MESTRE ÍNDIO – chamado para a Roda – REI ZULU E O TARRACÁ… e a RINGA-MORINGA MALGACHE, O CHANSON/SAVATE…

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TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO… 

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984  www.bullshido.net

RESUMO
Busca-se a origem do estilo de luta “Tarracá”, supostamente criado pelo lutador de Vale-Tudo (MMA) maranhense Rei Zulu – Casimiro de Nascimento Martins. Rei Zulú, por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, ou atarracado – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por ele, Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava – e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense.
Palavras-chave: MMA; ESTILO DE LUTA; TARRACÁ; MARANHÃO; REI ZULU

Fighting BS since 2002 in the Martial Arts, MMA, Health and Fitness Industries
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O que é o TARRACÁ? Não sei! Nunca ouvira falar, até agora! Mas remeti a questão a alguns Mestres Capoeiras – Mestre Marco Aurélio Haickel, Baé, Mizinho – que certamente darão alguma notícia. Marco Aurélio certamente vai investigar, também, junto ao Mestre Patinho, Mestre Nelsinho, Mestre Índio do Maranhão – apenas citando alguns – que poderão dar notícias do Tarracá.


O que se sabe? Apenas aquilo que o Prof. Mayrhon coloca, em sua mensagem:
1. uma luta indígena praticada em comunidades ribeirinhas.
2. uma manifestação lúdica, uma brincadeira comum entre pescadores da região (Baixada)
3. luta praticada na Baixada que foi “popularizada” pelo Rei Zulú.
Temos um ponto de partida!
 WingChun Lawyer se posiciona, em sítio dedicado ao MMA:

I am afraid I have no more hard data on Zulu. He fought basically relying on his impressive strength, and I was told he managed to throw Rickson out of the ring a couple of times before being submitted.[…] Mainly what I find online are posts on messageboards with no more useful or reliable information, either in english or in portuguese. I thought this was an interesting subject because, well, it DOES seem like Tarracá was created from scratch – Rei Zulu´s boxing skills are really weird, his moves are strange, and it does look rough – although some of his throws would make many a judoka envious. […] I only know he claims to have created Tarracá from scratch because I found a very short interview on a blogspot, apparently he still fights and runs a gym where he teaches Tarracá.

Rei Zulu ficou famoso por desafiar lutadores do Brasil e de outras partes do mundo. Após 17 anos de competição estava invicto após 150 lutas (década de 1980). Rei Zulu lançou um desafio à família Gracie para ver quem era o melhor lutador de Vale Tudo de toda a nação. Em entrevista – antes da primeira luta contra Rickson Gracie (1980) -, disse que “seria mais um freguês de pancada e que não se preocupava com a alimentação antes da luta, pois “comia até ferro derretido”.

Rei Zulu é considerado por Rickson Gracie o mais difícil oponente com quem já lutou:
[…] nos anos 80, Rickson travou cerca de 231 combates (nacionais e internacionais), e afirma ter sagrado-se vencedor em todos por finalização. No Brasil, a rivalidade entre o Jiu-Jitsu e a Luta Livre era tamanha, que houve a necessidade de se provar ao público, qual arte marcial e lutador era superior, assim, foi organizada uma luta entre Rickson e o temido Rei Zulu, com isso, após Rickson Gracie vencer por duas vezes o grande Rei Zulu (que estava no auge e há 150 lutas invicto), nunca mais teve desafiantes a altura enquanto lutou.( http://pt.wikipedia.org/wiki/Rickson_Gracie)

Rei Zulú é a maior referencia do “Vale Tudo” no/do Maranhão. Nascido Casimiro de Nascimento Martins, em 09 de junho de 1947 é um lutador de Vale-Tudo: “criado em Pontal, no interior do Maranhão. Lá, aprendeu a Tarracá, luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região. Como seus 17 irmãos, nunca freqüentaram a escola. Cresceu forte e brincalhão. Aos 14 anos, mudou-se com a família para a Vila Ilusão (sic), na Ilha de São Luís.” (LAROCHE, 2010) (grifos nossos).


O Rei Zulu tornou-se famoso também pelas caretas que faz enquanto luta. Ele diz que as caretas são para mostrar que está feliz por estar ali. Nunca freqüentou academias de musculação, mas desenvolveu um estilo de luta próprio, e realiza seu treinamento físico diariamente com pedras pesadas, pneus, marreta e diz não gostar de freqüentar academia, por isso treina no quintal de casa: empurrar paredes, lançar pedras com mais de 5 Kg a grandes distâncias, correr entre arbustos, levantar carroças com pedras e andar com uma corda no pescoço puxando dois pneus eram instrumentos utilizados em seu arcaico treinamento. Possuía uma força naturalmente descomunal.

Marc Magapi , em outra reportagem, descreve o ritual do Rei Zulú em suas lutas, como também informa ser seu pai o criador do estilo que “desenvolveu”: Rei Zulú (Eu como até ferro derretido) – Nascido em São Luiz, Maranhão, este folclórico lutador, é protagonista de inúmeras histórias por conta das décadas em que praticou o vale tudo (um cartel com mais de 250 lutas). Zulú entrava no ginásio, seguindo um ritual, que tinha início com uma volta olímpica, na qual saudava o público presente, sempre com o braço esquerdo estendido. Ao subir no ringue, o maranhense jogava-se no chão, rolava para o lado, dava cambalhotas, movimentava os ombros para frente e para trás e fazia inúmeras caretas. Zulú tinha a característica de zombar de seus adversários, acreditando sempre em sua força descomunal para vencê-los no momento que bem quisesse. Um autodidata do mundo das lutas, que sempre se disse representante do “Tarracá”; estilo criado por seu pai, que consistia basicamente em se “atracar” com o adversário, nunca teve aulas de jiu-jitsu, capoeira ou luta livre em uma academia.

 

Esse mesmo autor informa ter havido em São Luís do Maranhão uma “arena de lutas”, denominada de “Terreiro Tarracá”, no Bairro do João Paulo, onde era disputado um campeonato semanal de Vale Tudo, conforme se vê em “O encontro de Magapi com Rei Zulú” :  1997 São Luis – MA – tem uma faixa lá no João Paulo (bairro) chamando as pessoas para assistir o (pásmem!!!) semanal campeonato de vale tudo do Tarracá e dizendo que o Rei Zulú vai lutar movimentadas com uma média de 3 minutos para cada uma […] nesse local tinha luta todo final de semana mesmo […] Era um sábado, o local era escuro, a entrada era R$5,00 e no programa estavam confirmadas 6 lutas. O nome do local é Arena do Tarracá ou Baixada do Tarracá.

UMA TEORIA POSSÍVEL, UMA CLASSIFICAÇÃO, UMA IDENTIDADE…


Tubino (2010, p. 20) ao tratar da ‘origem do esporte’, refere-se aos estudos de Diem (1966) para quem a história do esporte é íntima da cultura humana. Ela vem da natureza e da cultura humana (EPPENSTEINER, 1973) : “[…] a natureza e a cultura coexistem ao criar um ‘instinto esportivo’, que para ela é a resultante da combinação do lúdico, do movimento e da luta.”

Tubino (2010) refere-se que as antigas civilizações já tinham atividades físicas/pré-esportivas em suas culturas, a maioria com características utilitárias, que desapareceram com o tempo; outras se transformaram em esportes autótonos, esportes considerados “puros”, que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem sofrer influência de outras culturas. Quando essas práticas permanecem, mas sofrem modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados de Esportes ou Jogos Tradicionais.

Dentre as correntes esportivas contemporâneas (TUBINO, 2010, p. 54), encontramos, dentre outros, os Esportes Tradicionais, esportes consolidados pela prática durante muito tempo -; os Esportes das Artes Marciais – provenientes da Ásia, inicialmente praticadas militarmente pelos guerreiros feudais, e hoje práticas esportivas: jiu-jitsu, judô. Karatê, taekwondo; os Esportes de Identidade Cultural, que são aqueles com vinculação cultural: no Brasil, a Capoeira principalmente; são identificadas outras modalidades esportivas de criação nacional, de prática localizada nos seus ”lócus”, inclusive as indígenas: Uka-uka, Corrida de Toras, etc., sem preocupações de práticas por manifestação. (p. 56-57):

As it happens with natural opponents, luta livre absorbed elements from jiu-jitsu as well, just as jiu-jitsu absorbed elements from luta livre in the process of becoming “BJJ”. Many jiu-jitsu experts fought professionally in the pro-wrestling context. Among some of the fighting cultures present in the Brazilian context having some impact upon Brazilian luta livre, we may consider huka-huka wrestling (from the Amazonian indigenous people), marajoara wrestling (practiced on the sands of the Marajó Island), tarracá (practiced at Maranhão) and capoeiragem (especially from the tradition practiced in Rio de Janeiro). As some early experts came from the “Graeco-Roman” wrestling context, luta livre also received some of its influence. (Notes on the History of Brazilian Luta Livre) (grifos nossos).

Recorramos à Wikipédia : “Wrestling” (lit. luta) é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em “clinch”, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do “grappling”. Uma luta de “wrestling” é uma competição física entre dois (às vezes mais) competidores ou parceiros de “sparring”, que tentam ganhar e manter uma posição superior. Há uma grande variedade de estilos, com diferentes regras tanto nos estilos tradicionais históricos, quanto nos estilos modernos:

Técnicas de wrestling foram incorporadas por outras artes marciais, bem como por sistemas militares de combate corpo-a-corpo. Como esporte, com exceção do atletismo, o wrestling é o esporte mais antigo de que se tem conhecimento, e que se pratica ininterruptamente ao longo dos séculos de maneira competitiva.

“Grappling” é o nome que se dá a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva, a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como o “wrestling”.

Federação Universal de Wrestling (Universal Wrestling Federation) – O movimento da UWF foi liderado pelos lutadores de ‘catch wrestling’ e originou o “boom” da MMA (artes marciais mistas) no Japão. O “catch wrestling” forma a base dos estilos de “wrestling” japonês como o “shoot wrestling” (que incorpora movimentos realistas, como pegadas de submissão, chutes de “kickboxing”, entre outros).

O catch wrestling é um estilo tradicional de wrestling que tem várias origens, os mais famosos são os estilos tradicionais da Europa como “collar-and-elbow“, wrestling de Lancashire ou “catch-as-catch-can”, submission wrestling, entre outros, além dos estilos asiáticos pehlwani e jujutsu.

“Wrestling” tradicional (em inglês: folk wrestling; lit. luta tradicional) é denominação geral de várias disciplinas de “wrestling” ligadas a um povo ou a uma cultura, que podem ou não ser codificados como um esporte moderno. A maioria das culturas humanas desenvolveu seu próprio tipo de estilo de “grappling”, único se comparado a outros estilos praticados. Enquanto diversos estilos na cultura ocidental podem ter suas raízes na Grécia Antiga, outros estilos, particularmente os da Ásia, foram desenvolvidos de forma independente.

Uka-uka é um estilo de “wrestling” tradicional brasileiro dos povos indígenas do Xingu e dos índios Bakairi, de Mato Grosso. O uka-uka faz parte do Jogos dos Povos Indígenas como parte da modalidade luta corporal que é praticada como modalidade de demonstração.


SENHORAS E SENHORES PERMITAM-ME APRESENTAR-LHE… TARRACÁ.

[…] ladies and gentlemen, let me introduce you to…Tarracá. It was used by a Vale Tudo fighter who called himself “Rei Zulu” in the early 80´s here in Brazil; he kicked (better yet, throwed around) quite a few asses before getting tapped out by Rickson in 1984

(Senhoras e senhores, permitam-me apresentar-lhe… Tarracá. Ela foi usada por um lutador Vale Tudo que se autodenominava “Rei Zulu” no início dos anos 80 aqui no Brasil, ele chutou (melhor ainda, jogou cerca de) um grande bundas poucos antes de começar batido para fora por Rickson em 1984.)
in http://www.bullshido.net/…/archive/index.php/t-51830.html

Mestre Baé – da Federação de Capoeira – responde e informa sobre o “ATARRACAR” em correspondência eletrônica,


Recebi seu Email, Com relação ao tema ATARRACAR; posso lhe adiantar o seguinte: desde criança tenho ouvido falar,assim como quase todos que também como eu sou da Baixada maranhense, grande parte da minha família é de Viana, Penalva, e Municípios vizinhos. Minha família sempre foi voltada para criação de gado e pescaria no interior, quando éramos crianças sempre a gente se atarracava um com o outro na beira do curral ou do rio e até no campo para ver quem era melhor de queda e isso porque a gente via os mais velhos fazerem também ,meus avós e tiso/avós falavam que isso sempre existiu o nome ATARRACAR e conhecido em vários interiores do Maranhão mas nunca ouvir dizer que era uma LUTA ou eu tenho lido algo afirmando ser luta, sempre foi o nome dado a forma de nos pegarmos para dar uma queda no outro em um corpo a corpo mais nunca foi denominado como luta até porque era baseada mais na força física e jeito de cada um pegar e arremessar o outro no chão através de uma queda.Luta pelo que eu tenho conhecimento possui técnica, bases, nomenclatura de movimentos, regras e etc..

Então, é uma tradição na Baixada, uma forma de movimento agonístico, em forma de luta, conforme Baé guarda em suas memórias. Este Mestre Capoeira não considera aquela brincadeira como luta, dado seu conhecimento da Capoeira, e sua sistematização.


Em outra correspondência, recebida de Mestre Marco Aurélio, em que indaguei sobre a busca da origem do “TARRACÁ”, estilo de luta livre (hoje seria MMA) adotado pelo lutador maranhense Zuluzinho, que aprendera com seu pai, o Rei Zulú; Zulu, criado em Pontal, no interior do Maranhão, onde aprendera uma luta cabocla praticada e ensinada por índios e negros da região: o Tarracá : 

Quanto ao Atarracado, desconheço sua presença no centro-sul do Maranhão, apesar de poder haver, mas é uma prática muito comum no centro-norte, pelo menos na região do Pindaré e na Baixada, nesta última, pelo que já ouvi de alguns capoeiras originários daquela região das águas falarem-me a respeito. No que diz respeito à sua presença na região do Pindaré é fato, pois eu mesmo a praticava bastante, tendo sido ao longo do tempo, na qualidade de menino, e aí vai até meus doze (12) anos, a base de tudo o que sabia nas minhas ”brigas de rua”.  Apesar de ter nascido em São Luís, me criei, desde bebê, até os sete (07) anos de idade, na cidade de Pindaré-Mirim, outrora, Engenho Central, e em sua origem, Vila São Pedro. Como toda criança ribeirinha, as brincadeiras eram em torno do rio, dos lagos e igarapés, ou então nas várzeas, e aí, não faltavam os embates.  Lembro-me que a minha afinidade com a prática era bastante estreita, talvez, por desde pequenino ter sido corpulento, de maneira que não era muito afeito à briga “corpo fora”, como se dizia, mas, mais no “atarracado“, ou “corpo dentro”, o que se dava a partir de uma cabeçada. A ponto de quando ousava me aventurar pelo “corpo fora”, na maioria das vezes saía perdendo…  Foi na Capoeira, que fui aprender o embate, digamos, “corpo fora”, a partir da ginga, de peneirar… – por favor, deixo claro que “corpo fora” e “corpo dentro”, não é nem um tipo de modaliade de luta, mas somente para fins, talvez, de didática, consoante dizíamos no interior.

Anyone here ever heard of someone who created a martial art from scratch? I am not talking about mixing, altering, re-creating, changing the name or re-interpreting something. I am talking about doing it all from the start, developing your own training routines, moves, techniques, and everything els…
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Quanto à origem do Atarracado – Tarracá -, Mestre Marco Aurélio diz:[…] não sei afirmar, se indígena ou africano, quiçá, até mesmo européia, nesta senda, somente pesquisando-se para buscar referências.  Posso afirmar, no entanto, o que não quer dizer que a priori seja africana, é que tive oportunidade de ver, em um evento internacional de lutas de origem africana, em Salvador/BA, em 2005, quando levamos daqui, a “Punga dos Homens” , uma prática que existe rasteiras e desequilibrantes, no tambor de crioula, um pessoal de Angola/África, apresentar a Bassúla, uma luta, a despeito de alguns golpes diferentes, muito semelhante ao Atarracado, pois imediatamente, quando vi os angolanos praticando-a, eu achei bastante parecida com o Atarracado, impressão esta, também denunciada pelo Mestre Alberto Eusamor, que lá estava comigo, assim como tantos outros, representando o Maranhão.
No que diz respeito a uma influência indígena direta, e que é uma brincadeira da região do Pindaré e, acho, da região Norte como um todo, é o “Cangapé”, uma espécie de rabo de arraia e outros molejos que se pratica lançando-se para cima do contrário, na água.

Em outra mensagem eletrônica, Mestre Marco Aurélio acrescenta:  Falei de como o atarracado tem semelhança com a Bassúla, luta de um país africano (Angola) e, no entanto, não me lembrei, na oportunidade, de falar de uma luta de origem indígena, o que se faz necessário, para ponderarmos, trata-se do Uka-Uka, um embate indígena, que consiste em fazer com que o contrário ponha um dos ombros no chão, hoje, ocorrente durante o “Quarup” um grande evento-cerimonial existente entre os povos do Alto-Xingú.  Mas poderiam perguntar o que uma prática existente entre povos indígenas do Alto-Xingú tem a ver com uma prática ocorrente no Maranhão? Segundo Roberto da Mata, desculpem-me não dispor da referência bibliográfica, os povos Krahô e Xavante saíram em uma corrente migratória, a partir do Maranhão, para onde se encontram hoje, respectivamente, Tocantins e Alto-Xingú.  Daí há de notar-se que o Maranhão em razão de ser banhado por inúmeras e grandes bacias hidrográficas era e é um celeiro de alimentos, o que deve ter sido berço de inúmeros povos indígenas, entre atuais, extintos e migrantes. Talvez, esse berçário, para os que possuem uma visão míope, e consideram que o maranhense tenha uma cultura ”preguiçosa” é por desconhecerem exatamente esse manancial de alimentos que é e, que outrora, tenha sido ainda mais.

Em resposta ao Mestre Marco Aurélio, coloquei que o Xavante é originário do Maranhão, forçado a migrar, indo para os lados do Tocantins, subiu o Araguaia, se estabelecendo na Ilha do Bananal, forçado pelas ‘guerras justas’ do período colonial. As frentes de penetração, mais modernas, têm forçado essas migrações. É um fato histórico.


Sobre o Uka-uka, andando por esses interiores, fui encontrar em Carutapera o estilo ‘onça pintada’, introduzido na região por um mestre paraense – Mestre Zeca – baseado em luta de antiga tradição marajoara – o agarre marajoara; lembrando que muitas das nações indígenas que se estabeleceram na Ilha do Marajó foram ‘desterradas’ do Maranhão durante o período colonial; inclusive, há certa semelhança entre as cacarias encontradas nas estearias do lago Cajari com motivos marajoaras: Já retornei de Caratupera, região do Alto Turi, fronteira com o Pará… conversei com alguns capoeiras da área – Caratupera e Maracassumé – que estão ligados ao Pará, através do Mestre Zeca… não consegui informações, ainda, sobre a “capoeira carioca”, pois, muito jovens não conhecem a história da região. Turiaçu fica bem próximo de Carutapera, na mesma região do Turi. O grupo de Carutapera denomina-se ACANP – Associação Capoeira Arte Nossa Popular – fundada por Mestre Zeca, de Belém do Pará – Jose Maria de Matos Moraes (33 anos). A ACANP é filiado da Federação Paraense de Capoeira; o estilo praticado é o “Angola com Regional”, estando desenvolvendo, em Maracassumé, e introduzindo em Caratupera, o estilo desenvolvido pelo Mestre Zeca, que denominam de “Onça Pintada” – que seria uma fusão da Regional com o Agarre Marajoara. De acordo com Álvaro Adolpho, de Belém do Pará, ex-diretor do Departamento de Educação Física do Pará, o “Agarre Marajoara” é uma luta desenvolvida pelos índios da Ilha do Marajó – que guarda uma certa semelhança com o Uka-uka – havendo registro de sua pratica ha mais de 300 anos. De acordo com o Prof. Álvaro, talvez seja a primeira luta-esporte com registro de sua pratica no Brasil.

Além da correspondência do Marco Aurélio, recebo de Javier Cuervo, lá das Astúrias (Espanha) um comentário, de que no Calahari sub-sahariano, entre os bosquímanos, luta semelhante àquele apresentada pelo Rei Zulu; mandou-me vídeo via iutube, demonstrando as semelhanças, comparando-se com o da luta de Rei Zulu e Rickson Gracie , nos anos 80…, disponível em vídeo do link anexo: E “Batuque duro” do Kalahari -1930.
http://salavideofica.blogspot.com/…/1930-c-ernest…

Encontrei, ainda, descrição de luta-jogo semelhante, trazida por vaqueiros portugueses, durante o período colonial, a Galhofa – o “wrestling tradicional transmontano” – que se define como um desporto de combate. É tida como a única luta corpo a corpo com origens portuguesas. Tradicionalmente, este tipo de luta era parte de um ritual que marcava a passagem dos rapazes a adultos, tinha lugar durante as festas dos rapazes e as lutas tinham lugar à noite num curral coberto com palha.

Em depoimento de Álvaro (Vavá) Melo, de Osvaldo Pereira Rocha, e de Edomir Martins, jovens nos seus mais de 80 anos, que quando crianças e adolescentes, costumavam praticar o ‘atarracado’ e o ‘atarracar’, na região da baixada, onde morava; Osvaldo Rocha, ilustre pesquisador e historiador, disse-me que, embora franzino, costumava ganhar algumas das ‘brincadeiras’, pois o segredo era a agilidade em agarrar a perna do adversário e levá-lo ao chão; tão logo autorizado o combate, a rapidez com que se lançava ao adversário era fundamental. Já Álvaro Mello, Vavá, presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, cronista do Arari e de São Bento, deu seu depoimento, ressaltando que os embates se davam na beira do rio, e os combatentes saiam cobertos de lama; O mesmo disse Aymoré Alvim – ilustre pesquisador hoje aposentado, da nossa UFMA/Medicina.
Até brinquei, propondo então aos campeões do ‘TARRACÁ’ um embate, envolvendo o Rei Zulu… um desafio às memórias de infância no ‘interland’ maranhense… Osvaldo até disse que, em seu próximo livro, escreveria sobre as lutas que travou, utilizando o tarracá, já que o tema está provocando muita curiosidade no mundo do MMA e da UFC…

De Barreirinhas, em conversa com alguns professores de educação física de algumas comunidades do interior daquele município, falaram-me haver por ali, ainda, um jogo/luta semelhante ao descrito, mas que ali, denominavam de ‘queda’. Coincidentemente, no mesmo dia em que retornei daquela cidade recebi do Javier o material abaixo:

salavideofica.blogspot.com|Por AEC

UMA CONCLUSÃO POSSÍVEL
Rei Zulú, que praticava o que denominou de “tarracá” em sua infância, como atividade corriqueira, jogo/luta de sua infância, e dada suas características físicas, em um dado momento, ainda no quartel, vale-se de ambas – a forma de ‘luta’ e a força – para conquistar um espaço, que vem a se tornar uma profissão.
Para justificar seu estilo peculiar – força bruta – e por não ‘pertencer’ a uma escola do então Vale Tudo, ‘inventa’ a tradição de luta aprendida dos índios, TARRACÁ – atarracar, segundo Baé, ou atarracado, segundo Marco Aurélio – que vai se constituir em um estilo – maranhense – disseminado tanto por Zulu, em suas investidas no mundo da luta livre pelo mundo afora, como por seu filho Zuluzinho, quando coloca que seu estilo fora criado por seu pai – quem o treinava – e se chamaria ‘Tarracá’, de tradição indígena e negra, maranhense…
Foi encontrado que em diversas regiões do Maranhão, ainda hoje, se pratica uma luta, que recebe diversas denominações – tarracá, atarracado, atarracar, queda – de origem possível portuguesa, tradicional hoje nas brincadeiras de crianças.

O “CHAUSSON/SAVATE” INFLUENCIOU A CAPOEIRA?


RESUMO
Em uma série de artigos em que se busca a ancestralidade da Capoeira, comprovada africana não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África de práticas similares, como o Moringue, no Oceano Índico – nas Ilhas de São Lourenço (Madagascar), Reuniões e em Moçambique. Assim como encontramos uma influencia européia, configurada através da Chausson/Savate, praticado por marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos ‘leões marinhos’ em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Houve intenso tráfico entre os portos brasileiros – Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Luis e Belém – e Marselha.
Capoeira. História. Chausson. Savate.
 A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira, e em Recife, com as gangues de Rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) em Paris e das maltas de fadistas de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
O ‘savate’ surgiu na França, praticado por alguns marinheiros no porto do sul de Marselha, do século XVII. Segundo os historiadores, foram aprendidos pelos “leões marinhos”, em suas viagens aos países do Oceano Índico e o Mar da China. Posteriormente, em cada rixa da barra em portos franceses era comum ver chutes infligidos em qualquer parte do corpo. Os marinheiros chamavam “Chausson” este tipo de combate, em referência à chinelos normalmente usados a bordo. Marinheiros gauleses e espanhóis eram instruídos com estas formas de ataques e defesas. Na época de Napoleão Bonaparte, os soldados do imperador exibiam publicamente suas “aptidões” chutando a bunda de seus prisioneiros. A punição era conhecida como “Savate”, que pode ser traduzido como “sapato velho”.

O “Chausson” era do sul da França e usava somente os pés; já no Norte, usava-se a combinação de pés e mãos abertas – “savate”. Enquanto os homens se reúnem em um duelo de tiro com espadas ou bastões, as classes mais populares lutavam com os pés e batendo com os punhos, de modo que o Savate, esgrima, pés e punhos, tornaram-se a prática de “Thugs” no momento, para citar apenas Vidocq, Chefe simbólico do fim do século XVIII.
O contato com essas formas de luta se dá, também, com a interação entre marinheiros, nas constantes viagens entre os dois lados do Atlântico, pois navios da marinha francesa entre 1820 e 1833 foram de Brest (cidade natal de Savate) para Portos do Brasil (Capoeira), Martinica (Ladja) e Bourbon (Moringa):

Em 1852, a Academia Militar Ecole De Joinville incluiu o Savate no treinamento de recrutas. Em seguida, essas mesmas regras foram estendidas para outras partes do Velho Continente, África, Canadá e Estados Unidos.

O Box Savat também foi introduzido em nossa Escola pela missão militar francesa tanto no Colégio Pedro II no Rio e no exército e da polícia francesa através de diversas missões ao Brasil e em 1885 uma missão brasileira viajou para Paris para obter informações sobre o Sistema policial francês (Savate Vidocq).

Em 1928, a Missão Militar Francesa passou a contar entre seus integrantes com um oficial encarregado exclusivamente de dirigir a instrução de educação física. Escolhido entre os instrutores da escola de Joinville, o major Pierre Ségur ficou encarregado de ministrar educação física na Escola Militar do Realengo. O relatório do chefe da Missão Militar Francesa referente ao ano de 1928, ao comentar a situação da educação física nas escolas do Exército (Militar, de Sargentos, de Cavalaria e de Aviação), informava que, apesar de nelas ser desenvolvido um trabalho intenso e de muito boa vontade, faltavam os meios práticos e a aplicação de um método firme referência óbvia ao Método Francês.
Também na Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, criada em 1910, o Savat é introduzido: Para COSTA (2007), no Rio de Janeiro, no Recife e na Bahia, a capoeira seguia sua história, e seus praticantes faziam a sua própria. Originavam-se de várias partes das cidades, das áreas urbanas e rurais, das classes mais abastadas às mais humildes, de pessoas de origem africana, afro-brasileira, européia e brasileira, inserindo-se em vários setores e exercendo várias atividades de trabalho, profissões e ofícios. Alguns exemplos que fundamentam essa constatação: Manduca da Praia, empresário do comércio do ramo da peixaria, Ciríaco, um lutador e marinheiro (CAPOEIRA, 1998, p. 48); José Basson de Miranda Osório, chefe de polícia e conselheiro (REGO, 1968) ; mais recentemente, Pedro Porreta, peixeiro, Pedro Mineiro, marítimo, Daniel Coutinho, engraxate e trabalhador na estiva; Três Pedaços, que trabalhava como carregador (PIRES, 2004, p. 57, 61, 47 e 73); Samuel Querido de Deus, pescador, Maré, estivador e Aberrê, militar com o posto de capitão (CARNEIRO, 1977, p. 7 e 14). Todos eram capoeiristas.

Muitos dos mais influentes personagens da história do Brasil e da capoeira estudaram no Colégio Pedro II, existindo informações sobre a prática da Capoeira entre eles. O ano de 1841 é considerado como o marco inicial da história da gymnastica no Colégio Pedro Segundo. Exatamente no dia nove de setembro, Guilherme Luiz de Taube, ex-Capitão do Exército Imperial, entrou em exercício no cargo de mestre de gymnastica do Colégio.

O escrito maranhense Coelho Neto, tido como grande capoeirista é citado como um dos precursores da Capoeiragem, haja vista que no Artigo 17- do regulamento da FICA, quando trata da Nomenclatura de Movimentos de Capoeira estabelecida em sua parte “A- Nomenclatura Histórica”, colhida a partir da pesquisa nas obras dos primeiros autores a escreverem sobre a Capoeira, aparecem Plácido de Abreu, Coelho Neto e Annibal Burlamaqui (Zuma):

Parágrafo 1°- Legado de Plácido de Abreu – 1886: Trastejar, Caçador, Rabo de Arraia, Moquete, Banho de Fumaça, Passo de Sirycopé, Baiana, Chifrada, Bracear, Caveira no Espelho, Topete a Cheirar, Lamparina, Pantana, Negaça, Ponta-pé e Pancada de Cotovelo.
Parágrafo 2°- Legado Apócrifo – 1904: Pronto, Chato, Negaça de Inclinar, Negaça de Achatar-se, Negaça de Bambear para direita ou esquerda, Negaça de Crescer, Pancada de Tapa, Pancada com o Pé, Pancada de Punho, Pancada de Tocar, Rasteira Antiga, Rasteira Moderna e Defesas.
Parágrafo 3°- Legado de Coelho Neto – 1928: Cocada, Grampeamento, Joelhada, Rabo de Arraia, Rasteira, Rasteira de Arranque, Tesoura, Tesoura Baixa, Baiana, Canelada, Ponta-pé, Bolacha Tapa Olho, Bolacha Beiço Arriba, Refugo de Corpo, Negaça, Salto de Banda e Banho de Fumaça.
Parágrafo 4°- Legado de Annibal Burlamaqui (Zuma), autor da primeira Codificação Desportiva – 1928: Guarda, Rasteira, Rabo de Arraia, Corta Capim, Cabeçada, Facão, Banda de Frente, Banda Amarrada, Banda Jogada, Banda Forçada, Rapa, Baú, Tesoura, Baiana, Dourado, Queixada, Passo de Cegonha, Encruzilhada, Escorão, Pentear ou Peneirar, Tombo da Ladeira ou Calço, Arrastão, Tranco, Chincha, Xulipa, Me Esquece, Vôo do Morcego, Espada e
Para Pol Briand, dois termos da capoeira baiana têm origem certamente francesa, são o “aú” que em português é “pantana” como escrito nos artigos de 1909 descritivos da luta de Ciríaco contra Sada Miako no Pavilhão Pascoal no Rio de Janeiro e “role”; é provável que os nomes usados na capoeira venham de instrutores militares de ginástica das Missões francesas.
A expressão francesa “faire la roue” designa um movimento similar ao “aú” da capoeira, e o “roulé-boulé” é uma técnica para amortecer um choque (pulando de uma altura) rolando sobre si mesmo, com alguma semelhança ao “role” da capoeira: “Suponho que a influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908. Foi promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional. Antes da vinda dos franceses em 1908, a influencia alemã predominava do exército brasileiro. Os franceses tiveram não somente atuação direta em S. Paulo, como também indireta, com difusão de um manual de educação física no Brasil inteiro.Ainda estou a recolher elementos sobre a sua presença na Bahia. Há de ressaltar, pista ainda não seguida, que a Marinha também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20. Como indica Loudcher (op.cit), o exército e a marinha de guerra francesa fizeram ao inventar o esporte como preparação física para a guerra no final do século 19, interpretação muito particular do jogo de desordeiros que era a savate, transformando-la em largas proporções. É certo que a escola de polícia de Joinville, situada perto da École normale militaire de gymnastique de Joinville, tinha um uso mais prático para o combate sem armas ou com armas improvisadas. Entretanto, os instrutores militares sempre dominaram o ensino. Os instrutores de educação física da missão militar francesa foram pouquíssimos. Se influência tiveram, foi geralmente indireta, através de pessoas por eles [in]formados. Portanto, os ensinos franceses foram interpretados e adaptados pelos brasileiros, e, notadamente, pelos adeptos da capoeiragem e do jogo de capoeira, sempre interessados em novos “truques” (outra palavra francesa que substitui o português ‘ardil’ nos Ms. de mestre Pastinha).Os franceses, como os ingleses e alemãs, participaram também da promoção da idéia esportista no Brasil. Passar, no conceito dos praticantes, de brinquedo e da vadiação a esporte de competição, transtornou a capoeira, como quem sabe ler pode constatar nos debates consecutivos à organização de campeonato no palanque do Parque Odeon em Salvador em 1936. Hoje se procura recuperar o sentido e a sabedoria associadas à atividade antes desta fase. Aparentemente, o esporte de competição não atende às necessidades de todo mundo. Como sempre com essa fonte, o artigo citado traz erros na grafia dos nomes (dos franceses) e uma inconguidade: “O Bailado Joinville Le Pont: dança folclórica, hoje extinta na França e só praticada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.” Não faz sentido. “La danse de Joinville Le Pont” não pode ser dança folclórica. É obviamente piada de militares para designar o seu treino, sendo que Joinville, situada perto no rio Marne próximo de Paris, era o subúrbio onde no espaço onde não se construía por causa das enchentes, vinha dançar o povo (e malandros) parisiense em barracões chamado “guinguettes” (o termo, de mesmo origem que ‘ginga’, evoca o ato de mexer as pernas “jambes” ou popularmente ‘gambettes’– como também ‘gigolette’ e ‘degingandé’. O que foi extinta é a École normale militaire de Gymnastique, chamada ‘de Joinville’ embora o terreno em que se situava, no Bois de Vincennes, tivesse sido anexado pelo município de Paris em 1929.
O pesquisador francês está a buscar evidencias de que a Marinha “também praticava educação física e que os famosos mestres de capoeira Aberrê e Pastinha foram Aprendizes Marinheiros no início do sec. 20” haja vista que a “influência francesa se deu através do serviço militar obrigatório no Brasil a partir de 1908”, tendo sido “promovido pelos mesmos militares e intelectuais nacionalistas favoráveis à educação física (e ao ensino da capoeira como esporte nacional”.

Aproximadamente na mesma época em que Bimba criava na Bahia a Luta Regional, no Rio de Janeiro, se tem notícias de Agenor Moreira Sampaio, conhecido como Sinhozinho de Ipanema. Sinhozinho nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local, e descendente de Francisco Manoel da Silva, autor do Hino Nacional Brasileiro. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana (FONSECA, 2009). Segundo André Lacé Lopes (2005), ele aprendeu capoeira nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, para onde se mudara com sua família. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras lutas à capoeira.

 Agenor Sampaio – Sinhozinho – começa sua vida esportiva praticando a luta greco-romana:  “Comecei a minha vida sportiva – disse o Sinhôzinho, preliminarmente – em 1904, no Club Esperia de S. Paulo; como socio-alumno. Ahi me mantive até 1905, quando fui para o Club Athletico Paulistano, que foi o primeiro club do Brasil que teve piscina. […] Houve um movimento dissidente no football de então, de modo que me transferi para a Associação Athletica das Palmeiras, que havia feito fusão com o Club de Regatas São Paulo. Ahi, em companhia de Itaborahy Lima, José Rubião, Hugo de Moraes e mais alguns amigos, comecei a praticar com enthusiasmo a gymnastica, tendo, por exemplo, Cícero Marques e Albino Barbosa, que eram, naquelle tempo, os maiores athletas do Brasil.[…] Mais tarde ” prosseguiu o nosso entrevistado ” com a vinda de Edú Chaves da Europa, novos ensinamentos nos foram ministrados, dos quaes a luta greco-romana, box francez (savata) e a gymnastica em apparelhos foram os mais importantes. [… ] Em 1907, ingressei no Club Força e Coragem, que obedecia à direcção do professor Pedro Pucceti. Continuei os exercícios que sabia e outros mais, que aprendera com o referido mestre. […] em 1907, obtive os meus primeiros sucessos nesta luta e tive occasião de vencer o torneio da minha categoria. […] Em 1908, mudei-me para esta capital, de onde jamais me afastei. O Rio é uma cidade encantadora pelos seus recursos naturaes e captivante pela lhaneza dos cariocas, que são extremamente hospitaleiros.[…] Fui um dos fundadores do Centro de Cultura Physica Enéas Campello, que teve o seu período de fastigio no sport carioca. Ali, ao lado de João Baldi, Heraclito Max, Jayme Ferreira e o saudoso Zenha, distingui-me em diversas provas em que tomei parte.” (in “Clube Nacional de Gymnastica: Uma grande Promessa” – Diário de Notícias, RIO, 1º de setembro de 1931) Grifos nossos

Segundo Jorge Amado (VASSALO, 2003) Mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à Capoeira de Angola, e voltou falando numa nova capoeira, a ‘Capoeira Regional’.
Em 1962 é criada a Federação Brasiliense de Pugilismo

 CARNEIRO, Edson. Capoeira. 2 ed. 1977 (Cadernos de Folclore).
CARVALHO, José Murilo De. BESTIALIZADOS OU BILONTRAS? (do Livro Os Bestializados – O Rio de Janeiro e a República que não foi”, Cia das Letras, págs. 140-164, ano 2001). On line, http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/bestializados.html
COSTA, Neuber Leite Capoeira, trabalho e educação. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, 2007.
CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da Organização e cotidiano escolar da “Gymnastica” uma história no Imperial Collegio de Pedro Segundo. In PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 22, n. Especial, p. 163-195, jul./dez. 2004, on line, disponível em http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html
CUNHA JUNIOR, Carlos Fernando Ferreira da História da Educação Física no Brasil: reflexões a partir do Colégio Pedro Segundo. IN http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – Nº 123 – Agosto de 2008
FONSECA, Vivian Luiz. Capoeira sou eu: memória, identidade, tradição e conflito. Rio de Janeiro: GFV/CPDOC, 2009.
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UM TOQUE PARA MESTRE ÍNDIO DO MARANHÃO – sobre Capoeira e MMA: os golpes

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Mestre Índio do Maranhão – sua bênção – sobre a postagem no Facebook, do uso de golpes de Capoeira nos confrontos do MMA – https://www.facebook.com/%C3%89-a-Capoeira-1397607323821196/?pnref=story – em meu livro CRONICA DA CAPOEIRAGEM – https://issuu.com/leovaz/docs/cronica_da_capoeiragem_-_issuu/237 -, como já coloquei em sua página alguns aspectos dessas semelhanças e usos, aqui os reforço:

Mestre André Lacé, a esse respeito, lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque. Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas europeias e asiáticas. Para Lacé Lopes (2006), a origem africana, entretanto, é evidente e incontestável. Comprovada não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, há séculos, de práticas similares. O Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião, Madagascar, Moçambique etc. – sem dúvida, é um bom exemplo.

Já em Portugal encontrou-se o chamado fado batido, que surgiu no início do século XIX como dança de umbigadas semelhante ao lundu. Popularizou-se primeiro no Rio de Janeiro e depois na Bahia. Na década de 1830, já existiam em Lisboa inúmeras casas de fado, onde moravam as fadistas, jovens que cantavam, tocavam e “batiam” o fado num ambiente de bordel. Por volta de 1840, o canto ganhou especial importância, o que parece haver coincidido com a substituição da viola pelo violão.

José Ramos Tinhorão (2001), no capítulo “Os negros na origem do fado-canção em Lisboa” revela ter havido rodas de fado que funcionavam como as rodas de pernada dos crioulos do Brasil: era o chamado ‘fado batido’, clara referência à antiga umbigada africana e em que um dançarino ‘batia’ (aplicada a pernada) e o outro ‘aparava’ (procurava neutralizar o golpe para não cair).

Batuque é o baile, conforme descrição de um naturalista alemão, George Wilhelm Freyreiss que faleceu no sul da Bahia, em uma viagem que fez a Minas Gerais em 1814 -1815 em companhia do barão de Eschwege. Assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.”

Abro um parênteses, Mestre: as descrições não lembra a Punga, praticada no Maranhão, e que Mestre Marco Aurélio, Serginho e Patinho tentam resgatar???

Segundo João Mina (citado por D´ÁVILA, 2006), grande batuqueiro e capoeirista baiano que se mudou para o Rio de Janeiro: “o Batuque era praticado por negro macumbeiro, bom de santo, bom de garganta e principalmente bom de perna para tirar o outro da roda”. Todos os dias no Morro da Favela (onde nasceu o samba, no Rio) havia Batuque, pernadas, pessoas caídas no chão até que surgisse a polícia. Na chegada dela, o batuque rapidamente virava meio dança lenta, meio ritual. As mulheres dos batuqueiros, para disfarçar, entravam na roda (tal qual a gira dos candomblés) e, num batuque mais lento, mole, com remelexos, trejeitos sensuais e umbigadas (= semba, em Luanda) no sexo oposto, – sendo estas consideradas o ponto culminante da dança -, demonstravam estar se divertindo. Segundo Elias Alexandre da Silva Correia, “o batuque é uma dança indecente que finaliza com umbigadas”.

Mais um parênteses: não lembra o Tambor de Crioula? antes Tambor de Crioulo = punga… Marco Aurélio fala dessa mudança, quando da lei de 1890, que criminalizou a Capoeira… as mulheres entravam na roda, dando a umbigada, enquanto os homens passavam para os tambores, como se apenas acompanhassem…

Assim nasceu o samba-de-roda na Bahia. Mistura de um batuque com as mulheres das rodas dos candomblés, com outro batuque representado pelos homens das capoeiras.Quando a polícia se retirava, recomeçava o batuque bravo quando caprichavam na capoeiragem, com pernadas violentas, soltando “baús”, “dourado”, “encruzilhada”, “rabo-de-arraia”, que tiravam os conflitantes da roda. Corte difícil de defender para um batuqueiro era o da “tiririca” com o seguinte canto puxado pelo mestre: “tiririca é faca de cortar / quem não pode não intima /deixa quem pode intimá”. Um pé ficava no chão e o outro com violência, no pé do ouvido do adversário. Em conseqüência da tiririca = faca, surgiu no samba-de-roda o raspado de prato e “faca”, do modo dos reco-recos raspados nas batucadas (D´ÁVILA, 2006).

Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola.

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[1] -, que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos): a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar à posição primitiva.

Catunda (1952) ressalta que na capoeira baiana […] Não é como a capoeira carioca, na qual um dos comparsas se mantém imóvel, em atitude de defesa, enquanto só o outro ataca, dançando em volta do inimigo, assestando-lhe golpe sobre golpe. Em comentário de pé-de-página consta o seguinte:

“A descrição da capoeira do Rio relembra a do batuque ou da pernada carioca por Edison Carneiro 1950 , […] Edison Carneiro descreveu a capoeira bahiana em Negros Bantus em 1938”.

Em “Dinâmica do Folklore” (1950) Edson Carneiro[1] afirma que o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

Já Corte Real (2006) referindo-se ao batuque afirma que o mesmo foi uma prática competitiva presente nas festas de largo da Bahia. Como a capoeira, teria sido perseguido pela repressão policial decorrente do código penal de 1890.

Letícia Vidor de Souza Reis, baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana:

FOTO: Bimba y Cisnando – Nascido Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba (1900-1974) era filho de Luís Cândido de Machado, caboclo de Feira de Santana, e Maria Martinha do Bonfim, negra do Recôncavo. Segundo Héllio Campos, Bimba deu os primeiro passos na capoeira aos 14 anos, com o pai, que foi campeão de batuque, e com Mestre Bentinho, africano que era capitão da Companhia de Navegação Baiana.“

 

LACÉ LOPES, André. Capoeiragem. In DACOSTA, Lamartine (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 10.2-10.4, disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006.

LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

http://www.casadobacalhaupb.com.br/v2/fado.php, referencia de Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

TINHORÃO, José Ramos. HISTÓRIA SOCIAL DA MUSICA POPULAR BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Editpora 34, 2001, disponiverl em http://books.google.es/books?id=8qbjll0LmbwC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false

FREYREISS. Georg Wilhelm. Viagem ao interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

CATUNDA, Eunice, Capoeira no Terreiro de Mestre Waldemar, Fundamentos— Revista de Cultura Moderna, nº30, São Paulo, 1952, pp. 16–18.

http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html.  Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

CORTE REAL, Márcio Penna. AS MUSICALIDADES DAS RODAS DE CAPOEIRA(S): DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, CAMPO E ATUAÇÃO DE EDUCADORES. Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação. Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Matias Fleuri. In [Conexões da Capoeira Regional] batuque‏, mensagem eletrônica enviada por Javier Rubiera ([email protected]  em sábado, 7 de novembro de 2009 16:50:26 Para: [email protected]

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp020539.pdf

http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

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O DONO DA CAPOEIRA

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http://cev.org.br/biblioteca/o-dono-da-capoeira/?utm_source=rss&utm_medium=link&utm_campaign=novidades

Aqui, no Maranhão, se tem dono de tudo, até da Capoeira…

Nesse documentário, tem um trecho de cerca de 1:45 min feito em super8mm pelo Laércio Elias Pereira, lá no Olho d´Água. registro do jogo de Mestre Sapo.

Não se lhe dá os devidos créditos, no documentário, o que nos deixa, nós pesquisadores, frustrados, com a apropriação de trabalhos e registros, como se antes não houvera nada…

Sapo já encontrou muitos capoeiristas ativos, na Ilha… inclusive Roberval Serejo…

Sua vinda, aos 17 anos de idade, discipulo de Canjiquinha, tornado Mestre depois, e com o apoio de Cláudio Vaz, o Alemão, veio somar… Já discuti com Patinho que a Capoeira que Sapo trouxe era uma capoeira de demonstração, utilizando as duas vertentes baianas – Angola e a Desportiva (Regional).

Canjiquinha, para demonstração de sua troupe, apresentava as duas, sem fazer distinção. Aqui, já havia o batuque – capoeira -, a punga – capoeira – e a carioca – capoeira  também… aqui se praticava a capoeiragem – capoeira de rua, comum seu jogo entre os estivadores…

Aqui, recebemos a influencia do Chanson e do Savate, praticado por marinheiros franceses, em especial do porto de Marselha, cujos navios aportavam com frequência no porto de São Luis, desde o período colonial… e lógico, sempre houveram os conflitos entre os marinheiros e o pessoal do porto, com troca de golpes… uns aprendiam com os outros…

Há uma luta portuguesa reconhecida – wresting – tramantona, conhecida como Maluta, e que também aparece nos Açores, veio transportada para o Maranhão, quando das migrações dos Ilhéus – acontece desde 1619… vaqueiros que se estabeleceram na Baixada, em especial, seja oriental ou ocidental, praticavam uma luta, com alguma semelhança com a punga, pois consistia em derrubar o adversário… dai o atarracar, ou atarracado – depois, conhecido no mundo moderno do MMA ou UFC como ‘tarracá, o estilo de luta de Rei Zulu… vemos a influencia indígena, aí, com o aku-aku… no Marajó, conhecido como agarre marajoara – mistura da luta indígena com a maluta dos açorianos… que um mestre paraense – com forte influencia na região fronteiriça, Carutapera, Maracassumé… – “traduziu” como estilo de capoeira difundido com o nome de ‘onça pintada’ – a capoeira baiana, o agarre marajoara e o aku-aku… tudo numa simbiose…

Tal qual Sapo fez, desde os anos 60, século passado, com a ‘sua capoeira’, mistura da Angola com a Regional, de Canjiquinha, Brasília e Vitor Careca… juntou com a Punga, com a Carioca, com a Umbigada, com o Tambor de Crioulo/a, e temos aí a ‘capoeira maranhenses’, singular, única, a capoeira maranhense de Mestre Sapo… a capoeira de rua, portanto, capoeiragem…

Pela conversa que tive com Patinho, sexta-feira passada, ali na Praia Grande, seu novo DVD deve resgatar essa memória… falamos das grifes de capoeira, dos mestres e contra-mestres maranhenses que começam a se espalhar pelo mundo – se espelhando nos mestres baianos, da capoeira de Salvador… sim, de Salvador, pois a do Recôncavo é outra capoeira… as capoeiras que hoje são mais disseminadas pelo mundo, Angola, a Regional (Desportiva), Contemporânea, e agora, a Maranhense… frutos da diáspora dos mestres soteropolitanos dos anos 60…

Quem é o dono da capoeira????

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EVIDÊNCIAS DA CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS

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EVIDÊNCIAS DA CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS

 

No recente lançamento do ‘livreto’ “RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX”, de Roberto Augusto A. Pereira[1], Mestre Patinho[2] falava do Renascimento da Capoeira no Maranhão nos anos 1960/70, através de Roberval Serejo e Sapo… Renascimento, porque desde os idos da década de 1820 temos referências sobre a lúdica e o movimento dos povos radicados no Maranhão, especialmente os negros.

Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

 

Mundinha Araújo[3] fala de manifestação de negros em São Luís, através da prática do Batuque, aparecido lá pelo início dos 1800, referencia que encontrou no Arquivo Público do Estado, órgão que dirigiu. Perguntada sobre o que havia sobre ‘capoeira’ no Arquivo, respondeu que, além do ‘batuque’, encontrara apenas uma referência sobre a Capoeira, no Código de Posturas de Turiaçú do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124, grifos meus) [4].

 

Encontrei, ainda, que em 1829, era publicada queixa ao Chefe de Polícia:

“Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d”elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém ? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém?“(ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46, Coleção de Obras Raras, Biblioteca Pública Benedito Leite; grifos meus).

Para Mestre Marco Aurélio (Marco Aurélio Haickel), desde 1820 têm-se registros em São Luis do Maranhão de atividades de negros escravos, como a “punga dos homens”.  Esclarece que, antigamente, a Punga era prática de homens e que após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade passa a ser dançada por mulheres, apenas:.

Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: “quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice” (Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005).[5]

 

De acordo com Mestre Bamba, jogo que utiliza movimentos semelhantes aos da capoeira. Encontrou no Povoado de Santa Maria dos Pretos, próximo a Itapecurú-Mirim, uma variação do Tambor-de-Crioula, em que os homens participam da roda de dança – “Punga dos Homens”. Para Mestre Bamba esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba – os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga[6]:

Para Ferreti (2006) [7], a umbigada ou punga é um elemento importante na dança do Tambor de Crioula[8]. No passado foi vista como elemento erótico e sensual, que estimulava a reprodução dos escravos. Hoje a punga é um dos elementos da marcação da dança, quando a mulher que está dançando convida outra para o centro da roda, ela sai e a outra entra. A punga é passada de várias maneiras, no abdome, no tórax, nos quadris, nas coxas e como é mais comum, com a palma da mão. Em alguns lugares do interior do Maranhão, como no Município de Rosário, ou em festas em São Luís, com a presença de grupos de tambor de crioula, costuma ocorrer a “punga dos homens” ou “pernada”, cujo objetivo é derrubar ao solo o companheiro que aceita este desafio. Algumas vezes a punga dos homens atrai mais interesse do que a dança das mulheres.

Fonte: LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM NO RIO DE JANEIRO E NO

MUNDO. 2 ed.  Amp. E list. Literatura de Cordel. Rio de Janeiro: 2005, p. 18

Por ter certa semelhança com uma luta, a “pernada” ou “punga dos homens” tem sido comparada à capoeira. A pernada que se constata no tambor de crioula do interior, lembra a luta africana dos negros bantus chamada batuque, que Carneiro (1937, p. 161-165) descreve em Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e que usava os mesmos instrumentos e lhe parece uma variante das rodas de capoeira.

Letícia Vidor de Souza Reis[9], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[10]:

Em entrevista ao Jornal Diário da Bahia, na sua edição de 13 de março de 1936[11], na matéria: “Titulo Máximo da Capoeiragem Bahiana”, Bimba, dá uma longa entrevista acerca de seus desafios públicos na divulgação da chamada Luta Regional. Da mesma destacamos o seguinte trecho:

“Falando sobre o actual movimento d’aquele ramo de lucta, genuinamente nacional uma vez que difere bastante da Capoeira d’angola, o conhecido Campeão (Bimba) referindo-se a uma nota divulgada por um confrade matutino em que apparecia a figura do Sr. Samuel de Souza. Do Bimba, de referência aos tópicos ouvimos: Ao som do berimbau não podem medir forças dois capoeiras que tentem a posse de uma faixa de campeão, e isto se poderá constatar em Centros mais adiantados, onde a Capoeira assume aspectos de sensação e cartaz. A Polícia regulamentará estas exibições de capoeiras de acordo com a obra de Aníbal Burlamaqui (Zuma) editada em 1928 no Rio de Janeiro…

 

Nesta reportagem existem alguns itens que merecem uma atenção mais detalhada:

(a) A confirmação da influencia de Zuma no trabalho implantado por Mestre Bimba;

(b) O reconhecimento de Bimba ao trabalho de Zuma;

(c) A afirmação de Bimba existia Centros mais adiantados em Capoeira que a Bahia, no caso, a Cidade de Rio de Janeiro;

(d) O interesse de Bimba pela prática desportiva da “Luta Nacional”;

(e) A integração de seu discípulo nesta inovação;

(f) A adoção do regulamento de Zuma pela direção do Parque Odeon, onde se realizavam tais apresentações;

(g) A liberação pela polícia, daquela forma de luta já existente no Rio de Janeiro.

 

A afirmação traz um significado especial por tratar do batuque baiano na formação de Mestre Bimba, da qual seu pai era campeão na modalidade, porque implicava num jogo agressivo de pernas contra as pernas do oponente, já como uma forma característica de luta acompanhada por cânticos e instrumentos. Também há apontamentos de que o batuque se disputava entre “pernadas” durante os carnavais cariocas[12].

Quanto a Anibal Burlamaqui – Zuma[13] – foi um importante inventor desta nova capoeira carioca e afirmou que vários golpes foram extraídos dos “batuques” e “sambas”, como no caso do “baú”. Trata-se de um golpe dado no adversário com a barriga, sendo similar aos movimentos do “samba de umbigada”. O “baú” também era usado durante os “batuques lisos”, segundo Zuma, os mais delicados. O “rapa” havia sido um golpe usado nos “batuques pesados”. Ele também explica os golpes de “engano”, que serviam somente para burlar o adversário.[14].

Tenho colocado que a Capoeiragem, no Maranhão, é tão antiga quanto às do Rio de Janeiro, Bahia, ou Recife… Fato contestado por alguns Capoeiras… Diz o ditado: “mata-se a cobra e mostra-se o pau”; prefiro mostrar a cobra morta…

Venho trazendo ao conhecimento dos estudiosos da área várias evidências de que desde o principio dos 1800 já se falava – e se praticava – a capoeiragem por estas bandas.

De acordo com Mario Meireles (2012) [15] até antes… Referindo-se à chegada do Bispo D. Timóteo do Sacramento (1697-1702) – homem intolerante -, e às suas brigas com a população, excomunhões, e enfrentamentos, inclusive físico – brigas nas ruas de seus correligionários e opositores, alguns de outras ordens religiosas:

“[…] enquanto os escravos de ambos – do Bispo e do Prior – cruzando-se nas ruas tentavam decidir o desentendimento de seus senhores a golpes de capoeira.” (p. 98).

 

Segundo Coelho (1997, p. 5) [16] o termo capoeira é registrado pela primeira vez com a significação de origem lingüística portuguesa (1712), não se visualizando qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5) [17].

Encontrei na correspondência do então Governador do Estado do Maranhão e Grão-Pará e o Ministro de D. José I. Marcos Carneiro de Mendonça[18] em “A Amazônia na era Pombalina”, traz-nos carta de Mendonça Furtado[19] a seu irmão, o Marques de Pombal, datada de 13 de junho de 1757, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam logo por a terra em perturbação grande:

“[…] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá […] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes malfeitores […] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este Estado que se está criando [Capitania do Rio Negro] […]” (p. 300). (grifos do texto).

Para Vieira (2004) [20]:

“[…] data a Capoeiragem de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.”

 

Em 1861 é publicado em A IMPRENSA[21], de 11 de dezembro de 1861 o seguinte:

“[…] Serafim é um jovem de cara lavada, moreno, barba a lord Raglan, desempenado de capoeira, e andar de cahe a ré, como marinheiro tonto, ou redactor do Porto Livre, nas horas em que o sol procura as ondas do mar […]”

 

Antes, em 1860 esse mesmo jornal[22] publica um artigo, dividido em partes, que apareciam em várias edições, como era costume na época, sob o titulo A FAZENDA, na coluna de variedades:

“Jogos e danças dos negros – No sábado à noite, depois do ultimo trabalho da semana, e nos dias santificados, que trazem folga e repouso, concede-se aos negros uma ou duas horas para a dança. Reunem-se então no terreiro, chamam-se, grupam-se incitam-se, e a festa começa. Aqui, é a capoeira, espécie de dança física, de evoluções atrevidas e guerreiras, cadenciada pelo tambor do Congo; ali o batuque, posições frias ou lascivas, que os sons da viola aceleram ou demoram: mais além tripudia-se uma dança louca, na qual olhos, seios, quadris, tudo fala, tudo provoca; espécie de frenesi convulsivo e inebriante a que chamam lundu.

Alegrias grosseiras, volúpias asquerosas, febres libertinas, tudo isto é nojento, é triste, porém os negros apreciam estas bacanaes, e outros aí encontram proveito. Não constituirá isto um sistema de embrutecimento?”“.

 

Meireles (2012) [23], no capitulo referente ao Serviço de iluminação pública – implantado em 1863 -, fala da falta de iluminação nas ruas, em que era dado toque de recolher às 21 horas, com o repicar dos sinos:

Os que não atendiam ao oportuno aviso dado pelos sinos, corriam o risco, aventurando-se mergulhados nas trevas das ruas estreitas, de ir ao desagradável encontro de animal vagabundo ou de defrontar um capoeira encachaçado, se não de emparelhar com um negro escravo que levasse à cabeça um daqueles fétidos tigres – que iam ser despejados na maré mais próxima.” (p. 222, grifo meu).

 

Em 1843, José Antônio Falcão, tenente-coronel reformado do Exército, organizador da Casa dos Educandos Artífices, diretor no período de 1841 a 1853, informa ao Presidente da Província que havia “outro problema”: a segurança dos alunos e do patrimônio da casa, em razão da existência de vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados, o que resultava em atos de violência cotidianos, pela falta de intervenção policial no local[24]:

 “Capoeiras […] cometessem por aqui crimes de toda a qualidade que por ignorados ficam impunes, tendo já sido espancado gravemente um quitandeiro, e já são muitas as noites em que daqui ouço pedir socorro, sendo uma destas a passada, na qual, às nove horas e quinze minutos, estando todos aqui já em repouso, ouvi uma voz que parecia de mulher ou pessoas moças, bradar que lhe acudissem que a matavam, e isto por vezes, indo aos gritos progressivamente a denotarem que o conflito se alongava pelo que pareceu que a pessoa acometida era levada de rojo por outra de maiores forças, o que apesar da insuficiência dos educandos para me ajudarem, atendendo as suas idades e robustez, e não tendo mais quem me coadjuvasse, não podendo resistir à vontade de socorro a humanidade aflita e não tendo ainda perdido o hábito adquirido na profissão que sigo, chamei dois educandos dos maiores e com eles mal armados, sai a percorrer as mediações desta casa, sem que me fosse possível descobrir coisa alguma, por que antes que pudesse conseguir por os ditos educandos em estado de me acompanharem, passou-se algum tempo e durante ele julgo que a vítima foi levada pelo seu perseguidor para longe daqui. Estes atentados são praticados pelos negros dos sítios que há na estrada que em conseqüência da má administração em que os tem, andam toda a noite pela mesma estrada, praticando tudo quanto a sua natural brutalidade lhe faz lembrar, e se V. Exa. se não dignar de tomar alguma providência a este respeito parece-me que não só a estrada se tornará intransitável de noite, como até pelo estado em que existem só os negros dos sítios e os vindos da Cidade se reúnem, entregues à sua descrição, podem trazer conseqüências mais desagradáveis […] o que falo é para prevenir que este estabelecimento venha a ser insultado como me parecesse muito provável em as cousas como se acham. (FALCÃO, 1843). (citado por CASTRO, 2007, p. 191-192, grifos meus).

O que nos leva à seguinte pergunta: Seriam esses Capoeiras remanescentes da Balaiada?  [25]

O evento que deu início à Balaiada[26] foi a detenção do irmão do vaqueiro Raimundo Gomes, da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi), por determinação do sub-prefeito da Vila da Manga (atual Nina Rodrigues), José Egito (cabano). Contestando a detenção do irmão, Raimundo Gomes, com o apoio de um contingente da Guarda Nacional, invadiu o edifício da cadeia pública da povoação e libertou-o, em dezembro de 1838. Raimundo Gomes teve o apoio de Cosme Bento, ex-escravo à frente de três mil africanos evadidos, e de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira – o Balaio, dando início a maior revolta popular do Maranhão. Para combatê-los foi nomeado Presidente e Comandante das Armas da Província, o coronel Luís Alves de Lima e Silva, que venceu os revoltosos na Vila de Caxias.[27]

 

A área assinalada em vermelho é a área onde ocorreu a Balaiada[28]

A Casa dos Educandos Artífices estava alojada em um edifício construído ainda no Século XVIII, situado num ambiente de “ares agradáveis, liberdade própria do campo, vista aprazível e fora do reboliço da cidade”, entre o Campo do Ourique e o Alto da Carneira – hoje, Bairro do Diamante, ocupado pelo Ministério da Agricultura.

O Autor do relatório, José Antônio Falcão, era tenente-coronel reformado do Exército, e havia assentado praça em São Luís, juntamente com seu irmão Feliciano Antônio Falcão, em 1831, como cadete no Regimento de Linha. Antônio Falcão foi o organizador da Casa dos Educandos Artífices, e seu diretor no período de 1841 a 1853.

Já Feliciano Antônio Falcão, seu irmão, comandou a força expedicionária para combater os Balaios em Icatu e comandou a terceira tropa por ordem de Luis Alves de Lima e Silva, depois Duque de Caxias, entre as localidades de Icatu e Miritiba (hoje, Humberto de Campos), até o fim da Balaiada. (CASTRO, 2007, p. 184).

Cumpre lembrar que estes alertas foram feitos no ano de 1843, apenas um ano após o término da Balaiada – iniciada em 1838, originada com as lutas dos quilombolas na área de Codó (Distrito do Urubu) como antecedentes à eclosão da Revolta, até a condenação do Negro Cosme, em 1842[29], estando envolvidos vários capoeiras, entre eles negros escravos, alguns fugitivos do interior da província e outros alforriados.

 

 

 

Mestre Baé e Mestre Índio

[1] PEREIRA, Roberto Augusto A. RODA DE RUA – memória da Capoeira do Maranhão da década de 70 do século XX. São Luis: EDUFMA, 2009

[2]  Antonio José da Conceição Ramos, ‘Antonio” de Santo Antonio; ‘José’, de São José; ‘Conceição’, de N. S. da Conceição, e ‘Ramos’, de Domingo de Ramos – herdeiro de Mestre Sapo – Anselmo Barnabé Rodrigues.

[3] Mundinha Araújo é fundadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão (1979) e, desde então, vem desenvolvendo pesquisas sobre a resistência do negro escravo no Maranhão (fugas, quilombos, revoltas e insurreições); Coordenou o Mapeamento dos povoados de Alcântara” (1985-1987) e foi diretora do Arquivo Público do Estado do Maranhão (APEM), de 1991 a 2002. In Nota de orelha de livro, ARAUJO, Mundinha. Negro Cosme – Tutor e Imperador da Liberdade. Imperatriz: Ética, 2008

[4] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. A CARIOCA. In REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO, São Luís, n. 31, p. 54-75, disponível em http://issuu.com/leovaz/docs/ihgm_31_novembro_2009

[5] [Jornal do Capoeira] http://www.jornalexpress.com.br/

[6] http://www.jornalexpress.com.br/

[7] FERRETI, Sérgio. Mário De Andrade E O Tambor De Crioula Do Maranhão. (Trabalho apresentado na MR 07 – A Missão de Folclore de Mário de Andrade, na VI Reunião Regional de Antropólogos do Norte e Nordeste, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, UFPA/MEG, Belém 07-10/11/1999. In REVISTA PÓS CIÊNCIAS SOCIAIS – São Luís, V. 3, N. 5, Jan./Jul. 2006, disponível em http://www.pgcs.ufma.br/Revista%20UFMA/n5/n5_Sergio_Ferreti.pdf

[8] O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana praticada por descendentes de negros no Maranhão em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas juninas. Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula“.

[9] REIS, 1997, obra citada.

[10] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[11] (Fonte: Rego, op. cit., 1968. pág. 282 e 283; Diário da Bahia. Salvador 13 de março de 1936; Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural – Prof. Dr. Sergio Luiz de Souza Vieira – PUC/SP 2004)

[12] FREGOLÃO, 2008, obra citada. Disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[13] http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf – A Capoeira Desportiva é o mais antigo segmento organizado da Capoeira. Surgiu no Rio de Janeiro após a Proclamação da República, no Brasil, em 1889. É resultante do reaproveitamento da corporalidade da antiga capoeiragem, em seus gestos e movimentos, para a construção de um método ginástico caracterizado por uma forma de luta sistematizada. Em 1904 surgiu um livreto anônimo, sob o nome: Guia do Capoeira ou Gymnastica Brazileira, com algumas propostas deste reaproveitamento, no qual se encontram as letras ODC, que significam “ofereço, dedico e consagro”, no caso “à distinta mocidade”. Foi somente em 1928 que a Capoeira Desportiva foi metodizada e estruturada por seu precursor, Annibal Burlamaqui, conhecido pelo nome de Zuma, o qual elaborou a primeira Codificação Desportiva da Capoeira, sob o título de: Gymnastica Nacional (Capoeiragem) Methodizada e Regrada. Sua obra.

[14] http://4.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SWfpDlAQZ6I/AAAAAAAAC68/mfXW2md8_IM/s1600-h/punga.gif, in Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[15] MEIRELRES, Mário. ‘A cidade cresce e é posta sob interdito pelo Bispo (1697-1702)”. In Historia de São Luis (org. de Carlos Gaspar e Caroline Castro). São Luis:  Licar, 2012, edição da Faculdade Santa Fé, póstuma, p. 93-99

[16] ARAÚJO, 1997, obra citada.

[17] ARAÚJO, 1997, obra citada,

[18] MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazonia na era pombalina. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005, volume 49-C.

[19] Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700 — 1769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

[20] VIEIRA, 2004, obra citada.

[21] OS ILUMORISTAS. PÁGINAS SOLTAS: o Sr. Primo, o Serafim e o Cavallo preto de Sua Excia. A IMPRENSA, 11 de dezembro de 1861, p. 4

[22] CH RIBEYROLLES. VARIEDADES. A Fazenda (continuação do numero anterior), São Luis, 29 de setembro de 1860, p. 2

[23] MEIRELES, 2012, obra citada,

[24] CASTRO, César Augusto. INFÂNCIA E TRABALHO NO MARANHÃO PROVINCIAL: uma história da Casa dos Educandos Artífices (1841-1889). São Luís: EdFUNC, 2007. (Prêmio Antonio Lopes (Erudição) do XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luis, 2006.

[25] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS DO MARANHÃO – NOVOS ACHADOS

[26] A Balaiada foi uma revolta de caráter popular, ocorrida entre 1838 e 1841 no interior da Província do Maranhão, e que após a tentativa de invasão de São Luís, dispersou-se e estendeu-se para a vizinha província do Piaui. Foi feita por pobres da região, escravos, fugitivos e prisioneiros. (ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001)

[27] http://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada

[28] http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/imagens/balaiada-15.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/balaiada/balaiada-5.php&usg=__DOn8MqTHQ-t7idEdqX-bDHwZffA=&h=389&w=373&sz=21&hl=pt-BR&start=19&tbnid=UUiadDnIdBaH4M:&tbnh=123&tbnw=118&prev=/images%3Fq%3Dbalaiada%2B%252B%2Bmaranhao%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

[29] ARAÚJO, Maria Raimunda (org.). Documentos para a história da Balaiada. São Luís: FUNCMA, 2001

ARAUJO, Mundinha. EM BUSCA DE DOM COSME BENTO DAS CHAGAS – NEGRO COSME – Tuto e Imperador da Liberdade. Imperatr0z: Ética, 2008

ASSUNÇÃO, Mathias Röhrig. A GUERRA DOS BEM-TE-VIS – a balaiada na memória oral. São Luís: SIOGE, 1988

CRUZ, Mago José; CRUZ, Carlos César França. A GUERRA DA BALAIADA (a epopéia dos guerreiros balaios na versão dos oprimidos). 2 ed. São Luis: CCN-MA, 1998

SANTOS NETO, Manoel. O NEGRO NO MARANHÃO – a escravidão, a liberdade, e a construção da cidadania. São Luis, 2004

SERRA, Astolfo. A BALAIADA. 2ª Ed. Rio de janeiro: DEBESCHI, 1946

SERRA, Astolfo. CAXIAS E O SEU GOVERNO CIVIL NA PROVINCIA DO MARANHÃO. 2 ed. Rio de Janeiro, 1944

COELHO NETO, Eloy. CAXIAS E O MARANHÃO SESQUICENTENÁRIO. São Luis: 1990

OTÁVIO, Rodrigo. A BALAIADA – 1939. São Luis; EDUFMA, 1995

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E A “CARIOCA”?

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E A “CARIOCA”?[1]

 

Continuemos com a “carioca”. Buscando as origens da Capoeira no Maranhão[2], encontrei referencia à prática da “carioca”. Fora proibida, em Código de Posturas de Turiaçú[3], do ano de 1884:

1884 – em Turiaçú é proclamada uma Lei – de no. 1.341, de 17 de maio – em que constava: “Artigo 42 – é proibido o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca. Multa de 5$000 aos contraventores e se reincidente o dobro e 4 dias de prisão”. (CÓDIGO DE POSTURAS DE TURIAÇU, Lei 1342, de 17 de maio de 1884. Arquivo Público do Maranhão, vol. 1884-85, p. 124).

 

Em conversa com Mestre Mizinho, ele informa que em uma de suas apresentações em Cururupu[4] um senhor – já idoso e negro – disse que praticava aquela brincadeira, mas a conhecia como “carioca”, não como “capoeira”.

Em aula da disciplina “História do Esporte no Maranhão” referi-me à capoeira e à carioca. Um dos alunos disse-me que o avô, ex-estivador no Portinho, dizia-lhe que já praticara muito aquelas ‘brincadeira’, mas era chamada pelos estivadores de “carioca”.

A prática de Capoeira por estivadores é confirmada por Mestre Diniz, nascido em 1929, quando lembra que “na rampa Campos Melo, quando eu era garoto, meu pai ia comprar na cidade e eu ficava no barco. Eu via de lá os estivadores jogando capoeira”.

Também em Codó, entre os antigos, a capoeira é denominada de “carioca”.

Soares (2005) [5], em “Capoeira no Pará: resistência escrava e cultura popular, 1849-1890”, ao referir-se a acontecimentos na Corte, comparam-o às situações vividas em Belém, no ano de 1849. Refere-se, mais adiante, a recente trabalho de Vicente Salles (A defesa pessoal do negro: a capoeira no Pará, 1994) [6] que revela a antiguidade da capoeira paraense, seu enraizamento, sua proximidade com a capoeira praticada no Rio de Janeiro e Bahia, e sua peculiaridade regional.

Soares (2005) [7], se referindo a acontecidos nos anos de 1890, discorre:

“Sintomático também em Belém, muito precocemente, também fosse palco da Carioca, como nos mostra ofício […] descreve uma patrulha na região de Ver-O-Peso: ‘estive em patrulha […] quando vimos alguns indivíduos pulando jogando carioca.” [8]

 

Para Albuquerque[9], o êxito da economia paraense atraiu para a região amazônica, entre 1890 e 1910, trabalhadores nordestinos e imigrantes europeus, principalmente portugueses. A interação entre esses trabalhadores levou à incorporação pela capoeira paraense de armas próprias às lutas portuguesas, assim como golpes e hábitos dos capoeiristas baianos, cearenses e pernambucanos. No Rio de Janeiro, essa convivência entre negros, imigrantes pobres e migrantes de diversas regiões do país nas ocupações braçais, principalmente na estiva, ampliou, ainda mais, os tipos sociais que praticavam capoeira. Entre os praticantes estavam portugueses, espanhóis e italianos que trabalhavam no porto, operários nordestinos, soldados, brasileiros brancos e pobres. Não eram apenas os negros que podiam ser facilmente identificados como capoeiras pelo andar gingado, as calças de boca larga e a argolinha de ouro na orelha, sinais de valentia.

Soares (2005) considera que a repressão desencadeada em 1890, a criminalização no novo código penal da República, teria obrigando os praticantes a encontrar novas formas de dissimulação, para ocultar-se da atenção das autoridades. Nos últimos anos do século XIX, no Rio de Janeiro teria aparecido a chamada Pernada Carioca, que consistia de golpes da capoeira tradicional, como a rasteira, camuflados em nova roupagem.

Miltinho Astronauta, ao referir-se à Pernada de Sorocaba[10], na Capital Paulista, e à outra “espécie de capoeira”, a Tiririca, comenta que, aparentemente, com a repressão de algumas manifestações (ai inclui-se a Capoeira, o Batuque e até mesmo a Religião Candomblé), o povo era obrigado a mascarar suas práticas, mudando formas de execução e nome de tais práticas.  Refere-se ainda ao Folclorista Alceu Maynard Araújo (1967) que relata que foi encontrada capoeira no interior paulista entre o final do século XIX e início do século XX. Trata-se de levas de capoeiras soltas nas pontas dos trilhos da Sorocabana, que tinha como destino final a cidade de Botucatu. Na verdade eram capoeiras desterrados do Rio em conseqüência do Código Penal de 1890 [11].

Na Bahia, o batuque era o escalão inicial para a capoeira; no Rio de Janeiro, era e é a pernada, banda ou batuque a forma de ataque e defesa preferida pelo carioca; no Maranhão, a punga, associada ao tambor de crioula, parece preencher a mesma função. Já no Recife, a capoeira, desaparecida em conseqüência de vigorosa reação policial, se transfigurou no passo.[12].

Soares (2005) [13] considera que a identificação da ‘capoeira’ como ‘carioca’, simplificação de ‘pernada carioca’ acontece pela dissimulação dos praticantes para fugir aos rigores da repressão do chefe de polícia Sampaio Ferraz, quando da criminalização da prática da capoeira, pelo Código de 1890.

Gil Velho coloca que a capoeira do século XIX morre com o advento da República. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano – e positivista – e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada:

Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social.  (CAVALCANTI, 2008) [14].

Mas seis anos antes (1884) aparece sua proibição no Código de Posturas de Turiaçú – Lei 1342, de 17 de maio de 1884 -, e já identificada como “o brinquedo denominado Jogo Capoeira ou Carioca

 

 

 

 

 

[1] VAZ, 2009, obra citada.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Chronica da capoeira(gem); A Carioca. In XIII CONGRESS OF THE INTERNATIONAL SOCIETY FOR THE HISTORY OF PHYSICAL EDUCATION AND SPORT; XII BRAZILIAN CONGRESS FOR THE HISTORY OD PHYSICAL EDUCATION AND SPORT – ISHPES CONGRESS 2012 , Rio de Janeriro, 9 a 12 de julho de 2012… Coletâneas…

[2] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Capoeira/Capoeiragem no Maranhão. In DACOSTA, Lamartine Pereira da (editor). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Disponível em

http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/181.pdf; http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/192.pdf

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=905

http://www.cefet-ma.br/publicacoes/artigos/atlas/ATLAS%2004%20-%20PUNGA%20DOS%20HOMENS.doc

http://cev.org.br/comunidade/maranhao/debate/a-carioca-inicio-estudo

http://colunas.imirante.com/leopoldovaz/category/capoeira/

[3] Turiaçu, antiga vila, foi elevado à condição de cidade e município pela lei provincial nº 897 de 11 de julho de 1870. http://pt.wikipedia.org/wiki/Turia%C3%A7u

[4] Cururupu é um município do estado do Maranhão, fundado em 3 de outubro de 1841. http://pt.wikipedia.org/wiki/Cururupu

[5] SOARES, Carlos Eugênio Líbano. Capeira no Pará: Resistência escrava e cultura popular (1849-1890). In COELHO, Mauro Cezar; GOMES, Flávio dos Santos; QUEIROZ, Jonas Marçal; MARIN, Rosa E. Acevedo; PRADO, Geraldo (Org). MEANDROS DA HISTÓRIA: trabalho e poder no Pará e Maranhão, séculos XVIII e XIX. Belém: UNAMAZ, 2005, p. 144-160.

[6] SALLES, Vicente. A DEFESA PESSOAL DO NEGRO: A CAPOEIRA NO PARÁ. Micro-edição do autor, 1964, citado por SOARES, 2005, op. Cit.

[7] SOARES, 2005, obra citada. p. 144-160.

[8] (AE. Secretaria de Segurança Pública. Autos-Crimes, 22/09/1892).

[9] ALBUQUERQUE, Wlamyra Ribeiro de. UMA HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL, nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/19/2009, disponível em http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%20no%20brasil_cap09.pdf

[10] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Pernada de Sorocaba. In JORNAL DO CAPOEIRA, 29 de outubro de 2004, disponível em http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=3

[11] MILTINHO ASTRONAUTA, CAPOEIREIRO Capoeira, Pernada & Tiririca na Terra da Garoa in http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=713

[12] CARNEIRO, Edison in Folguedos Tradicionais disponível em  http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_carneiro_capoeira.html

[13] SOARES, 2005, obra citada,  p. 144-160.

[14] CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

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CADA QUÁ, NO SEU CADA QUÁ – A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA

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CADA QUÁ, NO SEU CADA QUÁ

– A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA

 

Ao Sérgio Capoeira – Sergio Luis Aguiar da Costa
Sérginho é velho conhecido; licenciado (Plena) em Educação Física e Especialista em Docência do Ensino Superior, um dia o vi como Artista Popular, tocando no Tambor de Mestre Felipe, ali no CEPRAMA. Fui cumprimentá-lo e conversamos um pouco. Logo depois vim a encontrá-lo no Matroá, de Mestre Marco Aurélio e soube-o Capoeira também. Temos conversado desde então…

Nesse dia, ele e Serginho estavam conversando sobre o evento que estavam preparando – A Punga dos Homens do Tambor de Crioula. Pediram-me uma contribuição, meus escritos, sobre o tema proposto, uma vez que advogo:

(1) a existência de uma capoeira genuinamente maranhense;

(2) que essa Capoeira recebeu várias influencia, e também denominações diferentes ao longo do tempo, pelo menos desde o inicio dos anos 1800, conforme comprovado por fontes primárias;

(3) que ao identificar o surgimento dessa modalidade da lúdica e do movimento, e sua singularidade no Maranhão, aparecem várias denominações e gestos que a caracterizam e a identificam, todos comprovados por pesquisas;

(4) dentre as denominações da Capoeira – prefiro, no Maranhão, a utilização do termo “Capoeiragem”, para diferenciá-la  da ‘”Capoeira” de origem baiana, introduzida aqui por Mestre Sapo nos idos 1960 – e dentre essas denominações aparecem “carioca”, “pernada”, “punga”, que diversos pesquisadores identificam como ligadas  à Capoeiragem maranhense.

Sérginho me escreve, apresentando duas ressalvas em relação a meus escritos:

1 O debate de sábado à tarde, com a presença de mestres de Capoeira, não estava “tratando da capoeira como punga dos homens” e sim, tentando sensibilizar os Capoeiras a conhecer mais a fundo e valorizar algo que é nosso, está em nosso estado ainda de latente forma. Há muito tempo que nós do Laborarte, passamos por esse fogo cruzado com a comunidade de Capoeira. Dançamos Cacuriá, brincamos bumba-boi, dançamos Lele e felizmente, tivemos a graça de ter um MESTRE da qualidade de Mestre Felipe.

 

Bem, Serginho, o objetivo foi de:

“[…] esclarecer se tal expressão corporal é remanescente de uma forma de luta, própria de povos africanos trazidos para o Maranhão e, se há uma relação com a Capoeira, bem como, os motivos pelos quais não se faz presente entre as brincadeiras de tambor de crioula, existentes na capital do estado.” (FOLDER DO EVENTO).

 

Creio que se estava, sim, tratando da Punga dos Homens como uma Capoeiragem primitiva, e que possivelmente tenha sua origem no Tambor de Crioulo. Note que uso no masculino… E afirmo baseado em Câmara Cascudo, Carlos Cavalheiro, e outros pesquisadores do folclore brasileiro, que trazem a ‘punga’ como maranhense, ou melhor, identificada como maranhense, e sua descrição aparece em vários momentos e localidades, seus gestos, com outros nomes. Mas a raiz é uma só: a matriz africana, e sua simbiose com a indígena.

Repetindo o que já escrevi: dizia Mestre Cavalheiro:

Das diversas lutas/jogos afro-brasileiras, tem-se informação das seguintes: Em Alagoas foi chamada de bate-coxa; em Pernambuco transformou-se no passo do frevo; na Bahia era a capoeira Angola e o batuque; samba de aboio em Sergipe; samba-de-roda no interior fluminense; pernada no Rio de Janeiro; punga no Maranhão; tiririca na capital paulista e pernada no interior de São Paulo. Isso não significa que não se encontrasse o nome genérico de capoeira nessas localidades.

Não negamos, em momento algum, o que consta do folder: “[…] o aprendizado, a pesquisa e o debate em torno dessa expressão –[Punga dos Homens] -, que muito embora seja tema de interesse da Capoeiragem, também diz respeito ao público em geral, na medida em que pessoas ligadas à pesquisa, dança, artes cênicas e de lutas, audiovisual, dentre outras, buscam na arte e na cultura popular, elementos de composição para as suas mais diversas expressões.”

 

Eu fui buscar elementos que comprovassem a relação punga e capoeiragem no Maranhão; de ser a punga dos homens uma forma de capoeira primitiva; o que vi me dá essa certeza, dentro dessa hipótese levantada, e creio eu, comprovada… Sem descartar o ponto de vista, o teu, principalmente, que o vê como atividade eminentemente cultural, pertencente ao grupo de jogos dançados…

Prossegue Serginho:

Quanto a esse aspecto, nos apaixonamos pelo Tambor de Crioula. Tocar tambor, não tem explicação, ainda mais quando os três tambores se emparelham, os tocadores se conhecem, sabem o que cada um vai fazer. Nesse aspecto, descobrimos que dançar, não é apenas rebolar ou fazer caras e bocas, como atualmente já se detecta. Observando os pés da tambozeira, percebemos que quanto melhor ela é, mais a mesma acompanha as pancadas do Tambor Grande, punga certinho no meião e ainda dá tempo de fazer uns quebrados no pererengue.

 

O que é reforçado quando fala de sua motivação a querer conhecer mais a punga dos homens:

Claro que a Capoeira nos levou ao tambor e como não poderia deixar de ser, também nos levou a punga dos homens. Mas, quero que leve em consideração, que embora amantes incondicionais da Capoeira, em momento algum, uma coisa tenta se tornar outra em nossos corpos. Evidente que o que aprendemos na Capoeira, pode facilitar e muito que pretendemos aprender na punga. Aquilo que possamos aprender na punga, com certeza se manifestará na Capoeira e, quem sabe, fortaleça nossa prática enquanto Capoeira do Maranhão, uma questão de identidade para uma localidade que quase tudo de novo que se aprende vem de fora.”

 

O Mestre Sérgio Capoeira afirma que o desejo não é divulgar que a punga seja a Capoeira primitiva do Maranhão; entende que

os diversos estados em nosso país desenvolveram algumas artes de luta e que localizadas no tempo passado, nunca foram denominadas de Capoeira. Preferimos deixar a punga onde ela está dentro do Tambor de Crioula. O Capoeira que quiser aprender a punga, além de ser Capoeira, passará também a ser Coureiro, Tambozeiro ou Punga (como eles se denominam, e não “pungueiros”).

 

Concordo plenamente!!! Onde está a divergência? Quanto ao uso do termo ‘pungueiro’ foram os próprios participantes – Junhero, o próprio Marco Aurélio, que o utilizou e assimilei…

2 Quando Mestre Patinho desenhou o triangulo no chão, ele estava se referindo somente a Capoeira. Quando inverteu o triangulo, ele estava abordando aquilo que o mesmo chama de ginga invertida. Na punga não existe o triangulo e sim a base de pés juntos naquilo que denominam de “esperando” punga.

Meu Mestre, Patinho me ensinou que Capoeira é prática, e só quem a pratica tem condições de discutir, com o que concordo; mas naquele momento, Patinho fez referencia à similaridade gestual, em que ‘ginga invertida’ se assemelha à punga, no momento em que vai levar o joelho – daí a necessidade do passo a frente – saindo da base paralela, passo a frente, para elevar a outra perna, a que vai golpear; deu o exemplo, riscando o triangulo no chão, e depois repetiu o gesto com o auxílio de outro capoeira, que recebeu o golpe… Até aí, concordamos… Claro, eu não sou Capoeira, escrevo sobre a História, daí minha dificuldade em entender e descrever o gestual…

Prossegue Sérgio:

Estou plenamente de acordo com vossa pessoa, quando diz que a ascensão histórica da Capoeira “matou” diversas artes e brincadeiras de luta por esse Brasil afora. Acho que sim, a “invasão” cultural e apaixonante da Capoeira deve ter causado esse efeito. Por isso, quando detectamos que a punga dos homens sobreviveu, isto se torna mais um motivo para que tenhamos orgulho do Tambor de Crioula pertencer ao Maranhão e que mais pessoas passem a praticá-lo, inclusive nossos camaradas da Capoeira”

 

Já escrevi que concordo com Mestre Cavalheiro quando afirma que o fenômeno das academias baianas trouxe uma nova conformação à própria história da capoeira, uniformizando (no que tange às tradições, hábitos, costumes, rituais, instrumentação, cantigas etc.) sua prática, especialmente após a migração de mestres para o sudeste brasileiro. Isso foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, a punga, o bate-coxa… Que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana. (Carlos Carvalho Cavalheiro, in Jornal do Capoeira).

     Vamos verificar algumas descrições, então, dos gestuais:

BATE-COXA – manifestação das Alagoas, uma dança ginástica: “a dança do bate-coxa não se confunde com a capoeira. Os praticantes são da mesma origem, descendentes de escravos” – os dois contendores, sem camisa, só de calção, aproximam-se, colocando peito a peito, apoiando-se só nos ombros, direito com direito. Uma vez apoiados os ombros, ao som do canto de um grupo que está próximo, ao ouvir-se o “ê boi”, ambos os contendores afastam a coxa o mais que podem e chocam-se num golpe rápido. Depois da batida, a coxa direita com a coxa direita, repete a esquerda, chocando-se bruscamente ao ouvir o “ê boi” do estribilho. A dança prossegue até que um dos contendores desista e se dê por vencido.

BATUQUE [1]– dança com sapateados e palmas, ao som de cantigas acompanhadas só de tambor quando é de negros ou também de viola e pandeiro “quando entra gente mais asseada”. A tradição indica o batuque-boi[2] como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola – a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita-se o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar aposição primitiva. Havia golpes como a encruzilhada em que o atacante atirava as duas pernas contra as pernas do adversário, a coxa lisa, em que o jogador golpeava coxa contra coxa, acrescentando ao golpe uma raspa, o baú, quando as coxas do atacante davam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente.

O batuque era uma luta/dança parecida com a capoeira, onde os jogadores usavam as pernas para desequilibrar o adversário, jogada ao som de músicas, ritmada por pandeiros e bastante violenta, uma vez que muitos golpes tentavam acertar a região genital.[3]

Permita outra transcrição, e veja se lembra de algo:

“Todos os dias no Morro da Favela (onde nasceu o samba, no Rio) havia Batuque, pernadas, pessoas caídas no chão até que surgisse a polícia. Na chegada dela, o batuque rapidamente virava meio dança lenta, meio ritual. As mulheres dos batuqueiros, para disfarçar, entravam na roda (tal qual a gira dos candomblés) e, num batuque mais lento, mole, com remelexos, trejeitos sensuais e umbigadas (= semba, em Loanda) no sexo oposto, – sendo estas consideradas o ponto culminante da dança -, demonstravam estar se divertindo. Segundo Elias Alexandre da Silva Correia [4]o batuque é uma dança indecente que finaliza com umbigadas.”. (D´Avila, 2006)[5].

Para D´Ávila (2006), assim nasceu o samba-de-roda na Bahia. Mistura de um batuque com as mulheres das rodas dos candomblés, com outro batuque representado pelos homens das capoeiras. É em virtude desta fusão que, ainda nos dias atuais, verificamos ser o samba-de-roda a única modalidade de samba em que a presença do berimbau se faz notar e é tocado, tradicionalmente, quando há mulheres presentes na roda:

“[…] Quando a polícia se retirava, recomeçava o batuque bravo quando caprichavam na capoeiragem, com pernadas violentas, soltando baús, dourado, encruzilhada, rabo-de-arraia, que tiravam os conflitantes da roda. Corte difícil de defender para um batuqueiro era o da tiririca com o seguinte canto puxado pelo mestre: ‘tiririca é faca de cortar / quem não pode não intima /deixa quem pode intimá’. Um pé ficava no chão e o outro com violência, no pé do ouvido do adversário. Em conseqüência da tiririca = faca, surgiu no samba-de-roda o raspado de prato e faca, do modo dos reco-recos raspados nas batucadas. Um último tipo de batuque bravo (dança-luta) é o bate-coxa em Alagoas, na cidade de Piaçabuçu, praticada exclusivamente por negros em que dois disputantes sem camisa, só de calção aproximam-se e colocam peito com peito, apoiando-se mais nos ombros. Soa a música… ‘são horas de eu virar negro / eh! boi…/ Minha gente venha ver / com meu mano vadiar /, eh! Boi…/ são horas de eu virar negro / tanto faz daqui pr.ali / como dali pr.acolá / eh! Boi…/ são horas de eu virar negro’. Afasta a coxa o mais que podem e quando escutam o coro cantar eh! Boi…., chocam-se num golpe rápido, coxa direita com a direita do adversário. Repetem a esquerda chocando bruscamente ao ouvir o eh! Boi…Perde quem desistir, sentir-se vencido ou levar uma queda após a batida. O canto é acompanhado por um tocador de reco-reco […]”D´Avila (2006)[6].

Reis (1997) [7] informa que:

O batuque baiano, segundo Câmara Cascudo (1988), era uma modalidade da capoeira. O acompanhamento musical assemelhava-se ao dela, com utilização de pandeiros, berimbaus e ganzás, além do que se entoavam cantigas. A luta envolvia dois jogadores por vezes, os quais deveriam unir as pernas com firmeza e aplicar rasteiras um no outro. O principal era evitar cair e “por isso mesmo era comum ficarem os batuqueiros de banda solta, isto é, equilibrado numa única perna, a outra no ar, tentando voltar à posição primitiva (…).” (p.129 – nota de número 12)

 

Para Sandroni, trata-se de:

“[…] um jogo de destreza corporal, variante da capoeira, que foi popular no Rio de Janeiro. Pode ser considerada também como uma variante do samba-de-umbigada definido por Carneiro, pois consistia numa roda, como os usuais cantos responsoriais e palmas dos participantes, onde a umbigada era substituída pela pernada, golpe com a perna visando derrubar o parceiro, o qual, se conseguisse se manter de pé, ganhava o direito de aplicar a próxima pernada no parceiro que escolhesse. A batucada se diferencia dos outros sambas-de-umbigada por sua componente violenta (2001:103”).

 

PERNADA – Câmara Cascudo  assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro; diziam os marinheiros que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas. Ainda Edson Carneiro (Dinâmica do Folklore, 1950) informa ser o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Na Bahia somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

Por ter certa semelhança com uma luta, a “pernada” ou “punga dos homens” tem sido comparada à capoeira. A pernada que se constata no tambor de crioula do interior, lembra a luta africana dos negros bantus chamada batuque, que Carneiro (1937, p. 161-165) descreve em Cachoeira e Santo Amaro na Bahia e que usava os mesmos instrumentos e lhe parece uma variante das rodas de capoeira.

“Há muito tempo a esta parte tenho notado um novo costume no Maranhão; propriamente novo não é, porém em alguma coisa disso; é um certo Batuque que, nas tardes de Domingo, há ali pelas ruas, e é infalível no largo da Sé, defronte do palácio do Sr. Presidente; estes batuques não são novos porque os havia, há muito, nas fábricas de arroz, roça, etc.; porém é novo o uso d”elles no centro da cidade; indaguem isto: um batuque de oitenta a cem pretos, encaxaçados, póde recrear alguém? um batuque de danças deshonestas pode ser útil a alguém?“(ESTRELLA DO NORTE DO BRASIL, n. 6, 08 de agosto de 1829, p. 46, Coleção de Obras Raras, Biblioteca Pública Benedito Leite).

 

Letícia Vidor de Souza Reis[8], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[9]. Em entrevista ao Jornal Diário da Bahia, na sua edição de 13 de março de 1936, na matéria: “Titulo Máximo da Capoeiragem Bahiana”, Bimba, dá uma longa entrevista acerca de seus desafios públicos na divulgação da chamada Luta Regional. Da mesma destacamos o seguinte trecho:

“Falando sobre o actual movimento d’aquele ramo de lucta, genuinamente nacional uma vez que difere bastante da Capoeira d’angola, o conhecido Campeão (Bimba) referindo-se a uma nota divulgada por um confrade matutino em que apparecia a figura do Sr. Samuel de Souza. Do Bimba, de referência aos tópicos ouvimos: Ao som do berimbau não podem medir forças dois capoeiras que tentem a posse de uma faixa de campeão, e isto se poderão constatar em Centros mais adiantados, onde a Capoeira assume aspectos de sensação e cartaz. A Polícia regulamentará estas exibições de capoeiras de acordo com a obra de Aníbal Burlamaqui (Zuma) editada em 1928 no Rio de Janeiro… Nesta reportagem existem alguns itens que merecem uma atenção mais detalhada: (a) A confirmação da influencia de Zuma no trabalho implantado por Mestre Bimba; (b) O reconhecimento de Bimba ao trabalho de Zuma; (c) A afirmação de Bimba existia Centros mais adiantados em Capoeira que a Bahia, no caso, a Cidade de Rio de Janeiro; (d) O interesse de Bimba pela prática desportiva da “Luta Nacional”; (e) A integração de seu discípulo nesta inovação; (f) A adoção do regulamento de Zuma pela direção do Parque Odeon, onde se realizavam tais apresentações; (g) A liberação pela polícia, daquela forma de luta já existente no Rio de Janeiro. ( Fonte: Rego, op. cit., 1968. pág. 282 e 283; Diário da Bahia. Salvador 13 de março de 1936; Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural – Prof. Dr. Sergio Luiz de Souza Vieira – PUC/SP 2004)[10]

Banda jogada, de Zuma[11]

A afirmação traz um significado especial por tratar do batuque baiano na formação de Mestre Bimba, da qual seu pai era campeão na modalidade, porque implicava num jogo agressivo de pernas contra as pernas do oponente, já como uma forma característica de luta acompanhada por cânticos e instrumentos.

Quanto a Anibal Burlamaqui – Mestre Zuma [12] – foi um importante inventor da nova capoeira carioca e afirmou que vários golpes foram extraídos dos “batuques” e “sambas”, como no caso do “baú”. Trata-se de um golpe dado no adversário com a barriga, sendo similar aos movimentos do “samba de umbigada”. O “baú” também era usado durante os “batuques lisos”, segundo Zuma, os mais delicados. O “rapa” havia sido um golpe usado nos “batuques pesados”. Ele também explica os golpes de “engano”, que serviam somente para burlar o adversário.[13]

Mestre André Lacé[14], a esse respeito, lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque.   Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas européias e asiáticas[15].

Segue a Roda…

Mestre Pastinha com seus discípulos no Pelourinho/BA.

No jogo: Na Atividade e Albertinho da Hora. Na bateria:
Gildo Alfinete, Gaguinho, Nelson, Sapateiro, Genário
Lemuscoto, Roberto Satanás, Rui Lemuscoto e Genésio Meio Quilo
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[1] CARNEIRO, E.A Sabedoria Popular. Rio de Janeiro: Edição de Ouro (1948), Civilização Brasileira, 1978, citado por D.ÁVILA, Nícia Ribas in UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponibilizado por Javier Rubiera para Conexoes da Capoeira Angola el 3/01/2010.

[2] Batuque é denominação genérica de toda dança de negros na África. Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira.

[3] Vale aqui uma referencia a Mestre Tiburcinho, também conhecido como Tibúrcio de Jaguaripe, lembrado entre poucos capoeiristas como um mestre de batuque. Também foi um grande mestre de capoeira e figura importante da cultura popular brasileira.  Tibúrcio José de Santana nasceu por volta de 1870 em Jaguaripe. Aprendeu o batuque com Mestre Bernardo, ali no Recôncavo mesmo. Foi um grande batuqueiro e um dos últimos a preservar essa arte. Chegou a Salvador de saveiro, como a maioria dos trabalhadores da região. Conheceu a capoeira de Salvador no Mercado Popular e se enturmou com os capoeiristas locais, se tornando um deles. Ficou famoso nas rodas de capoeira pela sua habilidade.  Depois de algum tempo, Mestre Tiburcinho começou a freqüentar a academia de Mestre Pastinha e era muito visto por lá. Com mais de 80 anos, era um capoeirista malicioso, mandingueiro, perigoso. Cantava sempre músicas da outra luta que praticava, mantendo-as vivas, como: Ê loandê… Tiririca é faca de cortá… num me corta molequinho de sinhá… Outro fato importante para a cultura brasileira é que foi Mestre Tiburcinho, levado a Mestre Bimba por Mestre Decânio, quem ajudou o famoso criador da Capoeira Regional a lembrar-se de muitas cantigas e até coreografias de maculelê. Graças a esse encontro, Mestre Bimba começou a colocar o maculelê em apresentações com seu grupo. Oo que fez com que o maculelê fosse estudado e apresentado por vários grupos de capoeira até hoje. Se o batuque Mestre Tiburcinho não conseguiu manter vivo, a “redescoberta” do maculelê teve uma grande força dele. Esse grande Mestre participou do “Dança de Guerra”, filme de Jair Moura. É citado entre outros capoeiristas no livro “Tenda dos Milagres”. E a gente faz questão de lembrar o nome dele por aqui. In http://zungucapoeira.blogspot.com/2009/06/mestre-tiburcinho-batuque-capoeira-e-o.html, disponibilizado por Javier Rubiera para Conexoes da Capoeira Angola el 3/01/2010.

[4] SILVA, A. E. C. – História de Angola – I, 89, Lisboa, 1937, in Moura J. – Mestre Bimba. Salvador (BA): Prod. Zumbimba, 1993.

[5] D.ÁVILA , 2006, obra citada. Disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf, publicado por Javier Rubiera para Conexoes da Capoeira Angola el 3/01/2010.

[6] Conforme D.ÁVILA, R. N. Análise Semiótica do Fato Musical Brasileiro BATUCADA. Tese de doutorado em Ciências da Linguagem – Semiótica. Sorbonne, Paris III – França, 1987.

Ver também

D’ÁVILA, R. N.. Trabalho apresentado no II° Congresso Brasileiro de Musicologia e III° Congresso Internacional de Música Sacra, na Escola Superior de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Da contribuição afro-indígena na música do Brasil, promovido pela (SBM) Sociedade Brasileira de Musicologia, 1992;

D.ÁVILA, R. N. – O SAMBA EM PERCUSSÕES – BATUCADA BRASILEIRA. Como tocar os instrumentos das Escolas de Samba, por música. Vol. I. Método com cassete. Santos (SP): Ed. A Tribuna, 1990;

ARAÚJO, A. M. – Brasil. Histórias, costumes e lendas. S. Paulo: Editora TRÊS;

CARNEIRO, A. L. Canções e danças de Monte-Córdova. Sep. de Douro – Litoral, IV; 3a. Série. Porto. 1964; RODRIGUES, N. – Os africanos no Brasil – S.Paulo: Ed. Nacional – 5a. Edição. Vol.9, l977;

MUNIZ JR., J. Do Batuque à escola de Samba, S. Paulo: Ed. Símbolo – l976;

CARNEIRO, E. – Samba de Umbigada, p. 33, in Mukuna, Kasadi Wa.- Contribuição Banto na Música Popular Brasileira. S. Paulo: Editora Global – s/d.

[7] REIS, 1997, obra citada.

[8] REIS, 1997, obra citada.

[9] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[10] Disponível em http://www.capoeira-fica.org/

[11] Zuma fue un importante inventor de esta nueva capoeira carioca y afirmó que varios golpes fueron extraídos de los “batuques” y “sambas”, como en el caso del “baú”. Se trata de un golpe dado en el adversario con la barriga, siendo similar a los movimientos del “samba de ombligada”. El “baú” tam- bién era usado durante los “batuques lisos”, segundo Zuma, los más delicados. El “rapa” habría sido un golpe usado en los “batuques pesados”. Él también explica los golpes de “en- gaño”, que servían solamente para burlar al adversario. Correspondencia pessoal de Javier Rubiera [mailto:[email protected]] Enviada em: quarta-feira, 5 de agosto de 2009 22:49 Para: [email protected] Assunto: [SPAM] [Sala de Pesquisa – Internacional FICA] Zuma, la Samba de Umbingada, el Morin…

[12] VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf – A Capoeira Desportiva é o mais antigo segmento organizado da Capoeira. Surgiu no Rio de Janeiro após a Proclamação da República, no Brasil, em 1889. É resultante do reaproveitamento da corporalidade da antiga capoeiragem, em seus gestos e movimentos, para a construção de um método ginástico caracterizado por uma forma de luta sistematizada. Em 1904 surgiu um livreto anônimo, sob o nome: Guia do Capoeira ou Gymnastica Brazileira, com algumas propostas deste reaproveitamento, no qual se encontram as letras ODC, que significam “ofereço, dedico e consagro”, no caso “à distinta mocidade”. Foi somente em 1928 que a Capoeira Desportiva foi metodizada e estruturada por seu precursor, Annibal Burlamaqui, conhecido pelo nome de Zuma, o qual elaborou a primeira Codificação Desportiva da Capoeira, sob o título de: Gymnastica Nacional (Capoeiragem) Methodizada e Regrada. Sua obra.

Ver ainda:

http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/08/zuma-la-samba-de-umbingada-el-moringue.html

http://www.capoeira-fica.com/PDF/Capoeira_Origem_Historia.pdf

http://www.capoeiraunb.com/textos/DOS%20ANJOS,%20ED%20-%20Educacao%20fisica%20e%20reordenamento%20no%20mundo%20do%20trabalho.pdf

http://www.capoeira.jex.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=848

[13] http://4.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SWfpDlAQZ6I/AAAAAAAAC68/mfXW2md8_IM/s1600-h/punga.gif, in Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[14] LACÉ LOPES, 2004, obra citada.

LACÉ LOPES, 2004, obra citada..

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada.

[15] LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

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PUNGA DOS HOMENS – ALGUMAS (NOVAS) CONSIDERAÇÕES

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PUNGA DOS HOMENS

– ALGUMAS (NOVAS) CONSIDERAÇÕES[1]

 

A ASSOCIAÇÃO CENTRO CULTURAL DE CAPOEIRAGEM “MATROÁ”, do Mestre Marco Aurélio (São Luis) – em parceria com o MAVAM[2], a SEDEL[3], e patrocínio da SECMA[4] -, realizou no período de 18 a 19 de maio de 2012 o evento “A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA”.

O objetivo foi de:

“[…] esclarecer se tal expressão corporal é remanescente de uma forma de luta, própria de povos africanos trazidos para o Maranhão e, se há uma relação com a Capoeira, bem como, os motivos pelos quais não se faz presente entre as brincadeiras de tambor de crioula, existentes na capital do estado.” (FOLDER DO EVENTO) [5].   

 

Segundo Mestre Marco Aurélio[6], o evento deverá propiciar:

“[…] o aprendizado, a pesquisa e o debate em torno dessa expressão –[Punga dos Homens] -, que muito embora seja tema de interesse da Capoeiragem, também diz respeito ao público em geral, na medida em que pessoas ligadas à pesquisa, dança, artes cênicas e de lutas, audiovisual, dentre outras, buscam na arte e na cultura popular, elementos de composição para as suas mais diversas expressões.”

 

Ainda de acordo com o material de divulgação[7], a “Punga dos Homens” vem carecendo de investigação, pois se apresenta com rara e rasa bibliografia. Ao que parece essa manifestação da lúdica e do movimento remonta à ancestralidade do Tambor de Crioula, haja vista a expressão “quentado a fogo, tocado a muque, e dançado a coice” que tão bem o define:

“Genuinamente maranhense e ainda presente em algumas comunidades rurais, a punga dos homens, a depender de uma região para outra, se faz mais, ou menos, vigorosa e não ocorre em todas as brincadeiras de tambor. Acontece ao lado da roda das mulheres, geralmente em areal e quanto mais vigorosa, não é raro ver homens ao chão. Com o avançar das horas, os coreiros intensificam as pungas, preservando-se, contudo, o aspecto lúdico da brincadeira. Ressalte-se, que nessa manifestação, acontece de mulher derrubar homem”.

 

Quero deixar registrado que desde 2005 se vem discutindo a Punga dos Homens:

Hoje, 29/07, fui [o Autor] ao Centro Histórico me informar sobre o Tambor-de-Crioula e a Punga, movido pela curiosidade de um artigo do Jornal do Capoeira – Capoeira em Sorocaba – em que é mencionado pelo Autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, em que no Maranhão a Capoeira receberia também o nome de “Punga”, ligado àquela dança… “[8]

     Dizia Mestre Cavalheiro:

“Das diversas lutas/jogos afro-brasileiras, tem-se informação das seguintes: Em Alagoas foi chamada de bate-coxa; em Pernambuco transformou-se no passo do frevo; na Bahia era a capoeira Angola e o batuque; samba de aboio em Sergipe; samba-de-roda no interior fluminense; pernada no Rio de Janeiro; punga no Maranhão; tiririca na capital paulista e pernada no interior de São Paulo. Isso não significa que não se encontrasse o nome genérico de capoeira nessas localidades. Em 1833, por exemplo, o Presidente da Província de São Paulo, Cel. Rafael Tobias de Aguiar, enviou para a Assembléia da Província uma Postura proibindo o jogo da capoeira.”[9] (grifos nossos)

 

Achei estranho, pois nunca ouvira falar nisso… Dei uma olhada no material que tenho sobre folclore maranhense e achei em Reis (1999) [10]:

“Caracteriza-se [o tambor de crioula] pela PUNGA ou UMBIGADA, onde é verdadeiramente observada em sua coreografia  a participação destacada da mulher”.

Dançam o Tambor-de-Crioula, apenas mulheres cabendo aos homens a percussão dos tambores.

Nada relacionado com a Capoeira…

Procurei em outros autores alguma relação entre “punga” e “capoeira”, e não achei nada. Então fui ao Centro de Cultura Popular “Domingos Vieira Filho”, procurar alguns pesquisadores que pudesse me dar alguma informação. Também lá não se ouvira falar de que a Capoeira, enquanto manifestação cultural fosse chamada de “punga”, conforme informa o ilustre pesquisador sorocabano.

Conforme já publicado no nosso Jornal do Capoeira, havia o uso de “capoeira” ou “carioca”, e estamos buscando ainda o que seria a “carioca”. Foi quando ouvi um toque de berimbau vindo de um sobrado, e a placa “Escola de Capoeira Angola ‘Mandingueiros do Amanhã’. Lá, encontrei Mestre Bamba e aproveitei a oportunidade de uma conversa – mais de duas horas – e perguntei se sabia alguma coisa sobre “uma capoeira” denominada “punga”. “Já ouvi falar…” foi a resposta.

Falou-me Mestre Bamba – Kleber Umbelino Lopes Filho, nascido na Madre Deus, bairro de São Luís, desde os doze na Capoeira, nove ensinando, e um como Contramestre [11]:

“[…] dá aulas em um “Projeto Ago”, do grupo G-DAM, no município de Itapecurú-Mirim, junto a remanescentes quilombolas; no Povoado de Santa Maria dos Pretos encontrou uma variação do Tambor-de-Crioula em que os homens participam da roda de dança – Punga dos Homens – em que utilizam movimentos semelhantes ao da capoeira -; no entendimento de Mestre Bamba, esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba; os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho – a punga. ”[12](grifos meus)

 

Na edição seguinte do Jornal do Capoeira (2005)[13] publiquei: o Confrade Carlos Carvalho Cavalheiro mandou-me alguns sítios sobre a capoeira, a punga, e o tambor-de-crioula. Interessante, e instigante. Especialmente quando se refere às varias manifestações, em seus comentários, que são identificadas com/como Capoeira.

Passemos a Luís da Câmara Cascudo e seu “Dicionário do Folclore Brasileiro [14], obra obrigatória – primeira edição de 1954, a segunda de 1959 – e, a terceira que estou usando, de 1972. Registra a página 148, o termo “Bate-coxa”, manifestação das Alagoas, uma dança ginástica: “a dança do bate-coxa não se confunde com a capoeira. Os praticantes são da mesma origem, descendentes de escravos“.

Acredita Câmara Cascudo que o bate-coxa seja mais violento, onde os dois contendores, sem camisa, só de calção, aproximam-se, colocando peito a peito, apoiando-se só nos ombros, direito com direito. Uma vez apoiados os ombros, ao som do canto de um grupo que está próximo, ao ouvir-se o ê boi, ambos os contendores afastam a coxa o mais que podem e chocam-se num golpe rápido. Depois da batida, a coxa direita com a coxa direita, repete à esquerda, chocando-se bruscamente ao ouvir o ê boi do estribilho. A dança prossegue até que um dos contendores desista e se dê por vencido.

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos) [15] – a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar a posição primitiva.

Do vocábulo “batuque-boi”, registra ainda Câmara Cascudo (1972): espécie de Pernada. Bahia. Voltemos a Pernada. Informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro; Diziam os marinheiros que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Ainda Edson Carneiro (Dinâmica do Folklore, 1950) [16] informa ser o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.

No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo. O batuque na Bahia se chama batuque, batuque-boi, banda, e raramente pernada – nome que assumiu no Rio de Janeiro…

No verbete “punga”, Câmara Cascudo[17] se refere à dança popular no Maranhão, capital e interior; que é a mesma “dança do tambor”. A punga é também chamada “tambor de crioula”. Há também referencia a grafia “ponga”, que como se sabe é um jogo. Crê que punga é um termo em uso apenas no Maranhão e significa, na dança em questão, a umbigada, a punga. A punga seria uma dança cantada, mas sem versos próprios, típicos. Geralmente são improvisados na hora, quando as libações esquentam a cabeça e despertam a “memória” do “tiradô” de versos. Após descrever o que seria a dança do tambor de crioula, informa que pong provirá do tupi “soar, bater, ou antes, soar por percussão. “O que fervia era o lundum, e estalavam as umbigadas com o nome de “pungas”” (p. 742-743). Remete a Tambor:

  “… mas a autonomia dos tambores indígenas e sua existência pré-cabralina parecem-me indiscutíveis no Brasil. Dança do Tambor, Tambor de Mina, Tambor de Crioulo. As danças denominadas “do Tambor” espalham-se pela Ibero América. No Brasil, agrupam-se e são mantidas pelos negros e descendentes de escravos africanos, mestiços e crioulos, especialmente no Maranhão. [grifos meus]. Conhece-se uma Dança do Tambor, também denominada Ponga ou Punga que é uma espécie de samba, de roda, com solo coreográfico, e os Tambor de Mina e Tambor de Crioulo, [chamo atenção novamente para a grafia, em masculino], série de cantos ao som de um ferrinho (triangulo), uma cabaça e três tambores, com danças cujo desempenho ignoro.” (p. 850-851).

 

Informa o ilustre pesquisador, ainda, que uma missão cultural colheu exemplos das músicas utilizadas tanto no Tambor de Mina quanto no de Crioulo, em 1938. Estão ligados esses tambores de mina e de crioulo às manifestações religiosas dos “terreiros”, ao passo que:

 “… a punga (dança e batida) parece alheia ao sincretismo afro-brasileiro na espécie… o Tambor-de-Crioula  é o Bambelô do Maranhão, mas com a circunstância de que só dançam as mulheres. Passa-se a vez de dançar com a punga, que é um leve bater de perna contra perna. Punga é também espécie de pernada do Maranhão: batida de perna contra perna para fazer o parceiro cair… às vezes o Tambor-de-Crioula termina com a punga dos homens.”. (p. 851).

 

Por “Punga”, registra: jogo ginástico, brincadeira de agilidade, entre valentões, malandros e capadócios. É uma simplificação da capoeira… Sua descrição assemelha-se à da “punga dos homens”, do Tambor de Crioulo (a) (p. 709). Já “bambelô” é descrito como samba, côco de roda, danças em círculo, cantada e acompanhada a instrumentos de percussão (batuque), fazendo figuras no centro da roda um ou dois dançarinos, no máximo. O ético é o vocábulo quimbundo mbamba, jogo, divertimento em círculo (p. 113).

Marco Aurélio Haikel[18], falando sobre o Tambor de Crioula, esclarece:

“Conforme o lugar, a exemplo de São Luís, a dança é exclusividade das mulheres, há, no entanto, homens que dançam, mas neste caso, requer usarem saia. A dança das mulheres se reveste de pura sensualidade e com belas evoluções, onde o ápice acontece quando a mulher, após saldar os tambores menores dançando, mostra-se de frente ao tambor grande, e os dois como que numa simbiose evoluem desafiando-se, até realizarem a punga. O toque dos tambores é predominantemente realizado por homens, apesar de que em alguns lugares a mulher toca, porém, quando se trata de tocar o tambor grande, aquela o faz ao lado deste, nunca sobre, mas, é na capital, onde já há grupos constituídos exclusivamente por jovens, que as mulheres se fazem mais presentes na batida dos tambores.”

Leopoldo, Aziz Jr, Bamba, e Senzala,no Matroá, discutindo sobre a Punga dos Homens, em 2005

 

Sobre a Punga, afirma:

A punga dos homens, ao contrário da punga das mulheres (umbigada), não acontece em todas as “brincadas de tambor”, sendo encontrada mais comumente em comunidades rurais. Acontece ao lado da roda das mulheres, geralmente em areal, e conforme o lugar é aplicada com mais ou menos intensidade, quando mais vigorosa, não é raro ver homens ao chão, com menos vigor, acontece somente um leve bater de coxas, no entanto, vale ressaltar que nos lugares onde ocorrem as derrubadas, com o avançar das horas, os coreiros já sob os efeitos da cachaça, intensificam-nas em quantidade e vigorosidade, sem que haja no entanto, qualquer incidente grave.”

 

Publiquei a seguir[19] que Mestre Marco Aurélio (Marco Aurélio Haickel) [20] em correspondência pessoal acerca da “Punga dos Homens” [Jornal do Capoeira] esclarece que, antigamente, a Punga era prática de homens; que após a abolição e a aceitação da mulher no convívio em sociedade, que passa a ser dançada por mulheres, apenas. Mas desde 1820 há referencia à Punga, com a participação unicamente de/por homens:

“Há registro da punga dos homens, nos idos de 1820, quando mulher nem participava da brincadeira sendo como movimentos vigorosos e viris, por isso o antigo ditado a respeito: ‘quentado a fogo, tocado a murro e dançado a coice’” [21]

 

Próximo a essa data referida por Mestre Marco Aurélio encontrei uma referencia à umbigada (punga), relatada pelo naturalista alemão George Wilhelm Freyreiss[22], que faleceu no sul da Bahia. Em uma viagem a Minas Gerais em 1814 -1815, em companhia do barão de Eschwege [23], assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.” [24] (Grifos nossos)

 

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[25], que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

O lundu ou lundum[26] é um gênero musical contemporâneo e uma dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e de ritmos portugueses. Da África, o lundu herdou a base rítmica, certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, os rebolados e outros gestos que imitam o ato sexual. Da Europa, o lundu, que é considerado por muitos o primeiro ritmo afro-brasileiro, aproveitou características de danças ibéricas, como o estalar dos dedos, e a melodia e a harmonia, além do acompanhamento instrumental do bandolim. O lundu veio para o Brasil com os negros de Angola, por duas vias, passando por Portugal, ou diretamente da Angola para o Brasil.

Voltemos às informações de Mestre Marco Aurélio. Onde encontrou as informações? Informa que há uma referência em Dunshee de Abranches[27]… Buscamos em “O Captiveiro”, de 1941. “O Captiveiro”, não é apenas um livro de memórias; escrito em 1938, para comemorar o cinqüentenário da abolição da escravatura e o centenário da Balaiada, trata-se de registros de acontecimentos políticos e sociais do Maranhão (GASPAR, 1993) [28]. Numa de suas passagens, descreve as lutas entre brasileiros (cabras) e portugueses (puças), republicanos e monarquistas, abolicionistas e negreiros, que para defenderem seus ideais, passam a criar periódicos e grêmios recreativos de múltiplas denominações para defesa de seus ideais. Dessa mania surge a “Arcádia Maranhense”, e de uma sua dissidência, a “Aurora Litteraria”. Para ridicularizar os membros desta última, aparece um jornaleco denominado “Aurora Boreal”: “… só faltava fundar-se o Club dos Mortos. E justificou [Raymundo Frazão Cantanhede] tão original proposta dizendo que, se tal fizéssemos, iríamos além dos positivistas: ficaríamos mortos-vivos e assim seríamos governados por nós mesmos”. (ABRANCHES, 1941:174) [29]. O Clube dos Mortos reunia-se no porão da casa dos Abranches, no início da Rua dos Remédios, conforme relata Dunshee de ABRANCHES (1941) em suas memórias:

“E como não era assoalhado nem revestido de ladrilhos, os meus paes alli instalaram apparelhos de gymnastica e de força para exercícios physicos (…). E, não raras noites, esse grupo juvenil de improvisdos athletas e plumitivos patriotas acabava esquecendo os seus planos de conjuração e ia dansar na casa do Commandante Travassos…” (p. 187-188).

 

O “Club dos Mortos” envolveu-se, ainda, nas disputas entre caixeiros e estudantes por causa de duas artistas de um circo, instalado no Tívoli. Para enfrentar os empregados do comércio, na sua maioria homens feitos, os preparatorianos (estudantes do Liceo) reuniram-se no pátio do colégio para selecionar os melhores atletas para a defesa. Fundaram, assim, o Club Roncador, que guardavam suas armas na casa dos Abranches:

”… veio dahi uma grande amizade dos campeões dos murros e dos cambitos (synonimo de rasteira naquella época) pelo Club dos Mortos“. (p. 190-191). (grifos meus).

