Um Brasil triste na época do carnava

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Neste último 27 de fevereiro, as vésperas do carnaval uma das mais importantes festas populares desse país, onde muitos participam inspirados no “samba, suor e cerveja”, onde a alegria, a descontração o entusiasmo são os que comandam a festa, ocorreu um fato lamentável e entristecedor que descolore a alegria contagiante desse momento: a absolvição dos bandidos do mensalão, que estavam sendo julgados por crime de formação de quadrilha.

Os 08 mensaleiros, que já haviam sido condenados por seus crimes e que já cumprem suas penas, nesse novo julgamento, o Supremo Tribunal Federal- STF, entendeu que não houve formação de quadrilha com esses envolvidos com o maior crime de bases políticas desse país, conhecido como mensalão.

A decisão, nos deixou a todos de “queixo caído”. O próprio Presidente do STF, Ministro Joaquim Barbosa, visivelmente indignado com o resultado dissera em alto e bom tom, que os argumentos utilizado pelos ministros que votaram a favor da absolvição desse criminosos, havida sido pífios, e esse adjetivo significa tudo que possui valor irrisório; reles, vil; grosseiro; ordinário e comum. O termo pode também ser utilizado como uma característica de quem é ordinário, baixo; canalha, de tal forma que quando ele qualifica de pífios os argumentos desses ministros pró mensaleiros realça as incongruências e a incredibilidade no resultado desse julgamento ocorrido na maior corte de justiça desse país. O presidente visivelmente indignado diz textualmente: “essa é uma tarde triste para o STF, pois com argumentos pífios foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por esse tribunal, no segundo semestre de 2012” ao se referir ao rigoroso trabalho que fora feito no STF, na primeira etapa desse processo, que resultou na condenação desses políticos criminosos.

Para nós brasileiros “pobres mortais” já estamos cansados de tantas incongruências e contradições e de conviver com tantos descompasso no exercício da justiça, da  política e na gestão da coisa pública esse resultado, passa a ser mais uma que teremos que “engolir guela abaixo”. O impacto maior sobre nós foi no campo ético pois esperávamos que o STF, ratificasse o que já haviam decido por ocasião  do primeira fase do julgamento desses mensaleiros que pela abrangência e variedade dos crimes que cometeram, pagassem suas penas como estavam previstas, mas contraditoriamente, retiraram a modalidade de pena que fizeram jus (regime fechado) e o tempo de permanência de cada um na cadeia.

A decepção se espalhou pelo Brasil a fora. Todos os brasileiros, desencantados com o resultado desse julgamento e comprometidos com a moral publica, manifestou sua indignação com uma frase clássica: já sabia que iria dá nisso. Mas uma vez vence o poder, a engenharia política mau versada, vence as contradições como nunca visto antes. O favoritismo, o utilitarismo, condutas antiética e muitas outras falcatruas tomam corpo entre nós e em nossa instituições nos decepcionando. Isto é, de fato estamos mergulhados em uma das piores crises no âmbito da moralidade pública e esse resultado mostrou isso.

O resultado do julgamento em 2012, reacendeu em todos nós o sentimento de credibilidade, de confiança e de punidade da justiça, que vinha com sua imagem combalida e prejudicada pelas contradições que lá ocorriam e, ao vernos os “bandidos de colarinho branco” sendo levados para a cadeia, ente os quais, o ex-ministro e chefe da quadrilha da “república petista”, zé Dirceu, renovaram-se nossas esperanças e confianças  no exercício da justiça.

Porém, como diriam os antigos, “a alegria de pobre dura pouco”, pois nesse novo julgamento, ocorrido no dia 27 de fevereiro de 2014, como diz o próprio Joaquim Barbosa onde “a decisão sólida extremamente bem fundamentada que fora tomada por esse tribunal, (no primeiro julgamento) foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico com argumentos pífios”, e essa expressão reascende em nós o implacável sentimento de impunidade, de desalento, de tristeza e de severa decepção nas instituições desse país encarregadas de promoverem a justiça.

A impressão que se tem é que tudo fora uma farsa, um jogo de cartas marcadas ou mesmo uma “encenação feitas por hábeis profissionais” simplesmente para encobrir a “verdadeira intenção dos mandatários do poder” que é de libertar esses criminosos, isentando-lhes de suas responsabilidades e das penas pelos crimes que cometeram e daqui ha pouco estarem do nosso lado desfrutando dos benefícios de um estado injusto contra nós trabalhadores  brasileiros.

De qualquer forma resta-nos a esperança, qual seja, a de permanecermos acreditando que isso um dia irá mudar. Um dia onde prevalecerá a plena justiça e a honradez e, delas nos orgulhar.  A esperança de nascer outros Joaquim Barbosa, corajoso, contestador, combativo, irreverente e justo, para nos ajudar a prender esses falsos brasileiros que “vão para a cadeia com sorrisos nos dentes, de punho cerrados vociferando frases de efeito com: vamos pra luta companheiros”. Um dia onde a maioria possa decidir sobre os rumos que querem seguir na vida e não uma meia dúzia de não-patriotas, oportunista e aproveitadores que tiram proveito de seus cargos e funções no estado. A esperança enfim de vivermos em um mundo justo onde ele mesmo é a ordem natural e o grande alicerce da dignidade humana.

 

 

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