistrado, derradeiro lampejo da Monarquia deposta e última esperança da malta enfurecida”. (p. 18-19).

Malta enfurecida? Coutinho a teria usada em que sentido? De identificar os manifestantes com as maltas de capoeira que agiam no Rio de Janeiro, dando vivas à monarquia e contra o novo regime? No-lo sabemos …

Prosseguindo, O Desembargador pediu as massas que aguardassem a ordem, dissolvessem a passeata. Esses acontecimentos se deram pela manhã. Os espíritos serenaram e a tranqüilidade pública volveu à Capital. Mas…

“…por volta das 15 horas do dia 17 os ânimos voltaram a se reacender, com novos grupos de anarquistas a percorrer as ruas e praças da capital, estocando todos os segmentos da balbúrdia em frente ao jornal de Paula Duarte, desaguadouro do contingente de alucinados que para ali convergiam, provindos de quantos becos se contassem, isto já em profusa massa humana.
“O Comandante do 5º. Batalhão de Infantaria destacou, para o local uma força devidamente embalada, tropa essa que se postou em frente à tipografia de Paula Duarte, a partir das 16 horas, a fim de garantir a segurança do jornalista e evitar a depredação do edifício.”.(p. 19, grifos meus).

Os revoltosos debandaram, proferindo gestos coléricos e invulgar alacridade, e assim se passou o resto da tarde, sem outras conseqüências que não o clima de total intranqüilidade reinante.

“Os relógios assinalavam pouco mais das 19 horas, quando a multidão enfurecida e com muitos de seus componentes já armados voltou à carga para tirar a prova de fogo
“Iniciou-se a fuzilaria, de que resultou a morte imediata de três manifestantes, ferimentos em 11 outros, lesões em vários soldados, cabo e sargento do destacamento, vindo a morrer depois, na Santa casa, um dos sediciosos ferido por balaço da tropa.” (p. 20).

Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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15 pequenos prazeres para você curtir nas férias

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15 pequenos prazeres para você curtir nas férias

Meire Cavalcante


Para um professor, férias não costumam ser sinônimo de descanso. Há sempre um curso para ser feito, um congresso sobre Educação para participar, uma tarefa para terminar, assuntos domésticos para resolver. Isso é normal, pois quem passa o ano inteiro se dedicando aos alunos e à escola acaba deixando mesmo a casa e a família de lado. Mas e você? Não vai tirar um tempo para recarregar sua bateria? Sugiro que você reserve uns dois ou três dias só para relaxar. Em geral, as pessoas que levam uma vida muito corrida não sabem o que fazer com o tempo livre. Não se preocupe. “Tudo o que você precisa é descanso, diversão e desenvolvimento pessoal”, diz o especialista em lazer e recreação Leopoldo Gil Dulcio Vaz. O descanso se caracteriza pelo tempo de sono (em média oito horas) e por atividades que proporcionem o repouso da mente e do corpo. Diversão é toda atividade não desenvolvida em troca de remuneração e que traga prazer, realização. Ou seja, qualquer coisa que você faça sem compromisso. E desenvolvimento pessoal é todo ganho intelectual que você adquire no tempo livre. Pode ser até com um curso ou um livro, mas que passe bem longe de uma obrigação. Foi com base nesses conceitos que esses pequenos prazeres foram formulados para você curtir nas férias. Escolha seus preferidos e relaxe!

1. Tirar uma soneca – Depois do almoço, sempre bate aquele sono, uma vontade de deitar na rede, na cama, no sofá, em qualquer lugar tranquilo para descansar. Como praticamente não dá para fazer isso o ano inteiro, reserve algumas de suas tardes nas férias para uma soneca. Você vai acordar outra pessoa.

2. Cozinhar para um amigo querido – Convide um amigo bem divertido para almoçar. Aí, coloque seu CD preferido para tocar e vá para a cozinha brincar de “bruxa” e fazer mágica com seus “caldeirões”. Claro que tudo pode se resumir a um prato simples que vocês adorem. Mas é importante arrumar bem a mesa onde você e seu amigo vão saborear a obra-prima. Um copo de vinho branco gelado ou um suco colorido (de melancia, por exemplo) ajuda a soltar a conversa e a alterná-la com boas gargalhadas.

3. Curtir um bom filme – Alugar alguns DVDs é uma ótima maneira de ver aqueles filmes que todos comentam, e você não viu. À tarde ou no começo da noite, você pode desfrutar de uma gostosa “sessão pipoca” vendo alguns dos filmes que você queria ver.

4. Ligar para alguém que não vê há muito tempo – Dê um telefonema àquele amigo ou parente que você não vê há muito tempo, mas que não sai da sua cabeça. Na correria, é comum deixar para conversar depois, mas essa hora nunca chega. Aproveite que tem tempo para contar as novidades e matar as saudades. Dessa forma, você dá e recebe carinho e atenção. Esse contato faz muito bem, mesmo que seja apenas pelo telefone.

5. Ir ao parque e brincar como criança – Uma bela montanha-russa, o carrossel ou o carrinho bate-bate. O que importa mesmo é quebrar a rotina, se divertir como as crianças e os jovens para quem você ministra aulas. Assim, você desliga a cabeça e desperta o seu lado criativo e emocional. Se escolher a montanha-russa, não se esqueça: solte a garganta quando despencar lá de cima!

Fonte: Adriana Friedmann, educadora e autora do livro A Arte de Brincar, Ed. Vozes.

