JERÔNIMO DE VIVEIROS

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Duas das maiores expressões da historiografia maranhense marcaram indelevelmente o calendário de 2015: Mário Meireles e Jerônimo de Viveiros, professores, historiadores e contemporâneos. O primeiro, em março, fez cem anos de nascimento. O segundo, no dia de hoje e há cinqüenta anos, deixou o nosso convívio.

Pelo que fizeram e contribuíram, como pioneiros, para dar às gerações que os sucederam, trabalhos tão importantes sobre a história do Maranhão, merecem ser sempre lembrados e reverenciados.

As obras que escreveram e legaram à posteridade estão aí e procuradas por estudiosos e pesquisadores, ávidos de conhecimento a respeito de atos, fatos e episódios que aconteceram no Maranhão, narradas e explicadas com fidelidade, sem o viés do radicalismo e das interpretações ideológicas.

Mário Meireles, no seu centenário de nascimento, a Universidade Federal do Maranhão e a Academia Maranhense de Letras promoveram eventos em homenagem à sua figura de competente professor e historiador, a despeito da campanha movida contra a sua obra por setores acadêmicos, que, a título de a revisitarem, tentam destruí-la, mas sob o repúdio da intelectualidade.

Jerônimo de Viveiros, no seu cinqüentenário de falecimento, também, não deixou de ser lembrado. Já é gratificante o fato da sua obra não ser objeto de visitação de nenhum segmento acadêmico de índole iconoclasta.

Do saudoso professor de História do Liceu Maranhense e do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, afirmo que a sua contribuição para o engrandecimento da historiografia do Maranhão foi extraordinariamente exuberante e realço as mais conhecidas e consultadas: “Apontamento para a história da instrução pública e particular do Maranhão, O coronel Luis Alves de Lima e Silva no Maranhão, O engenho central de São Pedro, Uma luta política no segundo reinado, Benedito Leite, um verdadeiro republicano, A rainha do Maranhão e História do Comércio do Maranhão”, esta em três volumes, mas reeditada e esgotada. Esta obra fez a diferença e é referência no estudo da vida privada e pública de nossa terra, escrita numa linguagem simples e sem rebuscamentos acadêmicos.

Ao reporto-me sobre a figura ímpar de Jerônimo de Viveiros, não posso olvidar a perseguição que sofreu do interventor Paulo Ramos no limiar do Estado Novo. No dia 6 de outubro de 1937, ele assistia a reunião em que a Assembleia Legislativa teve fechada as portas por ordem do ditador Getúlio Vargas e do interventor do Maranhão. Revoltado contra aquele ato antidemocrático protestou em altos brados e com ofensas às duas autoridades. Foi o bastante para ser preso e submetido a inquérito administrativo, pois era funcionário público. Com base no inquérito, todo ele faccioso, foi demitido do cargo de catedrático de História do Liceu Maranhense. O mesmo procedimento adotou o prefeito de São Luis, Pedro Neiva de Santana que o demitiu das funções de Ajudante de Inspetor do Ensino do Ensino Municipal.

Inconformada com a perseguição ao esposo, Dona Luiza Viveiros encaminhou carta ao ditador Vargas e ao ministro da Justiça, Francisco Campos, relatando os abusos contra o marido, trancafiado na Penitenciária, sem direito a avistar-se com o seu advogado, que lutava para libertá-lo face à precariedade da saúde. A insistência dela resultou na liberdade do esposo, após o que se mudou para o Rio de Janeiro, onde, pela competência e idoneidade moral, foi admitido no corpo docente do Colégio Pedro II, o padrão no país.

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FHC E RENATO

O meu amigo Gastão Vieira deu-me de presente o primeiro volume do livro “Diários da presidência”, de Fernando Henrique Cardoso. Não gostei do modo e nem da forma como FHC o escreveu. São quase mil páginas com assuntos dispersos e desinteressantes, tendo como protagonistas, quase sempre, gente desconhecida e sem projeção.

Na página 53, um comentário estranho sobre o saudoso Renato Archer, político cuja militância sempre foi elogiada. FHC diz que hesitou nomeá-lo presidente da Embratel por duvidar da amizade que ele devotava a Ulysses Guimarães. Duvidar disso é desconhecer a história de ambos, marcada pela fraternidade e lealdade desde os tempos da Ala Moça do PSD, nos idos de 1950.

JOÃO ALBERTO E PREFEITURA

Dias atrás, o nome do senador João Alberto foi lembrado como possível candidato do PMDB às eleições de prefeito de São Luis.

Não é a primeira vez que o nome dele é argüido para tão importante cargo. Após deixar o governo, em março de 1991, com a popularidade em alta, concorreu às eleições municipais de outubro de 1992, à sucessão do prefeito Jackson Lago.

Não foi prestigiado e não teve o apoio do grupo político a que pertencia, mas entrou de corpo e alma na luta em que os adversários só tinham um alvo: destruí-lo. Chegou ao final da campanha sozinho e sob o impacto de uma avassaladora derrota.

ANDANDO E C…….

Se houvesse um concurso para escolher o parlamentar estadual mais criativo deste ano legislativo, eu não hesitaria em votar no deputado Cabo Campos.

Vendo que o discurso que fazia no plenário da Assembleia não despertava a atenção de nenhum de seus pares, recriminou aquela prática recorrente no meio legislativo, com uma expressão bem popular e recheada de criatividade: – Eu falo de coisa séria e os deputados estão andando e c…..

ALGO NO AR

A frase é da autoria do inesquecível Aparício Torelli, mais conhecido por Barão de Itararé. Quando via políticos tensos e em busca de soluções heterodoxas, dizia: – Há alguma coisa no ar e não são os aviões de carreira.

Só porque algumas figuras renomadas do Poder Executivo e do Judiciário, nos últimos dias, visitaram o famoso Bita do Barão, em Codó, há quem ache que os terreiros voltaram a ter hora e vez.

CADÊ ESTER?

No anúncio do secretariado do governador Flávio Dino, o nome de Ester Marques para a secretaria da Cultura foi aplaudido por unanimidade.

Conhecida no meio cultural, pela criatividade e talento, gente a favor e contra o governo, reconheceu nela a pessoa certa para o lugar certo.

Não demorou muito para mostrar o despreparo para o exercício do cargo. Resultado: foi exonerada e tomou um chá de sumiço. Ninguém sabe o que é feito dela e onde está. Ester, por favor, reapareça. Nós gostamos de você. Esqueça o que aconteceu.

VOTO DE ROBERTO

Roberto Rocha foi meu aluno no Curso de Administração da Universidade Estadual do Maranhão, na época em que o pai era governador. Foi um aluno que brilhou pela ausência.

Mas foi uma grata surpresa vê-lo desembaraçada e fluentemente defendendo o seu ponto de vista na sessão do Senado em que votou pelo relaxamento da prisão do senador Delcídio Amaral.

Como estreante no Senado, saiu-se bem e não decepcionou. Retiro, portanto, a impressão que dele tive quando fui seu professor.

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AS REPÚBLICAS DE BASTOS BONS E SÃO BENTO

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Domingo passado, o Brasil completou 126 anos de regime republicano. Como se sabe, a República chegou ao Maranhão de maneira insípida, inodora e incolor. No interior da Província, especialmente nos sertões, o novo regime republicano foi recebido com mais entusiasmo do que na capital, São Luis.

Em São Luís, a indiferença das lideranças políticas era tão acentuada, que o ato praticado pelo marechal Deodoro da Fonseca, no Rio de Janeiro, só chegou ao conhecimento da população três dias depois. A comunicação das autoridades republicanas foi endereçada ao comandante do Batalhão de Infantaria do Exército, que recebeu ordem para proclamá-la e empossar a Junta Provisória, presidida pelo coronel João Luis Tavares.

Antes, porém, que o novo regime se instalasse no país, em duas cidades do Maranhão – Pastos Bons e São Bento -, ocorreram movimentos voltados para a implantação da República na Província. Foram movimentos sem repercussão popular e chefiados por pessoas desprovidas de lideranças.

A de Pastos Bons, pipocou  nos sertões maranhenses, após a adesão do Maranhão à independência do Brasil. O deputado Galeno Edgar Brandes, no livro “Barra do Corda na História do Maranhão” diz que :  “Em 1827, a vila foi sacudida por panfletos e pasquins atirados nas ruas, incentivando o povo para que ali se instalasse, após a derrubada da Monarquia, uma República independente, denominada República de Pastos Bons”.

Baseado no parlamentar, “Aquela República seria um estado dentro de uma Província, subordinada a um Império. Lideranças de todos os estados do Nordeste, restos da antiga Confederação do Equador, hipotecaram solidariedade ao movimento”. Os sediciosos, segundo Maria do Socorro Coelho Cabral, em “Caminhos do Gado”, chegaram a proclamar no dia de Páscoa, à porta da Matriz de Pastos Bons, o regime republicano. Mas o movimento não prosperou diante da reação das forças imperiais.

A de São Bento, em maio de 1848, passou para a História, com o nome de República de São Bento. O professor Mário Meireles, no livro “História do Maranhão”, revela que: “Em 1848, a notícia da queda de Luís Felipe, na França, e da conseqüente proclamação da Segunda República francesa, um advogado, na vila de São Bento, de nome até hoje ignorado, depois de fazer bater propaganda de suas idéias e das ocorrências na Europa, mandou afixar editais, nos quatro cantos da localidade, conclamando o povo a aderir ao propósito de idealismo republicano que o entusiasmava.”

Mas “O Juiz Municipal, Ricardo Ferreira Mendes, em face do bulício provocado na vila, mandou abrir inquérito rigoroso e nele mais nada se apurou que tudo não passava de uma bebedeira do oficial de justiça, por quem referido advogado mandara, a um amigo, resenha das notícias dos jornais da capital que acabara de receber”.

CRIADORES E CRIATURAS

A política maranhense é marcada por figuras rotuladas de criadores e criaturas. Em períodos tumultuados ou brandos de nossa história, apresentam-se ora como correligionários e aliados, ora como adversários e antagonistas.

Ao longo do período republicano, políticos do porte de Benedito Leite, Urbano Santos, Marcelino Machado, Clodomir Cardoso, Genésio Rego, Saturnino Bello, Vitorino Freire, Newton Bello e José Sarney, criaram e lançaram na vida pública criaturas políticas, com a missão de sucedê-los e de perpetuá-los.  Poucas cumpriram fielmente o papel que lhes foi confiado. A maioria, ao contrário disso, rebelou-se, partiu para o ataque contra os que as projetaram.

Nos dias presentes, a vitrine política expõe mais um caso explícito de criatura contra o criador:  o atual prefeito da cidade de Ribamar, Gil Cutrim, que assumiu o cargo como vice de Luis Fernando Silva, nomeado chefe da Casa Civil da ex-governadora Roseana Sarney, no exercício do qual não se viabilizou candidato a governador, na última eleição.

Sem cargo e sem mandato, Luis Fernando retorna ao campo da luta e desponta como candidato a prefeito do município de Ribamar, no pleito de 2016. Só que o atual prefeito, não vê com bons olhos a candidatura do criador e ameaça lançar candidato para enfrentá-lo.

PAÇO DO LUMIAR X BRASÍLIA

Não se trata de confronto, mas o prefeito de Paço Lumiar, Josemar Sobreiro, resolveu duelar com Dilma Roussef.

Se a presidente da República, num ato de sacrifício pessoal, subtraiu 10 por cento de seu salário, o prefeito do Paço Lumiar reduziu 30 por cento do dele.

Com 30 e mais os 15 por cento que vai tirar do salário do secretariado, Josemar espera equilibrar as finanças de seu município e mostrar a Dilma como sabe corta gastos.

O ministro Joaquim Levy que se cuide.

CENTRO DE CONVENÇÕES

Até pouco tempo, os prefeitos gostavam de construir obras que tinham aprovação da população, como praças, mercados, matadouros, quadras esportivas e similares.

Os gestores eleitos recentemente optaram por construções mais caras e faraônicas, priorizando os Centros de Convenções, verdadeiros monstrengos, com a marca da inutilidade social.

Até cidades pequenas, onde eventos e festividades não são constantes e se realizam a céu aberto, contam com Centros de Convenções, obras que  levam os gestores à prática do superfaturamento.

FRADE FRANCISCANO

O franciscano Bernardo Brandão, pároco de Barra do Corda, celebrou a missa de sétimo dia do falecimento de monsenhor Hélio Maranhão, realizada no domingo passado, na igreja de Santo Antônio.

O jovem frade roubou a cena, dando um show de oratória e cultura, como há tempo não se via e ouvia.

Os membros da Academia Maranhense de Letras, presentes ao ato litúrgico, Benedito Buzar, Jomar Moraes, Alberto Tavares, Lourival Serejo, Sebastião Duarte, Natalino Salgado e José Carlos Sousa Silva, não saíram da igreja sem antes cumprimentar o sacerdote.

PRESIDENTE DO TRE

Os candidatos às eleições municipais, do ano vindouro, que se preparem para ver um fato novo no Maranhão.

O presidente que vai assumir o cargo de presidente do Tribunal Regional Eleitoral, no mês de dezembro, é um magistrado sóbrio, cordial e tranqüilo, mas avesso a trivialidades e a elogios gratuitos.

O desembargador Lourival Serejo é um vianense letrado, admirador intransigente de Aluísio de Azevedo, apreciador da música popular brasileira e cantor nas horas vagas.

CANDIDATURA DE ELIÉZER

Despontou o primeiro candidato à vaga de monsenhor Hélio Maranhão na Academia Maranhense de Letras.

Chama-se Eliézer Moreira, pesquisador de valor, entendido e colecionador de artes plásticas e autor de um livro de enorme sucesso: “Um gênio esquecido – Celso Antônio e o modernismo”.

Um bom número de acadêmicos já hipotecou solidariedade à candidatura de Eliézer, que, no momento, está no Rio de Janeiro, acompanhando o tratamento médico de uma filha.

A cadeira vaga, de número 21, parece talhada para os nascidos em Barra do Corda. O patrono é o poeta Maranhão Sobrinho, e dois de seus ocupantes eram barracordinos, Isaac Ferreira e Hélio Maranhão.

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BOLIVIANOS E COMUNISTAS

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Durante anos, o silêncio sepultou os motivos que levaram a Bolívia a indicar um cidadão para exercer as funções de cônsul em São Luis, cidade despovoada de grupos ou famílias bolivianas, que justificassem a presença de um representante do corpo diplomático, para tratar de assuntos de interesse daquele país no Maranhão.

Foi nesse vácuo, que veio à tona uma informação sem caráter oficial ou oficioso, de autoria ignorada e de origem desconhecida, que circulou em São Luis, sob a forma de lenda, e como tal, pode ou não ser verdadeira.

Como lenda, conta-se que no final dos anos 1950, o embaixador da Bolívia, no Brasil, ouvia o seu rádio, no Rio de Janeiro, então capital da República, quando, por acaso, sintoniza uma emissora de São Luis, e ouve um entusiasmado locutor esportivo, transmitindo uma partida de futebol, no estádio Santa Isabel.

Já ia mudar de estação, eis que é tomado de súbita e brutal surpresa. O locutor, em altos brados, dizia: – Mais de cinco mil bolivianos ruidosamente comemoram a sensacional vitória do Sampaio Correia sobre o seu maior adversário, o Moto Clube.

Foi o bastante para, no dia seguinte, o diplomata boliviano fazer uma exposição de motivos ao ministro das Relações Exteriores e pedir a nomeação de um patrício para cônsul da Bolívia em São Luis.

