Consumo de álcool e outras drogas na pandemia – IV

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               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-LENAD), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita. O uso de álcool em crianças e adolescentes pode chegar a 7% aos 12 anos e até a 80% aos 18 anos, com riscos de lesões e mortes acidentais, suicídio, gravidez não planejada, sexo não protegido, problemas sociais e escolares, e a longo prazo, maior risco de dependência e lesões estruturais do cérebro.

          Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades sociais e de trabalho, as perdas financeiras, o desemprego e a queda da renda, mortes de parentes e amigos devido a COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo e usando outras drogas excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, mensionados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, alcoólatras, que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, tornando-os, portanto, mais propensos a beberem mais.

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O Pânico em época de pandemia

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              Pouco tempo depois que a OMS anunciou a pandemia da COVID 19, em abril deste ano, em maio passou-se a falar sobre as “ondas” que poderia ocorrer na disseminação dessa doença. E, as ondas, nada mais seriam que as flutuações epidemiológicas que ocorreria no curso natural da pandemia.  Destacava-se, quatro grandes “ondas”, sendo que a quarta onda, corresponderia ao incremento de doenças emocionais, mentais e comportamentais que surgiriam no curso natural da pandemia.

              A OMS estava certa. De fato, o que houve foi um gigantesco incremento de ocorrências psiquiátricas, emocionais e comportamentais de diversos aspectos clínicos e diagnósticos que surgiram no curso da pandemia. Os transtornos de ansiedade são as ocorrências mais frequentes no conjunto desses fatos, especialmente o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a síndrome do pânico e outros transtornos mentais. Na sequência, houve o incremento de transtornos do humor, especialmente a depressão, de bipolaridade e abuso de álcool e de outras drogas. Além de todas essas ocorrências não podemos deixar de destacar no espectro desses transtornos o aumento do número de suicídios, de feminicídio, de violência doméstica, de separação conjugal e muitos outros problemas na área criminológica e social.

               Nesse artigo tratarei, especificamente, da síndrome, ou doença ou ainda transtorno do pânico, uma condição absolutamente desagradável, ameaçadora e angustiante que algumas pessoas apresentam na vida. Ressalta-se, que a palavra “pânico” remonta da Grécia antiga, da figura mitológica do Deus Pan. Segundo a mitologia grega, Pan era um Deus extremamente feio (metade homem, metade cabra) vivia isolado entre as montanhas da Arcádia (província da Grécia antiga), para não ser visto pelas pessoas. Quando Pan aparecia em Ágora (um local ou espécie de praça pública) onde as pessoas se reuniam, elas ficavam horrorizadas, assustadas, desesperadas com a presença horripilante do Pan.  Sentiam verdadeiro horror e pavor, e procuravam se afastar de lá imediatamente, por isso o nome, pânico.

              Nos últimos anos, inúmeros estudos e pesquisas tem sido desenvolvido, no mundo todo, com o intuito de se conhecer melhor a denominada “Síndrome do Pânico”, tanto nos aspectos clínicos, quanto os tratamentos psicológicos, biológicos ou psicossociais realizados para seu controle.

               Historicamente, desde Freud, já havia referências sobre essa doença. Na época ele analisava pessoas que apresentavam sintomatologia da doença de pânico, muito embora, na ocasião, as descreviam como portadoras de “ataques de ansiedade”, incluídas na categoria das chamadas neuroses atuais. Em um desses casos, detectou um “retorno de experiência traumática relacionadas com algum acontecimento trágico do passado”. Mas as teorias psicanalíticas, mesmo depois de muito aperfeiçoamento, esbarram em sérias dificuldades para explicar por que os pacientes apresentam tais quadros clínicos.

                Na atualidade, os mais importantes estudos sobre o Transtorno do Pânico ocorrem na área da Psiquiatria e da Neurociência, as quais explicam esse transtorno a partir de disfuncionalidade do sistema nervoso central- SNC, do ponto de vista, biológico e neuroquímico. Haveria, por assim dizer, uma disfunção acentuada e específica na regulação da ansiedade, em áreas especiais desse sistema (septo, amigdala e hipocampo), levando a produção dos sintomas hoje conhecidos que fazem parte da doença do Pânico.

                Outra área muito importante que abriu fabulosos caminhos para desvendar esse transtorno é a psicofarmacologia clínica, capítulo da farmacologia que trata dos psicotrópicos, medicamentos largamente utilizados em psiquiatria e outras especialidades médicas. 

                Outros avanços, verificados nos últimos anos foi na psicoterapia desses pacientes. Entre as várias abordagens psicoterápicas, a mais recomendada atualmente a terapia cognitivo-comportamental – TCC. Os melhores resultados socorrem quando associamos essa terapia com a abordagem médica.

            Os ataques de Pânico (TP) ocorrem de forma súbita, repentina e inesperada, sem motivo aparente, sendo um estado de intensa ansiedade. Nesses momentos os pacientes se sentem apavorados, com um terrível medo de morrer ou ficar “louco”. Esses ataques são acompanhados de sintomas físicos, psíquicos e comportamentais, intensos e difusos. Os enfermos passam mal subitamente, independente de onde estão ou o que estão fazendo, e rapidamente atinge uma intensidade máxima em poucos minutos, pois cada ataque, dura em média entre 25 a 30 minutos e mesmo sem intervenção médica, o ataque se encerra. Os sintomas físicos e psicológicos estão descritos abaixo. Outra particularidade, é que, para se firmar o diagnóstico definitivo de Transtorno de Pânico (TP), esses ataques deverão ocorrer no mínimo uma vez por semana associados aos outros requisitos, apontados acima. Eis, alguns dos seus sintomas:

1) Falta de ar (dispneia) ou sensação de asfixia

2) Vertigem, sentimentos de instabilidade ou sensação de desmaio

3) Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado (taquicardia)

4) Tremor ou abalos

5) Sudorese

6) Sufocamento

7) Náusea ou desconforto abdominal

8) Despersonalização ou desrealização

9) Anestesia ou formigamento (parestesias)

10) Ondas de calor ou frio

11) Dor ou desconforto no peito

12) Medo de morrer

13) Medo de enlouquecer ou cometer ato descontrolado.

           Há Transtorno do Pânico com ou sem agorafobia, que é um medo de estar em espaços abertos ou no meio de multidões. Agorafobia, muitas das vezes, é consequência de sucessivos tratamentos malsucedidos ou mal orientados, ou por uso inadequado de medicações, ou pelo fato da pessoa não ter tido a oportunidade de procurar   um especialista precocemente, antes mesmo da doença se tornar crônica.

             Vale a pena lembrar que, para o médico formular o diagnóstico de Transtorno do Pânico, faz-se necessário, a realização de exames clínicos e laboratoriais, para saber se o paciente não é portador de outras doenças, que podem provocar também ataques agudos de ansiedade.

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O Transtorno Afetivo Bipolar em época da pandemia

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            Dia 30 de abril deste ano, comemorou-se o Dia Mundial do Transtorno Bipolar (World Bipolar Day-WBD). A data, é uma iniciativa de três grandes instituições internacionais que tratam desse assunto: a Asian Network of Bipolar Disorder (ANBD), a Fundação Internacional Bipolar (IBPF) e a Internacional Society for Bipolar Disorders (ISBD). Comemora-se essa data desde 2014. E a ideia é informar, esclarecer auxiliar as pessoas e profissionais sobre questões da biporidade.

30 de abril é uma homenagem à Vincente Van Gogh, pois ao que se sabe, era portador do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). Semelhantemente, a outros transtornos mentais, esse transtorno, é também descriminalizado e estigmatizados, fatos difucltam o manejo e o tratamento adequado dessa doença, bem como a reinserção social desses enfermos.

Sua prevalência, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, varia entre 1 e 2% % na população em geral, podendo atingir até 5%, incluindo, crianças e adolescentes. Está situado entre as 10 principais doenças incapacitantes no mundo. Clinicamente, caracteriza-se por episódios depressivos, alternando-se com outros episódios de euforia, denominados de mania. Ambos os episódios ocorrem em diferentes momentos da vida desses enfermos com graus variados de gravidade clínica. Diferentemente, dos altos e baixos que podem ocorrer, normalmente, no humor de alguém, no seu dia a dia, as variações psicopatológicas do humor, no Transtorno Afetivo Bipolar, são longas no tempo, são graves e podem evoluir de forma desfavorável.

Essas fases ou episódios, ocasionam danos profundos na vida dessas pessoas em vários sentidos: cognitivo, afetivo-emocional, social, laboral, no pragmatismo e na função executiva, além de muitas outras áreas comportamentais.

Vários fatores colaboram para ocasionar o TAB, por isso mesmo, é considerado um transtorno multifatorial. Um desses fatores mais relevantes é a genética, sabe-se que 50% dos portadores de TAB apresentam, pelo menos, um familiar afetado pela doença. Além do mais, filhos desses pacientes apresentam risco aumentado para desenvolverem a doença, quando comparados com a população geral.

O TAB está muito relacionado a incapacitação laboral a mortalidade entre jovens e é elevada as taxas de suicídio. Estima-se que até 50% dos portadores tentam suicídio, ao menos uma vez na vida e 15% efetivamente o cometem.

Há muitos estudos que demonstram que há uma estreita relação entre TB e outras enfermidades médicas como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e doenças autoimunes, sendo essas as mais frequentes. A associação de TAB, com abuso de drogas e dependência de álcool, é elevada, atinge 41% de dependentes de álcool e 12% de dependentes de alguma outra droga ilícita. Além do mais, agrava o curso clínico da doença, o tratamento e o prognóstico, além de piorar a adesão ao tratamento.

O início dos sintomas pode ocorrer na infância e na adolescência, em função das caraterísticas dessas idades, o quadro clínico, o diagnóstico e o tratamento tornam-se mais difíceis e o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TAB.

Essencialmente, a alternância psicopatológica do humor, entre os episódios, depressivos e maníacos, é o que há de mais relevante no diagnóstico. Em muitos casos, o mesmo só será feito depois de anos de evolução e tratamento. Por exemplo, uma pessoa que tenha tido um episódio depressivo e receba o diagnóstico de depressão unipolar e anos depois, apresente um episódio maníaco ou hipomaníaco, tem na verdade Transtorno Afetivo Bipolar, pois até que o outro episódio surgisse, não seria possível se saber o diagnóstico definitivo.

Na fase de euforia (maníaca), predominam: energia excessiva, hiperatividade, inquietação, humor elevado, euforia, irritabilidade, pensamento e fala, acelerados, atenção flutuante (distraibilidade), insônia, autoconfiança exagerada, baixa autocrítica; gastos excessivos, aumento do impulso sexual, abuso de álcool e outras drogas, agressividade e comportamento violento, irritabilidade exagerada, instabilidade emocional e desestabilidade psíquica e social.

Na fase depressiva, predominam: tristeza persistente, desinteresse, apatia, retraimento social, ansiedade, desesperança, pessimismo, sentimento de culpa, remorso, arrependimento e de menos valia, sensação de impotência ou incapacidade sexual, perda do interesse ou prazer em atividades lúdicas, diminuição da energia, queixas frequentes de fadiga, dificuldade na concentração e na memória, fala lenta, dificuldades em tomar decisões, inquietação, irritabilidade, dorme demais (hipersonia), ou não consegue dormir (insônia), falta de apetite com perda ou ganho excessivos, apatia, pensamentos suicidas e sensação de desvalia.

No bojo da pandemia, fala-se, atualmente, em 4° onda de eventos, relacionados a pandemia e essa “nova onda” refere-se ao incremento de casos de doenças mentais na população em geral. Tais informes já vêm sendo largamente anunciados pela Organização Mundial da Saúde – OMS em seus informes e notas técnicas. Em razão disso, estamos chamando a atenção dos próprios enfermos, dos familiares e os órgãos encarregados da saúde pública para se precaverem e adotarem medidas profiláticas antes que isso possa afetar, mais ainda, a população do mundo e do nosso país em particular.

  Portanto, permaneçam, em seus tratamentos, façam uso regular dos seus medicamentos e mantenham-se fies às suas prescrições. O pior momento para se ter uma crise psiquiátrica é esse de agora, pelas restrições de serviços psiquiátricos, as dificuldades de acesso aos mesmos e na obtenção dos medicamentos dessa área. portanto se cuidem. Caso seja necessário utilizar antivirais e outros fármacos para a Covid -19, fale com seu médico para orientações.

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Adesão social em época de pandemia

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Adesão social em época de pandemia

            Em meu último artigo, publicado nesse jornal, destaquei alguns eventos advindos da pandemia e fiz um contraponto com a flexibilização levada a efeito por praticamente todos os estados brasileiros e em alguns municípios. Observava, que a medida de flexibilização das atividades econômicas e sociais, proposta, por decretos de estados e municípios, ocorre em franco processo ascendente da pandemia, tendo em vista que não se constata ainda, um achatamento (rebaixamento) na curva epidemiológica de contágios e disseminação do vírus, entre nós. Considerei isso, uma temeridade no trato da saúde da população, considerando que nos encontramos em franco processo pandêmico.

             Por outro lado, constata-se, a cada dia, que os danos ocasionados pelos avançar da pandemia, são cada vez maiores, os quais, que vem provocando profundas alterações, em todos os sentidos,  no psicológico das pessoas, na gestão pública e em muitos outros setores e atividades humanas, tais como: econômica, cultural, esportiva, recreativa, educacional e laboral, na qualidade de vida etc. Diante disso, estados e municípios podem se ver obrigados e pressionados, a tomarem decisões, como por exemplo a famigerada flexibilização, que ao invés de favorecer  retomada efetiva e segura dessas atividades, nas referidas localidades, provocar, ao contrário, uma situação ainda pior que a atual, promovendo o advento da chamada segunda onda da pandemia.

           Acredito, que muito em breve, iremos avaliar, através de dados e números a repercussão dessas medidas governamentais, sociais e empresariais e se as mesmas foram adequadas e protetivas, ou se foram estapafúrdias ou negligentes. O tempo nos dirá!

           Há dois pontos, ao meu ver, bastante relevantes a se colocar. O primeiro é o papel e a responsabilidade da todos nós, individualmente e enquanto da sociedade civil, frente ao manejo correto da pandemia. O segundo, é que a pandemia, por ser um evento que tem seus fundamentos fincados na saúde pública, já que se trata da contaminação e da disseminação de um vírus, as recomendações desse setor deverão ser amplamente  aplicadas, indistintamente entre todos para impedirmos que o vírus e a sua respectiva doença cause mais danos, além dos que já causou.

           As medidas no âmbito da saúde públicas, que estão sendo recomendadas, no mundo inteiro, já são bastante evidentes, que são efetivas para se frear a onda de contágios desse micro organismo. Por isso mesmo, a cada dia, são destacadas que tais medidas, como usar máscaras e as auto higiene, não podem ser relaxadas para se evitar a contaminação pelo Corona vírus. Sabe-se, ainda, que por se tratar de algo novo em saúde, os recursos preventivos como vacinas e os tratamentos efetivos para controlar a doença Covide-19, ainda não surgiram ainda, embora já haja uma luz no fim do túnel que nos sinaliza para em breve temos tudo isso a nossa disposição.

             A impressão que se tem, é que as recomendações, rigorosamente sanitárias, de uma forma ou de outra, estão sendo cumpridas, não a contento, mas estão. Isto é, as pessoas parecem que estão usando mais máscaras e realizando melhor sua auto higiene, com o uso de água, sabão, e álcool em gel, hipoclorito etc. fato que, certamente, se realizado de forma correta, interferirá, inegavelmente, com a transmissibilidade do vírus.

             Por outro lado, quando examinamos a outra extremidade da questão, que é o comprometimento social da população, ante a pandemia, a mim me parece, um total fracasso. As pessoas estão muito pouco engajadas às medidas recomendadas pelos organismos internacionais de vigilância sanitária, para o enfrentamento da crise pandêmica. No dia seguinte, ao anuncio das medidas de flexibilização, como já havia dito, em franca pandemia, a cidade voltou a funcionar, quase normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Voltaram os problemas de engarrafamento no trânsito, as aglomerações em muitos ambientes, a correria para as lojas e o comercio, intensificaram os contatos entre as pessoas, em bloco passaram a frequentar os mesmos ambientes. Com todo respeito, nos dava a impressão que alguém abriu a chave da porteira e o gado, desesperado, foi para o campo.

             As pessoas, tem dificuldades muito claras de entender, que o distanciamento social, manter espaços seguros entre as pessoas, restringir ambiente de aglomerações, reduzir ao máximo saídas para ambientes públicos ou atividades em público, etc. São recomendações, fundamentais para impedirmos a transmissibilidade do vírus, e com isso evitarmos o Covid-19. Nós humanos, somos os vetores na transmissão de vírus. O clichê, “Fique em casa, foi descumprido pela absoluta maioria da população brasileira”.

           Além, certamente, de serem inspiradas na necessidade de termos cada vez mais saúde e qualidade de vida, pois essas medidas impedem a transmissibilidade, em massa desse vírus, embora sejam, fundamentalmente, sociais e que dizem respeito ao papel o de cada um de nós individualmente e em grupo e foram as que as autoridades sanitárias do planeta, perceberam serem as mais seguras e mais efetivas no combate ao corona vírus, mesmo assim a maioria não entende dessa forma.

           Outro aspecto, é que as medidas também sinalizam para o fortalecimento do amor ao próximo, para assegurarmos mais nosso compromisso social, para sermos mais solidários e para a conquistarmos o desejado bem comum. Lamentavelmente, foi o que vimos muito pouco. A sociedade mesmo diante da mais importante ameaça à saúde e a vida, dos tempos modernos, descumpre, frontalmente essas recomendações, tornando bem mais difícil e prolongado o enfrentamento desse problema em nosso planeta.

      Pode-se compreender esse comportamento social, a partir de alguns fatores, os quais, terão impactos diferentes em cada uma das pessoas. Ei-los: A ignorância da população sobre a transmissão e sobre a doença COVID-19. Atitudes de indiferentismo e de pouco-caso, atribuídos por muitos, ante a situação. A politização do assunto pandemia, nos meios sociais e políticos. O despreparo do poder público no manejo da crise. A falta de bons exemplos e de protocolos claros, de autoridades públicas no manejo da pandemia. O receio ao empobrecimento das pessoas. O pavor de perderem seus empregos. A frustração às restrições sociais. O stress ocasionado pelo abandono de atividades regulares e corriqueiras, sobretudo estudo, trabalho e lazer. O viver em confinamento domiciliar. A diminuição progressiva da tolerância emocional no processo de permanecer por longo tempo em casa. A frustração e os aborrecimentos ocasionados pelo rompimento social. A inatividade da vida domiciliar. Os conflitos familiares já existentes que se reativaram com a volta para casa. São alguns, entre tantos outros fatores, que podem afetar bastante a motivação e o interesse das pessoas no enfrentamento da pandemia. O fato é que precisamos de todos para enfrentarmos o que está aí.

            Em meu último artigo, publicado nesse jornal, destaquei alguns eventos advindos da pandemia e fiz um contraponto com a flexibilização levada a efeito por praticamente todos os estados brasileiros e em alguns municípios. Observava, que a medida de flexibilização das atividades econômicas e sociais, proposta, por decretos de estados e municípios, ocorre em franco processo ascendente da pandemia, tendo em vista que não se constata ainda, um achatamento (rebaixamento) na curva epidemiológica de contágios e disseminação do vírus, entre nós. Considerei isso, uma temeridade no trato da saúde da população, considerando que nos encontramos em franco processo pandêmico.

             Por outro lado, constata-se, a cada dia, que os danos ocasionados pelos avançar da pandemia, são cada vez maiores, os quais, que vem provocando profundas alterações, em todos os sentidos,  no psicológico das pessoas, na gestão pública e em muitos outros setores e atividades humanas, tais como: econômica, cultural, esportiva, recreativa, educacional e laboral, na qualidade de vida etc. Diante disso, estados e municípios podem se ver obrigados e pressionados, a tomarem decisões, como por exemplo a famigerada flexibilização, que ao invés de favorecer  retomada efetiva e segura dessas atividades, nas referidas localidades, provocar, ao contrário, uma situação ainda pior que a atual, promovendo o advento da chamada segunda onda da pandemia.

           Acredito, que muito em breve, iremos avaliar, através de dados e números a repercussão dessas medidas governamentais, sociais e empresariais e se as mesmas foram adequadas e protetivas, ou se foram estapafúrdias ou negligentes. O tempo nos dirá!

           Há dois pontos, ao meu ver, bastante relevantes a se colocar. O primeiro é o papel e a responsabilidade da todos nós, individualmente e enquanto da sociedade civil, frente ao manejo correto da pandemia. O segundo, é que a pandemia, por ser um evento que tem seus fundamentos fincados na saúde pública, já que se trata da contaminação e da disseminação de um vírus, as recomendações desse setor deverão ser amplamente  aplicadas, indistintamente entre todos para impedirmos que o vírus e a sua respectiva doença cause mais danos, além dos que já causou.

