A MARINHA E A CAPOEIRAGEM

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A MARINHA E A CAPOEIRAGEM – artigo publicado em NAVIGATOR 23, disponibilizado esta semana pela MARINHA DO BRASIL


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APRESENTAÇÃO
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DOSSIÊ UM SÉCULO DE HISTÓRIA DO ESPORTE MILITAR BRASILEIRO: DAS LIGAS DE ESPORTE AOS JOGOS OLÍMPICOS E PARALÍMPIDOS RIO 2016
Apresentação do Dossiê
Leonardo José Mataruna-dos-Santos
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Le ‘sport de guerre’ dans l’armée Française (1914-1918)
O ‘Desporto de Guerra’ no exército francês (1914-1918)
Arnaud Waquet
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Os Jogos Interaliados de 1919: o papel das Forças Armadas estadunidenses na
promoção do esporte no contexto da Primeira Grande Guerra
The Interaliados Games 1919: the role of US armed forces in the promotion of sport in the context of the First World War

Karina Cancella
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De ídolos del deporte a héroes de la guerra: La aviación durante la Primera
Guerra Mundial a través de la prensa deportiva española

De ídolos do esporte a heróies da guerra: A aviação durante a Primeira Guerra Mundial
através da imprensa desportiva espanhola
Juan Antonio Simón
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História da ginástica no Brasil: da concepção e influência militar aos nossos dias
Gymnastics history in Brazil: from conception and military influence to the present day
Marcelo Gomes da Costa
João Marcos Perelli
Leonardo J. Mataruna-dos-Santos
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A Marinha e a capoeiragem
Brazilian Navy and the capoeiragem
Leopoldo Gil Dulcio Vaz

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Evolução da Educação Física no Exército Brasileiro
Evolution of Physical Education in the Brazilian Army
Luiz Fernando Medeiros Nóbrega
Mauro B. G. Secco
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O surgimento da educação física no meio militar: Um estudo comparativo entre a
Marinha e o Exército Brasileiro

The emergence of physical education in military media: A comparative study between the Navy and the Brazilian Army
Erik Bueno de Ávila
Raphael de Mattos Soares
Bruna Medeiros Neves
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Military Links to Competitive Sport and Games as Part of the Rehabilitation and
Recovery Process
O esporte como parte do processo de reabilitação e recuperação de militares
Ian Brittain
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O desenvolvimento científico do esporte militar e civil no Brasil: o papel catalisador da Marinha brasileira e da Academia do Conseil International du Sport
Militaire – CISM (1957-1986)
Scientific development of military sport and civil In Brazil: catalyst paper of the Brazilian
Navy and Conseil Academy International du Sport Militaire – CISM (1957-1986)
Lamartine P. DaCosta
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ARTIGOS
Recrutamento forçado para a Armada Imperial nas Guerras da Independência e da Cisplatina
Impressment into the Imperial Armada in the Independece and Cisplatine Wars
Paloma Siqueira Fonseca
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Manuel Vicente Nunes (1711-c.1775) – Subsídios para a História da Construção e Arquitetura Naval do século XVIII em Portugal
Manuel Vicente Nunes (1711-c.1775): Subsidies for the History of Naval Construction
and Achitecture in the 18th century in Portugal

Nuno Saldanha
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RESENHA
O esporte e as Forças Armadas na Primeira República: das atividades
gymnasticas às participações em eventos esportivos internacionais
Silvestre Cirilo dos Santos Neto
Resenha de CANCELLA, Karina. O esporte e as Forças Armadas na Primeira
República: das atividades gymnasticas às participações em eventos esportivos
internacionais. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2014. ISBN: 978-85-7011-
540-9, 270 p.
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DOCUMENTO
Cartão-Postal Equipe de Fooball Association Benjamin Constant
Beatriz Alcoforado Oliveira
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CAPOEIRA – MITO DAS ORIGENS REMOTAS

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MITO DAS ORIGENS REMOTAS[1]

 

No prefácio do catálogo de uma exposição de Neves e Sousa em Angola, no ano de 1966 – “Da minha África e do Brasil que eu vi”, Câmara Cascudo mencionava que o pintor “viu a ginástica do n´golo, batizada ‘capoeira’. Estava se divulgando então, pela primeira vez no Brasil a teoria do ‘n´golo’ como luta ancestral da Capoeira. Encampada a teoria de Neves e Sousa por Câmara Cascudo em seu Folclore Brasileiro (1967) [2] e as explicações no Dicionário do Folclore brasileiro (1972) [3].

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já em sua obra Folclore do Brasil/ Pesquisas e Notas[4] afirma que a capoeira é originária da África, e seria o N´golo, dança praticada no Sul de Angola. Escreve:

“[…] Entre os mucope do Sul de Angola, há uma dança da zebra, N´golo, que ocorre durante a Efundula, festa da puberdade das raparigas, quando essas deixam de ser muficuenas, meninas, e passam à condição de mulheres, aptas ao casamento e à procriação. O rapaz vencedor no N´golo tem o direito de escolher esposa entre as novas iniciadas e sem pagar o dote esponsalício (…) O N´golo é a Capoeira […] (Câmara Cascudo, 1967, p. 184).

 

A unanimidade das fontes brasileiras indica a capoeira como tendo vindo de Angola. Capoeira Angola, vadiação ou brinquedo, como dizem na cidade de Salvador. (Câmara Cascudo, 1967, p 181).

 

Para Assunção e Peçanha (2009) [5] o ‘n´golo’ acabou transformado num mito de origem – um “elo perdido” – da Capoeira.  Até a década de 1960, ninguém tivera conhecimento dessa ancestralidade, quando Pastinha recebeu a visita do pintor angolano Albano Neves e Sousa. Este afirmou ter visto na África uma dança semelhante ao tipo de Capoeira que o Mestre baiano ensinava. A memória oral não registrava nenhuma prática ancestral específica. Em suas palestras pelo Brasil, Albano Neves e Sousa conseguiu convencer alguns brasileiros de sua teoria, entre eles o folclorista Câmara Cascudo, então presidente da Sociedade Brasileira de Folclore.

Afirmam Assunção e Peçanha (2009) que se trata de um mito no mínimo questionável:

Para começar, não foi transmitido pelos mestres africanos aos seus alunos brasileiros via tradição oral. Aceitar literalmente o mito, um tremendo anacronismo, ou seja: como pode uma manifestação documentada apenas no século XX ser ‘a origem’ de uma capoeira que existe pelo menos desde o início do século XIX? Pensar que o n´golo teria sobrevivido inalterado desde a época do tráfico negreiro é ignorar as profundas mudanças pelas quais passaram as sociedades do território angolano nesse período”.[…] Surpreende que hoje, em Angola, o n´golo seja completamente desconhecido, assim  como seu papel como mito fundador da capoeira.[…]”.

 

Para Lacé Lopes (2006) [6], a origem africana, entretanto, é evidente e incontestável, comprovada não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, há séculos, de práticas similares e, haja vista estudos recentes que apresentam movimentos semelhantes à capoeira entre os bosquímanos, de Angola:[7]

 

“[…] También tuvieron una danza muy singular, que quizás convenga  llamar la danza de acróbatas. En este sentido, brincar y saltar  en un círculo, parecía como si sus esfuerzos fueran dirigidos a colocarse en todas las posiciones y contorsiones, el líder tomar su puesto en el centro, y en pasa a su alrededor, mientras que los bailarines se mueven en un círculo retorciéndose, hermanándose, y retorciendo su cuerpo divirtiéndose y la actitud poco común sugiere su fantasía; ahora sí ,en equilibrio con sus manos y tirando de sus las piernas hacia arriba hasta que sus cabezas estaban en la posición de un payaso mirando a través de un caballo en un circo, ahora de pie y sus cabezas, de nuevo el equilibrio caminan sobre sus manos con sus piernas lanzadas en el aire, en el estilo acrobático de verdad. Cambian de una postura a otra, fueron rápidos y continuos, y todo el círculo estaba siempre en constante movimiento […]” (GEORGE W. STOW, 1905., p. 118)[8]

 

 

 

SOCIAL CUSTOMS OF THE BUSHMEN, STOW, 1905 34

ver vídeos http://www.tvciencia.pt/tvcarq/pagarq/tvcarq02.asp?codaqv=80007

 

O Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião[9], Madagascar[10], Moçambique[11] etc. – sem dúvida, é um bom exemplo.

 

 

Ao longo dos séculos a diversidade cultural da Ilha de Reunião possibilitou a emergência de um esporte moderno, o “moring”, primo da Capoeira brasileira, tendo como origem comum a África, entendida como uma tradicional dança de guerra e arte marcial, tendo como antepassado a dança fabulosa “Combat” das Ilhas Reunião, Madagáscar e África.

Gravura Cabeçada(Ilha Reunión) – Souvenirs D’’ un aveugle Escrito por Jacques Aragão.

http://books.google.com/books?id=jBt5rS1S874C&printsec=toc&hl=es&source=gbs_v2_summary_r&cad=0

 

Gravura Cabeçada:(Moçambique)Viaje al rededor del mundo:(pag 60,61) recuerdos de un ciego ,Escrito por Jacques Aragão, François Aragão, Santiago Aragão, Publicado por Gaspar y Roig, 1851.http://books.google.com/books?id=y-Jh5z9lHeUC&hl=es

 

Credit: Studies of gestures and postures of wrestlers, from a Manga (colour woodblock print), Hokusai, Katsushika (1760-1849) Libraryhttp://www.bridgemanart.com/image.aspx?key=&categoryid=2ccd2910-bd46-4cd5-8ª43-6d00e2c67b41&filter=CBPOIHV&thumb=x150&num=15&page=86&img=5f983efe5b6f489382b976748b8ebf0b

‘‘A NEGRO FIGHT IN SOUTH AMERICA’’ (VENEZUELA) herper´s weekli 1874.

 

 

Gravura de um belo “furdunço” entre capoeiras ocorrido no Rio de Janeiro, no final do século XVIII, publicada em uma revista da época..

 

Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos  (Mestre Damião ). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in  http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm

MÉTODO DE BURLAMAQUI –

A CABEÇADA:

A cabeçada é dada muito simplesmente.

Aproximando-se do adversário e abaixando-se repentinamente faz-se com que a cabeça bata ou na parte inferior dos queixos ou no peito, na barriga ou ainda no rosto.

Este golpe é um segundo rabo de arraia pelas suas conseqüências porque, sendo bem dado, é demasiadamente terrível para quem o leva.

 

CAPOEIRA REGIONAL (MESTRE BIMBA) –

A CABEÇADA:

Este golpe é uma verdadeira “marrada” desferida com violentíssimo impulso no meio da cara ou no peito do indivíduo. Sua aplicação requer muita malícia. O golpe em causa já existia desde a Capoeira primitiva (Angola).

 

Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos  (Mestre Damião ). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in  http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm

http://2.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SxzxrdHOGaI/AAAAAAAAGbI/kTWDuR3_Qcc/s1600-h/bimba.bmp
CapoeiraCabecada_ST_05.jpg‎ (800 × 600 pixel, tamanho do ficheiro: 110 KB, tipo MIME: image/jpeg)

 

Transmitido de pai para filho, por tradição oral, a “moring” não é mais encontrada nos ouvidos de ouvir dizer que em todas as suas sutilezas e suas belezas, até que Jean Rene DREINAZA[12] a tirou das sombras e o esquecimento cruel. Assistida no seu trabalho pelo historiador Sudel FUMA, ele encontrou nos escritos de viajantes e outros escritores (apenas o moring trilha, especialmente em Madagascar) a descrição de gestos, técnicas e rituais.

 

 

Para SUDEL (2004)[13]

“El moring: una capoeira criolla – El moring, arte marcial practicado todavía en Madagascar (moraingy), Comoras (mrengué), Mayotte, La Reunión y África, llegó a las islas del Océano Índico con los esclavos africanos y malgaches. Pariente cercano de la capoeira brasileña, el moring permitió a los esclavos reestructurar sus vidas y resistir a la opresión cultural colonial. La supervivencia de este rito ancestral recuerda a diario la extraordinaria riqueza de la cultura creole de los esclavos negros de las islas del Océano Índico.” (grifo nosso)

 

 

Fonte: Javier Rubiera [[email protected]] Enviado em: sexta-feira, 4 de setembro de 2009 08:28 Para: [email protected] Assunto: [Sala de Pesquisa – Internacional FICA] Capoera,el viaje de ida y vuelta.

 

 

1724-MARTINICA-Ladja descrito port el Padre Labat. Fuente: libro: Padre LABATt ““Nouveau vogage ause iles de l’’Amérique””, París 1742  http://unesdoc.unesco.org/images/0003/000385/038520sb.pdf

Diamanga malgache journal: 1936/01/29 (A3,N144). formato original: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k54276490.r=diamanga.langES

 

 

http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido

 

Metodo Amorós (Savate)

 

 

Credit: Boxing Lesson by Charles Charlemont (1862-1942), 1906 (b/w photo), French Photographer, (20th century) / Bibliotheque des Arts Decoratifs, Paris, France / Archives Charmet / The Bridgeman Art Library

 

FOTO:http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/05/juego-de-imagenes-mujeres.html

 

 

 

Esse historiador se refere, ainda, em seu artigo, aos diversos povos envolvidos, tanto em África quanto em Madagascar:

Despojados de su linaje, nombre y genealogía, no se les permitía agruparse y, además, no siempre podían entenderse entre sí por hablar lenguas diferentes, poseer tradiciones distintas y pertenecer a etnias muy diversas del África y Madagascar – makuas, yaos, inhambanes, makondés, betsimisarakas, sakalavas, merinas, betsileos, etc.–, así como de la India, Malasia e Indonésia […] Entre los tesoros legados por los esclavos que forman parte del milagro creole, tenemos la cocina, la artesanía, la farmacopea, los cuentos y leyendas, y sobre todo las músicas típicas de las islas del Índico – el sega y el maloya– que no sólo perpetúan la memoria de los antepasados en las ondas de las emisoras públicas y privadas de radio, sino que además se han puesto tan de moda entre los jóvenes como el arte marcial del moring […]En la isla Borbón (La Reunión), las distintas etnias procedentes de Inhambanne (Mozambique) se designaron con el nombre de esta región geográfica.”

 

[14]

Comme sports de combats traditionnels, les malgaches connaissent plus le Moraingy, la boxe du nord, et le Ringa, la lutte du sud. Pratiqué par l’élite, le diamanga est en passe de se démocratiser et espère de nombreux transfuges des autres disciplines.[15]

 

As técnicas de combate são encadeamento de mãos e pés, seguindo o ritmo da música e surgiu nas fazendas da Ilha onde os escravos do século XVIII a praticavam em segredo até à sua abolição em 1848. Posteriormente, a condição de muitos pequenos colonos brancos ou mestiços já não era melhor do que a dos negros libertos de suas correntes, o “moring” se tornou uma distração alegre da miséria nos bairros pobres de cidades ou campos de cana-de-açúcar.

 

1820-BAHÍA-Jogo da Capoeira semejante al Moringue malgache,; 1834-RUGENDAS -dibuja la Capoeira ó Moringue ?, 1940-ANTROPÓLOGO Herskovits Compara la Capoeira con Moringue

disponível em http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/08/1733-carolina-del-sur-boxeador-y.html

A tradição oral relatada “moringueurs” prestigiados, relacionados com a história da ilha. Personagens como o “Lorenzo, o Diabo”, “Inferno Coco”, “Henry, a Seta”, “Cadine”, “Couve-Flor”, o “Café Marc”, voltam muitas vezes nas narrativas de vida.

Hoje, graças a seu trabalho pioneiro, o moring é revivido como um esporte, cultura e espetáculo de folclore da ilha da Reunião, sob a forma de dança coreografada e muito espetacular. Desde 1996, o Comitê Reunião foi estabelecido e começou a oferecer cursos que tenham feito rapidamente na íntegra e escolas de toda a Ilha. Desde então, o moring tem investido na cidade. Ao expandir os esportes reconhecidos pelo Ministério da Juventude e Desportos estabeleceu uma estrutura para enfrentar o futuro com serenidade uma Federação Francesa de Moring.  Um de seus principais objetivos é descobrir este desporto como muitos a localizar em diferentes regiões da metrópole.

 

 

El Juego “Sisemba”- Islas Célebes – Its formal name is SISEMBA but it is occasionally called SEMBAFonte: http://www.ethnographiques.org/2008/IMG/pdf/arKoubi.pdf por Javier Rubiera para Sala de Prensa Internacional [16]

 

 

A TÍTULO DE CONCLUSÃO     

Aceitamos, para este estudo o que afirmam Adid (2009) [17] e Luiz Renato Vieira (1998) que antropólogos, como Herskovits, têm apontado para a existência de “danças de combate” que trazem semelhanças com aquilo que conhecemos hoje como capoeira, não só na África – como o Muringue, em Madagascar -, como também em vários pontos da América, nos locais em que a diáspora negra se instalou. Relatos sobre o Mani em Cuba, e a Ladja na Martinica são dois exemplos dessas práticas. Sobre a Ladja, Vieira mostra a impressionante semelhança com a capoeira, verificada não somente do ponto de vista da execução de movimentos e golpes, como, o que é mais importante, o fato de congregar aspectos lúdicos, musicais (pratica-se ao som de atabaques) e de combate corporal.

 

 

Marcel Mauss: “Tudo são misturas, misturam-se as almas nas coisas, misturam-se as coisas nas almas, e é assim que as pessoas e as coisas misturadas saem cada qual de suas esferas e se misturam”.

 

 

 

 

 

 

[1] Mito das origens remotas. In VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118

[2] Folclore do Brasil. Natal: Fundação José Augusto, 1980.(BAA / BN/BMCC)

Folclore do Brasil. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1967. 252p. (PUC-RIO / BAA/ BUFRN/BMCC)

Folclore. Recife, Secretaria de Educação e Cultura, 1975. 62p. (BMCC)

[3] Dicionário do Folclore Brasileiro. 2ª edição. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1962.(BAA / BMR / BCCBB / BPI/BFCRB/AN/BMCC)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 3ª edição. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1972.(BAA / BPI / PUC-RIO / BE / BIFICS)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 4ª edição. São Paulo: Melhoramentos, 1976 (BFCRB)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 4ª edição. São Paulo: Melhoramentos: Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1979.(BAA / BE/BMCC)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 5a. edição. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1984 (BN / BIFICS)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 5a. edição. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1984 (BCCBB)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 5a. edição. São Paulo: Melhoramentos, 1980 (BN)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª edição. Belo Horizonte: Itatiaia: São Paulo, Universidade de São Paulo, 1988.(BAA / BN)

Dicionário do Folclore Brasileiro. 7a edição. Belo Horizonte: Itatiaia, 1993. (BIFICS)

Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1993 (BN)

Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1954.(BAA / PUC-RIO / BCCBB / BFCRB / BE / RGPL / NA / BFGV)

[4] CÂMARA CASCUDO, Luís da. Folclore do Brasil / Pesquisas e Notas. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1967; citado por PENTEADO JUNIOR, Wilson Rogério. A ARTE DE DISCIPLINAR. Jogando Capoeira em Projetos sócio-educacionais. Disponível em http://www.antropologia.com.br/divu/colab/d43-wjunior.pdf

[5] ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig; PEÇANHA, Cinésio Feliciano (Mestre Cobra Mansa). Elo perdido: A dança da zebra. In REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Março 2008, p. 14-21, disponível em www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1445

[6] LACÉ LOPES, André. Capoeiragem. In DACOSTA, Lamartine (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 10.2-10.4, disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

[7] 1952- Entre los Bosquimanos de Angola(jogo de Angola) in http://salavideofica.blogspot.com/2010/02/1952-entre-los-bosquimanos-de.html

[8] GEORGE W. STOW, F.G.S., F.R.G.S. A History of the Intrusion of the Hottentots and Bantu into the Hunting Grounds of the Bushmen, the Aborigines of the Country WITH NUMEROUS ILLUSTRATIONS. In History of South África. New York : THE MACMILLAN CO.1905, disponibilizado por Javier Rubiera para Conexoes da Capoeira Angola el 2/28/2010

[9] Réunion ou Reunião é um departamento francês no Oceano Índico, localizado a leste de Madagáscar. A ilha principal é uma das duas maiores Ilhas Mascarenhas, sendo o seu vizinho mais próximo a outra: a Maurícia. Reunião tem, no entanto, várias dependências, espalhadas em torno de Madagáscar, no Índico e no Canal de Moçambique. Capital: Saint-Denis. In http://pt.wikipedia.org/wiki/Reuni%C3%A3o_(Fran%C3%A7a)

[10] Madagáscar ou Madagascar é um país africano que compreende a Ilha de Madagáscar e algumas ilhas próximas. Está situado ao largo da costa de Moçambique, da qual está separado pelo Canal de Moçambique. Os vizinhos mais próximos de Madagáscar são a possessão francesa de Mayotte, a noroeste, a possessão francesa da Reunião, a leste, e as suas dependências Ilhas Gloriosas (noroeste), Juan de Nova (oeste), Bassas da Índia e Europa (sudoeste) e Tromelin (leste), as Comores a noroeste e as Seychelles a norte. Sua capital é a cidade de Antananarivo. In http://pt.wikipedia.org/wiki/Madag%C3%A1scar

[11] Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Zâmbia, Malawi e Tanzânia, a leste pelo Canal de Moçambique e pelo Oceano Índico, a sul e oeste pela África do Sul e a oeste pela Suazilândia e pelo Zimbabwe. No Canal de Moçambique, tem vários vizinhos, as Comores, Madagáscar, a possessão francesa de Mayotte e o também departamento francês de Reunião, através das suas dependências Juan de Nova, Bassas da Índia e Ilha Europa. In http://pt.wikipedia.org/wiki/Mo%C3%A7ambique

[12] http://www.moringue-france.com/index.html.

[13] Artículo publicado el 20 de febrero de 2004 en el diario L’Express de Mauricio, disponível em http://portal.unesco.org/es/ev.php-URL_ID=23885&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

[14]  http://3.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SwwhFACgp9I/AAAAAAAAGXo/K5DMEv_eNG0/s1600/img00025.jpg

[15] Diamanga é herdado de nossos ancestrais como os malaios, que importou os estilos” Pencak, ber-silat, calazar e Sikaran “budistas e indianos que impuseram” Kalaripayat. A pesquisa conduzida pela “Fototra Diamanga malgaxe” não ficar lá, parte histórica e filosófica já está concluída através de um manuscrito do livro. Mesmo se uma lista de diferentes estilos de técnicas “Diamanga” também já está estabelecido língua nacional da associação, esta continuará a ser procurado exaustivamente. http://www.madatsara.com/articles/detail-article/article/le-diamanga-fera-partie-des-arts-martiaux-pratiques-a-madagascar-2/rubrique/sports/news-browse/1/

[16] Celebes (Sulawesi, em indonésio) é uma das Grandes Ilhas da Sonda, na Indonésia, situada entre Bornéu e as Molucas. Com cerca de 16,3 milhões de habitantes e 189 216 km², divide-se em cinco províncias: Gorontalo, Celebes do Norte (Sulawesi Utara), Celebes Central (Sulawesi Tengah), Celebes do Sul (Sulawesi Selatan) e Celebes do Sudeste (Sulawesi Tenggara). As maiores cidades de Celebes são Macáçarpossessão portuguesa entre 1512 e 1665 -, na costa sudoeste, e Manado, na ponta setentrional da ilha. Os primeiros europeus a alcançar a ilha foram os portugueses, em 1525. in http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lebes

[17] ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. CAPOEIRA ANGOLA: CULTURA POPULAR E O JOGO DOS SABERES NA RODA. Origens de uma tradição, disponível em http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/04/capoeira-angola_18.html

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“UMA RAIZ DA CAPOEIRA É A RINGA-MORINGUE MALGACHE?”

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“UMA RAIZ DA CAPOEIRA É A RINGA-MORINGUE MALGACHE?”  [1]

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Mestre em Ciência da Informação

Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão/Brasil

[email protected]

 

“o segredo da verdade é o seguinte: não existem factos, só existem histórias” [2]

João Ubaldo Ribeiro

RESUMO

Busca-se a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, de práticas similares, como o Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião, Madagascar, Moçambique etc.

Palavras-chave: Capoeira. História. Moringue.

 

 

Para esta série de artigos, temos entendido ‘crônica” como:

“Chrônica (do latim) é termo que indica narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica; como também é conjunto das notícias ou rumores relativos a determinados assuntos.”  [3]

 

Javier Rubiera, da “Agrupación Española de Capoeira” e Presidente da FICA[4] – Federação Internacional de Capoeira – me convida a fazer uma análise de imagens sobre a Capoeira(gem), a partir das gravuras de Rugendas[5], fazendo uma correlação entre os movimentos encontrados na(s) Capoeira(s) e outras manifestações da lúdica e do movimento, encontrada em outras terras. Vem reunindo uma série de “pranchas” buscando as raízes da Capoeira [6].  Informa Javier:

Encontramos en nuestra pesquisa los artes marciales indicados en el mapa que se encuentran justamente en los lugares de las rutas de los navíos de los imperios coloniales así como en las ruta ancestra de los malayos e hindúes que poblaron Madagascar.[7]

HIPÓTESIS DE LA PESQUISA (RUBIERA CUERVO, 2009)

 

A – Jogo Malayo – Bersilat versión demostración (técnica de malicia)
Lucha Malaya-Bersilat versión lucha-del juego malicioso a la Lucha (versión lucha)

 

B – Jogo Malgache (Hablar de malgaches es hablar de malayos, primeros habitantes de Madagascar (Lucha Diamanga, Ring-Morainguy afro-malgache-Bantú).

 

C – Jogo de Angola – Moringue Malgache versión demostración (mantenida por Pastinha) e o jogo dos bosquimanos ao suL de angola

 

D – Jogo de Regional – Moringue Malgache versión Lucha como escisión del Moringue Malgache promovida por Bimba por influencia de Cisnando (jiu-jitsu) buscando una Lucha Brasileña sin tener en cuenta el Fair Play.

 

E – Jogo da Capoeira Deportiva: Rescate de la versión Juego de las dos técnicas ancestrales del Bersilat teniendo en cuenta el Fair Play. Recordando palabras de Cajiquinha” la capoeira no tiene fín hasta que no esté deportivizada”.

 

REFLEXIÓN: Cuando la Capoeira Deportiva, como tal, sea reconocida como deporte a nivel mundial, podremos, rescatar la versión lucha (Bersilat, capoeiragem de rua (savate), lucha de navaja (faca, sardinha) pero primero debemos tener en cuenta el FAIR PLAY y seguidamente rescataremos la Capoeira como Lucha en un contexto deportivo reglado. En esta situación Cajiquinha vería realizada su reflexión.

 

Indo mais adiante, Rubiera Cuervo envia-me mensagem eletrônica em que provoca:

“[…]  Se você concorda que uma raiz da Capoeira é a Ringa-Moringue malgache [8] depois dos fatos de minhas pesquisas relatemos num artigo. A partida da redação são as gravuras de Rugendas […].” [9]

 

Prancha 18 – JOGO DA CAPOEIRA – 1820/1835 – publicada em 1835-

 

Comentário do autor da obra:

“os negros tem ainda um outro folguedo guerreiro mais violento, a ‘capoeira’: dois campeões se precipitam contra o outro, procurando dar com a cabeça no peito do adversário que desejam derrubar. Evita-se o ataque com saltos de lado e paradas igualmente hábeis; mas lançando-se um contra o outro mais ou menos como bodes, acontece-lhes chocarem-se fortemente cabeça com cabeça, o que faz com que a brincadeira não raro degenere em briga e que as facas entrem em jogo, ensangüentando-a”.(p. 75)[…]

Araújo e Jaqueira (2008) tecem o seguinte comentário:

“Dentro do contexto da luta brasileira, este é a imagem mais referenciada em documentos de origens diversas, talvez por ser a primeira iconografia publicada, mas não a única, que mais explicitamente identificou a presença do jogo denominado Capoeira num dos períodos históricos brasileiros e, igualmente descrita pelo autor com uma série de adjetivações, que vão desde um folguedo guerreiro de cariz violento ou mesmo uma brincadeira e por fim um jogo, o que nos faz refletir sobre as suas possíveis características de expressividade no período colonial do Brasil – luta, jogo, dança”. (p. 75-76)

Prancha 27 – SÃO SALVADOR – 1820/1835 – publicada em 1835:

 

 

“A iconografia denominada São Salvador, apresenta-se como um dado histórico que nos possibilita interpretações de alguns factos dos costumes dos grupamentos marginais da sociedade imperial brasileira, mais concretamente da Capoeira […] a imagem de Rugendas, busca fundamentalmente retratar uma panorâmica da cidade do Salvador, apresentando-nos em primeiro plano, uma cena característica de um dos costumes baianos, o jogo da Capoeira, tornando esta iconografia de capital importância para a reescrita e/ou reinterpretação da história desta expressão corporal, visto ser este tipo de documento dentre tantos outros, até ao momento, o primeiro, mas não o único que confirma ter existido tal expressão corporal na sociedade soteropolitana, isto para os contextos históricos colonial, imperial e da 1ª república. […]” (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008m, p. 69)

 

 “Apesar de Rugendas não referir-se explicitamente nesta obra sobre a exercitação da capoeira pelos indivíduos enfocados, não podemos deixar de concluir pela presença de elementos de cariz corporal que bem podem evidenciar na imagem, isto pelos conhecimentos por nós adquiridos sobre esta expressão, trata-se estes, de gestuais específicos da luta, onde a cabeçada, ginga e esquivas se podem visualizar, não nos permitindo inferir acerca da sua forma de emanação – jogo; luta, aprendizagem. Destarte não haver indicações do autor sobre este enfoque, e considerando a sua descrição sobre a iconografia ‘Jogo da Capoeira’, nos conduz na admissão de estarmos na presença de jogo ou de aprendizagem, quando associamos as condutas miméticas de alguns, brejeiro e de admiração de outros personagens presentes na cena.[…] O que mais podemos extrair desta imagem, é a presença de uma movimentação rítmica configurada pelo movimento alternado das pernas e conhecida contemporaneamente por ginga, isto, sem qualquer auxílio de instrumentos musicais para a sua exercitação, indiciando portanto, a  não obrigatoriedade destes no seu contexto de expressividade, e muito menos a subordinação ao berimbau”. (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008m, p. 72-73) [10].

 

Em nota de pé-de-página, Araujo e Jaqueira (2008) referem-se a outras obras, desse mesmo período, que retratam o movimento identificado como Capoeira no Brasil:

 

“No período de 1820/25 foram igualmente elaboradas mais duas imagens que retratam a prática de uma manifestação de luta dos negros e, posteriormente, identificada como Capoeira em face das movimentações corporal presentes, e sustentadas pelas descrições de Rugendas. Este mesmo artista foi o autor de outra obra em que se pode visualisar (sic) na Bahia, uma forma de expressão corporal, que não identificando-se nominalmente com manifestação da luta brasileira, não nos podemos furtar de assim reconhecê-la. A outra imagem é a denominada “Negros brigando nos Brasis’ de autoria de Augustus Earle”. (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008, nota de pé-de-página, fls. 75-76, obra citada).

 

PRENCHA 7 – NEGROS BRIGANDO NOS BRASIS (NEGROES FIGHTING, BRAZILS) 1822

Negroes fighting, Brazil”” c. 1824. Autor Augustus Earle (1793-1838) – Painting by Augustus Earle depicting an illegal capoeira-like game in Rio de Janeiro (1824)

Comentário do apresentador da obra[11]:

“Dois negros moços entregues ao ‘jogo da capoeira’, enquanto outros contemplam de uma casa própria e um policial colonial prepara-se para saltar uma cerca, afim de sustar a luta”

Comentários sobre a obra:

“[…] as figuras apresentadas por Rugendas foram e ainda são as mais representativas para o contexto da capoeira, principalmente aquela que foi acompanhada pela descrição […] A imagem de Augustuis Earle […] apesar de ter sido elaborada no mesmo período das iconografias de Rugendas, foi durante muito tempo relegada ao esquecimento […] Earle retratou uma cena típica dos costumes urbanos da cidade do Rio de Janeiro […] ao tipo de exercitação visualizada pela imagem […] entendemos ser esta, manifestadamente, a expressão corporal denominada Capoeira […] onde depreendemos estarmos diante de dois movimentos conhecidos no contexto atual da luta brasileira, como ginga e benção/escorão/chapa […]”. (ARAÚJO e JAQUEIRA, 2008, p. 80-87)12

 

Araújo e Jaqueira (2008) analisaram também a obra de Frederico Guilherme Briggs – Negros que vão levar “açoutes”, estampa avulsa: tipos de rua e caricaturas:

 

FIGURA 20, OBRA DO ANO DE 1832/1836, PUBLICADA EM 1984:

Negros que vão levar açoutes  Briggs del.   Litho. R.B.   Rua do Ouvidor nº 118. Source: Biblioteca Nacional, acervo de gravuras sobre escravatura

Negros que vão levar açoutes, 1832/1836, publicada em 1984

Os autores se valem da obra de TURAZZI (2002) [12], que comenta:

“Se as imagens podem ser tomadas como uma ‘narrativa’, as estampas de tipos de rua da Litografia Briggs nos permitem várias leituras […] Para tanto, eles adotaram como estratégia uma figura de linguagem empregada com freqüência  na fala dos cariocas. Mas a substituição de nome próprio por perífrase (isto é, a designação de alguém ou de algo que dê relevo a uma de suas qualidades, e não por seu nome) tem sido, historicamente, um dos traços mais marcantes da linguagem popular do Rio de Janeiro. Pois é exatamente esse estilo de linguagem, saído das ruas, o recurso adotado pelos litógrafos da oficina Briggs para representar e legendar as figuras de suas estampas”.( TURAZZI, 2002, citada por ARAÚJO e JAQUEIRA, 2008, p. 94-95)

 

Em resposta ao desafio, respondi[13] que tenho escrito sobre Capoeira(gem), e agora me vejo na contingência de escrever sobre a relação da Capoeira(gem) e as ‘capoeiras’ [14], melhor, sobre a lúdica e o movimento das populações trazidas para o que hoje chamamos de Brasil, dos diversos recantos do antigo Império português[15].

 

E aceitando a Capoeira como uma atividade física – vamos chamá-la por hora assim – de criação nacional, tem-se buscado suas origens na África, considerando ser esta a terra de origem dos escravos para cá trazidos, esquecendo-se de que, aqueles a que se chamava de ‘negros’ estavam para além dessa territoriedade – a Mãe-África[16].

Fonte: CAMARGO NETO, 2002, p. 275[17]

Além das características da lúdica e movimento existentes na África, identificadas as semelhanças com os movimentos da(s) Capoeira(s) – Angola, Regional, e/ou Contemporânea -, há as que chamei de “capoeiras primitivas”[18] – tiririca[19], batuque[20], pernada(s), punga[21], carioca[22], etc. e mais recentemente, o ‘agarre marajoara’… ainda temos[23] o N´golo, a savate, o fado português, o frevo, o semba, o samba… e, os movimentos encontrados nas Reuniões, nas Antilhas… Influencias européias e asiáticas. Traço de união? Portugal…

Fonte: CAMARGO NETO, 2002, p. 272[24]

Para Cavalheiro (2005), o fenômeno das academias baianas trará uma nova conformação à própria história da capoeira, uniformizando (no que tange às tradições, hábitos, costumes, rituais, instrumentação, cantigas etc.) sua prática, especialmente após a migração de mestres para o sudeste brasileiro:

Isso foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, a punga, o bate-coxa… Que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana. (Carlos Carvalho Cavalheiro, in Jornal do Capoeira)[25].

Concordamos com o grupo que elaborou o projeto para o IPHAN, quando afirma que esta expansão significa a possibilidade de congregar povos e propiciar o diálogo inter-cultural. [26]

[1] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A Carioca. In REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, São Luís, n. 31, novembro de 2009, p. 150-175, disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/ihgm_31_novembro_2009

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA?

[2] Jorge Bento, citando João Ubaldo Ribeiro , in ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. (Porto): Instituto Superior Maia, 1997, p. 7

[3] DICIONÁRIO AURÉLIO, 1986, p. 502.

Ver também:

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; RUBIERA CUERVO, E. Javier. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): algumas considerações. Pesquisa em andamento

[4] Federação Internacional de Capoeira

[5] Johann Moritz Rugendas (Augsburgo, 29 de março de 1802Weilheim, 29 de maio de 1858) pintor alemão que viajou por todo Brasil durante 18221825 e pintou povos e costumes. Rugendas era o nome que usava para assinar suas obras. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especializando-se na arte do desenho. Pintor de cenas brasileiras, nasceu em Augsburg, em 29 de março de 1802 e faleceu em Weilheim, em 29 de maio de 1858. De família de artistas, integrou a missão do barão de Georg Heinrich von Langsdorff e permaneceu no Brasil três anos. IN http://pt.wikipedia.org/wiki/Rugendas

[6] “[…] data a Capoeiragem, de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.” in VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. Capoeira – origem e história. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese de Doutorado – 2004. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

[7] http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/;

http://asi-afri.blogspot.com/;

http://afroasia-bras.blogspot.com/ ;

http://asia-brasil.blogspot.com/;

http://cap-dep.blogspot.com/;

http://cap-ang.blogspot.com/;

http://cap-reg.blogspot.com/;

http://ladja-martinica.blogspot.com/.

http://moraingy-malgache.blogspot.com/;

http://moringue-reunion.blogspot.com/;

[8] O malgaxe (malagasy) é uma língua malaio-polinésia falada por praticamente toda a população de Madagascar. Em Madagascar, a língua malgaxe é considerada a língua nacional, mas divide a condição de língua oficial com o francês, que continua sendo a língua principal nos meios escritos e na educação. Existem também alguns falantes de malgaxe na ilha francesa de Mayotte e em comunidades originárias de Madagascar assentadas em Reunião (França), Comores e outros países. IN http://pt.wikipedia.org/wiki/Malgache

[9] Correio eletrônico recebido de Javier Rubiera – Presidente, Presidente General de FICA www.capoeira-fica.org, Agrupación Española de Capoeira, http://aecfica.blogspot.com/,, NIF G74237405, através do endereço FICA. [[email protected]], enviada dia 4/9/2009 13:30 para Leopoldo Gil Dulcio Vaz [email protected].

[10] ARAUJO, Paulo Coelho de; JAQUEIRA, Ana Rosa Fachardo. DO JOGO DAS IMAGENS ÀS IMAGENS DO JOGO – nuances de interpretação iconográfica sobre a Capoeira. Coimbra-Portugal: Centro de Estudos Biocinéticos, 2008

[11] Não foram encontradas descrições de Augustus Earle sobre a obra, mas somente, a denominação atribuída à imagem como sendo; “Negros brigando nos Brasil” – (Negros fighting, Brazils). ARAUJO e JAQUEIRA, 2009, p. 80-81

[12] TURAZZI, Maria Inez (org.). Tipos e cenas do Brasil imperial: a Litografia Briggs na Coleção Geyer. Petrópolis: Museu Imperial, 2002.

[13] http://cev.org.br/comunidade/lusofonia/debate/capoeira/

[14] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jornal do Capoeira http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005,

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br; Edição 64 – de 12 a 18/Mar de 2006, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=905

Jornal do Capoeira – Edição 44: 22 a 28 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL estendida – CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/ainda+sobre+a+punga+dos+homens+-+maranhao

Jornal do Capoeira – Edição 42: 8 à 14 de Agosto de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/notas+sobre+a+capoeira+em+sao+luis+do+maranhao

[15] O Império Português foi o primeiro império global da história, com um conjunto de territórios repartidos por quatro continentes, sob soberania portuguesa. Foi também o mais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, sob o nome “Império Colonial Português” na primeira metade do Estado Novo; abrangeu quase seis séculos desde a tomada de Ceuta em 1415 à independência de Timor, em 2002 in BOXER, Charles. The Portuguese Empire: 1415-1825 in http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Portugu%C3%AAs.

[16] JACINTO, Cristiane Pinheiro Santos. Fazendeiros, negociantes e escravos: dinâmica e funcionamento do tráfico interprovincial de escravos no Maranhão (1846-1885). In GALVES, Marcelo Checvhe; COSTA, Yuri (org). O MARANHÃO OITOCENTISTA. Imperatriz: Ética; São Luis Editora UEMA, 2009, p. 169-194.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O TRATO DOS VIVENTES – formação do Brasil no Atlântico Sul, Séculos XVI e XVII.São Paulo: Cia. Das Letãs, 2000;

MELLO, José Antônio Gonçalves de. TEMPO DOS FLAMENGOS – influência da ocupação holandesa na vida e na cultura do norte do Brasil. 4 ed. Rio de Janeiro: Topbooks; Recife: Instituto Ricardo Brennand, 200(5).

COSTA E SILVA, Alberto da. UM RIO CHAMADO ATLÂNTICO – A África no Brasil e o Brasil na África. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.

[17] Fernão Pompêo de Camargo Neto. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Economia da UNICAMP para obtenção do título de Doutor em Ciências Econômicas –área de concentração: Política Econômica, sob aorientação do Prof. Dr. José Ricardo Barbosa Gonçalves. CPG, 22/02/2002, p. 275

[18] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; LACÉ LOPES, André Luis; RIBEIRO, Milton César. ATLAS DA CAPOEIRA(GEM) NO BRASIL. Pesquisa em construção.

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388

LACÉ LOPES, André Luiz. A VOLTA AO MUNDO DA ARTE AFRO-BRASILEIRA DA CAPOEIRAGEM – Ação Conjunta com o Governo Federal – Estratégia 2005 – Contribuição do Rio de Janeiro – Minuta de André Luiz Lace Lopes, com sugestão de Mestre Arerê (ainda sem revisão).

LACÉ LOPES, André  Luiz. PÁGINA PESSOAL : http://andrelace.cjb.net/

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro,2004

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO E NO MUNDO. – histórias & fundamentos, Administração geral, administração pública, jornalismo. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição elertrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2004.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 2 ed.  Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. L´ART DE LA CAPOEIRA À RIO DE JANEI, AU BRÉSIL ET DANS LE MONDE. Littérature de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 4 ed. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2007.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388

VER AINDA:

ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. Maia: Instituto Superior de Maia, 1997. Série Estudos e Monografias.

O ensino da capoeiragem no início do século XX, ver crônica do folclorista Carlos Cavalheiro onde comenta a repercussão em jornal de Sorocaba, São Paulo, sobre a abertura de Academia de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1920. A matéria trouxe a chamada “Um Desporto Nacional”, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/

Notas sobre a Punga dos Homens – Capoeiragem no Maranhão: crônica por Leopoldo Gil Dulcio Vaz, in Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

Ainda sobre a Punga dos Homens – Maranhão – Visita à Câmara Cascudo: crônica por Leopoldo Gil Dulcio Vaz, in Jornal do Capoeira – Edição 44: 22 a 28 de Agosto de 2005 EDIÇÃO ESPECIAL estendida – CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

[19] Pernada de Sorocaba – ver crônica do folclorista Carlos Cavalheiro, em que faz uma análise da relação entre danças-luta (pernada, tiririca etc.) com a Capoeira no interior Paulista. In http://www.capoeira.jex.com.br/

Capoeira, Pernada e Tiririca in Crônica sobre Capoeira, com algumas informações sobre a Pernada de Sorocaba e a Tiririca da capital paulista, ambas uma espécie de “capoeira primitiva” do Estado de São Paul, por Miltinho Astronauta, in Jornal do Capoeira Edição AUGUSTO MÁRIO FERREIRA – Mestre GUGA (n.49) de 13 a 19 de Novembro  de 200, disponível em www.capoeira.jex.com.br

Tiririca, Capoeira & Barra Funda, por Elaine Muniz Pires, sobre a história dos bairros paulistanos, em especial a Barra Funda, onde acontecia a Tiririca, uma espécie de Capoeira Primitiva, disponível em www.capoeira.jex.com.br

[20] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CHRÔNICA DA CAPOEIRA(GEM): ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA? (inédito)

[21] Notas sobre a Punga dos Homens – Capoeiragem no Maranhão: crônica por Leopoldo Gil Dulcio Vaz, in Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

Ainda sobre a Punga dos Homens – Maranhão – Visita à Câmara Cascudo: crônica por Leopoldo Gil Dulcio Vaz, in Jornal do Capoeira – Edição 44: 22 a 28 de Agosto de 2005 EDIÇÃO ESPECIAL estendida – CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

[22] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A Carioca. In REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, São Luís, n. 31, novembro de 2009, p. 150-175, disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/ihgm_31_novembro_2009

[23] FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008. Nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009, disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

FALCÃO, José Luiz Cirqueira. Fluxos e refluxos da capoeira: Brasil e Portugal gingando na roda. In Análise Social, vol. XL (174), 2005, 111-133, disponível em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aso/n174/n174a05.pdf

TINHORÃO, José Ramos. HISTÓRIA SOCIAL DA MUSICA POPULAR BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Editpora 34, 2001, disponiverl em http://books.google.es/books?id=8qbjll0LmbwC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false

[24] CAMARGO NETO, Fernão Pompêo de. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Economia da UNICAMP para obtenção do título de Doutor em Ciências Econômicas –área de concentração: Política Econômica, sob a orientação do Prof. Dr. José Ricardo Barbosa Gonçalves. CPG, 22/02/2002, (p. 272)

[25] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho in RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA, Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados)

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Capoeira em Porto Feliz. in La Insignia, 2007 disponível em http://www.lainsignia.org/2007/julio/cul_037.htm).

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho – Cantadores – o folclore de Sorocaba e região (encarte de CD) – Linc – 2000

[26] IPHAN, Assessoria de Imprensa do Iphan. A capoeira na história. in REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Ed. de Julho de 2008, disponível em

 http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1871

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A ”CARIOCA”

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A ”CARIOCA”

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Sócio efetivo do IHGM – Cadeira 40

Buscando as origens da Capoeira no Maranhão[1], encontrei referencia à prática da “carioca”. Fora proibida, em Código de Posturas de Turiaçú, do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124).

Em conversa com alguns Capoeiras, Mestre Mizinho informa que em uma de suas apresentações em Cururupu um senhor – já idoso e negro – disse que praticava aquela brincadeira, mas a conhecia como “carioca”, não como “capoeira”.

Em aula da disciplina “História do Esporte no Maranhão” referi-me à capoeira e à carioca. Um dos alunos disse-me que o avô, ex-estivador no Portinho, dizia-lhe que já praticara muito aquelas ‘brincadeira’, mas era chamada pelos estivadores de “carioca”.

A prática de Capoeira por estivadores é confirmada por Mestre Diniz, nascido em 1929, quando lembra que “na rampa Campos Melo, quando eu era garoto, meu pai ia comprar na cidade e eu ficava no barco. Eu via de lá os estivadores jogando capoeira”.

Também em Codó, entre os antigos, a capoeira é denominada de “carioca”.

Desde 1820 têm-se registros em São Luis do Maranhão de atividades de negros escravos, como a “punga dos homens”. De acordo com Mestre Bamba, jogo que utiliza movimentos semelhantes aos da capoeira. Encontrou no Povoado de Santa Maria dos Pretos, próximo a Itapecurú-Mirim, uma variação do Tambor-de-Crioula, em que os homens participam da roda de dança – “Punga dos Homens”. Para Mestre Bamba esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba – os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga[2]:

  • Pungada na Coxa – também chamado “bate-coxa”, aplicado na coxa, de lado, para derrubar o adversário; segundo Bamba, achou-o parecido com a “pernada carioca” ou mesmo com o “batuque baiano”;
  • Pungada Mole – o mesmo movimento, aplicado nos testículos, de frente; aquele que recebe, protege “as partes baixas” com as mãos …
  • Pungada Rasteira/Corda – semelhante à “negativa de dedos (sic)”, de Bimba;
  • Queda de Garupa – lembra o Balão Costurado, de Bimba.

 

 

Fonte: LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO

MUNDO. 2 ed.  Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro: 2005, p. 18

Compare-se as imagens com a interpretação de Mestre Bamba.

Letícia Vidor de Souza Reis[3], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[4]:

Em entrevista ao Jornal Diário da Bahia, na sua edição de 13 de março de 1936, na matéria: “Titulo Máximo da Capoeiragem Bahiana”, Bimba, dá uma longa entrevista acerca de seus desafios públicos na divulgação da chamada Luta Regional. Da mesma destacamos o seguinte trecho: “Falando sobre o actual movimento d’aquele ramo de lucta, genuinamente nacional uma vez que difere bastante da Capoeira d’angola, o conhecido Campeão (Bimba) referindo-se a uma nota divulgada por um confrade matutino em que apparecia a figura do Sr. Samuel de Souza. Do Bimba, de referência aos tópicos ouvimos: Ao som do berimbau não podem medir forças dois capoeiras que tentem a posse de uma faixa de campeão, e isto se poderá constatar em Centros mais adiantados, onde a Capoeira assume aspectos de sensação e cartaz. A Polícia regulamentará estas exibições de capoeiras de acordo com a obra de Aníbal Burlamaqui (Zuma) editada em 1928 no Rio de Janeiro… . Nesta reportagem existem alguns itens que merecem uma atenção mais detalhada: (a) A confirmação da influencia de Zuma no trabalho implantado por Mestre Bimba; (b) O reconhecimento de Bimba ao trabalho de Zuma; (c) A afirmação de Bimba existia Centros mais adiantados em Capoeira que a Bahia, no caso, a Cidade de Rio de Janeiro; (d) O interesse de Bimba pela prática desportiva da “Luta Nacional”; (e) A integração de seu discípulo nesta inovação; (f) A adoção do regulamento de Zuma pela direção do Parque Odeon, onde se realizavam tais apresentações; (g) A liberação pela polícia, daquela forma de luta já existente no Rio de Janeiro. ( Fonte: Rego, op. cit., 1968. pág. 282 e 283; Diário da Bahia. Salvador 13 de março de 1936; Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural – Prof. Dr. Sergio Luiz de Souza Vieira – PUC/SP 2004)

 

A afirmação traz um significado especial por tratar do batuque baiano na formação de Mestre Bimba, da qual seu pai era campeão na modalidade, porque implicava num jogo agressivo de pernas contra as pernas do oponente, já como uma forma característica de luta acompanhada por cânticos e instrumentos. Também há apontamentos de que o batuque se disputava entre “pernadas” durante os carnavais cariocas[5].

Quanto a Anibal Burlamaqui – Zuma[6] – foi um importante inventor desta nova capoeira carioca e afirmou que vários golpes foram extraídos dos “batuques” e “sambas”, como no caso do “baú”. Trata-se de um golpe dado no adversário com a barriga, sendo similar aos movimentos do “samba de umbigada”. O “baú” também era usado durante os “batuques lisos”, segundo Zuma, os mais delicados. O “rapa” havia sido um golpe usado nos “batuques pesados”. Ele também explica os golpes de “engano”, que serviam somente para burlar o adversário.[7]

Fregolão (2008) [8] considera que toda a pluralidade cultural imbricada na constituição destes elementos podem significar manifestações culturais diferentes, conforme a região em que ocorrem.

Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

Mestre André Lacé[9], a esse respeito, lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque. Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas européias e asiáticas[10].

Fonte: http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/grabado-de-capoeira-siglo-xix.html

Fuente foto Silat: Martial arts of the world: an encyclopedia, Volume 2 Escrito por Thomas A. Green.

http://books.google.es/books?id=v32oHSE5t6cC&pg=PA529&dq=pentjak+silat&as_brr=3#v=onepage&q=pentjak%20silat&f=false

 

Para Mestre Gil Velho[11], ainda hoje muito se discute sobre as origens da capoeira, com as perspectivas do debate atreladas aos diversos discursos que vestem sua imagem moderna, a esportiva:

“Parte-se de idéias construídas, e não de práticas sociais espontâneas. Assim, a capoeira carioca está historicamente imbricada às maltas de capoeiras da cidade e à “filosofia da malandragem carioca” dos anos 1800. A baiana, por sua vez, está ligada à cultura negra baiana e especificamente ao candomblé. No Recife, ela se manifesta nas gangues de rua Brabos e Valentões.

 

Esse autor considera que para a análise da essência da capoeira, tem-se que voltar no tempo e considerar o contexto da realidade sócio-cultural de espaços com registros identitários e territoriais dela, destacando-se dois loci: Rio de Janeiro e Recife. Estes dois centros urbanos eram, no século XIX, os maiores pontos de comunicação com o resto do mundo, onde mais circulava gente, idéias, comércio. As zonas portuárias permitiam a troca de idéias entre nichos sócio-culturais semelhantes.

A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira[12], e em Recife, com as gangues de rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)[13] em Paris e das maltas de fadistas[14] de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos:

Por outro lado, as perspectivas identitárias e territoriais próprias dão a cada movimento sua sócio-fronteira, com espaços personalizados dos atores em seus próprios contextos sócio-culturais. A capoeira marca sua presença em grupos de sócio-fronteiras a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro com as maltas e no Recife com as gangues. Nessas cidades, os grupos disputavam os espaços demarcados identitariamente e tinham suas próprias manifestação rítmicas.(CAVALCANTI, 2008)[15]

 

Mestre Marco Aurélio (Marco Aurélio Haickel) [Jornal do Capoeira][16] esclarece que, antigamente, a Punga era prática de homens e que após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade passa a ser dançada por mulheres, apenas.

Destaca que desde 1820 há referencia à Punga, com a participação unicamente por homens:

Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice(Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005).

 

Para Ferreti (2006)[17], a umbigada ou punga é um elemento importante na dança do Tambor de Crioula[18]. No passado foi vista como elemento erótico e sensual, que estimulava a reprodução dos escravos. Hoje a punga é um dos elementos da marcação da dança, quando a mulher que está dançando convida outra para o centro da roda, ela sai e a outra entra. A punga é passada de várias maneiras, no abdome, no tórax, nos quadris, nas coxas e como é mais comum, com a palma da mão. Em alguns lugares do interior do Maranhão, como no Município de Rosário, ou em festas em São Luís, com a presença de grupos de tambor de crioula, costuma ocorrer a “punga dos homens” ou “pernada”, cujo objetivo é derrubar ao solo o companheiro que aceita este desafio. Algumas vezes a punga dos homens atrai mais interesse do que a dança das mulheres.

Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

Por ter certa semelhança com uma luta, a “pernada” ou “punga dos homens” tem sido comparada à capoeira. A pernada que se constata no tambor de crioula do interior, lembra a luta africana dos negros bantus chamada batuque, que Carneiro (1937, p. 161-165) descreve em Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e que usava os mesmos instrumentos e lhe parece uma variante das rodas de capoeira.

O batuque, também chamado de pernada, é mesmo, essencialmente, uma divisão dos antigos africanos, com especialidade dos procedentes de Angola. Onde há capoeira, brinquedo e luta de Angola, há batuque, que parece uma forma subsidiária da capoeira.[19]

Para Lacé Lopes (2006)[20], a origem africana, entretanto, é evidente e incontestável. Comprovada não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, há séculos, de práticas similares. O Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião, Madagascar, Moçambique etc. – sem dúvida, é um bom exemplo. O mesmo raciocínio pode ser ajustado ao berimbau africano, instrumento musical que, no Brasil, acabou fortemente associado ao jogo da capoeira. Cada vez menos, mestres de capoeira e pesquisadores tendem a divergir quanto a esses aspectos. Da mesma forma que está surgindo um consenso sobre a utilização do nome “capoeira” para rotular o ensino e a prática do jogo com acompanhamento musical (cantoria e ritmo: berimbau, pandeiro, caxixi, reco-reco, agogô, atabaque), e a utilização do nome “capoeiragem” para a prática da capoeira como uma espécie de briga abrasileirada de rua, em desuso, na qual, no máximo, batiam-se palmas e cantavam-se versos curtos (samba duro, pernada carioca etc.).

El Juego “Sisemba”- Islas Célebes – Its formal name is SISEMBA but it is occasionally called SEMBA. Fonte: http://www.ethnographiques.org/2008/IMG/pdf/arKoubi.pdf por Javier Rubiera para Sala de Prensa Internacional

 

1820-BAHÍA-Jogo da Capoeira semejante al Moringue malgache, 1834-RUGENDAS -dibuja la Capoeira ó Moringue ?, 1940-ANTROPÓLOGO Herskovits Compara la Capoeira con Moringue  disponível em http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/08/1733-carolina-del-sur-boxeador-y.html

 

Já em Portugal encontrou-se o chamado fado batido, que surgiu no início do século XIX como dança de umbigadas semelhante ao lundu. Popularizou-se primeiro no Rio de Janeiro e depois na Bahia. Na década de 1830, já existiam em Lisboa inúmeras casas de fado, onde moravam as fadistas, jovens que cantavam, tocavam e “batiam” o fado num ambiente de bordel. Por volta de 1840, o canto ganhou especial importância, o que parece haver coincidido com a substituição da viola pelo violão[21].

José Ramos Tinhorão (2001), no capítulo “Os negros na origem do fado-canção em Lisboa” revela ter havido rodas de fado que funcionavam como as rodas de pernada dos crioulos do Brasil: era o chamado ‘fado batido’, clara referência à antiga umbigada africana e em que um dançarino ‘batia’ (aplicada a pernada) e o outro ‘aparava’ (procurava neutralizar o golpe para não cair).[22]

 

1810-RIO -danzas de africanos españoles y portugueses, capangas disponível em http://www.cchla.ufpb.br/pergaminho/1907_capitulos_-_capistrano.pdf

 

Não conseguimos localizar até agora documentação referente à presença antiga da capoeira no Maranhão e sua relação com o tambor de crioula, tema que atualmente tem despertado grande interesse.[23]

 

Indícios de Capoeiragem[24] no Maranhão

Garcia de Abranches em “O Censor”, edição de 24 de janeiro de 1825, comenta o posicionamento político do Marquês governante – Lord Cockrane – e compara alguns portugueses com os desocupados do Rocio – em sua maioria caixeiros – que “pela sua péssima educação, muitos brancos da Europa são tão vis, e tão baixos, como esses mulatos que andam a espancar, a roubar e a matar, pelas ruas da Cidade…”. Estaria o Censor referindo-se aos capoeiras?

Em 1829, registram-se certas atividades lúdicas dos negros, publicada no jornal “A Estrela do Norte” a seguinte reclamação de um morador da cidade:

“Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d’elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém?” [25]

 

Fregolão (2008) [26] informa que na página 61 dos Códigos de Posturas da Câmara Municipal da cidade de Desterro [Florianópolis], de 10 de maio de 1845 no artigo 38 há a proibição dos ajuntamentos de escravos ou libertos para formarem batuques, sob pena de castigos conforme a lei para os cativos e para os libertos multa ou cadeia. O código de posturas da cidade de Salvador proibia “os batuques, danças e ajuntamentos em qualquer hora e lugar sob pena de prisão”. A expressão “batuque”, repleta de significados, podia representar diversas expressões culturais.

Câmara Cascudo registra por “Batuque” a dança com sapateados e palmas, ao som de cantigas acompanhadas só de tambor quando é de negros ou também de viola e pandeiro “quando entra gente mais asseada”.

Batuque é denominação genérica de toda dança de negros na África. Batuque é o baile. De uma descrição de um naturalista alemão, em visita às Gerais, em 1814/15, ao descrever a dança, fala da umbigada [punga].

Edison Carneiro[27] ao fazer uma espécie de etimologia do batuque, cita que Macedo Soares considerava a palavra produto do verbo bater, mas cita também

“Esta palavra, na sua acepção mais lata no Brasil, aplica-se ao conjunto de sons produzidos por instrumentos de percussão, em especial se considerados desarmônicos ou ensurdecedores. Também em sentido lato, a toda e qualquer dança ao som de atabaques dá-se, depreciativamente, o nome de batuque. Especificamente, batuque designa um jogo de destreza da Bahia, uma dança de umbigada de São Paulo – que se filia ao batuque africano – e dois tipos de cultos de origem africana correntes na região amazônica e do Rio Grande do Sul.”

 

José Ramos Tinhorão (1988)[28] aponta para o problema do uso genérico do termo batuque: Na verdade, tal como o exame mais atento das raras informações sobre essas ruidosas reuniões de africanos e seus descendentes crioulos deixa antever, o que os portugueses chamaram sempre genericamente de batuques não configurava um baile ou um folguedo, em si, mas uma diversidade de práticas religiosas, danças rituais e formas de lazer.

BATUQUE – Johann Moritz Rugendas (Augsburg, 29 de março de 1808 — Weilheim, 29 de maio de 1858) foi um pintor alemão que viajou por todo Brasil durante 1822-1825 e pintou povos e costumes.
Date 1822-1825. Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

 

Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola.

 

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos): a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar à posição primitiva.

Augustus Earle “Negroes fighting. Brazils” (Nègres combattant. Brésils) aquarelle sur papier, 16.5×25.1 cm, date approximative 1821…1823

 

Catunda (1952)[29] ressalta que na capoeira baiana […] Não é como a capoeira carioca, na qual um dos comparsas se mantém imóvel, em atitude de defesa, enquanto só o outro ataca, dançando em volta do inimigo, assestando-lhe golpe sobre golpe. Em comentário de pé-de-página consta o seguinte:

“A descrição da capoeira do Rio relembra a do batuque ou da pernada carioca por Edison Carneiro 1950 [30], […] Edison Carneiro descreveu a capoeira bahiana em Negros Bantus em 1938”.

 

Câmara Cascudo[31]  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam os marinheiros, que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Em “Dinâmica do Folklore” (1950) Edson Carneiro[32] afirma que o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

O batuque na Bahia se chama batuque, batuque-boi, banda, e raramente pernada – nome que assumiu no Rio de Janeiro… Ficaram famosos como mestres na arte do batuque, Angolinha, Fulo, Labatut, Bexiga Braba, Marcelino Moura…

No verbete “punga”, Câmara Cascudo[33] se refere a dança popular no Maranhão, capital e interior; que é a mesma “dança do tambor”. A punga é também chamada “tambor de crioula”. Há também referencia a grafia “ponga”, que como se sabe é um jogo. Crê que punga é um termo em uso apenas no Maranhão e significa, na dança em questão, a umbigada, a punga. A punga seria uma dança cantada, mas sem versos próprios, típicos. Geralmente são improvisados na hora, quando as libações esquentam a cabeça e despertam a “memória” do “tiradô” de versos. Após descrever o que seria a dança do tambor-de-crioula, informa que pong provirá do tupi “soar, bater, ou antes, soar por percussão. “O que fervia era o lundum, e estalavam as umbigadas com o nome de “pungas”” (p. 742-743). Remete a Tambor:

“… mas a autonomia dos tambores indígenas e sua existência pré-cabralina parecem-me indiscutíveis no Brasil. Dança do Tambor, Tambor-de-Mina, Tambor-de-Crioulo. As danças denominadas “do Tambor” espalham-se pela Ibero-América. No Brasil, agrupam-se e são mantidas pelos negros e descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos, especialmente no Maranhão. [grifos meus]. Conhece-se uma Dança do Tambor , também denominada Ponga ou Punga que é uma espécie de samba, de roda, com solo coreográfico, e os Tambor-de-Mina e Tambor-de-Crioulo, [chamo atenção novamente para a grafia, em masculino], série de cantos ao som de um ferrinho (triangulo), uma cabaça e três tambores, com danças cujo desempenho ignoro.” (p. 850-851).

 

O lundu ou lundum[34] é um gênero musical contemporâneo e uma dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e de ritmos portugueses. Da África, o lundu herdou a base rítmica, uma certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, os rebolados e outros gestos que imitam o ato sexual. Da Europa, o lundu, que é considerado por muitos o primeiro ritmo afro-brasileiro, aproveitou características de danças ibéricas, como o estalar dos dedos, e a melodia e a harmonia, além do acompanhamento instrumental do bandolim. O lundu veio para o Brasil com os negros de Angola, por duas vias, passando por Portugal, ou diretamente da Angola para o Brasil.

Informa o ilustre pesquisador, ainda, que uma missão cultural colheu exemplos das músicas utilizadas tanto no Tambor-de-Mina quanto no de Crioulo, em 1938. Estão ligados esses tambores-de-mina-e-de-crioulo às manifestações religiosas dos “terreiros”, ao passo que:

“… a punga (dança e batida) parecem alheias ao sincretismo afro-brasileiro na espécie… o Tambor-de-Crioula  é o Bambelô do Maranhão, mas com a circunstância de que só dançam as mulheres. Passa-se a vez de dançar com a punga, que é um leve bater de perna contra perna. Punga é também espécie de pernada do Maranhão: batida de perna contra perna para fazer o parceiro cair.. às vezes o Tambor-de-Crioula termina com a punga dos homens.”. (p. 851).

 

Por “Punga”, registra: jogo ginástico, brincadeira de agilidade, entre valentões, malandros e capadócios. É uma simplificação da capoeira… Sua descrição, assemelha-se à da “punga dos homens”, do Tambor-de-Crioulo(a) (p. 709). Já “bambelô” é descrito como samba, côco de roda, danças em círculo, cantada e acompanhada a instrumentos de percussão (batuque), fazendo figuras no centro da roda um ou dois dançarinos, no máximo. O ético é o vocábulo quimbundo mbamba, jogo, divertimento em círculo (p. 113).

Na Rua dos Apicuns, local freqüentado por “bandos de escravos em algazarra infernal que perturbava o sossego público”, os quais, ao abrigo dos arvoredos, reproduziam certos folguedos típicos de sua terra natural:

“A esse respeito em 1855 (sic) um morador das imediações do Apicum da Quinta reclamava pelas colunas do ‘Eco do Norte” [35]  contra a folgança dos negros que, dizia, ‘ali fazem certas brincadeiras ao costume de suas nações, concorrendo igualmente para semelhante fim todos pretos que podem escapar ao serviço doméstico de seus senhores, de maneira tal que com este entretenimento faltam ao seu dever… ’ (ed. de 6 de junho de 1835, S. Luís).

No ano de 1843, o Diretor da Casa dos Educandos Artífices do Maranhão em relato ao Presidente da Província informava que havia “outro problema”: a segurança dos alunos e do patrimônio da casa, em razão da existência de vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados, o que resultava em atos de violência cotidianos, pela falta de intervenção policial no local.

Sobre os Capoeiras reclamava esse Diretor:

“Capoeiras que nem os donos das tavernas derrubam, nem a Câmara Municipal os constrange a derrubar[36], apesar das proximidades em que estão a respeito da Cidade cometessem por aqui crimes de toda a qualidade que por ignorados ficam impunes, tendo já sido espancado gravemente um quitandeiro, e já são muitas as noites em que daqui ouço pedir socorro, sendo uma destas a passada, na qual, às nove horas e quinze minutos, estando todos aqui já em repouso, ouvi uma voz que parecia de mulher ou pessoas moças, bradar que lhe acudissem que a matavam, e isto por vezes, indo aos gritos progressivamente a denotarem que o conflito se alongava pelo que pareceu que a pessoa acometida era levada de rojo por outra de maiores forças, o que apesar da insuficiência dos educandos para me ajudarem, atendendo as suas idades e robustez, e não tendo mais quem me coadjuvasse, não podendo resistir à vontade de socorro a humanidade aflita e não tendo ainda perdido o hábito adquirido na profissão que sigo, chamei dois educandos dos maiores e com eles mal armados, sai a percorrer as mediações desta casa, sem que me fosse possível descobrir coisa alguma, por que antes que pudesse conseguir por os ditos educandos em estado de me acompanharem, passou-se algum tempo e durante ele julgo que a vítima foi levada pelo seu perseguidor para longe daqui. Estes atentados são praticados pelos negros dos sítios que há na estrada que em conseqüência da má administração em que os tem, andam toda a noite pela mesma estrada, praticando tudo quanto a sua natural brutalidade lhe faz lembrar, e se V. Exa. se não dignar de tomar alguma providência a este respeito parece-me que não só a estrada se tornará intransitável de noite, como até pelo estado em que existem só os negros dos sítios e os vindos da Cidade se reúnem, entregues à sua descrição, podem trazer conseqüências mais desagradáveis […] o que falo é para prevenir que este estabelecimento venha a ser insultado como me parecesse muito provável em as cousas como se acham. (FALCÃO, 1843). (citado por CASTRO, 2007, p. 191-192)[37].

 

A Casa dos Educandos Artífices estava alojada em um edifício construído ainda no Século XVIII, situado num ambiente de “ares agradáveis, liberdade própria do campo, vista aprazível e fora do reboliço da cidade”, entre o Campo do Ourique e o Alto da Carneira – hoje, Bairro do Diamante, ocupado pelo Ministério da Agricultura. O Autor do relatório, José Antônio Falcão, era tenente-coronel reformado do Exército, havia assentado praça em São Luís, juntamente com seu irmão Feliciano Antônio Falcão, em 1831, como cadete no Regimento de Linha. Antônio Falcão foi o organizador da Casa dos Educandos Artífices, e seu diretor no período de 1841 a 1853. Já Feliciano Antônio Falcão, seu irmão, comandou a força expedicionária para combater os Balaios em Icatu e comandou a terceira tropa por ordem de Luis Alves de Lima e Silva, depois Duque de Caxias, entre as localidades de Icatu e Miritiba (hoje, Humberto de Campos), até o fim da Balaiada. (CASTRO, 2007, p. 184).

Cumpre lembrar que estes alertas foram feitos no ano de 1843, apenas um ano após o término da Balaiada – iniciada em 1838, originada com as lutas dos quilombolas na área de Codó (Distrito do Urubu) como antecedentes à eclosão da Revolta, até a condenação do Negro Cosme, em 1842[38], estando envolvidos vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados. Seriam esses Capoeiras remanescentes da Balaiada?

Dunshee de Abranches em “O Captiveiro”[39], de 1941, livro de memórias escrito em 1938 para comemorar o cinqüentenário da abolição da escravatura e o centenário da Balaiada, trata de registros de acontecimentos políticos e sociais do Maranhão (GASPAR, 1993)[40]. Numa de suas passagens, descreve as lutas entre brasileiros (cabras) e portugueses (puças), republicanos e monarquistas, abolicionistas e negreiros, que para defenderem seus ideais, passam a criar periódicos e grêmios recreativos de múltiplas denominações para defesa de seus ideais. Dessa mania surge a “Arcadia Maranhense”, e de uma sua dissidência, a “Aurora Litteraria”. Para ridicularizar os membros desta última, aparece um jornaleco denominado “Aurora Boreal”: “… só faltava fundar-se o Club dos Mortos. E justificou [Raymundo Frazão Cantanhede] tão original proposta dizendo que, se tal fizesse, iríamos além dos positivistas: ficaríamos mortos-vivos e assim seríamos governados por nós mesmos”. (ABRANCHES, 1941:174). O Clube dos Mortos reunia-se no porão da casa dos Abranches, no início da Rua dos Remédios, conforme relata Dunshee de Abranches (1941) em suas memórias:

“E como não era assoalhado nem revestido de ladrilhos, os meus paes alli instalaram apparelhos de gymnastica e de força para exercícios physicos (…) E, não raras noites, esse grupo juvenil de improvisdos athletas e plumitivos patriotas acabava esquecendo os seus planos de conjuração e ia dansar na casa do Commandante Travassos…” (p. 187-188).

 

O “Club dos Mortos” envolveu-se, ainda, nas disputas entre caixeiros e estudantes por causa de duas artistas de um circo, instalado no Tívoli. Para enfrentar os empregados do comércio, na sua maioria homens feitos, os preparatorianos (estudantes do Liceo) reuniram-se no pátio do colégio para selecionar os melhores atletas para a defesa. Fundaram, assim, o Club Roncador, que guardavam suas armas na casa dos Abranches:

”… veio dahi uma grande amizade dos campeões dos murros e dos cambitos (synonimo de rasteira naquella época) pelo Club dos Mortos“. (p. 190-191). (grifos meus).

 

MARTINS (1989) [41], aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877:

“JOGO DA CAPOEIRA “Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da Rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. ( p. 179) 

 

E A “CARIOCA”?

Soares (2005)[42], em “Capoeira no Pará: resistência escrava e cultura popular, 1849-1890”, ao referir-se a acontecimentos na Corte, compara-o à situações vividas em Belém, no ano de 1849. Refere-se, mais adiante, a recente trabalho de Vicente Salles (A defesa pessoal do negro: a capoeira no Pará, 1994)[43] que revela a antiguidade da capoeira paraense, seu enraizamento, sua proximidade com a capoeira praticada no Rio de Janeiro e Bahia, e sua peculiaridade regional.

Soares (2005)[44], se referindo a acontecidos nos anos de 1890, discorre:

Sintomático também em Belém, muito precocemente, também fosse palco da Carioca, como nos mostra ofício […] descreve uma patrulha na região de Ver-O-Peso: ‘estive em patrulha […] quando vimos alguns individuos pulando jogando carioca.” [45]

 

Para Albuquerque[46], o êxito da economia paraense atraiu para a região amazônica, entre 1890 e 1910, trabalhadores nordestinos e imigrantes europeus, principalmente portugueses. A interação entre esses trabalhadores levou à incorporação pela capoeira paraense de armas próprias às lutas portuguesas, assim como golpes e hábitos dos capoeiristas baianos, cearenses e pernambucanos. No Rio de Janeiro, essa convivência entre negros, imigrantes pobres e migrantes de diversas regiões do país nas ocupações braçais, principalmente na estiva, ampliou, ainda mais, os tipos sociais que praticavam capoeira. Entre os praticantes estavam portugueses, espanhóis e italianos que trabalhavam no porto, operários nordestinos, soldados, brasileiros brancos e pobres. Não eram apenas os negros que podiam ser facilmente identificados como capoeiras pelo andar gingado, as calças de boca larga e a argolinha de ouro na orelha, sinais de valentia.

Soares (2005) considera que a repressão desencadeada em 1890, a criminalização no novo código penal da República, teria obrigando os praticantes a encontrar novas formas de dissimulação, para ocultar-se da atenção das autoridades. Nos últimos anos do século XIX, no Rio de Janeiro teria aparecido a chamada Pernada Carioca, que consistia de golpes da capoeira tradicional, como a rasteira, camuflados em nova roupagem.

Miltinho Astronauta, ao referir-se à Pernada de Sorocaba[47], na Capital Paulista, e à outra “espécie de capoeira”, a Tiririca, comenta que, aparentemente, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.  Refere-se ainda ao Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) que relata que foi encontrada capoeira no interior paulista entre o final do século XIX e início do século XX. Trata-se de levas de capoeiras soltas nas pontas dos trilhos da Sorocabana, que tinha como destino final a cidade de Botucatu. Na verdade eram capoeiras desterrados do Rio em consequência do Código Penal de 1890 [48].

Na Bahia, era o batuque o escalão inicial para a capoeira; no Rio de Janeiro, era e é a pernada, banda ou batuque a forma de ataque e defesa preferida pelo carioca; no Maranhão, a punga, associada ao tambor-de-crioula, parece preencher a mesma função. Já no Recife, a capoeira, desaparecida em conseqüência de vigorosa reação policial, se transfigurou no passo.[49]

Soares (2005)[50] considera que a identificação da ‘capoeira’ como ‘carioca’, simplificação de ‘pernada carioca’ acontece pela dissimulação dos praticantes para fugir aos rigores da repressão do chefe de polícia Sampaio Ferraz, quando da criminalização da prática da capoeira, pelo Código de 1890.

Gil Velho coloca que a capoeira do século XIX morre com o advento da República. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano – e positivista – e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada:

Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social. […] “(CAVALCANTI, 2008) [51]

 

Negros que vão levar açoutes  Briggs del.   Litho. R.B.   Rua do Ouvidor nº 118. Source: Biblioteca Nacional, acervo de gravuras sobre escravatura

 

Mas seis anos antes (1884) aparece sua proibição no Código de Posturas de Turiaçú – Lei 1342, de 17 de maio de 1884 -, e já identificada como “o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca”…

 

[1] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Capoeira/Capoeiragem no Maranhão. In DACOSTA, Lamartine Pereira da (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em

http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/181.pdf; http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=905

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://cev.org.br/comunidade/maranhao/debate/a-carioca-inicio-estudo

http://colunas.imirante.com/leopoldovaz/category/capoeira/

[2] http://www.jornalexpress.com.br/

[3] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O MUNDO DE PERNAS PARA O AR: A CAPOEIRA NO BRASIL. 2. ed. São Paulo: Publisher Brasil/ FAPESP, 1997. v. 1.

[4] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[5] FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008 disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[6] http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf  – A Capoeira Desportiva é o mais antigo segmento organizado da Capoeira. Surgiu no Rio de Janeiro após a Proclamação da República, no Brasil, em 1889. É resultante do reaproveitamento da corporalidade da antiga capoeiragem, em seus gestos e movimentos, para a construção de um método ginástico caracterizado por uma forma de luta sistematizada. Em 1904 surgiu um livreto anônimo, sob o nome: Guia do Capoeira ou Gymnastica Brazileira, com algumas propostas deste reaproveitamento, no qual se encontram as letras ODC, que significam “ofereço, dedico e consagro”, no caso “à distinta mocidade”. Foi somente em 1928 que a Capoeira Desportiva foi metodizada e estruturada por seu precursor, Annibal Burlamaqui, conhecido pelo nome de Zuma, o qual elaborou a primeira Codificação Desportiva da Capoeira, sob o título de: Gymnastica Nacional (Capoeiragem) Methodizada e Regrada. Sua obra.

[7] http://4.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SWfpDlAQZ6I/AAAAAAAAC68/mfXW2md8_IM/s1600-h/punga.gif, in Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[8] FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008. Nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009, disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[9] LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro,2004

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO E NO MUNDO. – histórias & fundamentos, Administração geral, administração pública, jornalismo. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição elertrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2004.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 2 ed.  Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. L´ART DE LA CAPOEIRA À RIO DE JANEI, AU BRÉSIL ET DANS LE MONDE. Littérature de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 4 ed. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2007.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006.

[10] LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

[11] Gil Cavalcanti, o Mestre Gil Velho, geógrafo, é coordenador do Projeto Memorial da Capoeira Pernambucana, do Programa Capoeira Viva, do Ministério da Cultura, 2008

[12] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)

[13] O Savate ou boxe francês, é um desporto de combate, desenvolvido na França na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. Um praticante de savate é chamado savateur e uma praticante de savate é chamada savateuse. http://pt.wikipedia.org/wiki/Savate

[14] SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

[15] CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

[16] HEICKEL, Marco Aurélio. Tambor de Crioulo. In DACOSTA, Lamartine Pereira da  (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf.

Ver também:  http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=609

[17] FERRETI, Sérgio. Mário De Andrade E O Tambor De Crioula Do Maranhão. (Trabalho apresentado na MR 07 – A Missão de Folclore de Mário de Andrade, na VI Reunião Regional de Antropólogos do Norte e Nordeste, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, UFPA/MEG, Belém 07-10/11/1999. In REVISTA PÓS CIÊNCIAS SOCIAIS – São Luís, V. 3, N. 5, Jan./Jul. 2006, disponível em http://www.pgcs.ufma.br/Revista%20UFMA/n5/n5_Sergio_Ferreti.pdf

[18] O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana praticada por descendentes de negros no Maranhão em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas juninas. Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula“.

[19] CARNEIRO, Edison. FOLGUEDOS TRADICIONAIS. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; 1982., 1982 (p. 109), nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009

[20] LACÉ LOPES, André. Capoeiragem. In DACOSTA, Lamartine (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 10.2-10.4, disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

[21] http://www.casadobacalhaupb.com.br/v2/fado.php, referencia de Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[22] TINHORÃO, José Ramos. HISTÓRIA SOCIAL DA MUSICA POPULAR BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Editpora 34, 2001, disponiverl em http://books.google.es/books?id=8qbjll0LmbwC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false

[23] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio.Punga dos Homens e Capoeira do Maranhão. In DACOSTA, Lamartine Pereira da  (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf

HEICKEL, Marco Aurélio. Tambor de Crioulo. In DACOSTA, Lamartine Pereira da  (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf

[24] Venho me utilizando do termo “capoeiragem” para a prática da capoeira como uma espécie de briga abrasileirada de rua, conforme definição de André Lacé Lopes, no Atlas do esporte no Brasil. In http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

[25] ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46, Coleção de Obras Raras, Biblioteca Pública Benedito Leite.

[26] FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008. Nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009 disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[27] CARNEIRO, Edison, DINÂMICA DO FOLCLORE, Rio de Janeiro:O Autor, 1950.Citado por FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008.

[28] TINHORÃO, José Ramos. OS SONS DOS NEGROS NO BRASIL: CANTOS, DANÇAS, FOLGUEDOS: ORIGENS. São Paulo: Art Editora, 1988.

[29] CATUNDA, Eunice, Capoeira no Terreiro de Mestre Waldemar, Fundamentos—Revista de Cultura Moderna, nº30, São Paulo, 1952, pp. 16–18.

[30] Carneiro, Edison, DINÂMICA DO FOLCLORE, Rio de Janeiro: O Autor, 1950

[31]  CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972

[32]  http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

[33] CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972

[34] http://pt.wikipedia.org/wiki/Lundu

[35] ECCHO DO NORTE – jornal fundado em 02 de julho de 1834,  e dirigido por João Francisco Lisboa, um dos líderes do Partido Liberal. Impresso na Typographia de Abranches & Lisboa, em oitavo, forma de livro, com 12 páginas cada número. Sobreviveu até 1836  in VIEIRA FILHO, 1971, p. 36.

[36] Mathias Assunção acredita que se estava referindo a capoeira ‘mato, ‘[…] que não consegue derrubar[…]’. Mas ‘mato’ agride, rouba, mata?

[37] CASTRO, César Augusto. INFÂNCIA E TRABALHO NO MARANHÃO PROVINCIAL – uma história da casa dos Educandos Artífices (1841-1889). São Luís: EdFUNC, 2007.

[38] ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001

[39] DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, João. O CAPTIVEIRO (memórias). Rio de Janeiro: (s.e.), 1941.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. DUNSHEE DE ABRANCHES. Discurso de posse no Instituto Histórico e geográfico do Maranhão, em 03 de setembro de 2008.

[40] GASPAR, Carlos. DUNSHEE DE ABRANCHES. São Luís : (s.e.), 1993. (Discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a 28.jul.92).

[41] MARTINS, Dejard. ESPORTES: UM MERGULHO NO TEMPO. São Luís: (s.n.),

[42] SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Capeira no Pará: Resistência escrava e cultura popular (1849-1890). In COELHO, Mauro Cezar; GOMES, Flávio dos Santos; QUEIROZ, Jonas Marçal; MARIN, Rosa E. Acevedo; PRADO, Geraldo (Org). MEANDROS DA HISTÓRIA: trabalho e poder no Pará e Maranhão, séculos XVIII e XIX. Belém: UNAMAZ, 2005, p. 144-160.

[43] SALLES, Vicente. A DEFESA PESSOAL DO NEGRO: A CAPOEIRA NO PARÁ. Micro-edição do autor, 1964, citado por SOARES, 2005, op. Cit.

[44] SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Capeira no Pará: Resistência escrava e cultura popular (1849-1890). In COELHO, Mauro Cezar; GOMES, Flávio dos Santos; QUEIROZ, Jonas Marçal; MARIN, Rosa E. Acevedo; PRADO, Geraldo (Org). MEANDROS DA HISTÓRIA: trabalho e poder no Pará e Maranhão, séculos XVIII e XIX. Belém: UNAMAZ, 2005, p. 144-160.

[45] (AE. Secretaria de Segurança Pública. Autos-Crimes, 22/09/1892).

[46] ALBUQUERQUE, Wlamyra Ribeiro de. UMA HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL, nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/19/2009, disponível em http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%20no%20brasil_cap09.pdf

[47] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Pernada de Sorocaba. In JORNAL DO CAPOEIRA, 29 de outubro de 2004, disponível em http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=3

[48] MILTINHO ASTRONAUTA, CAPOEIREIRO Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa in http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=713

[49] CARNEIRO, Edison in Folguedos Tradicionais disponível em  http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_carneiro_capoeira.html

[50] SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Capeira no Pará: Resistência escrava e cultura popular (1849-1890). In COELHO, Mauro Cezar; GOMES, Flávio dos Santos; QUEIROZ, Jonas Marçal; MARIN, Rosa E. Acevedo; PRADO, Geraldo (Org). MEANDROS DA HISTÓRIA: trabalho e poder no Pará e Maranhão, séculos XVIII e XIX. Belém: UNAMAZ, 2005, p. 144-160.

[51] CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

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PUNGA DOS HOMENS / TAMBOR-DE-CRIOULO(A) – algumas considerações…

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PUNGA DOS HOMENS / TAMBOR-DE-CRIOULO(A)

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

 

Origens – Informa Mestre Bamba – Kleber Umbelino Lopes Filho – que no município de Itapecurú-Mirim, junto a remanescentes quilombolas, no Povoado de Santa Maria dos Pretos encontrou uma variação do Tambor-de-Crioula em que os homens participam da roda de dança – “Punga dos Homens” – em que utilizam movimentos semelhantes ao da capoeira. Mestre Bamba identificou semelhança entre esses movimentos com os descritos por Mestre Bimba. Descreve assim essa manifestação: os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga –

– Pungada na Coxa -também chamado “bate-coxa”, aplicado na coxa, de lado, para derrubar o adversário; segundo Bamba, achou-o parecido com a “pernada carioca” ou mesmo com o “batuque baiano”;

– Pungada Mole -o mesmo movimento, aplicado nos testículos, de frente; aquele que recebe, protege “as partes baixas” com as mãos …

– Pungada Rasteira/Corda -semelhante à “negativa de dedos (sic)”, de Bimba;

– Queda de Garupa -lembra o Balão Costurado, de Bimba.

De acordo com Mestre Marco Aurélio, a Punga era prática de homens, antigamente; após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade, que passa a ser dançada por mulheres, apenas.

 

1820 – desde 1820 há referencia à Punga, com a participação unicamente de/por homens: “Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice” (Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005). Informa que há uma referência em Dunshe de Abranches, porém não a encontramos. Em o Captiveiro, Dunshe de Abranches se refere ao “Club dos Mortos”, e que os membros desse clube se envolveram nas disputas entre caixeiros e estudantes por causa de duas artistas de um circo, instalado no Tívoli. Para enfrentar os empregados do comércio, na sua maioria homens feitos, os preparatorianos (estudantes do Liceo) reuniram-se no pátio do colégio para selecionar os melhores atletas para a defesa. Fundaram, assim, o Club Roncador, que guardavam suas armas na casa dos Abranches: “…veio dahi uma grande amizade dos campeões dos murros e dos cambitos (synonimo de rasteira naquella época) pelo Club dos Mortos”. (p. 190-191). (grifos meus). Rasteira?  Seria a capoeira? Nada sobre o Tambor-de-crioula e a punga dos homens, nada em “A Setembrada”, nem n’ “A Esfinge do Grajaú”…

 

Em Câmara Cascudo, no verbete “punga”, consta: dança popular no Maranhão, capital e interior … que é a mesma “dança do tambor”. A punga é também chamada “tambor de crioula”. Há também referencia a grafia “ponga”, que como se sabe é um jogo. Crê Câmara Cascudo que punga é um termo em uso apenas no Maranhão e significa, na dança em questão, a umbigada, a punga. A punga seria uma dança cantada mas sem versos próprios, típicos. Geralmente são improvisados na hora, quando as libações esquentam a cabeça e despertam a “memória” do “tiradô” de versos. Após descrever o que seria a dança do tambor-de-crioula, informa que pong provirá do tupi – soar, bater, ou antes soar por percussão. “O que fervia era o lundum, e estalavam as umbigadas com o nome de ‘pungas’” (p. 742-743).

Remete a Tambor: “… mas a autonomia dos tambores indígenas e sua existência pré-cabralina parecem-me indiscutíveis no Brasil. Dança do Tambor, Tambor-de-Mina, Tambor-de-Crioulo [Tambor-de-Crioulo?]. As danças denominadas ‘do Tambor’ espalham-se pela Ibero-América. No Brasil, agrupam-se e são mantidas pelos negros e descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos, especialmente no Maranhão. [grifos meus]. Conhece-se uma Dança do Tambor , também denominada Ponga ou Punga que é uma espécie de samba, de roda, com solo coreográfico, e os Tambor-de-Mina e Tambor-de-Crioulo, [chamo atenção novamente para a grafia, em masculino], série de cantos ao som de um ferrinho (triangulo), uma cabaça e três tambores, com danças cujo desempenho ignoro.” (p. 850-851).

Informa o ilustre pesquisador, ainda, que uma missão cultural colheu exemplos das músicas utilizadas tanto no Tambor-de-Mina quanto no de Crioulo, em 1938. Estão ligados esses tambores-de-mina-e-de-crioulo às manifestações religiosas dos “terreiros”, ao passo que: “… a punga (dança e batida) parecem alheias ao sincretismo afro-brasileiro na espécie… o Tambor-de-Crioula [já passa a usar no feminino …] é o Bambelô do Maranhão, mas com a circunstância de que só dançam as mulheres. Passa-se a vez de dançar com a punga, que é um leve bater de perna contra perna. Punga é também espécie de pernada do Maranhão: batida de perna contra perna para fazer o parceiro cair.. às vezes o Tambor-de-Crioula termina com a punga dos homens.”. (p. 851).

Por “Pernada”, registra: jogo ginástico, brincadeira de agilidade, entre valentões, malandros e capadócios. É uma simplificação da capoeira… Sua descrição, assemelha-se à da “pungada dos homens”, do Tambor-de-Crioulo(a) (p. 709). Já “bambelô” é descrito como samba, côco de roda, danças em círculo, cantada e acompanhada a instrumentos de percussão (batuque), fazendo figuras no centro da roda um ou dois dançarinos, no máximo. O ético é o vocáculo  quimbundo mbamba, jogo, divertimento em círculo (p. 113).

2005 – Ontem, 10 de agosto, houve uma reunião do Matroá, escola de capoeira de Mestre Marco Aurélio. Mestre Patinho esteve presente, assim como Mestre Didi. Uma verdadeira aula de cultura maranhense. Presentes, também, Domingos de Deus, Luis Senzala, Bamba, Vespasiano, Aziz, Same … Conversas sobre os artigos do Jornal do Capoeira, sobre a Punga dos Homens, e novas informações e esclarecimentos … desafiados para colocarem no papel suas pesquisas – mais de oito anos – sobre essa manifestação: “Há cerca de oito anos, eu e mais outros capoeiras estamos pesquisando a punga, e posso lhe afirmar que apesar da correlação de alguns golpes com a capoeira, esta pode até ter similaridade, mas daí afirmar que é capoeira é outra coisa.” (in correspondência pessoal, de 10 de agosto de 2005).

Uma certeza: punga não é capoeira, embora alguns movimentos se assemelhem … Informa Marco Aurélio: “Ano passado, participei em Salvador, de um Encontro Internacional de capoeira “GINGAMUNDO”. onde coordenei uma grupo do Maranhão, com 25 (vinte e cinco) pessoas entre estas, o Mestre Felipe e outros pungueiros, entre pessoas de um Povoado de Rosário e mais outros coreiros e coreiras, algumas capoeiras angola.  Lá, estavam presentes representantes de outras lutas de origem africana, de países como Angola e Madagascar, porém, a grande vedete do encontro foi a Punga dos Homens… Estavam presentes neste encontro, além de mestres antigos, tais como João Pequeno, João Grande, Mestre Boa Gente, também haviam pesquisadores de renome como Jair Moura, Carlos Líbano Soares, Fred Abreu, Mathias Röhring Assunção, etc”.(in correspondência pessoal).

Prosseguindo, sobre as origens da Punga, Câmara Cascudo registra o termo “Bate-coxa”, uma manifestação das Alagoas: uma dança ginástica: “a dança do bate-coxa não se confunde com a capoeira. Os praticantes são da mesma origem, descendentes de escravos”. Acredita Câmara Cascudo que o bate-coxa seja mais violento, onde os dois contendores, sem camisa, só de calção, aproximam-se, colocando peito a peito, apoiando-se só nos ombros, direito com direito. Uma vez apoiados os ombros, ao som do canto de um grupo que está próximo, ao ouvir-se o ê boi, ambos os contendores afastam a coxa o mais que podem e chocam-se num golpe rápido. Depois da batida, a coxa direita com a coxa direita, repete a esquerda, chocando-se bruscamente ao  ouvir o ê boi do estribilho. A dança prossegue até que um dos contendores desista e se dê por vencido.

Por “capoeira” registra: jogo atlético de origem negra, ou introduzida no Brasil por escravos bantos[1] de Angola, defensivo e ofensivo, espalhado pelo território e tradicional no Recife, cidade de Salvador e Rio de Janeiro, onde são reconhecidos os mestres, famosos pela agilidade e sucessos. Informa o grande folclorista  que, na Bahia, a capoeira luta com adversários, mas possui um aspecto particular e curioso, executando-se amigavelmente, ao som de cantigas e instrumentos de percussão, berimbaus, ganzá, pandeiro, marcando o aceleramento do jogo o ritmo dessa colaboração musical. No Rio de Janeiro e Recife não há, como não há notícia noutros Estados, a capoeira sincronizada, capoeira de Angola e também o batuque-boi. Refere-se, ainda, à rivalidade dos guaiamus e nagôs, seu uso por partidos políticos e o combate a eles pelo chefe de Polícia, Sampaio Ferraz, no Rio de Janeiro, pelos idos de 1890. O vocábulo já era conhecido, e popular, em 1824, no Rio de Janeiro, e aplicado aos desordeiros que empregavam esse jogo de agilidade.

No ano de 1926, foi publicada uma série de artigos sobre “Capoeira e Capoeiragem” no jornal Rio Sportivo, edições de 16/06, 19/07, 6 e 16/09, 18/10, escritos por Adolfo Morales de Los Rios. [Miltinho, acredito que André Lace poderia recuperar esses artigos e incluí-los em “Literatura Clássica”, com comentários …]

Por “Batuque” – dança com sapateados e palmas, ao som de cantigas acompanhadas só de tambor quando é de negros ou também de viola e pandeiro “quando entra gente mais asseada”. Batuque é denominação genérica de toda dança de negros na África. Batuque é o baile. De uma descrição de um naturalista alemão, em visita às Gerais, em 1814/15, ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]. Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, talqualmente a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola. É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos) – a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar aposição primitiva.

Do vocábulo “batuque-boi”, registra: espécie de Pernada. Bahia. Voltemos a Pernada. Câmara Cascudo  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam, os marinheiros, que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Ainda Edson Carneiro (Dinâmica do Folklore, 1950) informa ser o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

O batuque na Bahia se chama batuque, batuque-boi, banda, e raramente pernada – nome que assumiu no Rio de Janeiro… Ficaram famosos como mestres na arte do batuque, Angolinha, Fulo, Labatut, Bexiga Braba, Marcelino Moura… A orquestra das rodas de batuque era a mesma das rodas de capoeira – pandeiro, ganzá, berimbau.

 

Fontes: Carlos Carvalho Cavalheiro; Luís da Câmara Cascudo – “Dicionário do Folclore Brasileiro”. 3 ed. Rio de janeiro: Tecnoprint, 1972; Marco Aurélio Haickel. Jornal do Capoeira..

 

 


TAMBOR-DE-CRIOULO(A)

 

MARCO AURÉLIO HAICKEL

 

O Tambor de Crioula, manifestação popular genuinamente afromaranhense, de caráter lúdico, é tradicionalmente identificada como “festa de preto”, assim como onde houvesse instrumentos de sopro, tinha-se como “festa de branco”. Dessa forma, à exceção do período da quaresma “hoje em dia, até nesta época ” toca-se o tambor de crioula durante o ano inteiro, seja festa ou o evento que for: Carnaval, aniversário, Divino, nascimento, São João, São Pedro, falecimento, ou mesmo uma simples confraternização de fundo do quintal. A festa de São Benedito ocorre entre agosto e novembro, tendo em vista os costumes de cada lugar, mas, sempre durante a fase da lua cheia.

Apesar do aspecto lúdico prevalecer, brincantes (coreiros e coreiras) mais antigos, na sua quase totalidade são devotos de São Benedito, a constatar pelas centenas de grupos de tambor de crioula existentes: “Brincadeira de S. Benedito”, “Unidos de S. Benedito”, “Filhos de S. Benedito”, “Orgulho de S. Benedito”, etc., acrescentando-se que ao início de cada “brincada”, a primeira salva é dirigida ao Santo, que no culto religioso de influência africana, hegemônico no Maranhão, Mina (com tradição Jeje-Nagô), é relacionado à divindade Vodun, Avêrêkête.

Os tambores, em número de 03 (três), constituem o que se denomina parelha, assim definidos: tambor do meio, meião ou socador, o tambor menor, pererengue, merengue ou crivador, seguido do tambor grande, sulador, ou roncador. O meião inicia e, marca o toque, seguido do pererengue, que faz o contratempo, logo após o tambor grande entra, com o seu roncado característico, definindo a punga.

Conforme as regiões do Estado onde o tambor de crioula se faz presente, define-se o sotaque (forma apropriada de tocar, cantar, dançar, pungar e se expressar). O sotaque, que pode representar sutis diferenças, ou mesmo nem ser percebido pelos leigos, demonstra uma forte característica entre os brincantes, assim, a depender do sotaque, o meião só começa a tocar, após o início do canto, e conforme o ritmo empreendido pelo cantador (acelerado ou compassado), ou o contrário, o meião inicia dando o ritmo e, o cantador acompanha-o, puxando o canto, mas em todo o caso, o pererengue sempre entra após o meião, fazendo o contra-tempo, logo em seguida, o tambor grande se faz ouvir, e livre para solar, evolui numa diversidade de toques até alcançar seu ápice, a punga.

Entre os sotaques mais conhecidos está o “de Guimarães”, “Alcântara”, ou “do litoral”, neste, a “brincadeira” acontece num pique frenético, outro, é o sotaque “da Baixada”, mais compassado e de rica variedade rítmica, há ainda os sotaques “de Rosário” e “do Munim”, que por fazerem parte dos caminhos dos boiadeiros, trazendo e levando gado de norte a sul, sofreram fortes influências destes, com seus aboios. Os cantos seguem a mesma tendência, podendo ser guturais ou bem definidos. O sotaque define ainda, o uso ou não de baquetas, as quais, quando se fazem presentes são repenicadas na costa do tambor grande, com mais raridade, algumas “brincadeiras” utilizam baquetas (finas e flexíveis) no couro do pererengue.

Os tipos de madeira para a confecção dos tambores são diversos, variando quanto ao peso e sonoridade, sendo umas mais leves e outras mais pesadas, a exemplo do mangue branco ou siriba, pequiá, faveira, etc. A feitura dos mesmos requer um certo ritual, que compreende desde a identificação da árvore, o sangramento desta, durante certa fase da lua, bem como outras particularidades.

Conforme o lugar, a exemplo de São Luís, a dança é exclusividade das mulheres, há, no entanto, homens que dançam, mas neste caso, requer usarem saia. A dança das mulheres se reveste de pura sensualidade e com belas evoluções, onde o ápice acontece quando a mulher, após saldar os tambores menores dançando, mostra-se de frente ao tambor grande, e os dois como que numa simbiose evoluem desafiando-se, até realizarem a punga. O toque dos tambores é predominantemente realizado por homens, apesar de que em alguns lugares a mulher toca, porém, quando se trata de tocar o tambor grande, aquela o faz ao lado deste, nunca sobre, mas, é na capital, onde já há grupos constituídos exclusivamente por jovens, que as mulheres se fazem mais presentes na batida dos tambores.

A punga dos homens, ao contrário da punga das mulheres (umbigada), não acontece em todas as “brincadas de tambor”, sendo encontrada mais comumente em comunidades rurais. Acontece ao lado da roda das mulheres, geralmente em areal, e conforme o lugar é aplicado com mais ou menos intensidade, quando mais vigorosa, não é raro ver homens ao chão, com menos vigor, acontece somente um leve bater de coxas, no entanto, vale ressaltar que nos lugares onde ocorrem as derrubadas, com o avançar das horas, os coreiros já sob os efeitos da cachaça, intensificam-nas em quantidade e vigorosidade, sem que haja, no entanto, qualquer incidente grave.

O Maranhão, pelas suas características geográficas, em tempos remotos era um manancial natural de alimentos (até hoje, apesar do desmatamento), tornando-se morada de inúmeras nações indígenas, atualmente, espalhadas ao longo do Brasil Central. Acolheram levas de escravos insurgentes, seja nas aldeias, ou tolerando a formação de (inúmeros) quilombos, mas o certo é que desses ajuntamentos, formou-se o que comumente se reconhece como terras de índio (que não são áreas indígenas) e, terras de preto, entre estas últimas, muitas foram identificadas como verdadeiros quilombos (Projeto “Vida de Negro”, da Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos) daí, que as características físicas de muitos habitantes de inúmeras comunidades rurais maranhenses, demonstram de forma singular, expressões indígenas e africanas.

A forte miscigenação ocorrida entre as populações africanas e ameríndias, somadas à cultura européia, em menor escala, derivou numa profusão de manifestações populares onde, em relação ao som, predominou a cultura africana com seus ritmos e tambores, no movimento, o predomínio tornou-se da cultura indígena, pois esteja o som sob um embalo mais frenético ou compassado, aquele se faz miúdo, e por último, não há como negar a preponderância do guarda roupa europeu, tendo em vista o pudor deste em relação à nudez indígena e, à sensualidade africana. Vale ressaltar, que ainda há muitas pesquisas a serem feitas, mas esses três elementos culturais são evidentes.

A cantoria do tambor dá-se por um cantador/puxador e, um coro respondendo, seu conteúdo, diverso e revestido de picardia, onde os cantadores costumam saudar São Benedito, fazerem choça uns com os outros, cantarem seus lugares, etc., tudo, dentro do ritmo e de uma métrica, que se não for respeitada, é simplesmente desconsiderada.

Como todas as tradições, o tambor sofreu alterações, uma delas a participação de mulheres, como forma de abrandar a repressão, uma vez que era reconhecida pela sua agressividade, sendo vista inclusive como luta, pelas “autoridades” da época. Tem-se que o termo tambor de crioula é mais recente do que a própria manifestação, uma vez que antes de 13 de maio de 1888, as mulheres com raridade, participavam, pois sendo extremamente vigorosa sua prática traduzia uma maneira de deixar os guerreiros em forma, capazes de enfrentar as adversidades da época, talvez daí tenha-se originado um ditado antigo, ainda hoje pronunciado a respeito em relação à manifestação: tocado a murro, dançado a coice e afinado a fogo.

Enquanto manifestação, não há como dissociar homens e mulheres, vez que para acontecer a brincadeira requer a participação de todos tocando, cantando, dançando, evoluindo e pungando, uma verdadeira festa, que contagia quem estiver presente.

 

[1] Bantos – grupo de cerca de 50 milhões de homens na África Central e SE, falando 254 línguas e dialetos aparentados. Banto é família lingüística e não etnográfica ou antropológica.

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A MARINHA E A CAPOEIRAGEM – artigo publicado em NAVIGATOR 23, disponibilizado esta semana pela MARINHA DO BRASIL

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A MARINHA E A CAPOEIRAGEM

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

RESUMO

Analisa-se o termo ‘capoeira’, para se estabelecer sua historicidade, e os principais acontecimentos em que se envolveram a Marinha – de Guerra e a Mercante – com a Capoeira(gem) e os Capoeiras.

Palavras-chave: MARINHA; CAPOEIRA; HISTÓRIA

 

ABSTRACT

Analyzes the term ‘capoeira’, to establish its historicity, and the major events that have engaged the Navy – War and Merchant – with Capoeira(gem ) and the Capoeiras .

Keywords: NAVY ; CAPOEIRA; HISTORY

 

 

 

O que é ‘capoeira’?[1] Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi [2]; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. Data de 1577 primeiro registro do vocábulo “capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) [3].

DEBRET – 1816/1831

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e outras aves (Rego, 1968): […] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira[4].

Por Capoeira deve-se entender “individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno“?  Ou conforme a conceitua Araújo (1997) [5] ao se perguntar “mas quem são os capoeiras? e por capoeiragem como: “a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo: “os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes lúdica, de defesa pessoal e desportiva”? (p. 70). Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (p. 79): “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores)[6]. Ou devemos entendê-la como:

[…] Desporto de Criação Nacional, surgido no Brasil e como tal integrante do patrimônio cultural do povo brasileiro, legado histórico de sua formação e colonização, fruto do encontro das culturas indígena, portuguesa e africana, devendo ser protegida e incentivada” (Regulamento Internacional da Capoeira); assim como Capoeira, em termos esportivos, refere-se a ‘… um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, agogô e reco-reco). Enfocado em sua origem como dança-luta acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginásticas, dança esporte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica. (Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 39-40).

 

Considera-se como prática do desporto formal da Capoeira sua manifestação cultural sistematizada na relação ensino-aprendizagem, havendo um ou mais docentes e um corpo discente, onde se estabelece um sistema de graduação de alunos e daqueles que ministram o ensino, havendo uma identificação indumentária por uniformes e símbolos visuais, independentemente do recinto onde se encontrarem.

Considera-se como pratica desportiva não formal da Capoeira sua manifestação cultural, sem qualquer uma das configurações estabelecidas pelo Artigo anterior, e que seja praticada em recinto aberto, eminentemente por lazer, o que caracterizará a liberdade lúdica de seus praticantes:

Capoeirajogo atlético de origem negra, ou introduzida no Brasil por escravos bantos de Angola, defensivo e ofensivo, espalhado pelo território e tradicional no Recife, cidade de Salvador e Rio de Janeiro, onde são reconhecidos os mestres, famosos pela agilidade e sucessos. Informa o grande folclorista  que, na Bahia, a capoeira luta com adversários, mas possui um aspecto particular e curioso, executando-se amigavelmente, ao som de cantigas e instrumentos de percussão, berimbaus, ganzá, pandeiro, marcando o aceleramento do jogo o ritmo dessa colaboração musical. No Rio de Janeiro e Recife não há, como não há notícia noutros Estados, a capoeira sincronizada, capoeira de Angola e também o batuque-boi. Refere-se, ainda, à rivalidade dos guaiamus e nagôs, seu uso por partidos políticos e o combate a eles pelo chefe de Polícia, Sampaio Ferraz, no Rio de Janeiro, pelos idos de 1890. O vocábulo já era conhecido, e popular, em 1824, no Rio de Janeiro, e aplicado aos desordeiros que empregavam esse jogo de agilidade. (Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore) [7].

 

Capoeiragem”, de acordo com o Mestre André Lace: ”uma luta dramática” (in Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 386-388).

Para a capoeira, apresentam-se quatro momentos importantes: finais do século XIX, quando a prática da capoeira é criminalizada; décadas de 30/40, quando ocorre sua liberação; década de 70, quando se torna oficialmente um esporte; e o reconhecimento como patrimônio imaterial do povo brasileiro.

Do Atlas do Esporte no Brasil[8]:

Origens e Definições A capoeira é hoje um dos esportes nacionais do Brasil, embora sua origem seja controvertida. Há uma tendência dominante entre historiadores e antropólogos de afirmar que a Capoeira surgiu no Brasil, fruto de um processo de aculturação ocorrido entre africanos, indígenas e portugueses. Entretanto, não houve registro de sua presença na África bem como em nenhum outro país onde houve a escravidão africana. Em seu processo histórico surgiram três eixos fundamentais, atualmente denominados de Capoeira Desportiva, Capoeira Regional e Capoeira Angola, os quais se associaram ou se dissociaram ao longo dos tempos, estando hoje amalgamados na prática. Desde o século XVIII sujeita à proibição pública, ao longo do século XIX e até meados do século XX, ela encontrou abrigo em pequenos grupos de praticantes em estados do sudeste e nordeste. Houve distintas manifestações da dança-luta na Bahia, Maranhão, Pará e no Rio de Janeiro, esta última mais utilitária no século XX. Na década de 1970 sua expansão se iniciou em escala nacional e na de 1980, internacional.

Embora sejam encontrados diversos significados para o vocábulo “capoeira”, cada qual se referindo a objetos, animais, pessoas ou situações, em termos esportivos, trata-se de um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, pandeiro, agogô e reco-reco). Enfocada em suas origens como uma dança-luta, acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginástica, dança, esporte, arte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica. [9], [10].

 

Na pesquisa realizada pelo IPHAN, ela é definida como:

[…] um fenômeno urbano surgido provavelmente nas grandes cidades escravistas litorâneas, que foi desenvolvido entre africanos escravizados ligados às atividades “de ganho” da zona portuária ou comercial. A maioria dos capoeiras dessa época trabalhava como carregador e estivador, atividades muito ligadas à região dos portos, e muitos realizavam trabalho braçal.[11]

 

Seguindo a justificativa do IPHAN[12], a partir de 1890, quando a capoeira foi criminalizada, através do artigo 402 do Código Penal, como atividade proibida (com pena que poderia levar de dois a seis meses de reclusão), a repressão policial abateu-se duramente sobre seus praticantes. Os capoeiristas eram considerados por muitos como “mendigos ou vagabundos”. Outras práticas afro-brasileiras, como o samba e os candomblés, foram igualmente perseguidas. Mais adiante, durante a República Velha, a capoeiragem era uma manifestação de rua, afrodescendente, e muitos dos seus praticantes tinham ligações com o candomblé, o samba e os batuques. A iniciação dos capoeiras nessas atividades acontecia provavelmente na própria família, no ambiente de trabalho e também nas festas populares.  Ainda sobre o universo das ruas, estudiosos revelam que o cancioneiro da capoeira se enriqueceu dos cantos de trabalho, e que o trabalhador de rua, em momentos lúdicos ou de conflitos, também se utilizava dos golpes e movimentos da capoeira.

Já na década de 1920, com o apoio fundamental de intelectuais modernistas que procuraram reconstituir as bases ideológicas da nacionalidade, as práticas afro-brasileiras começaram a ser discutidas, e passaram a constituir um referencial cultural do país.  Ao final dos anos 30  a capoeira foi descriminalizada e passou de um extremo a outro, a ponto de ser defendida por historiadores e estudiosos como esporte nacional, considerada a verdadeira ginástica brasileira.  A manifestação já foi apontada como esporte, luta e folguedo, e era praticada por diferentes grupos sociais, principalmente a partir do século XX. Assim, em 1937:

[…] a capoeira começou ser treinada como uma prática esportiva, e não apenas como uma “vadiação” de rua. Neste mesmo ano Mestre Bimba criou o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional da Bahia. A capoeira regional nasceu como forma de transformar a imagem do capoeira vadio e desordeiro em um desportista saudável e disciplinado. Ele criou estatutos e manuais de técnicas de aprendizagem, descreveu os golpes, toques, cantos, indumentárias especiais, batizados e formaturas. Em seguida, Mestre Pastinha fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola , em 1941, e assim este estilo passou a ser ensinado através de métodos próprios. A ideia da capoeira como arte marcial brasileira criou polêmica, pois era defendida por uns e criticada por outros, principalmente pelos angolanos, que afirmavam a ancestralidade africana do jogo.[13].

 

JOÃO MOREIRA (TENENTE AMOTINADO)

O primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’. Viam os negros escravos como o ‘amotinado’ se defendia quando era atacado por quatro ou cinco homens, e aprenderam seus movimentos, aperfeiçoando-os e desdobrando-os em outros dando a cada um o seu nome próprio. “Como não dispunham de armas para sua defesa uma vez atacados por numeroso grupo defendiam-se por meio da ‘capoeiragem’, não raro deixando estendidos por uma cabeçada ou uma rasteira, dois ou três de seus perseguidores” (Hermeto Lima, 1925) [14]. Macedo (1878) [15] afirma que “o Tenente ‘Amotinado’ era de prodigiosa força, de ânimo inflamável, e talvez o mais antigo capoeira do Rio de Janeiro, jogando perfeitamente, a espada, a faca, o pau e ainda de preferência, a cabeçada e os golpes com os pés” [16].

 

A MARINHA E A CAPOEIRAGEM

O primeiro episódio que se tem notícia do envolvimento da Marinha com os capoeiras deu-se durante a revolta das tropas estrangeiras no Rio de Janeiro em 1828 [17]. Pol Briand[18] cita o Relatório de Le Marant, em que o almirante, no pedido de D. Pedro I, botou tropas de marinha em terra para guardar o Palácio e o Arsenal da Marinha, enquanto as tropas brasileiras saiam destes lugares para abafar a revolta.  Diz-se que foram os capoeiras que dominaram a revolta, derrotando as tropas estrangeiras sublevadas. Para Briand, a aparição do termo capoeira na relação da revolta das tropas estrangeiras no Rio de Janeiro mostra a invenção interessada de uma tradição da capoeira.

Segundo esse autor, foi Capistrano de Abreu quem denunciou ser o sr. Pereira da Silva  o inventor da intervenção dos capoeiras.[19] Para Briand, todos os escritores anteriores concordam em dizer que as autoridades brasileiras mobilizaram o povo, escravos incluídos, para impedir a comunicação dos três focos da revolta. O populacho (populace) para Debret, [20] os moleques para Walsh[21] massacraram os revoltosos isolados, enquanto as tropas brasileiras, apoiadas por infantaria de marinha francesa e inglesa desembarcada dos navios estacionados na Baia, atacavam com canhões os seus quartéis.

Segundo Álvaro Pereira do Nascimento[22] a Marinha de Guerra, em seus recrutamentos, tinha dentre os vadios e malfeitores, capoeiras. Conforme consta em Relatório do Ministro da Marinha (1888 “Annexos”) nota-se que, de 1840 a 1888, foram recrutados à força 6.271 homens para o Corpo de Imperiais Marinheiros, e recebidos somente 460 voluntários. Essa diferença com certeza asseverava o dito por vários ministros da Marinha ao longo do século XIX e início do XX, isto é, a falta de voluntários levava ao imediatismo do recrutamento forçado[23]:

Entre as autoridades civis, os chefes de polícia eram o braço direito do ministro da Justiça e dos presidentes de província para assuntos de alistamento, e precisavam pôr seus delegados e subdelegados na rua para alcançar a quantidade de alistados destinada à cada província. Nesse sentido, todo homem pego pela malha como recruta, suspeito de deserção, vadio, arruaceiro, gatuno, capoeira ou órfão poderia ser enviado para a Marinha ou para o Exército. Se até um homem negro com sinais de castigo podia ser capturado e enviado para as Forças Armadas, o que dizer daqueles sem marcas?

…Mando apresentar […] o moleque livre Martinho de Tal, solteiro, de 16 anos, capoeira, ex-sineiro da igreja de Santa Anna, e que pretende passar por peruano quando até mal sabe uma ou outra palavra de espanhol e aqui na Corte é muito conhecido, infelizmente, sempre vadio.

 

Em 1865, o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram “recrutados” nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.

Na própria Marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a “ralé” da marujada[24]:

Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no “Parnahyba”) era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)  [25].

 

Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

Manuel Querino descreve-nos “o brilhante feito d’armas” levado a efeito pelas companhias de “Zuavos Baianos” no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa – posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d’Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta “Parnahyba” que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: “O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga”. (REIS, 1997, p.55)  [26].

O 31º de Voluntários da Pátria – policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras – também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,”investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem” (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258) [27].

Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não explícita, o mito que o capoeira seria o “guerreiro brasileiro”.

Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em “heróis”, e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.

Na Revolta da Armada (1893-1894) capoeiristas pró-Exército e pró-Marinha lutaram entre si[28].

O pesquisador francês Pol Briand[29], informa que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha[30] foram Aprendizes Marinheiros no início do Séc. XX. Pastinha ingressou na escola em 1902, e ensinava capoeira a seus colegas aprendizes da Marinha.

Em “Areia do Mar” [31], ladainha do Abadá Capoeira (Pato):

Areia do mar, areia do mar
o que você tem, para me contar

Me conta de Pastinha
e de Bimba por favor
seu Pastinha na marinha
Mestre Bimba estivador

Vicente Ferreira – Pastinha – nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro[32] e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira[33].

De acordo com Matthias Röhrig Assunção (2014) [34], no Brasil, os oficiais da Marinha foram os primeiros a se interessar pelo jiu-jítsu. Navios da Marinha brasileira já aportavam no Japão desde o século XIX. Em 1905, dois oficiais da Marinha, Santos Porto e Adler de Aquino, publicaram o manual Educação física japonesa , traduzido de um livro em inglês de H.I. Hancock (PIRES, 2001, p. 95[35]; VIEIRA, 1995, p. 154[36]; CAIRUS, 2012, p. 38-39) [37].

José Cairus assinalou que a introdução ao livro pelos militares explica por que consideram o jiu-jítsu superior à capoeira: a arte marcial brasileira teria sido durante o Império desviado por criminosos, o que a teria levado à decadência.

Em 1907 começa a circular um livro: “O.D.C. Guia do Capoeira ou Ginástica Brasileira”  (2a. edição)[38]. Rio de Janeiro, Livraria Nacional. Corre uma versão em que a autoria do livro é atribuída ao primeiro tenente da Marinha José Egydio Garcez Palha[39]. Tendo esse oficial falecido em 1898, seu livro sobre capoeira foi publicado posteriormente sobre a sigla ODC. (Lace Lopes, 2005) [40]. Segundo alguns estudiosos, “ODC” não representa as iniciais do possível nome do misterioso autor; “ODC” significa simplesmente, “Ofereço, Agradeço, Consagro”. Livro duplamente misterioso. Pelo seu autor que não quis aparecer e, sobretudo, pelo seu desaparecimento da Biblioteca Nacional. Por sorte, antes desta ocorrência, Annibal Burlamaqui teve a chance copiá-lo (sem ter como reproduzir as ilustrações). Enquanto o original não reaparece é esta cópia que está correndo o mundo.

Em 1908, a Marinha do Brasil importa mestres japoneses para o ensino do jiu-jitsu a seus homens. O judoca japonês, Sada Miako, foi contratado para ensinar aos oficias da Marinha, e considerou-se adotar o jiu-jítsu no treinamento dos recrutas. Isso provocou debates e comentários irônicos da imprensa nacionalista, que em geral dava preferência ao uso da capoeira sobre tradições importadas de luta[41]. Época de profissionalização, além das mudanças nas estruturas internas, reforma de regulamento, inserção de novas práticas, bem como a intensificação das preocupações com as atividades físicas. Em uma visita do navio-escola Benjamim Constant ao Japão, em sua volta vieram alguns japoneses, ocasião em que houve demonstrações de jiu-jitsu (CANCELLA, 2014) [42].

Assim a introdução das técnicas japonesas de luta no Brasil provocou reações e respostas de vários segmentos da sociedade: os capoeiras, os aficionados em esportes de combate, os intelectuais e os militares (Assunção, 2014; Cancella, 2014).

Acompanhava o professor Sada Miyako, seus ajudantes M. Kakihara, e Sensuke He. Os marinheiros brasileiros receberam lições dessa arte marcial de origem japonesa[43]

Em artigo publicado no Jornal do Capoeira[44] em 2005, escrevi que em  “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, aparecera noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros. […]”Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens. […] “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença. […] Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’. (Grifos nossos).

 

Para o Mestre André Lacé (s.d.) [45], Francisco da Silva Ciríaco, mais conhecido como Macaco Velho, nascido em Campos, foi um dos mais afamados capoeiristas no Rio de Janeiro, na virada do século 19 para os 20. Era o mestre preferido pelos acadêmicos de medicina, fenômeno que se repetiu na Bahia, décadas mais tarde, com Mestre Bimba. Foram esses estudantes que insistiram no confronto da Capoeira (Macaco Velho) com o jiu-jitsu (Sada Miyako, campeão japonês). Evento que acabou ocorrendo, no dia 1º de maio de 1909, com um fulminante desfecho: aplicando um literalmente surpreendente rabo-de-arraia, Ciríaco encerrou a luta em alguns segundos. Mesmo existindo uma versão – jamais comprovada – de que Ciríaco teria utilizado um recurso, digamos, de rua, mesmo assim, luta é luta, vale-tudo é vale-tudo, e ninguém jamais poderá negar o mérito da vitória. Tanto assim, que Mestre Ciríaco saiu vitorioso do Pavilhão Internacional Paschoal Segreto, com o povo cantando pelas ruas “a Ásia curvou-se ante o Brasil”. No dia seguinte, a Capoeira foi notícia em quase todos os jornais, valendo registrar, por oportuno, a ocorrência de algumas redações cautelosas, quase envergonhadas da própria cultura brasileira, como a nota do jornal do Commercio (02.05.1909, pág. 7):

O sportman japonez do tão apreciado jogo jiu-jitsu foi hontem vencido pelo preto campista Cyriaco da Silva, que subjugou o seu contendor com um passo de capoeiragem”.[46]

 

 

A nota, curiosamente, não menciona o nome do “sportman” perdedor. Mais adiante, entretanto, no mesmo jornal garimpei o seguinte anúncio:

“JIU-JITSU: Mr. Sada Miyako, professor contratado para leccionar na marinha brasileira encarrega-se de dar lições particulares a domicílio. Cartas para a Rua Gonçalves Dias n. 78 ou para a Fortaleza de Willegaignon”.

 

 

            Em recente novela de época, da Rede Globo de Televisão, em um dos episódios – segundo a sinopse – ocorre a seguinte cena[47]:

Zé fica danado ao saber que a Marinha contratou japonês para ensinar jiu-jítsu

Zé Maria (Lázaro Ramos) está se dando bem como administrador do jornal Correio da República, mas ele ainda não está livre de testemunhar o preconceito contra a capoeira. Depois de ter sido expulso da Marinha após a Revolta da Chibata, ele descobre no jornal que o governo contratou um japonês para ensinar jiu-jítsu aos marinheiros brasileiros.

A capoeira é proibida, sinônimo de vadiagem. Agora, se a luta vem do Japão, é chamada de arte marcial. Eu queria só ver esse japonês lutar!”, reclama Zé, indignado.

Jonas (George Sauma) avisa que o japonês vai fazer uma exibição no Pavilhão Nacional, na Praça Tiradentes, o local onde se realizam os campeonatos de luta greco-romana.

É jiu-jítsu, luta greco-romana… Esse é o Brasil. Só não ganha respeito o que vem do meu povo”, reclama Zé. Será que ele vai deixar isso barato?

O escritor Coelho Neto (maranhense) apresenta um projeto de lei para a Câmara dos Deputados tornando obrigatório o ensino da capoeira nas escolas civis e militares; usa de dois argumentos para sua proposta pedagógica: o primeiro, era de que a capoeira, como excelente ginástica, promovia um desenvolvimento harmonioso do corpo e dos sentidos; o segundo atribui à capoeira um sentido estratégico de defesa individual (Reis, 1997, p. 88-89) [48].

Gomes Carstruc, no jornal O Paiz, de 22 de outubro de 1923 conclama que o jogo da  Capoeira seja adotado pela Marinha de Guerra:

 […] todos os brasileiros a cultivarem o Jogo da Capoeira – ‘um jogo elegante, próprio para a defeza individual, jogo de destreza nobre e não brutal e aviltante’ e que poderia ser, certamente, adotado oficialmente pela ‘nossa marinha de guerra’ – e a exevrarem o boxe – um jogo no qual

‘duas feras, ridículas nas suas formas inestheticas, nem bem quadrúpede, nem bem bimano, quase reptil, quase mono; as duas feras se esmurram, quebram-se mandíbulas, esmigalham-se dentes, cegam-se a murros, assassinam-se com pesados socos, diante dos seus semelhantes, embriagados com tanta estupudez.’ 99

99 Cf. A. Gomes Carstruc. Cultivemos o jogo de capoeira e tenhamos asco pelo do boxe. O PAIZ, Edição Extraordinária, anno XI, no. 14.246, 1ª. Página. Rio de Janeiro, segunda feira, 22 de outubro de 1923.[49]

 

Lamartine Pereira Da Costa[50], [51], Mestre Capoeira, foi o introdutor, oficialmente, da capoeiragem na Marinha. Escreveu vários artigos e dois livros específicos sobre o assunto; em 1961, apresenta-nos “Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira” (Rio de Janeiro: [s.n.], 1961) e logo a seguir “Capoeira sem mestre” (Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1962), onde propunha uma espécie de ensino de capoeira por correspondência, pois a luta poderia ser a sós, como no Box, dispensando a figura do mestre (Reis, 1997, p. 156) [52]. Como professor de Educação Física escreveu dezenas de artigos, coordenou dezenas de projetos a nível nacional e internacional. Com doutorado em Filosofia, além de professor universitário, tornou-se um consultor internacional em sua área profissional.

Dança de negros e arma de malandros: capoeira oficializada na Marinha“. Com esse título, o Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 30 março de 1966 noticia que Lamartine Pereira da Costa, com a cooperação dos Mestres Artur Emídio e Djalma Bandeira promove um curso de capoeira especialmente para oficiais e praças da Marinha. (Lace Lopes, 2005) [53].

Lamartine Pereira da Costa[54], à época oficial da Marinha, deu-me o seguinte depoimento sobre os livros que publicou[55]:

A versão “Arte de Defesa Pessoal Brasileira” é 1961 e a “Sem Mestre” é de 1962, mas o conteúdo é o mesmo. A obra de 1961 foi publicada por mim já que nenhuma editora quis se envolver com o tema. A de 1962 foi da Edições de Ouro (editora hoje inexistente) que me propôs fazer um livro popular de baixo custo e titulo chamativo. O publico da versão 1962 foi o geral sem um foco preciso como todo livro popular, vendido em qualquer lugar.

O meu livro de 1961 foi o quarto livro publicado sobre a capoeira. Os dois primeiros foram de pouca penetração desde que eram contra a lei vigente entre 1900 e década de 1928, período de publicação dos livro ODC e  Aníbal Burlamaqui. O terceiro foi um estudo histórico publicado pelo Inezil Pena Marinho (professor da então Universidade do Brasil, hoje UFRJ) com pouca circulação. O meu seguiu-se ao do Inezil porque havia uma deficiência na apresentação da luta pelos seus golpes e movimentos. Este ultimo livro em meados dos anos de 1960 já tinha vendido 60 mil exemplares e a capoeira se popularizou.

Claro está que houve vários livros e artigos sobre a capoeira ao longo da historia brasileira, mas por menções, citações ou textos menores. Livros pioneiros são os citados acima embora se possa discutir se essas obras foram efetivas em termos de impactos culturais.

Desconheço a obra do Mestre Bimba dos anos de 1960 mas posso garantir que ela não existia quando do lançamento dos dois livros citados desde que a razão que me motivou a produzi-los foi da ausência de fontes sobre a capoeira. Estive na Bahia entre 1960 e 1961 e constatei que os mestres famosos cultivavam o segredo (típico da cultura africana). Meu mestre – o baiano Artur Emidio, radicado no Rio de Janeiro – também cultivava o segredo e me alertou sobre as dificuldades para ser ter registros de utilização pedagógica como eu antevia a época.

Artur Emidio e Djalma Bandeira foram meus mestres, mas Novis e Vieira foram meus apoiadores no financiamento para a publicação do livro 1961.

A produção do livro de 1961 foi muito simples com desenhos calcados em fotografias. A semelhança com figurações ODC é meramente casual em face de que eu somente conhecia a obra do Inezil.

 

Há que se destaca que, em 1967, A Força Aérea Brasileira organizou o I Congresso Nacional de Capoeira; como também organizou o II Congresso Nacional de Capoeira. Nestes dois eventos, aviões da FAB trouxeram Mestres de todo o Brasil com o objetivo de dar uma organização nacional efetiva à prática da luta (Vieira, 2005) [56].

Em 1995, outro Oficial da Marinha lança livro sobre o assunto: SANTOS, Esdras M. dos. “Conversando sobre capoeira”. São Paulo: JAC. Livro emocionado, desassombrado e extremamente informativo. Preciosa fonte de informações e esclarecimento sobre a trajetória da Capoeira Regional. (Lace Lopes, 2005) [57].

Aliás, para o Mestre André Lacé, estudioso da Capoeira, um grande mote, ainda virgem, é o papel das Marinhas – de Guerra e Mercante – na propagação e no intercâmbio capoeirístico nos portos brasileiros e do mundo. (Lace Lopes, 2005) [58].

A esse propósito, já expusemos em vários eventos o que consideramos uma influencia europeia na Capoeira, configurada através da Chausson/Savate (VAZ, 2013; 2014) [59], praticado por marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha. Encontramos em nossas pesquisas artes marciais que se localizavam justamente nas rotas dos navios dos impérios coloniais assim como nas rotas ancestrais dos malaios e indús que povoaram Madagascar.

Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho” [60].

A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira [61], e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) [62] em Paris e das maltas de fadistas[63] de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

 

 

http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido

 

O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq, Chefe simbólico do fim do século XVIII.

O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Fonte: Tratado de hygiene naval, ou, Da influencia das condições physicas e moraes …

Por J. B. Fonssagrives, on line http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1820-1833-BREST%28Cuna%20del%20SAVATE%29-Navios%20de%20la%20Armada%20frecuentando%20BRASIL%28Capoeira%29%20-MARTINICA%28Ladja%29%20Y%20BOURBON%28Moringue%29

Fonte: LIBRO:Souvenirs d’un aveugle Escrito por François Arago, Jules Janin  Edición: 4 – 1868 http://books.google.com/books?id=5hGQK-QrB8QC&hl=es&source=gbs_navlinks_s, on line:Ç http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1840-RIO-Savate%20y%20Bast%C3%B3n%20en%20Rio%20de%20Janeiro

Câmara Cascudo[64]  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam os marinheiros, que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Para Costa (2007) [65], no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, europeia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) [66]; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968)[67] ; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)[68]; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)[69]. Todos eram capoeiristas.

Em postagem no Blog “École de capoeira angola de Paris” [70], ao se discutir “o que é um contramestre?”, se esclarece a origem dessa graduação. Segundo Mestre Jogo de Dentro, a origem do termo contramestre estaria na intima relação que capoeiras possuíam com os trabalhos portuários. Muitos capoeiras trabalhavam nos portos como estivadores, como marujos, como pescadores, ou ainda, por morarem em cidades litorâneas compartilhavam uma cultura portuária que foi incorporada pela cultura da capoeira que os mestres do inicio do século XX estavam construindo. O autor da matéria encontrou material produzido no século XIX que pode ser elucidador sobre a questão dos contramestres na Capoeira Angola. Trata-se da obra: Princípios de Direito Mercantil e Leis da Marinha para o uso da mocidade Portuguesa, destinado ao comércio, de1819 e impresso em Lisboa.

Em nota publicada no jornal sorocabano “Cruzeiro do Sul” [71] ao reproduzir notícia da pretensão de se fundar uma academia de capoeira no Rio de Janeiro em 1920, tem-se notícias sobre outros homens do mar que utilizavam a capoeira como defesa, em suas brigas pelos portos afora:

                                     UM DESPORTO NACIONAL

O dr. Raul Pederneiras e o professor Mario Aleixo pretendem fundar no Rio uma escola […] por ser a capoeiragem um desporto excellente. […] Um japonez, jogador afamado do “jiú jutsú” foi vencido há tempos pelo capoeira carioca Cyriaco.Raul Pederneiras pensa em reviver esse desporto, auxiliado pelo professor Mario Aleixo, que já ensinou “jiú-jutsú” e capoeiragem à polícia civil do Rio.Os francezes chamam aquelle desporto de “savate”: os pés, as mãos, a cabeça, tudo o capoeira emprega quando se defende. A “Folha” cita um marujo brasileiro, um tal “Boi”, que num porto francez  resistiu  a uma escolta numerosa, só se utilizando da cabeça e dos pés.[72] (Grifos meus).

 

 

Luciano Milani[73], em entrevista com Mestre Bola Sete, divulgada pelo Jornal do Capoeira, traz a informação que o grande capoeirista Pessoa Bababá era marinheiro da Marinha Mercante. Discípulo de Mestre Pastinha ingressa em sua academia em 1969:

José Luiz Oliveira Cruz, o mestre Bola Sete, nasceu em 31 de maio de 1950, iniciou na capoeira em 1962 como autodidata, em 1968 começa a treinar com o grande capoeirista Pessoa Bababá, marinheiro da Marinha Mercante e discípulo de Mestre Pastinha, em 1969 ingressa na academia de Vicente Ferreira Pastinha, […].

 

A Capoeira maranhense teve, dentre seus precursores Roberval Serejo [74], que fundou o grupo “Bantus”. Roberval Serejo aparece no Maranhão por volta dos anos 60 do século passado; era escafandrista da Marinha, tendo aprendido capoeira no Rio de Janeiro – quando lá servia -, com o Mestre Arthur Emídio[75], um baiano de Itabuna, considerado referência na história da capoeira. Mestre Patinho relata o aparecimento desse grupo:

[…] bem aqui na Quinta, bem no SIOGE. Década de 60 era um grande reduto da capoeira principalmente na São Pantaleão, onde nasci […]outro amigo que era marinheiro da Marinha de Guerra, também aprendeu com o mestre Artur Emídio do Rio, Roberval Serejo; juntamos Jessé, Roberval Serejo, Babalú, Artur Emídio e eu formamos a primeira academia de capoeira, Bantú, e estava sem perceber fazendo parte da reaparição da capoeira no Maranhão […][76].

 

Em meados dos anos 2000, a Marinha do Brasil realizou uma parceria com ONGs num projeto social chamado “Cidadão do Amanhã”, coordenado pela ONG Ativa, com o grupamento dos Fuzileiros Navais, em que se realizavam atividades de recreação e ensino de capoeira [77].

[1]                    VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRONICA DA CAPOEIRAGEM. São Luis: Edição do Autor, 2014. Disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_issuu/1

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. JORNAL DA CAPOEIRA http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. In RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA, Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados).

LACÉ LOPES, André Luiz. In RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA,  Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados)

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388.

LOPES, André Luiz Lacé. Capoeiragem. In DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006. Disponível em  http://cev.org.br/biblioteca/capoeiragem/

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIEIRA, Sérgio Luiz de Souza. Capoeira. in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro : Shape, 2005, p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007ARAUJO, Paulo Coelho de;

JAQUEIRA, Ana Rosa Fachardo. DO JOGO DAS IMAGENS AS IMAGENS DO JOGO – nuances de interpretação iconográfica sobre a Capoeira. Coimbra – Portugal: Centro de Estudos Biocinéticos, 2008.

[2] MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

[3] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[4] Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA – Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79

[5] ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. (Porto): Instituto Superior Maia, 1997.

[6] BRASIL. Decisão 205, de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153

[7] CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972.

[8] DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 1.44-1.45. Disponível em www.atlasesportebrasil.org.br

[9] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[10] DACOSTA, 2005, 2006, obra citada.

[11] IPHAN, Assessoria de Imprensa do Iphan. A capoeira na história. in REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Ed. de Julho de 2008, disponível em  http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1871

[12] IPHAN, 2008, obra citada.

[13] VAZ, 2014, obra citada.

[14] LIMA, Hermeto in “Os Capoeiras”, Revista da Semana 26 nº 42, 10 de outubro de 1925

[15] MACEDO, Joaquim Manoel. Memórias da Rua do Ouvidor. Rio de Janeiro: Perseverança, 1878, pg. 99.

[16] O texto em tela se relaciona também com o Tenente João Moréia.

