Transtorno Sistêmico Eleitoral – TSE

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Pode-se afirmar que as eleições, que ocorrem periodicamente para escolha dos representantes dos poderes legislativo e executivo, correspondem a um dos mais importantes contributos à democracia. Nessas ocasiões, escolhemos, entre os candidatos aos respectivos cargos, os que mais nos convêm.

Quando as eleições se aproximam, o voto surge nesse cenário com carga total, passando a ser tratado como uma pepita de ouro, o mais importante objeto de desejo, tanto para os candidatos quanto para os partidos políticos. Nas campanhas, os candidatos aproximam-se dos eleitores de forma cautelosa, sorridente, afável e sorrateira, dando-nos a impressão de “um tigre que se aproxima de sua presa”.

Os candidatos, em períodos pré-eleitorais, partem com toda garra para cima dos eleitores, fazem de tudo para conquistá-lo. Tratam-no com pão-de-ló, os cumprimentam com deferência, os abraçam, prometem mundos e fundos, atendem aos pedidos, os bajulam, os ouvem como se fossem grandes amigos, dão tapinhas nas costas e prosseguem, ávidos, pronto para devorá-los.

No curso das eleições, a guerra prossegue. Partidos e candidatos se articulam em alianças políticas, por trás da famigerada coligação partidária. Chefes, líderes políticos e os cabos eleitorais se articulam para disputarem, milimetricamente, os votos. Partidos e candidatos, em geral, fazem uma espécie de zoneamento territorial, ou curral eleitoral, por região e por município, visando a obtenção de um maior número de apoiadores.

No corpo a corpo, a disputa é acirrada e todos se tornam atentos aos seus concorrentes e se preocupam, predominantemente, com o financiamento da campanha, que foi objeto recente de muitas mudanças pelo Supremo Tribunal Federal – STF, impedindo que empresas privadas financiem campanhas de candidatos a qualquer cargo público. Hoje, o que vigora é o financiamento público de campanhas e/ou doações de pessoa física. Isso pode de certa forma impedir a sangria ética criminosa que predominou há anos em nosso país, onde os políticos e partidos funcionavam mais para grandes empresas do que para a população.

Durante muitos anos isso foi acintoso e gerou muitos problemas éticos na política.  Por isso, caminhe-se no rumo de uma proposta de financiamento de campanha mais decente e menos mercantil. Nessas novas propostas, o dinheiro terá sua origem claramente identificada e as empresas estão proibidas de apoiar. A ética de tudo isso é destronar o dinheiro como o vetor mais importante de uma campanha eleitoral, deixando a ética e moralidade pública serem mais relevantes.

Sobre o plano das ideias e das propostas políticas, em geral, quase não se ouve falar. Propostas inteligentes, sensatas de como resolver os graves problemas por que passa a nação brasileira é o que menos se vê. Programa de governo consistente, eficiente e duradouro e como ou para quem se vai legislar, são raros. Os candidatos entram mudos e saem mudos e surdos em suas campanhas.

Ao se elegerem, em geral, encastelam-se em seus mandatos, sentem-se vitoriosos, somem dos eleitores, distanciam-se dos compromissos de campanha e de suas bases eleitorais e só reaparecem anos depois, com os mesmos trejeitos comportamentais e voltam à cena com todo fulgor e encantamento, convencidos de que cumpriram muito bem seus mandatos e fizeram o melhor para seus eleitores.

Em nosso país, essa relação TSE/candidato/eleitor é profundamente ambígua e contraditória a ponto de predominar um clima de desacreditação, desrespeito e desconfiança geral nos partidos e nos candidatos. É uma relação ambivalente de infidelidade, traição, amor e ódio, que vigora entre o Tribunal os candidatos e eleitor, camuflada por uma paz harmonia fictícia.

Há um tácito faz de contas, onde um tira proveito do outro. Há captação ilícita de sufrágio, corrupção, promessas vãs, mentiras, tapinhas nas costas, através de um “conluio maledicente e cínico”, pois de fato o que há é uma a relação dissimulada e traiçoeira, camuflando o ódio, o oportunismo e a pouca-vergonha.

Essas contradições são efêmeras e sazonais, pois em geral só ocorrem nas eleições. Semanas ou meses depois, a maioria dos eleitores não sabem nem o nome do candidato em quem votaram. Há uma espécie “apagamento mnêmico” revelado pelo silêncio que irá imperar entre eles doravante. Eleito e eleitor, a partir daí, não se comunicam. Nem um telefonema ou e-mail, ou um cartão de visitas ou mesmo um aperto de mão com seu candidato, fugindo um do outro como como o “diabo foge da cruz”, isto é, divorciam-se e voltam a se encontrar sob o mesmo “modus operandi” anos depois.

Essas ambiguidades prosseguem por anos a fio. Tem candidato que nunca foi a um determinado município e sai de lá transbordando de votos, outros nunca pisaram em um povoado e se elegem para cargos no executivo ou no legislativo. O eleitor, de um lado, permanece dando seu voto para o mesmo candidato que o esqueceu.  O candidato, sabido e esperto, permanece calado, em silêncio, fazendo de contas que está trabalhando para seu eleitor.

É uma relação bizarra complicada e disfuncional. É tão complicado que a maioria das pessoas atualmente só votam por obrigação ou para não pagarem multas, tal é o descrédito e desconfiança que impera nessa prática. Se a Organização Mundial da Saúde – OMS se dispusesse a dar uma nomenclatura para essa conturbação ou disfuncionalidade eleitoral e política, diria que há um distúrbio psicopatológico eleitoral ou, simplesmente, Transtornos Sistêmico EleitoralTSE.

          “Transtorno” porque esses comportamentos provocam graves problemas e alterações e contratempos às cidades, ao estado e ao país, com repercussões profundas na vida dos indivíduos e da sociedade. Apresentam profundos prejuízos nas instituições públicas. Eleições malsucedidas ou as que elegem candidatos inóspitos, incompetentes, inconfiáveis e oportunistas geram, realmente, graves problema.

           É “sistêmica” porque atinge todo sistema de vida, tanto das pessoas individualmente quanto na sociedade. As repercussões são gigantescas, vide a Operação Lava-Jato, desmontando quadrilhas, criminosos revestidos de funções políticas. A maior prática da corrupção sem precedentes na história de nosso país, praticada por políticos eleitos legitimamente e exercendo as mais importantes funções de notoriedade pública, quase destruíram nosso país.

É “eleitoral” porque o fenômeno ocorre no domínio das eleições. A epidemia é via eleitoral. Quando há candidatos corruptos, desonestos, falsos, mentirosos e conchavados, o resultado é pior do que uma sepse (infecção generalizada), pois pode destruir a ética e as instituições de um povo, de um governo e de uma sociedade. Não é à toa que tanto o Tribunal Superior Eleitoral, quanto as redes de comunicação, fazem campanhas para ensinar a população a votar melhor, a escolher conscientemente seus candidatos e para tentar cessar a sangria ética que há na política brasileira.

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A DECISÃO ENFERMA

Dependentes de álcool e outras drogas padecem de um dilema há muito conhecido por todos: SEMPRE DEIXAR PARA AMANHÃ a decisão de parar de BEBER ou usar DROGAS. Algumas expressões , como: “essa foi a última vez que bebi”, “depois dessa, não bebo nunca mais”, “essa quase me mata, vou parar”, são muito comuns entre essas pessoas e  são promessas, normalmente, formuladas após um consumo descontrolado de álcool e outras drogas, quase sempre carregadas  de culpa e arrependimento. E qual é a nossa surpresa ao perceber que pouco tempo depois, às vezes no dia seguinte ou no próximo fim de semana, repetem tudo novo. E assim vai dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano.

Por não cumprirem suas promessas, essas pessoas acabam sendo ridicularizadas e caindo no descrédito, especialmente da família e amigos, os quais atribuem tais afirmações à famosa ressaca da segunda-feira. muitos dizem:: “essa promessa já se conheço, é só conversa fiada!” ou “fulano só diz isso, quando está  de ressaca!”.

Essa ambiguidade entre os dependentes foi por muitos anos entendidas como um problema sério, cuja interpretação residia no âmbito moral ou em algum distúrbio de caráter. Muitos eram considerados e ainda hoje o são,  fracos, frouxos, covarde e irresponsáveis, por não cumprem o que prometem.   O próprio sujeito envolvido com esse problema se sente muito mal, pois apesar de a doença prejudicar sua capacidade de julgamento e avaliação sobre seu comportamento, ele também percebe que bebendo e consumindo drogas como o faz regularmente, gerará mais problemas a cada dia e que, se não mudar, a situação tende a piorar. Sente também que algo consigo está errado, pois em muitos casos há um desejo realmente de parar de beber ou de usar droga, ao mesmo tempo percebe que não consegue realizar seu intento.

Passam, então, a viver com mais esse problema angustiante de não conseguirem, por si mesmos, livrarem-se de algo que reconhecem como sendo algo prejudicial à sua vida e à dos outros e pouco podem fazer para mudar.

Muitas contribuições científicas têm procurado esclarecer as bases da dependência química,e sobre ela já acumulamos muitos conhecimentos, especialmente nos últimos 25 anos para cá e na realidade, não é novo a preocupação científica sobre as ambivalências desses enfermos. De fato, pois há anos se sabe que uma das maiores dificuldades dos dependentes é o de tomar uma decisão firme e segura quanto seu mudanças de comportamentos esse é um dos piores dilemas desses pacientes, isto é, permanecer bebendo e usando drogas muito embora queira de certa  forma parar.

Há muitos trabalhos científicos, especialmente realizados com esquizofrênicos e portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que também apresentam sintomas clínicos de ambivalência e muitas dificuldade em tomar decisão. No universo das doenças mentais, muitas enfermidades impedem esses enfermos de tomarem decisão com adequação.

Tomar decisão é uma atitude que, semelhantemente a muitas outras, implica no equilíbrio neurofisiológico do cérebro, de tal forma que qualquer alteração que haja nesse órgão poderá acarretar prejuízos formais às funções regidas pelo mesmo. Avançou-se tanto no campo da neurociência do comportamento acerca da capacidade de decidir dos seres humanos que hoje se fala até em uma “neuroanatomia da tomada da decisão”, isto é, na existência de uma área do cérebro encarregada de garantir a capacidade humana de decidir.

Evidentemente, que  decidir, é uma ação ultra complexa, não se revela tão somente por uma disfunção verificada apenas em uma estrutura neuroanatômica e funcional do cérebro, decidir requer respostas em bloco, originadas a partir da inter-relação de diferentes partes desse órgão.

A ciência descobriu uma área importante do cérebro, que quando não funciona adequadamente, provoca, entre outras coisas, a incapacidade de tomar decisão. Esse conhecimento foi certamente um dos mais importantes avanos  em neurociência, dos últimos anos pois se esclarece um dos sintomas cruciais da dependência de álcool e outras drogas, qual seja a indecisão sobre parar de beber ou usar drogas, mesmo sabendo dos graves problemas ocasionados por essa prática. Isso explicaria, entre outras coisas, o fato de o alcoolista e de outros dependentes repetirem, compulsivamente, o consumo da substância.

Todos sabem que álcool e outras drogas, por agirem no cérebro, acarretam importantes disfunções em diferentes áreas cerebrais, as quais irão repercutir na saúde física, mental e comportamental desses usuários. A tomada de decisão é uma delas. Essa capacidade implica um mecanismo que integra estímulos recebidos, relaciona valores, verifica objetivos de vida, estado emocional e situação social das pessoas. Envolve flexibilidade, planejamento e, sobretudo, pensar nas conseqüências sociais e pessoais do comportamento.

As contribuições neurocientíficas, que nos ajudam a entender melhor a indecisão, vêm se desenvolvendo há alguns anos e a região cerebral arrolada com essa função é denominada córtex óbito-frontal, região extremamente importante para processar, avaliar e filtrar informações sociais e emocionais. Essa região anatomicamente compõe uma superestrutura cerebral das mais importantes para o comportamento dos humanos e, entre outras coisas, torna o homem diferenciado dos outros animais. É a parte do córtex cerebral da região pré-frontal dorso lateral esquerda, situada na região retro orbitária. Todo comportamento tem relação com o córtex óbito-frontal, mas não se pode classificar a sua função em relação ao comportamento em uma única categoria.

Esses achados abrem novas perspectivas para a conquista de conhecimentos imprescindíveis para realização de tratamentos, sobretudo farmacológicos, mais eficazes aos dependentes de álcool e de outras drogas, bem como inauguram novos horizontes e oportunidades de se compreender melhor a clínica da indecisão patológica.

 

 

 

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Avanços e Retrocessos em Psiquiatria

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Avanços e Retrocessos em Psiquiatria

As doenças mentais, inexoravelmente, caminham para uma cronificação e essa evolução é da natureza desses transtornos. Ocorre, que essa evolução não é prorrogativa única das doenças psiquiátricas, pois, a maioria absoluta das doenças humanas, evoluem também nesse sentido. Vejam-se as doenças metabólicas, autoimunes, cardiovasculares, renais, hepáticas, endócrinas, reumatológicas e assim por diante.

Particularmente, o tratamento das doenças mentais, desde seus primórdios até aos dias atuais, evoluiu muito, ao ponto de muitas dessas enfermidades hoje já não representarem grandes ameaças, mesmo sabendo-se que elas poderão caminhar para o “status de doença crônica”.

Essa evolução terapêutica é atribuída, entre ouras coisas, aos modernos conhecimentos sobre a fisiopatologia, neuroquímica e genética das grandes síndromes psiquiátricas, entre essas as depressões, a esquizofrenia, os transtornos de ansiedade, as dependências químicas, as demências entre outras. É também atribuída ao advento de modernas técnicas diagnósticas que favorecem o diagnóstico precoce dessas doenças e ao descobrimentos de modernos psicofármacos, moléculas capazes de mudarem drasticamente  a clínica e o curso natural dessas enfermidades. Por último, atribui-se esse crescimento ao surgimento de modernos aparelhos que promovem neuromodulação do funcionamento do Sistema Nevoso Central, sede material das doenças mentais.

Muitas pessoas poderiam tornar-se incapazes e improdutivas do ponto de vista laboral e social, caso não lhes fosse oferecida a possibilidade de um bom tratamento em Psiquiatria. Quando isso ocorre, a vida da pessoa portadora de uma dessas doenças pode mudar inteiramente.

Ocorre que, apesar de toda evolução até então empreendida nessa especialidade médica, há ainda fatores que contribuem negativamente quanto ao manejo dessas enfermidades mentais. O principal deles, sem qualquer dúvida, é preconceito/estigma que ainda existe em torno dessas doenças.

Esses são enormes, desumanos, segregadores e marginalizantes e representam tudo que não presta em desfavor dos enfermos, dos seus familiares e dos que transitam em seu entorno. Hoje, a nossa maior arma de contestação são os conhecimentos modernos da Psiquiatria, que nos permitem entender que as doenças mentais são doenças como outras quaisquer, respeitando, certamente, as particularidades clínicas, pessoais e socioculturais que há em cada uma delas.

A enfermidade mental, como as outras, dispõe de uma fisiopatologia, isto é, um mecanismo que explica a forma como a doença ocorre, tem um curso natural, uma evolução, é absolutamente tratável e muitas delas curáveis ou controladas clinicamente, tendo um prognóstico que pode ser favorável ou desfavorável, e são preveníveis e evitáveis. Além disso, sofrem também influências diretas das condições sociais, políticas e econômicas, como o que ocorre em todas as doenças humanas.

A doença mental não tem nada de sobrenatural, de divino, muito menos de diabólico. Essas crenças e pechas sobre elas são seculares e provêm de época onde imperava o obscurantismo no pensamento psiquiátrico, épocas, em que não se sabia nada comparativamente ao que se sabe hoje, sobre essas enfermidades. Hoje, a Psiquiatria moderna, se inspira na evolução do conhecimento neurocientífico. O que se discute atualmente é a neurobioquímica, a genética, a imunologia e a neurofisiologia das doenças mentais à luz da neurociência e da farmacologia clínica. Hoje, o que se discute, é a implantação de Deep Brain Stimulation – DBS no cérebro dos humanos para se controlar muitas doenças mentais e neurológicas que anteriormente eram verdadeiros desafios a ciência comportamental.

Modernamente, para os diagnósticos em Psiquiatria, utilizam-se instrumentos de última geração como a Tomografia por Emissão de Pósitrons e a Ressonância Magnética Funcional. Acabou-se, definitivamente, o “achismo”, comum no período obscuro e mágico da prática psiquiátrica, onde a bruxaria predominava ou onde os doentes mentais eram sacrificados por serem considerados possuidores de forças sobrenaturais.

A psicofarmacologia atual dispõe de um volume grande de medicamentos altamente eficazes, que se bem aplicados e em um tempo correto, são capazes de impedir que alguém se mate ou mesmo que mate alguém. Pode prevenir o reaparecimento de sintomas de uma doença crônica, ou ainda evitar que o um paciente leve uma vida sem qualidade ou ter que passar a vida inteira internado em um hospital psiquiátrico, devido aos altos e baixos de sua doença, impedindo-os de levarem uma vida feliz e estável.

Outros tratamentos na atualidade usam técnicas sofisticadas como a Estimulação Magnética Transcraniana – EMTs, procedimento que através de equipamento especializado, gera uma corrente eletromagnética, que por sua vez, estimula o cérebro funcionar melhor, representa atualmente um recurso fabuloso no tratamento de depressões resistentes (crônicas) e depressões refratarias, as quais, não respondem a nenhum tratamento medicamentoso. EMTs é uma técnica não invasiva, indolor e altamente eficaz no tratamento dessas condições citadas acima, podendo inclusive ser aplicada em outras condições clínicas.

A aplicação da moderníssima Eleroconvulsoterapia – ECT, através de aparelhos modernos, altamente eficazes, que monitoram todo o curso e evolução do tratamento proposto aos enfermos. Também indicado para depressões com algo risco de suicídio, refratárias e resistentes.

Enfim, os tempos mudaram, acabaram-se as bruxas e as bruxarias. A doença mental não é mais um bicho de sete cabeças que nos assustava e sobre as quais poderíamos fazer muito pouco. Hoje, já sabemos bastante sobre elas e as perspectivas são cada vez melhores para os próximos anos. É o futuro chegando mais próximos de nós, onde muitas outras coisas ainda mais importantes surgirão, porém, enquanto esse futuro não chega, devemos fazer uma cruzada geral para destruir definitivamente os piores inimigos da doença mental, a ignorância científica e os preconceitos.

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Mulheres, não bebam se estiverem grávidas!  

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Não é de hoje que o mundo todo chama nossa atenção para uma questão sumamente importante, qual seja, o uso de bebida alcoólica no período de gravidez. Há muito tempo que sabemos, também, que os danos à saúde do bebê e das suas mamães são enormes quando ambos se expõem ao uso dessas bebidas.

Mãe e filho (a) estão visceralmente ligados através da placenta e permanecerão assim por longo tempo, de tal forma que tudo que ocorra com ela em matéria de ingesta de alimentos, álcool ou outras substâncias, passará também para o corpo dessas crianças. Outra coisa importante, quanto ao uso do álcool, é que não há um uso considerado “seguro” que garanta a inocuidade em seres na vida intrauterina, independentemente, inclusive, da quantidade de álcool consumido, pois vários fatores podem interferir no metabolismo, mecanismo de ação e excreção dessa substância no corpo da mãe e do feto, especialmente nos três primeiros meses de gestação. A própria ingestão de bebidas deixa a gestação em situação perigosa, arriscada e com muitas possibilidades de inviabilizá-la. Quanto mais pesado for esse do consumo, piores serão as consequências.

Microcefalia, alterações faciais, renais, cardiopatias, retardo mental, dificuldades na aprendizagem, hiperatividade, deficit de atenção, alterações na psicomotricidade, na cognição e na adaptação psicossocial, podem ser consequências diretas do consumo do álcool, pelo feto, através da ingesta dessa bebida pela mãe.

Além dessas alterações, acrescenta-se o abortamento, natimortos e o principal transtorno, a Síndrome Alcoólico Fetal, conhecida pela sigla SAF. Essa não tem cura e as consequências para acriança são avassaladoras e para o resto da vida. Muitas crianças com SAF morrem antes de completar cinco anos devido a precariedade de seu nascimento, desenvolvimento e das suas defesas naturais.

Todos os órgãos e sistemas biológicos da mãe e do bebê são afetados pela ação do álcool etílico, principalmente o cérebro da criança pois está em processo de desenvolvimento. O cérebro é um órgão ultra complexo que comanda nossa vida. É um órgão nobre e um dos mais importantes dos seres humanos, sendo nele que age o álcool etílico. Ao ser afetado pode provocar graves transtornos neuropsiquiátricos e comportamentais.

O cérebro desempenha um papel preponderante em todas as atividades do corpo, das emoções, da cognição e do comportamento. É tão importante que na ausência de sua atividade define-se a morte clínica. A maturação do cérebro, desde o nascimento até idades posteriores, é mantida por um volume de mais de 100 bilhões de células nervosas, sendo que ao longo dos dois primeiros anos de vida com o crescimento contínuo do volume do cérebro, constitui-se um período de grande vulnerabilidade.

O cérebro em distintas fases do seu desenvolvimento sofre a influências de muitos fatores: estresse agudo e crônico, uso de álcool, tabaco e de outras drogas, traumas psicológicos e emocionais, problemas psiquiátricos, privações econômicas, desnutrição e muitas outras situações negativas, as quais podem interferir com sua funcionalidade.

A neuroplasticidade, capacidade de mudança e reorganização dos neurônios ocorre de acordo com mudanças ambientais, experimentais, sociais, físicas e lesões graves do cérebro, é o que nos garantirá a adaptação psicossocial e comportamental, por conseguinte, a presença do álcool nessas condições fatalmente afetará de forma negativa a saúde mental e o desenvolvimento psicomotor dessa criança. Outros fatores, como: som, tato, visão, olfato, comida, pensamentos, traumatismos e doenças sistêmicas e locais, bem, podem interferir também em sua funcionalidade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo SBPP, esse ano, lançou uma campanha, de abrangência nacional, denominada “Gravidez sem álcool”, justamente, para reforçar o cuidado que deveremos ter com mulheres que bebem nessas condições de gravidez.  Ainda nesse ano, a Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro – SOPERJ reedita a campanha, juntamente com outras sociedades de especialidades médicas, como a de Ginecologia e Obstetrícia, com o mesmo propósito.

Os danos à saúde do bebê e das parturientes quando expostos ao álcool são por demais graves e conhecidos. Só para se ter uma ideia, em uma hora de ingestão, a taxa de álcool no corpo da mãe será a mesma da criança. A diferença é que a mãe bebe pela boca e a criança irá beber por uma veia. O álcool etílico é o responsável número 1 para casos de Retardo Mental e Teratogenias no mundo ocidental (deformidades e alterações graves no feto).

Uma das síndromes mais graves, ocasionada pela exposição do feto ao álcool, como já dissemos acima, é a Síndrome Alcoólico Fetal – SAF, que foi identificada pelo pediatra e pesquisador francês Lemoine, em 1968. Na França, ela atinge mais de 8 mil recém-nascidos/ano. No Brasil, cerca de 50 mil bebês/ano são vítimas da (SAF). No mundo, anualmente, este número chega a um milhão.

Diante do exposto, fica a pergunta: será que essas mães gestantes sabem claramente que ao beberem estão expondo seus bebês e a sua própria vida em situação de alto risco?

Será que os Gestores da Saúde, os Coordenadores de Programas Pré-natais ou de Aleitamento Materno, Diretores de Hospitais Materno – Infantis, de Ginecologia e Obstetrícia, não poderiam propor ações mais concretas para o enfrentamento desses problemas? Será que o Ministério da Saúde (MS) não poderia tornar a SAF sob notificação compulsória, para mostrar sua realidade em nosso país e nos ajudar a enfrentá-la? Será que as Universidades, que formam esses profissionais, não poderiam participar dessa luta e tratar esse tema com maior rigor nos diferentes cursos de formação em saúde?

Eis o grande mérito dos Pediatras, Ginecologistas e Obstetras de São Paulo, e suas Entidades Profissionais, ao proporem um evento com tamanha envergadura, alertando mães, autoridades, crianças e adolescentes sobre todos esses riscos do consumo de álcool durante a gravidez. A iniciativa fez parte da Semana de Combate e Prevenção à Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), promovida pela SPSP, Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Parabéns, aos colegas, fica aqui o recado!

 

 

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Os vícios da vida moderna

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Os vícios da vida moderna

O termo vício segrega, marginaliza e não define essencialmente o sentido para o qual é aplicado, muito embora ainda seja muito utilizado em diferentes sentidos e ocasiões. É um termo preconceituoso e excludente do ponto de vista pessoal e social. Em Dicionário Etimológico Nova Fronteira, do Latim, “vitiun”, significa “defeito grave que torna uma pessoa inadequada para certos fins ou funções”. O viciado se inclina para o mal e é considerado desagregado, descontrolado e sua conduta é desaprovada e condenável, sendo ainda considerado por alguns um “devasso licencioso”.

À luz da Psiquiatria moderna, o termo está em desuso e quando ainda se aplica relaciona-se aos indivíduos com maus hábitos, em especial para usuários de álcool, tabaco e outras drogas. Sobre esses usuários, ainda hoje predomina uma visão moralista sobre o assunto, por isso mesmo eram pessoas, injustamente, alijadas do convívio social. Modernamente, a designação de “viciado” foi substituída por “usuário disfuncional ou dependente”.

Com o avanço científico e tecnológico, marca indelével da vida moderna, vem surgindo diferentes comportamentos humanos, que do ponto de vista pessoal e social, não são muito diferentes dos que existiam antes do desenvolvimento destas tecnologias. Alguns dos comportamentos da modernidade e da pós-modernidade são bem parecidos aos comportamentos dos “antigos viciados em drogas”. A grande diferença é que no lugar das drogas de abuso, estão presentes os modernos equipamentos tecnológicos desta nova sociedade tecnocrática. Esses “vícios modernos”, produzidos pela era digital e tecnológica, e muitos outros comportamentos originados das modernas tecnologias, passaram a ser denominados “vícios eletrônicos”.

Capitaneando todas estas inovações e redefinido novos paradigmas nas relações humanas, está a internet, um recurso fabuloso inventado pelo homem moderno a partir da grande teia de computadores que está transformando o mundo real em um mundo virtual e o homem em um Cyberman. A internet o deixou menos singular e mais global, menos local e mais telúrico, menos material e mais virtual, mais cético e menos crítico, mais lógico e menos sensível.

Entre os filhotes dessas tecnologias modernas estão os tabletes, os smartphones, as redes sociais, os computadores modernos, as TVs inteligentes e interativas e muitos outros aparelhos eletrônicos, fabulosos, que conquistaram o homem moderno, definitivamente. Esses compõem a tecnologia digital contemporânea, os quais nos dão tudo que precisamos para viver com o menor esforço possível, o que nos agrada muito.

Os brinquedos e jogos eletrônicos, o ensino, o conhecimento, o lazer, o trabalho tornaram-se mais simples e fáceis, efetivamente ao nosso alcance. Os avanços prosseguem e a todo instante nos surpreendemos com tantas novidades, descomplicando a vida.  Houve tanta mudança nessa área que hoje namora-se, noiva-se, casa-se, viaja-se, forma-se, estuda-se, sem sair de casa ou do local onde se está.

As filhotas da internet são as redes sociais. O Brasil detém o terceiro lugar no ranking internacional de acessos às redes sociais, especialmente Faceboock, Instagran, Tweter e Linked-in. Talvez não haja algo mais sedutor e prazeroso do que você falar com todo mundo sem abrir a boca, cumprimentar a todos sem estender as mãos, tornar-se visível ao mundo com um selfie, ir a todos os lugares sem sair de casa.  Amar ou se apaixonar por alguém sem sentir seu cheiro, seu corpo ou sua voz. Seguir ou ser seguido por milhares de pessoas sem conhecê-las, sem apertar suas mãos, ou abraçá-las. De trabalhar, produzir e ganhar dinheiro sem sair de casa. E todos esses comportamentos carregados de muito prazer e contentamento. Que coisa fabulosa! Diante de tudo isso, o que mais queremos para o futuro?

