PARA ONDE IRÁ BELCHIOR?

 

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

Onde andará Belchior?

            7 anos atrás escrevi uma crônica neste jornal com esse título. Era a pergunta do momento, dado o sumiço do cantor que,  em fase de ostracismo, desaparecera misteriosamente.

Jose Ewerton Neto é autor de O oficio de matar suicidas

 

Parecia algo meio bizarro, (o sumiço), mas, de alguma forma, uma atitude  não desgarrada do estilo do cantor e de suas composições peculiares: melodias com letras filosófico-existenciais, num ritmo indefinido que ficava a meio caminho entre balada rock e MPB, sob a batuta  de uma voz anasalada e melancólica.

A estranheza do contexto policial (já que  alguém famoso desaparecera), fazia girar, novamente, como num disco antigo em 78 rotações sempre as mesmas questões  que desde suas primeiras canções mais conhecidas pareciam dançar em torno de um eixo que eram as questões existenciais irresolvíveis de todo mundo: “O que fez Belchior de si mesmo? Por onde andará sua música? E a juventude? E  os sonhos da juventude? (Os seus e os nossos?)”

A solução detetivesca foi até fácil,  sobrepondo-se às especulações que a mídia carreava para valorizar o mistério: estava quebrado financeiramente? Envolvera-se com uma mulher possessiva que o  mantinha afastado da sociedade? Ou simplesmente estava cagando e andando para tudo (esse tudo que, para facilitar, mais uma vez,  estava cheio de nadas)? .

E foi assim: apenas um rapaz (coroa) latino americano sem dinheiro no bolso, prosaicamente instalado em uma fazenda de interior, que a reportagem da televisão encontrou no interior do Uruguai onde deu sua última entrevista conhecida. O mesmo Belchior, o mesmo bigodão que, como o sorriso da Mona Lisa, parecia estar ali apenas para garantir um  mistério.  Talvez porque,  a essas alturas, isso fosse a única coisa que agora lhe restava.  Foi então que ele, como se desculpasse, disse que estava recolhido para traduzir a Divina Comédia, de Dante.

Semana passada, após o anúncio de sua morte,  em um grupo de whats app um de seus fãs,  comentou: “Mais um que não soube lidar com o sucesso, mergulhou-se em dívidas e se desestruturou”. Será que isso é verdade?

Sabe-se que lidar com o sucesso não é próprio de artistas muitos talentosos. Estão aí, só para citar o rock,  vários: Amy Winehouse, Renato Russo, Janis Joplin, Jimmy Hendrix  etc. (O bom livro A vida louca da MPB tem uma fortuna, só com os brasileiros). Na contramão disso, lidar com o sucesso à custa da própria mediocridade ostensiva é muito mais fácil e faz a festa de uma penca, da qual são exemplos caricaturas musicais (e de personalidade) do tipo Luan Santana e Wesley Safadão.

Por essa abordagem Belchior estaria no altar dos  talentosos, pois ligava tão pouco para  a grana que recusou uma oferta milionária, de uma marca de carro muito famosa para reaparecer fazendo propaganda do veículo. Não se pode garantir, porém, que essa condição seja necessária, ou suficiente, para a “grande memória”. E Então, haverá um lugar para ele reservado no panteão dos grandes artistas da MPB?

 

 

 

Sei não. Imagino que desprovido do mistério que lhe serviu  de veste, Belchior agora caminha errante, entre outras boas almas da música brasileira, em algum lugar dessa nova vida espiritual,  (como talvez tenha desejado),  carregando seu alforje;  bigodão bizarro, nome comprido,  versos   filosófico- existenciais, canções sinceras e,  muito bonitas, para muitos!

[email protected]

POBRES PALAVRAS!

 

artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão

Jose Ewerton Neto é autor de

O entrevistador de lendas , ficção informativa sobre as lendas maranhenses

 

 

O que dizer de alguém que, de si mesma,  diz que tem um talento absurdo? ( Suzana Vieira, atriz, durante o Carnaval referindo-se à Ivete Sangalo e a si própria: “ Entra ano sai ano e Ivete continua com aquela voz incrível e eu com meu talento absurdo”). Tanta pretensão torna difícil encontrar uma palavra que expresse o exagero do que foi dito em relação à cantora baiana e o “absurdíssimo”  em relação a si mesma. Qual a palavra mais apropriada, então, para esse tipo de  fala/atitude: Arrogante, Iludida, Tola ou…?

Óbvio  que não há termo adequado – o buraco é mais embaixo -, mas alguém poderia tentar explicar tanto descalabro argumentando que as pessoas perderam o senso e,  na ânsia de promoverem o ego em polvorosa,  elogiam-se antes que outros o façam,   mas isso não vem ao caso. O que acontece é que, se pensarmos bem, de repente, faltaram as palavras. Ou, por outra, as palavras  existem, mas já não são suficientes, como se estivessem cansadas das pessoas, que se tornaram cada vez mais risíveis, grotescas e distantes da semântica original  que introduziram nos símbolos para classificarem a si próprios. Teriam as palavras se enfraquecido a ponto de perder o significado diante da hipocrisia com que os seres humanos  investem em si mesmos?

Isso fica evidente quando se tenta encontrar um termo que classifique os políticos que, diante de uma acusação comprovada (na lava-jato, por exemplo) negam a acusação apesar das provas cabais. Dizem “Não sei” com a mesma facilidade com que disseram sim à ambição desmedida, chegando ao cúmulo de, no caso de Henrique Eduardo Alves, insistir em falar que não sabe de onde surgiram  800 mil dólares depositados em sua conta. E, como fingem não se dar conta da realidade, fingem  também não ter consciência do crime que praticaram ( que é da mesma envergadura que a de assassinos cruéis porque, metendo a mão no dinheiro que seria usado para salvar vidas (saúde) ou solucionar futuros (educação), igualam-se  a eles). Diante de tanta negação alguém exclamaria: É muita cara de pau!

Mas, cara de pau, apenas? A expressão, agora débil em sua representação, surge inesperadamente vã diante do cinismo da atitude. Como encontrar um termo capaz de dimensionar um tipo que age assim? Insensível! Torpe! Corrupto? Qualquer um, vá  lá!. Por insuficiência um deles poderia até quase se encaixar, mas uma coisa é certa: a palavra CORRUPTO!, essa  eles tiram de letra!.

A julgar pela reação de alguns dos acusados da lava-jato, poucos se constrangem com isso, pelo contrário, para eles tanto faz serem acusados de Corruptos como ganharem apelidos degradantes e pouco sutis da Odebrecht. No submundo de seus desejos inconfessáveis vai ver que Corrupto lhes soa até bem, como um cognome afetuoso. Talvez se cumprimentem assim, convivam assim, quem sabe de noite na cama suas mulheres os tratem por COCÓ (abreviação carinhosa de corrupto) e, em meio ao êxtase por haverem chegado a esse ponto,  do alto de suas canalhices  deem até  gargalhadas de desprezo aos que querem prendê-los, como Sérgio Moro.

Suas o quê? Canalhices?! Ora, canalhice também soa amena e insuficiente. Pobres das palavras! Perderam para a desfaçatez humana.

[email protected]

BALEIA AZUL , o OFICIO DE MATAR SUICIDAS

A respeito do  Baleia Azul, um trágico jogo da Internet que induz adolescentes ao suicídio, lembro de que em recente palestra sobre literatura com estudantes do Ensino Fundamental (como parte de bem-sucedido projeto promovido pela AML) uma jovem quis saber de onde me veio a ideia original do livro O oficio de matar suicidas.

 

 

Respondi que a ideia surgiu desses momentos em que você se sente do lado sombrio dessa bipolaridade tão própria da juventude,  que fazem passar da euforia para a angústia em poucos segundos e que, quando se permanece desse lado por algum tempo mais que esses poucos segundos, é fatal que você chegue até a : “E então, será que se matar, não  seria a solução?”

No meu caso, o momento soturno passou depressa, como passam as sensaborias da vida postas em seus devidos lugares, mas a ideia permaneceu  até gerar a concepção da trama de O oficio de matar suicidas trazendo em seu bojo a epopeia de um matador de suicidas errôneo e atrapalhado em si mesmo; no desmantelo de sua personalidade já denunciando o equívoco da elucubração dos momentos tensos e denunciando,  como apontou José Louzeiro, mais que um sofrimento pessoal,  a  degradação  a que somos submetidos quando, ao buscar soluções, nos defrontamos com seres humanos execráveis e espetáculos de bizarria que nos são impostos pela farsa cotidiana que sobressai na mídia.

Daí que, no livro, a tragédia daquele que se oferece para ajudar suicidas indecisos se torna cômica, amenizando a morbidez do tema, como publicou no passado Ferreira Junior e, recentemente, o blog português de literatura Deus Me Livro  “Embora o contexto seja depressivo e obscuro,  o autor  tem o mérito de transformar este romance policial numa narrativa mergulhada num humor negro, que permanece até à última página”.

O certo é que a realidade imitou a ficção e vários episódios de suicídio contratado real se sucederam,  extirpando, porém,  o que na ficção era irônico e risível e mostrando que os matadores de suicidas atuais  já não esperam por um chamado mas se impõem, conclamam e obsidiam os  suicidas em potencial.

A Baleia Azul ou que nome se dê a isso, não passa de um matador de suicidas  às escâncaras,  escolhendo propositadamente os jovens porque sabe onde grassam  as maiores vítimas desse “êxtase com a  desesperança” por ser a juventude “Uma travessia em que se vai tantas vezes da morte à vida em poucos segundos que se tem a ilusão de que se atinge o dom da eternidade, por se ter ido e voltado tantas vezes quantas se quis”. E,  sendo um tipo de matador que se aproveita dessa ilusão efêmera alheia, deixa de ser um matador de suicidas, para ser  um assassino cruel – e bote crueldade nisso. O que motivou uma pergunta ainda não respondida e que me foi exposta na indagação simplista de um amigo:

Se o assassino está à solta, porque não se mata o assassino? Porque se os jovens estão sendo covardemente induzidos a isso, não se trata de suicídio, mas sim de assassinato.

Traduzindo em miúdos, isso significaria também perguntar: “Ué, se o malfeitor é um programa (site, sei lá)  que já prejudicou tanta gente inocente,  porque ainda não foi excluído da net ou das redes sociais?”

O que, perdurando sua expressão incrédula, continua  a deixar estupefatos tanto ele, como eu, como também a você, que não entendemos de leis, de juízes, de policiais  ou de Internet.

[email protected]

Jose Ewerton Neto é autor de O oficio de matar suicidas

 

 

CAIXA 2 e outras caixas

 

Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

 

Quem diria que  certo tipo de Caixa, (a 2),  se tornaria a celebridade mais comentada deste país. Perto dela, não tem pra ninguém! Mais  comentada do que Tite, mais execrada do que Dilma e mais indecifrável do que a Previdência de Temer, a CAIXA 2 rapidamente sobrepujou o ostracismo a que estavam relegadas todas as caixas, reabilitando-as para a sociedade. Nada como fazer um breve apanhado dos outros tipos até chegar ao seu grand finale.

1.Caixa-Prego. Este tipo de caixa é adotado como expressão linguística, que remete a algo inacessível, ou longínquo. É para onde a gente gostaria de mandar certos políticos, ao invés de ser um dos locais preferidos para onde eles mandam o nosso dinheiro.

2.Caixa. Propriamente dita, na sua forma mais conhecida pressupõe uma embalagem de madeira, papel ou de papelão, onde se coloca o que quiser.

