Dependência de celulares

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          Semana passada, anunciaram na grande imprensa, uma pesquisa importante, realizada em todo território nacional, envolvendo o uso de telefone celular. E, alguns achados da pesquisa, demonstram uma situação muito complicada e preocupante entre as pessoas e o uso desses aparelhos.

           Os pesquisadores, descobriram que 15% dos brasileiros entrevistados, não conseguem ficar 1 minuto sequer sem o telefone celular; 7% deles, por só por 2 horas; 11% só conseguem ficar sem ele, por 6 horas, e 8% por apenas 1 hora. Sinais de inquietação, taquicardia, falta de ar, apreensão e inquietação por nãos disporem dos aparelhos ou por não terem acesso às suas funções, podem ser prenúncios de dependência. 27% dos entrevistados afirmaram que o uso do celular atrapalha a hora de dormir; 23% afeta a relação com outras pessoas e outros 23% informam que o celular tira a tenção nas tarefas diárias. Esses números são estarrecedores.

            Sabe-se que desde a metade dos anos 1990, o uso de aparelhos eletrônicos tem aumentado exponencialmente. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), Agência do Sistema das Nações Unidas, dedicada a temas relacionados às Tecnologias da Informação e Comunicação, já são mais de 7 bilhões de aparelhos celulares em uso no mundo, isso corresponde, a mais ou menos, um aparelho para cada ser humano na face da terra.

           Com o aperfeiçoamento progressivo desses aparelhos, chegou-se a era dos aparelhos inteligentes: Tvs, carros e fones inteligentes, ou smartphones, equipamentos dotados de múltiplas funções:   câmera fotográfica, filmadora de alta resolução, ampla acessibilidade a e-mails e redes sociais, pesquisas on-line, visualização de filmes e programas de TV, músicas, realização de transações financeiras, estudos e diversas outras possibilidades, além, evidentemente, do contato telefônico propriamente dito. Os smartphones vieram para ficar e sua chegada provocou, grandes transformações nos meios de comunicação.

         Como já era de se esperar, as pessoas foram com sede ao pote, no rumo desses equipamentos, pois afinal de contas, nãos se tratava, tão somente, de um telefone e sim de algo que nos dava um “plus” a mais, em nosso modo de viver.  O aparelhinho, deixa o mundo inteiro, literalmente, ao nosso alcance, bastando para tanto alguns “cliques” em seus teclados e, em poucos segundo as coisas mudam. Tem havido tanta evolução, que raras são as vezes que se vê alguém sem portar um celular, ou nas mãos, nos bolsos, nas bolsas e em todo lugar que se pode imaginar.

             Com o aperfeiçoamento dos aparelhos, surgiram novos hábitos e novas formas das pessoas se comportarem no mundo, ao ponto de muito delas perderem completamente a noção de adequação do seu uso. Passaram a usá-los de forma estranha, disfuncional e desvinculada das finalidades para as quais os mesmos foram inventados. A situação foi tão alarmante que no Reino Unido, a uns anos atrás, passou-se a designar esse apego patológico aos celulares de nomofobia (abreviação, do inglês, para: no-mobile-phone phobia), para descrever o pavor, o mal-estar, o estado de apreensão e todo uma angustia que urge nessas pessoas quando o telefone celular não estar disponível. Esse termo tem também sido muito utilizado para descrever a dependência ou uso compulsivo desses aparelhos.

             As taxas estimadas de dependência de celular podem chegar até a 60% entre os usuários. Um estudo brasileiro realizado pela pesquisadora Anna Lúcia King, da UFRJ, verificou que 34% dos entrevistados afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto.

             Uma outra particularidade, ao meu ver, ainda mais preocupante é a utilização em massa desses aparelhos, especialmente fones e tabletes, por crianças e adolescentes, pois isso fatalmente irá provocar, desde cedo, comportamentos exagerados e descontrolados, próprios dos usuários disfuncionais. Milhões de crianças, com idades que variam ente dois ou três anos e adolescentes, com acesso livre, total, irrestrito e sem qualquer controle por parte dos pais e professores. O pior, é que essa prática é incentivada pelos próprios pais, não existindo qualquer disciplinamento sobre seu uso e nas escolas sem qualquer controle.

             Qual a perspectiva diante dessa situação? Uma delas, certamente, é o aumento de pessoas, precocemente, afetadas, emocional e psiquicamente, pelo uso disfuncional e desses aparelhos. A outra consequência direta, é o afastamento, lento e progressivo dessas pessoas da sua realidade. Isto é, as pessoas vão deixando de viver em seu dia a dia, suas responsabilidades, seus deveres, seus estudos e outros interesses para se fixarem ao telefone.

          As pessoas já afetadas pela nomofobia, já esboçam sinais de perda das habilidades psíquicas e sociais nos relacionamentos interpessoais, pois passam a ter dificuldades em estabelecer vínculos de amizade plenos e duradouros. Se tornam utilitárias, mediocrizadas e sem profundidade em nada que fazem e perdem a capacidade de se comunicarem.  

         A priorização do uso desses equipamentos, em detrimento de outros interesses é outro problema grave. As pessoas tornam-se fixadas nos celulares e deixam para trás todos os outros interesses, como estudos, trabalhos, atividades físicas e outras ocupações salutares. Passaram a desenvolver tolerância, que é aumentar progressivamente, o tempo de uso desses aparelhos e a apresentarem abstinência que é o fato de passarem mal pela falta dos mesmos, esses dois fenômenos são indicadores importantes para o diagnóstico da dependência.

             Os abusadores de celulares e outros equipamentos eletrônicos, têm maior chance de desenvolverem transtornos psiquiátricos como os da ansiedade, do humor (depressão) da impulsividade, que outros usuários que não estão nessa conjuntura. Problemas físicos, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo, são também sintomas relatados pelos dependentes. Além disso, esses usuários compulsivos apresentam maior propensão para acidentes automobilísticos ou quedas.

          Nessa perspectiva, outros médicos como os oftalmologistas tem demonstrado que crianças expostas a luminosidade contínua e excessiva, oriundas dos celulares, tabletes e computadores, poderá prejudicá-los, precocemente, com miopias e astigmatismo.  Portanto, os pais devem ficar mais atentos na relação com seus filhos com e os equipamentos eletrônicos, pois esses limites que tem que estabelecer são eles.

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Descontinuação dos tratamentos em Psiquiatria

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                  No universo dos tratamentos médicos, várias questões sempre são consideradas quando alguém procura um profissional para fazê-lo. Quando a busca do tratamento é na psiquiatria, as coisas se complicam um pouco mais. A pessoa que necessita desse tratamento, e em geral, também sua família, encaram isso como um fato especial na vida dessas pessoas, pois em geral para irem na busca desse apoio, fazem muito esforço para se superarem os enormes preconceitos que ainda há, quando alguém se decide a se tratar com um médico dessa área. Sem contar, que muitas doenças mentais, impedem senso de autocrítica que lhes permitiria perceber, que de fato, eles necessitem de um tratamento. Isto é, muitas dessas doenças mentais acabam dificultando que a própria pessoa reconheça a necessidade de se tratar, a doença não deixa claro em sua mente essa consciência a real da necessidade de buscar um tratamento psiquiátrico.

             Para tanto, várias outras etapas deverão ser percorridas até que se chegue ao tratamento propriamente dito. Um fato inicial, sumamente importante por parte do médico é buscar a confiança do paciente e dos familiares para a realização do tratamento propriamente dito e isso se adquire, entre outras coisas, estabelecendo-se um bom relacionamento médico-paciente e com a família do enfermo para deslanchar as propostas terapêuticas.

           Em um segundo momento, vem a expertise, a experiência e o necessário conhecimento médico e técnico do profissional para formulação de possível diagnóstico sobre o que se passa com esse enfermo. A colaboração da família e do próprio paciente, nessa etapa de investigação clínica é fundamental, pois muitas informações deverão ser solicitadas pelos mesmos para essa finalidade. Em geral, alguns procedimentos médicos e as solicitações de exames laboratoriais são relevantes para o fechamento do diagnóstico. Uma boa, competente a cuidadosa anamnese, o exame físico e a solicitação de exames laboratoriais, colaboram muito para fundamentar a proposta diagnóstica.

            Em um terceiro momento, após percorrido essas duas etapas anteriores e já tendo o diagnóstico em mãos, o psiquiatra irá formular o projeto terapêutico a esse paciente. Esse projeto terapêutico, nada mais é, que um conjunto de recomendações éticas técnicas que o profissional recomenda ao enfermo e a sua família, para tratar, prevenir ou reabilitá-lo, na totalidade de suas queixas e de seu sofrimento.  O projeto terapêutico, contempla todas as medidas que devem ser tomadas em bloco para o tratamento dessa pessoa e deve respeitar as particularidades de cada paciente e de sua condição social.

           Atualmente denomina-se, Projeto Terapêutico Singular – PTS, à rigor não se realiza, tão somente, pela participação só do médico, outros profissionais da saúde têm papeis relevantíssimos na consecução dos tratamentos. O médico, tem a responsabilidade de elaborar PTS, especialmente quanto sua execução e a supervisão. É no PTS que iremos definir um tratamento específico para cada pessoa, respeitando suas caraterísticas e particularidades biológicas, psicológicas, pessoais, sociais e culturais formulando-lhe uma atenção terapêutica especifica dentro dessas caraterísticas. Esse programa se aplica tanto em condições ambulatoriais quanto aos pacientes tratados em regime de internação hospitalar.

           E, é justamente no tratamento proposto que começam a surtir os problemas mais relevantes na área da assistência psiquiátrica. Pois muitos enfermos, lamentavelmente, não conseguem prosseguir um tratamento a contento pelo tempo necessário por descontinuá-lo, indevidamente, em qualquer das etapas que o mesmo se encontre.

         Hoje a descontinuação dos tratamentos em psiquiatria é um dos assuntos mais debatidos em rodas de conversas entre médicos e entre outros distintos profissionais da área da saúde se constituindo um dos temas mais relevantes que há na prática médica. Um complicador para isso, já vimos acima, é a ausência de autocritica, por parte do doente mental, sobre a própria necessidade de tratar sua doença e isso é próprio de algumas doenças psiquiátricas. Outro fator relevante é a inacessibilidade aos serviços da saúde mental em nosso meio e em nosso país. São muito poucos os profissionais dedicados a essa área, prestando assistência a muita gente que precisa desses cuidados. Nunca se adoeceu, mentalmente, tanto quanto se adoce hoje e os servidiços de saúde essa área, não acompanharam essa demanda.

           Outro fator relevante é desconhecimento (baixa formação especializada) de profissionais sobre o manejo adequado desses tratamentos. As dificuldades financeiras, devido o desemprego ou devido a baixa renda da população os impedem de adquirir esses fármacos ou realizar outras formas de intervenção terapêutica, é também um outro grande problema na consecução do tratamento. Enfim, vários fatores colaboram para essa problemática grave, do ponto de vista do tratamento psiquiátrico.

            O fato é que, do ponto de vista médico e psiquiátrico, ao se interromper um tratamento desse tipo, em qualquer uma de sus etapas ou realizá-lo de forma incorreta, as consequências são avassaladoras. A primeira delas é a possibilidade de cornificá-las o que, certamente, acontecerá com as interrupções sucessivas desses tratamentos. Hoje, todos sabemos, que tratar de doenças crônicas é muito mais complicado e de prognóstico sombrio. Sabe-se, que sucessivas interrupções em tratamentos dificultam muito a recuperação plena desses enfermos.  

              A refratariedade aos fármacos é outra possibilidade esperada em interrupções de tratamentos. Isto é, os medicamentos que anteriormente faziam efeitos e nos davam respostas clinicas satisfatórias, passam a não responder plenamente ao tratamento. Em geral, esses enfermos crônicos, passam a precisar de maiores doses dos medicamentos que faz uso ou adicionar outros fármacos para produzir os efeitos esperados. A organização Mundial da Saúde em um documento de 2016 estimou que em torno de 45% das recaídas em quem se trata de depressão foi atribuído à interrupção do tratamento que o paciente vinha fazendo. Isso, demonstra a importância de não interrompermos um tratamento, qualquer que seja ele em qual quer de suas etapas.

            Como podemos notar, a cronificação a refratariedade, as recaídas e o agravamento na evolução clinico dessas enfermidades psiquiátricas, poderia ser evitado caso prosseguíssemos com o tratamento que qualquer uma dessas fizerem jus.

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Aposentar-se da vida ou do trabalho?

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Uma questão que me parece absolutamente relevante e que vem merecendo pouca atenção, por parte do estado e de muitas empresas empregadoras nesse país, é o destino de muita gente que, ao se aposentar, passam a apresentar graves problemas emocionais, comportamentais e sociais, em razão direta da aposentadoria.

Para muitos, aposentar-se ao invés de representar uma conquista, um novo e agradável modo de vida, uma oportunidade a mais de ser feliz ou de virem a realizar planos saudáveis na vida, a aposentadoria representa um “inferno” uma tortura ou uma coisa muito ruim. Muitos ficam à deriva, sem saber o que fazer, sem saber para onde ir, sem fazer nada e à margem das atividades sociais e ocupacionais. Outros, torna-se ansiosos, depressivos, fóbicos, inseguros, retraídos, ocasionado pela mudança abrupta de seus “modus vivende”, para o qual não foram preparados.

Em geral, quando o assunto é aposentadoria, uns se assustam, outros se preocupam e se retraem e não querem falar sobre o mesmo, e, há os que tem até medo de chegar a essa época. E, ao tratar sobre ela, as principais questões são sempre as mesmas: reclamações, revoltas, previdência, salários, direitos, desassistência, etc. São queixas comuns, que se destacam sobre qualquer outro assunto e, um dos que menos se fala, são dos sentimentos, vivências, expectativas e projeto de vida que cada pessoa apresenta ao se aposentarem. Ao meu ver, um assunto absolutamente relevante, que deveria ser melhor tratado, do ponto de vista médico, psicológico, social e previdenciário.

Para mim, como um psiquiatra e como observador das questões sociais e humanas, não estranho, esse descuido sobre essas questões quando o estado nem as empresas não se preocupam em fazê-lo, muito embora possa haver danos importantes na saúde e no comportamento dos muitos que aposentam.

Infelizmente, não há um olhar especial sobre os aposentados, isto é, sobre a pessoa que passou a vida toda trabalhando, produzindo, colaborando com a sociedade, que, ao se aposentar, via de regra, é deixado de lado literalmente, abandonado a sua sorte, pela ausência de uma política efetiva, regular, abrangente e humanizada, que venha dar a essas pessoas as garantias mínimas, de proteção, valor e os meios adequados para se organizarem para entrar nesse novo ciclo de vida.

Restringirei meus comentários, nesse artigo, sobre os aspectos psicológicos e comportamentais das pessoas que se aposentam. E, nesse sentido, resgato parte de uma conversa que tivera, há alguns anos atrás, com um dileto amigo, Evandro Carvalho, quando discutíamos algumas questões sobre as aposentadorias. Ele, por muitos anos, dirigiu a Caixa de Previdência dos Funcionários do antigo Banco do Estado do Maranhão, a CAPOF e na época, me convidara para ser médico desse órgão.

Entre as conversas que tínhamos, Evandro, enfaticamente dizia: aposentar-se do trabalho, não é aposentar-se da vida. E dizia isso a partir de algumas observações minhas lidando com servidores especialmente aposentados os quais procuravam-me para consultas. Entre essas queixas, a de depressão era enorme. Uns se sentiam inúteis, com baixa estima pessoal. Outros, ainda, referiam dificuldades de adaptação a nova vida, ou se sentiam ansiosos, inseguros e culpados, ou ainda, passavam a beber muito e até usar outras drogas. Referiam somatizações clínicas frequentes e conflitos familiares. Houve um caso, que me lembro até hoje, quando uma Sra., referindo-se ao seu marido, recém aposentado, me dissera, Dr.: não aguento mais esse homem, depois que ele se aposentou, está insuportável e se transformou completamente.

Essas alterações de comportamentos, em minha avaliação, estavam ligadas diretamente ao fato de se aposentarem e não estarem, entre outras coisas, preparados para tanto, algumas dessas pessoas, quando voltavam a trabalhar, tempos depois, observava-se uma drástica redução dessas queixas, isto é, melhoravam sua qualidade de sua vida. Essas observações me convenceram que a aposentadoria, ou era a causa principal desses problemas, ou a mesma funcionava como gatilho para desencadear alguns desses comportamentos. Em uma condição ou outra, percebi e ainda percebo, que são muito tímidas as ações institucionais que oferecem medidas de prevenção a essas reações comportamentais desadaptativas, tão frequentes entre os aposentados, deixando-os vulneráveis a essas idiossincrasias.

Sabe-se, que trabalhar é uma das melhores e mais importantes formas de se promover, assegurar e prevenir doenças mentais e ocupacionais, especialmente nessa população de vulneráveis que são os aposentados. A ocupação, em si mesma, é um meio indispensável de se prevenir doenças e agravos psicológicos. Os danos à saúde em uma aposentadoria mal trabalhada, é enorme, e, é preciso que haja, no âmbito dos serviços públicos ou privados, políticas ou ações específicas, nas áreas sociais ou de RH, que trabalhem de forma antecipada e sistematicamente, com seus servidores a condição de virem a se aposentar. Além do mais, recomenda-se, que haja igualmente, ações específicas destinadas ás famílias desses que se aposentam para evitarem maiores problemas a partir desse novo modo de vida.

Essas e outras medidas, são de caráter preventivos-assistenciais, que poderiam ser implementadas ainda no ambiente de trabalho, muito antes de efetivamente se aposentarem. Isso, ao meu ver, facilitaria a transição dessa condição de uma vida produtiva para a de aposentado, dirimindo os efeitos negativos desse processo.

Aposentar-se, é salutar e que nem sempre representa problemas, muito pelo contrário, muitos ganham qualidade de vida, tempo livre e se expandem do ponto de vista existencial, além de terem a chance de trabalharem em outras atividades que não sejam as habituais, o que é muito interessante do ponto de vista psíquico e laborativo.  Ocorre, que como nem todos reagem assim, há os que ficam à mercê de graves problemas comportamentais e de adaptação pessoal e social, a esses, deveria ser oferecida medidas protetivas para uma boa transição entre o trabalho e a aposentadoria.

 

 

 

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WhatsApperianos: doentes ou exagerados?