           As medidas no âmbito da saúde públicas, que estão sendo recomendadas, no mundo inteiro, já são bastante evidentes, que são efetivas para se frear a onda de contágios desse micro organismo. Por isso mesmo, a cada dia, são destacadas que tais medidas, como usar máscaras e as auto higiene, não podem ser relaxadas para se evitar a contaminação pelo Corona vírus. Sabe-se, ainda, que por se tratar de algo novo em saúde, os recursos preventivos como vacinas e os tratamentos efetivos para controlar a doença Covide-19, ainda não surgiram ainda, embora já haja uma luz no fim do túnel que nos sinaliza para em breve temos tudo isso a nossa disposição.

             A impressão que se tem, é que as recomendações, rigorosamente sanitárias, de uma forma ou de outra, estão sendo cumpridas, não a contento, mas estão. Isto é, as pessoas parecem que estão usando mais máscaras e realizando melhor sua auto higiene, com o uso de água, sabão, e álcool em gel, hipoclorito etc. fato que, certamente, se realizado de forma correta, interferirá, inegavelmente, com a transmissibilidade do vírus.

             Por outro lado, quando examinamos a outra extremidade da questão, que é o comprometimento social da população, ante a pandemia, a mim me parece, um total fracasso. As pessoas estão muito pouco engajadas às medidas recomendadas pelos organismos internacionais de vigilância sanitária, para o enfrentamento da crise pandêmica. No dia seguinte, ao anuncio das medidas de flexibilização, como já havia dito, em franca pandemia, a cidade voltou a funcionar, quase normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Voltaram os problemas de engarrafamento no trânsito, as aglomerações em muitos ambientes, a correria para as lojas e o comercio, intensificaram os contatos entre as pessoas, em bloco passaram a frequentar os mesmos ambientes. Com todo respeito, nos dava a impressão que alguém abriu a chave da porteira e o gado, desesperado, foi para o campo.

             As pessoas, tem dificuldades muito claras de entender, que o distanciamento social, manter espaços seguros entre as pessoas, restringir ambiente de aglomerações, reduzir ao máximo saídas para ambientes públicos ou atividades em público, etc. São recomendações, fundamentais para impedirmos a transmissibilidade do vírus, e com isso evitarmos o Covid-19. Nós humanos, somos os vetores na transmissão de vírus. O clichê, “Fique em casa, foi descumprido pela absoluta maioria da população brasileira”.

           Além, certamente, de serem inspiradas na necessidade de termos cada vez mais saúde e qualidade de vida, pois essas medidas impedem a transmissibilidade, em massa desse vírus, embora sejam, fundamentalmente, sociais e que dizem respeito ao papel o de cada um de nós individualmente e em grupo e foram as que as autoridades sanitárias do planeta, perceberam serem as mais seguras e mais efetivas no combate ao corona vírus, mesmo assim a maioria não entende dessa forma.

           Outro aspecto, é que as medidas também sinalizam para o fortalecimento do amor ao próximo, para assegurarmos mais nosso compromisso social, para sermos mais solidários e para a conquistarmos o desejado bem comum. Lamentavelmente, foi o que vimos muito pouco. A sociedade mesmo diante da mais importante ameaça à saúde e a vida, dos tempos modernos, descumpre, frontalmente essas recomendações, tornando bem mais difícil e prolongado o enfrentamento desse problema em nosso planeta.

      Pode-se compreender esse comportamento social, a partir de alguns fatores, os quais, terão impactos diferentes em cada uma das pessoas. Ei-los: A ignorância da população sobre a transmissão e sobre a doença COVID-19. Atitudes de indiferentismo e de pouco-caso, atribuídos por muitos, ante a situação. A politização do assunto pandemia, nos meios sociais e políticos. O despreparo do poder público no manejo da crise. A falta de bons exemplos e de protocolos claros, de autoridades públicas no manejo da pandemia. O receio ao empobrecimento das pessoas. O pavor de perderem seus empregos. A frustração às restrições sociais. O stress ocasionado pelo abandono de atividades regulares e corriqueiras, sobretudo estudo, trabalho e lazer. O viver em confinamento domiciliar. A diminuição progressiva da tolerância emocional no processo de permanecer por longo tempo em casa. A frustração e os aborrecimentos ocasionados pelo rompimento social. A inatividade da vida domiciliar. Os conflitos familiares já existentes que se reativaram com a volta para casa. São alguns, entre tantos outros fatores, que podem afetar bastante a motivação e o interesse das pessoas no enfrentamento da pandemia. O fato é que precisamos de todos para enfrentarmos o que está aí.

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Consumo de álcool e pandemia II

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                                          Consumo de álcool e pandemia II

               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-LENAD), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita, ficando atrás apenas de Canadá (10 litros), Estados Unidos (9,3 litros), Argentina (9,1 litros) e Chile (9 litros).

               Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades de trabalho, as perdas incomensuráveis financeiras, de emprego de renda, de outras atividades econômicas, as inúmeras mortes ocorridas de parentes, de pessoas queridas e amigos por complicações da COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, enumerados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, dependentes de álcool (alcoólatras), que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, tornando-os, portanto, mais propensos a beberem mais.

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A morte, as questões sociais e a flexibilização das atividades na pandemia

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               É bem verdade que os prejuízos, os danos, as perdas e o sofrimento impostos pela pandemia que estamos passando, associados às apreensões, medos, inseguranças e angustias impõem-nos expectativas ruins e sombrias, que nos tocam profundamente, nos causando uma onda de terror, sofrimento e muita dor. Todos os fatos compõem um cenário de perdas irreparáveis, especialmente as mortes de pessoas queridas, parentes, amigos, colegas e de muitas outras vítimas dessa pandemia.   

               Nas pandemias, o evento morte é algo previsível e esperado, porém nesse particular ele se reveste de características e particularidades especiais, sendo que todas as medidas utilizadas para o enfrentamento da situação pandêmica têm o objetivo fundamental de reduzir, ao máximo, todas essas ocorrências. Contrariamente a outras situações, em que morrer é uma situação revestida de cerimônias de muita religiosidade, fé e solidariedade, na pandemia torna-se mais constrangedora e mais sofrida, pois as recomendações sanitárias nos impedem de realizar cerimônias religiosas, de zelar e velar nossos mortos. O tempo de sepultamento, o velório, a cerimônia de despedida dos mortos, a missa de corpo presente, nada disso pode ser realizado em sua plenitude.

               Além da própria dor e do sofrimento serem enormes para alguém que perde um amigo,  um parente ou mesmo um desconhecido, não se pode usufruir do conforto afetivo, emocional, como um abraço apertado e afetuoso, um beijo, um cumprimento, mesmo vindo de desconhecidos. As lágrimas de alguém que nos confortam ou uma palavra de carinho e de amor, baixinho em nosso ouvido, hoje , nada disso podemos ter.

             Por isso, o evento morte em épocas da pandemia deixa-nos mais tristes e mais inconformados. A situação é bem pior ao considerarmos o grau de parentesco entre os que ficam e os que morrem. Pai, mãe, avós, tios, sobrinhos, enteados, etc. A dor é imensa, insuportável e para muitos, inaceitável.

            Outro aspecto relevante é o compromisso e a responsabilidade, pessoal e social, de todos nós ante a pandemia. Desde o dia 13 março deste ano, quando o situação viral, foi considerada pandêmica pela OMS e não somente uma situação de emergência em saúde, deflagrou-se no mundo,  uma convocação global para adotarmos as medidas de isolamento ou afastamento social, isso é, que viéssemos a restringir, ao máximo, as relações sociais com a intenção óbvia de evitarmos aglomerações entre pessoas e isso, fatalmente, impediria o alastramento do novo corona vírus.

              Outras medidas de reforço foram sendo recomendadas, ao longo do tempo e de forma localizada,  como, por exemplo, o “lockdown”, aplicado nas cidades tentando, realmente impedir a disseminação do vírus, através das restrições radicais de convívio social. Em outros países, que adotaram ou não tais recomendações, o impacto foi visível para controlar ou não controlar a situação da pandemia.

        Em nosso país, apesar do esforço adotado, sobretudo pelo poder público, nunca se alcançaram efetivamente, do ponto de vista comunitário ou social, níveis satisfatórios de restrições sociais suficientes para que houvesse um impacto positivo na disseminação do novo corona vírus. Devido a isso, estamos, até o presente momento, pagando um preço caro em nosso país e em nosso estado. Os números de mortos e contaminados por Covid-19, nacionalmente, atingiram essa semana a casa dos 41 mil mortos e mais de 805 mil pessoas contaminadas. No Maranhão, mais de 1300 pessoas já faleceram por essa doença e a contaminação já tingiu 54 mil pessoas.

              De fato, considerando-se as condições etnográfica do povo brasileiro, e especificamente, as condições econômicas, a diversidade sociocultural, as condições de pobreza da população, da falta de saneamento básico ( água e esgoto), o subemprego, os índices elevados de desemprego, o volume elevado de empregos informais, o nível educacional,  intelectual e cultura da população, os problemas pessoais e o descompromisso social, explicar-se-ia, em grande parte, a situação trágica que estamos passando no momento apontando para um cenário bastante insatisfatório, complicado da saúde da população brasileira e maranhense, em particular.

           Como se já não bastassem todos esses problemas, verificados em uma população já bastante afetada, em todos os sentidos, passa-se a executar, de forma apressada, equivocada, extemporânea e quiçá irresponsável, a famigerada flexibilização das atividades econômicas e sociais, como mais uma estratégia de enfrentamento desse problema.

          A impressão que se tem é que os proponentes da flexibilização desconsideraram, formalmente, a situação da curva epidemiológica da virulência, a qual encontra-se em ascendência. Desconsideram a precarização e insuficiência do sistema de saúde pública e privada, quanto à atenção dos enfermos. Desconsideraram, sobretudo, a real possiblidade de uma nova infecção pelo novo corona vírus, em decorrência dessa abertura. E, por fim, desconsideram os estudos e opinião dos especialistas, entre os quais, epidemiologistas, infectologistas, intensivistas e muitas outras autoridades sanitárias no mundo, sobre o assunto. O fato é que essas medidas não tiveram força suficiente para aglutinar a população em seu entorno. Temos a sensação de amadorismos e improvisações que sugerem empirismos, pois são ações destituídas de evidências científicas e epidemiológicas.

         Evidentemente que não iremos cometer nenhuma injustiça, atribuindo, tão somente, a essa flexibilização, toda tragédia verificada na pandemia, pois sabe-se que existem outros fatores, também relevantes, os quais colaboram para o agravamento dessas situações. Por exemplo: a inadequada, criminosa e absurda politização da situação do enfrentamento da pandemia no plano nacional, local ou regional; a corrupção desvairada que já começa a aparecer nos meios de comunicação; a fragilidade institucional em todos os níveis da gestão pública desse problema (gestores despreparados, que não ouvem os especialistas e por conta própria); o insuficiente aporte de recursos materiais, financeiros e de insumos e equipamentos para estados e municípios para o enfrentamento a situação; são, entre outros, fatores relevantes que complicam mais ainda o manejo desse problema.

               Também há o maciço desengajamento da população ante o problema, especialmente em um momento em que mais se precisa dela. A negligência social de muitos, a irresponsabilidade civil de outros, além dos problemas pessoais e psicológicos de cada um, são também fatores, ao meu ver, relevantes, que compõem o tabuleiro de situações que estão às voltas com esse cenário trágico e complicado da saúde e da vida do planeta.

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Doenças mentais e pandemia

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           As doenças mentais, são doenças que evoluem cronicamente e são, intensamente, prevalentes no mundo e contribuem para morbidade, para a incapacitação funcional, social e laboral e para a mortalidade prematura. Estima-se que 25% da população geral apresentarão um ou mais transtornos mentais ao longo da vida (Rodriguez et al, 2009). Se somados aos transtornos neurológicos, esses grupos de doenças representam 14% da carga global de doenças, sendo que na América Latina atinge 21% (OMS, 2008).

                Estas, enfermidades se caracterizam por quadros clínicos bem definidos os quais atingem os pensamentos, as percepções, as emoções, os sentimentos, o humor, funções executivas e o pragmatismo, entre outras alterações. Segundo a OMS, entre os transtornos mentais, destacam-se: transtorno depressivo (depressão), o Transtorno Afetivo Bipolar – TAB, e suas diferentes formas clínicas, os Transtornos de Ansiedade e seus tipos clínicos a Esquizofrenia e suas formas clínicas e outras psicoses. Destacam-se, também, as Demências, a deficiência intelectual e Transtornos de Desenvolvimento, incluindo o Autismo.

                A depressão, é o transtorno que tem o maior impacto epidemiológico entre as doenças mentais. É um dos principais transtornos e o que mais causa incapacidade laboral em todo o mundo. Afeta, predominantemente, mulheres e está muito relacionada ao suicídio. Globalmente, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas por essa doença.

            Tristeza (patológica), perda de interesse ou prazer, sentimento de culpa ou rebaixamento da autoestima, alterações do sono e do apetite, cansaço e falta de iniciativa, alterações da concentração, da memória e da motivação, são sintomas frequentes. Os depressivos, em geral apresentam múltiplas queixas clínicas sem nenhuma causa aparente. A doença tende a ser crônica e se manifesta de forma recorrente. A capacidade laborativa, as relações sociais e familiares e o desempenho escolar estão formalmente prejudicados. Em seu estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.

         Fatores e acontecimentos externos aos indivíduos podem influenciar fortemente o processo depressivo, não sendo, portanto, uma questão só determinada por fatores biológicos, genéticos ou hereditários. A situação pandêmica do presente momento, certamente, ocasionará um número bem maior desses transtornos, na população geral, em qualquer faixa etária. As frustrações, as grandes perdas a que estamos submetidos, principalmente por mortes, perdas do emprego e do trabalho, da renda, o isolamento social, a avalanche de notícias sobre a doença, são cada vez fatores que nos abalam, profundamente.

              Sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, sabe-se que atinge cerca de 60 milhões de pessoas no mundo. Consiste tipicamente em episódios alternados de mania e depressão, intermediados por períodos de humor normal (intercrítico). Os episódios de mania envolvem humor elevado ou irritado, atividade exagerada, fala apressada, inquietação, irritabilidade, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono. As pessoas que têm episódios de mania, embora não experimentam episódios depressivos, também são classificadas como tendo transtorno bipolar.

            A esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, são transtornos psiquiátricos graves que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. Essas psicoses, entre as quais a Esquizofrenia, atinge 1% da população geral e se caracteriza por: distorções no pensamento, na percepção, nas emoções, na linguagem, no juízo de realidade, na consciência do “eu” e alterações na adequação do comportamento, alterações estas, que os levam a agir de forma bastante desorganizada. As alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que não ocorrem na realidade) e delírios (falsas crenças ou suspeitas firmemente mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário), são sintomas muitos comuns nessas psicoses. A doença, geralmente, tem início no fim da adolescência ou no começo da vida adulta. O tratamento farmacológico e o apoio médico e psicossocial são bastante eficazes, ao ponto desses suportes, médico e psicossocial, garantem o retorno desses enfermos a uma vida produtiva e integrada socialmente.

             Em razão da pandemia e com as limitações na oferta de serviços psiquiátricos, recomenda-se, que as famílias desses pacientes, que estejam em tratamento psiquiátrico ou mesmo os que já receberam alta médica, que reforcem esses cuidados com esses enfermos e redobrem os cuidados com eles, pois a possibilidade de recaídas em momentos de pandemia, torna essa situação bem mais difícil de ser manejada. Chamo atenção, especialmente, para a manutenção e regularidade no uso dos medicamentos que os mesmos fazem uso.

             Quanto as Demências, cerca de 50 milhões de pessoas as apresentam. É um transtorno crônico, evolui, em geral, de forma lenta e progressiva, havendo deterioração da função cognitiva (capacidade de processar o pensamento e outras funções mentais) fora do envelhecimento normal. As demências prejudicam a memória, o pensamento, a orientação no tempo e espaço, compreensão, a capacidade de calcular, a capacidade de aprendizagem, de linguagem e de julgamento. O transtorno deteriora o controle emocional, o comportamento social, a motivação e outras particularidades, como o pragmatismo e a capacidade executiva. Essas doenças, são ocasionadas por micro lesões do cérebro, entre essas, destaca-se a Doença de Alzheimer.

            Segundo a OMS a “ deficiência intelectual é caracterizada pela diminuição de habilidades em várias áreas de desenvolvimento, como o funcionamento cognitivo e o comportamento adaptativo. Essa condição diminui a capacidade de adaptação às exigências diárias da vida”. A OMS, diz ainda: ”os sintomas de transtornos invasivos de desenvolvimento, como o autismo, são comportamento social, comunicação e linguagem prejudicados e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente. Os transtornos de desenvolvimento frequentemente se originam na infância ou na primeira infância. As pessoas com esses transtornos ocasionalmente possuem algum grau de deficiência intelectual”.

            Semelhantemente, às recomendações fornecidas às famílias e aos depressivos, esquizofrênicos, portadores de transtornos ansiosos e de TAB, aqui também, no caso dos Autistas e deficiente intelectuais, os cuidados deverão ser redobrados, pois, esses pacientes em crises, terão dificuldades especiais em avaliar, rigorosamente, os riscos de adquirirem o COVID -19 e piorarem muitas suas doenças de base. Portanto, cuidem cada vez melhor de seus enfermos, para que se Deus quiser, transitemos melhor esses graves momentos.

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Doenças mentais e pandemia

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           As doenças mentais, são doenças que evoluem cronicamente e são, intensamente, prevalentes no mundo e contribuem para morbidade, para a incapacitação funcional, social e laboral e para a mortalidade prematura. Estima-se que 25% da população geral apresentarão um ou mais transtornos mentais ao longo da vida (Rodriguez et al, 2009). Se somados aos transtornos neurológicos, esses grupos de doenças representam 14% da carga global de doenças, sendo que na América Latina atinge 21% (OMS, 2008).

                Estas, enfermidades se caracterizam por quadros clínicos bem definidos os quais atingem os pensamentos, as percepções, as emoções, os sentimentos, o humor, funções executivas e o pragmatismo, entre outras alterações. Segundo a OMS, entre os transtornos mentais, destacam-se: transtorno depressivo (depressão), o Transtorno Afetivo Bipolar – TAB, e suas diferentes formas clínicas, os Transtornos de Ansiedade e seus tipos clínicos a Esquizofrenia e suas formas clínicas e outras psicoses. Destacam-se, também, as Demências, a deficiência intelectual e Transtornos de Desenvolvimento, incluindo o Autismo.

                A depressão, é o transtorno que tem o maior impacto epidemiológico entre as doenças mentais. É um dos principais transtornos e o que mais causa incapacidade laboral em todo o mundo. Afeta, predominantemente, mulheres e está muito relacionada ao suicídio. Globalmente, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas por essa doença.

            Tristeza (patológica), perda de interesse ou prazer, sentimento de culpa ou rebaixamento da autoestima, alterações do sono e do apetite, cansaço e falta de iniciativa, alterações da concentração, da memória e da motivação, são sintomas frequentes. Os depressivos, em geral apresentam múltiplas queixas clínicas sem nenhuma causa aparente. A doença tende a ser crônica e se manifesta de forma recorrente. A capacidade laborativa, as relações sociais e familiares e o desempenho escolar estão formalmente prejudicados. Em seu estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.

         Fatores e acontecimentos externos aos indivíduos podem influenciar fortemente o processo depressivo, não sendo, portanto, uma questão só determinada por fatores biológicos, genéticos ou hereditários. A situação pandêmica do presente momento, certamente, ocasionará um número bem maior desses transtornos, na população geral, em qualquer faixa etária. As frustrações, as grandes perdas a que estamos submetidos, principalmente por mortes, perdas do emprego e do trabalho, da renda, o isolamento social, a avalanche de notícias sobre a doença, são cada vez fatores que nos abalam, profundamente.

              Sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, sabe-se que atinge cerca de 60 milhões de pessoas no mundo. Consiste tipicamente em episódios alternados de mania e depressão, intermediados por períodos de humor normal (intercrítico). Os episódios de mania envolvem humor elevado ou irritado, atividade exagerada, fala apressada, inquietação, irritabilidade, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono. As pessoas que têm episódios de mania, embora não experimentam episódios depressivos, também são classificadas como tendo transtorno bipolar.

            A esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, são transtornos psiquiátricos graves que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. Essas psicoses, entre as quais a Esquizofrenia, atinge 1% da população geral e se caracteriza por: distorções no pensamento, na percepção, nas emoções, na linguagem, no juízo de realidade, na consciência do “eu” e alterações na adequação do comportamento, alterações estas, que os levam a agir de forma bastante desorganizada. As alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que não ocorrem na realidade) e delírios (falsas crenças ou suspeitas firmemente mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário), são sintomas muitos comuns nessas psicoses. A doença, geralmente, tem início no fim da adolescência ou no começo da vida adulta. O tratamento farmacológico e o apoio médico e psicossocial são bastante eficazes, ao ponto desses suportes, médico e psicossocial, garantem o retorno desses enfermos a uma vida produtiva e integrada socialmente.

             Em razão da pandemia e com as limitações na oferta de serviços psiquiátricos, recomenda-se, que as famílias desses pacientes, que estejam em tratamento psiquiátrico ou mesmo os que já receberam alta médica, que reforcem esses cuidados com esses enfermos e redobrem os cuidados com eles, pois a possibilidade de recaídas em momentos de pandemia, torna essa situação bem mais difícil de ser manejada. Chamo atenção, especialmente, para a manutenção e regularidade no uso dos medicamentos que os mesmos fazem uso.

