UM JOELHAÇO NAS PARTES… ainda sobre a Punga, por MarcoAurelio Haikel

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Após compartilhar algumas das experiências sobre a Punga dos Homens afirmo não ser nada fácil no Maranhão fazer, realizar e/ou promover Cultura, pois o poder político faz o que quer e como quer, ouvindo somente, quando ao seu bel prazer.
O saudoso poeta, escritor, dramaturgo, jornalista e amigo, Lauro Leite, certa vez me vendo incomodado com uma situação disse-me: Marco Aurelio, a vanguarda do mundo são os/as artistas, razão pela qual são eles/as, as/os primeiras/os a receberem as porradas, os revezes…

 

A bem da verdade, no Maranhão, em se tratando de Cultura Popular, ninguém que pense que a equipe que precedeu a esta que aí está, bem como à outra e assim sucessivamente… sem exceção suportava críticas? Das com quem tive que lidar, nenhuma! No entanto, elogios… a-d-o-r-a-v-a-m!!!!!
Aqui, quem tece criticas, seja ao funcionário da equipe de som contratada por não querer descer os microfones do palco – quando acima de três a quatro – para a “brincadeira” apresentar melhor passa a ser visto como encrenqueiro. E mesmo o/a servidor/a que ali está para “dar suporte” e mediar conflitos passa a ver o sujeito como “causador de problemas”.
O certo é que essas e outras atitudes incomodam e tais pessoas passam a sofrer perseguição – às vezes surda, o que é pior.
Essa é uma realidade, independente de quem esteja no poder, neste país.
No Maranhão, então… Aqui o jugo perpassa no tempo!
Teve início quando o Brasil era Colônia passando pelo Império e adentrou na República. Nesta, as oligarquias deram o curso do domínio e da submissão começando com Urbano Santos, depois Vitorino e, por último – espero – Sarney.
Nós, do Centro Matroá de Capoeira sofremos com o fato de não aceitarmos calado o que aconteceu por conta da aprovação do Projeto “A Punga dos Homens no Tambor de Crioula”, referente a um edital de 2010, mas aprovado no final de 2011 e executado somente em 2012.
Por falta de visão estratégica e gestão de quem à frente da SECMA, à época, ainda hoje o Matroá está inadimplente, pois o processo sumiu, ou, pelo menos não é encontrado. Isto, sem que nenhuma atitude seja tomada para sanar tal problema, pelo visto somente nas barras da justiça.
O projeto consistia em trazer para São Luís três turmas de Tambor de Crioula, todas, praticantes da Punga dos Homens. Ora, o projeto foi elaborado em 2010, de tal maneira que em 2012, todos os valores previstos para alimentação, hospedagem, pagamento de cachês, filmagem e demais itens previstos estavam defasados. Foi então que pedimos – uma vez que inciaria em uma sexta à noite e terminaria domingo pela manhã – que os valores nos fossem repassados integralmente, pois do contrário haveria prejuízos, vez que os componentes das Turmas eram, em sua maioria trabalhadores rurais e tinham deixado suas roças para cumprirem um acordo, por acreditarem na nossa palavra. Não houve condescendência, sensibilidade técnica, apenas a velha “viseira de burro”, fruto da cultura cartorial e “burrocracia” que vige e assola o país.
Havia um tal de Júnior – não sei bem ao certo, se esse era o nome do sujeito – encarregado de relacionamento com os grupos que tiveram seus projetos aprovados que, digo, o cara só andava no chão porque a gravidade não deixava ele subir.
O pior é que talvez achando que iriam punir-me, não foram ao evento e nem sequer enviaram alguém para saber se de fato estava acontecendo. Tudo isso, em razão de eu ter protestado veementemente em vista da péssima gestão da Superintendência de Cultura Popular, bem como, da falta de tato por parte de certos/as servidores/as, pois obviamente queriam que eu me submetesse ou me comportasse como a um “cordeirinho”.
Ao não abrir mão, a SECMA nos impelia a duas posturas, uma, não cumprir os compromissos acertados com aquela gente que nos recebera tão bem em seus respectivos lugares de origem, nos acolhendo, nos informando e fazendo-nos sabedores de sua ancestralidade. Optamos por pagá-los!
Em consequência, até hoje o Matroá está em dívida com Marcos Gatinho e Alberto Greciano, pelo maravilhoso trabalho que fizeram de filmar todo o evento. Decerto que se não tivessem completamente envolvidos e sabendo de toda a dificuldade por qual passamos poderíamos não ter tido material de relevante conteúdo cultural e salvaguarda.
Após a realização do evento fomos ao Povoado de Miranda do Rosário, junto à Turma de seu Zé Ribeiro e d. Elza, e lá, perante toda a comunidade passamos muito da filmagem realizada e deixamos uma cópia com os mesmos.

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Continuando as Breves Anotações sobre a Punga dos Homens…, po Marco Aurelio Haikel

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Continuando as Breves Anotações sobre a Punga dos Homens…

4ª Parte

Quando do seminário supramencionado, ao serem questionados por qual razão em São Luís não ocorria a prática da Punga dos Homens, os mestres deram como resposta que sendo esta de movimentos fortes, intensos e vigorosos aplicá-la em ambiente de pessoas que não eram da mesma esfera de amizade, ou seja, entre brincantes de turmas ou lugares de origens diferentes poderia ocorrer confusões, razão pela qual os mais velhos neutralizavam ou desestimulavam-na.
Uma vez na roda, os baiadores que nela interagem estão sujeitos a levar a punga, sendo que pode vir a ser aplicada sem que determinada pessoa se dê conta, pois nem todas as vezes impõe-se sinalizar ao outro que o mesmo receberá a punga. Geralmente, quem deverá recebê-la fica posicionado de uma forma que se prepare para tomá-la, enquanto quem a aplicará, antes realizará uma série de caqueados, volteios, meneios e negaceadas, para em dado momento lançar o “coice”.
O certo é que depois de avançada a hora, com a cachaça no sangue – sim, pois se trata de uma festa acontecendo e quanto mais tarde for, mais o álcool faz efeito e mais intensas são as pungas – qualquer um que se encontre na roda está sujeito a ser derrubado. Daí que no entender dos mais velhos, uma vez em São Luís, com tambozeiros dos mais variados lugares do Maranhão, um embate entre baiadores desconhecidos poderia causar contendas e brigas de proporções nada interessantes.
Diante de tal situação, a prática da Punga dos Homens foi desestimulada na Capital ficando restrita às localidades e ambientes em que as pessoas se conheçam, ou pelo menos, de comunidades que interajam entre si.
Com isto, em São Luís sobressaiu-se a Punga das Mulheres, ou a umbigada, em que a beleza, a sensualidade e a desenvoltura femininas se tornaram a tônica.

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Ainda, sobre Breves Anotações sobre a Punga dos Homens, no Tambor de Crioula, por Marco Aurelio Haickel

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Ainda, sobre Breves Anotações sobre a Punga dos Homens, no Tambor de Crioula.

3ª Parte.

O interesse dos capoeiras pela Punga dos Homens deu-se, primeiramente, a partir de um Seminário ocorrido no Laborarte, quando eu e Aziz Junior tomamos a iniciativa de convidarmos o Mestre Felipe para realizar sua 4ª Oficina de Tambor de Crioula, no Labô, no final de 1994, após retornarmos de uma excursão a Portugal, quando representamos o Brasil – único grupo brasileiro nesse ano – no XVI FITEI – Festival Internacional de Teatro e Expressões Ibéricas, na cidade do Porto.


Na oportunidade convidamos Sergio Costa, companheiro de sempre em eventos que tais, para darmos início a uma série de Rodas de Conversação, um total de três. Duas – em separado – com mestres e mestras, da Velha Guarda. Entre os homens, Elpídio – à época com 94 anos – Felipe, Nivô, Satiro, “Come Ferro”, entre outros. As mulheres, com Mundica Paca, d. Ester e outras, de pelo menos três Turmas, a de Felipe, Leonardo e Nivô. Uma outra, com pesquisadores e intelectuais, tais como, Joila Morais, Valdelino Cécio, o Professor Ferreti e a Professora Mundicarmo.
Um evento riquíssimo, em que foi possível vislumbrar a beleza e a riqueza da punga dos homens, no Tambor de Crioula.
Naquele momento, os mestres relataram diversas de suas experiências decorrentes de seus lugares de origem.
Após esse momento memorável, o interesse pela punga dos homens intensificou-se e se firmou definitivamente quando da realização do I Pungar, um evento realizado no ano de 1997 seguido de sua segunda versão, no ano seguinte. Consistiu em trazer para São Luís, Turmas de Tambor de Crioula de várias localidades e regiões do Maranhão, a exemplo de Mirinzal, Itapecuru, Alcântara, Rosário, Icatú, Caxias, entre tantos outros lugares. Um evento primoroso que possibilitou o contato com uma manifestação, até então só informada pela Velha Guarda.
Um momento único presenteado pelo Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho – CCPDVF, à época sob a direção de uma das grandes mestras, pesquisadora e incentivadoras da Cultura Popular, sua diretora, Michol Carvalho que, juntamente com uma equipe de bambas por ela composta, a exemplo de Jandir, Cláudio Vasconcelos, Marcio Vasconcelos e outros mestres, sobre quem fazemos questão de lamentar sua dispersão, após a passagem de Michol, sendo que até hoje permanecem assim, sem que nunca mais tornassem a criar juntos e possibilitarem aos amantes e fazedores da Cultura Popular, elementos valiosos para reflexão e ação. Uma época significativa para a Cultura Popular.

