Inflação de São Luís em setembro foi de 1%

É o que aponta o IPCA calculado pelo IBGE; taxa da capital maranhense superou a nacional

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, em São Luís, registrou elevação de 1,00%. Portanto, houve uma aceleração no aumento de preços em relação ao mês anterior, agosto/2020, quando foi registrada alta de 0,38%. A última vez que o IPCA de São Luís havia alcançado índice de preços que atingisse a casa do 1,0% ou mais foi em dezembro de 2019, quando a inflação em São Luís chegou ao patamar de 1,47%.

Em todas as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE houve quadro inflacionário, sendo que a taxa de São Luís foi a quinta mais elevada. A maior inflação no mês de setembro foi observada em Campo Grande, com IPCA de 1,26%. A menor taxa de aumento de preços foi detectada na Região Metropolitana (RM) de Salvador, índice de 0,23%.

IPCA
PeríodoSão LuísBrasil
Setembro 20201,00%0,64%
Agosto 20200,38%0,24%
Setembro 2019-0,22%-0,04%
Acumulado no ano1,31%1,34%
Acumulado 12 meses3,50%3,14%

Tanto o IPCA de São Luís quanto o IPCA de Brasil continuam abaixo da meta inflacionária definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4% no ano de 2020, podendo variar 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou 1,5 p.p. para baixo. Nos nove primeiros meses do ano, tanto para São Luís quanto para Brasil, os números estão abaixo do piso da meta inflacionária (2,5%). No Brasil, em função da alta de preços do mês de setembro, 0,64%, acima dos padrões ocorridos no ano, cuja maior taxa tinha sido detectada no mês de julho, 0,36%, o acumulado em 12 meses passou a se posicionar acima do piso inflacionário trabalhado pelas autoridades monetárias, que é de 2,5%. Em São Luís, tendo em vista a alta de 1% observada em setembro, o IPCA de 12 meses passou a ser de 3,50%.

Dos nove grupos de despesa pesquisados, seis apresentaram inflação em São Luís, com observação relevante para o grupo alimentação e bebidas, cuja elevação de preços atingiu a casa de 2,77%, impactando (p,66 p.p.) de forma significativa o comportamento final dos preços ao consumidor. Outrossim, aumento de preços foram observados nos seguintes grupos de despesa por ordem de impacto: transporte, 0,95% (impacto de 0,17 p.p.); habitação, 0,56% (impacto de 0,08 p.p.), artigos de residência, 1,37%, (impacto de 0,06 p.p.), vestuário, 0,67% (impacto de 0,04 p.p.) e, por último, comunicação, 0,27% (impacto de 0,01 p.p.). Dois grupos apresentaram deflação, saúde e cuidados pessoais (-0,18%) e educação (-0,05%), mas ambos sem força suficiente para reverter e conter a formatação final do IPCA de São Luís, que foi de alta de preços: 1,0%. O grupo de despesa conhecido como despesas pessoais teve preços estabilizados no mês de setembro: 0,0%.

Grupos de DespesaVariação MensalImpacto (p.p.)
ago/20set/20ago/20set/20
Índice Geral0,381,000,381,00
Alimentação e Bebidas -0,062,77-0,020,66
Habitação 2,010,560,30,08
Artigos de Residência 0,841,370,040,06
Vestuário -0,340,67-0,020,04
Transportes 1,730,950,310,17
Saúde e Cuidados Pessoais 0,94-0,180,13-0,02
Despesas Pessoais 0,140,000,010,00
Educação -8,35-0,05-0,450,00
Comunicação1,780,270,090,01

A inflação em São Luís foi puxada precipuamente pelo aumento de preços no grupo alimentação e bebidas. Para a série histórica do IPCA de São Luís, iniciada em maio de 2018, a taxa de 2,77% no mês de setembro foi a segunda mais alta, superada apenas pelo IPCA de dezembro de 2019, quando houve aumento de preços na casa de 4,74%. Essa ocorrência no mês de setembro, em São Luís, fez com que a inflação acumulada no ano para o grupo alimentação e bebidas retomasse patamar de alta que se observou nos primeiros quatro meses do ano, conforme gráfico abaixo. 

O grupo alimentação e bebidas, em São Luís, tem uma inflação acumulada no ano de 2020 bem acima do índice geral do IPCA: 6,98% contra 1,31%. Os subitens/itens do grupo de despesa aqui em referência que mais impactaram o comportamento final do IPCA no mês de setembro foram arroz, aumento de 8,65%, as carnes em geral, +7,95%, óleo de soja, +27,77%, leite em pó, +4,30%, e lanches, +2,61%. Entretanto, vale informar que o IPCA do mês de setembro no grupo alimentação e bebidas não foi maior porque se observou recuo de preços em importantes itens de alimentação da cesta de consumo das famílias residentes em São Luís, como frutas (banana prata e melancia, principalmente) -1,83%, pescados (tainha e pescada, em destaque), -0,40%, e cebola, -17,34%. 

Em relação ao grupo transporte, uma vez mais, aumento no preço da gasolina, 3,01% (impacto de 0,2694 p.p.), desta feita numa aceleração menor do que a do mês passado, 5,54%, do óleo diesel, aumento de 2,39% (impacto de 0,0072 p.p.), do conserto de automóvel, 1,48% (impacto de 0,0270 p.p.), das passagens aéreas, 14,77% (impacto de 0,0158 p.p.) e do transporte por aplicativo, 5,09% (impacto de 0,0044 p.p.) foram os grandes responsáveis pelo aumento de preços nesse grupo de despesa. Depois do arroz, a gasolina foi o subitem que mais impactou na formatação final do IPCA de São Luís, no mês de setembro. A gasolina é o subitem, depois da energia elétrica residencial, que tem o maior peso na despesa mensal das famílias residentes em São Luís.  

