A origem das doenças metais

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A Psiquiatria clássica, sempre tentou localizar no cérebro as origens das doenças mentais, muito embora há muitos tempo se sabe da natureza multicausal dessas doenças. Nesse sentido a psiquiatria e a neurologia sempre caminharam juntas ao ponto de, por muitos anos, a junção dessas duas especialidades ter sido designada de neuropsiquiatria. Com o avançar dos conhecimentos sobre as causas dessas doenças percebeu-se que outras áreas do conhecimento, especialmente a psicologia, a sociologia, a antropologia, exerciam uma influência relevante nesse contexto pois, dificilmente explicaríamos sua natureza tão complexa, a partir tão somente do conhecimento  médico.

Na atualidade, com bases científicas sólidas e baseadas em evidências clínicas sabe-se que a sede material de onde se origina tais doenças é neurobiológica sendo o cérebro o ponto mais importante para se explicar tais ocorrências. Ao mesmo tempo, disciplinas como a genética, a bioquímica, a imunologia, a farmacologia e a neurofisiologia, clínica exercem um importante papel na rede complexa de suas causas.

Um conhecimento que vem contribuindo de forma especial para esse esclarecimento , é a neuroquímica e a neurofisiologia do sistema nervoso central, pois ambos os aspectos, garantem através de seus mecanismos vitais,  a totalidade das atividades cerebrais. Além disso, todos os estudos realizados nessas área demonstram que doenças como as fobias, depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), a esquizofrenia e muitos outras, são explicados a partir de disfunções que acontecem em determinadas áreas do cérebro desses enfermos.

Os estudos de farmacologia das doenças mentais fornecem informações relevantes sobre as bases materiais das origens dessas doenças. A farmacologia psiquiátrica, recurso imprescindível para o tratamento das doenças mentais, transformou o prognóstico sombrio que existia sobre a evolução desses transtornos, em algo promissor  garantindo chances reais de uma boa recuperação. De tal forma que graças a essa evolução, desse conhecimentos, doenças como a esquizofrenia e depressão, consideradas doenças muito graves no passado, hoje são enfermidade que tem um prognóstico favorável, com possibilidade desses enfermos levarem uma vida saudável.

O cérebro como sede dessas doenças

É uma das partes mais importantes do sistema nervoso central situado no interior do crânio, pesa cerca de 1,3 kg, é uma massa de tecido cinza-róseo. Quando cortado, o cérebro apresenta duas substâncias com tonalidades diferentes: uma branca, que ocupa o centro, e outra cinzenta, que é a parte externa do cérebro e forma o córtex cerebral. Esse está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas. Cada uma delas responsável por uma atividade específica. É no cérebro que ocorrem diferentes fenômenos os quais garantem e promovem, entre outras coisas, o comportamento sadio e/ou patológicos dos indivíduos. É um órgão formado por um trilhão de células nervosas, entre as quais cem bilhões de neurônio, todos encarregados de executar suas múltiplas funções.

A célula que compõe o cérebro é o neurônio, célula altamente especializada na execução dos processos de controle, armazenamento, geração  e transmissão da informação intercelular. Estes neurônios, juntamente com as outras células cerebrais se relacionam entre si constituindo em uma grande rede, onde todas se comunicam com milhares de outras e vive-versa. São bilhões destas células organizadas anatômica e funcionalmente para garantir a integridade do órgão e do nosso comportamento. Funcionam de forma articulada e sincronizada promovendo nossa saúde ou ao contrário as doenças mentais.

De tal forma, que os estudos atuais de neurociência das doenças metais demonstram que grande parte das disfunções que ocorrem ao nível dessas atividades cerebrais são responsáveis pelas doenças mentais e dependendo da natureza destas alterações e o local do cérebro onde elas ocorram, definir-se-ão o tipo clínico dessas clínica da doença.

 

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Violência e tolerância: condições insuportáveis

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Talvez não haja, na atualidade, nada que chame tanto nossa atenção quanto os fatos relacionados à violência. É o prato cheio dos jornais, das tvs, dos noticiosos, dos blogs, enfim todos os meios de comunicação que nos abastecem de notícias todos os dias. Além do mais, é o assunto corriqueiro nas rodas sociais, dos encontros, das conversas informais das quais todos nós participamos.

Nesses diferentes momentos, é unânime a perplexidade de todos ante esse fenômeno, que cresce a cada dia e vem tomando proporções gigantescas  e insuportáveis do ponto de vista social e pessoal. Todos se mostram assustados, inseguros e sem saber onde buscar saídas. Diante disso, o que nos incomoda a todos, é o fato de haver cada vez menos lugares seguros onde as pessoas possam se encontrar, sem sentirem-se ameaçadas ou perseguidas.

Passou-se a criar rotinas tão estreitas em nosso dia a dia que se afunilam em rotas diárias supostamente seguras por medo de mudar a rota  e ver-se surpreendido por um marginal, um bandido, assaltante ou assassino. Nem dentro das próprias casas, nos restaurantes, nas escolas, nas universidades, nos ambientes de lazer, há sensação de segurança. A situação é tão séria, que há os que dizem que os cidadão estão presos e os marginais soltos. Vejam onde chegamos com tanta violência.

Sobre a violência, tenho dito que se trata de um epifenômeno, isto é, por trás dela é que estão os verdadeiros problemas, que a rigor, não aparecem mas somente os seus efeitos. É um fenômeno abrangente que quando se manifesta outras questões já se insinuaram e não se percebeu. Para que a violência possa ser plenamente examinada, temos sempre que contextualizá-la. A violência não se encerra por si mesma e não tem vida própria, é um sintoma grave de um ser enfermo que a qualquer momento pode morrer.

Veja, por exemplo, o que está havendo em nossa capital. De uma cidadezinha linda, livre e pacata, virou um inferno onde prevalecem práticas de intensa corrupção em órgãos públicos, falcatruas de todos os tipos, negligência ostensiva dos dirigentes no trato da coisa pública, omissão generalizada. Nunca se matou tanta gente quanto se mata hoje nessa cidade e nesse estado. A cada dia, se tem a impressão de que foi costurado um pacto de banalização da morte e um desrespeito assumido pela vida humana. Mata-se mais proporcionalmente em São Luís do que nas grandes guerras. O pior é não observar medidas concretas contextualizadas e estruturantes que demonstrem sensibilidade ao problema, que já é um drama local, objeto de notícia internacional, acompanhada por pressão de organismos internacionais que condenam o que está havendo nessa cidade.

 

Veja o estado vergonhoso a que chegamos: a Organização dos Estados Americanos – OEA,  através da Corte Interamericana de Direitos Humanos – CIDH, determinou que nosso país adote medidas urgentes para interferir com a situação de superlotação  dos presídios do Maranhão, onde já foram registrados mais de 50 mortes ocorridas neste ano. É de fato algo lamentável e que nos dá uma sensação de indignação total. Essa medida internacional atesta a negligência absoluta e falta de comando do Poder Público em manter um sistema prisional tão importante para o equilíbrio e segurança sociais.

Apesar de tudo, há uma espécie de tolerância assustadora ante a violência que vem ocorrendo em nossa cidade e em nosso país. A impressão é que não sabem o que fazer nem onde vai parar. Enquanto a violência toma conta da cidade, há uma demonstração de resiliência do Poder Público com a barbárie. Os assassinatos são cometidos das formas mais absurdas, em todos os lugares, dentro das casas, nos presídios, nos bares, nas ruas, nas festas, onde quer que seja, as mortes estão acontecendo. E pior, ora com requinte de extrema crueldade, como a que se viu na Penitenciária de Pedrinhas, ora de inexplicável banalidade do agressor.  Ao mesmo tempo clama-se por medidas emergenciais para sustar essa onda de crime e de  horror, e nada. Estamos de fato por conta da sorte pois se formos esperar que o poder pública tome alguma iniciativa para garantir nosso direito mínimo que é o de assegurar nossa segurança, não acredito.

