NADA COMO FINAL-DE-ANO PARA…

FIM de ano é assim mesmo, confraternização pra todo lado. Quanto mais festa, mais gente em ação  porém, como o ser humano é mais um imitador do que um criativo, eis que as cenas se repetem à exaustão.

Isso acontece a partir da primeira metade das festas,  quando a vontade de confraternizar se  eleva perigosamente, por força do álcool etc. etc.  O que faz com que invariavelmente:

1.Apareça  sempre alguém pra perguntar.

Da metade da festa pra lá a pergunta mais corriqueira é: “Alguém viu o meu celular?”. Claro que ninguém viu, ou, se viu, faz de conta que não. A partir daí as perguntas evoluem para: “Escuta, alguém sabe onde foi minha mulher?” até chegar às mais dramáticas quando vai findando a madrugada: “Desculpem, mas como essa cueca do chefe veio parar na minha mão? Alguém sabe explicar?”

2.Surge alguém que ninguém sabe , ninguém viu.

Um personagem misterioso vira o assunto principal desde o início da festa. As hipóteses se sucedem: Um penetra? Um policial disfarçado? Um garoto de programa? Todos especulam, mas ninguém resolve o mistério. Sucedem-se as apostas nos diferentes grupinhos. Alguém lembra que no ano passado apareceu também um misterioso personagem e procura identificar nas fotos do face se trata-se do mesmo homem. É outro.

3.Os nomes desaparecem. Surgem os apelidos.

Pouco a pouco, os nomes de cada um se tornam dispensáveis. Até o meio da festa todos se tornam próximos o suficiente para esquecer a hierarquia e chamar o outro de cara, bicho, vascaíno, amigão, menina. Depois a intimidade sobe vários tons: doido, danada, tratante, canalha, qualira, tarada, ninfa até culminar nos qualificativos mais insólitos, cujo apogeu é alcançado quando a esposa do chefe denuncia o seu apelido íntimo, toda melosa e extasiada, após o discurso do marido (que ninguém ouviu): Meu Guri !

4.Começa o exibicionismo.

A timidez agora se esconde debaixo das mesas com guardanapos, restos de comida, pedaços de papel higiênico e princípios de vômito. É quando pela primeira vez é constatado que a empresa tem mais estagiárias do que funcionárias. Elas surgem de tudo quanto é lado e os comentários das esposas emburradas e ressentidas com a derrota anunciada na pista de dança – pra ver quem balança mais a bunda– só termina quando uma delas cai estatelada no chão depois de um lance mais ousado para reproduzir a performance de Anitta. O som de vingança, em uníssono, parece  coro de funk “ Bem feito!”

5.Os banheiros lotam.

A fila do banheiro supera pela primeira vez a fila do self-service. Todos entram e saem ao mesmo tempo. À discrição inicial se sucedem narizes fungando e manchas de pó branco nas camisas. Alguém vomita e faz um sinal de positivo. O diretor, tentando manter a discrição, evita se expor até que se resolve e adentra o recinto.

Surpreende-se: “Essa mulher aí no chão, tá desmaiada?” “Parece que sim” responde alguém. Resoluto (é nessas horas que um diretor tem de atuar) ele chama o segurança que prontamente chega: “Cristóvão, acho que essa mulher tá desmaiada!”

“Penso  que sim, senhor”

“ E porque ninguém fez nada?”

“É sua amante senhor! Você não a reconheceu porque está de rosto virado para o chão, Desculpe, mas foi ela que ela me pediu que não o avisasse”.

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José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis, segunda edição nas livrarias Vozes e AMEi (shopping São luis)

OS FILMES MAIS TRISTES

Os Filmes mais Tristes da História do Cinema’ é um título imponente para uma seleção  sujeita, como toda lista,  a controvérsias. Claro, essa coisa de aquilatar sentimentos e emoções diante de uma obra de arte é influenciada pela personalidade de cada um e, tantas  vezes, independe até mesmo da obra e de sua absorção pelo receptor. Uma pessoa em estado excepcional por razões fortuitas e alheias à sua vontade pode se sensibilizar com algo que em outra ocasião não a deixaria em tal estado.

