FRASE BESTA

Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas

 

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De vez em quando, alguém que pretende se colocar num patamar superior,  de onde possa contemplar abaixo pessoas, a seu ver, carentes de atributos físicos, comenta: “Que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental”.

E para isso se socorre dessa  frase,  do poeta Vinícius de Moraes que, de tão repetida, virou clichê, sem se dar conta de que, ao pronunciá-la, se torna tristemente feio (dessa feiura que se apropria daquele  que  não sabe o que diz), fazendo  com que outro alguém, atentando à sua figura , constate  estar diante de um paradoxo: “Como um sujeito feio desses tem a coragem de criticar as mulheres feias?”.

Neste ponto cessa a incoerência para imporem-se a pretensão e o oportunismo. O repetidor  ‘aluga’  o talento de Vinícius de Moraes para doar-se a aura de sapiência e infalibilidade, justificando-se, nas entrelinhas : “Não sou eu quem estou achincalhando uma grande parte das mulheres, mas o poeta. As feias que me perdoem”.

Como se um grande artista, como Vinícius de Moraes,  não pudesse criar uma frase, no caso um verso,  indigno de si, caso tenha se referido apenas ao aspecto físico.  No plano  sentimental a expressão não faz jus, sequer,  à sua fama de mulherengo e apreciador de mulheres . Isto porque um grande amante e conquistador (leiam livros que esclareçam  a psique do Don Juan, especialmente o romance Casanova de Andrew Miller) ama todas as mulheres e não apenas uma. A mulher que um homem galante privilegia  tem na beleza física apenas um detalhe,  porque ela é a representação de todo o  gênero feminino em uma só. Esse é o seu dom. Não há na boca do verdadeiro conquistador  palavras de desprezo a  um determinado contingente das mulheres, só elogios.

Se no plano sentimental é frase é infeliz, no plano poético é mais ainda, porque “O que é mesmo a beleza?” A interpretação corrente é a de que o poeta  estivesse se referindo ao aspecto físico,  então porque teria usado o termo beleza  de forma tão limitadora?

E, depois, o que o credenciava a falar das mulheres com tal autoridade? Em que medida as mulheres do mundo, supostamente desprovidas de encanto,  foram atingidas por seu insulto a ponto de ser necessário pedir perdão ? Não sendo isso suficiente, há de se acrescentar ao ato falho  mais um ingrediente : a arrogância, já que no conteúdo da frase há um desprezo machista à todas mulheres, não somente às feias (que só as muito ingênuas não conseguem alcançar).

 

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Justamente porque a beleza é esse dom praticamente indefinível que não está ao alcance da interpretação de qualquer um. Que existe de mais belo do que as  mulheres de rostos ovalados e com os olhos vazados do pintor  Modigliani? E, no entanto, para o entendimento de muita gente são expressões de feiura  e não de beleza. Evidente que Vinícius de Moraes, um grande poeta,  devia saber disso. Presumir o contrário seria desqualifica-lo como homem sensível e como um apreciador do sexo feminino.

Falha pior que a do  poeta,  no entanto, cometem aqueles que,  sequer tendo a preocupação de serem originais,  repetem a frase  à exaustão, tornando-se cada vez mais parecidos com o que vivem repetindo: uma grande besteira!

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FELICIDADE OU MORTE!

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Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem humorado de São Luís

 

Felicidade ou morte é o título de um dos livros da lista brasileira de best-sellers de autoajuda. Portanto, caro leitor, seja feliz ou morra, mas, se preferir,  compre depressa o livro e saia por aí dizendo que é feliz. Caso se sinta longe disso, minta que é feliz, grite que é feliz, jure que é feliz. Ou isso ou a morte. Qual dos dois você prefere? Claro que não é a morte, não?

 

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Mas, pera aí. Pense, por alguns segundos, que Suzana Vieira se diz feliz, Galvão Bueno também, e Renan Calheiros, e Nicolás Maduro, e Donald Trump.  Hum…E aí? Tem mesmo certeza de que vale a pena ser feliz? Enquanto isso:

Fomos encontrar a Felicidade. Ela própria. Soubemos que está depressiva e fomos saber o que ela pensa a respeito de mais um livro sobre si. Estava pronta para desabafar.

– Não aguento mais.

            – O quê, precisamente, Dona Felicidade?

