GUARDA NEGRA NO IMPÉRIO – Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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monarquiaja

Apresentamos mais informações sobre Guarda Negra e a Capoeiragem
Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br/
Edição 54 – de 18/dez a 25/dez de 2005

Leopoldo Gil Dulcio Vaz
São Luis do Maranhão-MA
Dezembro de 2005

Os movimentos pela abolição da escravatura são iniciados a partir de alguns eventos ocorridos: a cessação do tráfico negreiro da África, em 1850; a volta vitoriosa de negros da Guerra do Paraguai, que se estendeu de 1865 a 1870, a promulgação da Lei do Ventre Livre; a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão (tendo José do Patrocínio e Joaquim Nabuco como fundadores); a Lei Saraiva-Cotegipe (mais popularmente conhecida como a Lei dos Sexagenários).

Dois conceitos históricos são entendidos por abolição da escravatura: o conjunto de manobras sociais empreendidas entre o período de 1870 a 1888 em prol da libertação dos escravos, e a própria promulgação da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, que promove a oficialização da abolição do regime.

As mudanças ocorridas afetavam diretamente a economia de produção neste período do Brasil. Após as medidas oficiais anti-escravistas determinadas pela Lei Áurea, os senhores escravistas, insatisfeitos com a nova realidade, intencionavam exigir indenizações pelos escravos libertos, não obtendo nenhum aval do Império. Desta forma, surgiram os movimentos republicanos, que foram engrossados com a participação dos mesmos senhores que eram antigos detentores da “mercadoria escrava” e que, descontentes com as atitudes do Império, acabaram por defender um novo sistema de governo, decorrendo daí um dos principais motivos da derrocada final do Império. Por outro lado, a mão de obra proveniente das novas correntes imigratórias passa a ser empregada. Os negros, por um lado libertos, não possuíam instrução educacional ou a especialização profissional que passa a ser exigida, decorrendo destes aspectos a permanência dos negros à margem da sociedade frente à falta de oportunidades a eles oferecidas pelos republicanos. Tivesse sido mantida a Monarquia, a situação dos negros seria outra.

Nesse contexto, a Guarda Negra foi formada por José do Patrocínio em 28 de setembro de 1888, como um movimento paramilitar, composto por negros, que tinha passagem pelo Exército e com habilidade em capoeira. O objetivo dele era demonstrar gratidão à família real pela abolição e intimidar republicanos e tumultuar os comícios. A ação da Guarda Negra travava batalhas com os partidários do fim da Republica, sendo classificados como terroristas.
Muito embora Patrocínio, em virtude da Lei Áurea, seja identificado como monarquista e formado a Guarda Negra para defender a Princesa Izabel, aderiu às idéias republicanas.
O jornalista Renato Pompeu, em “Confissões de um trirracial”, afirma saber que:

“… a República foi proclamada porque o Império, ao proclamar a Abolição, ficou comprometido com o futuro dos negros recém-libertados, como prova o fato de que só guarnições militares compostas de negros, como a Guarda Negra da Princesa Isabel, resistiram ao golpe de Estado de 15 de novembro de 1889. O regime republicano, assim, nasceu, e continua, sem nenhum compromisso maior com as pessoas de pele mais escura.”[5]

• Por essas ações, cada vez mais violentas, houve perseguição aos negros, em sua maioria capoeiras, e ligados a guarda negra, provocando sua marginalização, quando do advento da República, e a conseqüente criminalização do ato de praticar capoeira… (Logo após a Proclamação da República (1889), a capoeira foi proibida pelo Marechal Deodoro, permanecendo nessa situação até 1937 quando Mestre Bimba a tira do código penal e a leva a esporte nacional).

Em São Luís do Maranhão, encontramos um episódio relacionado com a participação dos negros no processo de combate à República recém proclamada. Foi denominado de “o fuzilamento do dia 17″, e ocorreu com uma manifestação de escravos, recém-libertos, contra Paula Duarte, o único republicano no novo governo, conforme informa Mario Meireles, e isso porque se dizia que o novo regime vinha para tornar sem efeito a Lei Áurea. Os manifestantes foram à redação de “O Globo”, jornal republicano, e tentaram o empastelar. A polícia interveio, dispersando-os. Na boca do povo, e naquelas circunstâncias, teria ocorrido um massacre – os fuzilamentos do dia 17. (Meireles, Mário. História do Maranhão. 2 ed. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1980, p. 307).

Milson Coutinho, ao descrever os acontecimentos daquele dia 17 de Novembro – Maranhão, 1889: fuzilamentos e torturas.
a percorrer as ruas de São Luís dando vivas à Monarquia.” (p. 18)

Prossegue Coutinho o seu relato, informando que a turba passou em frente à casa do Desembargador Tito de Matos, ainda respondendo pelo Governo da Província: “…estancou a passeata, com a finalidade de cumprimentar o Magistrado, derradeiro lampejo da Monarquia deposta e última esperança da malta enfurecida”. (p. 18-19).

Malta enfurecida? Coutinho a teria usada em que sentido? De identificar os manifestantes com as maltas de capoeira que agiam no Rio de Janeiro, dando vivas à monarquia e contra o novo regime? No-lo sabemos …

Prosseguindo, O Desembargador pediu as massas que aguardassem a ordem, dissolvessem a passeata. Esses acontecimentos se deram pela manhã. Os espíritos serenaram e a tranqüilidade pública volveu à Capital. Mas…

“…por volta das 15 horas do dia 17 os ânimos voltaram a se reacender, com novos grupos de anarquistas a percorrer as ruas e praças da capital, estocando todos os segmentos da balbúrdia em frente ao jornal de Paula Duarte, desaguadouro do contingente de alucinados que para ali convergiam, provindos de quantos becos se contassem, isto já em profusa massa humana.
“O Comandante do 5º. Batalhão de Infantaria destacou, para o local uma força devidamente embalada, tropa essa que se postou em frente à tipografia de Paula Duarte, a partir das 16 horas, a fim de garantir a segurança do jornalista e evitar a depredação do edifício.”.(p. 19, grifos meus).

Os revoltosos debandaram, proferindo gestos coléricos e invulgar alacridade, e assim se passou o resto da tarde, sem outras conseqüências que não o clima de total intranqüilidade reinante.

“Os relógios assinalavam pouco mais das 19 horas, quando a multidão enfurecida e com muitos de seus componentes já armados voltou à carga para tirar a prova de fogo
“Iniciou-se a fuzilaria, de que resultou a morte imediata de três manifestantes, ferimentos em 11 outros, lesões em vários soldados, cabo e sargento do destacamento, vindo a morrer depois, na Santa casa, um dos sediciosos ferido por balaço da tropa.” (p. 20).

Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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Savate x Capoeira! Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

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Ka-á-Pueira de Angola*

Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Dia mais Triste da Minha Vida! Savate x Capoeira!


Foto Cortesia de Aníbal Phillot – 11-11-1979  Feira de São Cristóvão – Rio de Janeiro

O Dia mais Triste da Minha Vida!

Outro dia estava lendo a história do GRANDE/PEQUENO MESTRE PASTINHA quando dei com a frase:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRE COMIGO!

Não pude acreditar, tamanho egoismo não é predicado de quem tem o titulo de GRANDE MESTRE!
Inconformado passei a procurar qual seria o TAL SEGREDO.E assim se passaram dias meses, anos até que tchan, tchan, tchan tchan:

EU DESCOBRI O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Inacreditavel estivera bem na minha frente, do meu lado, na minha costa e eu NÃO PERCEBIA, imenso, cristalino, estivera todos esses anos talvez cobreto por um pequeno lenço de um magico que por uma graça divina fora agora removido.
Que alegria, que felicidade, eu agora compreendia tudo, entendia a frase do velho MESTRE e seu espanto diante da cegueira de seus alunos em ver oque lhes mostrava todos os dias!

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Corri para a casa de meu amigo para anunciar a boa nova:
ARAÚNA, voçe não vai acreditar mas eu descobri o segredo da Capoeira!
OQUE? k-kk-k-k!
Estou te dizendo véio, é serio!
Pô Leiteiro, eu tenho mãe tu queres me matar de rir k-kk-k-k- !
Não acreditas mais em mim mermão?
Me digas então qual é o segredo?
Era oque eu estava esperando, a hora de dividir o meu minuto de glória.
Ah o segredo, o segredo é….o segredo?…( meu Deus me ajude) bem como eu estava dizendo, o segredo..
Sim, sim o segredo k-kk-k-k- !

Não havia dúvida, eu esqueci o segredo da Capoeira!

Saí cabisbaixo, as orelhas vermelhas de vergonha, coração fervendo de odio impotente contra aquela risada que ecoava na minha mente. A cada passo dado, a cada esquina dobrada, os k-ks ecoavam e desciam espinha abaixo enfraquecendo as minhas pernas, tornando lentos os meus passos, aumentando a distancia entre nossas casas.
Corri como nunca tinha corrido e mergulhei na cama, nada como um dia depois do outro ou como o tempo para curar as feridas!
Mas maisena tem seu dia de mingau, eis que derepente como um raio ilumina-se novamente ele:

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Momentos de euforia seguidos de reflexão, não poderia bancar o garotinho besta que ganhou um brinquedo lindo novamente, a situação exigia AUTO-CONTROLE, tratei de relembrar varias vezes até ficar ciente de que não esqueceria e me dirigi a casa de ARAÚNA não mais como um pateta com um anel de brilhantes, mas sim como um professor que iria ensinar a um aluno que sabe tudo, que ele não sabe nada!

Bati, a porta se abriu e nossos olhares se cruzaram.
Oque te traz aqui Leiteiro?
Tu não vais acreditar mas eu vim fazer hora pois não tenho nada para fazer, disse-lhe com voz cansada.

Estava confirmado, não havia mais dúvidas:
O SEGREDO DA CAPOEIRA NÃO ERA PARA SER DITO E SIM MOSTRADO NAS RODAS DE CAPOEIRA, ao som de seus instrumentos e cantorias e é ISSO QUE O VELHO MESTRE PASTINHA FAZIA nos seus jogos e cantorias!

OQUE EU FAÇO BRINCANDO VOÇE NÃO FAZ NEM ZANGADO e seus alunos NÃO PERCEBIAM OU ENTENDIAM!

Não pude disfarçar as lagrimas ao dizer:

ARAÚNA HOJE É O DIA MAIS TRISTE DA MINHA VIDA!

Agora eu sabia eu tinha certeza:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRIA COMIGO!

Acredite se quiser meu caro leitor, eu descobri o segredo da Capoeira, mas se voçe for igual a São Tomé eu lhe dou o fio da meada:

CAPOEIRA É OQUE NÃO PARECE e PARECE OQUE NÃO É!

Por falar em fio, Capoeira seria uma pequena rede cujos NÓS são seus segredos.
Quando um NÓ arrebenta (leia-se é esquecido ou desprezado) NÓS (epa!) OS NOVOS MESTRES nos afobamos em reconstrui-lo ficando a REDE DEFORMADA por aquele HORRIVEL NÓ!

Deixassse-mos nós a reconstrução para os VELHOS MESTRES CONHECEDORES DA ARTE, a emenda seria invisivel, preservando com seus conhecimentos a obra do autor!
Contudo com nosso EGOíSMO, PRESSA E IMPERFEIÇÃO, continuamos a encher de NÓS essa rede, A CAPOEIRA que em pouco tempo tornar-se-a imprestável e teremos que joga-la fora. Neste dia toda a NAÇÃO, o MUNDO e até DEUS CHORARÃO, pois quando ELE fez a separação entre a terra e mar nesse momento SURGIU A CAPOÊRA!

HOMENAGEM AOS VELHOS MESTRES, QUE NOS DERAM DE GRAÇA, AQUILO QUE NÓS VENDEMOS A QUALQUER PREÇO!

AGRADECIMENTO:
Ao meu PROFESSOR LUA RASTA, o meu MUITO OBRIGADO, por me ensinar a GOSTAR E AMAR A CAPOEIRA, e a mostra-la nas ruas, praças, escolas e teatros, sem essa atual preocupação de FAZER DA CAPOEIRA, APENAS UM CURSO de Formação de MESTRES!

 Savate x Capoeira!

Fiz este resumo com mudanças nos termos escritos para melhor compreensão do Texto, importantíssimo para a elucidação desta provável influência do Savate na nossa bela Arte Capoeira! (Leiteiro)

Resumo do Autor 
Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovadamente  Africana não apenas pelo seu perfil étnico predominante nos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influência européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha. 
 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas  citadas podem ter havido uma competição de capoeira no ano de 1877 como uma do SAVATE.
Procure a fonte primaria disto que é a “chave” da história da Capoeira desportiva.