 

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O consumo de álcool e outras drogas na gravidez

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O impacto do uso de drogas na gestação é surpreendente e cada vez mais se acumulam conhecimentos médicos e psicossociais que demonstram as graves consequências para o bebê, em diferentes momentos gestacionais. A vida intrauterina é crucial para definição de tudo que pode vir a acontecer na vida de uma pessoa, de tal forma que esse período deveria ser experimentado de forma absolutamente saudável para garantir o futuro da criança.

Em nosso país existem poucos estudos epidemiológicos correlacionando gestação com consumo de drogas, além de haver pouca modificação no comportamento das gestantes em relação ao uso de drogas, tanto no Brasil quanto em outros países, especialmente quanto ao álcool. No Brasil pesquisas demonstram que, nos últimos dez anos, as mulheres estão bebendo cada vez mais.

Abaixo as principais consequência do consumo de algumas das drogas em mulheres grávidas:

Álcool

Não há uma quantidade considerada “segura” para grávidas consumirem álcool. A abstinência nessa situação é considerada a melhor atitude, pois o etanol atravessa facilmente a barreira hematoplacentária e pode determinar efeitos teratogênicos no feto. A Síndrome Alcoólico Fetal – SAF é a principal consequência do uso de álcool nesse período e se caracterizada por retardo do crescimento intra-uterino, déficit mental, alterações músculo-esqueléticas, geniturinárias e cardíacas. As alterações neurológicas determinadas pelo etanol incluem alterações na mielinização e hipoplasia do nervo óptico. A família terá que conduzir esse problema pela vida toda, pois são poucos os recursos médicos e psiquiátricos para se tratar  o problema.

Cocaína

A prevalência do uso da cocaína e seus derivados, crack, merla e oxi, tem aumentado dramaticamente na população gestante nas últimas décadas. Estima-se que até 10% das mulheres norte-americanas tenham utilizado cocaína durante a gravidez, tendo ocorrido parto pré-termo ou descolamento prematuro de placenta na maioria dessas pacientes, além de outras complicações, tanto maternas quanto perinatais.

A cocaína provoca doença hipertensiva gestacional e suas complicações também são dramáticas para o feto, pois entre outras coisas provocará exacerbação do sistema simpático, provocando hipertensão, taquicardia, arritmias e até falência miocárdica e morte. Essa substância atravessa rapidamente a barreira placentária sem sofrer metabolização, agindo diretamente nos vasos dos fetos determinando vasoconstrição, além de malformações urogenitais, cardiovasculares e do sistema nervoso central. Além disso, como o fluxo sanguíneo uterino não é auto-regulado, a sua diminuição provoca insuficiência útero-placentária e baixa oxigenação sanguinea.

Maconha

Provavelmente seja a droga ilícita mais frequentemente utilizada na gestação, com incidência variando entre 10% e 27%. Os efeitos psicoativos, especialmente alucinógenos são decorrentes do princípio ativo delta-9-tetra-hydrocannabinol (THC), que facilmente atravessa a barreira placentária. A maconha, diminui a perfusão útero-placentária e prejudica o crescimento fetal. O uso de maconha levaria ao retardo da maturação do sistema nervoso fetal, além do aumento dos níveis plasmáticos de noradrenalina ao nascimento, o que provocaria distúrbios neurológicos, psiquiátricos e comportamentais precoces.

Nas mãe a maconha determina descarga de adrenalina, com taquicardia, congestão conjuntival e ansiedade, enquanto que o uso crônico pode provocar letargia, irritabilidade, além de alterações no sistema respiratório, como bronquite crônica e infecções de repetição.

Tabaco

O monóxido de carbono e a nicotina, e muitas outras substâncias que compõem o tabaco passam também facilmente pela placenta. 
O monóxido de carbono apresenta uma alta afinidade pela hemoglobina do feto, impedindo que esta se ligue ao oxigênio, favorecendo a falta de oxigênio fetal. A nicotina determina vasoconstrição e o aumento da resistência vascular. Além disso, a placenta de mães tabagistas apresenta características sugestivas de diminuição do fluxo de sangue, e, como consequência, há uma maior incidência de retardo do crescimento intra-uterino, descolamento prematuro de placenta e rotura prematura das membranas ovulares.

Fumar no puerpério (após parto) também é prejudicial ao bebê, pois os produtos do tabaco passam pelo leite da mãe, além de ocorrer diminuição de sua produção. Apesar disso, somente 20% das gestantes que fumam interrompem o tabagismo durante a gravidez.

 

 

 

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A oração, a fé e a longevidade

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 Já somos sabedores das competentes orientações médicas sobre o que devemos fazer para se viver bem, melhor e por mais tempo. Recomendações como: evite gorduras, sal, excessos de açucar, vida sedentária, obesidade, stress, beba poco, nao fume e muitas outras recomendações, já são por demais conhecidas. Todas, com o propósito de garantir a saúde, a qualidade de vida e a longevidade.

Nesse sentido, foi anunciado recentimente, o resultado de uma importante pesquisa sobre a longevidade humana realizada pelo médico Lewis Terman da Universidade Stanford, na Califórnia, tendo ele iniciado seus estudos em 1921, selecionando um grupo de 1 500 crianças para acompanhá-las durante os anos seguintes. Terman, faleceu em 1958, mas seus assistentes proseguiram com esses estudos acompanhando todo o grupo por décadas, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que suas mortes os separassem.

Em 2012, as conclusões desses estudos foram anunciadas e entre estas, a confirmação da importância dos conselhos médicos clássicos, descritos acima. Os pesquisadores chegaram a conclusões surpreendentes, por exemplo: trabalhar muito é um caminho para viver muito, otimismo de mais pode ser prejudicial e a genética não é assim tão determinante para prever seu futuro, pois há pessoas que por terem pais longevos, acreditam que também o serão e por isso não se cuidam.

Entre as outras conclusões uma nos chamou a atenção pelo fato de confirmar algo que já estava no senso popular há anos: a fé cura e influencia a longevidade e, quem comparece à missa, culto, centro espírita, sinagoga, terreiro etc. em geral vive mais. Esta conclusão gerou um dilema: religiosos vivem mais porque rezam ou rezam porque vivem mais? Os dados não permitem concluir se a saúde dos anciãos é beneficiada pela experiência ou se, na verdade, quem tem disposição para ritos religiosos são justamente os mais saudáveis. Moral da história: na dúvida, tenha fé em alguma coisa.

Quando se diz, a fé cura, a fé remove montanhas, a fé salva e muitas outras afirmações oriundas da crença popular, nesse trabalho ficou demonstrado a veracidade científica dessas afirmações. A neurociência nesse sentido, há muito tempo, vem afirmando que a fé como vivência humana, está programada em nosso cérebro, e que tal vivência produziria, de diferentes maneiras, benefícios para a saúde.

Charles Darwin, criador da teoria da evolução há 150 anos, já havia registrado no livro, A descendência do homem, em 1871: “Uma crença em agentes espirituais onipresentes parece ser universal”. “Somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”.

Outro neurocientista, Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia – EUA, que estuda as manifestações cerebrais da fé há pelo menos 15 anos, demonstrou que as práticas religiosas estimulam, entre outras regiões do cérebro, os lobos frontais, responsáveis pela capacidade de concentração e os lobos parietais, que nos dão a consciência de nós mesmos e do mundo. Outros estudos em andamento pretendem compreender melhor a meditação e a prece, mas a pesquisa de Newberg mostra que, durante essas atividades, o lobo frontal fica mais ativo que o lobo parietal demonstrando efetivamente a ação dessas atividades em nossa vida.  Em seu novo livro,“Como Deus muda seu cérebro”, Newberg explora os efeitos da fé sobre o cérebro e o impcato disso na vida das pessoas. Estudos anteriores nesta àrea verificavam os efeitos à curto prazo de práticas como a meditação e a oração. Agora, ele e seu grupo, pretendem responder à seguinte questão: o que acontecerá se você adotar, com frequência, uma prática como a meditação ou a prece?

