Felipe Fernandes: “A geopolítica do tempo”

Felipe Ribeiro

São Luís – O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no último dia 1º de maio. A negociação começou em 1999. São 26 anos entre a primeira reunião e a primeira tarifa zerada.

Vinte e seis anos. Quem estava na sala em 1999 talvez não esteja mais viva para ver o resultado. Quem estava começando carreira na época hoje está perto da aposentadoria. Empresas inteiras nasceram, cresceram, foram vendidas e morreram dentro do intervalo entre o início da conversa e o primeiro efeito prático no comércio brasileiro.
E essa é a parte mais importante do acordo. Não as tarifas. Não os 5 mil produtos com acesso imediato. Não os 700 milhões de consumidores no novo bloco. É o tempo.

O Brasil tem um problema crônico de horizonte. Empresário pensa em ciclo de quatro anos, na melhor das hipóteses, porque é o ciclo eleitoral que define regras tributárias, taxa de juros real, ambiente regulatório. Investidor pensa em 12 meses porque o CDI compete com tudo que demora mais para retornar. Político pensa em quatro anos por estrutura, e em dois quando começa a campanha para a reeleição.

Num país onde quase ninguém pensa além de uma década, quem pensa em duas tem vantagem estrutural. E quem pensa em três não tem concorrência.
O acordo Mercosul-UE é prova disso. Ele só existe porque algumas pessoas insistiram durante 26 anos contra todas as razões de curto prazo para desistir — trocas de governo, crises econômicas, pressão de setores agrícolas franceses, exigências ambientais europeias, mudanças de prioridade política em ambos os lados do Atlântico. A cada ciclo, havia justificativa para enterrar o projeto. A cada ciclo, alguém insistiu.

Na lógica brasileira de negócios, isso é quase incompreensível. A gente é cultivada para resultado trimestral, para ROI em 36 meses, para saída em cinco anos. O horizonte do nosso planejamento é sempre o próximo balanço.

Mas as grandes fortunas do Brasil não foram construídas assim. Foram construídas por famílias que pensaram em 50 anos, por empresários que compraram terra na década de 70 e nunca venderam, por construtoras que atravessaram quatro planos econômicos e seis moedas diferentes sem mudar a tese central do negócio. A construção de patrimônio sério neste país sempre foi sobre suportar o tempo, não sobre vencê-lo.

O acordo que entrou em vigor agora vai produzir efeitos por décadas. Os ganhadores reais não serão os que se mexerem em maio. Serão os que começarem a estruturar operação agora pensando em onde querem estar em 2040. Estes são poucos, e por isso ganham.

Quando se observa o mapa dos grandes empresários brasileiros, há um padrão silencioso que poucos comentam. Eles raramente são os mais agressivos no curto prazo. São os mais pacientes no longo. É a paciência que cobra preço de quem não tem, e paga juros compostos para quem tem.
A pergunta que esse acordo deveria provocar, então, não é técnica. É outra.


Qual é o seu horizonte? Você está construindo algo que faz sentido em 12 meses, em 5 anos, ou em 30? Porque o país inteiro está disputando o primeiro horário. Quase ninguém está olhando o terceiro. E é sempre lá que está o espaço vazio.

Barreirinhas ganha destaque como refúgio de bem-estar e investimento imobiliário

Valorização da região está diretamente associada ao desejo contemporâneo de desaceleração e reconexão com ambientes naturais

BARREIRINHAS – A busca por qualidade de vida e maior contato com a natureza tem impulsionado a procura por imóveis em Barreirinhas (MA), cidade considerada o principal portal de acesso aos Lençóis Maranhenses. O município, já consolidado como um dos destinos turísticos mais procurados do país, vem registrando crescimento no interesse por moradias de veraneio e segunda residência, reforçando sua vocação como refúgio para fins de semana e períodos de descanso.