E. JAVIER RUBIERA CUERVO - 

Presidente General de FICA/Espanha1

Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira.
Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando  agilidade.

“JOGO DA CAPOEIRA: 

“Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).


Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, apresenta o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, . No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., . 

(A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).
 Pergunta, então:
“Será a mesma fonte?”.
Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.

    Javier levanta duas questões:
a semelhança dos golpes da capoeira com a savate;
as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”;
o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.





 Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    
“[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790);
a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; 
a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e
a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais.
Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários:
o movimento germânico (ginástica alemã),
o sueco (ginástica sueca) e
o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line)
4 Grifos nossos).



 Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar  um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:
  Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

“Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).

 O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”


Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:


“Theatro Publico
Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:


1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica
2ª dita – grande roda gyratoria
3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa
4ª dita – a grande luta dos dois gladiadores”.

Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9: Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque. Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque.

Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15


Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (ataque e defesa) contendo os regulamentos japonês e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010

O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.

De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas.

O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:
De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20

Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21

Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savate é introduzido:

  Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro 

  (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23;

José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.2

    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:
    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

“A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.

    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31

O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.
    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.
    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.
    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.
    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.

A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

“Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).
O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

O “AÚ” é descrito como:
Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.
    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html
    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

“Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.
    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.
    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.
    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.
    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.
    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.
    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”
    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

“Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.

    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.

Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Leia abaixo o post na forma original!

Crônica da capoeira (GEM). 

O ‘Chausson/Savate’ influenciou a capoeira?

Crónica de la capoeira (GEM). ¿El ‘Chausson/Savate’ influyó sobre la capoeira?
*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)
**Presidente General de FICA (Espanha)

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

Efren Javier Rubiera Cuervo**

 

Resumo

          Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.

          Unitermos: Capoeira. História. Chausson. Savate.
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires – Año 16 – Nº 158 – Julio de 2011. http://www.efdeportes.com/
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    Prezado Leopoldo: Já insisti em varias ocasiões nesta cita seguinte que pode ter relação com a de mais abaixo do colégio da Imaculada Conceição. Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas destas citas pode ter a competição de capoeira de 1877 como uma do SAVATE. Se consegue se orientar e procurar a fonte primaria disto e “chave” pela história da Capoeira desportiva. E. JAVIER RUBIERA CUERVO - Presidente General de FICA/Espanha1
    Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira. Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

    MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando agilidade:

    “JOGO DA CAPOEIRA: “Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).

    Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

     1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).

    Pergunta, então: “Será a mesma fonte?”.
    Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.
    Javier levanta duas questões: a semelhança dos golpes da capoeira com a savate; as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”; o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.

Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    Os sistemas ginásticos começam a aparecer a partir da segunda metade do século XVIII. São eles:

    “[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790); a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais. Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários: o movimento germânico (ginástica alemã), o sueco (ginástica sueca) e o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line) 4 Grifos nossos).
    Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

    “THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa, e deste Império.

    “Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:

    Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

    Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas

    “Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).
    O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”.6
    Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:

    “Theatro Publico

    “Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:

    1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica

    2ª dita – grande roda gyratoria

    3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa

    dita – a grande luta dos dois gladiadores”. (Grifos nossos).
Método Amorós (Savate)
    Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9:
    • Emanuel Bernhard;
    • Louis Stockmeyer; Christiano Stockmeyer
    • Guillermo Frohlich
    • Tito de Sá; Julio de Sá
    • José Antonio Moreira; Joaquim Moreira; João Antonio Moreira
    • Francisco Pereira; Manuel Moreira; Antonio Moreira
    • Adolfo Klingelhoefer; Eduard Klingelhoefer
    • Constancio Pinto; Alberto Pinot
    • Johan Reidner; Franz Reidner
  • Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque
  • Paul Tesdorpf; Ludwig Tesdorpf
  • Cuno Mathies
  • Waldemar Krug; Eberhard Krug
  • James Otto.
    Os LaRocque – importante família estabelecida no Pará -, procedem de dois irmãos:

  • I – HENRIQUE de LaROCQUE (c. 1821 – Porto ?), que deixou geração do seu casamento, em 1848 – Pará -, com Matilde Isabel da Costa ( ? – 1919); e
  • II – LUIZ de LaROCQUE (c. 1827 – Porto ?), que deixou geração de seu casamento, em 1854 (Pará) com sua cunhada Emília Ludmila da Costa.

    Ambos, filhos de JOÃO LUIZ de LaROCQUE (c. 1800 – a. 1854) e de Rosa Albertina de Melo. Entre os membros dessa família registra-se o senador maranhense Henrique de LaRocque Almeida10. No Dicionário das Famílias Brasileiras é dada como sobrenome de origem escocesa, o que é contestado por Henrique Artur de Sousa, genealogista estabelecido em Brasília, que está escrevendo um livro sobre o Senador LaRocque11, família estabelecida no Brasil de origem portuguesa, da cidade do Porto. O falecimento de dois membros dessa família – os irmãos Henrique e Luís, filhos de João Luís de LaRocque e sua mulher Rosa Albertina de Melo – se dão na cidade do Porto, no século XIX… (vide Dicionário…). Informa-nos Henrique Artur de Sousa que alguns LaRocque se estabeleceram no Maranhão, a partir de 1832.
    Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque:
  • Carolina – depois Baronesa de Santos;
  • Henrique de La Rocque;
  • Guilherme de LaRocque;
  • João Luís de LaRocque;
  • Luís de LaRocque;
  • Rosa;
  • Amélia;
  • Antônio de LaRocque.
    Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
    A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
    O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15
http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido
    O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (attaque e defensa) contendo os requlamaentos japonés e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010
Negroes fighting, Brazil”” c. 1824. Autor Augustus Earle (1793-1838) – Painting by Augustus Earle depicting an illegal capoeira-like game in Rio de Janeiro (1824)
Fonte English Wikipedia, original: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/detailsKeyword.php?keyword=NW0171&recordCount=2&theRecord=0
Diamanga malgache journal: 1936/01/29 (A3,N144). formato original: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k54276490.r=diamanga.langES
FOTO:http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/05/juego-de-imagenes-mujeres.html
Gravura de um belo “furdunço” entre capoeiras ocorrido no Rio de Janeiro, no final do século XVIII, publicada em uma revista da época.
Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
foto:Le moring connaît aujourd’hui une reconnaissance internationale. Ici lors de la Fête de la liberté 2008 à
Aix-en-Provence disponible em http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/Moring-Capoeira
    O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.
    O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):
Fonte: Tratado de hygiene naval, ou, Da influencia das condições physicas e moraes … Por J. B. Fonssagrives, on line
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1820-1833-BREST%28Cuna%20del%20SAVATE%29-Navios%20de%20la%20Armada
%20frecuentando%20BRASIL%28Capoeira%29%20-MARTINICA%28Ladja%29%20Y%20BOURBON%28Moringue%29
Fonte: LIBRO:Souvenirs d’un aveugle Escrito por François Arago, Jules Janin
Edición: 4 – 1868 – http://books.google.com/books?id=5hGQK-QrB8QC&hl=es&source=gbs_navlinks_s, on line:Ç
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1840-RIO-Savate%20y%20Bast%C3%B3n%20en%20Rio%20de%20Janeiro
    De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
    Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
    Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Credit: Boxing Lesson by Charles Charlemont (1862-1942), 1906 (b/w photo), French Photographer, (20th century)
/ Bibliotheque des Arts Decoratifs, Paris, France / Archives Charmet / The Bridgeman Art Library
fuente: Deportes de combate – boxeo francés y esgrima de palo, Badenas, Madrid 1934 – Título Deportes de combate: boxeo inglés,
boxeo francés, lucha grecorromana, lucha libre, esgrima de palo, jiu-jitsu, kuatsu ; Autor José Bádenas Padilla; Editor s.n., 1934,
on line http://eu-bras.blogspot.com/
    Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas. Em seguida, essas mesmas regras foram estendidas para outras partes do Velho Continente, África, Canadá e Estados Unidos.
    O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:

    A referência a aparelhos e peças próprias aos exercícios gymnasticos faz pensar que Pedro Guilherme Meyer tenha desenvolvido um trabalho diferenciado daquele que até então acontecera no CPII que, de um modo geral, esteve centralizado no conteúdo da esgrima. Neste sentido, é esclarecedor o relatório do Inspetor Geral da Instrução Pública do Município da Corte, enviado ao Ministro do Império em 1859: apraz-me declarar a V. Exa. que durante o anno passado começou a funccionar com a possível regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercícios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné, ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer. (MINISTÉRIO DO IMPÉRIO, 1858, p.18). De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20
    Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o  major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21
    Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savat é introduzido:

Pg. II. Executivo – Caderno 1. DOSP de 25/02/2010

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/5135262/dosp-executivo-caderno-1-25-02-2010-pg-ii/

pdfView#xml=http://www.jusbrasil.com.br/highlight/5135262/missao%20francesa –
Publicado por AEC para Influencias Européias no Brasil
    Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

    Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.28
    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:

    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

    “A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
http://web.tiscalinet.it/canneitaliana/italo.htm
    No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.
    No seu livro de memórias, comenta Luiz Edmundo, captando bem o momento de transição:
    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31
    O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.

    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.

    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.

    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.

    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.
    A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

    “Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.
PANTANA
Capoeiragem: Articulo EEUU-Nueva York -1953 http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1953-eeuu-articulo-de-capoeiragem-en.html

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).

O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão, desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

    O “AÚ” é descrito como: Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

    É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.

Pintura do italiano Giovanni Battista Tiepolo, chamada Pulcinella and the Tumblers de 1797, época em
que a ginástica renascia em apresentações públicas. A obra encontra-se no Museu Settecento Veneziano

    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html

http://www2.webng.com/portaldacapoeira/au.html
Pencak Indonésia
Seqüência de Bimba (8)
Jogador 1 – bênção e aú de rolê.
Jogador 2 – negativa e cabeçada.
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lh3.ggpht.com/_MARp4qSlMvU/SiRJDUmNnaI/AAAAAAAAAPA/O02nIzd1G5o/
sequencia6.gif&imgrefurl=http://omandinguero.blogspot.com/2009_06_01_archive.html&usg=__R477GbXv4M-FJTojcTNYDN3M-
A0=&h=261&w=481&sz=6&hl=pt-BR&start=1&tbnid=xGLM7LmLEMqgzM:&tbnh=70&tbnw=129&prev=/images%3Fq%3Djoelhada
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http://angoleiro.files.wordpress.com/2008/12/traira.jpg
http://4.bp.blogspot.com/_kL_C1q2fRZo/SairYBUBtsI/AAAAAAAAAFg/GyRpMviliGQ/S760/capoeira+03.jpg
    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

    “Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.

    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.

    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.

    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.

    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.

    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.

    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”

    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

    “Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.
    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

    MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
    Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.
    Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Notas

