DO TRIVIAL COTIDIANO

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CAFETEIRA E BOLSONARO

Qual o traço marcante que vincula o ex-prefeito de São Luís, Epitácio Cafeteira, ao atual Presidente da República, Jair Bolsonaro?

Resposta: a fobia às máscaras. Se Cafeteira acabou com as máscaras no carnaval de São Luís, Bolsonaro quer destruí-las em plena pandemia.

NOVENTA ANOS DE ADMÉE

Uma majestosa festa estava em preparativo pelos familiares de Admée Duailibe, para a comemoração de seus bem vividos noventa anos, que acontece em outubro deste ano.

  Se a pandemia continuar furiosamente forte, o evento festivo deverá ser marcado para outra data, mas não deixará de ser jamais realizado.

PALAVRAS INGLESAS

Com a pandemia, uma expressiva quantidade de palavras de origem inglesa, será provavelmente incorporada ao léxico brasileiro.

As mais conhecidos: home office, lockdown, live, vídeo conferência e delivery.

O NOSSO DINDIN

No Maranhão, uma iguaria inventada para enfrentar o verão, que consiste em congelar sucos em pequenos saquinhos plásticos, chama-se dindin; no Rio de Janeiro, tem o nome de sacolé.

Na Europa, por causa da pandemia, o nosso dindin, vem fazendo o maior sucesso.   

 MINISTRO DA CULTURA

O Ministério da Cultura, criado no governo do Presidente José Sarney, nomeou um nome de peso no cenário internacional, para dirigi-lo: o intelectual Celso Furtado.

No governo de Bolsonaro, a Cultura, além de perder o status de ministério, está sob o comando de um ator de terceira categoria, que se esmera na arte do puxa-saquismo.

MARTA ROCHA

No auge do reinado de Marta Rocha como Miss Brasil, ela veio a São Luís, para ser homenageada num evento dançante no Grêmio Lítero Português.

À época, 1955, quem governava interinamente o Maranhão era o deputado estadual Eurico Ribeiro, presidente da Assembleia Legislativa, que por ser jovem e metido a galã, recebeu o apelido de Marta Rocha.

LONGEVIDADE ACADÊMICA

Em junho passado, o presidente da Academia Maranhense de Letras, Carlos Gaspar, quis marcar uma reunião com os “imortais”, mas foi convencido a sustá-la pelo acadêmico Lourival Serejo, com este argumento: – Gaspar, não esqueça de que a maioria dos membros da AML é composta de sexagenários, septuagenários e octogenários.

O RETORNO DE NICOLAU DINO

Tempos de tumulto poderão acontecer nas reuniões do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Motivo: o Procurador Nicolau Dino, opositor do Procurador-geral da República, Augusto Aras, foi eleito novamente para integrar o colegiado do MPF. 

ADIAMENTO DAS ELEIÇÕES

Não convidem o deputado federal Hildo Rocha, vice-líder do PMDB, e o ministro Luís Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para a mesma reunião.

Motivo: o parlamentar maranhense, por ser a favor da manutenção do calendário eleitoral deste ano, não tem poupado o ministro de veementes críticas, por defender ardorosamente o adiamento das eleições municipais de outubro para novembro.

ABL HOMENAGEIA SARNEY

Em abril deste ano, a Academia Brasileira de Letras programou uma sessão especial em homenagem ao escritor José Sarney, pelos seus noventa anos de vida.

O evento, por conta da pandemia foi transferido para novembro vindouro, quando Sarney completa 40 anos de ingresso na Casa de Machado de Assis.

CARROS DA CHINA

O empresário Carlos Gaspar, na semana passada, despediu-se definitivamente dos negócios de carros.

Ele, que representava em São Luís, os automóveis de origem chinesa – Caoa Cherry, que se tornaram conhecidos e aprovados no mercado maranhense, conseguiu ser bem-sucedido numa negociação financeira com a empresa Saga.      

