AS PÉROLAS TIJUBINAS

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

COMEÇO DA CRONICA

Jamais me preocupara antes em saber o significado exato da palavra Tijubina, senão agora, para prestar uma singela homenagem póstuma ao amigo e poeta caxiense Carvalho Jr. falecido semana passada.

Isso mesmo tendo apreciado seu livro de poemas O Homem-Tijubina, quando  intuí  que se tratasse de um réptil, à primeira vista repulsivo, mas que nunca havia visto tão bonito quanto na capa do seu livro. Interpretei que se tratava de uma simbologia que incorporava o espírito livre e impetuoso de seu autor, e isso bastava.

Apenas em uma oportunidade o vi e foi justamente na noite de autógrafos de seu O homem-Tijubina, no sebo do Poeme-se.  Já o conhecia de nome, dos grupos literários , de sua intensa participação e de seu envolvimento com tudo que se referisse a arte poética. Parecia-me que ele movia o seu caminhão, carregado de poesia, a 200 por hora, enquanto os demais iam a 80 por hora ou sequer haviam  ligado seus motores.  

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UM INFLUENCER

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Você sabe o que é um influencer? Acho que nem mesmo aquele que se diz influencer, sabe exatamente. Fosse apenas influenciador, como sugere a tradução do termo, aí sim, todos saberiam, já que influenciador, obviamente, é aquele que influencia um grupo de pessoas. O que dificulta a compreensão é que  Digital Influencer ( esse é o nome certo) pretende significar alguma coisa a mais. Ou de menos.

1.Se estivéssemos falando apenas de influenciador, então Jesus Cristo deve ter sido o maior que já existiu, porque tem até hoje uma legião imensa de influenciados. Até mesmo aqueles que o negam (os ateus), dependem dele  para se exibirem como contestadores e costumam a ele recorrer, sem o menor pudor, nos seus momentos mais difíceis.   Ser um influenciador, portanto, não depende de estar vivo, já que Jesus Cristo em vida teve apenas 12 seguidores, e olhe lá. Morreu pregado numa cruz, ao lado de dois ladrões, dos quais apenas um resolveu segui-lo aumentando a sua exígua conta de seguidores na Terra  para 13.

2.Eu falei seguidores? Talvez esteja aí o que faltava para a gente entender melhor de que se trata o tal do Influencer, já que, um de responsa, tem que ter milhares de seguidores, sem que a maioria destes saiba objetivamente para onde estão seguindo o dito cujo, nem para quê.

Isso porque esse “seguir”, não se refere ao ato físico de seguir, como seguiam os apóstolos a Cristo em suas caminhadas e pregações. Esse seguir atual refere-se ao ato, também físico, porém milhares de vezes mais leviano e distraído,  de dar um mísero toque no visor de um aparelho. E, pronto, num passe de mágica você já virou seguidor do sujeito e, este, automaticamente, já botou mais um na sua conta.

Em conversa sobre esse assunto, um amigo jornalista chegou a sugerir que se fosse hoje JC seria milionário, pelo tanto de grana que os influencers arrebatam. Retruquei que se JC fizesse mesmo uso dos recursos da Internet para sua pregação jamais teria metade dos seguidores que teve em vida já que essa profissão não é coisa para filósofos, ou homens especiais, haja vista a extraordinária semelhança em seus propósitos de vida dos grandes influencers do Brasil, de Luciano Hulk a Anitta, De   Felipe Neto a Neymar. .

3.Estabelecida a condição de muitos seguidores como sine qua non para classificar alguém como um influencer, lembro que  li, recentemente, a notícia publicada em jornal e reproduzida na net de que uma garota atraente e bonita surpreendeu um rico e jovem empresário na noite paulistana, fazendo um ‘raspa’ em seu apartamento em um breve encontro noturno.  Autuada pela polícia nesse mesmo dia, ela apresentou ao delegado, antes de ser tratada como garota de programa, a sua profissão de influencer.

O que leva a concluir que essa ocupação abrange, em seu mar de possibilidades, a  alternativa de poder ser usada para legitimar quem não tem uma profissão e não sabe exatamente o que quer fazer  na vida.

Como, aliás, fazem, com enorme talento, os profissionais de outro emprego hoje em dia também muito disputado. O de  ex -BBB.  

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DEUS, O DIABO E O COVID

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Preocupado em sua labuta diária (acreditem, ser Diabo dá trabalho!) o Diabo mandou chamar Satanás 1, uma espécie de seu primeiro ministro. O diabo o chamava em sua intimidade de Sassá.

-Bom dia, Sassá, ou  melhor,  Satã 1, pois nossa conversa agora é profissional.

-Às sua ordens, senhor  Diabo.

-Indo direto ao assunto, Satã. O que anda acontecendo pros lados do Brasil?

-Senhor Diabo. No Brasil sempre acontecem coisas estranhas, e isso não é de hoje. Não temos muito controle dessa turma, como vossa alteza sabe perfeitamente. Sendo mais específico, aonde o Senhor quer chegar?

-Satã, você consegue me explicar porque nesse tal de Brasil  só se morre agora de Covid? Não tem mais outro tipo de morte? Onde entram câncer, pneumonia, coração, suicídio, rins, fígado,  paranoia, chifre, enfim, essas coisas que nós inventamos só para fazer o mal. Agora só ta dando  esse tal de Covid. Estão nos desmoralizando.

-Como? O que diz, Senhor?  Ah sim,,, agora entendi. Quer dizer que esse Covid não foi invenção nossa? Juro que pensei que…

-Pensou o quê, Satã? Você é mesmo muito incompetente e pensa demais para o meu gosto.  Se tivéssemos inventado o Covid você deveria ser o primeiro a  saber pelo cargo que ocupa. Além de nada saber, nada conta sobre a origem desse monstro diabólico que, no entanto,  nasceu à nossa revelia. Desta vez não tivemos nada a ver com isso. A natureza o criou, não fomos nós. E quer saber mais? É um minúsculo  coisa alguma. Nem ser vivo é…

-Meu Deus!

– Pare de falar o nome de Deus aqui, Satã, sabe que isso é proibido aqui. Estamos no inferno Satã.

– Desculpe, Senhor. Mas eu confesso estar todo embaralhado. Tanta maldade causada por um monstro quase invisível e sem nada a ver com a gente.

– Você é mesmo pra lá de incapaz, Satã. Esclareça agora, antes que o demita, esta perturbação que está me deixando prostrado por dias e dias. Que explicação existe para o fato de nessa Terra só ter morte, agora, de Covid?

– Excelso senhor Diabo, a única explicação possível é que nesse país  eles nos superam: hoje em dia não carece de interferência diabólica para acontecer o mal, porque eles são piores que a gente. Um bando de corruptos e sacripantas!  Essa é a verdade.

– Como assim Satã? Da pra você explicar melhor?

-Eles não constroem hospitais, eles deixam a população à míngua e sem recursos. De presidente a governadores passando pelo judiciário que os deixam livres,  os cargos públicos entregues a corruptos levam o povo á morte por falta de leitos, vacina e remédio.  Não é só o covide que os está matando, mas eles próprios.

– Basta, Satã. Acho que desta vez você tem toda razão. Pra cada um que morre de Covid, dois morrem por falta de assistência, saúde precária etc e eles dizem que é Covid para ficar com o dinheiro.

-É a única explicação possível, senhor Diabo.

– Tomei uma decisão Satã!

– Qual?

– A partir de amanhã estou de férias. Você me substitui. Quando a epidemia passar você me chama de novo. Não tenho coragem de responder  a Deus, quando for perguntado, que não temos nada a ver com essas mortes e que os maiores responsáveis são eles, que vivem sobre essa terra, se achando à imagem e semelhança de Deus  e apregoando que ele é brasileiro. Dá pra acreditar?

JOSÉ EWERTON NETO é autor de O entrevistador de lendas

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COMO A PANDEMIA AFETOU A INTERPRETAÇÃO DAS LEIS

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A FAMOSA LEI DE MURPHY TEM NOVA VERSÃO PANDÊMICA

1.”Se alguma coisa pode dar errado, dará”. (Considerado o postulado fundamental da Murphologia básica)

Versão Pandêmica. Além de dar errado, se prolonga por muito tempo.

Corolário 2. E ninguém jamais saberá quem causou o erro inicial.

 2.”Coloque um fusível para proteger o circuito que o circuito acabará protegendo o fusível”.

Versão Pandêmica.  Doe-se dinheiro, para que os governantes protejam o cidadão, que eles protegerão o dinheiro, esquecendo-se do cidadão.

3.”É impossível fazer alguma coisa à prova de idiotas, porque os idiotas tendem a se superar”.

Versão Pandêmica. Numa Pandemia o vírus da idiotice se aperfeiçoa e se propaga ainda mais depressa do que o vírus. Exemplo. Lives de música sertaneja, imagens do fiofó tatuado de Anita bombando na net, celebridades como Gabigol, do Flamengo, se escondendo debaixo de mesas em cassinos,  etc.etc. (…)

5.”Nada é tão ruim que não possa piorar ainda mais”.

Versão Pandêmica. Por pior que seja um presidente, o próximo será ainda pior. Exemplos práticos: Lula, Dilma e Bolsonaro.

7.”Errar é humano, mas a sensação disso é divina!”

Versão Pandêmica. É por isso que o pleno do STF está pleno de quem se julga divino:  de Marco Aurélio a Toffoli, passando pelo beiço de Gilmar Mendes e pela  careca de Alexandre de Moraes. (…)

9.”Quando se faz muita reunião para debater determinado assunto a reunião acaba se tornando mais importante do que o assunto”.

Versão Pandêmica. Quando se fazem muitas Lives  para debater a Pandemia, as Lives acabam se tornando mais importantes do que a Pandemia.

10.”A mãe natureza é uma sacana”.

Versão Pandêmica. Depende do referencial. Do ponto de vista da Natureza esta talvez esteja apenas  se vingando de quem tem sido mais sacana ainda com ela: os seres humanos!

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620 raios num só dia em São Luis

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645 É O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA

SINCERO COMO UM NÚMERO

CERTEIRO COMO A MATEMÁTICA

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Viva a corrupção! Fim de Sérgio Moro e lava-jatos

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645, o pensativo da Pandemia

645 , O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA

SINCERO COMO UM NÚMERO, SUTIL COMO A MATEMÁTICA

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MARANHÃO DE GENTE FEIA

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artigo publicado no jornal O estado
do Maranhão

Tempos atrás foi um certo Xandy, uma semana atrás uma tal de Karol Conká. Ele, cantor, entrevistado após show. Ela, que não sei que apito toca, num programa chamado BBBrasil que muito maranhense, infelizmente, assiste. Os dois deitaram falação (soube pelas redes sociais), sobre a feiúra do maranhense. Xandy disse que aqui só tinha mulher feia. Conká foi mais longe e disse que, por aqui, todos são feios.

O curioso é que os colunistas sociais da terrinha, não param de dizer em suas colunas, que suas festas sempre estão cheias de “gente bonita” Qual deles tem razão, Maranhão?

Coisa de 6 anos atrás escrevi uma crônica, neste jornal, informando que a revista Veja anunciara em reportagem a descoberta de um método científico para medir a beleza das pessoas. Fico imaginando qual método teria sido utilizado, tanto por Xandy e Karol, quanto pelos colunistas, para chegarem a opiniões tão díspares.

O certo é que não constatei manifestação alguma dos maranhenses, em geral, para rebater tal injúria. É como se os maranhenses de alguma forma reconhecessem a precisão da escala de beleza usada por ambos (qual seria?) ao achincalhar-nos. Sim, porque não venha me dizer que ser chamado de feio é um elogio. As mulheres, especialmente, sempre consideraram esse um dos piores insultos.

Há nessa história, porém, algo que salta do contexto. Só é chamado de feio aquele que se expõe ao raio visual do infrator. Só é xingado quem ouve, só é achincalhado quem se oferece ao algoz. No caso destes pseudo-cantores, os maranhenses foram insultados de feios porque se submeteram, de bom grado, às suas escalas de indelicadezas, o que já era de se esperar por se prestarem a assistir a um programa onde os participantes se sujeitam à pior forma de degradação a que se pode submeter um ser humano: que é o exibicionismo e a exploração de suas intimidades a troco de grana.

A razão pela qual alguém se submete a isso é algo tão difícil de entender quanto a disposição de assistir a um show tão raso quanto o de um cantor como Xandy, sabendo-se que a liberdade de insultar alguém, especialmente a um povo inteiro, é própria de toscos que falam de beleza numa tentativa de compensar suas mais recônditas frustrações.

O que parece notório é que a pecha de feiúra, de repente repetida e generalizada pelas redes sociais passa, a partir desses disparates, a constituir uma marca maranhense, perigosamente prejudicial a um estado tão decantado pelas suas belezas naturais, sobretudo por não ser verdadeira

Ao pensar que esses indivíduos foram convidados a se deleitar com as coisas belas da ilha (que ironia, não é mesmo?) por iniciativa de conterrâneos cuja hospitalidade foi retribuída pela exibição da régua de suas mediocridades, chego à convicção de que nós maranhenses estamos nos especializando em atirar pérolas a porcos, (como no dizer bíblico) e a transformar nossa ilha cercada de água e encanto por todos os lados, numa ilha cada vez mais invadida por acéfalos em todos os lados.

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ILUSÕES CORROMPIDAS

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Anos atrás quando se iniciou em Curitiba a força-tarefa da lava-jato, um sopro de esperança pairou no seio da sociedade brasileira: a de que, finalmente, a corrupção deslavada  e protegida poderia ser combatida, de verdade, amenizando alguns de seus maléficos efeitos dos quais o maior é o empobrecimento da população através dos recursos desviados e abocanhados por facínoras de terno e gravata .

A dissolução anunciada semana passada da Lava-Jato em Curitiba, pôs água nesse jato e, num trocadilho paradoxal, deixou de lavar a nossa alma (dos brasileiros que cultivaram a ilusão de que os eternos corruptos seriam punidos progressivamente).

Infelizmente, era de se esperar. A corrupção é aderente ao espírito de levar vantagem do ser humano. De fato, estudo  publicado na Revista Super Interessante feito pela Universidade de Cambridge analisando 166 casos de suborno em 52 países mostra o quanto a corrupção tornou-se  quase uma entidade estabelecida globalmente. Idem, o resultado da pesquisa adicionou um ingrediente que a torna bastante atraente para os meliantes que a praticam: as empresas corruptoras recebem de volta 10 vezes o dinheiro em vantagens ilegais. No popular, o crime compensa e muito.

Segundo a pesquisa a ocorrência de suborno foi maior nos países mais pobres, onde a justiça e as instituições são mais débeis. Segundo o estudo o valor pago muda de acordo com o cargo. Funcionários de baixo escalão recebem em média 1,2% do contrato de propina contra 4,7% pagos a chefes de estado. Todos os casos estudados são escândalos que chegaram ao conhecimento da população e, em muito deles, as empresas corruptoras foram processadas. Esse tipo de punição, no entanto, é insuficiente para conter a prática, porque o risco de ser apanhado e condenado não impede as empresas de continuarem subornando.

O nosso país sempre se enquadrou no bloco das nações favoráveis aos corruptos, tal a permissividade e leniência para com os bandidos. Daí a esperança incoercível na lava-jato e seus idealizadores. Eu particularmente, porém, logo desconfiei de sua continuidade quando cedo se levantaram contra o sucesso da mesma vultos de estampa melíflua,  sorrateira  e asquerosa, como o senhor Gilmar Mendes ,ministro da suprema corte,  um especialista, segundo a imprensa, em libertar corruptos. Na ocasião comentei:  “Um dia vão acabar jogando na cadeia justamente quem se propõe a botar os corruptos na cadeia..”

Dito e feito. A indignação da população contra os corruptos se foi, e com ela, a lava-jato. Onde  as manifestações? Onde o povo nas ruas para bradar contra o fim da mesma? Toda contundência  desapareceu  como se esvaecem os sonhos e as ilusões, e não me digam que a pandemia contribuiu para isso pela transferência de foco. Ora, todos sabem que a  corrupção tem sido no Brasil um monstro mais temível e arrasador que o Covid 19,  porque mata  muito mais.

Só resta acrescentar à famosa frase definidora das mazelas brasileiras do cantor Tim Maia mais esta assertiva: “…o Brasil é um país onde até as ilusões são corrompidas.”

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O MORRO E EMILY

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

O MORRO.

Sexta-feira  vi mais uma vez pela tevê, o filme O morro dos ventos uivantes (com Juliette Binoche no papel principal)  No sábado, com agradável surpresa, constatei que o romance com esse título  permanecia há várias semanas na lista dos livros mais vendidos no Brasil da revista  Veja.

 (Não posso deixar, aqui, de abrir este  parênteses para desconstruir a mentira freqüente que se pespega, de que os jovens de hoje são avessos à leitura, especialmente  de bons livros. A aceitação, nestes tempos céleres e conturbados,  deste que é um dos grandes clássicos da literatura universal , desmente essa inverdade.

A receptividade a  este romance se dá porque sua autora foi privilegiada pelo dom de uma narrativa que se esmera na busca da simplicidade como alvo, no que se poderia chamar do romance-romance : cujo objetivo principal é o de contar uma história atraente e de envolver os seus leitores, com personagens não apenas fortes, mas fortíssimos; com cenas não apenas fortes, mas fortíssimas; em ambientes nos quais o contraste desses impulsos com o bucolismo da paisagem,  permanecem indeléveis na memória de quem o lê, tendo no centro de tudo, paixões fortes, fortíssimas,  ao redor do qual orbitam  as turbulências.

