Cristiano Sardinha: “O animal social”

No palco da natureza, a espécie humana está bem longe de ser a mais forte fisicamente
Estudos genéticos comprovam que há menos de 1% de diferença entre as letras do DNA de um ser humano e um chimpanzé. Nessa linha, quando se analisa apenas a espécie humana, as distinções que possam existir entre as letras de DNA de pessoas diferentes, constata-se cientificamente que é menos de 0,1%.
Dessa forma, quaisquer condutas preconceituosas, racistas ou xenofóbicas, além de contrariarem a legalidade e a moralidade comum, são também profundamente ignorantes à luz dos estudos genéticos e biológicos atuais.
No palco da natureza, a espécie humana está bem longe de ser a mais forte fisicamente, mas o nosso cérebro nos salvou, possibilitando que o instinto e a razão trabalhassem em parceria para fazermos perguntas e análises do nosso ambiente, em prol da sobrevivência.
Outra característica que nos possibilitou sobreviver e evoluir, foi a nossa capacidade de nos associarmos, primeiramente em bandos, e depois em comunidades. Conforme Aristóteles observou, “O homem é um animal político”.
“O homem é um animal político ou naturalmente político porque é um ser carente e imperfeito que necessita de coisas (para desejar) e de outros (para se reunir), buscando a comunidade como o lugar em que, com os seus semelhantes, alcance a completude. Se fosse sem carências, seria um deus e não precisaria da vida comunitária; se fosse uma besta selvagem nem sequer sentiria a falta de outros. Por não ser um deus nem uma besta feroz, o homem é um animal político (CHAUÍ, 2002, p.464)”.
Estarmos hoje nos questionando sobre a causa do Universo, sermos conscientes de nós mesmos, termos criado as variadas formas de arte, religião, filosofia, ciência, leis, política e sociedades são provas da beleza da seleção natural e da arquitetura da vida que apontam para uma inteligência divina.
Nascemos demasiadamente frágeis e precisamos durante muito tempo dos outros para termos chances de sobrevivência. Desde a infância, passando pela juventude, idade adulta e velhice, estabelecemos laços de dependência física e emocional com os nossos semelhantes.
Mesmo após a morte, restará a necessidade de alguém, para que o nosso corpo receba um tratamento digno e para que o legado deixado possa prosseguir. Quer se goste ou não, a vida humana somente atinge a sua máxima potencialidade, com o auxílio dos outros.
A natureza revela que os seres vivos estão todos interconectados de alguma maneira, havendo especial relação de interdependência em diversas espécies de animais sociais, tais como o homo sapiens. Ao cuidarmos uns dos outros, zelamos por nós mesmos, pelos nossos entes queridos e colaboramos para a preservação da espécie humana.
Texto contigo no livro “DEUS À LUZ DA RAZÃO HUMANA”, de Cristiano Sardinha, publicado pela Editora Novo Século.
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Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião