EM DEFESA DA CAPOEIRAGEM – by Mestre Marco Aurélio

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Peço licença ao capoeira e pesquisador, Paulo Magalhães, para compartilhar o seu excelente e esclarecedor texto/denúncia, para que amigo/as em geral, e, em particular, o/as capoeiras, tenham noção de como se subverte valores. Ainda bem que a Capoeira foi alçada Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro, de tal forma, que por mais que espertalhões venham a manobrar e disso lhe tirar proveito, não conseguirão torná-la nicho único de suas pretensões.


Na condição de artista popular – capoeira, tambozeiro e dançarino – militante do Movimento Cultural, conselheiro municipal de cultura de São Luís/MA e advogado popular, me sinto impelido a me manifestar, no que faço uso do texto de Paulo, com a pretensão de que o mesmo sirva de esclarecimento, para que pessoas de boa-fé, tolamente, não venham se aliar aos discursos ilusórios daqueles, para juntos comporem lobbies, com vistas a pressionar membros do Congresso Nacional, a encaminharem “projetos de lei” visando, unicamente, reservas de mercado, a exemplo do que pretendeu e não logrou êxito há um tempo atrás, o Conselho Federal de Educação Física, ao pretender encampar a nossa Arte, a fim de ditar normas com vistas a quem seria capacitado a dar aulas de Capoeira, como se a mesma não fosse arte e cultura popular, e assim, do seio do povo, portanto, livre, para quem dela queira beber nas suas mais diversas fontes e seguir pelo seu mundo mágico, de ensino/aprendizagem.


Por outro lado, é certo que tais projetos, uma vez tornando-se leis, tais agrupamentos – travestidos da legalidade – poderão angariar recursos federais, estaduais e municipais. E o pior, é que pela maneira como segue a carruagem neste país, frente à degradação ética e moral por qual passa imensa gama de autoridades fincadas nos três poderes, não faltarão instituições a apoiá-los liberando recursos públicos, em detrimento de políticas públicas capazes de alcançar uma grande maioria de praticantes, entre crianças e jovens que vivem nos confins urbanos e rurais e têm na Capoeira momentos de cultura, lazer, diversão e camaradagem, ao mesmo tempo que lhes serve de bastião livrando-os de viverem à margem da lei.


É com esse intuito, que chamo a atenção de amigo/as, lideranças capoeiras de São Luís, para que tenham cuidado e não se deixem levar por conversas fáceis, servindo unicamente de massa de manobra, a apoiarem atos que vão contra os interesses reais da Capoeira e de todo/as o/as capoeiras.


Falo, não na condição de angoleiro, mas, sobretudo, de capoeira, uma vez que em São Luís do Maranhão existem laços fraternos, indistintamente, entre angoleiros, regionaleiros e demais estilos de prática da Capoeira, os quais vêm se unindo há muito tempo, na busca de melhores condições e políticas públicas para a nossa Arte, muito embora soframos com a visão tacanha de autoridades que não conseguem vislumbrar o conteúdo e o alcance pedagógico da Capoeira.


Abaixo, o texto de Paulo Magalhães, para ler e refletir:


“Mais uma tentativa de nos acorrentar.”


Vale a pena ler cada linha… Paulo Magalhães (Sem Terra)

O Painel do Senado promovido pela Senadora Lídice da Mata no dia 6 de dezembro de 2013 em Salvador se constituiu em um palco privilegiado para mais um grito de resistência da capoeira baiana, que já havia se pronunciado no dia 25 de outubro no Forte Santo Antônio. Tema? O projeto de lei que regulamenta a profissão de capoeirista e vem provocando polêmicas e protestos indignados por todo o país.


Na verdade, o debate se dá em torno de três versões distintas de um mesmo projeto. O Projeto de Lei 31/2009, do deputado Arnaldo Faria de Sá, abre esse debate. Trata-se de um projeto fraco e vago, com apenas dois artigos. Um reconhece a prática da capoeira como “profissão, na sua manifestação como dança, competição ou luta”, mas o outro diz respeito apenas ao atleta profissional, definido como “o capoeirista cuja atividade consista na participação em eventos públicos ou privados de capoeira mediante remuneração”. Ou seja, o projeto, apesar de vago e mal escrito, já deixa entrever do que trata essa articulação: uma institucionalização da capoeira através do segmento capoeira-esporte e seus “atletas profissionais”. O PL está aqui: http://legis.senado.leg.br/mate…/arquivos/mate-pdf/56450.pdf


O PL 2858/2008, do deputado Carlos Zarattini (que foi/está sendo apensado ao primeiro), avança em detalhamento, e mostra claramente o ataque absurdo que está sendo tramado contra a capoeira. Primeiro ele reconhece a atividade de capoeirista, afirmando que “aplica-se a todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança, cultura popular e música”. Depois escreve bobagem ao dizer que “ficam reconhecidos como Contramestre e Mestre os profissionais com dez anos ou mais na profissão”. Quer dizer que eu já era mestre e não sabia… Mas o golpe vem em seguida, ao afirmar que “ficam reconhecidas como profissão as atividades de capoeira nas modalidades luta e esporte”, e ao especificar o que é privativo do capoeirista profissional. Ou seja, apenas os atletas seriam profissionais da capoeira, e os demais, amadores. E somente o atleta poderia dar aulas em escolas, academias…. todos os outros capoeiristas seriam meros amadores. Todos os capoeiristas que não se identificam com o modelo capoeira esporte para competição seriam então excluídos e postos à margem do sistema, incluindo os mestres antigos, a capoeira angola, a capoeira de rua, a capoeira show e diversos setores das capoeiras regional e contemporânea, incluindo todos os capoeiristas que trabalham a capoeira numa perspectiva de educação. O PL pode ser acessado aqui: http://www.camara.gov.br/…/prop_mostrarintegra;jsessionid=2…


Mas o pior está por vir. A terceira versão deste projeto, elaborada por segmentos da capoeira contemporânea do sudeste e articulada pelo Sr. Jairo Júnior, do III Congresso Nacional Unitário de Capoeira, com apoio de setores da Fundação Palmares, é ainda mais nefasta e representa um verdadeiro tiro de misericórdia nas tradições e fundamentos da capoeira. Esse substitutivo do projeto de lei é tão absurdo que não tiveram coragem de protocolá-lo no Congresso Nacional nem disponibilizá-lo pela internet à comunidade da capoeira. Ele foi entregue nas mãos da Senadora Lídice da Mata, que prontamente o socializou com a capoeiragem baiana. Trata-se de uma reedição do projeto de lei do sistema CREF/CONFEF, que queria criar uma reserva de mercado para os profissionais de educação física, estabelecendo que só poderia ensinar capoeira quem tivesse o referido diploma. Mas desta vez, o diploma em questão não seria o de Educação Física, mas o certificado da CBC – Confederação Brasileira de Capoeira, ou outro órgão semelhante a ser criado pelo grupo do Sr. Jairo.


O projeto já começa classificando a capoeira como “desporto de criação nacional” (ou seja, a capoeira angola, como manifestação cultural afro-brasileira, está excluída e só poderia ser praticada de forma não profissional, uma vez que nem é desporto nem é de criação nacional). Em seguida, divide a capoeira em prática desportiva formal (regulada por normas nacionais e internacionais e pelas regras de prática desportiva) e prática desportiva não-formal. Ou seja, além de ser todo mundo atleta, desportista, só pratica a capoeira “formalmente” quem se submeter às regras e normas ditadas pelo “sistema de organização da capoeira”. Todos os outros são informais.


A próxima parte do projeto é pior, uma vez que afirma que a capoeira pode ser organizada e praticada de modo profissional, e de modo não-profissional, e estabelece como obrigatório para registro da “Atividade do Profissional da Capoeira” a apresentação de diploma de conclusão do ensino médio e “atestado de capacitação fornecido pela entidade de administração da capoeira legalmente constituída e formalizada”. Ou seja, para trabalhar com capoeira, além de ter que passar obrigatoriamente pela escola (já excluindo os velhos mestres que aprenderam na universidade da vida) todos os capoeiristas teriam que fazer um curso com a CBC ou entidade semelhante, para serem reconhecidos como profissionais da capoeira! Toda a capoeira do Brasil seria controlada, regulada, normatizada e padronizada por uma pequena casta instalada em São Paulo, os novos capitães do mato, “donos da capoeira”! Os antigos mestres, assim como seus discípulos formados pela capoeira e reconhecidos pela comunidade, teriam que ir ao sudeste fazer cursos com os “donos da capoeira”, pagar mensalidades e se submeter ás suas regras e normas, padronizando a capoeira e extinguindo toda uma diversidade de estilos e linhagens que fazem ser tão rica essa herança ancestral.


O projeto segue amarrando uma “Organização Nacional da Capoeira”, liderada por “entidades nacionais de administração da capoeira”. Essas entidades concentrariam repasses de recursos dos governos federal, estaduais e municipais, além de “recursos transferidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro”, o pote de ouro almejado pelos atletas da capoeira, em um processo de articulação política que passa pelo Ministério dos Esportes (será coincidências que todos esses articuladores sejam do mesmo partido?). Quer dizer, se os recursos para a capoeira, distribuídos através de projetos e editais, já são poucos, o que aconteceria se todos os recursos fossem concentrados nas mãos de uma única entidade, controlada por uma panelinha?


A capoeira não tem dono. É livre, tem seus fundamentos herdados dos que nos antecederam, e uma lógica de organização própria. Sua organização se dá de dentro pra fora, de baixo pra cima, e foi contra a normatização do Estado que ela sempre lutou. Por isso a capoeira baiana dá o seu grito de resistência e liberdade. Outros estados vêm se posicionando, como Minas Gerais, que no dia 20/12 fez um “Berimbausaço” em plena Praça 7, no centro de Belo Horizonte. Que outros estados se incorporem a este debate e façam valer sua força!