[17] No 9 de junho de 1828, um castigo desmedido, inflito por um motivo de vez fútil e duvidoso a um soldado alemão — 250 açoites, podendo significar a morte na tortura, sem contar que no Brasil, os livres não levavam açoites — provoca, no 201º açoite inflito à frente da tropa, à sublevação. Os soldados apelam ao Imperador, que nega-se a recebê-los. Eles entrincham-se nos seus quarteis, e dois outros regimentos se rebelam, matando o pondo em fuga oficiais brasileiros. Chega a noite. É uma crise como ainda se conhece em nossos dias: as autoridades querem retomar o controle, mais ficam enfraquecidas; os poderes estrangeiros, as marinhas francesa e britânica, que dispõem de uma força considerável na Baia de Guanabara, querem, sem demostrar-se partidários, preservar a vida e os bens dos seus conterrâneos; e a oposição política procura aproveitar da situação. Un dia passa sem decisão. Os Brasileiros de todas as tendâncias concordam em reduzir a revolta pela força. Para impedir a comunicação entre os três quarteis insurgentes, põem os soldados estrangeiros fora da lei, pode-se ferir e mata-los sem risco de sanção penal. Homens e crianças das classes mais baixas de livres e escravos perseguem os isolados. Estas presas, que não são realmente guerreiros, escondem-se, ou, com mais freqüença, caiem feridos o mortos. Nos dias seguintes, as tropas de artilheria e a cavalaria do Minas Gerais retomam o controle dos quarteis. Os revoltosos sobrevivantes são presos, e na sua maior parte, ora mandados de volta para Europa, ora expediados nas províncias. In Nota de BRIAND, Pol. HISTÓRIA DE UM MITO DA CAPOEIRA. Blog da Association de Capoeira PALMARES de Paris, www.capoeira-palmares.fr, disponível em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

[18]  Rapport du Contre-Amiral Le Marant, commandant de la station navale française à Rio de Janeiro, au Ministre de la Marine. A bord de la régate la Surveillante en rade de Rio Janeiro, le 14 juin 1828. Archives de la Marine, BB/4/ 506, Campagnes 1828.10, f.o 78. In BRIAND, Pol. HISTÓRIA DE UM MITO DA CAPOEIRA.. Blog da Association de Capoeira PALMARES de Paris, www.capoeira-palmares.fr, disponível em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

Ver também: Esboço fiel dos acontecimentos dos dias 9, 10, 11 e 12 de junho de 1828. Rio de Janeiro: Imperial Tipografia de Pedro Planch. Cópia literal do impresso, Rio de Janeiro, 20/6/1865, Seção de Manuscritos-Biblioteca Nacional (SM-BN), II-34, 16, 19.

[19] Pereira da Silva. João Manoel, Secondo periodo do reinado de Dom Pedro I no Brazil, narrativa historica, Rio de Janeiro:Garnier, 1871. .p. 269-274, 286-291. Disponíverl em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

[20] Debret, Jean-Baptiste, Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, ou Séjour d’un artiste français au Brésil, depuis 1816 jusqu’en 1831 inclusivement,époques de l’avènement et de l’abdication de S.M. don Pedro, premier fondateur de l’Empire brésilien. Paris:Didot Frères, 3 volumes in-Folio publiés en livraisons de 1834 a 1839

[21] Walsh, Robert, Notices of Brazil in 1828 and 1829,London:Frederick Westley & A.H. Davis, 1830; reprinted in Boston, 1831.

[22] Do cativeiro ao mar: escravos na Marinha de Guerra. In http://cap-ang.blogspot.com.br/2009/09/do-cativeiro-ao-mar-escravos-na-marinha.html

[23]  O autor faz referencia a Nascimento 1997: cap. 2, sem explicitar a fonte. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2000000200005

[24] PASSOS NETO, Nestor S. dos. “Jogo Corporal e Comunicultura”, ECO-UFRJ, 2001. In http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[25] Citado por PASSOS NETO, Nestor S. dos. “Jogo Corporal e Comunicultura”, ECO-UFRJ, 2001. In http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[26] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil. 1997.

[27] Citado por NESTOR CAPOEIRA. (PASSOS NETO, Nestor S. dos.). IN história, filosofia e pesquisa, 2007. Disponível em http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[28] DONATO, Hernâni. HISTÓRIA DOS USOS E COSTUME NO BRASIL: 500 anos de vida cotidiana. São Paulo: Melhoramentos, 2005, p. 286

[29] On line in http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/search/label/Ginga-SAVATE .   Ver também:

KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.

SOUSA, Celso. La mission militaire française au Brésil de 1906 à 1914 et son rôle dans la diffusion de techniques et        méthodes d’éducation physique militaire et sportive. Thèse Histoire contemporaine, Université de Bourgogne, 2006 in [http://www.esefex.ensino.eb.br/atual_trab/%40cap I.PDF

[30] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Pastinha

[31] http://www.letrasdemusicas.fm/abada-capoeira/areia-do-mar-pato#seu-pastinha-na-marinha

[32] […] ingressou na escola da marinha, por desejo de seu pai que não apoiava sua prática de capoeira. Na escola ele costumava ensinar capoeira aos amigos. Com 21 anos, ele deixou a escola da marinha e se tornou um pintor profissional. MESTRE PASTINHA In Abadá Capoeira, disponível em http://www.abadadc.org/paginas/pastinha.htm

[33] FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.

[34]ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig. Ringue ou academia? A emergência dos estilos modernos da capoeira e seu contexto global. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.21 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2014 Epub Jan 01, 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702014005000002  . Disponível em  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702014000100135

[35] PIRES, Antonio Liberac Cardoso Simões. Movimentos da cultura afro-brasileira : a formação histórica da capoeira contemporânea, 1890-1950. Tese (Doutorado) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade de Campinas, Campinas. 2001.

[36]VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira : corpo e cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint. 1995.

[37] CAIRUS, José. The Gracie clan and the making of Brazilian jiu-jitsu : national identity, performance and culture, 1801-1993. Tese (Doutorado) – Graduate Programme in History, York University, Toronto. 2012

[38] Edição do livro apócrifo ‘Guia do Capoeira ou Gymnástica Brasileira’ é 1904. Nele a autoria é feita pelas iniciais ‘O.D.C.’, que significada à época: ofereço, dedico e consagro’. (Vieira, 2005)

[39] Em 1890 era Capitão de Fragata, e pertencia ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ocupando a função de Secretário Suplente. E ainda, que em janeiro de 1980 fora exonerado da função que ocupava no Ministério da Marinha. Em julho de 1890 aparece o livro Aprendiz do Marinheiro, organizado por Garcez Palha, então 1º Tent. e José Vitor de Lamare, Capitão-Tenente. Em 1894, nomeado Secretário do Ministro da Marinha, Almirante Elisiário Barbosa. Em 1898, a 10 de março, noticia de que seu enterro fora muito concorrido, incluindo o representante do Presidente da República, Tent. Ávila, ajudante de ordens. Garcez Palha foi autor da obra Efemérides Navais. Era lente da Escola Naval. Redator da Revista Marítima Brasileira por vários anos, chegando a seu Diretor. Foi membro da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro.

[40] LACÉ LOPES, 2005, obra citada

[41] ASSUNÇÃO, 2014, obr citada

[42] CANCELLA, Karina. O ESPORTE E AS FORÇAS ARMADAS NA PRIMEIRA REPÚBLICA: das atividades gymnasticas às participações em eventos esportivos internacionais. (1890-1922). Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército, 2014, p. 108-1110.

[43] CANCELLA, 2014, p. 108-1110, obra citada.

[44] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jiu-Jitsu no Maranhão. In Jornal do Capoeira  Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005, Dispon[ível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

[45] LACÊ, André. Disponível em CD-Room, enviado ao autor. CIRÍACO, HERMANNY, ARTUR E HULK

[46] Ver também CANCELLA, 2014, p. 108-1110.

[47] http://gshow.globo.com/novelas/lado-a-lado/Vem-por-ai/noticia/2013/01/ze-fica-danado-ao-saber-que-a-marinha-contratou-japones-para-ensinar-jiu-jitsu.html

[48] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O MUNDO DE PERNAS PARA O AR – A CAPOEIRA NO BRASIL. São Paulo: Publisher Brasil; FAPESP, 1997

[49] Fonte: O que a escola faz com o que o povo cria: até a capoeira entrou na dança! Cesar Augustus Santos Barbieri, São Carlos – SP – Agosto 2003 – Tese. In Blog Asociasion de capoera deportiva, disponível em http://cap-dep.blogspot.com.br/2011/01/1923-jogo-da-capoeira-adotado-pela.html

[50] DA COSTA, Lamartine Pereira. Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira. Rio de Janeiro: [s.n.], 1961

DA COSTA, Lamartine Pereira. Capoeira sem mestre. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1962.

[51] LAMARTINE PEREIRA DA COSTA. Graduação em Ciências Navais pela Escola Naval (1958), licenciatura em Educação Física pela Escola de Educacao Fisica do Exercito (1963) e doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1989). Atualmente é professor titular da Universidade Gama Filho, membro Conselho Pesquisas do Comité Olimpico Internacional em Lausanne (Suiça) e professor visitante da Universidade Técnica de Lisboa. Atuou como professor visitante da Universidade do Porto (Portugal), da Academia Olimpica Internacional (Grecia) e da Universidade Autonoma de Barcelona (Espanha). No Brasil foi professor da Universidade Católica de Petrópolis (Engenharia), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Mestrado em Geografia), UNIRIO (Mestrado em Memoria Social), USP (Mestrado Educação Física) e UERJ (Graduação Educação Física). Tem experiência nas áreas de Educação Física, Administração, Historia e Filosofia com ênfase em meio ambiente, esportes, lazer e Gestão do Conhecimento. Tem produção contínua em pesquisas desde 1967 no Brasil e no exterior, com inicio na area de meio ambiente. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4721721A5

[52] REIS, 1997, obra citada.

[53] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006.

[54] Da COSTA, Lamartine Pereira. Depoimento de Lamartine P. Da Costa sobre livros de Capoeira no Brasil – 15fev15. Em Correspondência pessoal. De: “Lamartine DaCosta” Enviada:segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 05:56:19 Para:”Leopoldo Gil Dulcio Vaz” ([email protected])- Re: MARINHA + CAPOEIRA / MARANHÃO‏.

[55] Em 1960, Lamartine Pereira da Costa, então oficial da Marinha, diplomado em Educação Física pela E.E.F.E e instrutor chefe dos cursos de Escola de Educação Física da Marinha, CEM-RJ, lança um livro que se tornou o clássico da capoeira: Capoeiragem – A arte da Defesa Pessoal Brasileira. http://www.capoeiramestrebimba.com.br/busca_reconhecimento.html

[56] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[57] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006

[58] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006

[59] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Uma origem da Capoeira é a Ringa-Moringue Maugache?  ANAIS do CONGRESSO ISHPES – PHYSICAL EDUCATION AND SPORT AROUND THE GLOBE: PAST, PREENTE AND FUTURE. Rio de Janeiro: Gama Filho, 2013, p. 173-202

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. O “CHAUSSON/SAVATE” INFLUENCIOU A CAPOEIRA? ANAIS XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSICA. Londrina-PR, 19 a 22 de agosto de 2014b.

VAZ, 2014, obra citada.

[60] On line  http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/pelea-de-marinos-savate.html

[61] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)

[62] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira).

[63] SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

[64]  CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: TECNOPRINT, 1972.

[65] COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.

[66] NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.

[67] REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

[68] PIRES, Antonio Liberac A. Capoeira na Bahia de Todos os Santos: estudo sobre cultura e classes trabalhadoras (1890 – 1937). Tocantins: NEAB/ Grafset. 2004

[69] CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).

[70] http://www.angola-ecap.org/matieres-a-penser/em-portugues/87-o-que-e-um-contramestre

[71] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. O ensino da capoeiragem no início do século XX. In JORNAL DO CAPOEIRA, 02.08.2005 – Sorocaba ” SP, www.capoeira.jex.com.br, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/o+ensino+da+capoeiragem+no+inicio+do+seculo+xx

[72]  Cruzeiro do Sul, 31 jan 1920

[73] MILANI, Luciano. Mestre Bola Sete & Capoeira Angola. In JORNAL DO CAPEIRA, 31 de Julho de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/mestre+bola+sete+capoeira+angola ; www.lmilani.com

[74] Mestre Mirinho (Casimiro José Salgado Corrêa) In LIVRO ÁLBUM DOS MESTRES DA CAPOEIRA NO MARANHÃO – em entrevista concedida a Hermílio Armando Viana Nina aluno do Curso de Educação Física da UEMA, em fevereiro de 2005.

[75] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ARTHUR EMÍDIO E A CAPOEIRAGEM EM SÃO LUIS DO MARANHÃO. In BLOG DO LEOPOLDO VAZ, disponível em  http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/15/cronica-da-capoeiragem-artur-emidio-e-a-capoeiragem-em-sao-luis-do-maranhao/

[76] Antonio José da Conceição Ramos – Mestre Patinho – em entrevista concedida a Manoel Maria Pereira in “Livro-Álbum dos Mestres de Capoeira do Maranhão”, trabalho de pesquisa apresentado a disciplina História da Educação Física e Esportes, do Curso de Educação Física da UEMA, turma C-2005.

[77]  http://raivosocdonatal.blogspot.com/2008/01/capoeira-na-marinha-projeto-social-2006.html#ixzz3RYppoBen

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Ensino da capoeira é devolvido aos capoeiristas

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Ensino da capoeira é devolvido aos capoeiristas

12.05.2016 – 18:32

Mestres da capoeira voltaram a ter o pleno direito de ensinar sua cultura, independentemente de serem formados em Educação Física (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
O Ministério do Esporte revogou, na última terça-feira, dia 10, a Resolução número 44 do Conselho Nacional do Esporte, publicada em 5 de maio deste ano, no Diário Oficial da União. Assim, os mestres da capoeira voltaram a ter o pleno direito de ensinar sua cultura, independentemente de serem formados em Educação Física.  A resolução revogada reconhecia a capoeira como um esporte “inclusive para fins de enquadramento no campo das atividades desenvolvidas e regulamentadas no País”.
Apesar dos defensores da medida alegarem que ela permitiria aos capoeiristas acesso a recursos das políticas públicas do Esporte, como o Bolsa Atleta, entidades representativas da capoeira e a Fundação Palmares criticaram a proposta. Ao enquadrar a capoeira como uma prática esportiva, a resolução também acabava por delimitar o seu ensino aos formados em Educação Física, conforme determina a Lei 9696/98, que regulamenta esta profissão.
Em nota, lançada logo após a publicação da decisão do Conselho Nacional do Esporte, a Fundação Cultural Palmares (FCP) considerou que “a regulamentação e profissionalização da capoeira pode representar a deslegitimação daqueles que foram responsáveis pela invenção, manutenção, transmissão e disseminação dos conhecimentos relativos à capoeiragem”.
A presidenta da FCP, Cida Abreu, considerou que a resolução “põe em risco toda simbologia, referência e propriedade histórica desta matriz cultural ancestral” e afirmou que a defesa da autonomia dos Mestres e a salvaguarda da capoeira fazem parte da missão da fundação.
Na nota, a FCP ressaltou que a dimensão luta/arte marcial da capoeira é apenas uma de suas expressões, a qual somam-se: a música, a dança e a cultura. O texto ainda critica a visão “desequilibrada entre os saberes” embutida na proposta, pois “reconhece e sustenta o conhecimento acadêmico como o portador da verdade e da precisão, descartando ou relegando os saberes tradicionais, populares e baseados na oralidade a condições inferiores de qualidade e técnica”.
Vinicius Mansur
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
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Em Barras do Corda: Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola

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Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola
Aconteceu na tarde de quarta-feira 18/05/16, a APAE de Barra do Corda receberá a visita dos alunos do Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola, da Secretaria Municipal de Educação. Na oportunidade foram realizadas atividades recreativas desenvolvidas através da capoeira .

 
Em funcionamento na Escola da Vila Miguelzinho e na Escola Frederico Figueira no Centro da cidade, atualmente envolve 90 crianças e adolescentes que através da prática da Capoeira Angola e de atividades artísticas culturais, se dedicam a preservar e divulgar os elementos das culturas afro e indígenas de nosso país.

 
Ontem a galera do Roda Mundo foi muito bem recebida na APAE e foi grande o axé desse encontro marcado por muita alegria e participação.

Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
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AOS CAPOEIRAS MARANHENSES – mensagem de Marco Aurelio Haikel

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AOS CAPOEIRAS MARANHENSES, em particular, e, a todos/as, em geral, bem como, seus/suas simpatizantes,

filme sobre mestre Sapo2

Aqui ou em qualquer lugar do mundo convido-os/as a ler e assinarem a petição abaixo postada e assim dizer um NÃO à ganância do CONFEF/CREF’s, instituições que manobram por todos os meios para enquadrar a Capoeira aos seus ditames, retirando dos/as mestres/as sua condição ancestral de repassar o conhecimento aprendido e apreendido no seio dessa cultura essencialmente popular.

 

Qualquer educador/a físico/a que queira fazer parte da Capoeira, não tem qualquer problema, pois muitos/as já fazem, porém, que ingressem na Arte submetendo-se aos valores e fundamentos tomados de seus/suas mestre/as e não de suas representações profissionais, vez que os interesses destas, não são outros, que não mercadológicos.

 

A nossa Arte Guerreira, hoje, presente em mais de 160 países é fruto de esforços exclusivos e, pessoais, dos/as capoeiras, que ao longo de gerações fizeram e fazem com que a Capoeira esteja no patamar em que chegou.

 

No entanto, chegado o momento dos/as capoeiras desfrutarem tudo o que conquistaram a duras penas; superando os mais execráveis preconceitos, não tem como aceitar que instituições como CONFEF e CREF’s, de olho somente no enorme mercado que se mostra venham querer açambarcar o que é dos capoeiras de direito, por gerações.

 

Por toda uma manobra espúria, cuja articulação se faz ptesente no Legislativo e no Executivo, requer assinarmos a petição abaixo postada, no que todos/as que puderem possam repassar ao maior número de capoeiras e simpatizantes.

 
Marco Aurelio Haikel
Mestre de Capoeira do Centro Matroá.
Conselheiro Municipal de Cultura
Advogado

Nós, Capoeiristas de todas as Matrizes, Defensores e Defensoras do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro dizemos NÃO a Resolução Nº 44 do Conselho…
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PLENÁRIA DA SETORIAL DE PATRIMÔNIO IMATERIAL, AMANHÃ, DIA 05, 5a – FEIRA. no Centro Matroá, na Praia Grande

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INFORME: REALIZAÇÃO DA PLENÁRIA DA SETORIAL DE PATRIMÔNIO IMATERIAL, AMANHÃ, DIA 05, 5a – FEIRA.

Amanhã, 5a-feira, dia 05, acontecerá, a partir das 18:30h, no Centro Matroá, na Praia Grande, ao lado da Livraria Poeme-se, a Plenária da Setorial de Patrimônio Imaterial – que inclui o Bumba-Boi, o Tambor de Crioula e a Capoeira – com vistas à 5a Conferência Municipal de Cultura.

PUNGA CARTAZ
É importante ressaltar, que o local não foi escolha deste conselheiro, mas sim, uma proposição da própria Secretaria de Cultura do Município que, em razão do esvaziamento da Plenária marcada para sábado passado e, por não dispor de um espaço adequado, seus representantes lá, presentes, perguntou-nos sobre a possibilidade de fazer a reunião no Centro Matroá, o que foi disponibilizado.

filme sobre mestre Sapo2


Marco Aurelio Haikel
Mestre do Centro Matroá de Capoeira
Conselheiro Municipal de Cultura

roda_de_rua

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