6. Harmonizar a casa – Segundo o feng shui, técnica chinesa milenar que equilibra o ambiente, a posição de móveis e objetos dentro de casa pode proporcionar mais saúde, prosperidade e tranquilidade. Quem já experimentou diz que funciona. Aqui estão algumas sugestões para você curtir e, ao mesmo tempo, atrair boas energias para sua vida:

Na sala, deixe o sofá de frente para a porta de entrada para “abraçar” aqueles que chegam.
Na cozinha, use tons de verde e enfeite o ambiente com belas cores de frutas, verduras e legumes. Isso atrai a fortuna e a fartura.
No quarto do casal, coloque um quadro com tons vermelhos acima da cabeceira para estimular a paixão. Se for redondo, melhor: o redondo unifica e integra a relação do casal.
Posicione a cama de forma que seja possível ver a porta. Mas evite que os pés ou a cabeça fiquem voltados para ela.
Móveis e objetos de quartos infantis devem estar ao alcance dos pequenos e em sua linha de visão. Aquilo que não pode ser visto adequadamente causa medo, insegurança e sensação de opressão.

Fonte: Adrianne R. R. Frattari, especialista em feng shui, São Paulo.

7. Mergulhar na leitura de um livro – Quer melhor companhia do que um bom livro? Na leitura, você viaja mentalmente, visualiza os personagens e vive emoções que talvez nunca façam parte da sua vida (como um bom suspense). Se já tiver algum na fila de espera, aproveite.

8. Entrar em contato com a natureza – A natureza é um generoso reservatório de energia onde você se recarrega quantas vezes quiser — e precisar. Veja algumas formas de entrar em contato com um dos seus quatro elementos (terra, água, ar e fogo):

Livre-se por algumas horas dos sapatos e pise na terra, na areia, em pedrinhas. Andar descalço libera a energia e a tensão acumuladas.
Se puder, tome um banho de mar, de cachoeira, de rio, de chuva. Se não, tome uma chuveirada ou mergulhe na banheira usando aromas e essências que lhe agradam. A água ativa a energia amorosa e ajuda a dissolver a rigidez que muitas vezes adotamos na vida.
Com o corre-corre diário, a respiração torna-se curta, causando uma sensação de cansaço. Ao inspirar profundamente, você renova o ar e a disposição.
Ao acordar, experimente tomar um banho de sol, nem que seja por 10 minutos. Abra as janelas da casa para a luz entrar ou, se preferir, vá para fora. O elemento fogo melhora a criatividade, a intuição, a vitalidade e a sensualidade. Clareia os pensamentos e ajuda você a encontrar soluções e saídas para seus problemas. É também um antídoto natural contra a depressão.

Fonte: Patrícia Pinna Bernardo, psicóloga e arte-terapeuta, São Paulo, site: www.patriciapinna.psc.br.

9. Caminhar, pedalar e arejar a cabeça – Fazer uma boa caminhada é muito bom — para quem não tem problemas de articulação (principalmente nos quadris, pés e joelhos), lesões na coluna ou doenças como diabetes ou pressão alta. Uma roupa leve e calçados confortáveis são o suficiente para colocar o corpo em atividade e desligar um pouco a cabeça. Você deve escolher um lugar agradável e pouco poluído, como um parque. Enquanto anda, é bom bater um papo com um colega de caminhada, ouvir música ou pensar na vida. O mesmo vale para quem prefere a bicicleta.

Cuidados:

Não faça exercícios em jejum.
Use roupas leves e claras, para reter menos calor. Em dias frios, prefira as que mantenham o corpo aquecido, mas que não impeçam a transpiração.
Beba água antes, durante e depois do exercício.
Evite horários de sol forte. O melhor é antes das 10h da manhã e depois das 4h da tarde.
Use sempre protetor solar.
Consulte seu médico. Há exames que analisam a condição física e indicam com que frequência e intensidade você pode praticar exercícios.

Nas caminhadas:

Mantenha a coluna ereta e movimente os braços.
Use tênis com sola espessa, para amortecer impactos.
Prefira pisos macios, como os de terra ou pedrinhas.

Ao andar de bicicleta:

Use capacete.
Ajuste o selim de forma que, quando o pedal estiver baixo, o joelho fique levemente flexionado.
Encontre uma posição que não incomode a coluna.

Fonte: Paulo Zogaib, especialista em Medicina Esportiva e Fisiologia do Exercício, professor da Escola Paulista de Medicina, em São Paulo.

10. Tirar uma manhã para cuidar da beleza – Sua casa tem quintal? Ótimo, você vai passar a manhã lá cuidando de você. Não tem? Prepare um canto da sala, de preferência perto da janela, onde possa espalhar seus equipamentos e dar uma relaxada. Comece o dia tomando um café bem saboroso e reforçado. Depois, mãos à obra. Um banho de creme no cabelo e uma esfoliação na pele são indicados para ambos os sexos. Manicure e pedicure também vão bem e dão sensação de limpeza e bem-estar.

Para os cabelos:

Corte ao meio folhas de babosa, retire o gel de dentro e passe nos cabelos. Use uma touca térmica de 10 a 15 minutos. Se preferir, enrole na cabeça uma toalha umedecida em água quente. Assim que esfriar, umedeça novamente para esquentar. Deixe por 30 minutos. Seus cabelos vão ganhar vida e força.

Para o corpo:

1. Misture 2 xícaras de aveia em flocos com ½ xícara de água. Forme uma pasta bem grossa. Coloque sobre uma gaze (dobrada, para os flocos de aveia não escaparem) e faça uma trouxinha amarrada às pontas. Deixe-a na banheira ou em um balde com água quente por 20 minutos.

