Romper com o silêncio II

0comentário

Por Adriano Sarney*

Adriano alerta para aumento da violência doméstica durante o isolamento social

No início deste ano escrevi uma série de artigos que tratava de preconceito, machismo, feminicídio e outros males terríveis de nossa sociedade. Não imaginava que poucos meses depois viveríamos em isolamento domiciliar, um terreno fértil para agressores e um pesadelo para as vítimas. No mundo inteiro os registros policiais de violência doméstica aumentaram. No Brasil, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), entre os dias 1º e 25 de março, mês da mulher, houve crescimento de 18% no número de denúncias registradas pelos serviços de discagem.

Para entendermos os motivos que levam à violência doméstica, além das patologias psíquicas do agressor, é preciso primeiro compreender os caminhos sociais que levam ao preconceito contra a mulher, o machismo. É uma crença concebida na convivência de um indivíduo em casa, na escola, com amigos, etc. O machismo pode ser velado ou não, neste último caso, muitas vezes, o resultado é a discriminação. Importante lembrar que preconceito e discriminação não são sinônimos. A discriminação é a ação (uma agressão, por exemplo) motivada pelo preconceito, o machismo, de que homens e mulheres não são iguais, de que o sexo feminino é inferior, mais fraco do que o masculino e de que “ela” é propriedade “dele.” O Feminicídio por sua vez é caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino, é portanto o preconceito e a discriminação de gênero levado ao extremo.

O feminicídio pode ocorrer dentro ou fora de casa. Quando o homicida é um familiar da vítima ou já manteve algum tipo de laço afetivo com ela, o crime resulta da violência doméstica. Esse é o tipo de feminicídio mais comum no Brasil, a casa é um local de alto risco de crimes contra as mulheres. O isolamento social obviamente potencializa esse tipo de crime. Por se tratar de uma forma qualificada de homicídio, a pena para o feminicídio é superior à pena prevista para os homicídios simples. Enquanto o homicídio simples tem pena de 6 a 20 anos, no feminicídio a punição é de 12 a 30 anos de prisão.

Apresentei na Assembleia Legislativa três projetos de lei para amenizar o sofrimento das mulheres vítimas de abusos durante a pandemia. O PL 168/2020 regulamenta e atualiza a lei federal Maria da Penha. O PL 169/2020 propõe ao Estado o acolhimento das vítimas de violência domiciliar, mulheres e crianças, dada a impossibilidade de conviver com seus agressores. O PL 170/2020 instrui agentes comunitários de saúde a difundir conhecimento e vigilância no que tange a violência doméstica.

Podemos evitar casos de feminicídios. Mas para isso é preciso que as mulheres rompam o silêncio. A grande maioria das vítimas nunca registrou boletim de ocorrência ou obteve uma medida de proteção. Segundo a psicóloga Lais Nicolodi, “superar uma situação de violência doméstica depende de uma rede de apoio de pessoas confiáveis, suporte psicológico e, essencialmente, a denuncia.” As mulheres que sofrem abusos, não podem esperar a violência física acontecer, pois os demais tipos de condutas podem desencadear algo mais grave como o feminicídio. Mulheres podem denunciar violência doméstica pelo Disque 100 ou Ligue 180, 24 horas, todos os dias da semana. A Magazine Luiza, uma empresa privada, inovou ao instalar no seu aplicativo de compras durante a pandemia, um botão para que as vítimas denunciem agressões sem serem notadas pelos seus parceiros.

Romper o silêncio é o único caminho para combater a violência doméstica.

*Deputado Estadual, Economista com pós-graduação pela Université Paris (Sorbonne, França) e em Gestão pela Universidade Harvard.

Email: [email protected]
Twitter: @AdrianoSarney
Facebook: @adriano.sarney
Instagram: @adrianosarney

sem comentário »

Dia após dia, MA bate recorde de mortes por Covid

0comentário

O Maranhão voltou a apresentar novo recorde de mortes pela Covid-19. Dia após dia com a flexibilização, a pandemia segue avançando no estado e as imagens que estamos vendo no comércio e em supermercados só aumenta a preocupação em meio à população.

