Em um ano da pandemia, Flávio Dino aumentou em quase 50% gasto com picanha, maminha e pescada amarela para o palácio

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Alta de preços das iguarias caras foi 10 vezes maior do que a taxa de inflação de 2020 calculada pelo IBGE

Flávio Dino aumentou gastos com comidas caras 10 vezes acima da inflacão

Nem mesmo a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, que desde os primeiros meses do ano passado agrava o cenário de miséria no Maranhão, pôs fim à farra gastronômica do Palácios dos Leões e demais residências oficiais do Governo do Estado. Pelo contrário, a despesa com a compra de iguarias caras como picanha, maminha, carneiro e pescada amarela (filé e em postas), aumentou quase 50% entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021, quando foram efetuadas as duas compras, contendo praticamente os mesmos itens.

Por meio do pregão nº 30/2019, a Secretaria de Estado de Governo, responsável pelo abastecimento das casas palacianas, contratou uma empresa para fornecer gêneros alimentícios como abastecer com picanha, maminha, alcatra, rabada, carneiro, filé de pescada amarela e outros 13 gêneros alimentícios as geladeiras do Palácio dos Leões e da residência oficial do vice-governador para consumo dos que residem nos dois imóveis, além de convidados e subalternos mais íntimos. O ato que oficializou o gasto, que totalizou R$ 94.248,30, foi publicado no Diário Oficial do Estado em 14 de janeiro de 2020.

Um ano depois, houve a necessidade de adquirir os mesmos itens, mas, dessa vez, o valor da compra foi de R$ 179.441,79, resultando em um acréscimo de R$ 85,2 mil, o que em termos percentuais representou uma alta de 48% em relação ao gasto com os mesmos produtos no exercício financeiro anterior. Detalhe: o aumento corresponde a mais de 10 vezes a taxa de inflação registrada em 2020, que fechou em 4,52%, segundo cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não poderia ser mais triste a constatação de que em um intervalo de 12 meses, período em que a população maranhense foi assolada pela Covid-19, com grave risco à saúde, mais de 5 mil mortes e perdas financeiras que deixaram centenas de milhares de famílias no estado expostas à fome, o governo Flávio Dino não só reabasteceu as geladeiras palacianas com comida farta, acessível apenas às mesas dos mais abastados, como pagou muito mais caro pela farra gastronômica. Chama atenção, ainda, o fato de que mesmo com o distanciamento social, que levou á restrição de visitas, atos solenes, almoços, jantares e outras reuniões oficiais e sociais, a quantidade de alimentos não foi reduzida, o que poderia ter diminuído o gasto de dinheiro público.

3,5 toneladas do bom e do melhor

Ao todo, serão nada menos do que 3.500 kg (três toneladas e meia) de carne bovina, frango, carneiro e peixe para consumo no Palácio dos Leões, na residência oficial do vice-governador, no bairro Jardim Eldorado, e demais imóveis cujo sustento provém dos cofres públicos estaduais.

De acordo com as regras contratuais, os alimentos serão fornecidos de forma parcelada, conforme a demanda das casas governamentais. Detalhe: as marcas dos produtos são as mais caras disponíveis no mercado: Sadia, Friboi, Fribal e Seara.

420 kg só de picanha

Um dos gastos que mais chamam atenção neste segundo ano da pandemia é o que bancará a compra de carne de sol de picanha (R$ 73,56 o quilo) e em postas em formato triangular (R$ 50,43 o quilo), ambas da marca Friboi. O contrato prevê o fornecimento de nada menos do que 420 kg da nobre carne, totalizando mais de R$ 26 mil. Haja apetite para degustar tanta proteína de primeira qualidade.

A maminha, outra carne de primeira, também será servida em abundância na despensa palaciana. Serão 200 kg, também da marca Friboi, ao preço unitário de R$ 37,62 e custo total de R$ 7,5 mil. Outros R$ 7,4 mil foram reservados para a compra de 200 kg de alcatra, outro corte de carne de rara frequência nas mesas das famílias mais humildes.

760 kg de postas e filé de pescada

O gasto com filé de pescada amarela (R$ 55,99 o quilo) e em postas (R$ 49,99 o quilo) é ainda maior. São 760 kg – 440 kg de filé e 320 kg de postas -, com valor somado de mais de R$ 40,5 mil.

Outra iguaria requisitada para satisfazer o requintado paladar dos comensais palacianos é o pernil de carneiro. São 40 kg da marca Friboi ou de qualidade superior, com preço unitário de R$ 52,99 e custo total de R$ 2.119,60 (dois mil, cento e dezenove reais e sessenta centavos).

As geladeiras do Palácio dos Leões e das outras residências oficiais do Governo do Estado também serão abastecidas com quase duas toneladas de coxa e sobrecoxa de frango, galinha de granja e caipira inteira abatida, peito e moela de frango, bisteca bovina, rabada bovina, patinho sem osso, costela de boi, contra-filé, coxão mole e linguiça calabresa.

Importante deixar claro que não se trata de um ato ilegal. Mas, diante das atuais circunstâncias, não são poucos que consideram a despesa imoral, o que fere pelo menos um dos cinco princípios básicos da administração pública.

Compare os preços nas planilhas de gastos referentes aos contratos firmados em 2020 e em 2021:

2 comentários para "Em um ano da pandemia, Flávio Dino aumentou em quase 50% gasto com picanha, maminha e pescada amarela para o palácio"


  1. Válbeg Santos Morais

    Isso pq ele criticou o leite condensado de Bolsonaro . Pura Hipocrisia

  2. Blogue do Graciliano

    Assim são os comunistas, “filé” para eles e “ossos” para a massa manobrada.

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