
No filme “Nuremberg”, em exibição nos cinemas brasileiros, acompanhamos um psiquiatra avaliando a sanidade de oficiais nazistas de alta patente, levados a julgamento pelos crimes cometidos durante a II Guerra Mundial. A obra cinematográfica, inspirada no livro “O Nazista e o Psiquiatra”, apresenta um enredo carregado de drama e reflexões que nos tiram da zona de conforto.
Na maioria dos filmes e livros, os nazistas são retratados como pessoas absolutamente perversas e doentias. Ainda que de maneira subconsciente, o mal acaba sendo visto como algo desumano, distante da nossa realidade.
Contudo, em “Nuremberg”, percebemos que a maldade também pode ser praticada por pessoas comuns, que simplesmente se recusaram a pensar ou cederam ao meio social em que estavam inseridas.
Hannah Arendt aborda a possibilidade de o mal extremo ser realizado por cidadãos que apenas cumprem ordens, sem reflexão crítica. Ao cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, Arendt concluiu que não estava diante de um monstro fanático, mas de um burocrata que almejava ascensão profissional.
Lembremos que Adolf Hitler foi um pintor fracassado que hipnotizou as massas com movimentos teatrais e discursos performáticos. Por meio da máquina de propaganda nazista, tornou-se um dos homens mais fotografados e filmados da história.
Hitler arrastou o mundo para a guerra, sendo responsável pela morte de milhões de pessoas. Essa é uma lição permanente sobre o que ditadores populistas podem fazer quando são endeusados e seguidos de maneira irracional.
O maior perigo não está nos monstros da história, mas nas pessoas comuns que escolhem não pensar. Inclusive nós mesmos.
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Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião, graduado em Direito, Filosofia e História, Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR.