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A DECISÃO ENFERMA

Dependentes de álcool e outras drogas padecem de um dilema há muito conhecido por todos: SEMPRE DEIXAR PARA AMANHÃ a decisão de parar de BEBER ou usar DROGAS. Algumas expressões , como: “essa foi a última vez que bebi”, “depois dessa, não bebo nunca mais”, “essa quase me mata, vou parar”, são muito comuns entre essas pessoas e  são promessas, normalmente, formuladas após um consumo descontrolado de álcool e outras drogas, quase sempre carregadas  de culpa e arrependimento. E qual é a nossa surpresa ao perceber que pouco tempo depois, às vezes no dia seguinte ou no próximo fim de semana, repetem tudo novo. E assim vai dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano.

Por não cumprirem suas promessas, essas pessoas acabam sendo ridicularizadas e caindo no descrédito, especialmente da família e amigos, os quais atribuem tais afirmações à famosa ressaca da segunda-feira. muitos dizem:: “essa promessa já se conheço, é só conversa fiada!” ou “fulano só diz isso, quando está  de ressaca!”.

Essa ambiguidade entre os dependentes foi por muitos anos entendidas como um problema sério, cuja interpretação residia no âmbito moral ou em algum distúrbio de caráter. Muitos eram considerados e ainda hoje o são,  fracos, frouxos, covarde e irresponsáveis, por não cumprem o que prometem.   O próprio sujeito envolvido com esse problema se sente muito mal, pois apesar de a doença prejudicar sua capacidade de julgamento e avaliação sobre seu comportamento, ele também percebe que bebendo e consumindo drogas como o faz regularmente, gerará mais problemas a cada dia e que, se não mudar, a situação tende a piorar. Sente também que algo consigo está errado, pois em muitos casos há um desejo realmente de parar de beber ou de usar droga, ao mesmo tempo percebe que não consegue realizar seu intento.

Passam, então, a viver com mais esse problema angustiante de não conseguirem, por si mesmos, livrarem-se de algo que reconhecem como sendo algo prejudicial à sua vida e à dos outros e pouco podem fazer para mudar.

Muitas contribuições científicas têm procurado esclarecer as bases da dependência química,e sobre ela já acumulamos muitos conhecimentos, especialmente nos últimos 25 anos para cá e na realidade, não é novo a preocupação científica sobre as ambivalências desses enfermos. De fato, pois há anos se sabe que uma das maiores dificuldades dos dependentes é o de tomar uma decisão firme e segura quanto seu mudanças de comportamentos esse é um dos piores dilemas desses pacientes, isto é, permanecer bebendo e usando drogas muito embora queira de certa  forma parar.

Há muitos trabalhos científicos, especialmente realizados com esquizofrênicos e portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que também apresentam sintomas clínicos de ambivalência e muitas dificuldade em tomar decisão. No universo das doenças mentais, muitas enfermidades impedem esses enfermos de tomarem decisão com adequação.

Tomar decisão é uma atitude que, semelhantemente a muitas outras, implica no equilíbrio neurofisiológico do cérebro, de tal forma que qualquer alteração que haja nesse órgão poderá acarretar prejuízos formais às funções regidas pelo mesmo. Avançou-se tanto no campo da neurociência do comportamento acerca da capacidade de decidir dos seres humanos que hoje se fala até em uma “neuroanatomia da tomada da decisão”, isto é, na existência de uma área do cérebro encarregada de garantir a capacidade humana de decidir.

Evidentemente, que  decidir, é uma ação ultra complexa, não se revela tão somente por uma disfunção verificada apenas em uma estrutura neuroanatômica e funcional do cérebro, decidir requer respostas em bloco, originadas a partir da inter-relação de diferentes partes desse órgão.

A ciência descobriu uma área importante do cérebro, que quando não funciona adequadamente, provoca, entre outras coisas, a incapacidade de tomar decisão. Esse conhecimento foi certamente um dos mais importantes avanos  em neurociência, dos últimos anos pois se esclarece um dos sintomas cruciais da dependência de álcool e outras drogas, qual seja a indecisão sobre parar de beber ou usar drogas, mesmo sabendo dos graves problemas ocasionados por essa prática. Isso explicaria, entre outras coisas, o fato de o alcoolista e de outros dependentes repetirem, compulsivamente, o consumo da substância.

Todos sabem que álcool e outras drogas, por agirem no cérebro, acarretam importantes disfunções em diferentes áreas cerebrais, as quais irão repercutir na saúde física, mental e comportamental desses usuários. A tomada de decisão é uma delas. Essa capacidade implica um mecanismo que integra estímulos recebidos, relaciona valores, verifica objetivos de vida, estado emocional e situação social das pessoas. Envolve flexibilidade, planejamento e, sobretudo, pensar nas conseqüências sociais e pessoais do comportamento.

As contribuições neurocientíficas, que nos ajudam a entender melhor a indecisão, vêm se desenvolvendo há alguns anos e a região cerebral arrolada com essa função é denominada córtex óbito-frontal, região extremamente importante para processar, avaliar e filtrar informações sociais e emocionais. Essa região anatomicamente compõe uma superestrutura cerebral das mais importantes para o comportamento dos humanos e, entre outras coisas, torna o homem diferenciado dos outros animais. É a parte do córtex cerebral da região pré-frontal dorso lateral esquerda, situada na região retro orbitária. Todo comportamento tem relação com o córtex óbito-frontal, mas não se pode classificar a sua função em relação ao comportamento em uma única categoria.

Esses achados abrem novas perspectivas para a conquista de conhecimentos imprescindíveis para realização de tratamentos, sobretudo farmacológicos, mais eficazes aos dependentes de álcool e de outras drogas, bem como inauguram novos horizontes e oportunidades de se compreender melhor a clínica da indecisão patológica.

 

 

 

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Atenção quanto ao uso de tranquilizantes

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Atenção quanto ao uso de tranquilizantes
A descoberta dos tranquilizantes representa um marco histórico da medicina. Um grupo de medicamentos altamente importantes, usado largamente na prática médica em diferentes especialidades para tratar uma infinidade de doenças ou situações médicas especiais e relevantes. Entre os tranquilizantes, os benzodiazepínicos, (BZ) são um dos mais importantes e um dos mais utilizados na prática médica. Uma das áreas que mais se trabalha com esses medicamentos é a psiquiatria, muito embora não seja os psiquiatras, quem mais as prescrevam.
Sabe-se que todos os medicamentos são potencialmente prejudiciais, quando prescrito ou utilizado de forma correta. Não é à toa, que os ilustres farmacêuticos, nos informam que a diferença entre um veneno e um medicamento, está na dose, pois um pode se converter no outro e vice versa. Esse axioma pode e deve ser aplicado quanto ao uso dos tranquilizantes, pois apesar de serem medicamentos excepcionais, o abuso dos mesmos pode representar uma grande ameaça à saúde, em todos os sentidos, particularmente quanto a saúde mental, pois o uso exagerado dessas drogas pode determinar entre outras coisas, dependência severa nos usuários.
O consumo exagerado desses medicamentos pela população brasileira, sempre foi algo que nos despertou muito interesse, pois somos um grande país consumidor de medicamentos, ao ponto de figurarmos como o quinto maior mercado no mundo na área da indústria farmacêutica. Portanto um mercado pungente, na venda de medicamentos comparativamente aos outros países no mundo. Entre os medicamentos mais vendidos, guardando a devidas proporções, estão os tranquilizantes. E, esse consumo exagerado desses medicamentos é um assunto muito sério e grave do ponto de vista da saúde pública e, que de certa forma, se mantém no anonimato, pois não se trata abertamente desse assunto nem mesmo em congressos e em outros eventos científicos, muito embora, já exista evidências deste fato em nossa população.
Os dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmam isso. Em nosso país os ansiolíticos são os mais vendidos, comparando-se com a venda de antidepressivos e emagrecedores. Em seus relatórios, a ANVISA elencou os medicamentos de receita controlada, mais consumidos em nosso país, desde 2007. É um trabalho digno de nota da Agência, pois quantifica o consumo dessas drogas vendido através de receita controlada que os quais podem causar dependência química, entre seus usuários. Os ansiolíticos dominam a lista, que inclui todos os medicamentos de venda controlada, como emagrecedores, antidepressivos e anabolizantes. Os princípios ativos mais consumidos no país entre 2007 e 2010 foram clonazepam, bromazepan e alprazolam, cujas marcas de referência são, respectivamente, Rivotril, Lexotan e Frontal.
Mais de 10,5 milhões de caixas do Clonazepam foram dispensados em 2010, segundo informaram 41 mil farmácias cadastradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados e este número são crescentes desde 2007. A Vigilância Sanitária estima que este sistema de controle deva ter alcançado quase o total das farmácias em 2010, o que deverá permitir comparações a partir de agora. Acredito que o consumo exagerado de ansiolíticos, muitas das vezes sem indicação médica, é certamente uma das causas principais que provocam dependência química destes medicamentos e o que mais atrai seu consumo exagerado, são seus efeitos de modificarem rapidamente estados emocionais psicopatológicos e desagradáveis como medos, fobias, insegurança, tristeza, irritações, desadaptações psíquicas e sociais.
Essas substâncias de fato podem “obrar milagres”, ao se verificar pacientes enfermos graves, com poucas possibilidades de recuperação, se constata que ao usando adequadamente esses fármacos, se recuperam plenamente de seus problemas, após certo tempo de uso. Nesses casos, o que está em jogo é a utilização médica correta, quanto à dose e o tempo de uso destes medicamentos, ocorre que, tem que haver um controle rigoroso, tanto quanto para os que prescrevem, no caso os médicos, quanto para os que consomem, os pacientes, para que não haja problemas em decorrência do uso inadequado da medicação.
Quanto se trata da utilização dos benzodiazepínicos, a atenção deverá se redobrada devido ao risco de provocar dependência. Essa condição ao se instalar, fará com que a pessoa use os medicamentos não mais por sua indicação clínica, mas pela necessidade mórbida de utilizá-lo, pela falta angustiante que ele fará, ao deixar de usá-lo. Nessas condições, se instalou a dependência química, que é uma condição grave e complexa, que todos deveremos lutar para combatê-la. Para a indústria, que produz e vende esses medicamentos, acredito eu, que muito pouco lhe interessa saber por que razão alguém toma seus medicamentos, se por necessidade mórbida (dependência), ou por necessidade clinica (médica), mas nós que fazemos saúde com ética e seriedade, temos que nos preocupar com milhões de pessoas que estão viciados nesses medicamentos e não sabem mais o que fazer para se livrar disso. Portanto, todo cuidado é pouco, quanto ao uso desses fármacos.

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A propaganda de bebida alcoólica, as tragédias e a reação socia

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A propaganda de bebida alcoólica, as tragédias e a reação social           Há uns 10 dias, nossa cidade fora mais uma vez foi abalada por uma tragédia, ao ser anunciada a morte de Laura Burnett Marão, uma criança de apenas 8 anos de idade, que nem começou a viver que, na companhia de seu pais, fora vítima de mais um grave abalroamento entre o veículo que a conduzia e outro dirigido por uma pessoa em estado de embriaguez alcoólica.

Junto a Laura, se vão milhares de outras vítimas nessas mesmas condições diariamente nesse país. Vão-se sonhos, esperança, e ficam a imensa dor e a tristeza insuperável de se perder um filho, uma filha ou um ente querido nessas condições inaceitáveis. Pais, filhos, mães, e muitas outras pessoas em estado deploráveis por verem seus entes queridos sumirem, como um sopro de mágica, desaparecerem na vida. Como Laura, são milhares de pessoas, que já não estão mais conosco, porque, alguém embriagado, irresponsavelmente sem qualquer condição de dirigir um veículo, lança o contra outrem, que esperava viver mais. Estima-se que no Brasil 45 mil pessoas, morram anualmente nessas condições.

Em consequência dessas tragédias, ontem a litorânea foi sede de mais manifestações sociais, de apoio e de solidariedade à família de Laura e de milhares de outras vítimas desses acontecimentos. A Avenida, repleta de pessoas que foram solidarizar-se com a família dessa criança e com todas as outras famílias vítimas dessas tragédias e que no fundo alimentam uma grande esperança de não se vê mais isso em nosso cotidiano. Esperança de termos medidas mais ostensivas e que sejam aplicadas ás pessoas que irresponsavelmente tiram a vida dos outros protegidos por um manto da impunibilidade e do esquecimento.

Pessoalmente acho que temos que continuar avançando no rumo de medidas mais ostensivas, mais preventivas e mais educativas que nos auxiliem a lidar melhor com tais problemas, muito embora se reconheça que se avançou nessa área nos últimos 5 anos. Temos hoje leis mais pontuais, mais duras definindo medidas mais efetivas, que estão sendo aplicadas em nosso território nacional para controlar todos esses abusos e transgressões á vida e as regras sociais.

Algumas dessas medidas funcionam outras não, pela fiscalização deficiente na aplicabilidade dessas medidas, ou ainda pelo exagerado abrandamento das penalidades sobre os que transgridem, de forma grave, as regras e as leis que existem nesse contexto. Porém, há uma situação que me parece intocável, á vista do que é feito no sentido de controlar o uso de álcool em diferentes contextos, qual seja, a permanência da vigorosa propaganda de bebidas alcoólicas em nossos meios de comunicação. Quanto a isso, nos dá a impressão que estamos diante de algo sagrado, intocável, pois ninguém ousa mexer um dedo sequer, nas diferentes áreas do poder, para se alterar essa questão.

Todos sabem do grande impacto que estas propagandas exercem quanto ao consumo de álcool pela população e os danos que esse consumo ocasiona á saúde pública, ao bem estar social, á segurança da população, aos custos previdenciário, á economia e ao setor trabalhista deste país. Há incongruências estabelecidas na acintosa permissividade de se fazer propaganda de bebidas alcoólica, ante os índices alarmantes e assustadores das mazelas de todos os tipos ocasionados pelo consumo de álcool. E, a questão é mais relevante ao se verificar que essa propaganda é feita em um país como nosso, que tem uma população predominantemente jovem, o seguimento mais influenciado diretamente por essas propagandas.

Só para os senhores terem uma ideia, há altos índices de suicídio entre jovens usuários e dependentes de álcool; 13% dos que bebem são dependentes; 45% dos leitos hospitalares brasileiros são ocupados por alguém com problema relacionado ao consumo de álcool; que 75% dos acidentes automobilísticos com resultados fatais envolvem motorista que dirigia embriagado; mais da metade dos leitos dos hospitais psiquiátricos têm alguém com doenças alcoólicas; e, 90% dos homicídios ocorrem após ingestão de álcool. Volto a dizer são 45 mil pessoa que morre anualmente ocasionado por um motorista dirigindo embriagado.

São índices assustadores que deveriam ser levados em conta quando se analisa a propaganda de bebida alcoólica, cuja capacidade de influenciar condutas no sentido de induzir o consumo é inegável, sobretudo entre os jovens. Esses, com idade entre 14 e 17 anos responde por 6% de todo o consumo anual de álcool do país. O número é preocupante, já que a lei proíbe o consumo de bebidas alcoólicas entre menores de 18 anos. Jovens de 18 a 29 anos são responsáveis por 40% do consumo de álcool e, segundo o IBGE, esse grupo representa 22% (1/5) da população brasileira.

Outro número estarrecedor, 7% da população jovem brasileira com até 17 anos, já são dependentes de álcool, isto é, são alcoólatras.  Se pensarmos que apenas pouco mais de 60% da população bebe 40% de todo o consumo anual de álcool e, mais ainda, que são jovens, fica evidente o risco representado pela publicidade que cada vez mais se volta para esse público.

Evidentemente, forças econômicas poderosíssimas estão por trás das decisões políticas de não se tratar nem de proibir essas propagandas. Sei que a indústria gasta, anualmente, 30 bilhões de dólares com publicidade e que emprega 30 mil pessoas de forma direta nesse negócio. Um negócio gigantesco. Só que os custos médicos, sociais, econômicos e outros já apontados acima, deveriam funcionar pelo menos como um incentivador para o debate público sobre essa questão, se não, pelo menos, incentivar um debate ético sobre propaganda dessa droga nesse país.

Quero finalmente me solidarizar com Laura e com sua família com a de todos os milhares de outras famílias que nesse país estão passando por essa dor insuportável, por perder um filho, uma filha ou um ente querido, nessas condições. E, é com muito pesar e tristeza que digo, vamos nos mobilizar cada vez mais para pressionarmos essas autoridades constituídas a combaterem de forma mais ostensiva o consumo de álcool em nossas cidades e com isso, evitar tragédia como a que houve com Laura e com sua família, que nos atingiu a todos.

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Como diagnosticar um dependente

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Como se distinguir entre consumidores de álcool e outras drogas, quem é dependente ou não é uma das tarefas mais difíceis e mais complicadas para quem trabalha com esses usuários. A inteligência do tratamento está aí. Se, se trata de um usuário que não apresenta qualquer queixa relativa ao consumo, só temos que recomendar medidas preventivas para evitar que essas pessoas não passem a ter problemas com relação ao uso.
Se por acaso, a pessoa já se encontra abusando do consumo, ao ponto de já ter problema com o uso do álcool ou outra droga, teremos que recomendar um conjunto de medidas para que essa pessoa não agrave seu problema. Se, por acaso, a pessoa já é um dependente de qualquer uma dessas substâncias, as recomendações são outras e mais específicas, recomenda-se tratamento imediato antes que a situação se complique mais ainda. Por último, recomenda-se tratamento de reabilitação psicossocial nos casos em que a pessoa já se encontra em estágio final de sua doença e já apresenta muitas perdas ocasionadas pela evolução da doença.
A Organização Mundial da Saúde – OMS traz uma contribuição importante nesta área, quando elaborou critérios que nos permite identificar, entre os usuários de drogas, os que são ou não, dependentes, já que nem todos os consumidores o são. Abaixo discorremos sobre esses critérios com mais detalhes.
1 – Manifestações fisiológicas, comportamentais e cognitivas características.
Usuários ao se tornarem dependentes mudam sua forma de comportamento e estas mudanças, às vezes indisfarçáveis, são acentuadas. A rigor, mudam inclusive traços caracterológicos e de personalidade. Além do mais, sabe-se que muitas destas alterações psicossociais e comportamentais estão associadas diretamente aos efeitos deletérios das drogas sobre o cérebro, órgão responsável pela nossa saúde ou doença mental.
2 – Prioridade ao uso da substância.
A proporção que avança o consumo da droga e proporcionalmente se instala a dependência, vai havendo uma espécie de priorização ao consumo da substância em detrimento a outros comportamentos anteriormente importantes ao indivíduo, onde o consumo da drogas vai se transformando cada vez mais em algo relevante e prioritário à vida da pessoa.
As outras atividades ou interesses, anteriormente importantes, como por exemplo, esporte, artes, estudos, trabalho, responsabilidades do dia a dia, compromissos sociais e familiares e até mesmo pela atividade sexual e afetiva, vão cedendo lugar e sendo substituídos pelo interesse predominante e, cada vez maior, pela substância. Pode acontecer que no futuro, a pessoa não faça outra coisa que não seja beber ou usar drogas.
3 – Forte desejo de consumir a substância.
Popularmente chama-se “fissura”, entre nós e de “craving”, entre os ingleses. Representa um desejo sem limites, incontrolável para consumi-las. Às vezes, isto é tão forte, que os mesmos são capazes de fazerem qualquer coisa, no sentido de adquiri-las: agredir, delinquir, mentir, roubar, matar etc. Esse comportamento compulsivo é atualmente considerado um dos sintomas mais importante elementos de diagnóstico da dependência. E, todos esses comportamentos se agravam á medida que se agrava a doença.
4 – Recaídas, após a abstinência:
Recair significa retomar um padrão de consumo da substância que fora anteriormente rechaçado. Frequentemente muitos dependentes que param de usar e que posteriormente retornam ao uso do álcool ou de outras drogas, reproduzem o mesmo comportamento anterior em proporções piores. Isto é, recair é um fenômeno sempre um estado pior que ocorria antes da parada. O que se sabe é que, independente do tempo que passaram abstinentes, estes usuários ao voltarem a utilizá-las passam a fazê-lo intensamente e de forma descontrolada.
5 – Dificuldade em controlar o consumo.
Os dependentes têm dificuldades intensas de interromperem o consumo das drogas quando iniciam o uso tanto no começo, quanto no meio e no fim deste processo. Ao iniciar o consumo não param mais, e prosseguem ininterruptamente, até atingirem altos níveis de intoxicação. Este fato é determinado pela compulsão onde o sujeito fica impossibilitado, literalmente, de frear este consumo. A frase clássica para definir isto é: “fulano quando começa a beber não para mais”.
6 – Presença dos sintomas de tolerância.
Tolerância é um fenômeno biológico, que envolve inúmeros mecanismos biológicos e comportamentais e que surge a partir da relação do sujeito com a substância. Quando a tolerância se instala essas pessoas terão sempre que aumentar a doses da substância consumida para obterem os mesmos efeitos adquiridos quando usavam doses menores. Isto é, vão aumentando indiscriminadamente o consumo da droga.
7 – Sinais de abstinência.
Abstinência diz respeito a uma série de sinais e sintomas de natureza física, psíquica e emocional em geral desagradáveis que surgem sempre que os usuários interrompem ou diminuem a quantidade da droga consumida.
Algumas pessoas dependentes de tabaco ou de álcool ao deixarem de usá-los ou mesmo por diminuírem suas doses consumidas, passam a apresentar tremores, ansiedade, insegurança, sudorese, taquicardia, insônia, dificuldade na concentração, respiração acelerada ou mesmo outros sintomas mais complicados com crises convulsivas, alucinações e delírios (álcool, cocaína, barbituratos etc…), todas estas reações revelam a abstinência.
8 – Persistência do uso, apesar dos danos.
À proporção que a dependência avança os usuários não se dão conta dos inúmeros problemas psicológicos, emocionais, sociais ou outros transtornos e, por conseguinte não param de usá-las. Dependentes de álcool com cirrose, diabetes hipertensão arterial cânceres e diversas outras doenças não param de beber. Fumantes com câncer de pulmão, com problemas cardiovasculares e respiratórios não param de fumar. Pessoas com problemas emocionais, sociais e familiares adquiridos por uso de drogas não impedem que os mesmo parem de usar, e assim por diante.
De conformidade com a OMS, se alguém apresentar pelo menos três, dos oito itens acima citados, os mesmos já apresenta algum grau de dependência.

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Distinção entre compulsão e vontade de beber

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Entre os dependentes de drogas (álcool e outras drogas), existem diferentes sintomas que, de conformidade com a evolução da doença vão se estabelecendo progressivamente ao ponto de posteriormente passarem a ser típicos dessas pessoas. “Neste artigo, tratarei da compulsão vulgarmente chamada de “fissura” ou craving”, que é entre os sintomas de dependência um dos mais importantes para o diagnóstico dessas doenças. Esse sintoma interfere diretamente na disposição do enfermo para se tratar, bem como nas sucessivas recaídas que se observa no processo de recuperação e tratamento.
Fissura e compulsão são dois termos já largamente conhecidos pelo público em geral, graças às centenas de artigos já publicados a seu respeito, embora ainda não se tenha pleno conhecimento sobre sua natureza biológica e comportamental.
“Fissura” é um termo popular em nosso idioma. Entre os ingleses é denominada de “craving”, que nada mais é do que um desejo ardente, incontrolável, irrefreável de consumir a droga da qual dependa. Em princípio, só sente fissura quem é dependente, seja de que droga for. É um sintoma que pode estar presente em outros transtornos psiquiátricos, portanto não é exclusivo dos dependentes de drogas. Os alcoólatras e outros dependentes, portanto, sentem essa fissura sempre que param ou reduzem o volume de ingesta das substâncias das quais dependem. Este fenômeno apresenta as seguintes características:
1 – está presente na síndrome de dependência;
2 – surge quando o consumo da droga é interrompido;
3 – a ânsia (compulsão) de consumir é quase sempre superior ao seu controle;
4 – favorece sempre a recaída;
5 – a obtenção da droga cessa os sintomas;
6 – é classificada como leve, moderada ou grave.
7– sua intensidade está associada à intensidade da dependência;
8 -é involuntário, evolutivo e envolve mecanismos neurobiológicos, circunstanciais/psicológicos;
9 – há drogas que aliviam os sintomas do “craving”;
10 – interfere na decisão de se tratar;
A compulsão é uma distorção psicopatológica da vontade e/ou da volição. É uma disfunção volitiva. Enquanto que na vontade a pessoa exercita livremente sua capacidade de querer ou não usar uma substância, o compulsivo se vê obrigado imperiosamente ou compelido a fazê-lo. Portanto a grande distinção é essa. O dependente químico, não usa drogas porque quer, e sim por que é obrigado. Eis, o grande problema, porque a partir do momento em que alguém se vicia no uso de uma droga, ele se escraviza perde sua autonomia, sua capacidade de escolher o que quer e o que não quer, perde sua disposição e sua liberdade nas escolhas e nas opções que fará na vida daí pra frente. Será comandado por ações compulsivas em que o comando das mesmas já não se dará de forma efetiva, pois ele irá consumir a substância por motivos incontroláveis.
Estes 10 itens acima mostram claramente a gravidade deste problema e todos são muito importantes em sua caracterização, a dificuldade de aderir a um tratamento e as recaídas são indiscutivelmente as mais importantes consequências do “craving”, justamente por interferir no tratamento e na recaída.
Do ponto de vista da neurobiologia do “craving”, já temos acumulado um vasto conhecimento sobre como ele surge, muito embora se saiba que ainda falta muito para esclarecer totalmente sua natureza. O fato é que tudo se dá em determinadas áreas do cérebro intermediado por reações envolvendo os neurotransmissores cerebrais: dopamina, serotonina, acetilcolina e outros.
Estudos de neuroimagem utilizando técnicas como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) têm permitido a identificação de tais anormalidades neurofuncionais criando condições favoráveis para que em um futuro próximo se possa manejar melhor com este sintoma. Além do mais, graças aos recentes os avanços da ressonância magnética (RM) funcional, já se pode vislumbrar as áreas afetadas pela compulsão, fato que está certamente favorecendo uma maior compreensão da fisiopatologia desse fenômeno.
Do ponto de vista do tratamento, nos últimos 15 ano avançou-se muito no tratamento da compulsão. Na área farmacológica os avanços foram expressivos, sobretudo com o surgimento de drogas denominadas de anti-compulsivas, anti-fissura ou ainda, anticraving, as quais, impedem ou reduzem a busca incontrolável por álcool ou por outras drogas, e diminuem drasticamente o mal estar físico, psicossocial e emocional ocasionado pela privação do uso dessas drogas. Esses dois mecanismos de ação farmacológicos, são considerados atualmente como fundamentais para o manejo adequado dos dependentes de drogas.
Entre os transtornos que mais se beneficiaram com estes medicamentos foram o alcoolismo e o tabagismo. Outras drogas estão sendo testadas e que deverão ser lançadas em breve se destinam ao controle do “craving” dos dependentes de cocaína, através de mecanismos, diferentes aos anteriores.
Outros avanços significativos ocorreram na área ocupacional e psicossocial com técnicas avançadas no tratamento e reabilitação destes pacientes, as quais possibilitarão diretamente maior adesão aos tratamentos propostos, impedindo também, por conseguinte, altos índices de recaídas frequentemente encontrados ente estes doentes.

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Álcool prejudica o descanso

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1acerveja

Pesquisa mostra que, apesar de inicialmente atuar como sedativo, substância provoca um aumento na potência de determinadas ondas cerebrais associadas a um sono agitado e pouco reparador

Tomar uma taça de vinho ou outra bebida antes de se deitar pode ajudar uma pessoa a dormir mais rápido, mas apesar de inicialmente atuar como sedativo, o álcool provoca perturbações no sono que atrapalham mais o descanso, diz estudo publicado ontem on-line em adiantamento à edição de fevereiro do periódico científico “Alcoholism: Clinical & Experimental Research”. Segundo os pesquisadores, embora a substância promova a atividade das chamadas ondas delta no cérebro, associadas a estágios de sono profundo sem sonhos, ela também traz um aumento na potência das ondas alfa na região frontal do órgão, vistas como reflexo de um sono agitado.
— As pessoas tendem a se focar nos relatos das propriedades sedativas do álcool, que se traduzem em um menor tempo para dormir, particularmente em adultos, do que nas perturbações que ele provoca mais tarde na noite — critica Christian L. Nicholas, cientista do Laboratório de Pesquisas do Sono da Universidade de Melbourne, na Austrália, e um dos autores do estudo.
A atividade das ondas delta no cérebro costuma ser maior na infância e vai caindo com a idade, passando por reduções significativas entre os 12 e 16 anos. Os cientistas acreditam que é por isso que as crianças e jovens dormem mais que os adultos e idosos, já que elas estão ligadas ao chamado “Sono de Ondas Lentas” (SWS, na sigla em inglês) e ao “Sono sem Movimento Rápido dos Olhos” (NREM, também na sigla em inglês), ambos estágios sem sonhos do período em que estamos dormindo. O problema é que também é justamente nesta época da juventude que as pessoas experimentam o álcool pela primeira vez, com o consumo em geral se elevando com o tempo.
— A redução na frequência das ondas delta nos eletroencefalogramas que observamos com a idade é vista como uma representação do processo normal de maturação do cérebro à medida que o cérebro adolescente continua a se desenvolver rumo à maturidade — lembra Nicholas. — E embora a função exata do sono NREM, e em particular do SWS, ainda seja motivo de debates, acredita-se que eles refletem as necessidades de sono e sua qualidade. Assim, qualquer perturbação neles pode afetar as propriedades restauradoras do sono e serem prejudiciais à funcionalidade durante o dia.
No estudo, Nicholas e sua equipe recrutaram 24 voluntários (12 mulheres e 12 homens) saudáveis com entre 18 e 21 anos de idade que beberam “socialmente”, isto é, menos de sete doses-padrão por semana, nos 30 dias anteriores. Cada um dos participantes da pesquisa foi então analisado com exames de polissonografia e eletroencefalogramas enquanto dormia sob duas condições: tendo consumido álcool antes de se deitarem ou apenas um placebo. Os resultados mostraram que o álcool de fato aumentou a atividade das ondas delta durante o SWS, mas que também houve simultaneamente uma alta nos registros de ondas alfa na região frontal do cérebro.
— Elevações similares na atividade das ondas delta e alfa, que estão associadas com um sono pobre ou pouco reparador, também foram observadas em indivíduos com dores crônicas — destaca Nicholas. — Assim, se o sono está sendo perturbado regularmente pelo consumo de álcool antes de dormir, particularmente ao longo de grandes períodos de tempo, isso pode ter efeitos prejudiciais significativos no bem-estar durante o dia e em funções neurocognitivas como os processos de aprendizado e memória. A mensagem a se levar deste estudo é que o álcool na verdade não é um bom auxílio para o sono mesmo que ele pareça te ajudar a dormir mais rápido. De fato, a qualidade do sono que você obtém foi significativamente alterada e perturbada por ele.

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Estimulação magnética transcraniana e dependência química

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Estimulação magnética transcraniana e dependência química

USP testa estímulo cerebral em viciados em drogas

FERNANDA BASSETTE DE SÃO PAULO

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) estão testando o uso da estimulação magnética do cérebro para conter a fissura de pessoas dependentes de cocaína em pó e reorganizar o funcionamento cerebral. A técnica, chamada estimulação magnética transcraniana, é usada aqui desde 2006 no tratamento de depressão.

Segundo os médicos, não é invasiva e quase sem efeitos colaterais. Essa é a primeira vez que pesquisadores brasileiros resolvem investigar se os benefícios do método podem ser estendidos para dependentes crônicos da droga. Um grupo de Israel, por exemplo, estudou os efeitos da estimulação contra a fissura provocada pelo tabaco.

Os resultados mostram uma queda no desejo pela droga nos primeiros três meses. Segundo o último levantamento da Senad (Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas), 2,9% da população brasileira já usou cocaína ao menos uma vez na vida. E 7,7% dos universitários experimentaram a droga ao menos uma vez. O psiquiatra Phillip Leite Ribeiro, responsável pelo teste na USP, explica que a ação da cocaína desorganiza os circuitos cerebrais, alterando o funcionamento das redes de neurônios. “A consequência é uma pessoa dependente da cocaína, com dificuldade de raciocínio e de decisão”, diz Ribeiro.

COMO FUNCIONA

A estimulação magnética transcraniana é aplicada em consultório, sem anestesia. O paciente usa uma touca de natação e o médico aproxima o aparelho na região do cérebro a ser tratada. As ondas penetram cerca de 2 cm. No caso da cocaína, o local exato da aplicação não foi divulgado por se tratar de algo ainda em estudo.

As sessões são feitas durante 20 dias e duram 15 minutos. Custam, em média, R$ 400 cada uma. Após um mês, o paciente faz tratamento para prevenir recaídas.

Por enquanto, os resultados preliminares mostram que há, de fato, uma diminuição na fissura. E, ao contrário do que parece, a estimulação magnética não provoca choques. É bem diferente da eletroconvulsoterapia -método em que o cérebro recebe uma descarga elétrica generalizada, entrando em convulsão. A estimulação transcraniana gera um campo magnético com uma pequena corrente elétrica. A ação é local, afirma Ribeiro.

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POUCO USADA

Segundo Paulo Silva Belmonte de Abreu, chefe do serviço de psiquiatria do HC de Porto Alegre e presidente da Associação Brasileira de Estimulação Magnética Transcraniana, embora seja reconhecida, a técnica não é muito usada no país. Ela tem efeitos positivos na depressão, em psicoses que provocam alterações auditivas [como esquizofrenia], no tratamento da dor fantasma. Mesmo assim, poucos centros a usam, ainda tem muito preconceito, avalia.

Para Abreu, é importante que o método seja testado para tratar outros problemas. É uma ferramenta não invasiva que não lesa o cérebro. Quando não atinge os efeitos desejados, ela não faz mal. Segundo Abreu, a única contraindicação é para pessoas com histórico de convulsão a aplicação pode desencadear uma crise.

Os principais efeitos colaterais são leve dor local e desconforto durante a aplicação. O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, é mais cauteloso. É uma técnica que está sendo estudada para vários tipos de transtornos, mas não é totalmente eficaz. O que se sabe é que ela modifica circuitos neuronais, mas ainda não é possível dizer que resolve o problema, diz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há quatro anos trabalho com essa ferramenta (recurso) aqui em São Luis e modestamente fui o pioneiro  a trazer a EMT para nosso meio. Atualmente, minha filha Ludmila Palhano e eu fazemos esse tratamento no Instituto Ruy Palhano. Posso garantir que a EMT é um excelente método para se tratar paciente com depressões de diferentes tipos e alucinações auditivas e pacientes esquizofrênicos. A indicação para se tratar dependente de drogas ainda não foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina – CFM, nesse sentido, são as pesquisas que estão a todo vapor, especialmente por pesquisadores da  UNIFESP.

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Não estamos perdemos a “guerra para as drogas”

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Cerca de 210 milhões de pessoas em todo o mundo – 4,8 por cento da população entre  15 e 64 anos de idade, consumiu drogas no ano passado. Estes dados das Nações Unidas foi anunciado por seu setor encarregado desse assunto (UNODC), o qual aponta para uma “estabilização” quer do consumo esporádico quer do consumo abusivo. “Contudo, está em alta a procura desenfreada de substâncias fora do controle internacional”, diz o relatório, isto é, drogas que não estão nas listas internacionais de substâncias proscrita para o consumo. Entre essas os canabinóides sintéticos, com efeitos semelhantes aos da “cannabis” natural, também conhecidos por “especiarias”.

“Os ganhos a que assistimos nos mercados de drogas tradicionais estão a ser anulados por uma moda de consumo de “drogas designer” (desenho) ou drogas sintéticas que imitam os efeitos das substâncias ilegais”, afirma o Diretor Executivo da Agência, das Nações Unidas, o Sr. Yuri Fedotov.

Qualquer lado que se vá, aí estarão elas sempre conosco, sejam drogas sintética, semi-sintética ou natural. A busca por drogas é a tônica da sociedade contemporânea onde esse comportamento se inseri entre outros, também contraditórios, impostos pelos novos  tempos e paradigmas que estamos inventando para vivermos.

Se formos atrás das causas desse consumo compulsivo, teríamos muitas dificuldades para identificá-las pois uma das caraterísticas desse fenômeno é ter natureza multicausal, onde diferentes fatores pessoais, sociais e transculturais, irão exercer um papel importante na gênesis desses problemas.

Vejam. Nesta semana foram anunciados pela grande mídia a presença no solo brasileiro de duas outras drogas com caraterísticas psicoativas deletérias e que já se encontram na lista de substâncias proibidas da ANVISA, são a metilona e a 25i. Ambas as substâncias são deglutidas, alcançam o cérebro de forma muito rápida e apresentam efeitos comportamentais imediatos. Essas ações poderosas no cérebro pode inclusive provocar óbitos facilmente, segundo os toxicologistas.

A primeira delas, a metilona se assemelha à Dietilamida do Ácido Lisérgico – LSD, substância alucinogênica ( induz a alucinação)  e deliriogência (induz a delírios) ocasionando surto psicóticos agudos que evolui de forma dramática para muitas doenças mentais.

A outra, denominada de 25i, ainda desconhecida, parece com o Ecstasy, uma metanfetamina. Entre os efeitos da primeira, destaca-se a sensação de “despersonalização” que como o próprio nome diz, os usuários se desorientam quanto a si mesmos. Perdem sua identidade temporariamente ficando a mercê da própria sorte. Esse é um sintoma muito grave que em alguns casos pode ocorrer mesmo que a pessoa deixe de usar a droga.

A outra droga se assemelha ao ecstasy, uma metanfetamina. É denominada de 25I-NBOMe conhecida como 25i. Entre os sintomas que mais chama a atenção nesse produto é o comportamento extremamente violento que o usuário apresenta quando as coisas não estão saindo à contento.

Segundo informações da Polícia Federal, são drogas por demais conhecidas em alguns países. No Brasil, a metilona já foi encontrada em São Paulo e também no Rio Grande do Norte. A 25I, em São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso e segundo a própria Polícia as drogas são sintetizadas na Índia e na China. Mas o caminho obrigatório para vir para o Brasil é via Europa. Eram drogas, até bem pouco tempo, vendidas livremente na internet. Seus consumidores são jovens de classe média alta que as utilizam.

Nos Estados Unidos as duas drogas mataram pelo menos 19 pessoas no ano passado e lá,  como aqui, já foram proscritas. A metilona foi proibida nos Estados Unidos em abril do ano passado. A 25I, há apenas três meses. Reino Unido e Dinamarca também baniram as duas.  Outros países, como Rússia, Israel e Canadá, proibiram pelo menos uma delas.

Um fato digno de nota é que somente em 2014, mais de 30 drogas desconhecidas foram levadas para análise no Instituto Nacional de Criminalística, no Distrito Federal, demonstrando a corrida frenética por drogas de todos os tipos, como dissemos acima, para o consumo abusivo. Acorrida entre oferta de novas drogas e a procura das mesmas é tão intensa que “todas as novas drogas sintéticas e semissintéticas que chegam no território nacional deveriam ser inseridas imediatamente, após a apreensão em situação de crime naturalmente, em uma lista que vai caracterizá-las como drogas proscritas, proibidas”, diz Carlos Antônio de Oliveira, da Associação Nacional dos Peritos Criminais.

A luta, às vezes, parece desigual, nos dando uma “sensação de desalento angustiante” ou como dizem alguns, “perdemos a guerra para as  drogas”. Ocorre, que esses não entendem que a guerra que estamos enfrentando não é “conta as drogas”, pois essas não guerreiam, é sim contra um estado desorganizado que não dispõe de política pública eficiente sobre esse tema, contra um estado desigual, injusto, incompetente, contra uma organização criminosa cada vez mais poderosa que nos ameaça a todos, é contra um ser humano autofágico e desorientado na vida, que não  sabe sobre seu rumo. Essa é a guerra que teremos que enfrentar. As drogas em si não nos ameaçam, até porque não podem fazê-lo, embora todas elas tem um poder de nos destruir, mas o que está em “jogo é seu uso” e é sobre isso que temos que guerrear e lutar sempre.

 

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A família e o tratamento de dependentes de drogas

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A dependência química é uma patologia grave, em que inúmeros fatores colaboram para sua configuração clínica e psicossocial. Desenvolve-se de forma lenta e insidiosa e vai aos poucos tomando conta do sujeito. Considero, entre todas as doenças mentais, ser a que tem o maior poder deletério, considerando que praticamente todas as dimensões humanas são destruídas pela doença. Aos poucos vai (re)definindo a vida e o comportamento dos usuários, provocando uma verdadeira “mutação ontológica” chegando a ser tão patogênica que os próprios usuários não se dão conta  das mudanças que estão ocorrendo.

Baseando-se nas transformações que vão ocorrendo nesse sujeito devido à progressão do consumo das drogas, pode-se dizer que há uma personalidade antes e depois de se adoecer. Adotam um novo estilo de vida e quanto mais dependentes, maiores serão tais mudanças. As novas características comportamentais que vão surgindo se dão com a evolução da doença, os comportamentos anteriores vão dando lugar a comportamentos antiéticos, irresponsáveis, desajustados, violentos, podendo inclusive surgir sintomas psicopatológicos graves provocados pelos danos cerebrais por uso dessas substâncias.

Por outro lado sabe-se que as pessoas que adentram ao mundo das drogas são sujeitos sociais, que não estão desvinculadas dos contextos sócio-ambientais e que não estão sós na vida. Têm família, amigos, patrões, colegas e se relacionam com muitas áreas que fazem parte de sua existência. Além do mais, muitos estudam, trabalham, produzem, de tal forma que as transformações nele provocadas certamente atingirão outras dimensões relacionais de diferentes maneiras.

Em razão disso, a família, por ser a instância mais próxima de nós e a mais importante da formação de nossa personalidade, é a mais afetada por esse problema. Concomitantemente às mudanças que vão ocorrendo com o usuário de droga, existirão progressivamente novas adaptações funcionais na sua família.

Passam então a travar uma luta inglória e ferrenha contra o problema que se insurge. Resistirão a se “ajustar” a esse “novo sujeito”. Passam, então, a viver uma vida cruel e sofrida onde o sentimento predominante é de desalento, desamparo, revolta, indignação, pena, tristeza e solidão, além de frustração e impotência.

A família não é apenas a mais afetada, é também a primeira a buscar ajuda e apoio diante do problema. Buscam esse apoio primeiro entre si, depois em outros parentes, amigos, vizinhos, padre, pastor, patrão e assim por diante.  Mesmo assim, a ajuda e a mudança esperada muitas vezes não chegam.

A angústia, a revolta, o medo crescerão, passarão a fazer parte dessa família, ao ponto de algumas delas se desesperarem sem saber o que fazer. Apesar de ser nela que desaguarão todas essas mazelas, é também nela que estão as bases para se ajudar o usuário. É na família que haveremos de encontrar  apoio e orientação para se ajudar um dependente químico. Desde a motivação para fazer um tratamento, até mudanças comportamentais entre os próprios membros da família, necessárias à recuperação desse enfermo.

