O vandalismo e suas diferentes formas de expressão

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A grande insurreição do povo brasileiro ainda está viva. Hoje, passado alguns dias do apogeu das manifestações, setores mais organizados da sociedade se mantêm firme, atenta e lúcida reivindicando seus direitos.

Aqui e acola ainda vê-se focos destas manifestações demonstrando que a população, apesar de tudo, permanece atenta, ligada aos compromissos já firmados. Ocorre que as manifestações agora são mais setorizadas, localizadas revelando queixas e solicitação especifica de setores mais organizados da vida civil. No início eram basicamente os estudantes, e agora o Brasil mostra sua cara revelando insatisfação de todos os tipos através de seus protestos da classe trabalhadora.

Destas manifestações muita coisa boa aconteceu e nos ensinou a todos. Uma delas foi se redescobrir a força gigantesca que nós temos quando nos unimos em torno de ideais. Observe que todo movimento se verificou graças a comunhão de aspirações comuns pretendidas por todos, isto é, todos lutavam pelas mesmas coisas, pelos mesmos ideais e pelos mesmos propósitos através do mesmo espírito de luta e contra as mesmas situações que prejudicam a população: desmandos, incúria e negligência, corrupção e muitas outras mazelas dos dirigentes públicos no trato dos interesses sociais e coletivos.

A moralidade deste movimento social, portanto, ocorre na busca de mais justiça, de igualdade social, de melhores condições salariais, melhores condições de saúde, educação, de melhores condições de moradia entre outras coisas. Ocorre que associado a este grande movimento reivindicatório inspirado na democracia, na dignidade e na ética, surge outro que vem merecendo toda nossa atenção, qual seja, a manifestação de violência e vandalismo entremeado nestas manifestações sociais reivindicatórias.

O quebra-quebra, a badernagem, a violência designadas de vandalismo que ocorre juntamente às manifestações reivindicatórias mais pacatas e ordeiras, também podem sociologicamente representar expressões de insatisfação popular de seguimentos ou grupos de pessoas que se encontram na mesma sociedade que nós fazemos parte. Não são seres de outro planeta, ou de uma sociedade excêntrica diferente, mas pertencem à mesma sociedade que construímos. São pessoas ou grupos, portanto, que expressam os mesmos dilemas, as mesmas insatisfações, inseguranças e contradições reveladas por outros grupos desta mesma sociedade que de forma ordeira e pacata reclamam. Estas ações, todavia, são condenáveis em si mesmas por prejudicarem a todos e serem destituídas de um sentido ético e de direito que deem bases à suas ações.  Todos demonstram frustações, desigualdades, injustiças proveniente de um estado desatendo com as questões sociais.

São também manifestações com forma diferente de tratarem as grandes questões, que dizem respeito a todos nós. São pessoas que falam através das pedras nas mãos, com os paus, com o fogo, com os desatinos, com o crime e através da violência revelam suas insatisfações diante de tudo que vem ocorrendo no mundo e em nosso país.

O vandalismo é uma expressão diferente, contrária a ordem e/ou à desordem social. São atitudes disfarçadas onde as condições que as incentivam não se justificam em si mesmas. São comportamentos sem limites, irresponsáveis e criminogênicos, mas que fazem parte do nosso viver e que podem expressar as profundas contradições que nos sustentam.

Veja por exemplo a violência contra nosso patrimônio moral e ético ao vê o Renan Calheiros, um homem que há bem pouco tempo fez o que fez em nossa república, ser presidente do Congresso Nacional a mais importante instituição política deste país; vê os bandidos do mensalão exercem cargos de notoriedade pública na Câmara dos Deputados, embora já julgados e condenados pela Corte Suprema deste país e até hoje soltos por aí; vê políticos chefes de estado passearem de aviões das forças armadas gastando fortunas indo para casa de campo e/ou vê jogo de futebol; ver parlamentares que se omitem em votar as matérias que irão beneficiar a população; vê o ministro de a saúde importar médicos de outros países para atender nossas populações desassistidas por falta de cama, de soro, de medicamentos e de condições dignas para realizar o trabalho médico.

Estas e muitas outras situações revelam as idiossincrasias sociais e políticas que ainda não tivemos forças para impedir, que podem ser consideradas também violências ou formas de vandalismo contra nossa ética, nossa dignidade, nossa cidadania e contra nosso maior e mais importante patrimônio público que é a ingenuidade e a fé do povo brasileiro, fatos que nos inspiram a ser tolerante ante estas contradições.

