Depressão: aspectos médicos, sociais e econômicos

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Na semana passada alguns jornais destacaram os rumos que a depressão seguirá nos próximos anos. Os dados foram surpreendentes, pois de acordo com – Organização Mundial de Saúde – OMS, até 2020 a depressão será a principal causa de incapacitação em todo o mundo. Muitas pessoas se tornarão incapazes e improdutivos do ponto de vista laborativo(absenteísmo) e social, o que acarretará mais prejuízos econômicos para o país e mais ônus para o caixa da previdência.

Há no globo atualmente, mais de 120 milhões de pessoas que sofrem de depressão e estima-se que só no Brasil, existam acima de 17 milhões de pessoas afetadas pela doença. Cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da enfermidade, especialmente por suicido, onde a depressão corresponde ao principal  fator de risco para cometê-lo. A OMS informa também que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas.

No aspecto sócio-econômico, a OMS nos informa que a depressão será a doença que mais acarretará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com seu tratamento e por afetar a capacidade produtiva das pessoas afetadas por ela. Na Europa estima-se que a depressão gere um custo de 250 euros por habitante e atinge 21 milhões de europeus produzindo curtos para a economia em torno de 118 bilhões de euros por ano.

Ainda de acordo com o órgão, os países pobres são os que mais sofrerão com o problema, já que são registrados mais casos de depressão nestes lugares do que em países desenvolvidos. E, os custos da depressão serão sentidos de maneira mais aguda em países em desenvolvimento, já que eles registram mais casos da doença e têm menos recursos para tratar de transtornos mentais.

Estes dados mostram claramente que embora a ciência já tenha desvendado o caráter biológico desta doença, o ambiente sócio cultual e as condições psicossociais exercem um peso enorme na clínica, na epidemiologia e na recuperação destes pacientes.

O fato de vivermos em uma época conflitante, ameaçadora e instável do ponto de vista político, econômico e social, acarreta danos irreparáveis na estabilidade emocional, psicológica e social das pessoas, afetando diretamente pessoas predispostas a desenvolverem a doença. A descrença, as decepções e a desesperança sentimentos comuns no dias atuais provocam profundas ruptura psicossociais resultando também na geração de comportamentos depressiogênicos. Por últimas mudanças rápidas e inusitadas em nossas referências sociais, éticas, religiosas, e afetivos interferem predominantemente na promoção de quadros severos de depressão.

As perdas também foram objeto de estudo da OMS, que estima que em 2030, a depressão será isoladamente a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde, afirmou à BBC o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS.

A condição de empobrecimento da população é outro agravante que gera índices elevados de depressão. Segundo a OMS os países mais pobres apresentam mais casos de depressão do que os países ricos. “Além disso, até mesmo as pessoas pobres que vivem em países ricos têm maior incidência de depressão do que as pessoas ricas destes mesmos países”, afirma Saxena. “As pessoas pobres sofrem mais estresse em seu dia-a-dia do que as pessoas ricas, e não é surpreendente que elas tenham mais depressão.”

Segundo o médico, o aumento nos casos de depressão e os custos econômicos e sociais da doença tornam mais urgentes uma mudança de atitude em relação ao problema. “A depressão é uma doença como qualquer outra doença física, e as pessoas têm o direito de ser aconselhadas e receber o mesmo cuidado médico que é dado no caso de qualquer outra doença.”

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