            – Tanta gente obsessiva atrás de mim. Tanta procura,  tanta adulação, tanta loucura. Tanta gente que diz que me possui. E, pior, sequer sabem o que sou e quem eu sou.

            – E quem você é?

            – Isso é o que eu gostaria de saber. Todos tentam me explicar: filósofos, médicos, escritores, psicólogos, cientistas… Séculos e séculos dedicados a isso, em vão. Só palavreados pra lá e pra cá. Se felicidade é isso que todo mundo pensa que eu sou, desconfio de que nunca fui feliz e nunca vou ser.

            – Se a sra. me permite, estamos diante de mais um problema de identidade. Isso costuma ser grave nas pessoas sensíveis como a senhora.

            – Se fosse apenas isso… A questão é que, mesmo sem saber quem sou me procuram como se eu fosse a chave da salvação para tudo e todos. De repente, me julgam capaz de resolver todos os problemas do mundo.   Ora, eu não sou Deus! Não posso livrar alguém de suas muitas mortes. Definitivamente, não sirvo pra isso.

            – Muitas mortes!? Julgo que estou entendendo a senhora. Não há só uma morte, mas várias, e cada  ser humano é senhor das suas, desde que as enfrente. No entanto,  transferem todas as suas mortes para a senhora. Tanta carga lhe fez sobrevir o estresse, não foi?

            – Estou pra ficar louca com tudo isso!

            -Poxa, dona Felicidade! Como chegaram a tanto, como isso foi possível? Vejo-a extenuada, cansada, pressionada por tanta incompreensão. Não sei o que dizer… Talvez… Bem, só me resta sugerir…

            – O quê, pelo amor de Deus!

            – A sra. deveria procurar um analista, Dona Felicidade. Claro, nem todos se dão bem, mas para muitos funciona. .

            – Jamais! Conheço-os muito bem: eles me usam de forma imprópria, como remédio para seus doentes. Dizem: “procurem  dona Felicidade, ela resolverá seus problemas”. Ora, como um remédio pode procurar  a si como remédio?

            – A sra. tem razão, desculpe minha insensatez. É que me causa amargura lhe ver assim, infeliz. Queria muito que a sra. continuasse feliz. Para bem da vida humana, pelo menos. Senão…

            – E quem lhe disse que me incomoda ser infeliz? E por que a morte me assustaria? Acredite, com tanta gente falando asneira a meu respeito, dia e noite, até que gostaria de ser infeliz, só para que me deixassem em paz, compreende? Estou prestes a adotar um lema: Infelicidade ou morte!

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Ronaldo + (Brad Pitt – Angelina) = ?

AS MELHORES NOTÍCIAS DA SEMANA

comentadas por Juca Polincó ( o filósofo politicamente incorreto da periferia ).

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1.Anunciada a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt

Comentário de Juca: ” E agora, o que vai ser da minha fantasia sexual? , sem os dois?”

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2.Depois que Alexandre Borges imitou Ronaldo, o Fenômeno e foi pego com dois travestis , num vídeo que bombou  na Internet, a Globo vai retirá-lo das novelas por um tempo para poder ‘descansar” a imagem.

Comentário de Juca:

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3.Cantor de forró chamado Jonas Esticado faz muito sucesso no interior do nordeste e pretende fazer sucesso nacionalmente.

Comentário de Juca:

“Esticado esse rapaz,né? Mais esticado do que ele só…”

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Até a próxima semana.

Ass. Juca

 

DE VOLTA A BEN-HUR, o filme

 

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Tivesse eu que apontar 3 filmes marcantes em diferentes fases de minha vida eu escolheria sem pestanejar: Ben-Hur na minha infância; Dr. Jivago na adolescência e A primeira noite de tranquilidade na maturidade. (Maturidade, como se sabe, é aquele breve intervalo de vida que sobra, após a eternidade da juventude).

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Ben-Hur e Dr. Jivago foram filmes premiados com vários oscars. A primeira noite de tranquilidade, sequer pertence aos cânones dos críticos de cinema. As razões de minha escolha fogem à objetividade da análise dos entendidos em cinema e prendem-se às sensações que os cristalizaram em minha memória  por diferentes motivos. Isso é assunto para outra crônica, mas que outras sensações, além das existentes somente na infância, são capazes de perpetuarem-se a partir de um êxtase?

