Maranhão precisa de faixas exclusivas para motos e expansão do sistema de freio ABS para reduzir acidentes sobre duas rodas

Recomendação foi transmitida durante o 4º Workshop Vias Seguras, realizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Realizado nos dias 12 e 13 de maio, no Auditório Eliseu Resende, em Brasília, o 4º Workshop Vias Seguras reuniu especialistas, representantes do setor regulado, instituições parceiras e sociedade civil para debater estratégias de redução de sinistros nas rodovias e ferrovias federais. Durante o evento, o Maranhão foi apontado como um dos estados prioritários para adoção de medidas de segurança para a prevenção de acidentes com motocicletas.

Em um dos painéis, ganhou destaque a recomendação dirigida ao Maranhão e a outras unidades da federação com alto índice de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas. Para reverter os números alarmantes, foram apontadas duas medidas urgentes: ampliar vias segregadas, como faixas exclusivas para motos, e destacou que a expansão do sistema ABS para toda a frota, hoje obrigatório apenas em motos acima de 300 cilindradas.

Ao falar sobre a física do problema, o diretor técnico da Sttrada Segurança Viária, Luiz Fernando Romano Devico, informou que a 100 km/h, a chance de morte ou lesão grave para um motociclista chega a 75%, contra 15% para o motorista de um automóvel na mesma velocidade.

Devico afirmou que a adoção das medidas de segurança pode reduzir em até 37% a gravidade dos sinistros. Segundo ele, estados do Norte e do Nordeste, especialmente Maranhão, Piauí e Pará, foram apontados como prioridades para ações regionalizadas.

O evento integra o Maio Amarelo 2026 e se consolida como um dos principais espaços de diálogo técnico da ANTT sobre segurança viária. Nesta edição, o debate chegou também às crianças: cerca de 30 alunos da rede pública do Distrito Federal participaram de atividades educativas na sede da Agência, com demonstrações do Corpo de Bombeiros, visita a uma ambulância e conversa com fiscais da ANTT sobre transporte seguro. Em 2025, o evento registrou mais de 1.500 inscritos e ultrapassou 3.000 acessos na transmissão ao vivo.

Mortalidade

O segundo dia foi o mais denso. Quatro painéis técnicos, uma simulação ao vivo de desencarceramento e o encerramento pela Diretoria Colegiada compuseram uma agenda que partiu dos números de mortalidade e chegou a estratégias concretas de proteção aos usuários das rodovias federais.

O ponto de partida foi o grupo mais vulnerável do trânsito nacional: os motociclistas. Dados consolidados pelo Ipea e pela ANTT mostram que, enquanto o índice geral de acidentes recuou, a letalidade entre motociclistas subiu 20% no início de 2026. O Brasil registrou 34,5 milhões de motos em circulação em 2024. A estimativa é que cada novo milhão de veículos nas estradas gere 400 mortes adicionais por ano. O impacto já ultrapassa R$ 2 bilhões anuais em internações no SUS, com motociclistas respondendo por 55% de tudo o que o trânsito consome em gastos hospitalares no país.

Por trás desse número está uma transformação econômica que a infraestrutura ainda corre para acompanhar. O setor de entregas por aplicativo cresceu 149% desde 2020, e hoje 20,8% dos motociclistas acidentados atendidos são trabalhadores de plataformas em serviço. A pressão pelos prazos curtos aparece associada ao descumprimento de normas básicas: uso do celular durante a pilotagem, excesso de velocidade e ausência de equipamentos de proteção. Em vias expressas, 77% dos motociclistas trafegam acima do limite permitido. Pilotar sem capacete representa 43% das infrações registradas, e 26% circulam sem viseira.

O gerente-executivo de Atendimento Pré-Hospitalar da Motiva, Juliano Roque, colocou o argumento com precisão: a agilidade do setor de entregas não pode ser financiada pela vida do condutor, e o risco precisa ser internalizado antes que o custo hospitalar continue crescendo para toda a sociedade.

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