De acordo ainda com a lenda, o governo da Bolívia imediatamente atendeu ao pedido do embaixador. O cônsul, uma figura humana afável e simpática, enfronhou-se facilmente na sociedade, casou-se com uma maranhense e construiu uma família sólida. Aqui permaneceu até o seu falecimento.

O episódio boliviano remete a um fato bem atual. Após a posse do governador Flávio Dino, uma fabulosa corrida de vereadores e prefeitos municipais para o PC do B, o que significa dizer que o interior do Maranhão virou um antro de comunistas.

Se a Rússia fosse hoje um país dominado pelos “vermelhos”, certamente a diplomacia soviética já teria feito o que os bolivianos fizeram anos atrás: nomeado e mandado para o Maranhão um cônsul russo.

AS ESCOLAS DE TAIPA

Em 1966, quando o governador José Sarney assumiu o governo do Maranhão, deparou-se com grave problema educacional: a falta de escolas na zona rural. Para vencer essa etapa de atraso, foi concebido o projeto “João de Barro”, através do qual um processo de educação integral, em nível elementar (leia-se alfabetização), o homem rural seria inserido no meio sócio-econômico.

Para suprir a falta de escolas, projetaram-se construções de baixo custo, feitas em mutirão e não estranhas ao meio rural. Os prédios escolares seriam de taipas e palha e piso de chão batido, como as moradias locais. Para a ativação do processo ensino-aprendizagem, selecionaram-se pessoas da própria comunidade, com capacidade de liderança e de realizar atividades de ensinar, ler e escrever.

Como se observa, há cinqüenta anos, a preocupação do governo Sarney era construir escolas de taipa, para possibilitar ao homem da zona rural condições de enfrentar as vicissitudes da vida.

No governo Flávio Dino, o Maranhão vive uma situação bem diferente. As escolas de taipa que o governador encontrou, certamente não são mais as do projeto “João de Barro”, que chamavam a atenção dos educadores nacionais e estrangeiros, que vinham ao Maranhão para ver como elas funcionavam e os resultados obtidos no processo de alfabetização de adultos e crianças.

As de hoje são produtos da inércia e da incúria dos prefeitos municipais e objetos de comentários depreciativos dos principais meios de comunicação do país.

A RESSURREIÇÃO DE VIDIGAL

Quem viu o jornalista Edson Vidigal mais recentemente não faz segredo do momento em que ele vive.

Conquanto não esteja bem de saúde, pois luta contra um câncer de próstata, o seu humor voltou aos tempos de outrora.

Deve esse estado de espírito – de descontração e tranqüilidade -, ao reencontro com o ex-presidente José Sarney, do qual espera nunca mais afastar-se.

POSIÇÃO DE OPOSIÇÃO

O jornalista Ribamar Corrêa está coberto de razão quando disse na sua coluna eletrônica que a grandeza política de José Sarney não tem limite.

Quando Sarney disse que “O povo nos colocou na oposição”, é porque entendeu corretamente a lição das urnas, nas eleições de 2014, de que uma derrota traz mais sabedoria política do que uma eventual vitória.

A VOLTA DE ALESSANDRO

A virada de mesa de Alessandro Martins, depois de anos de ausência de São Luis, representa o triunfo de um homem ambicioso, com uma preocupação na vida: ganhar dinheiro, mas nem sempre de acordo com as regras impostas pela lei.

Ele volta ao mercado de venda de carros, para tentar, como outrora, ultrapassar os concorrentes. Chega com um largo sorriso e lembrando a composição musical de Adelino Moreira, que o cantor Nelson Gonçalves, nos anos 1950, transformou em grande sucesso:

Boemia, aqui me tem de regresso

E suplicante te peço a minha nova inscrição

Voltei para rever os amigos que um dia

Eu deixei a chorar de alegria

Boemia, sabendo que andei distante

Sei que essa gente falante vai agora ironizar

Ele voltou, o boêmio voltou novamente

Partiu daqui tão contente

Por que razão quer voltar?

MORREU FRUSTRADO

Monsenhor Hélio Maranhão, em seus sermões, sempre foi claro: no seu enterro, em vez de tristeza, queria alegria, música, bebida e foguete.

O que pediu insistentemente não aconteceu: foi enterrado como qualquer mortal. Sem lenço e sem documento. Mas no andar de cima, ao chegar, foi recebido como gostaria.

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POSSE DE SARNEY

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No dia 31 de janeiro vindouro, completa 50 anos da posse de José Sarney no governo do Estado do Maranhão.

Amigos do ex-governador não querem ver a efeméride passar em brancas nuvens.

Por isso, já se movimentam no sentido de organizar eventos que lembrem a chegada de Sarney ao poder e as ações e iniciativas tomadas por ele para o seu governo ser o maior que o Maranhão já experimentou.

Benedito Buzar e Joaquim Itapary vão organizar o programa que visa destacar o papel de Sarney na construção do Maranhão Novo.

LIVRO DE FHC

O livro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acaba de ser lançado, além do sucesso de venda, está a suscitar polêmica.

À guisa de um diário, FHC relata o que aconteceu ao longo de seus oito anos de mandato na Presidência da República.

No livro, os nomes de José Serra, Clovis Carvalho, Pedro Malan, José Sarney e Ruth Cardoso são citados à exaustão.

KÁTIA NA UFMA

Antes mesmo de deixar a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, no Maranhão, a historiadora Kátia Bogéa, recebeu um convite honroso para trabalhar.

O convite veio do reitor Natalino Salgado, que conhecendo o valor profissional de Kátia e o que fez de importante pelo bem do patrimônio cultural de São Luis, não a deixou no ostracismo.

A técnica nascida na Paraíba, mas maranhense d coração, aceitou o convite para prestar serviços na Universidade Federal do Maranhão, onde dará continuidade ao programa de revitalização de vários prédios na cidade e com recursos do PAC.

POSSE DE NAIR

Afinal, o Ministério da Educação agendou para esta terça-feira, 10 de novembro, a posse da professora Nair Coutinho no cargo de reitora da Universidade Federal do Maranhão.

A solenidade será em Brasília e presidida pelo ministro da Educação, Aloísio Mercadante, e contará com a presença do reitor Natalino Salgado e políticos maranhenses.

Após a posse no MEC, Nair recebe o cargo das mãos do professor Natalino, dia 13 deste mês.

HOMENAGENS EM PROFUSÃO

Os corpos docente, discente e administrativo da Universidade Federal do Maranhão  programam uma série de homenagens ao professor Natalino Salgado.

A programação é vasta e festiva e como nunca se viu nos meios universitários do Maranhão.

Ao reitor que deixa o cargo serão prestadas homenagens especiais, em reconhecimento ao fantástico trabalho realizado na Ufma, que a fez passar por uma radical transformação na parte física e nos setores do ensino, pesquisa e extensão.

FARÓIS DA EDUCAÇÃO

Quando Gastão Vieira exerceu o cargo de secretário de Educação, trouxe de Curitiba um modelo de biblioteca simples, mas eficiente e funcional, que implantou no Maranhão.

Os Faróis da Educação, destinadas aos estudantes do ensino médio e que precisavam de livros para orientá-los em trabalhos de consultas e pesquisas.

Essas bibliotecas, que fizeram sucesso extraordinário em São Luis e no interior do Estado, estão sendo destruídos pela falta de atenção e manutenção dos órgãos governamentais.

A grande maioria, não funciona mais e virou abrigo para viciados em drogas.

DEPUTADO E BABAÇU

O deputado Hildo Rocha, que vem desempenhando o mandato na Câmara Federal com altivez e desembaraço, quer que o babaçu seja novamente um produto importante e de peso na economia maranhense.

Recentemente, em Brasília, em audiência com o ministro da Ciência e Tecnologia mostrou o que o país pode ganhar com o aproveitamento industrial do babaçu, produto que em tempos passados, contribuiu sobremodo para a geração de renda no meio rural do Maranhão.

O parlamentar quer contar com a o apoio da Federação das Indústrias do Maranhão no trabalho que realizará no plano federal para o babaçu ser pesquisado e estudado e retome a posição de destaque no mercado nacional.

SANGUE DO CAPELÃO

Monsenhor Hélio Maranhão, durante boa parte de sua vida, dedicou-se de corpo e alma ao exercício de capelão da Polícia Militar.

Foi ele que fez a capelania militar ocupar um lugar de destaque na estrutura da corporação maranhense.

Depois de prestar tantos serviços à Polícia Militar no campo espiritual, a corporação não tomou conhecimento da precária saúde do sacerdote, que para obter sangue, teve de apelar para a solidariedade do rebanho cristão.

LIVRO DE NATALINO

Nesta quinta-feira, 12 de novembro, às 19 horas, a Academia Maranhense de Letras abre novamente as portas para outro evento de peso no campo cultural.

O lançamento do livro do professor Natalino Salgado sobre a vida de um dos homens mais importantes do Maranhão, no século passado: Tarquínio Lopes Filho.

No livro, o autor aborda a trajetória de um médico brilhante, um político sagaz, um jornalista polivalente e um administrador competente, qualidades que fizeram dele um mito.

ACADEMIAS DA BAIXADA

Ainda sem data para acontecer, mas já em processo de preparação, o Primeiro Encontro das Academias de Letras da Baixada.

O evento deve acontecer em Pinheiro e com a presença das Academias de Letras de Pinheiro, São Bento, Viana, Arari, Vitória do Mearim e Anajatuba.

O Encontro tem o patrocínio da Federação das Academias de Letras do Maranhão e pretende discutir o papel das instituições da Baixada no cenário do século XXI como agentes da preservação e construção da cultura maranhense.

EXORBITÃNCIA MÉDICA

Há médicos em São Luis que pensam que trabalham em São Paulo, onde estão os melhores especialistas do país.

Por conta disso, imaginam os pacientes maranhenses como habitantes do estado mais rico do país.

A nossa sorte é que uma minoria, que deita e rola no preço da consulta, que já chegou à casa de Mil Reais.

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O ESTILO GOVERNAR DE CAFETEIRA

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Seis meses depois de Epitácio Cafeteira assumir o cargo de governador do Maranhão (15 de março de 1987) veio a lume a primeira crise na sua administração, que resultou na exoneração do secretário de Planejamento, Lino Moreira, que assim explicou: “Não me adaptei ao estilo de governar de Cafeteira”.

Antes de se eleger governador, Cafeteira exerceu o cargo de prefeito de São Luis, no período 1966 a 1968, no exercício do qual impôs um estilo de governar sui generis, a ponto de concluir o mandato com invejável popularidade, mesmo atritado com o governador da época – José Sarney.