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Anotações sobre a PUNGA DOS HOMENS, no Tambor de Crioula,por Marco Aur´lio Haickel

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Dando continuidade às Breves Anotações sobre a PUNGA DOS HOMENS, no Tambor de Crioula.

2ª Parte

Nas comunidades em que o tambor é praticado por ambos os sexos, a punga dos homens ocorre em uma roda que se faz ao lado da roda das mulheres, mas não raro se imbricam e, nesse momento o enlace entre ambos os sexos, a picardia é a regra.
Geralmente a roda dos homens ocorre em um areal, o que não necessariamente acontece com a das mulheres, que pode se dá em um espaço cimentado. Isso, porque entre os homens as derrubadas, com o avançar das horas se tornam mais intensas e frequentes, daí a preferência pelo areal.
Quanto mais rural a localidade em que a Punga dos Homens é praticada, mais vigorosa é, contudo, o bom humor e a alegria são características dos baiadores.
Há lugares, como Arari, Anajatuba, entre outros, que somente homens brincam Tambor: tocam, cantam e pungam. Ao se observar quão rudimentar é a prática em tais localidades dá para entender a razão pela qual mulheres não praticam, vez que os movimentos são bruscos e as derrubadas corriqueiras, algumas vezes, não sem escaramuças, mas sempre predominando o lúdico e a brincadeira.
Aliás, tais aspectos amenizam o jogo de luta, tendo em vista que choque e vigor são usuais. A respeito, vale ressaltar uma observação de Tadeu De Obatalá, músico, militante do Movimento Negro, amigo de infância e conterrâneo de Pindaré-Mirim. Disse-me certa vez, que o seu avô, quando saia para festas de Tambor de Crioula, sua esposa – avó de Tadeu – sempre reclamava dizendo que era o mesmo ir a tais festas, para no dia seguinte reclamar de dores nos joelhos.
Nesse viés, também, certa feita, em uma das vezes em que fui ao tradicional “Tambor da Alma Milagrosa”, em Rosário, um senhor ao perceber meu interesse de entrar na Roda, se aproximou e me disse para ter cuidado, pois o que parecia inofensivo escondia na verdade, golpes violentos que, à maneira como a Punga era desferida podia machucar gravemente. Tais observações traziam consigo informações preciosas, a respeito do aspecto jogo/luta dessa prática.
De uma região para outra é possível perceber diferenças, na aplicação da punga que, assim como a Capoeira possui vários golpes. Há lugares, como já dito, que homens e mulheres praticam juntos, outros, somente mulheres pungam, a exemplo de São Luís e, outros, somente homens.
Ao longo desses anos – desde 1995 – observando e conhecendo um pouco mais da punga dos homens foi interessante notar que, quanto mais próximo às áreas urbanas, mais branda se torna sua aplicação, como é o caso de Alcântara. Ali só se desfere um leve bate coxa, apenas demonstrando possibilidade de ataque, mas sem derrubada.
Em dada região, como a do Munin,em alguns povoados ainda é possível ver a prática da Punga dos Homens realizada com cacetes, os quais servem de apoio e alavanca, para quem na condição de quem a aplica, ou, se de quem a recebe, para amenizar o impacto quando suspenso no ar chega ao chão, amortecendo-o.
De qualquer maneira o uso do cacete é cada vez mais raro, um uso ainda visto entre alguns mais velhos.
Não restam dúvidas de que tais práticas traziam consigo elementos de resistência e luta frente à forte opressão sofrida pelas classes populares, por parte da dominante, e tais aspectos, luta e resistência, causavam apreensão por parte de representantes do Poder Público, que proibiam diversas manifestações da Cultura Popular considerando-as ilegais, com previsão em diplomas legais, a exemplo do Código de Posturas de Turiaçú, de 1892. (Essa informação acerca do Código de Posturas de Turiaçú foi identificada e fornecida pela pesquisadora, historiadora e escritora, Mundinha Araújo)

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Punga dos Homens, no Tambor de Crioula, por MARCO AURÉLIO HAICKEL

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 arco Aurelio Haikel
3 de março às 23:30 ·

Mestre Marco Aurélio nos dá conhecimento sobre a Punga dos Homens, numa érie de artigos, como ele diz

 Compartilharei aqui, breves anotações sobre a Punga dos Homens, no Tambor de Crioula. O farei em partes para não ficar muito longo.

1ª Parte
A PUNGA DOS HOMENS é um “jogo de luta” ocorrente no Tambor de Crioula. Se dá através de um embate entre dois homens, os quais enredam uma movimentação lúdica cheia de caqueados, negaceadas e muita picardia culminando em um contato físico, no mais das vezes, vigoroso, cuja finalidade é tirar o centro de gravidade do outro, em consequente derrubada.
Ao que parece, ainda em tempos não muito remotos, sua presença era a regra no Tambor de Crioula, como sugere uma frase tão antiga quanto a própria manifestação e que tão bem a define: “tambor de crioula, quentado a fogo, tocado a muque e dançado a coice”. O “dançado a coice” é uma alusão à força proporcionada pelo cavalo, pois assim como o coice, a punga dos homens, a depender de como aplicada é rompedora e, jungida a certas habilidades assemelha-se a um nítido “jogo de luta”.
Atualmente, apesar de continuar a ocorrer em muitos lugares pelo Maranhão afora, em razão do êxodo rural – pois sua prática quanto mais vigorosa, mais rural é – vem se diluindo, pois os que receberam da “velha guarda” os saberes, sendo quem ficaria com a incumbência de passara às gerações mais novas campearam fora, em busca de melhores condições de vida, deixando assim um vazio, entre os mais velhos, já sem a força nas mãos e no gógó e os bem mais novos, que não apreenderam suficiente para levarem adiante, tais saberes. Um corte profundo nas relações comunais, tudo motivado por questões de natureza econômica, cujas sequelas são irreparáveis às comunidades aonde manifestações que tais preponderam

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MESTRE ÍNDIO – chamado para a Roda – REI ZULU E O TARRACÁ… e a RINGA-MORINGA MALGACHE, O CHANSON/SAVATE…

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TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO… 

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984  www.bullshido.net

RESUMO
Busca-se a origem do estilo de luta “Tarracá”, supostamente criado pelo lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins. Rei Zulú, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava – e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense.
Palavras-chave: MMA; ESTILO DE LUTA; TARRACÁ; MARANHÃO; REI ZULU

Fighting BS since 2002 in the Martial Arts, MMA, Health and Fitness Industries
bullshido.net

O que é o TARRACÁ? Não sei! Nunca ouvira falar, até agora! Mas remeti a questão a alguns Mestres Capoeiras – Mestre Marco Aurélio Haickel, Baé, Mizinho – que certamente darão alguma notícia. Marco Aurélio certamente vai investigar, também, junto ao Mestre Patinho, Mestre Nelsinho, Mestre Índio do Maranhão – apenas citando alguns – que poderão dar notícias do Tarracá.


O que se sabe? Apenas aquilo que o Prof. Mayrhon coloca, em sua mensagem:
1. uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas.
2. uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região (Baixada)
3. luta praticada na Baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú.
Temos um ponto de partida!
 WingChun Lawyer se posiciona, em sítio dedicado ao MMA:

I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough – although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.

Rei Zulu ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Após 17 anos de competição estava invicto após 150 lutas (década de 1980). Rei Zulu lançou um desafio à família Gracie para ver quem era o melhor lutador de Vale Tudo de toda a nação. Em entrevista – antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980) -, disse que “seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”.

Rei Zulu é considerado por Rickson Gracie o mais difícil oponente com quem já lutou:
[…] nos anos 80, Rickson travou cerca de 231 combates (nacionais e internacionais), e afirma ter sagrado-se vencedor em todos por finalização. No Brasil, a rivalidade entre o Jiu-Jitsu e a Luta Livre era tamanha, que houve a necessidade de se provar ao público, qual arte marcial e lutador era superior, assim, foi organizada uma luta entre Rickson e o temido Rei Zulu, com isso, após Rickson Gracie vencer por duas vezes o grande Rei Zulu (que estava no auge e há 150 lutas invicto), nunca mais teve desafiantes a altura enquanto lutou.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie)

Rei Zulú é a maior referencia do “Vale Tudo” no/do Maranhão. Nascido Casimiro de Nascimento Martins, em 09 de junho de 1947 é um lutador de Vale-Tudo: “criado em Pontal, no interior do Maranhão. Lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentaram a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão (sic), na Ilha de São Luís.” (LAROCHE, 2010) (grifos nossos).