Confesso que sou fascinado por listas e sou vítima de sua sedução irrecusável. Guardo, com desvelo, dois volumes iguais de O Livro das Listas de Irving / Amy Wallace, o segundo adquirido porque imaginei haver perdido o primeiro. Diante do assunto desta crônica, testemunhado em um jornal, constatei que só havia presenciado a um filme da citada seleção: À espera de um milagre (Frank Daraboni, 1999); Amor (Michael Haneke, 2012); Hotel Ruanda (Terry George, 2004); O Garoto (Charlie Chaplin) ; O Campeão (Franco Zeffireli, 1979) e O Menino do Pijama Listrado (Mark Herman 2008). Vi O Campeão e, talvez, o filme de Chaplin (O ‘talvez’ acontece porque minha memória não distingue um Chaplin de outro, tão marcantes são as suas interpretações).

O interessante é que O Campeão não me marcou com uma carga particular de melancolia ou tristeza. Ao perscrutar a motivação dos demais a partir de suas resenhas lembrei já haver estabelecido empatia com o tema de O Amor, de 2012,  que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. A narrativa é centrada em um casal de idosos, que vivem momentos difíceis quando a mulher (Anne) se submete a uma cirurgia e tem metade do corpo paralisado. Mesmo não tendo visto o filme faço ideia da carga emocional envolvida que, certamente, o colocou lista. É um desses filmes que sacam o Amor de sua redoma cosmética e comercial para coloca-lo na vala comum dos sentimentos de dedicação e afeto  necessários para se continuar existindo,   porque não há outra saída.

Os momentos mais tristes que guardo do cinema, curiosamente, nem sempre estão ligados aos filmes anunciados como tais São algumas cenas deslocadas em seu contexto, a reboque do inesperado, que nos arrebatam da nossa tranquilidade e se tornam marcantes pela  comoção que nos assalta, de repente.  Lembro,  sem rastrear a memória, que dos tantos filmes que assisti uma das cenas mais pungentes foi a do filme A escolha de Sofia, no momento crucial em que a personagem tem de escolher,   entre os dois filhos que tanto ama,  aquele que entregará ao seu algoz para morrer.

Outras cenas tristes e marcantes das quais me lembro, surgem curiosamente, vindos da minha memória de infância e adolescência, talvez porque as emoções estivessem mais à flor da pele, ainda não cristalizadas pelas perdas futuras e irremediáveis de entes queridos. Nelas porfiam o momento em que o príncipe Ben-Hur, em desesperada busca de sua mãe e irmã escravizadas,  as encontra num vale de leprosos,  com os rostos desfigurados que tentam esconder, em vão,  entre lágrimas.

A despedida do ET, do famoso filme, também foi um momento tocante que emociona pela forma como o diretor soube expressar a,  tão bela quanto  triste, arquitetura  do sentimento dolorido da separação.

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José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis, agora em segunda edição revista e ampliada ( Livrarias AMEi e Vozes)

 

O ABC DO QUE SE FALA AQUI

 

Aqui se fala assim. Ou se falava? Dia virá ( e não falta muito) em que do Oiapoque ao Chuí só haverá uma fala, sem a riqueza idiomática peculiar a cada região do país.  E essa fala será em uníssono, repetição das asneiras que se repetem na Tevê: no maneirismo dos apresentadores, nos tiques das celebridades das novelas, uma coisa só.

Bem, o que ainda se fala por aqui estará na reedição de O ABC bem humorado de São Luís, ainda  uma vez explorando sua provável origem risível.

 

BICA. Torneira.

O maranhense chama torneira de bica porque num estado com tanta abundância de água de chuva, o fato de as torneiras viverem secas só tem uma explicação. Para muita gente, o negócio de água virou bico.

PEGADOR. Brincadeira de esconde-esconde. Originalmente, de crianças.

A brincadeira adquiriu esse nome por aqui porque o garoto, futuro ‘pegador’, começa sua futura vocação de Don Juan se escondendo com as meninas, sabe-se lá onde.

