COMO A PANDEMIA AFETOU A INTERPRETAÇÃO DAS LEIS

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A FAMOSA LEI DE MURPHY TEM NOVA VERSÃO PANDÊMICA

1.”Se alguma coisa pode dar errado, dará”. (Considerado o postulado fundamental da Murphologia básica)

Versão Pandêmica. Além de dar errado, se prolonga por muito tempo.

Corolário 2. E ninguém jamais saberá quem causou o erro inicial.

 2.”Coloque um fusível para proteger o circuito que o circuito acabará protegendo o fusível”.

Versão Pandêmica.  Doe-se dinheiro, para que os governantes protejam o cidadão, que eles protegerão o dinheiro, esquecendo-se do cidadão.

3.”É impossível fazer alguma coisa à prova de idiotas, porque os idiotas tendem a se superar”.

Versão Pandêmica. Numa Pandemia o vírus da idiotice se aperfeiçoa e se propaga ainda mais depressa do que o vírus. Exemplo. Lives de música sertaneja, imagens do fiofó tatuado de Anita bombando na net, celebridades como Gabigol, do Flamengo, se escondendo debaixo de mesas em cassinos,  etc.etc. (…)

5.”Nada é tão ruim que não possa piorar ainda mais”.

Versão Pandêmica. Por pior que seja um presidente, o próximo será ainda pior. Exemplos práticos: Lula, Dilma e Bolsonaro.

7.”Errar é humano, mas a sensação disso é divina!”

Versão Pandêmica. É por isso que o pleno do STF está pleno de quem se julga divino:  de Marco Aurélio a Toffoli, passando pelo beiço de Gilmar Mendes e pela  careca de Alexandre de Moraes. (…)

9.”Quando se faz muita reunião para debater determinado assunto a reunião acaba se tornando mais importante do que o assunto”.

Versão Pandêmica. Quando se fazem muitas Lives  para debater a Pandemia, as Lives acabam se tornando mais importantes do que a Pandemia.

10.”A mãe natureza é uma sacana”.

Versão Pandêmica. Depende do referencial. Do ponto de vista da Natureza esta talvez esteja apenas  se vingando de quem tem sido mais sacana ainda com ela: os seres humanos!

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620 raios num só dia em São Luis

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645 É O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA

SINCERO COMO UM NÚMERO

CERTEIRO COMO A MATEMÁTICA

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Viva a corrupção! Fim de Sérgio Moro e lava-jatos

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645, o pensativo da Pandemia

645 , O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA

SINCERO COMO UM NÚMERO, SUTIL COMO A MATEMÁTICA

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MARANHÃO DE GENTE FEIA

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artigo publicado no jornal O estado
do Maranhão

Tempos atrás foi um certo Xandy, uma semana atrás uma tal de Karol Conká. Ele, cantor, entrevistado após show. Ela, que não sei que apito toca, num programa chamado BBBrasil que muito maranhense, infelizmente, assiste. Os dois deitaram falação (soube pelas redes sociais), sobre a feiúra do maranhense. Xandy disse que aqui só tinha mulher feia. Conká foi mais longe e disse que, por aqui, todos são feios.

O curioso é que os colunistas sociais da terrinha, não param de dizer em suas colunas, que suas festas sempre estão cheias de “gente bonita” Qual deles tem razão, Maranhão?

Coisa de 6 anos atrás escrevi uma crônica, neste jornal, informando que a revista Veja anunciara em reportagem a descoberta de um método científico para medir a beleza das pessoas. Fico imaginando qual método teria sido utilizado, tanto por Xandy e Karol, quanto pelos colunistas, para chegarem a opiniões tão díspares.

O certo é que não constatei manifestação alguma dos maranhenses, em geral, para rebater tal injúria. É como se os maranhenses de alguma forma reconhecessem a precisão da escala de beleza usada por ambos (qual seria?) ao achincalhar-nos. Sim, porque não venha me dizer que ser chamado de feio é um elogio. As mulheres, especialmente, sempre consideraram esse um dos piores insultos.

Há nessa história, porém, algo que salta do contexto. Só é chamado de feio aquele que se expõe ao raio visual do infrator. Só é xingado quem ouve, só é achincalhado quem se oferece ao algoz. No caso destes pseudo-cantores, os maranhenses foram insultados de feios porque se submeteram, de bom grado, às suas escalas de indelicadezas, o que já era de se esperar por se prestarem a assistir a um programa onde os participantes se sujeitam à pior forma de degradação a que se pode submeter um ser humano: que é o exibicionismo e a exploração de suas intimidades a troco de grana.

A razão pela qual alguém se submete a isso é algo tão difícil de entender quanto a disposição de assistir a um show tão raso quanto o de um cantor como Xandy, sabendo-se que a liberdade de insultar alguém, especialmente a um povo inteiro, é própria de toscos que falam de beleza numa tentativa de compensar suas mais recônditas frustrações.

O que parece notório é que a pecha de feiúra, de repente repetida e generalizada pelas redes sociais passa, a partir desses disparates, a constituir uma marca maranhense, perigosamente prejudicial a um estado tão decantado pelas suas belezas naturais, sobretudo por não ser verdadeira

Ao pensar que esses indivíduos foram convidados a se deleitar com as coisas belas da ilha (que ironia, não é mesmo?) por iniciativa de conterrâneos cuja hospitalidade foi retribuída pela exibição da régua de suas mediocridades, chego à convicção de que nós maranhenses estamos nos especializando em atirar pérolas a porcos, (como no dizer bíblico) e a transformar nossa ilha cercada de água e encanto por todos os lados, numa ilha cada vez mais invadida por acéfalos em todos os lados.

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ILUSÕES CORROMPIDAS

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Anos atrás quando se iniciou em Curitiba a força-tarefa da lava-jato, um sopro de esperança pairou no seio da sociedade brasileira: a de que, finalmente, a corrupção deslavada  e protegida poderia ser combatida, de verdade, amenizando alguns de seus maléficos efeitos dos quais o maior é o empobrecimento da população através dos recursos desviados e abocanhados por facínoras de terno e gravata .

A dissolução anunciada semana passada da Lava-Jato em Curitiba, pôs água nesse jato e, num trocadilho paradoxal, deixou de lavar a nossa alma (dos brasileiros que cultivaram a ilusão de que os eternos corruptos seriam punidos progressivamente).

Infelizmente, era de se esperar. A corrupção é aderente ao espírito de levar vantagem do ser humano. De fato, estudo  publicado na Revista Super Interessante feito pela Universidade de Cambridge analisando 166 casos de suborno em 52 países mostra o quanto a corrupção tornou-se  quase uma entidade estabelecida globalmente. Idem, o resultado da pesquisa adicionou um ingrediente que a torna bastante atraente para os meliantes que a praticam: as empresas corruptoras recebem de volta 10 vezes o dinheiro em vantagens ilegais. No popular, o crime compensa e muito.

Segundo a pesquisa a ocorrência de suborno foi maior nos países mais pobres, onde a justiça e as instituições são mais débeis. Segundo o estudo o valor pago muda de acordo com o cargo. Funcionários de baixo escalão recebem em média 1,2% do contrato de propina contra 4,7% pagos a chefes de estado. Todos os casos estudados são escândalos que chegaram ao conhecimento da população e, em muito deles, as empresas corruptoras foram processadas. Esse tipo de punição, no entanto, é insuficiente para conter a prática, porque o risco de ser apanhado e condenado não impede as empresas de continuarem subornando.