Iê vamos’imbora, camaradas!!!


Paulo Magalhães, ou Sem Terra, é jornalista e mestre em ciências sociais, autor do livro “Jogo de Discursos: A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana” (Salvador: EDUFBA, 2012).


Coordena o Coletivo Ginga de Angola (Escola de Dança da UFBA), é membro do Coletivo Capoeira e Militância, do Fórum de Cultura da Bahia e do Colegiado Setorial de Culturas Populares do Estado da Bahia.
O que mais me entristece é que, por detrás de tais idéias, existem capoeiras apoiadores de tais absurdos.


E da Fundação Palmares, o que se pode falar é o mesmo do que se fala de sindicatos: defensores dos direitos dos seus, trampolins pra política.”


legis.senado.leg.br

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Tocantins & Atlas da Capoeira

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Tocantins & Atlas da Capoeira

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br

Edição 73 – de 14 a  20 de Maio de 2006

 

Danillo César – Tocantins

www.jornalmundocapoeira.com

– 14 de Maio de 2006 –

 

Camaradas das capoeiras do Estado de Tocantins. Estamos também entrando na Roda do Diagnóstico, ou seja, estamos nos organizando para também compor o time que participará dos levantamentos estaduais do “Estado da Arte” de nossa capoeira e capoeiragem. De pronto, certamente alguém poderá se perguntar “Mas quem está a frente deste projeto”… e mais adiante perguntará também “Quem está definindo quem representará cada Estado”.  Vou responder com estou vendo este processo.

Há diversas décadas o Mestre André Lace, do Rio de Janeiro – cujo livro acredito que todo vocês já tiveram acesso (Volta ao Mundo da Capoeira) vem alertando às autoridades governamentais sobre a importância de se fazer um diagnóstico de como está a capoeira em nosso Brasil. Mais ainda, com a “explosão” de grupos e academias, que estratégia de políticas públicas e privadas deveriam ser adotadas para proteger e valorizar nossos capoeiras (mestre!) e mesmo nossa capoeira (arte, luta, cultura etc).

Parece que a semente do Diagnóstico está germinando, sendo que alguns estados já estão se organizando e trabalhando em prol dele. Alguém pode também perguntar: “Mas o que o Danillo Canguru está fazendo neste time”. Primeiramente gostaria de esclarecer um outro ponto. Pelo que percebo ainda não existe uma coordenação oficial do processo, mas existe sim um certo consenso se formando para o Mestre Lamartine Pereira da Costa e para o Mestre André Lace encabeçar a coordenação do ATLAS DA CAPOEIRA. Para fortalecer o processo, o Jornal do Capoeira – editado pelo Miltinho Astronauta – está servindo com elo entre os capoeiras representantes dos Estados. Mais ainda, o professor Leopoldo Vaz, do Maranhão, parece que está comandando os “tambores”, à partir de São Luis, e motivando nossos pares. O resultado é que camaradas dos diversos estados estão sendo convidados. E respondendo a pergunta em destaque acima, recebi também este convite especial e estamos entrando para o time de trabalho.

 

O Atlas da Capoeira no Tocantins

 

Há exatamente um mês publicamos a primeira edição do Jornal MUNDO CAPOEIRA, que tem, dentre outros objetivos, o de documentar e divulgar informações sobre as capoeiras no Estado do Tocantins. Já fizemos diversas entrevistas com alguns mestres, contramestres e professores. Nossa intenção, no quando das entrevistas, era a de “alimentar” este nosso Jornal. Mas parece que o projeto está assumindo magnitudes e direções maiores do que pensávamos originalmente. Há começar pelas entrevistas que não serão mais somente para servir de fonte de informação para as matérias, mas sim para construirmos, juntos o ATLAS DA CAPOEIRA NO ESTADO DO TOCANTINS.

Nesta tarefa, todos os mestres, contramestres e professores serão essenciais. Estaremos chamando também para a Roda os historiadores, folcloristas e crônicas de nosso Estado para participarem do processo. Todos serão registrados. Mas para que tenhamos um trabalho representativo, precisamos da colaboração e compreensão de todos.

 

Não será tarefa fácil fazer todo o trabalho a poucas mãos.Todos que tiverem interesse e disponibilidade de participar, solicitamos que entrem em contato conosco, pois juntos poderemos fazer um trabalho mais representativos. Mestres como Fumaça, Soldado, Besouro, Timbal e Gean Surfista  – só para ficar em alguns bons nomes – serão devidamente registrados no Atlas. Nosso Mestre Squisito, é claro, também estará devidamente incluído.

 

Aos Mestres Lamartine, André Lacé (RJ), aos camaradas Miltinho (SP), Leopoldo (MA), Bené Zumbi (PB) desejamos muito sucesso nesta nossa empreitada.

 

Na foto estão Mestre Pombo de Ouro, Mestre Squisito agachado, no pandeiro Mestrando Mafú, berimbaus, Mestres Tambor e Cláudio Danadinho
Atendendo ao chamado do gunga, já estamos na Roda.

Um Axé à todas e à todos.

 

Danillo Canguru – Jornal MUNDO CAPOEIRA

www.jornalmundocapoeira.com

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CEV Novidades – •Educação Física no Maranhão: Morre Mestre Diniz

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CEV Novidades

Link to Centro Esportivo Virtual

Legislação Desportiva – CEVLeis: Teólogo e Apresentador de Tv é Nomeado Novo Ministro do Esporte

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Educação Física e Esporte: Teólogo e Apresentador de Tv é Nomeado Novo Ministro do Esporte

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História da Educação Física e dos Esportes: Morre Mestre Diniz

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Educação Física no Maranhão: Morre Mestre Diniz

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Capoeira: Morre Mestre Diniz

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História da Educação Física e dos Esportes: Revista Licere – V. 17, N. 4 (2014): Dezembro

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MORRE MESTRE DINIZ – OS BERIMBAUS SE CALAM, CHORANDO O ENCANTAMENTO DO VELHO MESTRE CAPOEIRA

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Logo cedo, recebo telefonema de Mestre Baé:

- Mestre, o velho Diniz morreu… ontem à noite; está sendo velado na Pax União, ali no Canto da Fabril. Todos os Mestres Capoeiras estão sendo convocados para prestar-lhe homenagens. O aguardamos por lá, esta manhã…

 

Mestre Firmino Diniz – nascido em 1929 – era o Mestre  mais antigo de São Luís. Teve os primeiros contatos com a capoeira  na infância, através de seus tios Zé Baianinho e Mané. Lembra ainda de outro capoeirista da época de sua infância, Caranguejo.

Mestre Diniz se referia, ainda a outros Capoeiras: Lembra ainda de outro capoeirista da época de sua infância, Caranguejo, apelido vindo de seu trabalho de vendedor dessa iguaria, que costuma tocar berimbau na “venda” de propriedade de sua mãe, localizada no bairro do Tirirical. Viu, algumas vezes, brigas desse capoeirista com policiais. (SOUZA, 2002, citado por MARTINS, 2005, p. 30)[14].

Mestre Diniz teve suas primeiras lições no Rio de Janeiro com “Catumbi”, um capoeira alagoano. Diniz era o organizador das rodas de capoeira e foi um dos maiores incentivadores dessa manifestação na cidade de São Luís.

 

ver_imagemgenealogia

http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/notas+sobre+a+capoeira+em+sao+luis+do+maranhao

issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_leopoldo_g
Quando do “Renascimento” da capoeira em São Luís, com a chegada de ROBERVAL SEREJO no início dos anos 60 e a criação do Grupo “Bantus“, do qual participavam, além de Mestre Roberval Serejo, graduado por Arthur Emídio; Mestre Diniz (aluno de Catumbi, de Alagoas), Mestre Jessé Lobão (aluno de Djalma Bandeira), de Babalú; Gouveia [José Anunciação Gouveia]; Ubirajara; Elmo Cascavel; Alô; Patinho [Antonio José da Conceição Ramos]; e Didi [Diógenes Ferreira Magalhães de Almeida].

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Em setembro de 1996 Mestre Indio do Maranhão sendo Graduado Mestre por Mestre Firmino Diniz.

Em Tradições – Capoeira/capoeiragem no Maranhão Atlas do Esporte do Maranhão. http://cev.org.br/biblioteca/tradicoes-capoeira-capoeiragem-maranhao/

Mestre, Patinho, relata o aparecimento do Grupo Bantus:  “… bem aqui na Quinta, bem no SIOGE. Década de 60 era um grande reduto da capoeira principalmente na São Pantaleão, onde nasci…. Pois bem, um amigo que tinha recém chegado do Rio de Janeiro, Jessé Lobão, que treinou com Djalma Bandeira na década de 60; Babalú, um apaixonado pela capoeira; outro amigo que era marinheiro da marinha de Guerra, também aprendeu com o mestre Artur Emídio do Rio, Roberval Serejo; juntamos Jessé, Roberval Serejo, Babalú, Artur Emídio (sic) e eu formamos a primeira academia de capoeira, Bantú, e estava sem perceber fazendo parte da reaparição da capoeira no Maranhão. Também participaram Firmino Diniz e seu mestre Catumbi, preto alto descendente de escravo. Firmino foi ao Rio e aprendeu a capoeira com Navalha no estilo Palmilhada e com elástico, nos repassando.” (Antonio José da Conceição Ramos – Mestre Patinho – em entrevista concedida a Manoel Maria Pereira) [2]. in http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2009/12/27/artur-emidio-e-a-capoeiragem-em-sao-luis-do-maranhao/

Em “Memórias da Capoeira do Maranhão” pesquisa de Roberto Augusto A. Pereira, o livro Roda de Rua – Memórias da Capoeira do Maranhão da Década de 70 do Século XX, lançado em dezembro de 2009, em São Luiz, tem como ponto de partida as rodas de capoeira nas ruas de São Luís e, entre os personagens marcantes da capoeira na época, o livro foca especialmente nos capoeiristas Anselmo Barnabé Rodrigues, o Mestre Sapo; Mestre Roberval Serejo e Firmino Diniz, o Mestre Diniz.

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GUARDA NEGRA NO IMPÉRIO – Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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Apresentamos mais informações sobre Guarda Negra e a Capoeiragem
Jornal do Capoeira – http://www.capoeira.jex.com.br/
Edição 54 – de 18/dez a 25/dez de 2005

Leopoldo Gil Dulcio Vaz
São Luis do Maranhão-MA
Dezembro de 2005

Os movimentos pela abolição da escravatura são iniciados a partir de alguns eventos ocorridos: a cessação do tráfico negreiro da África, em 1850; a volta vitoriosa de negros da Guerra do Paraguai, que se estendeu de 1865 a 1870, a promulgação da Lei do Ventre Livre; a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão (tendo José do Patrocínio e Joaquim Nabuco como fundadores); a Lei Saraiva-Cotegipe (mais popularmente conhecida como a Lei dos Sexagenários).

Dois conceitos históricos são entendidos por abolição da escravatura: o conjunto de manobras sociais empreendidas entre o período de 1870 a 1888 em prol da libertação dos escravos, e a própria promulgação da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, que promove a oficialização da abolição do regime.

As mudanças ocorridas afetavam diretamente a economia de produção neste período do Brasil. Após as medidas oficiais anti-escravistas determinadas pela Lei Áurea, os senhores escravistas, insatisfeitos com a nova realidade, intencionavam exigir indenizações pelos escravos libertos, não obtendo nenhum aval do Império. Desta forma, surgiram os movimentos republicanos, que foram engrossados com a participação dos mesmos senhores que eram antigos detentores da “mercadoria escrava” e que, descontentes com as atitudes do Império, acabaram por defender um novo sistema de governo, decorrendo daí um dos principais motivos da derrocada final do Império. Por outro lado, a mão de obra proveniente das novas correntes imigratórias passa a ser empregada. Os negros, por um lado libertos, não possuíam instrução educacional ou a especialização profissional que passa a ser exigida, decorrendo destes aspectos a permanência dos negros à margem da sociedade frente à falta de oportunidades a eles oferecidas pelos republicanos. Tivesse sido mantida a Monarquia, a situação dos negros seria outra.

Nesse contexto, a Guarda Negra foi formada por José do Patrocínio em 28 de setembro de 1888, como um movimento paramilitar, composto por negros, que tinha passagem pelo Exército e com habilidade em capoeira. O objetivo dele era demonstrar gratidão à família real pela abolição e intimidar republicanos e tumultuar os comícios. A ação da Guarda Negra travava batalhas com os partidários do fim da Republica, sendo classificados como terroristas.
Muito embora Patrocínio, em virtude da Lei Áurea, seja identificado como monarquista e formado a Guarda Negra para defender a Princesa Izabel, aderiu às idéias republicanas.
O jornalista Renato Pompeu, em “Confissões de um trirracial”, afirma saber que:

“… a República foi proclamada porque o Império, ao proclamar a Abolição, ficou comprometido com o futuro dos negros recém-libertados, como prova o fato de que só guarnições militares compostas de negros, como a Guarda Negra da Princesa Isabel, resistiram ao golpe de Estado de 15 de novembro de 1889. O regime republicano, assim, nasceu, e continua, sem nenhum compromisso maior com as pessoas de pele mais escura.”[5]

• Por essas ações, cada vez mais violentas, houve perseguição aos negros, em sua maioria capoeiras, e ligados a guarda negra, provocando sua marginalização, quando do advento da República, e a conseqüente criminalização do ato de praticar capoeira… (Logo após a Proclamação da República (1889), a capoeira foi proibida pelo Marechal Deodoro, permanecendo nessa situação até 1937 quando Mestre Bimba a tira do código penal e a leva a esporte nacional).

Em São Luís do Maranhão, encontramos um episódio relacionado com a participação dos negros no processo de combate à República recém proclamada. Foi denominado de “o fuzilamento do dia 17″, e ocorreu com uma manifestação de escravos, recém-libertos, contra Paula Duarte, o único republicano no novo governo, conforme informa Mario Meireles, e isso porque se dizia que o novo regime vinha para tornar sem efeito a Lei Áurea. Os manifestantes foram à redação de “O Globo”, jornal republicano, e tentaram o empastelar. A polícia interveio, dispersando-os. Na boca do povo, e naquelas circunstâncias, teria ocorrido um massacre – os fuzilamentos do dia 17. (Meireles, Mário. História do Maranhão. 2 ed. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1980, p. 307).

Milson Coutinho, ao descrever os acontecimentos daquele dia 17 de Novembro – Maranhão, 1889: fuzilamentos e torturas.
a percorrer as ruas de São Luís dando vivas à Monarquia.” (p. 18)

Prossegue Coutinho o seu relato, informando que a turba passou em frente à casa do Desembargador Tito de Matos, ainda respondendo pelo Governo da Província: “…estancou a passeata, com a finalidade de cumprimentar o Magistrado, derradeiro lampejo da Monarquia deposta e última esperança da malta enfurecida”. (p. 18-19).

Malta enfurecida? Coutinho a teria usada em que sentido? De identificar os manifestantes com as maltas de capoeira que agiam no Rio de Janeiro, dando vivas à monarquia e contra o novo regime? No-lo sabemos …

Prosseguindo, O Desembargador pediu as massas que aguardassem a ordem, dissolvessem a passeata. Esses acontecimentos se deram pela manhã. Os espíritos serenaram e a tranqüilidade pública volveu à Capital. Mas…

“…por volta das 15 horas do dia 17 os ânimos voltaram a se reacender, com novos grupos de anarquistas a percorrer as ruas e praças da capital, estocando todos os segmentos da balbúrdia em frente ao jornal de Paula Duarte, desaguadouro do contingente de alucinados que para ali convergiam, provindos de quantos becos se contassem, isto já em profusa massa humana.
“O Comandante do 5º. Batalhão de Infantaria destacou, para o local uma força devidamente embalada, tropa essa que se postou em frente à tipografia de Paula Duarte, a partir das 16 horas, a fim de garantir a segurança do jornalista e evitar a depredação do edifício.”.(p. 19, grifos meus).

Os revoltosos debandaram, proferindo gestos coléricos e invulgar alacridade, e assim se passou o resto da tarde, sem outras conseqüências que não o clima de total intranqüilidade reinante.

“Os relógios assinalavam pouco mais das 19 horas, quando a multidão enfurecida e com muitos de seus componentes já armados voltou à carga para tirar a prova de fogo
“Iniciou-se a fuzilaria, de que resultou a morte imediata de três manifestantes, ferimentos em 11 outros, lesões em vários soldados, cabo e sargento do destacamento, vindo a morrer depois, na Santa casa, um dos sediciosos ferido por balaço da tropa.” (p. 20).

Nenhuma palavra sobre uma Guarda Negra … nem no relatório do suboficial que ordenou o fogo…

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Savate x Capoeira! Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

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Ka-á-Pueira de Angola*

Textos e Pensamentos de Leiteiro sobre Capoeira!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Dia mais Triste da Minha Vida! Savate x Capoeira!


Foto Cortesia de Aníbal Phillot – 11-11-1979  Feira de São Cristóvão – Rio de Janeiro

O Dia mais Triste da Minha Vida!

Outro dia estava lendo a história do GRANDE/PEQUENO MESTRE PASTINHA quando dei com a frase:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRE COMIGO!

Não pude acreditar, tamanho egoismo não é predicado de quem tem o titulo de GRANDE MESTRE!
Inconformado passei a procurar qual seria o TAL SEGREDO.E assim se passaram dias meses, anos até que tchan, tchan, tchan tchan:

EU DESCOBRI O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Inacreditavel estivera bem na minha frente, do meu lado, na minha costa e eu NÃO PERCEBIA, imenso, cristalino, estivera todos esses anos talvez cobreto por um pequeno lenço de um magico que por uma graça divina fora agora removido.
Que alegria, que felicidade, eu agora compreendia tudo, entendia a frase do velho MESTRE e seu espanto diante da cegueira de seus alunos em ver oque lhes mostrava todos os dias!

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Corri para a casa de meu amigo para anunciar a boa nova:
ARAÚNA, voçe não vai acreditar mas eu descobri o segredo da Capoeira!
OQUE? k-kk-k-k!
Estou te dizendo véio, é serio!
Pô Leiteiro, eu tenho mãe tu queres me matar de rir k-kk-k-k- !
Não acreditas mais em mim mermão?
Me digas então qual é o segredo?
Era oque eu estava esperando, a hora de dividir o meu minuto de glória.
Ah o segredo, o segredo é….o segredo?…( meu Deus me ajude) bem como eu estava dizendo, o segredo..
Sim, sim o segredo k-kk-k-k- !

Não havia dúvida, eu esqueci o segredo da Capoeira!

Saí cabisbaixo, as orelhas vermelhas de vergonha, coração fervendo de odio impotente contra aquela risada que ecoava na minha mente. A cada passo dado, a cada esquina dobrada, os k-ks ecoavam e desciam espinha abaixo enfraquecendo as minhas pernas, tornando lentos os meus passos, aumentando a distancia entre nossas casas.
Corri como nunca tinha corrido e mergulhei na cama, nada como um dia depois do outro ou como o tempo para curar as feridas!
Mas maisena tem seu dia de mingau, eis que derepente como um raio ilumina-se novamente ele:

O SEGREDO DA CAPOEIRA!

Momentos de euforia seguidos de reflexão, não poderia bancar o garotinho besta que ganhou um brinquedo lindo novamente, a situação exigia AUTO-CONTROLE, tratei de relembrar varias vezes até ficar ciente de que não esqueceria e me dirigi a casa de ARAÚNA não mais como um pateta com um anel de brilhantes, mas sim como um professor que iria ensinar a um aluno que sabe tudo, que ele não sabe nada!

Bati, a porta se abriu e nossos olhares se cruzaram.
Oque te traz aqui Leiteiro?
Tu não vais acreditar mas eu vim fazer hora pois não tenho nada para fazer, disse-lhe com voz cansada.

Estava confirmado, não havia mais dúvidas:
O SEGREDO DA CAPOEIRA NÃO ERA PARA SER DITO E SIM MOSTRADO NAS RODAS DE CAPOEIRA, ao som de seus instrumentos e cantorias e é ISSO QUE O VELHO MESTRE PASTINHA FAZIA nos seus jogos e cantorias!

OQUE EU FAÇO BRINCANDO VOÇE NÃO FAZ NEM ZANGADO e seus alunos NÃO PERCEBIAM OU ENTENDIAM!

Não pude disfarçar as lagrimas ao dizer:

ARAÚNA HOJE É O DIA MAIS TRISTE DA MINHA VIDA!

Agora eu sabia eu tinha certeza:

O SEGREDO DA CAPOEIRA MORRIA COMIGO!

Acredite se quiser meu caro leitor, eu descobri o segredo da Capoeira, mas se voçe for igual a São Tomé eu lhe dou o fio da meada:

CAPOEIRA É OQUE NÃO PARECE e PARECE OQUE NÃO É!

Por falar em fio, Capoeira seria uma pequena rede cujos NÓS são seus segredos.
Quando um NÓ arrebenta (leia-se é esquecido ou desprezado) NÓS (epa!) OS NOVOS MESTRES nos afobamos em reconstrui-lo ficando a REDE DEFORMADA por aquele HORRIVEL NÓ!

Deixassse-mos nós a reconstrução para os VELHOS MESTRES CONHECEDORES DA ARTE, a emenda seria invisivel, preservando com seus conhecimentos a obra do autor!
Contudo com nosso EGOíSMO, PRESSA E IMPERFEIÇÃO, continuamos a encher de NÓS essa rede, A CAPOEIRA que em pouco tempo tornar-se-a imprestável e teremos que joga-la fora. Neste dia toda a NAÇÃO, o MUNDO e até DEUS CHORARÃO, pois quando ELE fez a separação entre a terra e mar nesse momento SURGIU A CAPOÊRA!

HOMENAGEM AOS VELHOS MESTRES, QUE NOS DERAM DE GRAÇA, AQUILO QUE NÓS VENDEMOS A QUALQUER PREÇO!

AGRADECIMENTO:
Ao meu PROFESSOR LUA RASTA, o meu MUITO OBRIGADO, por me ensinar a GOSTAR E AMAR A CAPOEIRA, e a mostra-la nas ruas, praças, escolas e teatros, sem essa atual preocupação de FAZER DA CAPOEIRA, APENAS UM CURSO de Formação de MESTRES!

 Savate x Capoeira!

Fiz este resumo com mudanças nos termos escritos para melhor compreensão do Texto, importantíssimo para a elucidação desta provável influência do Savate na nossa bela Arte Capoeira! (Leiteiro)

Resumo do Autor 
Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovadamente  Africana não apenas pelo seu perfil étnico predominante nos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influência européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha. 
 Leopoldo Gil Dulcio Vaz

 

Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas  citadas podem ter havido uma competição de capoeira no ano de 1877 como uma do SAVATE.
Procure a fonte primaria disto que é a “chave” da história da Capoeira desportiva.

E. JAVIER RUBIERA CUERVO - 

Presidente General de FICA/Espanha1

Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira.
Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando  agilidade.

“JOGO DA CAPOEIRA: 

“Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).


Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, apresenta o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, . No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., . 

(A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).
 Pergunta, então:
“Será a mesma fonte?”.
Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.

    Javier levanta duas questões:
a semelhança dos golpes da capoeira com a savate;
as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”;
o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.





 Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    
“[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790);
a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; 
a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e
a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais.
Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários:
o movimento germânico (ginástica alemã),
o sueco (ginástica sueca) e
o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line)
4 Grifos nossos).



 Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar  um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:
  Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

“Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).

 O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”


Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:


“Theatro Publico
Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:


1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica
2ª dita – grande roda gyratoria
3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa
4ª dita – a grande luta dos dois gladiadores”.

Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9: Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque. Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque.

Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15


Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (ataque e defesa) contendo os regulamentos japonês e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010

O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.

De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas.

O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:
De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20

Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21

Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savate é introduzido:

  Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro 

  (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23;

José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.2

    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:
    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

“A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.

    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31

O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.
    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.
    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.
    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.
    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.

A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

“Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).
O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

O “AÚ” é descrito como:
Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.
    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html
    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

“Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.
    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.
    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.
    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.
    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.
    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.
    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”
    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

“Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.

    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.

Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Leia abaixo o post na forma original!

Crônica da capoeira (GEM). 

O ‘Chausson/Savate’ influenciou a capoeira?

Crónica de la capoeira (GEM). ¿El ‘Chausson/Savate’ influyó sobre la capoeira?
*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)
**Presidente General de FICA (Espanha)

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

Efren Javier Rubiera Cuervo**

 

Resumo

          Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no Porto do Sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.

          Unitermos: Capoeira. História. Chausson. Savate.
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires – Año 16 – Nº 158 – Julio de 2011. http://www.efdeportes.com/
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    Prezado Leopoldo: Já insisti em varias ocasiões nesta cita seguinte que pode ter relação com a de mais abaixo do colégio da Imaculada Conceição. Todos os Capoeiras conhecidos que estudaram no Colégio Pedro II do Rio, eles praticaram sua capoeira (Savate) e nestas datas destas citas pode ter a competição de capoeira de 1877 como uma do SAVATE. Se consegue se orientar e procurar a fonte primaria disto e “chave” pela história da Capoeira desportiva. E. JAVIER RUBIERA CUERVO - Presidente General de FICA/Espanha1
    Recebi nova correspondência do Javier Rubiera, atual presidente da Federação Internacional de Capoeira. Faz algumas citações de trabalhos meus, sobre a Capoeira do Maranhão:

    MARTINS (1989) 2 aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877. Considera que tenha sido praticada antes, trazida pelos escravos bandu-angoleses. Fugitivos, os negros a utilizavam como meio de defesa, exercitando-se na prática da capoeira para apurarem a forma física, ganhando agilidade:

    “JOGO DA CAPOEIRA: “Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (p. 179).

    Outra citação é a que se refere à criação de um novo colégio em São Luis:

     1869 – é anunciada a criação de um novo colégio – o Collégio da Imaculada Conceição -, sendo seus diretores os Padres Theodoro Antonio Pereira de Castro; Raymundo Alves de France; e Raymundo Purificação dos Santos Lemos. Internato para alunos de menor idade seria aberto em 07 de janeiro de 1870. Do anúncio constava o programa do colégio, condições de admissão dos alunos, o enxoval necessário, e era apresentado o Plano de Estudos tanto do 1º grau como do 2º grau, da instrução primária; o da instrução secundária; e da instrução religiosa. No que se referia às Bellas Artes – desenho, música vocal e instrumental, gymnástica, etc., mediante ajustes particulares com os senhores encarregados dos alunos. O novo colégio situava-se na Quinta da Olinda, no Caminho Grande, fora do centro da cidade, e possuía água corrente, tanque para banhos, árvores frutíferas, jardim, bosque e lugar de recreação. (A ACTUALIDADE n. 28, 28 de dezembro de 1869).

    Pergunta, então: “Será a mesma fonte?”.
    Não, são fontes diferentes, embora tenham aparecido em jornais publicados em São Luís no período estudado. Encontrei a referencia no “Diário do Maranhão”, edição de 10 de janeiro de 1877.
    Javier levanta duas questões: a semelhança dos golpes da capoeira com a savate; as referencias que se faz aos praticantes da capoeira em colégios de elite carioca, dentro das aulas de “gymnástica”; o uso de métodos ginásticos no Brasil, da escola francesa, em especial a de Amóros.

Indícios de ‘gymnástica’ no Maranhão

    Os sistemas ginásticos começam a aparecer a partir da segunda metade do século XVIII. São eles:

    “[…] a ginástica alemã, imbuída de propósitos nacionalistas e destinada ao adestramento físico, alicerçada na fundação do Philantropinum 3 por Basedow (1723-1790); a nórdica, sistematizada por Ling (1478-1839) que deu à mesma sentido formativo e higiênico, criando um sistema de quatro divisões para a realização das atividades: pedagógica, médica, estética e militar; a ginástica inglesa, baseada nos esporte e nos jogos, sendo a única a não possuir uma orientação ginástica, e a francesa. Amorós (1770-1848) fundamentou a ginástica francesa nos conhecimentos da natureza humana e na análise do movimento. Seu método privilegiava o desenvolvimento das qualidades físicas e aperfeiçoamento das qualidades morais. Desses sistemas, surgiram, na Europa, três movimentos doutrinários: o movimento germânico (ginástica alemã), o sueco (ginástica sueca) e o francês (ginástica francesa).(AGUIAR e FROTA, on line) 4 Grifos nossos).
    Em 1841 aparece o registro da palavra “ginástica” em São Luís do Maranhão, conforme anúncio no “JORNAL MARANHENSE” 5 sob o título de:

    “THEATRO PUBLICO

    “Prepara-se para Domingo, 21 do corrente huma representação de Gimnástica que será executada por Mr. Valli Hércules Francez, mestre da mesma arte de escola do Coronel Amoroz em Paris; e primeiro modelo da academia Imperial de Bellas Artes do Rio de Janeiro, que terá a honra de apresentar se pela primeira vez diante d’este Ilustrado público, a quem também dirige agradar como já tem feito nos principais Theatros de Europa, e deste Império.