3.Caixa. Na sua segunda forma. mais usual, o conteúdo da embalagem é humano e, neste caso, temos diversos tipos de caixa que somem com o nosso dinheiro; no supermercado, nas lojas  ou nos bancos sempre obedecendo  à famosa LEI DO CAIXOTE HUMANO que condena os humanos ao Encaixotamento, segundo  se enuncia:

“Um ser humano, é um ser definitivamente encaixotado pois  jamais consegue se  livrar  de  uma  caixa – ou da fila da mesma, nem no seu enterro. Neste caso, a caixa passa a ser chamada de  Caixã-o.

 

4.Caixa Econômica. Dispensa comentários. É um banco. É aquela caixa que tem o apelido de econômica, mas na realidade, quem tem que fazer a economia por ela é você. Todo mundo sabe onde está e para que serve,  só não sabe é o que ela faz com nosso dinheiro, como, também,  porque você tem que ficar esperando horas e horas, até para ir buscar sua própria grana .

  1. Caixa 2. Finalmente, aquela que está nos comentários de todas as bocas deste país. O que significa? Bem, não é tão fácil de explicar. Seu nome parece ter a ver com mais um desses apelidos que inventam para ladroagem.  Assim como os delatores da lava-jato apelidaram seus corruptos de Flamenguista, Vizinho, Helicóptero, Amigo ou Todo Feio, a Caixa 2 parece já ter sido criada com essa vocação. O que dela se sabe: Aparentemente um empresário que tenha interesse em ganhar qualquer licitação, ou obter favores,  finge estar dando grana pra um partido político, mas na realidade está pagando propina para que esse político possa transferir essa grana  para outro tipo de caixa: a Caixa-Prego, geralmente na Suíça.

Segundo o delator “não há político eleito neste país sem Caixa 2”, o que significa que o político brasileiro, em média,  virou  um tipo de gente que, embora tenha outra formação, acaba sendo um especialista nesse tipo de Caixa. A coisa deve acontecer de tal forma que um futuro político (geralmente filho de um político) começa esse aprendizado desde cedo, ainda criança. Por exemplo,  quando recebe um presente de Papi Noel, dentro de uma caixa a criança remove a tampa e pergunta, surpreso.

-Pai, o que é isso dentro da caixa? Não foi isso que pedi pro Papai Noel.

O pai, afetuoso  responde, compreensivo.

– Isso é um número 2, meu filho. Não se zangue. Parece que a tia não lhe ensinou direito, mas comece logo a brincar com esse dois dentro dessa caixa. Um dia você vai ficar rico com isso.

Resumindo: eles é que se divertem com Caixas e nós é que  ficamos Encaixotados.

José Ewerton Neto, é autor de O entrevistador de lendas

 

[email protected]

A NOVA ONDA DO SEREISMO

 

As melhores notícias da semana com comentários de Juca PolincÓ ( o filósofo Politicamente Incorreto da Periferia)

 

 

Hoje, 20 de abril

 

A atris Ísis Valverde está encantada com a moda que está bombando em todo o país a partir de sua personagem na novela da Globo. SEREISMO, assim se chama a novidade.

Comentário de Juca:

SEREISMO, vem do verbo SEREIAR e deve ser ser conjugado assim:

Eu sereio ( não confundir com eu serei eu, que é justamente o oposto)

Tu sereias

Ele sereia ( só pra bicha…)

Nós sereiamos

Vós sereiais ( nada de cereais)

Eles sereiam  …………….. etc. etc.

 

Mas esse tipo de mistura de metade do ser humano com metade de criaturas do mar não é novidade: Já havia O TUBARONISMO, metade Tubarão, metade gente que também está na moda e vem sendo praticado recentemente por políticos, como os do lava-jato.

A diferença é que a sujeira trazida pelo Tubaronismo não tem lava-jato que lave. Aliás , nem todo o Oceano”.

 

Hoje, 17 de abril

Romero Jucá, que recebeu 5 milhas de propina disse que MP a 150 mil não se vede nem na Feira do Paraguia.

Comentário de Juca:

Romero sabe do que está falando. A julgar pelos delatores, na Feira do Congresso uma MP deve valer 50 vexes mais. A única MP de 150 mil que ainda se encontra é a MP

del Nero ( de Marco Polo del Nero), presidente da CBF, mas esse ninguém sabe onde está vendendo. Favor não confundir Medida Provisória com Medida de Propina, mas qualquer semelhança não é mera coincidência.

Hoje, 15 de abril

Analista político de um programa de debates da TV refletiu que ainda bem que não houve o trem bala! Senão teria havido, mais propina, mais lava jato, mais delação, mais prejuízo.

Comentário de Juca:

Não nasceu o trem bala , mas isso não significa que não tenha jorrado propina. Propina no Brasil é como espermatozoide: antes de nascer o evento depois de 9 meses, há muito que gerou grana no bolso do corrupto. E, como todo mundo sabe,  a velocidade da corrupção deixa a de  um trem bala longe. Não dá para competir.

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

A força do coração

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

O coração. Esse mesmo,  de quem tanto se fala e pouco se conhece. E nem estamos falando, (embora fosse oportuno e desejável)  do Sagrado Coração nestes dias de Páscoa. Porque é hora de lembrar, antes que seja tarde,  do seu coração, caro leitor, justamente porque este também tem um pouco de sagrado, pelo simples fato de fazer com que você viva. E, ainda mais, por isso e por isso:

1.”Todos os dias da sua vida o seu coração cria energia suficiente para impulsionar um caminhão por 32 quilômetros. Por toda a sua vida, essa energia seria suficiente para conduzir aquele caminhão à lua, de ida e volta”.

E tanta gente, ao invés de pedir socorro ao seu próprio coração tão forte, prefere pedir socorro a um analista,  ou a outro babaca qualquer, escritor de autoajuda. Pobre coração de todo mundo! Jamais será reconhecido como deveria. Santo de casa, não faz milagre!.

2.”Seu coração bombeia sangue para quase todas as células. Um feito impressionante, considerando-se que existem cerca de 75 trilhões delas”.

Enquanto a maioria de nossos políticos, fajutos e sacripantas,  coleciona trilhões de reais no paraíso fiscal, seu modesto coração, ele mesmo, coleciona células. Creia, não se sinta  tão inferior a qualquer um que colecione cédulas ao invés de células. Você tem um grande coração, e basta!

3.Apenas as nossas córneas não recebem suprimento de sangue.

Quando se diz que alguém tem o olhar sanguíneo, o falante pode até saber o que está dizendo, mas nunca o que está olhando.

4.De todos os nossos músculos, o coração é o que faz o maior trabalho físico

Nem por isso este grande batalhador se aposenta mais cedo (e quando manifesta essa vontade, é um Deus nos acuda!) . É o equivalente no corpo humano do oprimido trabalhador. E  tal e qual, continua a carregar o resto,  com reforma ou sem reforma da Providência. .

5.”Durante um período de vida normal, o coração bombeará cerca de 1.5 milhões de barris de sangue – o suficiente para encher quase 200 vagões-tanque em um trem”.

Isso mesmo, amigo leitor. Faça de sua vida um trem que valha a pena. Acorde, bombeie mais um vagão, siga em frente e seja o melhor passageiro de si mesmo.

5.”O primeiro coração – um minúsculo grupo de células – começa a bater já na quarta semana de gestação”.

 

 

 

É quando seu coraçãozinho começa a resolver seu primeiro dilema filosófico existencial: a questão shakespeariana do ser ou não ser,  e decide que você é.

6.”O maior coração do planeta pertence à baleia azul, e pesa 680 quilos”.

Isso quando ela não está apaixonada por algum cachalote. Nessa ocasião seu peso dobra, como bem sabem as mulheres.

7.De todos os dias do ano, o Dia de Natal é aquele em que ocorrem a maioria dos ataques cardíacos, seguido por 26 de dezembro e Ano Novo.

Não sendo possível atravessar  normalmente de um ano a outro através das pontes que levam de uma etapa para outra, os corações sofridos apelam para outro tipo de ponte. De safena.

8.”Se você apertar uma bola de tênis com toda a sua força, perceberá o árduo trabalho do coração para bombear sangue, todos os segundos, todos os dias.

9.”Normalmente, o coração das mulheres bate mais rápido do que o dos homens”.

Uma questão de sintonia. Se assim não fosse seus corações estariam algumas palavras atrasados em relação à velocidade de  suas falas.

José Ewerton Neto, autor de O entrevistador de lendas

 

 

 

 

O latim da lava jato

artigo publicado no jornal o estado do Maranhão

Habeas corpus, corpus delicti (corpo de delito) são expressões latinas que se tornaram comuns no nosso quotidiano depois do lava jato. Existem outras,  menos conhecidas, porém igualmente apropriadas.

1.Tempora mutantur…

Os tempos estão mudando. Dita pelo imperador Lotário, a frase se completa com: Todas as coisas mudam e, nós, nelas também mudamos.

“Essa frase  soaria como  uma boa advertência para os políticos corruptos envolvidos com a lava jato e seus aprendizes.  Parece que não se deram conta de que os tempos mudaram”.

2.Tábula Rasa

Tábula rasa, ou tábua rasa, como queiram.  O filósofo Platão compara a alma humana, ou uma mente, com uma lousa, que é escrita apenas com a experiência de vida.

“Os corruptos brasileiros tendo a própria lousa impregnada de imundície (mente suja), literalmente limparam completamente não suas mesas, mas as  dos eleitores que neles votaram”.

3.Sic transit gloria mundi

Assim passa a glória do mundo. Foi escrita pelo místico holandês Tomás de Kempis em seu livro Imitação de Cristo, mas a fase é extraída, na verdade, de uma cerimônia romana na qual um escravo precedia o desfile triunfal de um general vitorioso através da cidade, lembrando-lhe a fugacidade de todas as coisas e da própria fama.

4.Abissus abyssum invocat

Um abismo chama outro abismo. Originada do salmo 42,  do Antigo Testamento quando o orador  expressa seu sofrimento.

“Expressão tão dolorosamente incisiva como o abismo causado pela administração petista, cuja consequência  foram abismos sucessivos, nos quais ainda estamos enfiados.”

5.Argentum hoc facit

O dinheiro faz isso. A expressão foi usada na comédia O homem das 3 moedas, de Plauto, quando um ladrão elogia sua nova roupa .

“Expressão contundente em sua simplicidade. Nos múltiplos exemplos da lava-jato o dinheiro fez muito mais pró-bandidagem que a falta de dinheiro. Todos os ladrões eram gente conhecida e que não tinham necessidade de dinheiro”.

6.Avaritia omnia vitia habet

A avareza tem todos os vícios em si. Essa frase, de Catão, aparece em sua obra Carmen de moribus.

“A lava-jato comprovou que a avareza tem todos os vícios e mais um: o da NEGAÇÃO. Todos negaram diante das evidências, classificando a si próprios não mais como avaros e gananciosos,  mas como desprovidos de dignidade, decência e caráter. “

7.Doses facit venenum

A dose faz o veneno. Muitos medicamentos se tornam venenosos quando ingeridos em grande quantidade.

“Poucas atitudes nesse triste episódio foram mais  indicativas de uma dose extra de veneno que a descompostura de Lula ao atacar o juiz Sergio Moro e a lava-jato acusando-os de falta de vergonha.  Ao que tudo indica Lula foi consumido pelo veneno de sua própria cobiça.”

  1. Vade retro Satanás!

 

 

Vai-te daqui Satanás. Esta expressão remonta aos evangelhos de Marcos e Mateus e referem-se às palavras de Cristo diante de um Satanás tentador.

“Assim deveriam   clamar todos os brasileiros, em uníssono, num ato de exorcismo comum contra  a disposição de Gilmar Mendes e Renan Calheiros de apelarem para o tal abuso de autoridade. (Que não passa de mais uma artimanha  engendrada por mentes  maquiavélicas para arrefecer o ânimo do brasileiro  de enquadrar definitivamente os corruptos).  Vade retro Satanás!

E que Deus nos ouça!”

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de Lendas

 

 

 

JOSÉ MAYER TEVE UM SURTO DE JOSÉ MAYER

As melhores notícias e frases da semana que passou com comentários de Juca PolincÓ ( o filósofo politicamente incorreto da Periferia)

Hoje, 9 de abril

Mariana Goldfarb, namorada de Cauã Raymond, esteve nos lençóis maranhenses esta semana.

Nesse cenário de deslumbrante beleza posou para fotos ao lado do namorado

Comentário de Juca:

” Tá bom de As agências de Turismo de Barreirinhas pedirem emprestada uma foto da modelo para promoverem a região com o seguinte slogan:

 

 

LENÇÓIS MARANHENSES, os melhores lençóis do mundo para não cobrir o corpo de sua amada!

2. José Mayer, galã da Globo, que foi acusado de assediar sexualmente uma das profissionais da Rede Globo. Hoje, fez carta pública pedindo perdão.

 

 

Comentário de Juca:

“José Mayer, que já tem 65 anos, pode alegar em sua defesa que teve um surto de Alzheimer e pensou que ainda tava na novela quando as gostosas da Globo dão pra ele com a maior facilidade. Enfim, teve um surto de José Mayer.

Se não acreditarem ainda pode alegar que teve um surto não de ALZHEIMER , mas de ALZH-MEYER., contra esse não pode tomar remédio. Pelo  menos, ele”.

3.Ezequiel Teixeira (PTN-RJ), autor do projeto cura-gay foi escolhido para líder da Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados do Rio

Comentário de Juca:

Explicação para a escolha:

“Das duas uma, ou cura-gay virou modalidade esportiva e é medida em quantidade de gays incuráveis ( Ezequiel Incluso) ou estão botando Ezequiel para servir de alvo no Campeonato Olímpico Gay de Tiro ao Alvo.

 

 

 

EU VI O MELHOR DOS FAROESTES

O melhor filme de faroeste que vi foi O homem dos vales perdidos, mas jamais houve filme com esse nome.

Seus outros dois títulos foram, Shane, que ganhou vários Oscar   e,  na versão em português,  Os Brutos também amam ( melhor, aliás, que o original em inglês).

Não vi o filme na tela, repito, mas isso não significa que não o tenha visto e me deslumbrado. Porque o vi de uma forma que hoje já não há: quase um livro, sem ser um livro; quase um filme, sem ser um filme.

 

 

Explico: nos idos dos anos 60/70, uma editora de origem mexicana, acho, chamada Editormex publicava revistas que reproduziam com fotos originais, em quadrinhos, a mesma sequencia  dos filmes de sucesso,  e eu, adolescente, logo me tornei viciado nelas. Como não ficar? As revistas reproduziam os filmes tais e quais, reproduzindo os diálogos e acrescentando comentários à narrativa, quando necessário, a cada cena fotografada. Pude levar para casa vários  filmes de Tarzan, e faroestes clássicos como Pistoleiros do entardecer e O último por do sol. Tarzan virou Antar e Shane (Os Brutos também amam)  virou O homem  dos Vales Perdidos. Pelo belo achado do título  se deduz que quem fazia as versões dos títulos e os comentários entendia do ramo. Era fatal que um jovem apreciador de filmes e de livros  ficasse seduzido.

O homem dos vales perdidos tocou-me, porém, de uma forma especial,  a ponto de mandar encaderná-lo com mais quatro filmes de que mais havia gostado. Guardei o volume com carinho  mas um dia, após minhas idas e vindas ao Rio para concluir os estudos, descobri que havia sido extraviado. Foi como se tivesse rompido um dos alicerces do melhor da minha memória infantil.

Anos mais tarde, encontrei numa locadora o filme e, um tanto desconfiado ( temia me decepcionar) o levei para conferir.  Mas qual!, as imagens em tecnicolor  , embora magníficas, contrastavam com o preto e branco da revista, e tornavam a sequencia um tanto ‘adocicada’ e menos densa. Não vi reproduzida na tela da tevê  a tensão tantas vezes vista no passado, quando era possível perdurar  o olhar em cada foto e captar a grandeza íntima de cada personagem em imagens que, a meu critério,  tanto podiam se mover  como se estratificar. Interrompi a exibição e prometi sair  à caça da emoção perdida.

Há coisa de um mês,  tive a feliz ideia de recorrer novamente à Internet e eis que encontrei, após várias tentativas infrutíferas, um exemplar de  O homem dos vales perdidos num sebo do Rio de Janeiro. Quando contemplei  a revista em minhas mãos não pude evitar o ritual de admiração e emoção que se anteciparam à leitura. Só então, pude rever o filme/revista  que,  com a mesma intensidade de antes comprovava o talento anônimo de quem fazia os comentários. P. ex. Na impactante foto ampliada da cena  em que  Jack Palance ( que personificava o símbolo da maldade no pistoleiro Wilson)  escancara o  seu sorriso de cascavel, trespassando a foto para sibilar a fragilidade do pobre posseiro

 

friamente executado, o narrador comenta: “Foi um brinquedo para o pistoleiro. Um brinquedo selvagem que encheu de alegria o seu coração de bandido”.

Enfim, o melhor filme de faroeste que vi,  sem ter assistido, agora está novamente em minhas mãos

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas

[email protected]

 

 

 

DE POLITICÍDIO A PEDOBOLIA

 

As melhores notícias da semana comentadas por Juca Polincó

(O filósofo politicamente incorreto da Periferia)

Hoje, 25 de março

 

A TERCEIRIZAÇÃO, proposta pelo presidente foi aprovada na Câmara. Com isso todas as atividades trabalhistas de uma empresa poderão ser terceirizadas e estas por sua vez quarteirizadas.

E assim por diante…

Comentário de Juca:

” Como o trabalhador terceirizado já ganha 25 % a menos de que seria pago a um trabalhador da própria empresa  é de se esperar que quando chegarem ao trabalhador “octorizado” este tenha que pagar para trabalhar, certo?

Com tanto entusiasmo pela ideia  Michel Temer poderia começar dando o exemplo:

Que tal terceirizar a Primeira Dama?”

 

Hoje, 23 de março.

Frase:

” A levar dessa maneira, em breve vamos ter um um POLITICÍDIO ” Danilo Fortes, do PSB, reclamando da lava-jato.

Comentário de Juca:

“Só um político forte como Danilo,( que não é só um Forte, mas vários) para sugerir uma solução tão Forte  para os problemas brasileiros.

 

Vai que a coisa desse certo, não é?

Como diria Drummond :  Não é uma rima,  mas será que não poderia ser  uma solução?”

 

Hoje, 21 de março

Frase De José Bartochio, advogado de Antonio Palocci, sobre o apelido de Italiano, dado a ele pela  Odebrecht: “É só um apelido em busca de um personagem.

Comentário de Juca:

“O Brasil de hoje tem até apelido buscando  personagem. Devem ter aprendido com a cambada de personagens em busca de apelido, na mesma Odebrecht.

A única diferença é que os apelidos têm muito mais vergonha  que os personagens”

Hoje, 18 de março

O promissor futebolista maranhense Manu, de apenas 11 anos e que treinava no Grêmio fez uma visita ao Barcelona e não voltou mais. O Grêmio acusa o Barcelona de assédio ao garoto e quer ele de volta

Comentário de Juca:

PEDOBOLIA, nome criado  neste momento, é uma mistura de Assédio a menores de idade + bola de futebol o que dá  Pedobolia.

Este caso é o segundo do Barça, mas então não era chamado de PEDOBOLIA, mas sacanagem mesmo.

A questão é que o assédio tá dando orgulho em toda a família do menino e nos maranhenses em geral, porque todos pensam assim:

Mas não é muito melhor sofrer um ataque de PEDOBOLIA do Barcelona do que o garoto ficar no Grêmio, com um monte de pernas de pau e sendo assediado e ludibriado por cartolas?”

José Ewerton Neto é autor de

O ABC bem humorado de São Luis

Rolar para cima