
No dia 7 de janeiro é comemorado o dia do leitor. Entretanto, no Brasil, há cada vez menos leitores, trata-se de uma espécie rara, quase à beira da extinção. São pouquíssimos que ainda levam a imaginação para voar através das páginas dos livros físicos ou digitais.
De acordo com a pesquisa disponibilizada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), nos últimos quatro anos houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país. Desde a criação dessa pesquisa, foi a primeira vez que o número de não-leitores superou o de leitores na população brasileira.
Salta aos olhos que nos três meses anteriores à pesquisa, mais da metade dos brasileiros não havia tocado num livro de qualquer gênero para ler sequer parte do seu conteúdo. Trata-se de um fato preocupante, que revela muito sobre a nossa realidade social, econômica e política.
A falta de tempo e a concorrência das redes sociais são apontadas como as principais causas da redução do número de leitores. As telas brilhantes dos celulares parecem ter a estranha capacidade de sugar a nossa alma por meio de um bombardeio de inutilidades. É assim que as desventuras amorosas de jogadores de futebol e subcelebridades viram o assunto mais comentado do momento, deixando de lado o que realmente pode ser relevante.
Quando percebemos, muitas horas do dia já foram gastos com o dedo esfregando a tela para gerar picos de dopamina, algo bem semelhante ao ciclo viciante causado pelos entorpecentes. A dependência digital provoca ansiedade, dificuldade de concentração e de sono. Nos casos mais extremos desregula o cérebro e leva à depressão.
No documentário “O Dilema da Redes”, especialistas em tecnologia e profissionais da área fazem um alerta sobre os impactos devastadores das redes sociais nos indivíduos e na sociedade. Para não estragar a emoção do enredo desse documentário, adianto apenas que muitos dos criadores das redes sociais não as utilizam e nem permitem que os filhos sejam usuários.
Não se trata de demonizar as redes sociais, mas imaginem quanto conhecimento poderia ser adquirido através da leitura, se durante o caminho até o trabalho, na espera pelo atendimento médico, ou em qualquer outro momento ocioso do cotidiano, trocássemos o hábito de passar o dedo na tela como primatas adestrados pelo hábito de ler bons livros.
Da mesma maneira que o corpo precisa de atividade física para tornar-se mais saudável e forte, a mente também necessita da leitura para evoluir. Vejo a leitura como o remédio mais eficaz para combater o pensamento superficial e auxiliar o nosso desenvolvimento como profissionais e seres humanos.
A leitura é uma das formas mais eficazes e acessíveis para nos conectarmos com as grandes mentes do passado, aumentarmos a nossa compreensão do mundo e trabalharmos o raciocínio crítico. Como disse o escritor George R.R. Martin “Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.”