
São Luís – Há uma famosa expressão que diz: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Para compreender plenamente esse pensamento, precisamos nos teletransportar ao período da República Romana, quando ocorreu um escândalo envolvendo Caio Júlio César e sua esposa.
Pompeia organizou uma festa religiosa em sua residência, destinada às mulheres mais importantes de Roma. No entanto, um homem chamado Clódio infiltrou-se no evento disfarçado com roupas femininas. Ao ser descoberto, surgiram suspeitas de que ele seria amante da esposa de César. O episódio rapidamente se espalhou, tornando-se assunto dominante nas ruas, praças e repartições públicas.
Mesmo sem provas concretas, César divorciou-se de Pompeia em 62 a.C., alegando que sua esposa deveria estar “acima de qualquer suspeita”. Alguns historiadores defendem que Pompeia foi injustiçada, sugerindo que o marido buscava qualquer pretexto para encerrar a relação que já não lhe convinha. Júlio César era um político astuto que sabia manipular as massas e mesmo em suas relações privadas continuava sendo extremamente calculista e ardiloso.
Independentemente da existência de infidelidade, esse episódio oferece lições valiosas para os dias atuais. A República é uma forma de governo, caracterizada pela alternância de poder e prevalência dos interesses do povo. Por essa lógica, os ocupantes de cargos públicos precisam ser honestos no exercício de suas funções, como também devem zelar pela imagem das entidades governamentais que representam.
As frequentes notícias de casos de corrupção envolvendo autoridades públicas, que ilegalmente recebem valores astronômicos para manter um estilo de vida digno de fazer inveja até aos mais ricos reis e faraós da antiguidade, acabam desmoralizando a nossa jovem República. Os críticos mais pessimistas já a apelidaram de “republiqueta” ou “república das bananas”.
A credibilidade das instituições depende de ações éticas, transparência e coerência perante a sociedade. Parte significativa dos brasileiros lutam diariamente para sobreviver, mal conseguindo arcar com as despesas básicas. Roubar-lhes até a esperança de dias melhores é algo desumano.
Diante disso, é urgente que a nossa República não apenas seja honesta, mas também pareça honesta.
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Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião, graduado em Direito, Filosofia e História, Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR.