A base biológica do amor e das paixões

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Uma das prerrogativas humanas mais importantes é a possibilidade de amarmos e nos apaixonarmos, e todos nós, em qualquer época da vida, fomos, estamos indo ou iremos atrás dessa experiência. É uma condição desejada por todos nós, o que garante a felicidade, o bem estar e o prazer na vida. Uma pergunta, porém, surge sempre que este tema entra em debate: qual a sede biológica da experiência amorosa e das paixões? Onde ela ocorre, como ocorre e por que ocorre? Quais os mecanismos neurofuncionais das paixões e do amor? Por que e como se dão as paixões?

Quem responde parte dessas interrogações, há muitos anos formuladas, é a neurociência, que aponta o cérebro como local ou sede material onde ocorrem essas experiências, que tanto nos confortam.

Sabe-se que o cérebro é um órgão ultracomplexo, formado por cerca de um trilhão de células nervosas e que, só de neurônios, há 100 bilhões. Todas essas células têm papeis específicos e definidos na hierarquia das funções cerebrais e comportamentais. Toda a atividade humana, direta ou indiretamente, tem a ver com esse sistema, nada escapa da atividade desse órgão.

Uma de suas partes, o diencéfalo, que é parte de uma das regiões mais antigas do paleocortex (cérebro primitivo), intervém através do hipotálamo no desejo sexual, recolhe informações do mundo externo e dos hormônios, controla e fornece respostas da excitação sexual, da ejaculação, das sensações emocionais e do prazer.

Outra região do cérebro, o sistema límbico, formado por micro regiões cerebrais, discrimina e seleciona os estímulos, reconhece os sinais de saciedade na relação sexual e inibe o apetite sexual, além de exercer uma centena de outras funções no controle emocional em diferentes atividades humanas.

Razão, fantasia, emoção e aprendizagem se misturam em nosso cérebro dando respostas curiosas no dia a dia das experiências sexuais e afetivas dos seres humanos, e em outras espécies, ao mesmo tempo em que procura regular e adequar tais respostas de tal forma que a expressão final no comportamento seja a de desfrutar de forma sadia de todas essas funções.

Os cientistas descobriram uma substância vital nestas atividades prazerosas e afetivas, a Feniletilamina, uma proteína neurotransmissora descoberta há cerca de 100 anos, que só recentemente passaram a associá-la às manifestações da paixão. É uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou simplesmente um aperto de mãos.

Os pesquisadores perceberam que havia uma grande quantidade de Feniletilamina no cérebro de uma pessoa apaixonada e que essa substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados ou estamos amando.

Outras substâncias envolvidas com a fisiologia cerebral, como a dopamina e a ocitocina, estão também muito relacionadas com a experiência afetiva de amar ou se apaixonar.

Essas substâncias químicas são todas relativamente comuns no corpo humano, mas são encontradas apenas durante as fases iniciais do flerte e do namoro. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente com o passar do tempo de tal forma que a fase de atração não dura para sempre. Amar e se apaixonar, portanto são experiências vitais e indispensáveis as nossas saúde mental, daí porque o melhor que podemos fazer a nós mesmos é amarmos cada vez mais uns aos outros.

Nas experiências amorosas, há uma verdadeira revolução fisiológica e comportamental nas pessoas. Toda nossa fisiologia se modifica e, isso se dá em condição natural e de normalidade. Em quem ama e se apaixonam, todos os sentidos funcionam melhor. Melhora-se a autoestima, há maior elã vital, disposição sexual, amor próprio, autoconfiança e as pessoas sentem-se mais seguras entre os outros e diante de si mesmas. Todas essas condições se alteram favoravelmente e a vida do sujeito se modifica inteiramente, para melhor.

Ocorre que esse estado de bem-aventurança não se estende por muito tempo. Alguns estudos demonstram que o amor dura mais que as paixões, do ponto de vista de sua temporalidade. Isto é, a pessoa permanece amando por bem mais tempo que  apaixonada.

Na experiência amorosa e apaixonante, há uma espécie de gradação na qualidade e na intensidade dessas vivências, especialmente quanto à expectativa da adaptação geral do sujeito, quanto a si, quanto aos outros e quanto ao seu ambiente. Essas dimensões, pessoal, relacional e ambiental, devem estar em consonância e em harmonia com o sentimento predominante, se amor ou se paixão, e devem estar em sincronia entre si.

Quando há um rompimento no equilíbrio dessas forças, pode se resvalar para relações psicopatológicas graves entre os envolvidos na relação. Por isso, muitas vezes, ocorrem crimes passionais, tal o grau de desconforto que surge nessas condições psicopatológicas. São as paixões descontroladas (amor patológico), o ciúme doentio, os crimes passionais, etc.

Portanto, devemos estar atentos sobre tais experiências comandadas pelo nosso cérebro, especialmente em situações especiais como essas.

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