VIII IÊ Camará – Encontro de Capoeira Angola no Maranhão – 13 a 16 de novembro

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A Escola de Capoeira Angola do Laborarte informa e convida, capoeiras, pesquisadores, artistas e o público em geral, de São Luís e alhures, para mais uma edição do “IÊ, CAMARÁ!”, em novembro, de 13 a 16, e assim compartilhar e trocar saberes e ofícios, desta feita, com a temática: Diálogos de Batuque e a Capoeira. Uma reverência a muitos jogos de luta espalhados pelo Brasil afora, e suas possíveis relações com a nossa arte guerreira maior. Uma das muitas produções do Laborarte, a exemplo do Festival de Cânticos de Capoeira, este, desde 1992. Na oportunidade teremos os mestres: Joab Jó, de Pernambuco, que mostrará, por meio do Passo do Frevo e do Sambado de Maracatu, as nuances da gente pernambucana; Jaime de Mar Grande, com o gingado e a manha baiana, através do Samba de Roda; Euzamor, com os caqueados e molejos do Caboclo de Pena e a força do Jogo de Cacete maranhenses; Elma, com suas experiências acerca das muitas manifestações populares, maranhenses e brasileiras, de que é conhecedora; e, Patinho, com seu vasto saber sobre as muitas correntes do movimento, envolvendo os caqueados do miolo do boi, do caboclo de pena e do vaqueiro, no Bumba-Boi, Tambor de Crioula, Circo e tantas outras fontes por ele vivenciadas nesses 51 anos dedicados, tendo a Capoeira, como carro-chefe. Por fim, Seo – Mestre – Zé Ribeiro e sua Turma do Quilombo de Rosário, a mostrar o vigor e a alegria da Punga dos Homens, no Tambor de Crioula, bem como Mestre Gonçalinho e D. Rôxa, à frente da Turma do Laborarte. O evento contará, também, com as ilustres presenças do Prof. Mst. Paulo Magalhães (BA) e no Mestre Assuero/Acinho, em exposição acadêmica e lançamento de livro, respectivamente, sobre a Capoeira. Que venham todo/as, para nos movimentarmos, nos alegrarmos e celebrarmos, essa grande Kizomba!
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Atlas da Capoeiragem no Piauí

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Mestre Baé ligou onte-ontem para falar de suas atividades atuais. Que estava indo com regularidade para o Piauí… falamos um pouco sobre a Capoeira naquele estado e ele informou que era recente a sua inclusão entre as atividades do ludico e do movimento por lá. Disse a ele que não, que a Capoeiragem no Piauí é irmã da do Maranhão, e que desde os meados dos 1800 já se tem notícias dela por lá…

Fui buscar o que tinha e acabei passando dois dias pesquisando e escrevendo; e agora compartilho com o Baé, e vamos nos ater a aprofundar essa História. Já mandei a ele um artigo – postagem anterior – e agora o ‘anexo’, com a construção do Atlas da Capoeiragem no Piauí…

 

Vamos emk frente:

 

Atlas da Capoeiragem no Piauí

 

Mestre Baé

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

1757 encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5) [1]. Carta de Mendonça Furtado a seu irmão, o Marques de Pombal – datada de 13 de junho de 1757[2]. Francisco Xavier de Mendonça Furtado (17001769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. Nesse período, o Piauí fazia parte do Estado Colonia do Maranhão e Grão-Pará.

1836 nascimento de José Basson de Miranda Osório, em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. Perito na arte da capoeira[3].

1874 Jornal ‘O Papiro”, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de julho, em “Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso[4]:

1878/1884 no jornal “A Época”, órgão conservador, se encontram referencias sobre ‘capoeira’, nem sempre relacionadas com capoeiristas e capoeiragem, tratando de fatos e intrigas da política local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria denegrir alguém, se lhe referia como “capoeira”. [5]

1880 Jornal A Época, 7 de maio de 1880, referia sobre alguns queixosos sobre a atuação do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o Juiz como um cínico, afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’ [6]

1883 Jornal A Época, edição de 22 de setembro de 1883; o articulista identifica o Dr. Basson como ‘capoeira’, [José Basson de Miranda Osório foi Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)] [7] e utiliza outro termo para identificar os praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro. [8]

1907/1912 Jornal “O Apóstolo” a partir de outubro se refere à capoeira, mas como mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas capoeiras”, em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia também à prática da “capoeira” enquanto arte-luta:

 

1954 nascimento de José Carlos de Lima (Mestre Zé Carlos), nascido no dia 06/11/1954 em Teresina, conhecido inicialmente como Mestre Bimba, tendo que mudar de apelido devido a coincidência com um dos mais famosos mestres da história da capoeira no Brasil, é funcionário público e iniciou na capoeira no ano de 1976, em Feira de Santana, retornando ao Piauí em 1977, onde se manteve até hoje ensinando e divulgando a capoeira. Reside à rua Ivan Messias Melo, nº 554, bairro Cristo Rei. Se destacou pela forma plástica e de bastante leveza com que jogava capoeira, acompanhado de mais dois irmãos, em especial com apresentações no carnaval de escolas de samba do Piauí, nas décadas de 1970 e 1980, bem como em escolas públicas, além de ser pioneiro na difusão da capoeira na imprensa televisiva, exibindo-se em programas de auditórios e reportagens ao vivo. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1957 nascimento de Inocêncio de Carvalho Neto (Mestre Caramurú), natural da localidade de Betúlia, no município de Simplício Mendes, Piauí. Nasceu em 18/08, residente em um Chalé, na Rua Beira Mara, 1666, Bairro Beira Mar, Luiz Correia-PI. Exerce a função de Marceneiro, sendo Microempresário de uma pequena fábrica de marcenaria. É Mestre de Capoeira da Associação Cultural Lua Nova de Capoeira, ministrando aulas numa academia própria que montou num galpão que adquiriu, ao qual pretende construir, nos fundos, sua própria residência. É poeta e escritor, tendo seu nome e uma pequena biografia registrada no Dicionário de Poetas Piauienses Contemporâneos. Possuí vasta experiência na Capoeira com viagens a vários estados do Brasil, em espacial Goiás, Brasília, Pernambuco e Rio de Janeiro. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1962 nascimento de José Gualberto da Silva Neto (Mestre Tucano), nascido em Teresina-PI em 07/08/1962, tem 32 deles dedicados à prática efetiva da capoeira, iniciada no ano de 1978 em Teresina, pelos ensinamentos do professor carioca Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira por aqui, com aulas às segundas, quartas e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. Possui vasta experiência conquistada pela inserção e participação em eventos de capoeira pelo Brasil e viagens internacionais, organizando eventos de capoeira e participando de encontros promovidos por outros mestres de capoeira. É professor de Educação Física, pela UFPI, com Especialização em Esportes e Saúde, também pela UFPI, exercendo sua função de professor efetivo da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), na APAE, Escola Consuelo Pinheiro, localizada no Bairro Cabral, zona norte da cidade, desenvolvendo atividades de esportes, artístico-culturais e de capoeira com crianças e jovens surdas e portadoras de dificuldades mentais leves, a mais de 20 anos. Reside à Rua Dr. Arêa Leão, 1082, Bairro Mafuá, em Teresina e desenvolve trabalho de capoeira na Casa da Cultura (Prefeitura Municipal), no centro da cidade, às terças e quintas feiras, e no Colégio Alceu Brandão (SEDUC), zona sul, aos sábados e domingos. É Mestre de capoeira pela Associação Cultural Raízes do Brasil e ajudou a fundar a primeira associação legalmente constituída do Piauí, a Associação Esportiva, Cultural e Filantrópica Quilombo Capoeira, no dia 12 de outubro de 1984. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1963 nascimento de Mestre Chocolate, nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963, tem 48 anos, reside em Caracas na Venezuela onde desenvolve trabalhos com capoeira e cultura brasileira em várias instituições culturais, sociais e educacionais naquele país. Iniciou na capoeira no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu irmão. Foi um dos precursores, ao lado do Mestre Tucano, da capoeira nas escolas de Teresina-PI. Logo cedo partiu para São Paulo e depois ao Rio de Janeiro, treinando e ensinado capoeira ao lado de renomados mestres dessa arte, retornando a Teresina, onde passou breve temporada, seguindo para Caracas, capital da Venezuela, desenvolvendo sua capoeira e criando a Associação Humaitá – celeiro de bambas. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1966 o mestre baiano Washington Bruno da Silva (Canjiquinha) faz suas exibições fora do Estado da Bahia, destacando exibição em Teresina-PI [Rego, 1968, p. 277 - Capoeiras Famosos e seu Comportamento na Comunidade Social”]

1969 Mestre Caramurú (reconhecido no universo da capoeira como o pioneiro dessa cultura no Piauí) chegou a Teresina no ano de 1969, iniciando na prática da capoeira no ano de 1970, pelos ensinamentos de um primo oriundo de Salvador-BA, chamado Washington, que veio morar na Via Militar, no bairro Marquês, zona norte da cidade, mais precisamente no Clube do Marquês, clube dos oficiais do Exército do Piauí. Mestre Caramurú fala de seu início na capoeira:

Quando esse primo nosso chegou, ele chegou pela manhã e já fez aquela cara de descolado, morava na capital Salvador, outra vivência, outra coisa, então ele chegou em casa e já foi logo andando na rua, queria saber onde eu estava, qual o colégio e tudo mais, e ele já foi logo me pegar no colégio. Na estrada ele já vinha dizendo que fazia capoeira em Salvador, e foi uma coisa que me fascinou, a tarde a gente brincando em um campo no Marquês, que na época era um campo enorme, de chão batido, não tinha praça, os circos vinham e ficavam lá acampados. A gente ficava lá brincando de bola, e lá rolou o primeiro “au” que eu vi, um “au”, uma “benção”, uma “armada”, um salto, um “s” dobrado, porque pra gente, naquele tempo , um “s” dobrado era bonito demais (risos), então aí começou esse movimento, eu e o Washington, o nome dele era Washington Vieira de Carvalho, só que ele me ensinou de uma maneira meio drástica, ele me dava muita pancada, me botava no chão, doía, ralava joelho, ralava cotovelo quando eu caia, não tinha a manha de cair em queda de rins nem “negativa”, nem “cocorinha”, aí eu fui aprendendo. Depois de uns dias, a gente brincando, e eu disse “olha, hoje você não me derruba mais”, um dia de tarde, depois de uma pelada, tinha suado, fomos jogar, aí eu passei a me embaraçar com ele, de igual pra igual, aí eu dei umas duas rasteiras seguras nele, ele levantava a perna, e eu ia por baixo, só que eu entrava no corpo, eu era mais forte do que ele, ele era maior mais era magro, eu entrava com meu corpo por baixo do dele, empurrava com as mãos e puxava como se fosse uma baianada, uma alavanca lateral, e por duas vezes eu consegui derrubar ele, e aí ele disse “ você já aprendeu”. Me lembro disso como se fosse hoje. Aí começou minha grande audácia de querer fazer aquilo ali sempre com as pessoas.[...] isso foi no ano de 70, de junho até julho, ele (seu primo) esteve com a gente até agosto, que eu me lembro que logo depois do meu aniversário ele foi embora. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1971 Segundo Mestre Caramurú a capoeira em Teresina teve início no ano de 1971, enquanto prática realmente instituída, em local próprio e com o uso de vestimentas características.

Durante o ano de 70 não, de jeito nenhum, procurei em muitos lugares, eu andava na Vermelha, tinha uma tia que morava na Vermelha, não tinha, passei a frequentar o Círculo Militar quando o presidente era o Carlito, não tinha ninguém com capoeira por lá em 1970, só fui achar uma pessoa pra jogar capoeira em 1971, isso mais ou menos no carnaval, que era uma pessoa que veio de Fortaleza chamado Cláudio, que disse que iria retornar e montar um grupo de Capoeira. [...] não me lembro se ele era daqui, ele só veio pra cá, passou alguns meses, inclusive deu aula, na segunda vez que ele veio ele deu

aula no SESC, mas isso bem depois, 74, 75 por aí. Ele não veio logo em seguida nesse tempo que a gente se encontrou no Círculo Militar. (Mestre Caramurú)

– As primeiras manifestações ficaram a cargo de um pequeno grupo de amigos que se reuniam para a prática da capoeira, conhecido como “thurma”, que pregavam a liberdade de expressão e eram representados enquanto intelectuais, se constituindo numa espécie de grupo fechado, mais atrelado à forma livre de se manifestarem e conduzirem suas experiências:

         Meu nome é Inocêncio de Carvalho Neto, nascido no povoado de Betúria, da fazenda Malhadinha, uma das fazendas mais antigas do Piauí, tá no mapa de 1970 pra trás, tem um pontinho lá com o nome de “Fazenda Malhadinha”, onde tinham nove escravos nessa fazenda. Na época, eu me lembro vagamente que eu passei só três anos com meus pais legítimos, a gente ia lá comer manga, essa manga rosa, e andar naquele grande porão de pedra que tem lá até hoje, e a coisa que eu achava muito bonita era um paredão de pedra, a cerca lá era de pedra, feita pelos escravos. Então logo depois tive que fazer uma cirurgia, minha mãe me deu pra minha tia, que morava em Floriano, pra fazer essa cirurgia, e a minha tia gostou muito de mim e não me devolveu mais pra minha mãe (risos), fui criado em Floriano. Então minha infância foi em Floriano, e em 69 meu pai deixou a firma onde trabalhava em Floriano e a gente veio morar em Teresina, em dezembro de 1969. Nossa mobília veio toda em um barco e desceu ali onde hoje em dia é o Troca-Troca em Teresina, aí começamos a morar em Teresina, lá na Rua Tiradentes, próximo ali a Coelho de Rezende, quase esquina com essa rua, e fui estudar no Colégio João Costa, se não me engano é ali atrás do Lindolfo Monteiro, e logo anos depois foi montado o polivalente. Lá no João Costa é que onde começou praticamente os movimentos de capoeira, veja o porquê: lá tinha a quadra da LBA, uns dois pés de manga, muito grande, então aquelas pessoas iam fazer aquela assistência social, aquela coisa toda, e ficavam muitas pessoas lá, então certo dia recebemos uma carta que dizia que um primo meu de Salvador iria passar uns três meses com a gente.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1974 Mestre Caramurú inicia um pequeno grupo de capoeira, denominado de Nova lua de Capoeira, sendo o primeiro grupo que se tem notícia no Piauí, por volta de 1974, época que coincide com a chegada de alguns capoeiristas de outros centros que se estabelecem em Teresina:

         O “Lua Nova”, [...] foi fundada aí, a raiz dela foi aí, porque primeiro foi “Lua Nova de Capoeira”, depois, com o tempo, é que pessoas me diziam pra fundar uma associação com pessoas que tivessem certa importância na área do esporte ou na área social, daí coloquei como associação, mas não registrada em cartório, não é a associação mais antiga de Teresina, é o grupo de capoeira mais antigo de Teresina. Só veio a haver outro grupo fundado por mim, Carlão, Sevilha, Henry, Paulinho de Tarso, que não é o Paulinho Velho, é o Paulo de Tarso do Rio de Janeiro, o “Paulo Capoeira”, Luís Bahia, que era o Hippie, o Serginho e o Ricardinho, que são dois irmãos do Rio de Janeiro, amigos dele que logo depois vieram pra cá, eram artesãos na época, inclusive me tornei artesão por causa desses dois irmãos. [...] Então, daí em meados de 74 e 75 é que se tem uma amizade com o Paulo Capoeira, que é igual ao Washington, [...] o Washington veio da Bahia e o Paulo Capoeira veio do Rio de Janeiro. Era soldado do exercito, o irmão também era cabo, [...] Resultado: eles vieram embora pra cá devido a recessões lá, aquela coisa toda, ficou muito crítica a situação deles, então o Paulinho veio pra cá, pra casa da avó deles, que ficava no Mafuá, próximo de mim e próximo de Carlão, aonde eu convivia diariamente, que era a casa do coronel, pai do Carlão, e a gente criou aquela amizade, aquela coisa toda. O Paulinho era um eximo capoeirista, malandro do morro, tinha um grupo de capoeira lá no morro, malandro daqueles de gingar, e fazer gesto de macaquice e tal, fazia do corpo o que ele queria, praticamente ele era um “negro de mola”, ta entendendo? Aí a gente começou a treinar, e ele viu que eu tinha potencial, já foi investindo em mim, “olha, você tem que fazer isso aqui comigo direto, não pode sair daqui, tem que ter responsabilidade”, e eu não queria ter muita responsabilidade não.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1975 nas memórias dos mestres, a capoeira começou a se aproximar da escola ainda no ano e 1975, porém somente por meio de apresentações pontuais em escolas públicas, sem nenhum vínculo institucional:

Em 1975 a gente fez várias apresentações, vou te citar alguns colégios onde a gente se apresentou: em um colégio na Vermelha, no CSU do Parque Piauí, no colégio da Ampliação no Parque Piauí, no Demóstenes Avelino, próximo à linha do trem, no rumo de quem vai descendo na Pires de Castro, fizemos apresentação várias vezes no Helvídio Nunes, porque a diretora era muito amiga da minha mãe, e ela sempre pedia pra gente fazer apresentação lá, de 75 em diante, em 78 foi quando eu zarpei de Teresina, eu viajei mesmo pra não voltar seguidamente. Fizemos também em um colégio, não me recordo o nome, onde a turma falava “pagou passou”, próximo à São Benedito, tinha o Colégio São Francisco, no centro, depois da Igreja São Benedito, apresentamos muito ali também,fica próximo ao Karnak, por ali. (Mestre Caramurú)

1976 Mestre Marcondes e seus familiares, e o professor Paulo Capoeira formam uma grande turma de jovens capoeiristas divulgando assim a arte da capoeira no estado do Piauí. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

- Mestre Zé Carlos – nascido em Teresina a 06/11/1954 – conhecido inicialmente como Mestre Bimba, iniciou-se na capoeira, em Feira de Santana, retornando ao Piauí em 1977, onde se manteve até hoje ensinando e divulgando a capoeira:

Eu comecei a capoeira no Piauí em 1977, quando fui convidado para uma ala no carnaval por Mario de Araujo Lima, ex-carnavalesco, engenheiro da prefeitura, falecido, que Deus o tenha em um bom lugar, e com isso começou o movimento da capoeira no Piauí. Foi se não me engano onde hoje é o atual Bradesco, e eu cheguei e já existiam pequenos focos de capoeiristas, aqueles que passam um mês e viajam para o Sul, para São Paulo, e chegam aqui e dizem que são professores de capoeira (risos), e também semi-analfabetos na área.

- [...] O inicio foi o seguinte: como eu jogava bola todo dia à tarde lá no campo do Clube do Marquês, a gente queria ficar dentro do clube, mas os oficiais não deixavam ter essa coisa assim de menino, bagunça de menino. Lá tinha um racha que era dos oficiais, todo dia de tarde tinha essa pelada deles, e a gente esperava eles terminarem essa pelada deles lá pelas 18 horas, já tudo escuro, porque não tinha refletor lá, só tinha uns pés de manga muito grande, a quadra e o clube do lado, e um portão bem grande de garagem direto pro rumo da quadra. Então a gente esperava terminar isso aí e ia jogar rapidinho, eu e mais quatro colegas vizinhos que eu já estava ensinando. Dentro desse primeiro prefácio de treinamento de capoeira, consegui mais cinco pessoas ao redor do clube, a molecada de lá mesmo que jogava bola por lá, a gente já era amigo, e de tanto eles verem a gente treinar eles se interessaram. Ficou mais ou menos oito pessoas praticando capoeira. (Mestre Caramurú) (Grifos meu) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1977 após haver retornado do Rio de Janeiro, o capoeirista conhecido como Paulo Capoeira, se estabelece por mais tempo na cidade, propondo uma melhor organização da capoeira, com a abertura de turmas, instituindo horários de treinos, seguindo uma determinada metodologia de ensino e ampliando a difusão dessa arte como uma atividade educativa, capaz de agregar pessoas de idade, sexo, formação, etnia e classe sociais as mais diversas, conseguindo, por meio do contato de parentes seus, acesso ao Serviço Social do Comércio (SESC), que seguindo a política de unidades instaladas em outros centros, estabelece a capoeira como uma das atividades ofertadas à comunidade. Se iniciava, assim, uma nova época da capoeira no Piauí, notadamente marcando o aparecimento de outros capoeiristas que se firmariam como os mestres e guardiões da capoeira piauiense:

1978 em Teresina, o professor carioca Paulo Capoeira, dava aulas às segundas, quartas e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. [SILVA, Robson Carlos da]

- Mestre Tucano – nascido em Teresina-PI em 07/08/1962 – iniciou na capoeira com o professor carioca Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira em Teresina.

Bom, eu iniciei na capoeira mais ou menos na metade de setembro de 1978, acho que pelo dia 15 ou 16 de setembro desse ano, aqui em Teresina, no Ginásio do SESC, hoje chamado de SESC Ilhotas, que é o Ginásio de Esportes do SESC Ilhotas, na época com o professor Paulo Capoeira, em 1978. Então, naquela época, a capoeira em Teresina não era muito difundida, mas chamava a atenção das pessoas, as pessoas achavam a capoeira bonita, ela sempre chamou atenção como beleza plástica, pela sua agilidade, pela sua música, pela sua expressão corporal, porém ela não tinha uma aceitação muito grande pela sociedade, os movimentos da capoeira eram bonitos, muito bem praticados, mas a questão é que as pessoas achavam que o capoeirista não era um sujeito bem quisto, então em 1978, não só aqui como no Brasil de um modo geral, a capoeira não era muito bem aceita como ela é hoje, e aqui em Teresina especialmente, porque aqui tem mais de um tipo de preconceito, além de achar que a capoeira era coisa de quem não tinha o que fazer, era coisa de drogado, era coisa de gente pobre, era coisa de vagabundo, tinha mais um preconceito que pesava muito: se você não era baiano, não era bom de capoeira. Então diziam assim: “ah, é piauiense, se não é baiano então não presta na capoeira”. A visão que se tinha na época da sociedade piauiense era a seguinte, o karate tava em alta, nessa época eram muito difundidos os filmes de Bruce Lee, e tinha toda aquela coisa do kung-fú chegando, o judô ainda não tinha ainda uma difusão grande, a musculação começava a chegar aqui, a natação estava no auge… e tudo isso era o que dava status aqui em Teresina, as pessoas não aceitavam nem o maratonista, quem corria na rua era vaiado. Então era uma sociedade muito provinciana ainda, e com isso a capoeira não era muito bem aceita, então nós iniciamos em um período um pouco difícil [...]. (Mestre Tucano) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

- Mestre Chocolate - nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963 – iniciou na capoeira no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu irmão:

[...] depois que ele entrou e começou a praticar capoeira no SESC com Paulo Capoeira, e depois começamos a treinar e a fazer aula de capoeira com ele e com o Gladstone, que era um capoeirista que existia no centro da cidade, e nos reuníamos lá no Pirajá, onde hoje é a UESPI. Todos os dias nos dirigíamos para aquele lugar, por volta de 4 ou 5 horas da manhã, para treinarmos capoeira. (Mestre Chocolate) [SILVA, Robson Carlos da]

- Nessa época (1978), chegou o Paulista (Mestre Albino), quando a gente tava fazendo roda no SESC, todo domingo tinha roda, a gente dava aula na terça e no sábado, eram dois dias na semana, e no domingo fazíamos a roda. E num desses domingos apareceu um paulista lá, calça de malha e tudo. [...] E, nesse tempo, quando aparece o Paulista, alguns meses depois chegam três irmãos, também lá no SESC, nessas rodas que eu, o Paulinho e o Deuto estavam fazendo, aí esses três irmãos eram José Francisco, José de Ribamar e o José Carlos (Mestre Zé Carlos), se não me engano, o outro moreno, bem menor. [...] Zé Carlos veio com esse apelido de Bimba. O Paulinho deu um descaramento nele, não gostou do apelido dele, porque não era pra ninguém ter o apelido de “Bimba”, isso na filosofia da gente. [...] eles vieram pra estar com a gente no SESC, o primeiro contato de Bimba, José Carlos e José Francisco foi no SESC [...] assim como o de Albino também foi lá. Só que o Albino ele já tinha estado comigo no Marquês, porque a mãe dele morava ali próxima a Primavera, tava começando esse bairro, pouquíssimas casas por lá [...]. (Mestre Caramurú)

- Outro nome que merece destaque neste período, podendo ser apontado sua inserção na história da capoeira do Piauí é um professor da Escola Federal do Piauí, identificado como Mestre Marcondes, porém sem conseguir notoriedade, nem tampouco um reconhecimento unânime entre os praticantes dessa arte. Sua presença é apontada quase sempre enquanto referência por sua oportunidade de conhecer e praticar capoeira em Brasília, notadamente com alguns mestres de renome, tais como Adilson e Tabosa, sem, no entanto, maior influência na capoeira praticada em Teresina:

[...] foi mais ou menos em 74, 75, nesses meados aí, que a gente já tinha bastante informação, já jogava bastante, já fazia roda,lá no colégio João Costa, depois me mudei pro João Clímaco, e já tinha roda de capoeira porque era eu que fazia, e depois foi que fui conhecer o Marcondes através de um grande amigo meu que era goleiro, o Madeirinha, jogava ali naquela pracinha em frente a aquela penitenciária, que hoje não existe mais.[...] E ele veio pra morar, a família dele veio morar ali, acho que ainda hoje ta do mesmo jeito, com aquela calçada alta, então a gente se conheceu assim, porque eu jogava capoeira, e falaram “olha eu também jogo capoeira e tal” foi quando eu conheci Leal, quando eu conheci finado Zé Maria, quando conheci a turma ali do Pó de Arroz, o pessoal do Fluminense, aquela coisa toda, jogava no Bariri, foi nessa época que eu conheci ele. Mas ele chegava assim: “sou professor“. Era contramestre. (Mestre Caramurú)

1979 alguns dos capoeiristas que se iniciaram no SESC, começam a se organizar em torno de seus próprios alunos, fundando os primeiros grupos organizados do Piauí. Neste período, a capoeira passa a ser conhecida e difundida, seguindo por várias dimensões diferentes, muitos encontros e desencontros, surgindo outras pessoas que marcariam sua presença de forma significativa neste processo.

– Os já conhecidos Zé Carlos e Albino seguem cada qual na formação de seu grupo, seguindo o mesmo caminho os irmãos Tucano e Chocolate, além de outros capoeiristas oriundos do SESC, tais como Valtinho e seu irmão John Grandão. São estes grupos que trarão uma nova roupagem à capoeira, fundando verdadeiras escolas de capoeira, formando discípulos e proporcionando a abertura de novas possibilidades para esta cultura em Teresina, inclusive ampliando seus espaços de atuação para fora do estado.

Mestre Zé Carlos que forma o grupo Irmão Unidos, desenvolvendo suas atividades no bairro Piçarra, na zona sul da cidade;

Mestre Albino funda o grupo Escravos Brancos, no Centro Social Urbano da primavera (CSU Primavera), zona norte da cidade;

Mestres Tucano e Chocolate fundam o grupo Palmares, no Centro de Treinamentos do Pirajá, no bairro Matinha, na zona norte de Teresina; e

John Grandão, juntamente com seu irmão Valtinho, iniciam o grupo Nova Lua, no bairro Cabral, também na zona norte de Teresina.

– A chegada da capoeira às escolas de Teresina se dá de forma efetiva, mais precisamente a partir da segunda metade do ano, quando os capoeiristas, em busca de espaço para treinar, decidem utilizar os espaços vazios, aos finais de semanas, das escolas públicas de Teresina, grandes pátios e quadras de esportes que ficavam fechadas sem nenhuma utilização pela comunidade próxima ou distante do entorno destas escolas.

Então ser aceito na escola era mais difícil ainda, mas como, em alguns casos já tínhamos estudado nas escolas e as diretoras nos conheciam elas autorizavam. O complicado era o vigia abrir os portões. Não foram raras as vezes que tivemos de pular os portões, pois o vigia fechava e ia embora. Nossa experiência mais importante foi no Colégio Benjamin Baptista, o Polivalente, pois conseguimos montar um grupo grande de praticantes e que foi base para os capoeiristas que continuaram a tradição da capoeira em Teresina; continuaram treinando, acompanharam a evolução da capoeira, alguns pararam, como Monteiro, Edson, este sobrinho do mestre Marcondes, um dos pioneiros da capoeira no Piauí; outros se formaram e hoje são mestres, como Bobby e Chocolate. Quando íamos solicitar autorização para treinar capoeira na escola, a diretora fazia sempre algumas exigências, tais como: somente utilizar o pátio e a quadra; evitar andar pelos corredores, salas e outras dependências; manter a escola limpa e segura, pois era proibida a entrada de quem não fosse treinar; permitir que os alunos da escola participassem do grupo. Aí, ainda era comum a gente fazer apresentações na escola, no recreio, quando tinha alguma festa, ou torneios de esportes, que naquele tempo envolviam toda a escola e outras escolas. Também, como já disse, nós mesmos estudávamos na escola e já tinha um vínculo com os professores, a diretora e os outros alunos; isso facilitava muito a aceitação da capoeira, pois a diretora sabia a quem estava entregando a escola. Assim, sempre tinha alunos da escola treinando. (Grifos meu). (Mestre Tucano)

1980 um grupo de jovens capoeiristas formaram o grupo Quilombo Capoeira, formado pelos irmãos Tucano, Bobby e Chocolate, além do professor John Grandão, que levaram a capoeira em todos os locais públicos, instituições privadas e os mais diversos locais onde a capoeira pudesse ser aplicada, desenvolvida e conhecida pelo público em geral. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– destacam-se nomes como Mestre Albino, Mestre Traíra, professor Alberto, Mestre Deuton, dentre outros. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– Mestre Albino procurou e manteve contato com Tucano e Chocolate, indo ao Pirajá em busca de informações sobre a capoeira que lá se fazia. Aconteceu, assim, um dos contatos que contribuiu para o surgimento de uma nova época na capoeira do Piauí, que seria o encontro efetivo dos grupos, promovendo um significativo intercâmbio entre as escolas dessa cultura, além do fortalecimento dos grupos, não esquecendo do clima de rivalidade que a partir de então fica mais evidente, favorecido pelo próprio encontro destas pessoas e de suas concepções.

– Nos anos 80, a capoeira no Piauí teve um grande crescimento sendo conhecida a nível nacional e internacional, revelando grandes talentos, com participação em encontros nacionais, internacionais, shows, cursos, JEBs, JUBs, participação de pessoas portadoras de deficiência, consolidando-se definitivamente nos anos 90 até os dias atuais. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– jornal “O Estado”, com data provável do dia 28/12/1980, assinada pelo jornalista Kenard Cruel, com o título “Praticantes de Capoeira pedem apoio ao Governo”, na qual era chamada a atenção para um grupo de capoeiristas que procuravam despertar nas autoridades políticas, empresariais e da sociedade em geral sobre as dificuldades em se organizarem e a necessidade de serem reconhecidos enquanto grupo representativo dessa cultura, no sentido de realizar eventos em Teresina e participar dos eventos nos grandes centros em que essa arte tinha um desenvolvimento consistente.

1981 e se estendendo até a segunda metade da década de 1980, algumas destas pessoas começam a se encontrar, trocando ideias, visitando os espaços de treinamento e fortalecendo os laços no sentido de melhor organizar a capoeira, surgindo daí os grandes grupos de capoeira, que conseguem arregimentar significativa parcela de alunos, atraindo a atenção da imprensa e despertando nas autoridades o efetivo interesse nessa cultura, identificando seu potencial educativo e cultural. Neste período, acontece também a saída de cena dos capoeiristas que iniciaram o movimento do SESC, alguns voltando a seu estado de origem, como Paulo Capoeira (Paulinho) que retorna ao Rio de Janeiro, “[...] aí o Paulinho disse ‘estou indo embora, não vou demorar muito, mas você fica aqui com a rapaziada e tudo mais’ [...]” (Mestre Caramurú); outros acabam viajando para fora do estado e retornam envolvidos com outras atividades ou, como é o caso de mestre Caramurú, que se afasta em longas viagens pelo Brasil e, ao retornar, se casa e segue trabalhando a capoeira, porém em outras cidades.

– Mestre Chocolate conta de forma pormenorizada alguns desses acontecimentos:

Depois veio o Bozó, no Pirajá, que é onde fica a UESPI, com o Quinzinho, com o Monteiro, e nesse período veio o Bobby, que se entrosou depois, o Zé Almeida, e nessa trajetória encontramos em Teresina um aluno de Mestre Pastinha, que ele se dizia ser desertor da Marinha nessa época e estava viajando pelo Brasil. Ele era um cara que vivia na periferia da cidade, na ponte do Rio Parnaíba. Em troca de levarmos comida pra ele, conversava e tal, ele traçou alguns treinamentos pra gente. Ele era conhecido como Mariano, e foi o primeiro contato que tivemos com um professor da Bahia, que era aluno do Pastinha da capoeira de Angola. Depois de um determinado tempo encontramos um pessoal do Mercado Modelo, que vieram fazer uma apresentação aqui, que foi o Cacau e o Coringa, e a gente começou a ter um contato com esses caras por um período, falava, se comunicava e tal, e mais pra frente tivemos contatos com o Paulão do Ceará, começamos a viajar pro Ceará pra fazer roda, encontrar as pessoas e encontramos o Paulão, que era do grupo Senzala, comandado pelo Camisa, do Rio de Janeiro. Lá em Fortaleza conhecemos o Paulão e seus alunos, que eram o Dingo, Dunga,

Gamela, Araminho, Querido, Pica-pau, muitos alunos dele.