O tipo de gestão empregado por Cafeteira no Palácio La Ravardiére deu-lhe tamanho prestígio popular, que, sem pestanejar, levou-o para o Palácio dos Leões. Três pilares sustentavam o estilo de gestão cafeteirista.

No primeiro pilar, reluzia o seu incontrolável estrelismo pessoal. Não à toa, administrou a cidade sem a população saber a equipe que com ele trabalhou.  Tudo girava em torno de sua figura exótica.  Brilhar mais do que ele só ele mesmo. Fazia questão absoluta de monopolizar as atenções da sociedade, sem nenhum auxiliar a lhe fazer sombra.  Parafraseando o rei francês Luis XIV, sempre dizia: “A prefeitura sou eu”.

No segundo pilar, estonteava a sua insaciável capacidade para concentrar decisões e monopolizá-las em benefício próprio. Por princípio e dogma, não delegava tarefas e as cumpria à risca. Na secretaria da Fazenda, pagamento não se fazia sem antes passar pelo seu crivo. Despesas de custeio e investimento só com o seu sinal verde. Processos só fluíam com a sua autorização. Por desconfiar de tudo e de todos, emperrava a burocracia municipal. Quem ocupava cargo comissionado sabia que o resultado do trabalho era canalizado para o prefeito. Nem a esposa, que dirigia o órgão da assistência social, tinha livre arbítrio para agir.

No terceiro pilar, o dom da onisciência aflorava em toda a plenitude. Costumava dizer que a sua cabeça era melhor do que plano de governo. Só ele sabia fazer as coisas e dar ordens. Ponderar e contestar eram verbos que não se conjugavam na prefeitura. Jamais pedia opinião ou consultava algum auxiliar. Marcou presença no cargo pelas ações intempestivas, comportamentos inusitados e gestos histriônicos. Cultiva a demagogia como arte política.

Anos depois de deixar o cargo de prefeito, Cafeteira elege-se governador em 1986, com o apoio de seu maior adversário político: José Sarney. Eleito, leva para o Palácio dos Leões o estilo usado no Palácio La Ravardière.

Mas bastaram seis meses de gestão de governo para mostrar que os dogmas que regiam seus princípios gerenciais não passavam de falácias. A equipe de trabalho que nomeou, e com bons nomes, não conseguiu se projetar e nem voar mais alto do que ele. Era o dono da verdade e da bola. Ao secretário da Fazenda, José Sousa, e ao chefe da Casa Civil, Eduardo Lago, que comandavam os órgãos mais importantes do aparelho estatal, não deu autonomia para caminharem com os próprios pés. Da Casa Civil retirou a função mais valiosa: a articulação política. José Sousa foi totalmente ignorado, fato que o levou a deixar o cargo. A esposa de Cafeteira, Isabel, nomeada secretária de Desenvolvimento Comunitário, perdeu a luminosidade. A ela não foram repassados os recursos para os programas e projetos de repercussão social.

No referente à centralização das decisões, continuou o mesmo da prefeitura. Enfeixou em suas mãos a máquina administrativa e fez dos titulares dos cargos figuras decorativas. As obras do Projeto Reviver só ganhavam corpo depois de vistoriadas por ele. Não era engenheiro, mas pousava de conhecedor das técnicas da construção civil. Muitas obras foram refeitas por não serem antes submetidas à sua consideração.

A exoneração do economista Lino Moreira da secretaria de Planejamento foi uma demonstração explícita de arrogância e de intolerância. Lino entrou na linha de tiro do governador por tomar medidas inerentes ao cargo que ocupava.  Ao avocar a gestão do Projeto Nordeste, foi acusado por Cafeteira de fazer um governo paralelo e gerador de crise.

Depois das linhas encimadas, uma pergunta é pertinente: por que lembrar fatos e atos que pertencem ao passado e que não resistiram ao tempo?  Resposta: pelos comentários reinantes na cidade de que o estilo governar de Cafeteira povoa sobre o Palácio dos Leões.

Eu, particularmente, acho difícil um modelo daquele jaez, executado há mais de cinqüenta anos na prefeitura e depois no governo, e que pouco teve de construtivo à cidade e ao estado, possa servir de parâmetro a uma administração pautada em outras concepções políticas e filosóficas.

 

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MUSEU A CÉU ABERTO

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São Luis, finalmente, ganha um museu a céu aberto. Um espaço que a cidade não tinha e dele precisava para incrementar o turismo.

Quem deu este presente à cidade foi uma empresa privada, o Grupo Mateus, e um órgão público, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão, por iniciativa da superintendente, Kátia Bogéa.

Ninguém podia imaginar que aquelas ruínas, escondidas no antigo Largo de Santiago, pudessem um dia ressurgir das cinzas e recuperadas para embelezar esta cidade, que muita gente teima em destruí-la.

ESPAÇO PARA EVENTOS

São Luis tem agora a sua disposição um espaço que certamente será bem visitado e usado para eventos. No passado, uma fábrica de renomado conceito, que produziu bens de consumo de boa qualidade. No presente, um ponto de referência e de estudo às novas gerações.

Ali, também, podem ser realizadas atividades artísticas e culturais, solenidades públicas e privadas, cerimônias ecumênicas e eventos sociais, como casamentos e aniversários, pois o cenário reconstruído é deslumbrante.