  1. Correspondência eletrônica pessoal, enviada por FICA-Espanha- [capoeira.espanha@gmail.com] sáb 12/6/2010 13:16 para Leopoldo Gil Dulcio Vaz [leopoldovaz@elo.com.br] assunto: A Galhina dos ovos de ouro (Muito Importante).
  2. MARTINS, Dejard. Esportes: um mergulho no tempo. São Luís: (s.n.), 1989.
  3. O Philantropinum foi fundado em 1774 por J. B. Basedow, professor das escolas nobres da Dinamarca. O Philantropinum foi a primeira escola dos tempos modernos a ter um cunho fundamente democrático, pois, seus alunos provinham indiferentemente, de todas as camadas sociais. Foi também, a primeira escola a incluir a ginástica no curriculum, no mesmo plano das matérias chamadas teóricas ou intelectuais. As atividades intelectuais ficavam lado a lado às atividades físicas, como equitação, lutas, corridas e esgrima. Na Fundação Philantropinum havia cinco horas de matérias teóricas, duas horas de trabalhos manuais, e três de recreação, incluindo a esgrima, equitação, as lutas, a caça, a pesca, excursões e danças. A concepção Basedowiana contribuía para a execução de atividades a fim de preparação física e mental para as classes escolares maiores.
  4. AGUIAR, Olivette Rufino Borges Prado Aguiar; FROTA, Paulo Rômulo de Oliveira Frota. Educação Física em questão: resgate histórico e evolução conceitual. On line, disponível em http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/iiencontro/GT-1/GT-01-05.htm
  5. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 36, 12 de novembro de1841
  6. SOARES, Carmen Lúcia. Imagens da Educação no Corpo – estudo a partir da Ginástica Francesa no século XIX. Tese (Doutorado em Educação) – Unicamp, Campinas, 1996.
    • SOARES, Carmen Lúcia. Raízes Européias e Brasil. Campinas, Autores Associados, 2001. 2a edição revista
  7. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 37, 16 de novembro de1841
  8. Schnepfental Educational Institute, criado por Salimann, um ex-professor do Philantropinum, instituição que atravessaria séculos e seria a herdeira dos sistemas que celebrizaram Basedow.
  9. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A família LaRocque, do Maranhão: questão de pesquisa. In Revista “Nova Atenas” de educação tecnológica, São Luis, Volume 06, Número 01, jan/jun/2003 (Disponibilizado em dezembro de 2006), on line www.cwfwt-ma.br/revista.
  10. In Dicionário das Famílias Brasileiras, vol. II, BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Arquivos da Biblioteca Pública “Benedito Leite”.
  11. Informação encontrada no Arquivo Público, sobre a existência desse pesquisador; viria publicar, posteriormente, Entrelaços de Família. Brasília, 2003. Meu exemplar é o de número 288.
  12. As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)
  13. On line http://pt.wikipedia.org/wiki/Savate
  14. SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf
  15. On line http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/pelea-de-marinos-savate.html
  16. Eugène François Vidocq (23 de julho de 1775 – 11 maio de 1857) foi um criminalista francês cuja história de vida inspirou vários escritores, incluindo Victor Hugo e Honoré de Balzac. Um ex-bandido que posteriormente se tornou o fundador e primeiro diretor do combate ao crime Sûreté Nationale bem como a cabeça do primeiro conhecido agência privada de detectives, Ele é hoje considerado pelos historiadores como o pai da moderna criminologia e da polícia francesa. Ele também é considerado como o primeiro detective privado. Na prisão de Bicêtre Vidocq era de esperar vários meses para a transferência para o Bagne em Brest ao trabalho no cozinhas. Um companheiro preso lhe ensinou a arte marcial savate que mais tarde foi muitas vezes útil para ele. No final de 1811 Vidocq informalmente organizado uma unidade à paisana, o Brigada de la Sûreté (Brigada de Segurança). O departamento de polícia reconheceu o valor dos agentes civis, e em outubro de 1812 o experimento foi oficialmente convertido em uma unidade da polícia de segurança sob a égide da Delegacia de Polícia. Vidocq foi apontado como seu líder. Em 17 de dezembro de 1813 Napoleão Bonaparte assinou um decreto, que fez a brigada de um estado policial de segurança. On line http://en.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Fran%C3%A7ois_Vidocq
  17. http://www.policiamilitar.sp.gov.br/noticias.asp?TxtHidden=144 on line  http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/1906-Mission%20Francesa%20para%20en%20Brasil%20para%20formaci%C3%B3n%20de%20la%20Fuerza%20P%C3%BAblica
  18. O Imperial Collegio de Pedro Segundo (CPII) foi fundado no Rio de Janeiro em 1837. O principal objetivo do governo brasileiro ao organizar o CPII foi oferecer aos filhos da boa sociedade imperial (Mattos, 1999) uma formação secundária abrangente e distintiva, própria à elite da época. A distinção pode ser avaliada pelo título conferido aos alunos que finalizavam o curso de estudos do Colégio, o de Bacharel em Letras, cuja posse garantia lugar em qualquer uma das Academias Superiores brasileiras. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil:
    reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008; CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
  19. Para saber mais sobre Vidocq e a criação do Savate, ver http://www.arras-online.com/celeb_vidocq.php
  20. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  21. VIEIRA, Luis Renato. Educação e autoritarismo no Estado Nobo. In EDUC E FILOS. Uberlândia, 6 (12): 83-94, jan./dez. 1992, disponível em http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1921-adop-metodo-ed-fisica-ejercito-br.html
  22. COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.
  23. NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.
  24. REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.
  25. PIRES, Antonio Liberac A. Capoeira na Bahia de Todos os Santos: estudo sobre cultura e classes trabalhadoras (1890 – 1937). Tocantins: NEAB/ Grafset. 2004
  26. CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).
  27. Guilherme de Taube, como a maioria dos mestres de gymnastica que passariam pelo CPII ao longo dos oitocentos, era um ex-oficial do Exército. Sua experiência com os exercícios ginásticos no meio militar serviu como um atestado de sua aptidão para o emprego no Colégio. Durante todo o período imperial não haveria concurso para esse cargo, sendo os profissionais contratados diretamente pelo Reitor ou pelo Ministro do Império, de acordo com a necessidade da instituição. A gymnastica era considerada uma atividade eminentemente prática. Ao contrário dos responsáveis pelas outras cadeiras oferecidas pelo CPII, os pretendentes ao cargo de mestre de gymnastica não eram avaliados por seu conhecimento teórico, mas por sua perícia e experiência de trabalho com esta arte no meio militar ou nas instituições escolares civis. […] (CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” – uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004) on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II
  28. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  29. PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA. on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf
  30. CARVALHO, José Murilo De. BESTIALIZADOS OU BILONTRAS? (do Livro Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a República que não foi”, Cia das Letras, págs. 140-164, ano 2001). On line, http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/bestializados.html
  31. On line http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882007000200008&script=sci_arttext
  32. On line in http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/search/label/Ginga-SAVATE
  33. KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.
  34. SOUSA, Celso. , La mission militaire française au Brésil de 1906 à 1914 et son rôle dans la diffusion de techniques et méthodes d’éducation physique militaire et sportive. Thèse Histoire contemporaine, Université de Bourgogne, 2006 in [http://www.esefex.ensino.eb.br/atual_trab/%40cap I.PDF
  35. Bailado Joinville Le Pont -SESC Pompeia Dia(s) 26/04 Domingo, às 17h. O “Bailado Joinville Le Pont” é uma dança folclórica, originalmente extraída de uma dança camponesa do interior da França, posteriormente sistematizada pela Escola de Joinville Le Pont. Com o advento das Guerras Napoleônicas essa dança foi utilizada pelos comandantes franceses como forma de treinamento e entretenimento de seus soldados. Em 1906, uma missão composta por 19 oficiais da gerdarmarie francesa introduziu a dança na Academia de Polícia Militar do Estado de São Paulo, com a finalidade de reforçar o condicionamento físico dos soldados brasileiros. Hoje em dia este bailado está extinto na França, contudo ainda é praticado no Brasil pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Deck Solarium. In http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=149568
  36. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jiu-Jitsu no Maranhão. In Jornal do Capoeira Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005, 0on linme. Diospon[ível em http://www.capoeira.jex.com.br/
  37. RAMOS, Jayr Jordão. OS EXERCICIOS FISICOS NA HISTORIA E NA ARTE. Rio de Janeiro: IBRASA, 1983
    • O General Jayr Jordão Ramos nasceu em 14 de julho de 1907, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola Militar do Realengo, e foi declarado aspirante a oficial em 1930. Ao longo de toda a sua carreira militar dedicou-se às questões relacionadas à prática e ao ensino de Educação Física. Como aluno, recebeu Menção Honrosa na Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx). É importante ressaltar que esta instituição balizava os rumos da Educação Física no Brasil à época. Em 1935, é nomeado instrutor da EsEFEx e começa a estabelecer contato com outras Escolas importantes internacionais, como a Escola Superior de Educação Física Joinville-Le-Pont, lá realizando cursos
  38. FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  39. O batuque é uma mistura de dança e luta, na qual os jogadores usam as pernas para desequilibrar o adversário.
  40. SODRÉ, Muniz. Mestre Bimba: corpo de mandinga. 2002. Citado por FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  41. SANTOS, Eduardo Alves (Mestre Fálcon) CAPOEIRA NACIONAL: A Luta por Liberdade  IV IN Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br Edição 61 – de 19 a 25/Fev de 2006 Sorocaba-SP, disponível em http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.jornalexpress.com.br/gerencia/antigos/ver_imagem.php%3Fid_imagem%3D4273&imgrefurl=http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php%3Fid_jornal%3D13170%26id_noticia%3D848&usg=__Sn7kJPy_YwGNzGjlIVhtUcf6xro=&h=414&w=287&sz=60&hl=pt-BR&start=6&tbnid=q52S4xUiYR9MQM:&tbnh=125&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3Dcapoeira%2B%252B%2Bodc%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
  42. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  43. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  44. LOPES, André Luiz Lacé. Capoeiragem no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo. Literatura de Cordel, 2ª edição. Rio de Janeiro, 2005.
  45. VASSALO, Simone Ponde. “Capoeiras e intelectuais: a construção coletiva da capoeira autêntica”. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, 2003, v.2, n.32, p 106-124
  46. DOU (Diário Oficial da União), de 21/12/1962, pg. 61. Seção 1., disponível em
    http://www.jusbrasil.com.br/diarios/3100574/dou-secao-1-21-12-1962-pg-61 , Publicado por AEC para Conexoes da Capoeira Desportiva el 8/03/2010 02:25:00 AM

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A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?

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!!! O Blog dedicado ao Patrimônio Cultural Brasileiro e com o Axé dos Capoeiras será Esporte Olímpico no Rio em 2016 !!!

 A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?
        Existem muitas teorias sobre a formação e elaboração das técnicas que atualmente são praticadas na capoeira tradicional ou contemporânea……
         Em anexo um ( Link ) do site efdeportes.com onde podemos estudar e pesquisar uma dessas teorias sobre a origem das exóticas técnicas da Capoeira.
Salvate ou Boxe Francês
 Capoeira

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)

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Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

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Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a  Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

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CONVITE! Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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CONVITE!

A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem. 
DATA: 26/11/2014 (Quarta – feira);
HORÁRIO: 19hs
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA

Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.

Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012 à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit. na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”

A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”

Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.

Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.

“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.”

Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”

Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13;http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

CONVITE!</p>
<p>A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.<br />
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem.<br />
DATA: 26/11/2014 (Quarta - feira);<br />
HORÁRIO: 19hs<br />
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA</p>
<p>Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.</p>
<p>Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012  à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit.  na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”</p>
<p>A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”</p>
<p>Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.</p>
<p>Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.</p>
<p>“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.” </p>
<p>Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”</p>
<p>Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13; http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

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III SIMPÓSIO DE CAPOEIRA DO MARANHÃO – 6 A 9 DE NOVEMBRO – FLOR DO SAMBA

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CEV Novidades – Capoeiragem no Piauí/Atlas da Capoeiragem no Piauí

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Artigos do locutor que vos fala sobre a Capoeiragem no Piauí – em resposta à Mestre Baé:

Legislação Desportiva – CEVLeis: Espaço do Colecionador Cevleis Série RevistasPosted:

  

O Ensino Superior da Educação Física no Estado de Pernambuco (1940-1972)Posted:

  

Las Revistas Científico-técnicas Españolas de Ciencias de La Actividad Física Y El Deporte: Adecuación a Las Normas Iso Y Grado de Normalización.Posted:

  

Atividade Física no Programa Saúde na Família: Acidente Vascular Cerebral (avc) e a Atividade FísicaPosted:

  

Relação Entre os Indicadores da Resistência e as Variáveis da Composição Corporal em Jovens Voleibolistas do Sexo FemininoPosted:

  

Prospecção de Talentos Motores Para Rugby: Proposta de Modelo a de Indicadores SomatomotoresPosted:

  

Análise de Força e Capacidade Funcional de Idosos com Síndrome da Fragilidade Após 4 Meses de Treinamento FísicoPosted:

  

História da Educação Física e dos Esportes: 1958, o Ano em Que o Mundo Descobriu o Brasil (josé Carlos Asberg, 2007)Posted:

  

História da Educação Física e dos Esportes: Dilma Bezerras – Pioneira da Ginástica no Maranhão – Anos 1970 – Mas Quem é Dilma Bezerras????Posted:

  

História da Educação Física e dos Esportes: Atlas da Capoeiragem no PiauíPosted:

  

História da Educação Física e dos Esportes: Capoeiragem no PiauíPosted:

  

Capoeira: Capoeiragem no PiauíPosted:

  

Capoeira: Atlas da Capoeiragem no PiauíPosted:

  

Educação Física no Maranhão: Atlas da Capoeiragem no PiauíPosted:

  

Educação Física no Piauí: Atlas da Capoeiragem no PiauíPosted:
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VIII IÊ Camará – Encontro de Capoeira Angola no Maranhão – 13 a 16 de novembro