Ben-Hur não representou para a minha formação infantil apenas um filme assistido e admirado, porém uma descoberta. O glorioso impacto deu-se quando descortinei,  à vista daquela tela, cenas memoráveis quase ao alcance da mão. Lembro-me de que então, de férias em São Luís, vindo de Guimarães onde morava, minha tia Rosa Ewerton, que era professora, me levou ao cine Éden, onde Ben-Hur permanecia em cartaz. A fita teve uma duração longa e ela, ou porque não tivesse se prevenido ou porque não contasse com minha reação de não arredar o pé de frente da tela, acabou chegando atrasada à sua aula.

Além do filme, havia mais: um álbum de figurinhas onde se reproduziam cenas do filme e que eu passei a colecionar,  e a colar com afinco , tornando possível sedimentar ainda mais o entusiasmo alcançado. Agora sim, eu tinha à minha mercê para contemplação a hora em que bem entendesse, a disputa entre o bem e o mal  travada entre dois heróis em que, surpreendentemente, nenhum parecia monstro ou bandido:  Ben Hur e Messala;   a corrida de bigas, o sofrimento nas galés, a sorte, a esperança , a transcendência, a generosidade, o medo, o abraço, o milagre.

Quando vi há duas semanas nas páginas de Veja o anúncio do filme, descobri, a seguir, que já estava em cartaz nos cinemas da cidade. Hesitei em me decidir a vê-lo, com receio de macular todo o encanto que um dia sentira, embora, no fundo, eu soubesse que iria. Existe um jorro  incontrolável que nos leva de roldão ao encontro do que nos magnetizou um dia, sem que possamos recuar.

Claro, não assisti o mesmo Ben-Hur, nem senti igual  deslumbramento , mas fiquei deveras recompensado. Para ali não fora com o propósito de analisar um filme ou de comparar uma versão à outra. Fui com a missão concedida a mim mesmo de rever a emoção que um dia senti, para dizer: “estou eu aqui de volta, sei que você não é o mesmo, mas vim agradecer pelo prazer que um dia me foi proporcionado ”.

De forma que se alguém,  que assistiu ao Ben-Hur da época, pedir-me um aconselhamento sobre se deveria ir, eu responderei : Vá. Idem para quem não tenha assistido a primeira versão. Não sei se o Ben-Hur 2016 é tão perfeito, grandioso e épico como o primeiro, seguramente não é. Mas, diria que isso não interessa e que o espectador terá diante de si, mais uma vez,  uma narrativa mágica e envolvente. E, com certeza, mais importante de que uma análise cinematográfica, é  encontrar-se diante de uma bela história, com todas as emoções que ela traz.

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QUALIRA, E OUTRAS PÉROLAS

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A seguir, mais pérolas do linguajar maranhense a serem inseridas, este ano,  na próxima edição de O ABC bem-humorado de São Luís, escolhidas segundo o potencial de sátira que norteou a primeira edição.

1.COCHICHOLO. Pequena casa, casinhola.

No Maranhão 3 cochicholos + uma rua e + um quebra-molas, são suficientes para improvisar  um 4º cochicholo ,  a partir de então denominado de Prefeitura Municipal,  com um espertalhão enfiado lá dentro.

2.COURO. Mulher velha e feia.

Mais uma dos machões empedernidos da Terra . Para justificar que não davam no couro, os homens passaram a apelidar suas pobres mulheres de couros. Couro neles!

3.DANISCA. Mulher de mau gênio, resmungona e birrenta.

Ex. “O Brasil levou tanto tempo para ter uma presidente do sexo feminino, chamada Dilma, só para se descobrir que no Maranhão há um nome mais  apropriado para ela: Danisca.

4.DERRESSOL. Doce feito de mel de cana e coco  ralado.

Nada a ver com sol. Originou-se no tempo do  réis. Os meninos  saiam e a maior parte deles se dirigia à venda para comprar “de-réis-só”

5.DISGROTA. Infortúnio, desgraça.

Como bem disse Dante na sua Divina Comédia: “Não há pior disgrota na vida do que recordar os tempos áureos da juventude, na velhice.”

6.DORDOLHO. Nome popular de conjuntivite.

Auto-explicativo: dor de olho fica bem mais inteligível. Esse negócio de conjuntivite parece mais Conjunto de Vinte. Ou de vítimas.

7.EGUAGEM. Sutileza, manha.

 

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A palavra égua serve pra tudo no Maranhão, até para elogiar políticos safados.  Mas, por que será então que “Pai D’Égua” é elogio, e “Filho de égua” é insulto?  Dizem que é porque ao invés do avô pai d’égua que está pra morrer, os filhos de égua têm mais tempo para serem insultados.

  1. PRAGA. Mosquito.

Denominação dos maranhenses aos mosquitos. Já houve registros de maranhenses em visita ao Sul do Brasil que levaram  tapa na cara por perguntarem à vendedoras feias  se elas tinham remédio pra praga.

9.QUALIRA. Gay, veado, baitola.

O Wikipédia jura de pés juntos que o nome artístico de qualira nasceu porque houve em tempos idos um bloco de carnaval em que se destacava um rapaz efeminado que tocava uma lira ( instrumento de cordas dedilháveis de larga difusão na antiguidade) Então a plateia dizia: “Lá vem ele com a Lira”. A Frase foi diminuindo até chegar a “com a lira” e, daí a qualira.

Sugere-se que a coisa foi um tanto diferente e que houve também, nos tempos do império um português abastado que morava em São Luis chamado Lira, e que  tentava desesperadamente  cumprir seus dons masculinos diante de uma mulher portuguesa muito fogosa. A mulher, diante de suas tentativas vãs gritava pra quem quisesse ouvir “ Qual,  Lira, não vai adiantar!” De tanto Quál Lira!,  no ouvido Lira acabou virando qualira acompanhado, hoje, por uma uma pá de assemelhados bem maior do que o estádio do Castelão.

10.REGADA. Linha de intercessão das nádegas.

Essa linha, que faz parte do imaginário masculino e não tem vida real, às vezes é substituída por um artifício que as mulheres usam, denominado fio dental. E que tem vida real menor ainda.

11.SORONHO. Cigarro feito de maconha.

Teria se originado da expressão muito usada pelos praticantes. “Melhor que isso, só em sonho!” Deu em Soronho.

12.SOBROSSO. Susto, medo.

Teria se originado da expressão: “Tremia tanto que a carne fugiu e só sobrou o osso”. Daí, o sobrosso.

 

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SIDERÚRGICA DE NOVO (e outras quentes)

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SIDERÚRGICA DE NOVO ( e outras notícias mais quentes do que ferro gusa).

Hoje, 4 de setembro

1.Michel Temer acerta na China investimentos para a Siderúrgica no Maranhão. A instalação poderá  ser em Bacabeira.

Comentário de Juca Polincó: ( o filósofo Politicamente Incorreto da periferia)

 

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“De novo? Ao longo Dos últimos  50 anos, foi  tanto alto-forno  nesta ilha fabricando gusa pra fazer aço fantasma, que é mais fácil acreditar que a serpente encantada de São Luis vai sair de Bacabeira pra encontrar o próprio rabo, como diz a lenda. E que o rabo da serpente será feito com o  aço da Siderúrgica.”

2 de setembro

AGOSTO, foi o mês mais quente do ano, em São Luis segundo a Meteorologia.

Comentário de Juca Polincó:

“Grande  novidade! Sempre foi mais quente e isso se deve ao aumento da temperatura das mulheres da ilha. Como todos sabem a partir de 31 de julho ‘Entra a gosto!’

Hoje, 31 de agosto.

3.Casal de adolescentes que matou friamente a mãe adotiva da menor, Tatiana de 49 anos, vai  passar por um período de ressocialização de 2 anos por ordem do juiz .

Comentário de Juca:

” Dois anos de ressocialização? Que crueldade! Por que o juiz não os conduziu para um chalé em Morros, com direito a piscina, rio, comida, roupa lavada e quarto com ar condicionado para praticarem sexo? Isso apressaria, quem sabe, a ressocialização dos meninos. 

Aliás, como todo crime praticado nesta cidade realiza-se com a participação de pelo menos 2 adolescentes que  tal promoverem a mudança do nome adolescente para A- dor- não- sente? (Dor dos outros, diga-se)

Hoje, 30 de agosto

4.Pilotos embriagados da United Airlines foram detidos, sábado passado, em Glasgow, na Escócia antes da decolagem do avião até Nova Iorque.

Comentário de Juca:

“Bem,  pelo menos esses foram descobertos a tempo. E quando não são?

Está finalmente explicada a causa de o avião começar  a se mexer, de repente,  pra lá e pra cá nas nuvens, ou pra tombar feito bêbado.  Quando isso acontece pelo  menos deviam distribuir  doses de uísque aos  passageiros pra ficar todo mundo no clima”

22 de agosto

5.O maior concurso de beleza de crianças e adolescentes acontecerá em Mato Grosso

para eleger as seguintes categorias:

Mini Miss Brasil Universe, Miss Brasil Juvenil Universe, Miss Brasil pre-teen Universe, Miss Brasil teen Universe, Miss Américas e Miss Brasil Fashionists

As candidatas do Maranhão chegam hoje e ficarão disputando durante 4 dias sob a coordenação de um Studio de São Luis.

Comentário de Juca:

“Será que  fretaram um Boeing para levar tanta miss? Mais alguns anos, com tanta  modalidade de beleza aparecendo a criançada vai ter que ir no trem da Vale.

(E como tem  picareta pra inventar beleza em criança! Pois o que não falta são pais idiotas e mães tresloucadas que deveriam estar mais preocupadas com a formação cultural de seus filhos).

Se a coisa continuar evoluindo assim, daqui a alguns anos inventarão Miss Feto ( ainda na barriga) ou o Mister Esperma, capturado antes de chegar ao óvulo para desfilar numa passarela. “E Viva a beleza maranhense”

 

NOSSOS DESCONHECIDOS CORPOS

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Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem-humorado de São Luís

 

“Conhece-te a ti mesmo”, propagava Sócrates milhares de anos atrás. De lá para cá muita coisa se descobriu: avião, televisão, internet, mas a vida dos outros continuou a nos parecer mais interessante que a nossa própria. Como prova o BBBrasil.

O filósofo referia-se, sobretudo, à nossa mente, mas até quando a coisa se refere ao corpo ninguém sabe bulhufas de si mesmo.  É por isso que muita gente até hoje desconhece que:

1.Somos corredores natos. Apesar de muitos animais conseguirem correr muito mais rápido do que os seres humanos,  podemos nos orgulhar de sermos os melhores corredores de longa distância do planeta. Na pré-história, os humanos podiam caçar suas presas por dias até que os animais morressem por exaustão.

“Portanto, senhores, qualquer ser humano já nasce com uma medalha olímpica, Não é só o Usain Bolt.”

2.Já nascemos idosos. Os átomos de nosso corpo têm bilhões de idade Os átomos que formam nosso corpo na verdade, são os mesmos que foram criados durante o Big Bang (Grande Expansão), cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.

“Portanto, senhores, essa história de jovem e ancião, novo e  velho é só para nos iludirmos por alguns segundos enquanto a morte não chega. Assim como “todos são iguais perante a lei”  “somos todos velhos perante a Natureza”, ou perante o Big-Bang que, afinal de contas, é a Grande Lei”.

  1. O que seres humanos e bananas têm em comum? À primeira vista, nada. No entanto, pesquisadores descobriram que compartilhamos 50% do nosso DNA com a fruta.

“A banana é uma fruta tão saborosa, simpática e benéfica que devíamos passar a ter muito orgulho desses 50%. Alguns políticos que elegemos, por exemplo,  que reagem negativamente quando são chamados de bananas devem ter porcentuais menores que os 50 % de semelhanças com elas, senão seriam muito melhores.”

4.Brilhamos no escuro. Todos os seres humanos são bioluminescentes, o que significa que acendemos no escuro. No entanto, a luz que emitimos é mil vezes mais fraca do que a média que os olhos humanos podem detectar.

“À vista de sua  amada, na penumbra do quarto, nada como propagar  essa verdade científica complementando que seus olhos conseguem sim vê-la brilhar no escuro. Depois é só correr pro abraço”.

5.Seu sangue é um viajante e tanto que percorre cerca de 20.000 km por dia, o que é quase cinco vezes a distância em linha reta entre o  Oiapoque, no Amapá, e o Chuí, no Rio Grande do Sul.

“Se é assim para um ser humano comum, imagine para os grandalhões do basquete, o quanto não viajam seus sangues!”

6.Nosso cérebro foi criado a partir do universo. As conexões entre os neurônios no nosso cérebro são estruturadas de maneira semelhante às conexões do universo. É como se nosso cérebro tivesse sido criado, tendo o universo como modelo.

“E ainda tem gente arrogante  que nega a existência de uma harmonia vital em todas as coisas. Ou seus cérebros foram estruturados à revelia ou acham que carregam Deus na cabeça, ao invés do Universo”.

7.Os sentidos da vida. Uma das primeiras coisas que aprendemos na escola é que temos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. No entanto, temos cerca  de 15 outros sentidos, como equilíbrio, dor, tempo, temperatura e sede.

“Isso para os seres humanos normais, mas há exceções. Para os fãs de Wesley Safadão e Luan Santana, por exemplo, existem pelo menos 3 sentidos a menos: visão, audição e paladar.”

 

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OLIMPÍADAS NA ATENAS BRASILEIRA

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Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem humorado de São Luis.

 

Você sabia,  caro leitor, que entre 1912 a 1948 foram sete as competições artísticas, dentro das Olimpíadas? E que esse tipo de competição foi inspirada no modelo da  Grécia Antiga? E que as modalidades artísticas eram: literatura, música, pintura, arquitetura  e escultura? E que as obras eram enviadas para um comitê avaliador e deviam ter temática esportiva? E que…

Paremos por aqui por falta de espaço, mas, sim, senhores, nada impediria que esse tipo de competição fosse renovado, a bem dessa  interação que deve sempre existir entre arte e esporte. Afinal de contas “mens sana in corpore sano”. Ainda mais que o motivo de essas modalidades terem sido banidas da competição, deveu-se ao fato de serem, então,  os artistas concorrentes profissionais da arte, e prevalecia o critério de que os concorrentes tinham de ser todos amadores para não “ferir” o espírito olímpico. Ora, hoje em dia os atletas que disputam são todos “profissionalíssimos” a julgar pelos rios de dinheiro que faturam, e essa razão não constituiria mais um empecilho.

Mas, quem sou eu, um cronista de província a pleitear uma mudança de tal envergadura numa decisão que afeta o mundo todo, e não só esportivo. No entanto, guardadas as devidas proporções lembro que aqui mesmo, em nossa ilha, os jogos olímpicos artísticos,  vamos dizer assim, mantêm, mesmo aos trancos e barrancos (talvez mais trancos que barrancos) a chama olímpica acesa.

Refiro-me ao Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís que todos os  anos premia, edita e revela talentos novos e antigos de nosso estado: são os nossos ‘atletas da mente’, forjados na leitura e no apego aos livros, esforçados, lutadores , incansáveis, dedicados e sonhadores que, nessa ocasião, retiram das gavetas e do ostracismo cruel a que são relegados, seus originais  para vislumbrarem  uma luz no fim do túnel a partir de uma eventual premiação para, a partir daí,  espalharem a chama do talento artístico que possuem para  divulgar o que ainda resta de Atenas Brasileira por aqui , às gerações atuais e vindouras.

Não parece se mirar, porém, no espírito olímpico individual ou coletivo de alguns abnegados as decisões governamentais. Assim é  que, mesmo tornado Lei, o Concurso Literário e artístico da Cidade padece de continuidade e consolidação, tantos anos após ter sido implementado. Ao invés de se fixar como celebração ao talento, definitivamente efetivado, sofre o Concurso, assim como a Feira do Livro,  dos humores de nossos administradores e da depreciação do seu conteúdo,  sendo tratados costumeiramente como meros adendos de outras realizações espúrias que absorvem mais das finanças públicas. Com isso,  quando se premia um vencedor, não se edita, ou quando se edita não se premia.

Vieram as novas administrações e com elas, a perspectiva e a esperança de que o tratamento dado à vocação olímpica de uma cidade, tendo como meta a glória ateniense cultural, artística e esportiva, não seria daqui por diante,  obstaculizada.  Porém, o ano de 2016 caminha para o seu final,  as resoluções são adiadas e paira sobre o Concurso e a Feira  o fantasma da dissolução, da dúvida  e do desconhecido.

Que os ventos da racionalidade sobrevoem a Ilha, e inspirem as decisões  administrativas para que o Concurso não se transforme numa triste olimpíada em que seus vencedores não recebem as medalhas a que fizeram jus.

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O EXISTIRMOS DE JOMAR MORAES

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EXISTIRMOS: a que será que se destina? Se pensarmos na existência da humanidade, como um todo, não se encontrará resposta fácil para essa questão na ciência, sendo necessário que nos socorramos da religião e da fé como solução para essa indagação tão vital, mas tão secundarizada no dia a dia dos homens. “Não se preocupe em entender, a vida é absurda!”, já sentenciava Clarice Lispector.

Diante das falas emocionadas das últimas homenagens prestadas a Jomar Moraes (não cabe aqui  a descrição de sua rica biografia tão conhecida de todos)  por representantes da AML, da sociedade, amigos e parentes, ficou-me a convicção  de que o “existirmos” de Jomar Moraes se destinou, por vontade própria, à cultura e aos livros, usando como veículo para a consumação dessa sina,  por ele escolhida, a AML, instituição à qual dedicou quase uma vida inteira.

Ao enfatizarem essa simbiose, os confrades Benedito Buzar, presidente da AML e Lourival Serejo, em ocasiões distintas,  sugeriram que Jomar Moraes tantas vezes foi a própria AML, enquanto teve vida para incorporá-la, no exercício dessa capacidade de encontrar essa destinação, tão rara em muita gente, que motiva a própria existência. “O segredo da  existência humana consiste não apenas em viver mas em encontrar um motivo para viver”. O resto ( e como foi grande esse resto!) foi, entre outros dons, a sua generosidade tão decantada e exaltada pelos parentes e amigos.

No meu caso, essa generosidade se manifestou através de uma amizade de raízes antigas e familiares (meu pai Juvenil Ewerton aprendeu a tocar saxofone com o seu Alípio de Moraes, que era músico e compositor) e facilitou-me a posterior inclusão na vida literária maranhense, primeiro ao possibilitar a publicação, pelo extinto Sioge que dirigiu, do meu primeiro livro de poesias  chamado Estátua da Noite quando, vindo da adolescência, eu não sabia que podia vir a ser poeta e, depois,  ao enviar para o escritor e cineasta José Louzeiro, sem que eu soubesse, os originais da novela  O prazer de matar   que, depois de uma resposta encorajadora e entusiasmada do consagrado escritor maranhense,  mostrou-me  que eu podia vir a ser escritor.

“Pois quando tu me deste a rosa pequenina ” é o verso seguinte de Caetano Veloso, que sucede  ao verso-indagação do início desta crônica e que pertence à, talvez , sua mais bela composição, o xote Cajuína, que foi escrita em homenagem ao poeta e compositor piauiense Torquato Neto, precocemente morto. Esse verso, que não é uma rima e, muito menos, uma solução, como diria Drummond,  sugere que o “Existirmos” de determinadas pessoas, quando especiais ( por terem encontrado a sua destinação), complementam e ajudam o Existirmos de tantas outras. O que  também foi evocado pelo poeta Chico Poeta em sua homenagem póstuma a Jomar Moraes quando exaltou jamais haver se constrangido,  pelo contrário sempre se orgulhou, de ter usufruído e tirado proveito dessa generosidade intelectual de Jomar Moraes , uma Biblioteca Ambulante a serviço da comunidade, como eu também me referi , em entrevista no mesmo dia de sua morte , reproduzida nas páginas deste jornal.

Pois foi essa rosa cristalina da esperança na cultura e nos livros,  que densamente povoou o seu EXISTIRMOS  e que ele espalhava  para iluminar a destinação de tantos outros, como eu, no rumo da vocação literária ou artística , a que repousava,  entre  outras rosas que lhe foram presenteadas em seu ato final;  oferendas recíprocas que levou  em sua viagem, no rumo de sua , agora sim, imortalidade.

 

Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas                                                                                  [email protected]

12 PRESENTES PARA OS PAIS

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Mudou o Natal, mudamos nós, mudaram os filhos, mudaram os pais.  Durante séculos sequer havia Dia dos Pais e ninguém sentia falta disso. Talvez porque, como tudo mudou, seja necessário lembrar que os pais donos de loja – e seus filhinhos -, estão precisando ganhar uma grana extra. Quanto ao amor…

Ah, o amor! Esse também mudou  tanto que hoje se confunde com presentes. Que também mudaram. Nossa equipe de reportagem foi pesquisar que presente cada filho daria ao pai, se pudesse.

 

Bruno – 15 anos , estuda no Cohatrac.  “Gostaria de lhe dar uma namorada nova. É que acabei de me apaixonar pela Lu, nossa vizinha do condomínio, e não sabia que era namorada dele. Agora não sei como vai ficar. Ela, que tem dezessete anos,  diz que me dá preferência, mas não tem como  abandoná-lo. Será por causa da grana?”

Andrezinho, 14 anos, estuda na Cidade Operária.

“Gostaria de presenteá-lo com um carro novo, mas na realidade não seria para ele, mas para mim.  É que já enjoei da sua sucata,  com que eu saio nos fins de semana , de madrugada, enquanto ele dorme. Seu Gol  2009 além de fazer muito barulho quando eu chego de manhã, faz pouco sucesso com as gatinhas.”

Cauã, 13 anos, mora no Turu                            “Gostaria de presenteá-lo com duas caixas de viagra. É que, a continuar desse jeito, a mamãe, que é quinze anos mais nova do que ele vai, acabar lhe botando um par de chifres. Ela pensa que eu não manjo o malandro do 303, que é gerente de uma loja do centro e não tira o olho dela.”

Zé Dim ( José Damasceno )  – 12 anos, mora no Jardim América “Gostaria de lhe dar um cartão de crédito para que não fique usando o meu. Desde que comecei a trabalhar  fazendo vídeo pra periguete no you tube ele, que está desempregado e não procura emprego, vive pedindo meu cartão até para comprar cerveja.”

Jadilson ( mais conhecido como Vai Levando )  – 11 anos, mora no Coroadinho.

“ Acho que vou lhe dar um revólver. Mas, se ele quiser que aprenda a atirar, eu mesmo não vou ensinar. Comigo não tem vida mole não. O cara não sabe se defender, nem das gangues, nem da polícia, não se emenda e já apanhou pra burro. Não posso tá sempre ao lado dele para defender.”

Cícinho – 10 anos   Estuda no João de Deus.

 

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“ Gostaria de lhe dar um time de futebol de sênior para ele fingir que joga bola. É que ele vive querendo se enturmar  no nosso time , O Regra Três Futebol Clube. Pensa que só porque compra a bola, os uniformes e coisa e tal pode se meter a jogar na nossa seleção. Sabe como é, né? Se fosse só careca não teria problema, mas além de gorducho é morto, aí não tem vez no nosso time.”

Marquinho – 9 anos – mora no São Francisco.“Gostaria de lhe dar uma nova Lei Seca que o permitisse, sair decasa, dirigir sua moto e  tomar sua cachaça em paz, em cima dela. Depois que chegou essa merda dessa lei o cara deu para beber em casa , e vive aporrinhando todo mundo o dia inteiro.”

Junior – 8 anos – estuda no Maiobão.

“Vou  lhe dar uma coleção de  revistas de sacanagem. O professor de Português deu-me no colégio, pensando que eu fosse gostar. Tem até umas coroas gostosas, mas quando quero vejo coisa muito melhor no what”s app. Ele deve gostar, é daqueles que ainda se marra na bunda de Gretchen. Já pensou?”

Claudinho, 7 anos – mora no Cohafuma

“Gostaria de pedir um professor de whats’ app  e de computador pra ele. para ele. O cara não manja nada, ainda tá no tempo do e.mail, pensa que facebook é nome de artista da Globo e vive me enchendo o saco para lhe ensinar. Eu não aguento!”

Jadiel, 6 anos, estuda no Bequimão

“Gostaria de lhe dar de presente  um fone de ouvido para que ele não encha o saco, reclamando do som de rap que eu ouço no quarto,  enquanto faço de conta que estou estudando. Será que ele pensa que é fácil para a gente, escutar os bregas malucos  que ele canta no banheiro?”                     ………………………………………………………………………………………….

Rafinha, 3 anos, estuda numa creche, no Renascença

“Gostaria de lhe dar de presente uma outra mulher para que eu pudesse ter uma nova mãe. É que esta mãe que ele me deu não quer mais  deixar eu mamar em seu seio , para não piorar o tamanho do peito.”

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