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DE VOLTA AO BATENTE… Deutsche Sporthochschule Köln und UFMA sprechen zum Thema Sport und Entwicklungszusammenarbeit, Geschlechterrollen und Vielfalt.

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Passei uns dias sem Internet. Numa bela manhã, cinco quedas de luz!!! e o com-puta-dor foi-se… desconfigurou e não sei porque a internet parou de funcionar – o correio eletronico… assim, fiquei 10 dias sem receber informações… pensei em reativar o gmail, pois o hotmail/outlook deixou de funcionar… acho que a Microsoft soube disso, e hoje de manhã, sem mais nem menos, ele voltou… mas perdi tudo dos ultimos 10 dias… periodo em que ficquei seo acesso ao mail…

E ainda passei uns dias na estrada – fui à Fortaleza buscar meu neto, Pedro Lucas, 1620818_1456365211252232_1442455030_n1479347_10152079608461550_2053393916_n

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Hoje pela manhã, lá estava ele, belo e faceiro, o outlook… sacana!!!! Vamos às noticias, mandadas pelo Sérgio, hoje, pelo Face:
Sérgio Souza compartilhou a foto de KICKFAIR.

8 h · 

ZizIdoro e Sérgio, da UFMA.

ZizIdoro e Sérgio, da UFMA.

Parabéns ao Prof. Dr. Alex Fabiano S. Bezerra da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) representando nossa Instituição nas discussões e produção de conhecimento sobre o Esporte como ferramenta de desenvolvimento humano em parceria com a Universidade de Colonia (Alemanha), KIKFAIR (AL) e Instituto Formação MA.
KICKFAIR, Formacao, die Deutsche Sporthochschule Köln und Universidade Federal do Maranhao sprechen zum Thema Sport und Entwicklungszusammenarbeit, Geschlechterrollen und Vielfalt.</p><br />
<p>KICKFAIR, Formacao, the German Sport University Cologne and the  Federal University of Maranhao exchange on development through sport, gender and diversity.
KICKFAIR, Formacao, die Deutsche Sporthochschule Köln und Universidade Federal do Maranhao sprechen zum Thema Sport und Entwicklungszusammenarbeit, Geschlechterrollen und Vielfalt.

KICKFAIR, Formacao, the German Sport University Cologne and the Federal University of Maranhao exchange on development through sport, gender and diversity.
KICKFAIR, Formacao, die Deutsche Sporthochschule Köln und Universidade Federal do Maranhão sprechen zum Thema Sport und Entwicklungszusammenarbeit, Geschlechterrollen und Vielfalt.KICKFAIR, Formacao, o alemão esporte Universidade de Colónia e o intercâmbio da Universidade Federal do Maranhão em desenvolvimento através do esporte, gênero e diversidade. (Traduzido por Bing)
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INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO – parte 4

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No início do século XIX, foram encontradas, no Maranhão, algumas formas de atividade física[1]:

 

… as moças e rapazes formavam bandos gárrulos e irrequietos que, desde a madrugada até o cair da tarde, saíam em excursões pela floresta e pelos sítios vizinhos, voltando carregados de cófos com frutas, cachos de jussaras e de buritis, flores silvestres, emfim, tudo que apanhavam pelos caminhos e atalhos . (DUNSHE DE ABRANCHES, 1970, p 28)[2].

 

Além desses passeios, praticava-se a caça, como o fazia Garcia de Abranches – o Censor [3] -: “e , quando imaginava dar uma batida às pacas, pouco se importava do sol e da chuva: não regressava à casa antes de trazer as vítimas visadas”.

Seu filho, Frederico Magno de Abranches – o Fidalgote [4] – era

 

Atirador emético e adestrado nos jogos atléticos, alto, magro e ágil, trepava como um símio até os galhos mais finos das árvores para apanhar uma fruta cobiçada pelas jovens ali presentes. Encantava-as também a precisão dos seus tiros ao alvo. E causava-lhes sustos e gritos quando trepava sem peias por um coqueiro acima ou se balançava no tope de uma jussareira para galgar as ramas de uma outra em um salto mortal, confirmando o título que conquistara entre os da terra de campeão da bilharda. (Dunshee de Abranches, 1970, p. 28)

 

Os longos passeios pelos arrabaldes permitiam o contato com o ar livre e com a natureza, e se constituíam forma de divertimento salutar, pois reúnem harmoniosamente a solução quanto ao medo de doenças que impedia a vida laboriosa, por um lado, e o medo da crítica que a rígida moral implicava, por outro. Às mulheres, recomendava-se sobretudo os exercícios do corpo que obrigavam a andar ao ar livre, como os passeios a pé ou a cavalo.

Ainda se referindo ao Fidalgote – Frederico Magno de Abranches -, cabe lembrar que praticava também, o tênis:

 

… Os dois namorados [Frederico e Maricota Portinho] tiveram assim, momentos felizes de liberdade e de alegria, fazendo longos passeios pelos bosques, em companhia de Milhama, ou passando horas inteiras a jogar a péla [5] de que o Fidalgote era perfeito campeão… (Dunshee de Abranches, 1970, p. 31).

 

O primeiro registro encontrado onde aparece a palavra “ginástica” data de 1841, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” [6] sob o título de:

 

“THEATRO PUBLICO

“Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa , e deste Império.

“Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:

  • Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas
  • Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas

“Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”

 

Novo anuncio é publicado em 16 de novembro daquele ano de 1841 [7], sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:

Theatro Publico

 

Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:

1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica

2ª dita – grande roda gyratoria

3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa

                 4ª dita – a grande luta dos dois gladiadores.

 

Ainda nesse mesmo ano, aparecem anúncios [8] de aulas de esgrima:

 
Annuncios Diversos

Manoel Dias de Pena, se dispõe a encinar com toda a prefeição o jogo de espada, e assim roga a todos os Snrs. que quizerem aprender esta Arte, tão útil a mocidade, se diriga a esta Typographia que se dirá aonde mora o annunciante.

 

Ao mesmo tempo, e logo abaixo deste, outro anunciando a venda de espadas:

 

Vendem – Antonio Joaquim d’Araújo Guimarães & Sobrinhos tem para vender… espadas com copos dourados…. (in JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 49, Sexta-feira, 31 de dezembro de1841).

