A novidade do Maranhão Roots Reggae Festival: a tenda roots

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Se formos descrever todas as motivações que tornam viável a realização de um evento de reggae – que congregue artistas, bandas nacionais e internacionais, além de, radiolas e equipes de DJs – poderíamos começar por razões bastante amplas, tais como culturais e também econômicas. Mas nada seria possível sem a presença dos idealizadores, aqueles que com ideias tímidas e informais tornam possíveis grandes acontecimentos.

O Maranhão Roots Reggae Festival não foge à regra. Este evento é resultado de décadas de permanência e atualização do ritmo na ilha. Você sabe quem o idealizou?

O cantor e compositor Fauzy Beydoun tinha como objetivo realizar um evento de Reggae no Maranhão, como vistas a oferecer à população maranhense o que atualmente se produz de melhor no mundo, em termos de reggae. Além disso, existia o interesse em constituir um atrativo turístico aos amantes da arte musical de Bob Marley, a qual marcou uma geração por todo o mundo.

Assim, Fauzy e Neto Franco (integrante do Sistema Mirante de Comunicação) reuniram suas ideias e as colocaram em prática para a construção deste grande festival. Durante as três edições já realizadas (2001, 2003 e 2005) vários atrativos foram apresentados, como telão, dois palcos, merchandising, camarotes, etc.

Este ano o Festival trará um elemento que já faz parte de outros eventos pela ilha: a tenda roots. De modo específico a sua origem remonta do ano de 2007. Neste ano, a expectativa já era grande para mais uma realização do Festival. Eu assumira a locução do Reggae Point e comandava as noites da capital com a equipe Mega Vibes, junto com meu parceiro Henrique Chaves. Era o ano do projeto “Na Ponta da Agulha / Reggae Solidário” – espaço que reuniu dezenas de colecionadores de vinis de reggae e recebeu um público cativo com o objetivo de arrecadar donativos a famílias carentes. O sucesso levou-me a pensar que era possível realizar algo simultâneo aos shows. Eu havia batizado de “Espaço Reggae Point”. Mas para o meu desânimo não foi realizado o Festival naquele ano. Todavia não desanimei e externei para Henrique Chaves a vontade de apresentar a proposta no Sunsplash Reggae Festival 2009 (encontro de John Holt e Gregory Isaacs). Fomos até o Deputado Pinto Itamaraty – que não hesitou ao ouvir o que tínhamos a falar. Afirmou ser muito interessante e inusitado e, atendendo ao pedido, logo batizou o projeto de Tenda Roots.

A Tenda Roots, portanto, teve seu marco inicial no dia 15 de novembro de 2009, com a presença de base da equipe Mega Vibes e grupos de colecionadores – direcionada por Tarcísio Selektah.

A novidade ganhou até as cidades de Fortaleza e Belém nos últimos anos.

DJ Waldiney

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Ken Boothe faz 50 anos de carreira e vem comemorar aqui no Maranhão Roots Reggae Festival

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Ken Boothe é um dos mais extraordinários cantores da história do reggae jamaicano. O caçula de sete filhos começou muito jovem, num duo com Stranger Cole nos tempos do Ska. Entre os hits mais populares da dupla estão “World Fair “, “Hush” e “Artibella”. Além de Strager, Boothe gravou em dueto com Roy Shirley a canção “Paradise” de 1966. No mesmo ano trabalhou com Coxsonne Dobb, Phill Pratt e Sonia Potinguer. Depois vieram Leslie Kong, Keith Hudson e BB Seaton – com quem formou o grupo Conscious Minds.

Sob a direçaõ de Lloyd Chames, Boothe lançou em 1974 pela Trojan Records a versão de Everything I Own, escrita por David Gates (regravada também por Boy George em 1987). A popularidade desta canção chegou em primeiro lugar nas paradas de sucesso do Reino Unido. No ano seguinte lançou “Crying Over You”, atingindo a décima primeira colocação alavancando ainda mais sua fama entre os britânicos.

Boothe foi condecorado com a Ordem de Distinção por sua contribuição à música em 2003. Ele está presente em vários documentários, entre o mais recente está “Rocksteady: the roots of reggae”.

A sua voz chega inalterada aos 50 anos de carreira. Será difícil não se emocionar ao ouvir “Silver World”, “My Love”, “Christopher Colombus”, “Everything I Own”, “Crying Over You”, “Black Gold Green” e “Friends”. Elas estarão no repertório do artista em novembro no Maranhão Roots Reggae Festival.

Clique aqui para saber mais.

DJ Waldiney

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Culture é mais uma atração confirmada para o Maranhão Roots Reggae Festival!

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O Culture originou-se em 1976 e naquela época era composto por Joseph Hill (1946-2006), Albert Walker e Kenneth Paley (substituído por Telford Nelson).