O Rei Zulu tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali. Nunca freqüentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de freqüentar academia, por isso treina no quintal de casa: empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5 Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Possuía uma força naturalmente descomunal.

Marc Magapi , em outra reportagem, descreve o ritual do Rei Zulú em suas lutas, como também informa ser seu pai o criador do estilo que “desenvolveu”: Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia.

 

Esse mesmo autor informa ter havido em São Luís do Maranhão uma “arena de lutas”, denominada de “Terreiro Tarracá”, no Bairro do João Paulo, onde era disputado um campeonato semanal de Vale Tudo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú” :  1997 São Luis – MA – tem uma faixa lá no João Paulo (bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma […] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo […] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá.

UMA TEORIA POSSÍVEL, UMA CLASSIFICAÇÃO, UMA IDENTIDADE…


Tubino (2010, p. 20) ao tratar da ‘origem do esporte’, refere-se aos estudos de Diem (1966) para quem a história do esporte é íntima da cultura humana. Ela vem da natureza e da cultura humana (EPPENSTEINER, 1973) : “[…] a natureza e a cultura coexistem ao criar um ‘instinto esportivo’, que para ela é a resultante da combinação do lúdico, do movimento e da luta.”

Tubino (2010) refere-se que as antigas civilizações já tinham atividades físicas/pré-esportivas em suas culturas, a maioria com características utilitárias, que desapareceram com o tempo; outras se transformaram em esportes autótonos, esportes considerados “puros”, que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem sofrer influência de outras culturas. Quando essas práticas permanecem, mas sofrem modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados de Esportes ou Jogos Tradicionais.

Dentre as correntes esportivas contemporâneas (TUBINO, 2010, p. 54), encontramos, dentre outros, os Esportes Tradicionais, esportes consolidados pela prática durante muito tempo -; os Esportes das Artes Marciais – provenientes da Ásia, inicialmente praticadas militarmente pelos guerreiros feudais, e hoje práticas esportivas: jiu-jitsu, judô. Karatê, taekwondo; os Esportes de Identidade Cultural, que são aqueles com vinculação cultural: no Brasil, a Capoeira principalmente; são identificadas outras modalidades esportivas de criação nacional, de prática localizada nos seus ”lócus”, inclusive as indígenas: Uka-uka, Corrida de Toras, etc., sem preocupações de práticas por manifestação. (p. 56-57):

As it happens with natural opponents, luta livre absorbed elements from jiu-jitsu as well, just as jiu-jitsu absorbed elements from luta livre in the process of becoming “BJJ”. Many jiu-jitsu experts fought professionally in the pro-wrestling context. Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the “Graeco-Roman” wrestling context, luta livre also received some of its influence. (Notes on the History of Brazilian Luta Livre) (grifos nossos).

Recorramos à Wikipédia : “Wrestling” (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em “clinch”, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do “grappling”. Uma luta de “wrestling” é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de “sparring”, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos:

Técnicas de wrestling foram incorporadas por outras artes marciais, bem como por sistemas militares de combate corpo-a-corpo. Como esporte, com exceção do atletismo, o wrestling é o esporte mais antigo de que se tem conhecimento, e que se pratica ininterruptamente ao longo dos séculos de maneira competitiva.

“Grappling” é o nome que se dá a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva, a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como o “wrestling”.

Federação Universal de Wrestling (Universal Wrestling Federation) – O movimento da UWF foi liderado pelos lutadores de ‘catch wrestling’ e originou o “boom” da MMA (artes marciais mistas) no Japão. O “catch wrestling” forma a base dos estilos de “wrestling” japonês como o “shoot wrestling” (que incorpora movimentos realistas, como pegadas de submissão, chutes de “kickboxing”, entre outros).

O catch wrestling é um estilo tradicional de wrestling que tem várias origens, os mais famosos são os estilos tradicionais da Europa como “collar-and-elbow“, wrestling de Lancashire ou “catch-as-catch-can”, submission wrestling, entre outros, além dos estilos asiáticos pehlwani e jujutsu.

“Wrestling” tradicional (em inglês: folk wrestling; lit. luta tradicional) é denominação geral de várias disciplinas de “wrestling” ligadas a um povo ou a uma cultura, que podem ou não ser codificados como um esporte moderno. A maioria das culturas humanas desenvolveu seu próprio tipo de estilo de “grappling”, único se comparado a outros estilos praticados. Enquanto diversos estilos na cultura ocidental podem ter suas raízes na Grécia Antiga, outros estilos, particularmente os da Ásia, foram desenvolvidos de forma independente.

Uka-uka é um estilo de “wrestling” tradicional brasileiro dos povos indígenas do Xingu e dos índios Bakairi, de Mato Grosso. O uka-uka faz parte do Jogos dos Povos Indígenas como parte da modalidade luta corporal que é praticada como modalidade de demonstração.


SENHORAS E SENHORES PERMITAM-ME APRESENTAR-LHE… TARRACÁ.

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984

(Senhoras e senhores, permitam-me apresentar-lhe… Tarracá. Ela foi usada por um lutador Vale Tudo que se autodenominava “Rei Zulu” no início dos anos 80 aqui no Brasil, ele chutou (melhor ainda, jogou cerca de) um grande bundas poucos antes de começar batido para fora por Rickson em 1984.)
in http://www.bullshido.net/…/archive/index.php/t-51830.html

Mestre Baé – da Federação de Capoeira – responde e informa sobre o “ATARRACAR” em correspondência eletrônica,


Recebi seu Email, Com relação ao tema ATARRACAR; posso lhe adiantar o seguinte: desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu sou da Baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana, Penalva, e Municípios vizinhos. Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tiso/avós falavam que isso sempre existiu o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremessar o outro no chão através de uma queda.Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases, nomenclatura de movimentos, regras e etc..

Então, é uma tradição na Baixada, uma forma de movimento agonístico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Este Mestre Capoeira não considera aquela brincadeira como luta, dado seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização.


Em outra correspondência, recebida de Mestre Marco Aurélio, em que indaguei sobre a busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que aprendera com seu pai, o Rei Zulú; Zulu, criado em Pontal, no interior do Maranhão, onde aprendera uma luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região: o Tarracá : 

Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela região das águas falarem-me a respeito. No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”.  Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates.  Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que se dava a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo…  Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior.

Anyone here ever heard of someone who created a martial art from scratch? I am not talking about mixing, altering, re-creating, changing the name or re-interpreting something. I am talking about doing it all from the start, developing your own training routines, moves, techniques, and everything els…
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Quanto à origem do Atarracado – Tarracá -, Mestre Marco Aurélio diz:[…] não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências.  Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens” , uma prática que existe rasteiras e desequilibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão.
No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água.

Em outra mensagem eletrônica, Mestre Marco Aurélio acrescenta:  Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú.  Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante saíram em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú.  Daí há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais.

Em resposta ao Mestre Marco Aurélio, coloquei que o Xavante é originário do Maranhão, forçado a migrar, indo para os lados do Tocantins, subiu o Araguaia, se estabelecendo na Ilha do Bananal, forçado pelas ‘guerras justas’ do período colonial. As frentes de penetração, mais modernas, têm forçado essas migrações. É um fato histórico.


Sobre o Uka-uka, andando por esses interiores, fui encontrar em Carutapera o estilo ‘onça pintada’, introduzido na região por um mestre paraense – Mestre Zeca – baseado em luta de antiga tradição marajoara – o agarre marajoara; lembrando que muitas das nações indígenas que se estabeleceram na Ilha do Marajó foram ‘desterradas’ do Maranhão durante o período colonial; inclusive, há certa semelhança entre as cacarias encontradas nas estearias do lago Cajari com motivos marajoaras: Já retornei de Caratupera, região do Alto Turi, fronteira com o Pará… conversei com alguns capoeiras da área – Caratupera e Maracassumé – que estão ligados ao Pará, através do Mestre Zeca… não consegui informações, ainda, sobre a “capoeira carioca”, pois, muito jovens não conhecem a história da região. Turiaçu fica bem próximo de Carutapera, na mesma região do Turi. O grupo de Carutapera denomina-se ACANP – Associação Capoeira Arte Nossa Popular – fundada por Mestre Zeca, de Belém do Pará – Jose Maria de Matos Moraes (33 anos). A ACANP é filiado da Federação Paraense de Capoeira; o estilo praticado é o “Angola com Regional”, estando desenvolvendo, em Maracassumé, e introduzindo em Caratupera, o estilo desenvolvido pelo Mestre Zeca, que denominam de “Onça Pintada” – que seria uma fusão da Regional com o Agarre Marajoara. De acordo com Álvaro Adolpho, de Belém do Pará, ex-diretor do Departamento de Educação Física do Pará, o “Agarre Marajoara” é uma luta desenvolvida pelos índios da Ilha do Marajó – que guarda uma certa semelhança com o Uka-uka – havendo registro de sua pratica ha mais de 300 anos. De acordo com o Prof. Álvaro, talvez seja a primeira luta-esporte com registro de sua pratica no Brasil.

Além da correspondência do Marco Aurélio, recebo de Javier Cuervo, lá das Astúrias (Espanha) um comentário, de que no Calahari sub-sahariano, entre os bosquímanos, luta semelhante àquele apresentada pelo Rei Zulu; mandou-me vídeo via iutube, demonstrando as semelhanças, comparando-se com o da luta de Rei Zulu e Rickson Gracie , nos anos 80…, disponível em vídeo do link anexo: E “Batuque duro” do Kalahari -1930.
http://salavideofica.blogspot.com/…/1930-c-ernest…

Encontrei, ainda, descrição de luta-jogo semelhante, trazida por vaqueiros portugueses, durante o período colonial, a Galhofa – o “wrestling tradicional transmontano” – que se define como um desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha.

Em depoimento de Álvaro (Vavá) Melo, de Osvaldo Pereira Rocha, e de Edomir Martins, jovens nos seus mais de 80 anos, que quando crianças e adolescentes, costumavam praticar o ‘atarracado’ e o ‘atarracar’, na região da baixada, onde morava; Osvaldo Rocha, ilustre pesquisador e historiador, disse-me que, embora franzino, costumava ganhar algumas das ‘brincadeiras’, pois o segredo era a agilidade em agarrar a perna do adversário e levá-lo ao chão; tão logo autorizado o combate, a rapidez com que se lançava ao adversário era fundamental. Já Álvaro Mello, Vavá, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, cronista do Arari e de São Bento, deu seu depoimento, ressaltando que os embates se davam na beira do rio, e os combatentes saiam cobertos de lama; O mesmo disse Aymoré Alvim – ilustre pesquisador hoje aposentado, da nossa UFMA/Medicina.
Até brinquei, propondo então aos campeões do ‘TARRACÁ’ um embate, envolvendo o Rei Zulu… um desafio às memórias de infância no ‘interland’ maranhense… Osvaldo até disse que, em seu próximo livro, escreveria sobre as lutas que travou, utilizando o tarracá, já que o tema está provocando muita curiosidade no mundo do MMA e da UFC…

De Barreirinhas, em conversa com alguns professores de educação física de algumas comunidades do interior daquele município, falaram-me haver por ali, ainda, um jogo/luta semelhante ao descrito, mas que ali, denominavam de ‘queda’. Coincidentemente, no mesmo dia em que retornei daquela cidade recebi do Javier o material abaixo:

salavideofica.blogspot.com|Por AEC

UMA CONCLUSÃO POSSÍVEL
Rei Zulú, que praticava o que denominou de “tarracá” em sua infância, como atividade corriqueira, jogo/luta de sua infância, e dada suas características físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão.
Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé, ou atarracado, segundo Marco Aurélio – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava – e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense…
Foi encontrado que em diversas regiões do Maranhão, ainda hoje, se pratica uma luta, que recebe diversas denominações – tarracá, atarracado, atarracar, queda – de origem possível portuguesa, tradicional hoje nas brincadeiras de crianças.

O “CHAUSSON/SAVATE” INFLUENCIOU A CAPOEIRA?


RESUMO
Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.
Capoeira. História. Chausson. Savate.
 A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) em Paris e das maltas de fadistas de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.

O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq, Chefe simbólico do fim do século XVIII.
O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas. Em seguida, essas mesmas regras foram estendidas para outras partes do Velho Continente, África, Canadá e Estados Unidos.

O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa tanto no Colégio Pedro II no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq).

Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.
Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savat é introduzido: Para COSTA (2007), no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48); José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) ; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73); Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14). Todos eram capoeiristas.

Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.

O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu – 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.
Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.
Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.
Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e
Para Pol Briand, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o “aú” que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.
A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “aú” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira: “Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro.Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques” (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.
O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.

Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005), ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.

 Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:  “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos

Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003) Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo

 CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).
CARVALHO, José Murilo De. BESTIALIZADOS OU BILONTRAS? (do Livro Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a República que não foi”, Cia das Letras, págs. 140-164, ano 2001). On line, http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/bestializados.html
COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.
CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009.
KUHLMANN, Paulo Roberto Loyolla (Major), Serviço Militar Obrigatório no Brasil: Continuidade ou mudança? Campinas: Núcleo de Estudos Estratégicos – Unicamp / Security and Defense Studies, vol. 1, winter 2001, p.1.
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http://capoeira-utilitaria-capoeiragem.blogspot.com/…
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UM TOQUE PARA MESTRE ÍNDIO DO MARANHÃO – sobre Capoeira e MMA: os golpes

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Mestre Índio do Maranhão – sua bênção – sobre a postagem no Facebook, do uso de golpes de Capoeira nos confrontos do MMA – https://www.facebook.com/%C3%89-a-Capoeira-1397607323821196/?pnref=story – em meu livro CRONICA DA CAPOEIRAGEM – https://issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_issuu/237 -, como já coloquei em sua página alguns aspectos dessas semelhanças e usos, aqui os reforço:

Mestre André Lacé, a esse respeito, lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque. Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas europeias e asiáticas. Para Lacé Lopes (2006), a origem africana, entretanto, é evidente e incontestável. Comprovada não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, há séculos, de práticas similares. O Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião, Madagascar, Moçambique etc. – sem dúvida, é um bom exemplo.

Já em Portugal encontrou-se o chamado fado batido, que surgiu no início do século XIX como dança de umbigadas semelhante ao lundu. Popularizou-se primeiro no Rio de Janeiro e depois na Bahia. Na década de 1830, já existiam em Lisboa inúmeras casas de fado, onde moravam as fadistas, jovens que cantavam, tocavam e “batiam” o fado num ambiente de bordel. Por volta de 1840, o canto ganhou especial importância, o que parece haver coincidido com a substituição da viola pelo violão.

José Ramos Tinhorão (2001), no capítulo “Os negros na origem do fado-canção em Lisboa” revela ter havido rodas de fado que funcionavam como as rodas de pernada dos crioulos do Brasil: era o chamado ‘fado batido’, clara referência à antiga umbigada africana e em que um dançarino ‘batia’ (aplicada a pernada) e o outro ‘aparava’ (procurava neutralizar o golpe para não cair).

Batuque é o baile, conforme descrição de um naturalista alemão, George Wilhelm Freyreiss que faleceu no sul da Bahia, em uma viagem que fez a Minas Gerais em 1814 -1815 em companhia do barão de Eschwege. Assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.”

Abro um parênteses, Mestre: as descrições não lembra a Punga, praticada no Maranhão, e que Mestre Marco Aurélio, Serginho e Patinho tentam resgatar???

Segundo João Mina (citado por D´ÁVILA, 2006), grande batuqueiro e capoeirista baiano que se mudou para o Rio de Janeiro: “o Batuque era praticado por negro macumbeiro, bom de santo, bom de garganta e principalmente bom de perna para tirar o outro da roda”. Todos os dias no Morro da Favela (onde nasceu o samba, no Rio) havia Batuque, pernadas, pessoas caídas no chão até que surgisse a polícia. Na chegada dela, o batuque rapidamente virava meio dança lenta, meio ritual. As mulheres dos batuqueiros, para disfarçar, entravam na roda (tal qual a gira dos candomblés) e, num batuque mais lento, mole, com remelexos, trejeitos sensuais e umbigadas (= semba, em Luanda) no sexo oposto, – sendo estas consideradas o ponto culminante da dança -, demonstravam estar se divertindo. Segundo Elias Alexandre da Silva Correia, “o batuque é uma dança indecente que finaliza com umbigadas”.

Mais um parênteses: não lembra o Tambor de Crioula? antes Tambor de Crioulo = punga… Marco Aurélio fala dessa mudança, quando da lei de 1890, que criminalizou a Capoeira… as mulheres entravam na roda, dando a umbigada, enquanto os homens passavam para os tambores, como se apenas acompanhassem…

Assim nasceu o samba-de-roda na Bahia. Mistura de um batuque com as mulheres das rodas dos candomblés, com outro batuque representado pelos homens das capoeiras.Quando a polícia se retirava, recomeçava o batuque bravo quando caprichavam na capoeiragem, com pernadas violentas, soltando “baús”, “dourado”, “encruzilhada”, “rabo-de-arraia”, que tiravam os conflitantes da roda. Corte difícil de defender para um batuqueiro era o da “tiririca” com o seguinte canto puxado pelo mestre: “tiririca é faca de cortar / quem não pode não intima /deixa quem pode intimá”. Um pé ficava no chão e o outro com violência, no pé do ouvido do adversário. Em conseqüência da tiririca = faca, surgiu no samba-de-roda o raspado de prato e “faca”, do modo dos reco-recos raspados nas batucadas (D´ÁVILA, 2006).

Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola.

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[1] -, que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos): a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar à posição primitiva.

Catunda (1952) ressalta que na capoeira baiana […] Não é como a capoeira carioca, na qual um dos comparsas se mantém imóvel, em atitude de defesa, enquanto só o outro ataca, dançando em volta do inimigo, assestando-lhe golpe sobre golpe. Em comentário de pé-de-página consta o seguinte:

“A descrição da capoeira do Rio relembra a do batuque ou da pernada carioca por Edison Carneiro 1950 , […] Edison Carneiro descreveu a capoeira bahiana em Negros Bantus em 1938”.

Em “Dinâmica do Folklore” (1950) Edson Carneiro[1] afirma que o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

Já Corte Real (2006) referindo-se ao batuque afirma que o mesmo foi uma prática competitiva presente nas festas de largo da Bahia. Como a capoeira, teria sido perseguido pela repressão policial decorrente do código penal de 1890.

Letícia Vidor de Souza Reis, baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana:

FOTO: Bimba y Cisnando – Nascido Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba (1900-1974) era filho de Luís Cândido de Machado, caboclo de Feira de Santana, e Maria Martinha do Bonfim, negra do Recôncavo. Segundo Héllio Campos, Bimba deu os primeiro passos na capoeira aos 14 anos, com o pai, que foi campeão de batuque, e com Mestre Bentinho, africano que era capitão da Companhia de Navegação Baiana.“

 

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem. In DACOSTA, Lamartine (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 10.2-10.4, disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006.

LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

http://www.casadobacalhaupb.com.br/v2/fado.php, referencia de Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

TINHORÃO, José Ramos. HISTÓRIA SOCIAL DA MUSICA POPULAR BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Editpora 34, 2001, disponiverl em http://books.google.es/books?id=8qbjll0LmbwC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false

FREYREISS. Georg Wilhelm. Viagem ao interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

CATUNDA, Eunice, Capoeira no Terreiro de Mestre Waldemar, Fundamentos— Revista de Cultura Moderna, nº30, São Paulo, 1952, pp. 16–18.

http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html.  Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

CORTE REAL, Márcio Penna. AS MUSICALIDADES DAS RODAS DE CAPOEIRA(S): DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, CAMPO E ATUAÇÃO DE EDUCADORES. Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação. Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Matias Fleuri. In [Conexões da Capoeira Regional] batuque‏, mensagem eletrônica enviada por Javier Rubiera ([email protected]  em sábado, 7 de novembro de 2009 16:50:26 Para: [email protected]

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp020539.pdf

http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

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O DONO DA CAPOEIRA

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http://cev.org.br/biblioteca/o-dono-da-capoeira/?utm_source=rss&utm_medium=link&utm_campaign=novidades

Aqui, no Maranhão, se tem dono de tudo, até da Capoeira…

Nesse documentário, tem um trecho de cerca de 1:45 min feito em super8mm pelo Laércio Elias Pereira, lá no Olho d´Água. registro do jogo de Mestre Sapo.

Não se lhe dá os devidos créditos, no documentário, o que nos deixa, nós pesquisadores, frustrados, com a apropriação de trabalhos e registros, como se antes não houvera nada…

Sapo já encontrou muitos capoeiristas ativos, na Ilha… inclusive Roberval Serejo…

Sua vinda, aos 17 anos de idade, discipulo de Canjiquinha, tornado Mestre depois, e com o apoio de Cláudio Vaz, o Alemão, veio somar… Já discuti com Patinho que a Capoeira que Sapo trouxe era uma capoeira de demonstração, utilizando as duas vertentes baianas – Angola e a Desportiva (Regional).

Canjiquinha, para demonstração de sua troupe, apresentava as duas, sem fazer distinção. Aqui, já havia o batuque – capoeira -, a punga – capoeira – e a carioca – capoeira  também… aqui se praticava a capoeiragem – capoeira de rua, comum seu jogo entre os estivadores…

Aqui, recebemos a influencia do Chanson e do Savate, praticado por marinheiros franceses, em especial do porto de Marselha, cujos navios aportavam com frequência no porto de São Luis, desde o período colonial… e lógico, sempre houveram os conflitos entre os marinheiros e o pessoal do porto, com troca de golpes… uns aprendiam com os outros…

Há uma luta portuguesa reconhecida – wresting – tramantona, conhecida como Maluta, e que também aparece nos Açores, veio transportada para o Maranhão, quando das migrações dos Ilhéus – acontece desde 1619… vaqueiros que se estabeleceram na Baixada, em especial, seja oriental ou ocidental, praticavam uma luta, com alguma semelhança com a punga, pois consistia em derrubar o adversário… dai o atarracar, ou atarracado – depois, conhecido no mundo moderno do MMA ou UFC como ‘tarracá, o estilo de luta de Rei Zulu… vemos a influencia indígena, aí, com o aku-aku… no Marajó, conhecido como agarre marajoara – mistura da luta indígena com a maluta dos açorianos… que um mestre paraense – com forte influencia na região fronteiriça, Carutapera, Maracassumé… – “traduziu” como estilo de capoeira difundido com o nome de ‘onça pintada’ – a capoeira baiana, o agarre marajoara e o aku-aku… tudo numa simbiose…

Tal qual Sapo fez, desde os anos 60, século passado, com a ‘sua capoeira’, mistura da Angola com a Regional, de Canjiquinha, Brasília e Vitor Careca… juntou com a Punga, com a Carioca, com a Umbigada, com o Tambor de Crioulo/a, e temos aí a ‘capoeira maranhenses’, singular, única, a capoeira maranhense de Mestre Sapo… a capoeira de rua, portanto, capoeiragem…

Pela conversa que tive com Patinho, sexta-feira passada, ali na Praia Grande, seu novo DVD deve resgatar essa memória… falamos das grifes de capoeira, dos mestres e contra-mestres maranhenses que começam a se espalhar pelo mundo – se espelhando nos mestres baianos, da capoeira de Salvador… sim, de Salvador, pois a do Recôncavo é outra capoeira… as capoeiras que hoje são mais disseminadas pelo mundo, Angola, a Regional (Desportiva), Contemporânea, e agora, a Maranhense… frutos da diáspora dos mestres soteropolitanos dos anos 60…

Quem é o dono da capoeira????

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EVIDÊNCIAS DA CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS

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EVIDÊNCIAS DA CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS

 

No recente lançamento do ‘livreto’ “RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX”, de Roberto Augusto A. Pereira[1], Mestre Patinho[2] falava do Renascimento da Capoeira no Maranhão nos anos 1960/70, através de Roberval Serejo e Sapo… Renascimento, porque desde os idos da década de 1820 temos referências sobre a lúdica e o movimento dos povos radicados no Maranhão, especialmente os negros.

Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

 

Mundinha Araújo[3] fala de manifestação de negros em São Luís, através da prática do Batuque, aparecido lá pelo início dos 1800, referencia que encontrou no Arquivo Público do Estado, órgão que dirigiu. Perguntada sobre o que havia sobre ‘capoeira’ no Arquivo, respondeu que, além do ‘batuque’, encontrara apenas uma referência sobre a Capoeira, no Código de Posturas de Turiaçú do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124, grifos meus) [4].

 

Encontrei, ainda, que em 1829, era publicada queixa ao Chefe de Polícia:

“Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d”elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém?“(ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46, Coleção de Obras Raras, Biblioteca Pública Benedito Leite; grifos meus).

Para Mestre Marco Aurélio (Marco Aurélio Haickel), desde 1820 têm-se registros em São Luis do Maranhão de atividades de negros escravos, como a “punga dos homens”.  Esclarece que, antigamente, a Punga era prática de homens e que após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade passa a ser dançada por mulheres, apenas:.

Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice” (Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005).[5]

 

De acordo com Mestre Bamba, jogo que utiliza movimentos semelhantes aos da capoeira. Encontrou no Povoado de Santa Maria dos Pretos, próximo a Itapecurú-Mirim, uma variação do Tambor-de-Crioula, em que os homens participam da roda de dança – “Punga dos Homens”. Para Mestre Bamba esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba – os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga[6]:

Para Ferreti (2006) [7], a umbigada ou punga é um elemento importante na dança do Tambor de Crioula[8]. No passado foi vista como elemento erótico e sensual, que estimulava a reprodução dos escravos. Hoje a punga é um dos elementos da marcação da dança, quando a mulher que está dançando convida outra para o centro da roda, ela sai e a outra entra. A punga é passada de várias maneiras, no abdome, no tórax, nos quadris, nas coxas e como é mais comum, com a palma da mão. Em alguns lugares do interior do Maranhão, como no Município de Rosário, ou em festas em São Luís, com a presença de grupos de tambor de crioula, costuma ocorrer a “punga dos homens” ou “pernada”, cujo objetivo é derrubar ao solo o companheiro que aceita este desafio. Algumas vezes a punga dos homens atrai mais interesse do que a dança das mulheres.

Fonte: LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO

MUNDO. 2 ed.  Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro: 2005, p. 18

Por ter certa semelhança com uma luta, a “pernada” ou “punga dos homens” tem sido comparada à capoeira. A pernada que se constata no tambor de crioula do interior, lembra a luta africana dos negros bantus chamada batuque, que Carneiro (1937, p. 161-165) descreve em Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e que usava os mesmos instrumentos e lhe parece uma variante das rodas de capoeira.

Letícia Vidor de Souza Reis[9], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[10]:

Em entrevista ao Jornal Diário da Bahia, na sua edição de 13 de março de 1936[11], na matéria: “Titulo Máximo da Capoeiragem Bahiana”, Bimba, dá uma longa entrevista acerca de seus desafios públicos na divulgação da chamada Luta Regional. Da mesma destacamos o seguinte trecho:

“Falando sobre o actual movimento d’aquele ramo de lucta, genuinamente nacional uma vez que difere bastante da Capoeira d’angola, o conhecido Campeão (Bimba) referindo-se a uma nota divulgada por um confrade matutino em que apparecia a figura do Sr. Samuel de Souza. Do Bimba, de referência aos tópicos ouvimos: Ao som do berimbau não podem medir forças dois capoeiras que tentem a posse de uma faixa de campeão, e isto se poderá constatar em Centros mais adiantados, onde a Capoeira assume aspectos de sensação e cartaz. A Polícia regulamentará estas exibições de capoeiras de acordo com a obra de Aníbal Burlamaqui (Zuma) editada em 1928 no Rio de Janeiro…

 

Nesta reportagem existem alguns itens que merecem uma atenção mais detalhada:

(a) A confirmação da influencia de Zuma no trabalho implantado por Mestre Bimba;

(b) O reconhecimento de Bimba ao trabalho de Zuma;

(c) A afirmação de Bimba existia Centros mais adiantados em Capoeira que a Bahia, no caso, a Cidade de Rio de Janeiro;

(d) O interesse de Bimba pela prática desportiva da “Luta Nacional”;

(e) A integração de seu discípulo nesta inovação;

(f) A adoção do regulamento de Zuma pela direção do Parque Odeon, onde se realizavam tais apresentações;

(g) A liberação pela polícia, daquela forma de luta já existente no Rio de Janeiro.

 

A afirmação traz um significado especial por tratar do batuque baiano na formação de Mestre Bimba, da qual seu pai era campeão na modalidade, porque implicava num jogo agressivo de pernas contra as pernas do oponente, já como uma forma característica de luta acompanhada por cânticos e instrumentos. Também há apontamentos de que o batuque se disputava entre “pernadas” durante os carnavais cariocas[12].

Quanto a Anibal Burlamaqui – Zuma[13] – foi um importante inventor desta nova capoeira carioca e afirmou que vários golpes foram extraídos dos “batuques” e “sambas”, como no caso do “baú”. Trata-se de um golpe dado no adversário com a barriga, sendo similar aos movimentos do “samba de umbigada”. O “baú” também era usado durante os “batuques lisos”, segundo Zuma, os mais delicados. O “rapa” havia sido um golpe usado nos “batuques pesados”. Ele também explica os golpes de “engano”, que serviam somente para burlar o adversário.[14].

Tenho colocado que a Capoeiragem, no Maranhão, é tão antiga quanto às do Rio de Janeiro, Bahia, ou Recife… Fato contestado por alguns Capoeiras… Diz o ditado: “mata-se a cobra e mostra-se o pau”; prefiro mostrar a cobra morta…

Venho trazendo ao conhecimento dos estudiosos da área várias evidências de que desde o principio dos 1800 já se falava – e se praticava – a capoeiragem por estas bandas.

De acordo com Mario Meireles (2012) [15] até antes… Referindo-se à chegada do Bispo D. Timóteo do Sacramento (1697-1702) – homem intolerante -, e às suas brigas com a população, excomunhões, e enfrentamentos, inclusive físico – brigas nas ruas de seus correligionários e opositores, alguns de outras ordens religiosas:

“[…] enquanto os escravos de ambos – do Bispo e do Prior – cruzando-se nas ruas tentavam decidir o desentendimento de seus senhores a golpes de capoeira.” (p. 98).

 

Segundo Coelho (1997, p. 5) [16] o termo capoeira é registrado pela primeira vez com a significação de origem lingüística portuguesa (1712), não se visualizando qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5) [17].

Encontrei na correspondência do então Governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará e o Ministro de D. José I. Marcos Carneiro de Mendonça[18] em “A Amazônia na era Pombalina”, traz-nos carta de Mendonça Furtado[19] a seu irmão, o Marques de Pombal, datada de 13 de junho de 1757, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam logo por a terra em perturbação grande:

“[…] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá […] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes malfeitores […] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este Estado que se está criando [Capitania do Rio Negro] […]” (p. 300). (grifos do texto).

Para Vieira (2004) [20]:

“[…] data a Capoeiragem de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.”

 

Em 1861 é publicado em A IMPRENSA[21], de 11 de dezembro de 1861 o seguinte:

“[…] Serafim é um jovem de cara lavada, moreno, barba a lord Raglan, desempenado de capoeira, e andar de cahe a ré, como marinheiro tonto, ou redactor do Porto Livre, nas horas em que o sol procura as ondas do mar […]”

 

Antes, em 1860 esse mesmo jornal[22] publica um artigo, dividido em partes, que apareciam em várias edições, como era costume na época, sob o titulo A FAZENDA, na coluna de variedades:

“Jogos e danças dos negros – No sábado à noite, depois do ultimo trabalho da semana, e nos dias santificados, que trazem folga e repouso, concede-se aos negros uma ou duas horas para a dança. Reunem-se então no terreiro, chamam-se, grupam-se incitam-se, e a festa começa. Aqui, é a capoeira, espécie de dança física, de evoluções atrevidas e guerreiras, cadenciada pelo tambor do Congo; ali o batuque, posições frias ou lascivas, que os sons da viola aceleram ou demoram: mais além tripudia-se uma dança louca, na qual olhos, seios, quadris, tudo fala, tudo provoca; espécie de frenesi convulsivo e inebriante a que chamam lundu.

Alegrias grosseiras, volúpias asquerosas, febres libertinas, tudo isto é nojento, é triste, porém os negros apreciam estas bacanaes, e outros aí encontram proveito. Não constituirá isto um sistema de embrutecimento?”“.

 

Meireles (2012) [23], no capitulo referente ao Serviço de iluminação pública – implantado em 1863 -, fala da falta de iluminação nas ruas, em que era dado toque de recolher às 21 horas, com o repicar dos sinos:

Os que não atendiam ao oportuno aviso dado pelos sinos, corriam o risco, aventurando-se mergulhados nas trevas das ruas estreitas, de ir ao desagradável encontro de animal vagabundo ou de defrontar um capoeira encachaçado, se não de emparelhar com um negro escravo que levasse à cabeça um daqueles fétidos tigres – que iam ser despejados na maré mais próxima.” (p. 222, grifo meu).

 

Em 1843, José Antônio Falcão, tenente-coronel reformado do Exército, organizador da Casa dos Educandos Artífices, diretor no período de 1841 a 1853, informa ao Presidente da Província que havia “outro problema”: a segurança dos alunos e do patrimônio da casa, em razão da existência de vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados, o que resultava em atos de violência cotidianos, pela falta de intervenção policial no local[24]:

 “Capoeiras […] cometessem por aqui crimes de toda a qualidade que por ignorados ficam impunes, tendo já sido espancado gravemente um quitandeiro, e já são muitas as noites em que daqui ouço pedir socorro, sendo uma destas a passada, na qual, às nove horas e quinze minutos, estando todos aqui já em repouso, ouvi uma voz que parecia de mulher ou pessoas moças, bradar que lhe acudissem que a matavam, e isto por vezes, indo aos gritos progressivamente a denotarem que o conflito se alongava pelo que pareceu que a pessoa acometida era levada de rojo por outra de maiores forças, o que apesar da insuficiência dos educandos para me ajudarem, atendendo as suas idades e robustez, e não tendo mais quem me coadjuvasse, não podendo resistir à vontade de socorro a humanidade aflita e não tendo ainda perdido o hábito adquirido na profissão que sigo, chamei dois educandos dos maiores e com eles mal armados, sai a percorrer as mediações desta casa, sem que me fosse possível descobrir coisa alguma, por que antes que pudesse conseguir por os ditos educandos em estado de me acompanharem, passou-se algum tempo e durante ele julgo que a vítima foi levada pelo seu perseguidor para longe daqui. Estes atentados são praticados pelos negros dos sítios que há na estrada que em conseqüência da má administração em que os tem, andam toda a noite pela mesma estrada, praticando tudo quanto a sua natural brutalidade lhe faz lembrar, e se V. Exa. se não dignar de tomar alguma providência a este respeito parece-me que não só a estrada se tornará intransitável de noite, como até pelo estado em que existem só os negros dos sítios e os vindos da Cidade se reúnem, entregues à sua descrição, podem trazer conseqüências mais desagradáveis […] o que falo é para prevenir que este estabelecimento venha a ser insultado como me parecesse muito provável em as cousas como se acham. (FALCÃO, 1843). (citado por CASTRO, 2007, p. 191-192, grifos meus).

