Adesão social em época de pandemia

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Adesão social em época de pandemia

            Em meu último artigo, publicado nesse jornal, destaquei alguns eventos advindos da pandemia e fiz um contraponto com a flexibilização levada a efeito por praticamente todos os estados brasileiros e em alguns municípios. Observava, que a medida de flexibilização das atividades econômicas e sociais, proposta, por decretos de estados e municípios, ocorre em franco processo ascendente da pandemia, tendo em vista que não se constata ainda, um achatamento (rebaixamento) na curva epidemiológica de contágios e disseminação do vírus, entre nós. Considerei isso, uma temeridade no trato da saúde da população, considerando que nos encontramos em franco processo pandêmico.

             Por outro lado, constata-se, a cada dia, que os danos ocasionados pelos avançar da pandemia, são cada vez maiores, os quais, que vem provocando profundas alterações, em todos os sentidos,  no psicológico das pessoas, na gestão pública e em muitos outros setores e atividades humanas, tais como: econômica, cultural, esportiva, recreativa, educacional e laboral, na qualidade de vida etc. Diante disso, estados e municípios podem se ver obrigados e pressionados, a tomarem decisões, como por exemplo a famigerada flexibilização, que ao invés de favorecer  retomada efetiva e segura dessas atividades, nas referidas localidades, provocar, ao contrário, uma situação ainda pior que a atual, promovendo o advento da chamada segunda onda da pandemia.

           Acredito, que muito em breve, iremos avaliar, através de dados e números a repercussão dessas medidas governamentais, sociais e empresariais e se as mesmas foram adequadas e protetivas, ou se foram estapafúrdias ou negligentes. O tempo nos dirá!

           Há dois pontos, ao meu ver, bastante relevantes a se colocar. O primeiro é o papel e a responsabilidade da todos nós, individualmente e enquanto da sociedade civil, frente ao manejo correto da pandemia. O segundo, é que a pandemia, por ser um evento que tem seus fundamentos fincados na saúde pública, já que se trata da contaminação e da disseminação de um vírus, as recomendações desse setor deverão ser amplamente  aplicadas, indistintamente entre todos para impedirmos que o vírus e a sua respectiva doença cause mais danos, além dos que já causou.

           As medidas no âmbito da saúde públicas, que estão sendo recomendadas, no mundo inteiro, já são bastante evidentes, que são efetivas para se frear a onda de contágios desse micro organismo. Por isso mesmo, a cada dia, são destacadas que tais medidas, como usar máscaras e as auto higiene, não podem ser relaxadas para se evitar a contaminação pelo Corona vírus. Sabe-se, ainda, que por se tratar de algo novo em saúde, os recursos preventivos como vacinas e os tratamentos efetivos para controlar a doença Covide-19, ainda não surgiram ainda, embora já haja uma luz no fim do túnel que nos sinaliza para em breve temos tudo isso a nossa disposição.

             A impressão que se tem, é que as recomendações, rigorosamente sanitárias, de uma forma ou de outra, estão sendo cumpridas, não a contento, mas estão. Isto é, as pessoas parecem que estão usando mais máscaras e realizando melhor sua auto higiene, com o uso de água, sabão, e álcool em gel, hipoclorito etc. fato que, certamente, se realizado de forma correta, interferirá, inegavelmente, com a transmissibilidade do vírus.

             Por outro lado, quando examinamos a outra extremidade da questão, que é o comprometimento social da população, ante a pandemia, a mim me parece, um total fracasso. As pessoas estão muito pouco engajadas às medidas recomendadas pelos organismos internacionais de vigilância sanitária, para o enfrentamento da crise pandêmica. No dia seguinte, ao anuncio das medidas de flexibilização, como já havia dito, em franca pandemia, a cidade voltou a funcionar, quase normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Voltaram os problemas de engarrafamento no trânsito, as aglomerações em muitos ambientes, a correria para as lojas e o comercio, intensificaram os contatos entre as pessoas, em bloco passaram a frequentar os mesmos ambientes. Com todo respeito, nos dava a impressão que alguém abriu a chave da porteira e o gado, desesperado, foi para o campo.

             As pessoas, tem dificuldades muito claras de entender, que o distanciamento social, manter espaços seguros entre as pessoas, restringir ambiente de aglomerações, reduzir ao máximo saídas para ambientes públicos ou atividades em público, etc. São recomendações, fundamentais para impedirmos a transmissibilidade do vírus, e com isso evitarmos o Covid-19. Nós humanos, somos os vetores na transmissão de vírus. O clichê, “Fique em casa, foi descumprido pela absoluta maioria da população brasileira”.

           Além, certamente, de serem inspiradas na necessidade de termos cada vez mais saúde e qualidade de vida, pois essas medidas impedem a transmissibilidade, em massa desse vírus, embora sejam, fundamentalmente, sociais e que dizem respeito ao papel o de cada um de nós individualmente e em grupo e foram as que as autoridades sanitárias do planeta, perceberam serem as mais seguras e mais efetivas no combate ao corona vírus, mesmo assim a maioria não entende dessa forma.

           Outro aspecto, é que as medidas também sinalizam para o fortalecimento do amor ao próximo, para assegurarmos mais nosso compromisso social, para sermos mais solidários e para a conquistarmos o desejado bem comum. Lamentavelmente, foi o que vimos muito pouco. A sociedade mesmo diante da mais importante ameaça à saúde e a vida, dos tempos modernos, descumpre, frontalmente essas recomendações, tornando bem mais difícil e prolongado o enfrentamento desse problema em nosso planeta.

      Pode-se compreender esse comportamento social, a partir de alguns fatores, os quais, terão impactos diferentes em cada uma das pessoas. Ei-los: A ignorância da população sobre a transmissão e sobre a doença COVID-19. Atitudes de indiferentismo e de pouco-caso, atribuídos por muitos, ante a situação. A politização do assunto pandemia, nos meios sociais e políticos. O despreparo do poder público no manejo da crise. A falta de bons exemplos e de protocolos claros, de autoridades públicas no manejo da pandemia. O receio ao empobrecimento das pessoas. O pavor de perderem seus empregos. A frustração às restrições sociais. O stress ocasionado pelo abandono de atividades regulares e corriqueiras, sobretudo estudo, trabalho e lazer. O viver em confinamento domiciliar. A diminuição progressiva da tolerância emocional no processo de permanecer por longo tempo em casa. A frustração e os aborrecimentos ocasionados pelo rompimento social. A inatividade da vida domiciliar. Os conflitos familiares já existentes que se reativaram com a volta para casa. São alguns, entre tantos outros fatores, que podem afetar bastante a motivação e o interesse das pessoas no enfrentamento da pandemia. O fato é que precisamos de todos para enfrentarmos o que está aí.