 

O Prof. Antônio Joaquim Gomes Braga, diretor do Colégio de Nossa Senhora da Conceição, localizado Rua do Desterro, ao apresentar o Plano de Estudos para o ano de 1842, informa que as aulas de “Dansa e Muzica para os internos serão pagas à parte”. (in JORNAL MARANHENSE, 1º de outubro de 1841) [9].

Em 1843, outro colégio particular anuncia em seus planos de estudos as aulas de dança para seus alunos, aberta à comunidade:

 

AULA DE DANÇA, começará em Novembro próximo a ter exercícios no Colégio de N. S. dos Remédios na rua do Caju em os dias feriados, isto é, duas vezes por semana das 9 as 11 horas da manhã. Os que já frequentam outras aulas do Colégio são admitidos mediante o premio de 3:000 rs. mensais; porém os que não estão neste caso concorrerá com 4:000 reis.

 

Também haverá outra aula, que principiará com a noite na 3ª e 6ª feiras para as pessoas que não podem ir de dia, os quais farão despesa de 5:000 reis. Nestes serão ensinadas as danças nacionais e estrangeiras, tanto simples, como dobradas, e etc.

 

O diretor do Collégio está convencido de que os pais de familias tendo no seu devido apreço esta prenda não deixarão de promover, que ele não falte a educação de seus filhos: muito principalmente não alterando esta aula no Colégio a introdução dos meninos, por ser somente nos feriados.

 

Collegio de N. S. dos Remédios, 24 de outubro de 1843.

(A REVISTA, n. 207, Quarta-feira 8 de novembro de 1843)

 

Desde 1844, quando foi fundado o primeiro colégio destinado exclusivamente às moças, em São Luís, as atividades físicas faziam parte do currículo:

 

… não somente sobre as disciplinas escolares com também sobre o preparo physico, artístico e moral das alumnas. Às quintas-feiras, as meninas internas participavam de refeições, como se fossem banquetes de cerimônia, para que se habituassem ‘a estar bem á mesa e saber como se deveriam servir as pessoas de distinção’. Uma vez por semana, à noite, havia aula de dança sob a rigorosa etiqueta da época, depois de uma hora de arte, na qual ouviam bôa música e aprendiam a declamar. (Abranches, 1941, p. 113-114)[10].

 

Esse colégio – o “Collegio das Abranches”, como era conhecido o Collégio N. S. das Glória -, foi fundado por D. Marta (Martinha) Alonso Veado Alvarez de Castro Abranches [11] – educadora espanhola nascida nas Astúrias provavelmente por volta de 1800 (JANOTTI, 1996) [12] –, e pela sua filha D. Amância Leonor de Castro Abranches, e tinha, ainda, como professora, D. Emília Pinto Magalhães Branco, mãe dos escritores Aluizio, Artur e Américo de Azevedo.

Mas a primeira aula de dança de que se tem notícia data de 1829, como se vê de anúncio publicado em “O FAROL”:

 

Carlos Carmini, de nação italiana, recentemente chegado a esta cidade, faz saber aos ilustres habitantes da mesma que ensina tôda e qualquer dança, segundo o gosto moderno, tanto em sua casa (que ao presente é na rua da Palma, no. 10), como também pelas particulares para que seja chamado; prestando-se ao ensino das ditas danças, tanto a pessoas grandes como para meninos

(In “O FAROL MARANHENSE”, 25 de agosto de 1829, citado por VIVEIROS, 1954, p. 376)[13].

 

Os banhos de mar também faziam parte dos costumes da época, conforme se depreende deste anúncio:

BANHO
Público – na praia do Caju, em que um grande banheiro e seguro, a todas as marés a 40 rs por pessoa trata-se com Jozé Ferreira do Valle no mesmo lugar casa no. 1. (CORREIO D’ANNUNCIOS, Ano I, n. 3, Segunda-feira, 03 de fevereiro de 1851)

 

Cabe lembrar que Antônio Francisco Gomes, em 1852, propunha além da ginástica, os exercícios de natação, esgrima, dança, jogo de malha e jogo da pella para ambos os sexos (CUNHA JÚNIOR, 1998, p. 152)[14]

Desde 1861 já se tinha, no Maranhão, a cadeira de Ginástica, conforme se depreende desse anúncio do Instituto de Humanidades:

Ao que indicam as notícias publicadas em nossos periódicos – 180 referencias apenas no A Pacotilha – o Sr. Alfredo Bandeira Hall lecionava inglês (1861), tendo inclusive publicado uma gramática adotada pelo Lyceo Maranhense, e exerceu a função de Inspetor de Ensino, atuando em vários exames da 2ª Freguesia. Antes, no ano de 1860, aparecia como agente de leiloes na cidade, conforme anúncios em O Publicador Maranhense. Remédios para bexigas, importados da Inglaterra por Alfredo Bandeira Hall também estavam à disposição do público, em algumas farmácias da capital (1883).

No guia de profissionais, do Almanaque do Maranhão, aparece como Professor de Esgrima e ginástica Alfredo Hall, residente na Rua do Alecrim, 17:

No “O Observador”, edição de 25 de abril de 1853, o Inspetor da Instrução Pública publica seu relatório, na parte em que trata das escolas particulares de primeiras letras e médio da capital, constata que nos dois colégios existentes não havia aula de Ginástica:

 

Deve-se lembrar de que na legislação de ensino da época, já constava o de ginástica, dentro do núcleo das Belas Artes, que compreendia o desenho, música, dança, esgrima, e ginástica:

 

 

Em 1869, é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).

Considerando-se sob o aspecto de quem começou a praticar exercícios com pesos, podemos afirmar que o pioneiro foi JOÃO DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, ainda no século passado. O autor de “O Captiveiro“, de “A esfinge do Grajaú“, “A setembrada”, nasceu na estreita Rua do Sol, 141, situado entre a Rua do Ribeirão e o Beco do Teatro, a 2 de setembro de 1867, como informa Gaspar (1993, p.12) [15].