VAGA DE CABRAL

Um axioma diz que bebe água limpa, quem chega primeiro na fonte.

Após o falecimento do acadêmico José Maria Cabral Marques, amigos do ministro Reynaldo Soares da Fonseca entraram em ação e lançaram a sua candidatura à Academia Maranhense de Letras.

A ofensiva eleitoral em favor do ministro do STJ foi de tal modo exitosa, que ele já conta com votos suficientes para substituir Cabral Marques na Casa de Antônio Lobo.

HOSPITAL NA MIRA

Depois que investiu recursos com sucesso em São Luís, Imperatriz, Brasília e Teresina, na área do ensino superior, o Grupo Fecury já mira outro setor para prestar bons serviços à sociedade.

Trata-se agora de investir no campo da saúde e construir em São Luís, no bairro da Cohama, um hospital dotado de excelentes condições técnicas e operacionais e que possa contribuir para a melhoria da saúde dos maranhenses.

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SERVIÇO PÚBLICO NA REPÚBLICA LUDOVICENSE

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Na semana passada, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que cria o Marco Legal do Saneamento, que altera o atual modelo de contrato de programas junto a empresas estaduais de água e esgoto e abre concessão para empresas privadas, ato com repercussão no Maranhão, pois permitiria que a Caema – Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão viajasse do domínio público para o privado e transformada em empresa viável, como aconteceu, anos atrás, com a Cemar- Companhia Energética do Maranhão, comprada pela Equatorial Energia.

VOTO DA BANCADA

Esse importante projeto de lei, ao ser votado no Senado, não obteve consenso na bancada do Maranhão, pois só um dos três senadores votou a favor da matéria, ato lamentado pelo deputado Gastão Vieira, que viu no posicionamento de nossa representação, um comportamento identificado com um esquerdismo ultrapassado no tempo e no espaço.

Gastão está literalmente certo, ao fazer essa crítica sensata e oportuna aos que votaram contra uma lei que no Maranhão, se adotada,  seria útil e proveitosa para o governo e a população, principalmente quando se coteja a situação administrativa, econômica e financeira de duas empresas que nasceram ao mesmo tempo – Cemar e Caema, mas tomaram caminhos diferentes e hoje apresentam desempenhos antagônicos. Enquanto a primeira, por ser privatizada, é bem administrada e opera com eficiência; a segunda, ainda mantida pelo poder público, continua mal gerida e ineficiente.

LIVRO DE PALHANO

Por falar nessas duas empresas, lembro e recomendo o extraordinário livro da autoria do professor, Raimundo Palhano, publicado pelo IPES- Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais em 1968, que, pela importância e procura, a Secretaria de Ciência e Inovação Tecnológica o reeditou em 2017.

Trata-se da obra “Serviços públicos e cidadania na república ludovicense”, que, com fidelidade e objetividade, mostra a instalação, produção, distribuição e consumo dos serviços públicos de água, esgoto, higiene, iluminação, bondes e o comportamento da verba pública em relação aos serviços urbanos de São Luís.

AS PRIMEIRAS INICIATIVAS

Afirma Raimundo Palhano que, no período compreendido entre os anos 1850 e 1870, ocorreu o surgimento e o desenvolvimento inicial dos serviços públicos em São Luís.

Os serviços de água e esgoto foram os primeiros que os governantes maranhenses se preocuparam em instalar na cidade.  Por serem os mais necessários à saúde pública, com base na Lei de 4 de dezembro de 287, nasceu em 1850 uma companhia para o encanamento das águas do Rio Anil.

No tocante à iluminação, “o primeiro contrato para introduzir a iluminação a gás, em substituição à álcool terenbentinado, substituto da iluminação de azeite, de 1825, traz a data de 1861.”