Portando, sou absolutamente contra qualquer forma de violência ou vandalismo, porém é muito importante que ao se examinar tais manifestações a contextualize com todas as particularidades que lhes digam respeito, para se entender bem o que se passa com este fenômeno neste momento histórico da vida nacional.

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Reinserção psicossocial dos dependentes de drogas

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            Um dos temas sobre os quais mais se debate em nosso país, na atualidade, é a questão das diferentes modalidades de internação que se deve oferecer ao dependente de álcool e outras drogas. Boa parte da celeuma gira em torno do tratamento involuntário e compulsório, previstos em lei. E, no foco da atenção, estão os pacientes que já se encontram em condições precárias do ponto de vista médico e psicossocial, não dispondo de recursos neuropsicológicos e emocionais para decidir se querem ou não se tratar.

            A moral da lei é garantir proteção da saúde e da vida dos enfermos e dos outros. Ela regulamenta procedimentos das instituições, dos profissionais e das famílias, além de definir as atribuições de cada um no curso do tratamento dos dependentes.

Como especialista na área, entendo que só as garantias já definem a lei como um grande instrumento jurídico a favor da vida e da saúde. Pois, contrariamente ao que muita gente ainda pensa, os usuários de álcool e drogas, quanto mais afetados em sua saúde mental pelo uso da substância, perdem progressivamente sua capacidade de decidir, optar ou escolher o que é o melhor para si, sendo que, na maioria das vezes, quando o fazem, estão sob a influência dos efeitos da droga.

Toda essa situação provoca dramas pessoais e sociais graves, em geral, afetando gravemente as famílias dos dependentes químicos, que ficam desesperadas, desiludias e descrentes, não sabendo onde encontrar ajuda. Muitas já perderam tudo financeiramente, seja por conduta transgressora do dependente, que vende tudo de casa para se drogar, ou por já terem perdido o controle total da situação. Muitos familiares têm sua saúde metal abalada pelo sofrimento e frustração impostos pela situação e já perderam a esperança na recuperação.

O que agrava mais ainda a situação é que há deficiências grosseiras na política de saúde sobre este assunto, pela inexistência de leitos hospitalares para desintoxicação dos enfermos, pronto-socorro especializado para agudos, ambulatórios de especialidades que sejam referências às famílias e aos pacientes e, por último, deficiência de pessoal treinado e especializado para garantir a exequibilidade da assistência aos enfermos.

Duas estratégias relevantes nesta área e ainda muito pouco debatidas são prevenção e reinserção social de dependentes químicos, mas negligenciadas pelo poder público na composição de suas medidas. Elas compõem o quadripé das políticas públicas sobre este assunto: redução da oferta (tráfico de drogas), tratamento e reabilitação (saúde), prevenção e reinserção social (educação e social). Em nosso país a ênfase é dada prioritariamente a assistência e redução do tráfico de drogas, executadas muito bem pelas polícias, apesar de deficiências apontadas acima. Porém, sobre estratégias de prevenção e reinserção social, trata-se muito pouco ou quase nada.

Na linha do tempo, temos que preparar nossa juventude para assumir os papéis que hoje assumimos na vida social, na vida pública e na economia etc. Temos que promover mecanismos que garantam o crescimento e desenvolvimento saudável de nossa juventude, livre de drogas e que se reconheça que usar drogas é uma prática insalubre e nefasta que só traz problemas e que o prazer advindo do uso é uma espécie de arapuca em que, ao entrar nela, é difícil sair. Temos que garantir uma juventude que se perceba importante, participativa, de valor no cenário da vida social e institucional de nosso país. E, isto tudo deve ser construído e fomentado em políticas educacionais, sociais e de saúde bem elaboradas e bem executadas.

Reinserção social de dependentes de drogas deveria ser prioritária na política sobre este assunto, pois são estratégias que favorecem reaquisição de tudo, ou parte de tudo, que foi perdido do ponto de vista psicossocial em razão do uso de drogas, além de evitar um dos maiores problemas encontrados entre os enfermos, que é são as recaídas. A reinserção social resgata a cidadania, os direitos individuais e sociais e o valor dessas pessoas e de suas famílias. Saem da condição de pária social, uma pecha maldosamente atribuída aos enfermos, para se transformarem em cidadãos dignos, livres e produtivos.

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Diagnóstico e tratamento da depressão na infância e na adolescência

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Ao contrário do que muitos pensam, crianças e adolescentes podem também sofrer de depressão, uma condição que agrava mais ainda as perspectivas sobre a doença. A depressão que sempre pareceu ser um mal exclusivo dos adultos, hoje atinge cerca de 2% das crianças e 5% dos adolescentes do mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde – OMS.

A OMS diz, ainda, que nos próximos 20 anos (até 2030), a depressão deverá tornar-se a doença mais comum do mundo, atingindo mais pessoas do que o câncer e as doenças cardiovasculares. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais diversos, a maioria delas nos países em desenvolvimento.

Entre as crianças, o índice de depressão também é preocupante. Nos últimos 10 anos, o número de diagnósticos de depressão em crianças, entre 6 e 12 anos, passou de 4,5 para 8%, o que representa um problema ascendente. “Setenta por cento dos adultos que apresentam quadro de depressão crônica têm histórico da presença da doença desde a infância. Ou seja, se não tratarmos o paciente enquanto criança, isso pode contribuir para que ele se transforme em um adulto depressivo”, comenta Fábio Barbirato, neuropsiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Pelas próprias características dessas idades, diagnosticar depressão é bem complicado, pois nas crianças, os sintomas depressivos podem ser confundidos com mal-criação, birra, mau humor, tristeza e agressividade, irritabilidade ou nervosismo. Porém, o que vai distinguir uma coisa da outra é a evolução e as características clínicas das queixas apresentadas por essas pessoas. Na adolescência, o diagnóstico de depressão é também complexo, pois a mesma pode se revelar de diferentes maneiras, particularmente, no aspecto das relações sociais: desinteresse, apatia e retraimento social e no bem-estar geral e, nesta fase, o mais preocupante são os elevados índices de suicídio que podem ocorrer, especialmente quando a situação não é adequadamente diagnosticada e tratada.

Não devemos confundir depressão com as angústias provenientes dos conflitos naturais próprios da adolescência, pois o processo do adolescer é muito delicado e se caracteriza, entre outras coisas, pelas contradições, rebeldias, insatisfações constantes e ânsias de mudanças comuns nesta época da vida de tal forma que os sintomas próprios da depressão podem estar mascarados com estas peculiaridades naturais da idade, dificultando muito o diagnóstico da doença.

Entre os principais sintomas de depressão estão: alteração de humor, com irritabilidade e ou choro fácil, ansiedade, desinteresse em atividades sociais, como ir à escola, brincar com os amigos ou com brinquedos, falta de atenção e queda no rendimento escolar, distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro, perda de energia física e mental, reclamações por cansaço ou ficar sem energia, sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo, dores na barriga, na cabeça ou nas pernas, sentimento de rejeição, condutas anti-sociais e destrutivas, distúrbios de peso (emagrecer ou engordar demais), enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes). Para a OMS se a pessoa apresentar cinco, entre os 13 sintomas referidos acima, o diagnóstico poderá ser efetivado.

E, neste caso ante os primeiros sinais ou sintomas da depressão, os pais devem encaminhá-los a um profissional o mais rápido possível. Na maioria das vezes, o apoio da família e a psicoterapia são suficientes para ultrapassar a situação. Se, a partir dos 9 anos de idade, persistirem ou se agravarem tais sintomas, faz-se necessário, em alguns casos, intervir com medicamentos. Além do mais a depressão infantil pode desencadear várias outras condições médicas, tais como: anorexia, bulimia, etc.

Um fato importante é que depressão tem base genética e que filhos de pais com depressão têm mais chance de ter a doença, o que não significa que não se possa tratar, prevenir e curar esta condição. O importante é que tanto o diagnóstico quanto o tratamento devem ser o mais precoce possível para evitar cronificação prematura do quadro depressivo. A psicoterapia é recomendada para crianças com até 9 anos, embora a depressão possa ser diagnóstica a partir dos 4 anos. E, a partir dos 9 anos de idade, pode-se recomendar o uso de medicamentos, sempre associados à psicoterapia, pois a associação de ambos pode proporcionar respostas satisfatórias em até 95% dos casos.

 

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A violência como marca assustadora da sociedade

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É cada vez mais desanimadora a possibilidade de nós, nos próximos anos, vivermos em uma sociedade que viva em paz, muito embora seja o grande clamor nos dias atuais. Todos clamam por paz, por justiça, por mais igualdade e, sobretudo por segurança. Este último apelo cresce em proporções avassaladoras em consequência do aumento dos índices de violência em nossa sociedade.

É um tema que abastece a grande mídia nacional. Vejam que boa parte do tempo dos noticiosos, dos telejornais e de outras mídias é dedicado a anunciar fatos de conteúdos violentos e muitos com requinte de crueldades, inaceitáveis. Os anos passam, as reclamações se avolumam e parece que estamos imobilizados diante do avanço sistemático da violência entre nós.

A violência, sob qualquer ótica que a examinemos, nos conduz a considerá-la como um epifenômeno que tem suas raízes nas dimensões individuais e sociais, onde um grande número de fatores de diferentes matizes concorre para sua expressão final. Há uma corrente de pensadores e de estudiosos, entre os quais sociólogos, antropólogos, juristas, psiquiatras e outros tantos profissionais, que consideram a violência como uma espécie de “ponta de um iceberg”, onde os verdadeiros problemas estariam submersos e o comportamento violento seria o pano de fundo para não os vislumbrar. Isto é, a violência seria um sintoma que esconde a verdadeira doença a que estamos submetidos, e esta, por sua vez, expressaria as profundas contradições e desagregações tanto individuais quanto sociais da atualidade.

Por outro lado, há os que acreditam que devido ao alto grau da sua presença e dos graves problemas a ela relacionados, ela própria se tornaria fenomenologicamente “o problema” com identidade, autonomia e independência no contexto social. Portanto, a violência seria um fenômeno independente, com vida própria, não sendo um “sintoma” de algo que nos constrange, como vimos acima, mas ela, em si, seria a doença.

Há verdades em ambas as afirmações. Acredito que a presença da violência em uma sociedade reflete tanto uma coisa quanto a outra, isto é, sintoma e doenças caminham juntos, de tal forma que o melhor seria entendermos a violência como um fenômeno composto de ambos os argumentos. Ocorre que passa a ser tão comum e frequente a prática da violência, que se torna banalizada.

As pessoas só se dão conta de suas inseguranças e nada mais. O fato violento passa ser banal, comum e corriqueiro. As manifestações de indignação se dão de forma localizada e isolada, dissonante das medidas públicas que são utilizadas para seu enfrentamento. E como isto se daria? Através da criação de um ser humano violento, autor e vítima do próprio comportamento violento. Não somos violentos em nossa natureza, mas estamos nos transformando em seres violentos. E é este homem violento que produz, fabrica e cultiva a violência. É um novo ser que está sendo construído pela sociedade moderna, indiferente à dor e ao sofrimento do outro, um homem que a cada dia pratica a maldade com requintes de crueldade, um homem distante da ética, da bondade da crença, da fé, um homem que cultiva o desamor, arrogância, onipotência, ávido pelo poder, pela posse, sem solidariedade e sem humanidade, entre outras coisas. Posso afirmar que este homem contemporâneo expressa a própria violência em sua natureza, embora não o sejamos. A sociedade que se constrói reflete o que se passa por dentro de cada um.

A impressão que se tem é que cada um de nós vive como se fosse morrer amanhã e temos que fazer tudo de forma rápida e ao nosso modo. Matamos os outros como se não fizessem parte de nós, ou como se nós mesmos fôssemos nossos próprios inimigos. Destruímos as plantas, os animais, como se não fizessem parte de nosso universo, exortamos o ódio como se fosse um instrumento de defesa, não sabendo que o ódio destrói a quem o sente e não aos outros. O homem que está sendo construído está destruindo-se a si mesmo.

Esta é a matriz da violência. E tudo que venha a surgir com este colorido brotará daí. Não é o trânsito que mata, as drogas que destroem a humanidade, muito menos a injustiça que nos destrói, muito embora se saiba que cada um desses itens são sumamente importantes na avaliação da situação e tenha sua importância relativa, mas o essencial está dentro de cada um de nós, e o pior é que muitos não sabem nem para onde querem ir.

 

 

 

 

 

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O cérebro, a consciência e a saúde mental.

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              Estamos vivendo um período magnifico da neurociência, um capítulo do conhecimento científico relacionado com a atividade cerebral e nosso comportamento. É uma das áreas da ciência mais importantes, pois, a cada dia os avanços são significativos no sentido de se saber como funciona este órgão magnifico e a repercussão de suas atividades em nosso comportamento tanto na saúde quanto na doença. É composto por um trilhão de células nervosas, sendo cem bilhões só de neurônios. Cada um destes neurônios tem identidade própria em forma e função daí por que sabem muito bem o que fazer neste emaranhado conjunto de células que compõe o tecido nervoso.

             É um órgão que pesa 1/20 avos de nosso peso corporal, aproximadamente 1,300 kg e, consome cerca de 20% de todo oxigênio que precisamos para viver. É o órgão que comanda todas as atividades humanas desde um simples piscar de olhos, até atividades ultra-complexas como pensar, sentir, decidir, ter vontade, amar e ter consciência. Portando, o cérebro é a sede material onde são processadas todas as vivências humanas.

Através dos estudos de neurofisiologia e da neuroquímica sabe-se que o cérebro se renova constantemente, não é um órgão estático, como se pensava antes, ao contrário graças às atividades de suas células ele se renova continuamente para garantir suas diferentes tarefas. É um órgão que registra todas as experiências vividas e a partir delas criam-se novos circuitos cerebrais específicos para cada uma delas. Só o fato de você sair de uma rotina, por ex., optar por fazer um trajeto novo, diferente do que é feito regularmente, os neurônios já desenvolvem novos circuitos cerebrais que se agregaram aos já conhecidos para garantir esta nova atividade e assim por diante, de tal forma que as experiências diárias mudam o cérebro constantemente, para novas adaptações.

Sabe-se hoje que quanto maior forem as experiências positivas na vida do indivíduo, seu cérebro funcionará melhor, e como ele funciona em consonância com outros órgãos e sistemas do nosso corpo, as atividades deles também funcionaram melhor.

Todas estas prerrogativas podem ser sintetizas imaterialmente através do se conhece pelo nome de mente que é a representação abstrata e simbólica que nos orienta, nos comanda, nos controla, interpreta e traduz em expressão material o comportamento. De tal forma que quando o cérebro não está bem, isto repercutirá na mente e esta, por sua vez, em ações. Portanto o cérebro não cria o seu próprio destino, embora se autorregule sendo a genética que lhe fornece as bases para seu funcionamento regulando a si mesmo e o restante do corpo.

A parte do cérebro, denominada de neocortex, que é a estrutura mais nova hierarquicamente desenvolvida a partir da evolução humana, é dotado de uma enorme responsabilidade para nossa vida que é, entre outras coisas, a de tomar decisões, optar, escolher sobre o que queremos, além de discriminamos, de adoramos, estimamos, controlamos e evoluímos em nossa cadeia biológica como seres humanos. Muitos outros comportamentos relacionados com nosso modo de vida estão todos irremediavelmente ligados às inúmeras outras áreas e funções específicas de nosso cérebro. Um fato notório e muito importante é que nossa saúde mental e social depende diretamente da forma como estas distintas funções se relacionam umas com as outras, de tal forma que qualquer alteração por menor que seja, alterará o funcionamento global deste sistema interconectado, resultando no aparecimento das chamadas doenças mentais.

Os psiquiatras e outros estudiosos do comportamento humano recomendam algumas atitudes que colaboraram muito para a proteção, promoção e garantia de nossa saúde mental: procure cultivar bons amigos; participe de tudo que puder e não se isole; procure manter um relacionamento com um companheiro ou companheira estável e duradouro; engaje-se em projetos pessoais ou sociais que lhe ocupem a mente e que valham a pena; dê valor e importância para si mesmo; aproxime-se de pessoas que possuem um bom estilo de vida e que tenham hábitos saudáveis e lhe inspire confiança; tenha um propósito em sua vida; deixe tempo para lazer, praticar esportes e brincar; aborde as questões que o fizeram ficar com raiva e não as guarde sobre qualquer pretexto; mantenha uma boa e frequente atividade sexual; evite a qualquer custo tudo que lhe gere stress e, se não puder evitar procure administrá-lo; evite ou saiba lidar com condutas impulsivas e com os rompantes negativos; quando você tiver uma reação negativa, pare, volte atrás, respire, e observe como você está se sentindo; procure fazer o bem ao próximo, isto nos ajuda muito a vivermos melhor e não cultive inveja ou ódio por ninguém. Estas recomendações são simples, mas funcionam no sentido de promover nossa saúde mental e vivermos bem melhor, pois seu cérebro irá prosperar, mesmo que a vida se apresente com altos e baixos. Você é que vai liderar o seu cérebro.