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Celulares-3-Quando o WHATSAPP, chegou entre nós, o víamos com bons olhos, afinal de contas, tratava-se de mais uma ferramenta importante, entre as tantas que já existiam, que estaria a serviço das relações humanas, em todos os sentidos. Esses meios de comunicação eletrônicos, são apaixonantes, atraentes, eficientes, e abrangem uma gama enorme de funções, que os tornam imprescindíveis nas atividades diárias. São aplicativos, que rapidamente ganham nossa simpatia, por serem ultrarrápidos em suas ações, efetivos, abrangentes, e permitem comunicar-nos em todos os sentidos.
Resolvem os mais diferentes problemas, sua aplicabilidade está em consonância com a velocidade do tempo, são eficientes, e nos incentivam a ampliar e a manter de forma abrangente as relações sociais. Nos ajudam nas relações, emocionais, afetivas e colaboram com execução do nosso trabalho devido sua abrangência funcional. Tem uma capacidade importantíssima, de aproximar as pessoas de forma surpreendente, e hoje, indispensáveis no dia a dia.
Com o advento do WHATSAPP, imaginei que ele viria incrementar essas prerrogativas desses aplicativos, e se associar ao não menos famosos E-mails, aplicativo eletrônico, que historicamente, revolucionou o mundo da comunicação virtual. Todavia, não imaginava, que em tão pouco tempo, ele alcançasse a importância que alcançou e a popularidade entre os humanos. Hoje, sabe-se, que WhatsApp superou a casa de 1 bilhão de usuários em todo o mundo e que o Brasil é o país com maior número de grupos ativos usuários desse aplicativo de mensagens instantâneas.
O impacto na economia, no trabalho, no comportamento e nas relações humanas, quanto a sua utilização, foi astronômico. Em 2015 o WhatsApp fez com que houvesse no Brasil, restrição de 22,9 milhões de linhas de celulares, fato que impactou e vem impactado diretamente na economia das operadoras desses telefones. O número de pessoas usando o WhatsApp mais que dobrou, desde que o Facebook comprou esse serviço, especialmente pela gratuidade e sofisticação cada vez maior em sua aplicabilidade. Segundo o megaempresário e dono do Facebook, Mark Zuckerberg, referindo-se ao aplicativo dissera, “quase uma em cada sete pessoas na Terra usa WhatsApp todo mês para estar em contato com seus amados, amigos e família”.
Realmente é surpreendente o impacto que isso provocou entre as pessoas, e do ponto de vista do negócio, é uma galinha de ovos de ouro, pois além de atender a tudo que nós queremos, como efetividade, eficiência, segurança, rapidez e abrangência na comunicação, o WhatsApp dispõe de tudo isso, o que o torna indispensável como ferramenta de negócios próprio na sociedade moderna. E, veio para ficar pois a meta do Faceboock é aperfeiçoa-lo cada vez mais, lançando outras funções ao aplicativo, para torná-lo cada vez mais importante na comunicação humana.
Até aí, só alegria e, nosso desejo é que a vida moderna nos presentei cada vez mais com outros instrumentos ou ferramentas eletrônicas e que tais ferramentas possam ser utilizadas a serviço do homem e do seu crescimento existencial. Todavia, como não é de se estranhar, entre os usuários, surgiram pessoas apegadas exageradamente, a esse aplicativo e a outros instrumentos pertencentes ás chamadas, redes sociais.
São pessoas aficionadas, que desenvolvem um apego incomum, exagerado e incontrolável no manuseio desse aplicativo, em detrimento de outros interesses relevantes, a essas pessoas passei a designá-los de Whatsapperianos, um neologismo, que definiria minhas observações como estudioso do comportamento humano, porém longe de pretender criar aqui qualquer designação diagnóstica dentro da nosologia médica para essas situações. O melhor seria designá-los de abusadores ou exagerados, para não os caracterizar como doentes, pois seria irresponsabilidade e muita pretensão de minha parte, fazê-lo.
Os Whatsapperianos, acessam excessivamente o aplicativo, com uma facilidade impressionante. São hábeis na digitação e o fazem com rapidez e destreza. Passam horas incontáveis praticando, com sua atenção exclusiva no aplicativo ou no aparelho que utiliza para fazê-lo. Muitos, sacrificam outros interesses, como o prazer, o lazer, o contato real das relações, o trabalho, os estudos, as práticas esportivas, etc., em detrimento do uso exagerado do WhatsApp. Esses, já apresentam problemas em suas atividades habituais, familiares, e em outros ambientes demonstrando disfuncionalidade pessoal e social.
Há estudos, que demonstram que esse apego exagerado aos aplicativos e ás redes sociais, é mais comum em pessoas tendentes ao isolamento, carentes afetivos, depressivas, ansiosas, compulsivas, inseguras, excessivamente tímidas, ou em personalidade que já tem problemas psiquiátricos, psicológicos ou sociais, fatos que influenciaria ao apego exagerado ao WhatsApp e outras redes sociais virtuais. Com o agravamento dessa situação, essas pessoas se tornariam inadequados, inconvenientes e excessivamente voltadas para si mesmos. Há um prejuízo progressivo da autocrítica e senso de adequação social e comportamental, se tornam inadequados, em detrimento da utilização compulsiva do desses aplicativos.
Uns se tonam agressivo, irritáveis, irreverentes, com todos, que por acaso, os interrompam em suas atividades voltadas ao WhatsApp. Há casos de pessoas, mesmo exercendo atividades, como comer, beber, dirigir, o fazem com os fones ou tabletes, ao seu lado, simultaneamente. O que é desaconselhável, do ponto de vista da saúde, pois são práticas que requem no mínimo uma boa concentração ao realizarem tais tarefas.
Outra consequência grave são os acidentes por uso inadequado desses aparelhos. De acordo com o seguro DPVAT, são registrados cerca de 1,3 milhão de acidentes por ano relacionados ao uso do celular em condições de direção. Os dados também mostram que 80% dos motoristas admitem que utilizam o aparelho ou outras tecnologias que geram distração enquanto dirigem. Dados de uma pesquisa realizada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária apontam que 98% dos acidentes de trânsito são causados por erro ou negligência humana. Em primeiro lugar no ranking está a prática de fazer ligações ou mandar mensagens enquanto dirige
Diante dessa situação, temos que entender, que as tecnologias eletrônicas serão sempre bem-vindas, desde que estejam á nosso serviçoe não, nós a serviço delas. Embora, ainda não haja uma classificação diagnóstica para o uso exagerado desses instrumentos, é importante que as pessoas se cuidem e entendam que nada irá substituir o valor de uma boa conversa, de um bom papo e de um bom contato físico entre os humanos sobretudo se estes forem inspirados no prazer, na paz e no amor.

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Atenção quanto ao uso de tranquilizantes

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Atenção quanto ao uso de tranquilizantes
A descoberta dos tranquilizantes representa um marco histórico da medicina. Um grupo de medicamentos altamente importantes, usado largamente na prática médica em diferentes especialidades para tratar uma infinidade de doenças ou situações médicas especiais e relevantes. Entre os tranquilizantes, os benzodiazepínicos, (BZ) são um dos mais importantes e um dos mais utilizados na prática médica. Uma das áreas que mais se trabalha com esses medicamentos é a psiquiatria, muito embora não seja os psiquiatras, quem mais as prescrevam.
Sabe-se que todos os medicamentos são potencialmente prejudiciais, quando prescrito ou utilizado de forma correta. Não é à toa, que os ilustres farmacêuticos, nos informam que a diferença entre um veneno e um medicamento, está na dose, pois um pode se converter no outro e vice versa. Esse axioma pode e deve ser aplicado quanto ao uso dos tranquilizantes, pois apesar de serem medicamentos excepcionais, o abuso dos mesmos pode representar uma grande ameaça à saúde, em todos os sentidos, particularmente quanto a saúde mental, pois o uso exagerado dessas drogas pode determinar entre outras coisas, dependência severa nos usuários.
O consumo exagerado desses medicamentos pela população brasileira, sempre foi algo que nos despertou muito interesse, pois somos um grande país consumidor de medicamentos, ao ponto de figurarmos como o quinto maior mercado no mundo na área da indústria farmacêutica. Portanto um mercado pungente, na venda de medicamentos comparativamente aos outros países no mundo. Entre os medicamentos mais vendidos, guardando a devidas proporções, estão os tranquilizantes. E, esse consumo exagerado desses medicamentos é um assunto muito sério e grave do ponto de vista da saúde pública e, que de certa forma, se mantém no anonimato, pois não se trata abertamente desse assunto nem mesmo em congressos e em outros eventos científicos, muito embora, já exista evidências deste fato em nossa população.
Os dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmam isso. Em nosso país os ansiolíticos são os mais vendidos, comparando-se com a venda de antidepressivos e emagrecedores. Em seus relatórios, a ANVISA elencou os medicamentos de receita controlada, mais consumidos em nosso país, desde 2007. É um trabalho digno de nota da Agência, pois quantifica o consumo dessas drogas vendido através de receita controlada que os quais podem causar dependência química, entre seus usuários. Os ansiolíticos dominam a lista, que inclui todos os medicamentos de venda controlada, como emagrecedores, antidepressivos e anabolizantes. Os princípios ativos mais consumidos no país entre 2007 e 2010 foram clonazepam, bromazepan e alprazolam, cujas marcas de referência são, respectivamente, Rivotril, Lexotan e Frontal.
Mais de 10,5 milhões de caixas do Clonazepam foram dispensados em 2010, segundo informaram 41 mil farmácias cadastradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados e este número são crescentes desde 2007. A Vigilância Sanitária estima que este sistema de controle deva ter alcançado quase o total das farmácias em 2010, o que deverá permitir comparações a partir de agora. Acredito que o consumo exagerado de ansiolíticos, muitas das vezes sem indicação médica, é certamente uma das causas principais que provocam dependência química destes medicamentos e o que mais atrai seu consumo exagerado, são seus efeitos de modificarem rapidamente estados emocionais psicopatológicos e desagradáveis como medos, fobias, insegurança, tristeza, irritações, desadaptações psíquicas e sociais.
Essas substâncias de fato podem “obrar milagres”, ao se verificar pacientes enfermos graves, com poucas possibilidades de recuperação, se constata que ao usando adequadamente esses fármacos, se recuperam plenamente de seus problemas, após certo tempo de uso. Nesses casos, o que está em jogo é a utilização médica correta, quanto à dose e o tempo de uso destes medicamentos, ocorre que, tem que haver um controle rigoroso, tanto quanto para os que prescrevem, no caso os médicos, quanto para os que consomem, os pacientes, para que não haja problemas em decorrência do uso inadequado da medicação.
Quanto se trata da utilização dos benzodiazepínicos, a atenção deverá se redobrada devido ao risco de provocar dependência. Essa condição ao se instalar, fará com que a pessoa use os medicamentos não mais por sua indicação clínica, mas pela necessidade mórbida de utilizá-lo, pela falta angustiante que ele fará, ao deixar de usá-lo. Nessas condições, se instalou a dependência química, que é uma condição grave e complexa, que todos deveremos lutar para combatê-la. Para a indústria, que produz e vende esses medicamentos, acredito eu, que muito pouco lhe interessa saber por que razão alguém toma seus medicamentos, se por necessidade mórbida (dependência), ou por necessidade clinica (médica), mas nós que fazemos saúde com ética e seriedade, temos que nos preocupar com milhões de pessoas que estão viciados nesses medicamentos e não sabem mais o que fazer para se livrar disso. Portanto, todo cuidado é pouco, quanto ao uso desses fármacos.

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Que país é esse, que encarcera seus doentes mentais?

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Sem atendimento médico adequado, pessoas com transtorno psiquiátrico, dependentes químicos, esquizofrênicos e portadores de outros transtornos mentais vivem presas em celas do sistema prisional do nosso estado e pelo Brasil afora, sem uma atenção adequada do sistema de saúde público. Essa é uma constatação lamentável, inaceitável e cruel.
Há quase um ano, em levantamento feito pelo Jornal O Globo junto às Secretarias de Administração Penitenciária, ao Sistema Judiciário e as Defensorias Públicas desse país constatou-se que havia pelo menos 800 pessoas absolvidas pela Justiça em razão de transtornos psiquiátricos, cumprindo penas em presídios comuns e, em muitos casos, dividindo celas com outros detentos.
O que se sabe é que as recomendações feitas pelo Conselho Nacional de Justiça, a partir desse trabalho, no sentido de dirimir tais contradições e idiossincrasias, não foram ainda plenamente efetivadas, o que gera sentimentos de indignação e revolta, considerando-se que se trata de um fato grave e desumano, para o qual deveriam ser apresentadas saídas dignas.
Cela nunca foi, não é e nunca será o ambiente onde esses enfermos deveriam estar. Nada, atualmente, poderia explicar o recolhimento de enfermos psiquiátricos em celas ou em presídios, considerando os avanços da psiquiatria e das técnicas psicossociais e reabilitadoras em saúde mental, que são praticadas no Brasil e em qualquer outro país o mundo. E, mais ainda, estarem inadequadamente em celas e completamente desassistidos em suas necessidades médicas e psicossociais. Boa parte desses enfermos cumprem Medidas de Segurança, um recurso ou prerrogativa jurídica, imposta por um magistrado ao verificar que um determinado crime fora cometido na vigência de um transtorno mental e, para esses casos, tais pessoas deveriam ser tratadas e não encarceradas e presas, conforme o sentido mais profundo desse termo.
A par dessas contradições, existem algumas particularidades sobre as doenças mentais, que se deve realçar quando se trata um assunto tão importante e delicado como esse. A própria doença mental, independente dos aspectos circunstanciais que se venha examinar, já é por si só, uma forma grosseira de encarceramento do sujeito em si mesmo. É uma doença que, por comprometer formalmente as faculdades mentais, aliena, impede que o paciente exerça plenamente seu direito sagrado de ser livre. Essas doenças, por serem prisões em si mesmas, tornam as pessoas incapazes de optar, de decidir, de gerir sua própria vida e seu destino e, quando o fazem, são inspiradas em condições psicopatológicas. São doenças que tornam os enfermos escravos de suas próprias enfermidades, impedindo que os mesmos tenha sobre sua condição qualquer crítica de seu estado mórbido. Haveria coisa pior que isso quando nós nos colocamos em uma situação como essa?
Essa é a condição natural dessas enfermidades. Mas, não é só isso, o pior, embora o fato apontado acima, por si só, já seja complicado e inaceitável, é vermos que, quem deveria assumir a total responsabilidade sobre esses enfermos, sobretudo aos que cumprem medidas de segurança, é o estado, que constitucionalmente deveria cuidar da saúde da população. Mas, se mantém incólume e indiferente a essa desumana situação. O estado, como responsável pelos cidadãos e mantenedor de uma política pública de saúde deveria garantir propor, cuidar e oferecer a todas essas pessoas, pleno direito aos tratamentos da melhor qualidade possível, por tempo indeterminado, ou o necessário para se recuperem e voltarem a conviver com os outros, em condições satisfatórias. É dever do estado, fazer isso. Propondo o que há de melhor em matéria de tratamentos tecnicamente adequados, seja de que tipo for: hospitalar, ambulatorial, nos Caps, nas fazendas terapêuticas etc., como preconiza a lei e com isso garantir a recuperação desses enfermos, libertando-os das amarras de suas doenças.
Mas, triste e vergonhosamente não é isso que se vê. O que vemos é um estado truculento, desumano, incapaz de olhar diferentemente para esses doentes. Permitindo que vivam nessas masmorras, muitos dos quais sem qualquer possibilidade de sair das celas e ganhar o mundo. Muitos sem ter acesso a um medicamento, muito menos a um médico que lhe dê atenção e cuidado. Muitos sem qualquer chance de se libertarem de suas amarras existenciais, reclusos em ambiente inóspito, sem quaisquer condições que possam ser tratados com decência e dignidade. Que pena, que dó é ver isso.
E, eu pergunto. Onde estão as autoridades que têm suas responsabilidades sobre esses enfermos, que sabem do problema, e pouco fazem para mudar essa realidade? Que estado é esse que prende, encarcera, e mantém em cárcere doentes mentais, sem cuidados e sem tratamento especializado? Que estado é esse que proíbe a criação de hospitais ou outros serviços especializados que pudessem acolher, orientar, tratar e recuperar de forma decente e humana a maioria desses enfermos, permitindo-lhes acesso a ambientes dignos, humanos e tecnicamente aparelhados para realizar os modernos tratamentos psiquiátricos que poderiam debelar tais doenças? Essas autoridades não sabem disso ou fazem de conta que o problema não existe? Onde estão os parlamentares de direita, de esquerda, de centro, ou seja de onde for, que se calam, não denunciam, e não fazem nada para mudar isso? Ou são coniventes com os tentáculos de um estado mau e negligente?
Há alguns dias, aqui em São Luís, houve manifestações públicas de diferentes setores da comunidade, em homenagem a chamada luta antimanicomial, movimento que reinventou o que está aí em matéria de assistência psiquiátrica, mas não vi um cartaz sequer, tratando dessas questões de doentes enjaulados nas celas de presídios e penitenciárias dessa cidade. O que houve, também não veem nada disso? O que é isso que colocaram dentro do Hospital Nina Rodrigues? Uma cela, um presídio, um manicômio, um Caps, enfim, o que é aquilo que criaram nesse hospital?
Eis as distorções de um sistema cruel, desumano e corrompido, que à luz da saúde, do direito e da vida social, permite que essas coisas aconteçam em nossas barbas, nos dando a clara impressão de indiferentismo, descuido e negligência no trato dessas questões. Tornando esses pacientes presos em suas próprias condições psicopatológicas e, pior, presos nas malhas de um estado insensível, indiferente aos direitos e aos princípios de humanidade e ética, quanto aos cuidados que deveriam oferecer aos doentes mentais.

