
Os conflitos no Oriente Médio voltaram ao centro do debate global. E, como de costume, o primeiro impacto aparece no petróleo. Mas o que pouca gente observa é o efeito em cadeia, especialmente no mercado imobiliário.
Quando o petróleo sobe, não é só o combustível que encarece. Toda a cadeia produtiva é pressionada. Na construção civil, isso significa aumento direto nos custos de materiais como cimento, aço, argamassa e, principalmente, derivados como o PVC.
Além disso, o transporte fica mais caro. E isso, inevitavelmente, chega ao custo final da obra. Construir passa a custar mais. E esse é o ponto central.
Quando o custo de construção sobe, novos empreendimentos tendem a ser lançados com preços mais elevados. Ao mesmo tempo, imóveis já prontos ou em fase avançada ganham relevância, pois carregam um custo passado — muitas vezes mais competitivo.
Mas o impacto não para por aí. Se a pressão inflacionária aumenta, os juros tendem a reagir. E isso afeta diretamente o crédito imobiliário, tornando o financiamento mais caro e seletivo.
Temos, então, um cenário com três movimentos simultâneos: mais custo, mais pressão inflacionária e crédito potencialmente mais restrito.
À primeira vista, isso pode parecer negativo. Mas existe um ponto estrutural que não pode ser ignorado: o imóvel é um ativo real.
Ao longo do tempo, ele acompanha o custo da economia. Se construir fica mais caro, o valor do que já está pronto tende a se ajustar. Por isso, em cenários de instabilidade global, o mercado imobiliário não enfraquece, mas se reposiciona.
No curto prazo, pode haver ajustes. No longo prazo, ativos bem localizados e com bons fundamentos tendem a se valorizar. Para quem investe com visão estratégica, momentos como esse não são de retração. São de posicionamento.
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Felipe Ribeiro é engenheiro formado pela Universidade de São Paulo