             Quanto as Demências, cerca de 50 milhões de pessoas as apresentam. É um transtorno crônico, evolui, em geral, de forma lenta e progressiva, havendo deterioração da função cognitiva (capacidade de processar o pensamento e outras funções mentais) fora do envelhecimento normal. As demências prejudicam a memória, o pensamento, a orientação no tempo e espaço, compreensão, a capacidade de calcular, a capacidade de aprendizagem, de linguagem e de julgamento. O transtorno deteriora o controle emocional, o comportamento social, a motivação e outras particularidades, como o pragmatismo e a capacidade executiva. Essas doenças, são ocasionadas por micro lesões do cérebro, entre essas, destaca-se a Doença de Alzheimer.

            Segundo a OMS a “ deficiência intelectual é caracterizada pela diminuição de habilidades em várias áreas de desenvolvimento, como o funcionamento cognitivo e o comportamento adaptativo. Essa condição diminui a capacidade de adaptação às exigências diárias da vida”. A OMS, diz ainda: ”os sintomas de transtornos invasivos de desenvolvimento, como o autismo, são comportamento social, comunicação e linguagem prejudicados e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas repetidamente. Os transtornos de desenvolvimento frequentemente se originam na infância ou na primeira infância. As pessoas com esses transtornos ocasionalmente possuem algum grau de deficiência intelectual”.

            Semelhantemente, às recomendações fornecidas às famílias e aos depressivos, esquizofrênicos, portadores de transtornos ansiosos e de TAB, aqui também, no caso dos Autistas e deficiente intelectuais, os cuidados deverão ser redobrados, pois, esses pacientes em crises, terão dificuldades especiais em avaliar, rigorosamente, os riscos de adquirirem o COVID -19 e piorarem muitas suas doenças de base. Portanto, cuidem cada vez melhor de seus enfermos, para que se Deus quiser, transitemos melhor esses graves momentos.

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Consumo de álcool e pandemia II

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               O Brasil figura entre os países que mais bebem no mundo. Os índices são alarmantes e cada vez mais ocorrem problemas advindos desse consumo, no plano da saúde, do social, da segurança, da violência urbana e doméstica e da economia e estes problemas se sobressaem, entre os tantos outros que temos em nosso país, ao ponto dessa questão, ser considerada um problema de saúde pública.

           Em média, cada pessoa no mundo bebe 6,2 litros de álcool puro/ano. Apenas 38,3% da população mundial faz uso dessas bebidas. Isso é, a minoria bebe pela maioria. Os que bebem, na verdade, estão consumindo 17 litros/ano, em média. O alto consumo provoca mais de 3,3 milhões de mortes/ no mundo e por volta de 200 doenças, estão relacionadas direta ou indiretamente ao consumo excessivo de álcool.

              Há em nosso país, um milhão de pontos de venda de bebidas alcoólica, isso corresponde, a mais ou menos, um ponto de venda para cada duas mil pessoas e isso é um número bastante elevado considerando que essa aditividade comercial, colabora bastante para as pessoas beberem. Nosso padrão de consumo de álcool é excessivo regular, isto é, as pessoas em geral bebem de forma exagerada (beber em binge), até se embriagarem, padrão de consumo, nefasto à saúde física, social e mental.

            O álcool etílico, farmacologicamente, é uma substância de múltiplas ações no Sistema Nervoso Central- SNC. Ele, deprime as atividades do cérebro, muito embora, o consumo de baixas doses, é euforizante. Paradoxalmente, em doses baixas, reduz a ansiedade e promove certo relaxamento e bem-estar. Porém, em doses excessivas e regulares, faz o contrário, provoca crises de ansiedade e mal-estar difuso, sono irregular, alterações do apetite, da atenção, da memória de curto prazo e do pragmatismo.

            O álcool é também hedônico (induz ao prazer), pois age, preferentemente, em áreas cerebrais responsáveis pelo prazer humano. Essa área é designada, na nomenclatura científica, como área de recompensa cerebral – ARC ou área do prazer. Justamente, por ser uma região do cérebro altamente rica em DOPAMINA, neurotransmissor cerebral, encarregado, entre outras coisas, de proporcionar prazer. Por isso, o álcool ingerido em pequenas doses, melhora o desejo, o desempenho, o apetite sexual, a disposição, o interesse, a capacidade cognitiva e as relações sociais. Em excesso, é altamente patogênico e faz, justamente, o contrário.

                 Outro dado epidemiológico importante, é que 65% da população brasileira bebe e entre 10 a 13% dessa população são dependentes de álcool (alcoólatras). No Brasil, Quase 3% da população, acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa mais de 4 milhões de pessoas, nessa faixa etária. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II-Lenad), 32% da população brasileira bebe moderadamente e 16%, bebem de forma nociva.

                Como vimos acima, o uso de álcool ocasiona mais de 3 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas morrem por acidente automobilístico e 60 mil por homicídios. Esses dados mostram claramente a relevância desses problemas entre nós, nos chamando a atenção para a gravidade dessas questões.

             A OMS demonstra que o consumo de bebidas alcoólicas em pessoas acima de 15 anos, acelerou na década: em 2006 o consumo per capita/anual, era de 6,2 litros de álcool puro, em 2016 essa média passou para 8,9 litros/ano. O aumento é de 43,5%. Esses índices referendam estudos nos quais constatam que a população jovem brasileira está bebendo muito, ao ponto de, até 17 anos de idade 7% dessa população já serem dependentes de álcool. Isso é um problema muito grave do ponto de vista médico e psiquiátrico, pois todos esses jovens, com esse tipo de doença mental (alcoolismo), irão precisar de ajuda e tratamento profissionais.

             O consumo nacional de álcool está acima da média mundial, que é de 6,4 litros percapta/ano. Além do mais, o Brasil é o terceiro país na América Latina e o quinto em todo o continente com o maior consumo de álcool per capita, ficando atrás apenas de Canadá (10 litros), Estados Unidos (9,3 litros), Argentina (9,1 litros) e Chile (9 litros).

               Por último, sabe-se que o consumo excessivo do álcool está associado com mais de 60 condições clínicas (agudas e crônicas): entre estas, hipertensão arterial, diabetes e muitas outras doenças agravadas pelo consumo de álcool. Além, evidentemente de todos os outros problemas já citados anteriormente, sobretudo, sociais, como a violência doméstica e urbana, questões laborais, comportamento sexual de risco, entre outros. Sobre isso, o ponto que a OMS mais destaca é o impacto do consumo exagerado de álcool e o sistema imune. E, isso vem ocorrendo nessa época da pandemia do COVI-19. Estudos demonstram que houve um aumento de 50% no consumo de bebidas destilados e de 40% no de bebidas fermentadas.

                Evidentemente, que isso sinaliza para uma situação complicada considerando que o que mais precisamos, no presente momento, é que as pessoas estejam bem de saúde e, sobretudo com seu sistema de defesa arrojado (imunidade pessoal) para se contrapor à infecção pelo Corona vírus, tendo em vista que esse é um sistema é que irá nos defender dessa agressão viral. As angustias individuais, impostas pelas restrições sociais (isolamento social), o medo e pavor das pessoas de se contaminarem pelo vírus, as enormes frustrações por romperem suas atividades de trabalho, as perdas incomensuráveis financeiras, de emprego de renda, de outras atividades econômicas, as inúmeras mortes ocorridas de parentes, de pessoas queridas e amigos por complicações da COVID-19. Enfim, todas essas mazelas que estamos passando, são razões suficientes para explicar parte dos motivos das pessoas estarem atualmente bebendo mais.