Neste sábado (6), o Maranhão registrou o recorde de mortes desde o início da pandemia: com 38 mortes (Foram 10 mortes na Região Metropolitana e 28 nas demais cidades). Ontem haviam sido 37 óbitos.

Os novos óbitos foram registrados nas seguintes cidades:  Magalhães de Almeida (1), Bernardo do Mearim (1), Alcântara (1), Barra do Corda (1), Humberto de Campos (1), Bacabal (1), Coelho Neto (1), Lago da Pedra (1), Santa Luzia (1), Tutóia (1), Vargem Grande (1), Monção (1), São José de Ribamar (2), Caxias (2), Imperatriz (2), Paço do Lumiar (2), Itinga do Maranhão (2), Barreirinhas (2) São João do Carú (3), Açailândia (3) e São Luís (8).

A SES, também registou mais 2 mil 123 novos casos Na Regiào Metropolitana, os casos subiram de 157 para 447 e tivemos 1 mil 676 casos no interior maranhense).

O Maranhão tem 47 mil 593 casos, com 1 mil 170 mortes, 20 mil 280 pessoas recuperadas, 1 mil e 20 suspeitos e 212 municípios que já tiveram registros oficiais Covid-19.

A taxa de ocupação de leitos de UTI na Região Metropolitana é de 96,67% e de leitos clínicos de 24,34%. Em Imperatriz, a ocupação de leitos de UTI é de 79,63% e de leitos clínicos de 86,42%. No interior, a ocupação de leitos de UTI é 73,76% e de leitos clínicos de 84,71%.

A SES aponta que 1 mil 363 profissionais da Saúde já foram infectados, destes 1 mil 239 estão recuperados e foram registrados 19 óbitos.

Foto: Reprodução/SES

sem comentário »

Consumo de álcool e outras drogas na pandemia – IV

0comentário

                         

               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-LENAD), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita. O uso de álcool em crianças e adolescentes pode chegar a 7% aos 12 anos e até a 80% aos 18 anos, com riscos de lesões e mortes acidentais, suicídio, gravidez não planejada, sexo não protegido, problemas sociais e escolares, e a longo prazo, maior risco de dependência e lesões estruturais do cérebro.

          Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades sociais e de trabalho, as perdas financeiras, o desemprego e a queda da renda, mortes de parentes e amigos devido a COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo e usando outras drogas excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, mensionados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, alcoólatras, que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, tornando-os, portanto, mais propensos a beberem mais.

sem comentário »

Apenas uma reflexão

0comentário

Acredito que raramente os fatos acontecem exatamente como suas narrativas são propagadas. Já uma ideia tem um potencial maior de similitude quando relatada.

Os acontecimentos, por suas características fundamentais, como seu ponto de observação ou visualização, sua iluminação física e ideológica, ou a intenção de seu uso, trazem em si imensas distorções, que precisam sempre ser levadas em conta por quem desejar se aproximar o mais possível da verdade.

Dito isso, eu chego perto de estabelecer um postulado filosófico que já deve ter sido objeto de estudo de alguém, muito mais capacitado que eu: Não existe verdade em seu estado puro. Ela é um produto manufaturado pelas circunstâncias que a envolvem e agem sobre ela.

A busca da verdade é uma aventura titânica, e só gigantes realmente indomáveis podem embarcar nesta viagem.

Estamos vivendo num tempo onde as narrativas se impõem de maneira cruel, impedindo que se vislumbre um mínimo traço de verdade que nelas possam existir. É que essas narrativas estão impregnadas de intolerância, desrespeito, mágoa, medo, rancor, desesperança, venalidade, e mais que isso, de ideologias, filosofias e psicologias usadas no sentido de transformar essas narrativas em verdades inquestionáveis e inabaláveis, para com elas destruir quem não as professem, e controlar os demais.

É muito difícil desempenhar o meu papel em toda essa tragicomédia! É muito difícil manter a lucidez, a correção, a coerência e o bom senso, quando de alguma forma você também faz parte desse angu de caroço.