            Em meu último artigo, publicado nesse jornal, destaquei alguns eventos advindos da pandemia e fiz um contraponto com a flexibilização levada a efeito por praticamente todos os estados brasileiros e em alguns municípios. Observava, que a medida de flexibilização das atividades econômicas e sociais, proposta, por decretos de estados e municípios, ocorre em franco processo ascendente da pandemia, tendo em vista que não se constata ainda, um achatamento (rebaixamento) na curva epidemiológica de contágios e disseminação do vírus, entre nós. Considerei isso, uma temeridade no trato da saúde da população, considerando que nos encontramos em franco processo pandêmico.

             Por outro lado, constata-se, a cada dia, que os danos ocasionados pelos avançar da pandemia, são cada vez maiores, os quais, que vem provocando profundas alterações, em todos os sentidos,  no psicológico das pessoas, na gestão pública e em muitos outros setores e atividades humanas, tais como: econômica, cultural, esportiva, recreativa, educacional e laboral, na qualidade de vida etc. Diante disso, estados e municípios podem se ver obrigados e pressionados, a tomarem decisões, como por exemplo a famigerada flexibilização, que ao invés de favorecer  retomada efetiva e segura dessas atividades, nas referidas localidades, provocar, ao contrário, uma situação ainda pior que a atual, promovendo o advento da chamada segunda onda da pandemia.

           Acredito, que muito em breve, iremos avaliar, através de dados e números a repercussão dessas medidas governamentais, sociais e empresariais e se as mesmas foram adequadas e protetivas, ou se foram estapafúrdias ou negligentes. O tempo nos dirá!

           Há dois pontos, ao meu ver, bastante relevantes a se colocar. O primeiro é o papel e a responsabilidade da todos nós, individualmente e enquanto da sociedade civil, frente ao manejo correto da pandemia. O segundo, é que a pandemia, por ser um evento que tem seus fundamentos fincados na saúde pública, já que se trata da contaminação e da disseminação de um vírus, as recomendações desse setor deverão ser amplamente  aplicadas, indistintamente entre todos para impedirmos que o vírus e a sua respectiva doença cause mais danos, além dos que já causou.

           As medidas no âmbito da saúde públicas, que estão sendo recomendadas, no mundo inteiro, já são bastante evidentes, que são efetivas para se frear a onda de contágios desse micro organismo. Por isso mesmo, a cada dia, são destacadas que tais medidas, como usar máscaras e as auto higiene, não podem ser relaxadas para se evitar a contaminação pelo Corona vírus. Sabe-se, ainda, que por se tratar de algo novo em saúde, os recursos preventivos como vacinas e os tratamentos efetivos para controlar a doença Covide-19, ainda não surgiram ainda, embora já haja uma luz no fim do túnel que nos sinaliza para em breve temos tudo isso a nossa disposição.

             A impressão que se tem, é que as recomendações, rigorosamente sanitárias, de uma forma ou de outra, estão sendo cumpridas, não a contento, mas estão. Isto é, as pessoas parecem que estão usando mais máscaras e realizando melhor sua auto higiene, com o uso de água, sabão, e álcool em gel, hipoclorito etc. fato que, certamente, se realizado de forma correta, interferirá, inegavelmente, com a transmissibilidade do vírus.

             Por outro lado, quando examinamos a outra extremidade da questão, que é o comprometimento social da população, ante a pandemia, a mim me parece, um total fracasso. As pessoas estão muito pouco engajadas às medidas recomendadas pelos organismos internacionais de vigilância sanitária, para o enfrentamento da crise pandêmica. No dia seguinte, ao anuncio das medidas de flexibilização, como já havia dito, em franca pandemia, a cidade voltou a funcionar, quase normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Voltaram os problemas de engarrafamento no trânsito, as aglomerações em muitos ambientes, a correria para as lojas e o comercio, intensificaram os contatos entre as pessoas, em bloco passaram a frequentar os mesmos ambientes. Com todo respeito, nos dava a impressão que alguém abriu a chave da porteira e o gado, desesperado, foi para o campo.

             As pessoas, tem dificuldades muito claras de entender, que o distanciamento social, manter espaços seguros entre as pessoas, restringir ambiente de aglomerações, reduzir ao máximo saídas para ambientes públicos ou atividades em público, etc. São recomendações, fundamentais para impedirmos a transmissibilidade do vírus, e com isso evitarmos o Covid-19. Nós humanos, somos os vetores na transmissão de vírus. O clichê, “Fique em casa, foi descumprido pela absoluta maioria da população brasileira”.

           Além, certamente, de serem inspiradas na necessidade de termos cada vez mais saúde e qualidade de vida, pois essas medidas impedem a transmissibilidade, em massa desse vírus, embora sejam, fundamentalmente, sociais e que dizem respeito ao papel o de cada um de nós individualmente e em grupo e foram as que as autoridades sanitárias do planeta, perceberam serem as mais seguras e mais efetivas no combate ao corona vírus, mesmo assim a maioria não entende dessa forma.

           Outro aspecto, é que as medidas também sinalizam para o fortalecimento do amor ao próximo, para assegurarmos mais nosso compromisso social, para sermos mais solidários e para a conquistarmos o desejado bem comum. Lamentavelmente, foi o que vimos muito pouco. A sociedade mesmo diante da mais importante ameaça à saúde e a vida, dos tempos modernos, descumpre, frontalmente essas recomendações, tornando bem mais difícil e prolongado o enfrentamento desse problema em nosso planeta.

      Pode-se compreender esse comportamento social, a partir de alguns fatores, os quais, terão impactos diferentes em cada uma das pessoas. Ei-los: A ignorância da população sobre a transmissão e sobre a doença COVID-19. Atitudes de indiferentismo e de pouco-caso, atribuídos por muitos, ante a situação. A politização do assunto pandemia, nos meios sociais e políticos. O despreparo do poder público no manejo da crise. A falta de bons exemplos e de protocolos claros, de autoridades públicas no manejo da pandemia. O receio ao empobrecimento das pessoas. O pavor de perderem seus empregos. A frustração às restrições sociais. O stress ocasionado pelo abandono de atividades regulares e corriqueiras, sobretudo estudo, trabalho e lazer. O viver em confinamento domiciliar. A diminuição progressiva da tolerância emocional no processo de permanecer por longo tempo em casa. A frustração e os aborrecimentos ocasionados pelo rompimento social. A inatividade da vida domiciliar. Os conflitos familiares já existentes que se reativaram com a volta para casa. São alguns, entre tantos outros fatores, que podem afetar bastante a motivação e o interesse das pessoas no enfrentamento da pandemia. O fato é que precisamos de todos para enfrentarmos o que está aí.

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Consumo de álcool e pandemia II

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                                          Consumo de álcool e pandemia II

               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-LENAD), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita, ficando atrás apenas de Canadá (10 litros), Estados Unidos (9,3 litros), Argentina (9,1 litros) e Chile (9 litros).

               Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades de trabalho, as perdas incomensuráveis financeiras, de emprego de renda, de outras atividades econômicas, as inúmeras mortes ocorridas de parentes, de pessoas queridas e amigos por complicações da COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, enumerados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, dependentes de álcool (alcoólatras), que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, tornando-os, portanto, mais propensos a beberem mais.

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Consumo de álcool e outras drogas na pandemia – IV

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               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-LENAD), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita. O uso de álcool em crianças e adolescentes pode chegar a 7% aos 12 anos e até a 80% aos 18 anos, com riscos de lesões e mortes acidentais, suicídio, gravidez não planejada, sexo não protegido, problemas sociais e escolares, e a longo prazo, maior risco de dependência e lesões estruturais do cérebro.

          Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades sociais e de trabalho, as perdas financeiras, o desemprego e a queda da renda, mortes de parentes e amigos devido a COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo e usando outras drogas excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, mensionados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, alcoólatras, que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, tornando-os, portanto, mais propensos a beberem mais.

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Doenças mentais e pandemia

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           As doenças mentais, são doenças que evoluem cronicamente e são, intensamente, prevalentes no mundo e contribuem para morbidade, para a incapacitação funcional, social e laboral e para a mortalidade prematura. Estima-se que 25% da população geral apresentarão um ou mais transtornos mentais ao longo da vida (Rodriguez et al, 2009). Se somados aos transtornos neurológicos, esses grupos de doenças representam 14% da carga global de doenças, sendo que na América Latina atinge 21% (OMS, 2008).

                Estas, enfermidades se caracterizam por quadros clínicos bem definidos os quais atingem os pensamentos, as percepções, as emoções, os sentimentos, o humor, funções executivas e o pragmatismo, entre outras alterações. Segundo a OMS, entre os transtornos mentais, destacam-se: transtorno depressivo (depressão), o Transtorno Afetivo Bipolar – TAB, e suas diferentes formas clínicas, os Transtornos de Ansiedade e seus tipos clínicos a Esquizofrenia e suas formas clínicas e outras psicoses. Destacam-se, também, as Demências, a deficiência intelectual e Transtornos de Desenvolvimento, incluindo o Autismo.

                A depressão, é o transtorno que tem o maior impacto epidemiológico entre as doenças mentais. É um dos principais transtornos e o que mais causa incapacidade laboral em todo o mundo. Afeta, predominantemente, mulheres e está muito relacionada ao suicídio. Globalmente, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas por essa doença.

            Tristeza (patológica), perda de interesse ou prazer, sentimento de culpa ou rebaixamento da autoestima, alterações do sono e do apetite, cansaço e falta de iniciativa, alterações da concentração, da memória e da motivação, são sintomas frequentes. Os depressivos, em geral apresentam múltiplas queixas clínicas sem nenhuma causa aparente. A doença tende a ser crônica e se manifesta de forma recorrente. A capacidade laborativa, as relações sociais e familiares e o desempenho escolar estão formalmente prejudicados. Em seu estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.

         Fatores e acontecimentos externos aos indivíduos podem influenciar fortemente o processo depressivo, não sendo, portanto, uma questão só determinada por fatores biológicos, genéticos ou hereditários. A situação pandêmica do presente momento, certamente, ocasionará um número bem maior desses transtornos, na população geral, em qualquer faixa etária. As frustrações, as grandes perdas a que estamos submetidos, principalmente por mortes, perdas do emprego e do trabalho, da renda, o isolamento social, a avalanche de notícias sobre a doença, são cada vez fatores que nos abalam, profundamente.

              Sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, sabe-se que atinge cerca de 60 milhões de pessoas no mundo. Consiste tipicamente em episódios alternados de mania e depressão, intermediados por períodos de humor normal (intercrítico). Os episódios de mania envolvem humor elevado ou irritado, atividade exagerada, fala apressada, inquietação, irritabilidade, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono. As pessoas que têm episódios de mania, embora não experimentam episódios depressivos, também são classificadas como tendo transtorno bipolar.

            A esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, são transtornos psiquiátricos graves que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. Essas psicoses, entre as quais a Esquizofrenia, atinge 1% da população geral e se caracteriza por: distorções no pensamento, na percepção, nas emoções, na linguagem, no juízo de realidade, na consciência do “eu” e alterações na adequação do comportamento, alterações estas, que os levam a agir de forma bastante desorganizada. As alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que não ocorrem na realidade) e delírios (falsas crenças ou suspeitas firmemente mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário), são sintomas muitos comuns nessas psicoses. A doença, geralmente, tem início no fim da adolescência ou no começo da vida adulta. O tratamento farmacológico e o apoio médico e psicossocial são bastante eficazes, ao ponto desses suportes, médico e psicossocial, garantem o retorno desses enfermos a uma vida produtiva e integrada socialmente.

             Em razão da pandemia e com as limitações na oferta de serviços psiquiátricos, recomenda-se, que as famílias desses pacientes, que estejam em tratamento psiquiátrico ou mesmo os que já receberam alta médica, que reforcem esses cuidados com esses enfermos e redobrem os cuidados com eles, pois a possibilidade de recaídas em momentos de pandemia, torna essa situação bem mais difícil de ser manejada. Chamo atenção, especialmente, para a manutenção e regularidade no uso dos medicamentos que os mesmos fazem uso.

             Quanto as Demências, cerca de 50 milhões de pessoas as apresentam. É um transtorno crônico, evolui, em geral, de forma lenta e progressiva, havendo deterioração da função cognitiva (capacidade de processar o pensamento e outras funções mentais) fora do envelhecimento normal. As demências prejudicam a memória, o pensamento, a orientação no tempo e espaço, compreensão, a capacidade de calcular, a capacidade de aprendizagem, de linguagem e de julgamento. O transtorno deteriora o controle emocional, o comportamento social, a motivação e outras particularidades, como o pragmatismo e a capacidade executiva. Essas doenças, são ocasionadas por micro lesões do cérebro, entre essas, destaca-se a Doença de Alzheimer.

            Segundo a OMS a “ deficiência intelectual é caracterizada pela diminuição de habilidades em várias áreas de desenvolvimento, como o funcionamento cognitivo e o comportamento adaptativo. Essa condição diminui a capacidade de adaptação às exigências diárias da vida”. A OMS, diz ainda: ”os sintomas de transtornos invasivos de desenvolvimento, como o autismo, são comportamento social, comunicação e linguagem prejudicados e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente. Os transtornos de desenvolvimento frequentemente se originam na infância ou na primeira infância. As pessoas com esses transtornos ocasionalmente possuem algum grau de deficiência intelectual”.

            Semelhantemente, às recomendações fornecidas às famílias e aos depressivos, esquizofrênicos, portadores de transtornos ansiosos e de TAB, aqui também, no caso dos Autistas e deficiente intelectuais, os cuidados deverão ser redobrados, pois, esses pacientes em crises, terão dificuldades especiais em avaliar, rigorosamente, os riscos de adquirirem o COVID -19 e piorarem muitas suas doenças de base. Portanto, cuidem cada vez melhor de seus enfermos, para que se Deus quiser, transitemos melhor esses graves momentos.

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Doenças mentais e pandemia

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           As doenças mentais, são doenças que evoluem cronicamente e são, intensamente, prevalentes no mundo e contribuem para morbidade, para a incapacitação funcional, social e laboral e para a mortalidade prematura. Estima-se que 25% da população geral apresentarão um ou mais transtornos mentais ao longo da vida (Rodriguez et al, 2009). Se somados aos transtornos neurológicos, esses grupos de doenças representam 14% da carga global de doenças, sendo que na América Latina atinge 21% (OMS, 2008).

                Estas, enfermidades se caracterizam por quadros clínicos bem definidos os quais atingem os pensamentos, as percepções, as emoções, os sentimentos, o humor, funções executivas e o pragmatismo, entre outras alterações. Segundo a OMS, entre os transtornos mentais, destacam-se: transtorno depressivo (depressão), o Transtorno Afetivo Bipolar – TAB, e suas diferentes formas clínicas, os Transtornos de Ansiedade e seus tipos clínicos a Esquizofrenia e suas formas clínicas e outras psicoses. Destacam-se, também, as Demências, a deficiência intelectual e Transtornos de Desenvolvimento, incluindo o Autismo.

                A depressão, é o transtorno que tem o maior impacto epidemiológico entre as doenças mentais. É um dos principais transtornos e o que mais causa incapacidade laboral em todo o mundo. Afeta, predominantemente, mulheres e está muito relacionada ao suicídio. Globalmente, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas por essa doença.

            Tristeza (patológica), perda de interesse ou prazer, sentimento de culpa ou rebaixamento da autoestima, alterações do sono e do apetite, cansaço e falta de iniciativa, alterações da concentração, da memória e da motivação, são sintomas frequentes. Os depressivos, em geral apresentam múltiplas queixas clínicas sem nenhuma causa aparente. A doença tende a ser crônica e se manifesta de forma recorrente. A capacidade laborativa, as relações sociais e familiares e o desempenho escolar estão formalmente prejudicados. Em seu estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.

         Fatores e acontecimentos externos aos indivíduos podem influenciar fortemente o processo depressivo, não sendo, portanto, uma questão só determinada por fatores biológicos, genéticos ou hereditários. A situação pandêmica do presente momento, certamente, ocasionará um número bem maior desses transtornos, na população geral, em qualquer faixa etária. As frustrações, as grandes perdas a que estamos submetidos, principalmente por mortes, perdas do emprego e do trabalho, da renda, o isolamento social, a avalanche de notícias sobre a doença, são cada vez fatores que nos abalam, profundamente.

              Sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, sabe-se que atinge cerca de 60 milhões de pessoas no mundo. Consiste tipicamente em episódios alternados de mania e depressão, intermediados por períodos de humor normal (intercrítico). Os episódios de mania envolvem humor elevado ou irritado, atividade exagerada, fala apressada, inquietação, irritabilidade, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono. As pessoas que têm episódios de mania, embora não experimentam episódios depressivos, também são classificadas como tendo transtorno bipolar.

            A esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, são transtornos psiquiátricos graves que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. Essas psicoses, entre as quais a Esquizofrenia, atinge 1% da população geral e se caracteriza por: distorções no pensamento, na percepção, nas emoções, na linguagem, no juízo de realidade, na consciência do “eu” e alterações na adequação do comportamento, alterações estas, que os levam a agir de forma bastante desorganizada. As alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que não ocorrem na realidade) e delírios (falsas crenças ou suspeitas firmemente mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário), são sintomas muitos comuns nessas psicoses. A doença, geralmente, tem início no fim da adolescência ou no começo da vida adulta. O tratamento farmacológico e o apoio médico e psicossocial são bastante eficazes, ao ponto desses suportes, médico e psicossocial, garantem o retorno desses enfermos a uma vida produtiva e integrada socialmente.

             Em razão da pandemia e com as limitações na oferta de serviços psiquiátricos, recomenda-se, que as famílias desses pacientes, que estejam em tratamento psiquiátrico ou mesmo os que já receberam alta médica, que reforcem esses cuidados com esses enfermos e redobrem os cuidados com eles, pois a possibilidade de recaídas em momentos de pandemia, torna essa situação bem mais difícil de ser manejada. Chamo atenção, especialmente, para a manutenção e regularidade no uso dos medicamentos que os mesmos fazem uso.

             Quanto as Demências, cerca de 50 milhões de pessoas as apresentam. É um transtorno crônico, evolui, em geral, de forma lenta e progressiva, havendo deterioração da função cognitiva (capacidade de processar o pensamento e outras funções mentais) fora do envelhecimento normal. As demências prejudicam a memória, o pensamento, a orientação no tempo e espaço, compreensão, a capacidade de calcular, a capacidade de aprendizagem, de linguagem e de julgamento. O transtorno deteriora o controle emocional, o comportamento social, a motivação e outras particularidades, como o pragmatismo e a capacidade executiva. Essas doenças, são ocasionadas por micro lesões do cérebro, entre essas, destaca-se a Doença de Alzheimer.

            Segundo a OMS a “ deficiência intelectual é caracterizada pela diminuição de habilidades em várias áreas de desenvolvimento, como o funcionamento cognitivo e o comportamento adaptativo. Essa condição diminui a capacidade de adaptação às exigências diárias da vida”. A OMS, diz ainda: ”os sintomas de transtornos invasivos de desenvolvimento, como o autismo, são comportamento social, comunicação e linguagem prejudicados e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente. Os transtornos de desenvolvimento frequentemente se originam na infância ou na primeira infância. As pessoas com esses transtornos ocasionalmente possuem algum grau de deficiência intelectual”.

            Semelhantemente, às recomendações fornecidas às famílias e aos depressivos, esquizofrênicos, portadores de transtornos ansiosos e de TAB, aqui também, no caso dos Autistas e deficiente intelectuais, os cuidados deverão ser redobrados, pois, esses pacientes em crises, terão dificuldades especiais em avaliar, rigorosamente, os riscos de adquirirem o COVID -19 e piorarem muitas suas doenças de base. Portanto, cuidem cada vez melhor de seus enfermos, para que se Deus quiser, transitemos melhor esses graves momentos.

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Consumo de álcool e pandemia II

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               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-Lenad), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita, ficando atrás apenas de Canadá (10 litros), Estados Unidos (9,3 litros), Argentina (9,1 litros) e Chile (9 litros).

               Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades de trabalho, as perdas incomensuráveis financeiras, de emprego de renda, de outras atividades econômicas, as inúmeras mortes ocorridas de parentes, de pessoas queridas e amigos por complicações da COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, enumerados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, dependentes de álcool (alcoólatras), que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, portanto, mais propensos a beberem mais.

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O Distanciamento social

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                 Isolamento social, reclusão social, confinamento domiciliar, distanciamento social, esses são, ente outros, os nomes dados à atitude das pessoas ao se recolherem em suas casas como uma das estratégias recomendados pelos, Ministério da Saúde e OMS, para impedir o alastramento da contaminação pelo SARS-CoV-2.

                Além do distanciamento social e de todas as outras recomendações propostas por esses órgãos para o enfrentamento da pandemia, sabe-se que, se aplicadas em bloco, os prejuízos seriam bem menores aos que estão previstos se não forem adotadas tais medidas. Portanto, são recomendações vitais à favor da saúde, da segurança e da vida. De tal forma, que adotar tais medidas, passa a ser um dever do estado e de cada um de nós no enfrentamento dessa situação.

             Essas medidas sanitárias e epidemiológicas, para o controle do vírus e progressão da doença, bem fundamentadas, estão ocorrendo em um tempo especial, onde estávamos, absolutamente, despreparados, em todos os sentidos, para encarar o que está aí. Nos pegou a todos de surpresa, gerando impactos brutais em nossa vida, pessoal, social, emocional, comportamental e econômica, além de outros aspectos da nossa vida associativa, provocando, por isso mesmo, uma desadaptação psicossocial geral na população

              O Slogan das campanhas é “fique em casa”, está disseminada no mundo inteiro como medida sanitária e epidemiológica de segurança e de enfrentamento da pandemia. Talvez tenha sido a medida mais complexa e desafiadora recomendada para se enfrentar o que vem ocorrendo conosco. Provocou profundas mudanças em nossos hábitos, costumes, em nosso psicológico e na maneira de vivermos no mundo. Aparentemente, ficar em casa não é nada de especial, pois queiramos nós ou não, nossa casa é um dos mais importantes ambiente, onde com nossas famílias, implementamos grande parte de nossa existência. O problema, surge, quando ficar em casa implica em uma profunda ruptura de nossos outros laços sociais, no abandono das nossas atividades laborativas, no nossos desvinculamento físico presencial, na separação das pessoas com as quais tínhamos intimidades, além de uma infinidade de outros rompimentos e separações em nome da nossa proteção contra o Corona vírus.

                 Nessas condições de mudanças profundas porque estamos passando em nome da proteção da nossa vida e da saúde, essa compreensão, não impede o surgimento desse mal-estar profundo porque todos estamos passando no presente momento. Isto é, mesmo se sabendo que o grande motivo para explicar todas essas mudanças seja, absolutamente relevante, isso não impede a frustração, o medo e tristeza que vem tomando conta de todos nos dias atuais.

                Do ponto de vista da saúde mental, alguns problemas já começam a aflorar mais abundantemente na população. O medo do contágio com do Corona vírus e da COVID-19, tem deixado muita gente em estado e choque, assustados, apavorados e com pânico, pois esse fato por si sós, provocam níveis profundos e insuportáveis de desgastes emocionais, de stress e na cognição. Me refiro, especialmente, à população mais vulnerável de riscos para as situações acima, que são os profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros trabalhadores que exercem suas atividades em hospitais, UPAS, Prontos-Socorros etc., os quais se expões, diariamente, à enormes riscos de uma contaminação a esse virus. O pior de tudo, é que já surgem graves denúncias que esses profissionais estão trabalhando em condições precárias de segurança em muitos locais de nosso estado. Fato que torna a situação mais ameaçadora, assustadora e insuportável do ponto de vista emocional.

                 Outras populações também muito afetadas por essa situação psicológico e social dessa pandemia, são os idosos, os portadores de doenças crônicas respiratórias, diabéticos, hipertensos, e portadores de outras doenças crônicas. Esses, estão também bem mais assustados. Essa situação de ansiedade estrema e de muita apreensão e sofrimento, pode incrementar a possibilidade dessa população de outras desenvolverem uma série de transtornos psiquiátricos que já são esperados, epidemiologicamente, em situações de grandes catástrofes, pandemias e desastres, guerras etc. Ou mesmo em situações de grandes crises psicossociais, semelhante a que estamos passando no presente momento.

                Do ponto de vista psiquiátrico e comportamental, os transtornos previstos para ocorrerem ante esses problemas, são: Transtorno de Stress Pós-Traumático – TEPT, ocasionado por uma disfunção da ansiedade. se caracteriza clinicamente por: sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais e comportamentais ocasionado por ser vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas graves os quais representaram ameaça à vida, a vida de terceiros. São situações carregadas de dor e muito sofrimento. Apresentam flashback, recordam, persistentemente, os fatos, mesmo já tendo passado por ele, revivendo-o.  Essa situação é conhecida como revivescência, reminiscência e a mesma desencadeia uma gama enorme de reações psíquicas e corporativas e comportamentais, nessas pessoas.

             Entre 15% e 20% das pessoas que, são vítimas ou presenciam tais acontecimentos (violência urbana, agressão física, abuso sexual, terrorismo, guerras, pandemias, tortura, assalto, sequestro, acidentes, catástrofes naturais ou não, desenvolvem o TEPT.

             Outros transtornos nesses momentos iniciais da pandemia e que também bases na ansiedade disfuncional, são: Transtorno de Ansiedade Generalizada – TAG, Transtornos Fóbicos, Transtorno de Pânico e Síndrome de Burnout. Como dissera anteriormente, todas essas condições clínicas estão previstas acontecerem no início e em períodos intermediária dessa pandemia, forma significativa, epidemiologicamente, na população atual.