            Observa-se, que a absoluta maioria dessas pessoas que estão bebendo excessivamente, já eram consumidores habituais e a pretexto desses fatores acima, enumerados, aumentaram, sobremaneira, esse consumo. Portanto, não é algo novo ocasionado pela pandemia. Pessoalmente, acredito que os novatos que estão iniciando a beberem agora, são bem menores.

            Outro fato, é que temos um número expressivo de jovens, adultos e da terceira idade, dependentes de álcool (alcoólatras), que se encontram em plena vigência de suas doenças e a maioria deles, sem qualquer tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial, fato esse, os tornam mais vulneráveis às recaídas, portanto, mais propensos a beberem mais.

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O Distanciamento social

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                 Isolamento social, reclusão social, confinamento domiciliar, distanciamento social, esses são, ente outros, os nomes dados à atitude das pessoas ao se recolherem em suas casas como uma das estratégias recomendados pelos, Ministério da Saúde e OMS, para impedir o alastramento da contaminação pelo SARS-CoV-2.

                Além do distanciamento social e de todas as outras recomendações propostas por esses órgãos para o enfrentamento da pandemia, sabe-se que, se aplicadas em bloco, os prejuízos seriam bem menores aos que estão previstos se não forem adotadas tais medidas. Portanto, são recomendações vitais à favor da saúde, da segurança e da vida. De tal forma, que adotar tais medidas, passa a ser um dever do estado e de cada um de nós no enfrentamento dessa situação.

             Essas medidas sanitárias e epidemiológicas, para o controle do vírus e progressão da doença, bem fundamentadas, estão ocorrendo em um tempo especial, onde estávamos, absolutamente, despreparados, em todos os sentidos, para encarar o que está aí. Nos pegou a todos de surpresa, gerando impactos brutais em nossa vida, pessoal, social, emocional, comportamental e econômica, além de outros aspectos da nossa vida associativa, provocando, por isso mesmo, uma desadaptação psicossocial geral na população

              O Slogan das campanhas é “fique em casa”, está disseminada no mundo inteiro como medida sanitária e epidemiológica de segurança e de enfrentamento da pandemia. Talvez tenha sido a medida mais complexa e desafiadora recomendada para se enfrentar o que vem ocorrendo conosco. Provocou profundas mudanças em nossos hábitos, costumes, em nosso psicológico e na maneira de vivermos no mundo. Aparentemente, ficar em casa não é nada de especial, pois queiramos nós ou não, nossa casa é um dos mais importantes ambiente, onde com nossas famílias, implementamos grande parte de nossa existência. O problema, surge, quando ficar em casa implica em uma profunda ruptura de nossos outros laços sociais, no abandono das nossas atividades laborativas, no nossos desvinculamento físico presencial, na separação das pessoas com as quais tínhamos intimidades, além de uma infinidade de outros rompimentos e separações em nome da nossa proteção contra o Corona vírus.

                 Nessas condições de mudanças profundas porque estamos passando em nome da proteção da nossa vida e da saúde, essa compreensão, não impede o surgimento desse mal-estar profundo porque todos estamos passando no presente momento. Isto é, mesmo se sabendo que o grande motivo para explicar todas essas mudanças seja, absolutamente relevante, isso não impede a frustração, o medo e tristeza que vem tomando conta de todos nos dias atuais.

                Do ponto de vista da saúde mental, alguns problemas já começam a aflorar mais abundantemente na população. O medo do contágio com do Corona vírus e da COVID-19, tem deixado muita gente em estado e choque, assustados, apavorados e com pânico, pois esse fato por si sós, provocam níveis profundos e insuportáveis de desgastes emocionais, de stress e na cognição. Me refiro, especialmente, à população mais vulnerável de riscos para as situações acima, que são os profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros trabalhadores que exercem suas atividades em hospitais, UPAS, Prontos-Socorros etc., os quais se expões, diariamente, à enormes riscos de uma contaminação a esse virus. O pior de tudo, é que já surgem graves denúncias que esses profissionais estão trabalhando em condições precárias de segurança em muitos locais de nosso estado. Fato que torna a situação mais ameaçadora, assustadora e insuportável do ponto de vista emocional.

                 Outras populações também muito afetadas por essa situação psicológico e social dessa pandemia, são os idosos, os portadores de doenças crônicas respiratórias, diabéticos, hipertensos, e portadores de outras doenças crônicas. Esses, estão também bem mais assustados. Essa situação de ansiedade estrema e de muita apreensão e sofrimento, pode incrementar a possibilidade dessa população de outras desenvolverem uma série de transtornos psiquiátricos que já são esperados, epidemiologicamente, em situações de grandes catástrofes, pandemias e desastres, guerras etc. Ou mesmo em situações de grandes crises psicossociais, semelhante a que estamos passando no presente momento.

                Do ponto de vista psiquiátrico e comportamental, os transtornos previstos para ocorrerem ante esses problemas, são: Transtorno de Stress Pós-Traumático – TEPT, ocasionado por uma disfunção da ansiedade. se caracteriza clinicamente por: sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais e comportamentais ocasionado por ser vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas graves os quais representaram ameaça à vida, a vida de terceiros. São situações carregadas de dor e muito sofrimento. Apresentam flashback, recordam, persistentemente, os fatos, mesmo já tendo passado por ele, revivendo-o.  Essa situação é conhecida como revivescência, reminiscência e a mesma desencadeia uma gama enorme de reações psíquicas e corporativas e comportamentais, nessas pessoas.

             Entre 15% e 20% das pessoas que, são vítimas ou presenciam tais acontecimentos (violência urbana, agressão física, abuso sexual, terrorismo, guerras, pandemias, tortura, assalto, sequestro, acidentes, catástrofes naturais ou não, desenvolvem o TEPT.

             Outros transtornos nesses momentos iniciais da pandemia e que também bases na ansiedade disfuncional, são: Transtorno de Ansiedade Generalizada – TAG, Transtornos Fóbicos, Transtorno de Pânico e Síndrome de Burnout. Como dissera anteriormente, todas essas condições clínicas estão previstas acontecerem no início e em períodos intermediária dessa pandemia, forma significativa, epidemiologicamente, na população atual.

                 Em uma fase final desses acontecimentos, ou pós pandemia, em razão de tod sofrimentos, pesar e dor associados a pandemia, sobretudo às perdas enormes, as quais todos estamos sujeitos (saúde, trabalho, renda, laser, vida social, mortes, perdas materiais e patrimoniais, privações, dor e sofrimento) é esperado o aparecimento de graves episódios depressivos, com o incremento significativo de suicídios na população geral. Portanto, todo esforço que fizermos no sentido de impedir a proliferação desse vírus e o surgimento do COVID 19 é pouco, ante essa tragédia anunciada que há por trás dessa pandeia. Cuidemo-nos!

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