    “Mr. Valli há contractado o Theatro União, para dar sua função, junto com Mr. Henrique, e tem preparado para este dia um espetáculo extraordinário que será composto pela seguinte maneira:

    Exercícios de forças, Agilidade e posições Acadêmicas

    Exercícios no ar e muitas abelidades sobre colunnas assim como admiraveis sortes nas cordas

    “Nos intervalos de Mr. Valli, se apresentará Mr. Henrique, para executar alguns exercícios de fizica, em quanto Mr. Valli descansa.”(Grifos nossos).
    O método francês de ginástica, idealizado por Amoros (1770-1848), constituía-se de 17 itens, e incluía exercícios elementares ou movimentos graduados em diferentes ritmos, visando à resistência à fadiga e um direcionamento moral para o método. Esses exercícios seriam o andar e o correr sobre terrenos fáceis ou difíceis; o saltar em profundidade, extensão e altura, com ou sem ajuda de materiais; a arte de equilibrar-se em traves fixas, o transpor barreiras; o lutar de várias maneiras; o subir com auxilio de corda com nós ou lisa, fixa ou móvel; a suspensão pelos braços; a esgrima e vários outros procedimentos aplicáveis “a um grande número de situações de guerra ou de interesse público”.6
    Nova chamada é publicada em 16 de novembro daquele ano de 1841,7 sob o mesmo título, em que eram anunciadas as novas atrações do programa a ser apresentado:

    “Theatro Publico

    “Domingo 21 do corrente 1841, 1ª apresentação gimnastica dirigida por Mr. Valli, Herculez Francez, que tem a distinta honra de apresentar-se diante deste ilustre publico para executar seis noites de divertimentos:

    1ª noite – exercícios gimnasticos, malabares, fizica

    2ª dita – grande roda gyratoria

    3ª dita – jogos hydraulicos como existem em Europa

    dita – a grande luta dos dois gladiadores”. (Grifos nossos).
Método Amorós (Savate)
    Outra ocorrência que solicita nossa atenção refere-se à presença de 31 (trinta e um) nomes de brasileiros identificados pela origem de nascimento nos arquivos de Schnepfenthal8, e como tais incluídos no corpo discente daquela instituição nas primeiras décadas do século XIX9:
    • Emanuel Bernhard;
    • Louis Stockmeyer; Christiano Stockmeyer
    • Guillermo Frohlich
    • Tito de Sá; Julio de Sá
    • José Antonio Moreira; Joaquim Moreira; João Antonio Moreira
    • Francisco Pereira; Manuel Moreira; Antonio Moreira
    • Adolfo Klingelhoefer; Eduard Klingelhoefer
    • Constancio Pinto; Alberto Pinot
    • Johan Reidner; Franz Reidner
  • Jean de La Roque; Auguste de La Roque; Henri de La Roque; Guilherme de La Roque; Louis de La Roque; Carlos de La Roque
  • Paul Tesdorpf; Ludwig Tesdorpf
  • Cuno Mathies
  • Waldemar Krug; Eberhard Krug
  • James Otto.
    Os LaRocque – importante família estabelecida no Pará -, procedem de dois irmãos:

  • I – HENRIQUE de LaROCQUE (c. 1821 – Porto ?), que deixou geração do seu casamento, em 1848 – Pará -, com Matilde Isabel da Costa ( ? – 1919); e
  • II – LUIZ de LaROCQUE (c. 1827 – Porto ?), que deixou geração de seu casamento, em 1854 (Pará) com sua cunhada Emília Ludmila da Costa.

    Ambos, filhos de JOÃO LUIZ de LaROCQUE (c. 1800 – a. 1854) e de Rosa Albertina de Melo. Entre os membros dessa família registra-se o senador maranhense Henrique de LaRocque Almeida10. No Dicionário das Famílias Brasileiras é dada como sobrenome de origem escocesa, o que é contestado por Henrique Artur de Sousa, genealogista estabelecido em Brasília, que está escrevendo um livro sobre o Senador LaRocque11, família estabelecida no Brasil de origem portuguesa, da cidade do Porto. O falecimento de dois membros dessa família – os irmãos Henrique e Luís, filhos de João Luís de LaRocque e sua mulher Rosa Albertina de Melo – se dão na cidade do Porto, no século XIX… (vide Dicionário…). Informa-nos Henrique Artur de Sousa que alguns LaRocque se estabeleceram no Maranhão, a partir de 1832.
    Se encontrou documentos no Arquivo Público do Estado do Maranhão “firmados de próprio punho” de três membros da família LaRocque, quando de sua chegada, “de que haviam estudado na Alemanha”, numa cidade chamada Schnepfenthal ! Filhos de Jean Francoise de LaRocque:
  • Carolina – depois Baronesa de Santos;
  • Henrique de La Rocque;
  • Guilherme de LaRocque;
  • João Luís de LaRocque;
  • Luís de LaRocque;
  • Rosa;
  • Amélia;
  • Antônio de LaRocque.
    Deixemos no ar os conhecimentos adquiridos pelos LaRocque… Voltemos aos questionamentos de Javier. Chamamos a atenção para o item quatro do programa do quarto dia: “a grande luta dos dois gladiadores”, seguindo o Método de Amóros. (Grifos nossos).
    A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira12, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)13 em Paris e das maltas de fadistas14 de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
    O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.15
http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido
    O Savate ou boxe francês, é um desporte de combate na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. O “Box Savat” é uma luta corpo a corpo que também era uma forma de treinar os soldados franceses nos tempos das guerras napoleônicas, sendo o vigor físico a principal qualidade exigida do soldado. Assemelha-se a um Kata de luta marcial, o qual é composto de golpes de pernas, pés e punhos.
Zaqui, João, ” Jiu-jitsu (attaque e defensa) contendo os requlamaentos japonés e brasileiro “, Sao Paulo, Brazil,
Companhia Brasil Editora, 1936, Publicado por Javier Rubiera para Influências Asiáticas no Brasil el 3/01/2010
Negroes fighting, Brazil”” c. 1824. Autor Augustus Earle (1793-1838) – Painting by Augustus Earle depicting an illegal capoeira-like game in Rio de Janeiro (1824)
Fonte English Wikipedia, original: http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/detailsKeyword.php?keyword=NW0171&recordCount=2&theRecord=0
Diamanga malgache journal: 1936/01/29 (A3,N144). formato original: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k54276490.r=diamanga.langES
FOTO:http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/05/juego-de-imagenes-mujeres.html
Gravura de um belo “furdunço” entre capoeiras ocorrido no Rio de Janeiro, no final do século XVIII, publicada em uma revista da época.
Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
foto:Le moring connaît aujourd’hui une reconnaissance internationale. Ici lors de la Fête de la liberté 2008 à
Aix-en-Provence disponible em http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/Moring-Capoeira
    O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq16, Chefe simbólico do fim do século XVIII.
    O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):
Fonte: Tratado de hygiene naval, ou, Da influencia das condições physicas e moraes … Por J. B. Fonssagrives, on line
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1820-1833-BREST%28Cuna%20del%20SAVATE%29-Navios%20de%20la%20Armada
%20frecuentando%20BRASIL%28Capoeira%29%20-MARTINICA%28Ladja%29%20Y%20BOURBON%28Moringue%29
Fonte: LIBRO:Souvenirs d’un aveugle Escrito por François Arago, Jules Janin
Edición: 4 – 1868 – http://books.google.com/books?id=5hGQK-QrB8QC&hl=es&source=gbs_navlinks_s, on line:Ç
http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1840-RIO-Savate%20y%20Bast%C3%B3n%20en%20Rio%20de%20Janeiro
    De luta de rua passa a esporte regulamentado quando o médico Michel Casseux, em 1825 abriu o primeiro centro de treinamento para o ensino e a prática regulamentada dessas habilidades. Ele tentou criar um sistema de combate menos desajeitado, enfatizando o “roundhouse kick”, laterais e frente ao joelho, canela e peito do pé.
    Em 1832, Charles Lecour combinou as técnicas do boxe clássico Inglês com os princípios formulados por Casseux. Esta mistura foi chamada de “savate” – boxe francês – e atraiu tanto a elite da sociedade como os jovens, o que beneficiou o esporte como a aptidão muscular e autodefesa.
    Em 1850, a primeira luta de boxe francês com as regras estabelecidas por Casseux, para diferenciá-lo de uma rixa da rua. Louis Vignezon foi o primeiro campeão de Savate ao derrotar seu adversário com a batida de apenas quatro chutes.
Credit: Boxing Lesson by Charles Charlemont (1862-1942), 1906 (b/w photo), French Photographer, (20th century)
/ Bibliotheque des Arts Decoratifs, Paris, France / Archives Charmet / The Bridgeman Art Library
fuente: Deportes de combate – boxeo francés y esgrima de palo, Badenas, Madrid 1934 – Título Deportes de combate: boxeo inglés,
boxeo francés, lucha grecorromana, lucha libre, esgrima de palo, jiu-jitsu, kuatsu ; Autor José Bádenas Padilla; Editor s.n., 1934,
on line http://eu-bras.blogspot.com/
    Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas. Em seguida, essas mesmas regras foram estendidas para outras partes do Velho Continente, África, Canadá e Estados Unidos.
    O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa17 tanto no Colégio Pedro II18 no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq)19:

    A referência a aparelhos e peças próprias aos exercícios gymnasticos faz pensar que Pedro Guilherme Meyer tenha desenvolvido um trabalho diferenciado daquele que até então acontecera no CPII que, de um modo geral, esteve centralizado no conteúdo da esgrima. Neste sentido, é esclarecedor o relatório do Inspetor Geral da Instrução Pública do Município da Corte, enviado ao Ministro do Império em 1859: apraz-me declarar a V. Exa. que durante o anno passado começou a funccionar com a possível regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercícios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné, ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer. (MINISTÉRIO DO IMPÉRIO, 1858, p.18). De acordo com o Inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercícios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné. Este era discípulo do Coronel Francisco Amorós y Ondeano, a principal figura Organização e cotidiano escolar da Gymnastica (CUNHA JUNIOR, 2004, 2008)20
    Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o  major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.21
    Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savat é introduzido:

Pg. II. Executivo – Caderno 1. DOSP de 25/02/2010

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/5135262/dosp-executivo-caderno-1-25-02-2010-pg-ii/

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Publicado por AEC para Influencias Européias no Brasil
    Para COSTA (2007)22 , no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) 23; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) 24; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)25; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)26. Todos eram capoeiristas.

    Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.27
    Outro professor, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII:

    Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer 17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual Foi transferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.28
    Um aluno, reconhecido como capoeira, foi José Basson de Miranda Osório, nasceu em Parnaíba a 17 de novembro de 1836, faleceu a 17 de abril de 1903, na Estação de Matias Barbosa, Estado de Minas Gerais. Cursou humanidades no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para São Paulo e ingressando na Faculdade de Direito. Filho do Coronel José Francisco de Miranda Ozório, um dos chefes emancipacionista do Piauí no movimento parnaibano de 19 de outubro de 1822, Comandante das forças legalistas na guerra dos Balaios e um dos raros monarquistas brasileiros a resistir ao golpe republicano de 1889. Ocupou dentre outros, os seguintes cargos: Inspetor, Tesoureiro da Alfândega, Promotor e Prefeito de Parnaíba, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província do Piauí por longos anos, Presidente da Província da Paraíba, Inspetor da Alfândega do Pará e do Ceará, Chefe de Polícia da Capital do Império. (PASSOS, 1982)29:

    Para CARVALHO (2001)30 , en­tre os capoeiras havia muitos brancos e até mesmo es­trangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum apa­recerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres se envolviam:

    “A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890 foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, e irmão do visconde de Matosinhos, proprietário do jor­nal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era Quintino Bocaiú­va, ministro e um dos principais propagandistas da Re­pública. Outro caso famoso foi o de Alfredo Moreira, filho do barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde privava do convívio dos Roths­child. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça co­nhecido de todos os tumultos”. O representante inglês in­formava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade.
http://web.tiscalinet.it/canneitaliana/italo.htm
    No início do século XX, no Brasil começou a se tornar mais comum a prática da luta romana, notadamente desafios entre atletas cariocas e de São Paulo. José Floriano Peixoto foi um dos mais renomados dessa modalidade naquele momento.
    No seu livro de memórias, comenta Luiz Edmundo, captando bem o momento de transição:
    Não se pratica a ginástica do corpo. A do sentimento basta. E nesse particular, ninguém supera o jovem desse tempo… Vive ainda da lírica do poeta Casimiro de Abreu, acha lindo sofrer-do-peito, bebe absinto e, de melenas caídas nas orelhas, ainda insiste em recitar ao piano. Toda uma plêiade de moços de olheiras profundas, magrinhos, escurinhos, pequeninhos… Tipos como o do atleta José Floriano Peixoto, são olhados, por todos, com espanto. (Edmundo, 1957, p.833)
    Zeca Peixoto, como era conhecido, destacava-se não só pelo seu corpo forte, como também pelo fato de ser praticante e campeão de muitos esportes diferentes. Ganhou ar de herói quando salvou diversas pessoas em um naufrágio que ocorrera na Bahia, ocasião em que retornava de excursão à Europa. Nos primeiros anos da década de 1900, Peixoto já estava envolvido com o grupo de Paul Pons, um francês muito atuante nos primeiros momentos do halterofilismo no Brasil e no mundo. No decorrer da década esteve envolvido com apresentações em teatros, fazendo parte da “Companhia Ginástica e de Variedades” e chegando a ser proprietário de um circo (Circo Floriano), que fez sucesso na cidade.31
    O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

    Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu - 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.

    Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.

    Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.

    Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e Suicídio.

    Para Pol Briand32, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.
    A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira:

    “Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional 33. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro34. Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado 35 traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.
PANTANA
Capoeiragem: Articulo EEUU-Nueva York -1953 http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1953-eeuu-articulo-de-capoeiragem-en.html

PANTANA – Volta sobre o corpo aplicando os pés contra o peito d o adversário (Abreu, 1886, in LIMA, 2007, p. 158).

O capoeirista, negaceando, simula um salto mortal e, com as mãos apoiadas no chão, desfere com os pés uma 

violenta pancada, que visa geralmente o rosto ou o peito do adversário (Moura, 1991, in LIMA, 2007, p. 158)

    O “AÚ” é descrito como: Movimento que na Capoeira corresponde ao posicionamento do corpo apoiado nas mãos (“em representação ao desenho da letra ‘A”) com os pés erguidos e abertos (em representação ao desenho da letra “U”. É um movimento característico da capoeira, no qual o praticante leva as duas mãos ao chão, subindo imediatamente as duas pernas, geralmente esticadas e caindo geralmente em pé. (MANO LIMA, 2007, p. 64):

    É um movimento de capoeira que pode ser aplicado de muitas formas: Em pé, agachado entre outros –

    AÚ AGULHA; AÚ AMAZONAS; AÚ BANDEIRA; AÚ BATIDO; AÚ CAMALEÃO; AÚ CHAPA DE FRENTE; AÚ CHAPA DE COSTAS; AÚ LATERAL; AÚ CHIBATA COM UMA PERNA; AÚ CHIBATA COM DUAS PERNAS; AÚ COICE; AÚ COM UMA DAS MÃOS; AÚ CORTADO; AÚ DE COLUNAS; AÚ DE ROLÊ; AÚ DUBLÊ; AÚ FININHO; AÚ GIRO COMPLETO; AÚ MARTELO; AÚ MORCEGO; AÚ MORTAL; AÚ PALITO; AÚ PARAFUSO; AÚ PICADO; AÚ PICO; AÚ PIRULITO; AÚ QUEBRADO; AÚ SANTO AMARO; AÚ SEM MÃOS; AÚ TESOURA; AÚ VIRGULINO.

Pintura do italiano Giovanni Battista Tiepolo, chamada Pulcinella and the Tumblers de 1797, época em
que a ginástica renascia em apresentações públicas. A obra encontra-se no Museu Settecento Veneziano

    Aú é indispensável na pratica da capoeira, por ser um dos passos mais usados. Existem dois tipos de aú. Aú aberto: é utilizado no início e na saída da roda. É também conhecido como estrela. É só colocar as mãos no chão e depois os pés para o alto,e termina em pé. Aú fechado:semelhante ao rolê,acrescenta-se um pulo Aú dobrado: a entrada do movimento é semelhante ao aú aberto, mas na metade do movimento dobra-se a coluna para sair de frente. Aú trançado: movimento em que se entra no aú aberto mas troca-se as pernas “trançando-as”, sendo a perna que impulsiona o corpo a primeira que vai tocar o solo. Aú sem mãos: mesmo movimento do aú aberto, mas executado sem o emprego das mãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%BA
    Techniques et apprentissage du moring réunionnais
    Résumé Sport de combat rituel, le moring associe la musique, l’’expression corporelle, les traditions guerrières et les cultes afro-malgaches. Cousin de la Capoeira du Brésil, le moring réunionnais dû affronter bien des préjugés et des interdits tout au long de son histoire. Ce livre contribue à réhabiliter cet art populaire. Il met en valeur les bienfaits de cette discipline où le corps et l’’esprit s’’épanouissent. Règles et techniques sont expliquées précisément, illustrées par de nombreux croquis de mouvements.
http://www.livranoo.com/livre-Reunion-Techniques-et-apprentissage-du-moring-reunionnais-252.html

http://www2.webng.com/portaldacapoeira/au.html
Pencak Indonésia
Seqüência de Bimba (8)
Jogador 1 – bênção e aú de rolê.
Jogador 2 – negativa e cabeçada.
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://lh3.ggpht.com/_MARp4qSlMvU/SiRJDUmNnaI/AAAAAAAAAPA/O02nIzd1G5o/
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    O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.
    Em artigo publicado no Jornal do Capoeira36 em 2005, já havia respondido parte dessa questão:

    “Em “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, há uma noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

    “Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros.

    “Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens.

    “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença.

    “A curiosidade pelo jiu-jitzu chega a tal ponto que o empresário do “Pavilhão Nacional”, em Niterói, contratou, para se exibir no seu estabelecimento, um campeão do novo jogo, que veio diretamente do Japão.

    “Ha alguns dias esse terrível jogador vem assombrando a platéia daquela casa de diversões com a sua agilidade indiscritível, com os seus pulos maquiavélicos. Todas as noites o campeão japonês desafia a platéia a medir forcas com ele, sendo que, logo nos primeiros dias de sua exibição, se achava na platéia um conhecido “malandrão”.

    “Feito o desafio, o “camarada” não teve duvidas em aceitar, subindo ao palco.

    “Depois de tirar o paletó, colete, punhos, colarinho e as botinas, o freguês “escreveu” diante do campeão, “mingou” abaixo do “cabra”; este assentou-lhe a testa que o japones andou amarrotando as costelas no tablado. A coisa aqueceu, o japonês indignou-se, quis virar “bicho”, mas o brasileiro, que não tinha nada de “paca” foi queimando o grosso de tal maneira que a policia teve que intervir para evitar … o japonês.

    “’A Folha do Dia’ narra o seguinte: ‘Diversos freqüentadores do Pavilhão Nacional vieram ontem a esta redação apresentar o Sr. Cyriaco Francisco da Silva, dizendo-se o mesmo senhor vencido o jogador japonês que se exibe atualmente naquela cada de diversão.

    “O Sr. Cyriaco é brasileiro, trabalhador no comercio de café e conseguiu vencer o seu antagonista aplicando-lhe um “rabo de arraia” formidável, que no primeiro assalto o prostrou.

    “O brasileiro jogou descalço e o japonês pediu que não fosse continuada a luta.

    “Ficam assim cientes os que se preocupam com o novo esporte que ele é deficiente. Basta estabelecer o seguinte paralelo: no jiu-jitzu a defesa é mais fácil que o ataque; na capoeiragem a grande ciência é a defesa, a grande arte é saber cair.

