O REITOR PRÓ-TEMPORE JOSUÉ MONTELLO

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No ciclo de palestras que a Universidade Federal do Maranhão organizou para homenagear Josué Montello, pelo centenário do seu nascimento, a mim foi dada a tarefa de falar sobre a sua gestão à frente UFMA, na condição de reitor pró-tempore.

Cumpri tão honrosa incumbência louvando-me no Diário do Entardecer, do próprio Josué, que relata de maneira brilhante e transparente, a sua passagem pela reitoria da Universidade Federal do Maranhão, começada no dia 2 de outubro de 1972, quando recebeu um telefonema do senador José Sarney, rogando-lhe para comandar e pacificar a instituição, que passava por momentos de turbulência e descontentamento, face à tumultuada gestão do reitor Ribamar Carvalho.

No Diário do Entardecer, o escritor conta as conversas mantidas com o então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, ao qual salientou o receio de aceitar o cargo e ser vetado pelo SNI, devido as suas ligações de fraterna amizade com o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, que o regime militar perseguia de maneira satânica.

Afastada a hipótese de veto, Josué, assume a 20 de novembro de 1972, em São Luís, o cargo de reitor. Quatro dias após a sua investidura, afloram em série problemas que vão desafiá-lo a resolvê-los, mas sem necessidade de usar as armas do autoritarismo.

O primeiro, com os formandos, que desejavam colar grau numa solenidade a céu aberto, no Estádio Nhozinho Santos. Consegue demovê-los dessa empreitada de forma diplomática. Sem traumas, os estudantes concordam realizar o ato de formatura no Ginásio Costa Rodrigues.

O segundo, ao enfrentar o arrogante comandante do 24º Batalhão de Caçadores, coronel Agostinho, ao exigir que o discurso dos formandos passasse pela censura do Quartel. Com habilidade, ele contorna a questão e a formatura ocorre sem os sobressaltos previstos.

O terceiro e o mais delicado: esvaziar o discurso do ex-reitor Ribamar Carvalho, paraninfo dos formandos, que ameaçava investir contra a gestão do novo reitor, que estaria envidando esforços para abrir inquéritos e processar o sacerdote pela prática de atos ilícitos. A catilinária do cônego não se materializa porque Josué prova que não usará na Universidade de métodos revanchistas ou porá em ação vinditas contra o antecessor.

No auge da incompatibilidade entre o novo e o antigo reitor, que gera um clima nada agradável no campus da Universidade, ocorre a repentina morte do cônego Ribamar Carvalho, vítima de um enfarte fulminante, ato que mereceu de Josué Montello este comentário no seu Diário do Entardecer: “E o responsável teria sido eu, se tivesse assumido uma posição de hostilidade a ele, inclusive mudando a diretora da Biblioteca Central.”

Nas proximidades de completar a sua missão na reitoria da UFMA, Josué registra: “Paguei dívidas, assegurei a ordem e a disciplina, descentralizei a administração, e já começo a sentir à minha volta os bons resultados na consideração de alunos e professores.” E completa: “Criei assim em meu redor uma agitação construtiva, e o certo é que ninguém me faltou com seu entusiasmo e sua colaboração, e a obra da recuperação da nova sede da Reitoria vai crescendo depressa, para que eu possa ter orgulho de dizer que nesses poucos meses de trabalho porfiado dotei minha terra natal om uma sede condigna de sua Universidade.”

Com a restauração do Palácio Cristo Rei, para sede da reitoria, Josué encerra a sua gestão pró-tempore, em solenidade que conta com a presença do Presidente da República, do ministro da Educação e dos membros da Academia Brasileira de Letras, Pedro Calmon e Odilo Costa, filho.

Do seu Diário, recolho este pedaço de texto em que se despede do cargo: “Cumpri minha missão. Muito além do que me competia. Poderia permanecer aqui ao longo dos quatro anos de mandato, conforme me propôs o Ministro. Reduzi de quatro a um. Começado a 20 de novembro de 1972 e concluído a 20 de novembro de 1973. Com a Universidade saneada e pacificada. Ampliada e restituída a si mesma.”

Mas o final do reinado de Josué não foi tão feliz como ele esperava, haja vista o lamentável choque com o Conselho Universitário, convocado para votar a lista sêxtupla a ser encaminhada a Brasília, de onde o ministro da Educação escolheria o nome do professor que o substituiria na direção da UFMA.

O entrevero entre os conselheiros e o reitor chega ao domínio público, a 3 de agosto de 1972,  através da coluna Roda Viva que eu assinava em O Imparcial: “Na votação da lista, o nome do professor Domingos Vieira Filho foi trocado pelo do professor Pompílio Albuquerque, ato que recebe o imediato desagrado de Josué, que inconformado com a posição contrária do Conselho, nega-se a enviar a lista a Brasília.”

Diante do impasse criado, “dias depois, os conselheiros novamente se reuniram, anularam a eleição do professor Pompílio Albuquerque, elegendo o intelectual Domingos Vieira Filho para figurar na lista sêxtupla, eleição que não aceita e por isso renuncia, ato que faz vir à tona nova crise, que só acaba com a eleição do professor Manoel Estrela a vice-reitor, a quem Josué transferiu o cargo.”

PONTE BANDEIRA TRIBUZI

Dois assíduos leitores de Roda Viva, Aparício Bandeira e Aderson Lago Filho alertaram-me para o equívoco cometido na semana passada. Ao contrário do relatado, a Ponte Bandeira Tribuzi foi inaugurada sem festa e sem pompa pelo governador João Castelo e pelo secretario de Infraestrutura, João Rodolfo, evento que não contou com a presença da comitiva do presidente da República, João Figueiredo, nem do senador José Sarney.

DOIS PRESENTÕES

Indiscutivelmente, São Luís ganhou dois magníficos presentes no dia 8 de setembro, ao completar 405 anos.

Do Governo do Estado, a recuperação do Forte de Santo Antônio, fortaleza histórica, localizado na Ponta D’areia, que deu nova alma àquele espaço físico.

No interior do Forte, a presença de um memorial sobre o seu passado e um museu repleto de réplicas de embarcações maranhenses.

Da iniciativa privada, o Grupo Fribal oferece à cidade um mural fantástico pintado pelo artista Eduardo Kobra, que usou toda a sua criatividade e genialidade, para retratar a rica cultura do Maranhão, através dos maiores expoentes da sua prosa e poesia.

EMBATE NO JUDICIÁRIO

Aproxima-se o dia da eleição da nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Maranhão: 4 de outubro.

Se o TJ seguisse a norma das eleições passadas, a presidência do Judiciário ficaria nas mãos da desembargadora Nelma Sarney.

Mas este ano, os desembargadores atropelaram a tradição do Judiciário e partiram para uma eleição disputadíssima e imprevisível entre a desembargadora Nelma e o desembargador José Joaquim Figueiredo.

Se a eleição fosse hoje eu não arriscaria quanto ao vencedor. Uma coisa é certa, o ganhador chegará à presidência com a vantagem de no máximo dois votos.

APLAUSOS FRENÉTICOS

NA noite de segunda-feira passada, britanicamente o governador Flávio Dino ingressou no salão do Espaço Renascença para proferir palestra sobre o Direito e o Desenvolvimento Social.

Ficou impressionado com duas coisas: a grande quantidade de universitários no auditório e a popularidade do professor Samuel Melo, saudado pelos estudantes de modo vibrante e frenético.

Mais impressionado ficou ao saber que Samuel é professor de Direito Tributário.

CENTENÁRIO DE NEIVA MOREIRA

Ainda sob o rescaldo das homenagens ao escritor Josué Montello, pelo seu centenário de nascimento, vem aí mais um evento em comemoração a outro ilustre maranhense.

Trata-se do ex-deputado e jornalista Neiva Moreira, que no dia 10 de outubro chegaria aos cem anos.

A Academia Maranhense de Letras, da qual Neiva Moreira foi membro, prestará homenagem ao ilustre e saudoso conterrâneo, com a reedição do livro “Neiva Moreira, o jornalista do povo”, organizado por Benedito Buzar, e de uma solenidade especial com os jornalistas Edson Vidigal, Joaquim Itapary, Nagib Jorge Neto, Benedito Buzar e Sálvio Dino, que trabalharam  no Jornal do Povo.

RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS

Nesta segunda-feira, 25 de setembro, há 93 anos, o notável e culto Domingos Vieira Filho nascia em São Luís.

A Academia Maranhense de Letras não poderia prestar melhor homenagem ao saudoso professor e homem de letras do que relançar o magnífico livro de sua autoria “Breve História das Ruas e Praças de São Luís”.

A última edição da obra data de 1973. Passaram-se, portanto, 44 anos para o leitor maranhense, sobretudo as novas gerações, disponibilizar do melhor livro já produzido a respeito das ruas e praças que enfeitam esta histórica cidade, mérito que coube ao professor Vieira Filho.

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A PONTE QUE NÃO FOI INAUGURADA

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No regime militar, por força do Ato Institucional nº 3, editado em 5 de fevereiro de 1966, pelo presidente Castelo Branco, as eleições de governadores estaduais deixaram de ser diretas e transformaram-se em indiretas. Significa dizer que não era mais o povo, mas os seus representantes na Assembleia Legislativa que ficaram com a prerrogativa de eleger os que iriam reger os destinos dos estados membros.

Com base nessa nova regra política, elegeram-se pelo processo indireto à chefia do Poder Executivo do Maranhão os governadores Pedro Neiva (1971-1975), Nunes Freire (1975-1979) e João Castelo (1979-1982).

Castelo, então deputado federal da Arena, chegou ao poder pelas mãos do senador José Sarney, a quem era atribuído, pela sua inquestionável liderança política no Estado, escolher e submeter ao comando do país o nome do substituto do governador Nunes Freire.

À frente do governo estadual, Castelo realizou uma administração profícua, com obras importantes. Na capital do Estado, destaque para o Italuís, destinado à captação e tratamento de água do Rio Itapecuru; o complexo esportivo, com o nome de Castelão; o Hospital Carlos Macieira, a Casa do Trabalhador; o Fórum-Tribunal de Justiça, o Centro Recreativo do IPEM; os Conjuntos Habitacionais da Cidade Operária e do Maiobão, o Programa Bom Preço e a Ponte sobre o Rio Anil (a segunda). No interior, pontificaram estações rodoviárias, estradas, ginásios esportivos, fóruns judiciários, pontes, escolas e aeroportos.

Antes de deixar o governo, em cumprimento à legislação eleitoral, que mandava desincompatibilizar-se do cargo executivo para concorrer às eleições do Senado da República, Castelo organizou um programa de inauguração de obras, ressaltando-se a Ponte sobre o Rio Anil, que batizou com o nome do poeta e economista, Bandeira Tribuzi, pelos relevantes serviços técnicos prestados ao Maranhão nos governos José Sarney, Pedro Neiva de Santana e João Castelo.

Para inaugurá-las, o governador convidou o presidente da República, general João Figueiredo, que marcou a data de 21 de setembro de 1982 para vir a São Luís. Mas um fato inesperado veio a lume: o Palácio do Planalto tomou conhecimento, através do Serviço Nacional de Informações, de que entre as obras a inaugurar figurava a Ponte sobre o Rio Anil à qual o Governo do Estado outorgou o nome do jornalista Bandeira Tribuzi.

Sem pestanejar, o SNI fez prevalecer a sua força institucional e comunica ao Palácio dos Leões que o Presidente João Figueiredo não poderia comparecer à solenidade de inauguração de uma obra em homenagem a homem que o regime militar considerava marxista assumido, de vida profissional dedicada ao Partido Comunista e punido pelo regime militar, com a perda do emprego num órgão federal – o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, com jurisdição em São Luís do Maranhão, nomeado graças ao prestígio do ex-deputado federal Neiva Moreira.

Para reverter esse quadro, Castelo entra em ação e através do senador José Sarney espera convencer o Serviço Nacional de Informação a mudar de posição em relação ao clamoroso assunto.

Sarney, em Brasília, com o seu empenho pessoal e político, faz de tudo para modificar esse cenário desagradável, procurando mostrar às autoridades federais que Tribuzi não era do Partido Comunista e que, mesmo punido pela Revolução de 1964, trabalhou no seu governo e no do governador Pedro Neiva, nos quais o seu despenho foi puramente técnico e marcado não por ideologia extremista, mas por um trabalho sério e voltado para o progresso do Maranhão.

A despeito dessas tratativas, realizadas na capital do país por Sarney, o SNI pesou mais forte e manteve o veto à presença do presidente da República nas inaugurações do governador.

Quando tudo parecia irreversível, eis que surge uma luz no fundo do túnel, com o desiderato de garantir a presença do chefe da Nação na solenidade marcada para 21 de setembro de 1982. De Brasília, para contornar o impasse, a fórmula salvadora: o Governo do Maranhão teria de suprimir da solenidade a inauguração da Ponte sobre o Rio Anil.

Como o tempo urgia e a palavra de ordem era evitar o desgaste do governador, as forças políticas que gravitavam em torno de Castelo, concordaram em retirar da programação a solenidade em homenagem ao poeta Bandeira Tribuzi.

Conquanto a ponte não tenha sido inaugurada, que se faça justiça ao governador João Castelo: ele manteve o nome do consagrado jornalista como patrono de uma obra de importância vital para a mobilidade urbana da capital maranhense.

QUALQUER SEMELHANÇA

Quando esse tal Joesley Batista abria a boca e começava a agredir a língua portuguesa, a gente não esquece de um empresário, em São Luís, que, também, costumava atropelar o nosso idioma.

Embora cometesse o mesmo pecado, no que diz respeito aos destemperos verbais, o empresário do Maranhão era bastante diferente, quanto ao aspecto moral, dessa figura abominável que capitaneava o grupo JBS.

Enquanto o nosso negociante comportava-se com retidão, trabalhava honestamente, desfrutava de bom conceito como pai de família e figura humana, o Joesley não passa de um pilantra e adepto de abomináveis maracutaias.

JOÃO DORIA VEM AÍ

O atual prefeito de São Paulo e possível candidato à presidência da República, João Doria,  pode vir a São Luís em novembro.

Vem a convite do deputado estadual Wellington do Curso, que pretende apoiá-lo para suceder o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto.

Em São Luís, o prefeito paulistano deverá ser agraciado com a Medalha Nagib Haickel, conferida pela Assembleia Legislativa, e terá um encontro com o empresariado na Federação das Indústrias do Maranhão, para falar sobre o momento político e econômico do Brasil.

PROPAGANDA DE BOLSONARO

Eu fiquei sumamente impressionado com uma cena que vi no desfile da juventude em Itapecuru.

De repente, no meio da multidão, surge um grupo de jovens empunhando bandeirolas e cartazes de propaganda do deputado Jair Bolsonaro, candidato da extrema direita à Presidência da República, nas eleições do ano vindouro.

Além do susto, a preocupação de ver jovens, no interior do Maranhão, abraçando uma candidatura que poderá levar o país a um caminho sem volta para a democracia, forma de governo que, por pior que seja, é melhor do que a ditadura.

DESFILE E HOTEL

Convidado do prefeito Miguel Lauand, assisti ao desfile da juventude itapecuruense, dia 7 de setembro, em homenagem à Independência do Brasil.

Valeu a pena participar daquele maravilhoso evento cívico, vendo a mocidade de minha terra voltar às ruas da cidade, depois de alguns anos de ausência, pela inépcia e falta de brasilidade dos gestores que antecederam a Miguel na prefeitura.

Aproveitei a oportunidade para junto com Solange passar o feriadão em Itapecuru, hospedados no Green Village, construído pelo empresário Antônio Lages Barbosa, que, com o seu arrojo e inteligência, tem feito investimentos produtivos naquela cidade.

Trata-se de um empreendimento com as características de resort, que não fica a dever a qualquer hotel de sua categoria.  Para quem gosta de conforto e de lazer vale a pena visitá-lo.

LULA E ZÉ REINALDO

Na recente visita a São Luís, o ex-presidente Lula da Silva notou a ausência do deputado José Reinaldo Tavares no seu palanque.

Dizem que chegou a perguntar por Zé Reinaldo ao governador Flávio Dino e sobre as suas possibilidades nas eleições de 2018 para o Senado.

Lula ainda lembrou o esforço que fez para evitar o rompimento político e pessoal do governador Zé Reinaldo com o senador José Sarney.

MAIS DESEMBARGADORES

Deve chegar, neste mês de agosto, à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, uma mensagem do presidente do Poder Judiciário do Maranhão, Cleones Cunha.

Nela, o pedido de votação para a criação de mais três cargos de desembargador, para que o Tribunal de Justiça atenda com mais eficiência e rapidez a demanda de processos que ali ingressam diariamente.

Se a proposta for aprovada, sobe de 27 para 30 a composição do Judiciário maranhense.

 

 

BONS TEMPOS

Bons tempos aqueles em que as propinas dos políticos cabiam nas cuecas. Nessa época, éramos felizes e não sabíamos.