 

Rasteira? Seria a capoeira? Nada sobre o Tambor-de-Crioula e a punga dos homens, nada em “A Setembrada”, nem n’”A Esfinge do Grajaú”…

Para Ferreti (2006) [30], a umbigada ou punga é um elemento importante na dança do Tambor de Crioula[31]. No passado foi vista como elemento erótico e sensual, que estimulava a reprodução dos escravos. Hoje a punga é um dos elementos da marcação da dança, quando a mulher que está dançando convida outra para o centro da roda, ela sai e a outra entra. A punga é passada de várias maneiras, no abdome, no tórax, nos quadris, nas coxas e como é mais comum, com a palma da mão.

Em alguns lugares do interior do Maranhão, como no Município de Rosário, ou em festas em São Luís, com a presença de grupos de tambor de crioula, costuma ocorrer a “punga dos homens” ou “pernada”, cujo objetivo é derrubar ao solo o companheiro que aceita este desafio. Algumas vezes a punga dos homens atrai mais interesse que a dança das mulheres.

Em reunião no Matro-á, escola de capoeira de Mestre Marco Aurélio, Mestre Patinho presente, assim como Mestre Didi[32]: uma verdadeira aula de cultura maranhense. Presentes, também, Domingos de Deus, Luis Senzala, Bamba, Vespasiano… Conversas sobre os artigos do Jornal do Capoeira, sobre a Punga dos Homens, e novas informações e esclarecimentos… Desafiados para colocarem no papel suas pesquisas – mais de oito anos – sobre essa manifestação:

“Há cerca de oito anos (1997), eu e mais outros capoeiras estamos pesquisando a punga, e posso lhe afirmar que apesar da correlação de alguns golpes com a capoeira, esta pode até ter similaridade, mas daí afirmar que é capoeira é outra coisa.” (in correspondência pessoal, de 10 de agosto de 2005).

 

Uma certeza: punga não é capoeira, embora alguns movimentos se assemelhem…

Informa Marco Aurélio:

Ano passado (2004), participei em Salvador, de um Encontro Internacional de capoeira “GINGAMUNDO”. onde coordenei um grupo do Maranhão, com 25 (vinte e cinco) pessoas entre estas, o Mestre Felipe e outros pungueiros, entre pessoas de um Povoado de Rosário e mais outros coreiros e coreiras, algumas capoeiras angola. Lá, estavam presentes representantes de outras lutas de origem africana, de países como Angola e Madagascar, porém, a grande vedete do encontro foi a Punga dos Homens… Estavam presentes neste encontro, além de mestres antigos, tais como João Pequeno, João Grande, Mestre Boa Gente, também haviam pesquisadores de renome como Jair Moura, Carlos Líbano Soares, Fred Abreu, Mathias Röhring Assunção, etc.”. (in correspondência pessoal).[33]

Comme sports de combats traditionnels, les malgaches connaissent plus le Moraingy, la boxe du nord, et le Ringa, la lutte du sud. Pratiqué par l’élite, le diamanga est en passe de se démocratiser et espère de nombreux transfuges des autres disciplines.[34]

“A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA” [35]

É natural, portanto, que um evento que iria tratar da Punga dos Homens atraísse minha atenção; mais, promovida por Mestre Marco Aurélio e Mestre Serginho; e havendo uma mesa redonda reunindo os Mestres Patinho e Euzamor, com o tema “aspectos de semelhança da punga dos homens com a capoeira”.

Mestre Marco Aurélio, como já dito, abriu o encontro, apresentando o que o motivou a apresentar projeto junto à SECMA. Disse dos objetivos. A seguir houve a exibição de documentário do cineasta Murilo Santos – Tambor de Crioula – filmado ainda no final dos anos 70, onde identifica alguns movimentos da punga; para, a seguir, uma roda de tambor de crioula.

Na etapa seguinte – duas horas de atraso para seu inicio – o pesquisador João Batista Gomes Santos Junior – Jonero – pungueiro do Centro Grande, município de Axixá iria discorrer sobre “Ontem e hoje – refletindo a respeito da punga dos homens. Pela demora em seu inicio – marcada para as 08:30 do dia 19/05, iniciada as 10:20 – me permitiu, nesse tempo de espera, uma conversa. Comecei por perguntar se já ouvira falar de ‘tarracá’, termo usado por Mestre Zulu, e na região da Baixada encontrando-se: “atarracado”, “atarracar’; e na região de Barreirinhas, conhecida como ‘queda”  [36]; informou que no Munin se usava do termo “queda” para o “atracamento” ou “atracado”; que se costuma praticar quando do “tapamento de palha” – da cobertura das casas -, em mutirão; assim como a punga, corre solta nestas ocasiões, já com os participes ‘tomados’ da cachaça ou “cervejinha”, e embalados pelos “cantos dos velhos” passam a desenvolver ‘as brincadeiras’: punga, atracado – ligado ou solto -, cangapé[37], e às vezes o futebol.

Jonero se refere às várias brincadeiras que realizam, além das citadas: Jaó, que é a pegada dentro da água, pegador, onde se suja a água e se mergulha aparecendo por detrás do oponente, subindo no mesmo; geralmente é ‘brincadeira’ de pescador, realizado nas crôas ou lavada, assim como o cangapé. Praticava-se também o ‘cacete’.

Outras brincadeiras, que hoje estão praticamente desaparecidas, danças, como o Pela-porco e a Caninha Verde.

Informa que essas brincadeiras vêm do ‘tempo do cativeiro’, como é o exemplo da Punga; sua organização, na região do Munin, se dava nos quilombos, e havia uma relação com os Terreiros de Mina. Praticavam-se três tipos de lutas: a punga, atracamento[38], cangapé, sendo que a punga acontecia fora do tambor de crioula, na ‘área da punga’

Da participação de “Seu” Miguel, de Arari, e do Mestre José Ribeiro, estes pungueiros, não ‘conhecem’ capoeira, tanto que pediram para ver uma roda, já que se estava tratando da punga como uma capoeira primitiva. Punga, como dito, tem significado de ‘pungar tambor’, isto é, a punga dos homens, que acontece ao lado da roda do tambor de crioula, esta das mulheres.

Algumas expressões usadas por esses Mestres de Punga dos Homens, que chamam atenção, como ‘queda sem cair’, e o acordo que precede a entrada na roda – bater sem machucar. No tempo do cativeiro negro saia para as brincadeiras, mas não podia voltar machucado, pois o patrão não deixaria sair novamente, dai que vêm “os acordos”, de como será o combate. Caqueado, outro termo usado, é o aviso de que vai bater, onde vai bater – se na coxa, ou se vai ser no pé – rasteira: cambito!! – Em Arari, se bate só na coxa, e a alegria é cair junto: queda dos dois. Deixaram bem claro: não se punga em solo duro ou no cimento – só na areia.

 

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CANGAPÉ = Salto no ar, firula, acrobacia com o corpo, aquilo que alguns jogadores de futebol fazem na comemoração do gol e que os meninos do Nordeste sabem fazer sem nunca terem freqüentado uma aula de acrobacia.

 

Pois bem, arma-se nova roda, esta de Capoeiras: Mestre Patinho[39], Mestre Euzamor[40], Mestre Serginho, Mestre Vânio[41], Mestre Pezão[42], Mestre Luis Senzala[43], Mestre Baé[44], Mestre Mizinho[45], além dos Mestres pungueiros José Ribeiro e Miguel (de Arari). O tema “aspectos de semelhança da punga dos homens com a capoeira”.

Patinho entre na Roda e apresenta seu caqueado: aos 9 anos, ouvia na noite o bater dos tambores. Sentia medo! Seu pai, um dia, para que perdesse esse medo, levou-o para ver de onde vinha e o que acontecia – conhece a Punga, dançado pelos homens.

Passa a discorrer sobre a Punga e fala da “Punga de Peito”, em que os contendores saltam e batem de peito – feito no tempo da batida dos tambores para fazer a punga: ritmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Capoeira                                      Punga

Faz uma correlação entre a Capoeira e a Punga, tomando por base o ritmo e o movimento, apresentando que a base é a mesma – triangulo isóscele – três lados iguais – e que na capoeira a base se apresenta com os dois pés paralelos, com a mudança para três – vértice – a mudança de passo (base) se dá movimentando-se para trás; na punga há inversão, em que a base fica atrás e o movimento se faz para frente.

Vê semelhança no ritmo de executar o movimento – se refere à pernada e alguns movimentos como o rabo de arraia, cangapé.

Para Mestre Euzamor – Alberto Pereira Abreu – nos passeios que a família fazia para a Ponta D´Areia, nos finais de semana, ainda nos anos 60, ao final da tarde via as rodas de Tambor de Crioula e em dado momento os homens entravam na roda com o Jogo do Cacete; quando se tornou Capoeira, começou a perceber a semelhança da Capoeira de Mestre Sapo com aquelas lembranças de criança; Sapo falava de ritmo e movimento do cabloco de pena com a movimentação da capoeira; aprendeu, então, a jogar o cacete; acredita que a origem da capoeira do Maranhão esteja no Tambor de Crioula e no Bumba-Boi; fala sobre o jogo do cacete, e de como treinava.

Houve intervenções dos Mestres pungueiros, reafirmando o que vinham falando nesses três encontros – ressaltando-se que Punga era ‘brincadeira’.

Mestre Patinho pergunta-me por que não houve capoeira no Ceará. Respondo: houve, mas com outro nome, como aqui recebia a denominação de ‘carioca’, ou mesmo ‘punga’, capoeiras primitivas. Carlos Cavalheiro[46], de Sorocaba afirma:

“Cai por terra a teoria de que São Paulo conheceu capoeira somente no século XX. É preciso ter claro na mente como se desenvolveu a capoeira e separar em dois momentos históricos: o da informalidade e o da formalidade dessa prática. Primeiramente, devemos entender que a mesma apareceu entre os negros escravos de Angola e os primeiros registros dão conta de que se tenha desenvolvido entre os quilombolas de Pernambuco. Posteriormente, essa luta encontrou em todos os rincões do Brasil suas formas regionais: a capoeira Angola e a pernada no Rio de Janeiro, a punga no Maranhão, o bate-coxa em Alagoas, o cangapé ou cambapé no Ceará, a tiririca ou pernada em São Paulo, a capoeira de Angola (e posteriormente a Regional Baiana) na Bahia.

“Notícias diversas também se tem do pessoal da pernada, a capoeira paulista simplificada. Em São Paulo, segundo Nenê da Vila Matilde e Geraldo Filme, era conhecida por tiririca. É a mesma pernada carioca. Sebastião Bento da Cunha, conhecido por “Carioca”, residente no bairro Santa Terezinha, em Sorocaba, alega que conheceu esse jogo com o nome de samba-de-roda, praticado em Valença e Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro. No Maranhão é conhecida por punga e está ligada ao Tambor de Crioula. Marcelo Manzatti fala da tiririca como sendo forma primitiva de Capoeira ou Pernada, praticada ao som do samba, sendo os golpes desferidos em meio aos passos da dança.”(grifos meu).

 

Mas vamos prosseguir com Mestre Cavalheiro, em correspondência pessoal (04/02/2006) quando me pergunta se ainda estou interessado na Punga; informa, então:

Encontrei outra referência: “A punga entre homens não tem características de convite à dança como entre as mulheres. É uma espécie de briga que se assemelha, ligeiramente, à capoeira, onde o objetivo de cada um é derrubar o companheiro. Isto faz lembrar a hipótese de que o Tambor de Crioula inicialmente era um exercício de luta como a Capoeira. É aplicada no joelho ou dada em forma de rasteira nos pés. […]”. Há um pouco mais de informações, mas isto é o essencial. A referência? FERRETTI, Sérgio et al. TAMBOR DE CRIOULA, Cadernos de Folclore n. 31. RJ: Funarte/MEC, 1981, pp. 08 – 11.

[1] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/20/cronica-da-capoeiragem-punga-dos-homens-algumas-novas-consideracoes/

[2] Museu de Artes Visuais do Maranhão

[3] Secretaria de Estado de Esportes e Lazer do Maranhão

[4] Secretaria de Estado de Cultura do Maranhão, projeto de 2009, aprovado em 2010, e recursos liberados no final de 2011, realizado neste ano de 2012

[5] ASSOCIAÇÃO CENTRO CULTURAL DE CAPOEIRAGEM “MATROÁ. A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA. São Luís, 2012. Folder de divulgação do evento.

[6] HAIKEL, Marco Aurélio. A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA. Conferencia de abertura do evento A PUNGA DOS HOMENS NO TAMBOR DE CRIOULA. São Luís, 18 de maio de 2012.

[7] ASSOCIAÇÃO CENTRO CULTURAL DE CAPOEIRAGEM “MATROÁ, 2012”. Folder de divulgação do evento, verso.

[8] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Pungada dos Homens & A Capoeiragem no Maranhão: MESTRE BAMBA, do Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, 30 de julho de 2005, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/pungada+dos+homens+a+capoeiragem+no+maranhao

Ver também

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; VAZ, Delzuite Dantas Brito.  A INTRODUÇÃO DO ESPORTE (MODERNO) EM MARANHÃO – A CAPOEIRA. In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA, Volume 05, Número 01, jan/jun/2002 (Disponibilizado em dezembro de 2006)

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio; PUNGA DOS HOMENS / TAMBOR-DE-CRIOULO (A) -“PUNGA DOS HOMENS”. In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA. Volume 09, Número 02, jun/dez 2006

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Capoeira/Capoeiragem no Maranhão. In DaCOSTA, Lamartine PEREIRA. ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, disponível em WWW.atlasdoesportebrasil.org.br

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Punga dos Homens e Capoeira no Maranhão. In DaCOSTA, Lamartine PEREIRA. ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006 disponível em WWW.atlasdoesportebrasil.org.br

HAIKEL, Marco Aurélio. Tambor-de-Crioulo(a) no Maranhão. In DaCOSTA, Lamartine PEREIRA. ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006 disponível em WWW.atlasdoesportebrasil.org.br

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio.  A CAPOEIRA NO/DO MARANHÃO: ALGUMAS QUESTÕES PARA REFLEXÃO. In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA, Volume 10, Número 01, jan/jun/2007

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio.  CAPOEIRA/CAPOEIRAGEM NO MARANHÃO In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Volume 10, Número 02, jul/dez/2007 (Disponibilizado em Fevereiro de 2008)

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio.  CAPOEIRA(GEM) EM SÃO LUIS DO MARANHÃO – NOVOS ACHADOS… In REVISTA “NOVA ATENAS” DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Volume 11, Número 01, jan/jun 2008

[9] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Pernada de Sorocaba. In JORNAL DO CAPOEIRA, 29.04.2004, Disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/pernada+de+sorocaba

[10] Reis, José Ribamar Sousa dos. Tambor-de-Crioula. In Folclore Maranhense, Informes. 3 ed. São Luís : (s.e.), 1999, p. 35

[11] em entrevista no ano de 2005

[12] VAZ, 2005, obra citada

[13] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Ainda sobre a Punga dos Homens – Maranhão. Jornal do Capoeira – Edição 44: 22 a 28 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL estendida – CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/ainda+sobre+a+punga+dos+homens+-+maranhao

[14] CAMARA CASCUDO, 1972, obra citada..

[15] Citado por Câmara Cascudo, 1972

[16] Citado por Câmara Cascudo, 1972

[17] CAMARA CASCUDO, 1972, obra citada.

[18] HAIKEL, Marco Aurélio. Breves Observações Sobre Tambor de Crioula. In Jornal do Capoeira – Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/breves+observacoes+sobre+tambor+de+crioula.

[19] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Notas sobre a Punga dos Homens – Capoeiragem no Maranhão. In JORNAL DO CAPOEIRA, Edição 43: 15 a 21 de Agosto de 2005, EDIÇÃO ESPECIAL- CAPOEIRA & NEGRITUDE, disponível em  http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/notas+sobre+a+punga+dos+homens+-+capoeiragem+no+maranhao

[20] Marco Aurélio Haikel é Mestre e grande estudioso da Capoeira; é líder do Grupo Matroá e discípulo de Mestre Patinho, além de exercer a profissão de advogado, em São Luis do Maranhão-MA

[21] Mestre Marco Aurélio, em correspondência eletrônica, em 10 de agosto de 2005.

[22] FREYREISS. 1982, obra citada..

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

[23] PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

[24] D´ÁVILA, 2006, obra citada. disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

Ver também:

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967 http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

[25] http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html. disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

[26] http://pt.wikipedia.org/wiki/Lundu

[27] João Dunshee de Abranches Moura nasceu à Rua do Sol, 141, em São Luís do Maranhão. Advogado, polimista, historiador, sociólogo, crítico, romancista, poeta, jornalista, parlamentar e internacionalista. Dentre seus escritos, destaca-se a trilogia constituída pelo “A Setembrada”, “O Captiveiro”, e “A Esfinge do Grajaú”. In VAZ, Leopoldo Gil Dulcio e VAZ, Delzuite Dantas Brito. CONSTRUÇÃO DE UMA ANTOLOGIA DE TEXTOS DESPORTIVOS DA CULTURA BRASILEIRA: PROPOSTA E CONTRIBUIÇÕES. In VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTES, LAZER E DANÇA, Gramado-RS, 20/05 a 1º/06 de 2000.

[28] GASPAR, Carlos. DUNSHEE DE ABRANCHES. São Luís: (s.e.), 1993. (Discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a 28. jul.92).

[29] DUNSHEE DE ABRANCHES MOURA, João. O CAPTIVEIRO. São Luís, (s.e.), 1941

[30] FERRETI, Sérgio. Mário De Andrade E O Tambor De Crioula Do Maranhão. (Trabalho apresentado na MR 07 – A Missão de Folclore de Mário de Andrade, na VI Reunião Regional de Antropólogos do Norte e Nordeste, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, UFPA/MEG, Belém 07-10/11/1999. In REVISTA PÓS CIÊNCIAS SOCIAIS – São Luís, V. 3, N. 5, Jan./Jul. 2006, disponível em http://www.pgcs.ufma.br/Revista%20UFMA/n5/n5_Sergio_Ferreti.pdf

[31] O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana praticada por descendentes de negros no Maranhão em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. Não existe um dia determinado no calendário para a dança, que pode ser apresentada, preferencialmente, ao ar livre, em qualquer época do ano. Atualmente, o tambor de crioula é dançado com maior freqüência no carnaval e durante as festas juninas. Em 2007, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Obtido em “http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_crioula“.

[32] 10 de agosto de 2005

[33]  http://3.bp.blogspot.com/_VcRetvJqu_U/SwwhFACgp9I/AAAAAAAAGXo/K5DMEv_eNG0/s1600/img00025.jpg

[34] Diamanga é herdado de nossos ancestrais como os malaios, que importou os estilos” Pencak, ber-silat, calazar e Sikaran “budistas e indianos que impuseram” Kalaripayat. A pesquisa conduzida pela “Fototra Diamanga malgaxe” não ficar lá, parte histórica e filosófica já está concluída através de um manuscrito do livro. Mesmo se uma lista de diferentes estilos de técnicas “Diamanga” também já está estabelecido língua nacional da associação, esta continuará a ser procurado exaustivamente. http://www.madatsara.com/articles/detail-article/article/le-diamanga-fera-partie-des-arts-martiaux-pratiques-a-madagascar-2/rubrique/sports/news-browse/1/

[35] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. PUNGA DOS HOMENS NO TAMBRO DE CRIOULA, disponível em http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2012/05/03/a-punga-dos-homens-no-tambor-de-crioulo/ ; http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/29/3702/

[36] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO… disponível em http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/29/3702/

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. TARRACÁ – Elástico aplicado pelo Mestre Marco Aurélio, disponível em http://colunas.imirante.com/platb/leopoldovaz/2011/03/22/tarraca-elastico-aplicado-pelo-mestre-marco-aurelio/

[37] CangapéSinônimos:  cambalhota aquática    Ato de mergulhar e dar uma cambalhota com uma das pernas batendo sobre a superfície da água.  http://www.dicionarioinformal.com.br/cangap%C3%A9/

s.m. Pop. Ato de meter as pernas por entre as de outra pessoa para fazê-la cair. Rasteira. Fig. Laço, tramóia.

[38] VER VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. TARRACÁ, ATARRACAR, ATARRACADO. Palestra apresentada no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão em 27 de abril de 2011; publicado na Revista do IHGM 37, março 2011.

[39] MESTRE PATINHO – ANTONIO JOSÉ DA CONCEIÇÃO RAMOS – “Antonio, de Santo Antonio, José, de São José, Conceição, de Nossa Senhora da Conceição, Ramos, de Domingo de Ramos…”. ESTILO: Capoeiragem; Contemporâneo (Josué); MESTRE: Mestre Sapo; NOME: Antonio José da Conceição Ramos; FILIAÇÃO: Djalma Estafanio Ramos e Alaíde Mendonça Silva Ramos; NASCIMENTO: São Luis do Maranhão 14/09/1953; ACADEMIA: Escola Centro Cultural Mestre Patinho.  In VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. CONVERSANDO COM MESTRE PATINHO. Jornal do Capoeira – Edição 63 – de 05 a 11/Mar de 2006 disponivel em  http://www.capoeira.jex.com.br/; Do  LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção.

[40] MESTRE EUZAMOR ALBERTO PEREIRA ABREU Estilo ANGOLA Mestre Luciel Rio Branco (falecido em 1984) Mestre Sapo (falecido em 1972) Mestre Rui Pinto Filiação Euzébio Ramos de Abreu – Maria da Conceição Pereira Abreu Local e Data de nascimento São Luis – Ma – 15 de janeiro de 1962. Academia Centro de Artes Japiaçú – Associação Cultural de Capoeira Angola Ludovicence – ACCAL – 60 alunos HISTÓRIA DE VIDA Funcionário público estadual; Concluiu o 2º. Grau na Escola do Comércio Centro Caixeiral; Alberto – Mestre Euzamor recebeu esse título em função de sua irmã que era conhecida pelo seu segundo mestre Anselmo Barnabé Rodrigues – mestre Sapo (falecido em 1972 em envolvimento de acidente automobilístico). Iniciou a capoeira aos 07 (sete) anos de idade na escolinha do Costa Rodrigues, antigo ITA (Instituto Tecnológico de Aprendizagem) depois passando a se chamar Meng, com seu primeiro mestre Luciel Rio Branco (falecido em 1984 vitima de homicídio), depois Mestre Sapo e por último o mestre e irmão Rui Pinto. Mestre Euzamor comenta que até 1930 só existia capoeira ou capoeiragem (palavreado maranhense). Era considerado esporte marginalizado devido à prática e ação de como era jogado. Distingue os tipos de capoeira como: Capoeira Regional que era praticado apenas no estado da Bahia e difundindo-se para as demais regiões, era jogada mais por pessoas que tinham certo poder aquisitivo; a Capoeira de Angola; Memoriza na Capoeira de Angola a existência de três tipos de ritmo mais jogado hoje: Angola (fase de preparação, aquecimento), São Bento Pequeno (fase intermediária) e São Bento Grande (fase de roda). Explica o motivo que levou a esta escolha que foi origem, habitat, vindo do sangue sob o fato de ter nascido num lugar de sobrevivência  cotidiana “Madre Deus”. Com 35 anos dedicado a capoeira, agora e em primeiro momento foi formado o 1º. Mestrando que será chamado futuramente de mestre Cacá (Cláudio Lúcio), não costuma adotar a regra contra-mestre, e sim mestrando. Além desse, formou quatro discípulos. Fala que não vê a Capoeira como coisa aleatória, mas como um todo. Obtém como fonte inspiradora seus mestres: Luciel e Rui, este último como modelo de transparência, lealdade e responsabilidade e fora da Capoeira seu ídolo é o Steve Segal. É viajado pelo mundo afora, onde esteve duas vezes na Itália e duas na França, pretendendo voltar. O primeiro momento da existência na capoeira foi aos sete anos de idade com seu primeiro mestre: Luciel Rio Branco Rosa, depois com Mestre Anselmo Barnabé Rodrigues, vulgo Sapo. E, por último com Mestre Rui Pinto. Ensino médio completo, funcionário público estadual; motivo de escolha foi o sangue sob o fato de ter nascido num lugar de sobrevivência do dia-a-dia, ou seja “Madre-Deus”; até o momento formou um mestrando chamado Cláudio Lúcio, vulgo “Cacá” , além de quatro discípulos, não relacionados. Experiência de 35 anos dedicados a capoeira; distingue a capoeira em Regional (Mestre Bimba), mistura com outras técnicas de outras lutas; a Regional é mais competitiva, mais para lutar, disputar.  Enquanto que a Capoeira Angola (Mestre Pastinha), o objetivo principal é formar cidadãos no todo, melhorar a auto-estima, além de proporcionar resistência muscular, mantendo o corpo com a mesma performance. Ritual da capoeira  Angola ou ritmo: Angola (que é aquecer); São Bento Pequeno (que é a fase de intermédio); e São Bento Grande (que é o momento da roda). O objetivo do mestre em capoeira é deixar fluir o que tem dentro do ser, a fim de que possa identificar-se com o que realmente está querendo. A capoeira já lhe levou 2 vezes a Itália e duas a França, pretendendo voltar. Tem maior inspiração pelo seu irmão de afinidade, o mestre Rui Pinto, devido servir-lhe de modelo na transparência e responsabilidade. Do LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’, em construção.

[41] MESTRE VÃNIO Edivan Martins Botão  Estilo  Capoeira. Mestre Raimundão.  Filiação Paulino da S. Botão e Neide M.Botão Local e Data de nascimento São Luis, 23 de julho de 1962 HISTÓRIA DE VIDA Comecei a treinar capoeira no dia 16 de janeiro de 1982,numa sala do Colégio Universitário, no bairro de Vila Palmeira, com o Professor Raimundo, aluno do Mestre Sapo. Fui reconhecido Mestre no ano de 2002 pelo Mestre Ribaldo e reconhecido por outros mestres presentes. Ajudei a organizar o 1º Campeonato Maranhense de Capoeira em 1985; ajudei a organizar primeira federação maranhense de capoeira; ajudei a fundar a segunda federação oficial do estado do Maranhão. Quando ainda professor eu tinha um dos maiores grupos do Maranhão, o Grupo de Capoeira Cascavel. Participei das 1ª., 2ª., e 3ª. Mostra de capoeira, seminários, congressos, etc. Do  LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção

[42] MESTRE PEZÃO (2) Jadson Werbeth Figueiredo Estilo Regional Mestre Mestre Dedé (Denílson, não era mestre) Mestre Militar Filiação Joana Damasceno Figueiredo Local e Data de nascimento São Luis, 12 de agosto de 1981 Academia União de Moradores do Bairro Areinha, sede; existem mais quatro núcleos em São Luís e três em Axixá. Sempre usando alunos que treinou, pois dá autorização para os alunos dar aulas – tem cerca de 300 alunos HISTÓRIA DE VIDA Começou na capoeiragem, mas atualmente pratica e ensina a Regional, não deixando as raízes da capoeira Angola de lado. Para Pezão, o capoeirista maranhense se vira de acordo com o toque do berimbau. Começou com 10 anos, contra a vontade dos pais, que achavam a capoeira coisa de moleque e muito perigosa, e escondidamente começou a treinar com seu primo Dedé, que não era mestre. Aos 13 anos começou a treinar com o Mestre Betinho,obtendo sua primeira graduação, a corda verde. Com o aprendizado e conhecendo outros  mestres, como Euzamor, Pato, Cibá, Jorge Navalha, Sena, Evandro e o finado Mestre Didi, entre outros. Aos 15 anos obteve sua segunda graduação, a corda amarela e teve a oportunidade de conhecer o Mestre Militar, que foi seu ultimo mestre, chegando com o mesmo a corda azul-amarela; hoje, aos 24 anos encontra-se na corda amarela-branca do Mestrando, aguardando chegar aos trinta anos para ser reconhecido como Mestre. O Mestre Pezão acha importante que por ocasião da iniciação dos seus alunos todos sejam questionados, do por que eles  querem fazer capoeira, o mestre acha que falar da historia da capoeira é extremamente necessário,para que o aluno entenda o valor histórico e conheça suas raízes. Para o Mestre Pezão o verdadeiro capoeirista mostra sempre que é unido com seus companheiros de arte,prima pela história e pela conservação de valores ensinados pelos seus antepassados e antecessores, tirando do senso comum a visão de racismo e marginalidade criada dentro da sociedade em relação a capoeira. ;ao termino da entrevista o Mestre deixa a seguinte mensagem, para você que não admira a capoeira, aprenda sobre ela antes de falar e saiba que dentro de cada brasileiro tem um pouco de capoeirista, pois é herança do sangue dos negros brasileiros correndo na veia.  Do  LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção. Há outro Mestre com esse mesmo nome

 

[43] MESTRE LUÍS SENZALA LUÍS AUGUSTO LIMA  Estilo ANGOLA Mestre  MESTRE MADEIRA (CERTIFICADO POR JOÃO PEQUENO) Filiação PAI: AUGUSTO DOS ANJOS LIMA  – MÃE: MARIA MADALENA LIMA Local e Data de nascimento SÃO LUÍS – MA   – 08 / 04 / 1971 Academia ESCOLA ACAPUS   HISTÓRIA DE VIDA  Em 1981, começou com o mestre Madeira, ingressou na capoeira devido as suas raízes e pelo seu interesse as artes marciais. O trabalho na capoeira se voltou para o social, isto é, tirando crianças das ruas  onde já tem 5 anos com esse trabalho. Com a formação desses alunos, houve a divulgação da capoeira nos países da Europa, visando com isso não só expandir a arte como tirar daí seu próprio sustento, fazendo um intercâmbio entre Brasil e Europa. Do LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção.

