Reinserção psicossocial dos dependentes de drogas

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            Um dos temas sobre os quais mais se debate em nosso país, na atualidade, é a questão das diferentes modalidades de internação que se deve oferecer ao dependente de álcool e outras drogas. Boa parte da celeuma gira em torno do tratamento involuntário e compulsório, previstos em lei. E, no foco da atenção, estão os pacientes que já se encontram em condições precárias do ponto de vista médico e psicossocial, não dispondo de recursos neuropsicológicos e emocionais para decidir se querem ou não se tratar.

            A moral da lei é garantir proteção da saúde e da vida dos enfermos e dos outros. Ela regulamenta procedimentos das instituições, dos profissionais e das famílias, além de definir as atribuições de cada um no curso do tratamento dos dependentes.

            Como especialista na área, entendo que só as garantias já definem a lei como um grande instrumento jurídico a favor da vida e da saúde. Pois, contrariamente ao que muita gente ainda pensa, os usuários de álcool e drogas, quanto mais afetados em sua saúde mental pelo uso da substância, perdem progressivamente sua capacidade de decidir, optar ou escolher o que é o melhor para si, sendo que, na maioria das vezes, quando o fazem, estão sob a influência dos efeitos da droga.

            Toda essa situação provoca dramas pessoais e sociais graves, em geral, afetando gravemente as famílias dos dependentes químicos, que ficam desesperadas, desiludidas e descrentes, não sabendo onde encontrar ajuda. Muitas já perderam tudo financeiramente, seja por conduta transgressora do dependente, que vende tudo de casa para se drogar, ou por já terem perdido o controle total da situação. Muitos familiares têm sua saúde mental abalada pelo sofrimento e frustração impostos pela situação e já perderam a esperança na recuperação.

O que agrava mais ainda a situação é que há deficiências grosseiras na política de saúde sobre este assunto, pela inexistência de leitos hospitalares para desintoxicação dos enfermos, pronto-socorro especializado para agudos, ambulatórios de especialidades que sejam referências às famílias e aos pacientes e, por último, deficiência de pessoal treinado e especializado para garantir a exequibilidade da assistência aos enfermos.

Duas estratégias relevantes nesta área e ainda muito pouco debatidas são prevenção e reinserção social de dependentes químicos, mas negligenciadas pelo poder público na composição de suas medidas. Elas compõem o quadripé das políticas públicas sobre este assunto: redução da oferta (tráfico de drogas), tratamento e reabilitação (saúde), prevenção e reinserção social (educação e social). Em nosso país a ênfase é dada prioritariamente a assistência e redução do tráfico de drogas, executadas muito bem pelas polícias, apesar de deficiências apontadas acima. Porém, sobre estratégias de prevenção e reinserção social, trata-se muito pouco ou quase nada.

Na linha do tempo, temos que preparar nossa juventude para assumir os papéis que hoje assumimos na vida social, na vida pública e na economia etc. Temos que promover mecanismos que garantam o crescimento e desenvolvimento saudável de nossa juventude, livre de drogas e que se reconheça que usar drogas é uma prática insalubre e nefasta que só traz problemas e que o prazer advindo do uso é uma espécie de arapuca em que, ao entrar nela, é difícil sair. Temos que garantir uma juventude que se perceba importante, participativa, de valor no cenário da vida social e institucional de nosso país. E, isto tudo deve ser construído e fomentado em políticas educacionais, sociais e de saúde bem elaboradas e bem executadas.

Reinserção social de dependentes de drogas deveria ser prioritária na política sobre este assunto, pois são estratégias que favorecem reaquisição de tudo, ou parte de tudo, que foi perdido do ponto de vista psicossocial em razão do uso de drogas, além de evitar um dos maiores problemas encontrados entre os enfermos, que são as recaídas. A reinserção social resgata a cidadania, os direitos individuais e sociais e o valor dessas pessoas e de suas famílias. Saem da condição de pária social, uma pecha maldosamente atribuída aos enfermos, para se transformarem em cidadãos dignos, livres e produtivos.

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Comedor, bebedor, jogador e sexo compulsivos

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Um dos mais graves problemas psiquiátricos e comportamentais que se verifica na clínica é quando alguém apresenta graus variados de dificuldade em controlar um desejo, um impulso ou mesmo uma atitude quando o mesmo se insurge na sua consciência. É o que se verifica com os dependentes de drogas que se tornam escravos dessas substâncias e não conseguem controlar seu uso.  

Devido o grande interesse científico que sempre houve sobre o tema das compulsões, em 1992 a OMS inclui uma nova categoria de transtornos onde a compulsão é um elemento chave do diagnóstico e designou-a transtornos dos hábitos e dos impulsos e, quando isto ocorre no âmbito alimentar, denominam-se Transtornos Alimentares.

Em ambas as categorias o ponto central nas queixas dos pacientes é o fracasso em resistir a um impulso ou tentação de realizar um ato perigoso para a si ou para outros. Além do mais, referem ainda uma tensão exagerada e crescente ou uma excitação muito grande antes de cometerem o ato que, após cometê-lo, pode ou não haver arrependimento, auto-recriminação ou culpa.

Na categoria dos Transtornos Alimentares estão inclusos: Anorexia Nervosa (AN), Bulimia Nervosa (BN) e Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). Na categoria dos transtornos dos hábitos e dos impulsos, temos: Transtorno Explosivo Intermitente (em geral designadas de pavio-curto) que não resistem aos impulsos agressivos. A Cleptomania (roubo compulsivo) impulso de roubar objetos desnecessários para o uso pessoal ou em termos de valor monetário. A Piromania, comportamento incendiário por prazer e, por último, a Tricotilomania ato de arrancar de forma recorrente os próprios cabelos por prazer, acarretando uma perda perceptível em diferentes locais do couro cabeludo.

A bulimia se caracteriza por um impulso irresistível de comer excessivamente; evitação dos efeitos “de engordar” da comida pela indução de vômitos e/ou abuso de purgativos; e medo mórbido de engordar.

O Jogo Patológico é um comportamento mal-adaptativo, recorrente e persistente, relacionado a jogos de azar e apostas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) o reconheceu como doença partir de 1992 e o definiu pela incapacidade da pessoa em controlar o hábito de jogar, a despeito de todos inconvenientes que isso possa provocar como problemas financeiros, familiares, profissionais, etc.

O Transtorno do Comer Compulsivo ou Trans. Compulsivo Alimentar (TCA) muito parecido à bulimia, só se diferi da mesma pelo fato dos pacientes não praticar o vômito após se alimentar ou tomar laxantes a pretexto de não engordar. O TCA é um problema mais comum em mulheres, com prevalência de 1,8 a 2% da população e, freqüentemente está associado a outros transtornos psiquiátricos principalmente à depressão e a transtornos de ansiedade.

Por último, no sexo compulsivo a área afetada é o impulso sexual levando-o a praticá-lo com muita freqüência e de forma voraz. Apresentam ainda pensamentos obsessivos por sexo ao ponto de não poderem pensar sobre outras coisas e tudo gira em torno de sexo. São inúmeros os problema que isto acarreta, tanto para o paciente quanto para o (a) outro(a).

O paradoxo de todas estas patologias é que ocorrem em pessoas lúcidas, que têm plena consciência do problema e são incapazes, por si mesma, de mudar o padrão deste comportamento.  O tratamento é favorável especialmente quando não há co-morbidade com outros transtornos psiquiátricos. Para o tratamento utiliza-se medicamentos         anti-compulsivos como os antidepressivos e a psicoterapia cognitivo-comportamental – TCC, que são as abordagens mais indicadas.

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Conhece-te a ti mesmo

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É uma a expressão clássica, de origem grega, “nosce te ipsum” significa “conhece-te a ti mesmo”, que segundo a tradição estaria inscrito nos pórticos do Oráculo de Delfos, na Antiga Grécia. É um aforisma histórico, representa a pedra-angular da filosofia de Sócrates e do seu método, a maiêutica, segundo Platão.

O autoconhecimento, sempre foi filosoficamente considerado um pressuposto fundamental e indispensável para nós seres humanos, atingirmos nosso maior crescimento e desenvolvimento pessoal e existencial. O autoconhecimento é uma necessidade indispensável para nos adaptarmos ao mundo e às demandas do homem civilizado. Constitui-se como o principal caminho ao nosso dispor de conquistarmos a supremacia da nossa espécie, e o recurso mais importante, quiçá o único, para garantir nossa humanização definitiva.

A dimensão gregária (social) tão almejada e fundamental para nossa afirmação no mundo se constrói, se instala, se desenvolve a partir do autoconhecimento que, ao nos darmos conta de nós mesmos, passamos a (re)conhecer e viver com o outro. É a construção do social que parte de nós. No processo do autoconhecimento, brota o estado de consciência que é inspirador e donde emanam os sentimentos mais nobres do homem: o altruísmo, a fé, a compaixão e a solidariedade. Nada disso pode nascer sem ser por este caminho, os quais nos distinguem dos outros animais.

Paradoxalmente, vivemos uma época confusa, contraditória, que nos estimula a comportamentos exclusivistas. Uma época em profundas mudanças em seus paradigmas. Vivemos em um tempo, onde a cultura nos incentiva a práticas utilitaristas e pragmáticas e que nos afasta cada vez mais de nós mesmos. Um tempo e uma cultura que não incentiva relações duradouras e profundas entre os humanos, que nos ensina a desfaçatez, a insensatez, a arrogância e descrer. O homem atual ousa pouco em sua direção, fala pouco consigo mesmo, não se ouve nem se enxerga, por isso é solitário, inseguro, presunçoso e egocêntrico em seu mundo.

Estas contradições do mundo contemporâneo, onde a cultura que se notabiliza a cada hora nos leva para um rumo e a sabedoria e a sensatez nos leva em direção de nós mesmos o tornam ameaçador, inexpressivo e repleto de desencanto. A distância que se estabelece entre as aspirações do autoconhecimento e a busca incansável do materialismo dialético nos torna frágeis débeis, onde nós mesmos passamos a nos estranhar. Um mundo onde o imobilismo, a indiferença social, a falta de ética, são suas marcas registradas. Um mundo sem inspiração e sem fé.

Onde andam os inconformados, os indignados, os envergonhados ou os que ainda pedem desculpas? Onde estão os justos, os modestos, os contestadores, os rebeldes, os éticos, os que amam e os líderes? Estão aí, sei disso, embora poucos. Estes poucos convivendo com muitos espertos, indiferentes insensíveis, larápios, sabidos, oportunistas, carreiristas, falsos líderes e aproveitadores, estes a maioria. E, neste momento nossa cultura e nosso tempo, chancelam e legitimam estas figuras e estas contradições.

Quando se exorta a necessidade de nós nos conhecermos a nós mesmo “nosce te ipsum” estamos reclamamos a possibilidade de voltarmos contra esta tendência. Estamos exaltando a prerrogativa de atribuirmos um sentido maior à nossa autoafirmação. O zelo pelos outros, a autoestima, autoconfiança o amor próprio fazem parte nós e para desenvolvermos tais consciências faz-se necessário darmos o passo definitivo em direção do autoconhecimento que sem o qual estaremos fadados ao cinismo.

Na conquista do autoconhecimento é que serão desabrochadas nossa transcendência e as possibilidades de nos amarmos uns aos outros, convivermos sem ameaça à nossa existência e cultivarmos a compaixão. Jean-Jacques Rousseau ao falar sobre a felicidade afirmava que “em vão buscaremos ao longe a felicidade se não a cultivarmos, dentro de nós mesmos”.

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O uso excessivo do álcool

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              Já vimos, em comentários anteriores, que o uso de álcool pode ser inofensivo ou um grave problema de saúde
para um indivíduo ou para uma sociedade e, um dos elementos que controlam isso é a forma de utilização da
substância.Ocorre, que vivemos  em uma sociedade alcoófila, isto é, exorta e incentiva o consumo de álcool
de diferentes maneiras fato que favorece muito o consumo exagerado e disfuncional da droga, especialmente em um públcio jovem, provocando os graves problemas que ja conhecemos. Esta materia abaixo, muito interessante, mostra o resultado de uma  pesquisa corelacionando o consumo exagerado (compulsivo) de álcool a um “gen” que interfere no consumo exagerado de ingerir álcool (do prazer) desta substância. Abre-se, portanto mais um caminho importante para se explicar o comportamento de muitas pessoas que perderam completamente o controle sobre a ingesta da bebeida e, quem sabe no futuro próximo a engenharia genética e outras áreas do conhecimento científico poss corrigir estas distorções e provocar uma revolução gigantesca nesta área. Boa leitura