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RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS

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Há livros, que pelo conteúdo e narrativa, se tornam referências e jamais são esquecidos.  Resistem ao tempo, ficam guardados em nossa memória e prontos para a qualquer momento serem lidos, relidos e consultados.

Na bibliografia de autores maranhenses, um livro traz a marca da perenidade e da unanimidade: o precioso “Breve História das Ruas e Praças de São Luís”, da autoria do professor e folclorista Domingos Vieira Filho, que desde o seu primeiro lançamento público, em 1971, foi alvo de elogios e de aceitação pelo mais exigente leitor.

Pela sua importância e atualidade,  é considerada obra de referência histórica, pois oferece ao leitor  valiosa quantidade de informações sobre uma cidade onde a cultura está presente desde os tempos remotos.

O assunto que Domingos Vieira Filho aborda no seu livro é singular, valioso e não encontra similar. Até hoje, poucos intelectuais se atreveram a fazer trabalho semelhante. Os que se arriscaram, não conseguiram o seu sucesso e ficaram esquecidos na rua da amargura.

Quando se fala em obra que trata de questões alusivas aos aspectos urbanísticos da capital maranhense, o autor citado e único é Domingos Vieira Filho, pesquisador emérito e culto, que passou anos em cima de livros, jornais e revistas, no afã de descobrir atos e fatos referentes ao passado e ao presente dos logradouros públicos, nos quais aconteceram episódios marcantes da História do Maranhão ou viveram figuras humanas que prestaram relevantes serviços à nossa terra e à nossa gente.

“Breve História das Ruas e Praças de São Luís” é um dos livros mais procurados e consultados por estudantes, jornalistas, urbanistas, historiadores e pesquisadores, que há anos se ressentem de uma nova edição. Para preencher essa lacuna, a Academia Maranhense de Letras, valendo-se da Lei de Incentivo Fiscal, da Secretaria da Cultura, reedita tão magnífica obra, na certeza de que se harmonizará com o anseio de um imenso público, desejoso de tê-lo novamente em mãos para buscar informações sobre uma cidade cujas ruas e praças nem sempre foram bem cuidadas pelos que receberam a incumbência de dar a elas um tratamento  à altura do que merecem, pois quando não carregam nomes de vultos renomados da vida maranhense, guardam denominações pitorescas e  jocosas, que se perpetuaram no tempo e no espaço.

O nosso notável escritor Josué Montello, que tantas homenagens têm recebido pelo seu centenário de nascimento, em se reportando à obra “Breve História das Ruas e Praças de São Luís” fez uma apologia ao seu autor numa crônica publicada em O Jornal do Brasil e inserido no livro “Janela de Mirante”, editado pelo Sioge, em 1993.

Com a palavra Josué: “O livro de Domingos Vieira Filho, sobre as ruas e praças da capital maranhense, favorece-nos cômodas viagens ao passado. Sem sair do presente, retornamos aos dias antigos, levados pela simplicidade do cicerone prestimoso, que nos vai contando casos de outrora. Da rua atual, com um nome de um figurão já esquecido, e que só as memórias tenazes lograrão identificar, parte ele para a rua de antanho, lembrando-lhe o velho nome apagado, e nos dias a sua história e a sua lenda, com o bom gosto e a exatidão certeira de Camille Julian refazendo a crônica de aventuras e mistérios das ruas de Paris.”

“Assim como nas grandes cidades – Rio de Janeiro ou Paris” continua Montello, “as pequenas cidades, como São Luís do Maranhão, têm ruas afáveis, acolhedoras, docemente  mexeriqueiras, e são elas que dão à vida da província o traço inconfundível, com que os tipos populares, os bancos da praça pública onde se reúnem as mesmas pessoas a horas certas, as velhas senhoras debruçadas nas janelas para ver quem passa, os vendedores ambulantes com os seus pregões costumeiros.”

Em outro trecho, afirma o autor de Cais da Sagração, “Urgia escrever a história das ruas de São Luís, pois, de uns tempos para cá a cidade cresceu muito, ganhou uma ponte sobre o rio Anil, alargou-se em várias direções. A Praia Grande, que serviu de cenário a boa parte de O Mulato, tem agora menos movimento que ao tempo de Aluísio Azevedo. E é aí que se erguem os mais belos sobrados de azulejos de São Luís – majestosos, imponentes, guarnecidos de sacadas de ferro, como seus mirantes abertos para o mar.”