[44] MESTRE BAÉ – FLORISVALDO DOS SANTOS MENDONÇA COSTA – Estilo REGIONAL; Mestres *Mestre Alô – José Ribamar Viegas; *Mestre Paturi – Antônio Alberto Carvalho;*Mestre Patinho – Antônio José da Conceição Ramos *Mestre Edy Baiano – Edmundo da Conceição; Filiação Pai – Florisvaldo dos Reis Costa  –  Mãe – Inês da Graça Mendonça; Local e Data de nascimento Penalva – 01 de novembro de 1966 Academia Associação de Cultura Educacional Candieiro da Capoeira HISTÓRIA DE VIDA  Iniciei a capoeira em fevereiro de 1977, na feira do João Paulo com o finado Alô, depois passei a treinar com o mestre Paturi até conhecer o mestre Patinho tendo me afastado devido o mesmo ter se dedicado só à capoeira de angola, e meu objetivo eram me aprofundar mais na capoeira, pois a mesma está no sangue. Em 1989, comecei a praticar e estudar a capoeira regional pelo Brasil inteiro. A partir de 1990, iniciei um trabalho de estudo e pesquisa da capoeira no Brasil. De forma geral, hoje sou mestre de capoeira e amo o que faço. Nasceu em Penalva, estado do Maranhão, no dia 01/11/1966, onde logo depois se mudou para a capital, São Luís. Teve uma infância comum como qualquer outra criança, jogava pelada, bola de gude, soltava pipa. Mas aos 11 anos ingressou na capoeira, mais precisamente no dia 17 de fevereiro de 77, na Feira do João Paulo, bairro popular de São Luís, começou com o já falecido Senhor Alô, que foi policial militar. Em 1980 até meados de 1984, seu mestre foi Paturi, 95 Mestre patinho, 89 Mestre Edy baiano o mesmo que o graduou contra-mestre juntamente com o conselho de mestres. Atualmente Florisvaldo ou Mestre Baé é bombeiro militar. Do LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção.

[45] MESTRE MIZINHO – ALCEMIR FERREIRA ARAÚJO FILHO; Estilo REGIONAL Mestre: Mestre Evandro; Filiação Alcemir Ferreira Araújo – Amélia Marques; Local e Data de nascimento: São Luís – Ma – 21 de setembro de 1960; Academia Associação Nação Palmares HISTÓRIA DE VIDA Começou na Capoeira aos 12 anos, no PDT no Monte Castelo. É Mestre e tem mais de 500 alunos na Academia, fundada em 1º. de 2000; existem academias em vários bairros e conjuntos de São Luís, tais como Vila Palmeira, Anil, Cidade Operária, Caratatiua, Cohatrac; fazem apresentações me vários pontos da cidade. Aos 11 anos de idade eu praticava judô com um tio; certo dia, me levaram ao Teatro Artur Azevedo e eu fiquei puramente fascinado pela capoeira, mas quando pedi a minha mãe para treinar ela não permitiu, a capoeira era muito marginalizada mas eu tinha um professor particular chamado João Evangelista e minha mãe tinha uma grande confiança nele, ele era capoeirista e eu não sabia, um dia eu olhei ele armando um berimbau e me lembrei do teatro e perguntei para ele o que era aquilo e para que servia, ele me falou tudo, então pedi para ele falar com minha mãe para deixar eu treinar, ele foi e pediu. Minha mãe deixou, com a condição de que ele me levasse e trouxesse   para casa de volta. Iniciei na capoeira aos 12 anos de idade na Rua 24 de Agosto no Bairro do Monte Castelo, São Luís-Ma. Em 1984, quem comandava era o Evandro conhecido hoje como Socó e nessa mesma academia conheci o mestre Evandro com quem eu comecei a treinar, onde treinei até o ano de 2000, onde cheguei até a graduação de mestrando. O seu reconhecimento de Mestre foi dado por um conselho de Mestre pertencente a federação, ou seja, reconhecimento dado pela nossa comunidade capoeirista. A Associação Nação Palmares de capoeira – ANPC – fundada em 1º. De maio de 2000, localizada na Rua Gabriel, 27, Fé em Deus, nasceu de uma junção de idéias de três contra-mestre, Mizinho, J.J. e José Manoel, este último não se faz mais presnete na ANPC, por isso o nome Associação Nação Palmares de Capoeira tem como mestre e coordenador geral o mestre Mizinho e outros professores que também fazem parte da diretoria da ANPC. Atualmente a academia conta com 1 corpo docente 1 mestre, 1 contra-mestre, 3 instrutores e 1 monitor e 11estagiários. A Associação Nação Palmares de Capoeira não se intitula só no estilo Angola e nem no estilo Regional mas sim capoeira, uma capoeira mista que engloba os dois estilos Angola e Regional, respeitando sempre seus seguimentos, fundamentos e tradições de cada uma. Os ensinamentos teóricos e práticos são transmitidos da melhor maneira possível aos seus integrantes, lembrando que este estilo não foi criado por nós sim a preservado do passado com algumas inovações para melhorar e facilitar a aprendizagem dos alunos. E este o estilo de nossa capoeira não é uma sub-diferença da capoeira Angola e Regional, mas é o que chamamos de capoeira Maranhense, deixando como herança dos nossos antepassados. Do  LIVRO-ÁLBUM ‘MESTRES CAPOEIRA DO MARANHÃO’,  em construção.

[46] CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. A história da capoeira em Sorocaba.  Disponível em  http://www.anovademocracia.com.br/1828.htm

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CAPOEIRAS PRIMITIVAS

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CAPOEIRAS PRIMITIVAS[1]

 

Muito se discute sobre as origens da capoeira, com as perspectivas do debate atreladas aos diversos discursos que vestem sua imagem moderna, a esportiva:

“Parte-se de ideias construídas, e não de práticas sociais espontâneas. Assim, a capoeira carioca está historicamente imbricada às maltas de capoeiras da cidade e à “filosofia da malandragem carioca” dos anos 1800. A baiana, por sua vez, está ligada à cultura negra baiana e especificamente ao candomblé. No Recife, ela se manifesta nas gangues de Rua Brabos e Valentões. (CAVALCANTI, 2008) [2]

 

Esse autor considera que para a análise da essência da capoeira, tem-se que voltar no tempo e considerar o contexto da realidade sociocultural de espaços com registros identitários e territoriais dela, destacando-se dois loci: Rio de Janeiro e Recife. Estes dois centros urbanos eram, no século XIX, os maiores pontos de comunicação com o resto do mundo, onde mais circulava gente, ideias, comércio. As zonas portuárias permitiam a troca de ideias entre nichos socioculturais semelhantes.

A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira[3], e em Recife, com as gangues de rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês)[4] em Paris e das maltas de fadistas[5] de Lisboa do século XIX. Chama atenção é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos:

Por outro lado, as perspectivas identitárias e territoriais próprias dão a cada movimento sua sócio-fronteira, com espaços personalizados dos atores em seus próprios contextos sócio-culturais. A capoeira marca sua presença em grupos de sócio-fronteiras a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro com as maltas e no Recife com as gangues. Nessas cidades, os grupos disputavam os espaços demarcados identitariamente e tinham suas próprias manifestações rítmicas. (CAVALCANTI, 2008) [6]

 

Fregolão (2008) [7] considera que toda a pluralidade cultural imbricada na constituição destes elementos pode significar manifestações culturais diferentes, conforme a região em que ocorrem.

Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

 

Mestre André Lacé[8], a esse respeito, lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque. Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas européias e asiáticas[9].

 

Fonte: http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/01/grabado-de-capoeira-siglo-xix.html

Fuente foto Silat: Martial arts of the world: an encyclopedia, Volume 2 Escrito por Thomas A. Green.

 

O batuque, também chamado de pernada, é mesmo, essencialmente, uma divisão dos antigos africanos, com especialidade dos procedentes de Angola. Onde há capoeira, brinquedo e luta de Angola, há batuque, que parece uma forma subsidiária da capoeira[10].

Para Lacé Lopes (2006) [11], a origem africana, entretanto, é evidente e incontestável. Comprovada não apenas pelo perfil étnico predominante dos capoeiras brasileiros do passado, mas, sobretudo, pela existência na África, há séculos, de práticas similares. O Moringue no Oceano Índico – Ilha de Reunião, Madagascar, Moçambique etc.[12] – sem dúvida, é um bom exemplo.

1820-BAHÍA-Jogo da Capoeira semejante al Moringue malgache, 1834-RUGENDAS -dibuja la Capoeira ó Moringue ?, 1940-ANTROPÓLOGO Herskovits Compara la Capoeira con Moringue  disponível em http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/08/1733-carolina-del-sur-boxeador-y.html

 

O mesmo raciocínio pode ser ajustado ao berimbau africano, instrumento musical que, no Brasil, acabou fortemente associado ao jogo da capoeira. Cada vez menos, mestres de capoeira e pesquisadores tendem a divergir quanto a esses aspectos. Da mesma forma que está surgindo um consenso sobre a utilização do nome “capoeira” para rotular o ensino e a prática do jogo com acompanhamento musical (cantoria e ritmo: berimbau, pandeiro, caxixi, reco-reco, agogô, atabaque), e a utilização do nome “capoeiragem” para a prática da capoeira como uma espécie de briga abrasileirada de rua, em desuso, na qual, no máximo, batiam-se palmas e cantavam-se versos curtos (samba duro, pernada carioca etc.).

Já em Portugal encontrou-se o chamado fado batido, que surgiu no início do século XIX como dança de umbigadas semelhante ao lundu. Popularizou-se primeiro no Rio de Janeiro e depois na Bahia. Na década de 1830, já existiam em Lisboa inúmeras casas de fado, onde moravam as fadistas, jovens que cantavam, tocavam e “batiam” o fado num ambiente de bordel. Por volta de 1840, o canto ganhou especial importância, o que parece haver coincidido com a substituição da viola pelo violão[13].

1810-RIO -danzas de africanos españoles y portugueses, capangas disponível em http://www.cchla.ufpb.br/pergaminho/1907_capitulos_-_capistrano.pdf

 

José Ramos Tinhorão (2001), no capítulo “Os negros na origem do fado-canção em Lisboa” revela ter havido rodas de fado que funcionavam como as rodas de pernada dos crioulos do Brasil: era o chamado ‘fado batido’, clara referência à antiga umbigada africana e em que um dançarino ‘batia’ (aplicada a pernada) e o outro ‘aparava’ (procurava neutralizar o golpe para não cair).[14]

Fregolão (2008) [15] informa que na página 61 dos Códigos de Posturas da Câmara Municipal da cidade de Desterro [Florianópolis], de 10 de maio de 1845 no artigo 38 há a proibição dos ajuntamentos de escravos ou libertos para formarem batuques, sob pena de castigos conforme a lei para os cativos e para os libertos multa ou cadeia. O código de posturas da cidade de Salvador proibia “os batuques, danças e ajuntamentos em qualquer hora e lugar sob pena de prisão”. A expressão “batuque”, repleta de significados, podia representar diversas expressões culturais.

BATUQUE – Johann Moritz Rugendas (Augsburg, 29 de março de 1808 — Weilheim, 29 de maio de 1858) foi um pintor alemão que viajou por todo Brasil durante 1822-1825 e pintou povos e costumes.
Date 1822-1825. Fonte: Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

Câmara Cascudo registra por “Batuque” a dança com sapateados e palmas, ao som de cantigas acompanhadas só de tambor quando é de negros ou também de viola e pandeiro “quando entra gente mais asseada”. Batuque é denominação genérica de toda dança de negros na África.

Batuque é o baile, conforme descrição de um naturalista alemão, George Wilhelm Freyreiss[16] que faleceu no sul da Bahia, em uma viagem que fez a Minas Gerais em 1814 -1815 em companhia do barão de Eschwege [17]. Assistiu e registrou um batuque, e ao descrever a dança, fala da umbigada [punga]:

Os dançadores formam roda e ao compasso de uma guitarra (viola), move-se o dançador no centro, avança, e bate com a barriga na barriga de outro da roda (do outro sexo). No começo o compasso é lento, depois pouco a pouco aumenta e o dançador do centro é substituído cada vez que dá uma umbigada. Assim passam a noite inteira. Não se pode imaginar uma dança mais lasciva do que esta. Razão pela qual tinha muitos inimigos, principalmente os padres.” [18]

 

De acordo com D´Ávila (2006) [19], no século XVIII, constituído de instrumentos de percussão (membranofones, idiofones), o Batuque surgiu com esta designação, em conseqüência da homologação entre os atos do “bater”, verificados, tanto na forma primitiva do candomblé – o batucajé na Bahia, dança religiosa de negros (onde os atabaques marcam o ritmo para o contato com as divindades), quanto numa modalidade de capoeira, o famoso batuque-boi ou pernada (ou batuque), luta popular de origem africana muito praticada nos municípios de Cachoeira, Santo Amaro e Salvador, acompanhada de pandeiro, ganzá, berimbau (o único cordofone + idiofone, como exceção), e cantigas. É de procedência banta como a capoeira.

 

Batuque Muila   Cuanhamas Éfundula Cuanhamas

Éfundula  batuque homens  dança nocturna

http://www.nossoskimbos.net/Etnografia/Povos/index.htm

 

Segundo João Mina (citado por D´ÁVILA, 2006) [20], grande batuqueiro e capoeirista baiano que se mudou para o Rio de Janeiro: “o Batuque era praticado por negro macumbeiro, bom de santo, bom de garganta e principalmente bom de perna para tirar o outro da roda”. Todos os dias no Morro da Favela (onde nasceu o samba, no Rio) havia Batuque, pernadas, pessoas caídas no chão até que surgisse a polícia. Na chegada dela, o batuque rapidamente virava meio dança lenta, meio ritual. As mulheres dos batuqueiros, para disfarçar, entravam na roda (tal qual a gira dos candomblés) e, num batuque mais lento, mole, com remelexos, trejeitos sensuais e umbigadas (= semba, em Luanda) no sexo oposto, – sendo estas consideradas o ponto culminante da dança -, demonstravam estar se divertindo. Segundo Elias Alexandre da Silva Correia, “o batuque é uma dança indecente que finaliza com umbigadas”.

Conforme citação de M. de Araújo (citado por D´ÁVILA, 2006) [21], os fazendeiros que também viam no Batuque uma dança ritual da procriação, “fingiam que não viam, pois tinham grande interesse em aumentar o número de escravos”.

Assim nasceu o samba-de-roda na Bahia. Mistura de um batuque com as mulheres das rodas dos candomblés, com outro batuque representado pelos homens das capoeiras. É em virtude desta fusão que, ainda nos dias atuais, verificamos ser o samba-de-roda a única modalidade de samba em que a presença do berimbau se faz notar e é tocado, tradicionalmente, quando há mulheres presentes na roda. Quando a polícia se retirava, recomeçava o batuque bravo quando caprichavam na capoeiragem, com pernadas violentas, soltando “baús”, “dourado”, “encruzilhada”, “rabo-de-arraia”, que tiravam os conflitantes da roda. Corte difícil de defender para um batuqueiro era o da “tiririca” com o seguinte canto puxado pelo mestre: “tiririca é faca de cortar / quem não pode não intima /deixa quem pode intimá”. Um pé ficava no chão e o outro com violência, no pé do ouvido do adversário. Em conseqüência da tiririca = faca, surgiu no samba-de-roda o raspado de prato e “faca”, do modo dos reco-recos raspados nas batucadas (D´ÁVILA, 2006) [22].

Edison Carneiro[23] ao fazer uma espécie de etimologia do batuque, cita que Macedo Soares considerava a palavra produto do verbo bater, mas cita também:

“Esta palavra, na sua acepção mais lata no Brasil, aplica-se ao conjunto de sons produzidos por instrumentos de percussão, em especial se considerados desarmônicos ou ensurdecedores. Também em sentido lato, a toda e qualquer dança ao som de atabaques dá-se, depreciativamente, o nome de batuque. Especificamente, batuque designa um jogo de destreza da Bahia, uma dança de umbigada de São Paulo – que se filia ao batuque africano – e dois tipos de cultos de origem africana correntes na região amazônica e do Rio Grande do Sul.”

 

José Ramos Tinhorão (1988) [24] aponta para o problema do uso genérico do termo batuque: Na verdade, tal como o exame mais atento das raras informações sobre essas ruidosas reuniões de africanos e seus descendentes crioulos deixa anteverem, o que os portugueses chamaram sempre genericamente de batuques não configurava um baile ou um folguedo, em si, mas uma diversidade de práticas religiosas, danças rituais e formas de lazer.

Com o nome de “batuque” ou “batuque-boi” há uma luta popular, de origem africana, muita praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia, uma modalidade de capoeira. A tradição indica o batuque-boi como de procedência banto, tal e qual a capoeira, cujo nome tupi batiza o jogo atlético de Angola.

Encontramos em Angola um estilo musical popular – O Semba[25] -, que significa ‘umbigada’ em quimbundo – língua de Angola. Foi também chamado ‘batuque’, ‘dança de roda’, ‘lundu’, ‘chula’, ‘maxixe’, ‘batucada’ e ‘partido alto’, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente! O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na ‘massemba’ (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba). Jomo explica que o semba (gênero musical), atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assente fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

El Juego “Sisemba”- Islas Célebes – Its formal name is SISEMBA but it is occasionally called SEMBA. Fonte: http://www.ethnographiques.org/2008/IMG/pdf/arKoubi.pdf por Javier Rubiera para Sala de Prensa Internacional

É descrita por Edson Carneiro (Negros Bantos): a luta mobilizava um par de jogadores, de cada vez; dado o sinal, uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar o membro viril e os testículos. Dos golpes, cita o encruzilhada, em que o lutador golpeava coxa contra coxa, seguindo o golpe com uma raspa, e ainda o baú, quando as duas coxas do atacante devam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos lutadores era concentrado em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, o lutador tombasse, teria perdido a luta. Por isso mesmo, era comum ficarem os batuqueiros em banda solta, equilibrando-se em uma única perna, e outra no ar, tentando voltar à posição primitiva.

 

Augustus Earle “Negroes fighting. Brazils” (Nègres combattant. Brésils) aquarelle sur papier, 16.5×25.1 cm, date approximative 1821…1823

 

Catunda (1952) [26] ressalta que na capoeira baiana […] Não é como a capoeira carioca, na qual um dos comparsas se mantém imóvel, em atitude de defesa, enquanto só o outro ataca, dançando em volta do inimigo, assestando-lhe golpe sobre golpe. Em comentário de pé-de-página consta o seguinte:

“A descrição da capoeira do Rio relembra a do batuque ou da pernada carioca por Edison Carneiro 1950 [27], […] Edison Carneiro descreveu a capoeira bahiana em Negros Bantus em 1938”.

 

Câmara Cascudo[28]  informa que assistiu a uma pernada executada por marinheiros mercantes, no ano de 1954, em Copacabana, Rio de Janeiro. Diziam os marinheiros, que era carioca ou baiana. É uma simplificação da capoeira. Zé da Ilha seria o “rei da pernada carioca”; é o bate-coxa das Alagoas.

Em “Dinâmica do Folklore” (1950) Edson Carneiro[29] afirma que o batuque ou pernada, bem conhecido na Bahia e Rio de Janeiro, não passa de uma forma complementar da capoeira. Informa, ainda, que na Bahia, somente em arraiais do Recôncavo  se batuca, embora o bom capoeira também saiba largar a perna.  No Rio de Janeiro já se dá o contrário – a preferência é pela pernada, que na verdade passou a ser o meio de defesa e ataque da gente do povo.

Já Corte Real (2006) [30] referindo-se ao batuque afirma que o mesmo foi uma prática competitiva presente nas festas de largo da Bahia. Como a capoeira, teria sido perseguido pela repressão policial decorrente do código penal de 1890.

Vieira (1995, p.135) informa mais detalhadamente que:

“São raras e geralmente muito vagas as referências a essa instituição na literatura especializada nas tradições nordestinas. Segundo Édison Carneiro (1812: 111- 112), trata-se de um jogo praticado ao som de berimbaus e outros instrumentos, em que o objetivo é derrubar o adversário com o uso de golpes de perna, como rasteiras e joelhadas. Formado um círculo, um dos participantes entra na “roda” e dirige o desafio a outro jogador, enquanto o grupo acompanha o ritmo dos instrumentos com palmas e cânticos. Édison Carneiro afirma, ainda, que o batuque teria sido incorporado à capoeira, inexistindo atualmente como tradição isolada.”

 

Apesar da referência às fontes esparsas, Reis (1997) [31] informa que:

O batuque baiano, segundo Câmara Cascudo (1988), era uma modalidade da capoeira. O acompanhamento musical assemelhava-se ao dela, com utilização de pandeiros, berimbaus e ganzás, além do que se entoavam cantigas. A luta envolvia dois jogadores por vezes, os quais deveriam unir as pernas com firmeza e aplicar rasteiras um no outro. O principal era evitar cair e “por isso mesmo era comum ficarem os batuqueiros de banda solta, isto é, equIlibrado numa única perna, a outra no ar, tentando voltar à posição primitiva (…).”(p.129 – nota de número 12)

 

O batuque na Bahia se chama batuque, batuque-boi, banda, e raramente pernada – nome que assumiu no Rio de Janeiro… Ficaram famosos como mestres na arte do batuque, Angolinha, Fulo, Labatut, Bexiga Braba, Marcelino Moura…

Grande batuqueiro da época foi Tibúrcio José de Santana (década de 50, em Jaguaripe) quando, em entrevista, confirmou o nome de batuqueiros famosos com os quais conviveu e lutou: Lúcio Grande (Nazaré das Farinhas), Pedro Gustavo de Brito, Gregório Tapera, Francisco Chiquetada, Luís Cândido Machado (pai de Bimba), Zeca de Sinhá Purcina, Manoel Afonso (de Aratuípe), Mansú Pereira, Pedro Fortunato, Militão, Antônio Miliano, Eusébio de Tapiquará (escravo da família Abdom em Jaguaripe)[32]. Segundo Édison Carneiro:

“[…] a competição mobilizava um par de jogadores de cada vez. Havia golpes como a encruzilhada em que o atacante atirava as duas pernas contra as pernas do adversário, a coxa lisa, em que o jogador golpeava coxa contra coxa, acrescentando ao golpe uma raspa, o baú, quando as coxas do atacante davam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente.” (citado por D´ÁVILA, 2006)9

 

Do vocábulo “batuque-boi”, registra: espécie de Pernada. Bahia. A orquestra das rodas de batuque era a mesma das rodas de capoeira – pandeiro, ganzá, berimbau.

Pavão (2004) [33] citando Hiram Araújo (2000) apresenta o cenário das chamadas rodas de batuque, populares entre as classes pobres do Rio de Janeiro:

De repente, era uma navalha que brilhava a luz dos lampiões e um batuqueiro que caía ensangüentado, enquanto o coro abafava os gemidos da vítima cantando: ‘pau rolou… caiu! Lá nas matas ninguém viu… ’ (pg.148)”.

 

Continuando, as rodas de batucada, é divertimento associado à violência. Para Sandroni esta prática:

“[…] um jogo de destreza corporal, variante da capoeira, que foi popular no Rio de Janeiro. Pode ser considerada também como uma variante do samba de umbigada definido por Carneiro, pois consistia numa roda, como os usuais cantos responsoriais e palmas dos participantes, onde a umbigada era substituída pela pernada, golpe com a perna visando derrubar o parceiro, o qual, se conseguisse se manter de pé, ganhava o direito de aplicar a próxima pernada no parceiro que escolhesse. A batucada se diferencia dos outros sambas de umbigada por sua componente violenta (2001:103”).

 

Mais adiante, esses confrontos aparecem, por exemplo, quando analisamos as famosas rodas de batuqueiro, como Candeia Filho (1978) nos mostra:

O samba duro é um tipo de samba partido alto. Caracteriza-se pela violência em suas apresentações. Formavam-se círculos com o ritmo marcado pela palma da mão. O mais importante não era o samba de partido alto cantado, mas sim, a ginga do malandro, a rasteira ou pernada surgida da brincadeira. O samba duro também chamado de roda de “batuqueiros” existia na Balança (Praça Onze), nas festas da Penha (1978:57)”.

 

Nas “rodas de batuqueiro”, assim como nas demais manifestações da Praça Onze, o “desafio” se fazia presente como forma de disputa entre amigos, muitas vezes através da violência. O confronto revelava atributos destacados da personalidade, propiciando a valorização de aspectos como valentia, coragem, força e outros valores.

Ari Araújo, por sua vez, apresentou um pouco do que acontecia nas antigas disputas entre batuqueiros:

“O ponto de honra era não cair. Era tornar-se conhecido como perna santa, ou seja, aquele a quem ninguém consegue derrubar venha como vier: de banda de frente, banda jogada, banda de lado, etc.” (1978:27).

Em conferência intitulada “Batuque, samba e macumba” Cecília Meireles assim se manifesta: “Do batuque derivou-se a roda de ‘capoeiragem’ que vem a ser uma espécie de ‘jiu-jítsu’, de efeitos muito mais extraordinários, na opinião dos entendidos”.[34]

O batuque é a essência da cultura [35]. Esta é a definição de batuque que consta de uma placa comemorativa exposta no Parque Memorial Quilombo dos Palmares:

Os sons dos tambores, berimbaus, adufés (pandeiro) e agogôs, levam homens e mulheres a sintonizar profundamente com seus corpos e espíritos, através da ginga da capoeira, da congada, do maracatu e do samba. Os acontecimentos da vida cotidiana, como nascimentos, mortes, plantios, colheitas, vitórias e manifestações da natureza, eram comemorados comunitariamente com danças, músicas e baticuns. Antigamente, os toques eram também um precioso meio de comunicação entre os guerreiros e entre o divino e o profano.”

 

O batuque (batuku ou batuk em crioulo cabo-verdiano) [36] é um gênero musical e de dança de Cabo Verde. Como dança, o batuque tradicional desenrola-se segundo um ritual preciso. Numa sessão de batuque, um conjunto de intérpretes (quase sempre unicamente mulheres) organiza-se em círculo num cenário chamado terreru. Esse cenário não tem de ser um lugar específico, pode ser um quintal de uma casa ou no exterior, numa praça pública, por exemplo. A peça musical começa com as executantes (que podem ou não ser simultaneamente batukaderas e kantaderas) desempenhando o primeiro movimento, enquanto que uma das executantes dirige-se para o interior do círculo para efetuar a dança. Neste primeiro movimento a dança é feita apenas com o oscilar do corpo, com o movimento alternado das pernas há marcar o tempo forte do ritmo. No segundo movimento, enquanto as executantes interpretam o ritmo e o canto em uníssono, a executante que está a dançar muda a dança. Neste caso, a dança (chamada da ku tornu) é feita com um requebrar das ancas, conseguido através de flexões rápidas dos joelhos, acompanhando o ritmo. Quando a peça musical acaba, a executante que estava a dançar retira-se, outra vem substituí-la, e inicia-se uma nova peça musical. Estas interpretações podem arrastar-se por horas.

 

 

 

 

http://www.reisetraeume.de/kapverden/viadoso/mus1/en00.html#bilder

O batuque, também chamado de pernada, é mesmo, essencialmente, uma divisão dos antigos africanos, com especialidade dos procedentes de Angola. Onde há capoeira, brinquedo e luta de Angola, há batuque, que parece uma forma subsidiária da capoeira[37]·.

Letícia Vidor de Souza Reis[38], baseada em Câmara Cascudo, afirma que o “batuque baiano” era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana[39]:

FOTO: Bimba y Cisnando – Nascido Manoel dos Reis Machado, Mestre Bimba (1900-1974) era filho de Luís Cândido de Machado, caboclo de Feira de Santana, e Maria Martinha do Bonfim, negra do Recôncavo. Segundo Héllio Campos, Bimba deu os primeiro passos na capoeira aos 14 anos, com o pai, que foi campeão de batuque, e com Mestre Bentinho, africano que era capitão da Companhia de Navegação Baiana.“

FUENTE: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp020539.pdf

Mestre André Lacé[40] lembra que a capoeira tradicional, na Bahia e pelo Brasil afora, tinham a mesma convivência com o batuque. Além do mais há registros autorizados jurando que a Regional nasceu da fusão da Angola com os melhores golpes das lutas européias e asiáticas[41]:

 

http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/03/bimba-cual-es-la-verdadera-historia.html LIBRO: Artes do corpo Escrito por Vagner Gonçalves da Silva

 

Concordamos com Almeida e Silva (?) [42], para quem a história da capoeira é marcada por inúmeros mitos e “semiverdades”, conforme nos esclarece Vieira e Assunção (1998). Esses mitos e estórias dão base às tradições que se perpetuam e proporcionam a continuidade de um passado tido como apropriado. Na capoeira, a narrativa oral das suas “estórias” adquiriu uma força legitimadora tão forte que, por muitas vezes, podemos encontrar discursos acadêmicos baseados nelas[43].

Castro (2002) [44] nos esclarece esse fato e diz que em todos os casos de fenômenos da cultura corporal existe a tentativa, por parte dos seus atores, de expressar identidade, coesão e estabilidade social em meio a tantas situações de rápida transformação histórica/social, “através do recurso à invenção de cerimônias e símbolos que evocam continuidade com um passado muitas vezes ideal ou mítico” (p.11).

Para Soares (2001) [45], há todo um debate envolvendo a origem da capoeira, de onde ela veio etc. Embora a capoeira do Século XIX tenha passado por um período fortemente escravista, com uma população africana muito grande, a origem está no século XVIII, nos primórdios da sociedade urbana. A capoeira é um fenômeno urbano, que anuncia uma leitura de negros africanos e crioulos para o mundo urbano colonial.  É  a partir do início do século XVIII que se dá a formação de uma sociedade urbana colonial pela primeira vez, em Minas e no Rio de Janeiro – a grande cidade do ciclo do ouro era o Rio de Janeiro -, para onde convergiam todas as remessas de ouro que iam para a corte. A cidade cresceu muito, tanto que virou capital da colônia, havendo ali uma espécie de revolução urbana durante o século 18, que com certeza trouxe os africanos, já que até 1700 a população escrava no Rio era quase toda indígena:

“Os africanos vinham de um ponto distante do continente e que não se conheciam originalmente. Eles estavam num ambiente novo, tenso, de concentração, porque a cidade colonial era pequena, mas concentrava uma população densa. Os africanos traziam bagagens culturais diferentes, mas alguns elementos eram mais ou menos articuláveis, a língua, por exemplo. Também a dança foi importante, já que os povos se articularam nesse sentido. A capoeira, então, era uma forma de união desses diversos grupos. O termo capoeira foi dado pela ordem policial. Eles eram identificados assim. Isso cria um problema, já que de certa forma você tem uma identificação grupal que não parte do grupo, mas sim do seu rival. Os termos da documentação são o “jogo do capoeira”. Todos esses povos traziam uma bagagem cultural com diversas danças e artes marciais. Essas danças, por mais diferentes, tinham um ponto comum. Possivelmente essas semelhanças fossem articuladas na América. Capoeira, na hipótese desse autor, nasceu na América.”

 

Vieira (2004) [46] ensina-nos que, de acordo com os melhores cronistas, a Capoeiragem data de 1770,

“[…] quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’. Viam os negros escravos como o ‘amotinado’ se defendia quando era atacado por 4 ou 5 homens, e aprenderam seus movimentos, aperfeiçoando-os e desdobrando-os em outros dando a cada um o seu nome próprio. Como não dispunham de armas para sua defesa uma vez atacados por numeroso grupo defendiam-se por meio da ‘capoeiragem’, não raro deixando estendidos por uma cabeçada ou uma rasteira, dois ou três de seus perseguidores”2. Este texto de Hermeto Lima se alinha com o de Macedo, que nos afirma que “o Tenente ‘Amotinado’ era de prodigiosa força, de ânimo inflamável, e talvez o mais antigo capoeira do Rio de Janeiro, jogando perfeitamente, a espada, a faca, o pau e ainda de preferência, a cabeçada e os golpes com os pés.”

Jorge Olimpio Bento, no prefácio do livro de Araújo (1997) [47], afirma que esse autor, ao procurar esclarecer as origens e evoluções daquela luta ao longo de vários séculos, viu-se forçado a proceder a pesquisas documentais sobre todo o contexto social abrangente. Afirma Bento (p. 6): “não admira assim que na história da capoeira surjam indicações referentes”:

  • Ao tráfico negreiro;
  • Às manifestações culturais de origem africana dos povos traficados para o Brasil;
  • À vida dos negros, quer fossem escravos ou forros, às suas rebeliões e aos seus quilombos;
  • Ao período colonial e imperial do Brasil;
  • Os fatores político-sociais ligados ao fim do império, ao início da república, à era getulista e há tempos mais recente.

 

[1] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/20/cronica-da-capeoiragem-capoeiras-primitivas/

[2] Gil Cavalcanti, o Mestre Gil Velho, geógrafo, é coordenador do Projeto Memorial da Capoeira Pernambucana, do Programa Capoeira Viva, do Ministério da Cultura, 2008

[3] As Maltas eram grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX. Compostas principamente de negros e mulatos (os brancos também se faziam presentes), as maltas aterrorizavam a sociedade carioca. Houve várias maltas: Carpinteiros de São José, Conceição da Marinha, Glória, Lapa, Moura entre outras. No período da Proclamação da República havia duas grandes maltas, os Nagoas e os Guaiamús. http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta_(capoeira)

[4] O Savate ou boxe francês, é um desporto de combate, desenvolvido na França na qual os pés e as mãos são utilizados para percutir os adversários e combina elementos de boxe com técnicas de pontapé. Um praticante de savate é chamado savateur e uma praticante de savate é chamada savateuse. http://pt.wikipedia.org/wiki/Savate

VER:

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. “Chronica da Capoeira (gem): O “Chausson/Savate” influenciou a Capoeira?”.in PAPOÉTICO 29 de setembro de 2011, debate ocorrido no Sebo do Chiquinho, promovido pelo jornalista Paulo Melo.

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio.  CHRÔNICA DA CAPOEIRA (GEM) – “UMA RAIZ DA CAPOEIRA É A RINGA-MORINGUE MALGACHE?”. REVISTA IHGM 33 – março 2010, p. 22

[5] SOARES, Carlos Eugenio Líbano. Dos fadistas e galegos: os portugueses Na capoeira. In Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713 disponível em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

[6] CAVALCANTI, Gil. Do lenço de seda à calça de ginástica. Ter, 17 de Junho de 2008 16:44 Gil Cavalcanti (Mestre Gil Velho), disponível em http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/do-lenco-de-seda-a-calca-de-ginastica

[7] FREGOLÃO, Mário Sérgio. A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL: DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS. Florianópolis, julho 2008. Nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009, disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[8] LACÉ LOPES, 2004, obra citada.

LACÉ LOPES, 2004, obra citada..

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, André Luiz. CAPOEIRAGEM. Palestras e entrevistas de André Lacé Lopes, edição eletrônica em CD-R. Rio de Janeiro, 2006.

[9] LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

[10] CARNEIRO, Edison. FOLGUEDOS TRADICIONAIS. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; 1982., 1982 (p. 109), nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009

[11] LACÉ LOPES, André. Capoeiragem. In DACOSTA, Lamartine (ORG.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio de Janeiro: CONFEF, 2006, p. 10.2-10.4, disponível em http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/69.pdf

[12] VAZ, 2010, obra citada, p. 22

[13] http://www.casadobacalhaupb.com.br/v2/fado.php, referencia de Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA

[14] TINHORÃO, José Ramos. HISTÓRIA SOCIAL DA MUSICA POPULAR BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Editpora 34, 2001, disponiverl em http://books.google.es/books?id=8qbjll0LmbwC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false

[15] FREGOLÃO, 2009, obra citada. Disponível em http://www.capoeiraunb.com/textos/FREGOLAO,%20MS%20-%20A%20capoeira%20na%20historia%20local.pdf

[16] FREYREISS. Georg Wilhelm. Viagem ao interior do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.

Ver também http://openlibrary.org/b/OL16308743M/Reisen_in_Brasilien_von_G._Wilhelm_Freyreiss.

[17] PRINZ MAXIMILIAN VON WIED (1782-1867) – VOYAGE AU BRÉSIL, DANS LES ANNÉES 1815, 1816, ET 1817 Paris: A. Bertrand, 1821-1822 (http://www.museunacional.ufrj.br/MuseuNacional/Principal/Obras_raras.htm)

[18] D´ÁVILA, Nícia Ribas. Fundamentos da Cultura Musical no Brasil e a Folkcomunicação. UNESCOM – Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional
São Bernardo do Campo – SP. Brasil – 9 a 11 de outubro de 2006 – Universidade Metodista de São Paulo, disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

Ver também:

CÂMARA CASCUDO, Luis da: Folclore do Brasil (pesquisas e notas). Rio de Janeiro, São Paulo, Fundo de Cultura, 1967

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/ccrdfolclorenobrasil.htm)

[19] D´ÁVILA, 2006, obra citada. disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

[20] D´ÁVILA, obra citada

[21] D´ÁVILA, obra citada

[22] D´ÁVILA, obra citada

[23] CARNEIRO, Edison, DINÂMICA DO FOLCLORE, Rio de Janeiro: O Autor, 1950. Citado por FREGOLÃO, 2008, obra citada..

[24] TINHORÃO, José Ramos. OS SONS DOS NEGROS NO BRASIL: CANTOS, DANÇAS, FOLGUEDOS: ORIGENS. São Paulo: Art Editora, 1988.

[25] http://forum.angolaxyami.com/musica-de-angola-e-do-mundo/71-historia-do-semba.html.  Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Semba

[26] CATUNDA, Eunice, Capoeira no Terreiro de Mestre Waldemar, Fundamentos— Revista de Cultura Moderna, nº30, São Paulo, 1952, pp. 16–18.

[27] Carneiro, 1950, obra citada.

[28]  CAMARA CASCUDO, 1972, obra citada.

[29]  http://www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticia=629

[30] CORTE REAL, Márcio Penna. AS MUSICALIDADES DAS RODAS DE CAPOEIRA(S): DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, CAMPO E ATUAÇÃO DE EDUCADORES. Tese de Doutorado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação. Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Matias Fleuri. In [Conexões da Capoeira Regional] batuque‏, mensagem eletrônica enviada por Javier Rubiera ([email protected]  em sábado, 7 de novembro de 2009 16:50:26 Para: [email protected]

[31] REIS, Letícia Vidor. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher, 1997.

[32] D´ÁVILA, 2006, obra citada. disponível em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/34/GT2-_FOLKCOM-_04-_Fundamentos_da_Cultura_Musical_-_Nicia.pdf

[33] PAVÃO, Fábio Oliveira. ENTRE O BATUQUE E A NAVALHA.  Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas ,Curso de Pós-Graduação em Sociologia Urbana, Junho de 2004, disponível em http://209.85.229.132/search?q=cache:ffz_I2-8ARUJ:www.academiadosamba.com.br/monografias/fabiopavao-1.pdf+competi%C3%A7oes+de+batuque&cd=12&hl=es&ct=clnk

[34] MEIRELES, Cecília. BATUQUE, SAMBA E MACUMBA. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; INL, 1983, citada por GOUVEIA, Sonia Vilas Boas. CECÍLIA EM PORTUGAL. Rio de Janeiro: Iluminuras, 2001, p. 60-61, disponível em http://books.google.es/books?id=uK9QeChVPFsC&pg=PA62&dq=em+1935+batuque+samba+e+macumba&as_brr=3#v=onepage&q=em%201935%20batuque%20samba%20e%20macumba&f=false

[35] in http://pt.wikipedia.org/wiki/Batuque_(m%C3%BAsica)

[36] In http://pt.wikipedia.org/wiki/Batuque_(Cabo_Verde))

[37] CARNEIRO, Edison. FOLGUEDOS TRADICIONAIS. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; 1982, p. 109, nota enviada por Javier Rubiera para Sala de Pesquisa – Internacional FICA el 8/18/2009

[38] REIS, 1997, obra citada..

[39] in http://www.capoeira-fica.org/PDF/Annibal_Burlamaqui.pdf

[40] LACÉ LOPES, 2004, obra citada.

LACÉ LOPES, 2004, obra citada..

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2005, obra citada.

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada..

[41] LACÉ LOPES, André. Correspondência eletrônica enviada em 20 de agosto de 2009 a Leopoldo Gil Dulcio Vaz.

[42] ALMEIDA, Juliana Azevedo de; SILVA, Otávio G. Tavares da. A CONSTRUÇÃO DAS NARRATIVAS IDENTITÁRIAS DA CAPOEIRA. Vitória; UFES. e-mail: [email protected]

[43] Vieira e Assunção (1998) apontam esse fato no seu artigo.

[44] CASTRO, Celso. A invenção do Exército brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002.

[45] In http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/out2001/unihoje_ju167pag22.html

[46] VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/ .

 

 

 

 

 

 

 

[47] ARAÚJO, 1997, obra citada.

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“RES PRO PERSONA”

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“RES PRO PERSONA”  [1],[2]

 

o segredo é o seguinte: não existem factos, só existem histórias[3].

João Ubaldo Ribeiro

 

Vamos começar:

A Capoeira é essencialmente dialética e dinâmica; e por ser uma manifestação que se espalhou pelo mundo muito recentemente, recebe milhares de análises em seus diversos aspectos – teórico, técnico, didático, tático, filosófico etc. – e cada uma delas baseada na realidade de cada norteador de um trabalho (entenda-se: Mestre, Professor, Instrutor etc.).

Até aqui, vemos a fortaleza da Capoeira: a junção dos diversos pontos de vista que fazem com que ela não seja monopolizada em única verdade; e, sim, descentralizada em diversas faces de uma mesma manifestação. O que não é salutar é a imposição de uma verdade em detrimento de outra, gerando a perda de criatividade e a estabilização dos conhecimentos. Desta forma, é difícil dizer que algo é errado na Capoeira. (Mestre Tuti in Chamada na ‘Benguela’ -17/11/2011) [4]

 

Quando do reconhecimento da Capoeira como Patrimônio Imaterial do Povo Brasileiro foi considerada: Arte que se confunde com esporte, mas que já foi considerada luta:

Expressão brasileira surgida nos guetos negros há mais de um século como forma de protesto às injustiças sociais, arte que se confunde com esporte, mas que já foi considerada luta, a capoeira foi reconhecida como patrimônio imaterial da cultura brasileira. A decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi concretizada terça-feira (15) [de julho de 2008] no Palácio Rio Branco, em Salvador (BA).[5].

 

Sendo definida como uma arte multidimensional, um fenômeno multifacetado – ao mesmo tempo dança, luta, jogo e música – que tem na roda o ritual criado pelos capoeiristas para desenvolver esses vários aspectos.

Parto do entendimento de que a Capoeira é uma prática cultural[6] no sentido mais dinâmico possível do termo.

Mas, o que é a Capoeira? Como podemos defini-la? Tenho encontrado as mais variadas respostas: capoeira é luta; capoeira é um esporte; capoeira é folclore; outros dizem que é um lazer; é uma festa; é vadiação; é brincadeira; é uma atividade educativa de caráter informal[7].

Não me conformo com essas classificações simplistas e reducionistas; compreendi que a Capoeira é tudo isso… Compreender a Capoeira como sendo uma prática cultural[8] representa um salto qualitativo para além das visões essencialistas, que, por vezes, apelam para um mito de origem reivindicando a pureza ou a tradição de certo antigamente da Capoeira.

Quero chamar a atenção para o entendimento de que as práticas culturais, como a Capoeira, não estão paradas no tempo e, por isso mesmo, a transformação constante é inevitável. As necessidades e os problemas dos (as) Capoeiras de outrora não são os mesmos de hoje. A cada dia se joga uma Capoeira diferente. A Capoeira de hoje é diferente da Capoeira de ontem e da de amanhã – esse exemplo de constante transformação demonstra suficientemente bem que a cultura está em permanente mudança.

Assim, práticas culturais são aquelas atividades que movem um grupo ou comunidade numa determinada direção, previamente definida sob um ponto de vista estético, ideológico, etc. [9].

A arte apresenta registros documentais e iconográficos desde o século XVIII.[10]. Passamos a nos servir de Araujo e Jaqueira (2008) [11], em sua análise das pranchas de Rugendas[12], conforme proposto por Rubiera[13]:

 

 

Prancha 18 – JOGO DA CAPOEIRA – 1820/1835 – publicada em 1835-

Comentário do autor da obra:

“os negros tem ainda outro folguedo guerreiro mais violento, a ‘capoeira’: dois campeões se precipitam contra o outro, procurando dar com a cabeça no peito do adversário que desejam derrubar. Evita-se o ataque com saltos de lado e paradas igualmente hábeis; mas lançando-se um contra o outro mais ou menos como bodes, acontece-lhes chocarem-se fortemente cabeça com cabeça, o que faz com que a brincadeira não raro degenere em briga e que as facas entrem em jogo, ensangüentando”. (p. 75)[…]

 

Araújo e Jaqueira (2008) tecem o seguinte comentário:

“Dentro do contexto da luta brasileira, este é a imagem mais referenciada em documentos de origens diversas, talvez por ser a primeira iconografia publicada, mas não a única, que mais explicitamente identificou a presença do jogo denominado Capoeira num dos períodos históricos brasileiros e, igualmente descrita pelo autor com uma série de adjetivações, que vão desde um folguedo guerreiro de cariz violento ou mesmo uma brincadeira e por fim um jogo, o que nos faz refletir sobre as suas possíveis características de expressividade no período colonial do Brasil – luta, jogo, dança”. (p. 75-76)

 

Prancha 27 – SÃO SALVADOR – 1820/1835 – publicada em 1835:

 

“A iconografia denominada São Salvador, apresenta-se como um dado histórico que nos possibilita interpretações de alguns factos dos costumes dos grupamentos marginais da sociedade imperial brasileira, mais concretamente da Capoeira […] a imagem de Rugendas, busca fundamentalmente retratar uma panorâmica da cidade do Salvador, apresentando-nos em primeiro plano, uma cena característica de um dos costumes baianos, o jogo da Capoeira, tornando esta iconografia de capital importância para a reescrita e/ou reinterpretação da história desta expressão corporal, visto ser este tipo de documento dentre tantos outros, até ao momento, o primeiro, mas não o único que confirma ter existido tal expressão corporal na sociedade soteropolitana, isto para os contextos históricos colonial, imperial e da 1ª república. […]” (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008, p. 69)

 

Continuam esses autores:

“Apesar de Rugendas não referir-se explicitamente nesta obra sobre a exercitação da capoeira pelos indivíduos enfocados, não podemos deixar de concluir pela presença de elementos de cariz corporal que bem podem evidenciar na imagem, isto pelos conhecimentos por nós adquiridos sobre esta expressão, trata-se estes, de gestuais específicos da luta, onde a cabeçada ginga e esquivas se podem visualizar, não nos permitindo inferir acerca da sua forma de emanação – jogo; luta aprendizagem. Destarte não haver indicações do autor sobre este enfoque, e considerando a sua descrição sobre a iconografia ‘Jogo da Capoeira’, nos conduz na admissão de estarmos na presença de jogo ou de aprendizagem, quando associamos as condutas miméticas de alguns, brejeiro e de admiração de outros personagens presentes na cena. […] O que mais podemos extrair desta imagem, é a presença de uma movimentação rítmica configurada pelo movimento alternado das pernas e conhecida contemporaneamente por ginga, isto, sem qualquer auxílio de instrumentos musicais para a sua exercitação, indiciando, portanto, a não obrigatoriedade destes no seu contexto de expressividade, e muito menos a subordinação ao berimbau”. (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008m, p. 72-73) [14].

 

Em nota de pé-de-página, Araujo e Jaqueira (2008) referem-se a outras obras, desse mesmo período, que retratam o movimento identificado como Capoeira no Brasil:

“No período de 1820/25 foram igualmente elaboradas mais duas imagens que retratam a prática de uma manifestação de luta dos negros e, posteriormente, identificada como Capoeira em face das movimentações corporal presentes, e sustentadas pelas descrições de Rugendas. Este mesmo artista foi o autor de outra obra em que se pode visualizar (sic) na Bahia, uma forma de expressão corporal, que não se identificando nominalmente com manifestação da luta brasileira, não nos podemos furtar de assim reconhecê-la. A outra imagem é a denominada “Negros brigando nos Brasis’ de autoria de Augustus Earle”. (ARAUJO e JAQUEIRA, 2008, nota de pé-de-página, fls. 75-76, obra citada).

 

PRENCHA 7 – NEGROS BRIGANDO NOS BRASIS (NEGROES FIGHTING, BRAZILS) 1822

Comentário do apresentador da obra[15]:

 “Dois negros moços entregues ao ‘jogo da capoeira’, enquanto outros contemplam de uma casa própria e um policial colonial prepara-se para saltar uma cerca, a fim de sustar a luta

Negroes fighting, Brazil” c. 1824. Autor Augustus Earle (1793-1838) – Painting by Augustus Earle depicting an illegal capoeira-like game in Rio de Janeiro (1824)

 

Comentários sobre a obra:

“[…] as figuras apresentadas por Rugendas foram e ainda são as mais representativas para o contexto da capoeira, principalmente aquela que foi acompanhada pela descrição […] A imagem de Augustus Earle […] apesar de ter sido elaborada no mesmo período das iconografias de Rugendas, foi durante muito tempo relegada ao esquecimento […] Earle retratou uma cena típica dos costumes urbanos da cidade do Rio de Janeiro […] ao tipo de exercitação visualizada pela imagem […] entendemos ser esta, manifestadamente, a expressão corporal denominada Capoeira […] onde depreendemos estarmos diante de dois movimentos conhecidos no contexto atual da luta brasileira, como ginga e benção/escorão/chapa[…]”. (ARAÚJO e JAQUEIRA, 2008, p. 80-87)12

 

Araújo e Jaqueira (2008) analisaram também a obra de Frederico Guilherme Briggs – Negros que vão levar “açoutes”, estampa avulsa: tipos de rua e caricaturas. Os autores se valem da obra de Turazzi (2002) [16], que comenta:

“Se as imagens podem ser tomadas como uma ‘narrativa’, as estampas de tipos de Rua da Litografia Briggs nos permitem várias leituras […] Para tanto, eles adotaram como estratégia uma figura de linguagem empregada com freqüência na fala dos cariocas. Mas a substituição de nome próprio por perífrase (isto é, a designação de alguém ou de algo que dê relevo a uma de suas qualidades, e não por seu nome) tem sido historicamente, um dos traços mais marcantes da linguagem popular do Rio de Janeiro. Pois é exatamente esse estilo de linguagem, saído das ruas, o recurso adotado pelos litógrafos da oficina Briggs para representar e legendar as figuras de suas estampas”. (TURAZZI, 2002, citada por ARAÚJO e JAQUEIRA, 2008, p. 94-95).

 

FIGURA 20, OBRA DO ANO DE 1832/1836, PUBLICADA EM 1984:

Negros que vão levar açoutes  Briggs del.   Litho. R.B.   Rua do Ouvidor nº 118. Source: Biblioteca Nacional, acervo de gravuras sobre escravatura Negros que vão levar açoutes, 1832/1836, publicada em 1984.

O que é ‘capoeira’? [17] 

Verniculização do tupi-guarani caá-puêra: caá = mato, puêra = que já foi[18]; no Dialeto Caipira de Amadeu de Amaral: Capuêra, s.f. – mato que nasceu em lugar de outro derrubado ou queimado.

Data de 1577 primeiro registro do vocábulo “capoeira” na língua portuguesa: Padre Fernão Cardim (SJ), na obra “Do clima e da terra do Brasil”. Conotação: vegetação secundária, roça abandonada (Vieira, 2005) [19].

DEBRET – 1816/1831

Capoeira – espécie de cesto feito de varas, onde se guardam capões, galinhas e outras aves (Rego, 1968):

[…] os escravos que traziam capoeiras de galinhas para vender no mercado, enquanto ele não se abria, divertiam-se jogando capoeira. (Antenor Nascimento, citado por REGO, 1968, citados por MANO LIMA – Dicionário de Capoeira. Brasília: Conhecimento, 2007, p. 79).

 

Por Capoeira deve-se entender “individuo(s) ou grupo de indivíduos que promovião acções criminosas que atentavam contra a integridade física e patrimonial dos cidadãos, nos espaços circunscritos dos centros urbanos ou área de entorno“?

Conforme a conceitua Araújo (1997) [20] ao se perguntar “mas quem são os capoeiras? e por capoeiragem como:

“a acção isolada de indivíduos, ou grupos de indivíduos turbulentos e desordeiros, que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal, com fins maléficos ou mesmo por divertimento oportunamente realizado”? (p. 69); e capoeirista, como sendo: “os indivíduos que praticam ou exercem, publicamente ou não, exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidas como Capoeira, nas vertentes lúdica, de defesa pessoal e desportiva”? (p. 70).

 

Para esse autor, capoeiras era a denominação dada aos negros que viviam no mato e atacavam passageiros (p. 79), em nota registrando a Decisão (205) de 27 de julho de 1831, documentada na Coleção de Leis do Brasil no ano de 1876, p. 152-153; “manda que a Junta Policial proponha medidas para a captura e punição dos capoeiras e malfeitores).

Ou devemos entendê-la como:

“… Desporto de Criação Nacional, surgido no Brasil e como tal integrante do patrimônio cultural do povo brasileiro, legado histórico de sua formação e colonização, fruto do encontro das culturas indígena, portuguesa e africana, devendo ser protegida e incentivada” (Regulamento Internacional da Capoeira);

 

assim como Capoeira, em termos esportivos, refere-se a

“… um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, agogô e reco-reco). Enfocado em sua origem como dança-luta acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginásticas, dança esporte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica”. (Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 39-40).

 

Considera-se como prática do desporto formal da Capoeira sua manifestação cultural sistematizada na relação ensino-aprendizagem, havendo um ou mais docentes e um corpo discente, onde se estabelece um sistema de graduação de alunos e daqueles que ministram o ensino, havendo uma identificação indumentária por uniformes e símbolos visuais, independentemente do recinto onde se encontrarem.

Considera-se como pratica desportiva não formal da Capoeira sua manifestação cultural, sem qualquer uma das configurações estabelecidas pelo Artigo anterior, e que seja praticada em recinto aberto, eminentemente por lazer, o que caracterizará a liberdade lúdica de seus praticantes.

Capoeira

“jogo atlético de origem negra, ou introduzida no Brasil por escravos bantos de Angola, defensivo e ofensivo, espalhado pelo território e tradicional no Recife, cidade de Salvador e Rio de Janeiro, onde são reconhecidos os mestres, famosos pela agilidade e sucessos. Informa o grande folclorista  que, na Bahia, a capoeira luta com adversários, mas possui um aspecto particular e curioso, executando-se amigavelmente, ao som de cantigas e instrumentos de percussão, berimbaus, ganzá, pandeiro, marcando o aceleramento do jogo o ritmo dessa colaboração musical. No Rio de Janeiro e Recife não há, como não há notícia noutros Estados, a capoeira sincronizada, capoeira de Angola e também o batuque-boi. Refere-se, ainda, à rivalidade dos guaiamus e nagôs, seu uso por partidos políticos e o combate a eles pelo chefe de Polícia, Sampaio Ferraz, no Rio de Janeiro, pelos idos de 1890. O vocábulo já era conhecido, e popular, em 1824, no Rio de Janeiro, e aplicado aos desordeiros que empregavam esse jogo de agilidade.” (Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore) [21].

 

Capoeiragem”, de acordo com o Mestre André Lace: ”uma luta dramática” (in Atlas do Esporte no Brasil, 2005, p. 386-388).

Carioca” – uma briga de rua, portanto capoeiragem (no sentido apresentado por Lacé Lopes) – outra denominação que se deu à capoeira, enquanto luta praticada no Maranhão, no século XIX e ainda conhecida por esse nome por alguns praticantes no início do século XX.[22].

Para a capoeira, apresentam-se três momentos importantes: finais do século XIX, quando a prática da capoeira é criminalizada; décadas de 30/40, quando ocorre sua liberação; década de 70, quando se torna oficialmente um esporte.

CAPOEIRA ANGOLA – a proposta explícita da capoeira Angola é tradicionalista, no sentido de manter, o quanto possível, os “fundamentos” ensinados pelos antigos mestres. Está intimamente ligada a figura de Mestre Pastinha – Vicente Ferreira Pastinha -; aprendeu a capoeira antes da virada do século XIX (nasceu em 1889) com um velho africano.

CAPOEIRA REGIONAL – é a partir do final da década de 1920 que Mestre Bimba – Manoel dos Reis Machado – desenvolveu na Bahia a sua famosa capoeira Regional, que, apesar do nome, foi a primeira modalidade de capoeira a ser praticada em todo o Brasil e no exterior. Bimba partiu de uma crítica da capoeira baiana, cujo nível técnico considerava insuficiente, sobretudo se confrontado com outras lutas e artes marciais, que começavam a ser difundidas então no Brasil.

CAPOEIRA CONTEMPORÂNEA – o panorama da capoeira no Brasil e no exterior se tornou de tal maneira complexa que é impossível, atualmente, distinguir apenas a capoeira Angola e a Regional, pois surgiram estilos que se pretendem intermediários e que têm sido denominados de “Contemporânea” ou mesmo “Angonal”:

  • CONTEMPORÂNEA – é a denominação dada por Mestre Camisa a capoeira praticada no Grupo Abadá, com sede no Rio de Janeiro;
  • – ANGONAL – neologismo que representa uma tendência na capoeira atual que funde elementos da Capoeira Angola com a Capoeira regional, criando um estilo intermediário entre essas duas modalidades; é, também, o nome de um grupo, do Rio de Janeiro – Mestre Boca e outros;
  • – ATUAL – denominação que seria usada por Mestre Nô de Salvador, para designar esta terceira via (Vieira e Assunção, 1998).

 

Do Atlas do Esporte no Brasil[23]:

Origens e Definições A capoeira é hoje um dos esportes nacionais do Brasil, embora sua origem seja controvertida. Há uma tendência dominante entre historiadores e antropólogos de afirmar que a Capoeira surgiu no Brasil, fruto de um processo de aculturação ocorrido entre africanos, indígenas e portugueses. Entretanto, não houve registro de sua presença na África bem como em nenhum outro país onde houve a escravidão africana. Em seu processo histórico surgiram três eixos fundamentais, atualmente denominados de Capoeira Desportiva, Capoeira Regional e Capoeira Angola, os quais se associaram ou se dissociaram ao longo dos tempos, estando hoje amalgamados na prática. Desde o século XVIII sujeita à proibição pública, ao longo do século XIX e até meados do século XX, ela encontrou abrigo em pequenos grupos de praticantes em estados do sudeste e nordeste. Houve distintas manifestações da dança-luta na Bahia, Maranhão, Pará e no Rio de Janeiro, esta última mais utilitária no século XX. Na década de 1970 sua expansão se iniciou em escala nacional e na de 1980, internacional.

Embora sejam encontrados diversos significados para o vocábulo “capoeira”, cada qual se referindo a objetos, animais, pessoas ou situações, em termos esportivos, trata-se de um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, pandeiro, agogô e reco-reco). “Enfocada em suas origens como uma dança-luta, acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginástica, dança esporte, arte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica.” (Sergio Luiz De Souza Vieira In DaCosta, Lamartine (Org.). ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Rio De Janeiro: CONFEF, 2006, p. 1.44-1.45)

 

Na pesquisa realizada pelo IPHAN, ela é definida como:

“[…] um fenômeno urbano surgido provavelmente nas grandes cidades escravistas litorâneas, que foi desenvolvido entre africanos escravizados ligados às atividades “de ganho” da zona portuária ou comercial. A maioria dos capoeiras dessa época trabalhava como carregador e estivador, atividades muito ligadas à região dos portos, e muitos realizavam trabalho braçal. [24]

 

Seguindo a justificativa do IPHAN, a partir de 1890, quando a capoeira foi criminalizada, através do artigo 402 do Código Penal, como atividade proibida (com pena que poderia levar de dois a seis meses de reclusão), a repressão policial abateu-se duramente sobre seus praticantes. Os capoeiristas eram considerados por muitos como “mendigos ou vagabundos”. Outras práticas afro-brasileiras, como o samba e os candomblés, foram igualmente perseguidas. 37.