    “Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’.”. (Grifos nossos).
    Em 1972, o General Jayr Jordão Ramos37 apresenta seu “Parecer sobre a Capoeira-Desporto”, em relatório do Conselho Nacional do Desporto do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ressaltando a importância de dar à capoeira “formas e regras desportivas”, com o objetivo de reabilitá-la enquanto luta. Nesse mesmo parecer citado acima, o General aponta que pela falta de incentivo público, a capoeira serviu, por muitos momentos, à malandragem e desordem. Assim, só teria restado para a capoeira, fixar-se no campo do folclore (FONSECA, 2009)38. Entretanto, ainda para o General Ramos, se tivesse sido devidamente fomentada:
    “[…] seria modalidade ginástica bastante praticada (…). Ao lado do Judô, do Boxe, do Karatê e de outras formas de luta, deve ser a capoeira estimulada. Como desporto, ela apresenta no seu aspecto, um misto de semelhança com a luta francesa “Savate” e com a japonesa do Karatê (…). (FONSECA, 2009)
    Ainda segundo essa autora, Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira.
    Já Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba, como ficou conhecido, nasceu em 23 de novembro de 1899, na freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Era filho de Luiz Cândido Machado, ex-escravo, e Maria Martinha do Bonfim, descendente de índios. Iniciou a capoeira com cerca de 12 anos, mas nessa época já tinha familiaridade com as técnicas do batuque39, uma vez que seu pai era muito famoso nessa modalidade. Seu professor, segundo relata Muniz Sodré (2002)40, era um mestre da ‘capoeira antiga’, anterior à divisão em diferentes estilos, chamado Bentinho.
    Na realidade, não é novidade um membro das Forças Armadas Brasileiras estar envolvido com questões relativas à capoeira, principalmente no intento de enquadrá-la enquanto atividade esportiva. No início do século XX, como demonstrado anteriormente, setores militares defenderam a criação de um Método Nacional de Educação Física baseado na capoeira, além de serem feitas as primeiras propostas acerca da regulamentação da capoeira enquanto esporte. (FONSECA, 2009).
    Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: “A Capoeira”, ilustrada por Kalixto. Este artigo é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.

    “Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.

    Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: “A Capoeira”, 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria.”

    Santos (2006)41 informa que em 1928, o capoeira-intelectual carioca Anibal Bulamarqui, conhecido como mestre Zuma, publicou o livro Ginástica Nacional (Capoeiragem) metodizada e regrada, cujo prefácio de Mário Santos dizia:

    “Adotemos a capoeiragem, ela é superior ao box, que participa dos braços; ela é superior à luta romana, que baseia na força; é superior à japonesa, pois que reúne os requisitos de todas essas lutas, mais a inteligência e a vivacidade peculiares ao tropicalismo dos nossos sentimentos pondo em ação braços, pernas, cabeça e corpo”.
    Em Negros e Brancos no Jogo da Capoeira: a  Reinvenção da Tradição, Letícia Vidor de Sousa Reis descreve a tentativa de Burlamarqui, e  de outros intelectuais do começo do século, de transformar a capoeira num esporte “branco” e “erudito”, ou seja, eles tinham para a capoeira um projeto nacional, implicando numa única nomenclatura dos movimentos corporais da capoeira e no estabelecimento de um único conjunto de regras:

    MOVIMENTOS DO MESTRE ANNIBAL BURLAMAQUI.“Apellidei este methodo, puramente meu, de “ZUMA”, não só porque Zuma é a quarta parte do meu segundo nome, como também porque uma feliz coincidência faça com que se perceba nitidamente a letra Z no centro do campo de luta que adoptei para o meu método de capoeiragem, differenciando-o dos campos de sports communs. Primeiramente idealisei um campo de luta onde, com espaço suficiente, se pudesse realisar a GYMNASTICA BRASILEIRA.43
    Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005)44, ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.
    Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:

    “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos
    Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003)45 Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
    Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo46,

Notas

  1. Correspondência eletrônica pessoal, enviada por FICA-Espanha- [capoeira.espanha@gmail.com] sáb 12/6/2010 13:16 para Leopoldo Gil Dulcio Vaz [leopoldovaz@elo.com.br] assunto: A Galhina dos ovos de ouro (Muito Importante).
  2. MARTINS, Dejard. Esportes: um mergulho no tempo. São Luís: (s.n.), 1989.
  3. O Philantropinum foi fundado em 1774 por J. B. Basedow, professor das escolas nobres da Dinamarca. O Philantropinum foi a primeira escola dos tempos modernos a ter um cunho fundamente democrático, pois, seus alunos provinham indiferentemente, de todas as camadas sociais. Foi também, a primeira escola a incluir a ginástica no curriculum, no mesmo plano das matérias chamadas teóricas ou intelectuais. As atividades intelectuais ficavam lado a lado às atividades físicas, como equitação, lutas, corridas e esgrima. Na Fundação Philantropinum havia cinco horas de matérias teóricas, duas horas de trabalhos manuais, e três de recreação, incluindo a esgrima, equitação, as lutas, a caça, a pesca, excursões e danças. A concepção Basedowiana contribuía para a execução de atividades a fim de preparação física e mental para as classes escolares maiores.
  4. AGUIAR, Olivette Rufino Borges Prado Aguiar; FROTA, Paulo Rômulo de Oliveira Frota. Educação Física em questão: resgate histórico e evolução conceitual. On line, disponível em http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/iiencontro/GT-1/GT-01-05.htm
  5. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 36, 12 de novembro de1841
  6. SOARES, Carmen Lúcia. Imagens da Educação no Corpo – estudo a partir da Ginástica Francesa no século XIX. Tese (Doutorado em Educação) – Unicamp, Campinas, 1996.
    • SOARES, Carmen Lúcia. Raízes Européias e Brasil. Campinas, Autores Associados, 2001. 2a edição revista
  7. JORNAL MARANHENSE,, São Luís, n. 37, 16 de novembro de1841
  8. Schnepfental Educational Institute, criado por Salimann, um ex-professor do Philantropinum, instituição que atravessaria séculos e seria a herdeira dos sistemas que celebrizaram Basedow.
  9. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A família LaRocque, do Maranhão: questão de pesquisa. In Revista “Nova Atenas” de educação tecnológica, São Luis, Volume 06, Número 01, jan/jun/2003 (Disponibilizado em dezembro de 2006), on line www.cwfwt-ma.br/revista.
  10. In Dicionário das Famílias Brasileiras, vol. II, BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Arquivos da Biblioteca Pública “Benedito Leite”.
  11. Informação encontrada no Arquivo Público, sobre a existência desse pesquisador; viria publicar, posteriormente, Entrelaços de Família. Brasília, 2003. Meu exemplar é o de número 288.
  12. As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)
  13. On line http://pt.wikipedia.org/wiki/Savate
  14. SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf
  15. On line http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/pelea-de-marinos-savate.html
  16. Eugène François Vidocq (23 de julho de 1775 – 11 maio de 1857) foi um criminalista francês cuja história de vida inspirou vários escritores, incluindo Victor Hugo e Honoré de Balzac. Um ex-bandido que posteriormente se tornou o fundador e primeiro diretor do combate ao crime Sûreté Nationale bem como a cabeça do primeiro conhecido agência privada de detectives, Ele é hoje considerado pelos historiadores como o pai da moderna criminologia e da polícia francesa. Ele também é considerado como o primeiro detective privado. Na prisão de Bicêtre Vidocq era de esperar vários meses para a transferência para o Bagne em Brest ao trabalho no cozinhas. Um companheiro preso lhe ensinou a arte marcial savate que mais tarde foi muitas vezes útil para ele. No final de 1811 Vidocq informalmente organizado uma unidade à paisana, o Brigada de la Sûreté (Brigada de Segurança). O departamento de polícia reconheceu o valor dos agentes civis, e em outubro de 1812 o experimento foi oficialmente convertido em uma unidade da polícia de segurança sob a égide da Delegacia de Polícia. Vidocq foi apontado como seu líder. Em 17 de dezembro de 1813 Napoleão Bonaparte assinou um decreto, que fez a brigada de um estado policial de segurança. On line http://en.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Fran%C3%A7ois_Vidocq
  17. http://www.policiamilitar.sp.gov.br/noticias.asp?TxtHidden=144 on line  http://sala-prensa-internacional-fica.blogspot.com/search/label/1906-Mission%20Francesa%20para%20en%20Brasil%20para%20formaci%C3%B3n%20de%20la%20Fuerza%20P%C3%BAblica
  18. O Imperial Collegio de Pedro Segundo (CPII) foi fundado no Rio de Janeiro em 1837. O principal objetivo do governo brasileiro ao organizar o CPII foi oferecer aos filhos da boa sociedade imperial (Mattos, 1999) uma formação secundária abrangente e distintiva, própria à elite da época. A distinção pode ser avaliada pelo título conferido aos alunos que finalizavam o curso de estudos do Colégio, o de Bacharel em Letras, cuja posse garantia lugar em qualquer uma das Academias Superiores brasileiras. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil:
    reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008; CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
  19. Para saber mais sobre Vidocq e a criação do Savate, ver http://www.arras-online.com/celeb_vidocq.php
  20. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  21. VIEIRA, Luis Renato. Educação e autoritarismo no Estado Nobo. In EDUC E FILOS. Uberlândia, 6 (12): 83-94, jan./dez. 1992, disponível em http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/2010/03/1921-adop-metodo-ed-fisica-ejercito-br.html
  22. COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.
  23. NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.
  24. REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.
  25. PIRES, Antonio Liberac A. Capoeira na Bahia de Todos os Santos: estudo sobre cultura e classes trabalhadoras (1890 – 1937). Tocantins: NEAB/ Grafset. 2004
  26. CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).
  27. Guilherme de Taube, como a maioria dos mestres de gymnastica que passariam pelo CPII ao longo dos oitocentos, era um ex-oficial do Exército. Sua experiência com os exercícios ginásticos no meio militar serviu como um atestado de sua aptidão para o emprego no Colégio. Durante todo o período imperial não haveria concurso para esse cargo, sendo os profissionais contratados diretamente pelo Reitor ou pelo Ministro do Império, de acordo com a necessidade da instituição. A gymnastica era considerada uma atividade eminentemente prática. Ao contrário dos responsáveis pelas outras cadeiras oferecidas pelo CPII, os pretendentes ao cargo de mestre de gymnastica não eram avaliados por seu conhecimento teórico, mas por sua perícia e experiência de trabalho com esta arte no meio militar ou nas instituições escolares civis. […] (CUNHA JR, C F F. Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” – uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. Perspectiva, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004) on line, disponível em http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1841-Gymnasia%20militar%20en%20el%20Colegio%20Pedro%20II
  28. CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
    • CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
  29. PASSOS, Caio. Cada rua sua história. Parnaíba: [s.n.], 1982. citado por , SILVA, Rozenilda Maria de Castro COMPANHIA DE APRENDIZES MARINHEIROS DO PIAUÍ E A SUA RELAÇÃO COM O COTIDIANO DA CIDADE DE PARNAÍBA. on line, http://www.ufpi.br/mesteduc/eventos/ivencontro/GT10/companhia_aprendizes.pdf
  30. CARVALHO, José Murilo De. BESTIALIZADOS OU BILONTRAS? (do Livro Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a República que não foi”, Cia das Letras, págs. 140-164, ano 2001). On line, http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/bestializados.html
  31. On line http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882007000200008&script=sci_arttext
  32. On line in http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/search/label/Ginga-SAVATE
  33. KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.
  34. SOUSA, Celso. , La mission militaire française au Brésil de 1906 à 1914 et son rôle dans la diffusion de techniques et méthodes d’éducation physique militaire et sportive. Thèse Histoire contemporaine, Université de Bourgogne, 2006 in [http://www.esefex.ensino.eb.br/atual_trab/%40cap I.PDF
  35. Bailado Joinville Le Pont -SESC Pompeia Dia(s) 26/04 Domingo, às 17h. O “Bailado Joinville Le Pont” é uma dança folclórica, originalmente extraída de uma dança camponesa do interior da França, posteriormente sistematizada pela Escola de Joinville Le Pont. Com o advento das Guerras Napoleônicas essa dança foi utilizada pelos comandantes franceses como forma de treinamento e entretenimento de seus soldados. Em 1906, uma missão composta por 19 oficiais da gerdarmarie francesa introduziu a dança na Academia de Polícia Militar do Estado de São Paulo, com a finalidade de reforçar o condicionamento físico dos soldados brasileiros. Hoje em dia este bailado está extinto na França, contudo ainda é praticado no Brasil pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Deck Solarium. In http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=149568
  36. VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jiu-Jitsu no Maranhão. In Jornal do Capoeira Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005, 0on linme. Diospon[ível em http://www.capoeira.jex.com.br/
  37. RAMOS, Jayr Jordão. OS EXERCICIOS FISICOS NA HISTORIA E NA ARTE. Rio de Janeiro: IBRASA, 1983
    • O General Jayr Jordão Ramos nasceu em 14 de julho de 1907, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola Militar do Realengo, e foi declarado aspirante a oficial em 1930. Ao longo de toda a sua carreira militar dedicou-se às questões relacionadas à prática e ao ensino de Educação Física. Como aluno, recebeu Menção Honrosa na Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx). É importante ressaltar que esta instituição balizava os rumos da Educação Física no Brasil à época. Em 1935, é nomeado instrutor da EsEFEx e começa a estabelecer contato com outras Escolas importantes internacionais, como a Escola Superior de Educação Física Joinville-Le-Pont, lá realizando cursos
  38. FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  39. O batuque é uma mistura de dança e luta, na qual os jogadores usam as pernas para desequilibrar o adversário.
  40. SODRÉ, Muniz. Mestre Bimba: corpo de mandinga. 2002. Citado por FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.
  41. SANTOS, Eduardo Alves (Mestre Fálcon) CAPOEIRA NACIONAL: A Luta por Liberdade  IV IN Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br Edição 61 – de 19 a 25/Fev de 2006 Sorocaba-SP, disponível em http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.jornalexpress.com.br/gerencia/antigos/ver_imagem.php%3Fid_imagem%3D4273&imgrefurl=http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php%3Fid_jornal%3D13170%26id_noticia%3D848&usg=__Sn7kJPy_YwGNzGjlIVhtUcf6xro=&h=414&w=287&sz=60&hl=pt-BR&start=6&tbnid=q52S4xUiYR9MQM:&tbnh=125&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3Dcapoeira%2B%252B%2Bodc%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
  42. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  43. Fonte: SANTOS, Esdras Magalhães dos (Mestre Damião). A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DA LUTA REGIONAL BAHIANA DO MESTRE BIMBA in http://www.capoeiradobrasil.com.br/liga_2.htm
  44. LOPES, André Luiz Lacé. Capoeiragem no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo. Literatura de Cordel, 2ª edição. Rio de Janeiro, 2005.
  45. VASSALO, Simone Ponde. “Capoeiras e intelectuais: a construção coletiva da capoeira autêntica”. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, 2003, v.2, n.32, p 106-124
  46. DOU (Diário Oficial da União), de 21/12/1962, pg. 61. Seção 1., disponível em
    http://www.jusbrasil.com.br/diarios/3100574/dou-secao-1-21-12-1962-pg-61 , Publicado por AEC para Conexoes da Capoeira Desportiva el 8/03/2010 02:25:00 AM