Estudo revela porque alguns adolescentes são mais propensos à<br /><br />
bebedeira. Clique para ampliar (Thiago Fagundes / CB/ DA Press)

 

Ação de gene potencializa o consumo de álcool Pesquisadores identificam o mecanismo que leva as pessoas a exagerar no uso de bebidas para prolongar a sensação de prazer 
A partir de três experimentos, uma equipe de psiquiatras e geneticistas da Universidade de King’s College de Londres, no Reino Unido, identificou o mecanismo que faz com que portadores de uma variação do gene RASGRF2 tenham mais tendência para o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. O gene ligado ao alto consumo de álcool já havia sido identificado por cientistas, mas o processo que faz com que a informação genética se expresse e leve a um determinado comportamento ainda era um mistério.De acordo com os resultados, o RASGRF2 atua diretamente na liberação pelo cérebro da dopamina, um neurotransmissor estimulante que passa ao corpo as sensações de prazer, de gratificação e de recompensa, e que normalmente é produzido durante situações agradáveis ao indivíduo. Quando liberado, os efeitos são percebidos com o aumento da pressão e da oxigenação do sangue, além de batimentos cardíacos mais acelerados. Tudo isso para que pensamentos e ações ligados à alegria, à satisfação e ao entusiasmo possam ser percebidos e vivenciados.O uso de drogas como o álcool influencia na liberação da dopamina no cérebro, levando a pessoa a ter essas mesmas impressões. O problema é quando ela, no intuito de evitar que essas sensações acabem, exagera na ingestão de bebidas alcoólicas. O gene RASGRF2 está envolvido nesse exato processo. Ele faz com que seus portadores liberem ainda mais dopamina ao ter contato com situações que identificam como gratificantes, entre elas o consumo de álcool.

Segundo Gunter Schumann, autor do estudo e professor do Instituto de Psiquiatria da King’s College e do Centro Psiquiátrico de Desenvolvimento e Genética de Londres, as pessoas naturalmente buscam situações que preencham o sentimento de recompensa e as façam felizes. “Agora entendemos a cadeia de ação: como nossos genes moldam essa função no nosso cérebro e como isso, por sua vez, leva a um comportamento humano”, comemora.

O primeiro teste feito pelos cientistas observou o comportamento de dois grupos de camundongos. Um era formado por portadores da variação genética estudada e o outro teve esse mesmo gene excluído. Ao entrar em contato com o álcool, as cobaias que não tinham o gene RASGRF2 tiveram uma grande diminuição no “desejo” pelo álcool. Quando a substância era ingerida, a falta do gene reduziu a liberação de dopamina, deixando os animais sem a sensação característica de gratificação.

Entre adolescentes O consumo de álcool no Brasil inicia-se na faixa dos 13/14 anos, tornando-se mais frequente aos 16. De acordo com levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, 70% dos jovens entre 13 e 15 anos residentes nas grandes capitais já experimentaram pelo menos uma vez uma bebida alcoólica. Os indicadores são parecidos com os de outros países, incluindo o Reino Unido, onde foi feita a pesquisa.

Depois de analisar os camundongos, os cientistas estudaram os resultados de ressonância magnética do cérebro de quase 700 meninos com idade média de 14 anos, além de analisar a carga genética, comprovando a presença da variação em RASGRF2. Os participantes do estudo não haviam sido expostos a quantidades significativas de álcool. As informações sobre ação da expressão genética foram medidas expondo os jovens a situações em que pode ser reproduzida uma sensação similar de gratificação e recompensa.

Os dados mostraram que os portadores da variação genética estudada tinham maior ativação de uma área do cérebro conhecida como estriado ventral, envolvida na produção de dopamina, sugerindo, então, que eles liberam mais dopamina ao antecipar uma recompensa futura e, consequentemente, obtêm maior prazer com a experiência.

Por último, e para confirmar os resultados iniciais, os mesmos participantes foram convidados a retornar ao laboratório do professor Schumann dois anos depois da primeira visita para responder a um questionário. As perguntas tratavam diretamente sobre frequência e a quantidade de ingestão de bebidas alcoólicas. Como esperado, aqueles com a variação no gene RASGRF2 bebiam com maior frequência que os outros.

Influência social O psiquiatra Paulo Mattos, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de Janeiro, lembra que a dependência de álcool e de outras drogas não está vinculada apenas a fatores genéticos, mas a um conjunto deles e de outros dois aspectos. Um deles é o social — se é uma sociedade mais restritiva ou na qual o consumo é mais aceito — o outro, o perfil psicológico da pessoa. “O álcool tem um grande potencial de dependência nesses três fatores. O efeito é tranquilizante e recompensatório, muito gratificante para pessoas ansiosas e depressivas, por exemplo. As chances de elas se tornarem dependentes fica muito maior também”.

Não se pode ainda mensurar qual fator pode se sobrepor aos outros, mas Mattos ressalta a importância de investigar o genético como um dos determinantes. “Diferentemente de outras pesquisas, esse gene não está relacionado à dependência alcoólica, mas à sensação de recompensa relacionada com a liberação da dopamina. Na verdade, qualquer coisa que eu faça e que me dê prazer vai liberar dopamina. Pode ser alimentação, sexo, droga ou até um ato de caridade.” Segundo o autor do estudo, identificar esses fatores de risco genético para o abuso precoce de álcool pode ajudar no desenvolvimento de ações preventivas e de tratamento para a dependência de álcool  e, talvez, de outras drogas.

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Por que, afinal, é tão difícil beber com moderação?

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ressaca                            
 Pesquisadora da Universidade de Washington resolveram realizar um estudo visando responder à seguinte questão: se todo mundo sabe que beber demais em uma noite causa vômitos, lapsos de memória, ressacas ou algo ainda pior, por que é tão difícil não exagerar nos drinques?

A resposta, segundo os cientistas, é psicológica e “cultural”. Aparentemente, o fato de passar mal de tanto beber, em uma noite, não traumatiza o indivíduo, que já está psicologicamente pronto para outro porre na ocasião seguinte. Ressacas, portanto, não ficam marcadas no cérebro humano como experiências negativas muito fortes.Para chegar a essa premissa, os pesquisadores reuniram 500 estudantes da própria Universidade de Washington. Todos os pesquisados responderam como foi viver uma série de coisas que podem acontecer a um ser humano bêbado. Desmaios, brigas, ressacas, faltas a aulas ou ao trabalho, perda ou roubo de objetos, tudo era relatado pelos estudantes. Os aspectos positivos, em contrapartida, também foram observados: os estudantes não se esqueceram das ocasiões em que a bebida os ajudou a se inserir em grupos sociais e ter sucesso em encontros amorosos.

A surpresa da pesquisa foi a seguinte: aqueles que tiveram experiências ruins as avaliaram como não sendo menos ruins, e menos prováveis de ocorrer, do que aqueles que não passaram por maus bocados. Ou seja, quem sofreu garante que a bebida não traz problemas, e quem nem chegou a sofrer é mais cauteloso.

Basicamente, o que acontece é o seguinte. Se você presencia um porre alheio, pensa automaticamente que “isso nunca vai acontecer comigo”. Se você próprio atravessa essa experiência, está de ressaca na manhã seguinte e pensa que “nunca mais vai beber tanto assim”. Mas a promessa, geralmente, não se cumpre em ambos os casos.

Dessa forma, segundo indicam os cientistas, o caminho para diminuir o alcoolismo entre os jovens é fazê-los “compreender”, neurologicamente falando, os aspectos negativos da bebida. O desafio é convencer o cérebro de que os fatores negativos de um porre pesam mais na balança em relação aos positivos. [LiveScience]

 

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A felicidade e a crise

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Nós humanos, a cada dia, nos damos conta do quão distante estamos daquilo que mais desejamos que é sermos felizes, ao longo do tempo sempre foi e será, a maior das nossas aspirações. Ser feliz, invariavelmente não custa muito porque sua revelação se dá de forma invisível e muito dos que não a conseguem é porque ainda não a conquistaram. A felicidade, contrariamente ao que muitos pensam não se consegue, se conquista, não se herda se constrói, é infinita em sua expressão e todos querem vivê-la embora, mesmo sendo efêmera. A felicidade é um “bem maior” e seu valor está na transcendência, pois nos conduz a imortalidade temporariamente.