A valorização da região está diretamente associada ao desejo contemporâneo de desaceleração e reconexão com ambientes naturais. Em meio a uma rotina marcada por excesso de estímulos e demandas profissionais, cresce o número de pessoas que buscam espaços capazes de favorecer o bem-estar, o prazer da contemplação e a pausa do cotidiano urbano.

Barreirinhas também se destaca por atrair um público diverso, que inclui turistas, desportistas, viajantes em busca de turismo de aventura e até personalidades conhecidas que procuram privacidade e contato direto com a natureza. As paisagens de dunas, lagoas cristalinas e cenários praticamente intocados tornam a região um destino singular, onde o lazer se mistura à sensação de descoberta e liberdade.

Região de reconexão e bem-estar

Para quem chega ao local, a experiência vai além da paisagem: há um evidente contraste com o ritmo das grandes cidades. O silêncio, a ausência de buzinas, o ar puro e o tempo desacelerado são frequentemente citados como elementos que contribuem para uma sensação de alívio do estresse cotidiano. Nesse contexto, o destino se consolida não apenas como ponto turístico, mas como região de reconexão e bem-estar.

O psiquiatra e especialista em Saúde Mental William Amorim destaca que, em uma época marcada por múltiplas prescrições de bem-estar e qualidade de vida, é fundamental reconhecer a singularidade de cada indivíduo na construção de suas formas de equilíbrio.

“Cada pessoa precisa descobrir os melhores modos de reconectar-se consigo mesma. Alguns vão conseguir isso por meio do contato com a natureza, outros lendo, ouvindo música, meditando, fazendo esporte, viajando sozinho ou com amigos e família, ou tendo uma conversa de qualidade com alguém”, afirma.

Segundo ele, o mais importante é que essas práticas tenham sentido real para cada indivíduo, e não sejam apenas a reprodução de fórmulas prontas de felicidade. Amorim também chama atenção para um dado que considera preocupante: estima-se que apenas cerca de 7% da população mundial não apresente algum tipo de diagnóstico relacionado a transtornos mentais. Para ele, esse número não deve ser naturalizado, pois reflete características do modo de vida contemporâneo e exige reflexão mais profunda sobre as formas de organização social e de trabalho.

Do ponto de vista psicanalítico, o especialista ressalta que saúde mental não significa ausência de sofrimento nem um estado permanente de bem-estar. Trata-se, antes, de um processo contínuo de transformação. “Saúde mental é a capacidade de o sujeito sair de posições rígidas, se deslocar e reinventar sua forma de estar no mundo e no trabalho, sustentando sua subjetividade em vez de apenas se adaptar a exigências externas”, explica.

Granorte Incorporação vem investindo na região

É justamente tendo em vista esse cenário de expansão e valorização imobiliária que a Granorte Incorporação vem direcionando investimentos para a região de Barreirinhas. A incorporadora identificou o fortalecimento desse movimento de busca por qualidade de vida e vem atuando com foco em projetos alinhados ao desenvolvimento urbano sustentável e à preservação das características naturais da região.

“A estratégia da Granorte Incorporação considera o potencial de valorização do território, ao mesmo tempo em que busca integrar seus empreendimentos ao ambiente local, respeitando a paisagem e incentivando práticas construtivas mais sustentáveis. A proposta acompanha uma tendência crescente no setor imobiliário, que alia moradia, lazer e consciência ambiental em regiões de forte apelo turístico”, diz Pedro Salgueiro, da diretoria da empresa.

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QUEM SOU EU

Jornalista profissional formado pela Universidade Federal do Maranhão e que há mais de 20 anos integra o staff do Grupo Mirante, Evandro Júnior é do Imirante.com, titular da coluna Tapete Vermelho, dentro do Caderno PH Revista, e coordenador e colaborador diário e interino da coluna de Pergentino Holanda (PH) no Imirante.com. A proposta é trazer informações sobre generalidades, com um destaque especial para as esferas cultural, empresarial e política.

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