O que nos leva à seguinte pergunta: Seriam esses Capoeiras remanescentes da Balaiada?  [25]

O evento que deu início à Balaiada[26] foi a detenção do irmão do vaqueiro Raimundo Gomes, da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi), por determinação do sub-prefeito da Vila da Manga (atual Nina Rodrigues), José Egito (cabano). Contestando a detenção do irmão, Raimundo Gomes, com o apoio de um contingente da Guarda Nacional, invadiu o edifício da cadeia pública da povoação e libertou-o, em dezembro de 1838. Raimundo Gomes teve o apoio de Cosme Bento, ex-escravo à frente de três mil africanos evadidos, e de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira – o Balaio, dando início a maior revolta popular do Maranhão. Para combatê-los foi nomeado Presidente e Comandante das Armas da Província, o coronel Luís Alves de Lima e Silva, que venceu os revoltosos na Vila de Caxias.[27]

 

A área assinalada em vermelho é a área onde ocorreu a Balaiada[28]

A Casa dos Educandos Artífices estava alojada em um edifício construído ainda no Século XVIII, situado num ambiente de “ares agradáveis, liberdade própria do campo, vista aprazível e fora do reboliço da cidade”, entre o Campo do Ourique e o Alto da Carneira – hoje, Bairro do Diamante, ocupado pelo Ministério da Agricultura.

O Autor do relatório, José Antônio Falcão, era tenente-coronel reformado do Exército, e havia assentado praça em São Luís, juntamente com seu irmão Feliciano Antônio Falcão, em 1831, como cadete no Regimento de Linha. Antônio Falcão foi o organizador da Casa dos Educandos Artífices, e seu diretor no período de 1841 a 1853.

Já Feliciano Antônio Falcão, seu irmão, comandou a força expedicionária para combater os Balaios em Icatu e comandou a terceira tropa por ordem de Luis Alves de Lima e Silva, depois Duque de Caxias, entre as localidades de Icatu e Miritiba (hoje, Humberto de Campos), até o fim da Balaiada. (CASTRO, 2007, p. 184).

Cumpre lembrar que estes alertas foram feitos no ano de 1843, apenas um ano após o término da Balaiada – iniciada em 1838, originada com as lutas dos quilombolas na área de Codó (Distrito do Urubu) como antecedentes à eclosão da Revolta, até a condenação do Negro Cosme, em 1842[29], estando envolvidos vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados.

 

 

 

Mestre Baé e Mestre Índio

[1] PEREIRA, Roberto Augusto A. RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX. São Luis: EDUFMA, 2009

[2]  Antonio José da Conceição Ramos, ‘Antonio” de Santo Antonio; ‘José’, de São José; ‘Conceição’, de N. S. da Conceição, e ‘Ramos’, de Domingo de Ramos – herdeiro de Mestre Sapo – Anselmo Barnabé Rodrigues.

[3] Mundinha Araújo é fundadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão (1979) e, desde então, vem desenvolvendo pesquisas sobre a resistência do negro escravo no Maranhão (fugas, quilombos, revoltas e insurreições); Coordenou o Mapeamento dos povoados de Alcântara” (1985-1987) e foi diretora do Arquivo Público do Estado do Maranhão (APEM), de 1991 a 2002. In Nota de orelha de livro, ARAUJO, Mundinha. Negro Cosme – Tutor e Imperador da Liberdade. Imperatriz: Ética, 2008

[4] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A CARIOCA. In REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, São Luís, n. 31, p. 54-75, disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/ihgm_31_novembro_2009

[5] [Jornal do Capoeira] http://www.jornalexpress.com.br/

[6] http://www.jornalexpress.com.br/

[7] FERRETI, Sérgio. Mário De Andrade E O Tambor De Crioula Do Maranhão. (Trabalho apresentado na MR 07 – A Missão de Folclore de Mário de Andrade, na VI Reunião Regional de Antropólogos do Norte e Nordeste, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, UFPA/MEG, Belém 07-10/11/1999. In REVISTA PÓS CIÊNCIAS SOCIAIS – São Luís, V. 3, N. 5, Jan./Jul. 2006, disponível em http://www.pgcs.ufma.br/Revista%20UFMA/n5/n5_Sergio_Ferreti.pdf

[8] O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana praticada por descendentes de negros no Maranhão em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas juninas. Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula“.

[9] REIS, 1997, obra citada.

[10] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[11] (Fonte: Rego, op. cit., 1968. pág. 282 e 283; Diário da Bahia. Salvador 13 de março de 1936; Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural – Prof. Dr. Sergio Luiz de Souza Vieira – PUC/SP 2004)

[12] FREGOLÃO, 2008, obra citada. Disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[13] http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf – A Capoeira Desportiva é o mais antigo segmento organizado da Capoeira. Surgiu no Rio de Janeiro após a Proclamação da República, no Brasil, em 1889. É resultante do reaproveitamento da corporalidade da antiga capoeiragem, em seus gestos e movimentos, para a construção de um método ginástico caracterizado por uma forma de luta sistematizada. Em 1904 surgiu um livreto anônimo, sob o nome: Guia do Capoeira ou Gymnastica Brazileira, com algumas propostas deste reaproveitamento, no qual se encontram as letras ODC, que significam “ofereço, dedico e consagro”, no caso “à distinta mocidade”. Foi somente em 1928 que a Capoeira Desportiva foi metodizada e estruturada por seu precursor, Annibal Burlamaqui, conhecido pelo nome de Zuma, o qual elaborou a primeira Codificação Desportiva da Capoeira, sob o título de: Gymnastica Nacional (Capoeiragem) Methodizada e Regrada. Sua obra.

[14] http://4.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SWfpDlAQZ6I/AAAAAAAAC68/mfXW2md8_IM/s1600-h/punga.gif, in Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[15] MEIRELRES, Mário. ‘A cidade cresce e é posta sob interdito pelo Bispo (1697-1702)”. In Historia de São Luis (org. de Carlos Gaspar e Caroline Castro). São Luis:  Licar, 2012, edição da Faculdade Santa Fé, póstuma, p. 93-99

[16] ARAÚJO, 1997, obra citada.

[17] ARAÚJO, 1997, obra citada,

[18] MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazonia na era pombalina. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005, volume 49-C.

[19] Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700 — 1769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

[20] VIEIRA, 2004, obra citada.

[21] OS ILUMORISTAS. PÁGINAS SOLTAS: o Sr. Primo, o Serafim e o Cavallo preto de Sua Excia. A IMPRENSA, 11 de dezembro de 1861, p. 4

[22] CH RIBEYROLLES. VARIEDADES. A Fazenda (continuação do numero anterior), São Luis, 29 de setembro de 1860, p. 2

[23] MEIRELES, 2012, obra citada,

[24] CASTRO, César Augusto. INFÂNCIA E TRABALHO NO MARANHÃO PROVINCIAL: uma história da Casa dos Educandos Artífices (1841-1889). São Luís: EdFUNC, 2007. (Prêmio Antonio Lopes (Erudição) do XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luis, 2006.

