SAMPAIO. A história do time que FAZ HISTÓRIA

1.Corria o ano de 1922 em São Luís. Quer dizer, nem corria tanto assim. As notícias do resto mundo chegavam atrasadas, o dinheiro no bolso era lerdo, rapidez só mesmo em se falar mal da vida alheia. Avião, por exemplo, era novidade maior do que Seleção Brasileira de Futebol ganhar em Copa do Mundo neste século XXI.

 

Pois foi por essa época que Pinto Martins, cearense e Walter Hinton, norte-americano, se uniram numa empreitada. (Normalmente, mistura de cearense com norte-americano ou dá Estátua da Liberdade libertando-se e fazendo ponto na praia de Iracema, ou cabeça-chata fazendo exibição de forró no East Village). Mas, Pinto e Walter, surpreendentemente, estavam era cruzando os céus das Américas, pela primeira vez,  em um hidroavião, com escala prevista em São Luís. Ora, se o primeiro voo do mais pesado que o ar   havia sido feito somente há 16 anos por Santos Dumont, em seu 14 Bis, e, muito longe, em Paris, imagine-se o alvoroço da cidade para participar também da brincadeira e ver de perto que raios de troço era esse tal de avião. Os comentários só podiam ser dessa ordem:

 

 

Pinto Martins

“Já vi muito pinto voar, mas nessa altura, não. Ainda mais cabeça-chata

 

2.O certo é que tudo era mesmo extraordinário e jamais visto. Ainda mais que o avião tinha nome,  e se chamava Sampaio Correia, ou melhor Sampaio Correia II.  A explicação para um nome de gente no aparelho é que o avião foi doado aos pilotos aventureiros pelo presidente do Aero Clube Brasileiro, o senador José Matoso Sampaio Correia, carioca, sendo bastante normal, já  nessa época,  que os pilotos retribuíssem a gentileza botando no avião o nome do doador. Não se diga, porém, baseado no que fazem os políticos  hoje em dia , que o senador Sampaio Correia doou o avião em troca da  propaganda de seu nome. Não havia IBOPE e televisão muito menos. Talvez quisesse mesmo era se  eternizar, coisa que de outra forma jamais conseguiria.

 

3.Foi então que no dia previsto, 7 de dezembro de 1922 uma multidão de quinze mil pessoas (grande parte da população da cidade) se acotovelou para ver o show da chegada do dito cujo, mais ou menos como se acotovelam hoje as pessoas para saudar celebridades da música Como toda celebridade que se preze Sampaio Correia, o avião, também não compareceu no dia do show. Ficou retido em Belém, não por jogada de marketing, mas por razão mais vulgar: falta de combustível, o que só fez aumentar a ansiedade do povo. Quando aqui aterrissou dois dias depois  dá para imaginar a festa: discurso de político, homenagens, passeios em clubes, etc.

 

Quando os pilotos se despediram da Ilha do Amor, só uma semana depois, Pinto estava definitivamente consagrado. Se seu outro pinto (o de baixo) trabalhou enquanto  seu  dono tirava férias, já que mulher pra isso não deve ter faltado, nunca se soube. A herança principal deixada foi justamente o nome do avião.

4.Nome por nome, o time de São Pantaleão  até que , já tinha um : se chamava Remo. Mas, quer coisa melhor do que um nome de gente e,  ao mesmo tempo, de avião? Pois foi essa brilhante ideia que ocorreu ao taberneiro Almir Vasconcelos ao colocar na pequena agremiação o nome do avião: quem simpatizasse com o time lembrava logo do avião e quem sabe, depois dessa  ele começasse a decolar. E foi o que, definitivamente, aconteceu.

A partir daí todos sabem da história. Às vezes esquecem é que o time é um dos mais originais do mundo, não só pelo nome como por muitos outros motivos. Entre eles:

 

1.O único no mundo que tem nome de um avião.

2.O único que no seu uniforme, inicialmente visava as cores do Maranhão e dos Estados Unidos e acabou  dando na Bolívia. Ou seja, o único que tem as cores de três países.

3.O único cujo distintivo foi de autoria de um sapateiro.

4.O único time que já foi campeão da terceira divisão , da segunda e da quarta. (E que em breve vai ser da primeira).

  1. O único que tem o calção cáqui.
  1. O único do Maranhão que AGORA é, de fato, O Papão do Nordeste .

                                                        

                                                      

Sei que algum leitor já está contestando: calção cáqui, cadê o calção cáqui? O calção cáqui, senhores está na história do clube e jamais devia ter sido conspurcado. Que figurinistas, torcedores, diretoria, políticos, embaixadores e presidentes do Brasil ou da Bolívia se unam contra a corrupção de um de seus símbolos, que tornam o time de São Pantaleão o mais original do mundo, enfim, “aquele que se coloca à parte”.

 

 

p.s Algumas dessas Informações foram colhidas no livro Terra, Grama e Paralelepípedos (imprescindível para quem gosta de História e nosso Futebol) de Claunísio Amorim Carvalho.

 

Este texto e outras informações sobre São Luis estarão na segunda edição do livro O ABC  bem humorado de São Luis, prevista para  setembro deste ano.

 

 

ISSO PODE TE MATAR!

 

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

A vida humana é efêmera e, sobretudo, frágil. Todos sabem disso, mas a maioria prefere fazer de conta que esse negócio de  morte foi feita para o outro e não para si. Algumas estatísticas assustam ao mostrar o perigo de hábitos e coisas aparentemente inofensivos.

1.Imagine estar voltando do supermercado, olhando para seu celular numa rua. De repente, eis que você se vê mergulhando nas profundezas de um  canal de esgoto. Pesadelo? Uma ficção de Stephen King? Nada disso, você está morto.

Acredite. Pode soar como um exagero, mas em 2011 os bueiros causaram  1843 mortes só na Índia.       Portanto, leitor, por via das duvidas o melhor é se precaver.  Bueiros são redemoinhos prontos para atacar e doidos para aparecer em seu celular, na paisagem de sua última selfie.

2.Talvez você ache relaxante uma tarde de  banho quente em uma banheira. Relaxante pode até ser, mas o perigo é quando o relaxamento passa do ponto e se torna tão perfeito que médico nenhum conseguirá fazê-lo parar.  . (Jamais inventaram equipamento capaz de propiciar um relaxamento tão perfeito como a morte, não é mesmo?)

Entre 1999 e 2003 1700 pessoas  só nos USA acabaram morrendo em uma banheira de hidromassagem e o motivo principal foi o abuso de bebida alcóolica enquanto estavam na banheira.

3.Todo mundo quer ser bom de cama, mas nem sempre a cama retribui com a mesma bondade. Assim é que camas matam em média 773 pessoas por ano só nos USA.

Uma cama, na verdade,  é mais propensa a te matar do que um assaltante. Por via das dúvidas prefira as camas baixas, considerando ainda que neste  levantamento não estão consideradas as situações em que o morto foi o Ricardão em cima da cama.  (Ou em baixo).

  1. Todos preferem, por preguiça, as escadas rolantes às comuns  tanto que se pudessem usariam escadas rolantes  até para sair da cama ou subir na mesma . Hoje elas proliferem nos shoppings e estações de metrô, mas é preciso ter um cuidado triplicado com as mesmas. Segundo o Centro de Controle e prevenção de Doenças dos USA, as escadas rolantes ferem gravemente 17 mil pessoas por ano e desse total são 30 os casos de óbito.

É normal que todo ser humano queira “subir”  na vida, mas se você for mulher prefira usar saltos altos (15 cm) para isso. São menos perigosos.

5.Fones de ouvido parecem inofensivos , mas podem ser assassinos mortais, já que deixam o usuário inconsciente diante do que o rodeia e é por isso que somente em 2010 houve 47 acidentes fatais relacionados ao uso.

Recomenda-se evitar na medida do possível esse costume cujas consequências podem ser ainda mais catastróficas que a morte. Como???? Pode existir  algo pior ainda que a morte?

Aparentemente sim. Dizem que quem morre escutando música de dupla sertaneja, se for direto para o inferno  nem sente a diferença.

7.Todos nós gostamos de comer cachorro quente, não é mesmo, leitor?, Só que esse tipo de sanduiche não é nada bom, especialmente para o futuro dos meninos. Só em 2010 mais de dez mil crianças com menos de 10 anos acabaram na sala de emergência após se engasgar com cachorro quente e 77 perderam a vida.

Por segurança, portanto,  nunca esqueça de que só há um cachorro que nunca foi nem será seu amigo fiel. O cachorro-quente.