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A Escola de Capoeira Angola do Laborarte informa e convida, capoeiras, pesquisadores, artistas e o público em geral, de São Luís e alhures, para mais uma edição do “IÊ, CAMARÁ!”, em novembro, de 13 a 16, e assim compartilhar e trocar saberes e ofícios, desta feita, com a temática: Diálogos de Batuque e a Capoeira. Uma reverência a muitos jogos de luta espalhados pelo Brasil afora, e suas possíveis relações com a nossa arte guerreira maior. Uma das muitas produções do Laborarte, a exemplo do Festival de Cânticos de Capoeira, este, desde 1992. Na oportunidade teremos os mestres: Joab Jó, de Pernambuco, que mostrará, por meio do Passo do Frevo e do Sambado de Maracatu, as nuances da gente pernambucana; Jaime de Mar Grande, com o gingado e a manha baiana, através do Samba de Roda; Euzamor, com os caqueados e molejos do Caboclo de Pena e a força do Jogo de Cacete maranhenses; Elma, com suas experiências acerca das muitas manifestações populares, maranhenses e brasileiras, de que é conhecedora; e, Patinho, com seu vasto saber sobre as muitas correntes do movimento, envolvendo os caqueados do miolo do boi, do caboclo de pena e do vaqueiro, no Bumba-Boi, Tambor de Crioula, Circo e tantas outras fontes por ele vivenciadas nesses 51 anos dedicados, tendo a Capoeira, como carro-chefe. Por fim, Seo – Mestre – Zé Ribeiro e sua Turma do Quilombo de Rosário, a mostrar o vigor e a alegria da Punga dos Homens, no Tambor de Crioula, bem como Mestre Gonçalinho e D. Rôxa, à frente da Turma do Laborarte. O evento contará, também, com as ilustres presenças do Prof. Mst. Paulo Magalhães (BA) e no Mestre Assuero/Acinho, em exposição acadêmica e lançamento de livro, respectivamente, sobre a Capoeira. Que venham todo/as, para nos movimentarmos, nos alegrarmos e celebrarmos, essa grande Kizomba!
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Atlas da Capoeiragem no Piauí

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Mestre Baé ligou onte-ontem para falar de suas atividades atuais. Que estava indo com regularidade para o Piauí… falamos um pouco sobre a Capoeira naquele estado e ele informou que era recente a sua inclusão entre as atividades do ludico e do movimento por lá. Disse a ele que não, que a Capoeiragem no Piauí é irmã da do Maranhão, e que desde os meados dos 1800 já se tem notícias dela por lá…

Fui buscar o que tinha e acabei passando dois dias pesquisando e escrevendo; e agora compartilho com o Baé, e vamos nos ater a aprofundar essa História. Já mandei a ele um artigo – postagem anterior – e agora o ‘anexo’, com a construção do Atlas da Capoeiragem no Piauí…

 

Vamos emk frente:

 

Atlas da Capoeiragem no Piauí

 

Mestre Baé

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

1757 encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5) [1]. Carta de Mendonça Furtado a seu irmão, o Marques de Pombal – datada de 13 de junho de 1757[2]. Francisco Xavier de Mendonça Furtado (17001769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. Nesse período, o Piauí fazia parte do Estado Colonia do Maranhão e Grão-Pará.

1836 nascimento de José Basson de Miranda Osório, em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. Perito na arte da capoeira[3].

1874 Jornal ‘O Papiro”, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de julho, em “Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso[4]:

1878/1884 no jornal “A Época”, órgão conservador, se encontram referencias sobre ‘capoeira’, nem sempre relacionadas com capoeiristas e capoeiragem, tratando de fatos e intrigas da política local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria denegrir alguém, se lhe referia como “capoeira”. [5]

1880 Jornal A Época, 7 de maio de 1880, referia sobre alguns queixosos sobre a atuação do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o Juiz como um cínico, afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’ [6]

1883 Jornal A Época, edição de 22 de setembro de 1883; o articulista identifica o Dr. Basson como ‘capoeira’, [José Basson de Miranda Osório foi Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)] [7] e utiliza outro termo para identificar os praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro. [8]

1907/1912 Jornal “O Apóstolo” a partir de outubro se refere à capoeira, mas como mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas capoeiras”, em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia também à prática da “capoeira” enquanto arte-luta:

 

1954 nascimento de José Carlos de Lima (Mestre Zé Carlos), nascido no dia 06/11/1954 em Teresina, conhecido inicialmente como Mestre Bimba, tendo que mudar de apelido devido a coincidência com um dos mais famosos mestres da história da capoeira no Brasil, é funcionário público e iniciou na capoeira no ano de 1976, em Feira de Santana, retornando ao Piauí em 1977, onde se manteve até hoje ensinando e divulgando a capoeira. Reside à rua Ivan Messias Melo, nº 554, bairro Cristo Rei. Se destacou pela forma plástica e de bastante leveza com que jogava capoeira, acompanhado de mais dois irmãos, em especial com apresentações no carnaval de escolas de samba do Piauí, nas décadas de 1970 e 1980, bem como em escolas públicas, além de ser pioneiro na difusão da capoeira na imprensa televisiva, exibindo-se em programas de auditórios e reportagens ao vivo. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1957 nascimento de Inocêncio de Carvalho Neto (Mestre Caramurú), natural da localidade de Betúlia, no município de Simplício Mendes, Piauí. Nasceu em 18/08, residente em um Chalé, na Rua Beira Mara, 1666, Bairro Beira Mar, Luiz Correia-PI. Exerce a função de Marceneiro, sendo Microempresário de uma pequena fábrica de marcenaria. É Mestre de Capoeira da Associação Cultural Lua Nova de Capoeira, ministrando aulas numa academia própria que montou num galpão que adquiriu, ao qual pretende construir, nos fundos, sua própria residência. É poeta e escritor, tendo seu nome e uma pequena biografia registrada no Dicionário de Poetas Piauienses Contemporâneos. Possuí vasta experiência na Capoeira com viagens a vários estados do Brasil, em espacial Goiás, Brasília, Pernambuco e Rio de Janeiro. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1962 nascimento de José Gualberto da Silva Neto (Mestre Tucano), nascido em Teresina-PI em 07/08/1962, tem 32 deles dedicados à prática efetiva da capoeira, iniciada no ano de 1978 em Teresina, pelos ensinamentos do professor carioca Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira por aqui, com aulas às segundas, quartas e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. Possui vasta experiência conquistada pela inserção e participação em eventos de capoeira pelo Brasil e viagens internacionais, organizando eventos de capoeira e participando de encontros promovidos por outros mestres de capoeira. É professor de Educação Física, pela UFPI, com Especialização em Esportes e Saúde, também pela UFPI, exercendo sua função de professor efetivo da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), na APAE, Escola Consuelo Pinheiro, localizada no Bairro Cabral, zona norte da cidade, desenvolvendo atividades de esportes, artístico-culturais e de capoeira com crianças e jovens surdas e portadoras de dificuldades mentais leves, a mais de 20 anos. Reside à Rua Dr. Arêa Leão, 1082, Bairro Mafuá, em Teresina e desenvolve trabalho de capoeira na Casa da Cultura (Prefeitura Municipal), no centro da cidade, às terças e quintas feiras, e no Colégio Alceu Brandão (SEDUC), zona sul, aos sábados e domingos. É Mestre de capoeira pela Associação Cultural Raízes do Brasil e ajudou a fundar a primeira associação legalmente constituída do Piauí, a Associação Esportiva, Cultural e Filantrópica Quilombo Capoeira, no dia 12 de outubro de 1984. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1963 nascimento de Mestre Chocolate, nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963, tem 48 anos, reside em Caracas na Venezuela onde desenvolve trabalhos com capoeira e cultura brasileira em várias instituições culturais, sociais e educacionais naquele país. Iniciou na capoeira no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu irmão. Foi um dos precursores, ao lado do Mestre Tucano, da capoeira nas escolas de Teresina-PI. Logo cedo partiu para São Paulo e depois ao Rio de Janeiro, treinando e ensinado capoeira ao lado de renomados mestres dessa arte, retornando a Teresina, onde passou breve temporada, seguindo para Caracas, capital da Venezuela, desenvolvendo sua capoeira e criando a Associação Humaitá – celeiro de bambas. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1966 o mestre baiano Washington Bruno da Silva (Canjiquinha) faz suas exibições fora do Estado da Bahia, destacando exibição em Teresina-PI [Rego, 1968, p. 277 – Capoeiras Famosos e seu Comportamento na Comunidade Social”]

1969 Mestre Caramurú (reconhecido no universo da capoeira como o pioneiro dessa cultura no Piauí) chegou a Teresina no ano de 1969, iniciando na prática da capoeira no ano de 1970, pelos ensinamentos de um primo oriundo de Salvador-BA, chamado Washington, que veio morar na Via Militar, no bairro Marquês, zona norte da cidade, mais precisamente no Clube do Marquês, clube dos oficiais do Exército do Piauí. Mestre Caramurú fala de seu início na capoeira:

Quando esse primo nosso chegou, ele chegou pela manhã e já fez aquela cara de descolado, morava na capital Salvador, outra vivência, outra coisa, então ele chegou em casa e já foi logo andando na rua, queria saber onde eu estava, qual o colégio e tudo mais, e ele já foi logo me pegar no colégio. Na estrada ele já vinha dizendo que fazia capoeira em Salvador, e foi uma coisa que me fascinou, a tarde a gente brincando em um campo no Marquês, que na época era um campo enorme, de chão batido, não tinha praça, os circos vinham e ficavam lá acampados. A gente ficava lá brincando de bola, e lá rolou o primeiro “au” que eu vi, um “au”, uma “benção”, uma “armada”, um salto, um “s” dobrado, porque pra gente, naquele tempo , um “s” dobrado era bonito demais (risos), então aí começou esse movimento, eu e o Washington, o nome dele era Washington Vieira de Carvalho, só que ele me ensinou de uma maneira meio drástica, ele me dava muita pancada, me botava no chão, doía, ralava joelho, ralava cotovelo quando eu caia, não tinha a manha de cair em queda de rins nem “negativa”, nem “cocorinha”, aí eu fui aprendendo. Depois de uns dias, a gente brincando, e eu disse “olha, hoje você não me derruba mais”, um dia de tarde, depois de uma pelada, tinha suado, fomos jogar, aí eu passei a me embaraçar com ele, de igual pra igual, aí eu dei umas duas rasteiras seguras nele, ele levantava a perna, e eu ia por baixo, só que eu entrava no corpo, eu era mais forte do que ele, ele era maior mais era magro, eu entrava com meu corpo por baixo do dele, empurrava com as mãos e puxava como se fosse uma baianada, uma alavanca lateral, e por duas vezes eu consegui derrubar ele, e aí ele disse “ você já aprendeu”. Me lembro disso como se fosse hoje. Aí começou minha grande audácia de querer fazer aquilo ali sempre com as pessoas.[…] isso foi no ano de 70, de junho até julho, ele (seu primo) esteve com a gente até agosto, que eu me lembro que logo depois do meu aniversário ele foi embora. [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1971 Segundo Mestre Caramurú a capoeira em Teresina teve início no ano de 1971, enquanto prática realmente instituída, em local próprio e com o uso de vestimentas características.

Durante o ano de 70 não, de jeito nenhum, procurei em muitos lugares, eu andava na Vermelha, tinha uma tia que morava na Vermelha, não tinha, passei a frequentar o Círculo Militar quando o presidente era o Carlito, não tinha ninguém com capoeira por lá em 1970, só fui achar uma pessoa pra jogar capoeira em 1971, isso mais ou menos no carnaval, que era uma pessoa que veio de Fortaleza chamado Cláudio, que disse que iria retornar e montar um grupo de Capoeira. […] não me lembro se ele era daqui, ele só veio pra cá, passou alguns meses, inclusive deu aula, na segunda vez que ele veio ele deu

aula no SESC, mas isso bem depois, 74, 75 por aí. Ele não veio logo em seguida nesse tempo que a gente se encontrou no Círculo Militar. (Mestre Caramurú)

– As primeiras manifestações ficaram a cargo de um pequeno grupo de amigos que se reuniam para a prática da capoeira, conhecido como “thurma”, que pregavam a liberdade de expressão e eram representados enquanto intelectuais, se constituindo numa espécie de grupo fechado, mais atrelado à forma livre de se manifestarem e conduzirem suas experiências:

         Meu nome é Inocêncio de Carvalho Neto, nascido no povoado de Betúria, da fazenda Malhadinha, uma das fazendas mais antigas do Piauí, tá no mapa de 1970 pra trás, tem um pontinho lá com o nome de “Fazenda Malhadinha”, onde tinham nove escravos nessa fazenda. Na época, eu me lembro vagamente que eu passei só três anos com meus pais legítimos, a gente ia lá comer manga, essa manga rosa, e andar naquele grande porão de pedra que tem lá até hoje, e a coisa que eu achava muito bonita era um paredão de pedra, a cerca lá era de pedra, feita pelos escravos. Então logo depois tive que fazer uma cirurgia, minha mãe me deu pra minha tia, que morava em Floriano, pra fazer essa cirurgia, e a minha tia gostou muito de mim e não me devolveu mais pra minha mãe (risos), fui criado em Floriano. Então minha infância foi em Floriano, e em 69 meu pai deixou a firma onde trabalhava em Floriano e a gente veio morar em Teresina, em dezembro de 1969. Nossa mobília veio toda em um barco e desceu ali onde hoje em dia é o Troca-Troca em Teresina, aí começamos a morar em Teresina, lá na Rua Tiradentes, próximo ali a Coelho de Rezende, quase esquina com essa rua, e fui estudar no Colégio João Costa, se não me engano é ali atrás do Lindolfo Monteiro, e logo anos depois foi montado o polivalente. Lá no João Costa é que onde começou praticamente os movimentos de capoeira, veja o porquê: lá tinha a quadra da LBA, uns dois pés de manga, muito grande, então aquelas pessoas iam fazer aquela assistência social, aquela coisa toda, e ficavam muitas pessoas lá, então certo dia recebemos uma carta que dizia que um primo meu de Salvador iria passar uns três meses com a gente.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1974 Mestre Caramurú inicia um pequeno grupo de capoeira, denominado de Nova lua de Capoeira, sendo o primeiro grupo que se tem notícia no Piauí, por volta de 1974, época que coincide com a chegada de alguns capoeiristas de outros centros que se estabelecem em Teresina:

         O “Lua Nova”, […] foi fundada aí, a raiz dela foi aí, porque primeiro foi “Lua Nova de Capoeira”, depois, com o tempo, é que pessoas me diziam pra fundar uma associação com pessoas que tivessem certa importância na área do esporte ou na área social, daí coloquei como associação, mas não registrada em cartório, não é a associação mais antiga de Teresina, é o grupo de capoeira mais antigo de Teresina. Só veio a haver outro grupo fundado por mim, Carlão, Sevilha, Henry, Paulinho de Tarso, que não é o Paulinho Velho, é o Paulo de Tarso do Rio de Janeiro, o “Paulo Capoeira”, Luís Bahia, que era o Hippie, o Serginho e o Ricardinho, que são dois irmãos do Rio de Janeiro, amigos dele que logo depois vieram pra cá, eram artesãos na época, inclusive me tornei artesão por causa desses dois irmãos. […] Então, daí em meados de 74 e 75 é que se tem uma amizade com o Paulo Capoeira, que é igual ao Washington, […] o Washington veio da Bahia e o Paulo Capoeira veio do Rio de Janeiro. Era soldado do exercito, o irmão também era cabo, […] Resultado: eles vieram embora pra cá devido a recessões lá, aquela coisa toda, ficou muito crítica a situação deles, então o Paulinho veio pra cá, pra casa da avó deles, que ficava no Mafuá, próximo de mim e próximo de Carlão, aonde eu convivia diariamente, que era a casa do coronel, pai do Carlão, e a gente criou aquela amizade, aquela coisa toda. O Paulinho era um eximo capoeirista, malandro do morro, tinha um grupo de capoeira lá no morro, malandro daqueles de gingar, e fazer gesto de macaquice e tal, fazia do corpo o que ele queria, praticamente ele era um “negro de mola”, ta entendendo? Aí a gente começou a treinar, e ele viu que eu tinha potencial, já foi investindo em mim, “olha, você tem que fazer isso aqui comigo direto, não pode sair daqui, tem que ter responsabilidade”, e eu não queria ter muita responsabilidade não.

[SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1975 nas memórias dos mestres, a capoeira começou a se aproximar da escola ainda no ano e 1975, porém somente por meio de apresentações pontuais em escolas públicas, sem nenhum vínculo institucional:

Em 1975 a gente fez várias apresentações, vou te citar alguns colégios onde a gente se apresentou: em um colégio na Vermelha, no CSU do Parque Piauí, no colégio da Ampliação no Parque Piauí, no Demóstenes Avelino, próximo à linha do trem, no rumo de quem vai descendo na Pires de Castro, fizemos apresentação várias vezes no Helvídio Nunes, porque a diretora era muito amiga da minha mãe, e ela sempre pedia pra gente fazer apresentação lá, de 75 em diante, em 78 foi quando eu zarpei de Teresina, eu viajei mesmo pra não voltar seguidamente. Fizemos também em um colégio, não me recordo o nome, onde a turma falava “pagou passou”, próximo à São Benedito, tinha o Colégio São Francisco, no centro, depois da Igreja São Benedito, apresentamos muito ali também,fica próximo ao Karnak, por ali. (Mestre Caramurú)

1976 Mestre Marcondes e seus familiares, e o professor Paulo Capoeira formam uma grande turma de jovens capoeiristas divulgando assim a arte da capoeira no estado do Piauí. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

- Mestre Zé Carlos – nascido em Teresina a 06/11/1954 – conhecido inicialmente como Mestre Bimba, iniciou-se na capoeira, em Feira de Santana, retornando ao Piauí em 1977, onde se manteve até hoje ensinando e divulgando a capoeira:

Eu comecei a capoeira no Piauí em 1977, quando fui convidado para uma ala no carnaval por Mario de Araujo Lima, ex-carnavalesco, engenheiro da prefeitura, falecido, que Deus o tenha em um bom lugar, e com isso começou o movimento da capoeira no Piauí. Foi se não me engano onde hoje é o atual Bradesco, e eu cheguei e já existiam pequenos focos de capoeiristas, aqueles que passam um mês e viajam para o Sul, para São Paulo, e chegam aqui e dizem que são professores de capoeira (risos), e também semi-analfabetos na área.

- […] O inicio foi o seguinte: como eu jogava bola todo dia à tarde lá no campo do Clube do Marquês, a gente queria ficar dentro do clube, mas os oficiais não deixavam ter essa coisa assim de menino, bagunça de menino. Lá tinha um racha que era dos oficiais, todo dia de tarde tinha essa pelada deles, e a gente esperava eles terminarem essa pelada deles lá pelas 18 horas, já tudo escuro, porque não tinha refletor lá, só tinha uns pés de manga muito grande, a quadra e o clube do lado, e um portão bem grande de garagem direto pro rumo da quadra. Então a gente esperava terminar isso aí e ia jogar rapidinho, eu e mais quatro colegas vizinhos que eu já estava ensinando. Dentro desse primeiro prefácio de treinamento de capoeira, consegui mais cinco pessoas ao redor do clube, a molecada de lá mesmo que jogava bola por lá, a gente já era amigo, e de tanto eles verem a gente treinar eles se interessaram. Ficou mais ou menos oito pessoas praticando capoeira. (Mestre Caramurú) (Grifos meu) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

1977 após haver retornado do Rio de Janeiro, o capoeirista conhecido como Paulo Capoeira, se estabelece por mais tempo na cidade, propondo uma melhor organização da capoeira, com a abertura de turmas, instituindo horários de treinos, seguindo uma determinada metodologia de ensino e ampliando a difusão dessa arte como uma atividade educativa, capaz de agregar pessoas de idade, sexo, formação, etnia e classe sociais as mais diversas, conseguindo, por meio do contato de parentes seus, acesso ao Serviço Social do Comércio (SESC), que seguindo a política de unidades instaladas em outros centros, estabelece a capoeira como uma das atividades ofertadas à comunidade. Se iniciava, assim, uma nova época da capoeira no Piauí, notadamente marcando o aparecimento de outros capoeiristas que se firmariam como os mestres e guardiões da capoeira piauiense:

1978 em Teresina, o professor carioca Paulo Capoeira, dava aulas às segundas, quartas e sextas-feiras no Clube do SESC, na Ilhotas. [SILVA, Robson Carlos da]

- Mestre Tucano – nascido em Teresina-PI em 07/08/1962 – iniciou na capoeira com o professor carioca Paulo Capoeira, um dos pioneiros do ensino da capoeira em Teresina.

Bom, eu iniciei na capoeira mais ou menos na metade de setembro de 1978, acho que pelo dia 15 ou 16 de setembro desse ano, aqui em Teresina, no Ginásio do SESC, hoje chamado de SESC Ilhotas, que é o Ginásio de Esportes do SESC Ilhotas, na época com o professor Paulo Capoeira, em 1978. Então, naquela época, a capoeira em Teresina não era muito difundida, mas chamava a atenção das pessoas, as pessoas achavam a capoeira bonita, ela sempre chamou atenção como beleza plástica, pela sua agilidade, pela sua música, pela sua expressão corporal, porém ela não tinha uma aceitação muito grande pela sociedade, os movimentos da capoeira eram bonitos, muito bem praticados, mas a questão é que as pessoas achavam que o capoeirista não era um sujeito bem quisto, então em 1978, não só aqui como no Brasil de um modo geral, a capoeira não era muito bem aceita como ela é hoje, e aqui em Teresina especialmente, porque aqui tem mais de um tipo de preconceito, além de achar que a capoeira era coisa de quem não tinha o que fazer, era coisa de drogado, era coisa de gente pobre, era coisa de vagabundo, tinha mais um preconceito que pesava muito: se você não era baiano, não era bom de capoeira. Então diziam assim: “ah, é piauiense, se não é baiano então não presta na capoeira”. A visão que se tinha na época da sociedade piauiense era a seguinte, o karate tava em alta, nessa época eram muito difundidos os filmes de Bruce Lee, e tinha toda aquela coisa do kung-fú chegando, o judô ainda não tinha ainda uma difusão grande, a musculação começava a chegar aqui, a natação estava no auge… e tudo isso era o que dava status aqui em Teresina, as pessoas não aceitavam nem o maratonista, quem corria na rua era vaiado. Então era uma sociedade muito provinciana ainda, e com isso a capoeira não era muito bem aceita, então nós iniciamos em um período um pouco difícil […]. (Mestre Tucano) [SILVA, Robson Carlos da. As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651]

- Mestre Chocolate - nascido em Teresina-PI, no dia 26/09/1963 – iniciou na capoeira no ano de 1978, com o Mestre Tucano, seu irmão:

[…] depois que ele entrou e começou a praticar capoeira no SESC com Paulo Capoeira, e depois começamos a treinar e a fazer aula de capoeira com ele e com o Gladstone, que era um capoeirista que existia no centro da cidade, e nos reuníamos lá no Pirajá, onde hoje é a UESPI. Todos os dias nos dirigíamos para aquele lugar, por volta de 4 ou 5 horas da manhã, para treinarmos capoeira. (Mestre Chocolate) [SILVA, Robson Carlos da]

- Nessa época (1978), chegou o Paulista (Mestre Albino), quando a gente tava fazendo roda no SESC, todo domingo tinha roda, a gente dava aula na terça e no sábado, eram dois dias na semana, e no domingo fazíamos a roda. E num desses domingos apareceu um paulista lá, calça de malha e tudo. […] E, nesse tempo, quando aparece o Paulista, alguns meses depois chegam três irmãos, também lá no SESC, nessas rodas que eu, o Paulinho e o Deuto estavam fazendo, aí esses três irmãos eram José Francisco, José de Ribamar e o José Carlos (Mestre Zé Carlos), se não me engano, o outro moreno, bem menor. […] Zé Carlos veio com esse apelido de Bimba. O Paulinho deu um descaramento nele, não gostou do apelido dele, porque não era pra ninguém ter o apelido de “Bimba”, isso na filosofia da gente. […] eles vieram pra estar com a gente no SESC, o primeiro contato de Bimba, José Carlos e José Francisco foi no SESC […] assim como o de Albino também foi lá. Só que o Albino ele já tinha estado comigo no Marquês, porque a mãe dele morava ali próxima a Primavera, tava começando esse bairro, pouquíssimas casas por lá […]. (Mestre Caramurú)

- Outro nome que merece destaque neste período, podendo ser apontado sua inserção na história da capoeira do Piauí é um professor da Escola Federal do Piauí, identificado como Mestre Marcondes, porém sem conseguir notoriedade, nem tampouco um reconhecimento unânime entre os praticantes dessa arte. Sua presença é apontada quase sempre enquanto referência por sua oportunidade de conhecer e praticar capoeira em Brasília, notadamente com alguns mestres de renome, tais como Adilson e Tabosa, sem, no entanto, maior influência na capoeira praticada em Teresina:

[…] foi mais ou menos em 74, 75, nesses meados aí, que a gente já tinha bastante informação, já jogava bastante, já fazia roda,lá no colégio João Costa, depois me mudei pro João Clímaco, e já tinha roda de capoeira porque era eu que fazia, e depois foi que fui conhecer o Marcondes através de um grande amigo meu que era goleiro, o Madeirinha, jogava ali naquela pracinha em frente a aquela penitenciária, que hoje não existe mais.[…] E ele veio pra morar, a família dele veio morar ali, acho que ainda hoje ta do mesmo jeito, com aquela calçada alta, então a gente se conheceu assim, porque eu jogava capoeira, e falaram “olha eu também jogo capoeira e tal” foi quando eu conheci Leal, quando eu conheci finado Zé Maria, quando conheci a turma ali do Pó de Arroz, o pessoal do Fluminense, aquela coisa toda, jogava no Bariri, foi nessa época que eu conheci ele. Mas ele chegava assim: “sou professor“. Era contramestre. (Mestre Caramurú)

1979 alguns dos capoeiristas que se iniciaram no SESC, começam a se organizar em torno de seus próprios alunos, fundando os primeiros grupos organizados do Piauí. Neste período, a capoeira passa a ser conhecida e difundida, seguindo por várias dimensões diferentes, muitos encontros e desencontros, surgindo outras pessoas que marcariam sua presença de forma significativa neste processo.