É tão importante o apoio que a família deve dar a essas pessoas, que pode definir o prognóstico de recuperação dos doentes. Os dependentes químicos que têm apoio familiar recuperam-se bem mais se comparados com aqueles que não têm esse apoio. Apesar disso, nessa luta, nem sempre os pais são vitoriosos, tendo em vista a gravidade desse transtorno. Ao mesmo tempo, não se pode pensar em desistência, pois há sempre uma esperança de recuperação .

Porém, quando ocorre o infortúnio de a família também adoecer, juntamente com o dependente químico, o que é muito comum nos dias atuais, a ponto de se fragilizarem e não terem mais condições de ajudar o dependente, recomenda-se que busquem tratamento não só para o doente, mas em seu próprio benefício.

 

 

 

 

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Uso problemático de eletrônicos, de jogos e da internet

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Este é o segundo artigo que publico neste jornal exaltando os problemas que vem surgindo na sociedade moderna a partir do uso disfuncional de objetos eletrônicos, da internet e de jogos.  Para a finalidade desse artigo, definiremos uso disfuncional como sendo o mau uso, ou sem finalidade precípua, ou ainda, uso patológico ou disfuncional que é o realizado por diferentes razões as quais prejudicam a vida ou funções de quem o executa. O uso disfuncional é patológico sem finalidades funcionais e prejudicial a todos, especialmente  o sujeito.

A condição de uso disfuncional de algo pode ocorrer em qualquer contingência, entre as quais o uso da internet em seus diferente aspectos. Pode ocorrer com o uso de álcool e de outras drogas, com sexo, com comida, com mentira, com jogos e com outras ações etc. Em qualquer das condições capazes de provocar esse transtorno, o prazer, o bem estar e a satisfação, se destacam entre suas motivações e reforço. Com o surgimento da internet em 1994 com a perspectiva de facilitar a vida do homem moderno, de ampliar seus conhecimentos,  de incrementar seus estudos, de facilitar as pesquisas, de melhorar as relações entre os seres humanos e o mundo, a internet passou a propiciar muito prazer e contentamento a todos os usuários. Isso tudo reforçado pela forma simples de acessá-la, pois basta digitar um endereço no www e utilizar @, em frações de segundos as pessoas se conectam com tudo e com todos em uma velocidade surpreendente  nunca antes visto.

A internet então redefini o mundo em dois  momentos: um antes e outro depois do seu surgimento. Tudo muito rápido e sem esforço. De fato é um sistema ultra-complexo que levou anos de evolução para chegarmos onde chegamos. Foi uma invenção científica e tecnológica surpreendente em todos os sentidos pois ao longo da vida jamais houve algo assim, apesar dos bilhões de anos vividos  na face da terra.

Foi uma descoberta que proporcionou ao homem contemporâneo muitos privilégios, prerrogativas e muitos ganhos. Transformou-se em algo tão importante que hoje não imaginamos o mundo, uma empresa, um negócio ou uma sociedade, sem a utilização da internet. Fica difícil nós conseguirmos viver sem os recursos dessa ferramenta, sob qualquer ponto de vista, além do mais está sempre evoluindo e aperfeiçoando suas finalidades e seus alcances. Está mudando tudo tanto em nossa volta, quanto dentro de nós mesmos.

Com o advento dos mais variados tidos de artefatos eletrônicos, cada vez mais sofisticados e eficientes, surge uma geração de usuários que estão adoecendo, pois já perderam a noção do uso funcional do www. Se tornaram aficionados, obcecado pela web ao ponto de perderem o limite de seu uso, onde o sentido de suas vida está exclusivamente baseados na relação com esses objetos ou atividades a ela relacionada. Praticamente tudo se torna subordinado à internet: se comunicar, ler as notícias em tempo real, saber tudo sem sair de casa, brincar, se comunicar, falar, sorrir, se distrair conversar com alguém, se relacionar, pesquisar etc., com uma notável expansão nos últimos anos.

Dentro dessa perspectiva e com avanço tecnológico surgem os jogos eletrônicos, que se transforma em são outros desafios. Desde os trabalhos iniciais de Alan Turing em 1950, sobre a  Inteligência Artificial, até os jogos que são praticados atualmente por crianças, adolescentes e adultos, muita coisa mudou e evoluiu muito. Os jogos são atividades que podem ser aplicados a qualquer ambiente virtual: educação (aprendizagem), área terapêutica (no tratamento de diversas doenças), no entretenimento, na competição, na diversão na vida real. Jogar é brincar, brincar constitui uma das maiores aspirações dos seres humanos nas fases da vida e tudo que e divertido gera atração.

O surgimento de um mundo novo, sedutor e apaixonante via internet e o aperfeiçoamento dos jogos eletrônicos como disse anteriormente fez com que um grande números de pessoas adoecessem também com esses jogos. Os estudos em torno desse transtorno cresce a cada dia não só pelo volume cada vez maior de pessoas acometidas por esse problema, quanto pela sua severidade. É tão importante isso que já está sendo cogitada a inserção de novos diagnósticos em manuais psiquiátricos designados de: dependência de jogos eletrônicos e de dependência de Internet. Em escala mundial, estima-se que haja em torno de 3% de dependentes de jogos eletrônicos e 9% apresentando uso problemático ou já são dependentes da internet. Estima-se que haja no Brasil 8 milhões de pessoas dependentes de internet. O transtorno acomete predominantemente pessoas do sexo masculino, especialmente adolescentes e adultos jovens.

Eis algumas dicas que nos auxiliam na identificação do problema: preocupação persistente com a Internet; utilizar a Internet com frequência cada vez maior; insucesso frequentes em controlar, diminuir ou parar o uso da Internet; os usuários passam mal, sentem-se cansados, instáveis, deprimidos ou irritados quando tentam parar o uso da Internet; ficam conectados mais tempo do que planejado; comprometem relacionamentos importantes como o emprego,  os estudos ou outros compromissos, devido ao uso da Internet; mentem para terceiros sobre a quantidade de tempo que utiliza a Internet; usam a Internet como forma de escapismo de problemas cotidianos. No caso de dependentes de jogos eletrônicos, praticamente os sintomas são os mesmos. Portanto, muito cautela para não adoecer nesse sentido pois é uma doença grave, com prognóstico desfavorável e que exige um tratamento especial para a reabilitação desses enfermos.

 

 

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