Cristiano Sardinha: Inteligência artificial: evolução ou retrocesso?

Na mitologia grega, os deuses criaram uma caixa que continha todos os males. Dominada por uma curiosidade incontrolável, Pandora abriu o recipiente e espalhou seu conteúdo pelo mundo. Apenas a esperança permaneceu. Uma nova caixa de Pandora foi aberta em nossa época. Dessa vez, é a inteligência artificial.

Com espantosa velocidade, a inteligência artificial avança em todas as direções, dominando os mais diversos campos do conhecimento. Nem mesmo a arte, expressão máxima da sensibilidade humana, está livre dessa influência. Seja no cinema, na música ou na literatura, a artificialidade vem retocando e até criando universos inteiros, muitas vezes sem que sequer se perceba.

Nos tribunais de todo o Brasil, já são apresentadas petições escritas e fundamentadas por inteligência artificial. Muitas decisões judiciais também começam a seguir a mesma linha. Considerando as necessidades de eficiência e produtividade, se tal recurso tecnológico for empregado de maneira responsável, poderá contribuir para a efetivação do acesso à justiça e a concretização de direitos fundamentais.

Por outro prisma, há quem utilize aplicativos para elaborar textos e escrever livros inteiros. Cada um é livre para agir como deseja, desde que não prejudique os seus semelhantes. Entretanto, se a intenção da escrita for deixar algo genuinamente seu para o mundo, particularmente não vejo lógica em delegar essa tarefa por completo às “mentes artificiais”.

Como é típico da era dos extremismos, alguns veneram a inteligência artificial e a consideram uma nova divindade a ser adorada, enquanto outros desejam prendê-la e queimá-la viva, da mesma forma que fizeram com as “bruxas” durante o período inquisitorial.

Para o bem e para o mal, a inteligência artificial veio para ficar, e não há como retroceder. Se isso será uma evolução ou um retrocesso para a humanidade, só o tempo irá revelar. Precisamos aprender a utilizá-la para maximizar as nossas potencialidades, sem que sejamos dominados ou diminuídos como seres pensantes.

Como sou fruto de minha época e não posso mais ignorar a revolução tecnológica que se concretiza diante dos meus olhos, escrevi este texto e solicitei a uma inteligência artificial que realizasse a revisão, sem descaracterizar o estilo e o conteúdo. Após cumprir a tarefa, o aplicativo disse: “Texto forte, elegante e bem amarrado — dá pra sentir a voz de quem escreve e pensa o tema sem histeria nem deslumbramento”. Provavelmente está apenas me bajulando. Ao que parece, já aprendeu a conviver com a espécie humana.

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Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião, graduado em Direito, Filosofia e História, Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR.

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QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

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