– Os já conhecidos Zé Carlos e Albino seguem cada qual na formação de seu grupo, seguindo o mesmo caminho os irmãos Tucano e Chocolate, além de outros capoeiristas oriundos do SESC, tais como Valtinho e seu irmão John Grandão. São estes grupos que trarão uma nova roupagem à capoeira, fundando verdadeiras escolas de capoeira, formando discípulos e proporcionando a abertura de novas possibilidades para esta cultura em Teresina, inclusive ampliando seus espaços de atuação para fora do estado.

Mestre Zé Carlos que forma o grupo Irmão Unidos, desenvolvendo suas atividades no bairro Piçarra, na zona sul da cidade;

Mestre Albino funda o grupo Escravos Brancos, no Centro Social Urbano da primavera (CSU Primavera), zona norte da cidade;

Mestres Tucano e Chocolate fundam o grupo Palmares, no Centro de Treinamentos do Pirajá, no bairro Matinha, na zona norte de Teresina; e

John Grandão, juntamente com seu irmão Valtinho, iniciam o grupo Nova Lua, no bairro Cabral, também na zona norte de Teresina.

– A chegada da capoeira às escolas de Teresina se dá de forma efetiva, mais precisamente a partir da segunda metade do ano, quando os capoeiristas, em busca de espaço para treinar, decidem utilizar os espaços vazios, aos finais de semanas, das escolas públicas de Teresina, grandes pátios e quadras de esportes que ficavam fechadas sem nenhuma utilização pela comunidade próxima ou distante do entorno destas escolas.

Então ser aceito na escola era mais difícil ainda, mas como, em alguns casos já tínhamos estudado nas escolas e as diretoras nos conheciam elas autorizavam. O complicado era o vigia abrir os portões. Não foram raras as vezes que tivemos de pular os portões, pois o vigia fechava e ia embora. Nossa experiência mais importante foi no Colégio Benjamin Baptista, o Polivalente, pois conseguimos montar um grupo grande de praticantes e que foi base para os capoeiristas que continuaram a tradição da capoeira em Teresina; continuaram treinando, acompanharam a evolução da capoeira, alguns pararam, como Monteiro, Edson, este sobrinho do mestre Marcondes, um dos pioneiros da capoeira no Piauí; outros se formaram e hoje são mestres, como Bobby e Chocolate. Quando íamos solicitar autorização para treinar capoeira na escola, a diretora fazia sempre algumas exigências, tais como: somente utilizar o pátio e a quadra; evitar andar pelos corredores, salas e outras dependências; manter a escola limpa e segura, pois era proibida a entrada de quem não fosse treinar; permitir que os alunos da escola participassem do grupo. Aí, ainda era comum a gente fazer apresentações na escola, no recreio, quando tinha alguma festa, ou torneios de esportes, que naquele tempo envolviam toda a escola e outras escolas. Também, como já disse, nós mesmos estudávamos na escola e já tinha um vínculo com os professores, a diretora e os outros alunos; isso facilitava muito a aceitação da capoeira, pois a diretora sabia a quem estava entregando a escola. Assim, sempre tinha alunos da escola treinando. (Grifos meu). (Mestre Tucano)

1980 um grupo de jovens capoeiristas formaram o grupo Quilombo Capoeira, formado pelos irmãos Tucano, Bobby e Chocolate, além do professor John Grandão, que levaram a capoeira em todos os locais públicos, instituições privadas e os mais diversos locais onde a capoeira pudesse ser aplicada, desenvolvida e conhecida pelo público em geral. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– destacam-se nomes como Mestre Albino, Mestre Traíra, professor Alberto, Mestre Deuton, dentre outros. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– Mestre Albino procurou e manteve contato com Tucano e Chocolate, indo ao Pirajá em busca de informações sobre a capoeira que lá se fazia. Aconteceu, assim, um dos contatos que contribuiu para o surgimento de uma nova época na capoeira do Piauí, que seria o encontro efetivo dos grupos, promovendo um significativo intercâmbio entre as escolas dessa cultura, além do fortalecimento dos grupos, não esquecendo do clima de rivalidade que a partir de então fica mais evidente, favorecido pelo próprio encontro destas pessoas e de suas concepções.

– Nos anos 80, a capoeira no Piauí teve um grande crescimento sendo conhecida a nível nacional e internacional, revelando grandes talentos, com participação em encontros nacionais, internacionais, shows, cursos, JEBs, JUBs, participação de pessoas portadoras de deficiência, consolidando-se definitivamente nos anos 90 até os dias atuais. http://culturaeformacao.blogspot.com.br/2011/03/capoeira-no-piaui.html

– jornal “O Estado”, com data provável do dia 28/12/1980, assinada pelo jornalista Kenard Cruel, com o título “Praticantes de Capoeira pedem apoio ao Governo”, na qual era chamada a atenção para um grupo de capoeiristas que procuravam despertar nas autoridades políticas, empresariais e da sociedade em geral sobre as dificuldades em se organizarem e a necessidade de serem reconhecidos enquanto grupo representativo dessa cultura, no sentido de realizar eventos em Teresina e participar dos eventos nos grandes centros em que essa arte tinha um desenvolvimento consistente.

1981 e se estendendo até a segunda metade da década de 1980, algumas destas pessoas começam a se encontrar, trocando ideias, visitando os espaços de treinamento e fortalecendo os laços no sentido de melhor organizar a capoeira, surgindo daí os grandes grupos de capoeira, que conseguem arregimentar significativa parcela de alunos, atraindo a atenção da imprensa e despertando nas autoridades o efetivo interesse nessa cultura, identificando seu potencial educativo e cultural. Neste período, acontece também a saída de cena dos capoeiristas que iniciaram o movimento do SESC, alguns voltando a seu estado de origem, como Paulo Capoeira (Paulinho) que retorna ao Rio de Janeiro, “[…] aí o Paulinho disse ‘estou indo embora, não vou demorar muito, mas você fica aqui com a rapaziada e tudo mais’ […]” (Mestre Caramurú); outros acabam viajando para fora do estado e retornam envolvidos com outras atividades ou, como é o caso de mestre Caramurú, que se afasta em longas viagens pelo Brasil e, ao retornar, se casa e segue trabalhando a capoeira, porém em outras cidades.

– Mestre Chocolate conta de forma pormenorizada alguns desses acontecimentos:

Depois veio o Bozó, no Pirajá, que é onde fica a UESPI, com o Quinzinho, com o Monteiro, e nesse período veio o Bobby, que se entrosou depois, o Zé Almeida, e nessa trajetória encontramos em Teresina um aluno de Mestre Pastinha, que ele se dizia ser desertor da Marinha nessa época e estava viajando pelo Brasil. Ele era um cara que vivia na periferia da cidade, na ponte do Rio Parnaíba. Em troca de levarmos comida pra ele, conversava e tal, ele traçou alguns treinamentos pra gente. Ele era conhecido como Mariano, e foi o primeiro contato que tivemos com um professor da Bahia, que era aluno do Pastinha da capoeira de Angola. Depois de um determinado tempo encontramos um pessoal do Mercado Modelo, que vieram fazer uma apresentação aqui, que foi o Cacau e o Coringa, e a gente começou a ter um contato com esses caras por um período, falava, se comunicava e tal, e mais pra frente tivemos contatos com o Paulão do Ceará, começamos a viajar pro Ceará pra fazer roda, encontrar as pessoas e encontramos o Paulão, que era do grupo Senzala, comandado pelo Camisa, do Rio de Janeiro. Lá em Fortaleza conhecemos o Paulão e seus alunos, que eram o Dingo, Dunga,

Gamela, Araminho, Querido, Pica-pau, muitos alunos dele.

1983 vinda do Mestre Guarulhos, de São Paulo, mestre filiado à Federação Paulista de Capoeira, essa, por sua vez, filiada à Confederação Brasileira de Pugilismo, com o propósito de visitar familiares, levando Mestre Albino a enxergar ali uma oportunidade única de promover o que considerava um antigo sonho seu, criar a Federação Piauiense de Capoeira e se candidatar a presidente, alcançando, em sua concepção, a liderança dos capoeiristas do Piauí.

Primeiro Batizado de Capoeira de Teresina, sob coordenação do mestre Guarulhos, reunindo significativa parcela dos capoeiristas em atividade naquela ocasião, porém não conseguindo o consenso entre estes. Seu objetivo era efetivar a graduação de todo o pessoal, concedendo o grau de professor de capoeira para alguns capoeiristas que desenvolviam atividades frente a seus grupos e, para os considerados pioneiros e fundadores da capoeira no Piauí, o grau de mestre, tudo conforme as normas oficiais da Federação Paulista de Capoeira, inclusive com a entrega dos certificados, devidamente carimbados e assinados por mestre Guarulhos, ficando decidido a seguinte relação dos que seriam mestres: Albino, John Grandão, Tucano, Chocolate, Bobby e Monteiro.

Não houve um consenso porque queriam nos impor uma sistematização e critérios que não tinha nada haver com nossa história. Neste período não tínhamos graduação, mas seguir as da Federação, sem critérios e ficar dependente da decisão do Albino, não dava.” (Mestre Tucano), e muita gente que naquele período dava aula ficou de fora, alguns não aceitando o convite para participar do evento e outros nem mesmo sendo lembrados, visto que “O Alberto, conhecido como Beto, começou a dar aulas no Jockey ainda no início dos anos oitenta e mesmo não sendo convidado foi lá e ainda distribuiu uns certificados de curso de extensão em capoeira, ministrado por ele, da Universidade Federal. O pessoal do Monte Castelo, que estavam se chegando ao nosso grupo, também nem foram chamados, nem o pessoal do grupo Mocambo, o Zumba e o Baixinho. Ai acabou que a gente discordou e resolvemos não participar, ou seja, fomos pro evento, tocamos, participamos da roda, mas não aceitamos a graduação, nem o diploma de mestre ou de professor. (Mestre Chocolate)

1984 12 de outubro primeira associação legalmente constituída do Piauí, a Associação Esportiva, Cultural e Filantrópica Quilombo Capoeira. Extrato publicado no Diário Oficial do Estado do Piauí, ano LIV, n. 09, 96º da República, em 16 de janeiro de 1985.

– De acordo com relato feito na Ata de criação da Associação Quilombo Capoeira, registrada no dia 12/10/1984, na academia Lumasa, antiga academia de musculação de Teresina, o grupo Quilombo teve como principal objetivo reunir capoeiristas de vários grupos, dispostos a pensar e trabalhar em comum pelo crescimento da capoeira no Piauí, por sua divulgação e prática, o que de fato ocorreu como fica evidente por meio da descrição das pessoas presentes neste momento, alguns dos quais já comandavam seus próprios grupos com bastante significância nesse universo, outros se encontravam praticando capoeira sem nenhuma orientação, somente seguindo aspectos que aprenderam de encontros aleatórios, desejando, a partir da associação a um grupo organizado, se atualizarem e se adaptarem aos novos rumos que tomava a capoeira no Piauí.

– Joaquim Gutenberg, conhecido na capoeira como Quinzinho recorda aquele período:

Eu me recordo daquele tempo, porque fui eu quem foi despertar a atenção dos meninos. Como morava e tinha amizade muito próxima ao Monteiro, ouvi ele comentar que o Albino estava organizando a Federação, já com toda a papelada em ordem e iria criar a Federação, sendo presidente. E quem não fosse filiado teria de parar de dar aulas, pois seria exigência para quem quisesse dá aulas ser filiado à Federação, além de padronizar o uso de cordéis, que era a graduação, com as cores da bandeira do Brasil e cordas trançadas. Então, fui correndo à casa do Zé (Tucano), Roberto (Chocolate) e do Bobby, além de avisarmos o John e o Thomas (Rapadura). Então foi daí que saiu a ideia de criarmos uma associação, legal mesmo e reconhecida. Inclusive fomos até Fortaleza e lá procuramos o Canário que nos recebeu muito bem e falou que não tinha essa pressão, que Federação não pode impedir ninguém de dar aulas. Na verdade, todos éramos jovens, a maioria estudante, sem muita experiência sobre estas coisas. Mas no final, aconteceu tudo normal, o Albino fundou a Federação, nós criamos nossa associação, e cada qual seguiu seu rumo. (Quinzinho).