O nosso país sempre se enquadrou no bloco das nações favoráveis aos corruptos, tal a permissividade e leniência para com os bandidos. Daí a esperança incoercível na lava-jato e seus idealizadores. Eu particularmente, porém, logo desconfiei de sua continuidade quando cedo se levantaram contra o sucesso da mesma vultos de estampa melíflua,  sorrateira  e asquerosa, como o senhor Gilmar Mendes ,ministro da suprema corte,  um especialista, segundo a imprensa, em libertar corruptos. Na ocasião comentei:  “Um dia vão acabar jogando na cadeia justamente quem se propõe a botar os corruptos na cadeia..”

Dito e feito. A indignação da população contra os corruptos se foi, e com ela, a lava-jato. Onde  as manifestações? Onde o povo nas ruas para bradar contra o fim da mesma? Toda contundência  desapareceu  como se esvaecem os sonhos e as ilusões, e não me digam que a pandemia contribuiu para isso pela transferência de foco. Ora, todos sabem que a  corrupção tem sido no Brasil um monstro mais temível e arrasador que o Covid 19,  porque mata  muito mais.

Só resta acrescentar à famosa frase definidora das mazelas brasileiras do cantor Tim Maia mais esta assertiva: “…o Brasil é um país onde até as ilusões são corrompidas.”

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O MORRO E EMILY

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

O MORRO.

Sexta-feira  vi mais uma vez pela tevê, o filme O morro dos ventos uivantes (com Juliette Binoche no papel principal)  No sábado, com agradável surpresa, constatei que o romance com esse título  permanecia há várias semanas na lista dos livros mais vendidos no Brasil da revista  Veja.

 (Não posso deixar, aqui, de abrir este  parênteses para desconstruir a mentira freqüente que se pespega, de que os jovens de hoje são avessos à leitura, especialmente  de bons livros. A aceitação, nestes tempos céleres e conturbados,  deste que é um dos grandes clássicos da literatura universal , desmente essa inverdade.

A receptividade a  este romance se dá porque sua autora foi privilegiada pelo dom de uma narrativa que se esmera na busca da simplicidade como alvo, no que se poderia chamar do romance-romance : cujo objetivo principal é o de contar uma história atraente e de envolver os seus leitores, com personagens não apenas fortes, mas fortíssimos; com cenas não apenas fortes, mas fortíssimas; em ambientes nos quais o contraste desses impulsos com o bucolismo da paisagem,  permanecem indeléveis na memória de quem o lê, tendo no centro de tudo, paixões fortes, fortíssimas,  ao redor do qual orbitam  as turbulências.

 Se  o clássico Romeu e Julieta é um ensinamento sobre o amor, O morro dos ventos uivantes é um aprendizado  sobre a paixão. Parece a mesma coisa, mas não é. )

EMILY BRONTE, a autora do livro.  

Parece que a estou vendo agora. Na casa onde morava onde os morros uivavam  e era fácil ver fantasmas vindo dos cemitérios que circundavam a casa. A mente sonhadora, de moça oprimida por um pai autocrático  e severo, e que tinha como único divertimento conceber cenas de teatro que escrevia em caixas de papelão com as duas irmãs.  Emily não se casou e morreu cedo, aos 30 anos, de tuberculose, negando-se a receber cuidados médicos.

Que passava o dia com o olhar fixo na janela,  onde batiam  os ventos, como se através dela se transplantasse para o único lugar possível fora do lar que as confinavam, vivificando  as cenas do romance que a imortalizaria,  onde as paixões chegavam ao paroxismo, resvalavam o doentio, mas jamais atingiam o ponto da loucura ou do fantasmagórico.

Uma moça débil, de beleza melancólica e reclusa, dotada de um coração que guardava paixões tão intensas que  foi capaz de descrevê-las  em seus personagens, transformando-os  em heróis  eternos.

José Ewerton Neto é autor de O ABC BEM HUMORADO DE SÃO LUÍS cuja segunda edição está à venda na livraria da AMEI e outras

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O espírito natalino enfrenta a Pandemia

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Lá vem ele, de novo. É o ESPÍRITO DE NATAL. Nestes tempos pandêmicos desconfiava-se que ele pudesse não aparecer. Sabe como é, vírus, pandemia, pânico, medo, horror. Temia-se que o velho Espírito de Natal recuasse, ou desse para trás, já que faz parte do grupo de risco naturalmente, pela antiguidade.