 Se  o clássico Romeu e Julieta é um ensinamento sobre o amor, O morro dos ventos uivantes é um aprendizado  sobre a paixão. Parece a mesma coisa, mas não é. )

EMILY BRONTE, a autora do livro.  

Parece que a estou vendo agora. Na casa onde morava onde os morros uivavam  e era fácil ver fantasmas vindo dos cemitérios que circundavam a casa. A mente sonhadora, de moça oprimida por um pai autocrático  e severo, e que tinha como único divertimento conceber cenas de teatro que escrevia em caixas de papelão com as duas irmãs.  Emily não se casou e morreu cedo, aos 30 anos, de tuberculose, negando-se a receber cuidados médicos.

Que passava o dia com o olhar fixo na janela,  onde batiam  os ventos, como se através dela se transplantasse para o único lugar possível fora do lar que as confinavam, vivificando  as cenas do romance que a imortalizaria,  onde as paixões chegavam ao paroxismo, resvalavam o doentio, mas jamais atingiam o ponto da loucura ou do fantasmagórico.

Uma moça débil, de beleza melancólica e reclusa, dotada de um coração que guardava paixões tão intensas que  foi capaz de descrevê-las  em seus personagens, transformando-os  em heróis  eternos.

José Ewerton Neto é autor de O ABC BEM HUMORADO DE SÃO LUÍS cuja segunda edição está à venda na livraria da AMEI e outras

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O espírito natalino enfrenta a Pandemia

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Lá vem ele, de novo. É o ESPÍRITO DE NATAL. Nestes tempos pandêmicos desconfiava-se que ele pudesse não aparecer. Sabe como é, vírus, pandemia, pânico, medo, horror. Temia-se que o velho Espírito de Natal recuasse, ou desse para trás, já que faz parte do grupo de risco naturalmente, pela antiguidade.

Chega trazendo tanta coisa junta que andava escondida, depositando-a aos pés da população alvoroçada e ansiosa: amor, alegria, solidariedade, esperança, de tal forma abundantes e  gratuitas que pouca gente se dá ao trabalho sequer de perguntar: afinal de contas, quem é esse cara?

Ora, para simplificar, porque nem Freud explica, conjecturamos  logo que seja alguém da parte de Deus, um anjo, enfim. Alguém dessa turma especial, generosa pra valer, mas inatingível, alguém que só convêm aparecer na Terra uma vez por ano com essa estranha capacidade de coisas bonitas, mas, até certo ponto,  inexplicáveis.

Alguém que tem o dom até de alterar o clima da natureza. Os objetos inanimados parecem mais atraentes, diferentes, mais receptivos. O sol ardente já não queima da mesma forma, a chuva já não incomoda tanto, até a melancolia para de rondar como uma sombra para transformar-se numa névoa tão solidária, quanto íntima.

Sua visita, porém, todo ano tem um fim indefectível e, lá pelo dia 29, véspera do réveillon, como faz todo ano, ele levanta sua mala, sacode suas asas e, como um pássaro repelido, vai embora. Os humanos voltarão aos seus mesquinhos afazeres, às suas rotinas de se debaterem nas redes sociais por ideologias de araque, de se xingarem no trânsito, de mandarem para o inferno uma suposta paz que fingiam procurar.

As crianças logo se aperceberão que ele se foi. Os pais voltarão a ficar mal humorados e tensos. Os desejos de paz e felicidade serão  deixados para trás e os adultos se encaminharão para afogar as mágoas e apreensões rumo ao réveillon saudando, como histéricos, uma passagem de tempo que não tem significado algum.  

Mas isso serão outros quinhentos e outros covides. O ESPÍRITO DE NATAL finalmente apareceu, tratemos então de aproveitar e guardá-lo em nossos corações, transbordando sua presença em nossas confraternizações e desejando um Feliz Natal a todos.

Mas, como seguro morreu de velho, será oportuno não olvidar  algo fundamental para nossa segurança. Fiquemos alertas, no réveillon o ESPÍRITO DE NATAL terá partido e não estará mais de sentinela para nos ajudar a enfrentar os Covides. 

José Ewerton Neto é autor de O abc bem humorado de São Luis

O abc bem humorado de São Luis chega à sua terceira edição e já pode ser encontrado nas boas livrarias da cidade.
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