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A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?

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JOGOdeBAMBA @ School of Capoeira Regional

!!! O Blog dedicado ao Patrimônio Cultural Brasileiro e com o Axé dos Capoeiras será Esporte Olímpico no Rio em 2016 !!!

 A Capoeira na sua evolução teria sido influenciada pelo ‘Chausson/Savate’ ?
        Existem muitas teorias sobre a formação e elaboração das técnicas que atualmente são praticadas na capoeira tradicional ou contemporânea……
         Em anexo um ( Link ) do site efdeportes.com onde podemos estudar e pesquisar uma dessas teorias sobre a origem das exóticas técnicas da Capoeira.
Salvate ou Boxe Francês
 Capoeira

Leopoldo Gil Dulcio Vaz*

*Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (Brasil)

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Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

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Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a  Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

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CONVITE! Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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CONVITE!

A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem. 
DATA: 26/11/2014 (Quarta – feira);
HORÁRIO: 19hs
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA

Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.

Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012 à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit. na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”

A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”

Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.

Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.

“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.”

Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”

Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13;http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

CONVITE!</p>
<p>A Federação Maranhense tem a honra de convidar todos a participar da comemoração da Titulação da Capoeira como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.<br />
Obs.: O evento esta sendo realizado pelo IPHAN juntamente com o Fórum, entidades e pessoas que o compõem.<br />
DATA: 26/11/2014 (Quarta - feira);<br />
HORÁRIO: 19hs<br />
LOCAL: Praça Nauro Machado/ Centro Histórico de Sao Luis -MA</p>
<p>Na oportunidade será exibido um vídeo sobre a Titulação da Capoeira, assim como, será realizada uma roda de capoeira.</p>
<p>Texto sobre a Titulação: A capoeira, património cultural imaterial do Brasil desde 2008, é agora candidata a incluir a lista de bens Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Para tal, o Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil), enviou no ano 2012  à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a respetiva candidatura, aguardando-se, este ano, a decisão daquele organismo. Segundo Luíz Renato Vieira (cit.  na revista Históriaviva, n.º 103), a capoeira não está entre outros bens culturais de caráter folclórico que correm o risco de desaparecer (até porque a capoeira, atualmente, tem grande divulgação por todo o mundo). “O desafio está em manter a divulgação da capoeira com as suas características essenciais”. “Ela deve ser cantada em português, ser uma manifestação ao mesmo tempo lúdica, musical, e combativa e ser uma luta em total simulação.”</p>
<p>A capoeira é uma expressão cultural brasileira na qual se mistura arte-marcial, desporto, música e dança. Dois capoeiristas, acompanhados pelo berimbau, “iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro “compre o jogo” e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.”</p>
<p>Segundo os entendidos a capoeira teve origem entre os escravos, levados pelos portugueses de África para o Brasil a partir do século XVI, que disfarçavam a prática da luta numa espécie de dança, assim enganando os senhores dos engenhos e os capitães-do-mato.</p>
<p>Inicialmente a capoeira era acompanhada de palmas e de toques de tambores. Posteriormente foi inserido nesta prática o berimbau, instrumento composto por uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. A parte musical da capoeira tem também músicas que são cantadas e repetidas em coro por todos, numa roda.</p>
<p>“Com a aprendizagem da capoeira aprende-se a “ginga do corpo”, a “mandinga”, a capacidade de aprender a resolver uma desavença através de um jogo de esperteza, e não da força bruta e da violência.” </p>
<p>Para Mestre Pastinha, “para ser um bom capoeirista a pessoa tem de saber jogar não somente capoeira: também tem de ser uma pessoa que dá exemplos através da sua atitude de disciplina, respeito e solidariedade. No jogo, é proibido usar truques e todos os mestres têm o dever de ensinar aos seus alunos que não podem colocar as mãos nos adversários. A capoeira é um símbolo da luta do escravo em ânsia de liberdade!”</p>
<p>Fontes: IPHAN – Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, Brasil; Revista Históriaviva, n.º 103; http://www.suapesquisa.com, 9:34, 14.o9.13; www,truenet.com.br, 9:40, 14.09.13; http://www.vocerealmentesabia.com, 10:20, 14.09.13.

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III SIMPÓSIO DE CAPOEIRA DO MARANHÃO – 6 A 9 DE NOVEMBRO – FLOR DO SAMBA

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