Inadimplência cai e reforça consumo das famílias em São Luís

Pesquisa da Fecomércio aponta redução para 25,4% na inadimplência, menor patamar para os meses de dezembro desde 2019, apesar do endividamento ainda elevado

São Luís, 27 de janeiro de 2025 – A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta que 71,6% das famílias de São Luís encerraram 2025 endividadas, enquanto a inadimplência recuou para 25,4%, o menor patamar já registrado para meses de dezembro desde o início da série histórica, em 2019.

O dado revela um quadro de maior equilíbrio nas finanças domésticas. Embora o uso do crédito continue disseminado, especialmente entre famílias de renda média e baixa, uma parcela menor dos consumidores entrou em atraso no pagamento de suas contas, reduzindo o risco imediato para o consumo e para o comércio local.

O percentual de famílias endividadas mantém trajetória de acomodação após o pico observado durante a pandemia: em dezembro de 2020, o endividamento chegou a 88%. Desde 2022, o indicador passou a oscilar em torno de 72%, sinalizando que cerca de sete em cada dez famílias convivem de forma recorrente com algum tipo de dívida, sem avanço expressivo desse comprometimento.

A composição do endividamento ajuda a explicar esse comportamento. O cartão de crédito segue como principal modalidade, concentrando 77,6% das dívidas, proporção que sobe para 80% entre famílias com renda de até 10 salários mínimos. Trata-se de um crédito de curto prazo, sensível aos juros, mas que permite maior flexibilidade na gestão do orçamento quando usado de forma controlada.

O principal avanço aparece na qualidade desse endividamento. Em dezembro de 2025, a inadimplência recuou 21,6% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando uma tendência de queda observada nos últimos anos. Em 2020, no auge da crise sanitária, 41,5% das famílias endividadas estavam com contas em atraso. Em 2024, esse percentual caiu para 32,4% e, agora, atinge o menor nível da série.

Outro indicador reforça esse cenário mais estável. Apenas 5% das famílias declararam não ter condições de pagar as dívidas em atraso, o menor índice já registrado para meses de dezembro. Esse grupo representa o núcleo mais crítico do endividamento, quando a dívida deixa de ser administrável e passa a comprometer de forma estrutural o orçamento familiar.

Na comparação com o cenário nacional, São Luís apresenta desempenho relativamente mais favorável. No Brasil, 78,9% das famílias estavam endividadas em dezembro de 2025, e 12,6% afirmaram não ter condições de pagar as dívidas em atraso, destacando-se que o último percentual é mais que o dobro do observado na capital maranhense.

Para o comércio, o recuo da inadimplência é um sinal relevante. São esses indicadores de atraso e incapacidade de pagamento que afetam diretamente o comportamento do consumidor, influenciando decisões de compra, uso do parcelamento e disposição para consumir itens não essenciais.

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, os dados exigem leitura estratégica por parte do empresariado. “Menos inadimplência significa mais previsibilidade para o comércio. O consumidor segue endividado, mas está pagando melhor suas contas. Isso amplia o espaço para vendas planejadas, melhora o risco do crediário e permite ao empresário ajustar ofertas, prazos e mix com foco em rentabilidade, não apenas em volume”, analisa.

O cenário não elimina fragilidades. O endividamento elevado mantém o consumo dependente do equilíbrio entre renda, preços e custo do crédito. No entanto, a queda consistente da inadimplência indica que São Luís fecha 2025 com menor risco de retração abrupta no consumo.

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