Um encontro de médicos

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Encontram-se os dois, hoje médicos e  ex-colegas de república,  25 anos depois, num Simpósio de Medicina, em Brasília. Um deles toma a iniciativa:

– Puxa vida, cara! Não me leve a mal, se você fosse um pouco mais alto e menos gordo, me faria lembrar um grande colega que eu tive na República, o Sinésio, que a gente chamava  Margarina.

– Coincidência! Eu também sou Sinésio. Mas nada de Margarina hehehe.

– Bem, eu formei em Recife, mas fiz residência no Rio e você?

– Eu também fiz residência no Rio.

– Ora, você é mesmo o Margarina…Quer dizer, o Sinésio.

– Sem dúvida. E você é o Ernesto Cara de Banjo. Vi logo pela cara…hehehe

Abraçaram-se efusivamente.  A eles, juntou-se  Wamberg,  da mesma época.    Mandaram às favas o simpósio e seus palestrantes e logo estavam num  bar.

– Quer dizer que o Renato Branco agora é deputado.

– Sim, um ano depois que se tornou cirurgião largou o bisturi.

– Parecia tão empolgado com a Medicina. Por que teria largado o bisturi?

– Na verdade, não largou. Esqueceu na barriga de um paciente. Quiseram processá-lo, mas mobilizou colegas, advogados e sindicatos a favor do direito  humano de errar. Angariou amizades influentes depois que o assunto dominou as páginas da imprensa. Daí pra  frente foi um passo. Elegeu-se deputado e agora quer ser  senador.

– O Branco senador! E o Fulgêncio? Alguém sabe seu paradeiro? Dava até pena, o coitado,  tremia quando via sangue,  vê se pode.

– O Fulgêncio tá na Alemanha.

– Na Alemanha? Fazendo curso?

– Não, dando o curso. É um dos mais renomados especialistas mundiais em medicina quântica e constantemente é chamado para palestras na Europa e até na China.  

– Medicina Quântica? Que diabo é isso, alguém sabe?  Que vida imprevisível. E o que foi feito do Armando Bocudo? Metido a bonitão,  comia todas na Escola. E se gabava disso.

– Casou-se com a Claudete Chilique.

– Como? A Claudete Chilique? Não dá para acreditar, até eu mandei-a passear quando quis dar pra mim num fim de festa.  Era tão sem graça que diziam que o canudo de papel que ela segurava na com tanta firmeza na diplomação era a coisa mais dura que ela ia segurar nas mãos pro  resto da vida.

– Também soube. O Bocudo realmente apaixonou-se por ela. Formou-se em psiquiatria e hoje está numa clínica para loucos.

– O Bocudo virou dono de clínica? Ou dá expediente por lá?

– Nem uma coisa nem outra. É paciente. Ficou tantã depois que a Claudete Chilique o encheu de chifre.

– Essa não! Que vida mais louca! Mas por falar em Claudete isso me faz lembrar a Vânia.

– A Vânia da pediatria?

– Essa mesma. Gostosa, mas burra que nem um poste.

– É, mas acho que um poste não escreveria medicina com dois esses na sua tese de formatura.

– Ela nem precisava estudar. Paquerava os professores e só tirava dez, com louvor. Vocês sabiam que ela tem uma loja  nos USA onde fatura alto?

– Mais uma que abandonou a medicina.

– Se abandonou a medicina não sei, só sei que foi abandonada pelo ex-marido, o Dr. Serapião que era  dono de um plano de saúde para cães , 40 anos mais velho. Felizmente para ela, porque depois que morreu ele lhe deixou uma baita grana.

– O Profeta também era doido por ela.

– O que foi feito dele? Bebia feito um condenado.

– O Profeta é um dos maiores cirurgiões plásticos do Brasil. Só atende celebridade global.

– Parou de beber?

– Mais ou menos. Dizem que  só bebe quando faz cirurgia. Deve ser seu grande  segredo .

– E devia ser também o nosso. Hehehe. Garçom,  traz mais uma!

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luís, 3a edição em breve.
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A palavra mais chata

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A PALAVRA MAIS CHATA

José Ewerton Neto é autor de Pequeno dicionário de paixões cruzadas

A palavra TOP foi considerada a palavra mais chata do ano que passou. A segunda colocação ficou com a palavra COACH. A essas se seguiram várias igualmente chatas, tão chatas que se pudessem falar reclamariam por não terem ficado na pole position.

Isso segundo uma pesquisa da Internet, portanto, o júri está longe de ser confiável. Menos confiável que pesquisa da net só mesmo as notas das competições de Escolas de Samba, onde os jurados confiam tanto nos seus próprios tacos que são   capazes de dar uma nota de 9,955  para uma escola e 9, 96  para outra em determinado quesito. (A julgar por essa precisão de milésimos, provavelmente os olhos clínicos dos especialistas são capazes de descobrir até  as imperfeições existentes no silicone enfiado no bumbum de uma porta- bandeira).   

Tempos atrás escrevi um artigo neste jornal intitulado Com quem  se parecem as palavras, cujo texto foi incorporado ao livro O ABC bem humorado de São Luís, cuja terceira edição estará saindo em breve . Na referida crônica, eu chamava a atenção para o fato de que certas palavras (na verdade,  seres vivos, como dizia Vítor Hugo) não só têm vida própria como são autônomas e independentes não só do contexto em que foram inseridas como até do significado que lhes foi imposto.

No artigo citei as  palavras Vândalo e Lúcifer, como exemplo de palavras que  persistem sonoramente bonitas, distanciando-se, a meu ver,  da semântica a que estão associadas. Propus então que a palavra Lúcifer, nome do anjo rebelde que se transformou no demo, caso não tivesse tido a  triste sina de ser associado ao mal  hoje seria nome próprio de muito mais gente do que certas escolhas que proliferam por aí.  Na conjuntura atual eu acrescentaria  também a palavra Feminicídio,   que me parece soar muito suave para representar as atrocidades que se cometem contra as mulheres. Tenho a impressão de que chamar um troglodita desses,  que aterrorizam suas fêmeas,  de feminicida ao invés de monstro, é uma forma de afagar a crueldade dos mesmos e estimular novos crimes.

Mas, independente da pesquisa, seria mesmo a palavra top realmente chata? Chatíssima, eu diria,  chatérrima,  diriam outros, mas, preferencialmente,  ambos,  já que uma só palavra parece insuficiente para qualificar expressão tão antipática. Nada soa tão perturbador e incômodo como o uso desenfreado e proposital  de uma expressão  estrangeira,  quando sua própria língua dispões de termos equivalentes, preciosos,  e que significam a mesma coisa. Neste caso, a palavra TOP ( coitada, não tem culpa), mas acaba se parecendo com a pessoa que a utiliza , com sua vaidade e seu exibicionismo.

O mesmo ocorre  como a palavra COACH que, assim como  uma verdadeira avalanche de termos da língua inglesa, é  frequentemente usada no jargão empresarial, soando à empáfia e à arrogância daqueles que a utilizam  para se doarem uma credibilidade inexistente ,  ao se socorrerem de palavras desconhecidas ou pomposas para esse fim.

                               P.S.  Finalizada a coluna, como sempre,  terão os leitores a possibilidade de se manifestar, apreciando ou não o que foi escrito. Só pediria que, na mais remota hipótese de gostarem, jamais  digam que ela é top. Deus me livre!  

José Ewerton Neto é autor de O abc bem humorado de São Luís, breve em terceira edição.
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Carnavais de ontem e de hoje

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Mudou o carnaval ou mudei eu? Desta vez, não há como parodiar o romancista carioca  para encontrar a resolução dessa equação simples. Evidentemente, que, neste caso, mudaram ambos. Mudou o Carnaval sim, como também mudaram as pessoas. Entre os ingredientes pessoais, mudou a alegria, que já não é espontânea, mas dirigida. Mudou também a inocência, ao serem excluídas as fantasias antigas como o fofão,  quando os propósitos eram apenas os de se iludir e se divertir.  

Quanto à estrutura carnavalesca, quem diria, os trios elétricos acabaram se impondo às manifestações improvisadas em todo o país seduzindo a populaça à reboque de decibéis em profusão colocando para correr o que seria o tal “espírito carnavalesco” . Até a execrável música sertaneja inseriu-se na balbúrdia na base do  “ bote os decibéis para tocar que até dessa coisa eu vou  atrás”

Algumas marchinhas e sambas, porém,  ainda resistem heroicamente, com suas melodias ressoando tímidas diante da invasão.  Tanto que  suas letras, mal entendidas pelas novas gerações carregam o ranço da perdida inocência. Talvez necessitassem que fossem adaptadas com urgência ao mundo atual.  Vejamos como ficariam:

Camisa Listrada. “Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí. Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu Paratí. Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão,  e corria quando o povo dizia: Sossega, Leão! Sossega Leão!”

Hoje: “Pegou uma moto roubada e saiu por aí. Em vez de tomar Coca com torrada ele cheirou cocaína. Levava um trabuco  no cinto e um celular na mão. E sorria quando o povo dizia: Sossega o Otário , Raspa logo o Otário!

Máscara Negra: “Quanto riso, oh quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão. Arlequim está chorando pelo amor da  colombina, no meio da multidão.”

Hoje: “ Quanto medo, oh quanta correria. Mais de mil apavorados na avenida. O homem tá sangrando da facada que levou, no meio da multidão. “

O teu cabelo  não nega:” O teu cabelo não nega, mulata Porque és mulata na cor. Mas como a cor não pega, mulata,  Mulata, eu quero o teu amor!”

Hoje: “A tua idade não nega,  coroa, porque és coroa na pele.  Mas como botox não pega, coroa. Coroa,  quero teu carrão.”

Cachaça não é água  “Se você pensa que cachaça é água? Cachaça não é água não. Cachaça vem do alambique E água vem do ribeirão.”

Hoje: “Se você pensa que crack é craque . Crack não é craque não. Craque vem do dente de leite . E crack  vem da  cracolândia.

Sassassaricando:  “Sassassaricando,  todo mundo leva a vida no arame. Sassassaricando, o brotinho, a viúva e a madame. O velho na porta da Colombo, é um assombro, Sassaricando.”

Hoje: “Estão se revelando. Todo mundo aproveitando a putaria. Tão se revelando. A mulher, a comadre e a vizinha. E o marido na porta do cinema, é um assombro, só esperando.”

Jardineira: “Oh, jardineira  por que estás tão triste, mas o que foi que aconteceu. Foi a camélia que caiu do galho deu dois suspiros depois morreu.”

Hoje: “Oh, periguete porque estás tão triste, mas o que foi que te aconteceu. Foi o coroa que quebrava teu galho, deu dois suspiros, depois morreu.”   

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luís, 3a edição revisada e ampliada em breve.
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OSCAR 2020, BRASIL VENCEDOR

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Tá vendo o Brasil?

Findas as festividades de premiação do Oscar hollywoodiano de 2020, pouca gente se deu conta que corria em paralelo a premiação do Oscar Brasileiro. Salvo poucas exceções o desempenho brasileiro pouco teve a dever aos seus equivalentes hollywoodianos.

1.Melhor filme, Parasitas.

Na versão brasileira o filme vencedor foi também Os Parasitas, com os 4 filhos de Bolsonaro. Os protagonistas, (como acontece com alguma frequência com a linhagem descendente de políticos  brasileiros) se destacaram em aprimorar ao longo da vida o desempenho de sanguessugas , o que significa  viver à sombra do pai.  A produção brasileira também levou 4 estatuetas. Coincidentemente, uma para cada filho.

2. Melhor atriz Renée Zellweger, por Judy – Muito além do Arco-Íris.

Na versão brasileira o Oscar foi vencido pela atriz principal do filme Muito além da política, que foi protagonizado por Janja, namorada de Lula. No filme,  Janja saiu-se muito bem mostrando destreza ao dar visibilidade à sua obsessão em conquistar um ex-presidente,  entre quatro paredes e um sol quadrado, muito além da política.

3.Melhor ator, Joaquin Phoenix, por Coringa.

O Oscar da  versão nacional foi vencido por Dias Toffoli, um Coringa por excelência, apresentando para consumo do público uma neutralidade olímpica, mas capaz de extremos, ao sabor de suas conveniências pessoais. Ter chegado a ministro do STF por indicação política, sem trajetória jurídica digna, foi um de seus trunfos para,  finalmente, ser reconhecido como o grande ator que é,  para não dizer farsante.   

4.Melhor ator coadjuvante, Brad Pitt por Era uma vez em Hollywood.

O Melhor ator coadjuvante na versão nacional foi Sérgio Moro, no filme Era uma vez em Curitiba, sobre a lava jato,  chegando a provocar  ciúmes no ator principal Jair Bolsonaro.  

 5.Melhor atriz coadjuvante, Laura Dern, por A história de um Casamento.

A versão brasileira do Oscar ficou com a atriz Regina Duarte pelo filme de mesmo título A história de um Casamento. O filme conta como a atriz passou de Namoradinha do Brasil para Namorada de Bolsonaro, e daí, para seu casamento, de desfecho imprevisível. 

6.Melhor direção de Arte. Era uma vez em Hollywood

O Oscar brasileiro ficou com o presidente do Flamengo Ricardo Landin em Era uma vez no ninho do Urubu, no qual atrocidades foram cometidas contra crianças tendo por contrapartida a monumental farsa comandada por Landim para não assumir responsabilidades. As cenas das entrevistas dadas por ele sem o mínimo pudor e sentimento humano, permeiam uma construção artística macabra, na qual ele se conduz como um ator perfeito em sua perversidade e indignidade.

7.Melhor Figurino. Adoráveis Mulheres.

A versão nacional também foi premiada com o filme Adoráveis Mulheres protagonizados por Thammy, a filha de Gretchen,  e Pablo Vittar . Os figurinos das mesmas (ou dos mesmos, tanto faz)  depois que Pablo virou mulher e Thammy virou homem foram considerados perto da perfeição.

8.Melhor Montagem. Ford x Ferrari

Na versão nacional a melhor montagem aconteceu também em uma disputa, no caso  Moro x Rodrigo Maia. A montagem do Juiz de Garantias por Rodrigo Maia presidente do Congresso,  para postergar e dificultar a punição de corruptos foi considerada uma montagem perfeita,  de concepção tão bizarra quanto ardilosa.

José Ewerton Neto , é autor de Pequeno dicionário de paixões cruzadas, lançamento em breve

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OS SUPER HERÓIS DO INVERNO

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Ei-los de volta. Os 3  super-heróis do inverno . Entra ano sai ano, sempre retornam,  insubstituíveis, indestrutíveis, eternos.

1.Os SUPERBURACOS

Os superburacos nascem no inverno quando se juntam: muita chuva, muito desleixo administrativo e farelos de asfalto. Pronto, a receita está pronta  e os superburacos aparecem.

Nascem pequenos, imprevistos, por vezes tímidos. A infância deles é breve e pouca,  a depender do tipo de inverno . Quanto mais chuva cai mais atingem  a maturidade rapidamente. Logo se transformam nos super-heróis que conhecemos: avassaladores e implacáveis, especialmente contra carros e seus motoristas. Até transformarem-se definitivamente em uma legião que toma conta das ruas e das avenidas de São Luís.

Quando nascem são todos parecidos, afinal todos são filhos da mesma mãe, a chuva;  e dos mesmos pais, os prefeitos da cidade. Têm na infância as mesmas aspirações, crescer e multiplicarem-se;  os mesmos desejos, complicar a vida de qualquer carro;  e a mesma esperança de  atravessarem, incólumes, o verão e retornarem triunfantes no próximo ano.

Ao fim do inverno, exuberantes em seu apogeu, proliferam e parecem dar-se as mãos,  constituindo um único e imenso buraco transformando São Luís em uma ilha dento da ilha , uma definição dentro de outra. É quando a ilha,  cercada de água por todos os lados se transforma num imenso buraco,  cercado de ilhas humanas (condomínios) por todos os lados.

2.AS SUPER-MURIÇOCAS

Este tipo de super-herói  nada tem de grandioso. De grandioso só a quantidade e a invisibilidade, e o canto de guerra que entoam. Até hoje não se entendeu muito bem sua relação com a chuva, O que se sabe é que, nesse período,  essas heroínas atingem a perfeição na arte da guerra , talvez porque se tornem kamikazes, não se importando em morrer desde que levem para a eternidade um naco de seu precioso sangue.

Nestas circunstâncias o mais seguro é tentar conviver pacificamente com as mesmas. Jamais tentar esmaga-las ( que crueldade!),   adaptar-se ao som de suas melodias e alimentá-las corretamente com inseticida, iguaria que elas, com o tempo, se acostumaram a apreciar.

3.O GUARDA-CHUVA

Dos super-heróis do inverno é o único que dispensa o título de super porque sua categoria especial já está implícita no nome solene. Guarda-chuva é aquele equipamento que guarda a chuva  para você, derramando-lhe  água em cima de seu corpo e de sua cabeça na primeira oportunidade que tiver.

Sempre foi assim, com essa mesma aparência,  o que leva a acreditar que, no fundo, o guarda-chuva fez um pacto com a chuva através de uma espécie de contrato: “Eu finjo que os protejo e você finge que isso tá dando certo” para que eu continue reinando para sempre. Anacrônico, obsoleto e ineficiente, permaneceu, contudo,  imune aos aperfeiçoamentos tecnológicos e às inovações.

Chegasse um dia uma missão de extraterrestres à  Terra, durante o inverno,  para avaliar nossa inteligência e a possibilidade de intercâmbio, desistiria na mesma hora à vista do guarda-chuva. E a explicação seria dada em uma mensagem do tipo:  “Não se pode confiar na inteligência de uma espécie que vive há de anos e nunca inventou para se proteger dos temporais  um equipamento melhor do que um guarda-chuva. “

José Ewerton Neto é autor de Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas, livro de contos que será lançado em março
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A verdadeira história da cerveja

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Os primeiros vestígios da cerveja datam de 7 mil anos atrás, na região onde é hoje o Irã. Tanta beligerância que se vê por lá nos dias de hoje sugere que os iranianos já não fazem jus a esse fato histórico. Tivessem mais orgulho dessa ancestralidade estariam se embriagando com cerveja e brincando carnaval ao invés de viverem em pé de guerra (como fazem, aliás, os brasileiros).  

A bebida surgiu acidentalmente: cereais deixados ao relento,  tomaram chuva e fermentaram. Populações nômades que dependiam da caça e da coleta aprenderam a cultivar os grãos, fixando-se junto aos campos de cereal. Nascia assim o embrião das cidades e das civilizações.

1.Mais tarde a Mesopotâmia e o egípcios tiveram a economia dependente da cerveja. Os operários que ergueram as pirâmides do Egito, por exemplo, recebiam parte do seu salário em cerveja, explicando-se assim, quem sabe, tanta perfeição arquitetônica que assombra até osespecialistas, que até hoje não conseguem explicar tanta perfeição. Vai ver que certa dose de embriaguez fez bem às pedras. Será que estas não absorveram o teor alcóolico ao redor, resultando, daí, o clima de sonho monumental, que perdura até hoje?  

A elite do império romano, porém, preferia o vinho à cerveja. Cerveja para eles era coisa de bárbaro, mas, com a queda do império, foi a vez de a Igreja e seus padres adaptarem-se aos modos bárbaros, aparentemente para catequizá-los. Era uma boa desculpa, e, portanto, mãos à obra. A igreja se tornou a organização mais poderosa do mundo ocidental e a maior produtora de cerveja. Não é exagero supor que para catequizarem os bárbaros recalcitrantes, os padres tivessem usado cerveja benta ao invés de água benta – o que, convenhamos,  tinha tudo para ser mais convincente do que sermões.

2.Em meados do século 18 a cerveja passou a ser produzida em grande escala. Era a revolução Industrial, a cerveja levada a sério como parte da dieta do trabalhador, em paralelo ao avanço da Ciência. A guerra Franco-Prussiana (1870-1971) perdida pela França despertou no gênio do jovem francês Louis Pasteur a vontade de superar os alemães na especialidade deles, a cerveja, e foi então que o cientista se dedicou a estudar a bebida. Não demorou muito saiu o seu primeiro trabalho importante da microbiologia, decifrando a ação de microrganismos na fermentação, abrindo caminhos para a invenção de mais remédios e vacinas.

Resumindo: França x Alemanha, deu em Pasteur, que deu em cerveja, que deu em ciência, que deu em remédio, que deu em mais felicidade sobre a Terra. Só não se sabe se Pasteur bebia cerveja com pastel, para fazer jus ao nome e ao trocadilho.

3.Até descambar na geladeira que, como era de se esperar, também se deve, em parte, à cerveja. Carl von Linden, físico e engenheiro alemão, foi o inventor do primeiro sistema de refrigeração ao trabalhar para o setor cervejeiro, sendo contratado por cervejarias para manter baixa a temperatura das fábricas com o objetivo de produzir cerveja de boa qualidade o ano todo. Surgiu a refrigeração artificial, incluindo a geladeira.

E foi assim que, como não podia deixar de ser, a história da cerveja tinha também que acabar na geladeira.

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luís cuja terceira edição, revista e ampliada estará, em breve, nas bancas e livrarias
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PERFIS DE BROTHERS

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De uma coisa pode-se ter certeza. Os Brothers este ano foram  escolhidos a dedo ( as mulheres com o dedo, dizem alguns). O que se comenta é que nunca, em outra edição,  houve uma fauna tão exuberante  de concorrentes  tão a gosto dessa plateia brasileira tão  ávida por vida alheia, quanto mais desinteressante melhor . Assim como cada povo tem os políticos que merece,  cada fofoqueiro tem o BBBrasil que merece!

Aos perfis MAIS INTERESSANTES:

1.Um típico representante do grupo é o Lucas Chumbo de 24 anos de idade. O surfista é de Saquarema, do Rio de Janeiro, e disse na sua apresentação ter um jeito bem leve para levar a vida.

O que não dá pra entender  é o porquê do apelido de Chumbo para quem leva a vida na leveza.  Dizem que o apelido surgiu porque  Lucas levava chumbo em tudo quanto é prova do colégio ou do Enem.  

2. Hadson, outro do grupo,  diz que entrou na casa do BBB 20 para somar. O moreno mostrou que está realmente buscando o prêmio ao contar que enquanto jogava futebol não visava a fama,  e sim apenas o dinheiro .

Vê-se logo que a sinceridade é uma das virtudes de Hadson. Quando diz que veio para somar faz questão de esclarecer está se referindo a somar a grana almejada.

3. Thelma é médica anestesiologista, tem 35 anos de idade e é de São Paulo. Ela, que está no grupo Pipoca, está mais do que determinada a levar o prêmio máximo do programa.

Pelo visto, Thelma mais que determinada, é determinadíssima. Se for preciso ela será capaz de anestesiar todo mundo na casa, mas para isso anuncia que não precisa usar remédio ou produto químico. Prefere tirar  a roupa.

4. Marcela tem 31 anos de idade, é ginecologista obstetra e é de Rancharia. A loira comentou que foi criada para ser uma princesa e que tem a autoestima elevada.

Marcela tem certeza de que vão solicitar seus serviços profissionais pela velocidade com que as ‘coisas’ acontecem na Casa. Diz que sua autoestima elevada vai continuar do mesmo jeito, mesmo  se perder,  porque ser Ex BBBrasil é como ser princesa. Haja autoestima alta!

6.Conhecido YouTube, Pyong Lee é hipnólogo, tem 27 anos de idade e é de São Paulo. Mágico há 12 anos, ele comenta que uma das conquistas que mais se orgulha é a de ter construído uma família.

Diz Pyong Lee  que o sujeito que consegue a mágica de constituir uma família hoje em dia, sem precisar hipnotizar mulher e filhos, pode perfeitamente enlouquecer uma segunda família. No caso, a do BBBrasil. Só não mostrou ainda a varinha mágica.  

7. A celebridade de rosto mais conhecido é Babu Santana, que interpretou Tim Maia no cinema! Ele já fez mais de 40 filmes além de atuar em novelas globais. E já mandou seu recado: Tá na hora de um preto favelado ganhar esse BBB!

            Enfim ,  Babu está doido para acrescentar mais um complemento à frase famosa de Tim Maia, (falada no filme)  que diz que o Brasil é um país absurdo em que traficante fuma maconha, comunista é de direita, etc …e agora, favelado ganha BBBrasil!

José Ewerton Neto é escritor e poeta

4 poemas de José Ewerton Neto

Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas, contos, será lançado em breve

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POR UM BRASIL GARANTIDO

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“Dizem-me com quem andas e eu te direi quem és“ diz a sabedoria popular. Raramente falha.

 Referindo-se a leis, a sentença torna-se mais infalível ainda, segundo um amigo advogado, que a anuncia “Dize-me quem apoia uma lei controvertida e eu te direi o que essa lei é.” Para ele não tem erro, devendo estar coberto de razão. O que se pode esperar de uma lei defendida com unhas e dentes por Dias Toffoli e Gilmar Mendes?

O certo é que a lei estabelecendo o tal do Juiz de Garantias ( elaborada para colocar empecilho à celeridade na penalização de bandidos e corruptos, sob o suposto de proteger os inocentes deste país) foi aprovada e sancionada rapidamente. Sua aprovação de forma tão estapafúrdia só não causou surpresa porque estamos no país das aberrações onde puta goza, gigolô tem ciúme …etc. como dizia Tim Maia

Contudo, já que foi criada e sancionada, nada mais  lógico que seja estendido o ponto de vista no qual foi baseada para as demais profissões permitindo assim que, de fato, funcione a favor das vítimas. Eis algumas sugestões.

            1.O Médico de Garantias. Todo cliente deveria ter direito a um segundo médico de garantia para assegurar o diagnóstico do primeiro. Erros médicos persistem sem que se tome conhecimento das barbaridades cometidas. Mesmo admitindo a capacidade profissional da maioria,  o segundo serviria, pelo menos, para dar ouvidos às queixas do paciente,  quando a atenção do médico principal  estiver dedicada, como tantas vezes ocorre, ao celular.