Nos livros de memórias desse festejado historiador, advogado, polemista, sociólogo, crítico, romancista, poeta, jornalista, parlamentar e internacionalista maranhense, relata-nos que o “Club dos Mortos” – proposto por Raymundo Frazão Cantanhende -, reunia-se no porão da casa dos Abranches, no início da Rua dos Remédios: E como não era assoalhado nem revestido de ladrilhos, os meus paes alli instalaram apparelhos de gymnastica e de força para exercícios physicos. (Abranches, 1941, p. 187).

Relata, ainda, que os membros desse clube abolicionista, juntando o útil ao agradável: [...] não raras noites, esse grupo juvenil de improvisados athletas e plumitivos patriotas acabava esquecendo os seus planos de conjuração e ia dansar na casa do Commandante Travassos [...] (Abranches, 1941, p. 188).

[1] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. “Pernas para o ar que ninguém é de ferro”: as recreações na São Luís do Século XIX. In CONCURSO LITERÁRIO E ARTÍSTICO CIDADE DE SÃO LUÍS – PRÊMIO “ANTÔNIO LOPES” DE PESQUISA HISTÓRICA, 1995.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. “Pernas para o ar que ninguém é de ferro”: as recreações na São Luís do Século XIX. In CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, X, Goiânia, 20 a 15 de outubro de 1997… ANAIS vol. II, p. 1005-1016

[2] ABRANCHES, Dunshee de A SETEMBRADA – A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1831 EM MARANHÃO – romance histórico. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1970.

[3] JOÃO ANTÔNIO GARCIA DE ABRANCHES – Garcia de Abranches, o Censor – nasceu em 31 de janeiro de 1769, em Macieira, freguesia de Sant’Iago, junto à vila de Cêa, bispado de Coimbra, em Portugal. É filho do Capitão José Garcia de Abranches e de D. Maria dos Reys. Seu apelido – Censor – deve-se ao jornal que escrevia, o Censor, no período de 1825 a 1830, em defesa das liberdades, da Independência e do Imperador, fazendo oposição ao jornal de Odorico Mendes; e ao Lord Cochrane, o que lhe valeu o exílio para Portugal, onde se bateu pela restauração de D. Pedro ao trono português. Garcia de Abranches aportou a São Luís do Maranhão em 1789, construindo fama e fortuna, embora procedesse de uma das maiores famílias portuguesas. De seu casamento com D. Anna Victorina Ottoni, falecida em 1806, nasceram-lhe três filhos: Frederico Magno de Abranches ; João e Antônio, estes dois, falecidos antes de 1812. O primeiro, conhecido como ‘O Fidalgote’, teve vida longa, representando papel importante na política e no jornalismo. Garcia de Abranches, aos 52 anos, casa-se com a fidalga espanhola D. Martinha Alvarez de Castro, com 17 anos à época.

[4] FREDERICO MAGNO DE ABRANCHES, o Fidalgote, nasceu em São Luís do Maranhão em 1804; professor de Phylophofia Racional; Secretário da província do Maranhão; deputado geral de 1835 a 1838; Cônsul geral em Cayenna, onde veio a falecer em 1880.

[5] O jogo da péla – jeu de paume – consiste em bater a bola com a mão e substituiu os “ludus pilae cum palma” romano. Na França, a bola, nascido no tardo-medievo como instrumento de contenda incruenta, torna-se momento lúdico e agonístico, aberto a todos Em Portugal, no início do século XVIII, foi introduzido o uso francês de jogar com raqueta. Conhecido já no século XII foi jogado melhor no período sucessivo, até dar vida ao atual tênis.]

[6] JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 36, 12 de novembro de1841

[7] JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 37, 16 de novembro de1841

[8] JORNAL MARANHENSE, anno I, São Luís, Sexta-feira, 31 de dezembro de1841, n. 49

[9] JORNAL MARANHENSE, anno I, São Luís, Sexta-feira, 1º de outubro de 1841, n. 24

[10] ABRANCHES, Dunshe de. O CAPTIVEIRO. Rio de Janeiro : (s.e.), 1941

[11] A fidalga espanhola D. Martinha Alvarez de Castro, casou-se com Garcia de Abranches, o Censor, quando tinha 17 anos. Foi a fundadora do primeiro colégio destinado ao sexo feminino em Maranhão – o “Colégio Nossa Senhora das Graças”, mais conhecido como o Colégio das Abranches – junto com sua filha Amância Leonor, em 1844. Foi – ela, ou uma das filhas – a primeira professora de educação física do Brasil [11].

[12] JANOTTI, Maria de Lourdes Monaco. Três mulhes da elite maranhense. In REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA, São Paulo, v. 16, n. 31 e 31, p. 225-248, 1996

[13] VIVEIROS, Jerônimo de. HISTÓRIA DO COMÉRCIO DO MARANHÃO – 1612+1895. São Luís : ACM, 1954

[14] CUNHA JÚNIOR, Carlos Fernando Ferreira da. A produção teórica brasileira sobre educação physica/gymnastica no século XIX: questões de gênero. In CONGRESSO BRASLEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSCA, VI, Rio de Janeiro, dezembro de 1998. COLETÂNEA… . Rio de Janeiro : Universidade Gama Filho, 1998, p. 146-152.

[15] GASPAR, Carlos. DUNSHE DE ABRANCHES. São Luís : (s.e.), 1993. Discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a 28 de julho de 1992.

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INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO – parte 3

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A GYMNÁSTICA NO MARANHÃO[1]

A ginástica é um conceito que engloba modalidades competitivas e não competitivas e envolve a prática de uma série de movimentos exigentes de força, flexibilidade e coordenação motora para fins únicos de aperfeiçoamento físico e mental. Tem sua origem no grego, gymnastiké – da palavra grega “gymnos” (nu) pelo fato de, na antiguidade clássica, os exercícios se praticarem com o corpo nu. É o conjunto dos exercícios corporais sistematizados, para esse fim, realizados no solo ou com auxílio de aparelhos e aplicados com objetivos educativos, competitivos, artísticos e terapêuticos, etc.

A prática só voltou a ser retomada – com ênfase desportiva e militar – no final do século XVIII, na Europa, com a influência de vários pensadores que se debruçaram sobre as vantagens da prática do exercício físico, destacando-se o contributo de Jean-Jacques Rousseau[2] na obra pedagógica “Emílio”, em que o autor se refere à necessidade da pratica física como meio para atingir a razão.