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A base biológica do amor e das paixões

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Uma das prerrogativas humanas mais importantes é a possibilidade de amarmos e nos apaixonarmos, e todos nós, em qualquer época da vida, fomos, estamos indo ou iremos atrás dessa experiência. É uma condição desejada por todos nós, o que garante a felicidade, o bem estar e o prazer na vida. Uma pergunta, porém, surge sempre que este tema entra em debate: qual a sede biológica da experiência amorosa e das paixões? Onde ela ocorre, como ocorre e por que ocorre? Quais os mecanismos neurofuncionais das paixões e do amor? Por que e como se dão as paixões?

Quem responde parte dessas interrogações, há muitos anos formuladas, é a neurociência, que aponta o cérebro como local ou sede material onde ocorrem essas experiências, que tanto nos confortam.

Sabe-se que o cérebro é um órgão ultracomplexo, formado por cerca de um trilhão de células nervosas e que, só de neurônios, há 100 bilhões. Todas essas células têm papeis específicos e definidos na hierarquia das funções cerebrais e comportamentais. Toda a atividade humana, direta ou indiretamente, tem a ver com esse sistema, nada escapa da atividade desse órgão.

Uma de suas partes, o diencéfalo, que é parte de uma das regiões mais antigas do paleocortex (cérebro primitivo), intervém através do hipotálamo no desejo sexual, recolhe informações do mundo externo e dos hormônios, controla e fornece respostas da excitação sexual, da ejaculação, das sensações emocionais e do prazer.

Outra região do cérebro, o sistema límbico, formado por micro regiões cerebrais, discrimina e seleciona os estímulos, reconhece os sinais de saciedade na relação sexual e inibe o apetite sexual, além de exercer uma centena de outras funções no controle emocional em diferentes atividades humanas.

Razão, fantasia, emoção e aprendizagem se misturam em nosso cérebro dando respostas curiosas no dia a dia das experiências sexuais e afetivas dos seres humanos, e em outras espécies, ao mesmo tempo em que procura regular e adequar tais respostas de tal forma que a expressão final no comportamento seja a de desfrutar de forma sadia de todas essas funções.

Os cientistas descobriram uma substância vital nestas atividades prazerosas e afetivas, a Feniletilamina, uma proteína neurotransmissora descoberta há cerca de 100 anos, que só recentemente passaram a associá-la às manifestações da paixão. É uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou simplesmente um aperto de mãos.

Os pesquisadores perceberam que havia uma grande quantidade de Feniletilamina no cérebro de uma pessoa apaixonada e que essa substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados ou estamos amando.

Outras substâncias envolvidas com a fisiologia cerebral, como a dopamina e a ocitocina, estão também muito relacionadas com a experiência afetiva de amar ou se apaixonar.

Essas substâncias químicas são todas relativamente comuns no corpo humano, mas são encontradas apenas durante as fases iniciais do flerte e do namoro. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente com o passar do tempo de tal forma que a fase de atração não dura para sempre. Amar e se apaixonar, portanto são experiências vitais e indispensáveis as nossas saúde mental, daí porque o melhor que podemos fazer a nós mesmos é amarmos cada vez mais uns aos outros.

Nas experiências amorosas, há uma verdadeira revolução fisiológica e comportamental nas pessoas. Toda nossa fisiologia se modifica e, isso se dá em condição natural e de normalidade. Em quem ama e se apaixonam, todos os sentidos funcionam melhor. Melhora-se a autoestima, há maior elã vital, disposição sexual, amor próprio, autoconfiança e as pessoas sentem-se mais seguras entre os outros e diante de si mesmas. Todas essas condições se alteram favoravelmente e a vida do sujeito se modifica inteiramente, para melhor.

Ocorre que esse estado de bem-aventurança não se estende por muito tempo. Alguns estudos demonstram que o amor dura mais que as paixões, do ponto de vista de sua temporalidade. Isto é, a pessoa permanece amando por bem mais tempo que  apaixonada.

Na experiência amorosa e apaixonante, há uma espécie de gradação na qualidade e na intensidade dessas vivências, especialmente quanto à expectativa da adaptação geral do sujeito, quanto a si, quanto aos outros e quanto ao seu ambiente. Essas dimensões, pessoal, relacional e ambiental, devem estar em consonância e em harmonia com o sentimento predominante, se amor ou se paixão, e devem estar em sincronia entre si.

Quando há um rompimento no equilíbrio dessas forças, pode se resvalar para relações psicopatológicas graves entre os envolvidos na relação. Por isso, muitas vezes, ocorrem crimes passionais, tal o grau de desconforto que surge nessas condições psicopatológicas. São as paixões descontroladas (amor patológico), o ciúme doentio, os crimes passionais, etc.

Portanto, devemos estar atentos sobre tais experiências comandadas pelo nosso cérebro, especialmente em situações especiais como essas.

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Prevenção de Recaídas no Tratamento das Doenças Mentais II

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Define-se prevenção de recaída, como estratégia de natureza médica e psicossocial aplicada por diferentes técnicas e métodos com o intuito de evitar o reaparecimento de diferentes doenças, posterirormente a um tratamento. Recair, é retomar, retornar, vir a acontecer, reaparecer etc. Em medicina, muitas doenças são insinuantes e sempre tendem a reaparecer, de tempos em tempos, independente do tratamento que receberam.

Em artigos anteriores tomamos a depressão como exemplo de uma das doenças mentais que mais tendem a recair, mesmo que tenho sido bem feito o tratamento da crise. Dissemos, também que quanto maior o número de crises depressivas que alguém venha a ter, maiores serão as chances dessas pessoas, voltarem a adoecer. Daí porque, no tratamento das depressões, exige-se que o médico estabeleça desde cedo as orientações devidas para prevenir outras crises que poderão surgir ao longo da vida desses enfermos.

Os fármacos, são medicamentos altamente eficazes, tanto para o tratamento de crises agudas, quanto de prevenirem recaídas entre essas patologias. Os estabilizadores do humor, os antipsicóticos e ansiolíticos são medicamentos altamente efetivos que são aplicados com finalidade preventiva. Todavia, é bom que se diga, que prevenção de recaída, não ocorre somente através da utilização de medicamentos, embora esses sejam os mais utilizados. Pode se também utilizar meios físicos, como Eletroconvulsoterapia – ECT e Estimulação Magnética Transcraniana – EMT, para se chegar a essa finalidade. Técnicas de psicoterapia, terapia comportamental e ocupacional são outros procedimentos e estratégias muito efetivas, largamente utilizadas em terapêuticas para se prevenir a recorrência de uma doença. A preferência ou escolha de uma dessas estratégias, ou várias dessas estratégias, dependerá do diagnóstico e da situação clínica do enfermo.