É uma das poucas condições humanas que nos dá muito prazer, exorta sempre nossa bondade, nossa ternura, nosso humanismo, nosso amor por nós e pelos outros e nos conduz a um auto-respeito, tudo muito finito. A felicidade nos enaltece, nos recompensa nos motiva, nos protege é nos conduz a fé e esta, a DEUS.

A grande contradição, ou crise, que vive o homem contemporâneo é que a felicidade para muitos é inalcançável, porque neste momento de nossa história, o que mais se exorta, até de forma exagerada, é a materialidade do que nos encanta. Como resultado desta dualidade de “ter e ser” incentivado por uma cultura utilitarista e pragmática promove-se a derrocada de valores, importantes a nossa sobrevivência, como a bondade, a ternura, a verdade, a franqueza, a ética, o respeito ao outro, a esperança, a crença na fé e na justiça, e como ponto alto destas contradições, o profundo descuido pela moralidade, a base dos valores. E, não há homem, nem sociedade e nem cultura que se mantenham ou sobrevivam sem estes valores.

Por extensão, junto ao processo de destruição em massa destes valores, destrói-se também, sem saber, o reconhecimento de que sem eles, não sobreviveremos. Portanto a (re) construção de outros valores, sejam quais forem, é vital para nossa estabilidade. Uma das conseqüências direta desta destruição em massa destes valores históricos é o surgimento de um homem anônimo, sem alma, incrédulo e descrente. Um homem que se distancia a cada dia de si mesmo e incapaz de si olhar. Resta-nos saber através destas ações enigmáticas e sem expectativas, para onde queremos ir. Eis a cries, vital, mas ameaçadora, nos amedronta e nos deixa atônitos. Eis que, não se sabe, se esta crise de (des)construção dos valores pessoais, sociais e culturais, é certa ou errada, é justa ou injusta, atual ou ultrapassada, antiga ou moderna, o fato, todavia, é que estamos indo.

O lado positivo de tudo, é que a história nos mostra, que, quem nos faz avançar na vida, são as crises. Seja ela psicológica, social, cultural, financeira, ética, moral ou mesmo todas juntas. Não vivemos sem crise, seja aonde ela se verifique. Da mesma forma que a felicidade, nos incentiva a viver e a mudar. Os inconformados é que reformulam o mundo, os insatisfeitos fomentam a esperança e nos  incentivam para avançarmos.  

Há, portanto uma necessidade vital que se tenha esperança no surgimento de algo novo, sem derrocar a ética, enferma como no presente, tornando-se indispensável revitalizá-la pois, sem a qual, não garantiremos nossas relações sociais; o mesmo deverá acontecer com a moralidade pública, desfigurada pela corrupção, mentiras e falcatruas, práticas nocivas aos nossos destinos; que as mudanças esperadas enalteçam sentimentos nobres e indispensáveis à vida humana como a fraternidade, o humanismo, o altruísmo, a caridade, o amor, a vergonha, a decência e a modéstia, tão fragmentados no cotidiano. Finalmente que a crise atual traga resultados auspiciosos, onde o orgulho, à vaidade, a arrogância e o poder, que nos cega, restrinjam sua forças e quiçá, desapareçam entre nós.  

Surge, inspirado nesta nova situação, um homem menos contraditório, menos confuso menos Inescrupuloso, menos utilitarista, menos descrente e menos arrogante. Que este novo homem emergente reconstrua um mundo com regras mais claras de convivências, com mais princípios, e valores humanos.  Um mundo mais simples de viver, onde este homem possa olhar mais sobre si mesmo. Um homem que tenha menos medo da incerteza, mais seguro de si mesmo, que acredite mais no tempo e na sua história. Um homem moderno que não despreze sua memória do então e que esteja mais próximo do futuro que há dentro de cada um. Feliz 2013 a todos.

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