1983 vinda do Mestre Guarulhos, de São Paulo, mestre filiado à Federação Paulista de Capoeira, essa, por sua vez, filiada à Confederação Brasileira de Pugilismo, com o propósito de visitar familiares, levando Mestre Albino a enxergar ali uma oportunidade única de promover o que considerava um antigo sonho seu, criar a Federação Piauiense de Capoeira e se candidatar a presidente, alcançando, em sua concepção, a liderança dos capoeiristas do Piauí.

Primeiro Batizado de Capoeira de Teresina, sob coordenação do mestre Guarulhos, reunindo significativa parcela dos capoeiristas em atividade naquela ocasião, porém não conseguindo o consenso entre estes. Seu objetivo era efetivar a graduação de todo o pessoal, concedendo o grau de professor de capoeira para alguns capoeiristas que desenvolviam atividades frente a seus grupos e, para os considerados pioneiros e fundadores da capoeira no Piauí, o grau de mestre, tudo conforme as normas oficiais da Federação Paulista de Capoeira, inclusive com a entrega dos certificados, devidamente carimbados e assinados por mestre Guarulhos, ficando decidido a seguinte relação dos que seriam mestres: Albino, John Grandão, Tucano, Chocolate, Bobby e Monteiro.

Não houve um consenso porque queriam nos impor uma sistematização e critérios que não tinha nada haver com nossa história. Neste período não tínhamos graduação, mas seguir as da Federação, sem critérios e ficar dependente da decisão do Albino, não dava.” (Mestre Tucano), e muita gente que naquele período dava aula ficou de fora, alguns não aceitando o convite para participar do evento e outros nem mesmo sendo lembrados, visto que “O Alberto, conhecido como Beto, começou a dar aulas no Jockey ainda no início dos anos oitenta e mesmo não sendo convidado foi lá e ainda distribuiu uns certificados de curso de extensão em capoeira, ministrado por ele, da Universidade Federal. O pessoal do Monte Castelo, que estavam se chegando ao nosso grupo, também nem foram chamados, nem o pessoal do grupo Mocambo, o Zumba e o Baixinho. Ai acabou que a gente discordou e resolvemos não participar, ou seja, fomos pro evento, tocamos, participamos da roda, mas não aceitamos a graduação, nem o diploma de mestre ou de professor. (Mestre Chocolate)

1984 12 de outubro primeira associação legalmente constituída do Piauí, a Associação Esportiva, Cultural e Filantrópica Quilombo Capoeira. Extrato publicado no Diário Oficial do Estado do Piauí, ano LIV, n. 09, 96º da República, em 16 de janeiro de 1985.

– De acordo com relato feito na Ata de criação da Associação Quilombo Capoeira, registrada no dia 12/10/1984, na academia Lumasa, antiga academia de musculação de Teresina, o grupo Quilombo teve como principal objetivo reunir capoeiristas de vários grupos, dispostos a pensar e trabalhar em comum pelo crescimento da capoeira no Piauí, por sua divulgação e prática, o que de fato ocorreu como fica evidente por meio da descrição das pessoas presentes neste momento, alguns dos quais já comandavam seus próprios grupos com bastante significância nesse universo, outros se encontravam praticando capoeira sem nenhuma orientação, somente seguindo aspectos que aprenderam de encontros aleatórios, desejando, a partir da associação a um grupo organizado, se atualizarem e se adaptarem aos novos rumos que tomava a capoeira no Piauí.

– Joaquim Gutenberg, conhecido na capoeira como Quinzinho recorda aquele período:

Eu me recordo daquele tempo, porque fui eu quem foi despertar a atenção dos meninos. Como morava e tinha amizade muito próxima ao Monteiro, ouvi ele comentar que o Albino estava organizando a Federação, já com toda a papelada em ordem e iria criar a Federação, sendo presidente. E quem não fosse filiado teria de parar de dar aulas, pois seria exigência para quem quisesse dá aulas ser filiado à Federação, além de padronizar o uso de cordéis, que era a graduação, com as cores da bandeira do Brasil e cordas trançadas. Então, fui correndo à casa do Zé (Tucano), Roberto (Chocolate) e do Bobby, além de avisarmos o John e o Thomas (Rapadura). Então foi daí que saiu a ideia de criarmos uma associação, legal mesmo e reconhecida. Inclusive fomos até Fortaleza e lá procuramos o Canário que nos recebeu muito bem e falou que não tinha essa pressão, que Federação não pode impedir ninguém de dar aulas. Na verdade, todos éramos jovens, a maioria estudante, sem muita experiência sobre estas coisas. Mas no final, aconteceu tudo normal, o Albino fundou a Federação, nós criamos nossa associação, e cada qual seguiu seu rumo. (Quinzinho).

1985 jornal O Dia, edição do dia 15/03/1985, na página 09, por meio de uma reportagem que trazia informações a respeito do primeiro curso de capoeira organizado em Teresina, numa promoção da Associação Quilombo Capoeira e que seria realizado nos dias 18 a 22 de março daquele ano de 1985.

- 19 de outubro fundado o grupo Mocambo, pelo professor Zumba, que destaca entre outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé.

1986 jornal O Dia, 11/01/1986, título é “Capoeira teve atividades importantes no ano passado”, trazendo em seu corpo um apanhado das principais atividades desenvolvidas por diversos grupos de capoeira de Teresina e ressaltando o crescimento e expansão de sua prática no Piauí. A matéria destaca os principais líderes da capoeira (Sob a liderança de José Gualberto/Tucano, John, Robson Bobby e Roberto Dídio/Chocolate [...]) que seguem trabalhando de forma efetiva para sua valorização e melhoria técnica de seus praticantes (Quatro viagens a Fortaleza, visando maior aprimoramento técnico com consagrados professores da capital alencarina), corroborando a opção que tive na escolha dos mestres que foram entrevistados no corpo dessa pesquisa, tais como os mestres Tucano e Chocolate; destaca, ainda, a criação de novos grupos de capoeira, assim como o processo de institucionalização destes em associações (Fundação de três associações, aumentando, oficialmente, o número de adeptos e praticantes: Quilombo Capoeira, Palmares Capoeira e Engenho Bantos Capoeira), aliado ao planejamento de novas atividades para o ano de 1986 (Agora, para a temporada de 1986, todos os esforços já começam a ser feitos, a fim de que o número de atividades seja bem maior, expandindo-se mais ainda a capoeira pelo território piauiense).

1987 “Jornal Aliás”, produzido pelos alunos do Colégio Geo-Trópicos, tendo por editor Wellington Soares, cujas matérias eram propostas e produzidas pelos próprios alunos, (SOARES, 1987, p. 01). A edição número três, de maio de 1987, trouxe uma matéria com o título “A Capoeira e o preconceito”, escrita pelo aluno do terceiro ano científico Delson Lustosa de Figueiredo, que à época havia iniciado a prática da capoeira com o professor John Grandão, do grupo Senzala, em Teresina. Traz como única alusão à capoeira no Piauí a passagem citada: “[...]. Em Teresina, o Grupo Senzala é liderado por professores competentes que, através dos seus trabalhos, a capoeira do Piauí está sendo reconhecida e bem vista em todas as outras academias do grupo senzala no país. Já tivemos a oportunidade de trazer o mestre Camisa à Teresina, quando entramos para o grupo e teremos a honra de contar com sua presença mais uma vez juntamente com os melhores capoeiristas do Brasil, em novembro para o 3º BATIZADO DE CAPOEIRA DO GRUPO SENZALA DO PIAUÍ. (FIGUEIREDO, 1987, p. 02. Destaque do autor). [SILVA, Robson Carlos da]

1990 Roda de Rua 7 de setembro, Teresina ano 1990 jogo duro (Boquinha Raiz do Brasil); Capoeiristas jogando Baú, Cobra preta, Paulinho Velho,Tucano, Paulo Urubu, Urubutinga, Mineral, Boby, Carnaúba, Dureza, John Grandão, Mandioca, Piva, Touro, Fofão, Boquin­ha, Waguener. https://www.youtube.com/watch?v=Z-mIyTWU1gg