Todos esses ganhos e benefícios fizeram com que os incautos e exagerados fossem “fundo ao pote”. Mergulharam de cabeça, profundamente, neste mundo virtual, maravilhoso e mágico e perderam os limites. Ficaram doentes e adoeceram suas famílias. Esta é a mais nova categoria de doentes mentais que se insurge nos tempos modernos, produzidos pela era eletrônica, ou seja, os dependentes em eletrônicos.

O perfil epidemiológico dessas pessoas, dependentes de redes sociais, smartphones, tabletes, WhatsApp, e outros meios e equipamentos tecnológicos, está sendo construído, acredito que em um futuro próximo se possa saber melhor psicopatologicamente quem são esses “viciados em tecnologias”. Por enquanto, de oficial, somente os dependentes de jogos eletrônicos estão incluídos na nosologia psiquiátrica pela Organização Mundial da Saúde – OMS. São enfermos tão graves quanto os dependentes de álcool e de outras drogas, pois se revelam de forma sutil, progressiva e insidiosamente e vão evoluindo lentamente. Quando menos se espera, já apresentam distúrbios comportamentais, emocionais, afetivos e relacionais graves, acompanhados de desadaptação psicossocial, ocasionados pelo apego disfuncional aos eletrônicos e redes sociais.

Para agravar mais ainda essa situação, a “enfermidade eletrônica” revela-se não somente pelo apego doentio a esses sistemas, apresentam também profunda solidão, não conseguem viver sem esses equipamentos ou redes sociais, referem ansiedade e desprazer. Ao não ter acesso aos mesmos, isolam-se de todos, passam mal, tornam-se desadaptados, abandonam outras atividades que lhes são importantes, desrealizam-se, apresentam medos na convivência, tornam-se desconfiados, inseguros e depressivos. Esses, são alguns dos atributos psicopatológicas encontrados nessas personalidades.

Do ponto de vista médico, o diagnóstico e o tratamento desses enfermos se constituirá como um dos mais importantes desafios para a Psiquiatria moderna, para a Psicologia e para a saúde mental, pois o número deles é cada vez maior e os danos à saúde mental e social são avassaladores.

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Sobre o viver bem

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                                                                   Recentemente vi circulando nas redes sociais, um vídeo do Ayrton Senna, o qual em uma entrevista, entre as centenas que dera na vida, revia seus feitos, suas lutas e desafios. No vídeo, depois de uma reflexão sobre sua vida, se dizia um homem feliz de sucesso, um privilegiado e possuidor de uma vida muito boa. Mais adiante, assinalava que independente de quem sejamos ou o fazemos, independentes das condições sociais de cada um e, independentemente, da idade que se tem, deveríamos, na vida fazer tudo com dedicação, com perseverança, com um desejo ardente de vencer, no seu caso, usou disso não só como piloto de Fórmula 1 e sim na sua vida. Dizia ainda, que o que venhamos a fazer o façamos com determinação, com muito amor e fé em Deus que assim se chega onde si quer.

                   Ouvi atentamente a mensagem do Senna e me pus a refletir sobre suas “recomendações” pois, ao que se sabe, fora um homem realmente muito bem-sucedido em sua profissão como esportista, como empresário e na vida pessoal, portanto, é bom ouvir o que essas pessoas têm a nos dizer. Viveu bravamente, conquistou muitas coisas, muitas homenagens, vitórias, troféus, medalhas e muitos outros prêmios, além de conquistar aplausos, o coração das pessoas em sua volta e, sobretudo, o reconhecimento internacional de um grande campeão como piloto de fórmula 1, teve uma vida gloriosa.

        Quando ele nos fala de dedicação, de perseverança, de desejo ardente de vencer, de determinação, amor e fé em Deus, ele não está se referindo a nada exótico, exotérico ou fora do nosso alcance. Está falando de algo razoável, de algo simples, de algo que todos, de uma forma ou de outra poderia exercitar. De algo que se espera que todos façam para alcançar seus desejos. Ayrton Senna, não falou de nada em que nós em condições normais de vida, não possamos dispor. Ele chama a atenção justamente para isso, isto é, para se viver bem, rumo ao que se quer, é preciso que haja esforço, empenho e dedicação e afinco.

           Todas aquelas virtudes, por ele citadas, fazem parte dos nossos atributos, do repertório das habilidades humanas os quais estão potencialmente dentro de cada de nós. Muitos, infelizmente, ainda não souberam como explorar sua intimidade e estimular tais prerrogativas em seu próprio benefício.

           Exercitando adequadamente esses atributos a vida se torna mais simples e a chance de vencer na vida é maior, devemos, pois, acordar essas virtudes e se lançar para o mundo. De fato, as pessoas que vencem na vida e se dão bem com a vida que levam, de uma forma ou de outra, souberam explorar essas qualidades, de ter foco, determinação e denodo e dedicação no que fazem. Usam bem essas ferramentas mais que as outras pessoas que fracassaram na vida.

          Esse fato me fez lembrar outro acontecido. Recentemente, o ler alguns textos sobre audácia, me veio à mente um de Linda Bortoletto, ex-comandante de polícia na França que se tornou aventureira, conferencista e organizadora, na atualidade, de um movimento denominado de “Marcha pela Audácia” e nesse texto ela diz: audácia é um mecanismo que surge mais frequentemente em pessoas que se conhece melhor e quem têm mais intimidade consigo mesmo.

             Ouvindo o Ayrton exortar aquelas virtudes e relacionando-o ao dizer da escritora escreveu, verifica-se que há algo comum, pois em ambas as situações se exorta as virtudes ou dotes do interior do ser humano. Dedicação, perseverança, determinação, audácia, amor e fé em Deus, condições que brotam de nossas entranhas, da nossa interioridade. Essas virtudes não estão nos objetos que se compra, no que se vê ou veste. Não está nos carrões, na joia nem no volume de dinheiro que alguém usa ou guarda. Não está na idade, na sua profissão ou no que és ou fazes na sociedade. Esses dotes estão dentro de cada sujeito, dentro de cada um de nós, em nossas entranhas.

           Nesse momento, mais uma vez, me veio à mente a beleza e a importância do aforisma atribuído ao grego Tales de Mileto, Nosce te Ipsum, Conhece-te a ti mesmo, condição que nos leva para nosso interior e nos dá a garantia de saber quem somos, o que queremos e para onde caminhamos. Essa é a chave do sucesso na vida. Através do autoconhecimento você chega facilmente aos seus dotes, às suas virtudes e a esse arsenal gigantesco de força e poder que temos guardado dentro de nós e em geral não usamos ao longo da vida

            É através do autoconhecimento que ampliamos nossa consciência sobre nós mesmos e sobre o mundo e isso é a principal e mais importante maneira ao nosso dispor de vencermos na vida. Essas ferramentas indispensáveis para vivermos bem e ter uma vida exitosa que o Ayrton Senna nos falava, faz parte do arsenal das habilidades humanas, e semelhantemente a muitas outras, basta que cheguemos até elas e as estimulemos para que possamos desenvolvê-las para nos fortalecer.

             Dedicar-se ao que se faz, nada mais é, que empenhar-se ao máximo à tudo que fazemos. É nos abstrairmos de outras coisas ou tarefa e focarmos em uma. É nos concentrarmos em nossas atividades. É ter zelo, denodo estima e empenho nos nossos afazeres. Dedicar-se e conhecer mais e mais fundo nossos feitos.

            Perseverar sempre, é insistir, persistir é não desistir nunca ante teus propósitos e metas na vida. É manter sua determinação em uma possibilidade. Muitas vezes as dificuldades, os embates e os contratempos se esbarram na consecução desses ideais e nessas ocasiões, muitos desistem e se deixam levar por desalentos, desestímulos e desencantos, se deixando abater por tais eventos. Porém, há de se permanecer perseguindo o que se quer a luta não se encerra, é justamente nesses momentos que se deve perseverar, manter-se convencido onde quer chegar e o que deve fazer para tanto. Deve permanecer lutando e prosseguir no rumo do que ela quer.

                   Dizia ainda o Senna, para fechar com chave de ouro suas palavras, que tudo façamos com amor e Fé em Deus. Condições imprescindíveis para se viver, para se lutar sobre o que se quer e para vivermos bem na vida, sem essas duas condições dificilmente as outras se efetivarão. O amor é nossa força inspiradora, é o que nos inspira, nos protege e nos garante a prerrogativa da vida. A fé nosso combustível, das vivências humanas é que nos fortalece e nos guarda. É quem nos faz suportar as agruras, a dor e o sofrimento dos fracassos e insucessos que eventualmente se nos sucedem. A fé é a certidão de garantia das nossas atitudes e propósitos.

 

 

 

 

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Tratamento não-farmacológico do alcoolismo

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Em artigo anterior, publicado nesse Jornal, abordei o tratamento farmacológico do alcoolismo e chamava-lhes a atenção para dois aspectos importantes sobre esse assunto: a importância dos medicamentos atuais no tratamento da enfermidade alcoólica, considerando que esses fármacos, interferem, eficazmente, na compulsão do consumo do álcool, reduzindo, de forma drástica, essa compulsão, levando esses doentes a pararem ou a diminuírem a ingesta de bebidas. E, que, o tratamento farmacológico é um recurso a mais, no conjunto das medidas que podem utilizadas no tratamento do alcoolismo, pois só essa abordagem, isoladamente, não seria o mais recomendado.

Nesse artigo, tratarei de outros tratamentos ditos não-farmacológicos do alcoolismo, recursos tão importantes quanto os primeiros, na abordagem dessa doença. Esses outros tratamentos, são recomendados em razão da alta complexidade da doença alcoólica e dos inúmeros problemas médicos, psicossociais e comportamentais, relacionados a ela, exigindo, por isso mesmo, múltiplas abordagens.

Esses tratamentos, são: AA e grupos de autoajuda (Modelo Minnesotta); Entrevista Motivacional e estágios de mudanças; Terapia Breve e técnicas de moderação; Prevenção de Recaída; Terapia de família e Psicoterapia de dependência química.

Alcoólicos Anônimos – AA, é uma irmandade de homens e mulheres alcoólicos, que se reúnem sistematicamente, em determinados lugares da comunidade e nessas reuniões compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver problemas comuns e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O AA é uma das mais importantes instituições de autoajuda que existe na face da terra e tem prestado um serviço altamente valioso na recuperação de milhares de enfermos alcoólicos.

O AA foi fundado em 1935, em Akron, Ohio, EUA, portanto há 83 anos. E daí se espalhou pelo mundo. O único requisito para se tornar membro do AA é o desejo de parar de beber. Seu propósito primordial é manter seus membros sóbrios e ajudar outros dependentes de álcool a alcançarem a sobriedade. No Maranhão, o AA, foi fundado em 03 de janeiro de 1957, portanto, hoje com 61 anos e com dezenas de grupos aqui na ilha e em outros municípios do estado, presta excelentes serviços na recuperação de alcoólatras de nossa sociedade. Dezenas de municípios do estado dispões de grupos de AA. O contato da Central de Serviços é 3222 40 50.

Entrevista Motivacional e Estágios de Mudança. Outra modalidade importante no tratamento e na reabilitação de dependentes de álcool. É uma intervenção terapêutica que visa ajudar as pessoas a reconhecerem e modificarem seus comportamentos, aqui no caso o alcoolismo. São técnicas especializadas que visam mudar comportamentos e os conflitos, envolvendo a necessidade de mudança no estilo de vida dos dependentes.

Essa intervenção pode ser utilizada no tratamento de diversos problema, além da dependência química, e em todas as ocasiões, exige-se a disposição de mudar (motivação), e tratar das ambivalências comportamentais, além de exigir mudança de comportamento, como no caso de transtornos alimentares, do jogo patológico, de dependência de álcool e outras drogas, e até mesmo em comportamentos não-patológicos com o objetivo de promover a saúde mental.

A Entrevista Motivacional (EM) é uma intervenção terapêutica individualizada e busca aumentar a adesão ao tratamento dos paciente. Busca também, promover as mudanças necessárias para o enfrentamento do comportamento-problema e manter a pessoa mais segura na nova situação. Além do mais, a EM, também se orienta no sentido de evitar as recaídas tão frequentes entre esses enfermos.

Terapia Breve e técnicas de moderação. Outra técnica importante no manejo terapêutico do alcoolismo. Apresenta resultados terapêuticos bastante eficazes através de sessões realizadas em tempo curto, ocorre um atendimento semanal. São muito eficazes, dirigidas e focadas no enfrentamento do problema da pessoa e apresenta melhoras significativas já nos primeiros meses de tratamento. A técnica exige uma participação ativa do paciente e do terapeuta e trabalha a motivação de mudanças do paciente. Essa técnica não é específica para tratamento só do alcoolismo e de outras drogas, podendo, portanto, ser aplicada para o tratamento de outras condições psicopatológicas.

               Prevenção de Recaída. Trata-se de uma técnica desenvolvida nos anos de 80 e corresponde a uma das mais importantes abordagens que podemos oferecer aos enfermos dependentes de álcool e de outras drogas. O alcoolismo e a dependência química em geral são transtornos graves, de evolução lenta, crônica e recidivante. Isso é, o paciente alcoólico, não pode se dá ao luxo de beber depois que faz um tratamento e se recupera, devido a alta possiblidade de recaírem, ao voltarem a beber. Essa técnica, bem aplicada e de forma competente, impedi que isso ocorra, mantendo o enfermo abstinente e sóbrio.

               Terapia de família. A dependência química e o alcoolismo, em particular. é certamente, uma das doenças mentais que mais têm impacto na relação e na saúde familiar. Famílias de alcoólicos, sofrem tanto ou mais que os próprios enfermos. Filhos, esposos, maridos, ninguém escada. O sofrimento é geral e isso torna essas famílias muito vulneráveis ao desenvolvimento de muitas doenças afetivas, emocionais e comportamentais, não só ocasionada pelo comportamento idiossincrásico direto do parente enfermo, como também, por não saberem como lidar com os mesmos. Não raro, familiares de alcoólatras precisam de tratamento em razão desses problemas. A Terapia Familiar, portanto, é esse recurso destinado a tratar familiares desses enfermos. Apresenta resultado muito satisfatórios.

A Psicoterapia da dependência química, formalmente, é um outro recurso importante na abordagem desses enfermos dependentes de álcool e outras drogas. A técnica mais recomendada, atualmente, é a Terapia Cognitivo-Comportamental – TCC, muito embora, outras abordagens possam ser recomendadas. Essa técnica corresponde a um conjunto de recursos psicoterapêuticos aplicado aos enfermos, visando a mudar seu comportamento dependente. A técnica, busca a reestruturação cognitiva, a partir de uma conceituação cognitiva do paciente e de seus problemas, com vistas ás possíveis mudanças. Terapeuta e paciente têm papéis relevantes no desenvolvimento do processo de recuperação. A técnica tem um tempo previsto de tratamento, meio e fim.

 

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As graves incongruências do dia a dia

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Hoje assistir duas cenas inconciliáveis. De um lado os noticiosos anunciam que o Congresso Nacional passa a mão na cabeça do Senador Aécio Neves e o acolhe de braços abertos, devolvendo-lhe todos os seus direitos e prerrogativas, apesar das atitudes e ações que o mesmo, despudoradamente,  tomara junto a família Batista. Por outro lado, há poucos minutos, na entrevista concedida a Globo News, o ilustre Juiz Sérgio Moro, exortava, a necessidade de que os políticos brasileiros adotassem medidas e ações mais arrojadas, a partir dos ensinamentos da Lava – a Jato, no sentido de proteger o país de forma mais conclusiva, dos corruptos e desonestos. Dá pra entender?

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A crise na política e dentro de nós

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Atualmente o que mais se ouve falar é de crise. Crise de todos os tipos e de diferentes gravidades. Como um evento humano, é através dela que se promovem as mudanças fundamentais nos processos vitais. As crises, independentemente de sua natureza, têm de ser identificadas, enfrentadas e modificadas. Esses são os três grandes desafios sobre os quais as crises se sustentam. São etapas necessárias à sua expressão e ao seu manejo.

Crise, etimologicamente, é alteração, desequilíbrio dúvida, incerteza, tensão conflito. É um momento transitório de desequilíbrio ou de instabilidade, em que se evidencia e se sinaliza a necessidade de mudança, mais ou menos radical, em um dado processo ou momento. As crises se instalam em condições inevitáveis pois é um fenômeno, naturalmente presente em situações, épocas e fases da vida e ocorrem em processos físicos, geográficos, políticos, sociais e humanos, pois como seres viventes e em movimento permanente, entram em equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio constantemente.

A crise, seja qual for, nunca se define ou se encerra em si mesma. É Sempre contextualizada em sua expressão e em sua magnitude. Se sucede, se interrompe e se sucede, eis a crise. Um constante interceder e intercalar de eventos, todos em direção ás mudanças e a evolução. Em condições naturais, as crises sempre evoluem em uma direção.

É utópico imaginarmos um mundo sem crises, em qualquer etapa ou momento em que ele se encontra. São eventos indispensáveis e sem as quais a própria vida perde o sentido e se desnaturaliza. Os eventos ocorrem e as crises se sucedem e em cada uma delas dentro e fora de nós, e assim prosseguimos.

No imaginário social, cultural e psicológico, sempre se associam as crises com algo ruim, fatal, e inexoravelmente trágico. Nessa expectativa, passa a ser uma condição que nos inspira medos, inseguranças e perplexidade. A rigor nos conduz a expectativa, contemplação e imobilismo, sobrevindo interrogações: e agora, para onde vamos, o que vai acontecer, o que podemos fazer? Nossa geração vem enfrentando crises sucessivas predominantemente políticas, econômicas, éticas e todas graves e desfavoráveis. Em todas nos sentimos frágeis.

Nossa história é repleta disso. Na história do homem, no globo, o que não faltam são momentos ou estados de crise que ocorrem desde os primórdios da humanidade. E, se voltarmos a visão para nós mesmos veremos que tais fenômenos, na dimensão ontológica, fazem-nos perceber que nossa vida é uma sucessão infinita de crises, sem as quais não avançaríamos.

Mas, se é assim, porque tanta reclamação? Tanto descontentamento? Tanta frustração, tanto medo e tanta expectativa negativa pairando na cabeça das pessoas? Guardando as devidas proporções, cada um de nós vive esse momento, de forma muito particular, assim como particulares são as respostas que cada um atribuirá a seu momento, seu tempo e a sua história.

Abstraindo-nos um pouco da visão filosófica e antropológico-existencial que dei ao conceito de crise no primeiro momento desse artigo, essas que vivemos atualmente, com fortes bases éticas, são impostas. Não são naturais, foram condições que se nos impuseram irresponsavelmente e de forma impiedosa. São situações impostas, de forma artificial e incongruente, portanto, evitáveis. Gera ameaças social, psicológica e cultural, manipuladas. Essas crises que se nos impuseram não estão a favor da vida, da mudança ou a serviço da plenitude dos seres humanos. Estão a serviço da arrogância, do despudor, e da violência do grupo político que cuida desse país.

São condições determinadas, por pessoas indiferentes, insensíveis e vaidosas, que fazem parte de quadrilhas poderosíssimas e que defendem grandes interesses econômicos, financeiros e de mercado. São crises importas por ditadores, sabidos, larápios, criminosos e aproveitadores da boa-fé de todos e preferentemente dos mais humildes. Crises fabricadas por grupos políticos indiferentes ao sofrimento e ao bem-estar social.

Dessa forma, o que está em jogo não é uma crise em seu sentido antropológico e filosófico, como procurei demonstrar acima. O que está em jogo é o sentimento de mal-estar geral e de indignação profunda, que a cada dia nos abate ao percebermos que os fatos se agravam. O que está em jogo é o sentimento de frustração e decepção oriunda da inépcia de gestores públicos, no trato da coisa pública. O que está em jogo é a revolta de assistirmos impávidos as negociatas, as impunidades, as injustiças, os crimes, a violência, a improbidade, etc.

O que está em jogo é a frustração de termos sido enganados em nossa credulidade e inocência ao se constatar a decadência moral revelada pela face triste de uma criancinha, com fome que não tem onde morar. Ou de uma mãe ou um pai desempregado que não sabe o que fazer. Ou ainda, o desespero da professorinha, que já não sabe se ensina ou se educa, ou qual é mesmo seu papel pelas incongruências, onde família, escola, sociedade e o estado, não se entendem.

Eis a crise insana, impostas por políticos insanos e desumanos, que se nos impõe uma ordem social, desumana e decadente, gerando perversidades e injustiças. Políticos inescrupulosos que ocupam cargos importantes na vida pública para se locupletarem negligenciando suas obrigações e deveres.