            2.O Juiz de Futebol de Garantias.

            Já existe. É o VAR. Mas acabou nada garantindo porque, no Brasil, os juízes do VAR roubam mais que o juiz titular. O pior, para o torcedor, é que não há como direcionar sua raiva e xingamentos para as  mães dos ditos cujos.            

            4.O Engenheiro de Garantias.

            Embora o engenheiro de garantias, de certa forma, já exista, sendo chamado, na prática, de Coeficiente Matemático de Segurança, nada impede que haja um segundo engenheiro para que o coeficiente de segurança (ou garantia) seja maior. No Brasil, como se sabe, os engenheiros das empreiteiras contratadas pelos governos subdimensionam o coeficiente de segurança das obras para gastar menos e ficarem com o dinheiro.

            5.O Psicanalista de Garantias

            Teria grande utilidade principalmente quando, após duas ou três sessões, o cliente começa a desconfiar que o louco não seja ele, mas o sujeito que o escuta. O segundo profissional  serviria para confirmar que os três, paciente e médicos, são todos loucos,  o que já é alguma coisa para o coitado do paciente, confirmando-lhe, em  definitivo, que não está sozinho com sua doença.

            6. O marido de garantias.

            Um marido nem sempre é profissão, mas tantas vezes acaba se transformando nisso, para a parceira ou vice-versa. Ter como garantia um segundo parceiro seria bastante salutar contra os maus tratos e incompreensões habituais, principalmente no caso da esposa, ajudando-lhe a economizar fantasias sexuais.  

Obs. O Ricardão já é outra  coisa, mas do jeito que as coisas avançaram em termos de liberação sexual e libertinagem não seria nada demais pensar em Dias Toffoli e Gilmar Mendes aprovando, em breve,  a  Lei do Amante de Garantia.

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis, 3a edição, revista e ampliada em Fevereiro nas livrarias de São Luis

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O ANO NOVO E O JUIZ DE GARANTIAS

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Ao contrário do que muita gente pensa, o Ano Novo não é o mesmo para todo mundo, ou  seja, o Ano Novo do brasileiro, não é o mesmo do Ano Novo do chinês ou do esquimó.

Por isso, no Brasil, sempre é vital uma conversa antecipada entre ambos, antes da posse, para que o empossando se previna, mais ou menos, do que poderá acontecer.

ANO NOVO-  Prazer em conhece-lo Ano Velho!

ANO VELHO – Esse prazer não pode ser maior que o meu, ANO NOVO BRASIL. Ando exausto.

ANO NOVO – Não me assuste antes do tempo, amigão. Sei muito bem como são as coisas por aqui. Mas sou otimista e ao invés dos dramas que acontecem a três por quatro, prefiro que se atenha ao que se anuncia como novidade.

ANO VELHO – Bem, o que deixou de ser novidade há muito tempo e se repete, tem aos montes: enchentes, fracasso no futebol, histerismo político, BBBrasil, corrupção, Carnaval , Imposto de Renda…Já novidades de verdade…Ah, sim lembrei de uma: este ano você terá o Juiz de Garantias.

ANO NOVO. – Juiz de Garantia? Que diabo é isso? Aprendi muito a respeito do que fazem os juízes neste país: de futebol a juiz comum, mas jamais poderia supor que um juiz, que estuda tanto, precisasse de mais um para garantir o que é capaz de fazer profissionalmente.  Por favor, me explique.

ANO VELHO – Como você é ingênuo! Apesar de seu interesse não teria mesmo como saber, antecipadamente, como acontecem as coisas neste país, por isso vou tentar resumir para facilitar o seu entendimento. No futebol foi criado o VAR para garantir que o juiz de campo não roube.  Como por aqui não se consegue garantir a honestidade de ninguém foi criado, com a tecnologia,  um novo juiz para garantir a honestidade do primeiro. Sacou ???? Outros juízes ficam com os olhos grudados em uma tela para vigiar o que o juiz titular vai decidir. Pois o Juiz de Garantias, que estão querendo implantar, não passa de uma espécie de VAR do juiz comum.

ANO NOVO. Incrível! Deus do céu, a coisa é feia mesmo!

ANO VELHO – Sim, isso porque nesta terra não se garante sequer que o VAR não roube. Portanto, os deputados desonestos acabaram inventando o tal Juiz de Garantias para garantir que o primeiro juiz não impeça ninguém de roubar. Qualquer  dia inventarão o juiz de garantias para garantir o juiz de garantias, da mesma forma que no futebol já estão para inventar o Var do Var.

