A Casa do Berço Azul

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Dona Marcionilha e seu Chico Fiscal.

Era a casa deles.
Gostavam de flores, de vasos e de roseiras.
Um quintal muito grande de fruteiras fartas e escolhidas.
Criação de lebres e de coelhos, da meninada.
Gaiolas dependuradas.
Alçapões. Balanços pelos galhos.
Meninos brincando.
Meus e deles.
Passarinhos.
Frutas maduras pelos galhos, pelo chão.
Geração passada…

A Casa do Berço Azul…
Minha casa amiga…

De dois em dois anos descia do alto da parede da despensa,
onde ficava ancorado, o barquinho de uma nova vida,
prestes a chegar.
Venha para a terra o pequenino barco.
Seu Chico tomava de um pincel e uma lata de tinta
e pintava o berço, sempre de azul. Renovava o pequeno colchão,
o pequeno travesseiro cheio de paina fina e nova.
Pela casa, panos macios, flanelas,
claros agasalhos, camisinhas, bordados delicados,
rendas e sempre ela tricotando um xaile de lã azul,
que mostrava sorrindo e feliz às suas amigas.

Cora Coralina, Meu livro de cordel. São Paulo, Global, 1996.

O texto faz referência a uma família antiga em cuja casa havia um berço azul, que era preparado, de dois em dois anos, para abrigar mais uma criança que nascia. A narração poética é marcada pelo saudosismo de um passado tranquilo em que meninos brincavam alegres, num quintal cheio de flores, frutos e bichos.

Tira-dúvidas
“Não há porque impedí-lo/ por que impedi-lo“.
ERRADO: “Não há porque impedí-lo“.
CERTO: “Não há por que impedi-lo“.
São dois erros. Sempre que houver a palavra “motivo” antes ou depois da palavra “porque”, ou mesmo subentendida, devemos escrever por que (separado): “Desconheço o motivo por que ele desistiu”; “Não sei por que motivo ele viajou”; “Não há (motivo) por que impedi-lo”. O outro erro é o acento agudo de “impedí-lo“. Não acentuamos, graficamente, as palavras oxítonas terminadas em “i”: Parati, aqui, sagui, eu parti, adquiri-lo, servi-lo…

Atenção!!!
Devemos usar acento agudo sobre a vogal “i”, se ocorrer um histo com a vogal anterior: Icaraí, aí, eu saí, eu destruí, atraí-lo, traí-la…

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