Inadimplência volta a subir em São Luís no primeiro trimestre

Pesquisa da Fecomércio indica que famílias ludovicenses enfrentam maior dificuldade para honrar compromissos, interrompendo a trajetória de queda do ano passado

São Luís, 22 de abril de 2026 – A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que o início de 2026 marca uma mudança no orçamento das famílias da capital maranhense.

Após um ano de 2025 marcado por uma trajetória de queda, a inadimplência voltou a subir. O percentual de famílias com contas em atraso avançou 14,7% no primeiro trimestre, saltando de 25,1% em janeiro para 28,8% em março.

O dado aponta uma deterioração da capacidade de pagamento dos consumidores no curto prazo. Esse movimento de alta ocorreu com intensidade superior ao crescimento do endividamento geral, que passou de 73,9% para 78,8% no mesmo período, uma elevação de 6,6%.

Essa diferença de ritmo sinaliza que o uso recorrente do crédito para sustentar o consumo, muitas vezes para cobrir despesas essenciais do dia a dia, está atingindo um limite. As famílias estão acessando mais crédito, mas encontrando barreiras crescentes para honrar os boletos.

Cenário econômico

O cenário local reflete uma tendência nacional. Segundo a CNC, o percentual de famílias endividadas no Brasil atingiu 80,4% em março, o maior nível da série histórica, confirmando a forte dependência do crédito para a manutenção do custo de vida.

O principal vilão desse cenário continua sendo a pressão inflacionária. Em março de 2026, a inflação em São Luís atingiu 1,39%, uma das maiores variações entre as capitais brasileiras. Itens básicos, como alimentação e transporte, foram os principais responsáveis pela compressão da renda disponível.

A alta de 4,47% nos combustíveis, com destaque para a gasolina, teve efeito cascata sobre toda a cadeia logística, encarecendo bens e serviços. Com menos dinheiro sobrando no bolso, o consumidor recorre ao cartão de crédito, modalidade que responde por 78,2% das dívidas, para equilibrar as contas, pagando juros elevados em um ambiente ainda restritivo.

Embora a taxa Selic esteja em ciclo de redução, os 14,75% ao ano ainda pesam sobre o custo do dinheiro. Para o empresariado, o quadro exige cautela, pois o comprometimento médio da renda das famílias, que se mantém próximo de 30%, reduz drasticamente a margem para novas compras e investimentos.

Estratégia para o empresariado

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, os dados exigem uma postura estratégica dos lojistas frente à nova realidade.

“Esse cenário de inadimplência crescente é um sinal claro para o empresariado recalibrar suas margens. O foco precisa migrar do volume de vendas a qualquer custo para uma gestão mais eficiente da carteira e dos riscos. O lucro sustentável nesse momento virá da inteligência na concessão de crédito e do controle rigoroso dos custos operacionais, garantindo que a margem compense a volatilidade do consumidor”, avalia Feijó.

Apesar da piora nos indicadores, há um dado que traz um alento parcial. O percentual de famílias que declaram não ter nenhuma condição de pagar suas dívidas recuou de 5% para 4,5%. Isso sugere que, embora o atraso esteja mais comum, as famílias ainda estão buscando alternativas, como renegociações e cortes de gastos, para manter o equilíbrio financeiro.

No entanto, o cenário requer cautela. A combinação de crédito caro, inflação pressionando itens de primeira necessidade e uma estrutura de dívidas concentrada em prazos curtos aponta para uma provável desaceleração do consumo nos próximos meses, exigindo que o comércio se prepare para um ambiente de vendas mais desafiador.

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