 

 JUÇARA. Açaí

O maranhense chama açaí de juçara porque lembra uma crioula com esse nome, suculenta, gostosa e que vai lhe dar muita força e algo mais.

 

ATRACA. Diadema ou tiara.

O que lá fora é chamado de diadema ou tiara ganhou por aqui o nome de atraca, porque, antigamente,  os marinheiros quando aportavam no Desterro  doavam tiaras para as meninas da Rua 28, (zona do baixo meretrício) com o objetivo, pré-anunciado, de atracá-las.

 

RI-RI. Fecho éclair, zíper.

O maranhense chama zíper de ri-ri porque, via de  regra, quando ele abre o de sua parceira e ri de felicidade. Depois é a vez de ela rir, quando abre, por sua vez,  o dele.

 

BANHAR. Tomar banho.

O maranhense diz banhar ao invés de tomar banho porque, ao contrário dos que aqui chegaram tentando impor a fala “tomar banho”, não está tomando o banho de ninguém, aqui chove o suficiente, não há razão para isso.

 

 BALDIAR. Vomitar

O maranhense diz baldiar ao invés de vomitar porque no carnaval de antigamente ( quando o daqui era o terceiro do Brasil) ao chegar na quarta-feira de cinzas estava tão bêbado que na hora de vomitar confundia o penico com um balde.

 

PEGAR CORDA. Ficar zangado.

O maranhense , quando está zangado diz até hoje que está pegando corda porque na época da escravidão quando o feitor se zangava , bastava ameaçar os escravos: “Já tô pegando a corda!”

 

DIZENDO. Algo está ‘Dizendo’, quando dá uma impressão muito positiva.

O maranhense julga que uma coisa espetacular está dizendo por que certas bocas gostosas  (mudas e não oficiais, de sua parceira ) no seu entender, só faltam falar, e dizem mais que se pudessem.

 

CINTURÃO. Cinto grande.

O maranhense chama cinto de cinturão porque quando as crianças apanhavam de cinto,  a dor era tanta que viam tudo no aumentativo. Não parecia cinto, mas um cinturão.

 

HEIN-HEIN. Concordância, negação. Fala-se com a voz anasalada.

Essa expressão típica maranhense tanto pode significar sim como não. Até hoje, as grandes decisões administrativas maranhenses são tomadas desse jeito. Daí…  nosso  caos organizacional .  Antigamente, durante o casamento,  tanto o noivo como a futura esposa diziam Hein Hein, ao invés de sim ou não, quando o padre perguntava. Acontece que ao sair logo depois, atrás da virgindade da esposa,  o marido, atônito perguntava “Hein? Onde?” Ela respondia Hein, Hein, confirmando que havia acabado de surgir um corno novo na praça .

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis, em segunda edição revista e ampliada. Primeiros exemplares na AMEI e VOZES. Lançamento em Dezembro.

 

 

 

 

A EXCITAÇÃO SEXUAL CHEGA À TEVÊ

 

Hoje, 15 de novembro.

 

A polêmica sobre a fala de Sílvio Santos dizendo à sedutora Cláudia Leite que estava ficando excitado e por isso não poderia abraçá-la em seu programa  continua dando o que falar.

 

Ontem  foi a vez das filhas de Sílvio defenderem o pai Nas redes sociais dizendo que este é  bom pai, bom marido e, sobretudo, bom de grana.

Além de tudo, disseram que  ele sabe o que faz e é de maior

( embora não especificassem o quanto para Claudinha Leite  ficar mais tranquila.)

 

Comentário de Juca:

 

(JUCA POLINCÓ é o filósofo politicamente incorreto da Periferia)

 

A onda de excitação não para na tevê.

Teria algo  a ver com a eleição de Bolsonaro?

Os psicólogos dizem que nada excita mais o imaginário humano(homens, mulheres etc.) que a visão de um militar de farda empunhando a arma como se fosse um objeto fálico. SERÁ ?

 

Não demorou muito foi a vez de Pedro Bial dar um beijo na na boca Pablo Vittar em pleno programa Conversa com Bial.Não teve nem conversa. Pedro Bial tava tão  elétrico que avançou a beijou a travesti candidata ao título de Mulher mais Bonita do ano.

 

Depois que as globaletes (Camila Pitanga, Daniel Mercury, Fernanda Lima, etc. postaram xingamentos contra a macheza de Sílvio na tevê Sílvio está preparando a réplica e vai anunciar nas redes sociais:

 

Quer dizer que eu ficar excitado ao ver Cláudia Leite não pode, mas Pedro Bial ficar excitado quando vê Pablo Vittar isso pode ?

 Isso é preconceito contra mim só porque não sou Global e sim do SBT

Tá na hora de acabar  com o preconceito contra  as minorias, ou seja, com os heteros.” 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

2 NOVAS FOBIAS

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

 

1.CEMITERIOFOBIA

Semana passada, dia de Finados, conversava com um amigo, dizendo-lhe que já havia ido, na véspera, prestar minha reverência aos meus antepassados para evitar as aglomerações quando ele retrucou: “Não gosto de  cemitério. Sempre detestei , desde criança”.

Refleti então que esse seu expediente, muito cômodo, é usado por muita gente, nessas e outras ocasiões, para se eximir de enfrentar realidades dolorosas e outras obrigações de solidariedade e respeito humano, ou até mesmo, para, simplesmente, se livrar do trânsito e das aporrinhações de locomoção. (Afinal de contas, é muito mais prazeroso ir à praia ou ficar assistindo as sensaborias da tevê.) Resolvi contemporizar: “Compreendo você, também não morro de amores por cemitérios, mas ninguém gosta de hospital, mas acaba indo por lá, não é mesmo?”

Ele, não se dando por achado, continuou vociferando sua declaração de ódio ao ambiente fúnebre: “Não vou a velório nem em missa de sétimo dia, detesto tudo que cheira morte”. Quase insinuei que, sendo assim, ele deveria também não gostar de churrasco, pois a carne é proveniente da  morte de um boi, mas preferi  ir direto à mais recente descoberta que se apresentava no reino das alergias: a Cemiteriofobia.

-Rapaz,  acho que você tem alergia a cemitério, confere?

– Sem dúvida, acho que sim.

– Aceita um conselho já que você tem mais de 60 anos?

– Vá lá.

– Se você não se livrar dessa sua obsessão raivosa corre o risco de morrer duas vezes. A primeira, por causa do que vai leva-lo pra lá, a segunda, por causa dessa sua alergia. Afinal de contas, terá que aguentar o cemitério por toda a eternidade.

2.Outra fobia que ainda não foi catalogada como tal   é a alergia à música sertaneja. Seria SERTANEJOFOBIA? Não tenho certeza, mas o leitor já deve ter entendido que se trata. Essa mesma, que infesta os canais de televisão com a pobreza de suas melodias e letras, cuja ruindade é tão pesada que não  dá para um só carregar, daí que proliferam as duplas.

Acabei manifestando meu pavor a isso num consultório médico, quando o médico, extenuado depois de um árduo trabalho de pesquisa, me inquiriu,  tentando desesperadamente encontrar a causa de um começo de depressão.

– Você está é com alergia, rapaz!

– Como?

– Alergia à música sertaneja. Você tem SERTANEJOFOBIA. É de difícil solução no Brasil.

– Tem certeza, doutor? Como identificou?

– Eu também sinto isso. Infelizmente.

– E tem solução? Que podemos fazer?

– Bem, você não pode sair por aí exterminando essas duplas todas, empunhando armas, mesmo agora com o aval do Bolsonaro. Portanto…

– Pode concluir!

– Só se suicidando! A não ser que você queira ir embora deste país.

Lembrei nesse instante de uma frase muito sábia de Gramsci que dizia que qualquer sujeito racional é pessimista por inteligência e otimista por necessidade. Acostumei-me, portanto, a pensar positivamente Já pensou se além de SERTANEJOFOBIA eu tivesse também CEMITERIOFOBIA?