 

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O Brasil Insone

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Com este titulo muitos podem pensar que nosso país adoeceu, que não esta dormindo bem ou que algo de muito grave o atingiu ao ponto de tirar-lhe o sono, já que se sabe que este adjetivo insone representa uma condição psicopatológica relativa a uma alteração do sono de alguém. Todavia, permitam-me a ousadia, ao propor o titulo deste artigo, minha intenção era tão somente dizer que nosso Brasil continua sintonizado com suas reinvindicações, permanece em alerta, não baixou a guarda, continua na luta e em prontidão, vendo que muitas de suas reinvindicações ainda não foram atendidas.

Portanto, insone aqui, não diz respeito à distúrbios do somo e sim ao fato da população mais jovem deste país manterem-se  acordada, atenta e com os olhos acessos para saber-se que rumos darão aos seus pleitos e, para tanto se mantém inquieta, esbravejante, gritando alto para que todos ouçam suas reclamações, ao meu ver  justas e plausíveis diante do indiferentismo que vêm ocorrendo com nossa nação na gestão da coisa pública.

Este levante nacional, portanto é, sobretudo uma demonstração de saúde mental do povo brasileiro reveladas pelas atitudes seguras e determinadas e por saberem muito bem o que querem. A demonstração de coragem, espírito de luta, de um caráter altivo e rebelde estão sendo confrontados com as incompetências e negligências do poder público e com a famigerada corrupção que se alastra por este país em todos os cantos e que por tantos anos alimentou os donatários do poder.

No dia 03 deste mês, na última quarta feira foi a vez dos médicos brasileiros se incorporarem às lutas que encantam a todos. E isto aconteceu de forma democrática, ordeira e sensata, que a uma só voz, em todo Brasil, manifestaram sua indignação diante dos problemas graves da nossa saúde pública, ante uma proposta politiqueira do governo federal visando importar milhares de médicos de outros países para aqui exercerem suas atividades profissionais.

Em princípio, nada contra, até porque nós também saímos muito daqui para trabalhar e estudar alhures, além do mais não há nada melhor do que trocar experiências com colegas de outros países, bem como estabelecer alianças internacionais de colaboração mútua para se enfrentar certas situações no âmbito da saúde pública de um povo ou de uma nação.

Ocorre que a proposta do governo Brasileiro desconsidera preceitos institucionais que regulam idas e vindas de profissionais médicos entre países, normas estas criadas e validadas pelos próprios governos entre as quais a validação do diploma destes profissionais – REVALIDA – para exercerem suas atividades em nosso país. Esta norma foi criada com o intuito inclusive de se saber o preparo e qualidade técnica dos serviços que serão prestados ao nosso povo. O governo quer atropelar esta prerrogativa internacional permitindo que os profissionais importados não se submetam a tal avaliação, fato que poderá expor a nossa população a muitos riscos.

A meu ver, se o governo pretende demonstrar sua intenção em resolver os problemas da saúde deste país através desse expediente, irá dar com a “cara na parede”, pois tudo indica que haverá mais confusão e menos solução.  Ao mesmo tempo se sabe que esta medica isoladamente passa de longe das soluções aos graves problemas já identificados de nossa saúde pública, por isto eu pergunto: porque não se propor um plano geopolítico de carreira e salário médico como o que já ocorre com o Ministério Público e o Judiciário e outros órgãos importantes da nossa vida profissional? Porque não fiscalizar ainda mais a aplicação dos recursos financeiros destinados a saúde em nossos municípios? Porque que não se oferecer melhores condições de trabalho as médicos que irão trabalhar nos interiores? Porque não garantir salários dignos evitar que os médicos tenham que trabalhar uma carga horária exagerada para garantir uma renda mínima digna a estes profissionais?

Por não responderem estas e muitas outras perguntas é que nos encontramos nesta situação e não é com importação de outros profissionais que iremos resolver estes impasses ou atingir nossos objetivos. Agora, nós médicos e a população brasileira, mais do que nunca, deveram estar atentos, pois cutucamos “a cobra com vara curta” e baseado na lei da inércia insistirão em manter esta situação nos fazendo engolir estas propostas descabidas e ineficazes. Devemos, portanto permanecer insone, pois em um cochilo, podemos colocar tudo a perder perdendo a chance de estabelecermos um grande pacto nacional que garanta uma saúde de qualidade à população brasileira.

Parabéns aos médicos, ao Conselho Federal de Medicina – CFM, à Associação Médica Brasileira – AMB e a Federação Nacional dos Médicos – FENAM e a todas as entidades que fazem saúde em nosso país e que estão apoiando este movimento que visa tão somente readquirir as condições mínimas de trabalho para se poder oferecer uma assistência médica de qualidade ao nosso povo.

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