Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos

Nos últimos meses, setores da oposição têm insistido em construir a narrativa de que o governador Carlos Brandão estaria politicamente fragilizado ou condicionado a uma suposta autorização do presidente Lula para conduzir os rumos do Maranhão. Essa tentativa de enquadramento ignora o essencial: a relação entre Lula e Brandão não nasce agora, nem se sustenta por conveniências eleitorais. Ela foi construída desde o início do atual governo estadual, com base em confiança política, identidade de propósitos e compromisso concreto com o desenvolvimento do Maranhão.
Desde os primeiros momentos da gestão, Brandão foi consolidando uma forma de governar alinhada à visão de Lula sobre o papel do Estado: gerar equilíbrio social, combater desigualdades históricas e criar condições para que a população viva com dignidade. Esse entendimento comum explica por que o Maranhão passou a ocupar um lugar estratégico na agenda do governo federal. Não há subordinação nessa relação, mas convergência política e institucional, que permitiu ao Estado ampliar o alcance das políticas nacionais e, em muitos casos, complementá-las com iniciativas próprias.
No campo social, essa identidade é evidente. As políticas federais de combate à pobreza e de proteção social encontraram no Maranhão um governo disposto a fortalecê-las e ampliá-las. Há o Bolsa Família, mas há também ações estaduais que reforçam a rede de proteção e enfrentam diretamente a extrema pobreza, como o programa Maranhão Livre da Fome, criado para ampliar o alcance das políticas sociais e retirar milhares de famílias maranhenses da situação de vulnerabilidade extrema. Há o Pé-de-Meia nacional, e há iniciativas locais que caminham na mesma direção, fortalecendo a permanência dos jovens na escola. O mesmo ocorre na educação, com a expansão dos Institutos Federais combinada ao crescimento da rede estadual, e na segurança alimentar, com a ampliação de equipamentos públicos como os restaurantes populares.
Essa parceria ganha sua expressão mais visível em São Luís, que se consolidou como a grande vitrine dessa união entre o governo federal e o governo estadual. A capital concentra a maior população do Estado e recebe diariamente pessoas de todas as regiões do Maranhão. O que acontece em São Luís reverbera por todo o território maranhense. E é exatamente ali que algumas das obras mais simbólicas dessa parceria estão em curso.
A Avenida Metropolitana é um exemplo eloquente. Trata-se de uma intervenção de enorme impacto social e urbano, que interliga os quatro municípios da Grande Ilha e, dentro de São Luís, atende diretamente pelo menos 58 bairros, muitos deles historicamente marginalizados pelo poder público. Regiões como o bairro do São Raimundo, com mais de cem mil habitantes, passam a experimentar uma transformação profunda: valorização de imóveis, fortalecimento do comércio local, melhoria da mobilidade e, sobretudo, resgate da autoestima de quem vive nesses territórios. É uma obra que reorganiza a cidade e devolve dignidade a áreas esquecidas.
Outro exemplo emblemático é o prolongamento da Avenida Litorânea, que amplia o acesso da população às praias, melhora significativamente o deslocamento de quem utiliza transporte coletivo e cria uma alternativa concreta de mobilidade urbana para uma cidade que sempre sofreu com gargalos estruturais nessa área. Mais do que um cartão-postal, a Litorânea ampliada se consolida como eixo de integração urbana e regional, conectando São Luís aos demais municípios da Ilha e facilitando a circulação de trabalhadores, estudantes e famílias.
Essas obras não são exceções, mas parte de um conjunto mais amplo. A parceria entre Lula e Brandão já viabilizou mais de 1.700 projetos no Maranhão, abrangendo áreas como infraestrutura, saúde, educação, habitação, mobilidade e saneamento. Entre os desafios históricos mais sensíveis está o acesso à água. Resolver esse problema exige investimentos de grande porte, planejamento de médio e longo prazo e articulação federativa. Nesse ponto, Brandão teve papel decisivo ao levar essa demanda ao governo federal, que passou a apontar investimentos estruturantes para a área de saneamento e abastecimento no Maranhão.
Esse alinhamento, justamente por ser real e produzir resultados, passou a incomodar. Não por acaso, Brandão se tornou alvo permanente de ataques de setores do próprio campo progressista no Maranhão, que tentam enquadrá-lo como obstáculo político ou figura deslocada do projeto nacional. Esses ataques não decorrem de divergências programáticas profundas, mas de disputas internas por espaço, protagonismo e controle do processo sucessório. Trata-se de uma tentativa de desfazer, na marra, um compromisso político que não é circunstancial, mas estrutural.
O país segue polarizado, mesmo com avanços importantes. Essa polarização atribuiu a cada Estado um peso ainda maior na disputa nacional. O Maranhão, nesse contexto, tem relevância estratégica. Em 2022, a votação expressiva de Lula no Estado — em torno de 70% — foi decisiva para compensar derrotas em grandes colégios eleitorais do Sudeste. Em outras palavras, o Maranhão ajudou a equilibrar o jogo nacional. Em 2026, esse papel tende a se repetir.
É exatamente por isso que excluir Brandão do processo político é um erro eleitoral grave para o campo progressista. Ele é, hoje, o único líder no Estado capaz de dialogar com setores mais ao centro da política maranhense e transformar esse diálogo em capilaridade eleitoral junto à população. Retirá-lo da equação significa, na prática, inviabilizar a ampliação da vitória nacional de Lula no Maranhão. É, como se diz popularmente, dar um tiro no próprio pé.
Ao contrário do que tentam fazer crer, Brandão não é figura secundária nesse processo. Ele exerce protagonismo. Além de fortalecer as políticas sociais, tem atuado de forma decisiva para atrair investimentos e reposicionar o Maranhão no cenário nacional e internacional. O trabalho de potencialização do Porto do Itaqui, o debate sobre a ampliação da malha ferroviária, os investimentos em infraestrutura aeroportuária, a promoção do Estado em feiras e eventos, bem como o incentivo à cultura, à indústria, ao comércio e ao turismo, fazem parte de uma estratégia clara de desenvolvimento.
Na mesma direção, o governo estadual tem ampliado investimentos em ciência, tecnologia e inovação. O fortalecimento da FAPEMA, o estímulo à pesquisa aplicada e a criação de um ambiente favorável a startups demonstram que há uma visão de futuro em curso. Essa agenda está plenamente alinhada às políticas do governo federal e reforça a ideia de que o Maranhão pode — e deve — se transformar, a médio e longo prazo, em uma potência social, econômica e logística.
Há, contudo, um ponto de amarração decisivo para compreender essa visão de futuro: o olhar estratégico para a juventude, tendo a educação pública e a ciência como pontas de lança do desenvolvimento. Pensar o Maranhão do amanhã exige identificar onde se concentra, hoje, a face mais dura da desigualdade social — e ela está, em grande medida, na população que depende integralmente dos serviços públicos, especialmente na rede estadual de ensino.
É ali que estão os jovens mais pobres, os mais vulneráveis, aqueles que historicamente tiveram menos acesso a oportunidades. E foi exatamente para esse público que o governo estadual direcionou uma política integrada, partindo do princípio de que não há desenvolvimento possível sem investir, de forma estruturada, na formação dessa juventude. A lógica é simples e poderosa: jovens precisam estar nutridos, protegidos e conectados para que possam desenvolver plenamente suas capacidades cognitivas e projetar novos horizontes.
Nesse sentido, a política de alimentação escolar ganhou centralidade. Programas como a Merenda de Verdade, voltados à oferta de alimentação de qualidade, cumprem um papel que vai muito além do prato servido: garantem condições mínimas para o aprendizado, fortalecem a permanência na escola e impactam diretamente a saúde e o desempenho dos estudantes. Nutrir a juventude é condição básica para liberar o potencial intelectual de uma geração inteira.
O segundo eixo desse tripé é a permanência escolar. Iniciativas alinhadas ao Pé-de-Meia, em articulação com ações estaduais complementares, ajudam a assegurar que o jovem permaneça estudando, reduzindo a evasão e criando perspectivas concretas de futuro. Trata-se de uma política que reconhece a realidade material das famílias mais pobres e atua para quebrar o ciclo da exclusão educacional.
O terceiro pilar é a democratização do acesso à tecnologia. A distribuição de tablets para os estudantes da rede estadual não se resume à entrega de um equipamento eletrônico. Ela representa a abertura de portas para o mundo do conhecimento. Ao colocar esses jovens em contato direto com conteúdos educacionais, científicos e culturais, o Estado amplia horizontes, estimula a autonomia intelectual e insere essa juventude no circuito contemporâneo da informação e da inovação.
Essas três vertentes — alimentação de qualidade, permanência escolar e acesso à tecnologia — formam um conjunto coerente, integrado e profundamente transformador. Elas expressam uma visão de Estado que reconhece a juventude como mola mestra de qualquer processo real de transformação social e dão sustentação ao caminho que o Maranhão vem trilhando.
Por isso, é preciso afirmar com clareza: não será uma disputa eleitoral que vai desfazer tudo o que foi construído ao longo desses anos. A união entre Lula e Brandão não é fruto de conveniência momentânea. Ela nasce de uma visão comum de Estado, de compromisso com a justiça social e de um projeto de desenvolvimento que o Maranhão não pode se dar ao luxo de interromper. O povo maranhense não merece retrocessos nem aventuras políticas. Merece continuidade, seriedade e respeito ao futuro.