Cristiano Sardinha: “Não as matem”

“A violência contra as mulheres afeta toda a sociedade civil”, diz Cristiano Sardinha

Graças às mulheres, a vida é possível, tem graça e sentido. Sem a força e a sensibilidade feminina, estaríamos condenados a um mundo de trevas e pouco teríamos evoluído. Provavelmente, ainda seríamos primatas afiando pedras para caçar e fazer guerras sem sentido.

No último dia 8 de março, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Entretanto, mais do que uma merecida homenagem, a data foi uma espécie de grito de socorro pelo fim dos índices alarmantes de violência contra as mulheres.

Tornou-se parte do cotidiano nos depararmos com notícias de “homens” agredindo mulheres de maneira brutal e das mais diferentes formas. Deixo o termo entre aspas porque tais indivíduos não honram o sentido da palavra homem.

No ano de 1915, Lima Barreto publicou a crônica “Não as matem”, em que expôs crimes praticados contra mulheres no âmbito das relações conjugais. O autor apresentou casos em que os sujeitos não aceitavam o fim da relação e queriam impor sua vontade com o uso da força, como se as mulheres fossem objetos inanimados, de propriedade masculina.

Passado mais de um século, o texto de Lima Barreto continua atual como nunca. Em nossa sociedade, ainda existe o machismo estrutural, a misoginia e a ideia deturpada de que a rejeição deve ser paga a preço de sangue. Muitos “homens” não entendem que o amor genuíno pressupõe liberdade.

Qualquer relação sentimental só poderá ser sincera, feliz e saudável se houver o livre direito de escolha. Impor um relacionamento forçado é atestado de ignorância e baixa autoestima, além de poder configurar crime, conforme as circunstâncias do caso concreto.

A violência contra as mulheres afeta toda a sociedade civil. Além de campanhas educativas que tratem o assunto com seriedade, também é preciso que os autores do crime de feminicídio ou de quaisquer atos de violência contra as mulheres sejam exemplarmente punidos. A certeza da impunidade é uma das maiores responsáveis por novos crimes.

Maria da Penha, a brasileira que lutou durante anos contra a violência doméstica e cujo caso inspirou a Lei Maria da Penha, explicou: “Todos sabem que não há e nunca haverá estado democrático de direito enquanto outras mulheres forem agredidas, mortas, violentadas, estupradas…”

Não podemos nos calar. Não podemos nos omitir. Precisamos dar um basta a essa epidemia de violência. Façamos eco às palavras de Lima Barreto para repetir o seu apelo: “Deixem as mulheres amar à vontade. Não as matem, pelo amor de Deus!”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ARQUIVOS

QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

MAIS BLOGS

Rolar para cima