Desde 1771 em Portugal, sob o balizamento da Universidade de Coimbra, se estabeleceu que as atividades físicas como conteúdo educacional, atendia aos pressupostos da nova educação. As “Artes Liberais” nos Estatutos do Collegio Real de Nobres da Corte, e cidade de Lisboa eram a Cavalaria, Esgrima, e Dança. Apesar de contar ainda um sentido cavalheiresco (educação dos nobres), essa introdução se deu através das ideias burguesas.

A partir daqui surgiram várias correntes, que encontraram eco na Alemanha[3] com Johann Bernard Basedow[4], pedagogo e educador, que conseguiu assimilar e transformar os princípios orientadores de Rousseau e impulsionou a ginástica, tendo para isso criado em 1775 o pentatlo de Dassau, no seu “Philanthropicum“, constituído por provas de corrida, saltos, transporte, de equilíbrio e de trepar. Foi o primeiro pedagogo, desde a Antiguidade, a defender que o exercício físico deveria fazer parte dos programas das escolas primárias.

Em 1784, Christian Gotthlif Saltzmann[5], pedagogo e educador, abre outro “Philanthropicum“, em Schneppenthal. Em 1785, Johann Christoph Friedrich Guts-Muths[6], professor e educador, inicia sua obra com um novo conceito de ginástica. Foi um impulsionador da educação física obrigatória; utilizou o “Philanthropicum” de Schnepfenthal, incluindo a par da corrida, saltos, lançamento, luta e natação, os exercícios de trepar e de equilíbrio.

No período de 1861 a 1871 verifica-se a presença de alunos de nacionalidade brasileira no Philantropinum[7], sediado em Schnepfenthal[8]; dentre esses alunos vamos encontrar:

NOME LOCAL E                                       PERÍODO DE

ANO NASCIMENTO                                 ESTUDOS

 

de La Roque, Jean          Pará, 1850            1861 – 1866

de La Roque, Auguste    Pará, 1851            1861 – 1867

de La Roque, Henri        Pará, 1849            1861 – 1864

de La Roque, Guilherme            Cametá, 1853                   1863 – 1869

De La Roque, Luiz         Pará, 1856            1865 – 1871

de La Roque, Carlos       Pará, 1857            1865 – 1871

 

Temos a existência da Família LaRocque no Maranhão. Os LaRocque – importante família estabelecida no Pará, procedem de dois irmãos:

I – HENRIQUE de LaROCQUE (c. 1821 – Porto ?), que deixou geração do seu casamento, em 1848 – Pará -, com Matilde Isabel da Costa ( ? – 1919); e

II – LUIZ de LaROCQUE (c. 1827 – Porto ?), que deixou geração de seu casamento, em 1854 (Pará) com sua cunhada Emília Ludmila da Costa.

Ambos, filhos de JOÃO LUIZ de LaROCQUE (c. 1800 – a. 1854) e de Rosa Albertina de Melo. Entre os membros dessa família registra-se o senador HENRIQUE de LaROCQUE ALMEIDA, advogado diplomado pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro (hoje, UFRJ).[9]

No Dicionário, é dada como sobrenome de origem escocesa, o que é contestado por Henrique Artur de Sousa, para quem a família LaRocque estabelecida no Brasil é de origem portuguesa, da cidade do Porto – encontrou uma primeira referência no início da colonização do Brasil, nos anos 1500, em São Vicente … -, o que parece ser a versão verídica, haja vista que o falecimento de dois membros dessa família – os irmãos Henrique e Luís, filhos de João Luís de LaRocque e sua mulher Rosa Albertina de Melo – se dão na cidade do Porto, no século XIX… (vide Dicionário…)

Efetivamente alguns LaRocque se estabeleceram no Maranhão, a partir de 1832. Henrique Artur de Sousa – genealogista estabelecido em Brasília encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal !

Filhos de Jean Francoise de LaRocque:

Carolina – depois Baronesa de Santos;

Henrique de La Rocque;

Guilherme de LaRocque;

João Luís de LaRocque;

Luís de LaRocque;

Rosa;

Amélia;

Antônio de LaRocque.

 

Desses irmãos, quatro estudaram na Alemanha; Henrique de LaRocque Júnior, e seus irmãos João e Augusto, também podem ter estudado na Alemanha … Henrique de LaRocque Júnior – viria construir o Mercado de Ver-o-Peso, em Belém do Pará -, vem a ser avô do Senador LaRocque…

[1] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. “Pernas para o ar que ninguém é de ferro”: as recreações na São Luís do Século XIX. In CONCURSO LITERÁRIO E ARTÍSTICO CIDADE DE SÃO LUÍS – PRÊMIO “ANTÔNIO LOPES” DE PESQUISA HISTÓRICA, 1995.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. “Pernas para o ar que ninguém é de ferro”: as recreações na São Luís do Século XIX. In CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, X, Goiânia, 20 a 15 de outubro de 1997… ANAIS vol. II, p. 1005-1016

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ATIVIDADES FÍSICAS FEMININAS. NO MARANHÃO IMPERIAL (1823-1889). In Lecturas: Educación Física y Deportes Revista Digital, Buenos Aires,  Año 4. Nº 14, Junio 1999, disponível em http://www.efdeportes.com/, VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ATIVIDADES FÍSICAS FEMININAS. NO MARANHÃO IMPERIAL (1823-1889). In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA, São Luís, Volume 03, Número 01 – jan/jun/2000.

[2] Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de Junho de 1712Ermenonville, 2 de Julho de 1778) foi um importante filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço. É considerado um dos principais filósofos do iluminismo e um precursor do romantismo.

[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Gin%C3%A1stica

[4] Johann Bernard Basedow (1723-1790) estabeleceu sua escola-modelo – Philanthropinum, em Dessau, Alemanha, onde a ginástica estava incluída no currículo escolar e possuía o mesmo status que as disciplinas intelectuais. Inicialmente, nessa instituição eram praticadas atividades originárias dos tempos medievais como a equitação, o volteio, a natação, a esgrima, a dança e os jogos, posteriormente, foram acrescentados exercícios naturais como o correr, saltar, arremessar, transportar e trepar. http://www.ahistoria.com.br/esportesjogos/educacao-fisica-escolar.html

[5] Christian Gotthilf Salzmann (1744-1811), pedagogo e educador alemão, criou um estabelecimento semelhante ao de Basedow, localizado, também, na Alemanha, na cidade de Schnepfenthal. Era, nele, acentuada a importância da educação sensorial para a formação física, para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da capacidade intelectual do educando, como também, desenvolvido o interesse educativo do esforço, que deveria ser executado de acordo com as possibilidades dos alunos. http://www.ahistoria.com.br/esportesjogos/educacao-fisica-escolar.html

[6] Johann Christoph Guts Muths (1759-1839), educador alemão, iniciou a lecionar como professor de Ginástica no Instituto de Schnepfenthal, fundado por Salzmann, e lá permaneceu por 54 anos. A Educação Física para Guts Muths possuía, então, o objetivo de exercitar uma ação educativa destinada a harmonizar o corpo com as forças espirituais e morais e desenvolver, na criança, qualidades e capacidades que lhe permitisse superar obstáculos de caráter físico. Observa-se, também, a sua preocupação em proporcionar às mulheres atividades físicas, fundando a primeira escola de ginástica feminina onde os exercícios físicos eram adaptados ao sexo, como, também, possuía a consciência do valor que o esporte oferecia à formação física e da personalidade da juventude.. http://www.ahistoria.com.br/esportesjogos/educacao-fisica-escolar.html

[7] Em janeiro de 1999, o Prof. Dr. Lamartine Pereira Da Costa fez um anúncio através do CEV (Centro Esportivo Virtual www.cev.org.br): “Permitam-me iniciar o ano de 1999 fazendo um anuncio importante para o desenvolvimento da Historia do Esporte no plano nacional e internacional, como também mobilizar os amigos da Lista e fora dela para que sejam iniciadas pesquisas no tema que se segue.”.

[8] Fonte: Preisinger, M. (Arquivos de Schnepfenthal – 1998)

[9] in DICIONÁRIO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS, vol. II, BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Arquivos da Biblioteca Pública “Benedito Leite”.

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INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO – parte 2

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John Locke (1632-1704) [1], um dos mais importantes teóricos do liberalismo, sintetiza suas concepções educacionais: formação do gentleman e dos “sem propriedades”. A educação dos que possuem a propriedade privada e posses deveria ser feita por preceptores capacitados e cultos, em local aprazível e com boas condições higiênicas, com ênfase nos saberes clássicos e na preparação do jovem como bom administrador dos negócios da família, para assumir posições de comando no estamento estatal e na guerra. Aos “despossuídos” de bens cabia uma educação fundamentada na religião e nas artes manuais, capacitando-os para o trabalho (citado por Finocchio, 2013) [2].

Para a nobreza e a burguesia, propõe uma escola da vida, que se afaste da escolástica, ainda presente nas Universidades. Diz que o fundamento de uma boa educação está no desenvolvimento da civilidade, dos bons costumes, na formação da personalidade, no equilíbrio entre caráter e inteligência. À educação física, retomando o conceito de mens sana in corpore sano (Juvenal, Sátiras X), recomenda a esgrima, a equitação e passeios ao ar livre, visando a desenvolver o corpo e o espírito fortes:

 

Em Pensamentos sobre Educação (1693), Locke dá ao termo físico dois sentidos: physis, referindo-se ao estudo da natureza e vinculado à vida corporal, física. Precursor do empirismo moderno procura conciliar a teoria do racionalismo de Descartes e do empirismo de Bacon. Sobrepõe-se às tradições humanísticas e, sob a influência do antropocentrismo, mais apropriadamente do empirismo, deposita, em seu projeto educacional, além da boa formação do caráter, uma preocupação com a capacidade de desenvolver, com o conhecimento obtido pela experiência sensível, a transformação da natureza. Daí sua recomendação de uma escola para a vida, na qual se desenvolvam as virtudes práticas, vindo a educação física a obter uma importância sem precedentes na Idade Moderna, ressaltando a educação do corpo no fortalecimento moral. (citado por Finocchio, 2013).

 

Na formação do gentil homem, de Locke, a educação física tem grande destaque, voltada à formação moral, além do corpo e da higiene, com o emprego de jogos e do treinamento ao ar livre. Para ele, a educação física, sob a inspiração do modelo grego, conduziria o homem à sua formação civilizada. A formação do gentleman inglês passaria, necessariamente, pela educação física.

Immanuel Kant (1724-1804) propôs o fortalecimento das escolas públicas, em relação às domésticas, sob a consideração de que são mais propícias ao ensino de várias habilidades, e formadoras do caráter. Recomendava ainda escolas experimentais, que dariam direcionamento às várias escolas elementares. Em síntese, tinha como plano educativo [3] uma educação pela moralidade, o fortalecimento das escolas públicas e o desenvolvimento de uma experimentação educativa.

A educação era entendida como a disciplina e a instrução com a formação do homem que o afastava da condição de bruto e selvagem. Com esse propósito, Kant estabeleceu uma visão unificada de ser humano, concebendo a educação como meio de desenvolver no homem todas as suas disposições naturais. Para Kant:

 

A atividade educativa divide-se depois em “física” e “prática”. A educação física é “negativa” quando enuncia conselhos para criar os bebês (aleitamento), fazer adquirir hábitos (ao que Kant se opõe), realizar o “endurecimento” (pense-se em Locke), regular a liberdade a ser concedida às crianças e às intervenções para “vencer a teimosia”. A educação física é, pelo contrário, “positiva” quando visa à cultura, ou ao “exercício das atividades espirituais”. Nesse campo, segundo Kant, um papel fundamental é assumido pelo “jogo” (como movimento do corpo e exercício “da habilidade”) e pelo trabalho (“é sumamente importante que as crianças aprendam a trabalhar, “porque o homem tem necessidade de uma ocupação, nem que seja acompanhada de um certo sacrifício”). A instrução deve, depois, valorizar a memória ao lado da inteligência e iniciar também a educação moral através da adaptação da conduta às “máximas” que devem tender para a formação do caráter [...].(Cambi, 1999, citado por Finocchio, 2013) [4].