Graças aos novos conhecimentos da clínica psiquiátrica, da neurociência e dos conhecimentos baseados em evidências clínicas, que não se pode pensar em tratar somente das crises agudas desses enfermos. Deve-se, desde o início, pensar em prevenir recaídas. A equação é mais ou menos essa, em se tratando de depressão: quem teve uma crise na vida, terá cerva de 30% de chance de ter a segunda. Se, essa mesma pessoa relatar que já sofrera de duas crises depressivas, sua chance de ter a terceira será de 50 a 60%. Se, por acaso, já tiver tido três crises ou mais de depressão, sua chance de ter outras será de mais de 75% de chance. Mais de três crises na vida terá 100% de chance de ter outras. Esse conhecimento da evolução dessa doença serve de base para se garantir a necessidade de se fazer prevenção e não permitir que esse enfermos voltem a adoecer.

Nos guide lines, (orientações para se realizar os tratamentos) psiquiátricos, todos recomendam a adoção de prevenção de recaídas, independente do tratamento que seja oferecido a esses enfermos em suas crises atuais, justamente pela certeza da recorrência dessas enfermidades.

Pode e dever ser instituída praticamente em todas as grandes doenças mentais, entre essas: esquizofrenias, dependência química, transtorno bipolares, depressões etc. Ela está sendo utilizada em muitas outras especialidades médias. Todas as doenças humanas que evoluem cronicamente, independentes de sua natureza, atualmente se recomenda essa estratégia. Entre essas, destacamos doenças metabólicas, doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e muitas outras. De tal forma que é cada vez mais imperioso prevenir que remediar.

Só á guisa de informações, a Organização Mundial de Saúde – OMS em seu relatório anual sobre doenças mentais/2014 mostrou que 45 % dos doentes depressivos recaem por desuso ou uso incorreto de medicamentos, (interrupção indevida do uso de medicamentos, subdoses terapêuticas, reduzido tempo de tratamento, doses irregulares, etc).

Outro aspecto relevante são os custos financeiros com os tratamentos de crises. As famílias sabem que pesa muito no bolso custear o tratamento desses doentes. Pois, o tempo previsto de tratamento, os custos com internação hospitalar, com os medicamentos ou outros procedimentos utilizados para esses tratamentos, acabam onerando muito as famílias, provocando mais sofrimento para todos.

Dissemos acima que a resposta aos medicamentos é muito influenciada pela condição evolutiva dessas doenças. Quanto menor número de crises, melhor será a evolução, melhor será sua recuperação e melhor será sua qualidade de vida. Como são enfermidades que evoluem cronicamente, as recaídas sucessivas, dificultam a recuperação desses enfermos pela baixa resposta aos medicamentos de tal forma que o melhor que pode fazer é prevenir.

 

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A compulsão sexual, o prazer e a dor.

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O desejo sexual se manifesta de diversas formas e em diferentes intensidades. Sua fonte, a sexualidade, é uma condição que está presente nos indivíduos do nascimento á morte. É, e sempre foi, uma das funções humanas mais estudadas pela medicina, pela psicologia e pela neurociência. Essa, como outras funções, pode se disfuncionar e acarretar inúmeros problemas ás pessoas. Um dos distúrbios mais frequentes e mais importantes é o sexo compulsivo, transtorno grave revelado pelo descontrole do impulso sexual, onde a pessoa, entre outras coisas, não consegue resistir aos pensamentos e desejos, que precisam ser saciados imediatamente, no mesmo momento, não importando com quem. Quando esse transtorno se verifica entre as mulheres denomina-se ninfomania, entre homens hipererosia.
A compulsão sexual ocorre clinicamente da seguinte maneira: pensamentos sexuais ou atos compulsivos recorrentes os levam a “só pensar naquilo”, e tais pensamentos, ideias, imagens, ou fantasias giram em torno da sexualidade os quais penetram na mente do indivíduo, de forma intensa, repetida e de forma estereotipada, onde tais vivências podem ser angustiantes, violentas, repugnantes ou obscenas, sem sentido, e a pessoa não consegue demovê-las ou resistir a elas. Apresentam atos sexuais impróprios, exagerados ou cognições que causam sofrimento subjetivo e comprometimento das funções ocupacionais e interpessoais. Esse comportamento tem sido comparado a uma espécie de dependência (adição ao sexo). Há outras designações, para descrever esse transtorno: sexo impulsivo, compulsão sexual, sexo compulsivo, dependência do sexo e adito sexual.
Esse distúrbio ocorre frequentemente em pessoas na faixa dos 40 anos e, com o passar dos anos esse processo tende a ser mais denso e “aperfeiçoado”. Os portadores de sexo compulsivo, em geral não admitem ter o problema e dificilmente se dispõe a buscar ajuda médica ou psicológica. Atinge em torno de 3% a 6% da população, predominantemente homens, e costuma ter início no final da adolescência ou no início da terceira década de vida.
O sexo compulsivo evolui de forma crônica, com episódios alternados de piora e melhora. No curso clínico verifica-se inicialmente, um comportamento parecido ao estado de transe na qual a pessoa encontra-se completamente absorta em pensamentos de sexo, partindo para a busca obsessiva de se relacionar sexualmente. Em seguida, ocorre uma espécie de ritualização para realizar seu intento, isto é, desenvolve uma rotina que leva ao comportamento sexual, que serve para intensificar a excitação. Segue-se a gratificação sexual propriamente dita, mediante o ato sexual, onde a pessoa se sente incapaz de controlar seu desejo, de tal forma que, quanto mais intenso for esse desejo mórbido maior será o descontrole sobre ele. Por último, surge uma espécie de desespero, que vem após o ato sexual compulsivo e se caracteriza por uma sensação de impotência e desânimo, ás vezes culpa arrependimento.
Esses enfermos podem desenvolver complicações clínicas em decorrência direta dessa compulsão sexual, que incluem lesões genitais (contusões) e doenças sexualmente transmissíveis (hepatite B, herpes simples ou infecção pelo vírus da imunodeficiência humana). Podem ocorrer lesões físicas nos comportamentos sexuais de alto risco ou na atividade sadomasoquista. Nas mulheres, podem ocorrer gestações não-desejadas e complicações de aborto em razão desse descontrole sexual.
As causas do sexo excessivo, embora haja poucos estudos, há evidências de diferentes sistemas cerebrais envolvidos em sua causa. Lesões frontais, por exemplo, podem ser acompanhadas por desinibição, por resposta hipersexual impulsiva. Lesões ou disfunções estriatais podem ser acompanhadas por desencadeamento repetitivo de padrões de resposta gerados internamente. Lesões límbicas temporais podem ser acompanhadas por desequilíbrios do próprio apetite sexual, inclusive alteração do direcionamento do impulso sexual. Enfim, a neurobiologia desse transtorno está sendo muito estudada e acredita-se que em um futuro próximo essa situação seja melhor esclarecida.
As repercussões desse comportamento se dão em várias áreas: social, pode ocorrer desafetos com amigos e familiares, envolvimentos policiais, perda de emprego, perda da reputação social e moral e toda sorte de desadaptação social e familiar em decorrência direta de investidas, assédios e relacionamentos sexuais. Familiar: costumam ter relações conjugais complicadas. Primeiramente devido ao apetite sexual exagerado, vindo a submeter o parceiro (o) a uma atividade nem sempre prazerosa ou desejada. Em segundo, devido às maiores probabilidades à infidelidade e, em terceiro, devido à maior possibilidade de envolvimentos sexuais com amigos ou familiares, aumentando mais ainda o constrangimento. Por últimos os problemas pessoais, pois apesar dos inúmeros problemas que o transtorno pode ocasionar o mesmo não se dispõe a se tratar nem a mudar seus hábitos inspirados nessa condição.
O tratamento desse transtorno se dá sob dois aspectos: terapia comportamental, técnica através da qual os enfermos reorganizariam seus pensamentos, suas fantasias e seus desejos visando um maior controle e adequação dos mesmos. A outra forma de tratamento é realizado através de medicamentos, que os auxiliam a controlarem melhor seus impulsos e, atualmente existem medicamentos efetivos nesse sentido. Faz-se também, necessário uma avaliação laboratorial e clínica rigorosas, incluindo exames de imagem como a ressonância magnética do crâneo e outros exames laboratoriais para se descartar a existência de outros transtornos médicos, psiquiátricos ou comportamentais, que possam coexistir com essa doença.