                 Em uma fase final desses acontecimentos, ou pós pandemia, em razão de tod sofrimentos, pesar e dor associados a pandemia, sobretudo às perdas enormes, as quais todos estamos sujeitos (saúde, trabalho, renda, laser, vida social, mortes, perdas materiais e patrimoniais, privações, dor e sofrimento) é esperado o aparecimento de graves episódios depressivos, com o incremento significativo de suicídios na população geral. Portanto, todo esforço que fizermos no sentido de impedir a proliferação desse vírus e o surgimento do COVID 19 é pouco, ante essa tragédia anunciada que há por trás dessa pandeia. Cuidemo-nos!

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Preconceitos, formas veladas de violência

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Cada vez mais a sociedade civil deste país se insurge contra as incongruências e a violência contida nos preconceitos e nos estigmas sociais, relacionados com doentes mentais, seus tratamentos e a família desses enfermos. Esses preconceitos são muito antigos e se verificam em de diferentes situações: contra gays, negros, pobres, prostitutas, nacionalidades e entre esses, os doentes mentais. Nesse particular, estes são muitos profundos e mais antigos ainda, pois desde os primórdios da Psiquiatria que se sabe que eles existem, provocando danos e prejuízos irreparáveis a estes doentes, estigmatizando-os, segregando-os e os isolando do convívio social.

Preconceitos e estigmas são na realidade condições pejorativas desvalorativas dirigidas contra alguém ou contra algo que ocorre na realidade. São conceitos, pré-anunciados, antecipados, em torno de algo, alguém ou acontecimento ou sobre o que de fato ocorre, na realidade. Os preconceitos, estão quase sempre inseridos em um contexto social, psíquico ou cultural ou a condições específicas que fazem parte dos indivíduos e de suas relações. Em geral os preconceitos são estigmatizantes e segregacionistas onde indivíduos, práticas sociais, fatos, acontecimentos, eventos ou mesmo condições psicossociais, são desqualificados, mal vistos e desconsideradas, em razão de uma apreciação destorcida dessas realidades, desses fatos ou dessas pessoas ou desses acontecimentos, os quais são postos à margem da realidade. Em princípio, todos os preconceitos são repletos de violências contra o que, ou a quem se dirige.

Particularmente, sobre preconceitos e doença mental a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, há 08 anos, desenvolveu a campanha “A Sociedade Contra o Preconceito”, lançada durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Essa campanha ganhou notoriedade, nacional e internacional, de tal forma que culminou com o projeto “Psicofobia é um Crime” que, após várias audiências públicas, apresentou emenda ao projeto de reforma do Código Penal, para criminalizar a segregação de portadores de transtornos mentais.

O programa “Psicofobia é um Crime” da ABP, visa institucionalizar nossa luta de combater os preconceitos e os estigmas que ocorrem na psiquiatria, principalmente contra os enfermos psiquiátricos e seus tratamentos. Trata-se de um manifesto consciente, responsável, humanizador, visando extirpar os tais preconceitos e/ou qualquer outra forma de descriminação que exista sobre os doentes mentais. É uma forma de demonstrar nossa indignação e disposição de lutar contra todo tipo de descriminalização que hala, sobretudo a esses enfermos, aos médicos psiquiatras e a psiquiatria como especialidade médica, por reconhecer-se que são práticas nefastas e não ajudam na recuperação nem na inserção social dessas pessoas.

Através deste Programa “Psicofobia é um Crime”, nós psiquiatras já avançamos muito. Artistas, poetas, políticos e escritores, cientistas e pesquisadores já se apresentaram na abertura dos nossos Congressos de Psiquiatria tratando de tais preconceitos, e muitos deles relatando suas próprias experiências como portadores de alguns transtornos psiquiátricos ou de alguns parentes seus. Além disso, redes de tvs e grandes jornais nacionais atualmente se dirigem á ABP para ouvi-la quando o assunto é sobre doença mental, fatos que nunca houve na história da Psiquiatria desse país.

Entre essas figuras de notoriedade pública destacamos o grande humorista Chico Anízio, o narrador e comentarista esportivo Luciano do Vale, o grande poeta maranhense Ferreira Gullar e tantas outras personalidades públicas, que de forma despretensiosa e com elevado espírito de solidariedade humana se dispuseram a realizar esses autos relatos, sobre suas doenças mentais, para ajudar a Psiquiatria a enfrentar esses enormes preconceitos nessa área.

É bom que se diga, que as doenças mentais obedecem às mesmas regras, leis e princípios que regem as demais doenças humanas, só diferindo quanto a forma de se expressarem clinicamente, e nada mais. São doenças que, como muitas outras, se tiverem precocemente um bom diagnóstico e um tratamento adequado terão um prognóstico favorável e muitos desses enfermos se recuperam inteiramente ao ponto de levarem uma vida absolutamente normal, como qualquer um.

A evolução nos critérios de diagnósticos dessas enfermidades, os avanços farmacológicos e outras formas de tratamentos bem como os avanços nos recursos laboratoriais hoje disponíveis são consideradas avanços absolutamente importante no controle clínico e epidemiológico dessas enfermidades. Fatos que vem colaborando sobre maneira para a derrubada dos estigmas aqui encontrados.

De tal forma que essa imagem malévola, demoníaca, amedrontadora, segregacionista bem como de que acreditam que doentes mentais são loucos, violentos, endemoniados, deficiente irrecuperáveis, intratáveis e muitos outros preconceitos é uma tremenda violência praticada contra essas pessoas, pois semelhantemente a muitos outros doentes, esses podem se prevenir, tratar, se recuperar e levar uma vida feliz e tranquila como a de todos. Por extensão, tais preconceitos resvalam para a Psiquiatria, enquanto especialidade médica, para os psiquiatras, para os hospitais psiquiátricos e, sobretudo para os tratamentos aplicados a esses enfermos.

            Para muitos, a Psiquiatria, é uma especialidade que trata de loucos, de malucos, desconhecendo completamente e de forma maldosa o alcance médico, social e humanístico que recaem sobre os ombros desses especialistas. Desconhecendo, o valor e a importância da ciência que há por trás dessa prática médica e desconhecendo, sobretudo o imenso valor social na prática desses médicos.