Mais adiante, durante a República Velha, a capoeiragem era uma manifestação de rua, afrodescendente, e muitos dos seus praticantes tinham ligações com o candomblé, o samba e os batuques. A iniciação dos capoeiras nessas atividades acontecia provavelmente na própria família, no ambiente de trabalho e também nas festas populares.  Ainda sobre o universo das ruas, estudiosos revelam que o cancioneiro da capoeira se enriqueceu dos cantos de trabalho, e que o trabalhador de rua, em momentos lúdicos ou de conflitos, também se utilizava dos golpes e movimentos da capoeira. 37

Consideram que já na década de 1920, com o apoio fundamental de intelectuais modernistas que procuraram reconstituir as bases ideológicas da nacionalidade, as práticas afro-brasileiras começaram a ser discutidas, e passaram a constituir um referencial cultural do país.  Ao final dos anos 30  a capoeira foi descriminalizada e passou de um extremo a outro, a ponto de ser defendida por historiadores e estudiosos como esporte nacional, considerada a verdadeira ginástica brasileira.  A manifestação já foi apontada como esporte, luta e folguedo, e era praticada por diferentes grupos sociais, principalmente a partir do século XX. 37.

Assim, em 1937

“[…] a capoeira começou ser treinada como uma prática esportiva, e não apenas como uma “vadiação” de rua.

Neste mesmo ano Mestre Bimba criou o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional da Bahia.

“A capoeira regional nasceu como forma de transformar a imagem do capoeira vadio e desordeiro em um desportista saudável e disciplinado. Ele criou estatutos e manuais de técnicas de aprendizagem, descreveu os golpes, toques, cantos, indumentárias especiais, batizados e formaturas.

 “Em seguida, Mestre Pastinha fundou o Centro Esportivo de Capoeira Angola , em 1941, e assim este estilo passou a ser ensinado através de métodos próprios.

“A ideia da capoeira como arte marcial brasileira criou polêmica, pois era defendida por uns e criticada por outros, principalmente pelos angolanos, que afirmavam a ancestralidade africana do jogo.” [25].

 

Na linha do tempo estabelecida pelos estudos do IPHAN, uma grande leva de capoeiristas chegou ao Rio por volta de 1950 oriundos da Bahia [a diáspora da capoeira baiana, no entender de Lacé Lopes]. O mais importante deles foi Mestre Arthur Emídio, que trouxe um estilo de capoeira diferente, de movimentação veloz e marcialmente eficaz, mas que mantinha orquestração musical. Ainda na década de 50 a capoeira passou a ser retratada e divulgada por artistas como Jorge Amado[26], Carybé[27] e Pierre Verger[28], entre outros. Nos anos seguintes, entre 60 e 70, ganhou espaço também nas produções artísticas do Cinema Novo, Tropicália e Bossa Nova. 37

Para os estudos do IPHAN, foi a partir de 1970 a capoeira se expandiu em larga escala pelo Brasil. A angola deve sua recuperação, em grande parte, à atuação de Mestre Moraes, aluno de Pastinha, a partir de 1980, com a fundação do Grupo Capoeira Angola Pelourinho, que fortaleceu sua prática na Bahia e a disseminou pelo centro-sul do país e no exterior. 37

Em 1975 o esporte chegou à Nova York, e em 1990, Mestre João Grande inaugurou  a primeira escola de capoeira angola dos EUA: Capoeira Angola Center. 37

“Apesar do fluxo de capoeiristas para a Europa e EUA ter-se iniciado a partir de 1970,  a princípio para a realização de shows, e em seguida para a formação de novos grupos nesses locais, foi a partir dos anos 1990 que o movimento da capoeira se intensificou, alcançando hoje o status de prática cultural realmente globalizada […]” 37.

Atualmente a capoeira está presente em mais de 170 países, atraindo praticantes e estudiosos dos cinco continentes do planeta. Sua globalização, feita sem incentivo governamental, ocorreu devido às viagens dos capoeiristas, considerados por muitas autoridades e adeptos como “embaixadores informais” da cultura brasileira37.

Concordamos com o grupo que elaborou o projeto para o IPHAN, quando afirma que esta expansão significa a possibilidade de congregar povos e propiciar o diálogo intercultural. 37

Outra questão é: quando surgiu? No entender de muitos capoeiristas, quando o primeiro escravo angolano pisou a Terra de Santa Cruz (hoje, Brasil), já o teria feito no passo da ginga e no ritmo de São Bento Grande:

“numa noite escura qualquer, o primeiro negro escapou da senzala, fugiu do engenho, livrou-se da servidão, ganhou a liberdade… escapou o segundo e o terceiro, na tentativa de segui-lo, fracassou. Recapturado, recebeu o castigo dos negros (…) as perseguições não tardaram e o sertão se encheu de capitães-do-mato em busca dos escravos foragidos. Sem armas e sem munições, os negros voltaram a serem guerreiros utilizando aquele esporte nascido nas noites sujas das senzalas, e o esporte que era disfarçado em dança se transformou em luta, a luta dos homens da capoeira. ’A capoeira assim foi criada’. (Jornal da Capoeira, n. 1, 1996)”. (Vieira e Assunção, 1998, p. 83) [29].

 

Durante as invasões holandesas – SÉCULO XVII, 1640 – surgem as expressões: ‘negros das capoeiras’, ‘negros capoeiras’, e ‘capoeiras’. (MARINHO, 1982; VIEIRA, 2004, 2005) [30].

Com o advento das invasões holandesas, na Bahia e em Pernambuco, principalmente a partir de 1640, houve uma desorganização generalizada no litoral brasileiro, permitindo que muitos escravos fugissem para o interior do país, estabelecendo-se em centenas de quilombos, tendo como conseqüência o contato ora amistoso, ora hostil, entre africanos e indígenas. Cabe ressaltar, que nunca houve nenhum registro da Capoeira em qualquer quilombo. (Vieira, 2005) [31]. Tende-se a acreditar que o vocábulo, de origem indígena Tupi, tenha servido para designar negros quilombolas como “negros das capoeiras”, posteriormente, como “negros capoeiras” e finalmente apenas como “capoeiras”. Sendo assim, aquilo que antes etimologicamente designava “mato” passou a designar “pessoas” e as atividades destas pessoas, “capoeiragem”. (Vieira, 2005) [32].

Segundo Coelho (1997, p. 5) [33] o termo capoeira é registrado pela primeira vez com a significação de origem lingüística portuguesa (1712), não se visualizando qualquer relação com o léxico tupi-guarani. Em 1757 é encontrada primeira associação da palavra capoeira enquanto gaiola grande, significando prisão para guardar malfeitores. (OLIVEIRA, 1971, citado por ARAÚJO, 1997, p. 5)[34].

Encontrei em Marcos Carneiro de Mendonça[35], em seu festejado “A Amazônia na era Pombalina”, carta de Mendonça Furtado[36] a seu irmão, o Marques de Pombal – datada de 13 de junho de 1757 -, dando conta da desordem acontecida no Arraial do Rio Negro, com as tropas mandadas àquelas paragens, quando da demarcação das fronteiras entre as coroas portuguesa e espanhola.

Afirma que os dois regimentos que foi servido mandar para guarnição eram compostos daquela vilíssima canalha que se costuma mandar para a Índia e para as outras conquistas, por castigo. A maior parte das gentes que para cá era mandada eram ladrões de profissão, assassinos e outros malfeitores semelhantes, que principiavam logo por a terra em perturbação grande:

“[…] que estava uma capoeira cheia desta gente para mandarem para cá […] sem embargo de tudo, se introduziram na Trafalha, soltando-se só do regimento de Setúbal, nos. 72 ou 73 soldados, conforme nos diz o Tenente-Coronel Luis José Soares Serrão, suprindo-se aquelas peças com estes malfeitores […] rogo a V. Exa. queira representar a Sua Majestade que, se for servido mandar algumas reclutas (sic), sejam daqueles mesmos homens que Sua majestade, ordenou já que viesse nestes regimentos, e que as tais capoeiras de malfeitores se distribuam por outras partes e não por este Estado que se está criando  [Capitania do Rio Negro] […]” (p. 300). (grifos do texto).

 

Para Vieira (2004)[37]:

“[…] data a Capoeiragem, de 1770, quando para cá andou o Vice-Rei Marques do Lavradio. Dizem eles também que o primeiro capoeira foi um tenente chamado João Moreira, homem rixento, motivo porque o povo lhe apelidou de ‘amotinado’.”

 

 

 

 

 

 

 

Mestre Índio Maranhão Graduado por mestre Diniz em 07 de setembro de 1996 na presença do irmão de capoeira o Mestre Patinho – ambos treinaram juntos na adolescência.

http://saojorgerj.blogspot.com.br/2008/07/mestre-indio-maranho-vai-espanha.html

[1] Por metonímia res pro persona, o nome da coisa passou para a pessoa com ela relacionado.

[2] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/18/8331/

[3] Jorge Bento, citando João Ubaldo Ribeiro, in ARAÚJO, Paulo Coelho de. ABORDAGENS SÓCIO-ANTROPOLÓGICAS DA LUTA/JOGO DA CAPOEIRA. (Porto): Instituto Superior Maia, 1997, p. 7

[4] To: [email protected] Cc: fabiano caviquio ; Marcelo ; jeferson batista ramos ; [email protected]  Sent: Saturday, September 17, 2011 1:04 AM Subject: Chamada na ‘Benguela’

[5] Capoeira é registrada como patrimônio imaterial brasileiro – África 21 – Da Redação – 16/07/2008 – http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/16/capoeira-e-registrada-como-patrimonio-imaterial-brasileiro/

[6] CORTE REAL, Márcio Penna. A Capoeira na perspectiva intercultural: questões para a atuação e formação de educadores(as). 2004

[7] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Capoeira no Maranhão – afinal, o que é Capoeiragem? In

www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticias=379

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. O que é a Capoeira ? In

www.jornalexpress.com.br/noticias/detalhes.php?id_jornal=13170&id_noticias=675

[8] CORTE REAL, Márcio Penna. A Capoeira na perspectiva intercultural: questões para a atuação e formação de educadores(as). 2004

[9] COELHO, T. Dicionário crítico de política cultural. São Paulo: Iluminuras, 1999

[10] IPHAN, Assessoria de Imprensa do Iphan. A capoeira na história. in REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Ed. de Julho de 2008, disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1871

[11] ARAUJO, Paulo Coelho de; JAQUEIRA, Ana Rosa Fachardo. DO JOGO DAS IMAGENS AS IMAGENS DO JOGO – nuances de interpretação iconográfica sobre a Capoeira. Coimbra – Portugal: Centro de Estudos Biocinéticos, 2008.

[12] Johann Moritz Rugendas (Augsburgo, 29 de março de 1802Weilheim, 29 de maio de 1858) pintor alemão que viajou por todo Brasil durante 18221825 e pintou povos e costumes. Rugendas era o nome que usava para assinar suas obras. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especializando-se na arte do desenho. Pintor de cenas brasileiras, nasceu em Augsburg, em 29 de março de 1802 e faleceu em Weilheim, em 29 de maio de 1858. De família de artistas, integrou a missão do barão de Georg Heinrich von Langsdorff e permaneceu no Brasil três anos. IN http://pt.wikipedia.org/wiki/Rugendas

[13] Mensagem eletrônica De: Javier Rubiera [[email protected]] Enviado em: domingo, 24 de maio de 2009 12:32 Para: [email protected] Assunto: [SPAM] [Sala de Pesquisa – Internacional FICA] 1834-Capoeira de Rugendas

[14] ARAUJO, JAQUEIRA, 2008, obra citada.

[15] Não foram encontradas descrições de Augustus Earle sobre a obra, mas somente, a denominação atribuída à imagem como sendo; “Negros brigando nos Brasil” – (Negros fighting, Brazils). ARAUJO e JAQUEIRA, 2009, p. 80-81

[16] TURAZZI, Maria Inez (org.). Tipos e cenas do Brasil imperial: a Litografia Briggs na Coleção Geyer. Petrópolis: Museu Imperial, 2002.

[17]VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. Jornal do Capoeira http://www.capoeira.jex.com.br/, Edição 47: 30 de Outubro à 05 de Novembro  de 2005

LACÉ LOPES, 2007, obra citada.

LACÉ LOPES, 2006, obra citada.

REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIEIRA, 2005, obra citada. p. 39-40.

LIMA, Mano. DICIONÁRIO DE CAPOEIRA. 3ª. Ed. Ver. E amp. Brasília: Conhecimento, 2007

ARAUJO; JAQUEIRA, 2008, obra citada.

[18] MARINHO, Inezil Penna. A GINÁSTICA BRASILEIRA. 2 ed. Brasília, Ed. Do Autor, 1982

[19] VIEIRA, 2005, obra citada  p. 39-40.

[20] ARAÚJO, 1997 , obra citada..

[21] CAMARA CASCUDO, Luis da. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972.

[22] VAZ, Leopoldo Gil Dulcio Vaz. A CARIOCA. in BOLETIM DO IHGM, no. 31, novembro de 2009, edição eletrônica em CD-R (pré-print).

VAZ, Leopoldo Gil Dulcio Vaz. A Guarda Negra. Palestra proferida no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão em agosto de 2009, publicado no BOLETIM DO IHGM, no. 31, novembro de 2009, edição eletrônica em CD-R (pré-print).

[23] DaCOSTA, 2006, , obra citada. p. 1.44-1.45. Disponível em www.atlasesportebrasil.org.br

[24] IPHAN, Assessoria de Imprensa do Iphan. A capoeira na história. in REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Ed. de Julho de 2008, disponível em

 http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1871

[25] VAZ, 2009, , obra citada..

VAZ, 2009, , obra citada.

[26] Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912Salvador, 6 de agosto de 2001) foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres.2 A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas,3 existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.  Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo – o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões. http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Amado

[27] Carybé, nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó (Lanús, 7 de fevereiro de 1911Salvador, 2 de outubro de 1997), foi um pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador e jornalista argentino, brasileiro naturalizado e residente no Brasil desde 1949 até sua morte. http://pt.wikipedia.org/wiki/Caryb%C3%A9

[28] Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata francobrasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi. Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África. Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger. Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Verger.

[29] VIEIRA, Luiz Renato; ASSUNÇÃO, Mathias Röhring. Mitos, controvérsias e fatos: construindo a história da capoeira. In ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, 34, dezembro de 1998, p. 82-118

[30] MARINHO, 1982, obra citada

VIEIRA, Sérgio Luis de Sousa. Capoeira – origem e história. Da Capoeira: Como Patrimônio Cultural. PUC/SP – Tese de Doutorado – 2004. disponível em http://www.capoeira-fica.org/.

VIEIRA, 2005, obra citad  p. 39-40.

[31] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[32] VIEIRA, 2005, obra citada p. 39-40.

[33] ARAÚJO, 1997, obra citada.

[34] ARAÚJO, 1997, obra citada

[35] MENDONÇA, Marcos Carneiro de. A Amazonia na era pombalina. Tomo III. Brasilia: Senado Federal, 2005, volume 49-C.

[36] Francisco Xavier de Mendonça Furtado (17001769) foi um administrador colonial português. Irmão do Marquês de Pombal e de Paulo António de Carvalho e Mendonça. Foi governador geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão de 1751 a 1759 e secretário de Estado da Marinha e do Ultramar entre 1760 e 1769. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier_de_Mendon%C3%A7a_Furtado

[37] VIEIRA, 2004, obra citada. Disponível em http://www.capoeira-fica.org/ .

 

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O QUE É A CAPOEIRA?

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O QUE É A CAPOEIRA?[1]

 

Aqui, no Maranhão, há uma discussão por parte dos Capoeiras – Angolas e Regionais – se a Capoeira é cultura ou esporte. Os Angolas a querem como cultura – fazem parte da cultura corporal do povo maranhense, e suas apresentações – rodas – devem fazer parte do calendário da Secretaria de Cultura e inseridas nos diversos eventos culturais, inclusive com acesso às verbas e subsídios para esse fim; os Regionais querem-na como Luta, e disputada em Torneios e Campeonatos de Capoeira – roda -, além de – já incluída – nos Jogos Escolares Maranhenses; também reivindicam acesso às verbas da Cultura, além das do Esporte…

Se – e não estou defendendo o Sistema Confef/Cref – for “praticadas com características desportivas e/ou  com o cunho de exercícios, na busca de condicionamento físico então é atividade de Educação Física…” E os seus profissionais devem estar sujeitos às formas da Lei.[2].

E isso vai depender de qual definição para “Capoeira” se adota. Dependendo dela é que se vai caracterizar a CAPOEIRA… 

  1. Desporto de Criação Nacional, surgido no Brasil e como tal integrante do patrimônio cultural do povo brasileiro, legado histórico de sua formação e colonização, fruto do encontro das culturas indígena, portuguesa e africana, devendo ser protegida e incentivada”. Federação Internacional de Capoeira – FICA[3]
  2. b) “um jogo de destreza corporal, com uso de pernas, braços e cabeça, praticado em duplas, baseado em ataques, esquivas e insinuações, ao som de cânticos e instrumentos musicais (berimbau, atabaque, agogô e reco-reco). Enfocado em sua origem como dança-luta acabou gerando desdobramentos e possibilidades de emprego como: ginásticas, dança, esporte, arte marcial, folclore, recreação e teatro, caracterizando-se, de modo geral, como uma atividade lúdica”. (VIEIRA, 2005).[4]

 

A “regulamentação” da Capoeira como atividade física – portanto passível de profissionalização – dá-se nas primeiras décadas do século passado.  Segundo Reis (2005), e Vidor e Reis (2013) [5] foram nos anos 30 e 40, em Salvador, que se abriram as primeiras “academias” com licença oficial para o ensino da capoeira como uma prática esportiva. Destacando-se dois mestres baianos negros e originários das camadas pobres da cidade, Bimba e Pastinha.

Mestre Bimba, criador da capoeira Regional Baiana, não verá nenhum inconveniente em “mestiçar” essa luta, incorporando à mesma movimentos de lutas ocidentais e orientais (tais como Box, catch, savate, jiu-jítsu e luta greco-romana).

Por outro lado Pastinha, contemporâneo de Bimba e igualmente empenhado na legitimação dessa prática, reagindo àquela “mestiçagem” da capoeira, afirmando a “pureza africana” da luta, difundindo o estilo da capoeira Angola e procurando distingui-lo da Regional.

Para Reis (2005), e Vidor e Reis (2013) Bimba e Pastinha elaboraram, através da capoeira, estratégias simbólicas e políticas diferenciadas que visavam em última instância, ampliar o espaço político dos negros na sociedade brasileira e propõem dois caminhos possíveis para a inserção social dos negros naquele momento histórico[6]:

A capoeira “mestiça” representada pela capoeira Regional. Embora incorpore elementos de lutas ocidentais, a capoeira Regional guarda elementos que reafirmam a identidade étnica negra nas músicas, nos toques do berimbau e nos próprios movimentos que, conforme depoimento de mestre Bimba são provenientes também do batuque e do maculelê (Rego, 1968:33). Assim, a capoeira Regional, ao colocar em contato sistemas de valores distintos e, portanto, construções corporais distintas (os movimentos corporais brancos e os negros), opera uma mediação, criando um campo simbólico ambíguo e ambivalente: (a) A capoeira Regional seria uma afirmação de identidade que é mais ampla que a da capoeira Angola pois afirma não a existência do negro excluído da sociedade branca mas sua presença enquanto parte da sociedade brasileira e, finalmente, enquanto símbolo da nação como um todo. (b) tem no ecletismo de que faz prova (por exemplo, a incorporação de elementos de outras formas de luta e a nova racionalidade na maximização dos efeitos dos golpes) um elemento de dinamismo que permite a construção de uma nova presença negra no cenário nacional. (c) tem um preço a pagar por tudo isso, no plano político, que significa renunciar à afirmação de uma diferença na “identidade negra”.

“A capoeira Angola, em contrapartida: (a) a capoeira “pura”, como forma inequívoca de afirmação da identidade étnica. A capoeira Angola, em sua própria designação, reafirma peremptoriamente sua origem étnica e, ao “conservar” a construção corporal negra, demarca uma forma culturalmente distinta de jogar capoeira. (b) existindo como resistência no momento de inclusão do negro na sociedade brasileira, só é revalorizada como reafirmação dessa mesma resistência em função da recuperação de uma “identidade negra” específica no cenário nacional, no bojo da construção política (contemporânea) de uma “consciência negra”. (c) essa construção só se torna possível a partir de uma postura “conservadora”, que reinventa a tradição e só se mantém com a recuperação simultânea dos outros elementos que, no plano simbólico, organizam essa “visão de mundo negra” (como por exemplo, a afirmação da origem africana da capoeira a partir do ritual de iniciação denominado dança da zebra ou “N’Golo”). (REIS, 2005).

 

Taffarel (2004) [7] levanta como possibilidade histórica a responsabilidade social dos capoeiristas – enquanto produtores associados, intelectuais orgânicos –-, na construção de uma nova cultura – a cultura socialista -, o que exige rigorosa consideração da teoria do conhecimento e teoria pedagógica que subsidia, constrói e consolida a práxis capoeirana, responsável também pela sociabilização da classe trabalhadora.

A Autora traz como dados empíricos da inserção da capoeira em tais complexos econômicos – empresariamento, mercadorização, esportivização, espetacularização, privatização da capoeira – as discussão sobre produção do conhecimento, formação de mestres e professores, políticas públicas e sobre ética e violência, exemplificando a ação do sistema CREF/CONFEF interferindo na cultura e na economia popular contribuindo para a destruição das forças produtivas. Afirma a ilustre Professora-Doutora em Educação Física, manifestando sua contrariedade pela perda que a mercantilização da capoeira representa para os valores culturais da própria Humanidade, justificando sua fala:

“Para contribuir com a reflexão da temática proposta neste ano “Capoeira a Serviço do Social ou do Capital?”apresentei o tema CAPOEIRA E PROJETO HISTÓRICO expondo dados da realidade sobre a destruição das forças produtivas, enquanto tendência do modo do capital organizar a vida e suas expressões na capoeiragem. Levantei a tese de que a capoeira está em franca degeneração e decomposição de seus valores genuínos – capoeira patrimônio da humanidade – quando subsumida ao modo do capital de produzir mercadorias para usá-las e trocá-las em relações capitalísticas. Procurei demonstrar que as abordagens da questão da capoeira centradas na ética, na ciência, na educação, na compreensão de cultura popular e, na normatização/monitorização reguladas pelo Mercado, pelo Estado e Comunitária são limitadas quando desprovidas da referencia de um projeto histórico explicito, superador do modo do capital organizar a produção – uso e troca de mercadorias.”.

 

Essa Autora levanta algumas teses, com base na economia política, para poder compreender as relações estabelecidas no âmbito da cultura e o processo atual de destruição, decomposição e degeneração da capoeira (primeira hipótese); A segunda hipótese que a Autora levanta é a da destruição das forças produtivas – trabalho, trabalhador, meio ambiente, cultura – dentro do que se localiza a destruição, degeneração, decomposição da capoeira, enquanto uma produção social, historicamente acumulada. A terceira hipótese, é que a maioria dos estudos sobre capoeira faz referência à ética em uma sociedade contraditória e altamente violenta, recorrência esta que necessita ser questionada porque desarticulada do projeto histórico alternativo ao modelo do capital. A quarta hipótese é de que uma nova cultura capoeirana, uma genuína práxis capoeirana, exige sintonia com um novo projeto histórico e será reconhecida na organização do trabalho pedagógico de construção da cultura, com nexos e implicações em uma dada teoria do conhecimento e teoria pedagógica e em um projeto histórico superador do projeto capitalista.

Outro autor, Hajime Nosaki (2004) [8], ao tratar das relações de trabalho no campo profissional da Educação Física, dentro do Sistema CONFEF/CREF apresenta elementos acerca do reordenamento do trabalho do professor de educação física, da regulamentação da profissão e da disputa de projetos históricos. A Regulamentação da profissão veio para “regulamentar a terra de ninguém”. Isto significou que o ensino de todas as praticas corporais, entre as quais a capoeira, passou a ser exclusividade de quem tem a carteira do CONFEF. Ou seja, o desenvolvimento de um relevante bem social, a capoeira, passa a ser propriedade privada da educação física.

Com base na analise do mundo do trabalho são apresentados elementos mediadores entre o movimento mais geral do capital e a especificidade do trabalho na educação física e particularmente a questão da regulamentação da profissão, exigência do mercado do trabalho e, portanto, do capital e sua estratégia de reordenamento para manutenção da hegemonia. São apresentados dados concretos sobre o Conselho Federal de Educação Física, resgatando-se elementos históricos desde as primeiras intenções presentes nas Associações de Professores até a legalização dos Conselhos pela aprovação da Lei 9696/98 que encontrou sua base de sustentação na Lei 9649/98 – principalmente em seu artigo 58 que transforma conselhos profissionais em entidades privadas. Hajime nos apresenta dados sobre a ingerência de tais conselhos juntos aos trabalhadores de educação física, aos trabalhadores de outras áreas, tanto na formação quanto na qualificação. A ação inibidora do Sistema CREF/CONFEF está contribuindo para atacar a cultura e destruí-la, tornando a ação de construção da cultura um monopólio de professores de educação física. Isto diz respeito à reserva de mercado. Com isto some culturas, trabalho, trabalhador.

Engels (1977) [9] em “Do socialismo utópico ao socialismo cientifico” (pg.19) já afirmava:

“Quando nos detemos a pensar sobre a natureza, ou sobre a história humana, ou sobre a nossa própria ati­vidade espiritual, deparamo-nos, em primeiro plano, com a imagem de uma trama infinita de concatenações e in­fluências recíprocas, em que nada permanece o que era, nem como e onde era, mas tudo se move e se transforma nasce e morre.”.

 

A isto está sujeita a capoeira, enquanto pratica, conhecimento, profissão, formação, mercadoria.

Como Taffarel (2004), aceitamos que a capoeira é um dos fenômenos sócio-culturais da alta relevância no Brasil e constitui o processo civilizatório[10], e que hoje: “… está situado dentro da divisão social internacional do trabalho e, portanto, neste momento histórico sofre também o processo de degeneração, decomposição e destruição.” 

Isto é visível quando observamos o empresariamento da capoeira internacionalmente – no sistema de franquias. A mercadorização da capoeira, vista nos empórios e centros turísticos, a espetacularização da capoeira visita na mídia e nos fantasiosos espetáculos. Na esportivização da capoeira, na construção de confederações, federações com finalidades competitivas, necessidade imperiosa do capital.

O que é a Capoeira? Um PRODUTO CULTURAL ou uma MERCADORIA?

 

[1] http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2013/11/18/cronica-da-capoeiragem-o-que-e-a-capoeira/

[2] PL 7.370/2002 – substitutivo que estabelecia que “Não estão sujeitos à fiscalização dos Conselhos previstos nesta lei os profissionais de dança, capoeira, artes marciais, ioga e método pilates, seus instrutores e academias”. O substitutivo da deputada Alice Portugal aprovado por unanimidade na Comissão de Educação e Cultura  acrescia :” for “praticadas com características desportivas e/ou  com o cunho de exercícios, na busca de condicionamento físico então é atividade de Educação Física … E os seus profissionais devem estar sujeitos às formas da Lei.”; o projeto foi encaminhado à Comissão de Turismo e Desporto, onde o deputado Josué Bengtson (PTB-PA) foi designado relator.

[3] Aprovados em Assembléia Geral de fundação da Federação Internacional de Capoeira – FICA – ocorrida por ocasião do I Congresso Técnico Internacional de Capoeira, realizado nos dias 03, 04, 05 e 06 de junho de 1999 na Cidade de São Paulo, SP, Brasil, revisados na Assembléia Geral Extraordinária ocorrida na Cidade de Lisboa, Portugal, em 02 de julho de 2001 e pelo II Congresso Técnico Internacional de Capoeira, realizado na Cidade de Vitória, ES, Brasil, nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2001

[4] VIEIRA, Sérgio Luiz de Souza. Capoeira. in PEREIRA DA COSTA, Lamartine (org.). ATLAS DE ESPORTES NO BRASIL. Rio de Janeiro : Shape, 2005, p. 39-40.

[5] REIS, Letícia Vidor de Sousa. Capoeira, Corpo e História. In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005, artigo com base na dissertação de mestrado “Negros e brancos no jogo de capoeira: a reinvenção da tradição” (Reis, 1993).

VIDOR, Elisabeth; REIS, Letícia Vidor de Sousa. CAPOEIRA – herença cultral afro-brasileira. São Paulo: Selo Negro, 2013

[6]In JORNAL DA CAPOEIRA, disponível em www.capoeira.jex.com.br, capturado em 14 de abril de 2005. Grifos meus); VIDOR, REIS, 2013, obra citada.

[7] TAFFAREL, Celi Zulke. Capoeira e projeto histórico. In VI SIMPÓSIO NACIONAL UNIVERSITÁRIO DE CAPOEIRA – VI SNUC, Florianópolis-SC – 12, 13 e 14 de novembro 2004, Universidade Federal de Santa Catarina – Temática do evento: Capoeira a Serviço do Social ou do Capital!?

[8] NOZAKY, Hajime. EDUCAÇÃO FÍSICA E REORDENAMENTO NO MUNDO DO TRABALHO: MEDIAÇÕES DA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO. Tese Doutorado. Universidade Federal Fluminense, 2004.

[9] ENGELS, Friedrich.  Do socialismo utópico ao socialismo cientifico. In MARX, Karl; ENGELS, Friedrich TEXTOS. São Paulo: Edições Sociais, 1977, 6-60. Vol. 1.

[10] ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric. DEPORTE Y OCIO EM EL PROCESO DE LA CIVILIZACION. México: Fundo de Cultura Econômica, 1992

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