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis, com segunda edição revista e ampliada , até o final do Mês de Novembro

 

 

 

A diferença entre o A-HA e o WOW

Mesmo que você conheça bem o inglês, está ficando difícil entender orientações ou opiniões em textos, palestras, cursos, emails e reuniões sobre algumas áreas de negócio.

Nada como traduzir algumas dessas expressões adaptando-as para a prestação de serviços mais antiga que se conhece: o das fornecedoras de sexo que, antigamente, diziam ter vida fácil não se sabe até hoje porquê.

 

 

A-ha moment

1,Momento em que o usuário consegue entender qual benefício ele recebe com aquela compra, quando ele recebe e como.

No nosso caso, é aquele momento em que a vendedora grita para seu cliente o seu Ai-moment. (Traduzido ao pé  da letra, é o momento do ahhhiiiiiiii!!!!)  Não importa  se o cliente estiver sendo iludido pela prestadora de serviço o que importa é o êxtase do Ai-Moment.

Wow moment

2.Após o “a-ha moment”, o “wow moment” é aquele primeiro instante em que o cliente tem sucesso utilizando o produto/serviço. Ele vê que o que ele comprou realmente funciona e o problema que ele tem está começando a ser resolvido.

Se o cliente apresentava sérios problemas de apatia e desânimo, o wow moment é aquele primeiro instante de sucesso quando o cliente  começa a superar seus medos, seus estresses, etc. Ao sair do quarto sabendo que vai retornar, isso significa que o produto funcionou mesmo.

 

Customer onboarding

3.Também conhecido como “onboarding” do cliente, pode ser definido como o processo de acompanhamento dos primeiros passos do novo cliente, quando ele começa a usar o que você vendeu para ele. O “onboarding” consiste em ajudar o seu cliente a usar seu produto/serviço, retirando dificuldades técnicas, por exemplo.

O uso frequente do produto,  dá direito ao Costumer onboarding da vendedora. Existem profissionais que, sem recorrer  a viagra e similares, fornecem a solução apenas com o seu jeitinho brasileiro. Bote costomer unboarding nisso!

 

        Startup

4.Muitos autores  dizem que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma startup.  Outros defendem que uma  startup é uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas que consegue gerar lucros cada vez maiores.

No nosso exemplo, as start-ups ( garotas mais novas) são as mais procuradas O lucro é relativo, embora, nem sempre,  os custos de manutenção sejam baixos. Os especialistas recomendam nunca ficar viciado em start ups

Overinvest

5.Também chamado de “sobre investir”, ou investir mais do que o normal, temporariamente,  para um objetivo mensurável.

Esse tipo de over investiment costuma sair muito caro. Por exemplo, se você começa a exibi-la para os amigos em reuniões sociais etc.  Não são raros os casos em que o cliente acaba levando-a para casa. Neste caso, o objetivo acaba ficando imensurável e o cliente  pode falir.

 

ROI  

Return on Investment = Retorno sobre Investimento

6.É um cálculo que demonstra a taxa de lucro obtido em determinado investimento. Ele é importante para medir se determinado processo está dando retorno e por isso, se está sendo vantajoso.

Cuidado com a matemática porque os números, neste caso, são imprecisos. O problema é que enquanto você está usando a mulher/produto em plena fase do ROI pode haver outro cliente que possa estar usando o mesmo produto/mulher , ainda na fase do A-Há.

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis e O Entrrevitador de Lendas

https://www.youtube.com/watch?v=zOVJJTMUHWI

 

 

FAKE NEWS! MAIS FAKE NEWS!

 

A palavra do ano é fake-news . Não se ouve outra coisa  desde que começou a disputa eleitoral.  Esta semana foi a vez do candidato do PT tentar impugnar  a candidatura do seu adversário, acusando-o de propagar fake-news. Como se todo político, por definição, não fosse um praticante de mentiras para se eleger e o tal do fake-news ao invés de coisa nova na praça não  fosse o mesmo que trapaça, mentira e…no mais popular: fofoca.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO FAKE-NEWS 

 

1.Segundo a Bíblia,  a trajetória  humana começou em meio a uma fofoca. Uma ardilosa cascavel (mesmo sendo bicho era uma fofoqueira de primeira) um belo dia ofereceu uma maçã a Eva.  A  troco de quê? O Santo Livro não explica. Talvez de olho em Adão, que andava nu para todo lado exibindo suas grandes e pequenas vergonhas. Por causa disso Deus os expulsou do paraíso. Graças a Deus!, vibraram   os três porque agora podiam fofocar à vontade.