1985 jornal O Dia, edição do dia 15/03/1985, na página 09, por meio de uma reportagem que trazia informações a respeito do primeiro curso de capoeira organizado em Teresina, numa promoção da Associação Quilombo Capoeira e que seria realizado nos dias 18 a 22 de março daquele ano de 1985.

- 19 de outubro fundado o grupo Mocambo, pelo professor Zumba, que destaca entre outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé.

1986 jornal O Dia, 11/01/1986, título é “Capoeira teve atividades importantes no ano passado”, trazendo em seu corpo um apanhado das principais atividades desenvolvidas por diversos grupos de capoeira de Teresina e ressaltando o crescimento e expansão de sua prática no Piauí. A matéria destaca os principais líderes da capoeira (Sob a liderança de José Gualberto/Tucano, John, Robson Bobby e Roberto Dídio/Chocolate […]) que seguem trabalhando de forma efetiva para sua valorização e melhoria técnica de seus praticantes (Quatro viagens a Fortaleza, visando maior aprimoramento técnico com consagrados professores da capital alencarina), corroborando a opção que tive na escolha dos mestres que foram entrevistados no corpo dessa pesquisa, tais como os mestres Tucano e Chocolate; destaca, ainda, a criação de novos grupos de capoeira, assim como o processo de institucionalização destes em associações (Fundação de três associações, aumentando, oficialmente, o número de adeptos e praticantes: Quilombo Capoeira, Palmares Capoeira e Engenho Bantos Capoeira), aliado ao planejamento de novas atividades para o ano de 1986 (Agora, para a temporada de 1986, todos os esforços já começam a ser feitos, a fim de que o número de atividades seja bem maior, expandindo-se mais ainda a capoeira pelo território piauiense).

1987 “Jornal Aliás”, produzido pelos alunos do Colégio Geo-Trópicos, tendo por editor Wellington Soares, cujas matérias eram propostas e produzidas pelos próprios alunos, (SOARES, 1987, p. 01). A edição número três, de maio de 1987, trouxe uma matéria com o título “A Capoeira e o preconceito”, escrita pelo aluno do terceiro ano científico Delson Lustosa de Figueiredo, que à época havia iniciado a prática da capoeira com o professor John Grandão, do grupo Senzala, em Teresina. Traz como única alusão à capoeira no Piauí a passagem citada: “[…]. Em Teresina, o Grupo Senzala é liderado por professores competentes que, através dos seus trabalhos, a capoeira do Piauí está sendo reconhecida e bem vista em todas as outras academias do grupo senzala no país. Já tivemos a oportunidade de trazer o mestre Camisa à Teresina, quando entramos para o grupo e teremos a honra de contar com sua presença mais uma vez juntamente com os melhores capoeiristas do Brasil, em novembro para o 3º BATIZADO DE CAPOEIRA DO GRUPO SENZALA DO PIAUÍ. (FIGUEIREDO, 1987, p. 02. Destaque do autor). [SILVA, Robson Carlos da]

1990 Roda de Rua 7 de setembro, Teresina ano 1990 jogo duro (Boquinha Raiz do Brasil); Capoeiristas jogando Baú, Cobra preta, Paulinho Velho,Tucano, Paulo Urubu, Urubutinga, Mineral, Boby, Carnaúba, Dureza, John Grandão, Mandioca, Piva, Touro, Fofão, Boquin­ha, Waguener. https://www.youtube.com/watch?v=Z-mIyTWU1gg

1991 revista “Impacto” de número n. 12 do ano de 1991, trouxe uma matéria com o título “Capoeira: arte ou violência”, realizada e produzida por Soraia Cristina, que se incumbiu de contatar por telefone e acertar as entrevistas com os mestres à frente dos grupos de capoeira que se mais destacavam no período de realização da reportagem, levando em consideração aqueles com maior visibilidade na mídia, bem como de levantamento prévio mantido com pessoas da área do esporte e da cultura que indicaram, a partir de conhecimento e convivência frequente em eventos e acontecimentos sociais, quais os mestres mais atuantes e que promoviam a prática dessa cultura em Teresina. Assim sendo, foi mantido contato com o mestre Bobby (Robson Carlos da Silva), na época um dos componentes do grupo Senzala, desenvolvendo trabalho no clube do SESC e coordenando outros trabalhos em escolas particulares (Pituchinha, Cavalinho Azul, Sintagma etc), além da escola pública João Soares no Monte Castelo, bairro da zona sul da cidade. Também foi procurado o professor Zumba (Raimundo Nonato) que se destacava com trabalho junto ao grupo Mocambo, desenvolvendo suas atividades no bairro Mocambinho, um dos maiores bairros da zona norte da cidade e alcançando êxito no processo de escolarização da capoeira naquele entorno social, promovendo a prática da cultura em escolas públicas, centros paroquiais e clubes sociais de esporte e lazer, em especial no “Clube do Manoelzinho”, uma das mais tradicionais casas de festas e shows daquele bairro no período destacado. O texto da reportagem ressalta a existência já na década de 1990 de vários grupos de capoeira em Teresina apontando o grupo Senzala e o grupo Mocambo como destaques, como fica evidente nas palavras da autora do texto: “Atualmente em Teresina existem vários grupos, sendo que cada um tem sua história diferente, mais (sic) basicamente a mesma origem e seguimento. O grupo Senzala por exemplo, que foi fundado pelo famoso mestre-camisa (sic) tem vários grupos em bairros de Teresina e cidades do interior, aparecendo como destaque na lista de componentes, Bob, Grandão, Tucano, Paulinho Velho. […] Outro grupo que tem se destacado, inclusive como um dos melhores do Piauí, é o grupo Mocambo, fundado em 19 de outubro de 1985 e tem como fundador o professor Zumba, que destaca entre outros componentes, Palmeira, Jabiraca, Pajé, dentre outros. (IMPACTO, 1991, p. 07). (grifo meu). [SILVA, Robson Carlos da]

- […] a Federação que atualmente está sendo organizada pelo professor Albino, é totalmente descaracterizada, pois até agora em termos práticos não trouxe benefícios, restringindo-se somente em campeonatos que favorece aos despeitos que se assenta gradativamente entre os grupos, não existindo sequer, entrosamento em termos organizativo e sistemático. (IMPACTO, 1991, p. 09). [Trata-se do mestre Albino e o grupo Escravos Brancos] [SILVA, Robson Carlos da]

1996 Revista Bugaloo – número 08 junho/julho, editada pela Point Editoração e vendida em bancas de revistas, com abrangência em vários estados do nordeste, tais como Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Período em que a capoeira já esta institucionalizada de forma mais efetiva em Teresina com os grandes grupos de capoeira, na realidade segmentos que se filiavam a um grupo de grande relevância e visibilidade no mundo da capoeira, comandado por um mestre, também, de renome e trabalho valorizado, notabilizado por uma significativa parcela de seguidores e várias filiais espalhadas pelo país e pelo exterior, os quais podem ser identificados como grupo-empresa. O texto, com o título de “IÊ, Viva a Capoeira, Camará”, é assinado por Fátima Guimarães e centra seu foco no que ela denomina de “época de transformações” em que a capoeira no Piauí, por meio dos trabalhos dos mestres e seus grupos, começa a colher bons resultados, ilustrando e justificando esse desenvolvimento com os grandes eventos de capoeira organizados em Teresina, notadamente pelos grupos que se destacam pela proporção de suas atividades e os espaços que ocupam na sociedade piauiense e em especial ao grupo Abadá Capoeira, cujos coordenadores se responsabilizam pelo evento que a autora do texto se propõe descrever e tecer comentários elogiosos. [SILVA, Robson Carlos da]

– Nos dias 13, 14 e 15/06/96, Teresina gingou ao som de birimbaus (sic) e acordou com o som dos atabaques […] A cidade começa a ter uma visão diferente na quinta-feira dia, 13/06, onde um aulão de capoeira foi realizado em frente à Assembleia. Era um gingado só. Ao lado da avenida não havia distinção de raça, cor, classe social ou profissão. Eram 17:30 e o sol aproveitava para reverenciar os capoeiristas. […]. “O objetivo da aulão é divulgar a capoeira e mostrar que ele pode ser praticada por qualquer pessoa e em qualquer lugar” como afirma o instrutor Bob. […]. [Revista Bugaloo – número 08 junho/julho]

– sexta-feira dia, 14/06, foi realizado o Festival de Cantigas de Capoeira no Ginásio do Sesc, com premiações de 1º, 2º e 3º lugares. As participações foram diversas, em (sic) aos capoeiristas visitantes registramos a presença de: Morcêgo (Mestrando) do Rio de Janeiro, Edinho (Professor) de Brasília, Papagaio (Instrutor) de Recife; somados com alunos e graduados de Juazeiro (Ba), Petrolina (Pe), Fortaleza (Ce), Floriano (Pi), Bélem (Pa) e Açailândia (Ma). A organização do evento ficou satisfeita com o êxito alcançado. “Para demonstrar o elevado nível de formação, o grupo Abadá Capoeira – Pi, proporcionou ao público e aos participantes do evento uma programação variada: toques, samba, capoeira, maculelê, apresentações e reportagens; além de suprir a necessidade de se realizar um grande evento de capoeira em Teresina”, comenta o instrutor Bob. (GUIMARÃES, 1996, p. 12). (grifos meus). [Revista Bugaloo – número 08 junho/julho].

2007 início dos “Jogos Abertos Capoeira Ginga Piauí”, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

2009 SILVA, Robson Carlos da; CALAND; Tâmara da Costa Sobral. Inserção, atuação e permanência da mulher nos grupos de capoeira de Teresina-PI: notas etnográficas. Revista FSA, Teresina, v.6, n.1, jan./dez. 2009, http://www4.fsanet.com.br/revista/index.php/fsa/article/view/427/206

- SILVA, Robson Carlos da. A capoeira como elemento de fortalecimento das identidades social e cultural de crianças e jovens na escola.

               http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/a-capoeira-como-elemento-de-fortalecimento-das-identidades-social-e-cultural-de-criancas-e-jovens-na-escola-111089

2010 Rodrigo Batista Maia, Maria do Carmo de Carvalho e Martins, Cláudio Henrique Lima Rocha, Irapuá Ferreira Ricarte,Vítor Brito da Silva, David Marcos Emérito de Araújo, Lívia de Barros Rocha Tolentino e Silva, Moisés Tolentino Bento da Silva. Efeito da Prática de Capoeira sobre os Parâmetros Cardiovasculares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/5703

2012 SILVA, Robson Carlos da (Orientador: VASCONCELOS, Jose Gerardo). As narrativas dos mestres e a história da capoeira em Teresina/PI: do pé do berimbau aos espaços escolares. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/7651

2013 21 de janeiro criado o Fórum Estadual de Capoeira do Piauí (FEC/PI) é um espaço democrático e de articulação estadual que objetiva contribuir para o desenvolvimento da capoeira. Missão: Contribuir para o desenvolvimento da capoeira (angola e regional) enquanto expressão cultural, esportiva e lazer pertencente ao patrimônio cultural brasileiro. Descrição: Fórum Estadual de Capoeira do Piauí (FEC-PI) surge do anseio da comunidade capoeirista de criar espaços democráticos para discussão de questões que dizem respeito a promoção e valorização da capoeira, seus mestres e praticantes. Tal fato foi consubstanciado no dia 21 de janeiro de 2013, no Memorial Zumbi dos Palmares, na ocasião em que ocorreu a “Reunião Ampliada Pró-Fórum Estadual de Capoeira do Piauí” e reativação da “Federação Piauiense de Capoeira”. O evento contou com a participação de 34 capoeiristas de 10 entidades de capoeira: 1. ACTC; 2. Alforria Capoeira; 3. Associação Cultural de Capoeira Escravos Brancos; 4. Associação Cultural de Capoeira Iê Berimbau; 5. Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil;6. Associação Cultural de Capoeira Zumbi; 7. Confiança Brasil Capoeira; 8. Escola de Capoeira; 9. Ginga Piauí; 10. Grupo Oscapoeira.

          Dentre os mestres participantes destacaram-se: 1. Mestre Albino; 2. Mestre Corujão; 3. Mestre Diogo; 4. Mestre Oscar; 5. Mestre Touro; 6. Mestre Ulisses.

