Onde estão Ágatha e Allan? Bacabal completa 30 dias de espera e esperança

Maranhão registra mais de mil casos de pessoas desaparecidas

Os irmãos Allan Michael, de 4 anos, e Agatha Isabelly, de 6, desapareceram há um mês, em Bacabal

O mistério em torno do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completa 30 dias nesta quarta-feira (4) ainda sem respostas. O caso, que segue comovendo a cidade de Bacabal, o Maranhão e o Brasil, teve início no dia 4 de janeiro, quando três crianças desapareceram enquanto brincavam no quilombo de São Sebastião dos Pretos, na zona rural do município no interior do Maranhão.

Anderson Kauã (8), primo de Ágatha e Allan, foi localizado com vida e em segurança três dias após o desaparecimento, mas o paradeiro dos irmãos permanece uma incógnita. A Polícia Civil do Maranhão, com o apoio de equipes especializadas e cães farejadores, tem concentrado esforços em perícias e buscas em áreas rurais de difícil acesso. Durante este primeiro mês, as investigações reuniram mais de 500 pessoas na mata, entre policiais militares e civis, bombeiros e até o Exército, além de equipes de voluntários. Recentemente, a polícia também descartou pistas falsas que sugeriam que os irmãos teriam sido vistos em São Paulo.

A dor vivida em Bacabal é parte de uma triste estatística: só no Maranhão, foram 1.182 casos de pessoas desaparecidas em 2025. Desses, 318 envolveram crianças e adolescentes. Já no cenário nacional, o Brasil registrou 84.760 desaparecidos em 2025, uma média de 232 casos por dia. Cerca de 30% dessas ocorrências são relacionadas a menores de idade.

AGILIDADE

Em casos de desaparecimento, a agilidade é o fator determinante, conforme explica a assistente social e professora do curso de Serviço Social da Estácio, Enaire Sousa. “Antes de qualquer coisa, é importante romper com a crença de que há necessidade de se esperar que o desaparecimento complete 24 horas. A lei e as orientações da polícia no Brasil dizem que você deve informar o desaparecimento o quanto antes”, explica.

O registro imediato do boletim de ocorrência também é fundamental. “Ao fazer esse registro, é importante repassar as informações mais exatas possíveis referentes à criança, com descrição física completa, idade, altura, peso, cor dos olhos, cabelo, roupas que usava no momento em que sumiu, locais frequentados e a última localização conhecida”, detalha a professora, que recomenda também que uma foto recente da criança seja apresentada às autoridades, para ajudar nas buscas.

Além da busca física, o desaparecimento de uma criança exige a atuação de uma rede de proteção integrada. “Esse é um evento que traz impactos sociais profundos para a família. Precisa haver atuação conjunta e contínua de equipes de assistência social, saúde, educação e justiça junto à família”, afirma Enaire. Ela alerta ainda para erros que podem comprometer as buscas, como a divulgação desorganizada em redes sociais. No caso de Bacabal, essa prática tem resultado em golpes e notícias falsas, o que tem agravado o sofrimento da família.

Enquanto a comunidade mantém sua rede de apoio e vigília, os números de emergência oficiais como o 190 (Polícia Militar) e o 181 (Disque Denúncia) seguem abertos. Qualquer informação sobre Ágatha e Allan pode ser a peça que falta para encerrar esse ciclo de espera e trazer o alento necessário aos corações que esperam há exatamente um mês por notícias.

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