 

Robert Hummer, sociólogo e professor da Universidade do Texas que também desenvolve trabalhos nesta àrea, que acompanha um grupo de pessoas desde 1992, estudando a relação entre a religião e a saúde, garante que, quem nunca praticou uma religião tem um risco duas vezes maior de morrer nos próximos oito anos do que alguém que a pratica pelo menos uma vez por semana. As evidências da influência da fé na saúde são promissoras afirma o neurologista brasileiro Jorge Moll, diretor do Centro de Neurociência da Rede Labs-D’Or: para ele o desafio é quantificar a influência da fé e tentar compará-la com os efeitos de outras práticas sem conotação religiosa.

Alguém duvida que a oração sob inspiração da fé e do amor, em momentos de sofrimentos, angustia, e dor, não juda? Que a fé influencia muitas pessoas a se recuperarem de graves problemas, como dependência de drogas e em outras doenças? Que a oração, nos dá paz e serenidade? Todos esses efeitos estão ligados a capacidade humana de ter fé e de amar.

Portanto, orar, rezar ter fé, entrar em comunhão com Deus, ir a igreja com a finalidade religiosa não é tão somente só uma atitude social, e sim são atitudes eficazes que garantem mais bem estar, saúde e longevidade. Nesse natal que se aproxima, vamos rezar muito e cultivar a fé para vê-la brotar em Deus, em nós e nos homens.

 

 

 

 

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Dia Internacional Contra a Corrupção

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Hoje, dia 9 de dezembro, comemora-se o dia Internacional contra a Corrupção. Esse dia refere-se a instalação da Convenção internacional das Nações Unidas contra o crime, realizada em 2003, em Mérida nos Estados Unidos. A ideia da convenção era fortalecer as medidas de prevenção e combate a corrupção em todo mundo e nosso pais e signatário, inclusive a comemoração alusiva ao dia 09 foi sugestão da delegação brasileira na convenção.

Os Srs. já imaginaram se houvesse uma mobilização global na face da terra onde todos os continentes em um só voz e com a participação de todos indistintamente desbancassem, de uma vez por todas, com essa praga chamada corrupção, que assola o mundo? Já imaginaram um mundo livre dela, e mesmo que houvesse, os que a praticassem fossem punidos de forma mais rigorosa? Imaginem, se dispuséssemos  uma justiça ágil que obrigasse esses larápios devolvessem todos os bens, que fossem saqueados ao erário publico? Que governantes corruptos fossem para as cadeias?

Muitos estão dizendo; isso e utopia, isso não existe. Mas, eu pergunto: não são as utopias e os sonhos, que nos fazem mudar? Alguém que não sonha, cresce na vida, progredi ou avança em seus propósitos? O que seria de nos se não sonhássemos? Posso afirmar, que sem sonhos a vida perde o sabor e o sentido, nada ocorre de importante quando não se sonha. Ocorre, que permanentemente somos convocados a enfrentar tantos desafios e tantos percalços, que nos resta pouco tempo para sonhar.  O mundo sem corrupção e possível, e o que  todos querem, e o desejo de todos.

Ocorre, que para se chegar onde se quer devemos fazer por onde. Não se muda nada sem agirmos, tudo começa no pensamento nas se materializa na ação. A corrupção, como ação criminosa e repudiável se alimenta de praticas espúrias que fomentam indignação e revolta. São crimes abomináveis e praticados, por bandidos em geral vestidos de terno e gravata, que a rigor exercem funções de notoriedade publica, se apossam do erário publico sem qualquer pudor, culpa ou remorso e os “ganhos” os aplica em seu próprio beneficio. Esses larápios,  aparecem vindo de todos os lados, sem avisar e, de forma lenta e insidiosa, semelhante a uma peste daninha, vai minando e destruindo todos os setores da vida publica ou privada, dilacerando prerrogativas de muito valor como a honradez, a ética, a moralidade na gestão da coisa publica, a justiça, e principalmente as instituições.

Ninguém, muito menos uma sociedade, resiste aos efeitos deletérios e devastadores da corrupção. Lamentavelmente e uma presença marcante e forte no mundo contemporâneo.

Em recente relatório internacional sobre corrupção nosso pais figura na 72 posição no ranque internacional da corrupção. Um fato curioso e que a população apesar de ainda se indignar diante das praticas de corrupção vem se tornando tão comum  e tao frequente frequente essa pratica em nossas instituições que parece que alguns segmentos dessa mesma população já se acostumou com esse câncer. Algo muito parecido ocorre quanto a onda de violência que assola o nosso pais e principalmente nosso estado. As vezes a impressão que se tem e que se tornou tão banal  corriqueiro se falar em assalto, assassinato, roubo e muitos outros crimes que já nãos nos assustamos como antes, isto e, estamos incorporando em nossa cultura essas praticas, situação que ao meu ver nos imobiliza a todos .  E tanto a pratica violência, em suas diferentes facetas, quanto a pratica da corrupção parecem que ambas as condições que fazem parte do nosso dia a dia.

Todavia, não devemos deixar que isso ocorra, devemos aproveitar o mote desse dia internacional para fortalecer movimentos internacionais, nacionais ou locais para se contestar de forma acirrada contra essas praticas antihumanas e abomináveis. Devemos manter sempre acesa a chama anticorrupção e ante tudo que seja antiético e imoral para garantir nossa sustentabilidade como seres humanos.

Na tentativa de controlar essa pratica da corrupção no pais, o governo federal propõe que a corrupção seja considerada um crime hediondo. Essa condição implicaria em punições ,ais severas contra esses bandidos corruptos. Este projeto já foi aprovado na Câmara Federal, seguira para o Senado e, se aprovado ira para a sansão da presidente.

Em 01 de agosto desse ano, foi sancionada a lei brasileira anticorrupção de numero, 12.846 a qual dispõe sobre a responsabilização objetiva, administrativa e civil de pessoas jurídica pela pratica de atos contra a administração publica nacional ou estrangeira sendo possível alcançar o patrimônio da pessoa jurídica incidindo penas altas sobre o faturamento dessas empresas, caso se envolvam com atos de corrução ativa ou passiva.

Haverá em nossa cidade algumas manifestações pontuais alusiva a esse dia, vamos participar, gritar, contestar exortando a importância de um mundo, de um pais e de uma cidade sem corrupção. Vamos ficar  apostos e fechar o cerco contra essas impostores e, uma arma a nosso favor e a denuncia. Denunciar corrupção aos órgãos competentes e um dever cívico e ético na medida um que fortalece as ações  de enfrentamento desse problema.

 

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As famílias e os dependentes de drogas

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No último dia três deste mês, foi anunciado dados de mais um trabalho de pesquisa realizado pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, sob a coordenação do Prof. Ronaldo Laranjeira, que desta feita tratou de questões relevantes sobre as famílias que possuem dependentes químicos, assunto importante porém pouco tratado em políticas públicas sobre a temática das drogas.

O Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos mostrou que cerca de 28 milhões de brasileiros vivem com um dependente químico. Foi uma pesquisa inédita que mostrou também o impacto que ocorre na família, quando alguém do seu núcleo, faz uso de álcool e de outras drogas.

O levantamento mostrou que entre os parentes entrevistados, 80% são  mulheres, sendo que 46% delas são mães dos dependentes de drogas. Mais da metade delas (66%) são responsáveis pelo tratamento. Essas mães também são consideradas chefes da família, fazendo com que, além da sobrecarga de cuidar do filho usuário de drogas, cuidam tambem dos outros membros da casa.

Esse dado nos faz refletir sobre o papel de homens e mulheres em nossa cultura e no ambiente familiar pois, quem assume mesmo a lida com esses doentes são as mulheres. E, de fato, é o que se verifica na prática, pois na maioria dos casos são elas que tomam a frente para conduzir o tratamento recomendadado para esses dependentes quimicos.

Pelo estudo, mais da metade (57,6%) das famílias têm outro parente  usuário de drogas, isto é, não se trata somente de um caso, o que já seria por si só muito difícil, mas são mais de um. Para as pessoas entrevistadas, (46,8%) acreditam que maus  companhias e baixa autoestima pessoal dos usuários (26,1%) são fatores de risco mais relevantes que influencia no problema.