Estiveram presentes a este ato político as seguintes lideranças e praticantes de capoeira: 1. Aerton Ezequiel Alves; 2. Alan Duarte; 3. Antonio Cardoso da Silva; 4. Antonio Francisco Ramos; 5. Antonio Francisco Ramos; 6. Carlos Henrique Andrade; 7. Childerico Robson; 8. Cristiano Soares P. da Silva; 9. Denys Lucas Barros de Freitas; 10. Fabiano Luper; 11. Francisco C. O. Silva; 12. Francisco de Assis de Deus; 13. Francisco Marciel da Silva; 14. Geni Carlos da Cruz Barros; 15. Jeovania Evangelista Lima; 16. José Francisco Alves; 17. José Gonçalves Cordeiro Neto; 18. Luzinan de Sousa e Silva; 19. Marcio Alves da Silva; 20. Marcio R. Duarte; 21. Maria Eliane Sousa Veras; 22. Natanael Santos da Costa; 23. Paulo Rogério Cardoso de Sousa; 24. Ricardo Henrique C. e Silva; 25. Robson de Sousa Nascimento; 26. Rogéria Pereira da Cruz Ramos; 27. Rômulo Thiago de Oliveira Guimarães; 28. Ulisses Soares Ubirajara.

A partir desse encontro com mestres e representantes das diversas entidades de capoeira, com atuação em Teresina e noutros municípios Piauienses, deliberou-se a realização da I Reunião do Fórum Estadual de Capoeira para o dia 04 de fevereiro de 2013, para se discutir o regimento interno e composição organizacional para atuarem em prol da capoeira no campo da cultura, desporto e educação como indutor de políticas públicas e de controle social. https://www.facebook.com/pages/F%C3%B3rum-Estadual-de-Capoeira-do-Piau%C3%AD/416004545160533?sk=info;  http://forumcapoeirapiaui.webnode.com/nossa-historia/

2014 agosto Encontro Nacional de Capoeira, realizado em Teresina durante o último final de semana. http://redeglobo.globo.com/pi/redeclube/noticia/2014/08/ge-piaui-destaca-o-encontro-nacional-de-capoeira-realizado-em-teresina.html

- SILVA, Robson Carlos da. A CAPOEIRA NOS ESPAÇOS UNIVERSITÁRIOS: PRÁTICAS E ESTUDOS. O projeto desenvolve suas ações na comunidade dos bairros Pirajá e Matinha, do entorno social à UESPI, tendo como foco crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, utilizando como instrumento a Capoeira, patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, oferecendo contextos de desenvolvimento humano apropriado à formação cidadã destes. As ações envolvem dinâmicas e “conversas na roda” em que se discute temas referentes aos problemas familiares e sociais que envolvam crianças e adolescentes, trabalhados por especialistas nas áreas de saúde, direito, psicologia etc. disponível em http://www.obscriancaeadolescente.gov.br/index.php?view=article&catid=63%3Acat-boas-praticas&id=458%3Auniversidade-estadual-do-piaui-uespi&format=pdf&option=com_content&Itemid=78

– agosto BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas. O evento se lança como o 1º Festival de Músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira. BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado. BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral, o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro. BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas e todos os capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira. Fanpage do evento >>https://www.facebook.com/pages/Berimbau-de-Renda/1449076471988892 Wilena Weronez (artista autônoma) http://www.revistacapoeira.com.br/2014/02/10/1o-festival-de-musicas-de-capoeira-direcionado-a-voz-feminina-em-piaui/

– setembro 06 a 07 a cidade de Brasileira vai sediar o Circuito Piauí Norte de Capoeira Escravos Brancos no Ginásio Poliesportivo. O organizador do evento Thersandro Meneses, pioneiro no município com a prática de capoeira com o Grupo Escravos Brancos, garante que vai ser um grande evento “e que é um orgulho para a nossa cidade, receber grandes nomes da capoeira de todo o Piauí neste circuito”.

– outubro 10 e 11 a Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil vai realizar o X Encontro de Capoeira do Litoral em comemoração aos seus dez anos de existência em Parnaíba. No evento será realizada troca de cordas, formação de monitores, batizado. Prestigiará o encontro, mestres e contra mestres e professores de outros estados. A Capoeira Raízes do Brasil de Parnaíba tem sede na Rua Benedito dos Santos Lima, 108, no Bairro Pindorama.

[1] ARAÚJO, 1997, obra citada

[2] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

[3] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís, 2014

[4] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[5] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[6] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

[7] PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

[8] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ. Correspondência eletrônica pessoal a Mestre Baé, 21/10/2014

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CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ – ao Mestre Baé…

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CAPOEIRAGEM NO PIAUÍ

 

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Academia Ludovicense de Letras

Professor de Educação Física

 

Mestre Baé liga (20/10/2014). Há muito não nos falávamos. Conta-me sobre o ultimo ano, o ter deixado a Federação e ir cuidar de sua vida, de sua família, e de seu Grupo. Perspectivas de se estabelecer na Europa. Além do Tocantins e Pará, continuando a expansão pelo interior do Maranhão… Fala de que está indo com regularidade ao Piauí, onde a Capoeira está a começar… Digo que não! A Capoeiragem no Piauí é tão antiga quanto a do Maranhão… Têm a mesma origem, desde meados dos 1800 se tem notícias; falei dos Basson, de Parnaíba:

 

Um aluno [do Colégio Pedro Segundo][1], reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982) [2]

Para Costa (2007) [3], no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, europeia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) [4]; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968)[5] […](GRIFOS MEUS).

FONTE: PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. Citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

 

Jornal ‘O Papiro”, de 1874, periódico literário, de Teresina-PI, edição de 9 de julho, em “Reminiscências Infantis” escrevia Lívio Druso:

 

 

No jornal “A Época”, órgão conservador, disponível os números de 1878 a 1884, se encontram dez referencias sobre ‘capoeira’, nem sempre relacionadas com capoeiristas e capoeiragem. Na edição de 7 de maio de 1880, por exemplo, ao referirem-se alguns queixosos sobre a atuação do Juiz e das tropas regulares em Jaicó, identifica o Juiz como um cínico, afirmando ‘Que capoeira? Como sabe ser estupidamente cínico.’

Voltemos ao Dr. Basson, e a esse mesmo jornal, edição de 22 de setembro de 1883; o articulista o identifica como ‘capoeira’, e utiliza outro termo para identificar os praticantes da arte da capoeiragem: caceteiro:

Em diversas edições, posteriores, em se tratando de fatos e intrigas da política local, dos interiores do Piauí, sempre que se queria denegrir alguém, se lhe referia como “capoeira”:

Campo Maior                                                        Amarante

Barras                                                                      Barras

 

Barras

 

Passemos aos registros do Jornal “O Apóstolo”, disponíveis os anos de 1907 a 1912, com seis ocorrências. As do ano de 1909 – a partir de outubro – se referem à capoeira como mato, necessitando de a cidade ser remodelada, eliminando-se “essas capoeiras”, em críticas à proposta do novo Governador de ajardinar a cidade. Outros, a terrenos pertencentes a alguém, e que estaria sendo invadido. Mas há referencia também à prática da “capoeira” a que nos referimos, enquanto arte-luta, como esse comentário:

 

Baé, podemos ir um pouco mais longe; sabemos que no período colonial desde o Ceará até Rondônia e o Caribe, desde o Atlântico até os contrafortes dos Andes, havia nesse território o grande estado do Maranhão, criando em 1617 e implantado a partir de 1621; o Piauí ficou subordinado ao Maranhão até 1816. Portanto, nossas histórias são as mesmas, subdividindo-se na medida em que o território foi sendo desmembrado; primeiro, o Ceará que voltou a Pernambuco; o Piauí foi a última Província a ser desmembrada…

Em meu livro “Crônica da Capoeiragem” (2014) [6] trago um capítulo – RES PRO PERSONA  [7],[8] onde procuro esclarecer a origem do termo “capoeira”. O que é ‘capoeira’? [9] Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi[10]; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. Data de 1577 primeiro registro do vocábulo “capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) [11].

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e outras aves (Rego, 1968):

 

[…] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira. (Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA – Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79).

 

DEBRET – 1816/1831

Por Capoeira deve-se entender

 

individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno?

 

Conforme a conceitua Araújo (1997) [12] ao se perguntar “mas quem são os capoeiras? e por capoeiragem como:

 

a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo: “os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes lúdica, de defesa pessoal e desportiva? (p. 70).

 

Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (p. 79), em nota registrando a Decisão (205) de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153; “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores).

Quando surgiu? No entender de muitos capoeiristas, quando o primeiro escravo angolano pisou a Terra de Santa Cruz (hoje, Brasil), já o teria feito no passo da ginga e no ritmo de São Bento Grande:

 

numa noite escura qualquer, o primeiro negro escapou da senzala, fugiu do engenho, livrou-se da servidão, ganhou a liberdade… escapou o segundo e o terceiro, na tentativa de segui-lo, fracassou. Recapturado, recebeu o castigo dos negros (…) as perseguições não tardaram e o sertão se encheu de capitães-do-mato em busca dos escravos foragidos. Sem armas e sem munições, os negros voltaram a ser guerreiros utilizando aquele esporte nascido nas noites sujas das senzalas, e o esporte que era disfarçado em dança se transformou em luta, a luta dos homens da capoeira. ’A capoeira assim foi criada’. (Jornal da Capoeira, n. 1, 1996). (Vieira e Assunção, 1998, p. 83) [13].

 

Durante as invasões holandesas – SÉCULO XVII, 1640 – surgem as expressões: ‘negros das capoeiras’, ‘negros capoeiras’, e ‘capoeiras’. (MARINHO, 1982; VIEIRA, 2004, 2005) [14].

Com o advento das invasões holandesas, na Bahia e em Pernambuco, principalmente a partir de 1640, houve uma desorganização generalizada no litoral brasileiro, permitindo que muitos escravos fugissem para o interior do país, estabelecendo-se em centenas de quilombos, tendo como consequência o contato ora amistoso, ora hostil, entre africanos e indígenas. Cabe ressaltar, que nunca houve nenhum registro da Capoeira em qualquer quilombo. (Vieira, 2005) [15].

Tende-se a acreditar que o vocábulo, de origem indígena Tupi, tenha servido para designar negros quilombolas como “negros das capoeiras”, posteriormente, como “negros capoeiras” e finalmente apenas como “capoeiras”. Sendo assim, aquilo que antes etimologicamente designava “mato” passou a designar “pessoas” e as atividades destas pessoas, “capoeiragem”. (Vieira, 2005) [16].

Segundo Coelho (1997, p. 5) [17] o termo capoeira é registrado pela primeira vez com a significação de origem linguística portuguesa (1712), não se visualizando qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5)[18].

Encontrei em Marcos Carneiro de Mendonça[19], em seu festejado “A Amazônia na era Pombalina”, carta de Mendonça Furtado[20] a seu irmão, o Marques de Pombal – datada de 13 de junho de 1757 -, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam logo por a terra em perturbação grande:

 

“[…] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá […] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes malfeitores […] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este Estado que se está criando [Capitania do Rio Negro] […]” (p. 300). (grifos do texto).

 

Para Vieira (2004)[21]:

 

[…] data a Capoeiragem, de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.

 

Nossas origens – Maranhão e Piauí – são as mesmas; nossas histórias – até pelo menos 1816 é a mesma – se confundem. Mesmo após a separação, somos estados siameses. Os episódios da Balaiada transcorreram tanto no Maranhão – seu início – quanto no Piauí. Parnaíba teve um papel importante no combate aos insurretos. E os balaios praticavam a capoeiragem…

Fico por aqui; devemos buscar mais informações…

 

 

[1] […] Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio. In CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” – uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004 on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II

[2] PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA.

on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf

[3] COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.

[4] NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.

[5] REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

[6] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRÔNICA DA CAPOEIRAGEM. São Luís: Edição do Autor, 2014

[7] Por metonímia res pro persona, o nome da coisa passou para a pessoa com ela relacionado.

[8] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/18/8331/

[9]VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jornal do Capoeira http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada.

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIEIRA, 2005, obra citada. p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007

ARAUJO; JAQUEIRA, 2008, obra citada.

[10] MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

[11] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[12] ARAÚJO, 1997 , obra citada..

[13] VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118

[14] MARINHO, 1982, obra citada

VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. Capoeira – origem e história. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese de Doutorado – 2004. disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

VIEIRA, 2005, obra citad p. 39-40.

[15] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[16] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[17] ARAÚJO, 1997, obra citada.

[18] ARAÚJO, 1997, obra citada

[19] MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazonia na era pombalina. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005, volume 49-C.

[20] Francisco Xavier de Mendonça Furtado (17001769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

[21] VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/ .

 

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