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O dia mundial da saúde em nosso país, o que comemorar?

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Dia 07 desse mês comemorou-se o dia mundial da saúde, certamente um dos temas humanos que pela sua importância e significado é de fato merecedor dessa homenagem. A saúde é a consagração da vida, considerando que só, e tão somente através dela, garantimos e damos sentido a nossa existência. É através dela que nascemos, vivemos, prorrogamos a nossa vida e a da nossa espécie.
Saúde é uma condição complexa, que resulta de uma intrincada rede de fatores inter articulados entre si, de diversas naturezas, que, como resultado dessas inter-relações entre os distintos fatores que a produzem, nos conduzem a um estado de bem estar, físico, psíquico e social. É essa, em um sentido abrangente, o conceito de saúde segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS. Sob essa perspectiva, a saúde é um bem, uma condição inalienável onde a pessoa se encontra em plenas condições de viver e, viver bem, estando em consonância com seu mundo, com os outros e com seu ambiente. Não há saúde em um ambiente inóspito ou onde não haja paz social e, um ambiente inóspito e que não haja paz, não produzirá indivíduos saudáveis. E, esse é o sentido maior: saúde é o bem estar de um sujeito em seu ambiente em relação com os outros, de tal forma que, nessa perspectiva, a saúde deve sempre ser examinada identificando quais os fatores que em determinada momento ou circunstância estão ou não a favorecendo.
Se estendermos as coisas nesse sentido, de forma mais abrangente, incluiríamos obrigatoriamente a saúde mental, que prefiro chama-la de saúde comportamental. Que pode ser entendida por sua vez, como a possibilidade concreta e objetiva dos indivíduos expressarem sua saúde através de seu comportamento. Isto é, não há saúde mental, sem saúde física, muito menos saúde social, pois são condições indispensáveis para um comportamento saudável. A saúde mental se traduz ou se revela em nosso comportamento, seja ele objetivo ou subjetivo, que por sua vez expressa a vivência do bem estar psicológico dos sujeitos em se ambiente e com os outros.
A saúde mental promove e traduz o agrupamento das pessoas em sociedade, no trabalho e nas distintas formas de das relações sociais. O nível de saúde mental e o bem-estar da população é um indicador importante que nos informa como o homem vive e isso sinaliza para a realização dos objetivos dos povos e do planeta.
Epidemiologicamente, as doenças mentais no mundo e particularmente na Europa vêm aumentando. Hoje, nessa região, estima-se que haja 50 milhões de cidadãos, cerca de 11% da população, portador de alguma forma de doença mental, tanto em homens quanto em mulheres. Entre essas, a Depressão já é em muitos Estados-Membros da União Europeia, o problema de saúde mais prevalente. O Suicídio permanece sendo a maior causa de morte nessa região, pois ocorrem cerca de 58.000 suicídios por ano, dos quais 3/4 são cometidos por homens. Oito dos Estados-Membros dessa região estão entre os quinze países com a taxa de suicídio masculina mais alta do mundo.
Nunca é por demais repetir que entre as condições humanas as que mais geram sofrimento e dor para os indivíduos, para suas famílias e para a sociedade em geral, são as doenças mentais, sendo o suicídio entre essas a condição que mais provoca isso.
Pelo aumento vertiginoso dessas doenças, as ações deveriam ser priorizadas em políticas públicas de saúde, através de ações complementares que promovam prevenção, assistência e reabilitação desses enfermos, fortalecendo e priorizando, sobretudo, medidas de prevenção disponibilizando suporte para pessoas que têm problemas de saúde mental e suas famílias. Além disso, poderiam ser adotadas medidas que garantam maior acessibilidade e abrangência dos meios de tratamentos oferecidos a esses enfermos. Portanto, deve-se reconhecer que existe uma necessidade de ações políticas decisivas no sentido de dá prioridade em ações em saúde mental.
Para tanto, necessita-se que haja por parte dos agentes políticos e de dos legítimos representantes de um povo, medidas efetivas que incluam outras áreas de significação e abrangência interligadas á saúde, como a da educação, o sector social, a justiça a economia e muitos outros parceiros sociais, de outras organizações da sociedade civil, para implementar e desenvolver medidas para garantir e promover a saúde dos indivíduos.
É preciso se implementar pesquisas epidemiológicas que nos dê uma fotografia real da saúde mental da população, em diferentes momentos, que nos ajude a identificar as causas ou fatores que estão colaborando para os agravos nessa área. Situações como suicídio, depressão, usa de álcool e outras drogas, violência urbana e rural, desigualdades sociais, má distribuição de renda, desemprego e muitos outros fatores urbanos, psicológicos e ambientais colaboram sobremaneira para o adoecimento mental da nossa população e quando nós vemos o que está sendo feito para se evitar tudo isso, se constata que o que está sendo efetivamente feito é muito pouco ou quase nada para se evitar esses problemas.
Em nosso país, as questões da saúde mental e a saúde em geral estão precarizadas. Há uma dívida histórica dos governos, e desse em particular, com o povo brasileiro em matéria dessas políticas . O que se vê são medidas inconsistentes que não garantem de fato o bem estar de nossa população em todos os sentidos. O sucateamento e ineficiência dos serviços de saúde, inadequação de verbas destinada á saúde, má versação do erário, redução acentuadas do número de leitos na rede pública especialmente na área mental, o contingenciamento dos recursos destinados á saúde, o empobrecimento dos municípios que praticam tais políticas, não dão conta dessa responsabilidade. Está um caos total. É preciso mudar. Feliz 07 de abril Dia Mundial da saúde para todos nós e para o mundo.

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