CHATICE NACIONAL. CAUSA E EFEITO

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Quem leu o livro  A história do mundo sem as partes chatas viu que tudo era divertido e bastante aceitável  (pelo menos ninguém reclamava da vida ) por bilhões e bilhões de anos, até que surgiu o ser humano, por volta de 4,5 milhões de anos atrás. Só então começou a vida humana,  e, com isso,  a reclamação, a intolerância, enfim, a chatice.

1.E pensar que tudo começou justamente por causa dela, da chatice.  Basta lembrar que Deus só fez o que fez ( estamos falando do  Universo) porque não aguentava mais o tédio. Se não existe ‘pecado maior que o tédio’, como disse Oscar Wilde, vai ver que Deus, não aguentando mais tanta eternidade, solidão e, ainda por cima, pecado  deve ter pensado “Tenho que fazer alguma coisa pra acabar com isso!”.

 

 

 

E lá veio o Universo, entre big-bangs, big-expansões, big-fúrias de energia e… big-chateações. Sim, porque Deus, um segundo depois, já estava tão chateado com o que acabara de fazer que  decidiu sumir por vários milheiros de anos-luz, com o firme propósito de não permitir que alguma inteligência aparecesse, algum dia, com a capacidade de investigar quem ele era e porque razão havia feito aquilo. Só não contava que, por algum defeito de fabricação, ( até Deus erra) bilhões de anos depois um minúsculo ser fosse aparecer lá pelos confins de um minúsculo planeta com essa estranha capacidade de pensar e, assim, de aporrinhar:  à  Deus, a si mesmo e uns aos outros.

Sim porque o ser humano é um ser pra lá de chato e para ter certeza disso nem precisa chegar a seus exemplos extremos: Galvão Bueno, Michel Temer, Faustão etc. Infelizmente, eles não são os únicos. Numa escala um pouco menor estão aqueles que nos rodeiam onde quer que se vá: líderes religiosos, guardas de trânsito, crianças precoces e adultos retardados  etc., embora devamos contemporizar que nem sempre foi assim, o que nos leva a uma previsão  alarmante: “ Imagine o que não está por vir!”

2.Porque nem sempre foi assim. Quando o ser humano tinha um diminuto cérebro, e ainda não tinha adquirido a tal capacidade de pensar, não passava de um animal intuitivo e bronco e, portanto, era apenas bronco. A chatice começou, milhares de anos depois  com certos pensamentos: “Essa fêmea é minha” “Sou eu que mando aqui” “Sai fora do meu fogo ” que foram o embrião dos pensamentos atuais que traduzem   uma formidável sofisticação da chatice: “Mãe, eu sofro bullyng”, “ Graças a Deus que sou ateu ” “ Meu time tem dinheiro, o teu não” “ Eu acredito em Lula”  etc. etc.

Ao constatar-se, hoje, que os seres humanos estão preferindo conviver com outros raças de animais chega-se à comprovação  fácil  de que a adoção progressiva de cachorros e gatos têm uma óbvia explicação : são menos chatos! Na mais prazerosa  das hipóteses não falam. E nem cantam música sertaneja.

  1. O pior da história é que a chatice evolutiva se alimenta de si mesma.  Sendo impossível andar com um cachorro ou um gato debaixo do braço os homens inventaram os celulares para não terem que se cumprimentar,  se escutarem ou falarem uns com os outros, o que só tem um lado bom: a chatice do ser humano está com os dias contados.

Isso deverá acontecer em breve quando as máquinas (até elas) não suportarem mais os seres humanos. Sem outra saída estas terão de promover  o fim da humanidade e, sendo assim, a chatice universal acabará. Só assim.

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José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

POR UMA FeliS mais FeliZ

Sou daqueles que defendem ser considerada sempre vitoriosa uma  Feira do Livro, independente da edição da mesma ter sido feliz ou não. Por uma Feira feliz, entenda-se um evento em que as aspirações dos envolvidos com o mesmo foram satisfeitas no todo ou em parte. Evidentemente que a satisfação total é de difícil realização especialmente  em períodos conturbados política e economicamente. Como participante desta última feira como palestrante, autor e leitor  realço alguns aspectos.

