Por Marlon Botão, ex-secretário de Cultura de São Luís, marqueteiro e militante político há mais de 40 anos

A política exige leitura de conjuntura, coragem e, sobretudo, capacidade de tomar decisões no tempo certo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a experiência de quem construiu a maior trajetória política da história recente da América Latina, acaba de dar uma demonstração clara dessa maestria ao sinalizar, em parceria com o governador Carlos Brandão, um caminho que recoloca o PT do Maranhão no centro do jogo político nacional.
Trata-se de uma decisão de grande relevância para o Maranhão e para o campo progressista. Ao construir, com o governador Brandão, a possibilidade de o PT eleger uma senadora no estado, Lula não apenas fortalece o partido localmente, como também responde a uma demanda histórica da política brasileira: ampliar, de forma concreta, a presença das mulheres nos espaços de poder.
A indicada para esse projeto é a deputada estadual Iracema Vale, atual presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão. Não se trata de um nome improvisado ou circunstancial. Iracema consolidou-se nos últimos anos como uma das principais lideranças políticas do estado, exercendo um papel central na articulação institucional e na estabilidade política do Maranhão. Sua trajetória expressa, com clareza, a força de um campo progressista que compreende a política como instrumento de transformação social.
A eventual chegada de Iracema Vale ao Senado, pelo PT e pelo campo progressista do Maranhão, teria um significado que vai além da representação formal. Trata-se de um acúmulo político e simbólico relevante: uma mulher, nordestina, com trajetória construída no Legislativo estadual, ocupando um dos espaços mais estratégicos da política nacional. Isso tende a gerar efeitos duradouros, estimulando outras mulheres a se engajarem na vida pública e fortalecendo a presença feminina em instâncias de decisão.
Essa construção ocorre em um momento histórico marcado por forte polarização. O Brasil não vive apenas uma disputa entre partidos, mas um embate mais profundo entre projetos de sociedade. De um lado, forças progressistas que defendem democracia, inclusão social e redução das desigualdades. Do outro, uma direita — e uma “outra direita” — que opera pelo oportunismo político e pela tentativa permanente de naturalizar privilégios, empurrando o país para o atraso.
Nesse contexto, a formação de uma bancada sólida no Senado e na Câmara dos Deputados é estratégica. Reeleger o presidente Lula é fundamental, mas não suficiente. É indispensável construir maioria política capaz de sustentar projetos estruturantes, barrar retrocessos e enfrentar iniciativas autoritárias travestidas de pragmatismo. A articulação envolvendo o PT do Maranhão dialoga diretamente com esse desafio nacional.
No plano estadual, o gesto também é carregado de significado político. O governador Carlos Brandão, hoje a principal liderança política do Maranhão, ratifica essa construção e reafirma, mais uma vez, que o caminho do PT no estado passa pela convergência com o projeto que governa o Maranhão. Essa parceria não enfraquece o partido — ao contrário, amplia sua capacidade de influência e protagonismo.
O PT maranhense, ao longo de sua história, jamais esteve tão próximo de ocupar um espaço estratégico como o que se desenha agora. A possibilidade de eleger uma senadora, articulada com o Palácio do Planalto e com o governo estadual, recoloca o partido em posição central no debate político, tanto em Brasília quanto no Maranhão.
Não se trata de um movimento isolado nem de uma escolha de ocasião. É uma decisão política madura, que combina visão nacional, leitura do cenário estadual e compromisso com a renovação do campo progressista — especialmente no que diz respeito à representação das mulheres.
Quem ganha com isso não é apenas um nome ou uma sigla. Ganha o PT do Maranhão, ganham as mulheres na política, ganha o projeto progressista nacional e ganha o Brasil, que precisa de mais democracia, mais equilíbrio institucional e menos espaço para o autoritarismo disfarçado de pragmatismo.
É assim que se faz política com responsabilidade histórica: olhando para o presente, mas decidindo com os olhos no futuro.