O trio gravou seus primeiros singles para Joe Gibbs (1943-2008) e depois para Sonia Pottinger (1931-2010).

Começaram a ganhar notoriedade depois do álbum Two Sevens Clash – composição de Hill sobre uma profecia de Marcus Garvey – que advertia sobre coisas terríveis que poderiam acontecer no dia 07/07/77. Boatos fizeram com que alguns fieis nem saíssem de casa, temendo o pior que nunca aconteceu.

No Reino Unido difundiram suas crenças rastafáris e chegaram a gravar para o selo inglês Virgin – se beneficiando da divulgação internacional do seu produto.

Com a morte de Bob Marley (1945-1981) o selo virginiano decaiu, ocasionando a separação do grupo em 1982.

Depois da pausa retornaram com um som mais moderno, porém mantiveram suas mensagens e não aderiram ao dancehall que dominava a ilha na década de 80.

Entre 94 e 95 – não recordo ao certo – estiveram pela primeira vez no Brasil. Na rota as cidades de Curitiba, São Paulo e São Luís fora as privilegiadas. Os shows foram promovidos por Geraldo Carvalho (1957-2006).

A segunda apresentação deles por aqui foi em 1996 na Exposição Agropecuária do Maranhão (Expoema).

Em agosto de 2006 Joseph Hill sofreu um colapso na Alemanha e fatalmente perde a vida.

Alguns anos depois, Albert e Telford uniram-se a Kenyatta Hill (filho de Joseph Hill) para continuar o legado deixado pelo seu pai. Logo mostrou seu talento através do álbum “Tribute to Culture – Live On” (2011).

O Culture se mantém como um dos mais respeitados representantes do roots reggae, se apresentando sempre com muito sucesso em todo o mundo.

As performances dinâmicas e elétricas de Joseph Hill foram muito bem absorvidas por Kenyatta que esteve, sozinho, em São Luís no inicio do ano.

Em novembro na 4° edição do Maranhão Roots Reggae Festival teremos a oportunidade de presenciar o retorno do Culture em São Luís e curtir seus maiores sucessos: Land Where We Belong, Internacional Herb, Iron Sharpen Iron, See Dem A Come, Zion Gate, Cumbolo, Behold, Fussing And Fifhting, Twl Sevens Clash, Tell Me Where You Get It e Lion Rock.

Imagem de divulgação.

DJ Waldiney

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Rainha do Reggae é uma das atrações do Maranhão Roots Reggae Festival

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Marcia Griffhts começou a cantar profissionalmente no início dos anos 60 atuando com Byron Lee And The Dragonaires. Seu desempenho com o grupo foi suficiente para chamar atenção dos produtores da Jamaica e logo foi recrutada por Coxsone Dobb, do Studio One, onde gravou os seus primeiros singles: Truly, Melody Life e Feel Like Jumping. Depois trabalhou como Harry J. Johnson e Sonia Pottinger.

Nesse mesmo período conheceu Bob Andy – como quem que gravou duetos de sucessos, a exemplos de “Welcome You Back Home”, “Kemar”, “Really Together”, “Call Me”, entre outros.

Entre 74 e 81 acompanhou Bob Marley como o grupo I-Threes (vocais de apoio) formado por Judy Mowatt e Rita Marley. Elas excursionaram com Bob por diversos países e se tornaram o maior trio vocal de apoio feminino da história do reggae. Após a morte de Marley retornou a carreira de artista solo. Em 86 regravou “Eletric Boogie” (seu maior sucesso nos EUA) e alcançou a 51º colocação da BillBoard.

Ela coleciona uma lista de álbuns significativos em sua carreira, confira abaixo:

• Sweet Bitter Love (1974)

• Naturally (1978)

• Rock My Soul (1984)

• Marcia (1988)

• Carousel (1990)

• Indomitable (1995)

• Land Of Love (1997)

• Collectors Series (1998)

• Truly (1998)

• Certified (1999)

• Reggae Max (2003)

• Shining Time (2005)

• Melody Life (2007)

Confira mais informações sobre o festival aqui.

Imagem de divulgação.

DJ Waldiney

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Conheça um pouco sobre Bob Andy: uma das atrações do Maranhão Roots Reggae Festival

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Vocalista e compositor, Andy é considerado um dos artistas mais influentes do reggae. Sua longa história começa pelo trio jamaicano The Paragons, o qual ele formou ao lado de Tyrone Evans e Howard Barrett.

Nos anos 60 firmou-se no cenário fonográfico com as canções “Desperate Loves”, “Soul Feeling”, “Going Home”, “My Time” e “Unchained”.

Na década de 70 gravou três “pedras” que se tornaram seus principais hits em São Luís: “Check It Out” (lançado pela Total Sounds), Rasta Reggae Music (Friend) e Stepping Free (Lots of Love And I). Sem falar que no mesmo período fez parceria com Marcia Griffhts – também confirmada no Festival – e lançou dois grandes álbuns: Really Together e Sweet Memory.

Já em 80 mostrou sua versatilidade estreando como ator nos filmes Children of Babylon e The Mighty Quinn.

Bob Andy é o exemplo de amor pela sua cultura. Seus esforços lhe renderam uma das ordens de distinção no seu país (Order of Distinction) por suas contribuições para o desenvolvimento da música jamaicana.

O público regueiro da capital maranhense está ansioso para vê-lo cantar ao lado banda “We The People”, de Lloyd Parks.

Que venha o Maranhão Roots Reggae Festival!

Clique aqui e confira a programação completa do Festival.

DJ Waldiney

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Sistema Mirante finaliza preparativos para o Maranhão Roots Reggae Festival

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Os funcionários do Sistema Mirante, em especial os que compõem o departamento de novos negócios e eventos estão, literalmente, carregando pedras. Mas não são aquelas usadas na construção civil. Trata-se das pedras sonoras do reggae, que rolarão entre os dias 09, 10 e 11 de novembro no Maranhão Roots Reggae Festival – 4º. Centenário, evento promovido pelo Sistema Mirante de Comunicação em parceria com a Itamaraty Sonorizações.

Quem participa apenas da parte boa do festival, ou seja, da festa, não tem ideia da mobilização e do trabalho que é feito nos bastidores para que tudo saia de acordo com o planejado: contratação dos artistas, seguranças, equipe de produção, grupos de danças, passagens aéreas, vistos de trabalho estrangeiros, produção de comercial e de merchandising, locação de transporte interno, hotéis, alimentação para artistas, taxas e vistos, o som perfeito, a recepção dos artistas, a venda dos ingressos, a divulgação do evento… Ufa uma lista e tanto!

Com apenas três edições, o Maranhão Roots Reggae Festival já se consagrou como um dos grandes festivais de reggae do Brasil, tendo destaque e reconhecimento nacional. E tudo isso não foi à toa, em todas as edições reuniu-se cantores jamaicanos de peso internacional, bandas brasileiras, artistas locais, djs, radiolas e um público recorde formado por fãs e simpatizantes maranhenses e ainda por pessoas que se deslocaram de suas cidades de origem para curtir o evento aqui na capital.

Para relembrar brevemente um pouco das atrações que já estiveram por aqui, confira:

– Em 2001: U Roy, The Itals, Justin Hinds And The Dominoes, Fullyfullwood Band, Sylvia Tella, Clinton Fearon, Tribo de Jah, Santa Cruz, Tony Tavares, Gerude, Célia Sampaio, Filhos de Jah, Mano Bantu, Jorge Tadeu, Zé Lopes, grupos de dança e radiolas.

– Em 2003: Big Youth, Eric Donaldson, Fullyfullwood Band, Honey Boy, Sylvia Tella, Gilberto Gil, Natiruts, Tribo de Jah, Filhos de Jah, Tony Tavares, Manu Bantu, grupos de dança e radiolas.

– Em 2005: Pablo Moses, The Pioneers, Dennis Alcapone, The Amazonians, Eric Donaldson, Sly Fox, Cidade Negra, Reggae Style, Alê Muniz, Luciana Simões, Andread Jó, Tribo de Jah, Nengo Vieira, Ricardo Luz, Santa Cruz, Mano Bantu, Djembe, grupos de dança e radiolas.

No balanço geral apenas Tribo de Jah, Mano Bantu, Radiola Itamaraty, o locutor João Marcos, grupo de dança GDAM e Eric Donaldson marcaram presença nos três festivais.

O Maranhão Roots Reggae traz este ano a seguinte programação: Bob Andy, Ken Boothe, Marcia Griffhts, Lloyd Parks And We The People, Culture, Cedric Myton, Sly Fox, Ronnie Green, Tribo de Jah, Raiz Tribal, Santa Cruz, Kazamata, Banda Legenda, Capital Roots, Barba Branca, Guerreiras Regueiras, Juba de Leão, Filhos de Jah, Rebel Lion Band, Planta e Raiz, Garotinhos Beleza, GDAM, Mega Vibes, Rádio Zion, Clube do Vinil, Lion Vibes, Alpha Memory, Irie Discos, Star Discos, Hot Fire, Disk Memory, Jorge Black, Serralheiro (Rei), Neto Miller, Nega Glícia, Orquestra Invisível, Tarcísio Selektah, Canuto Lion (CE), além das radiolas Giga Estrela do Som, Super Itamaraty, FM Natty Nayfson e Ajax Som.