 

Para Finocchio (2013) em suas propostas de formação do ser humano, a burguesia pensava a educação como essencial à formação plena da personalidade do indivíduo, incluindo aí a educação do corpo como uma necessidade. A gymnastica consistia na metodização da educação do corpo, imprescindível à formação do homem, não só fortalecendo o corpo, mas enriquecendo o espírito e enobrecendo a alma.

Francisco de Amorós y Ondeano[5] (1770-1848) é conhecido por ser um dos fundadores da Educação Física moderna. Em razão de suas ideias liberais e do apoio a José Bonaparte I, em 1814 exilou-se na França e aí desenvolveu a Escola Francesa de Ginástica. Seu método, de inspiração pestalozziana e fundamentado em Locke e Rousseau, defendia a “educação integral”. Contudo, em sua ginástica prevalecia o lado militar sobre o educativo, tal como se pode notar em seu tratado Nouveau Manuel d’Education Physique, Gymnastique et Morale, no qual propõe um soldado da Pátria e um benfeitor da Humanidade.

A Educação Física na Inglaterra tomou aspecto diverso de outras nações europeias; desenvolvida ao final do século XVIII e início do seguinte, de caráter nacionalista, e visando à disciplina e ao treinamento físico, bem como à defesa nacional; seu destaque não se deu na ginástica, mas no Esporte, em estreita relação com as transformações socioeconômicas resultantes das alterações produzidas pela Revolução Industrial, iniciada em 1760.

Ainda que adotasse a gymnastica nas escolas básicas, como meio da educação do físico, era no ensino secundário, destinado à aristocracia e à burguesia, que se aprimoravam o cuidado do físico e o cuidado da formação moral, empregando os esportes.

No começo do século XIX, o clérigo Thomas Arnold se utilizou de uma forma de ócio da classe dirigente, os jogos populares, para criar um novo modo de educação. O desporto, naquele momento, teve por função propor às classes dirigentes enriquecidas, mas em estado de degradação física e moral, uma formação mais adequada, em relação à tradicional. Apesar de grande reação religiosa e dos meios intelectuais, o desporto foi adotado para responder às conveniências práticas do imperialismo britânico (Rouyer, 1977, citado por Finocchio, 2013)[6].

A partir da segunda metade do século XIX houve, ao seu final, uma biologização da educação física (Paiva, 2003) [7], ocorrendo a migração da preocupação com a abrangência da formação humana para o estabelecimento de sua especificidade, biológica:

 

“[...] a educação physica, aquela ampla e integrante do projeto de educação integral, é submetida a uma dupla reconversão: a) foi preciso reduzi-la à gymnastica, codificando-a como disciplina escolar e a ela impondo os trâmites e procedimentos próprios dessa operação – organizar seus tempos e seus espaços, suas metodologias, seus processos de avaliação, a materialidade de suas práticas, etc.; e, b) foi preciso ressignificar, também reduzindo, educação física e gymnastica à ginástica, isto é, aos procedimentos metódicos de exercitação corporal sistematizada visando o ganho de aptidão física.” ( p. 421).

 

A educação física na escola, por força da influência médica, foi pensada como ginástica em seu sentido de cuidado com o corpo, principalmente com preocupações higiênicas de aptidão física.

Para Finocchio (2013) [8] a sociedade burguesa estabeleceu um perfil biológico de homem:

 

“[...] Sob essa perspectiva a educação física, inicialmente como ginástica, adotou uma perspectiva dominante, anátomo-fisiológica. Sob os ideais burgueses buscou-se a formação de uma sociedade constituída de homens fortes capazes de produzir e gerenciar riquezas. A Inglaterra do final do século XIX ilustra o pensamento liberal exemplarmente: utilizando-se de uma educação diferenciada, inseriu na educação básica a ginástica para a formação do homo habillis e o esporte para a formação do gentleman.

 

O método ginástico de Ling (1776-1839) [9], fundamentado em estudos anátomo-fisiológicos, com um viés médico higiênico, é composto por uma série de movimentos segmentados, com uma série racional de movimentos.

 

A consideração do processo de instituição do pensamento burguês é fundamental, pois, associada à estrutura política e socioeconômica do Segundo Reinado brasileiro, nos permite identificar, por meio do exame da organização dos Planos de Estudos da Escola Secundária (Imperial Collegio de Pedro II), como aquelas propostas educacionais de gymnasticas, originadas na Europa com o desenvolvimento da sociedade burguesa, aqui são efetivamente colocadas em prática e a que função davam atendimento.

 

De acordo com Cancella (2012; 2014) [10]; Cancella e Mataruna (2013); e Finocchio (2013) [11] a prática esportiva em meio militar foi intensificada na virada do século XIX para o XX sob o argumento de que para a estruturação das Forças Armadas era fundamental o desenvolvimento físico do pessoal militar. Estas atividades eram consideradas importantes para a formação não somente de militares mais preparados, mas também de potenciais “soldados-cidadãos” e “cidadãos-marinheiros” entre os praticantes civis. Por isso, as atividades físicas e esportivas foram gradativamente incorporadas aos currículos de instituições de ensino do país, iniciando este processo pelas escolas militares. Para Silva e Melo (2011),

 

A defesa pela ampliação da educação física no sistema de ensino baseava-se nos benefícios que trariam para o corpo e mente dos jovens. No meio militar, esta defesa era reforçada pelas observações dos cuidados de FFAA de outros países com os processos de preparação do corpo dos combatentes, considerando os exercícios físicos como um dos melhores instrumentos para a manutenção da forma e da disciplina das tropas. Com o crescimento da prática da ginástica nas instituições militares ao longo do oitocentos, muitos de seus membros passaram a atuar no meio civil como instrutores de ginástica nas escolas, uma vez que ainda não existiam escolas de formação em Educação Física no país naquele momento e os militares eram os principais promotores destas práticas no Brasil.

 

Finocchio (2013) entende que não tenha sido casual a designação, em 1860, do primeiro mestre de gymnastica da Escola da Marinha, o civil Pedro Orlandini (Professor italiano de diversos saberes: gymnastica, esgrima, dança, língua inglesa, francês e italiano) e, em 1861, o Alferes Pedro Guilherme Meyer, do Exército. A contratação de um especialista em gymnastica foi feita em atendimento às necessidades militares de proporcionar um aprimoramento na formação das forças armadas, por meio do desenvolvimento físico. Esse processo de profissionalização do Exército, com o treinamento militar para menores, implicou a inserção da gymnastica em suas escolas.

Finocchio (2013) emprega essa terminologia – gymnastica – para se referir a uma prática educacional em construção no século XIX:

 

Os termos gymnastica ou exercícios gymnasticos foram utilizados no interior do Collegio de Pedro Segundo para fazer referência às práticas corporais – esgrima, jogos e exercícios ginásticos propriamente ditos – que eram oferecidos aos seus alunos. (Gondra, 2000, p.125) [12].

[1] John Locke (Wrington, 29 de agosto de 1632Harlow, 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. A filosofia da mente de Locke é frequentemente citada como a origem das concepções modernas de identidade e do “Eu”. O conceito de identidade pessoal, seus conceitos e questionamentos figuraram com destaque na obra de filósofos posteriores, como David Hume, Jean-Jacques Rousseau e Kant. Locke foi o primeiro a definir o “si mesmo” através de uma continuidade de consciência. Ele postulou que a mente era uma lousa em branco (tabula rasa). Em oposição ao Cartesianismo, ele sustentou que nascemos sem ideias inatas, e que o conhecimento é determinado apenas pela experiência derivada da percepção sensorial. Locke escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza do conhecimento. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais – direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos naturais, os homens haviam criado governos. Se esses governos, contudo, não respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade, o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões. Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro Tratado sobre o Governo Civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo Tratado sobre o Governo Civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada. http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke

[2] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[3] KANT, Immanuel (1724-1804). Sobre a Pedagogia. Trad. Francisco Cock Fontanella. Piracicaba: Unimep, 1996.

[4] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[5] Francisco Amorós y Ondeano (Valência, 1770Paris, 1848) foi um professor e militar espanhol, naturalizado francês. Iniciou seu trabalho na Espanha, e em 1814, desenvolveu suas ideias no contexto da ginástica. Seu trabalho consolidou-se na França, no século XIX, na Escola de Ginástica Francesa. Em 1818, criou o Ginásio Militar, no qual deu origem a ginástica eclética, que misturou as técnicas e ideias de Guts Muths e Jahn. Após, idealizou uma série de itens que considerava essencial para sua obra, entre eles, a ênfase à resistência à fadiga, o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis, o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais, a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras, o lutar de várias maneiras, o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel, a suspensão pelos braços, a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis a um grande número de situações de guerra ou de interesse público geral. Amoros faleceu em 1848, aos 78 anos de idade. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Amoros

[6] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[7] PAIVA, Fernanda Simone Lopes de. Sobre o pensamento médico-higienista oitocentista e a escolarização: condições de possibilidade para o engendramento do campo da Educação Física no Brasil. 2003. 475 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.

[8] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[9] Pier Henrich Ling, militar e instrutor de esgrima na Universidade de Luna, desenvolveu um método sob uma concepção anatômica, com exercícios corretivos, com base nos preceitos e princípios científicos incorporados ao sistema de educação e, portanto, à gymnastica.

[10] Cancella, Karina. A defesa da prática esportiva como elemento de preparação dos militares por meio das publicações institucionais “Revista Marítima Brasileira” e “Revista Militar”. Anais do XV Encontro Regional de História da ANPUH-RIO, 2012. Disponível em http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338498190_ARQUIVO_ANPUH2012_KarinaBarbosaCancella.pdf

Cancella, Karina. O ESPORTE E AS FORÇAS ARMADAS NA PRIMEIRA REPÚBLICA – das atividades gymnásticas às participações em eventos esportivos internacionais. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2014.

[11] Cancella, Karina Barbosa; MATARUNA, Leonardo. Liga Militar de Football e a Liga de Sports da Marinha: uma análise comparativa do processo de fundação das primeiras entidades de organização esportiva militar do Brasil. In HOFMANN, Annette; VOTRE, Sebastião (organizadores). Esporte e Educação Física ao redor do mundo – passado, presente e futuro. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2013, p. 119-132.

FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[12] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

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INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO – parte 1

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INDÍCIOS DA GINÁSTICA (COM APARELHOS) NO MARANHÃO

 LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Professor de Educação Física / Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão / Academia Ludovicense de Letras

 

Desde o século XVIII, encontram-se propostas precursoras de um tipo de Educação Física que se tornaria em modelo pedagógico para os séculos seguintes: a gymnastica, constituída como um conjunto de exercícios organizados com o objetivo de cuidar do corpo (Finocchio, 2013) [1]. Dentre seus precursores temos:

Basedow[2], que incluiu a ginástica no currículo de sua escola-modelo Philantropinum, em Dessau, Alemanha. Anteriormente ao emprego da ginástica, eram desenvolvidas atividades físicas junto aos alunos do Philantropinum oriundas das práticas medievais, como a equitação, a natação, a esgrima, a dança e os jogos. Posteriormente, seriam acrescidos os exercícios como correr, saltar, arremessar, transportar e trepar, componentes básicos da Ginástica “natural”. (in Finocchio, 2013).

Guts Muths[3] desenvolveu as regras para as práticas da educação física, introduzindo um sistema de exercícios nas grades escolares, com os princípios básicos da ginástica artística. Em 1793, publicou Gymnastik für die Jugend, o primeiro livro escrito sistematizado da ginástica. Sete anos mais tarde, seu livro fora traduzido para a língua inglesa e publicado, na Inglaterra – onde se tornou referência no meio -, sob o título de Gymnastics for youth: or A practical guide to healthful and amusing exercises for the use of schools.

Vieth[4] atribuía importância à prática do exercício físico para a formação moral e física do indivíduo e insistia na obrigatoriedade de Educação Física nos âmbitos da escola e da universidade. Afirmando que os exercícios físicos deveriam visar ao aperfeiçoamento completo do corpo humano, os classificava de acordo com as diferentes partes do corpo, em exercícios simples e combinados. Preferia, entretanto, classificá-los em exercícios passivos (exercícios de oscilação, atitudes, fricções e massagens, banho e exercícios de endurecimento) e exercícios ativos, que se dividiam em exercícios para os sentidos e para os membros, como marchar, corridas, exercícios de trepar, saltos, dança, exercícios de tração e de repulsão, lançamentos, lutas, esgrimas, volteios e transporte de fardos, além da patinação, do tiro, da equitação e de jogos diversos.