               Essa uma crença popular antiga, pejorativa, preconceituosa, que até hoje impede de muita gente ir ao psiquiatra para tratar de seus problemas, comportamentais ou emocionais, e deles se livrarem. A doença mental, como outras doenças humanas, quanto mais cedo for diagnóstica e tratada melhor, tanto para os enfermos quanto para seus familiares. Quanto mais tarde, pior. Portanto, lutemos arduamente contra todos esses preconceitos contra os doentes mentais, seus tratamentos e os profissionais que cuidam desses enfermos.

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Internar, um imperativo a favor do paciente.

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Esse é o segundo artigo que trata do assunto, internação em Psiquiatria, embora permaneça sendo amplamente discutido, ainda há uma celeuma, em torno desse assunto. Reconhece-se, que de fato é um tema deveras importante e que devemos realmente discuti-lo, abundantemente, para melhor entender como funciona esse processo.

 Internar alguém por um transtorno médico é um dever profissional e uma prerrogativa ética, moral e legal dos enfermos, em condições especiais no curso de uma doença as quais possam justificar tal indicação. Do ponto de vista médico, nenhum profissional, independente da espacialidade, sugeriria que se hospitalizasse alguém, sem uma base clínica e ética que a justifique. As condições agudas, com risco de morte e comportamentos autodestrutivos ou antissociais (psicóticas) figuram entre as manifestações médicas e psiquiátricas que mais justificam uma internação.

Nessa perspectiva, o uso de álcool e outras drogas representam questões médicas e psicossocial grave, que certamente representa um dos maiores problemas de saúde pública, segurança e bem-estar social, dos últimos anos. Os índices de morbimortalidade devido ao uso de drogas, na prática, superam em muito as estatísticas epidemiológicas de suicídios, homicídios, mortes ocasionadas no transito, canceres, guerras e por muitas outras doenças, que ocupam lugares de destaque nas estatísticas nacionais ou internacionais. Além do mais, a situação se complica, por se saber que o problema não se restringe somente aos usuários, mas às suas famílias, ao trabalho, as escolas e a todos que, de uma forma ou de outa, se relacionam e essas pessoas.

Múltiplos fatores, atualmente, colaboram para o expressivo aumento da demanda por álcool e outras drogas. Questões sociais, psicológicas, questões médicas e psiquiátricas, questões familiares, econômicas, desemprego, conflitos sociais, figuram entre as principais. Destacamos, também o incremento do tráfico ilícito de drogas de dimensão internacional e a inexistência de políticas públicas consistentes, eficiente e arrojadas na área da prevenção e do enfrentamento dessas questões.

A sociedade parece parcialmente imobilizada sem saber nem por onde começar para participar adequadamente desta questão, pois como as medidas públicas são insuficientes e fragmentadas isto favorece a desmobilização social para o enfrentamento da situação, adotando conduta meramente contemplativa.  Apesar do tamanho do problema e da imobilização social há atualmente setores da sociedade que se encontram bem engajados nesta luta. Entidades públicas, filantrópicas, privadas, religiosas, comunitárias, empresariais que, congregando pessoas preparadas, fornecem aconselhamento, permitem a troca de experiências e proporcionam tratamento e assistência aos dependentes químicos.

Talvez seja a família, um dos segmentos sociais mais afetadas, pois as mães e pais desesperados batem às portas das instituições públicas, relatando que já perderam tudo: a paz, o sono, a saúde, o patrimônio. Agora, estão prestes a perder a esperança e a vida, devido o comportamento suicida, agressivo, psicótico de um filho (a) ou familiar que adentrou ao uso de drogas e não tem condições para sair sem o devido apoio profissional.

As opiniões sobre a melhor forma de tratar dependente de drogas álcool, são divergentes, embora todas elas possam dá suas contribuições. A dependência química é um transtorno grave que exige tratamento imediato, mesmo à revelia dos enfermos. O sucesso desta iniciativa, como qualquer intervenção médica responsável, depende do acerto entre a medida indicada e as necessidades do paciente. Qualquer atividade de atenção e assistência a esses enfermos devem estar em consonância com os princípios médicos é ticos e legais, é o que estabelece a Lei 11.343/06.

São raros os casos de dependentes de drogas e de álcool, que se recuperam sem o auxílio da família, dos profissionais ou de terceiros, nesse sentido de apoiar esses enfermos. Uma pesquisa americana revelou que 50% dos dependentes químicos apresentam algum tipo de transtorno mental, sendo o mais comum deles a depressão, transtorno de personalidade e outros transtornos mentais. Muitos são inaptos para avaliara a própria doença e a nocividade do seu comportamento, por isto mesmo, não aceitam qualquer tipo de ajuda.  

A Lei Federal, acima citada, busca apoia-lo, protege-lo e dar-lhe seu direitos e garantias e total apoio a suas demandas, médico, sociais e de direito a ele e a suas famílias, procurando garantir-lhe o melhor de uma assistência, ambulatorial ou hospitalar.   

Estudos recentes mostram que o fato de alguém se internar em um hospital para se tratar involuntariamente, voluntariamente ou de forma compulsória não macula o resultado destes tratamentos através dessas modalidades de internação, pois os pacientes podem se beneficiar do que lhe é oferecido através das mesmas. O que não se concebe mais nos dias atuais é esperar que um doente mental grave como são os dependentes de álcool e outras drogas decidam, tão somente, se querem ou não se tratar já que lhes faltam estas prerrogativas em razão de suas doenças.

A dependência química é uma condição médica e psicossocial grave que impõe a esses enfermos, a seus familiares e a sociedade em geral, alterações profundas em seu comportamento pessoal e social. A consciência, a cognição, os afetos, as emoções e o desses enfermos estão comprometidas profundamente, altercando-lhes, por conseguinte sua autocrítica, sua auto avaliação e as capacidade de só se recuperar, havendo, por conseguinte uma necessidade imperiosa de se tratar e muitas das vezes, pelas razões acima, em um ambiente hospitalar.

Em havendo indicação médica especifica, suporte, apoio e autorização familiar para proceder uma internação involuntária que será para proteger esses enfermos de cometerem atos contra si e contra os outros, ameaçando-lhes a própria vida. De tal forma, que não é maldade, violência, ou restrição de direitos humanos nessas internações, involuntárias ou compulsórias (judiciais), pelo contrário, todas estão a serviço da família e dos enfermos.

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Para onde estamos caminhando?

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            São notórias as mudanças que a sociedade vem passando nas últimas duas décadas. Avanços científicos, desenvolvimento tecnológicos, mudanças sociais profundas, políticas públicas em ebulição e muitos outros aspectos que vem influenciando diretamente a saúde, o comportamento, a segurança pública e social e o bem-estar da população.