2. Enquanto isso, tome um banho bem relaxante. Passe pelo corpo uma bucha vegetal para remover as células mortas. Faça movimentos circulares de baixo para cima, para estimular a circulação.

3. Em seguida, esfregue a trouxinha no corpo e enxágue com a água do balde. Se estiver na banheira, permaneça nessa água até ela começar a esfriar, esfregando a trouxinha pelo corpo. A pele vai ficar hidratada e macia.

Fonte: Cacia Rusenhack, fisioterapeuta, esteticista, cosmetóloga e professora da Universidade Gama Filho e da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

11. Fazer uma faxina nos armários e na vida – Organizar a casa é uma boa oportunidade para selecionar, no armário e na vida, aquilo que não serve mais, abrindo espaço para o novo. Aí vão algumas dicas:

Doe o que você não usa mais.
Arrume uma gaveta de cada vez para não se cansar.
Não guarde em locais difíceis aquilo que você usa com mais frequência.
Evite usar saquinhos plásticos, sabonetes e caixas de papelão. Eles transformam seu armário num parque de diversões para traças e fungos. Prefira sacos de pano.
Não dobre peças de couro e cintos para não causar vincos.
Ponha tudo à mostra. Caso contrário, você deixa de usar uma peça simplesmente porque não se lembra dela.
Guarde os sapatos limpos. Eles vão durar mais.

Fonte: Cristina Papazian, organizadora de ambientes e armários (São Paulo).

12. Resolver palavras cruzadas – Para o poeta Manuel Bandeira, descansar o espírito e aprender o nome das coisas eram as grandes virtudes das palavras cruzadas. E justificava: “Brasileiro não sabe os nomes das plantas nem das flores, e qualquer objeto chama coisa, troço, negócio”. Chaplin, o imortal Carlitos, via nelas outra virtude: “Uma palavra cruzada alinha sempre meus pensamentos antes de dormir”. E o novelista Manoel Carlos as considera “um entretenimento saudável, que tem gosto de férias”. Dessa forma, dividimos com eles essa sugestão.

Fonte: www.coquetel.com.br/CoqDepoimentos.asp.

13. Jogar paciência – Um jogo para jogar sozinho. E, na opinião de alguns aficionados, o melhor passatempo do mundo — tanto que o número de tipos de paciência é enorme. Com o baralho, o jogo é mais relaxante. Só o ato de embaralhar as cartas já é um divertimento. No computador, é mais rápido e exige algum treino para ganhar. Mas, se você for fera no assunto, prepare-se para a vitória: como são programados, todos podem dar certo (dizem). É ver para crer.

14.
Comprar um pote de sorvete só para você – Isso mesmo: um delicioso pote de sorvete, só seu, daqueles que você mete a colher à vontade, sem preocupações. Alimentos doces estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor que provoca a sensação de bem-estar. Por isso, é tão prazeroso tomar sorvete, comer uma bela torta ou barra de chocolate (que também contém substâncias estimulantes). Mas, se você não quiser (ou não puder) brincar com a balança, troque por um picolé de fruta. Contém açúcar, mas leva menos gordura.

Fonte: Zuleika Cozzi Halpern, endocrinologista e secretária-geral da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), em São Paulo.

15. Montar um álbum de memórias – É uma delícia poder passar a tarde revendo fotos antigas. Para ficar mais divertido, por que não montar um álbum de memórias que, além de mostrar fotos, conte histórias? Chamados de scrapbooks, eles trazem títulos, pequenos textos e enfeites e viram uma espécie de diário fotográfico.

Para seu álbum ficar bonito e durar mais:

Escolha fotos bem focadas e recorte-as para que fiquem no tamanho desejado.
Dê título aos trabalhos e elabore pequenos textos que expliquem um pouco as imagens.
Use cores e enfeites que combinem com as fotos ou com o tema.
Armazene as páginas em pastas com plásticos (os tamanhos podem variar de acordo com o gosto). Isso evita o desgaste do manuseio.
Para que as fotos não danifiquem, utilize papéis, plástico, cola e adereços que não contenham ácidos (já existem materiais próprios para scrapbooks).

Fonte: Flavia Terzi e Tais Calil. Arquitetas e especialistas em scrapbook, da Pedaços Scrapbook Designer, de São Paulo. Site: www.pedacos.com.br.

Revista Nova Escola. São Paulo: Abril. Ano XIX,
n. 178. Dezembro de 2004.

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Savate x Capoeira! Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

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Ka-á-Pueira de Angola*

Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Dia mais Triste da Minha Vida! Savate x Capoeira!


Foto Cortesia de Aníbal Phillot – 11-11-1979  Feira de São Cristóvão – Rio de Janeiro

O Dia mais Triste da Minha Vida!

Outro dia estava lendo a história do GRANDE/PEQUENO MESTRE PASTINHA quando dei com a frase:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRE COMIGO!

Não pude acreditar, tamanho egoismo não é predicado de quem tem o titulo de GRANDE MESTRE!
Inconformado passei a procurar qual seria o TAL SEGREDO.E assim se passaram dias meses, anos até que tchan, tchan, tchan tchan:

EU DESCOBRI O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Inacreditavel estivera bem na minha frente, do meu lado, na minha costa e eu NÃO PERCEBIA, imenso, cristalino, estivera todos esses anos talvez cobreto por um pequeno lenço de um magico que por uma graça divina fora agora removido.
Que alegria, que felicidade, eu agora compreendia tudo, entendia a frase do velho MESTRE e seu espanto diante da cegueira de seus alunos em ver oque lhes mostrava todos os dias!

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Corri para a casa de meu amigo para anunciar a boa nova:
ARAÚNA, voçe não vai acreditar mas eu descobri o segredo da Capoeira!
OQUE? k-kk-k-k!
Estou te dizendo véio, é serio!
Pô Leiteiro, eu tenho mãe tu queres me matar de rir k-kk-k-k- !
Não acreditas mais em mim mermão?
Me digas então qual é o segredo?
Era oque eu estava esperando, a hora de dividir o meu minuto de glória.
Ah o segredo, o segredo é….o segredo?…( meu Deus me ajude) bem como eu estava dizendo, o segredo..
Sim, sim o segredo k-kk-k-k- !

Não havia dúvida, eu esqueci o segredo da Capoeira!

Saí cabisbaixo, as orelhas vermelhas de vergonha, coração fervendo de odio impotente contra aquela risada que ecoava na minha mente. A cada passo dado, a cada esquina dobrada, os k-ks ecoavam e desciam espinha abaixo enfraquecendo as minhas pernas, tornando lentos os meus passos, aumentando a distancia entre nossas casas.
Corri como nunca tinha corrido e mergulhei na cama, nada como um dia depois do outro ou como o tempo para curar as feridas!
Mas maisena tem seu dia de mingau, eis que derepente como um raio ilumina-se novamente ele:

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Momentos de euforia seguidos de reflexão, não poderia bancar o garotinho besta que ganhou um brinquedo lindo novamente, a situação exigia AUTO-CONTROLE, tratei de relembrar varias vezes até ficar ciente de que não esqueceria e me dirigi a casa de ARAÚNA não mais como um pateta com um anel de brilhantes, mas sim como um professor que iria ensinar a um aluno que sabe tudo, que ele não sabe nada!

Bati, a porta se abriu e nossos olhares se cruzaram.
Oque te traz aqui Leiteiro?
Tu não vais acreditar mas eu vim fazer hora pois não tenho nada para fazer, disse-lhe com voz cansada.

Estava confirmado, não havia mais dúvidas:
O SEGREDO DA CAPOEIRA NÃO ERA PARA SER DITO E SIM MOSTRADO NAS RODAS DE CAPOEIRA, ao som de seus instrumentos e cantorias e é ISSO QUE O VELHO MESTRE PASTINHA FAZIA nos seus jogos e cantorias!

OQUE EU FAÇO BRINCANDO VOÇE NÃO FAZ NEM ZANGADO e seus alunos NÃO PERCEBIAM OU ENTENDIAM!

Não pude disfarçar as lagrimas ao dizer:

ARAÚNA HOJE É O DIA MAIS TRISTE DA MINHA VIDA!

Agora eu sabia eu tinha certeza:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRIA COMIGO!

Acredite se quiser meu caro leitor, eu descobri o segredo da Capoeira, mas se voçe for igual a São Tomé eu lhe dou o fio da meada:

CAPOEIRA É OQUE NÃO PARECE e PARECE OQUE NÃO É!

Por falar em fio, Capoeira seria uma pequena rede cujos NÓS são seus segredos.
Quando um NÓ arrebenta (leia-se é esquecido ou desprezado) NÓS (epa!) OS NOVOS MESTRES nos afobamos em reconstrui-lo ficando a REDE DEFORMADA por aquele HORRIVEL NÓ!

Deixassse-mos nós a reconstrução para os VELHOS MESTRES CONHECEDORES DA ARTE, a emenda seria invisivel, preservando com seus conhecimentos a obra do autor!
Contudo com nosso EGOíSMO, PRESSA E IMPERFEIÇÃO, continuamos a encher de NÓS essa rede, A CAPOEIRA que em pouco tempo tornar-se-a imprestável e teremos que joga-la fora. Neste dia toda a NAÇÃO, o MUNDO e até DEUS CHORARÃO, pois quando ELE fez a separação entre a terra e mar nesse momento SURGIU A CAPOÊRA!

HOMENAGEM AOS VELHOS MESTRES, QUE NOS DERAM DE GRAÇA, AQUILO QUE NÓS VENDEMOS A QUALQUER PREÇO!

AGRADECIMENTO:
Ao meu PROFESSOR LUA RASTA, o meu MUITO OBRIGADO, por me ensinar a GOSTAR E AMAR A CAPOEIRA, e a mostra-la nas ruas, praças, escolas e teatros, sem essa atual preocupação de FAZER DA CAPOEIRA, APENAS UM CURSO de Formação de MESTRES!

 Savate x Capoeira!

Fiz este resumo com mudanças nos termos escritos para melhor compreensão do Texto, importantíssimo para a elucidação desta provável influência do Savate na nossa bela Arte Capoeira! (Leiteiro)

Resumo do Autor 
Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovadamente  Africana não apenas pelo seu perfil étnico predominante nos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influência européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha. 
 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas  citadas podem ter havido uma competição de capoeira no ano de 1877 como uma do SAVATE.
Procure a fonte primaria disto que é a “chave” da história da Capoeira desportiva.

E. JAVIER RUBIERA CUERVO - 

Presidente General de FICA/Espanha1

Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira.
Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando  agilidade.

“JOGO DA CAPOEIRA: 

“Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).


Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, apresenta o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, . No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., . 

(A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).
 Pergunta, então:
“Será a mesma fonte?”.
Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.