1.A realização  anual da Feira, como foi concebida, ainda é sua forma ideal de concretização.  Respeito a opinião dos que a prefeririam a cada dois anos, sob o pressuposto de conceder-lhe mais envergadura, mas não acredito que essa esperança (duvidosa) se sobreponha à necessidade básica, e no meu entender vital, de proporcionar pelo menos uma vez por ano, o convívio de uma população com os livros. Só assim se coaduna com a vocação de Atenas Brasileira da cidade, para cuja completude  se fazem necessárias vibração e frequência.

Bastaria constatar a presença maciça de estudantes da rede pública conjugada ao esforço dos agentes da coordenação da Feira em prol de propiciar o almejado contato do público com os elementos dinamizadores da cultura (escritores, professores e incentivadores)  para que o saldo seja positivo. Toda precariedade de realizações vultosas se torna de somenos diante dessa verdadeira epifania que é o êxtase dos escolares diante de livros e mais livros.

 

 

 

2.Não se poderia deixar de citar, contudo, entre os percalços lamentáveis, a não participação da Associação de Escritores Maranhenses Independentes (a AMEI) nesta edição dadas as circunstâncias que motivaram seu idealizador, e mentor, a declinar de sua participação. Ora, fiel à sua sina de grande  batalhador pela maior visibilidade e divulgação da produção literária local (para a qual tem conseguido formidável empatia do público graças ao espaço que, como grande empreendedor,  idealizou e edificou no Shopping São Luis) José Viegas  se contrapôs à ideia, de que o Vale Livros deixasse de contemplar a literatura maranhense aqui produzida.

Sua tomada de posição, teve a coragem e o simbolismo louvável  de confrontar todo um desprezo histórico que as autoridades demonstram em relação ao autor maranhense, mesmo considerando como justas as expectativas dos livreiros de obter maior lucro graças a venda de livros de maior apelo comercial. No meu modo de ver faltou sensibilidade para se encontrar um meio termo capaz de favorecer o acesso tanto ao autor maranhense quanto às produções editoriais mais consagradas do Sul do país. Bastaria ter sido destinado à produção literária local algum porcentual do favorecimento.

3.A destacar, também, no plano da “felicidade coletiva” em uma feira que se intitula Feliz, a edição do livro São Luís em palavras no qual 33 autores maranhenses rendem homenagem à sua cidade através de diferentes formatos de expressão: fotografias, poemas, crônicas e trechos de romance. A noite festiva de lançamento em que, primeiro Celso Borges (coordenador, idealizador e participante do livro) e depois os autores, deram seus depoimentos sobre o tema de seus trabalhos para o espaço lotado de uma plateia ansiosa, foi um momento raro de êxtase e emoção. Enfim, esses detalhes tão pequenos, mas radiantes, de uma feira Feliz, como se pretende que seja.

 

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

 

https://www.youtube.com/watch?v=zOVJJTMUHWI

 

 

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VERDADES QUE NINGUÉM MOSTRA

ESTATÍSTICAS BRASILEIRAS

 

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

 

Millor Fernandes dizia que a maior vontade do intelectual é ser rico e a do rico é ser intelectual. No Brasil basta o sujeito escrever um livro para acrescentar um “escritor” ao seu currículo. O curioso é que os membros dessa turma, que não dependem de ajuda para editar os próprios livros, gostam de dizer que são escritores, mas não apreciam, nem um pouquinho, viver como escritor, ou com a grana que um escritor ganha. A estatística, neste caso, é cruel:

1.No Brasil 90 % de sua população não lê sequer um livro por ano. Dos 10 % que leem apenas metade entende o que está escrito. A quantidade de livros publicados, no entanto, aumenta a cada ano o que leva a crer que, na metade deste século, 90% de sua população terá escrito um livro e se considerará escritor. Portanto, em 2050 haverá mais escritores (90%) do que leitores (10%).

2.No Brasil a maior parte da população (90%) não sabe o que significa Foro Privilegiado. Do restante 0,01 % que são  políticos, acham que isso pode significar licença para roubar e  os outros (99,9% ) são os que têm certeza disso.

3.A estatística de mortes por assassinato  no Brasil não para de aumentar. Para combater o excesso de violência  o contingente de policiais aumentou  em mais de 20 % em todo o país nos últimos anos.

Pelo que se vê nas ruas ( especialmente em São Luís) olhando-se a parafernália montada  nas blitz, o grosso dos policiais se dedica mais a caçar desavisados e distraídos do que a caçar bandidos onde estes se entocam. É fácil imaginar que  70 % dos policiais jamais prendeu um bandido, mas 99, 99  % já multou algum cidadão honesto.

4.Todos os brasileiros se dizem patriotas (99,9%). No entanto adoram apelar para o idioma inglês, desde para botar o nome de seus botecos até para pedir emprestado ao idioma estrangeiro o nome de filho. Por isso  9 entre cada dez filhos tem um ‘son’ acrescentado ao nome  para soar como gringo. O patriotismo brasileiro é tanto que metade diz que seus sonho é largar o país, e a outra metade  inveja os que se foram.

Se conseguem viajar para o exterior, esses ‘patriotas’  adoram espalhar suas fotos nas redes sociais em capotes de frio que avolumam suas gorduras e suas chatices com os três olhos ( inclusive esse que você está pensando) congelados e morrendo de frio e dizendo-se felizes da vida. Não é à toa que 90% dos brasileiros considera o máximo do patriotismo cantar hino nacional em jogo de futebol.

  1. Nove em cada dez brasileiros já foi assaltado ao menos uma vez na vida e 9,5 já receberam multas de trânsito. O meio é por conta dos que já morreram, mas recebem multa.  Desse total de vítimas (multados) 99 % prefere ser assaltado do  que multado, porque sai muito mais barato.

6.Para a rede Globo,  12 em cada 10 brasileiros torce para o Corinthians e 11 para o Flamengo . A matemática é fajuta, mas, assim,  a rede Globo consegue justificar a grana que enfia nesses dois times em desfavor dos outros.

7.50 Anos atrás todo brasileiro (100%) achava que Deus era brasileiro.  Depois do   7 a 1 metade(50%)  começou a desacreditar disso e depois da permanência de Michel Temer na presidência esse número caiu para apenas 1%. Fazem parte desses otimistas restantes aqueles que acreditam que Deus possa assumir um formato diabólico e, neste caso,  seja o próprio Michel Temer.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

 

 

O ANTI-SÓSIA DE GILMAR MENDES

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

 

Gilmar dos Santos  Neves e Gilmar Mendes. Dois indivíduos que, nomeados com a alcunha de Gilmar, se tornaram célebres neste Brasil. Que possuem em comum ( além do nome)  estes dois brasileiros para serem tão comentados, celebrizados  e…execrados, cada um à sua época?

 

 

 

1.Gilmar dos Santos  Neves, o do passado, foi goleiro da Seleção Brasileira e do Santos F.C. e considerado um dos melhores de todos os tempos. Bem apessoado,  mais de 1,85m, disputava com o capitão BellinI, o posto de galã da seleção bicampeã de 1958 e 1962, embora, claro, não precisasse desses atributos para ter sido admirado na profissão que escolheu. Gilmar tinha um estilo sóbrio, de  interceptar as bolas arremessadas ao seu gol, que caracteriza os grandes goleiros. Sem acrobacias desnecessárias.

Outra característica que o destacava era a frieza com que sobrepujava  os revezes. Se  engolia um frango, apanhava a bola no fundo do gol e retornava naturalmente,  com a fleuma necessária . Dentro e fora do ambiente de trabalho foi, sobretudo, um profissional de conduta irrepreensível, jamais tendo sido expulso de campo, ou participado  de campanhas com o fim de derrubar técnicos. Desprovido de interesses mesquinhos tratava a todos, do roupeiro ao maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé, com a mesma distinção. Um verdadeiro líder.

2.Gilmar Mendes, o atual, é um jurista que participa também de uma seleção, pois fazendo parte da confraria dos ilustres membros do STF pode-se dizer que participa da seleção dos melhores do país, na Justiça.     Fisicamente, e aí começam as diferenças, o Gilmar atual é o oposto do antigo. Estatura mediana, barriga proeminente e aspecto de batráquio tem o beiço escandalosamente avançado em franca disposição de combate, como se estivesse o tempo todo confrontando sabe-se lá o quê. Gilmar Mendes não é um modelo de celebridade esteticamente sedutor, longe disso, mas, claro, essa aparência constrangedora em nada deveria afetar o seu desempenho profissional. O importante deveria ser sua sabedoria e a capacidade de interpretar as leis com imparcialidade, mas, a partir daqui as diferenças se acentuam.

Enquanto o primeiro defendia com unhas e dentes (e mãos), suas redes dos goleadores adversários, Gilmar Mendes tornou-se também um  grande defensor,  mas de corruptos: com unhas, dentes  e canetadas.  Aprouve-lhe, não por dever de ofício, mas por opção, defender corruptos e poderosos. Não hesita, para isso, em executar defesas milagrosas (fora do padrão da ética e da honestidade) como também não se peja em digladiar com seus próprios companheiros de time, para salvar a pele de ladrões  e destilar seu ódio a quem os  combate.

Seu estilo de atuação também difere do Gilmar do passado. É  raivoso, confuso e atabalhoado, no afã de acobertar mal feitos perpetrados por bandidos poderosos.  Sua atuação sempre direcionada e viciada,  já salvou da cadeia  Michel Temer, Aécio Neves, Fernando Collor etc. denunciados como corruptos,  como  também se destina a aliviar da cadeia  Sérgio Cabral e quantos mais corruptos existirem no Brasil baseando-se na recente lei de Luislinda ministra dos Direitos Humanos de Temer: “ Humano, no Brasil,  só quem ganha acima de 60 mil. São esses que defendemos. O resto é o resto: se não for bicho, é escravo!”

Qual dos dois  Gilmar você prefere, caro leitor? A escolha é sua.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de Lendas, à venda na Feira do Livro

 

 

 

                                                                                           [email protected]

BELEZA E PERSONAGEM

 

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Existiria uma personagem da literatura mais  bela  que todas as outras? Seria possível compará-las?

Woody Allen, o cineasta e comediante norte americano, usou da ironia para dizer que a grande vantagem da masturbação é que ela permite fazer amor com quem você quiser.  Parodiando-o, sem ironia,  poderíamos dizer que a grande vantagem da literatura é que ela permite colocar em sua heroína a beleza que você quiser. Mas, como comparar a beleza (física) das personagens se a personagem descrita pelo romancista está à espera da fisionomia que você vai colocar na mesma?

Sendo impossível responder objetivamente, posso dizer que todas as personagens dos romances que li têm a beleza que imaginei para cada uma delas, o que me permite, com certa ousadia, compará-las.

Lembro   Catarina Earnshaw de  O Morro dos ventos uivantes . Bela, desde criança, mas não sei se sua beleza, meio bucólica, sobreviveria longe dos ventos uivantes dos morros a açoitar seus cabelos. Parece-me que perdeu um tanto de sua beleza depois que abandonou a charneca e, na minha imaginação, já não era tão bela quando morreu nos braços do cigano que amou. E Capitu, a célebre adúltera de Machado de Assis, de olhos de ressaca, “parecendo uma epilepsia do mar”? Será que era bonita de verdade? Penso que para trair um sujeito inseguro como Bentinho uma mulher sequer precisaria ser bonita. Enfim, cada Dom Casmurro tem o chifre que merece independente da beleza da parceira. E Ana Karenina?

 

Devia ser bela sim, mas possivelmente um tanto gorda para os padrões atuais. Instável e atormentada, morreu debaixo de um trem,  e mulheres lindas a perder de vista  não se perdem debaixo de um trem. Madame Bovary, por sua vez,   imagino parecida com a russa,  e não apenas na busca do adultério como redenção de vida . É provável  que Ana Karenina  fosse até mais bonita que Ema Bovary, mas a dama criada por Flaubert tinha um tom a mais de sensualidade , o que a fazia mais desejável.

Iracema  de José Alencar, teve a beleza inflada pelos adjetivos de seu exagerado autor , tal e qual as mulheres de hoje  inflam com botox suas pobres belezas. ‘A virgem dos lábios de mel que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna’ devia ser  buchudinha e ter dentes cariados, de pouco trato. Por sua vez a Mildred de Servidão Humana, de Somerset Maugham, podia ser feia, vulgar e burra, mas extraía de sua postura inacessível ao romantismo  um poder de sedução tão avassalador que sua beleza se instalava para além de sua mediocridade.

Curiosamente, heroínas apenas imaginadas podem tornar-se  mais bonitas quando se tornam palpáveis via atores que as representam. Lembro-me de Lara do romance Doutor Jivago que se corporificou, através de Julie Christie, uma beleza ao mesmo tempo poética  e selvagem. Ela teria tudo para ser a heroína mais bela das versões cinematográficas de livros se…

 

 

 

Se não existisse Sofia Loren em Duas mulheres (La ciociara), de Alberto Morávia. Já havia apreciado o romance quando vi o filme anos  depois. Nele surgiu, para mim,  a personagem mais bela da literatura por estar associada ao rosto dessa atriz, que ganhou o Oscar por sua interpretação. E Sofia Loren tinha, certamente, um rosto mais bonito do que qualquer imaginação seria capaz de criar.

José Ewerton Neto é autor de

O entrevistador de lendas

 

 

LOUCOS OU FURIOSOS?

 

artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão

 

Mais uma para os violentos dias que correm: As Salas de Fúria! Isso mesmo, nelas se paga para exercitar a fúria, demolindo objetos e quebrando tudo. Como diz a reportagem semanal da revista Veja a novidade, que está invadindo as grandes cidades, faz com que o cidadão se divirta com o seu próprio instinto assassino, precavendo-se de mal maior e avassalador.

Simultaneamente, recente pesquisa de uma revista científica listou mais de vinte tipos de loucura, que ninguém fazia a mínima ideia de que existiam. Ou seja, se você anda desconfiado de que está ficando louco, fique calmo, espere alguém implantar uma sala de fúria perto de sua casa e corra para ela. Com sorte você ficará contente por não ter chegado ainda a furioso, mas tão somente  a louco. Seguem 3 exemplos das loucuras  que alguém tem por aí e você não sabia

1.Síndrome de Alice no país das maravilhas.     

De acordo com o Neurology Times, a patologia dessa síndrome da vida real afeta cerca de 10% a 20% da população e altera a percepção que o paciente tem do espaço e dos objetos ao redor. Por exemplo, quem sofre dessa síndrome pode ter uma sensação temporária de distorção da noção do espaço,

Um exemplo típico dessa síndrome é a que ataca Galvão Bueno toda vez que ele se põe a narrar jogos, quando  perde completamente a noção do ambiente e do que está vendo. Quando o Flamengo (time para que torce) ou a Seleção ( de quem se finge adorador)  fazem gols, seu berro dura vinte vezes mais do que para o time adversário, como aconteceu na final da Copa Brasil. Ou ainda quando se recusa a aceitar o gol do time que não tem sua simpatia ,  como aconteceu nos pênaltis cobrados pelo Cruzeiro , ao insinuar que o último gol foi irregular.

2.Síndrome da mão alienígena.

 

 

 

A Síndrome da Mão Alienígena, ou da Mão Alheia, é realmente, um transtorno humano. De fato, uma reportagem da BBC de 2011 detalha o caso bizarro de uma mulher que foi espancada por sua própria mão. Embora possa parecer uma abdução sobrenatural, essa luta de poder se origina dentro do cérebro  do paciente.

Os advogados  de  Aécio Neves e Geddel estão preparando nova apelação alegando que ambos seriam  doentes e portadores dessa síndrome da mão alienígena.  Só  assim deixariam de ser responsáveis pelo que suas mãos fizeram na hora de pegarem as malas de dinheiro. Obviamente, estão contando que a decisão dessa apelação caia nas mãos de  Gilmar Mendes.

3.Delírio de Capgras.

Imagine acordar e perceber que um impostor substituiu seu cônjuge. Essa é a realidade do Delírio de Capgras, um transtorno psiquiátrico ou neurológico raro, mas real. Pacientes com Capgras podem não apresentar outras questões cognitivas, mas estão convencidos de que aqueles que os rodeiam, inclusive familiares, amigos e até animais de estimação, são impostores.

Dizem que Marcela Temer está com esse problema e que passou a desconfiar  de que Temer não  é Temer. Ela jura que o presidente, depois de tantas acusações,  começou  a agir estranhamente  e a dizer coisas esquisitas, inclusive na hora do sexo,  do tipo “Marcela, não finja tão alto assim , isso pode estar sendo gravado!”

Marcela teria procurado em médico especialista que lhe convenceu de que, por enquanto, não há o que  temer ( ou Temer?) . Se houvesse um impostor no lugar do seu marido jamais seria tão bom farsante quanto o original.

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

OS FILMES DA MINHA VIDA

Quinta feira passada, na sede da AML,  o cineasta e escritor, Joaquim Haickel  palestrava sobre o tema Literatura/Cinema para estudantes do Curso de Letras do colégio Pitágoras, quando, após exibir uma preciosa lista de seus filmes preferidos , devolveu a pergunta à plateia. Boa parte desta se manifestou, até que fui instado pelo palestrante a me pronunciar.

A pergunta   não foi difícil responder até porque já havia escrito , no passado, a respeito. Apenas, não me referi ao melhor filme, tecnicamente falando ( mesmo porque me faltam requisitos para tais), mas, sim, aos que mais me marcaram, em diferentes épocas de minha vida.

1.Na infância, Ben-Hur

Difícil descrever o deslumbramento propiciado por esse filme a uma criança do interior (morava em Guimarães) em visita de férias a São Luís. Recordo perfeitamente que, extasiado com o eu via na tela do cine Éden, levado pela minha tia Rosa Ewerton nem percebi que ela se incomodava com o a exibição longa do filme. Ela sugeriu que voltássemos outro dia, mas a criança teimosa e atrevidamente recusou-se, nesse que foi talvez o meu primeiro grito de independência, proporcionado pelo cinema. Pelo cinema, e claro, pela paciência afetuosa de minha saudosa tia.

O segundo capítulo da história foi adquirir um álbum de figurinhas do filme, cujos cromos reproduziam as cenas reverberadas para sempre pela crônica cinematográfica: a corrida de bigas, a guerra nas galés, etc.

 

 

 

2.Na adolescência, Doutor Jivago.

O Doutor Jivago, não foi só um filme monumental,  como os filmes épicos vencedores de Oscars. Havia alguns ingredientes que o distinguiam. A belíssima música de fundo O Tema de Lara que conseguiu a proeza de ser tão executada depois nas rádios quanto as músicas dos Beatles.  A fotografia do ambiente das planícies gélidas da União Soviética, como um personagem à parte, aderidos à beleza selvagem de Julie Christie (Lara), uniam poesia, romance e o drama intenso de uma época revolucionária. Lembro, em especial, da cena em que a plebeia Lara invade, pobremente vestida, um salão de festa da nobreza russa para matar um homem rico que a degradava e prostituía. Após cometer o crime, Lara percorreu o ambiente com uma dignidade intocável que aviltava a pretensa nobreza dos presentes. Jamais uns olhos verdes de tão intensa suavidade serviram de contraponto,  tão bem no cinema, ao desespero de uma mulher com sua sexualidade ultrajada.

 

 

 

3.Na idade adulta, A primeira noite de Tranquilidade.

Desses filmes dos quais não se tem informações e só se entra no cinema porque a noite está tranquila até demais, ou melhor, entediante. Referências, apenas a do ator principal, Alain Delon que não era, necessariamente, a garantia de um grande  atuação. Filme que se revelou, porém, marcante em quase tudo, até mesmo na atriz desconhecida de semblante tão expressivo como a frase que foi dita a respeito do personagem que interpretava “Muito presente, pouco passado, nenhum futuro”, que pareceu se aplicar depois à jovem atriz. Um filme denso, pungente, melancólico, sobre dramas típicos de um casal em dissolução, tendo como personagens principais um professor inteligente e poético e a juventude sem rumo. Segundo Rubens Edwald Filho, Alain Delon com sua soberba atuação, desfez definitivamente a impressão de ter sido apenas um rosto bonito.