Chega trazendo tanta coisa junta que andava escondida, depositando-a aos pés da população alvoroçada e ansiosa: amor, alegria, solidariedade, esperança, de tal forma abundantes e  gratuitas que pouca gente se dá ao trabalho sequer de perguntar: afinal de contas, quem é esse cara?

Ora, para simplificar, porque nem Freud explica, conjecturamos  logo que seja alguém da parte de Deus, um anjo, enfim. Alguém dessa turma especial, generosa pra valer, mas inatingível, alguém que só convêm aparecer na Terra uma vez por ano com essa estranha capacidade de coisas bonitas, mas, até certo ponto,  inexplicáveis.

Alguém que tem o dom até de alterar o clima da natureza. Os objetos inanimados parecem mais atraentes, diferentes, mais receptivos. O sol ardente já não queima da mesma forma, a chuva já não incomoda tanto, até a melancolia para de rondar como uma sombra para transformar-se numa névoa tão solidária, quanto íntima.

Sua visita, porém, todo ano tem um fim indefectível e, lá pelo dia 29, véspera do réveillon, como faz todo ano, ele levanta sua mala, sacode suas asas e, como um pássaro repelido, vai embora. Os humanos voltarão aos seus mesquinhos afazeres, às suas rotinas de se debaterem nas redes sociais por ideologias de araque, de se xingarem no trânsito, de mandarem para o inferno uma suposta paz que fingiam procurar.

As crianças logo se aperceberão que ele se foi. Os pais voltarão a ficar mal humorados e tensos. Os desejos de paz e felicidade serão  deixados para trás e os adultos se encaminharão para afogar as mágoas e apreensões rumo ao réveillon saudando, como histéricos, uma passagem de tempo que não tem significado algum.  

Mas isso serão outros quinhentos e outros covides. O ESPÍRITO DE NATAL finalmente apareceu, tratemos então de aproveitar e guardá-lo em nossos corações, transbordando sua presença em nossas confraternizações e desejando um Feliz Natal a todos.

Mas, como seguro morreu de velho, será oportuno não olvidar  algo fundamental para nossa segurança. Fiquemos alertas, no réveillon o ESPÍRITO DE NATAL terá partido e não estará mais de sentinela para nos ajudar a enfrentar os Covides. 

José Ewerton Neto é autor de O abc bem humorado de São Luis

O abc bem humorado de São Luis chega à sua terceira edição e já pode ser encontrado nas boas livrarias da cidade.
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MARADONA E GARRINCHA. Mágicos e trágicos

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Personagens chaplinianos, anti-atléticos, desprovidos de beleza física  ou inteligência especial, a quem somente a genialidade seria capaz de sacá-los do lodo da história para convertê-los em mitos, no panteão de guerreiros e ídolos cultuados por uma nação .

Personagens que parecem saídos da ficção mas que, com certeza, vieram  da dura realidade dos desesperançados das favelas e periferias. Personagens que, não fosse pelo futebol, estariam condenados ao esquecimento e ao abandono,  mas a quem Deus, um dia,  parece ter depositado na testa dos mesmos uma estrela dizendo: “Vai estrela, brilha no caminho desses gauches da vida, e os torna  dribladores do destino”.

E deu-lhes a paixão por uma bola de futebol para exercitar justamente isso: o drible. Ao iniciar no Botafogo, Garrincha foi visto de longe pelo  craque Nílton Santos, merecendo dele o comentário irônico: “A coisa ta feia por aqui. Até aleijado aparece para  jogar futebol!” Mas o aleijado tinha paixão, de fato, pelo drible e ao colocar a bola pelo vão das pernas do craque começou a escrever a sua  história .

O outro, argentino, franzino, atarracado, cara de índio,  cujo biotipo parecia mais apropriado a um futuro vigia de puteiro.  A quem tive a sorte de ver quando sua fama despontava, no Maracanã em amistoso contra a seleção brasileira. Então, o índio atarracado não precisava driblar o inferno da droga para chegar ao céu,  tanto que eu pude ver o paraíso em seus pés, sem que ele sequer se esforçasse para isso.

A trajetória de ambos fora dos campos todo mundo sabe. Um se entregou à bebida, o outro às drogas. Após a morte do ídolo argentino, sob o manto da comoção  generalizada esperei que  da parte dos comentaristas houvesse uma menção à Garrincha , o gênio das pernas tortas que nos deu duas Copas . No entanto, veio a alusão  a um Airton Sena, parecido ao argentino apenas no final precoce.  

A comparação nada tem a ver. A engenharia e a precisão das corridas de Fórmula 1 não permitem a magia do futebol para amaciar mecanismos, como a uma bola. Ali o que predomina é a condição tecnológica do equipamento onde  não há espaço para mágicos, mas para os intrépidos. Sequer nas origens se pareciam. Ayrton Sena era filho de gente aquinhoada, se pareceu com Maradona na tragédia que comoveu os dois países, mas foram distintos nas paixões, na irreverência e nos sonhos.  

 “Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, e ainda na rede balança seu último gol ”. O som da antiga balada composta em homenagem a Garrincha, interpretada  por Moacir Franco, ressoa insistente em meus ouvidos Talvez porque  devesse ser executada agora também nas rádios argentinas, transformada num tango,  que os meninos da Villa Fiorito, onde nasceu Maradona, cantariam  para homenagear aquele que foi seu maior ídolo.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas, novela de ficção sobre lendas maranhenses em segunda edição
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COMO XINGAR NA PANDEMIA

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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, quinta-feira

Estudo desenvolvido há alguns anos pela Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado pela revista especializada  NeuroReport afirma que falar palavrões  ajuda a amenizar a dor física.

Esta notícia deve ser revista e propagada, especialmente nestes tempos de Covid19 em que faltam vacinas, remédios e leitos. Fico imaginando, um indivíduo, morto de dor, chegando ao SUS, diante de um médico de plantão, já perfeitamente inteirado dessa descoberta científica e adepto desse recurso, tão barato, para aliviar os males. Diante desse cliente aos berros, o médico dirige-se para a enfermeira.

– Se faltam remédios, enfermeira, mande  ele xingar.

– Xingar quem, doutor?

– Ora, mande-o  xingar qualquer coisa: Deus, o mundo, Bolsonaro, o juiz de futebol, pode xingar até a gente, se preferir.

À vista dessa alternativa, o doente, claro, não se faz de rogado.

– Médico filho da puta!, Enfermeira piranha!, Hospital de merda!

– Doutor, ele não para de xingar.  Os outros estão escutando.

– Sem problemas, deixe-o à vontade. Quanto mais alto ele xingar  melhor.

O doente enfim pára, extenuado. O doutor, com expressão vitoriosa, indaga para a enfermeira.

– E agora, enfermeira, como está o nosso doente?

– Ele diz que aliviou a dor.  

– Eu não disse? Chame o próximo.

2. Evidente que os médicos precisarão se especializar cada vez mais nessa matéria, tendendo a surgir os mais talentosos, ou seja, aqueles capazes de receitar o palavrão mais apropriado para cada sintoma. Ao invés de Novalgina: Sacana sem-Vergonha!; ao invés de Buscopan: Cadela Vagabunda!; ao invés de Atroveran: Corno safado!

Torna-se evidente que uma das complexidades para a adoção e proliferação desse tipo de remédio é que muitos doentes carecerão de altas dosagens de xingamento para aliviar suas dores, mas, onde encontrar esse palavrão, já tão desperdiçado no dia a dia?