    Javier levanta duas questões:
a semelhança dos golpes da capoeira com a savate;
as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”;
o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.





 Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    
“[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790);
a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; 
a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e
a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais.
Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários:
o movimento germânico (ginástica alemã),
o sueco (ginástica sueca) e
o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line)
4 Grifos nossos).



 Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar  um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:
  Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

“Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).

 O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”


Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:


“Theatro Publico
Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:


1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica
2ª dita – grande roda gyratoria
3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa
4ª dita – a grande luta dos dois gladiadores”.

Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9: Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque. Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque.

Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15


Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (ataque e defesa) contendo os regulamentos japonês e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010

O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.

De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas.

O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:
De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20

Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21

Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savate é introduzido:

  Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro 

  (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23;

José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.2

    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:
    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

“A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.

    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31

O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.
    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.
    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.
    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.
    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.

A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

“Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).
O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

O “AÚ” é descrito como:
Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.
    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html
    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

“Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.
    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.
    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.
    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.
    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.
    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.
    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”
    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

“Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.

    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.

Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Leia abaixo o post na forma original!

Crônica da capoeira (GEM). 

O ‘Chausson/Savate’ influenciou a capoeira?

Crónica de la capoeira (GEM). ¿El ‘Chausson/Savate’ influyó sobre la capoeira?
*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)
**Presidente General de FICA (Espanha)

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

Efren Javier Rubiera Cuervo**

 

Resumo

          Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.

          Unitermos: Capoeira. História. Chausson. Savate.
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires – Año 16 – Nº 158 – Julio de 2011. http://www.efdeportes.com/
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    Prezado Leopoldo: Já insisti em varias ocasiões nesta cita seguinte que pode ter relação com a de mais abaixo do colégio da Imaculada Conceição. Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas destas citas pode ter a competição de capoeira de 1877 como uma do SAVATE. Se consegue se orientar e procurar a fonte primaria disto e “chave” pela história da Capoeira desportiva. E. JAVIER RUBIERA CUERVO - Presidente General de FICA/Espanha1
    Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira. Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

    MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando agilidade:

    “JOGO DA CAPOEIRA: “Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).

    Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

     1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).

    Pergunta, então: “Será a mesma fonte?”.
    Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.
    Javier levanta duas questões: a semelhança dos golpes da capoeira com a savate; as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”; o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.

Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    Os sistemas ginásticos começam a aparecer a partir da segunda metade do século XVIII. São eles:

    “[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790); a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais. Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários: o movimento germânico (ginástica alemã), o sueco (ginástica sueca) e o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line) 4 Grifos nossos).
    Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

    “THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa, e deste Império.

    “Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:

    Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

    Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas

    “Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).
    O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”.6
    Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:

    “Theatro Publico

    “Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:

    1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica

    2ª dita – grande roda gyratoria

    3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa

    dita – a grande luta dos dois gladiadores”. (Grifos nossos).
Método Amorós (Savate)
    Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9:
    • Emanuel Bernhard;
    • Louis Stockmeyer; Christiano Stockmeyer
    • Guillermo Frohlich
    • Tito de Sá; Julio de Sá
    • José Antonio Moreira; Joaquim Moreira; João Antonio Moreira
    • Francisco Pereira; Manuel Moreira; Antonio Moreira
    • Adolfo Klingelhoefer; Eduard Klingelhoefer
    • Constancio Pinto; Alberto Pinot
    • Johan Reidner; Franz Reidner
  • Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque
  • Paul Tesdorpf; Ludwig Tesdorpf
  • Cuno Mathies
  • Waldemar Krug; Eberhard Krug
  • James Otto.
    Os LaRocque – importante família estabelecida no Pará -, procedem de dois irmãos:

  • I – HENRIQUE de LaROCQUE (c. 1821 – Porto ?), que deixou geração do seu casamento, em 1848 – Pará -, com Matilde Isabel da Costa ( ? – 1919); e
  • II – LUIZ de LaROCQUE (c. 1827 – Porto ?), que deixou geração de seu casamento, em 1854 (Pará) com sua cunhada Emília Ludmila da Costa.