              Toda essa mudança tem ocasionado impactos enormes na saúde mental da população. Destaca-se o crescimento geométrico de transtornos depressivos e de ansiedade, bem como e de outras doenças mentais na população e surgimento de novas categorias de enfermidades psiquiátricas originárias das novas e modernas tecnologias que tomaram conta do mundo. Uma dessas enfermidades, é a dependência de eletrônicos, também denominados de vícios em internet.

             Muitas dessas dependências, relacionadas ao uso de internet, a bem da verdade, ainda nãos se constituem como “doenças ou enfermidades médicas ou psiquiátricas” oficialmente, porque ainda não figuram nas classificações internacionais das doenças humanas catalogadas pela Organização Mundial da Saúde – OMS. Todavia, centenas de estudos e trabalhos internacionais, apontam que esses exageros e apegos disfuncionais observados em muitas pessoas, no uso dessas ferramentas, estão levando muitos usuários a se comportarem como verdadeiros viciados nessas modernas tecnologias o que tem levado os pesquisadores, do mundo todo, a identificarem esses problemas como os que certamente aparecerão nas próximas edições das classificações internacionais das doenças ou CIDs.

          O termo vício, embora ainda se use muito, permanece muito carregado de segregação e preconceito. Pois é uma condição excludente e marginalizante, do ponto de vista psicológico e social. Significa um defeito grave que torna uma pessoa inadequada para certos fins ou funções. O viciado tem inclinação para prejuízos e são considerados pessoas desagregadas, descontroladas. À luz da Psiquiatria contemporânea, esse termo está sendo substituído amplamente, por dependência e está relacionado aos indivíduos com hábitos disfuncionais ou patológicos, em especial para o consumo de álcool e outras drogas.

            Com a era tecnológica muitos usuários desses sistemas estão apresentando comportamentos disfuncionais, muito parecidos aos dependentes químicos, onde a diferença central é que no caso das teologias digitais, a droga não estar presente e sim os esses modernos meios eletrônicos que fazem parte desta nova sociedade tecnocrática. Estes comportamentos produzidos pela era digital, passou-se a denominar “vícios eletrônicos” ou dependentes virtuais ou dependentes de internet.

            A internet, ponto central dessa nova era, é um conhecimento que veio com força total, desbancando tradições, conhecimentos e atitudes humanas consagradas ao longo da história. Ela conseguiu, a um só tempo, inovar e redefinir novos paradigmas comportamentais, familiares e sociais e construir novos tempos e novas formas de relações humanas. A grande rede de computadores (www) transformou o mundo, o homem e suas relações, cresce a cada dia e seu alcance é inimaginável. A internet, deixou o homem, menos singular e mais plural, menos restrito e mais global, menos voltados para si e mais voltado para o mundo, menos local e mais telúrico, menos real e mais virtual, mais cético e menos crítico, mais lógico e menos sensível. Isto é, provocou mudanças profundas no homem tanto em seu modo de ser, quanto no de existir.

            Filhotes da rede estão os tablets, os celulares, os computadores, os smartfones e outros fabulosos aparelhos eletrônicos que, indiscutivelmente, vieram para ficar e conquistaram o homem por inteiro por atingirem suas aspirações essenciais: como o prazer, o utilitarismo, o imediatismo, a rapidez, a materialidade. A tecnologia digital atende plenamente essas demandas e nos dá tudo que precisamos sem fazer esforços e nos agrada em geral. Os brinquedos eletrônicos, os aparelhos inteligentes, tornaram tudo mais fácil e praticamente tudo ao nosso alcance.    

       As filhotas da internet são as redes sociais. Nosso país, a cada dia se notabiliza como um dos mais importantes do mundo entre os países usuários de redes sociais e de equipamentos eletrônicos e já detém o terceiro lugar no mundo de acessos à redes sociais especialmente “Faceboock, Tweter e Linked-in” e Instagram.   

             Nessa perspectiva, as seduções pelas virtualidades se escancararam. Imagine, uma pessoa poder falar com todo mundo sem abrir a boca, sair de casa sem dar um passo, amar sem sentir o corpo e a voz da pessoa amada, se comunicar sem fazer qualquer esforço real, trabalhar sem sair da cama ou da mesa de sua casa, fazer amor, noivar, namorar, se casar, sem nunca ter visto sua cara-metade, ou mesmo ter ouvido sua voz, seu cheiro, seu suor, a consistência de sua tez ou nunca ter sentido um olhar profundo de seu parceiro ou parceira. É fantástico, fabuloso e muitos estão embarcando nisso sem pena e sem piedade. Ante essa coisa maravilhosa o que mais queremos para o futuro?

            Os exageros no uso, as relações desmedidas, a cada dia faz crescer no mundo as ocorrências de pessoas que passaram a apresentar graves distúrbios afetivos, emocionais e comportamentais, associados diretamente ao abuso de internet ou de redes sociais. Vejam, por exemplo, que desde 2017, os jogos eletrônicos já passaram a se constituir como entidade clínica no rol das doenças humanas da OMS, os dependentes de jogos eletrônicos.

            Pessoas outras, que não fazem outra coisa na vida, que não ser se conectar e permanecer ligado ou logado o dia todo com essas atividades ditas virtuais. Outras, deixam de cumprir seus compromissos, seus estudos ou suas relações familiares, de lazer ou mesmo de trabalho para se dedicarem, exageradamente, às redes sociais ou a contatos virtuais.

          Queixas de atritos conjugais, familiares, no trabalho, passaram a ser muito frequentes nos consultórios psiquiátricos. Muitas outras queixas em muitas outras áreas passaram a ser relevantes: casamentos rompidos precocemente, conflitos entre pais e filhos e nas relações amorosas e de trabalho, estão sendo muito influenciados por uso problemático dessas tecnologias. Comportamentos ciumentos doentios, atitudes de hostilidade, sentimentos de possessividade e impulsividade nas relações pessoais, dificuldades nas relações sociais são também muito influenciados pelos mesmos motivos. O fato, é que muitas pessoas desavisadas e incautas estão indo muito fundo ao pote. Mergulham, profundamente, nessas virtualidades, oferecidos por esse mundo mágico e sedutor e se perdem, por prejudicar, formalmente, a necessária noção dos limites e do equilíbrio mental e comportamental, face a essas inovações.

            O perfil clínico e epidemiológico destes “novos doentes” está sendo construído e acredito que em um futuro próximo, possam ser anunciados e passaremos a saber melhor sobre os mesmos. Sabe-se, todavia, que são doentes graves, evoluem de forma sutil, progressiva e insidiosa e quando já são percebidos, já estão muito comprometidos mentalmente.  

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