A POESIA SEM DIA

A POESIA SEM DIA

Lá vai a poesia sem dia, viajando pelas esquinas e monturos

como se fossem nuvens — as mesmas nuvens que os poetas exaltam

mas não sabem —

sempre suave e calma.

Que limpa o suor das horas

no orvalho das madrugadas ou

no sangue ardente dos crepúsculos

que flutua nos sussurros melancólicos

para matar a sede dos tristes

e nas gargalhadas felizes

para emoldurar a festa dos alegres

que jorra dos precipícios e dos abismos

e evola aos céus carregando a alma dos desvalidos

tombados em queda

que não tem nome, nem espaço, nem tempo,

nem direitos , nem deveres e que foge

das simbologias, exaltações e epifanias

arfando toda poesia do mundo

     num breve suspiro de sobrevivência eterna

É ESSA POESIA QUE PREFIRO A 50 MIL DIAS DE POESIA

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