
O debate entre candidatos a prefeito de São Luís realizado pela TV Band, em parceria com a TV UFMA transcorreu em clima ameno, mas foi marcado por alguns questionamentos relevantes e abordagens precisas. Também foi útil para situar o eleitor sobre o posicionamento, o papel e os atrelamentos de cada um dos 11 postulantes à eleição majoritária na capital maranhense.
Pesou contra o debate o fato de ter ocorrido muito tarde – começou por volta das 22h30 e só terminou depois de 1h da madrugada. Ainda assim, serviu para dar ao espectadores que conseguiram assistir ao programa até o fim as primeiras impressões sobre o que vem por aí na campanha.
Abaixo, uma análise resumida sobre a participação de cada candidato no debate:
Eduardo Braide (Podemos): preocupado em mostrar preparo e mencionar ações que já realizou em favor de São Luís, não conseguiu abordar com a ênfase necessária os desafios que terá pela frente, caso seja eleito prefeito da capital. Mesmo líder em todas as pesquisas, foi pouco atacado pelos principais rivais.
Duarte Jr. (Republicanos): centrou foco no retrospecto da sua passagem pelo Procon e Viva Cidadão, que classifica como experiência revolucionária para a gestão pública. Também citou o início humilde da sua trajetória de trabalhador, como vendedor de chip de telefone celular na Rua Grande e palhaço em programa de TV. Irónico em certos momentos, não conseguiu atrair nenhum adversário para o embate direto. Esperava-se mais do midiático candidato.
Rubens Jr. (PCdoB): com boa desenvoltura, insistiu, assim como Duarte Jr., em relembrar sua passagem pelo Poder Executivo estadual, no caso dele, como secretário de Cidades, no governo Flávio Dino (PCdoB), exaltando feitos nas áreas de habilitação e urbanismo, principalmente. Demonstrou segurança ao confirmar que tem lado político, mas ao declarar sua identificação com o ex-presidente Lula, condenado pela Lava Jato por corrupção, pode ter dado ao eleitorado motivo suficiente para não votar nele.
Neto Evangelista (DEM): sem entusiasmo, beirando a apatia, por pouco não passou despercebido no debate ante o desempenho mais expressivo de alguns oponentes, até mesmo os menos cotados na disputa. Terá que melhorar muito sua retórica e aumentar a própria empolgação ao longo da campanha, caso queira ter alguma chance de ir para o segundo turno
Yglésio Moisés (Pros): no início, pareceu que ia se limitar a recordar a sua trajetória difícil, de filho de mãe solteira, até tornar-se um médico conceituado. Na sequência do debate, demonstrou bom preparo, raciocínio rápido e autocontrole em momentos de pressão. Não revidou uma provocação do adversário Duarte Jr. e manteve intacta sua postura propositiva. Provou que é um candidato consistente e que pode ir mais longe do que as pesquisas mostraram até agora.
Bira do Pindaré (PSB): outro que admitiu publicamente sua vinculação política ao Governo do Estado e à Prefeitura de São Luís. De boa retórica, fez intervenções interessantes sobre cultura. Instado a comentar a importância da Guarda Municipal no reforço às ações de segurança pública, tergiversou. Rechaçou afirmação do candidato Franklin Douglas (PSOL) de que mantém indicados na área cultural nas gestões do governador Flávio Dino (PCdoB) e do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).
Franklin Douglas (PSOL): avaliado por grande parte do público, da imprensa e da blogosfera como o candidato que teve o melhor desempenho no debate, começou sua participação com questionamentos incisivos e precisos aos rivais, sobretudo aos que apontou como integrantes de um suposto consórcio governista na disputa pela Prefeitura de São Luís. Foi implacável do início ao fim em suas intervenções, incomodou oponentes com perguntas firmes e demonstrou ter conhecimento e argumentos para fazer uma campanha de alto nível. Certamente, saiu do debate bem maior do que entrou.
Jeizael Marques (Rede Sustentabilidade): apelou para a sua próprigem humilde e pontuou a maioria das suas falas por criíticas aos agentes públicos. Por ser comunicador por profissão, tem excelente desenvoltura diante das câmeras e sua habilidade como locutor garante maior clareza na transmissão das suas ideias. Surpreendeu ao apontar múltiplos erros da administração pública, mesmo fazendo parte do campo político de atuação do governador Flávio Dino (PCdoB). A postura raivosa, que beira a afronta, em alguns momentos, pode atrapalhar, pois tende a levar à perda do controle.
Hertz Dias (PSTU): soube encarnar muito bem as ideias da ultraesquerda. Seu maior trunfo no debate foram seus notórios conhecimentos sobre educação, inclusive com a apresentação de dados estatísticos. Sua aversão ao governo Jair Bolsonaro pode pesar contra, ante a ascenção da popularidade do presidente na região Nordeste e, por consequência, em São Luís.
Carlos Madeira (Solidariedade): a exemplo de outros candidatos, abordou, de início, sua origem humilde como morador do Bairro de Fátima e ex-feirante e ex-ajudante de pedreiro. Defendeu a transparência e a credibilidade na gestão pública. Sua ascensão profissional, partindo do trabalho braçal, para tornar-se professor, promotor de Justiça, juiz estadual e juiz federal, é uma surpreendente história de superação. Apesar do brilhantismo que marca sua trajetória, a comunicação com o eleitorado parece não ser o seu ponto forte.
Sílvio Antônio (PRTB): entrou livre, leve e solto no debate, fazendo árdua defesa de Bolsonaro e disposto a cativar os votos da extrema direita. Partiu para o ataque na maioria das suas intervenções, mirando principalmente os defensores dos governos passados do PT. Mostrou que tem a acrescentar em qualquer debate.
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