Mulheres, não bebam se estiverem grávidas!  

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Não é de hoje que o mundo todo chama nossa atenção para uma questão sumamente importante, qual seja, o uso de bebida alcoólica no período de gravidez. Há muito tempo que sabemos, também, que os danos à saúde do bebê e das suas mamães são enormes quando ambos se expõem ao uso dessas bebidas.

Mãe e filho (a) estão visceralmente ligados através da placenta e permanecerão assim por longo tempo, de tal forma que tudo que ocorra com ela em matéria de ingesta de alimentos, álcool ou outras substâncias, passará também para o corpo dessas crianças. Outra coisa importante, quanto ao uso do álcool, é que não há um uso considerado “seguro” que garanta a inocuidade em seres na vida intrauterina, independentemente, inclusive, da quantidade de álcool consumido, pois vários fatores podem interferir no metabolismo, mecanismo de ação e excreção dessa substância no corpo da mãe e do feto, especialmente nos três primeiros meses de gestação. A própria ingestão de bebidas deixa a gestação em situação perigosa, arriscada e com muitas possibilidades de inviabilizá-la. Quanto mais pesado for esse do consumo, piores serão as consequências.

Microcefalia, alterações faciais, renais, cardiopatias, retardo mental, dificuldades na aprendizagem, hiperatividade, deficit de atenção, alterações na psicomotricidade, na cognição e na adaptação psicossocial, podem ser consequências diretas do consumo do álcool, pelo feto, através da ingesta dessa bebida pela mãe.

Além dessas alterações, acrescenta-se o abortamento, natimortos e o principal transtorno, a Síndrome Alcoólico Fetal, conhecida pela sigla SAF. Essa não tem cura e as consequências para acriança são avassaladoras e para o resto da vida. Muitas crianças com SAF morrem antes de completar cinco anos devido a precariedade de seu nascimento, desenvolvimento e das suas defesas naturais.

Todos os órgãos e sistemas biológicos da mãe e do bebê são afetados pela ação do álcool etílico, principalmente o cérebro da criança pois está em processo de desenvolvimento. O cérebro é um órgão ultra complexo que comanda nossa vida. É um órgão nobre e um dos mais importantes dos seres humanos, sendo nele que age o álcool etílico. Ao ser afetado pode provocar graves transtornos neuropsiquiátricos e comportamentais.

O cérebro desempenha um papel preponderante em todas as atividades do corpo, das emoções, da cognição e do comportamento. É tão importante que na ausência de sua atividade define-se a morte clínica. A maturação do cérebro, desde o nascimento até idades posteriores, é mantida por um volume de mais de 100 bilhões de células nervosas, sendo que ao longo dos dois primeiros anos de vida com o crescimento contínuo do volume do cérebro, constitui-se um período de grande vulnerabilidade.

O cérebro em distintas fases do seu desenvolvimento sofre a influências de muitos fatores: estresse agudo e crônico, uso de álcool, tabaco e de outras drogas, traumas psicológicos e emocionais, problemas psiquiátricos, privações econômicas, desnutrição e muitas outras situações negativas, as quais podem interferir com sua funcionalidade.

A neuroplasticidade, capacidade de mudança e reorganização dos neurônios ocorre de acordo com mudanças ambientais, experimentais, sociais, físicas e lesões graves do cérebro, é o que nos garantirá a adaptação psicossocial e comportamental, por conseguinte, a presença do álcool nessas condições fatalmente afetará de forma negativa a saúde mental e o desenvolvimento psicomotor dessa criança. Outros fatores, como: som, tato, visão, olfato, comida, pensamentos, traumatismos e doenças sistêmicas e locais, bem, podem interferir também em sua funcionalidade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo SBPP, esse ano, lançou uma campanha, de abrangência nacional, denominada “Gravidez sem álcool”, justamente, para reforçar o cuidado que deveremos ter com mulheres que bebem nessas condições de gravidez.  Ainda nesse ano, a Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro – SOPERJ reedita a campanha, juntamente com outras sociedades de especialidades médicas, como a de Ginecologia e Obstetrícia, com o mesmo propósito.

Os danos à saúde do bebê e das parturientes quando expostos ao álcool são por demais graves e conhecidos. Só para se ter uma ideia, em uma hora de ingestão, a taxa de álcool no corpo da mãe será a mesma da criança. A diferença é que a mãe bebe pela boca e a criança irá beber por uma veia. O álcool etílico é o responsável número 1 para casos de Retardo Mental e Teratogenias no mundo ocidental (deformidades e alterações graves no feto).

Uma das síndromes mais graves, ocasionada pela exposição do feto ao álcool, como já dissemos acima, é a Síndrome Alcoólico Fetal – SAF, que foi identificada pelo pediatra e pesquisador francês Lemoine, em 1968. Na França, ela atinge mais de 8 mil recém-nascidos/ano. No Brasil, cerca de 50 mil bebês/ano são vítimas da (SAF). No mundo, anualmente, este número chega a um milhão.

Diante do exposto, fica a pergunta: será que essas mães gestantes sabem claramente que ao beberem estão expondo seus bebês e a sua própria vida em situação de alto risco?

Será que os Gestores da Saúde, os Coordenadores de Programas Pré-natais ou de Aleitamento Materno, Diretores de Hospitais Materno – Infantis, de Ginecologia e Obstetrícia, não poderiam propor ações mais concretas para o enfrentamento desses problemas? Será que o Ministério da Saúde (MS) não poderia tornar a SAF sob notificação compulsória, para mostrar sua realidade em nosso país e nos ajudar a enfrentá-la? Será que as Universidades, que formam esses profissionais, não poderiam participar dessa luta e tratar esse tema com maior rigor nos diferentes cursos de formação em saúde?

Eis o grande mérito dos Pediatras, Ginecologistas e Obstetras de São Paulo, e suas Entidades Profissionais, ao proporem um evento com tamanha envergadura, alertando mães, autoridades, crianças e adolescentes sobre todos esses riscos do consumo de álcool durante a gravidez. A iniciativa fez parte da Semana de Combate e Prevenção à Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), promovida pela SPSP, Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Parabéns, aos colegas, fica aqui o recado!

 

 

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