A apresentação, por exemplo, da Paixão de Cristo, em meio àquelas ruínas, será algo extraordinariamente belo e emocionante.

ALGODÃO HIDRÓFILO

A fábrica Martins Irmão, instalada naquele local, tinha uma linha de produção fantástica.

Dentre os produtos de maior consumo e de aceitação no mercado, dois se destacavam: o algodão hidrófilo e o sabão.

O toque de emoção da solenidade quem deu foi o professor João Martins Neto, representante da família no ato inaugural e de muita simbologia.

No auge de sua oração, apresentou ao público um autêntico pacote do algodão hidrófilo, produto que a Fábrica Martins vendia em larga escala para o exterior.

MUDANÇA NA TVE

Finalmente, a Televisão Educativa do Maranhão mudou de comando.

O novo diretor da emissora é Jonhes Braga, ex-prefeito do município de Nina Rodrigues.

A nomeação deve se creditar ao deputado federal Hildo Rocha, que faz parte do grupo que acompanha e apóia o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha.

AMIZADE DE ALKMIM

Nenhum político maranhense tem hoje mais aproximação com o governador de São Paulo, Geraldo Alkmim, do que o deputado Fábio Braga.

A amizade entre o parlamentar maranhense e o governador paulista nasceu num encontro casual, mas fraternal.

A partir de então construíram uma forte amizade e todas as vezes que Fábio vai a São Paulo é recebido no Palácio Bandeirante.

O governador de São Paulo virá brevemente a São Luis, em viagem puramente particular e para prestigiá-lo.

CHORO NA CÂMARA

Foi bela e emocionante a homenagem que a Câmara Municipal de São Luis prestou a Kátia Bogéa, a quem concedeu o título de cidadã ludovicense.

O discurso da homenageada, recheado de amor à cidade que se dedicou como profissional, foi interrompido várias vezes pela emoção e pelas lágrimas que jorravam do seu rosto, dos vereadores e dos convidados.

Um fato inédito na sessão: todos os vereadores usaram a palavra para enaltecer o trabalho de Kátia à frente do IPHAN.

EFEITO ELIDIANE

A conduta, aliás, péssima de Elisiane Leite na prefeitura de Bom Jardim, quando cometeu deslizes e desviou recursos destinados à educação do município, para a curriola que a cercava, repercutiu no Congresso Nacional.

Para evitar que os prefeitos dos municípios brasileiros pratiquem atos semelhantes aos de Elisiane, um projeto foi apresentado na Câmara dos Deputados.

Pela proposta, os recursos do Fundeb- Fundo de Educação Básica serão repassados pela União com exigências maiores, de modo que os gestores municipais os apliquem com mais responsabilidade.

SARNEY LEMBRADO

Em novembro, haverá eleição na Academia Brasileira de Letras para a presidência da veneranda instituição.

Novamente, o nome do escritor José Sarney vem à cena acadêmica.

Um grupo de imortais assedia o intelectual maranhense para se candidatar ao posto de presidente da Casa de Machado de Assis.

Ele, contudo, resiste. Até quando, não se sabe.

MEDICINA EM BRASÍLIA

O Centro Universitário Euro-Americano, que integra a Universidade Ceuma, quer oferecer mais um curso de nível superior à juventude de Brasília.

Nesse sentido, espera a autorização do Ministério da Educação para o funcionamento do curso de Medicina, na capital da República.

Na proposta, a instituição mostra que está habilitada e pronta a promover o curso, pois preenche todos os requisitos exigidos pelo MEC.

VIDIGAL ABRAÇA SARNEY

O presidente José Sarney participava de uma solenidade em Brasília, quando foi tomado de enorme surpresa.

Era o jornalista Edson Vidigal que dele se aproximou e o abraçou fraternalmente, como nos bons tempos.

Sarney, homem educado e tolerante, acostumado a coisas que só a política é capaz de fazer, não esboçou nenhuma reação à atitude de Vidigal, ao contrário, como criador, retribuiu o abraço da criatura, que dele se distanciou por motivos inexplicáveis.

PARA BERZOINE SABER

O ex-deputado Gastão Vieira mantém um relacionamento bem cordial com o ministro das Relações Institucionais do Governo, Ricardo Berzoine.

Relacionamento esse que ensejou levar ao seu conhecimento da repercussão negativa da exoneração de Kátia Bogéa da superintendência do IPHAN no Maranhão.

Para o ministro ter idéia do desastroso ato praticado pelo governo federal, Gastão enviou-lhe cópia das notícias veiculadas pelos jornais de São Luis com relação à mudança de cargo no IPHAN.

LIVROS PARA TODOS

Nesta quinta-feira, a Universidade Federal do Maranhão e a Academia Maranhense de Letras realizam um evento estritamente literário.

A partir das 19 horas, os intelectuais Waldemiro Viana, Ceres Costa Fernandes, Antônio Augusto Brandão e Sebastião Jorge vão autografar e lançar livros editados pela EDUFMA.

De Waldemiro, os romances A vez da caça e A questionável amoralidade de Apolônio Proeza; de Ceres, O narrador plural na obra de José Saramago; de Antônio Augusto Brandão, Desafios à teoria econômica; de Sebastião Jorge, Cenas de Rua.

