
Policiais civis cobram do Estado do Maranhão a apuração da responsabilidade administrativa pela morte da escrivã Loane Maranhão da Silva Thé, assassinada a golpes de faca, em 15 de maio deste ano (relembre), dentro da Delegacia da Mulher de Caxias, quando tomava o depoimento de um homem acusado de estuprar suas filhas menores. Os colegas de Loane reclamam que enquanto a investigação criminal está sendo bem conduzida pelo Ministério Público Estadual, a Secretaria de Segurança Pública ainda não tomou providências no âmbito administrativo em relação ao caso.
Em texto encaminhado ao blog, o policial civil Marcus Vinícius Fernandes Rodrigues acusa do Estado de omissão em relação ao crime, que teve repercussão nacional. Ele lembra que durante o velório de Loane, em Teresina (PI), o secretário de Segurança Pública, Marcos Afonso Júnio, e o superintendente de Polícia Civil do Interior, Jair Lima, prometeram adotar todos os procedimentos administrativos para apurar se houve falha de conduta de servidores dentro da delegacia onde ocorreu o homicídio.
Marcos Vinícius faz uma série de questionamentos cujas respostas seriam fundamentais para esclarecer o caso e identificar possíveis culpados. Ele pergunta, por exemplo, por que a escrivão estava sozinha tomando o depoimento do acusado, atribuição de compete exclusivamente ao delegado. Questiona também onde estava a delegada no momento do crime e porque o assassino não foi revistado antes de entrar na delegacia.
Abaixo a íntegra do texto encaminhado ao blog pelo policial civil Marcus Vinícius Fernandes Rodrigues:
OMISSÃO DO ESTADO DO MARANHÃO NO ASSASSINATO DE LOANE MARANHÃO DA SILVA THÉ
Lamentável o descaso da Segurança Pública do Estado do Maranhão quando não se vê a apuração pelo próprio Estado da responsabilidade pela morte da policial-escrivã de polícia de Caxias Loane Maranhão da Silva Thé, assassinada brutalmente dentro da Delegacia da Mulher de Caxias em 15.05.2014. Este caso teve repercussão nacional.
O Sr. Secretário de Segurança do Estado, Dr. Marco Afonso Júnior e o Superintendente de Polícia Civil do interior do Maranhão, Dr. Jair Lima de Paiva, durante o velório da escrivã em Teresina-PI, em nota e entrevista disseram que todos os procedimentos administrativos já foram tomados para investigar se houve falha de conduta de servidores dentro da Delegacia da Mulher de Caxias, já que a vítima era escrivã de polícia e a responsabilidade de tomar depoimento é exclusiva de Delegado.
Mas parece que ficou por isso mesmo, pois não se tem notícia de qualquer apuração por parte do Estado do Maranhão. Enquanto a Justiça vai cumprindo o seu papel, pois sabe-se que o criminoso está preso e já denunciado pelo Ministério Público, o Estado do Maranhão permanece inerte e omisso, pois até o momento não se sabe de nenhuma apuração administrativa por parte do Estado. Por que a escrivã estava desempenhando uma atividade que não era atribuição sua? Por que a escrivã estava sozinha tomando o depoimento de acusado do crime de estupro das próprias filhas? Onde estava a Delegada no momento do crime? Por que os agentes de polícias não revistaram o assassino antes de entrar na delegacia? Com pode uma delegacia de polícia oferecer segurança à sociedade se os próprios policiais que ali trabalham correm risco de vida, sem as mínimas condições de segurança necessárias para desempenharem a sua função?
Devemos cobrar a apuração administrativa deste bárbaro crime para que o próprio Estado não se declare refém da criminalidade e para que providências sejam tomadas a fim de evitar novas mortes de policiais dentro de delegacias no cumprimento de seu dever legal. Que a morte de Loane não tenha sido em vão.
4 comentários em “Policiais cobram apuração de responsabilidade administrativa por assassinato de escrivã em Caxias”
Esse policial que elaborou essa nota está muuuuito desinformado. A investigação administrativa do caso iniciou logo após os fatos. Meu caro policial, procure saber a verdade antes de propagar mentiras.
Inverdade pura. O caso já está sendo investigado. Procure se informar melhor.
Isto é puro descaso do Estado do maranhão. A informação que se sabe é que foi feito apenas um Relatório, mas não se apura nenhuma responsabilidade administrativa. Tem algo errado aí.
Moro em Teresina, cidade da vítima e aqui o que se sabe é apenas de um relatório feito pela Corregedoria de polícia do Maranhão, mas não foi feito sindicância. É um horror! É um descaso com uma policial que morreu dentro de uma delegacia. Tem que ser apurado a responsabilidade administrativa. O Estado do Maranhão não pode ficar omisso.