Como já dito, os dias que ocorrerão os shows são 9, 10 e 11 de novembro e o local será a Passarela do Samba e do Reggae.

DJ Waldiney

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Owen Gray deixa todos na mão!

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Por duas vezes consecutivas o cantor Owen Gray deixou os maranhenses frustrados em São Luís, tirando o brilho do evento “Cidade do Reggae” – realizado no último sábado (29).

O que teria acontecido desta vez? Documentos provam que houve o pagamento de 50% do cachê ao artista, o qual se quer explicou o motivo da sua ausência no festival.

No início do ano, Gray furou com o Bloco do Reggae GDAM deixando um vácuo na programação anual do carnaval. Segundo Bill Campbell, ele alegou problemas de saúde.

Fica o meu repúdio diante da falta de profissionalismo do artista que, de certa forma, feriu a produção local e deixou receosa a massa regueira sobre qualquer manifestação dessa natureza no estado.

DJ Waldiney

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Show da Dezarie no Brasil: São Luís permanece de fora!

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Por enquanto, a cidade de São Luís fica de fora da turnê da cantora Dezarie. De acordo com informações, a data coincidiria com o Maranhão Roots Reggae Festival o que levou a produção viabilizar outra data, até agora não divulgada.

Confira abaixo as datas confirmadas:

09/11 – Vitória – ES – Local: Sede do Alvares Cabral.

10/11 – Salvador – BA – Local: Wetn Wild – Republica do Reggae.

14/11 – Guarulhos – SP – Local: Internacional Eventos .

16/11 – Rio de Janeiro – RJ – Local: Fundição Progresso.

17/11 – Maceió – AL – Local: Vox Room.

22/11 – Porto Alegre – RS – Local: Opinião.

23/11 – Florianópolis – SC – Local: Life Club.

24/11 – São Bernardo – SP – Local: Estância Alto da Serra.

DJ Waldiney

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O astro Pat Kelly chega a São Luís!

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Hoje pela tarde (27) estive com o jamaicano Pat Kelly. Simples e dono de uma bela voz, Kelly conversou aproximadamente 20 minutos comigo antes de autografar os meus discos. No começo estava um pouco tímido, mas depois se mostrou solícito a responder as minhas perguntas em relação aos shows e produções. Ele afirmou que continua em atividade produzindo artistas na Jamaica e Londres, sua segunda casa.

Assim como muitos maranhenses, a minha admiração pelo cantor surgiu na década de 90, quando muitas de suas canções invadiram, literalmente, os salões de reggae da ilha. Em destaque as famosas: “You Look So Nice”, “You You You”, “Nobody” e “I’m The Mood”.

Agradeço a atenção dada pelo artista, recém chegado de Londres, a nós (eu e os meus amigos Saninho e Alemão).

Depois de São Luís, Pat Kelly seguirá em turnê pela Argentina e México.

Vamos aguardar a apresentação deste grande artista neste sábado (29).

DJ Waldiney

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“Tudo pelo Vinil”, um pouco da busca por raridades na história do reggae

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Desta vez o meu destaque vai para o texto publicado no livro “São Luís 400 anos”, do jornal “O Estado”, que traz informações pertinentes sobre o reggae na capital maranhense.

Centenas de pessoas se dedicaram ao longo da vida a colecionar vinis de reggae, hábito que surgiu no momento em que se acirrava a disputa entre os donos de radiolas por público em suas festas. A coleção de discos começou entre os DJs, aqueles que operavam o som das radiolas que, segundo o antropólogo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Carlos Benedito da Silva – o professor Carlão –, são os grandes artistas do ritmo, pois além de selecionarem as músicas tocadas, conseguem ter uma empatia especial como o público.

O movimento popular do reggae possibilitou a formação de colecionadores de discos de vinis, que iniciaram uma briga semelhante ao que aconteceu na Jamaica. Lá, os DJs buscavam as músicas dos ritmos norte-americanos para fazer os percursos pelas festas. Alguns tinham o hábito de raspar o selo para o produtor ser visto como raridade. Em São Luís, muitos colecionadores e agentes – mercadores a serviço de donos de radiolas – acabaram viajando para a Jamaica e Inglaterra para comprar discos não conhecidos na Ilha.

Em certos casos, eram comprados números repetidos de um único disco para que a radiola concorrente não conseguisse ter igual. “A disputa por esses espaços [radiolas], como não é um movimento que foi promovido pelas gravadoras, acabou ficando muito fixada a uma relação pessoal. As pessoas criaram um acirramento. Tudo isso deu a projeção que o reggae tem em São Luís”, explica o professor Carlão. Em alguns casos, há registros de pessoas que brigaram em festas, incendiaram carros e outras que trocaram carros por um único vinil.

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