E antes do homem, a fofoca teria existido?

Provavelmente sim, em algum outro planeta de alguma distante galáxia. Horas depois do big-bang,  a milhões de anos-luz daqui, os religiosos e os cientistas extraterrestres já competiam entre si para vencer a disputa do mais  fofoqueiro. Os cientistas  acusando a religião de terem livros sagrados fundamentados em fake-news. Os religiosos acusando o big-bang de ter sido o primeiro fake-news científico.  “Uma explosão sim, mas de fake-news”.

2.A partir daí a fofoca dominou as ações humanas e traçou o destino e a evolução da humanidade.  É incontestável que foi por interesse em fofocar que os homens se distinguiram dos macacos, a ponto de inventarem a linguagem. Ora o que é a linguagem mais do que a mais perfeita criação que alguém poderia inventar para ter acesso à fofoca generalizada?

Não cabe aqui dimensionar a importância da fofoca para o estabelecimento da civilização humana. Da luxuriosa Cleópatra enrolada num tapete, à traição de Brutus; das fofocas que levaram ao fogo mulheres denunciadas como bruxas, às fofocas dos europeus para seduzir  e exterminar os indígenas; das fofocas das revistas de TV às do what’s app a Terra toda  é uma fofoca em contínuo aperfeiçoamento e  sem isso o homem não viveria.

Até chegar aos tempos atuais, quando fofoca virou fake-news e surgiram as  4 leis fundamentais da mesma :

1.  Todo ser humano nasce na fofoca .

O  fake-news começa durante a  gestação. Surge na fofoca que a própria mãe faz para si mesma: “Este vai ser bonito e rico pra compensar a mãe que nunca prestou pra nada”.

2) Cresce na fofoca.

Depois que nasce dizem:  “É a cara do pai!”,  para sua desgraça.  Não só pelo pai ser horroroso, como por estarem confundindo seu verdadeiro pai  com esse daí.

3) Acaba na fofoca.

No último estágio da vida essa sina atinge as raias da perfeição (Morreu de quê? Onde vai ser a missa? Que cemitério?). De todos os fake- news esse é o mais implacável porque desta vez o sujeito nem poderá retrucar que estão inventando.

4)Continua  pós-morte

Os exemplos circulam por aí. De Lampião e Zumbi que depois de mortos viraram gays a Hitler e Nietzche que depois descobriram que eram broxas, os fake-news não poupam nem os mortos!

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

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A GIROTECA E O PARAÍSO DE BORGES

As escolas públicas maranhenses, todos sabem, estão longe de ser consideradas “um paraíso” por aqueles que as frequentam. As dificuldades estruturais porque passam são endêmicas e oriundas das dificuldades atávicas de um país cujos administradores nunca tiveram como prioridade a formação cultural e intelectual do seu povo.

Vez por outra, porém, a partir da inventividade e da abnegação de alguns, esse paraíso se aproxima dos alunos, se não no todo, pelo menos no que tange ao imaginário das emoções alojadas no cérebro dos jovens, quando uma parcela desses executivos se empenha em disponibilizar bons livros para os estudantes. Não foi à toa que o grande escritor argentino Jorge Luís Borges concebeu o paraíso como  uma espécie de biblioteca.