ANO NOVO. Isso que você acabou de falar é uma tragédia! Caso Deus fosse brasileiro eles seriam capazes de inventar o Deus de Garantia para garantir que a justiça de Deus não prevaleça.

ANO VELHO. Vejo que você aprendeu depressa, mas só me resta lhe desejar toda sorte do mundo. Talvez até aquela que não tive. Boa sorte!

ANO NOVO – Calma  rapaz, não dá para esperar um pouco?

ANO VELHO – Como? Para quê?

ANO NOVO. Para que dê tempo de chegar o ANO NOVO de GARANTIA. Acabei de pedir pelo celular outro Ano Novo que me garanta. Sozinho aqui eu não fico. 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis , cuja 3a edição chegará às livrarias ainda este mês
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O papai noel mais merecido

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O papai noel que cada um merece

GABIGOL. Uma camisa do Liverpool. Presente do amigo Roberto Firmino, do Liverpool.

O presente veio acompanhado de um conselho. “Gabi, vai por mim. Segura o mais depressa que você puder a irmã do Neymar pra te garantir.  E quer um conselho de amigo? É melhor ficar por aí mesmo. Futebol europeu o buraco é mais em baixo. Não dá pra ti.”

LULA. Uma algema. Presente de sua namorada Janja. Ao lado, a mensagem:

“Lulinha, meu amor, preferi algema a uma aliança de casamento. Dá no mesmo, é mais seguro para ambos, mais barata e, depois, você não vai estranhar porque já está acostumado. Pensei também em uma tornozeleira, mas vi que iria atrapalhar na hora do fuc fuc que já sai com tanta dificuldade de tua parte. Ok, meu bem? Tua Janja.”

FLÁVIO BOLSONARO. Um sanduiche. Presente de Joyce Hasselman.

“Flávio, já fomos amigos, tomei esta liberdade para  voltarmos às boas. O sanduiche, como você sabe, é para que você nunca desista de ser embaixador nos USA, graças ao seu enorme talento de sanduicheiro. E, depois, você e seu pai estão sem Partido. Ora, nada como um sanduíche, que como todo mundo sabe é bi-Partido .”

NEYMAR. Uma Garota de Programa. Presente do pai, seu Neymar.

“Esta é pra você,  Ney. Dá uma olhada no vídeo. Do jeito que você gosta, parece até com aquela descarada da Nágila, porém, mais nova. Não posso garantir que seja zero km, mas nessa pode dar tapa à vontade, sem risco algum. Ela não vai reclamar, tá no contrato. Pra mim, é mais bonita que a outra e mais gostosa, mas, como já disse, não testei. O frete do avião a jato já está pago. Quer dizer, naquele cartão que você disse que eu podia usar quando quisesse. “

BOLSONARO. Um fuzil de caça, fabricação venezuelana. Presente de Nicolás Maduro

“Caro Bolsoña. Esse é para apagar de vez com nossas brigas que não levam a lugar algum. Sinto que já está passando da hora de parar de fingir que não estamos no mesmo barco. Seja de esquerda, seja de direita o que nós dois gostamos é de uma ditadurazinha, certo?  Rerere

Pode confiar na máquina que a  bicha é boa, mata mesmo. Você vai gostar de caçar passarinho e tocar fogo na mata com ela.  Obs. Serve também para se matar quando as coisas não dão certo, mas claro, que isso não vai acontecer com a gente, não é mesmo? Fidel, não deixa! Ops,  Deus! Abração, camarada!”

DIAS TOFFOLI. Uma seção de exorcismo no STF. Doador anônimo

“Prezado Ministro. Não precisa saber quem lhe presenteia. Trata-se de uma seção de exorcismo feita pelo padre Rubens Miraglia que, segundo a  Veja, é grande craque nisso. Acredite, espantará todos os demônios que estão infernizando as decisões do STF que, como você sabe, a Nação já não aguenta. Basta de soltar bandido, basta de desrespeito ao homem de bem.

Obs. Os serviços já começaram. Não precisa abrir verba suplementar que o serviço já está pago. Só não podemos garantir é a limpeza completa dos demônios da mente de Gilmar Mendes. Aí é mais difícil, o buraco é mais em baixo. No caso dele, talvez não seja tarefa para padre, nem mesmo para  Deus.”

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis. A terceira edição revista e ampliada vem aí.
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