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José Ewerton Neto é autor de O Entrevistador de lendas

 

https://www.youtube.com/watch?v=zOVJJTMUHWI

 

CENAS DE UMA COPA NA RÚSSIA

1.O EFEITO VAR

Nesta Copa só se fala em VAR. Tenho a impressão de que esta tecnologia (implantada para minimizar as falhas dos juízes de futebol) foi concebida, sobretudo, para que se xingue um pouco menos os árbitros. Por isso a inovação foi bem recebida  pelas mães dos juízes  na medida em que ao invés de as torcidas chamarem o árbitro principal de  filho da p…   insultarão  também o árbitro de vídeo , dividindo assim os impropérios.

Fico imaginando se o Var for submetido a um juiz  do tipo Gilmar Mendes na função de árbitro de vídeo. Com ele não haveria pênalti, nem impedimento, nem cartão amarelo, muito menos expulsão  para o infrator. As regras  do jogo valeriam apenas para jogadores comuns, já para os  bem aquinhoados até gol de mão (como o famoso de Maradona) passaria. Neste caso, nada tendo a ver com “La Mano de Dios”.

  1. CANONIZAÇÃO Interrompida.

Pelo menos temporariamente, depois do empate do Brasil na Copa, foi interrompido o processo de canonização de Tite promovido por Galvão Bueno, Rede Globo e comentaristas esportivos adoradores do técnico. Estacionou antes de chegar ao Papa,  já que  os primeiros sinais de incômodo com essa santificação antecipada começaram  a pipocar aqui e ali em todo o território nacional.

Acontece que São Tite, na hora de fazer milagres, depende de pedi-los emprestados aos jogadores de talento da seleção como Neymar, Coutinho, Marcelo etc que nem sempre estão inspirados para patrocinar a divinização tão esperada. A Copa é longa e o que se teme é que  um Coutinho só ( que tirou um milagre da cartola fazendo um gol incrível contra a Suíça) não seja  suficiente.

 

3.Penteado 7 , Bola 1.

Bons tempos aqueles em que os craques apelidavam seus gols com títulos bizarros, mas engraçados. Era gol Helicóptero aqui, gol Borboleta acolá, como fazia Dario Maravilha um atacante cujo talento para fazer gols era da mesma ordem de sua capacidade de estabelecer empatia com os torcedores.

 

 

Os tempos mudaram e se tornou mais importante a visibilidade nas redes sociais com gol ou sem gols. Alguns craques são obsessivos em promover  o visual, como qualquer celebridade.   Isso explica porque o goleiro Alisson da seleção brasileira se fez acompanhar, na concentração, de um cabeleireiro pago a peso de ouro.

Neymar, por sua vez, tornou-se um mestre nisso, inovando o que está acima de sua cabeça com maior apuro do que o que tem dentro.  Como muda a cada jogo mais de penteado do que de drible a grande dificuldade para os torcedores é encontrar um apelido à altura para  cada uma de suas performances.

Assim é que basta Neymar adentrar o gramado para que se inicie, entre os torcedores, o exercício de escolher um apelido para o que se vê. Na estreia do Brasil surgiram as opções: Cabelo de Martnália, Penteado Nissin Miojo, penteado Espiga de Milho etc.

Menos mal que restou aos brasileiros esse consolo: quando os gols escasseiam, a diversão é tentar nomear os penteados de Neymar. Qual será o próximo?

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

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PARA QUE SERVE UM NAMORADO

 

Anteontem comemorou-se o Dia dos Namorados. Nada  como ajustar o significado do termo aos dias atuais

 

NAMORADO.

Indivíduo (ou objeto, com queira) de uso pessoal feminino, geralmente descartável que,  mesmo sendo encontrado  a preço de banana, pode sair muito caro. Sua principal  serventia é como adorno em passeios de shopping centers , cinema, baladas, ou, com maior frequência, como objeto de exibição para as amigas.

Normalmente é substituído por outro em casos de urgência, ou seja, necessidade sexual inadiável. Um dos requisitos mais apreciados entre os diversos tipos é a boca fechada. Tal fato,  é encarado por elas como uma espécie de garantia para que não sejam forçadas a ouvir asneiras. Recomenda-se, portanto, atenção redobrada ao manual de utilização.

PRAZO DE VALIDADE

Um dos atributos mais importantes é o Prazo de Validade. Se o namorado for do tipo antigo (mais de 50 anos) quanto menor a vida útil esperada, maior a preferência. Isso acontece porque uma vida útil menor, nesse caso, significará, no futuro,  uma vida útil maior para a parceira que o adquiriu. Claro, um namorado de mais de 50 anos subtende-se que só seja adotado se tiver posses e bens a perder de vista.

