Em Barras do Corda: Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola

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Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola
Aconteceu na tarde de quarta-feira 18/05/16, a APAE de Barra do Corda receberá a visita dos alunos do Trabalho Educacional Ação Roda Mundo Capoeira Angola, da Secretaria Municipal de Educação. Na oportunidade foram realizadas atividades recreativas desenvolvidas através da capoeira .

 
Em funcionamento na Escola da Vila Miguelzinho e na Escola Frederico Figueira no Centro da cidade, atualmente envolve 90 crianças e adolescentes que através da prática da Capoeira Angola e de atividades artísticas culturais, se dedicam a preservar e divulgar os elementos das culturas afro e indígenas de nosso país.

 
Ontem a galera do Roda Mundo foi muito bem recebida na APAE e foi grande o axé desse encontro marcado por muita alegria e participação.

Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
Foto de Irapuru Iru.
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AOS CAPOEIRAS MARANHENSES – mensagem de Marco Aurelio Haikel

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AOS CAPOEIRAS MARANHENSES, em particular, e, a todos/as, em geral, bem como, seus/suas simpatizantes,

filme sobre mestre Sapo2

Aqui ou em qualquer lugar do mundo convido-os/as a ler e assinarem a petição abaixo postada e assim dizer um NÃO à ganância do CONFEF/CREF’s, instituições que manobram por todos os meios para enquadrar a Capoeira aos seus ditames, retirando dos/as mestres/as sua condição ancestral de repassar o conhecimento aprendido e apreendido no seio dessa cultura essencialmente popular.

 

Qualquer educador/a físico/a que queira fazer parte da Capoeira, não tem qualquer problema, pois muitos/as já fazem, porém, que ingressem na Arte submetendo-se aos valores e fundamentos tomados de seus/suas mestre/as e não de suas representações profissionais, vez que os interesses destas, não são outros, que não mercadológicos.

 

A nossa Arte Guerreira, hoje, presente em mais de 160 países é fruto de esforços exclusivos e, pessoais, dos/as capoeiras, que ao longo de gerações fizeram e fazem com que a Capoeira esteja no patamar em que chegou.

 

No entanto, chegado o momento dos/as capoeiras desfrutarem tudo o que conquistaram a duras penas; superando os mais execráveis preconceitos, não tem como aceitar que instituições como CONFEF e CREF’s, de olho somente no enorme mercado que se mostra venham querer açambarcar o que é dos capoeiras de direito, por gerações.

 

Por toda uma manobra espúria, cuja articulação se faz ptesente no Legislativo e no Executivo, requer assinarmos a petição abaixo postada, no que todos/as que puderem possam repassar ao maior número de capoeiras e simpatizantes.

 
Marco Aurelio Haikel
Mestre de Capoeira do Centro Matroá.
Conselheiro Municipal de Cultura
Advogado

Nós, Capoeiristas de todas as Matrizes, Defensores e Defensoras do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro dizemos NÃO a Resolução Nº 44 do Conselho…
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PLENÁRIA DA SETORIAL DE PATRIMÔNIO IMATERIAL, AMANHÃ, DIA 05, 5a – FEIRA. no Centro Matroá, na Praia Grande

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INFORME: REALIZAÇÃO DA PLENÁRIA DA SETORIAL DE PATRIMÔNIO IMATERIAL, AMANHÃ, DIA 05, 5a – FEIRA.

Amanhã, 5a-feira, dia 05, acontecerá, a partir das 18:30h, no Centro Matroá, na Praia Grande, ao lado da Livraria Poeme-se, a Plenária da Setorial de Patrimônio Imaterial – que inclui o Bumba-Boi, o Tambor de Crioula e a Capoeira – com vistas à 5a Conferência Municipal de Cultura.

PUNGA CARTAZ
É importante ressaltar, que o local não foi escolha deste conselheiro, mas sim, uma proposição da própria Secretaria de Cultura do Município que, em razão do esvaziamento da Plenária marcada para sábado passado e, por não dispor de um espaço adequado, seus representantes lá, presentes, perguntou-nos sobre a possibilidade de fazer a reunião no Centro Matroá, o que foi disponibilizado.

filme sobre mestre Sapo2


Marco Aurelio Haikel
Mestre do Centro Matroá de Capoeira
Conselheiro Municipal de Cultura

roda_de_rua

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NOTAS SOBRE A CAPOEIRAGEM EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO

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Ao reler o artigo publicado (em capítulos…) no “Jornal do Capoeira” abortando o tema “Capoeiragem em São Luís do Maranhão”, vejo-me obrigado a rever alguns pontos ali abordados.

 

  1. sobre o Livro-Album dos Mestres de Capoeira – já foram cadastrados mais de 80 (oitenta) Mestres que atuam em São Luis do Maranhão; em reunião com Contramestre Baé – Florisvaldo Costa -, presidente da Federação de Capoeira do Estado do Maranhão – [email protected] – solicitei que desse uma olhada nos cadastrados e identificasse quem efetivamente era graduado como “mestre” ou “contramestre” dentre aqueles que se identificaram como tal; tinha a informação de que, na Federação, apenas 16 (dezesseis) pessoas eram registradas como essas graduações. Junto com Contramestre Baé, outros mestres, contramestres, e formados, e passaram a identificação/reconhecimento. Sem surpresas, a grande maioria não possuía esse titulo. Talvez identificaram-se como mestres porque ensinavam … vamos fazer uma depuração.

 

  1. A existência da capoeira parece remontar aos quilombos brasileiros da época colonial, quando os escravos fugitivos, para se defenderem, fazem do próprio corpo uma arma. Não há indicações seguras de que a capoeira, tal qual a conhecemos hoje no Brasil, tenha se desenvolvido em qualquer outra parte do mundo (REIS, 2005)[2]” – em conversa com Mestre Bamba – Kleber Umbelino Lopes Filho (divulgada na edição 41 – 1º. A 7 de agosto do “Jornal do Capoeira”) – este confirmou a existência de movimentos semelhantes aos da capoeira em remanescentes quilombolas do Maranhão, da região do Rio Itapecuru-Mirim. Essa região é ocupada desde o tempo dos franceses (1612-1615) e depois holandeses (1640-1643) e portugueses – desde o início da colonização, quando da reconquista do território aos franceses, em 1615, e a retomada aos holandeses, em 1643 – e a partir dos meados dos 1700, receberam os primeiros escravos negros e, conseqüentemente, com suas fugas, a formação dos primeiros quilombos, naquela região.  Mestre Bamba[3] chegou a filmar esses movimentos, que aparecem dentro do Tambor-de-Crioula, denominado “Pungada dos Homens”, com a identificação dos “golpes” pelos “da terra” e a sua correlação com a capoeira de Bimba. Já Mestre Marco Aurélio[4], do Centro Matroá – em correspondência eletrônica pessoal – afirma que há cerca de oito anos, junto com outros capoeiras, esta pesquisando a punga, e pode  afirmar que apesar da correlação de alguns golpes com a capoeira, esta pode até ter similaridade, mas daí afirmar que é capoeira é outra coisa. Informa, ainda que há registro da punga dos homens nos idos de 1820 quando mulher nem participava da brincadeira, sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice”.

 

  1. Ainda dentro da assertiva de Reis: “Como não existem pesquisa históricas a respeito da capoeira para os séculos XVI a XVIII, não é possível reconstruirmos o processo que levou ao deslocamento da capoeira do campo à cidade, o que deve ter ocorrido por volta do começo do século XIX, posto que datem desse período as primeiras referências históricas (até agora conhecidas) referentes aos capoeiras urbanos”. (REIS, 2005). Pois bem, em São Luís há uma referência de quando aparecem na cidade: em 1829, conforme registro de certas atividades lúdicas dos negros [5] no jornal “A Estrela do Norte” [6], onde aparece a seguinte reclamação de um morador da cidade: “Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d’elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém ? “.

 

  1.  Depois disso, aparece em crônicas policias nos anos de 1835: “A esse respeito em 1855 (sic) um morador das imediações do Apicum da Quinta reclamava pelas colunas do ‘Eco do Norte” [7] contra a folgança dos negros que, dizia, ‘ali fazem certas brincadeiras ao costume de suas nações, concorrendo igualmente para semelhante fim todos pretos que podem escapar ao serviço doméstico de seus senhores, de maneira tal que com este entretenimento faltam ao seu dever…’ (ed. de 6 de junho de 1835, S. Luís.” (VIEIRA FILHO, 1971, p. 36).

 

  1. Mais, Josué Montello, em seu romance “Os Degraus do Paraíso” [8], em que trata da vida social e dos costumes de São Luiz do Maranhão, na passagem do século XIX para o século XX, fala-nos de prática da capoeira no ano de 1863, conforme relato de Mestre Eli Pimenta[9].

 

  1. O que é confirmado por VIEIRA FILHO (1971) quando relata que no famoso Canto-Pequeno, situado na Rua Afonso Pena, esquina com José Augusto Correia, era local preferido dos negros de canga ou de ganho em dias de semana, com suas rodilhas caprichosamente feitas, falastrões e ruidosos. Afirma esse autor que ali, alguns domingos antes do carnaval, costumavam um magote de pretos se reunirem em atordoada medonha, a ponto de, em 1863, um assinante do “Publicador Maranhense” reclamar a atenção das autoridades para esse fato.

 

  1. E ainda, MARTINS (1989)[10] aceita a capoeira como o primeiro “esporte” praticado em Maranhão tendo encontrado referência à sua prática com cunho competitivo por volta de 1877: “JOGO DA CAPOEIRA – “Tem sido visto, por noites sucessivas, um grupo que, no canto escuro da rua das Hortas sair para o largo da cadeia, se entretém em experiências de força, quem melhor dá cabeçada, e de mais fortes músculos, acompanhando sua inocente brincadeira de vozarios e bonitos nomes que o tornam recomendável à ação dos encarregados do cumprimento da disposição legal, que proíbe o incômodo dos moradores e transeuntes”. (MARTINS, 1989, p. 179).

 

  1. Por fim, e mais emblemático, em Turiaçú, no ano de 1884, é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio [11] – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (Grifos nossos).

 

  1. Finalmente, NASCIMENTO DE MORAES, em uma crônica que retrata os costumes e ambientes de São Luís em fins do século XIX e início do XX, publicada em 1915, utiliza o termo capoeiragem: “A polícia é mal vista por lá, a cabroiera dos outros também não é bem recebida e, assim, quando menos se espera, por causa de uma raparigota qualquer, que se faceira e requebra com indivíduo estranho ali, o rolo fecha, a capoeiragem se desenfreia e quem puder que se salve”. (2000, p. 95, citado por MARTINS, 2005, p. 29)[12].

 

  1.  Outros autores nascidos no Maranhão abordam a Capoeira – inclusive um é referencia obrigatória para quem a estuda -, descrevendo-a, mas em outras terras – Rio de Janeiro. Artur Azevedo, refere-se a Capoeira, em uma de suas obras, embora o fato não se passe em São Luís do Maranhão. Na opereta “O Barão de Pituaçu”, narra a conversa de um capoeira. (Azevedo, Artur. O Barão de Pituaçu. Opereta em quatro atos, 1887, in CAVALHEIRO, 2005.) [13]. Não há necessidade de transcrever os artigos de Coelho Neto… Veja em nosso “Jornal do CAPOEIRA” a seção Clássicos da Literatura. A crônica O Nosso Jogo,escrita por Coelho Neto, em 1922 e publicada no livro Bazar.

 

REIS (2005)[14] identifica que a Capoeira passa a ser aceita como uma atividade física, de origem nacional, a partir dos anos 30 e 40 do século passado, em Salvador, com as primeiras “academias” com licença oficial para o ensino da capoeira como uma prática esportiva. O ressurgimento da crônica sobre a capoeiragem maranhense ocorre também por essa época, quando Dilvan de Jesus Fonseca Oliveira[15] informa que seu avô, falecido aos 92 anos, estivador do Porto de São Luís se referia á “capoeira” como “carioca”, luta praticada em sua juventude. E Mestre Diniz lembra que “ali, na rampa Campos Melo, quando eu era garoto, meu pai ia comprar na cidade e eu ficava no barco. Eu via de lá os estivadores jogando capoeira[16]. Mestre Firmino Diniz – nascido em 1929 – que é considerado o mestre mais antigo de São Luís, teve os primeiros contatos com a capoeira na infância, através de seus tios Zé Baianinho e Mané. Lembra ainda de outro capoeirista da época de sua infância, Caranguejo, apelido vindo de seu trabalho de vendedor dessa iguaria, que costuma tocar berimbau na “venda” de propriedade de sua mãe, localizada no bairro do Tirirical. Viu, algumas vezes, brigas desse capoeirista com policiais. (SOUZA

[1] Publicado no JORNAL DO CAPOEIRA, Sorocaba –SP, no. 42, 08 de agosto de 2005

[2] REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

[3] CONTRAMESTRE BAMBA. Entrevista concedida a Leopoldo Gil Dulcio Vaz, em 29 de julho de 2005, na Escola de Capoeira Angola Mandingueiros do Amanhã.

[4] MESTRE MARCO AURÉLIO. Mensagem enviada em 09 de agosto de 2005, por marcohaikel <[email protected]> para leopoldovaz [email protected], assunto Re:PUNGADA & CAPOEIRA & JIU-JITSU

[5] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito. A introdução do esporte (moderno) em Maranhão. In CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTES, LAZER E DANÇA, VIII, Ponta Grossa – Pr, 14 a 17 de novembro de 2002. Coletâneas … Ponta Grossa : UEPG, 2002. Publicado em CD-ROOM.

[6] ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46

[7] ECCHO DO NORTE – jornal fundado em 02 de julho de 1834,  e dirigido por João Francisco Lisboa, um dos líderes do Partido Liberal. Impresso na Typographia de Abranches & Lisboa, em oitavo, forma de livro, com 12 páginas cada número. Sobreviveu até 1836.

[8] MONTELO, Josué. OS DEGRAUS DO PARAÍSO. Rio de Janeiro : Martins Fontes, 1965

[9] PIMENTA, Eli. Capoeira em São Luiz do Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, acessado em 26 de abril de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/

[10] MARTINS, Dejard. ESPORTES: UM MERGULHO NO TEMPO.  São Luís : (s.n.), 1989.

[11] CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124.

[12] In NASCIMENTO DE MORAES. Vencidos e Degenerados. 4 ed.São Luís : Cento Cultural nascimento de Moraes, 2000, citado por MARTINS, Nelson Brito. UMA ANÁLISE DAS CONTRIBUIÇÕES DE MESTRE SAPO PARA A CAPOEIRA EM SÃO LUÍS. São Luís : UFMA, 2005. Monografia de Graduação em Educação Física (Licenciatura), defendida em abril de 2005.

[13] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930). In JORNAL DO CAPOEIRA, edição 32, 30 de maio a 05 de junho de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br

[14] REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

[15] Informação prestada por Dilvan de Jesus Fonseca Oliveira, aluno do Curso de Educação Física da UEMA, participante da pesquisa sobre os Mestres Capoeira no Maranhão, quando de aula sobre a história do esporte no Maranhão naquele curso, ministrada pelo Autor.

[16] Em entrevista concedida a SOUZA, Augusto Cássio Viana de. A capoeira em São Luís.: dinâmica e expansão no século XX dos anos 60 aos dias atuais. São Luís : UFMA, 2002. Monografia de graduação em História, p. 44, citado por MARTINS, Nelson Brito. UMA ANÁLISE DAS CONTRIBUIÇÕES DE MESTRE SAPO PARA A CAPOEIRA EM SÃO LUÍS. São Luís : UFMA, 2005. Monografia de Graduação em Educação Física (Licenciatura), defendida em abril de 2005.

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A MARINHA E A CAPOEIRAGEM, por Leopoldo Gil Dulcio Vaz

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Ano passado fui convidado a escrever um artigo sobre a Marinha e a Capoeira:

MATARUNA – LEONARDO  02/02/2015 Para: Leopoldo Gil Dulcio Vaz
 Date: Mon, 2 Feb 2015 12:40:38 +0000
Subject: Carta Convite
From: mataruna@
To: vazleopoldo@

Grande Amigo Leopoldo,Fui convidado para organizar um número histórico da revista Navigator sobre história do esporte.

Gostaria de lhe convidar para escrever um artigo de no máximo 20 paginas sobre Capoeira, Esporte e Marinha do Brasil do ponto de vista histórico.

Preciso apenas de vossa confirmação até 5/FEV com a indicação de um tema.Você acha que tem algum material nessa linha? Qual tema poderia contribuir?

Nosso deadline para a entrega final é 20 de Maio de 2015. As normas da revista estão aqui e fico a sua disposição para o que for preciso.
Um abraço,
Mataruna.
A Revista Navigator aceita trabalhos inéditos relacionados à História Marítima e áreas afins, sob a forma de artigos, ensaios e resenhas. A publicação dos trabalhos é decidida segundo pareceres dos membros do Conselho Editorial, Conselho Consultivo e de dois pareceristas ad hoc, que avaliam a qualidade do trabalho e sua adequação às finalidades editoriais da revista.
As colaborações para a Revista Navigator devem seguir as seguintes especificações:1. Os artigos devem ser enviados ao endereço eletrônico [email protected] no formato Word for Windows. Terão a extensão de 20 páginas no máximo, digitadas em fonte Times New Roman 12, com espaçamento de 1,5cm e margens de 2,5cm. As notas devem ser de rodapé.
2. Se houver imagens, estas não deverão estar inseridas no texto em word, mas em outro arquivo anexo, digitalizadas em 300 DPI no formato TIFF ou JPEG. No caso de imagens provenientes de câmera digital, deverão estar na mais alta resolução do equipamento.
3. Os artigos deverão estar acompanhados de resumo (português e inglês) de no máximo dez linhas e três palavras-chave.
4. Os ensaios seguirão as mesmas normas especificadas para os artigos.
5. As resenhas poderão ter até sete páginas.
6. As notas deverão obedecer à NBR 6023:
SOBRENOME, Nome. Título do livro em itálico: subtítulo. Tradução. Edição, Cidade: Editora, ano, p. ou pp.
SOBRENOME, Nome. Título do capítulo ou parte do livro. In: Título do livro em itálico. Tradução. Edição, Cidade: Editora, ano, p. X-Y.
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Título do periódico em itálico. Cidade: Editora, vol., fascículo, p.
7. Os trabalhos devem ser remetidos com uma folha à parte com nome completo do autor, seguido das referências com as quais deseja ser apresentado (máximo de três linhas), endereço completo, e-mail e telefone para contato.

 

 

Em 2 de fevereiro de 2015 13:12, Leopoldo Gil Dulcio Vaz <[email protected]> escreveu:

OK… pode ser esse titulo, A MARINHA DO BRASIL E A CAPOEIRAGEM 

‘apenas’ 20 páginas? vai ser difícil… começo ainda hoje, e vou te perturbar, pois na medida em que for escrevinhando, vou mandando para voce… pode até ser em dupla autoria…

Leopoldo
Ao saber – hoje, através de postagem, via CEV de um dos autores – que um livro fora publicado abordando a temática anunciada pelo Leo, escrevi um comentário no anuncio do lançamento do mesmo, através do CEV, perguntando ao autor da noticia se poderia postar o sumario do livro, pois fiquei curioso se se tratava do mesmo material do Leo, ou de outro,e se havia sido incluído o mandara no mesmo… fica a dívida e a ansiedade… http://cev.org.br/comunidade/maranhao/debate/livro-100-anos-de-esporte-na-marinha-do-brasil-1/

A MARINHA E A CAPOEIRAGEM

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

RESUMO

Analisa-se o termo ‘capoeira’, para se estabelecer sua historicidade, e os principais acontecimentos em que se envolveram a Marinha – de Guerra e a Mercante – com a Capoeira(gem) e os Capoeiras.

Palavras-chave: MARINHA; CAPOEIRA; HISTÓRIA

 ABSTRACT

Analyzes the term ‘capoeira’, to establish its historicity, and the major events that have engaged the Navy – War and Merchant – with Capoeira(gem ) and the Capoeiras .

Keywords: NAVY ; CAPOEIRA; HISTORY

 

 O que é ‘capoeira’?[1] Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi [2]; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado. Data de 1577 primeiro registro do vocábulo “capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) [3].

DEBRET – 1816/1831

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e outras aves (Rego, 1968): […] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira[4].

Por Capoeira deve-se entender “individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno“?  Ou conforme a conceitua Araújo (1997) [5] ao se perguntar “mas quem são os capoeiras? e por capoeiragem como: “a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo: “os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes lúdica, de defesa pessoal e desportiva”? (p. 70). Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (p. 79): “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores)[6]. Ou devemos entendê-la como:

[…] Desporto de Criação Nacional, surgido no Brasil e como tal integrante do patrimônio cultural do povo brasileiro, legado histórico de sua formação e colonização, fruto do encontro das culturas indígena, portuguesa e africana, devendo ser protegida e incentivada” (Regulamento Internacional da Capoeira); assim como Capoeira, em termos esportivos, refere-se a ‘… um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, agogô e reco-reco). Enfocado em sua origem como dança-luta acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginásticas, dança esporte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica. (Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 39-40).

 

Considera-se como prática do desporto formal da Capoeira sua manifestação cultural sistematizada na relação ensino-aprendizagem, havendo um ou mais docentes e um corpo discente, onde se estabelece um sistema de graduação de alunos e daqueles que ministram o ensino, havendo uma identificação indumentária por uniformes e símbolos visuais, independentemente do recinto onde se encontrarem.

Considera-se como pratica desportiva não formal da Capoeira sua manifestação cultural, sem qualquer uma das configurações estabelecidas pelo Artigo anterior, e que seja praticada em recinto aberto, eminentemente por lazer, o que caracterizará a liberdade lúdica de seus praticantes:

Capoeirajogo atlético de origem negra, ou introduzida no Brasil por escravos bantos de Angola, defensivo e ofensivo, espalhado pelo território e tradicional no Recife, cidade de Salvador e Rio de Janeiro, onde são reconhecidos os mestres, famosos pela agilidade e sucessos. Informa o grande folclorista  que, na Bahia, a capoeira luta com adversários, mas possui um aspecto particular e curioso, executando-se amigavelmente, ao som de cantigas e instrumentos de percussão, berimbaus, ganzá, pandeiro, marcando o aceleramento do jogo o ritmo dessa colaboração musical. No Rio de Janeiro e Recife não há, como não há notícia noutros Estados, a capoeira sincronizada, capoeira de Angola e também o batuque-boi. Refere-se, ainda, à rivalidade dos guaiamus e nagôs, seu uso por partidos políticos e o combate a eles pelo chefe de Polícia, Sampaio Ferraz, no Rio de Janeiro, pelos idos de 1890. O vocábulo já era conhecido, e popular, em 1824, no Rio de Janeiro, e aplicado aos desordeiros que empregavam esse jogo de agilidade. (Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore) [7].

 

Capoeiragem”, de acordo com o Mestre André Lace: ”uma luta dramática” (in Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 386-388).

Para a capoeira, apresentam-se quatro momentos importantes: finais do século XIX, quando a prática da capoeira é criminalizada; décadas de 30/40, quando ocorre sua liberação; década de 70, quando se torna oficialmente um esporte; e o reconhecimento como patrimônio imaterial do povo brasileiro.

Do Atlas do Esporte no Brasil[8]:

Origens e Definições A capoeira é hoje um dos esportes nacionais do Brasil, embora sua origem seja controvertida. Há uma tendência dominante entre historiadores e antropólogos de afirmar que a Capoeira surgiu no Brasil, fruto de um processo de aculturação ocorrido entre africanos, indígenas e portugueses. Entretanto, não houve registro de sua presença na África bem como em nenhum outro país onde houve a escravidão africana. Em seu processo histórico surgiram três eixos fundamentais, atualmente denominados de Capoeira Desportiva, Capoeira Regional e Capoeira Angola, os quais se associaram ou se dissociaram ao longo dos tempos, estando hoje amalgamados na prática. Desde o século XVIII sujeita à proibição pública, ao longo do século XIX e até meados do século XX, ela encontrou abrigo em pequenos grupos de praticantes em estados do sudeste e nordeste. Houve distintas manifestações da dança-luta na Bahia, Maranhão, Pará e no Rio de Janeiro, esta última mais utilitária no século XX. Na década de 1970 sua expansão se iniciou em escala nacional e na de 1980, internacional.

Embora sejam encontrados diversos significados para o vocábulo “capoeira”, cada qual se referindo a objetos, animais, pessoas ou situações, em termos esportivos, trata-se de um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, pandeiro, agogô e reco-reco). Enfocada em suas origens como uma dança-luta, acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginástica, dança, esporte, arte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica. [9], [10].

 

Na pesquisa realizada pelo IPHAN, ela é definida como:

[…] um fenômeno urbano surgido provavelmente nas grandes cidades escravistas litorâneas, que foi desenvolvido entre africanos escravizados ligados às atividades “de ganho” da zona portuária ou comercial. A maioria dos capoeiras dessa época trabalhava como carregador e estivador, atividades muito ligadas à região dos portos, e muitos realizavam trabalho braçal.[11]

 

Seguindo a justificativa do IPHAN[12], a partir de 1890, quando a capoeira foi criminalizada, através do artigo 402 do Código Penal, como atividade proibida (com pena que poderia levar de dois a seis meses de reclusão), a repressão policial abateu-se duramente sobre seus praticantes. Os capoeiristas eram considerados por muitos como “mendigos ou vagabundos”. Outras práticas afro-brasileiras, como o samba e os candomblés, foram igualmente perseguidas. Mais adiante, durante a República Velha, a capoeiragem era uma manifestação de rua, afrodescendente, e muitos dos seus praticantes tinham ligações com o candomblé, o samba e os batuques. A iniciação dos capoeiras nessas atividades acontecia provavelmente na própria família, no ambiente de trabalho e também nas festas populares.  Ainda sobre o universo das ruas, estudiosos revelam que o cancioneiro da capoeira se enriqueceu dos cantos de trabalho, e que o trabalhador de rua, em momentos lúdicos ou de conflitos, também se utilizava dos golpes e movimentos da capoeira.

Já na década de 1920, com o apoio fundamental de intelectuais modernistas que procuraram reconstituir as bases ideológicas da nacionalidade, as práticas afro-brasileiras começaram a ser discutidas, e passaram a constituir um referencial cultural do país.  Ao final dos anos 30  a capoeira foi descriminalizada e passou de um extremo a outro, a ponto de ser defendida por historiadores e estudiosos como esporte nacional, considerada a verdadeira ginástica brasileira.  A manifestação já foi apontada como esporte, luta e folguedo, e era praticada por diferentes grupos sociais, principalmente a partir do século XX. Assim, em 1937:

[…] a capoeira começou ser treinada como uma prática esportiva, e não apenas como uma “vadiação” de rua. Neste mesmo ano Mestre Bimba criou o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional da Bahia. A capoeira regional nasceu como forma de transformar a imagem do capoeira vadio e desordeiro em um desportista saudável e disciplinado. Ele criou estatutos e manuais de técnicas de aprendizagem, descreveu os golpes, toques, cantos, indumentárias especiais, batizados e formaturas. Em seguida, Mestre Pastinha fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola , em 1941, e assim este estilo passou a ser ensinado através de métodos próprios. A ideia da capoeira como arte marcial brasileira criou polêmica, pois era defendida por uns e criticada por outros, principalmente pelos angolanos, que afirmavam a ancestralidade africana do jogo.[13].

 

JOÃO MOREIRA (TENENTE AMOTINADO)

O primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’. Viam os negros escravos como o ‘amotinado’ se defendia quando era atacado por quatro ou cinco homens, e aprenderam seus movimentos, aperfeiçoando-os e desdobrando-os em outros dando a cada um o seu nome próprio. “Como não dispunham de armas para sua defesa uma vez atacados por numeroso grupo defendiam-se por meio da ‘capoeiragem’, não raro deixando estendidos por uma cabeçada ou uma rasteira, dois ou três de seus perseguidores” (Hermeto Lima, 1925) [14]. Macedo (1878) [15] afirma que “o Tenente ‘Amotinado’ era de prodigiosa força, de ânimo inflamável, e talvez o mais antigo capoeira do Rio de Janeiro, jogando perfeitamente, a espada, a faca, o pau e ainda de preferência, a cabeçada e os golpes com os pés” [16].

 

A MARINHA E A CAPOEIRAGEM

O primeiro episódio que se tem notícia do envolvimento da Marinha com os capoeiras deu-se durante a revolta das tropas estrangeiras no Rio de Janeiro em 1828 [17]. Pol Briand[18] cita o Relatório de Le Marant, em que o almirante, no pedido de D. Pedro I, botou tropas de marinha em terra para guardar o Palácio e o Arsenal da Marinha, enquanto as tropas brasileiras saiam destes lugares para abafar a revolta.  Diz-se que foram os capoeiras que dominaram a revolta, derrotando as tropas estrangeiras sublevadas. Para Briand, a aparição do termo capoeira na relação da revolta das tropas estrangeiras no Rio de Janeiro mostra a invenção interessada de uma tradição da capoeira.

Segundo esse autor, foi Capistrano de Abreu quem denunciou ser o sr. Pereira da Silva  o inventor da intervenção dos capoeiras.[19] Para Briand, todos os escritores anteriores concordam em dizer que as autoridades brasileiras mobilizaram o povo, escravos incluídos, para impedir a comunicação dos três focos da revolta. O populacho (populace) para Debret, [20] os moleques para Walsh[21] massacraram os revoltosos isolados, enquanto as tropas brasileiras, apoiadas por infantaria de marinha francesa e inglesa desembarcada dos navios estacionados na Baia, atacavam com canhões os seus quartéis.

Segundo Álvaro Pereira do Nascimento[22] a Marinha de Guerra, em seus recrutamentos, tinha dentre os vadios e malfeitores, capoeiras. Conforme consta em Relatório do Ministro da Marinha (1888 “Annexos”) nota-se que, de 1840 a 1888, foram recrutados à força 6.271 homens para o Corpo de Imperiais Marinheiros, e recebidos somente 460 voluntários. Essa diferença com certeza asseverava o dito por vários ministros da Marinha ao longo do século XIX e início do XX, isto é, a falta de voluntários levava ao imediatismo do recrutamento forçado[23]:

Entre as autoridades civis, os chefes de polícia eram o braço direito do ministro da Justiça e dos presidentes de província para assuntos de alistamento, e precisavam pôr seus delegados e subdelegados na rua para alcançar a quantidade de alistados destinada à cada província. Nesse sentido, todo homem pego pela malha como recruta, suspeito de deserção, vadio, arruaceiro, gatuno, capoeira ou órfão poderia ser enviado para a Marinha ou para o Exército. Se até um homem negro com sinais de castigo podia ser capturado e enviado para as Forças Armadas, o que dizer daqueles sem marcas?

…Mando apresentar […] o moleque livre Martinho de Tal, solteiro, de 16 anos, capoeira, ex-sineiro da igreja de Santa Anna, e que pretende passar por peruano quando até mal sabe uma ou outra palavra de espanhol e aqui na Corte é muito conhecido, infelizmente, sempre vadio.

 

Em 1865, o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram “recrutados” nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.

Na própria Marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a “ralé” da marujada[24]:

Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no “Parnahyba”) era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)  [25].

 

Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

Manuel Querino descreve-nos “o brilhante feito d’armas” levado a efeito pelas companhias de “Zuavos Baianos” no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa – posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d’Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta “Parnahyba” que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: “O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga”. (REIS, 1997, p.55)  [26].

O 31º de Voluntários da Pátria – policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras – também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,”investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem” (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258) [27].

Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não explícita, o mito que o capoeira seria o “guerreiro brasileiro”.

Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em “heróis”, e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.

Na Revolta da Armada (1893-1894) capoeiristas pró-Exército e pró-Marinha lutaram entre si[28].

O pesquisador francês Pol Briand[29], informa que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha[30] foram Aprendizes Marinheiros no início do Séc. XX. Pastinha ingressou na escola em 1902, e ensinava capoeira a seus colegas aprendizes da Marinha.

Em “Areia do Mar” [31], ladainha do Abadá Capoeira (Pato):

Areia do mar, areia do mar
o que você tem, para me contar

Me conta de Pastinha
e de Bimba por favor
seu Pastinha na marinha
Mestre Bimba estivador

 

Vicente Ferreira – Pastinha – nasceu em Salvador, na Bahia, em 05 de Abril de 1889. Filho de uma mulata baiana e de um comerciante espanhol, aprendeu capoeira ainda na infância, através dos ensinamentos de um africano chamado Benedito, buscando aprender a se defender depois de muito apanhar de um menino de seu bairro. Aos 12 anos entrou, em Salvador – onde morou a vida toda – na Escola de Aprendizes de Marinheiro[32] e, posteriormente, na Marinha, lá permanecendo até os 20 anos. Em 1910 dá baixa e começa a dar aulas de capoeira em um espaço onde funcionava uma oficina de ciclistas. Ainda na Marinha, teve contato com esgrima, florete e ginástica sueca, o que nos mostra que conheceu outros estilos de luta que não a capoeira[33].

De acordo com Matthias Röhrig Assunção (2014) [34], no Brasil, os oficiais da Marinha foram os primeiros a se interessar pelo jiu-jítsu. Navios da Marinha brasileira já aportavam no Japão desde o século XIX. Em 1905, dois oficiais da Marinha, Santos Porto e Adler de Aquino, publicaram o manual Educação física japonesa , traduzido de um livro em inglês de H.I. Hancock (PIRES, 2001, p. 95[35]; VIEIRA, 1995, p. 154[36]; CAIRUS, 2012, p. 38-39) [37].

José Cairus assinalou que a introdução ao livro pelos militares explica por que consideram o jiu-jítsu superior à capoeira: a arte marcial brasileira teria sido durante o Império desviado por criminosos, o que a teria levado à decadência.

Em 1907 começa a circular um livro: “O.D.C. Guia do Capoeira ou Ginástica Brasileira”  (2a. edição)[38]. Rio de Janeiro, Livraria Nacional. Corre uma versão em que a autoria do livro é atribuída ao primeiro tenente da Marinha José Egydio Garcez Palha[39]. Tendo esse oficial falecido em 1898, seu livro sobre capoeira foi publicado posteriormente sobre a sigla ODC. (Lace Lopes, 2005) [40]. Segundo alguns estudiosos, “ODC” não representa as iniciais do possível nome do misterioso autor; “ODC” significa simplesmente, “Ofereço, Agradeço, Consagro”. Livro duplamente misterioso. Pelo seu autor que não quis aparecer e, sobretudo, pelo seu desaparecimento da Biblioteca Nacional. Por sorte, antes desta ocorrência, Annibal Burlamaqui teve a chance copiá-lo (sem ter como reproduzir as ilustrações). Enquanto o original não reaparece é esta cópia que está correndo o mundo.

Em 1908, a Marinha do Brasil importa mestres japoneses para o ensino do jiu-jitsu a seus homens. O judoca japonês, Sada Miako, foi contratado para ensinar aos oficias da Marinha, e considerou-se adotar o jiu-jítsu no treinamento dos recrutas. Isso provocou debates e comentários irônicos da imprensa nacionalista, que em geral dava preferência ao uso da capoeira sobre tradições importadas de luta[41]. Época de profissionalização, além das mudanças nas estruturas internas, reforma de regulamento, inserção de novas práticas, bem como a intensificação das preocupações com as atividades físicas. Em uma visita do navio-escola Benjamim Constant ao Japão, em sua volta vieram alguns japoneses, ocasião em que houve demonstrações de jiu-jitsu (CANCELLA, 2014) [42].

Assim a introdução das técnicas japonesas de luta no Brasil provocou reações e respostas de vários segmentos da sociedade: os capoeiras, os aficionados em esportes de combate, os intelectuais e os militares (Assunção, 2014; Cancella, 2014).

Acompanhava o professor Sada Miyako, seus ajudantes M. Kakihara, e Sensuke He. Os marinheiros brasileiros receberam lições dessa arte marcial de origem japonesa[43]

Em artigo publicado no Jornal do Capoeira[44] em 2005, escrevi que em  “A Pacotilha”, São Luís, segunda feira, 14 de junho de 1909, aparecera noticia que tem por titulo “JIU-JITZÚ” – certamente transcrita de “A Folha do Dia” – do Rio de Janeiro (ou Niterói):

Desde muito tempo vem preocupando as rodas esportivas o jogo do Jiu-Jitzú, jogo este japonês e que chegou mesmo a espicaçar tanto o espírito imitativo do povo brasileiro que o próprio ministro da marinha mandou vir do Japão dois peritos profissionais no jogo, para instruir os nossos marinheiros. […]”Na ocasião em que o ilustre almirante Alexandrino cogitava em tal medida, houve um oficial-general da armada que disse ser de muito melhor resultado o jogo da capoeira, muito nosso e que, como sabemos, é de difícil aprendizagem e de grandes vantagens. […] “Essa observação do oficial-general foi ouvida com indiferença. […] Sobraram razões ao nosso oficial general quando dizia que o brasileiro ‘sabido, quando se espalha, nem o diabo ajunta’. (Grifos nossos).

 

Para o Mestre André Lacé (s.d.) [45], Francisco da Silva Ciríaco, mais conhecido como Macaco Velho, nascido em Campos, foi um dos mais afamados capoeiristas no Rio de Janeiro, na virada do século 19 para os 20. Era o mestre preferido pelos acadêmicos de medicina, fenômeno que se repetiu na Bahia, décadas mais tarde, com Mestre Bimba. Foram esses estudantes que insistiram no confronto da Capoeira (Macaco Velho) com o jiu-jitsu (Sada Miyako, campeão japonês). Evento que acabou ocorrendo, no dia 1º de maio de 1909, com um fulminante desfecho: aplicando um literalmente surpreendente rabo-de-arraia, Ciríaco encerrou a luta em alguns segundos. Mesmo existindo uma versão – jamais comprovada – de que Ciríaco teria utilizado um recurso, digamos, de rua, mesmo assim, luta é luta, vale-tudo é vale-tudo, e ninguém jamais poderá negar o mérito da vitória. Tanto assim, que Mestre Ciríaco saiu vitorioso do Pavilhão Internacional Paschoal Segreto, com o povo cantando pelas ruas “a Ásia curvou-se ante o Brasil”. No dia seguinte, a Capoeira foi notícia em quase todos os jornais, valendo registrar, por oportuno, a ocorrência de algumas redações cautelosas, quase envergonhadas da própria cultura brasileira, como a nota do jornal do Commercio (02.05.1909, pág. 7):

O sportman japonez do tão apreciado jogo jiu-jitsu foi hontem vencido pelo preto campista Cyriaco da Silva, que subjugou o seu contendor com um passo de capoeiragem”.[46]

 

 

A nota, curiosamente, não menciona o nome do “sportman” perdedor. Mais adiante, entretanto, no mesmo jornal garimpei o seguinte anúncio:

“JIU-JITSU: Mr. Sada Miyako, professor contratado para leccionar na marinha brasileira encarrega-se de dar lições particulares a domicílio. Cartas para a Rua Gonçalves Dias n. 78 ou para a Fortaleza de Willegaignon”.

 

 

            Em recente novela de época, da Rede Globo de Televisão, em um dos episódios – segundo a sinopse – ocorre a seguinte cena[47]:

Zé fica danado ao saber que a Marinha contratou japonês para ensinar jiu-jítsu

Zé Maria (Lázaro Ramos) está se dando bem como administrador do jornal Correio da República, mas ele ainda não está livre de testemunhar o preconceito contra a capoeira. Depois de ter sido expulso da Marinha após a Revolta da Chibata, ele descobre no jornal que o governo contratou um japonês para ensinar jiu-jítsu aos marinheiros brasileiros.

A capoeira é proibida, sinônimo de vadiagem. Agora, se a luta vem do Japão, é chamada de arte marcial. Eu queria só ver esse japonês lutar!”, reclama Zé, indignado.

Jonas (George Sauma) avisa que o japonês vai fazer uma exibição no Pavilhão Nacional, na Praça Tiradentes, o local onde se realizam os campeonatos de luta greco-romana.

É jiu-jítsu, luta greco-romana… Esse é o Brasil. Só não ganha respeito o que vem do meu povo”, reclama Zé. Será que ele vai deixar isso barato?

O escritor Coelho Neto (maranhense) apresenta um projeto de lei para a Câmara dos Deputados tornando obrigatório o ensino da capoeira nas escolas civis e militares; usa de dois argumentos para sua proposta pedagógica: o primeiro, era de que a capoeira, como excelente ginástica, promovia um desenvolvimento harmonioso do corpo e dos sentidos; o segundo atribui à capoeira um sentido estratégico de defesa individual (Reis, 1997, p. 88-89) [48].

Gomes Carstruc, no jornal O Paiz, de 22 de outubro de 1923 conclama que o jogo da  Capoeira seja adotado pela Marinha de Guerra:

 […] todos os brasileiros a cultivarem o Jogo da Capoeira – ‘um jogo elegante, próprio para a defeza individual, jogo de destreza nobre e não brutal e aviltante’ e que poderia ser, certamente, adotado oficialmente pela ‘nossa marinha de guerra’ – e a exevrarem o boxe – um jogo no qual

‘duas feras, ridículas nas suas formas inestheticas, nem bem quadrúpede, nem bem bimano, quase reptil, quase mono; as duas feras se esmurram, quebram-se mandíbulas, esmigalham-se dentes, cegam-se a murros, assassinam-se com pesados socos, diante dos seus semelhantes, embriagados com tanta estupudez.’ 99

99 Cf. A. Gomes Carstruc. Cultivemos o jogo de capoeira e tenhamos asco pelo do boxe. O PAIZ, Edição Extraordinária, anno XI, no. 14.246, 1ª. Página. Rio de Janeiro, segunda feira, 22 de outubro de 1923.[49]

 

Lamartine Pereira Da Costa[50], [51], Mestre Capoeira, foi o introdutor, oficialmente, da capoeiragem na Marinha. Escreveu vários artigos e dois livros específicos sobre o assunto; em 1961, apresenta-nos “Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira” (Rio de Janeiro: [s.n.], 1961) e logo a seguir “Capoeira sem mestre” (Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1962), onde propunha uma espécie de ensino de capoeira por correspondência, pois a luta poderia ser a sós, como no Box, dispensando a figura do mestre (Reis, 1997, p. 156) [52]. Como professor de Educação Física escreveu dezenas de artigos, coordenou dezenas de projetos a nível nacional e internacional. Com doutorado em Filosofia, além de professor universitário, tornou-se um consultor internacional em sua área profissional.

Dança de negros e arma de malandros: capoeira oficializada na Marinha“. Com esse título, o Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 30 março de 1966 noticia que Lamartine Pereira da Costa, com a cooperação dos Mestres Artur Emídio e Djalma Bandeira promove um curso de capoeira especialmente para oficiais e praças da Marinha. (Lace Lopes, 2005) [53].

Lamartine Pereira da Costa[54], à época oficial da Marinha, deu-me o seguinte depoimento sobre os livros que publicou[55]:

A versão “Arte de Defesa Pessoal Brasileira” é 1961 e a “Sem Mestre” é de 1962, mas o conteúdo é o mesmo. A obra de 1961 foi publicada por mim já que nenhuma editora quis se envolver com o tema. A de 1962 foi da Edições de Ouro (editora hoje inexistente) que me propôs fazer um livro popular de baixo custo e titulo chamativo. O publico da versão 1962 foi o geral sem um foco preciso como todo livro popular, vendido em qualquer lugar.

O meu livro de 1961 foi o quarto livro publicado sobre a capoeira. Os dois primeiros foram de pouca penetração desde que eram contra a lei vigente entre 1900 e década de 1928, período de publicação dos livro ODC e  Aníbal Burlamaqui. O terceiro foi um estudo histórico publicado pelo Inezil Pena Marinho (professor da então Universidade do Brasil, hoje UFRJ) com pouca circulação. O meu seguiu-se ao do Inezil porque havia uma deficiência na apresentação da luta pelos seus golpes e movimentos. Este ultimo livro em meados dos anos de 1960 já tinha vendido 60 mil exemplares e a capoeira se popularizou.

Claro está que houve vários livros e artigos sobre a capoeira ao longo da historia brasileira, mas por menções, citações ou textos menores. Livros pioneiros são os citados acima embora se possa discutir se essas obras foram efetivas em termos de impactos culturais.

Desconheço a obra do Mestre Bimba dos anos de 1960 mas posso garantir que ela não existia quando do lançamento dos dois livros citados desde que a razão que me motivou a produzi-los foi da ausência de fontes sobre a capoeira. Estive na Bahia entre 1960 e 1961 e constatei que os mestres famosos cultivavam o segredo (típico da cultura africana). Meu mestre – o baiano Artur Emidio, radicado no Rio de Janeiro – também cultivava o segredo e me alertou sobre as dificuldades para ser ter registros de utilização pedagógica como eu antevia a época.

Artur Emidio e Djalma Bandeira foram meus mestres, mas Novis e Vieira foram meus apoiadores no financiamento para a publicação do livro 1961.

A produção do livro de 1961 foi muito simples com desenhos calcados em fotografias. A semelhança com figurações ODC é meramente casual em face de que eu somente conhecia a obra do Inezil.

 

Há que se destaca que, em 1967, A Força Aérea Brasileira organizou o I Congresso Nacional de Capoeira; como também organizou o II Congresso Nacional de Capoeira. Nestes dois eventos, aviões da FAB trouxeram Mestres de todo o Brasil com o objetivo de dar uma organização nacional efetiva à prática da luta (Vieira, 2005) [56].

Em 1995, outro Oficial da Marinha lança livro sobre o assunto: SANTOS, Esdras M. dos. “Conversando sobre capoeira”. São Paulo: JAC. Livro emocionado, desassombrado e extremamente informativo. Preciosa fonte de informações e esclarecimento sobre a trajetória da Capoeira Regional. (Lace Lopes, 2005) [57].

Aliás, para o Mestre André Lacé, estudioso da Capoeira, um grande mote, ainda virgem, é o papel das Marinhas – de Guerra e Mercante – na propagação e no intercâmbio capoeirístico nos portos brasileiros e do mundo. (Lace Lopes, 2005) [58].

A esse propósito, já expusemos em vários eventos o que consideramos uma influencia europeia na Capoeira, configurada através da Chausson/Savate (VAZ, 2013; 2014) [59], praticado por marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha. Encontramos em nossas pesquisas artes marciais que se localizavam justamente nas rotas dos navios dos impérios coloniais assim como nas rotas ancestrais dos malaios e indús que povoaram Madagascar.

Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho” [60].

A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira [61], e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) [62] em Paris e das maltas de fadistas[63] de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.

 

 

http://cap-dep.blogspot.com/search/label/1890-BRASIL-Capoeiragem%20prohibido

 

O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq, Chefe simbólico do fim do século XVIII.

O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Fonte: Tratado de hygiene naval, ou, Da influencia das condições physicas e moraes …

Por J. B. Fonssagrives, on line http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1820-1833-BREST%28Cuna%20del%20SAVATE%29-Navios%20de%20la%20Armada%20frecuentando%20BRASIL%28Capoeira%29%20-MARTINICA%28Ladja%29%20Y%20BOURBON%28Moringue%29

Fonte: LIBRO:Souvenirs d’un aveugle Escrito por François Arago, Jules Janin  Edición: 4 – 1868 http://books.google.com/books?id=5hGQK-QrB8QC&hl=es&source=gbs_navlinks_s, on line:Ç http://eu-bras.blogspot.com/search/label/1840-RIO-Savate%20y%20Bast%C3%B3n%20en%20Rio%20de%20Janeiro

Câmara Cascudo[64]  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam os marinheiros, que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Para Costa (2007) [65], no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, europeia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48) [66]; José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968)[67] ; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73)[68]; Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14)[69]. Todos eram capoeiristas.

Em postagem no Blog “École de capoeira angola de Paris” [70], ao se discutir “o que é um contramestre?”, se esclarece a origem dessa graduação. Segundo Mestre Jogo de Dentro, a origem do termo contramestre estaria na intima relação que capoeiras possuíam com os trabalhos portuários. Muitos capoeiras trabalhavam nos portos como estivadores, como marujos, como pescadores, ou ainda, por morarem em cidades litorâneas compartilhavam uma cultura portuária que foi incorporada pela cultura da capoeira que os mestres do inicio do século XX estavam construindo. O autor da matéria encontrou material produzido no século XIX que pode ser elucidador sobre a questão dos contramestres na Capoeira Angola. Trata-se da obra: Princípios de Direito Mercantil e Leis da Marinha para o uso da mocidade Portuguesa, destinado ao comércio, de1819 e impresso em Lisboa.

Em nota publicada no jornal sorocabano “Cruzeiro do Sul” [71] ao reproduzir notícia da pretensão de se fundar uma academia de capoeira no Rio de Janeiro em 1920, tem-se notícias sobre outros homens do mar que utilizavam a capoeira como defesa, em suas brigas pelos portos afora:

                                     UM DESPORTO NACIONAL

O dr. Raul Pederneiras e o professor Mario Aleixo pretendem fundar no Rio uma escola […] por ser a capoeiragem um desporto excellente. […] Um japonez, jogador afamado do “jiú jutsú” foi vencido há tempos pelo capoeira carioca Cyriaco.Raul Pederneiras pensa em reviver esse desporto, auxiliado pelo professor Mario Aleixo, que já ensinou “jiú-jutsú” e capoeiragem à polícia civil do Rio.Os francezes chamam aquelle desporto de “savate”: os pés, as mãos, a cabeça, tudo o capoeira emprega quando se defende. A “Folha” cita um marujo brasileiro, um tal “Boi”, que num porto francez  resistiu  a uma escolta numerosa, só se utilizando da cabeça e dos pés.[72] (Grifos meus).

 

 

Luciano Milani[73], em entrevista com Mestre Bola Sete, divulgada pelo Jornal do Capoeira, traz a informação que o grande capoeirista Pessoa Bababá era marinheiro da Marinha Mercante. Discípulo de Mestre Pastinha ingressa em sua academia em 1969:

José Luiz Oliveira Cruz, o mestre Bola Sete, nasceu em 31 de maio de 1950, iniciou na capoeira em 1962 como autodidata, em 1968 começa a treinar com o grande capoeirista Pessoa Bababá, marinheiro da Marinha Mercante e discípulo de Mestre Pastinha, em 1969 ingressa na academia de Vicente Ferreira Pastinha, […].

 

A Capoeira maranhense teve, dentre seus precursores Roberval Serejo [74], que fundou o grupo “Bantus”. Roberval Serejo aparece no Maranhão por volta dos anos 60 do século passado; era escafandrista da Marinha, tendo aprendido capoeira no Rio de Janeiro – quando lá servia -, com o Mestre Arthur Emídio[75], um baiano de Itabuna, considerado referência na história da capoeira. Mestre Patinho relata o aparecimento desse grupo:

[…] bem aqui na Quinta, bem no SIOGE. Década de 60 era um grande reduto da capoeira principalmente na São Pantaleão, onde nasci […]outro amigo que era marinheiro da Marinha de Guerra, também aprendeu com o mestre Artur Emídio do Rio, Roberval Serejo; juntamos Jessé, Roberval Serejo, Babalú, Artur Emídio e eu formamos a primeira academia de capoeira, Bantú, e estava sem perceber fazendo parte da reaparição da capoeira no Maranhão […][76].

 

Em meados dos anos 2000, a Marinha do Brasil realizou uma parceria com ONGs num projeto social chamado “Cidadão do Amanhã”, coordenado pela ONG Ativa, com o grupamento dos Fuzileiros Navais, em que se realizavam atividades de recreação e ensino de capoeira [77].

[1]                    VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CRONICA DA CAPOEIRAGEM. São Luis: Edição do Autor, 2014. Disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_issuu/1

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. JORNAL DA CAPOEIRA http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. In RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA, Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados).

LACÉ LOPES, André Luiz. In RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA,  Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados)

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem.in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro: Shape, 2005, p. 386-388.

LOPES, André Luiz Lacé. Capoeiragem. In DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006. Disponível em  http://cev.org.br/biblioteca/capoeiragem/

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIEIRA, Sérgio Luiz de Souza. Capoeira. in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro : Shape, 2005, p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007ARAUJO, Paulo Coelho de;

JAQUEIRA, Ana Rosa Fachardo. DO JOGO DAS IMAGENS AS IMAGENS DO JOGO – nuances de interpretação iconográfica sobre a Capoeira. Coimbra – Portugal: Centro de Estudos Biocinéticos, 2008.

[2] MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

[3] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[4] Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA – Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79

[5] ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. (Porto): Instituto Superior Maia, 1997.

[6] BRASIL. Decisão 205, de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153

[7] CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972.

[8] DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 1.44-1.45. Disponível em www.atlasesportebrasil.org.br

[9] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[10] DACOSTA, 2005, 2006, obra citada.

[11] IPHAN, Assessoria de Imprensa do Iphan. A capoeira na história. in REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Ed. de Julho de 2008, disponível em  http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1871

[12] IPHAN, 2008, obra citada.

[13] VAZ, 2014, obra citada.

[14] LIMA, Hermeto in “Os Capoeiras”, Revista da Semana 26 nº 42, 10 de outubro de 1925

[15] MACEDO, Joaquim Manoel. Memórias da Rua do Ouvidor. Rio de Janeiro: Perseverança, 1878, pg. 99.

[16] O texto em tela se relaciona também com o Tenente João Moréia.

[17] No 9 de junho de 1828, um castigo desmedido, inflito por um motivo de vez fútil e duvidoso a um soldado alemão — 250 açoites, podendo significar a morte na tortura, sem contar que no Brasil, os livres não levavam açoites — provoca, no 201º açoite inflito à frente da tropa, à sublevação. Os soldados apelam ao Imperador, que nega-se a recebê-los. Eles entrincham-se nos seus quarteis, e dois outros regimentos se rebelam, matando o pondo em fuga oficiais brasileiros. Chega a noite. É uma crise como ainda se conhece em nossos dias: as autoridades querem retomar o controle, mais ficam enfraquecidas; os poderes estrangeiros, as marinhas francesa e britânica, que dispõem de uma força considerável na Baia de Guanabara, querem, sem demostrar-se partidários, preservar a vida e os bens dos seus conterrâneos; e a oposição política procura aproveitar da situação. Un dia passa sem decisão. Os Brasileiros de todas as tendâncias concordam em reduzir a revolta pela força. Para impedir a comunicação entre os três quarteis insurgentes, põem os soldados estrangeiros fora da lei, pode-se ferir e mata-los sem risco de sanção penal. Homens e crianças das classes mais baixas de livres e escravos perseguem os isolados. Estas presas, que não são realmente guerreiros, escondem-se, ou, com mais freqüença, caiem feridos o mortos. Nos dias seguintes, as tropas de artilheria e a cavalaria do Minas Gerais retomam o controle dos quarteis. Os revoltosos sobrevivantes são presos, e na sua maior parte, ora mandados de volta para Europa, ora expediados nas províncias. In Nota de BRIAND, Pol. HISTÓRIA DE UM MITO DA CAPOEIRA. Blog da Association de Capoeira PALMARES de Paris, www.capoeira-palmares.fr, disponível em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

[18]  Rapport du Contre-Amiral Le Marant, commandant de la station navale française à Rio de Janeiro, au Ministre de la Marine. A bord de la régate la Surveillante en rade de Rio Janeiro, le 14 juin 1828. Archives de la Marine, BB/4/ 506, Campagnes 1828.10, f.o 78. In BRIAND, Pol. HISTÓRIA DE UM MITO DA CAPOEIRA.. Blog da Association de Capoeira PALMARES de Paris, www.capoeira-palmares.fr, disponível em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

Ver também: Esboço fiel dos acontecimentos dos dias 9, 10, 11 e 12 de junho de 1828. Rio de Janeiro: Imperial Tipografia de Pedro Planch. Cópia literal do impresso, Rio de Janeiro, 20/6/1865, Seção de Manuscritos-Biblioteca Nacional (SM-BN), II-34, 16, 19.

[19] Pereira da Silva. João Manoel, Secondo periodo do reinado de Dom Pedro I no Brazil, narrativa historica, Rio de Janeiro:Garnier, 1871. .p. 269-274, 286-291. Disponíverl em http://www.capoeira-palmares.fr/histor/legenda.htm

[20] Debret, Jean-Baptiste, Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, ou Séjour d’un artiste français au Brésil, depuis 1816 jusqu’en 1831 inclusivement,époques de l’avènement et de l’abdication de S.M. don Pedro, premier fondateur de l’Empire brésilien. Paris:Didot Frères, 3 volumes in-Folio publiés en livraisons de 1834 a 1839

[21] Walsh, Robert, Notices of Brazil in 1828 and 1829,London:Frederick Westley & A.H. Davis, 1830; reprinted in Boston, 1831.

[22] Do cativeiro ao mar: escravos na Marinha de Guerra. In http://cap-ang.blogspot.com.br/2009/09/do-cativeiro-ao-mar-escravos-na-marinha.html

[23]  O autor faz referencia a Nascimento 1997: cap. 2, sem explicitar a fonte. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2000000200005

[24] PASSOS NETO, Nestor S. dos. “Jogo Corporal e Comunicultura”, ECO-UFRJ, 2001. In http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[25] Citado por PASSOS NETO, Nestor S. dos. “Jogo Corporal e Comunicultura”, ECO-UFRJ, 2001. In http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[26] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil. 1997.

[27] Citado por NESTOR CAPOEIRA. (PASSOS NETO, Nestor S. dos.). IN história, filosofia e pesquisa, 2007. Disponível em http://www.nestorcapoeira.net/hfp.htm

[28] DONATO, Hernâni. HISTÓRIA DOS USOS E COSTUME NO BRASIL: 500 anos de vida cotidiana. São Paulo: Melhoramentos, 2005, p. 286

[29] On line in http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/search/label/Ginga-SAVATE .   Ver também:

KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.

SOUSA, Celso. La mission militaire française au Brésil de 1906 à 1914 et son rôle dans la diffusion de techniques et        méthodes d’éducation physique militaire et sportive. Thèse Histoire contemporaine, Université de Bourgogne, 2006 in [http://www.esefex.ensino.eb.br/atual_trab/%40cap I.PDF

[30] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Pastinha

[31] http://www.letrasdemusicas.fm/abada-capoeira/areia-do-mar-pato#seu-pastinha-na-marinha

[32] […] ingressou na escola da marinha, por desejo de seu pai que não apoiava sua prática de capoeira. Na escola ele costumava ensinar capoeira aos amigos. Com 21 anos, ele deixou a escola da marinha e se tornou um pintor profissional. MESTRE PASTINHA In Abadá Capoeira, disponível em http://www.abadadc.org/paginas/pastinha.htm

[33] FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História, Política e Bens Culturais.

[34]ASSUNÇÃO, Matthias Röhrig. Ringue ou academia? A emergência dos estilos modernos da capoeira e seu contexto global. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.21 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2014 Epub Jan 01, 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702014005000002  . Disponível em  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702014000100135

[35] PIRES, Antonio Liberac Cardoso Simões. Movimentos da cultura afro-brasileira : a formação histórica da capoeira contemporânea, 1890-1950. Tese (Doutorado) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade de Campinas, Campinas. 2001.

[36]VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira : corpo e cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint. 1995.

[37] CAIRUS, José. The Gracie clan and the making of Brazilian jiu-jitsu : national identity, performance and culture, 1801-1993. Tese (Doutorado) – Graduate Programme in History, York University, Toronto. 2012

[38] Edição do livro apócrifo ‘Guia do Capoeira ou Gymnástica Brasileira’ é 1904. Nele a autoria é feita pelas iniciais ‘O.D.C.’, que significada à época: ofereço, dedico e consagro’. (Vieira, 2005)

[39] Em 1890 era Capitão de Fragata, e pertencia ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ocupando a função de Secretário Suplente. E ainda, que em janeiro de 1980 fora exonerado da função que ocupava no Ministério da Marinha. Em julho de 1890 aparece o livro Aprendiz do Marinheiro, organizado por Garcez Palha, então 1º Tent. e José Vitor de Lamare, Capitão-Tenente. Em 1894, nomeado Secretário do Ministro da Marinha, Almirante Elisiário Barbosa. Em 1898, a 10 de março, noticia de que seu enterro fora muito concorrido, incluindo o representante do Presidente da República, Tent. Ávila, ajudante de ordens. Garcez Palha foi autor da obra Efemérides Navais. Era lente da Escola Naval. Redator da Revista Marítima Brasileira por vários anos, chegando a seu Diretor. Foi membro da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro.

[40] LACÉ LOPES, 2005, obra citada

[41] ASSUNÇÃO, 2014, obr citada

[42] CANCELLA, Karina. O ESPORTE E AS FORÇAS ARMADAS NA PRIMEIRA REPÚBLICA: das atividades gymnasticas às participações em eventos esportivos internacionais. (1890-1922). Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército, 2014, p. 108-1110.

[43] CANCELLA, 2014, p. 108-1110, obra citada.

[44] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jiu-Jitsu no Maranhão. In Jornal do Capoeira  Edição 45: 29 de Agosto à 04 de Setembro de 2005, Dispon[ível em  http://www.capoeira.jex.com.br/

[45] LACÊ, André. Disponível em CD-Room, enviado ao autor. CIRÍACO, HERMANNY, ARTUR E HULK

[46] Ver também CANCELLA, 2014, p. 108-1110.

[47] http://gshow.globo.com/novelas/lado-a-lado/Vem-por-ai/noticia/2013/01/ze-fica-danado-ao-saber-que-a-marinha-contratou-japones-para-ensinar-jiu-jitsu.html

[48] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O MUNDO DE PERNAS PARA O AR – A CAPOEIRA NO BRASIL. São Paulo: Publisher Brasil; FAPESP, 1997

[49] Fonte: O que a escola faz com o que o povo cria: até a capoeira entrou na dança! Cesar Augustus Santos Barbieri, São Carlos – SP – Agosto 2003 – Tese. In Blog Asociasion de capoera deportiva, disponível em http://cap-dep.blogspot.com.br/2011/01/1923-jogo-da-capoeira-adotado-pela.html

[50] DA COSTA, Lamartine Pereira. Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira. Rio de Janeiro: [s.n.], 1961

DA COSTA, Lamartine Pereira. Capoeira sem mestre. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1962.

[51] LAMARTINE PEREIRA DA COSTA. Graduação em Ciências Navais pela Escola Naval (1958), licenciatura em Educação Física pela Escola de Educacao Fisica do Exercito (1963) e doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1989). Atualmente é professor titular da Universidade Gama Filho, membro Conselho Pesquisas do Comité Olimpico Internacional em Lausanne (Suiça) e professor visitante da Universidade Técnica de Lisboa. Atuou como professor visitante da Universidade do Porto (Portugal), da Academia Olimpica Internacional (Grecia) e da Universidade Autonoma de Barcelona (Espanha). No Brasil foi professor da Universidade Católica de Petrópolis (Engenharia), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Mestrado em Geografia), UNIRIO (Mestrado em Memoria Social), USP (Mestrado Educação Física) e UERJ (Graduação Educação Física). Tem experiência nas áreas de Educação Física, Administração, Historia e Filosofia com ênfase em meio ambiente, esportes, lazer e Gestão do Conhecimento. Tem produção contínua em pesquisas desde 1967 no Brasil e no exterior, com inicio na area de meio ambiente. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4721721A5

[52] REIS, 1997, obra citada.

[53] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006.

[54] Da COSTA, Lamartine Pereira. Depoimento de Lamartine P. Da Costa sobre livros de Capoeira no Brasil – 15fev15. Em Correspondência pessoal. De: “Lamartine DaCosta” Enviada:segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 05:56:19 Para:”Leopoldo Gil Dulcio Vaz” ([email protected])- Re: MARINHA + CAPOEIRA / MARANHÃO‏.

[55] Em 1960, Lamartine Pereira da Costa, então oficial da Marinha, diplomado em Educação Física pela E.E.F.E e instrutor chefe dos cursos de Escola de Educação Física da Marinha, CEM-RJ, lança um livro que se tornou o clássico da capoeira: Capoeiragem – A arte da Defesa Pessoal Brasileira. http://www.capoeiramestrebimba.com.br/busca_reconhecimento.html

[56] VIEIRA, 2005, obra citada, p. 39-40.

[57] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006

[58] LACÉ LOPES, 2005, obra citada, p. 386-388; 2006

[59] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Uma origem da Capoeira é a Ringa-Moringue Maugache?  ANAIS do CONGRESSO ISHPES – PHYSICAL EDUCATION AND SPORT AROUND THE GLOBE: PAST, PREENTE AND FUTURE. Rio de Janeiro: Gama Filho, 2013, p. 173-202

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. O “CHAUSSON/SAVATE” INFLUENCIOU A CAPOEIRA? ANAIS XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DO ESPORTE, LAZER E EDUCAÇÃO FÍSICA. Londrina-PR, 19 a 22 de agosto de 2014b.

VAZ, 2014, obra citada.

[60] On line  http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/pelea-de-marinos-savate.html

[61] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)

[62] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira).

[63] SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

[64]  CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: TECNOPRINT, 1972.

[65] COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.

[66] NESTOR Capoeira: Pequeno Manual do Jogador. 4. ed. Rio de Janeiro: Record. 1998.

[67] REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

[68] PIRES, Antonio Liberac A. Capoeira na Bahia de Todos os Santos: estudo sobre cultura e classes trabalhadoras (1890 – 1937). Tocantins: NEAB/ Grafset. 2004

[69] CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).

[70] http://www.angola-ecap.org/matieres-a-penser/em-portugues/87-o-que-e-um-contramestre

[71] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. O ensino da capoeiragem no início do século XX. In JORNAL DO CAPOEIRA, 02.08.2005 – Sorocaba ” SP, www.capoeira.jex.com.br, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/o+ensino+da+capoeiragem+no+inicio+do+seculo+xx

[72]  Cruzeiro do Sul, 31 jan 1920

[73] MILANI, Luciano. Mestre Bola Sete & Capoeira Angola. In JORNAL DO CAPEIRA, 31 de Julho de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/mestre+bola+sete+capoeira+angola ; www.lmilani.com

[74] Mestre Mirinho (Casimiro José Salgado Corrêa) In LIVRO ÁLBUM DOS MESTRES DA CAPOEIRA NO MARANHÃO – em entrevista concedida a Hermílio Armando Viana Nina aluno do Curso de Educação Física da UEMA, em fevereiro de 2005.

[75] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. ARTHUR EMÍDIO E A CAPOEIRAGEM EM SÃO LUIS DO MARANHÃO. In BLOG DO LEOPOLDO VAZ, disponível em  http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/15/cronica-da-capoeiragem-artur-emidio-e-a-capoeiragem-em-sao-luis-do-maranhao/

[76] Antonio José da Conceição Ramos – Mestre Patinho – em entrevista concedida a Manoel Maria Pereira in “Livro-Álbum dos Mestres de Capoeira do Maranhão”, trabalho de pesquisa apresentado a disciplina História da Educação Física e Esportes, do Curso de Educação Física da UEMA, turma C-2005.

[77]  http://raivosocdonatal.blogspot.com/2008/01/capoeira-na-marinha-projeto-social-2006.html#ixzz3RYppoBen

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Encontros Regionais para a Salvaguarda da Capoeira

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Em abril, ocorrerão os Encontros Regionais para a Salvaguarda da Capoeira no Pará. Os eventos têm por objetivo promover a participação dos grupos que produzem, transmitem e atualizam as manifestações culturais associadas à prática da Capoeira, na elaboração de diretrizes para as ações de salvaguarda. http://bit.ly/24SEL4s

Foto de Ministério da Cultura.
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OS HOLANDESES E OS PALMARES:

Nassau atacou os Palmares!

 

Por

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Professor de Educação Física do CEFET-MA

 

 

 

Na Edição 69 – de 16 a 22 de Abril de 2006, do Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br – André Pêssego pergunta “Por que Nassau não atacou a Palmares?”.

Pêssego (2006), no artigo citado, vale-se do argumento – Nassau não atacou Palmares – baseando-se de relatório de 1637, em que este reconhece a importância do Quilombo, “… ao fazer seu relatório de posse e plano de atuação  reconhece a importância de Palmares –  do contrário anunciaria planos para atacá-los, destruí-los.”

Mais adiante, ainda servindo-se da mesma carta:

“estabelecerei negócios com os quilombos, pois estes mais que todos, repudiam os portugueses, podendo ser nossos aliados… A Holanda já  havia enviado uma delegação a Palmares, chefiada por ‘um pernambucano conhecedor dos Quilombos’. Em seguida, Bartolomeu Lintz,  é feito embaixador holandês residente até o advento de 1640. (Tem sido dito de Lintz, um espião em Palmares. Bestagem, um holandês disfarçando-se  junto a milhares de negros, em mocambos).”

 

Pêssego ainda se refere que Nassau renuncia ao seu posto de administrador do Brasil holandês por se recusar em atacar Palmares, ordem que teria recebido em 1643: “Nassau recebe ordens para ‘atacar seriamente a Palmares…’ Homem de alto caráter, Nassau se tornara amigo de Ganga Zumba, recusa. Renuncia, volta para a Holanda.

Mais cita as  razões de Nassau não atacar a Palmares:

“a)     o reconhecimento da instituição Quilombo, como tal. O Quilombo cumpre os itens do acordo: Não planta cana para produzir açúcar; não cria gado vacum, alem do necessário para produzir leite para consumo interno; não ataca; tem as oficinas do ferro, mas não vende armas.

  1. b) A possibilidade de trazer  Gamga Zumba, para aliar-se à Holanda contra Portugal; o estilo de vida no Quilombo.
  2. c) O interesse pelo conhecimento científico da flora e do conhecimento extrativo dos Palmarinos.”

 

Informa José Antonio Gonsalves de Mello – em “Tempos dos Flamengos” (4ª. ed. Rio de Janeiro: Topbooks; Recife: Instituto Ricardo Brennand, 2005?) que foi durante o período da dominação holandesa que tiveram condição para se desenvolver vários quilombos. Desde 1638 há referência a quilombos que se constituíam uma grave ameaça para as populações e os bens dos moradores. Havia, também, pequenos aldeamentos ou bandos de negros que roubavam e matavam pelos caminhos: os boschnegers, contra os quais era empregados capitães de campo brasileiros, já que os holandeses eram considerados incapazes para tal função. Vários capitães de campo foram empregados a soldo dos holandeses (Dag. Notule de 19 de dezembro de 1637; idem de 30 de dezembro de 1637; de 21 de setembro de 1638, em nota de pé-de-página de Mello, 2005(?), p. 192-193).

O domínio holandês no Nordeste brasileiro vai de 1630 a 1654, 24 anos; Nassau “reinou” de 1637 a 1644 – 7 anos.

O “Diário da viagem do capitão João Blaer aos Palmares em 1645” (in Mello, 2005(?), p. 193), dá-nos informes interessantes a respeito de alguns quilombos. Fica-se sabendo que, nas imediações do quilombo que Jan Blaer destruiu, tinham existido anteriormente mais dois outros. Nas palavras do autor do relatório, houve um “velho Palmares” que os negros tinham abandonado por estar situado em “local muito insalubre” e do qual se passaram para o “outro Palmares” ou “grande Palmares”, destruído por Reolof Baro e seus tapuias. Deste transferiram-se eles para o “novo Palmares”, que Blaer atacou… (p. 193).

Outros documentos informam a respeito dos Palmares … desde 1638, um deles causava sérias apreensões aos moradores de Alagoas, dos quais os quilombolas roubavam escravos e incendiavam as casas. O capitão Lodij foi encarregado de persegui-los, com mosqueteiros holandeses e com índios. Do resultado, nada consta dos documentos (Dag. Notule de 26 de fevereiro de 1638, em nota de pé-de-página de Mello, 2005(?), p. 193).

Em 1642, preparou-se nova expedição, desta vez chefiada por Manuel de Magalhães, pessoa conhecedora da região e respeitada pelos moradores portugueses, morador nas Alagoas. Concedeu-se-lhe autorização para a expedição, mas sobre o que posteriormente ocorreu, nada informam os documentos (Dag. Notule, de 20 de fevereiro, em nota de pé-de-página de Mello, 2005(?), p. 193).

Dois anos mais tarde, em 1644, Roelof Baro parte em expedição ao interior do país. Levava uma tropa de índios brasilianos (tupis), e os holandeses, inclusive Baro, eram quatro. Os documentos não dão pormenores, mas o caso é que os índios amotinaram-se e Baro desistiu de prosseguir. Reuniu à sua gente uns cem tapuias e resolveu atacar o que ele chamou de “pequeno Palmares”. Ouçamos o escrito de Mello (2005 (?), p. 194, com base no Dag. Notule de 2 de fevereiro de 1644 e Gen. Missive ao Conselho dos XIX, datada de Recife, 5 de abril de 1644) sobre o episódio:

“A 2 de fevereiro o conde de Nassau recebia notícias de Baro, por carta datada de Porto Calvo de 25 de janeiro de 1644.Contava ele que, pretendendo atacar o ‘pequeno Palmares’, achou-se imprevistamente em frente ao ‘grande Palmares’ que investiu em seguida. A luta pela posse do quilombo foi dura, tendo Baro contado cem negros quilombolas mortos. De seu lado houve um morto e quatro feridos. O sítio foi incendiado, tendosido feitos ali 31 prisioneiros, entre os quais sete índios tupis (brasilianos) e alguns mulatinhos (mulaetjens). O quilombo estava cercado por duas ordens de estacas, e ‘era tão grande que nele moravam quase 1.000 famílias, além dos negros solteiros’. Em volta da estacada ‘havia muitas plantações de mandioca e um número prodigioso (wonderbaer) de galináceos, embora não possuíssem qualquer outro animal de maior vulto’, sendo que ‘os negros viviam ali do mesmo modo que viviam em Angola’.” (p. 194).

 

Estas são as informações que Baro transmitiu ao Conde e que os documentos conservam…

Outros quilombos surgiram no período da dominação holandesa, mas são poucas as informações sobre eles. Um estava situado na “Mata do Brasil” e os seus elementos corriam a região, em bandos, roubando e matando. O governo holandês castigava exemplarmente os que conseguia capturar: eram enforcados ou queimados vivos (Carta do Conselho de Justiça do Brasil ao Conselho dos XIX, datada do Recife, 1º. De outubro de 1644 e outras, in Mello, 2005(?), p. 195).

Nassau atacou os Palmares!

 

Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. TEMPO DOS FLAMENGOS. Rio de Janeiro: Topbooks; Recife: Instituto Ricardo Brannad, 2005(?).

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“QUENTADO A FOGO, TOCADO A MURRO E DANÇADO A COICE”

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CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM)[1]

REVISITANDO A PUNGA:

“QUENTADO A FOGO, TOCADO A MURRO E DANÇADO A COICE”

 

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

 

No recente lançamento do ‘livreto’ “RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX”, de Roberto Augusto A. Pereira (São Luis: EDUFMA, 2009), Mestre Patinho[2] falava do Renascimento da Capoeira no Maranhão nos anos 1960/70, pelas mãos de Roberval Serejo e Mestre Sapo… Renascimento, porque desde os idos da década de 1820 temos referências sobre a lúdica e o movimento dos povos radicados no Maranhão, especialmente os negros.

Mestre Patinho, em sua intervenção quando do lançamento do livreto[3] referiu-se à ancestralidade da Capoeira, usando da expressão “QUENTADO A FOGO, TOCADO A MURRO E DANÇADO A COICE” referindo-se à um movimento encontrado no Maranhão denominado de ‘punga”, ou ‘umbigada”, que aparece no Tambor de Crioulo.

Mestre Bamba descreve alguns movimentos da punga: os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga [4]. Associa-os àqueles descritos por Mestre Bimba:

  • Pungada na Coxa – também chamado ““bate-coxa””, aplicado na coxa, de lado, para derrubar o adversário; segundo Bamba, achou-o parecido com a ““pernada carioca”” ou mesmo com o “batuque baiano”;
  • Pungada Mole – o mesmo movimento, aplicado nos testículos, de frente; aquele que recebe, protege ““as partes baixas”” com as mãos…
  • Pungada Rasteira/Corda – semelhante à “negativa de dedos (sic)”, de Bimba;
  • Queda de Garupa – lembra o Balão Costurado, de Bimba.

 

 

QUENTADO A FOGO, TOCADO A MURRO E DANÇADO A COICE[5]

 

Mestre Marco Aurélio (Marco Aurélio Haickel) em correspondência pessoal acerca da “Punga dos Homens” [Jornal do Capoeira][6] esclarece que, antigamente, a Punga era prática de homens; que após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade, que passa a ser dançada por mulheres, apenas. Mas desde 1820 há referencia à Punga, com a participação unicamente de/por homens:

 

“Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice(Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005).

 

Em reunião do “Matro-á” [7], escola de capoeira de Mestre Marco Aurélio, com a presença dos Mestres Patinho, Didi, Domingos de Deus, Luis Senzala, Bamba, Vespa, conversando sobre a ‘punga dos homens’ surgiram novas informações e esclarecimentos:

 

“Há cerca de oito anos, eu [Mestre Marco Aurélio] e mais outros capoeiras estamos pesquisando a punga, e posso lhe afirmar que apesar da correlação de alguns golpes com a capoeira, esta pode até ter similaridade, mas daí afirmar que é capoeira é outra coisa.” (in correspondência pessoal, de 10 de agosto de 2005).

 

Uma certeza: punga não é capoeira, embora alguns movimentos se assemelhem. Informa Marco Aurélio:

 

Ano passado, participei em Salvador, de um Encontro Internacional de Capoeira “GINGAMUNDO”. onde coordenei uma grupo do Maranhão, com 25 (vinte e cinco) pessoas entre estas, o Mestre Felipe e outros pungueiros, entre pessoas de um Povoado de Rosário e mais outros coreiros e coreiras, algumas capoeiras angola. Lá, estavam presentes representantes de outras lutas de origem africana, de países como Angola e Madagascar, porém, a grande vedete do encontro foi a Punga dos Homens… Estavam presentes neste encontro, além de mestres antigos, tais como João Pequeno, João Grande, Mestre Boa Gente, também haviam pesquisadores de renome como Jair Moura, Carlos Líbano Soares, Fred Abreu, Mathias Röhring Assunção, etc”.(in correspondência pessoal).