Supõe-se que isso se resolva inventando-se novas matérias-primas, ou seja, novos palavrões. Enquanto isso ainda não foi feito, uma boa forma de aliviar as dores no pandemônio atual seria pedir que os pacientes xinguem o Covid19  o mais alto que puder. Exemplos práticos a serem receitados: Covid 19 vá-se F…!; Enfie o Covid nos seus, ladrões da saúde!; ou Volte para a China, Covid sem-vergonha!

Os médicos poderiam incluir a OMS também no meio. Ainda que não aliviasse  a dor, faria muito bem à saúde.

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VANUSA E SEU CAMINHEMOS

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Caminhemos, talvez nos vejamos depois. Vida comprida, estrada alongada…”  Erivelto Martins

O Caminhemos, de Vanusa Santos Flores, a Vanusa, chegou para mm pela primeira vez em forma de balada-rock , ao invés de samba-canção tradicional composto por Erivelto Martins. A cantora, que começou a fazer sucesso na esteira da jovem- guarda , teve a feliz idéia de incluir Erivelto em seu repertório (gravou também Mensagem, sucesso anterior de Isaurinha Garcia, na mesma época e estilo).

Claro que ambas as músicas tornaram-se um dos alvos de aprendizado para mim, que aprendia violão, estimulado por meu pai, que  tocava esse instrumento musical muito bem, me ensinava,  e me iniciou no rico  repertório e no conhecimento de Erivelto Martins, até então um compositor desconhecido para mim.

Não  que eu tenha me tornado um ardoroso fã de Vanusa , embora dela apreciasse algumas canções.  Vanusa era uma cantora que parecia estar sempre a meio caminho, sem jamais despertar arroubos incondicionais de seus fãs. Não tinha aquela palpitação que distingue os grandes artistas e que, muitas vezes se associa a um destino trágico, como acontece com alguma freqüência em talentos especiais que se dilaceram pela arte. Não era uma Amy Whinehouse ou Billie Holliday, nem uma Elis Regina ou mesmo Cássia Eller.

Era bonita, mas não formosa ou deslumbrante. Cantava bem, mas não beirava as melhores artistas da época. Selecionava algumas boas canções, mas seus discos eram irregulares, vendia discos, mas nunca teve um sucesso arrebatador. E, assim, ela foi traçando a sua trajetória cada  dia mais arrefecida até falecer esta semana, com a notícia de sua morte ganhando as redes sociais, sua partida chegando de longe como se seu Caminhemos na vida houvesse findado faz tempo. Sem despertar o choro e a comoção devotadas  a um grande ídolo.

No auge do sucesso Vanusa foi atriz também, chegou a protagonizar a novela Cinderela 77 exibida pela TV Tupi, com o cantor Ronnie Von, que sobre ela se pronunciou  após sua morte: “Para mim é a perda da minha princesa, da minha Cinderela 77. Uma época em que nós confidenciamos uns aos outros, nossas alegrias e nossos momentos emocionais.” Foi casada  com o cantor galã Antonio Marcos (que morreu cedo e teve problemas com o álcool em cuja data de aniversário partiu, coincidentemente)  e, a partir daí, tem-se a impressão de que Vanusa passou a alimentar a cena artística mais por sina do que por prazer.Sofria de demência e morreu num asilo para onde foi encaminhada por seus familiares o que motivou as habituais comentários nas redes criticando a postura da família e o distanciamento a que foi relegada.

Porém, ainda que se queira estabelecer seu fim em um asilo  como um contraponto cruel a quem foi tão famosa, a verdade é que essa circunstância nada tem a ver, ainda que minimamente, com sua trajetória artística. Tem a ver mesmo com o fato de sermos humanos, demasiadamente humanos e, como tais, tantas vezes desprovidos de humanidade, especialmente para com os idosos,  quando  estes precisam de nós, mais da gente que a gente deles.  

                                                           [email protected]

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