Se o namorado, por outro lado,  for do tipo jovem (a idade mental de um namorado com a mesma idade de sua cliente mal chega à metade), o grande risco que a mulher corre é o de pensar que está levando um namorado e, na prática, estar  levando um bebê para criar e dar de mamar.

 

 

 

AMOR.

Amor é a moeda de troca mais praticada em um namoro. Talvez porque ninguém saiba exatamente o que seja, muito menos  o que significa  (nisso se parece  com o BITCOIN moeda da Internet) , nem  como funciona ( idem) .

Para uma adquirente, parece elementar que o objeto deva  oferecer dosagem equivalente em termos de dedicação amorosa, mas isso raramente ocorre. Nunca dá empate,  pois no jogo do amor uma das partes sempre sai ganhando. Quando dá empate a mulher já está perdendo

ONDE ACHAR

Namorados são encontráveis em todo canto e em qualquer lugar. Normalmente os camelôs não os vendem  mas uma infinidade de produtos piratas seriam facilmente adquiridos  se suas ex-namoradas,  que normalmente os atiram no rejeito de suas casas ou das redes sociais, se dispusessem a vende-los.

Apesar disso, o produto de segunda mão, não necessariamente é de baixa qualidade, tanto assim que existem mulheres que preferem produtos gastos e abusados.   Como  dizia Marlene Dietrich “Pouquíssimos homens tem capacidade de entender e amar a uma mulher. Infelizmente, para elas, são sempre aqueles que têm mais de uma.”

PEDIDO DE NAMORO.

Espécie de ritual antigo que precedia o namoro, hoje em completo desuso. Foi substituído pelo pedido de acasalamento sexual feito através de aplicativos da internet. O único pedido de namoro reconhecido como tal hoje em dia é o número do cartão de crédito da parceira.

 

 

 

Tudo é muito liberal como convêm aos tempos modernos. Se a eventual cliente, por exemplo,  ao invés de desperdiçar seu tempo com seu namorado preferir sair com as amigas para se divertir o fará  numa boa. Se  voltar para casa caindo de bêbada e deparar com um namorado em cima de si,  de  uma coisa pode ter certeza: A cama é  da sua colega. E o namorado também.

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

COISA DE BANDIDO

 

O que pode se entender no Brasil como  ‘coisa de bandido’? Ser pego pela lava-jato recebendo propina e jurar que nunca roubou, ou ser solto por Gilmar Mendes e voltar a roubar? Dizer que uma mala de 50 milhões encontrada no seu apartamento não é sua, ou dizer que foi doação de campanha? Fugir da penitenciária via túnel, ser novamente preso e voltar a fugir pelo mesmo túnel, ou pegar um indulto de feriado, praticar crimes, ser preso novamente  e ser solto em outro feriado?

Bem, sendo o Brasil esse país especialíssimo onde as organizações de direitos humanos têm mais pena dos bandidos que das vítimas e, sendo também, para um eminente historiador, “ Um país feito por bandidos para bandidos”, é normal que exista por aqui uma infinidade de atitudes que alguém poderia chamar de ‘coisa de bandido’. O que causa espécie  são as novidades.

Como a do cantor de música sertaneja César Menotti  que insinuou ter descoberto mais uma.  Isso mesmo. Durante o programa Altas Horas da TV Globo, César da dupla com Fabiano (?) se  saiu com essa: tendo sido convidado a cantar numa penitenciária foi solicitado a cantar um samba e, como não soubesse, respondeu aos encarcerados: “Desculpa, é que realmente a gente não sabe cantar samba. E tem mais, na   minha  opinião samba é coisa de bandido”.

Se os presos gostaram da resposta não se sabe, o que se sabe é que a plateia do  programa  morreu de rir. Donde se conclui que o apresentador Serginho, sua turma de convidados e os demais cantores concordaram com a opinião de Menotti. O que não se sabe é se estão rindo até hoje porque descobriram mais uma ‘coisa de bandido’ num país de  bandidos, ou estavam felizes porque existe tanta coisa de bandido neste país que se tornou quase obrigatório se achar graça quando se fala em bandido.

Houve,  porém,  uma pequena parte da população brasileira  que não viu tanta graça nisso. Como  a cantora sambista e deputada Leci Brandão a quem aprouve se manifestar nas redes sociais para dizer ao senhor César Menotti,  “…Que samba não é música de bandido. Bandido para mim é quem compra a mídia para a gente ouvir um tipo de música que não leva o país a não ter nenhuma reflexão, nenhuma consciência. Isso sim é  bandidagem. Bandidagem para mim é fazer com que cultura seja toda direcionada a quem tem poder. E o samba, graças a Deus, ainda tem gente que leva reflexão e bons pensamentos para a democracia deste país”, desabafou a compositora.