E é aí que entra a GIROTECA, um projeto de bibliotecas móveis do qual muito mais gente precisa tomar conhecimento. Estava eu, meses atrás, em visita à Livraria Vozes quando deparei com certo aparelhamento pouco peculiar, porém muito sedutor na sua disposição de estantes agregadas. O amigo e livreiro Milton logo me inteirou da maravilha: tratava-se de um conjunto de módulos, em formato de pequenas estantes , móveis,  anunciando o melhor de suas possibilidades: a adequação a diferentes ambientes e espaços reduzidos, facilitando o acesso de estudantes e professores a livros , independente do ambiente de sua instalação, geralmente espaços inapropriados. Neste caso, o custo de implantação reduz-se enormemente. A facilidade de locomoção e transferência é outro ganho.

Coincidentemente, logo após, chegaram á Livraria representantes da Secretaria de Educação do  Município que, já as tinham avaliado e chegado à conclusão de sua enorme valia para as Escolas de São Luís, dada sua evidente praticidade. Enfim, uma biblioteca capaz de chegar facilmente aos alunos, um prato cheio para o atingimento da lei 12244 de 2010 que determina a universalização das bibliotecas em  todas Escolas do Brasil até 2019.

A imprensa bem que noticiou a aquisição, por parte da Prefeitura,  e sua inauguração em escolas, porém, , com menos destaque do que merecia considerando o tirocínio da criação por parte de um empreendedor maranhense e o leque de possibilidades que propicia.

Estamos falando de uma economia aproximada de 80 % nos gastos totais. Estamos falando de uma biblioteca que, mesmo móvel é capaz de disponibilizar 4 computadores, três notebooks e uma tevê, com mapoteca e cinco módulos sobre diferentes produtos literários. Finalmente, estamos falando de uma biblioteca que, concebida por um maranhense, Kléber de Castro, privilegia o autor maranhense em um desses módulos, (como condição contratual firmada entre as partes envolvidas) aproximando o jovem estudante do artista local e de sua produção literária e permitindo que este conheça melhor os mantenedores e os fundadores de uma de nossas mais caras tradições que é o título de  Atenas Brasileira.

É de se esperar que novas bibliotecas sejam adquiridas permitindo que os nossos jovens possam se achegar, como disse o escritor portenho,  um pouco mais para perto do paraíso.

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José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

 

 

CRIANÇAS DE ONTEM E DE HOJE

Uma criança dos tempos antigos era, sobretudo, uma criança, coisa nem tão comum hoje em dia. Procedia de forma natural e pueril  até a adolescência quando só depois virava adulto. Seus heróis eram seu pai, o Super-Homem, Tarzan, Batman etc..  Se menina suas heroínas eram Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel etc. As brincadeiras prediletas para homens eram jogar bola, empinar papagaio ou jogar botão,  e boneca, para meninas.

 

 

 

Embora pequenos e frágeis  gozavam de  boa saúde e dispensavam médicos. Se  ficavam doentes o remédio era um só: carinho de mãe e chá. Choravam e  berravam, mas o motivo  (fácil de descobrir sem precisar uma junta médica, como hoje),  quando não era fome era aporrinhação mesmo. Um cascudo resolvia. Nessa época não carecia  uma psicóloga toda vez que a criança começava a espernear para chamar a atenção. Igualmente, a criança podia até ser calma e comportada, sem que, por isso, fosse considerada retardada pelos pais.

Em nossos tempos todas são precoces, por determinação expressa do pai e firma reconhecida da mãe, entendendo-se como precoce qualquer imitação de adulto, desde rebolar fazendo strip-tease em aniversário  de criança imitando Anitta, a  até xingar o pai de veado em jogo de futebol de dente de leite (no qual ele se mete sem ser convidado). Os meninos de hoje não conhecem os heróis infantis do passado. Seus heróis são: Felipe Neto, Luan Santana e Pablo Vittar. O pai também, mas   somente  quando solta a grana pra comprar o mais recente smart phone.

Crianças de ontem não conheciam a palavra bullyng. Quando os colegas os aporrinhavam reagiam no  tapa ( quando podiam) ou se recolhiam. Isolados, estudavam música, liam  ou faziam poemas e   a chateação sumia,  transformada em coisa útil. . Crianças de hoje, pelo contrário. Quando aporrinhados pegam um revólver (de verdade) e saem dando tiro pra todo lado. Depois se justificam para os pais dizendo que sofreram bullyng. Isso se  eles tiverem sobrevivido aos tiros .