Na realidade, o ambiente onde se vive, as companhias, a auto-estima, as frustrações, o desengajamento em atividades sociais e no trabalho, o baixo nível educacional, a presenca outras doenca mentais ou problemas sociais, psicológicos ou comportamentais, são situacoes relevantes como fatores de risco para o uso de drogas, além de influenciarem nos mecanismos de recaídas que se veifica entre esses doentes.

A pesquisa avaliou também o tempo que as familias gastam para buscarem ajuda após o reconhecimento do uso dessas drogas, que é de três anos. Entre os usuários de cocaína e crack, o tempo é menor, dois anos. E, entre  usuarios de álcool esse tempo sobe para 7.3 anos.

 

Tempo muito longo para se buscar ajuda, para usuários de crack e cocaina, pois essas drogas provocam dependência em pouco tempo. Entre os consumidores de álcool,  sete anos também já é um tempo longo, embora se saiba que o álcool provoca dependência por maior tempo de uso. Em ambos os casos, muitos já apresentam sinais de cronificação da doença, fato que dificulta sobremaneira a recuperação dessss pessoas. Sabe-se hoje, que quanto mais cedo se empreender prevenção, as famílias evitarão muitos dissabores relacionados com o uso dessas substâncias.

Um terço dos parentes (44%) descobriram o uso de drogas entre familiares por causa da mudança de comportamento e apenas 15% por terem visto o paciente usar droga fora de casa e que se gasta muito com o tratamento desses enfermos, pois 58% desses tratamentos foram custeados exclusivamente pela família, afetando drasticamente o orçamento das mesmas, em 45% dos casos.

Esses fatos demonstram claramente a necessidade dos governos investirem mais em prevenção e em reabilitação psicossocial desses doentes. Oferecer uma rede de atendimento mais abrangente e mais eficiente que cubra as necessidades dessas famílias, deveria estar em primeiro plano nas políticas desse setor.

Podemos concluir, a partir desses dados, que as famílias de dependentes químicos estão praticamente sozinhas e desamparadas, não têm a quem recorrer, essa que é a realidade! Volto a dizer: tem-se que investir massicamente em prevenção e rabilitação psicossocial, para evitar os alarmantes índices de recaídas que se verifia entre essas pessoas. Alem do mais, ampliar a rede de cuidados primários para identificação precoce da dependência e começar desde cedo a tratá-los, pois, quanto mais cedo, maiores serão as chances de se livrarem desses problemas.

 

 

 

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A Decisão Enferma II

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Dependentes de álcool e outras drogas padecem de um dilema há muito conhecido por todos: o de postergar a decisão de parar o uso a droga. Algumas expressões são por demais conhecidas e já fazem parte do cotidiano de muitas pessoas: “essa foi a última vez que bebi” ou “depois dessa não bebo mais” e assim por diante. Essas afirmações são quase sempre precedidas de um consumo descontrolado ou exagerado de bebidas ou outras drogas e a pessoa, em geral, sente-se culpada e muito arrependida de ter abusado. E qual é nossa surpresa? Pouco tempo depois ou no próximo final de semana,  tudo acontece novamente, às vezes até pior que na semana anterior. E assim vai, dia após dia, semana após semana, mês a mês, ano a ano.

Pela dificuldade em cumprir suas promessas, perdem o crédito quando dizem que vão parar, especialmente na família. Muitas vezes, os familiares atribuem o desejo de parar à famosa ressaca da segunda-feira, como se fosse conversa fiada: “fulano só diz isto depois da ressaca”.

Esse dilema pessoal, verificado entre os dependentes de substâncias como álcool e de drogas, foi por muitos anos entendido como um problema de caráter ou um problema moral. Muitos os consideravam – e ainda hoje, lamentavelmente, – como fracos, frouxos, covardes, sem vergonha e mentirosos.