Ao final de sua crônica, Josué afirma categoricamente: “O livro de Domingos Vieira Filho vem na hora oportuna, com a verdade de hoje misturada à poesia do tempo que se foi.”

CASA DO REGUEIRO

Ainda não se sabe se será Casa do Regueiro ou Casa do Reggae. Mas São Luís brevemente verá esta iniciativa transformada em realidade, por vontade do Governo do Estado.

As primeiras ações nesse sentido foram iniciadas com a ida do secretário de Cultura e Turismo, Diego Galdino, à Jamaica.

Em Kingston, capital do país, Galdino e assessores fizeram contatos com autoridades e agentes culturais jamaicanos, buscando informações e acertando tratativas para que o reggae e os regueiros sejam atrativos turísticos em São Luís.

PROJETO INFELIZ

Mesquinharia pura a intenção do deputado Bira do Pindaré de, através de projeto de lei, propor a mudança do nome do município José Sarney.

Ainda bem que o parlamentar pensou no desatinado gesto que iria praticar e mudou de ideia.

Ele deve ter tomado conhecimento do que a população do município pensava e estava preparada para fazer se o malfadado projeto de Bira fosse aprovado pela Assembleia Legislativa.

CRIME DA BARONESA

O famigerado crime da Baronesa de Grajaú, praticado pela esposa do vice-presidente da província do Maranhão, em que ela matou dois escravos adolescentes, no seu sobrado à Rua de São João, continua sendo objeto de estudos e dissertações de mestrado e doutorado em diversas instituições de ensino superior do país.

Quem acaba de ver a tese de doutorado aprovado com louvor pela Universidade da Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, foi o professor do curso de História da Universidade Estadual do Maranhão, Yuri Costa.

Ao longo da dissertação, o mestre maranhense mostrou o saliente papel que teve o jovem advogado, de 26 anos, Celso Magalhães, recém-chegado de Recife, onde se formara, e nomeado promotor em São Luís, que não hesitou em formar o processo contra a Baronesa, a despeito de sua posição social e política. Foi além: prendeu-a num quarto de guarnição local e a levou a júri.

O processo da Baronesa só não foi jogado no lixo, graças à iniciativa do jovem José Sarney, que trabalhava no Tribunal de Justiça, e evitou que aquela documentação tomasse outro destino.

COLINAS E CHINA

Neste ano, ninguém acumulou mais pontos em viagem internacional do que o vice-governador Carlos Brandão.

A título de costurar acordos entre o Governo do Maranhão e o da China, ele esteve várias vezes na capital do país, Pequim. Há quem diga que viajou mais para a China do que para Colinas, sua terra natal.

Por conta disso, o Parlamento chinês poderá  lhe outorgar o título de Cidadão Chinês.

FUTEBOL GAY

Vem aí o 1º Campeonato Brasileiro de Futebol Gay.

No Rio de Janeiro, onde será disputado o campeonato, foi fundada a LiGay Nacional de Futebol.

Até agora, estão inscritos os times do Rio de Janeiro, os Bravus; de Belo Horizonte, os Barbichas; de Coritiba, o Capi Vara; de São Paulo, o  Futeboy; de Porto Alegre, o Magia.

A turma de São Luís está em preparativos para disputar o campeonato com um time que leva o nome de Os Qua Liras.

SUGESTÃO AOS VEREADORES

Tramita na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro um projeto de lei que estabelece descontos progressivos e até isenção de imposto, por conta da violência que impera na cidade.

De acordo com o projeto, os imóveis localizados nas chamadas “áreas de risco”, definidas pelos órgãos de segurança, seriam isentos de pagamento do IPTU.

Outro ponto interessante da lei: seriam estabelecidos descontos progressivos no tributo de 10, 30, 50 e 100 por cento, a quem fosse vítima da criminalidade no bairro onde fica o imóvel.

Como vivemos numa “cidade de risco”, uma lei dessa natureza poderia amenizar o sofrimento do povo.