Tão eloquente foi  a resposta da Leci que nem foi precisou evocar em seu socorro  guardiões do samba como Noel Rosa, Martinho da Vila ou Dorival Caymmi que um dia sentenciou

 

 

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça e doente do pé” . Ao mesmo tempo em que a compositora excluiu o samba definitivamente fora desse contexto conseguiu enriquecer o Vocabulário Nacional das Coisas da Bandidagem que Assola o País:

Pois, de fato, a música dessas duplas sertanejas é tão ruim  que comprar a mídia, para fazer gente inculta se regalar com as asneiras que dizem e as porcarias melódicas que cantam, isto sim é uma sonora bandidagem.

 

José Ewerton Neto é autor de O Entrevistador de lendas

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=zOVJJTMUHWI

 

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO NADA

 

O começo da história do Nada é coisa difícil para a Ciência resolver, e até mesmo Deus não resolve bem esta parada.

O que se pode dizer é que a infância,  e a juventude do Nada, deve ter sido absolutamente  tranquila e em paz já que nada acontecia. Isso deve ter durado uma eternidade e, só por isso, estamos insinuando que o Nada já tivesse atingido a velhice quando surgiu o Tudo.

Somente quando o Tudo chegou, por volta de 13,5 bilhões de anos atrás, é que se movimentaram matéria, energia, céu, inferno, corpo, pensamento, infinitos, explosões etc.etc. Deve ter havido pela primeira vez um entendimento entre o Nada e o Tudo, do tipo “Agora é sua vez”, dito pelo Nada, naturalmente.

O que se suspeita é que um supremo Juiz, no caso Deus, haja  decidido essa contenda pela convivência  alternada entre ambos, para felicidade nossa já que nascemos depois por causa disso.  Até mesmo porque o Nada obstaculizava o próprio Deus Onipotente. Sem a presença de Tudo, Deus  não poderia existir o que constituía um paradoxo que nem Deus , com toda a sua infinita bondade, poderia aguentar.

2.E foi então que o Tudo começou a tomar conta de Tudo. O Todo Universal continua se expandindo, mesmo depois de 13,5  bilhões de anos, Inclusive na cabeça de um minúsculo ser chamado homem lá pras bandas de um insignificante planeta pras bandas de uma minúscula galáxia chamada Via Láctea. Num Universo em que tudo se expande (menos o nosso salário) nossos ancestrais, por exemplo,  tinham um cérebro muito menor.

Por que razão esse ser foi o único escolhido para pensar em todo este mundo ninguém sabe  explicar, mas pode-se conjecturar que talvez tenha sido essa uma das condições impostas pelo Nada para permitir que o Tudo surgisse através daquele minúsculo e invisível ponto, origem do big-bang, que só ele, o Nada, sabia onde se encontrava.

É como se o Nada impusesse, para dar lugar ao Tudo,  uma obrigação contratual: “Tudo bem, eu deixo o Tudo surgir mas o único ser que vai poder pensar terá de ser  um… quase Nada”.

  1. Dito e feito. O certo é que esse insignificante animal quase nada, dotado de pensamento e empolgado com tudo o que vê, entendeu de querer ser tudo e poder tudo sem jamais se lembrar do nada que foi e que será depois de um tantinho de anos.

Recente reportagem da revista Superinteressante mostra que nosso corpo é constituído mais de nada que outra coisa e, mais precisamente,  99,9999999999 % do volume do nosso corpo é constituído de vazio puro, oco, portanto. (Para entender melhor basta lembrar que se o núcleo de um átomo tivesse o volume de um cabeça  de alfinete o átomo seria do tamanho do estádio do Maracanã, sendo nosso corpo constituído de um mar de Maracanãs desertos, cada um com uma cabeça de alfinete no centro).

A mesma reportagem insinua que o Todo Universal em sua maior parte é constituído de Nadas doidos para aparecer  “Talvez o nada seja algo intrinsecamente instável , que tenda sempre a se transformar em alguma coisa e em antialguma coisa”.

O que induz  a pensar  que o Tudo e o Nada, ao fim,  talvez sejam a mesma  coisa e que o poeta estava certo: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Inclusive o Nada.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de Lendas

 

 

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TITE E SEUS TITÃS

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

 

Neste país existem duas formas de se chegar a ser Deus. Uma, é a de ter nascido deus, a outra é ter virado técnico da seleção brasileira de futebol. Como nascer deus não é assim tão fácil (se uma religião dá o seu aval, a outra nega) o outro caminho  é ser técnico da CBF.

Foi assim com Felipão, está sendo assim com Tite. O primeiro, depois de aprimorar a sua monumental arrogância O segundo, depois de aperfeiçoar a pose e os gestos de guru. Quando fala, parece um rabi anunciando o paraíso para os jogadores  e para si.  Há de se convir que com a grana que os craques ganham o paraíso já vem quase pronto, o que facilita a tarefa. No caso de Tite, o segundo maior salário entre todos os técnicos de seleção deste planeta explica essa aura de santo radiante, como muita gente o enxerga.

Dessa forma, como sua autoajuda de quinta categoria tem dado certo, os jogadores  o  adoram e estão prontos para dar o sangue por ele. Seria isso suficiente para trazer a taça?

Talvez, mas…

Uma boa lista de craques bem que ajudaria, mas a coisa ficou apenas no mais ou menos. Vamos a alguns casos, de infortúnio ou de exatidões. Lembrando que a palavra chave das escolhas de Tite , segundo ele, é a meritocracia.

CÁSSIO. Goleiro do Corinthians. Como todo mundo sabe Vanderlei,  do  Santos F.C. é muito melhor , o que faz restar poucas dúvidas de que  foi convidado por ser “colega” de Tite do vestiário do Corinthians.

FAGNER. Lateral do Corinthians. Dez anos atrás era, portanto, dez  anos mais novo e jogava  dez vezes melhor, mas o curioso é que ninguém lembrava dele para a seleção. Havia uma diferença: Fagner jogava no Vasco, hoje joga no Corinthians.

Ou seja, o critério, tão propalado por Tite, da meritocracia parece aumentar muitos graus quando o jogador é do Corinthians, time de sua paixão. A propósito, basta lembrar que Tite teve a coragem de torcer pelo Corinthians numa decisão contra o Santos F.C. como se fosse um torcedor comum do timão  e não um técnico da seleção, já entronizado.

MARCELO. Lateral do Barça. O melhor jogador brasileiro em atividade demorou a ser reconhecido devido a sua postura rebelde que apavora gurus do politicamente correto como Galvão Bueno e Tite. Desta vez a meritocracia não teve como derrubá-lo.

 

 

 

NEYMAR. Atacante do PSG. Embora Tite viva falando em união de grupo, motivação e patriotismo, na hora do  “pega pra capar” confia mesmo é em Neymar ( e Coutinho também)  para botarem a bola pra dentro e garantirem sua grana. A essas alturas, o comandante já deve estar pensando em beijar os pés de Bruna Marquezine  para implorar à moça que pelo amor de Deus não brigue com o temperamental craque e namorado. Já pensou se acontece o que dizem que aconteceu com Ronaldo, o fenômeno, que teria levado chifre em plena Copa?

RENATO AUGUSTO. Joga na China. Outro que jamais seria convocado por algum treinador em desfavor de Luan ou Artur, do Grêmio, bem melhores que ele. Mas acontece que é outro que satisfaz plenamente a condição básica  do Manual da Meritocracia de Tite: Augusto jogava no Corinthians.

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

e O entrevistador de lendas

 

MISTÉRIOS DO COTIDIANO MARANHENSE

 

Se no Brasil tem mistérios para dar e vender no Maranhão, então , nem se fala!

1.A seca eterna do Batatã .

Um mistério ronda a barragem do Batatã. Nesta bendita terra chove todos os dias, de manhã, de tarde, e de noite, mas a notícia que chega dos jornais é a mesma de sempre: O NÍVEL D’ÁGUA CONTINUA  BAIXO!

Fico imaginando a explicação: seria água saindo pelo ladrão ou ladrão saindo com a água? Um escoamento, jamais descoberto,  no fundo do açude? Ou será que o solo bebe água, como diz o caboclo? Talvez, já tenha sido planejado para que o reservatório jamais encha, visando manter a população sempre atenta  em sua economia de água . Neste caso, só viria a encher se um dia baixasse em São Luís um dilúvio igual ao dos tempos de Noé.

Mesmo assim, ouso desconfiar   de que a  chamada do noticiário, logo após o dilúvio seria  : “A Arca de Noé acabou  de encalhar no Batatã, por falta de água!”

2.A grana paga por Vinícius Jr.

 

Mesmo com tanta grana no mundo do futebol e  que Neymar ( por exemplo)  ganhe, por gol, o que Garrincha levou a vida inteira para ganhar, a dinheirama  paga pelo Real Madrid pelo “menino” Vinícius Jr. foi pra lá de absurda. E bote absurda  nisso, se levarmos em conta que foram 160 milhões de reais. Pelo que o rapaz joga ( o insuspeito Tostão o considera apenas um jogador razoável) daria pra ter comprado cinco Paquetás, que joga no mesmo time e é melhor que ele.

Haja especulações na net para explicar o episódio, que descambam até em lavagem de dinheiro. Será? Ou simplesmente coisas de um futebol onde não se fazem mais craques como antigamente a ponto de ser preciso fabricá-los,  seja lá como for?

3.A mala de  milhões de Geddel

Todo leitor de romance policial sabe da formidável atração que existe entre mala de dinheiro e mistério. A diferença é que, no romance policial, ao final, se acaba descobrindo de onde veio o dinheiro da  mala.

Já na vida real, pelo menos no Brasil,  a coisa é diferente. Não há Sherlock Holmes que consiga desvendar ao fim de mais de ano que diabos foram fazer 55 milhões de reais na mala de Geddel e dentro do seu apê.

Teriam ido passear em sua casa? E por que não na nossa?

  1. Para onde irá o VLT?

O VLT foi aquele vagão que desfilou alguns anos atrás nas ruas da capital, rodeado de políticos e sendo mais aplaudido  do que dupla sertaneja.

O problema é que seu momento de glória foi curto. Após seus quinze segundos  de fama as últimas notícias a respeito davam conta de que se encontrava em algum depósito, fazendo um proveitosos estágio para virar sucata . Para onde irá agora passou a ser o  grande mistério que paira sobre sua sina.

Uma das soluções é a de que acabará tendo morte metálica comum em algum forno metalúrgico de fundir sucata. A outra, talvez mais romântica, é a de que se torne mais uma lenda sanluizense, assim como Ana Jansen, ou a   Serpente Encantada .

Nome para isso tem:  basta mudar a ordem das letras e passar a se chamar LVT. A Lenda do Veículo Tartaruga. (que nunca saiu do lugar).

 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

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AS MELHORES PROFISSÕES

 

Entendendo-se como melhores profissões aquelas em que você ganha muito bem sem precisar fazer  esforço físico, ou mental , um site especializado listou as seguintes entre as melhores neste país.

1.Comentarista de futebol.

Existem hoje mais de cinquenta programas esportivos na tevê com mais de 5 jornalistas em cada mesa redonda . O assunto é um só: futebol. Como o futebol está longe de ser uma ciência complicada sugere-se que a primeira grande vantagem desta profissão é a vida mansa, já que o profissional que assiste o primeiro programa  da madrugada já tem o trabalho pronto  para o resto do dia.

Satisfeita essa primeira vantagem resta, como única dificuldade, saber executar uma boa encenação na hora dos debates: ou seja,  basta fazer de conta, ao analisar um pênalti ou um gol, que isso é algo tão complexo como explicar a Teoria da Relatividade.

2.Capelão de Polícia.

Rezar nunca foi um exercício árduo, principalmente porque o  profissional conta com a ajuda de Deus para resolver  os problemas . Se,  além disso, o sujeito recebe uma baita grana  (Vinte mil reais , para capelão-coronel, segundo consta) eis a profissão que todo mundo pediria a Deus.  Mesmo admitindo a necessidade de um  profissional na corporação para rezar missa de sétimo dia, quase todo dia, dadas as condições de insegurança que assolam este país, há de se convir que um padre comum sairia bem mais em conta .

Alguém poderia argumentar que a principal  esforço desenvolvido pelo capelão não é só o de rezar missa como também o de rezar pelas almas dos heroicos soldados mortos. Ora, como já existe contingente com mais de 30 capelães, o purgatório precisa estar mais lotado do que a cadeia de Pedrinhas  para justificar tanta reza!

Certo, uma reza a mais não faz mal a ninguém, mas para aproveitar a sobra, uma boa pedida seria solicitar que os capelães também rezassem por todos nós, para que consigamos pagar as multas exorbitantes impostas pelas blitzes.

Quem sabe a nossa existência ficaria menos infernal e a dos capelães um tantinho menos paradisíaca!

3.Pai de Neymar

Essa profissão, somente há pouco reconhecida como tal, é considerada a melhor já inventada no Brasil, embora só esteja ao alcance de seres especiais. (Obs. São tantos os concorrentes que ter produzido o esperma que gerou o craque não significa exclusividade).

Tanto é assim que, dias atrás, Ronaldo, o fenômeno, expressou essa vontade publicamente dizendo que Neymar deveria agir assim ou assado e lhe cobrindo de conselhos, a torto e a direito. A mensagem foi óbvia: Ronaldo, (de olho na grana), é o primeiro candidato oficial a Pai de Neymar.

 

 

O que não é de estranhar visto que ser pai de Neymar implica muita grana e benesses mil. Uma das mais vantajosas e, até aqui,  bem aproveitadas pelo pai de Neymar (o verdadeiro) são as sobras dos relacionamentos amorosos do craque, como  aconteceu com uma popozuda muito famosa.  Poucas dúvidas restam, portanto, de que foi do Pai de Neymar o conselho ao filho para segurar a  Bruna Marquezine, de olho no seu próprio futuro.

É ou não a profissão mais invejada do país?

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis

 

 

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A DONA DO PEDAÇO

 

É ela, a Rotina. Lá vem ela de novo,  a pecadora de todos nós. Oscar Wilde dizia que não existe pecado maior que o tédio. Existe sim, aquela que é a mãe do tédio: A ROTINA. A desvairada, a contínua, a perturbadora, a insistente. Eu não  a quero, você não a quer, ninguém a quer, mas ela vem, ela vem, ela vem…

Por que nunca se renova, essa bruxa persistente? Ao invés disso prefere se disfarçar de Deus, das horas, do tempo. Traz  todos os dias o mesmo café, o mesmo sol, o mesmo trabalho, a mesma urgência das coisas. Talvez por ter parte com a eternidade, além de tudo é intrometida: mete-se na nossa comida (é péssima cozinheira e se um dia comemos algo maravilhoso, lá pela terceira vez  ela chega para botar gosto ruim). Mete-se em nossa vida particular, até no nosso amor ela tenta se imiscuir como um cupim e transforma paixão em sensaboria.  Ela é tão terrível que faz o danado do cupim virar rotina em nossos móveis, nas páginas de nossos livros.

Alguém disse que todo dia é uma nova vida para aquele que sabe viver. Bonito pensar assim, mas todos  sabemos que a vida humana é apenas um breve relâmpago e que, para fazê-la brilhar  você tem que aprender que “saber viver não é tão fácil assim”. Como sentencia de novo Oscar Wilde (já virando rotina): a maioria das pessoas apenas existe, viver é para poucos. Claro, porque quem sabe viver não viveria com políticos como esses, com um engarrafamento desses, com músicas de duplas sertanejas fajutas como essas, com corruptos assim. A dona Rotina é uma implicante tão contumaz que possui  um relógio infalível chamado tempo que, como uma arma, vive apontando para nossas cabeças. E inda tem a coragem de nos perguntar: “E aí, se já cansou de mim, que tal um suicídio?”

Uma dúvida permanece. Por que não a expulsamos de vez?

Poderíamos dar um grito de liberdade a cada segundo e isso seria suficiente para espantá-la, pois a única coisa que teme é a liberdade. A liberdade de pensar, de agir, de renovar-se a cada momento pela imaginação, a única forma de superar  as mais tediosas  realidades. Mas preferimos nos agarrar à escravidão que ela nos traz: às opiniões alheias, ao inconsciente coletivo, ao politicamente correto, à mesmice das competições bobas da tevê,  aos celulares carentes de emoções.

Ou será que, no fundo, gostamos um pouco dela? Do que ela tem de constante e exato? Do seu jeito de nos despertar e adormecer sempre da mesma forma? Quantas vezes nos apegamos tanto a ela que ao invés de ela ser o nosso cupim nós é que como cupins, a alimentamos, pois, de repente, já nem sabemos o que fazer sem a sua companhia. Quando ela nos falta logo pensamos: tem alguma coisa estranha no ar. Está faltando uma lâmpada ali, um cigarrinho aqui, está faltando aquele sofá onde sento e  durmo, aquele som do aparelho, está faltando o ar.       Talvez porque saibamos que um dia morreremos e então mudará a rotina. Ou por julgarmos que por pior que seja a nossa  rotina, ELA  ainda é melhor que o desconhecimento ou o nada.

No fundo, gostaríamos que ela viesse sempre para, agradecidos, dizermos: Bendita rotina da vida!

José Ewerton Neto é autor do romance policial O ofício de matar suicidas

https://www.youtube.com/watch?v=ZNlO01ob9is

 

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