1991 revista “Impacto” de número n. 12 do ano de 1991, trouxe uma matéria com o título “Capoeira: arte ou violência”, realizada e produzida por Soraia Cristina, que se incumbiu de contatar por telefone e acertar as entrevistas com os mestres à frente dos grupos de capoeira que se mais destacavam no período de realização da reportagem, levando em consideração aqueles com maior visibilidade na mídia, bem como de levantamento prévio mantido com pessoas da área do esporte e da cultura que indicaram, a partir de conhecimento e convivência frequente em eventos e acontecimentos sociais, quais os mestres mais atuantes e que promoviam a prática dessa cultura em Teresina. Assim sendo, foi mantido contato com o mestre Bobby (Robson Carlos da Silva), na época um dos componentes do grupo Senzala, desenvolvendo trabalho no clube do SESC e coordenando outros trabalhos em escolas particulares (Pituchinha, Cavalinho Azul, Sintagma etc), além da escola pública João Soares no Monte Castelo, bairro da zona sul da cidade. Também foi procurado o professor Zumba (Raimundo Nonato) que se destacava com trabalho junto ao grupo Mocambo, desenvolvendo suas atividades no bairro Mocambinho, um dos maiores bairros da zona norte da cidade e alcançando êxito no processo de escolarização da capoeira naquele entorno social, promovendo a prática da cultura em escolas públicas, centros paroquiais e clubes sociais de esporte e lazer, em especial no “Clube do Manoelzinho”, uma das mais tradicionais casas de festas e shows daquele bairro no período destacado. O texto da reportagem ressalta a existência já na década de 1990 de vários grupos de capoeira em Teresina apontando o grupo Senzala e o grupo Mocambo como destaques, como fica evidente nas palavras da autora do texto: “Atualmente em Teresina existem vários grupos, sendo que cada um tem sua história diferente, mais (sic) basicamente a mesma origem e seguimento. O grupo Senzala por exemplo, que foi fundado pelo famoso mestre-camisa (sic) tem vários grupos em bairros de Teresina e cidades do interior, aparecendo como destaque na lista de componentes, Bob, Grandão, Tucano, Paulinho Velho. [...] Outro grupo que tem se destacado, inclusive como um dos melhores do Piauí, é o grupo Mocambo, fundado em 19 de outubro de 1985 e tem como fundador o professor Zumba, que destaca entre outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé, dentre outros. (IMPACTO, 1991, p. 07). (grifo meu). [SILVA, Robson Carlos da]

- [...] a Federação que atualmente está sendo organizada pelo professor Albino, é totalmente descaracterizada, pois até agora em termos práticos não trouxe benefícios, restringindo-se somente em campeonatos que favorece aos despeitos que se assenta gradativamente entre os grupos, não existindo sequer, entrosamento em termos organizativo e sistemático. (IMPACTO, 1991, p. 09). [Trata-se do mestre Albino e o grupo Escravos Brancos] [SILVA, Robson Carlos da]

1996 Revista Bugaloo – número 08 junho/julho, editada pela Point Editoração e vendida em bancas de revistas, com abrangência em vários estados do nordeste, tais como Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Período em que a capoeira já esta institucionalizada de forma mais efetiva em Teresina com os grandes grupos de capoeira, na realidade segmentos que se filiavam a um grupo de grande relevância e visibilidade no mundo da capoeira, comandado por um mestre, também, de renome e trabalho valorizado, notabilizado por uma significativa parcela de seguidores e várias filiais espalhadas pelo país e pelo exterior, os quais podem ser identificados como grupo-empresa. O texto, com o título de “IÊ, Viva a Capoeira, Camará”, é assinado por Fátima Guimarães e centra seu foco no que ela denomina de “época de transformações” em que a capoeira no Piauí, por meio dos trabalhos dos mestres e seus grupos, começa a colher bons resultados, ilustrando e justificando esse desenvolvimento com os grandes eventos de capoeira organizados em Teresina, notadamente pelos grupos que se destacam pela proporção de suas atividades e os espaços que ocupam na sociedade piauiense e em especial ao grupo Abadá Capoeira, cujos coordenadores se responsabilizam pelo evento que a autora do texto se propõe descrever e tecer comentários elogiosos. [SILVA, Robson Carlos da]

– Nos dias 13, 14 e 15/06/96, Teresina gingou ao som de birimbaus (sic) e acordou com o som dos atabaques [...] A cidade começa a ter uma visão diferente na quinta-feira dia, 13/06, onde um aulão de capoeira foi realizado em frente à Assembleia. Era um gingado só. Ao lado da avenida não havia distinção de raça, cor, classe social ou profissão. Eram 17:30 e o sol aproveitava para reverenciar os capoeiristas. [...]. “O objetivo da aulão é divulgar a capoeira e mostrar que ele pode ser praticada por qualquer pessoa e em qualquer lugar” como afirma o instrutor Bob. [...]. [Revista Bugaloo - número 08 junho/julho]

– sexta-feira dia, 14/06, foi realizado o Festival de Cantigas de Capoeira no Ginásio do Sesc, com premiações de 1º, 2º e 3º lugares. As participações foram diversas, em (sic) aos capoeiristas visitantes registramos a presença de: Morcêgo (Mestrando) do Rio de Janeiro, Edinho (Professor) de Brasília, Papagaio (Instrutor) de Recife; somados com alunos e graduados de Juazeiro (Ba), Petrolina (Pe), Fortaleza (Ce), Floriano (Pi), Bélem (Pa) e Açailândia (Ma). A organização do evento ficou satisfeita com o êxito alcançado. “Para demonstrar o elevado nível de formação, o grupo Abadá Capoeira – Pi, proporcionou ao público e aos participantes do evento uma programação variada: toques, samba, capoeira, maculelê, apresentações e reportagens; além de suprir a necessidade de se realizar um grande evento de capoeira em Teresina”, comenta o instrutor Bob. (GUIMARÃES, 1996, p. 12). (grifos meus). [Revista Bugaloo - número 08 junho/julho].

2007 início dos “Jogos Abertos Capoeira Ginga Piauí”, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

2009 SILVA, Robson Carlos da; CALAND; Tâmara da Costa Sobral. Inserção, atuação e permanência da mulher nos grupos de capoeira de Teresina-PI: notas etnográficas. Revista FSA, Teresina, v.6, n.1, jan./dez. 2009, http://www4.fsanet.com.br/revista/index.php/fsa/article/view/427/206

- SILVA, Robson Carlos da. A capoeira como elemento de fortalecimento das identidades social e cultural de crianças e jovens na escola.

               http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/a-capoeira-como-elemento-de-fortalecimento-das-identidades-social-e-cultural-de-criancas-e-jovens-na-escola-111089

2010 Rodrigo Batista Maia, Maria do Carmo de Carvalho e Martins, Cláudio Henrique Lima Rocha, Irapuá Ferreira Ricarte,Vítor Brito da Silva, David Marcos Emérito de Araújo, Lívia de Barros Rocha Tolentino e Silva, Moisés Tolentino Bento da Silva. Efeito da Prática de Capoeira sobre os Parâmetros Cardiovasculares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/5703

2012 SILVA, Robson Carlos da (Orientador: VASCONCELOS, Jose Gerardo). As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651

2013 21 de janeiro criado o Fórum Estadual de Capoeira do Piauí (FEC/PI) é um espaço democrático e de articulação estadual que objetiva contribuir para o desenvolvimento da capoeira. Missão: Contribuir para o desenvolvimento da capoeira (angola e regional) enquanto expressão cultural, esportiva e lazer pertencente ao patrimônio cultural brasileiro. Descrição: Fórum Estadual de Capoeira do Piauí (FEC-PI) surge do anseio da comunidade capoeirista de criar espaços democráticos para discussão de questões que dizem respeito a promoção e valorização da capoeira, seus mestres e praticantes. Tal fato foi consubstanciado no dia 21 de janeiro de 2013, no Memorial Zumbi dos Palmares, na ocasião em que ocorreu a “Reunião Ampliada Pró-Fórum Estadual de Capoeira do Piauí” e reativação da “Federação Piauiense de Capoeira”. O evento contou com a participação de 34 capoeiristas de 10 entidades de capoeira: 1. ACTC; 2. Alforria Capoeira; 3. Associação Cultural de Capoeira Escravos Brancos; 4. Associação Cultural de Capoeira Iê Berimbau; 5. Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil;6. Associação Cultural de Capoeira Zumbi; 7. Confiança Brasil Capoeira; 8. Escola de Capoeira; 9. Ginga Piauí; 10. Grupo Oscapoeira.

          Dentre os mestres participantes destacaram-se: 1. Mestre Albino; 2. Mestre Corujão; 3. Mestre Diogo; 4. Mestre Oscar; 5. Mestre Touro; 6. Mestre Ulisses.