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O SEXAGENÁRIO NO CENTENÁRIO

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A Semana Montelliana que este ano foi devidamente preparada pela Casa de Cultura Josué Montello, para as comemorações dos cem anos do autor de Tambores de São Luís, encerrou-se gloriosamente e cumpriu plenamente o seu objetivo: lembrar, evocar, reverenciar e homenagear o grande escritor maranhense, ele, que em prosa fez de São Luís o cenário de seus romances, cujas personagens, figuras reais ou imaginárias da cidade, pululavavam

A Semana Montelliana provou uma verdade insofismável: Josué Montello, pela obra literária que construiu, jamais será esquecido em São Luís. A expressiva quantidade de gente que marcou presença na Casa que leva o seu nome, atrás de seus livros e de sua história de vida e de intelectual, não deixa a menor dúvida de que ele continuará apreciado e admirado por todas as gerações de maranhenses.

Aproveitei a Semana Montelliana para reler os Diários de JM e para o meu deleite encontrei no Diário do Entardecer este texto maravilhoso, produzido no dia 21 de agosto de 1977, quando ele completava 60 anos de vida. Por se tratar de uma declaração de amor à vida, à sua terra, à família, à esposa Ivonne e aos amigos, faço questão de levá-la ao conhecimento de meus leitores.  Vale a pena ler e guardar.

Assim começou: Acordei mais cedo. Três horas da madrugada. Ontem, ao me deitar, já o velho relógio, à entrada do gabinete, havia batido 11 pancadas vagarosas – as mesmas do relógio da parede, na minha casa, em São Luís. O relógio se não é o mesmo, é pelo menos igual. Olho este e reencontro o outro, na memória. Um bateu no começo da minha vida; o que vejo agora, no meu apartamento da Avenida Atlântica, há de bater com Deus me chamar.”

“Entra-se neste mundo chorando; sai-se deste mundo em silêncio. Convém atentar para o contraste. No começo, como que adivinhamos a luta que nos espera; no fim, como que antevemos a paz do imenso mistério. Daqui a momentos, ou seja, quando o relógio bater pelas quatro e meia, estarei completando 60 anos.”

“Nos romances de José de Alencar e Joaquim Manoel de Macedo, os velhos têm 50 anos. No século XX, com os romances de José Lins do Rego e Jorge Amado, corrigiu-se o equívoco: velho é o ser fatigado, que perdeu o gosto da vida. Fiel aos meus cabelos bancos, não deixo de admirar os velhotes que se pintam, escondendo a idade, embora saibam que vão por um caminho errado. Só há um meio de atenuar a devastação do tempo: manter a curiosidade pela vida que se renova diante de nós. Quem tem os olhos para ver já sabe que Deus não se repete: uma aurora não é igual a outra aurora, embora se pareçam.”

“Cada um de nós é o que é, com o seu semblante, com o seu modo de ser, e assim vai o mundo, variando sempre, mudando sempre, porque tudo é criação perene, obedecendo à sequência harmoniosa do princípio, do meio e do fim, e trazendo em si a variedade infinita na repetição também infinita.”

“Busco na companheira dileta, que soube fazer de sua ternura a paz essencial para o meu trabalho, os vestígios da passagem do tempo, e dou com os meus olhos nos seus olhos. São os mesmos esses olhos. O próprio tempo os protegeu e preservou, na luz que nela fulgura. Nossos cílios raramente embranquecem. Bom sinal: protegem os olhos que nos mostram o caminho.”

“Seguro as mãos da amiga, retomamos a caminhada. E vou repetindo Sófocles, para concordar com ele: É preciso esperar pela noite para saber que o dia foi belo. Solidário, quando preciso, sem abdicar da minha independência.”

“Ponho de lado o sofrimento; não a luz tenaz para suportá-lo. É esta a luta que me revigora. Diz-me a consciência que sempre fiz o que Deus queria que eu fizesse. Na essência de cada um de meus gestos, de meus atos, de meus impulsos, sempre encontrei meu Pai, com o seu rigor obstinado, ou minha Mãe, com a sua ternura natural.”

“Se busco em mim, neste marco da viagem, a explicação da paz que vem comigo, não tardo a descobri-la: nunca tomei a iniciativa de agredir quem quer que fosse; não transmiti a meus descendentes a memória de um castigo. Em vez do ódio, indulgência e a compreensão. Em vez da lamúria, o silêncio ou o canto, mas sabendo defender-me, quando necessário.”

E assim terminou: “Dou outro passo em frente; sinto mais uma vez a firmeza do chão. Quando ainda há luz sobre as árvores do nosso caminho, na suavidade da tarde que lentamente vai baixando, sempre ouvimos, nas margens da estrada, o canto puro dos pássaros em liberdade, e que só cantam porque são livres.” Antes que a noite se feche, seguro na minha mão, a mão da companheira. Vamos, assim, os dois. Sobre nós, a grande noite estrelada.”