Ah, sim, a primeira noite de tranquilidade era a morte.

 

José Ewerton Neto é autor de O oficio de matar suicidas

 

 

AÇAÍ OU JUSSARA?

 

O  MARANHÃO E O PARÁ

 

Maranhão e Pará. De vez em quando surgem,  no meio político-administrativo,  ideias de dividirem os dois estados, o que certamente será uma lástima. Este artigo é só para lembrar que estes, embora separados hoje, comungam de tanta coisa junta  que , às vezes parece que continuam um só como foram, aliás, no princípio.

Eles ( os paraenses) têm um pai com nome de um time, Paissandu. Nós ( os maranhenses) temos um time com nome de pai, Sampaio Correia. Eles têm um que anda de barco, o Clube do Remo. Nós temos um que anda de moto, Moto Clube. Eles jogam debaixo de uma mangueira, o Mangueirão, nós dentro de um castelo, o Castelão. Verdade que eles já disputaram a primeira  e nós nunca chegamos lá, mas será que isso faz diferença, mesmo? O Sampaio, por  exemplo, já foi campeão da quarta, da terceira e da segunda, o que mostra que a primeira é uma questão de tempo. Em compensação, se eles deram Sócrates, o Maranhão deu Canhoteiro. E Canhoteiro foi melhor. Pergunte a Djalma Santos,  aquele lateral campeão de 58 e 62,  que dele levava baile e foi o melhor lateral de  uma Copa por um jogo só. Eles ganham na pontualidade da chuva, nós na do sol. Eles ganham na umidade, nós no vento. Eles dizem que as mulheres daqui são quentes, nós dizemos que as de lá são acesas. Ambos devem ter razão.

 

 

Eles  tem Banda Calypso. Nós temos Zeca Baleiro. Eles têm Fafá de Belém, nós temos Chico e Rogério – do Maranhão. O povo de lá gosta de brega aforrozado, nós gostamos de forró abregalhado. Eles tem Carimbó, nós temos o Bumba-Boi. Eles tem  Amado Batista, nós Alcione. Eles  tem pato no tucupi, nós temos arroz de cuxá. Eles  tem praias de água doce, nós de água salgada. Eles tem o mercado de Ver-o-peso, nós temos um onde não se vê o peso. Eles  tem a festa do Círio, nós temos a de São José de Ribamar. Eles têm índios diversos, nós temos índios de versos ( ou Gonçalves Dias não era índio?).  Por falar nisso em literatura nós damos de 7 a 1 ( não se diz mais dez a zero) com um time da pesada: Aluízio Azevedo, Gonçalves Dias, Sousândrade , Josué Montello etc. etc. Enquanto isso, por lá,  Dalcídio Jurandir, Benedito Nunes e…Melhor parar por aqui.   Já foi dito num jornal ( O Pasquim dos áureos tempos) que cada 10 maranhenses juntos formavam  uma academia de letras, assim como 10 paraenses juntos formam uma feira, onde  5 vendem tacacá, maniçoba e castanha –do-pará , 4 compram e um fica esperando a sobra na cuia. Eles gostam de música das Guianas, nós gostamos de música da Jamaica. Eles o zouk, nós o reggae. Eles tem o maior rio do mundo, o Amazonas. Nós temos o lugar onde mais sobe a crista da onda na América do Sul,  ou  seja, eles ganham no comprimento, nós na altura. Nós temos cupuaçu, eles também, nós temos jacama, eles craviola, nós temos juçara , eles açaí. No fundo – e na barriga – é a mesma coisa, mas os nomes daqui são mais bonitos, não?

Se eles têm a lenda da Cobra-Grande nós temos a da Serpente Encantada. Para  tempos -modernos, se nós temos  bombando na net o Pablo Vittar eles têm a Gaby Amarantos, que canta tão bem que  é bom não E Vitar.

Parece que deu empate. E ainda sobra pra ficar debaixo do boi. De Morros ou do Caprichoso. Sendo assim, para bem de todos e felicidade geral da nação Maranhão x Pará diga ao povo que ficamos por aqui.

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

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O LINGUAJAR MARANHENSE (e nossas lendas)

 

https://www.youtube.com/watch?v=YMRRhkMjt2c

ENTREVISTA AO PROGRAMA AVESSO COM AMÉRICO AZEVEDO NETO EM QUE ME REFIRO Á PRODUÇÃO DE LIVROS SOBRE TEMAS MARANHENSES.

O ABC BEM HUMORADO DE SÃO LUIS, nova edição prevista para este ano

 

e

O ENTREVISTADOR DE LENDAS, ficção científica em que as Lendas Maranhenses falam a respeito de si mesmas

 

 

 

O PERIGO QUE RONDA TITE

 

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Primeiro o trabalho bem sucedido. O reconhecimento. O convite para a seleção brasileira. Vitórias. Celebrações. A partir daí,  podem surgir a santificação e o endeusamento. E é aí que mora o perigo.

Isso aconteceu antes. Com Luís Scolari, o Felipão. A  sequencia acima acontece graças a méritos pessoais, um tanto de sorte e craques excepcionais, quase sempre.  (O futebol, diga-se de passagem, não é uma ciência assim tão difícil  de entender,  como pretendem   os comentaristas de futebol e os técnicos que ganham a vida com isso).

Nem todos os técnicos se mantêm, contudo, vigilantes.  Convivem com a mentira criada  em torno de si mesmos  fomentada  pelos formadores de opinião ,   e daí surgem a  arrogância, a empáfia e a boçalidade. Foi o que aconteceu com Felipão e o resultado foi  o 7 a 1.

Tite, hoje tão elogiado e exaltado, encontra-se na fase da celebração, véspera do endeusamento. Ainda não foi santificado. Por enquanto ainda não. Galvão Bueno, o  porta voz da Nação para endeusamento dos ídolos de futebol, ainda não o proclamou como tal. Deve estar aguardando a Copa.

Sim, porque Galvão Bueno é o arauto nacional para questões de idolatria.  E ele tem esse poder: o de supervalorizar jogadores e técnicos,  poder este que lhe foi concedido pela estrutura de transmissão de jogos da seleção, pela publicidade e pela propaganda. Foi ele o principal  porta voz da onda irracional que promoveu o endeusamento de Felipão, alçando-o de técnico medíocre a gênio do futebol. Ele é especialista nisso, na proeza de  usar seu  patriotismo de araque para seduzir plateias. Samuel Johnson dizia que “O Patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. A frase tornou-se  a cara ( e os arroubos) de Galvão Bueno.

Tite não corre o mesmo perigo, pelo menos quanto à  arrogância.  Ao invés, usa sua fala mansa e repleta de clichês para seduzir seus jogadores. Se ainda não foi contaminado pelo veneno da arrogância  anda se deslumbrado, porém,  com uma certa mosca azul: a do oportunismo. E é aí que mora o perigo.

 

 

Desde o começo Tite privilegiou a convocação de jogadores de seu ex time O Corinthians, não por critérios técnicos , mas, aparentemente,  por simpatia pessoal e amizade. Muitos viram oportunismo e safadeza nisso: ao invés de critérios técnicos Tite estabeleceu uma meritocracia, baseada no oportunismo, para agradar as maiores  torcidas do país, obviamente as que detêm a maioria de formadores de opinião entre os jornalistas. Tite foi capaz de convocar para o gol do Brasil o goleiro Muralha, do Flamengo, um jogador que a própria torcida do Flamengo abomina.

Essa falha foi eclipsada pelos bons resultados.  Mas eis que Tite na última convocação exibiu a mesma sanha “oportunista” – na falta de outra explicação razoável. E foi assim que jogadores como Diego do Flamengo e Cássio do Corinthians foram chamados em desfavor de jogadores como Vanderlei (disparado o melhor goleiro do Brasil)  e Lucas Lima, do Santos,  causando apreensão até nos comentaristas menos fanáticos.

Seria Tite um oportunista nato a favor da idolatria que almeja angariar? Calma Tite, você sabe enxergar onde estão os melhores  jogadores . O trio fantástico Neymar, Gabriel e Coutinho não poderá salvá-lo, sempre, se você não abdicar de convocações baseadas em clubismos oportunistas.  Esse é o perigo que te ronda, Tite.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

 

 

 

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