    Ambos, filhos de JOÃO LUIZ de LaROCQUE (c. 1800 – a. 1854) e de Rosa Albertina de Melo. Entre os membros dessa família registra-se o senador maranhense Henrique de LaRocque Almeida10. No Dicionário das Famílias Brasileiras é dada como sobrenome de origem escocesa, o que é contestado por Henrique Artur de Sousa, genealogista estabelecido em Brasília, que está escrevendo um livro sobre o Senador LaRocque11, família estabelecida no Brasil de origem portuguesa, da cidade do Porto. O falecimento de dois membros dessa família – os irmãos Henrique e Luís, filhos de João Luís de LaRocque e sua mulher Rosa Albertina de Melo – se dão na cidade do Porto, no século XIX… (vide Dicionário…). Informa-nos Henrique Artur de Sousa que alguns LaRocque se estabeleceram no Maranhão, a partir de 1832.
    Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque:
  • Carolina – depois Baronesa de Santos;
  • Henrique de La Rocque;
  • Guilherme de LaRocque;
  • João Luís de LaRocque;
  • Luís de LaRocque;
  • Rosa;
  • Amélia;
  • Antônio de LaRocque.
    Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
    A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
    O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15
http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido
    O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (attaque e defensa) contendo os requlamaentos japonés e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010
Negroes fighting, Brazil”” c. 1824. Autor Augustus Earle (1793-1838) – Painting by Augustus Earle depicting an illegal capoeira-like game in Rio de Janeiro (1824)
Fonte English Wikipedia, original: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/detailsKeyword.php?keyword=NW0171&recordCount=2&theRecord=0
Diamanga malgache journal: 1936/01/29 (A3,N144). formato original: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k54276490.r=diamanga.langES
FOTO:http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/05/juego-de-imagenes-mujeres.html
Gravura de um belo “furdunço” entre capoeiras ocorrido no Rio de Janeiro, no final do século XVIII, publicada em uma revista da época.
Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
foto:Le moring connaît aujourd’hui une reconnaissance internationale. Ici lors de la Fête de la liberté 2008 à
Aix-en-Provence disponible em http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/Moring-Capoeira
    O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.
    O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):
Fonte: Tratado de hygiene naval, ou, Da influencia das condições physicas e moraes … Por J. B. Fonssagrives, on line
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1820-1833-BREST%28Cuna%20del%20SAVATE%29-Navios%20de%20la%20Armada
%20frecuentando%20BRASIL%28Capoeira%29%20-MARTINICA%28Ladja%29%20Y%20BOURBON%28Moringue%29
Fonte: LIBRO:Souvenirs d’un aveugle Escrito por François Arago, Jules Janin
Edición: 4 – 1868 – http://books.google.com/books?id=5hGQK-QrB8QC&hl=es&source=gbs_navlinks_s, on line:Ç
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1840-RIO-Savate%20y%20Bast%C3%B3n%20en%20Rio%20de%20Janeiro
    De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
    Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
    Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Credit: Boxing Lesson by Charles Charlemont (1862-1942), 1906 (b/w photo), French Photographer, (20th century)
/ Bibliotheque des Arts Decoratifs, Paris, France / Archives Charmet / The Bridgeman Art Library
fuente: Deportes de combate – boxeo francés y esgrima de palo, Badenas, Madrid 1934 – Título Deportes de combate: boxeo inglés,
boxeo francés, lucha grecorromana, lucha libre, esgrima de palo, jiu-jitsu, kuatsu ; Autor José Bádenas Padilla; Editor s.n., 1934,
on line http://eu-bras.blogspot.com/
    Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas. Em seguida, essas mesmas regras foram estendidas para outras partes do Velho Continente, África, Canadá e Estados Unidos.
    O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:

    A referência a aparelhos e peças próprias aos exercícios gymnasticos faz pensar que Pedro Guilherme Meyer tenha desenvolvido um trabalho diferenciado daquele que até então acontecera no CPII que, de um modo geral, esteve centralizado no conteúdo da esgrima. Neste sentido, é esclarecedor o relatório do Inspetor Geral da Instrução Pública do Município da Corte, enviado ao Ministro do Império em 1859: apraz-me declarar a V. Exa. que durante o anno passado começou a funccionar com a possível regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercícios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné, ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer. (MINISTÉRIO DO IMPÉRIO, 1858, p.18). De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20
    Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o  major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21
    Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savat é introduzido:

Pg. II. Executivo – Caderno 1. DOSP de 25/02/2010

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/5135262/dosp-executivo-caderno-1-25-02-2010-pg-ii/

pdfView#xml=http://www.jusbrasil.com.br/highlight/5135262/missao%20francesa –
Publicado por AEC para Influencias Européias no Brasil
    Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

    Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.28
    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:

    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

    “A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
http://web.tiscalinet.it/canneitaliana/italo.htm
    No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.
    No seu livro de memórias, comenta Luiz Edmundo, captando bem o momento de transição:
    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31
    O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.

    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.

    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.

    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.

    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.
    A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

    “Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.
PANTANA
Capoeiragem: Articulo EEUU-Nueva York -1953 http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1953-eeuu-articulo-de-capoeiragem-en.html

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).

O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão, desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

    O “AÚ” é descrito como: Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

    É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.

Pintura do italiano Giovanni Battista Tiepolo, chamada Pulcinella and the Tumblers de 1797, época em
que a ginástica renascia em apresentações públicas. A obra encontra-se no Museu Settecento Veneziano

    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html

http://www2.webng.com/portaldacapoeira/au.html
Pencak Indonésia
Seqüência de Bimba (8)
Jogador 1 – bênção e aú de rolê.
Jogador 2 – negativa e cabeçada.
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lh3.ggpht.com/_MARp4qSlMvU/SiRJDUmNnaI/AAAAAAAAAPA/O02nIzd1G5o/
sequencia6.gif&imgrefurl=http://omandinguero.blogspot.com/2009_06_01_archive.html&usg=__R477GbXv4M-FJTojcTNYDN3M-
A0=&h=261&w=481&sz=6&hl=pt-BR&start=1&tbnid=xGLM7LmLEMqgzM:&tbnh=70&tbnw=129&prev=/images%3Fq%3Djoelhada
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http://angoleiro.files.wordpress.com/2008/12/traira.jpg
http://4.bp.blogspot.com/_kL_C1q2fRZo/SairYBUBtsI/AAAAAAAAAFg/GyRpMviliGQ/S760/capoeira+03.jpg
    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

    “Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.

    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.

    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.

    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.

    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.

    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.