Devemos agora, já que a cada dia são reveladas as ambiguidades pessoais e os esquemas criminosos envolvidos nessa corrupção desvairada, lutar, ir as ruas, denunciar, fortalecendo um amplo movimento nacional de indignação e a favor da justiça e da paz entre as pessoas sérias desse pais. A luta não é simples nem fácil, mas, em uma altura dessas, não devemos nos abater nem nos conformar ou ficar só reclamando de crise. Os responsáveis por todas essas situações que nos impuseram pagarão caro, como já estão pagando de tal forma que não podemos perder as esperanças de fazer com que esses arrogantes, petulantes, cínicos e falastrões, paguem por seus crimes. Falar que estamos em crise não adianta nada, o que nos adianta agora é empunharmos nosso coração e banir esse grupo de impostores de seus postos para deixar nosso país livre para crescermos com ele.

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Atividade física e saúde mental

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Atividade física e saúde mental

A cada dia crescem as evidências que o homem contemporâneo, produto de uma era repleta de novos conhecimentos, pode viver mais e melhor. Esta é, certamente, uma das mais importantes informações, que todos nós queríamos ouvir, pois a busca da longevidade e da vida eterna é uma das mais antigas aspirações dos seres humanos e isto está se concretizando a passos largos.

Nos últimos 50 anos demos um salto muito grande na qualidade e em nosso estilo de vida atingindo índices de longevidade nunca antes alcançados, pois estamos vivendo mais e melhor. Sabe-se, que para atingirmos isto houve uma coincidência de diferentes fatores que garantiram estas conquistas: os avanços da Nutrologia, da Bioquímica, da Imunologia, da Genética, da Farmacologia de Neurofisiologia e das Ciências Comportamentais. Não se pode também desconsiderar os avanços imprescindíveis no campo da tecnologia médica, os avanços sociais e econômicos e a maior participação de todos na cadeia produtiva e no trabalho.

Por outro lado, há um contrapondo, importante, que se estabelece, contrários aos avanços citados acima.  A Revista Médica Britânica “Lancet”, há alguns anos, publicou artigo mostrando que 5,3 milhões de mortes por ano no mundo estão relacionados ao sedentarismo. Para os pesquisadores, a falta de atividade física diminui a expectativa de vida da mesma forma que o tabagismo e a obesidade. E essa condição, responde por 10% das doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e problemas cardíacos.

Em outro estudo, Pedro Hallal, da Universidade de Pelotas, informa que 30% da população mundial adulta é fisicamente inativa, e que 80% dos jovens entre 13 e 15 anos não se exercitam o suficiente. Outras informações mostram que 49% da população brasileira adulta não praticam atividade física, embora se saiba que o sedentarismo responde por 13% das mortes por infarto, diabetes e câncer de mama e do intestino.

Dados do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUP, de 2016, nos dão conta que, a cada ano, cerca de 300 mil brasileiros morreram em decorrência de doenças relacionadas à inatividade física. Em outras palavras, o sedentarismo, que como se viu, mata 5,3 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, causa no Brasil uma epidemia de doenças relacionadas à inatividade.

Especificamente sobre a saúde mental, um trabalho realizado com um grupo de mais de 700 indivíduos idosos sem demência, desenvolvendo níveis elevados de atividades físicas nas 24 horas, avaliada objetivamente pela actigrafia (que mede o ciclo de atividade/repouso através dos movimentos do pulso), verificaram que estes indivíduos apresentavam um menor risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, bem como uma taxa mais lenta de declínio cognitivo. Esta descoberta dos pesquisadores apóia os esforços dos mesmos para incentivar a atividade física, mesmo em pessoas muito idosas.

Portanto, a atividade física, diminui o risco de declínio cognitivo e demência. Isto é, uma pessoa com baixa atividade física diária, apresenta um risco 2 vezes maior de desenvolver Doença de Alzheimer (DA), em comparação com um exerça uma atividade física regular. O nível de atividade física cotidiana global está associado com uma taxa mais lenta de declínio cognitivo global, particularmente para a memória episódica, memória de trabalho, velocidade na percepção e habilidades visuais / espaciais. Isto é, todas as funções cognitivas se beneficiam com atividade física regular.

Os estudos também demonstram que não é só através do exercício físico, que se vive bem, o incremento das atividades cognitivas, ocupacionais, a arte, a criatividade, e outras atividades intelectuais, são condições que também estão associadas com um maior desempenho cognitivo e com a qualidade de vida na velhice. Indivíduos mais velhos, para quem a participação no exercício formal esteja limitada por problemas de saúde, pode se beneficiar de um estilo de vida mais proativo através do aumento de todo o espectro de atividades de rotina. Isto é, mesmo que a pessoa não pratique formalmente o exercício, mas se tem uma vida ativa, também se beneficiam evitando muitos transtornos neuropsiquiátricos.

Portanto atividade física é algo adstrito, só a promoção da beleza, mas também e principalmente, a saúde, a vitalidade e a longevidade, pois essas práticas impedem o surgimento de muitos transtornos físicos, psíquicos e sociais graves e avassaladoras, especialmente, em populações de idosos.

Não é de hoje que se sabe que a ocupação é fonte de saúde. Desde que essa ocupação seja inspirada por prazer e disposição. Isto é, exercer atividades prazerosas e que lhe dê contentamentos. Muitas pessoas, equivocadamente, ao se aposentarem de seus trabalhos habituais, ou por tempo de serviço ou por idade, abandonam inteiramente as atividades que lhes eram comuns, e se se entregam a uma vida improdutiva, ociosa, desocupada, achando que já trabalhou muito e, portanto, deve “ficar sem fazer nada”. Vejo nisso um tremendo equívoco de avaliação. Essas pessoas ao se aposentarem, o fizeram, de uma atividade formal, regular e corriqueira, porém a vida de cada uma prossegui, continua, sem interrupção e isso vai permanecer, aposentado ou não.

A vida permanece, o cérebro permanece os órgãos estão ávidos por atividades e quando se tornam impedidos disso, essas pessoas pagarão um preço caro com o surgimento de muitas doenças originarias dessa inatividade.

           Entre as doenças neuropsiquiátricas e emocionais muito comuns nessas condições, encontra-se quadros depressivos graves e outros transtornos emocionais, sobretudo, transtornos ansiosos por desadaptação ou disfuncionalidade, justamente, por se estregarem, entre outras coisas, a um sistema de vida ocioso e sedentário, duas condições absolutamente contrárias a saúde plena.

Ainda do ponto de vista da saúde mental e psiquiátrico, sabe-se, que ao nos exercitarmos, estimulamos a funcionalidade de uma rede enorme de neurotransmissores cerebrais, substâncias imprescindíveis à nossa saúde global (física, psíquica e social), sem os quais, dificilmente, desfrutaríamos com plenitude de saúde e bem-estar. São substância proteicas, vitais para garantir as funções do cérebro e de muitos outros órgãos indispensáveis à saúde.

Nossa vitalidade e nosso comportamento, depende da funcionalidade do cérebro e dos neurotransmissores cerebrais, os quais, resumidamente, são eles quem nos darão o equilíbrio necessários para vivermos plenamente. Eles garantem o que fazemos, o que pensamos, sentimos, reagimos, e nos comportamos. A atividade física, regular, sob orientação profissional, nos dá isso de graça, daí porque, quem pratica um esporte, sabe que depois de uma boa sessão de academia, uma boa caminhada, uma bela natação e ou outras práticas esportivas, você se sente relaxado, tranquilo, satisfeito, sorridente e pronto para o dia a dia.

 

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