Friedrich Ludwig Jahn[5] – pedagogo e ativista político -, por volta de 1809 adotou um princípio educacional realista, e desenvolveu um tipo de ginástica com valorização da luta. Criou aparelhos que se constituíam em representações de obstáculos naturais, o Turnen, que teve grande aceitação da classe dominante, adquirindo caráter militar e patriótico, e constituindo-se em uma primeira forma de instrução física militar destinada as massas, que corresponde às necessidades práticas da burguesia (Rouyer, 1977, citado por Finocchio, 2013) [6].

Além de criar aparelhos e novas formas gímnicas, fundou, em 1811, o primeiro ginásio ao ar livre de Hasenheide, Berlim. Daí nasceu o termo “Turnkunst” pelo qual ele substitui a palavra “Gymnastik“.

A ginástica de Jahn, com um conteúdo mais social e patriótico, rapidamente superou as ideias pedagógicas de Guts-Muths, tendo por objetivo formar homens fortes para defender a pátria [7]. Embora já houvesse várias formas de ginástica, acrescentou aos exercícios já conhecidos, as barras e a barra alta.

Para Coertjens, Guazzdelli e Wasserman (2004)  [8] a utilização dos ‘turner’ entre o discurso nacionalista e a prática esportiva nos pequenos estados que, anos mais tarde, formaram o Estado alemão:

 

“[...] Nesse período, as noções de unidade pátria e povo foram idealizadas, entre outras coisas, através do esporte. Isso aconteceu com o objetivo de fomentar a resistência ‘alemã’ contra as invasões napoleônicas e, mais tarde, intensificar o processo de unificação do Estado alemão. Considerava-se que o exercício físico regular contribuía para o processo de disciplinalização e militarização da sociedade, principalmente, dos jovens. Esse ponto de vista ficou conhecido sob o nome de ‘Turnen’, ‘ginástica’, inserindo-se perfeitamente o esporte num contexto social e político mais complexo.”

 

A ginástica (turnen) se transforma em uma escola de patriotismo, educação para se preparar para a guerra de libertação; seu curso visava o “despertar da identidade nacional” (construção de uma nação).

[1] FINOCCHIO, José Luiz. A inserção da Educação Física/gymnastica na Escola Moderna – Imperial Collegio de Pedro II (1837-1889). 2013. 258f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa: História, Políticas e Educação. Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2013.

[2] Johann Bernard Basedow (1723-1790) como grande admirador de Rousseau, incluiu a ginástica no currículo de sua escola-modelo Philantropinum, em Dessau, Alemanha. À disciplina deu-se o mesmo status das disciplinas intelectuais. Anteriormente ao emprego da ginástica, eram desenvolvidas atividades físicas junto aos alunos do Philantropinum oriundas das práticas medievais, como a equitação, a natação, a esgrima, a dança e os jogos. Posteriormente, seriam acrescidos os exercícios como correr, saltar, arremessar, transportar e trepar, componentes básicos da Ginástica “natural”. (in FINOCCHIO, 2013).

[3] Johann Christoph Friedrich Guts Muths (Quedlinburg, 9 de agosto de 1759Waltershausen, 21 de maio de 1839) foi um professor e educador alemão. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guts_Muths

[4] Gerhard Ulrich Anton Vieth (1763-1836) publicou o primeiro de três volumes de sua obra “Ensaios de uma Enciclopédia dos Exercícios do Corpo” (Versuch einer Enzyklopädie der Leibesübungen), Vieth tornou-se o primeiro professor de ginástica a demonstrar a necessidade de se proporcionar ao exercício físico uma base anátomo-fisiológica tendo em vista a sua preparação científica, que lhe permitia compreender e delinear os efeitos biológicos e higiênicos da ginástica, como também estabelecer uma relação de causa e efeito entre a atividade física e as suas influências sobre o corpo. (in FINOCCHIO, 2013).

[5] Friedrich Ludwig Christoph Jahn (Lanz, Prússia, 11 de agosto de 1778) estudou teologia e filologia na Universidade de Greifswald. No ano de 1811, sistematizou a prática da ginástica e a transformou em modalidade esportiva. Durante esse tempo, criou as associações Turnwerein – clubes de ginástica – para jovens praticantes e interessados. Por conta disso, é considerado o pai da ginástica. Com o passar do tempo, seus centros foram considerados abrigos de discussões políticas, pois lá se cultivavam a força moral e a exaltação patriótica. Foi influente na organização do movimento de Burschenschaft, que promovia os ideais nacionalistas entre estudantes da universidade alemã. Morreu em outubro de 1852, aos 74 anos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Ludwig_Jahn

[6] FINOCCHIO, 2013, obra citada.

[7] http://vamos_fazer_educacao_fisica.blogs.sapo.pt/10679.html

[8] COERTJENS, Marcelo, GUAZZELLI, Cesar Barcellos; e WASSERMAN, Cláudia. Club de Regatas Guahyba-Porto Alegre: o nacionalismo em revistas esportivas de um clube teuto-brasileiro (1930 e 1938). In Rev. bras. Educ. Fís. Esp, São Paulo, v.18, n.3, p.249-62, jul./set. 2004, disponível em http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rbefe/v18n3/v18n3a04.pdf

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CONVITE! Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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CONVITE!

A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem. 
DATA: 26/11/2014 (Quarta – feira);
HORÁRIO: 19hs
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA

Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.

Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012 à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit. na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”

A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”

Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.

Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.

“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.”

Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”

Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13;http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

CONVITE!</p>
<p>A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.<br />
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem.<br />
DATA: 26/11/2014 (Quarta - feira);<br />
HORÁRIO: 19hs<br />
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA</p>
<p>Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.</p>
<p>Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012  à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit.  na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”</p>
<p>A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”</p>
<p>Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.</p>
<p>Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.</p>
<p>“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.” </p>
<p>Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”</p>
<p>Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13; http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

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