NONNATO MASSON: UM JORNALISTA INESQUECÍVEL

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Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro de 1924, há noventa anos, nascia na praia da Mamuna, no município de Icatu, uma criança que recebeu o nome de Raimundo Nonnato, o qual, tempos depois, o Maranhão e o Brasil passariam a conhecer por Nonnato Masson, sobrenome de origem controversa. Alguns dizem ser homenagem ao repórter-fotográfico da revista O Cruzeiro, Jean Mazon; outros atribuem à simpatia pela maçonaria. Os dois ss eram usados para disfarçar.
Criado pelos avós, que lhe deram boa formação moral e educacional, fez o primário no colégio Sotero dos Reis, onde a professora Zila Paes descobriu a sua vocação para a escrita. Seus textos eram aproveitados no jornalzinho e no teatrinho da escola.
O ginásio cursou no Liceu Maranhense. Quando não estava em sala de aula, aprendeu a tocar violino, telegrafia e tipografia. O primeiro emprego foi na Tipografia Teixeira, depois no cinema Eden, como operador.
Para ganhar uma profissão definida, matriculou-se na Escola de Aprendizes Artífices, depois transformada em Escola Técnica Federal do Maranhão. Nessa época, o cine Rex, no bairro do João Paulo, oferecia o seu palco para quem gostava da arte cênica. Ali se apresentou como ator e autor de pequenas peças e constitui um grupo teatral que fez sucesso nos bairros da cidade.
Como o teatro não lhe dava nenhum rendimento, procurou emprego em jornal. Foi parar no Correio da Tarde, onde o poeta Fernando Viana, dono da situação, aprovou um texto de sua lavra e lhe garantiu um lugar na redação. Depois foi levado pelo próprio Fernando Viana para o jornal O Combate. Deste, transferiu-se para A Pacotilha, dirigido por Miécio Jorge, graças a um concurso de reportagem em que tirou o primeiro lugar com a matéria “Fila para os mortos”. As excelentes reportagens publicadas em A Pacotilha chamaram a atenção do jornalista Pires de Saboia, vindo do Ceará para pilotar O Imparcial, que o convocou para com ele trabalhar.
Com a instalação, em 1950, do Jornal do Povo em São Luis, montado pelo governador Ademar Barros para instrumentalizar o Partido Social Progressista, Nonnato recebeu convite de Neiva Moreira para fazer parte da equipe redacional. No Jornal do Povo não se deu bem e retornou aos quadros dos Diários Associados, onde chefiou a redação de A Pacotilha, mas sem deixar de produzir reportagens e textos teatrais, veiculadas pelas emissoras Timbira e Ribamar.
Em 1956, São Luís recebe a visita da condessa Pereira Carneiro, proprietária do Jornal do Brasil. Masson entrevista-a e ela encanta-se com a sua matéria. Ela convida-o a trabalhar no matutino carioca. Topou a parada e no JB atuou como repórter, pauteiro, editor do Caderno B e correspondente em Brasília até a sua inauguração. Como repórter, fez parte da equipe que cobriu a participação do Brasil na Copa do Mundo, em que se sagrou como campeão na Suécia, bi-campeão no Chile e tri-campeão no México. Também prestou serviços na revista Fatos e Fotos, onde publicou a reportagem “Aventura Sangrenta do Cangaço”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Reportagem, em 1961.
Em maio de 1976 casou com a maranhense, de Anajatuba, Maria Elenir, com quem teve cinco filhos. Como desejava que os filhos nascessem em São Luis, retornou às origens, depois de uma bem-sucedida trajetória na imprensa carioca, época em que por ela passaram os maiores ícones do jornalismo brasileiro.
Na volta às plagas maranhenses, em 1977, como o correspondente do Jornal do Brasil em São Luis, o conheci pessoalmente. À época, eu escrevia a coluna política Roda Viva, em O Imparcial. Procurou-me para saber sobre uma crise política deflagrada no governo de João Castelo. Depois dessa conversa, os nossos encontros passaram a ser rotineiros e a amizade entre nós consolidou-se de modo firme e irreversível. Ao aposentar-se do Jornal do Brasil, mostrava-se disposto a abandonar definitivamente a imprensa. Aos poucos, consegui demovê-lo desse propósito e voltou a escrever crônicas no Caderno PH e, a convite de Antônio Carlos Lima, no “Hoje é Dia de”, em o Estado do Maranhão.
Com a morte do médico e membro da Academia Maranhense de Letras, Salomão Fiquene, com o aval de Jomar Moraes, eu, PH e Antônio Carlos Lima fizemos um movimento para levá-lo à Casa de Antônio Lobo. Quebramos a sua resistência e a 24 de janeiro de 1986 ele tomou posse. Seu ingresso na vida acadêmica resultou na preparação de dois livros de crônicas – Inês é morta e Corpo de moça, publicados pelo Sioge.
Por nunca haver exercido atividade na vida pública, recebeu convite de Joaquim Itapary para dirigir o Museu de Artes Gráficas da Secretaria da Cultura. No governo de João Alberto, eu, no exercício do cargo de Secretário da Cultura, o indiquei para integrar o Conselho de Cultura do Estado do Maranhão. Mas o coroamento da vida profissional de Masson deu-se quando José Sarney, na Presidência da República, o nomeou chefe da sucursal da Empresa Brasileira de Notícias.
Com a extinção da EBN, seus problemas de saúde, sobretudo o diabetes, começaram a perturbá-lo, fazendo-o afastar-se de tudo e de todos. A perda parcial da visão e uma fratura do fêmur o impediram de movimentar-se e de ler e escrever. Para tentar recuperar a sua saúde, eu e Jomar conseguimos, pela ação de José Sarney, interná-lo no Hospital Sara, mas como tinha fobia a hospital, abandonou o tratamento e dali fugiu.
Na noite de um sábado, 7 de março de 1998, o filho Elenato telefona-me para avisar que o pai fora internado no Socorrão. No dia seguinte, enquanto eu e Jomar tentávamos transferi-lo para o Hospital Universitário, somos informados de que ele não resistira à gravidade de uma implacável insuficiência respiratória.
Naquele domingo, aos 74 anos, Nonnato Masson cumpria o que havia solenemente proclamado no dia de sua posse na Academia Maranhense de Letras: “Vim para São Luis para morar, viver e até morrer”.

1 comentário para "NONNATO MASSON: UM JORNALISTA INESQUECÍVEL"


  1. Rangel Cavalcante

    Fui colega do Nonnato Masson no O Imparcial e no Jornal do Brasil.Parabéns pelo texto, mas ele merece um livro. Quem o conheceu bem e privou de sua amizade como eu sabe que a história dele é um monumnto de exemplos para os jonalstas de hoje.

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