Não digo que eu consigo ser sempre lúcido, correto, coerente e ter bom senso. Algumas vezes eu falho, mas estou sempre tentando acertar.

Gostaria de estar sempre na posição que o mestre Aristóteles sacramentou como sendo a mais correta para que o homem alcance a virtude, palavra que pode ser interpretada como verdade, sucesso ou prazer, sem que haja discordância ou conflito entre elas. O centro, o caminho do equilíbrio. A ponderação.

Busco muito essa posição para mim e para minha vida, mesmo sabendo que tenho uma leve tendência para me posicionar um pouco a direita do centro, ser um pouco “conservador,” nas palavras de alguns.

A palavra conservador, da mesma forma que a palavra revolucionário, bem como qualquer outra palavra, umas mais outras menos, está impregnada por conceitos e preconceitos valorativos e adjetivos atribuídos a ela no decorrer dos anos, que acabam por descaracterizá-la.

A palavra demagogo, por exemplo, era usada na Grécia antiga para designar cada um dos líderes do partido democrático, que dominavam a arte de conduzir o povo. Com o passar dos séculos, demagogo passou a ser simplesmente aquele que manipula a massa popular, fazendo promessas que muito provavelmente não serão cumpridas, visando apenas a conquista do poder político ou outras vantagens. O que não deixa de ser verdade.

Entende-se por conservador, aquele que não deseja a evolução, o progresso, a liberdade, as coisas boas. Quando se fala em conservador, se imagina um velho rabugento, vivendo no passado, sem deixar os ventos da modernidade avançarem. Esse entendimento está completamente equivocado. Conservador é quem é contido, paciente, precavido, cauteloso. Alguém que não é dado a aventuras vãs.

Já revolucionário é hoje o que sempre foi. Alguém destemido, pronto para enfrentar as dificuldades, um aventureiro sonhador que deseja mudar o mundo e não mede as consequências.

O problema não é ser uma coisa ou outra, pois existem bons e maus conservadores e bons e maus revolucionários. A Igreja Católica, conservadora, estabeleceu a Inquisição que matou milhares de pessoas, mas em compensação, Churchill, conservador, livrou o mundo do nazismo! Stalin e Mao Tse Tung foram revolucionários que mataram milhões de pessoas, já os revolucionários Fleming e Sabin, salvaram milhões de vidas!

Bem, foi esta a minha reflexão desta madrugada sem sono.

Reconheço-me um conservador moderado, que busca incansavelmente a lucidez, a correção, a coerência e o bom senso, que está disposto a lutar contra a intolerância, o desrespeito, a mágoa, o medo, o rancor, a desesperança, a venalidade, e outras coisas que complicam a vida.

Desejo ser alguém que busca, não uma verdade, mas informações fidedignas e confiáveis que me permitam tirar uma conclusão que se aproxime bastante dela.

sem comentário »

HOMENAGEM À EQUIPE DE ENFERMAGEM DO HSLZ

0comentário
Parte da equipe de enfermagem do HSLZ, verdadeiros heróis e heroínas na linha de frente da guerra contra a COVD-19 no Hospital do Servidores

No ano que é dedicado aos profissionais de enfermagem, o Hospital São Luís / HSLZ, mais conhecido como Hospital do Servidor reuniu seu time de enfermeiros para prestar uma singela homenagem a esses profissionais que são verdadeiros heróis na linha de frente do tratamento de pacientes da Covid-19.

Sob o comando do Diretor Geral do HSLZ Plínio Tuzzolo e da Diretora de Enfermagem Beatriz Rosa as equipes do HSLZ vêm adotando medidas preventivas, que visam proteger tanto os profissionais e seus familiares quanto os pacientes atendidos.

O HSLZ segue com rigor os protocolos do Ministério da Saúde além de contar também com uma consultoria de infectologia, para a adoção de medidas para minimizar os riscos de contaminação de médicos e enfermeiros.

sem comentário »
Twitter Facebook RSS