
O espetáculo “Argila”, de Áurea Maranhão, obra-instalação que escava as urgências do presente, tem como ponto de partida provocações trazidas pelas obras do escritor e neurocientista Sidarta Ribeiro e do líder indígena e escritor Ailton Krenak. A apresentação única acontece dia 27 de março, às 20h, no Teatro Napoleão Ewerton, no prédio da Fecomércio/Sesc/Senac, em frente ao Hotel Íbis.
Em Argila, uma atriz, uma musicista e uma cidade em miniatura em cena contam histórias de ancestralidade e uma sociedade adoecida pelo sistema, com direção, dramaturgia e performance de Áurea Maranhão e direção e performance musical de Valda Lino. O espetáculo é produzido pelo núcleo artístico Terra Upaon Açú, de São Luís do Maranhão, aprovada no Edital Fomento Núcleos Artísticos – PNAB, chamamento público 006/2025 – SECULT/SL, com recursos da Política Nacional Aldir Branc de Fomento à Cultura (Lei Nº 14.399/2022).
A dramaturgia é livremente inspirada em obras literárias que abordam questões cruciais da existência humana e do futuro do planeta, como “Sonho Manifesto”, do neurocientista Sidarta Ribeiro, e livros de Ailton Krenak, como “O Amanhã Não Está à Venda”,”A Vida Não é Útil” e “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo”.

“Apesar dos desafios apresentados, tanto Ribeiro quanto Krenak oferecem perspectivas otimistas e inspiradoras, convidando à ação e à transformação social. Suas vozes ressoam como faróis de esperança e inspiração, apontando para um caminho de renovação e transformação em meio aos desafios e incertezas do presente”, revela a idealizadora da montagem, Áurea Maranhão.
O trabalho é uma espécie de ritual cênico, no qual palavra, barro e música respiram juntos. Essa travessia sensorial começa na penumbra de um símbolo de justiça e termina num grito coletivo por reinvenção. Cada gesto sobre o barro questiona a herança violenta que carregamos, e propõe uma ética radical do cuidado.
Esses trabalhos oferecem reflexões profundas sobre a importância da reconexão com a natureza e a sabedoria ancestral para uma vida mais sustentável, criticando o paradigma do progresso a qualquer custo e destacam a necessidade de uma abordagem mais consciente e inclusiva para o desenvolvimento humano.

Com um cenário de cidade em miniatura feito de argila, e complementado por uma iluminação e trilha sonora original, a peça convida o público a refletir sobre a transformação pessoal e coletiva necessária para nossa sobrevivência e prosperidade.
A argila não é apenas um mineral, aqui é trazida como um símbolo poderoso de resiliência, adaptação e renascimento. “Nosso trabalho com a argila busca ser uma ferramenta visceral para recuperar a escuta do corpo e curar as mazelas da contemporaneidade, como a solidão causada pelo excesso de virtualidade e a falta de intimidade com nossos próprios desejos.”
Essa narrativa costura texto falado, narrativas em off, trilha original percutida ao vivo por Valda Lino (que também assina a direção musical) e uma coreografia de luz que lentamente “escava” o palco. Em cena, a performer alterna narrativa épica e confissão íntima, atravessando temas como sonho coletivo, justiça climática e resistência feminina.
Poesia física, som imersivo e discurso afiado, Argila transforma sala, auditório ou palco italiano em arena de diálogo entre espectadores e as grandes perguntas do nosso tempo: quem fomos? quem somos? e quem ainda podemos ser, se ousarmos sonhar juntos?

A peça é protagonizada por uma equipe diversa de artistas residentes em São Luís do Maranhão. Além da diretora, dramaturga e performer, estão no time Valda Lino, responsável pela direção musical e performance musical; Luty Barteix, pela direção de movimento e assistência de direção; Renato Guterres, pelo desenho e operação de luz; Eliane Barros, pela direção de arte, maquiagem e figurino: Tathy Yazigi, pela provocação e orientação; e Amanda Travassos, identidade visual, designer (projeto) e social media, Rob Falcão produção de palco e contrarregragem.
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Sinopse
Uma criança sobe na árvore, o mangue escorre pelos pés, o corpo cai. A lama acolhe. Em ARGILA, a memória não é lembrança distante, é matéria viva que pesa, suja e sustenta. A voz da avó atravessa o tempo, conta histórias, adverte e cuida. Sonhar não é fuga, é compromisso. O corpo aprende a cair, a escutar, a resistir. Uma cidade de barro se ergue e se desfaz diante dos olhos, como tudo o que é feito sem cuidado. Entre o rio que sobe, o sonho que insiste e as marcas deixadas pela violência e pela pressa, ARGILA constrói uma travessia onde passado e futuro se encontram no agora. Um espetáculo sobre aprender a parar, a olhar o que foi quebrado e a moldar, com as próprias mãos, outros modos de seguir.

Serviço
ARGILA, de Áurea Maranhão
Apresentação única 27/03/2026
Teatro Napoleão Ewerton (SESC) / 20h
Avenida dos Holandeses, s/n, quadra 24, dentro do Condomínio Fecomércio/Sesc/Senac, no bairro Jardim Renascença II
Ingressos: Meia – R$ 10,00 / Inteira – R$ 20,00
Classificação: 12 anos
Duração: 55 minutos
Capacidade: 240 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzid
Ficha técnica
Direção geral, dramaturgia e performance: Áurea Maranhão (@aurea.maranhao)
Direção e performance musical: Valda Lino (@valdalinoartista)
Direção de movimento e assistência de direção: Luty Barteix (@lutybarteix)
Direção de arte, maquiagem e figurino: Eliane Barros (@eelibarros)
Desenho: Renato Guterres (@renatoguterres)
Operação de luz: Nina Araujo (@nina.araujo)
Produção de palco e contrarregragem: Rob Falcão (@robfalcao)
Designer, identidade visual e social media:Amanda Travassos (@amandatravassos)
Provocação e orientação artística: Tathy Yazigi (@tathyyazigi)
Produção executiva: Terra Upaon Açú Filmes LTDA (@terraupaonfilmes)
Fotos: Caio Oviedo
Assessoria de imprensa: João Carlos Raposo (@joaocarlosraposo3)
Coordenação de produção: Valda Lino (@valdalinoartista)
Produção geral: Áurea Maranhão (@aurea.maranhao)
Produção: Nicole Meireles @nicolemeireles_ e Luty Barteix (@lutybarteix).