 

O naturalista alemão, George Wilhelm Freyreiss[8] que faleceu no sul da Bahia, em uma viagem a Minas Gerais em 1814 -1815 em companhia do barão de Eschwege [9]. Assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.” [10]

 

Em Câmara Cascudo (1972) [11], no verbete “punga”, consta: dança popular no Maranhão, capital e interior… Que é a mesma “dança do tambor”. A punga é também chamada “tambor de crioula”. Há também referencia a grafia “ponga”, que como se sabe é um jogo. Crê Câmara Cascudo que punga é um termo em uso apenas no Maranhão e significa, na dança em questão, a umbigada, a punga. A punga seria uma dança cantada, mas sem versos próprios, típicos. Geralmente são improvisados na hora, quando as libações esquentam a cabeça e despertam a “memória” do “tiradô” de versos. Após descrever o que seria a dança do tambor-de-crioula, informa que pong provirá do tupi “soar, bater, ou antes, soar por percussão. “O que fervia era o lundum, e estalavam as umbigadas com o nome de “pungas”” (p. 742-743). Remete a Tambor:

“… mas a autonomia dos tambores indígenas e sua existência pré-cabralina parecem-me indiscutíveis no Brasil. Dança do Tambor, Tambor-de-Mina, Tambor-de-Crioulo [Tambor-de-Crioulo?]. As danças denominadas “do Tambor” espalham-se pela Ibero-América. No Brasil, agrupam-se e são mantidas pelos negros e descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos, especialmente no Maranhão. [grifos meus]. Conhece-se uma Dança do Tambor, também denominada Ponga ou Punga que é uma espécie de samba, de roda, com solo coreográfico, e os Tambor-de-Mina e Tambor-de-Crioulo, [chamo atenção novamente para a grafia, em masculino], série de cantos ao som de um ferrinho (triangulo), uma cabaça e três tambores, com danças cujo desempenho ignoro.” (p. 850-851).

 

1810-RIO – danzas de africanos españoles y portugueses, capangas

disponível em http://www.cchla.ufpb.br/pergaminho/1907_capitulos_-_capistrano.pdf

 

Informa o ilustre pesquisador, ainda, que uma missão cultural colheu exemplos das músicas utilizadas tanto no Tambor-de-Mina quanto no de Crioulo, em 1938. Estão ligados esses tambores-de-mina-e-de-crioulo às manifestações religiosas dos “terreiros”, ao passo que:

“… a punga (dança e batida) parecem alheias ao sincretismo afro-brasileiro na espécie… o Tambor-de-Crioula [já passa a usar no feminino …] é o Bambelô do Maranhão, mas com a circunstância de que só dançam as mulheres. Passa-se a vez de dançar com a punga, que é um leve bater de perna contra perna. Punga é também espécie de pernada do Maranhão: batida de perna contra perna para fazer o parceiro cair.. às vezes o Tambor-de-Crioula termina com a punga dos homens.”. (p. 851).

 

Por “Punga”, registra: jogo ginástico, brincadeira de agilidade, entre valentões, malandros e capadócios. É uma simplificação da capoeira… Sua descrição, assemelha-se à da “punga dos homens”, do Tambor-de-Crioulo(a) (p. 709). Já “bambelô” é descrito como samba, côco de roda, danças em círculo, cantada e acompanhada a instrumentos de percussão (batuque), fazendo figuras no centro da roda um ou dois dançarinos, no máximo. O ético é o vocábulo quimbundo “mbamba”, jogo, divertimento em círculo (p. 113).

Para Ferreti (2006) [12], a umbigada ou punga é um elemento importante na dança do Tambor de Crioula[13]. No passado foi vista como elemento erótico e sensual, que estimulava a reprodução dos escravos. Hoje a punga é um dos elementos da marcação da dança, quando a mulher que está dançando convida outra para o centro da roda, ela sai e a outra entra. A punga é passada de várias maneiras, no abdome, no tórax, nos quadris, nas coxas e como é mais comum, com a palma da mão.

Fonte: LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO

MUNDO. 2 ed. Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro: 2005 p. 18

            Em alguns lugares do interior do Maranhão, como no Município de Rosário, ou em festas em São Luís, com a presença de grupos de tambor de crioula, costuma ocorrer a “punga dos homens” ou “pernada”, cujo objetivo é derrubar ao solo o companheiro que aceita este desafio. Algumas vezes a punga dos homens atrai mais interesse que a dança das mulheres.

Cuanhamas Éfundula
batuque homens
Cuanhamas Éfundula
dança nocturna

       

        Quanto à PERNADA – Câmara Cascudo  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam os marinheiros que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Ainda Edson Carneiro (Dinâmica do Folklore, 1950) informa ser o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Na Bahia somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

[14]

Comme sports de combats traditionnels, les malgaches connaissent plus le Moraingy, la boxe du nord, et le Ringa, la lutte du sud. Pratiqué par l’élite, le diamanga est en passe de se démocratiser et espère de nombreux transfuges des autres disciplines.[15]

 

Já a chamada Pernada de Sorocaba [16] é uma luta brasileira que utiliza os pés, comum nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo em meados do século XX. Praticada ao som do samba, a Pernada de Sorocaba tinha sua coreografia aproveitada pelos passistas dos blocos carnavalescos (chamados de pessoal do rabo de arraia). Era também presente nas brigas e disputas. Apesar de ser o nome de um golpe, a pernada acabou por denominar o todo de um sistema de luta em que se privilegiavam os golpes com pés, a dissimulação, o jogo de corpo (esquiva ou ginga), a cabeçada e movimentos giratórios como o rabo de arraia.

Segundo o depoimento de Pedro de Almeida, conhecido por Pedro Fuminho, a pernada era a mesma capoeira, diferenciando apenas que na sua prática não havia o berimbau e era realizada ao som do samba. Era a capoeira de então, antes do surgimento das academias com o estilo baiano (angola e regional) de capoeira. O escritor sorocabano Jacob Penteado no livro “Belenzinho, 1910” descreve mesmo que o samba no início do século XX era um amálgama de danças e coreografias, incluindo a capoeira.

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[17], que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

Por ter certa semelhança com uma luta, a “pernada” ou “punga dos homens” tem sido comparada à capoeira. A pernada que se constata no tambor de crioula do interior, lembra a luta africana dos negros bantus chamada batuque[18], que Carneiro (1937, p. 161-165) descreve em Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e que usava os mesmos instrumentos e lhe parece uma variante das rodas de capoeira.

Os bantos (grafados ainda bantu) constituem um grupo etnolingüistico localizado principalmente na África subsariana que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes. A unidade deste grupo, contudo, aparece de maneira mais clara no âmbito lingüístico, uma vez que essas centenas de subgrupos têm como língua materna uma língua da família banta. A palavra bantu foi primeiramente usada por W. H. I. Bleek (1827-75) com o significado de povo como é refletido em muitos dos idiomas deste grupo – em muitas destas línguas, usa-se a palavra ntu ou dela derivada refrindo-se a um ser humano; ba – é um prefixo que indica o plural para seres humanos em muitas destas línguas[19].

A expansão bantu espalhou as línguas bantu pela África. Localização aproximada das 16 zonas bantu (com a zona J incluida)

A TÍTULO DE CONCLUSÃO

Concordamos com Vieira e Assunção (1998) [20], quando afirmam ser a capoeira como luta aparece nas fontes de forma massiva a partir da segunda década do século XIX, justamente depois da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. Para esses autores, a palavra “capoeira” era usada tanto para designar uma prática, quanto para um grupo de pessoas. Capoeira se referia então a um conjunto de técnicas de combate que envolvia tanto o uso de uma grande variedade de armas (facas, sovelões, navalhas, cacetes, estoques até pedras e fundos de garrafa) quanto o uso de golpes com as pernas ou a cabeça. Era praticada por indivíduos que eram, em sua grande maioria, escravos africanos, dos quais muitos provinham de áreas de cultura bantu.

Ocasionalmente pessoas livres ou mesmo membros do exército ou da polícia, como no caso do Major Vidigal, também conheciam estas técnicas, ou pelo menos tal conhecimento era atribuído a eles. Ao mesmo tempo, o termo capoeira designava os integrantes de grupos de “malfeitores”, que, segundo as fontes policiais, andavam pelas ruas, armados, atentando contra a ordem estabelecida. (Vieira e Assunção, 1998).

Esses autores consideram que o uso indiferenciado do termo capoeira tanto para as técnicas de combate quanto para os grupos à margem da sociedade colonial sugere que o primeiro significado se tenha criado por extensão do segundo.

Aceitamos, para este estudo o que afirmam Adid (2009) [21] e Luiz Renato Vieira (1998) [22] que antropólogos, como Herskovits, têm apontado para a existência de “danças de combate” que trazem semelhanças com aquilo que conhecemos hoje como Capoeira, não só na África, como o Muringue, em Madagascar, também em vários pontos da América, nos locais em que a diáspora negra se instalou. Relatos sobre o Mani em Cuba, e a Ladja na Martinica são dois exemplos dessas práticas.

O fenômeno das academias baianas após a migração de mestres para o sudeste brasileiro foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, o bate-coxa, a punga…

Que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana. (Carlos Carvalho Cavalheiro, in Jornal do Capoeira)[23].

[1] Chronica (do latim) é termo que indica narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica; como também é conjunto das notícias ou rumores relativos a determinados assuntos (DICIONÁRIO AURÉLIO, 1986, p. 502). Ver também:

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA?

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; RUBIERA CUERVO, E. Javier. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): algumas considerações.

[2] Antonio José da Conceição Ramos, ‘Antonio” de Santo Antonio; ‘José’, de São José; ‘Conceição’, de N. S. da Conceição, e ‘Ramos’, de Domingo de Ramos – herdeiro de Mestre Sapo – Anselmo Barnabé Rodrigues.

[3] PEREIRA, Roberto Augusto A. RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX. São Luis: EDUFMA, 2009.

[4] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Mestre Bamba, do Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, 08/04/2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/pungada+dos+homens+a+capoeiragem+no+maranhao

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Notas sobre a Capoeiragem em São Luís do Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, 08/08/2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/notas+sobre+a+capoeira+em+sao+luis+do+maranhao

[5] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Loreta Brito; HOLANDA, Felipe de. Conversando com Mestre Pastinho. In JORNAL DO CAPOEIRA, Edição 63 – de 05 a 11/Mar de 200, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=881

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. “QUENTADO A FOGO, TOCADO A MURRO E DANÇADO A COICE”: Notas sobre a Punga dos Homens – Capoeiragem no Maranhão. In Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=609

Disponível também em http://www.capoeiravadiacao.org/index.php?option=com_content&view=article&catid=10%3Abiblioteca&id=46%3Apunga-dos-homens-tambor-de-criouloa-qpunga-dos-homensq&Itemid=38

[6] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Notas sobre a Punga dos Homens – Capoeiragem no Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, 14/08/2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/notas+sobre+a+punga+dos+homens+-+capoeiragem+no+maranhao

[7] 10 de agosto de 2005

[8] FREYREISS. Georg Wilhelm. Viagem ao interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

[9] PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

[10] D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

Ver também:

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

[11] CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro:Tecnoprint, 1972

[12] FERRETI, Sérgio. Mário De Andrade E O Tambor De Crioula Do Maranhão. (Trabalho apresentado na MR 07 – A Missão de Folclore de Mário de Andrade, na VI Reunião Regional de Antropólogos do Norte e Nordeste, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, UFPA/MEG, Belém 07-10/11/1999. In REVISTA PÓS CIÊNCIAS SOCIAIS – São Luís, V. 3, N. 5, Jan./Jul. 2006, disponível em http://www.pgcs.ufma.br/Revista%20UFMA/n5/n5_Sergio_Ferreti.pdf

[13] O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana praticada por descendentes de negros no Maranhão em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas juninas. Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula“.

[14] http://3.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SwwhFACgp9I/AAAAAAAAGXo/K5DMEv_eNG0/s1600/img00025.jpg

 

[15] Diamanga é herdado de nossos ancestrais como os malaios, que importou os estilos” Pencak, ber-silat, calazar e Sikaran “budistas e indianos que impuseram” Kalaripayat. A pesquisa conduzida pela “Fototra Diamanga malgaxe” não ficar lá, parte histórica e filosófica já está concluída através de um manuscrito do livro. Mesmo se uma lista de diferentes estilos de técnicas “Diamanga” também já está estabelecido língua nacional da associação, esta continuará a ser procurado exaustivamente. http://www.madatsara.com/articles/detail-article/article/le-diamanga-fera-partie-des-arts-martiaux-pratiques-a-madagascar-2/rubrique/sports/news-browse/1/

 

[16] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pernada_de_Sorocaba

[17] http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html. disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

[18] Ver VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA?

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; RUBIERA CUERVO, E. Javier. CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM): algumas considerações.

[19] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Bantos

 

[20] VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118.

[21] ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. CAPOEIRA ANGOLA: CULTURA POPULAR E O JOGO DOS SABERES NA RODA. Origens de uma tradição, disponível em http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/04/capoeira-angola_18.html

[22] VIEIRA, L.R. O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil (Rio de Janeiro : Sprint, 1998

[23] CAVALHEIRO, Carlos Alberto in RIBEIRO, Milton César – MILTINHO ASTRONAUTA. (Editor). JORNAL DO CAPOEIRA, Sorocaba-SP, disponível em www.capoeira.jex.com.br (Artigos publicados)

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Capoeira em Porto Feliz. in La Insignia, 2007 disponível em http://www.lainsignia.org/2007/julio/cul_037.htm).

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho – Cantadores – o folclore de Sorocaba e região (encarte de CD) – Linc – 2000

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ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA?

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CHRONICA DA CAPOEIRA(GEM)[1]:

ERAM OS ‘BALAIOS’ CAPOEIRA?

 

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

 

No recente lançamento do ‘livreto’ “RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX”, de Roberto Augusto A. Pereira (São Luis: EDUFMA, 2009), Mestre Patinho[2] falava do Renascimento da Capoeira no Maranhão nos anos 1960/70, através de Roberval Serejo e Sapo… Renascimento, porque desde os idos da década de 1820 temos referências sobre a lúdica e o movimento dos povos radicados no Maranhão, especialmente os negros.

Mundinha Araújo fala-nos de manifestação de negros em São Luís, através da prática do Batuque, aparecido lá pelo início dos 1800, referencia que encontrou no Arquivo Público do Estado, órgão que dirigiu. Perguntada sobre o que havia sobre ‘capoeira’ no Arquivo, respondeu que, além do ‘batuque’, encontrara apenas uma referência sobre a Capoeira, no Código de Posturas de Turiaçú do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124, grifos meus) [3].

 

Encontrei, ainda, que em 1829, era publicada queixa ao Chefe de Polícia:

“Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d”elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém?“(ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46, Coleção de Obras Raras, Biblioteca Pública Benedito Leite; grifos meus).

            BATUQUE – dança com sapateados e palmas, ao som de cantigas acompanhadas só de tambor quando é de negros ou também de viola e pandeiro “quando entra gente mais asseada”. Batuque é denominação genérica de toda dança de negros na África.

DEBRET – BATUCA DANCE, SAN PAULO, BRASIL 1817 1820

http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/detailsKeyword.php?keyword=brasil&theRecord=75&recordCount=77

Batuque é o baile, conforme descrição de um naturalista alemão, George Wilhelm Freyreiss[4] que faleceu no sul da Bahia, em uma viagem que fez a Minas Gerais em 1814 -1815 em companhia do barão de Eschwege [5]. Assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.” [6]

Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola.

Batuque Muila

http://www.nossoskimbos.net/Etnografia/Povos/index.htm

De acordo com D´Ávila (2006) [7], no século XVIII, constituído de instrumentos de percussão (membranofones, idiofones), o Batuque surgiu com esta designação, em conseqüência da homologação entre os atos do “bater”, verificados, tanto na forma primitiva do candomblé – o batucajé na Bahia, dança religiosa de negros ( onde os atabaques marcam o ritmo para o contato com as divindades), quanto numa modalidade de capoeira, o famoso batuque-boi ou pernada (ou batuque), luta popular de origem africana muito praticada nos municípios de Cachoeira, Santo Amaro e Salvador, acompanhada de pandeiro, ganzá, berimbau ( o único cordofone + idiofone, como exceção), e cantigas. É de procedência banto como a capoeira.

Segundo João Mina (citado por D´ÁVILA, 2006)4, grande batuqueiro e capoeirista baiano que se mudou para o Rio de Janeiro: “o Batuque era praticado por negro macumbeiro, bom de santo, bom de garganta e principalmente bom de perna para tirar o outro da roda”. Todos os dias no Morro da Favela (onde nasceu o samba, no Rio) havia Batuque, pernadas, pessoas caídas no chão até que surgisse a polícia. Na chegada dela, o batuque rapidamente virava meio dança lenta, meio ritual. As mulheres dos batuqueiros, para disfarçar, entravam na roda (tal qual a gira dos candomblés) e, num batuque mais lento, mole, com remelexos, trejeitos sensuais e umbigadas (= semba, em Luanda) no sexo oposto, – sendo estas consideradas o ponto culminante da dança -, demonstravam estar se divertindo. Segundo Elias Alexandre da Silva Correia, “o batuque é uma dança indecente que finaliza com umbigadas” (D´ÁVILA, 2006)4.

Conforme citação de M. de Araújo (citado por D´ÁVILA, 2006)4, os fazendeiros que também viam no Batuque uma dança ritual da procriação, “fingiam que não viam, pois tinham grande interesse em aumentar o número de escravos”.

Assim nasceu o samba-de-roda na Bahia. Mistura de um batuque com as mulheres das rodas dos candomblés, com outro batuque representado pelos homens das capoeiras. É em virtude desta fusão que, ainda nos dias atuais, verificamos ser o samba-de-roda a única modalidade de samba em que a presença do berimbau se faz notar e é tocado, tradicionalmente, quando há mulheres presentes na roda. Quando a polícia se retirava, recomeçava o batuque bravo quando caprichavam na capoeiragem, com pernadas violentas, soltando “baús”, “dourado”, “encruzilhada”, “rabo-de-arraia”, que tiravam os conflitantes da roda. Corte difícil de defender para um batuqueiro era o da “tiririca” com o seguinte canto puxado pelo mestre: “tiririca é faca de cortar / quem não pode não intima /deixa quem pode intimá”. Um pé ficava no chão e o outro com violência, no pé do ouvido do adversário. Em conseqüência da tiririca = faca, surgiu no samba-de-roda o raspado de prato e “faca”, do modo dos reco-recos raspados nas batucadas (D´ÁVILA, 2006)4.

Cuanhamas Éfundula
batuque homens
Cuanhamas Éfundula
dança nocturna

 

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[8] -, que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

El Juego “Sisemba”- Islas Célebes – Its formal name is SISEMBA but it is occasionally called SEMBA. Fonte: http://www.ethnographiques.org/2008/IMG/pdf/arKoubi.pdf por Javier Rubiera para Sala de Prensa Internacional [9]

 

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos) [10] – a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar aposição primitiva.

Já Corte Real (2006) [11] referindo-se ao batuque afirma que o mesmo foi uma prática competitiva presente nas festas de largo da Bahia. Como a capoeira, teria sido perseguido pela repressão policial decorrente do código penal de 1890.

Vieira (1995, p.135) informa mais detalhadamente que:

“São raras e geralmente muito vagas as referências a essa instituição na literatura especializada nas tradições nordestinas. Segundo Édison Carneiro (1812: 111- 112), trata-se de um jogo praticado ao som de berimbaus e outros instrumentos, em que o objetivo é derrubar o adversário com o uso de golpes de perna, como rasteiras e joelhadas. Formado um círculo, um dos participantes entra na “roda” e dirige o desafio a outro jogador, enquanto o grupo acompanha o ritmo dos instrumentos com palmas e cânticos. Édison Carneiro afirma, ainda, que o batuque teria sido incorporado à capoeira, inexistindo atualmente como tradição isolada.”

 

Apesar da referência às fontes esparsas, Reis (1997) [12] informa que:

O batuque baiano, segundo Câmara Cascudo (1988), era uma modalidade da capoeira. O acompanhamento musical assemelhava-se ao dela, com utilização de pandeiros, berimbaus e ganzás, além do que entoavam-se cantigas. A luta envolvia dois jogadores por vezes, os quais deveriam unir as pernas com firmeza e aplicar rasteiras um no outro. O principal era evitar cair e “por isso mesmo era comum ficarem os batuqueiros de banda solta, isto é, equIlibrado numa única perna, a outra no ar, tentando voltar à posição primitiva (…).”(p.129 – nota de número 12)

 

O batuque na Bahia se chama batuque, batuque-boi, banda, e raramente pernada – nome que assumiu no Rio de Janeiro… Ficaram famosos como mestres na arte do batuque, Angolinha, Fulo, Labatut, Bexiga Braba, Marcelino Moura…

Grande batuqueiro da época foi Tibúrcio José de Santana (década de 50, em Jaguaripe) quando, em entrevista, confirmou o nome de batuqueiros famosos com os quais conviveu e lutou: Lúcio Grande (Nazaré das Farinhas), Pedro Gustavo de Brito, Gregório Tapera, Francisco Chiquetada, Luís Cândido Machado (pai de Bimba), Zeca de Sinhá Purcina, Manoel Afonso (de Aratuípe), Mansú Pereira, Pedro Fortunato, Militão, Antônio Miliano, Eusébio de Tapiquará (escravo da família Abdom em Jaguaripe)[13]. Segundo Édison Carneiro:

“[…] a competição mobilizava um par de jogadores de cada vez. Havia golpes como a encruzilhada em que o atacante atirava as duas pernas contra as pernas do adversário, a coxa lisa, em que o jogador golpeava coxa contra coxa, acrescentando ao golpe uma raspa, o baú, quando as coxas do atacante davam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente.” (citado por D´ÁVILA, 2006)9

Do vocábulo “batuque-boi”, registra: espécie de Pernada. Bahia. A orquestra das rodas de batuque era a mesma das rodas de capoeira – pandeiro, ganzá, berimbau.

Pavão (2004) [14] citando Hiram Araújo (2000) apresenta o cenário das chamadas rodas de batuque, populares entre as classes pobres do Rio de Janeiro:

De repente, era uma navalha que brilhava a luz dos lampiões e um batuqueiro que caía ensangüentado, enquanto o coro abafava os gemidos da vítima cantando: ‘pau rolou… caiu! Lá nas matas ninguém viu… ’ (pg.148)”.

Continuando, as rodas de batucada, é divertimento associado à violência. Para Sandroni esta prática:

“[…] um jogo de destreza corporal, variante da capoeira, que foi popular no Rio de Janeiro. Pode ser considerada também como uma variante do samba-de-umbigada definido por Carneiro, pois consistia numa roda, como os usuais cantos responsoriais e palmas dos participantes, onde a umbigada era substituída pela pernada, golpe com a perna visando derrubar o parceiro, o qual, se conseguisse se manter de pé, ganhava o direito de aplicar a próxima pernada no parceiro que escolhesse. A batucada se diferencia dos outros sambas-de-umbigada por sua componente violenta (2001:103”).

Mais adiante, esses confrontos aparecem, por exemplo, quando analisamos as famosas rodas de batuqueiro, como Candeia Filho (1978) nos mostra:

O samba-duro é um tipo de samba partido alto. Caracteriza-se pela violência em suas apresentações. Formavam-se círculos com o ritmo marcado pela palma da mão. O mais importante não era o samba de partido alto cantado, mas sim, a ginga do malandro, a rasteira ou pernada surgida da brincadeira. O samba-duro também chamado de roda de “batuqueiros” existia na Balança (Praça Onze), nas festas da Penha (1978:57)”.

Nas “rodas de batuqueiro”, assim como nas demais manifestações da Praça Onze, o “desafio” se fazia presente como forma de disputa entre amigos, muitas vezes através da violência. O confronto revelava atributos destacados da personalidade, propiciando a valorização de aspectos como valentia, coragem, força e outros valores.

Ari Araújo, por sua vez, apresentou um pouco do que acontecia nas antigas disputas entre batuqueiros:

“O ponto de honra era não cair. Era tornar-se conhecido como perna santa, ou seja, aquele a quem ninguém consegue derrubar venha como vier: de banda de frente, banda jogada, banda de lado, etc.” (1978:27).

Em conferência intitulada “Batuque, samba e macumba” Cecília Meireles assim se manifesta: “Do batuque derivou-se a roda de ‘capoeiragem’ que vem a ser uma espécie de ‘jiu-jitsu’, de efeitos muito mais extraordinários, na opinião dos entendidos”.[15]

Os sons dos tambores, berimbaus, adufés (pandeiro) e agogôs, levam homens e mulheres a sintonizar profundamente com seus corpos e espíritos, através da ginga da capoeira, da congada, do maracatu e do samba. Os acontecimentos da vida cotidiana, como nascimentos, mortes, plantios, colheitas, vitórias e manifestações da natureza, eram comemorados comunitariamente com danças, músicas e baticuns. Antigamente, os toques eram também um precioso meio de comunicação entre os guerreiros e entre o divino e o profano.”

O batuque (batuku ou batuk em crioulo cabo-verdiano) [17] é um gênero musical e de dança de Cabo Verde.

  • Como dança, o batuque tradicional desenrola-se segundo um ritual preciso. Numa sessão de batuque, um conjunto de intérpretes (quase sempre unicamente mulheres) organiza-se em círculo num cenário chamado terreru. Esse cenário não tem de ser um lugar específico, pode ser um quintal de uma casa ou no exterior, numa praça pública, por exemplo. A peça musical começa com as executantes (que podem ou não ser simultaneamente batukaderas e kantaderas) desempenhando o primeiro movimento, enquanto que uma das executantes dirige-se para o interior do círculo para efetuar a dança. Neste primeiro movimento a dança é feita apenas com o oscilar do corpo, com o movimento alternado das pernas há marcar o tempo forte do ritmo. No segundo movimento, enquanto as executantes interpretam o ritmo e o canto em uníssono, a executante que está a dançar muda a dança. Neste caso, a dança (chamada da ku tornu) é feita com um requebrar das ancas, conseguido através de flexões rápidas dos joelhos, acompanhando o ritmo. Quando a peça musical acaba, a executante que estava a dançar retira-se, outra vem substituí-la, e inicia-se uma nova peça musical. Estas interpretações podem arrastar-se por horas.

 

 

 

 

http://www.reisetraeume.de/kapverden/viadoso/mus1/en00.html#bilder

O batuque, também chamado de pernada, é mesmo, essencialmente, uma divisão dos antigos africanos, com especialidade dos procedentes de Angola. Onde há capoeira, brinquedo e luta de Angola, há batuque, que parece uma forma subsidiária da capoeira[18]·.

  • Fonte: CAMARGO NETO, 2002, p.. 275[19]

 

Letícia Vidor de Souza Reis[20], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[21].

[22]

Mestre André Lacé[23] lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque.

Concordamos com Almeida e Silva (?) [24], para quem a história da capoeira é marcada por inúmeros mitos e “semi-verdades”, conforme nos esclarece Vieira e Assunção (1998). Esses mitos e estórias dão base às tradições que se perpetuam e proporcionam a continuidade de um passado tido como apropriado. Na capoeira, a narrativa oral das suas “estórias” adquiriu uma força legitimadora tão forte que, por muitas vezes, podemos encontrar discursos acadêmicos baseados nelas[25].

Castro (2002)[26] nos esclarece esse fato e diz que em todos os casos de fenômenos da cultura corporal existe a tentativa, por parte dos seus atores, de expressar identidade, coesão e estabilidade social em meio a tantas situações de rápida transformação histórica/social, “através do recurso à invenção de cerimônias e símbolos que evocam continuidade com um passado muitas vezes ideal ou mítico” (p.11).

Para Soares (2001) [27], há todo um debate envolvendo a origem da capoeira, de onde ela veio etc. Embora a capoeira do Século XIX tenha passado por um período fortemente escravista, com uma população africana muito grande, a origem está no século XVIII, nos primórdios da sociedade urbana. A capoeira é um fenômeno urbano, que anuncia uma leitura de negros africanos e crioulos para o mundo urbano colonial.

Prancha 18 – RUGENDAS – JOGO DA CAPOEIRA – 1820/1835 – publicada em 1835

 

Vieira (2004) [28] ensina-nos que, de acordo com os melhores cronistas, a Capoeiragem data de 1770,

“[…] quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’. Viam os negros escravos como o ‘amotinado’ se defendia quando era atacado por 4 ou 5 homens, e aprenderam seus movimentos, aperfeiçoando-os e desdobrando-os em outros dando a cada um o seu nome próprio. Como não dispunham de armas para sua defesa uma vez atacados por numeroso grupo defendiam-se por meio da ‘capoeiragem’, não raro deixando estendidos por uma cabeçada ou uma rasteira, dois ou três de seus perseguidores”2. Este texto de Hermeto Lima, se alinha com o de Macedo, que nos afirma que “o Tenente ‘Amotinado’ era de prodigiosa força, de ânimo inflamável, e talvez o mais antigo capoeira do Rio de Janeiro, jogando perfeitamente, a espada, a faca, o pau e ainda de preferência, a cabeçada e os golpes com os pés.”

 

Para Soares (2001)38, é a partir do início do século XVIII que se dá a formação de uma sociedade urbana colonial pela primeira vez, em Minas e no Rio de Janeiro – a grande cidade do ciclo do ouro era o Rio de Janeiro -, para onde convergiam todas as remessas de ouro que iam para a corte. A cidade cresceu muito, tanto que virou capital da colônia, havendo ali uma espécie de revolução urbana durante o século 18, que com certeza trouxe os africanos, já que até 1700 a população escrava no Rio era quase toda indígena:

“Os africanos vinham de um ponto distante do continente e que não se conheciam originalmente. Eles estavam num ambiente novo, tenso, de concentração, porque a cidade colonial era pequena, mas concentrava uma população densa. Os africanos traziam bagagens culturais diferentes, mas alguns elementos eram mais ou menos articuláveis, a língua, por exemplo. Também a dança foi importante, já que os povos se articularam nesse sentido. A capoeira, então, era uma forma de união desses diversos grupos. O termo capoeira foi dado pela ordem policial. Eles eram identificados assim. Isso cria um problema, já que de certa forma você tem uma identificação grupal que não parte do grupo, mas sim do seu rival. Os termos da documentação são o “jogo do capoeira”. Todos esses povos traziam uma bagagem cultural com diversas danças e artes marciais. Essas danças, por mais diferentes, tinham um ponto comum. Possivelmente essas semelhanças fossem articuladas na América. Capoeira, na hipótese desse autor, nasceu na América.”

 

Prancha 27 – RUGENDAS – SÃO SALVADOR – 1820/1835 – publicada em 1835

Jorge Olimpio Bento, no prefácio do livro de Araújo (1997) [29], afirma que esse autor, ao procurar esclarecer as origens e evoluções daquela luta ao longo de vários séculos, viu-se forçado a proceder a pesquisas documentais sobre todo o contexto social abrangente. Afirma Bento (p. 6): “não admira assim que na história da capoeira surjam indicações referentes:

Ao tráfico negreiro;

Às manifestações culturais de origem africana dos povos traficados para o Brasil;

À vida dos negros, quer fossem escravos ou forros, às suas rebeliões e aos seus quilombos;

Ao período colonial e imperial do Brasil;

A fatores político-sociais ligados ao fim do império, ao início da república, à era getulista e a tempos mais recentes.

 

Mais adiante, citando João Ubaldo Ribeiro: “o segredo da verdade é o seguinte: não existem factos, só existem histórias” (p. 7).