Estiveram presentes a este ato político as seguintes lideranças e praticantes de capoeira: 1. Aerton Ezequiel Alves; 2. Alan Duarte; 3. Antonio Cardoso da Silva; 4. Antonio Francisco Ramos; 5. Antonio Francisco Ramos; 6. Carlos Henrique Andrade; 7. Childerico Robson; 8. Cristiano Soares P. da Silva; 9. Denys Lucas Barros de Freitas; 10. Fabiano Luper; 11. Francisco C. O. Silva; 12. Francisco de Assis de Deus; 13. Francisco Marciel da Silva; 14. Geni Carlos da Cruz Barros; 15. Jeovania Evangelista Lima; 16. José Francisco Alves; 17. José Gonçalves Cordeiro Neto; 18. Luzinan de Sousa e Silva; 19. Marcio Alves da Silva; 20. Marcio R. Duarte; 21. Maria Eliane Sousa Veras; 22. Natanael Santos da Costa; 23. Paulo Rogério Cardoso de Sousa; 24. Ricardo Henrique C. e Silva; 25. Robson de Sousa Nascimento; 26. Rogéria Pereira da Cruz Ramos; 27. Rômulo Thiago de Oliveira Guimarães; 28. Ulisses Soares Ubirajara.

A partir desse encontro com mestres e representantes das diversas entidades de capoeira, com atuação em Teresina e noutros municípios Piauienses, deliberou-se a realização da I Reunião do Fórum Estadual de Capoeira para o dia 04 de fevereiro de 2013, para se discutir o regimento interno e composição organizacional para atuarem em prol da capoeira no campo da cultura, desporto e educação como indutor de políticas públicas e de controle social. https://www.facebook.com/pages/F%C3%B3rum-Estadual-de-Capoeira-do-Piau%C3%AD/416004545160533?sk=info;  http://forumcapoeirapiaui.webnode.com/nossa-historia/

2014 agosto Encontro Nacional de Capoeira, realizado em Teresina durante o último final de semana. http://redeglobo.globo.com/pi/redeclube/noticia/2014/08/ge-piaui-destaca-o-encontro-nacional-de-capoeira-realizado-em-teresina.html

- SILVA, Robson Carlos da. A CAPOEIRA NOS ESPAÇOS UNIVERSITÁRIOS: PRÁTICAS E ESTUDOS. O projeto desenvolve suas ações na comunidade dos bairros Pirajá e Matinha, do entorno social à UESPI, tendo como foco crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, utilizando como instrumento a Capoeira, patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, oferecendo contextos de desenvolvimento humano apropriado à formação cidadã destes. As ações envolvem dinâmicas e “conversas na roda” em que se discute temas referentes aos problemas familiares e sociais que envolvam crianças e adolescentes, trabalhados por especialistas nas áreas de saúde, direito, psicologia etc. disponível em http://www.obscriancaeadolescente.gov.br/index.php?view=article&catid=63%3Acat-boas-praticas&id=458%3Auniversidade-estadual-do-piaui-uespi&format=pdf&option=com_content&Itemid=78

– agosto BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas. O evento se lança como o 1º Festival de Músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira. BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado. BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral, o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro. BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas e todos os capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira. Fanpage do evento >>https://www.facebook.com/pages/Berimbau-de-Renda/1449076471988892 Wilena Weronez (artista autônoma) http://www.revistacapoeira.com.br/2014/02/10/1o-festival-de-musicas-de-capoeira-direcionado-a-voz-feminina-em-piaui/

– setembro 06 a 07 a cidade de Brasileira vai sediar o Circuito Piauí Norte de Capoeira Escravos Brancos no Ginásio Poliesportivo. O organizador do evento Thersandro Meneses, pioneiro no município com a prática de capoeira com o Grupo Escravos Brancos, garante que vai ser um grande evento “e que é um orgulho para a nossa cidade, receber grandes nomes da capoeira de todo o Piauí neste circuito”.

– outubro 10 e 11 a Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil vai realizar o X Encontro de Capoeira do Litoral em comemoração aos seus dez anos de existência em Parnaíba. No evento será realizada troca de cordas, formação de monitores, batizado. Prestigiará o encontro, mestres e contra mestres e professores de outros estados. A Capoeira Raízes do Brasil de Parnaíba tem sede na Rua Benedito dos Santos Lima, 108, no Bairro Pindorama.

[1] ARAÚJO, 1997, obra citada

[2] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

[3] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

[4] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[5] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[6] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[7] PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

[8] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

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CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ – ao Mestre Baé…

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CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ

 

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Academia Ludovicense de Letras

Professor de Educação Física

 

Mestre Baé liga (20/10/2014). Há muito não nos falávamos. Conta-me sobre o ultimo ano, o ter deixado a Federação e ir cuidar de sua vida, de sua família, e de seu Grupo. Perspectivas de se estabelecer na Europa. Além do Tocantins e Pará, continuando a expansão pelo interior do Maranhão… Fala de que está indo com regularidade ao Piauí, onde a Capoeira está a começar… Digo que não! A Capoeiragem no Piauí é tão antiga quanto a do Maranhão… Têm a mesma origem, desde meados dos 1800 se tem notícias; falei dos Basson, de Parnaíba:

 

Um aluno [do Colégio Pedro Segundo][1], reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982) [2]

Para Costa (2007) [3], no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, europeia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) [4]; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968)[5] [...](GRIFOS MEUS).

FONTE: PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. Citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

 

Jornal ‘O Papiro”, de 1874, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de julho, em “Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso:

 

 

No jornal “A Época”, órgão conservador, disponível os números de 1878 a 1884, se encontram dez referencias sobre ‘capoeira’, nem sempre relacionadas com capoeiristas e capoeiragem. Na edição de 7 de maio de 1880, por exemplo, ao referirem-se alguns queixosos sobre a atuação do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o Juiz como um cínico, afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’

Voltemos ao Dr. Basson, e a esse mesmo jornal, edição de 22 de setembro de 1883; o articulista o identifica como ‘capoeira’, e utiliza outro termo para identificar os praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro:

Em diversas edições, posteriores, em se tratando de fatos e intrigas da política local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria denegrir alguém, se lhe referia como “capoeira”:

Campo Maior                                                        Amarante

Barras                                                                      Barras

 

Barras

 

Passemos aos registros do Jornal “O Apóstolo”, disponíveis os anos de 1907 a 1912, com seis ocorrências. As do ano de 1909 – a partir de outubro – se referem à capoeira como mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas capoeiras”, em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia também à prática da “capoeira” a que nos referimos, enquanto arte-luta, como esse comentário:

 

Baé, podemos ir um pouco mais longe; sabemos que no período colonial desde o Ceará até Rondônia e o Caribe, desde o Atlântico até os contrafortes dos Andes, havia nesse território o grande estado do Maranhão, criando em 1617 e implantado a partir de 1621; o Piauí ficou subordinado ao Maranhão até 1816. Portanto, nossas histórias são as mesmas, subdividindo-se na medida em que o território foi sendo desmembrado; primeiro, o Ceará que voltou a Pernambuco; o Piauí foi a última Província a ser desmembrada…

Em meu livro “Crônica da Capoeiragem” (2014) [6] trago um capítulo – RES PRO PERSONA  [7],[8] onde procuro esclarecer a origem do termo “capoeira”. O que é ‘capoeira’? [9] Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi[10]; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. Data de 1577 primeiro registro do vocábulo “capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) [11].

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e outras aves (Rego, 1968):

 

[...] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira. (Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA – Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79).

 

DEBRET – 1816/1831

Por Capoeira deve-se entender

 

individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno?

 

Conforme a conceitua Araújo (1997) [12] ao se perguntar “mas quem são os capoeiras? e por capoeiragem como:

 

a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo: “os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes lúdica, de defesa pessoal e desportiva? (p. 70).

 

Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (p. 79), em nota registrando a Decisão (205) de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153; “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores).

Quando surgiu? No entender de muitos capoeiristas, quando o primeiro escravo angolano pisou a Terra de Santa Cruz (hoje, Brasil), já o teria feito no passo da ginga e no ritmo de São Bento Grande:

 

numa noite escura qualquer, o primeiro negro escapou da senzala, fugiu do engenho, livrou-se da servidão, ganhou a liberdade… escapou o segundo e o terceiro, na tentativa de segui-lo, fracassou. Recapturado, recebeu o castigo dos negros (…) as perseguições não tardaram e o sertão se encheu de capitães-do-mato em busca dos escravos foragidos. Sem armas e sem munições, os negros voltaram a ser guerreiros utilizando aquele esporte nascido nas noites sujas das senzalas, e o esporte que era disfarçado em dança se transformou em luta, a luta dos homens da capoeira. ’A capoeira assim foi criada’. (Jornal da Capoeira, n. 1, 1996). (Vieira e Assunção, 1998, p. 83) [13].