O próprio sujeito que tem esse problema se sente muito mal com tudo isso, pois percebe que bebendo e consumindo drogas vai gerar mais problema a cada dia que passa e que se não mudar, a situação vai piorar. Ocorre que, muitas vezes, o seu desejo sincero é o de deixar de beber ou de usar drogas, pois sempre exagera, mesmo assim não sabe o que o leva a repetir tudo de novo, apesar de todos os aborrecimentos e constrangimentos que beber demais provocara.

Passam então a viver com mais um problema angustiante, de não conseguir, por si, mudar a situação que tanto o prejudica e aos outros.

Muitas contribuições vem surgindo nos últimos anos do ponto de vista médico e psicossocial, procurando esclarecer essa dificuldades e os conflitos que isso provoca nos dependentes e seus familiares. Todavia, embora haja muito esforço nesse sentido ainda permanecem obscuras as causas  desse problema.

Do ponto de vista psicopatológico, a dependência de drogas compromete uma das aspirações fundamentais dos seres humanos que é a de ser livre, isto é, de poderem ter o domínio pleno de sua vida e disporem amplamente de sua consciência e por isso mesmo garantir sua autonomia para escolher e decidir sobre o que querem e para onde querem ir. Essa prerrogativa garante sua saúde mental e sua sobrevivência.

De tal sorte que, quando alguém está dependente de uma droga, conforme vimos acima, o que está em jogo é sua capacidade de tomar decisão, que nesses casos está muito prejudicada, ao ponto dessas pessoas não a executarem corretamente.

Na realidade, não é tão nova esta constatação clínica, pois há alguns anos se sabia que uma das maiores dificuldades apresentadas pelos dependentes químicos era a de decidir a seu favor, isto é, tomar uma decisão que interferisse diretamente nos mecanismo intrínsecos da compulsão para consumo da droga da qual dependem.

Tomar decisão é uma atitude que tem a ver com o equilíbrio neurofisiológico e comportamental, de tal forma que qualquer alteração que haja nas áreas cerebrais que controlam esta função cognitiva acarretará prejuízos em diferentes atividades mentais. A tomada de decisão implica também em integrar estímulos recebidos, relacionar valores, verificar objetivos e o estado emocional e situação social. Envolvem flexibilidade e planejamento e, sobretudo pensar nas consequências sociais e pessoais de sua atitude.

Sobre isso, não há dúvidas que nos últimos anos a neurociência tem oferecido relevantes contribuições para melhor se compreender a fisiopatologia de diferentes comportamentos psicopatológicos.

Hoje se sabe que dependentes químicos apresentam alterações severas nas áreas cerebrais responsáveis pelo processo de decidir sendo um dos transtornos mas bem estudados sobre esses doentes. Uma das mais importantes contribuições da neurociência, ramo da ciência que estuda essas assunto, ocorreu há pouco mais de 15 anos, quando os cientistas identificaram a região cerebral denominada córtex órbito-frontal, área responsável por esta disfunção na tomada de decisão.

Essa região, anatomicamente, compõe uma superestrutura cerebral das mais importantes para o comportamento humano. Trata-se de uma região neurofuncional, que torna o homem diferenciado dos outros animais.

É uma parte do córtex cerebral que está situada logo abaixo dos olhos. O papel desta região  não pode ser definido precisamente, pois o comportamento que depende dessa região não pode ser categorizado facilmente. Todo comportamento tem relação com córtex órbito-frontal, mas não se pode classificar a sua função em relação ao comportamento em uma única categoria, justamente porque ela estabelece amplas ligações neurofuncionais com dezenas de outra regiões cerebrais responsáveis por inúmeras atividades humanas.

Portanto, o córtex órbito-frontal é uma região extremamente importante para processar, avaliar e filtrar informações sociais e emocionais e garantir nossa saúde mental. Lesão nesta área ocasiona déficit na habilidade de tomar decisões que é o que ocorre entre os dependentes de álcool e doutras drogas.

Esses novos achados abrem janelas para a conquista de novos tratamentos, bem como inauguram novas perspectivas e oportunidades de se compreender melhor a clínica da indecisão patológica desses enfermos.

 

 

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