 

OS “BALAIOS” [30]

 

O evento que deu início à Balaiada[31] foi a detenção do irmão do vaqueiro Raimundo Gomes, da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi), por determinação do sub-prefeito da Vila da Manga (atual Nina Rodrigues), José Egito (cabano). Contestando a detenção do irmão, Raimundo Gomes, com o apoio de um contingente da Guarda Nacional, invadiu o edifício da cadeia pública da povoação e libertou-o, em dezembro de 1838. Raimundo Gomes teve o apoio de Cosme Bento, ex-escravo à frente de três mil africanos evadidos, e de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira – o Balaio, dando início a maior revolta popular do Maranhão. Para combatê-los foi nomeado Presidente e Comandante das Armas da Província, o coronel Luís Alves de Lima e Silva, que venceu os revoltosos na Vila de Caxias.[32]

 

A área assinalada em vermelho, é a área onde ocorreu a Balaiada[33]

 

 

Castro (2006) em “INFÂNCIA E TRABALHO NO MARANHÃO PROVINCIAL: uma história da Casa dos Educandos Artífices (1841-1889)” [34] refere-se a relato do Diretor da Casa dos Educandos ao Presidente da Província informando que havia “outro problema”: a segurança dos alunos e do patrimônio da casa, em razão da existência de vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados, o que resultava em atos de violência cotidianos, pela falta de intervenção policial no local. Sobre os Capoeiras reclamava esse Diretor, em 1843:

Capoeiras […] cometessem por aqui crimes de toda a qualidade que por ignorados ficam impunes, tendo já sido espancado gravemente um quitandeiro, e já são muitas as noites em que daqui ouço pedir socorro, sendo uma destas a passada, na qual, às nove horas e quinze minutos, estando todos aqui já em repouso, ouvi uma voz que parecia de mulher ou pessoas moças, bradar que lhe acudissem que a matavam, e isto por vezes, indo aos gritos progressivamente a denotarem que o conflito se alongava pelo que pareceu que a pessoa acometida era levada de rojo por outra de maiores forças, o que apesar da insuficiência dos educandos para me ajudarem, atendendo as suas idades e robustez, e não tendo mais quem me coadjuvasse, não podendo resistir à vontade de socorro a humanidade aflita e não tendo ainda perdido o hábito adquirido na profissão que sigo, chamei dois educandos dos maiores e com eles mal armados, sai a percorrer as mediações desta casa, sem que me fosse possível descobrir coisa alguma, por que antes que pudesse conseguir por os ditos educandos em estado de me acompanharem, passou-se algum tempo e durante ele julgo que a vítima foi levada pelo seu perseguidor para longe daqui. Estes atentados são praticados pelos negros dos sítios que há na estrada que em conseqüência da má administração em que os tem, andam toda a noite pela mesma estrada, praticando tudo quanto a sua natural brutalidade lhe faz lembrar, e se V. Exa. se não dignar de tomar alguma providência a este respeito parece-me que não só a estrada se tornará intransitável de noite, como até pelo estado em que existem só os negros dos sítios e os vindos da Cidade se reúnem, entregues à sua descrição, podem trazer conseqüências mais desagradáveis […] o que falo é para prevenir que este estabelecimento venha a ser insultado como me parecesse muito provável em as cousas como se acham. (FALCÃO, 1843). (citado por CASTRO, 2007, p. 191-192, grifos meus).

 

“Capoeiras” era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (ARAÚJO, 1997, p. 79)[35], conforme registra a Decisão (205) de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153; “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores).

 

A Casa dos Educandos Artífices estava alojada em um edifício construído ainda no Século XVIII, situado num ambiente de “ares agradáveis, liberdade própria do campo, vista aprazível e fora do reboliço da cidade”, entre o Campo do Ourique e o Alto da Carneira – hoje, Bairro do Diamante, ocupado pelo Ministério da Agricultura.

O Autor do relatório, José Antônio Falcão, era tenente-coronel reformado do Exército, e havia assentado praça em São Luís, juntamente com seu irmão Feliciano Antônio Falcão, em 1831, como cadete no Regimento de Linha. Antônio Falcão foi o organizador da Casa dos Educandos Artífices, e seu diretor no período de 1841 a 1853.

Já Feliciano Antônio Falcão, seu irmão, comandou a força expedicionária para combater os Balaios em Icatu e comandou a terceira tropa por ordem de Luis Alves de Lima e Silva, depois Duque de Caxias, entre as localidades de Icatu e Miritiba (hoje, Humberto de Campos), até o fim da Balaiada. (CASTRO, 2007, p. 184).

Cumpre lembrar que estes alertas foram feitos no ano de 1843, apenas um ano após o término da Balaiada – iniciada em 1838, originada com as lutas dos quilombolas na área de Codó (Distrito do Urubu) como antecedentes à eclosão da Revolta, até a condenação do Negro Cosme, em 1842[36], estando envolvidos vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados.

Seriam esses Capoeiras remanescentes da Balaiada?

[1] Chronica (do latim) é termo que indica narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica; como também é conjunto das notícias ou rumores relativos a determinados assuntos (DICIONÁRIO AURÉLIO, 1986, p. 502).

[2] Antonio José da Conceição Ramos, ‘Antonio” de Santo Antonio; ‘José’, de São José; ‘Conceição’, de N. S. da Conceição, e ‘Ramos’, de Domingo de Ramos – herdeiro de Mestre Sapo – Anselmo Barnabé Rodrigues.

[3] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A CARIOCA. In REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, São Luís, n. 31, p. 54-75, disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/ihgm_31_novembro_2009

[4] FREYREISS. Georg Wilhelm. Viagem ao interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

[5] PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

[6] D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

Ver também:

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

[7] D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

[8] http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html. disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

[9] Celebes (Sulawesi, em indonésio) é uma das Grandes Ilhas da Sonda, na Indonésia, situada entre Bornéu e as Molucas. Com cerca de 16,3 milhões de habitantes e 189 216 km², divide-se em cinco províncias: Gorontalo, Celebes do Norte (Sulawesi Utara), Celebes Central (Sulawesi Tengah), Celebes do Sul (Sulawesi Selatan) e Celebes do Sudeste (Sulawesi Tenggara). As maiores cidades de Celebes são Macáçarpossessão portuguesa entre 1512 e 1665 -, na costa sudoeste, e Manado, na ponta setentrional da ilha. Os primeiros europeus a alcançar a ilha foram os portugueses, em 1525. in http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lebes

[10] CARNEIRO, Edson. Negros Bantos, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1937

CARNEIRO, Edson. Samba de Umbigada. Ministério da Educação e Cultura” Rio de Janeiro, (1961)

[11] CORTE REAL, Márcio Penna. AS MUSICALIDADES DAS RODAS DE CAPOEIRA(S): DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, CAMPO E ATUAÇÃO DE EDUCADORES. Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação. Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Matias Fleuri. In [Conexões da Capoeira Regional] batuque‏, mensagem eletrônica enviada por Javier Rubiera ([email protected]) em sábado, 7 de novembro de 2009 16:50:26 Para: [email protected]

[12] REIS, Letícia Vidor. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher, 1997.

[13] D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

[14] PAVÃO, Fábio Oliveira. ENTRE O BATUQUE E A NAVALHA. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas ,Curso de Pós-Graduação em Sociologia Urbana, Junho de 2004, disponível em http://209.85.229.132/search?q=cache:ffz_I2-8ARUJ:www.academiadosamba.com.br/monografias/fabiopavao-1.pdf+competi%C3%A7oes+de+batuque&cd=12&hl=es&ct=clnk

[15] MEIRELES, Cecília. BATUQUE, SAMBA E MACUMBA. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; INL, 1983, citada por GOUVEIA, Sonia Vilas Boas. CECÍÇIA EM PORTUGAL. Rio de Janeiro: Iluminuras, 2001, p. 60-61, disponível em http://books.google.es/books?id=uK9QeChVPFsC&pg=PA62&dq=em+1935+batuque+samba+e+macumba&as_brr=3#v=onepage&q=em%201935%20batuque%20samba%20e%20macumba&f=false

[16] in http://pt.wikipedia.org/wiki/Batuque_(m%C3%BAsica)

[17] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batuque_(Cabo_Verde))

[18] CARNEIRO, Edison. FOLGUEDOS TRADICIONAIS. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; 1982., 1982 (p. 109), nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009

[19] Fernão Pompêo de Camargo Neto. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Economia da UNICAMP para obtenção do título de Doutor em Ciências Econômicas –área de concentração: Política Econômica, sob aorientação do Prof. Dr. José Ricardo Barbosa Gonçalves. CPG, 22/02/2002, p. 275

[20] REIS, Letícia Vidor de Sousa. O MUNDO DE PERNAS PARA O AR: A CAPOEIRA NO BRASIL. 2. ed. São Paulo: Publisher Brasil/ FAPESP, 1997. v. 1.

[21] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[22] FOTO: Bimba y Cisnando – Nascido Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba (1900-1974) era filho de Luís Cândido de Machado, caboclo de Feira de Santana, e Maria Martinha do Bonfim, negra do Recôncavo.Segundo Héllio Campos, Bimba deu os primeiro passos na capoeira aos 14 anos, com o pai, que foi campeão de batuque, e com Mestre Bentinho, africano que era capitão da Companhia de Navegação Baiana.“ FUENTE: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp020539.pdf

[23] LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro,2004

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO E NO MUNDO. – histórias & fundamentos, Administração geral, administração pública, jornalismo. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição elertrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2004.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 2 ed. Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. L´ART DE LA CAPOEIRA À RIO DE JANEI, AU BRÉSIL ET DANS LE MONDE. Littérature de Cordel. Rio de Janeiro, 2005

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO MUNDO. 4 ed. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro, 2007.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006.

[24] ALMEIDA, Juliana Azevedo de; SILVA, Otávio G. Tavares da. A CONSTRUÇÃO DAS NARRATIVAS IDENTITÁRIAS DA CAPOEIRA. Vitória; UFES. e-mail: [email protected]

[25] 11 Vieira e Assunção (1998) apontam esse fato no seu artigo.

[26] CASTRO, Celso. A invenção do Exército brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002.

[27] In http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/out2001/unihoje_ju167pag22.html

[28] VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. Capoeira – origem e história. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese de Doutorado – 2004. disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

[29] ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. (Porto) : Insituto Superioro Maia, 1997

[30] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS DO MARANHÃO – NOVOS ACHADOS

[31] A Balaiada foi uma revolta de caráter popular, ocorrida entre 1838 e 1841 no interior da Província do Maranhão, e que após a tentativa de invasão de São Luís, dispersou-se e estendeu-se para a vizinha província do Piaui. Foi feita por pobres da região, escravos, fugitivos e prisioneiros. (ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001)

[32] http://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada

[33] http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/imagens/balaiada-15.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/balaiada-5.php&usg=__DOn8MqTHQ-t7idEdqX-bDHwZffA=&h=389&w=373&sz=21&hl=pt-BR&start=19&tbnid=UUiadDnIdBaH4M:&tbnh=123&tbnw=118&prev=/images%3Fq%3Dbalaiada%2B%252B%2Bmaranhao%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

[34] CASTRO, César Augusto. INFÂNCIA E TRABALHO NO MARANHÃO PROVINCIAL: uma história da Casa dos Educandos Artífices (1841-1889). São Luís: EdFUNC, 2007. (Prêmio Antonio Lopes (Erudição) do XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luis, 2006).

[35] ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. Maia (Portugal) : Instituto Superior da maia, 1997, Série Estudos e monografias.

[36] ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001

ARAUJO, Mundinha. EM BUSCA DE DOM COSME BENTO DAS CHAGAS – NEGRO COSME – Tuto e Imperador da Liberdade. Imperatr0z: Ética, 2008

ASSUNÇÃO, Mathias Röhrig. A GUERRA DOS BEM-TE-VIS – a balaiada na memória oral. São Luís: SIOGE, 1988

CRUZ, Mago José; CRUZ, Carlos César França. A GUERRA DA BALAIADA (a epopéia dos guerreiros balaios na versão dos oprimidos). 2 ed. São Luis: CCN-MA, 1998

SANTOS NETO, Manoel. O NEGRO NO MARANHÃO – a escravidão, a liberdade, e a construção da cidadania. São Luis, 2004

SERRA, Astolfo. A BALAIADA. 2ª Ed. Rio de janeiro: DEBESCHI, 1946

SERRA, Astolfo. CAXIAS E O SEU GOVERNO CIVIL NA PROVINCIA DO MARANHÃO. 2 ed. Rio de Janeiro, 1944

COELHO NETO, Eloy. CAXIAS E O MARANHÃO SESQUICENTENÁRIO. São Luis: 1990

OTÁVIO, Rodrigo. A BALAIADA – 1939. São Luis; EDUFMA, 1995

 

 

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Resolução de reconhecimento da capoeira e outras artes marciais como atividade esportiva

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Foto de Conselho Federal de Educação Física - CONFEF.

A primeira reunião do Conselho Nacional do Esporte do ano teve como principal notícia a formalização da resolução de reconhecimento da capoeira e outras artes marciais como atividade esportiva. A partir dessa resolução, o Ministério poderá repassar recursos para confederações e atletas desses esportes, assim como acontece com o judô, por exemplo. Saiba mais: bit.ly/1QozwFt

Reunião do Conselho Nacional do Esporte formaliza capoeira e outras artes marciais como atividades esportivas

Ministro do Esporte diz que decisão vai ao encontro do programa Luta pela Cidadania

Foto: Roberto Castro/ MEFoto: Roberto Castro/ ME

O Clube Naval do Rio de Janeiro recebeu nesta terça-feira (16.02) pela manhã a primeira reunião do Conselho Nacional do Esporte (CNE) de 2016. Presidido pelo ministro do Esporte, o encontro teve como principal notícia a formalização da resolução de reconhecimento da capoeira e outras artes marciais como atividade esportiva.

A decisão deixou o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber, bastante satisfeito: “A capoeira é esporte, tem competições, são atividades importantes para o condicionamento físico. Crianças, adultos e idosos praticam a mesma para diminuir a obesidade e, principalmente, são atividades que têm federações e confederação. Já tinha aprovação do Conselho, mas ainda não havia a publicação do Ministério do Esporte de uma resolução a esse respeito. Hoje a formalização se deu, até porque nos próprios Jogos Escolares existem a modalidade capoeira”.

O ministro George Hilton exaltou a decisão e lembrou do programa Luta pela Cidadania, lançado em 21 de dezembro de 2015. “Foi importante porque definimos algumas reivindicações antigas da capoeira e das artes marciais, que pleiteavam junto ao Conselho para que fossem consideradas práticas esportivas. A decisão vai ao encontro do programa que lançamos”.

Consultor jurídico do Ministério do Esporte, Pitágoras Dytz, falou sobre o impacto da resolução. “O Conselho definiu que deve ser publicada uma resolução com a capoeira e as artes marciais como modalidades esportivas. Não só como lazer. As implicações práticas disso são que o Conselho se posiciona que há uma formalização estatal, que elas não são apenas arte, mas esporte. A partir dessa resolução, o Ministério pode repassar recursos para confederações desses esportes, a atletas desses esportes, assim como acontece com o judô, por exemplo”.

Foto: Roberto Castro/ MEFoto: Roberto Castro/ ME

À tarde, George Hilton participou da reunião da Comissão Nacional dos Atletas (CNA), presidido por Lars Grael. o ministro abriu o encontro pedindo aos integrantes para massificar a luta contra o Aedes aegypti para evitar a proliferação de endemias como o Zika vírus. Os integrantes do órgão se comprometeram a prosseguir apoiando a campanha de combate ao mosquito.

O CNE

O Conselho Nacional do Esporte é órgão colegiado de deliberação, normatização e assessoramento, diretamente vinculado ao ministro do Esporte, e integra o Sistema Brasileiro de Desporto. O principal objetivo do Conselho é o desenvolvimento de programas que promovam a massificação da atividade física para toda a população, bem como a melhoria do padrão de organização, gestão, qualidade e transparência do esporte nacional.

Petronilo Oliveira, do Rio de Janeiro

Ascom – Ministério do Esporte
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