Quanto ao transporte coletivo, o emérito pesquisador afirma que “A primeira proposta para assentamento de trilhos urbanos em São Luís foi de 1870, expressa em requerimento dirigido à Assembleia Provincial, que solicitava licença para a montagem de um serviço com veículos a vapor, a qual acabou sendo concedida em 1871, com a assinatura de um contrato para fazer correr diligências em trilhos de ferro, puxados por muares ou a vapor, empresa essa que recebeu o nome de Companhia Ferro-Carris.”   

A PROBLEMÁTICA ÁGUA

Com respeito ao precioso líquido, o autor do livro diz que “À companhia encarregada de fornecer agua encanada, concedeu-se um privilégio de 60 anos, o que provocou muita controvérsia, não só pelo generoso incentivo, mas também pela desconfiança que era vista a idoneidade dos contratantes, principalmente depois dos ataques movidos por aqueles que possuíam interesses no mercado da água.

“A colocação de chafarizes na cidade, por seu turno, foi apontada como imitação do que se passava na capital do Império, o que revelava a presença de algum grau de desconfiança em relação á utilidade de tais serviços.”

 ÁGUA DE DONANA JANSEN

 “Na verdade, a companhia de oposição à Companhia do Anil era comandada pelo poderosa Donana Jansen (então a maior latifundiária e proprietária de imóveis urbanos da Província) e seu sócio, José da Cunha Santos, um espanhol de nascimento, em razão da virtual ameaça aos bons negócios que aquela senhora obtinha com a venda de água de seus poços do Apicum e do Vinhais. Antes de se tornarem sócios, José da Cunha Santos, o principal fornecedor de águas na cidade e para os navios que ancoravam no porto, abastecendo-se das fontes de Donana Jansen, cujas águas gozavam a fama de serem excelente qualidade. Até então o acondicionamento da água era feito em pipas e conduzidas através de carros de boi ou em canoas. A vendagem se fazia de porta em porta e o preço do caneco de 18 litros girava em torno de dez réis. Eram também precárias as condições de higiene dos carros pipas onde vinha a água, o que era atenuado pela decantada qualidade da mesma.”

INICIATIVAS MALOGRADAS

Afirma Palhano que “As iniciativas do poder público, a partir de 1850, visando o encanamento das águas do Rio Anil, mostraram que o abastecimento da água na cidade já se constituía em um problema, senão grave, pelo menos em processo de agravamento, que culminou com a dissolução da primeira diretoria da Companhia do Anil, processo que só se esgotaria, em sua primeira fase, em meados de 1867. Nestes 17 anos, não se conseguiu mudar basicamente em nada o quadro existente, a não ser a colocação dos seis chafarizes em pontos estratégicos da cidade.”

O problema do abastecimento de água à população de São Luís, não se esgota com a Companhia do Anil. Depois dela, com outras empresas privadas, os governos estaduais, tanto na fase imperial como na republicana, firmaram contratos, mas nunca alcançaram resultados satisfatórios.

Governadores como João Gualberto, Artur Quadros Colares Moreira, Luiz Domingues, Herculano Parga e Urbano Santos, lutaram incansavelmente, contraindo até empréstimos externos, para que as empresas privadas pudessem prestar bons serviços de abastecimento de água ao povo de São Luís, mas, lamentavelmente, nesse intento, fracassaram.

A ULEN EM AÇÃO

O fato mais audacioso, com relação a essa problemática, deu-se na gestão do governador Magalhães de Almeida (1926-1930), por conta de assinatura de contrato com a poderosa empresa americana Ulen Management Company, para assumir em São Luís a prestação de serviços de água, esgoto, luz, tração(bondes) e prensa de algodão, contrato contestado pelos políticos de oposição, no entendimento de que explorava o consumidor.

Nesse episódio, deve-se ressaltar a atuação de José Maria Reis Perdigão, que, na condição de líder no Maranhão da Revolução de Trinta, fez o Governo federal rescindir o contrato com a gigante americana, depois de lutas nas esferas jurídicas e diplomáticas.   