 

Durante as invasões holandesas – SÉCULO XVII, 1640 – surgem as expressões: ‘negros das capoeiras’, ‘negros capoeiras’, e ‘capoeiras’. (MARINHO, 1982; VIEIRA, 2004, 2005) [14].

Com o advento das invasões holandesas, na Bahia e em Pernambuco, principalmente a partir de 1640, houve uma desorganização generalizada no litoral brasileiro, permitindo que muitos escravos fugissem para o interior do país, estabelecendo-se em centenas de quilombos, tendo como consequência o contato ora amistoso, ora hostil, entre africanos e indígenas. Cabe ressaltar, que nunca houve nenhum registro da Capoeira em qualquer quilombo. (Vieira, 2005) [15].

Tende-se a acreditar que o vocábulo, de origem indígena Tupi, tenha servido para designar negros quilombolas como “negros das capoeiras”, posteriormente, como “negros capoeiras” e finalmente apenas como “capoeiras”. Sendo assim, aquilo que antes etimologicamente designava “mato” passou a designar “pessoas” e as atividades destas pessoas, “capoeiragem”. (Vieira, 2005) [16].

Segundo Coelho (1997, p. 5) [17] o termo capoeira é registrado pela primeira vez com a significação de origem linguística portuguesa (1712), não se visualizando qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5)[18].

Encontrei em Marcos Carneiro de Mendonça[19], em seu festejado “A Amazônia na era Pombalina”, carta de Mendonça Furtado[20] a seu irmão, o Marques de Pombal – datada de 13 de junho de 1757 -, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam logo por a terra em perturbação grande:

 

“[...] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá [...] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes malfeitores [...] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este Estado que se está criando [Capitania do Rio Negro] [...]” (p. 300). (grifos do texto).

 

Para Vieira (2004)[21]:

 

[...] data a Capoeiragem, de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.

 

Nossas origens – Maranhão e Piauí – são as mesmas; nossas histórias – até pelo menos 1816 é a mesma – se confundem. Mesmo após a separação, somos estados siameses. Os episódios da Balaiada transcorreram tanto no Maranhão – seu início – quanto no Piauí. Parnaíba teve um papel importante no combate aos insurretos. E os balaios praticavam a capoeiragem…

Fico por aqui; devemos buscar mais informações…

 

 

[1] [...] Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio. In CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” – uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004 on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II

[2] PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

[3] COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.

[4] NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.

[5] REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

[6] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís: Edição do Autor, 2014

[7] Por metonímia res pro persona, o nome da coisa passou para a pessoa com ela relacionado.

[8] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/18/8331/

[9]VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jornal do Capoeira http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada.

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIEIRA, 2005, obra citada. p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007

ARAUJO; JAQUEIRA, 2008, obra citada.

[10] MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

[11] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[12] ARAÚJO, 1997 , obra citada..

[13] VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118

[14] MARINHO, 1982, obra citada

VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. Capoeira – origem e história. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese de Doutorado – 2004. disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

VIEIRA, 2005, obra citad p. 39-40.

[15] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[16] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[17] ARAÚJO, 1997, obra citada.

[18] ARAÚJO, 1997, obra citada

[19] MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazonia na era pombalina. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005, volume 49-C.

[20] Francisco Xavier de Mendonça Furtado (17001769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

[21] VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/ .

 

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III SEMINÁRIO DE CAPOEIRA DO MARANHÃO

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rao

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CRONICA DA CAPOEIRAGEM JÁ ESTÁ NO AR!!!

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Caríssimos,

 

Meu novo trabalho, Crônica da Capoeiragem, já se acha disponível na nuvem. Em papel, só quando conseguir recursos para sua publicação.

Está em formato livro, e ficou com 656 páginas… O formato do ISSUU não permite mais que 500 páginas, então passaei para A4 e ficou com 200 a menos… esta que está disponível agora…

 

http://issuu.com/leovaz/docs

 

 

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NOVO LIVRO DE MEU MESTRE

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A volta do morcego - ALLC - convite2

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Fórum da Capoeira no Maranhão: Plano de Salvaguarda da Capoeira no Maranhão – Grupo de Trabalho – Fórum Estadual da Capoeira no Maranhão

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Capoeiras e simpatizantes,

O Fórum da Capoeira no Maranhão, espaço político-cultural, com vistas ao debate, reflexões, proposições e acompanhamento de políticas públicas para a Capoeira, com origem em 2004, começa a colher os frutos nessa contínua, extensa e resistente caminhada. Após conversas iniciadas desde 2013, o Fórum e o IPHAN/SE-MA estarão dando continuidade a esses diálogos, com vistas à implantação do Plano de Salvaguarda da Capoeira no Maranhão.
Para tanto, em reunião extraordinária ocorrida no Centro Matroá, na Praia Grande, a Plenária do Fórum escolheu cinco de seus integrantes, para segunda-feira, dia 22, formarem um Grupo de Trabalho com técnicos do IPHAN, para discutir e elaborar a metodologia, para o Fórum Estadual da Capoeira no Maranhão, a realizar-se de 15 a 17 de outubro, durante os períodos vespertinos.
Aos capoeiras de outras cidades do estado saibam que é importante que participem e engrossem as fileiras do Fórum, para esta e outras parcerias que irão acontecer. Por favor, façam contato com a FMC, FECAEMA, ou ainda, com os mestres Marco Aurelio, Baé, Negão e a Professora Elaine, entre outros, que possam ser mais próximos de vocês, e, integrantes do Fórum.
Atenciosamente,
Marco Aurelio Haikel (81279901 – OI e 81846898 -TIM)
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CAPOEIRA E SEUS PROCESSOS DE ESCOLARIZAÇÃO, ESPORTIVIZAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO EM JOGO

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Prezados(as) Camaradas,

 
No dia 02 de Setembro, terça-feira, das 15:00 as 17:30 h, daremos início as atividades do Grupo de Estudos: CAPOEIRA E SEUS PROCESSOS DE ESCOLARIZAÇÃO, ESPORTIVIZAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO EM JOGO.
Esse primeiro encontro será realizado na Sala de Coordenação de Pós-Graduação da Faculdade de Educação Física e Dança (FEFD) da UFG. Campus II – Samambaia, Goiânia-GO.

 
O grupo é aberto a acadêmicos, praticantes, simpatizantes, mestres e professores de Capoeira.

 


Esta atividade integra as ações do Grupo de Pesquisa COLETIVO 22, cadastrado no CNPQ.

 

 Maiores informações podem ser fornecidas por telefone: 62-81159828 (TIM)


Sejam bem vindos.
Prof. Dr. José Falcão
Prof. Dr. Renata Lima

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Batizado e Troca de Cordas da Associação de Capoeira Maragnon (Mestre Ribaldo Branco)

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CONVITE!

Participe do Batizado e Troca de Cordas da Associação de Capoeira Maragnon (Mestre Ribaldo Branco), que será realizado neste domingo dia 20 de julho de 2014.
Local: Sede da Associação Maragnon/ Travessa da Vitória nº 4B – Pedrinhas (Após o viaduto localizado na BR135 entrar na rua a direita e depois entrar novamente a direita).
Horário: 09h:30min 

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CONVITE!</p>
<p>Participe do Batizado e Troca de Cordas da Associação de Capoeira Maragnon (Mestre Ribaldo Branco), que será realizado neste domingo dia 20 de julho de 2014.<br />
Local: Sede da Associação Maragnon/ Travessa da Vitória nº 4B - Pedrinhas (Após o viaduto localizado na BR135 entrar na rua a direita e depois entrar novamente a direita).<br />
Horário: 09h:30min<br />
Mais informações (98) 8784-9342<br />
Contamos com a presença de todos!

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MESTRE PATINHO…

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ê, viva meu mestre!!!!
Mestre Patinho – Essa é Minha Cultura
youtube.com
Diferente do que é praticado na Bahia e no Rio, a capoeira maranhense tem suas características. Grande pesquisador do assunto, Mestre Patinho mostra algumas …

 

Mestre Sapo e Mestre Patinho
vimeo.com
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