TRISTES DECISÕES

Na semana passada, a sociedade maranhense ficou perplexa diante de duas decisões judiciais, que, pelo conteúdo, abalaram o conceito dos magistrados que as prolataram  e contribuíram para desprestigiar e desacreditar do Poder Judiciário.

A primeira, veio de um juiz da Fazenda Pública de São Luís, por não tomar conhecimento do parecer do Ministério Público, que no seu relatório, apontou como ato de improbidade  o  praticado pelo ex-secretário de Esporte e Lazer, Weverton Rocha, mandando extinguir a ação impetrada contra o mesmo, dando-lhe assim o atestado de honestidade.

A segunda, oriunda de uma sentença de um desembargador, que determinou o desbloqueio judicial de todos os postos de combustíveis de um tal Pacovan, que se vangloria de ser useiro e vezeiro na arte da agiotagem.

FUFUCA EM ALTA

Da redemocratização do Brasil, em 1946, aos nossos dias, até antes do deputado André Fufuca, só três parlamentares federais do Maranhão, ocuparam cargos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados: Neiva Moreira, Henrique de La Rocque Almeida e Cid Carvalho.

Neiva e La Rocque exerceram o cargo de 2º secretário, respectivamente, de 1959 a 1962.

Cid Carvalho chegou a ocupar o mesmo cargo de Fufuca: 2º vice-presidente, em 1965. Mas há uma gritante diferença entre Cid e Fufuquinha.  O primeiro chegou ao posto depois de vários mandatos e de muita luta política. O segundo, o exerceu logo no primeiro mandato.

DE PMDB PARA MDB

A moda na cena política brasileira é a mudança de nome dos partidos políticos.

O PMDB, por exemplo, quer voltar às origens e ser novamente conhecido por MDB, sigla adotada na vigência do regime militar, quando o partido notabilizou-se na luta pela redemocratização do país.

No Maranhão, dessa época gloriosa do MDB, integravam o partido oposicionista: Renato Archer, Cid Carvalho, José Burnett, Epitácio Cafeteira, Baima Serra, Isaac Dias, José Brandão e Adail Carneiro e outros menos votados.

PRESTÍGIO DE HAICKEL

O cineasta Joaquim Haickel mostra ser realmente amigo do novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Por conta dessa amizade, o Maranhão ganhou um Núcleo de Produção Digital, equipamento imprescindível para que as produções audiovisuais possam se desenvolver em nossa terra com mais vigor.

Nesse sentido, o professor Roberto Brandão celebrou com o Ministério da Cultura convênio, por maio do qual o Núcleo de Produção Digital ficará no Maranhão sob a responsabilidade do IFMA.

PALMAS PARA VELOSO

O juiz federal Roberto Veloso não vacila agir quando os interesses da Associação dos Juízes Federais estão em pauta.

Na semana passada, a entidade que ele preside, com sabedoria e firmeza, precisou de sua palavra e de sua ação para manifestar o repúdio ao ministro do STF, Gilmar Mendes, pelas suas estocadas contra a Operação Lava-Jato, não negou fogo.

Veloso, à frente da Associação dos Juízes Federais, além de ser uma voz permanente e corajosa, não se intimida diante dos poderosos, que desejam embaraçar ou tumultuar as iniciativas de seus colegas.

CORAL E TEATRO

No entendimento de que a Uni Ceuma não deva ser apenas uma instituição voltada para a educação de nível superior, o seu criador, engenheiro Mauro Fecury, resolveu fazer, também, da cultura um dos focos do seu empreendimento.

Esse processo, iniciado com a criação de um coral, firmou-se com como iniciativa vitoriosa, a ponto de ser hoje requisitado para se apresentar além do âmbito universitário.

Agora, Mauro volta suas vistas para o teatro. Para fomentar essa atividade na sua instituição, contratou o Coteatro para apresentar no Campus Renascença a peça grega Édipo Rei, de Sófocles, sob a direção de Tácito Borralho, com participação de alunos e do Coral Ceuma.

A peça, apresentada na noite de quarta-feira, foi um sucesso total, sendo assistida por uma plateia constituída de mais de dois mil espectadores, entre alunos e professores.

 

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