Os professores de ontem deduravam as rebeldias das crianças para seus pais. Hoje, as crianças deduram os professores para seus pais. Crianças antigas ganhavam livros, álbuns de fotografia  e agendas como presentes, as de hoje ganham, como presente, que os pais os permitam rasgarem os livros . Crianças de ontem,  do sexo masculino,  liam Playboy às escondidas do pai. Crianças de hoje (de ambos os sexos) assistem vídeos pornôs nos celulares dos pais, tendo-os como personagens.

Crianças de antigamente sonhavam em ganhar um carro de brinquedo no dia de Papai Noel, crianças de hoje sonham em sair dirigindo o carro do pai amanhã mesmo. Crianças de ontem queriam ser presidentes, generais e escritores quando crescessem. Crianças de hoje querem ser  modelos, you tubers, jogadores de futebol ou ex- BBb”s .

Tanta evolução faz com que a infância e a adolescência hoje praticamente  inexista tornando cada vez mais verdadeira a frase:

“Não existem mais adolescentes. Atualmente os meninos passam, sem intervalo, de crianças precoces para adultos retardados”.

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José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

 

 

SURGE O PRESIDENTE IDEAL

Debates acirrados,  crimes e candidatos tensos nos hospitais e na cadeia. Isso porque paira uma grande indecisão sobre qual o presidente ideal para o Brasil. Esta crônica lembra que esse candidato ideal já surgiu: o presidente em BRANCO.

 

 

 

1.Não fala.

Se não fala já tem meio caminho andado para fazer um grande governo. Alguém consegue avaliar o prejuízo causado pelas asneiras ditas pela ex-presidente Dilma Roussef?  Um montante  incalculável, se considerarmos o postulado  zero do Manual do Bom Presidente que diz: “Mede-se um bom presidente mais pelas idiotices que não diz,  do que pelas que diz”. Um presidente mudo vale ouro.

2.Não leva facada.

Levando-se em conta que, no Brasil, um  candidato deve estar de prontidão para levar facada,  o presidente em branco surge com uma grande vantagem: é imune a esse tipo de agressão.

Tampouco vai para a UTI, ou se recupera em Hospital, poupando  gastos com tratamento hospitalar etc! Economia é com ele mesmo!

3.Não entra em  debates.

Um Presidente em Branco não participa de debates porque não tem ideias, programa de governo e, muito menos promessas. Pra quê,  se sua proposta é nenhuma, seu programa é zero e sua ideia é Nada?  Acreditem: com esse discurso de empolgante sinceridade apresenta melhores ideias do que todos. Porque é honesto consigo mesmo e com a população.

4.Dispara nas pesquisas.

Essa é uma vantagem e tanto. Poupa discussão e dinheirama desperdiçada. O fato de sair na frente porque a maioria deseja votar em branco será um banho de águia fria nos adversários. Isso agrega outra vantagem: o Presidente em Branco dispensa  doação de campanha.

5.É transparente.

Sendo um presidente em branco, portanto  vazio, mais transparência é impossível. Ninguém jamais poderá acusa-lo de desonestidade, ou de receber ladrões na calada da noite em sua residência. Muito menos malas de dinheiro, com a desculpa de fundo de campanha.

6.Impossível clonar.

Ninguém poderá imitá-lo. Isso impossibilitará, por exemplo, que queira ser presidente alguém que se apresenta como boi de piranha de outro (como dizem que seja o caso de Hadad em relação a Lula).

Tecnicamente,  o único candidato capaz de cloná-lo seria o Presidente em Claro. Mas esse  é como se fosse seu irmão-gêmeo.

Conclusão. Seu único inconveniente é que os politicamente corretos queiram acusa-lo de racista,  apenas por ser um Presidente em Branco. Até nisso ele é superior. O presidente em Branco não é Branco, apenas está Branco, da mesma forma que não “será presidente”, apenas “estará presidente”. Portanto, não vai querer se reeleger,  e essa será mais uma de suas mil e uma vantagens.

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

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