 

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A FÁBRICA QUE VIROUMUSEU

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Eu era garoto quando troquei Itapecuru por São Luis, após a conclusão do curso primário, no Grupo Escolar Gomes de Sousa, para continuar os estudos no Colégio dos Irmãos Maristas, em novas instalações na Quinta do Barão, depois de anos de funcionamento no prédio da Arquidiocese, na Avenida Pedro II.

Submetido ao regime de internato, eu só podia deixar o colégio aos domingos e desde que apresentasse bom comportamento e exemplar rendimento escolar. Afora essa “folga”, sair daquela “prisão” só com os pais ou por ordem deles.

Adorava quando o meu pai vinha a São Luis, pois ao seu lado passava o dia na Praia Grande, onde se concentravam as mais conceituadas firmas comerciais e os escritórios dos capitães de indústria. Era ali que comerciantes, como ele, negociavam os produtos primários produzidos no interior do estado – algodão, arroz, babaçu, mandioca, gergelim e fibras, para se transformarem em bens industrializados e chegarem ao mercado nacional e internacional, como era o algodão hidrófilo, produzido pela Fábrica Martins, com grande aceitação na França.

Naquele meu tempo de infante, o Maranhão ainda carecia de estradas de rodagem e de porto. As rodovias, só vieram a ser abertas no final da década de 1950, no governo do presidente Juscelino Kubitscheck, para integrarem o Nordeste ao Sudeste brasileiro. Porto adequado e equipado, só nos meados da década de 1960, no mandato do governador José Sarney, com a construção de Itaqui.

Sem estradas e porto, era através de navios ancorados em alto-mar, que os negociantes maranhenses importavam os produtos manufaturados e exportavam as matérias- primas para os centros mais adiantados.

Nessas andanças inesquecíveis com o meu genitor- Abdala Buzar, conheci diversos estabelecimentos comerciais, localizados na Praia Grande, que nunca saíram da minha memória, a exemplo de Martins Irmãos, Francisco Aguiar, Chames Aboud, Lima Farias, Moreira Sobrinho, Salim Duailibe, Talib Naufel, Lages e Companhia, A.O.Gaspar, Cunha Santos e outras de realce no panorama econômico maranhense, que contribuíram para o engrandecimento de nossa terra e se eternizaram.

Além de tê-las como referências, comigo ficaram as imagens físicas dos condutores de tão notáveis empreendimentos. Figuras da têmpera e da envergadura de João Pereira Martins, Ernani Aguiar, Eduardo Aboud, Avelino Farias, Salim Duailibe, Armando Gaspar e Manoel Lages Castelo, continuam reverenciadas como representantes de uma fase emblemática em que o comércio e a indústria tinham eloqüente peso na economia estadual, por isso, eram ouvidos e consultados pelo poder público.

A luta desses homens na cena administrativa do Maranhão foi fantástica e exemplar. Até mesmo em momentos adversos e ditatoriais, não se curvaram e nem se intimidaram com as ameaças dos detentores do poder, nas suas vontades de passarem por cima da lei e dos interesses da sociedade.

Conquanto adolescente e com o olhar de admiração, via como eram altivos e serenos no trato dos negócios com o meu pai, sempre bem recebido em seus gabinetes de trabalho. Sabiam valorizar os que com eles trabalhavam, dentro de uma reciprocidade respeitosa em que a palavra empenhada era honrada a todo custo.

Das firmas visitadas, uma especialmente me marcou: a Martins Irmãos, com escritório montado na Rua Portugal, num prédio azulejado e de três pavimentos. Ali, pela primeira vez, vi uma engenhoca chamada elevador. Era o que existia em São Luis e motivo de curiosidade. Para os padrões da época, era um equipamento avançado, mas metia medo em que nele colocava os pés pela primeira vez.

Também, não esqueço um produto fabricado pela Martins Irmãos, muito consumido no Maranhão e no Nordeste brasileiro: o sabão Martins, à base do óleo de andiroba. Naquele tempo não se falava em marketing, mas o produto tinha grande aceitação no mercado por duas mensagens de propaganda comercial.  Uma dizia: “Sabão Martins sempre imitado, jamais igualado”. A outra: “Uma mão lava a outra; sabão Martins lava as duas”.  Ambas geniais. Desconheço o autor, mas ele merece ser cultuado e premiado in memorian, pela criação de duas peças de marketing que ficaram no imaginário popular.

No momento em que estas evocações vêem à tona, eis que a Martins Irmãos volta à cena não como uma empresa simplesmente acabada ou desaparecida da vida maranhense. Absolutamente. Ela ressurge não como algo de um passado distante, mas sendo uma força viva e presente, a mostrar que mesmo sob a forma de ruínas, sua gloriosa trajetória e seu desempenho inigualável na economia estadual permanecem  pelos formidáveis produtos que fabricou, pela riqueza que gerou e pela expressiva quantidade de empregos oferecidos ao nosso povo.

A ressurreição fantástica da Martins Irmãos ocorre pela simbiose de duas instituições: uma privada, o Grupo Mateus; a outra, pública, o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através da superintendência no Maranhão, que teve a felicidade de há anos ser dirigida pela competente profissional Kátia Bogéa, que deixa o cargo de maneira altaneira e com o reconhecimento total de São Luis, pela qual tanto lutou e impediu de se transformar numa cidade sem alma e vida.

 

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