    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”

    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

    “Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.
    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

    MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
    Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.
    Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Notas

  1. Correspondência eletrônica pessoal, enviada por FICA-Espanha- [capoeira.espanha@gmail.com] sáb 12/6/2010 13:16 para Leopoldo Gil Dulcio Vaz [leopoldovaz@elo.com.br] assunto: A Galhina dos ovos de ouro (Muito Importante).
  2. MARTINS, Dejard. Esportes: um mergulho no tempo. São Luís: (s.n.), 1989.
  3. O Philantropinum foi fundado em 1774 por J. B. Basedow, professor das escolas nobres da Dinamarca. O Philantropinum foi a primeira escola dos tempos modernos a ter um cunho fundamente democrático, pois, seus alunos provinham indiferentemente, de todas as camadas sociais. Foi também, a primeira escola a incluir a ginástica no curriculum, no mesmo plano das matérias chamadas teóricas ou intelectuais. As atividades intelectuais ficavam lado a lado às atividades físicas, como equitação, lutas, corridas e esgrima. Na Fundação Philantropinum havia cinco horas de matérias teóricas, duas horas de trabalhos manuais, e três de recreação, incluindo a esgrima, equitação, as lutas, a caça, a pesca, excursões e danças. A concepção Basedowiana contribuía para a execução de atividades a fim de preparação física e mental para as classes escolares maiores.
  4. AGUIAR, Olivette Rufino Borges Prado Aguiar; FROTA, Paulo Rômulo de Oliveira Frota. Educação Física em questão: resgate histórico e evolução conceitual. On line, disponível em http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/iiencontro/GT-1/GT-01-05.htm
  5. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 36, 12 de novembro de1841
  6. SOARES, Carmen Lúcia. Imagens da Educação no Corpo – estudo a partir da Ginástica Francesa no século XIX. Tese (Doutorado em Educação) – Unicamp, Campinas, 1996.
    • SOARES, Carmen Lúcia. Raízes Européias e Brasil. Campinas, Autores Associados, 2001. 2a edição revista
  7. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 37, 16 de novembro de1841
  8. Schnepfental Educational Institute, criado por Salimann, um ex-professor do Philantropinum, instituição que atravessaria séculos e seria a herdeira dos sistemas que celebrizaram Basedow.
  9. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A família LaRocque, do Maranhão: questão de pesquisa. In Revista “Nova Atenas” de educação tecnológica, São Luis, Volume 06, Número 01, jan/jun/2003 (Disponibilizado em dezembro de 2006), on line www.cwfwt-ma.br/revista.
  10. In Dicionário das Famílias Brasileiras, vol. II, BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Arquivos da Biblioteca Pública “Benedito Leite”.
  11. Informação encontrada no Arquivo Público, sobre a existência desse pesquisador; viria publicar, posteriormente, Entrelaços de Família. Brasília, 2003. Meu exemplar é o de número 288.
  12. As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)
  13. On line http://pt.wikipedia.org/wiki/Savate
  14. SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf
  15. On line http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/pelea-de-marinos-savate.html
  16. Eugène François Vidocq (23 de julho de 1775 – 11 maio de 1857) foi um criminalista francês cuja história de vida inspirou vários escritores, incluindo Victor Hugo e Honoré de Balzac. Um ex-bandido que posteriormente se tornou o fundador e primeiro diretor do combate ao crime Sûreté Nationale bem como a cabeça do primeiro conhecido agência privada de detectives, Ele é hoje considerado pelos historiadores como o pai da moderna criminologia e da polícia francesa. Ele também é considerado como o primeiro detective privado. Na prisão de Bicêtre Vidocq era de esperar vários meses para a transferência para o Bagne em Brest ao trabalho no cozinhas. Um companheiro preso lhe ensinou a arte marcial savate que mais tarde foi muitas vezes útil para ele. No final de 1811 Vidocq informalmente organizado uma unidade à paisana, o Brigada de la Sûreté (Brigada de Segurança). O departamento de polícia reconheceu o valor dos agentes civis, e em outubro de 1812 o experimento foi oficialmente convertido em uma unidade da polícia de segurança sob a égide da Delegacia de Polícia. Vidocq foi apontado como seu líder. Em 17 de dezembro de 1813 Napoleão Bonaparte assinou um decreto, que fez a brigada de um estado policial de segurança. On line http://en.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Fran%C3%A7ois_Vidocq
  17. http://www.policiamilitar.sp.gov.br/noticias.asp?TxtHidden=144 on line  http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/1906-Mission%20Francesa%20para%20en%20Brasil%20para%20formaci%C3%B3n%20de%20la%20Fuerza%20P%C3%BAblica
  18. O Imperial Collegio de Pedro Segundo (CPII) foi fundado no Rio de Janeiro em 1837. O principal objetivo do governo brasileiro ao organizar o CPII foi oferecer aos filhos da boa sociedade imperial (Mattos, 1999) uma formação secundária abrangente e distintiva, própria à elite da época. A distinção pode ser avaliada pelo título conferido aos alunos que finalizavam o curso de estudos do Colégio, o de Bacharel em Letras, cuja posse garantia lugar em qualquer uma das Academias Superiores brasileiras. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil:
    reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008; CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
  19. Para saber mais sobre Vidocq e a criação do Savate, ver http://www.arras-online.com/celeb_vidocq.php
  20. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  21. VIEIRA, Luis Renato. Educação e autoritarismo no Estado Nobo. In EDUC E FILOS. Uberlândia, 6 (12): 83-94, jan./dez. 1992, disponível em http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1921-adop-metodo-ed-fisica-ejercito-br.html
  22. COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.
  23. NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.
  24. REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.
  25. PIRES, Antonio Liberac A. Capoeira na Bahia de Todos os Santos: estudo sobre cultura e classes trabalhadoras (1890 – 1937). Tocantins: NEAB/ Grafset. 2004
  26. CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).