No grupo habitação, o subitem que mais impactou a formatação final do IPCA foi a elevação de preços detectada em gás de botijão, +3,49%, quinto subitem de despesa que mais impulsionou a formatação final do IPCA de São Luís, em setembro, aluguel residencial, +1,26%, e revestimento de piso e parede, 7,97%. Artigos de residência foi outro grupo de despesa em que se detectou aumento de preços no mês de setembro: 1,37%. Houve uma aceleração de preços em relação ao mês passado, agosto, quando o IPCA tinha sido de 0,84%. Em julho, o IPCA foi de 0,14%. Então, pelo segundo mês consecutivo, os preços subiram mais aceleradamente no grupo artigos de residência. Os subitens que mais impactaram para esse comportamento de alta de preços foram: televisores, +3,77%, móvel para quarto, +2,71%, computador pessoal, +4,67%, e ventilador, +4,45%. Vestuário que, ao longo dos últimos quase dois anos, tem apresentado, mensalmente, mais recuos de preços do que avanços, nesse mês de setembro teve um aumento de 0,67%. Roupas masculinas, 1,96%, a exemplo de camisa/camiseta masculina, +1,73%, e peças que compõem o vestuário feminino, como blusa, +1,39%, bermuda/short, 2,41%, e lingerie, +2,0%, foram exemplos de subitens que provocaram elevação de preços no grupo de despesa vestuário. A última vez no ano de 2020 em que esse grupo de despesa teve alta foi em fevereiro: +0,40%. No corrente ano, o acumulado do IPCA para o grupo vestuário em São Luís é de -2,81%. Comunicação teve alta de 0,27% no mês de setembro, mas impactando muito pouco a formatação final do IPCA: 0,01 p.p.. Aumento no subitem plano de telefonia fixa, +0,58%, foi praticamente o único que ocasionou alta de preços no referido grupo de despesa. No mês passado, esse grupo de despesa teve aumento de 1,78%, ocasionado pela elevação no preço dos serviços de acesso à internet.           

Dois grupos de despesa tiveram quadro deflacionário em setembro: saúde e cuidados pessoais, -0,18%, e educação, -0,05%. O primeiro grupo citado teve recuo de preços depois de dois meses consecutivos de aumentos: julho, +0,46%, e agosto, +0,94%. Mesmo com aumentos em subitens como vitaminas e fortificantes, +4,1%, hipotensor e hipocolesterolêmico, +3,01%, fraldas descartáveis, +2,71%, dentista, +1,92%, e perfume, 0,57%, o grupo de despesa saúde e cuidados pessoais foi fortemente influenciado pela suspensão até o fim de 2020 dos aumentos dos planos de saúde. Com a resolução da ANS do final de agosto os aumentos anteriormente concedidos (de maio a agosto) foram devidamente descontados no IPCA de setembro. Isso valeu para todas as regiões pesquisadas pelo IBGE. Por fim, o grupo despesas pessoais manteve os preços estáveis em setembro em relação ao mês de agosto:0,00%

IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange, ao todo, 16 regiões: dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Para o cálculo do índice do mês de setembro/2020, foram comparados os preços coletados no período de 28 de agosto a 28 de setembro de 2020 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de julho a 27 de agosto de 2020 (base). Cabe ressaltar que, em virtude do quadro de emergência de saúde pública causado pela Covid-19, o IBGE suspendeu, no dia 18 de março, a coleta presencial de preços nos locais de compra. A partir dessa data, os preços passaram a ser coletados por outros meios, como pesquisas realizadas em sites de internet, por telefone ou por e-mail.

INPC de setembro variou 0,99% em São Luís

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), assim como ocorreu com o IPCA, apresentou aceleração de aumento de preços no mês de setembro, com taxa de 0,99% em São Luís, e de 0,87% para Brasil.

O acumulado do INPC, no ano (de janeiro a setembro de 2020), em São Luís, é de 1,25%. O acumulado para Brasil é de 2,04%. Em todas 16 regiões de pesquisas do IBGE houve quadro de elevação de preços, sendo que o maior índice foi observado em Campo Grande, +1,59%, e o menor, na RM de Salvador, 0,47%.

Em São Luís, houve alta de preços nos grupos de despesas alimentação e bebidas, 2,52% (impacto de 0,63 p.p.), transportes, 0,95% (impacto de 0,15 p.p.), habitação, 0,68% (impacto de o,10 p.p.), artigos de residência, 1,39% (impacto de 0,07 p.p.), vestuário, 0,72% (impacto de 0,05 p.p.), comunicação, 0,29% (impacto de 0,02 p.p.), e despesas pessoais, 0,01% (impacto de 0,00 p.p.). Recuo de preços foi observado nos grupos de despesa saúde e cuidados pessoais, -0,18% (impacto de -0,02 p.p.), e educação, -0,12% (impacto de 0,01 p.p.).

O INPC mede uma cesta de bens e serviços para famílias que auferem de 1 a 5 salários mínimos, sendo o chefe assalariado. É um índice de preços voltado a famílias de menor poder aquisitivo, pois a cesta de bens e serviços dele tem subitens mais essenciais e menos sofisticados que a cesta do IPCA.

Para o cálculo do INPC do mês de setembro/2020, foram comparados os preços coletados no período de 28 de agosto a 28 de setembro de 2020 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de julho a 27 de agosto de 2020 (base).

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