[25] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS DO MARANHÃO – NOVOS ACHADOS

[26] A Balaiada foi uma revolta de caráter popular, ocorrida entre 1838 e 1841 no interior da Província do Maranhão, e que após a tentativa de invasão de São Luís, dispersou-se e estendeu-se para a vizinha província do Piaui. Foi feita por pobres da região, escravos, fugitivos e prisioneiros. (ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001)

[27] http://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada

[28] http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/imagens/balaiada-15.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/balaiada-5.php&usg=__DOn8MqTHQ-t7idEdqX-bDHwZffA=&h=389&w=373&sz=21&hl=pt-BR&start=19&tbnid=UUiadDnIdBaH4M:&tbnh=123&tbnw=118&prev=/images%3Fq%3Dbalaiada%2B%252B%2Bmaranhao%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

[29] ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001

ARAUJO, Mundinha. EM BUSCA DE DOM COSME BENTO DAS CHAGAS – NEGRO COSME – Tuto e Imperador da Liberdade. Imperatr0z: Ética, 2008

ASSUNÇÃO, Mathias Röhrig. A GUERRA DOS BEM-TE-VIS – a balaiada na memória oral. São Luís: SIOGE, 1988

CRUZ, Mago José; CRUZ, Carlos César França. A GUERRA DA BALAIADA (a epopéia dos guerreiros balaios na versão dos oprimidos). 2 ed. São Luis: CCN-MA, 1998

SANTOS NETO, Manoel. O NEGRO NO MARANHÃO – a escravidão, a liberdade, e a construção da cidadania. São Luis, 2004

SERRA, Astolfo. A BALAIADA. 2ª Ed. Rio de janeiro: DEBESCHI, 1946

SERRA, Astolfo. CAXIAS E O SEU GOVERNO CIVIL NA PROVINCIA DO MARANHÃO. 2 ed. Rio de Janeiro, 1944

COELHO NETO, Eloy. CAXIAS E O MARANHÃO SESQUICENTENÁRIO. São Luis: 1990

OTÁVIO, Rodrigo. A BALAIADA – 1939. São Luis; EDUFMA, 1995

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E A “CARIOCA”?

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E A “CARIOCA”?[1]

 

Continuemos com a “carioca”. Buscando as origens da Capoeira no Maranhão[2], encontrei referencia à prática da “carioca”. Fora proibida, em Código de Posturas de Turiaçú[3], do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124).

 

Em conversa com Mestre Mizinho, ele informa que em uma de suas apresentações em Cururupu[4] um senhor – já idoso e negro – disse que praticava aquela brincadeira, mas a conhecia como “carioca”, não como “capoeira”.

Em aula da disciplina “História do Esporte no Maranhão” referi-me à capoeira e à carioca. Um dos alunos disse-me que o avô, ex-estivador no Portinho, dizia-lhe que já praticara muito aquelas ‘brincadeira’, mas era chamada pelos estivadores de “carioca”.

A prática de Capoeira por estivadores é confirmada por Mestre Diniz, nascido em 1929, quando lembra que “na rampa Campos Melo, quando eu era garoto, meu pai ia comprar na cidade e eu ficava no barco. Eu via de lá os estivadores jogando capoeira”.

Também em Codó, entre os antigos, a capoeira é denominada de “carioca”.

Soares (2005) [5], em “Capoeira no Pará: resistência escrava e cultura popular, 1849-1890”, ao referir-se a acontecimentos na Corte, comparam-o às situações vividas em Belém, no ano de 1849. Refere-se, mais adiante, a recente trabalho de Vicente Salles (A defesa pessoal do negro: a capoeira no Pará, 1994) [6] que revela a antiguidade da capoeira paraense, seu enraizamento, sua proximidade com a capoeira praticada no Rio de Janeiro e Bahia, e sua peculiaridade regional.

Soares (2005) [7], se referindo a acontecidos nos anos de 1890, discorre:

“Sintomático também em Belém, muito precocemente, também fosse palco da Carioca, como nos mostra ofício […] descreve uma patrulha na região de Ver-O-Peso: ‘estive em patrulha […] quando vimos alguns indivíduos pulando jogando carioca.” [8]

 

Para Albuquerque[9], o êxito da economia paraense atraiu para a região amazônica, entre 1890 e 1910, trabalhadores nordestinos e imigrantes europeus, principalmente portugueses. A interação entre esses trabalhadores levou à incorporação pela capoeira paraense de armas próprias às lutas portuguesas, assim como golpes e hábitos dos capoeiristas baianos, cearenses e pernambucanos. No Rio de Janeiro, essa convivência entre negros, imigrantes pobres e migrantes de diversas regiões do país nas ocupações braçais, principalmente na estiva, ampliou, ainda mais, os tipos sociais que praticavam capoeira. Entre os praticantes estavam portugueses, espanhóis e italianos que trabalhavam no porto, operários nordestinos, soldados, brasileiros brancos e pobres. Não eram apenas os negros que podiam ser facilmente identificados como capoeiras pelo andar gingado, as calças de boca larga e a argolinha de ouro na orelha, sinais de valentia.

Soares (2005) considera que a repressão desencadeada em 1890, a criminalização no novo código penal da República, teria obrigando os praticantes a encontrar novas formas de dissimulação, para ocultar-se da atenção das autoridades. Nos últimos anos do século XIX, no Rio de Janeiro teria aparecido a chamada Pernada Carioca, que consistia de golpes da capoeira tradicional, como a rasteira, camuflados em nova roupagem.

Miltinho Astronauta, ao referir-se à Pernada de Sorocaba[10], na Capital Paulista, e à outra “espécie de capoeira”, a Tiririca, comenta que, aparentemente, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.  Refere-se ainda ao Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) que relata que foi encontrada capoeira no interior paulista entre o final do século XIX e início do século XX. Trata-se de levas de capoeiras soltas nas pontas dos trilhos da Sorocabana, que tinha como destino final a cidade de Botucatu. Na verdade eram capoeiras desterrados do Rio em conseqüência do Código Penal de 1890 [11].

Na Bahia, o batuque era o escalão inicial para a capoeira; no Rio de Janeiro, era e é a pernada, banda ou batuque a forma de ataque e defesa preferida pelo carioca; no Maranhão, a punga, associada ao tambor de crioula, parece preencher a mesma função. Já no Recife, a capoeira, desaparecida em conseqüência de vigorosa reação policial, se transfigurou no passo.[12].

Soares (2005) [13] considera que a identificação da ‘capoeira’ como ‘carioca’, simplificação de ‘pernada carioca’ acontece pela dissimulação dos praticantes para fugir aos rigores da repressão do chefe de polícia Sampaio Ferraz, quando da criminalização da prática da capoeira, pelo Código de 1890.

Gil Velho coloca que a capoeira do século XIX morre com o advento da República. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano – e positivista – e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada:

Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social.  (CAVALCANTI, 2008) [14].

Mas seis anos antes (1884) aparece sua proibição no Código de Posturas de Turiaçú – Lei 1342, de 17 de maio de 1884 -, e já identificada como “o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca

 

 

 

 

 

[1] VAZ, 2009, obra citada.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Chronica da capoeira(gem); A Carioca. In XIII CONGRESS OF THE INTERNATIONAL SOCIETY FOR THE HISTORY OF PHYSICAL EDUCATION AND SPORT; XII BRAZILIAN CONGRESS FOR THE HISTORY OD PHYSICAL EDUCATION AND SPORT – ISHPES CONGRESS 2012 , Rio de Janeriro, 9 a 12 de julho de 2012… Coletâneas…

[2] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Capoeira/Capoeiragem no Maranhão. In DACOSTA, Lamartine Pereira da (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em

http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/181.pdf; http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=905

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://cev.org.br/comunidade/maranhao/debate/a-carioca-inicio-estudo

http://colunas.imirante.com/leopoldovaz/category/capoeira/

[3] Turiaçu, antiga vila, foi elevado à condição de cidade e município pela lei provincial nº 897 de 11 de julho de 1870. http://pt.wikipedia.org/wiki/Turia%C3%A7u

[4] Cururupu é um município do estado do Maranhão, fundado em 3 de outubro de 1841. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cururupu

[5] SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Capeira no Pará: Resistência escrava e cultura popular (1849-1890). In COELHO, Mauro Cezar; GOMES, Flávio dos Santos; QUEIROZ, Jonas Marçal; MARIN, Rosa E. Acevedo; PRADO, Geraldo (Org). MEANDROS DA HISTÓRIA: trabalho e poder no Pará e Maranhão, séculos XVIII e XIX. Belém: UNAMAZ, 2005, p. 144-160.

[6] SALLES, Vicente. A DEFESA PESSOAL DO NEGRO: A CAPOEIRA NO PARÁ. Micro-edição do autor, 1964, citado por SOARES, 2005, op. Cit.

[7] SOARES, 2005, obra citada. p. 144-160.

[8] (AE. Secretaria de Segurança Pública. Autos-Crimes, 22/09/1892).

[9] ALBUQUERQUE, Wlamyra Ribeiro de. UMA HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL, nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/19/2009, disponível em http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%20no%20brasil_cap09.pdf

[10] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Pernada de Sorocaba. In JORNAL DO CAPOEIRA, 29 de outubro de 2004, disponível em http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=3

[11] MILTINHO ASTRONAUTA, CAPOEIREIRO Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa in http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=713

[12] CARNEIRO, Edison in Folguedos Tradicionais disponível em  http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_carneiro_capoeira.html

[13] SOARES, 2005, obra citada,  p. 144-160.

[14] CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

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