  27. Guilherme de Taube, como a maioria dos mestres de gymnastica que passariam pelo CPII ao longo dos oitocentos, era um ex-oficial do Exército. Sua experiência com os exercícios ginásticos no meio militar serviu como um atestado de sua aptidão para o emprego no Colégio. Durante todo o período imperial não haveria concurso para esse cargo, sendo os profissionais contratados diretamente pelo Reitor ou pelo Ministro do Império, de acordo com a necessidade da instituição. A gymnastica era considerada uma atividade eminentemente prática. Ao contrário dos responsáveis pelas outras cadeiras oferecidas pelo CPII, os pretendentes ao cargo de mestre de gymnastica não eram avaliados por seu conhecimento teórico, mas por sua perícia e experiência de trabalho com esta arte no meio militar ou nas instituições escolares civis. […] (CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” – uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004) on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II
  28. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  29. PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA. on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf
  30. CARVALHO, José Murilo De. BESTIALIZADOS OU BILONTRAS? (do Livro Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a República que não foi”, Cia das Letras, págs. 140-164, ano 2001). On line, http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/bestializados.html
  31. On line http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882007000200008&script=sci_arttext
  32. On line in http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/search/label/Ginga-SAVATE
  33. KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.
  34. SOUSA, Celso. , La mission militaire française au Brésil de 1906 à 1914 et son rôle dans la diffusion de techniques et méthodes d’éducation physique militaire et sportive. Thèse Histoire contemporaine, Université de Bourgogne, 2006 in [http://www.esefex.ensino.eb.br/atual_trab/%40cap I.PDF
  35. Bailado Joinville Le Pont -SESC Pompeia Dia(s) 26/04 Domingo, às 17h. O “Bailado Joinville Le Pont” é uma dança folclórica, originalmente extraída de uma dança camponesa do interior da França, posteriormente sistematizada pela Escola de Joinville Le Pont. Com o advento das Guerras Napoleônicas essa dança foi utilizada pelos comandantes franceses como forma de treinamento e entretenimento de seus soldados. Em 1906, uma missão composta por 19 oficiais da gerdarmarie francesa introduziu a dança na Academia de Polícia Militar do Estado de São Paulo, com a finalidade de reforçar o condicionamento físico dos soldados brasileiros. Hoje em dia este bailado está extinto na França, contudo ainda é praticado no Brasil pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Deck Solarium. In http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=149568
  36. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jiu-Jitsu no Maranhão. In Jornal do Capoeira Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005, 0on linme. Diospon[ível em http://www.capoeira.jex.com.br/
  37. RAMOS, Jayr Jordão. OS EXERCICIOS FISICOS NA HISTORIA E NA ARTE. Rio de Janeiro: IBRASA, 1983
    • O General Jayr Jordão Ramos nasceu em 14 de julho de 1907, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola Militar do Realengo, e foi declarado aspirante a oficial em 1930. Ao longo de toda a sua carreira militar dedicou-se às questões relacionadas à prática e ao ensino de Educação Física. Como aluno, recebeu Menção Honrosa na Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx). É importante ressaltar que esta instituição balizava os rumos da Educação Física no Brasil à época. Em 1935, é nomeado instrutor da EsEFEx e começa a estabelecer contato com outras Escolas importantes internacionais, como a Escola Superior de Educação Física Joinville-Le-Pont, lá realizando cursos
  38. FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  39. O batuque é uma mistura de dança e luta, na qual os jogadores usam as pernas para desequilibrar o adversário.
  40. SODRÉ, Muniz. Mestre Bimba: corpo de mandinga. 2002. Citado por FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  41. SANTOS, Eduardo Alves (Mestre Fálcon) CAPOEIRA NACIONAL: A Luta por Liberdade  IV IN Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br Edição 61 – de 19 a 25/Fev de 2006 Sorocaba-SP, disponível em http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.jornalexpress.com.br/gerencia/antigos/ver_imagem.php%3Fid_imagem%3D4273&imgrefurl=http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php%3Fid_jornal%3D13170%26id_noticia%3D848&usg=__Sn7kJPy_YwGNzGjlIVhtUcf6xro=&h=414&w=287&sz=60&hl=pt-BR&start=6&tbnid=q52S4xUiYR9MQM:&tbnh=125&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3Dcapoeira%2B%252B%2Bodc%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
  42. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  43. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  44. LOPES, André Luiz Lacé. Capoeiragem no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo. Literatura de Cordel, 2ª edição. Rio de Janeiro, 2005.
  45. VASSALO, Simone Ponde. “Capoeiras e intelectuais: a construção coletiva da capoeira autêntica”. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, 2003, v.2, n.32, p 106-124
  46. DOU (Diário Oficial da União), de 21/12/1962, pg. 61. Seção 1., disponível em
    http://www.jusbrasil.com.br/diarios/3100574/dou-secao-1-21-12-1962-pg-61 , Publicado por AEC para Conexoes da Capoeira Desportiva el 8/03/2010 02:25:00 AM

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A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?

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JOGOdeBAMBA @ School of Capoeira Regional

!!! O Blog dedicado ao Patrimônio Cultural Brasileiro e com o Axé dos Capoeiras será Esporte Olímpico no Rio em 2016 !!!

 A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?
        Existem muitas teorias sobre a formação e elaboração das técnicas que atualmente são praticadas na capoeira tradicional ou contemporânea……
         Em anexo um ( Link ) do site efdeportes.com onde podemos estudar e pesquisar uma dessas teorias sobre a origem das exóticas técnicas da Capoeira.
Salvate ou Boxe Francês
 Capoeira

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)

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