NASCIMENTO E MORTE DO SAELTPA

Para substituir a Ulen, vem à tona em 1932 um órgão com o pomposo nome de SAELTPA – Serviços de Água, Esgoto, Luz, Tração e Prensa de Algodão, que bem ou mal serve a população da cidade, mas desaparece no mandato do governador Matos Carvalho, que a desdobra em três autarquias: DAES, Departamento de Águas e Esgotos, CEMAR, Centrais Elétricas do Maranhão, DTSUL, Departamento de Transportes Urbanos.

Na gestão seguinte, do governador Newton Bello, nova tentativa surge para minimizar o problema de falta de água em São Luís, com a criação da SANEL, que teve vida curta, pois com a posse do governador José Sarney, em 1966, aflora uma autarquia não apenas para cuidar do abastecimento de água na capital, mas de todas as cidades maranhenses, a CAEMA, Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão, atualmente denominada de Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão, que continua carregando os mesmos problemas de outrora.      

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AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 25 DEZEMBRO DE 1947

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Inobstante às argumentações do Ministério Público Eleitoral, na defesa da manutenção das datas das eleições municipais deste ano, marcadas para 4 e 25 de outubro, respectivamente, primeiro e segundo turnos, o Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda Constitucional, por causa do coronavirus, de alteração daquelas pugnas eleitorais para 15 de novembro(primeiro turno) e 29 de novembro(segundo turno). A PEC, ainda terá de ser analisada pela Câmara dos Deputados, onde precisará, para a sua aprovação, de 308 votos.

A candente discussão em torno das eleições municipais deste ano, remete para o dia 25 de dezembro de 1947, quando, no Maranhão, o eleitorado foi convocado para comparecer às urnas e votar nos candidatos às eleições de prefeitos e vereadores municipais.

Mas por que essa convocação para votar no Dia de Natal, quando o povo estava mais interessado em comemorar o nascimento de Cristo do que participar de um ato que há muito tempo não praticava, por privação da ditadura getulista?    

O inusitado pleito, ocorrido há 73 anos, veio no bojo do processo de reconstrução jurídica e política do País, que contou com as ativas contribuições dos constituintes federais e estaduais.  

A NOVA CARTA MAGNA DO BRASIL

Depois de 15 anos de regime ditatorial, Getúlio Vargas foi deposto a 10 de outubro de 1945 e o Brasil passou a ser governado pelo ministro José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, que marcou as eleições de presidente da República, senadores e deputados federais, estes, com a incumbência de darem ao País uma nova Carta Magna.

Os constituintes federais maranhenses, eleitos a 2 de dezembro de 1945 (três senadores e nove deputados), juntaram-se aos representantes das demais unidades federativas, e a 18 de setembro de 1946, promulgaram a nova Constituição do Brasil, que marcava para 19 de janeiro de 1947, a realização das eleições para os cargos majoritários( governadores) e proporcionais (deputados estaduais), estes, com a precípua tarefa de fazerem a nova Carta Magna do Estado do Maranhão.

A NOVA CONSTITUIÇÃO DO MARANHÃO

Como mandava a nova Constituição do País, na data fixada, o povo maranhense, representado por 130. 473 eleitores, elegeu Sebastião Archer da Silva, para governar o Maranhão, e 37 parlamentares, que, investidos nas funções de constituintes estaduais, em clima de cordialidade e respeito, promulgaram a 28 de julho de 1947, em solenidade festiva, no Teatro Artur Azevedo, a nova Carta Magna do Estado do Maranhão, que determinava, dentre os artigos nela embutidos, duas novas eleições no ano de 1947.

A primeira, em 22 de outubro, para eleger, por via indireta, o vice-governador, sendo vencedor o empresário Saturnino Bello. A segunda, a 25 de dezembro, para eleger prefeitos e vereadores. Com essas pugnas eleitorais, se completava o processo de constitucionalização do País.

AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Na data indicada para o pleito municipal – Dia de Natal, o maior evento do cristianismo, o eleitorado marcou presença na cabine de votação.

No pleito, foi flagrante a vulnerabilidade dos partidos oposicionistas, sendo impiedosamente derrotados pelo Partido Social Trabalhista, criado e comandado pelo senador Vitorino Freire, que ficou com a grande maioria das Prefeituras e Câmaras de Vereadores, obtendo noventa por cento da votação.

São Luís, por ser a capital do Estado, não desfrutava de autonomia política e administrativa, razão pela qual o eleitorado só teve o direito de eleger os seus representantes à Câmara Municipal. Dos onze vereadores eleitos, o partido vitorinista elegeu oito: Antônio Bayma, Newton Bello, Salomão Fiquene, Matos Carvalho, Urbano de Sousa Marques, Artur de Sousa Vidigal, Jaime Pires Neves e Inácio Gomes; e a coligação oposicionista, apenas três: Lino Machado Filho, José Luiz da Silva e Sousa e João Soriano Cardoso.

Com uma representação política desse nível moral e profissional, São Luís era feliz e não sabia.

CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS

Na atualidade, o Maranhão possui 217 municípios, a grande maioria criada pela irresponsabilidade e inspiração eleitoreira de deputados constituintes, que, em outubro de 1989, promulgaram a nova Carta Magna do Estado.

Em 1947, os constituintes estaduais, criteriosamente e com responsabilidade, só criaram um município: São José de Ribamar. Com relação às 72 cidades que faziam parte da estrutura administrativa estadual, os prefeitos eleitos teriam três anos de mandato (31 de janeiro de 1948 a 31 de janeiro de 1951).  

MUNICÍPIOS E PREFEITOS ELEITOS

Alcântara, Carlos Brenha; Alto Parnaíba, José Soares; Arari, Pedro Fernandes; Anajatuba, Salustiano Santana; Araioses, João Batista Freitas Diniz; Axixá, Delarei Nunes; Bacabal, Raimundo Vale; Balsas, Lauro Maranhão Aires; Barão de Grajaú, Antônia Pires Soares; Barra do Corda, Raimundo Ferreira Lima; Barreirinhas, José Raimundo dos Reis; Benedito Leite, João Alves Barros; Bequimão, José Pereira Damasceno; Brejo, Raimundo Macatrão; Buriti, Osvaldo Farias; Buriti Bravo, José Batista Ribeiro; Cajapió, João Paulo Cordeiro; Cajari, Benedito Silva; Cândido Mendes, Francisco de Araújo; Carolina, José Alcides de Carvalho; Carutapera, Maximiliano Teixeira; Caxias, Eugênio Barros; Chapadinha, Eurídice de Araújo Vieira; Codó, José Raimundo Lago; Coelho Neto, Raimundo Bacelar; Picos, hoje, Colinas, Hildo Moreira Lima; Coroatá, Emílio Azevedo; Cururupu, José Gabriel dos Santos Neto; Curuzú, hoje, São Benedito do Rio Preto, Raimundo Rodrigues; Grajaú, Abrahão Rodrigues; Guimarães, Olavo Cardoso; Miritiba, hoje, Humberto de Campos, Luiz Frazão; Icatu, Osvaldo Campos; Imperatriz, Simplício Moreira; Ipixuna, Francisco Melo; Itapecuru-Mirim, Miguel Fiquene; Loreto, Antônio Macedo; Matinha, Manuel Antônio Macedo;       

Mirador, Joaquim Bezerra; Monção, Neuton Abreu Serra; Morros, Tomaz Costa; Nova Iorque, Manuel Santana; Parnarama, Lauro Barbosa Ribeiro; Passagem Franca, Faustino Silva; Pastos Bons, Alcina Neiva; Pedreiras, José Lago; Penalva, Francisco Cunha; Peri-Mirim, Agripino Marques; Pindaré-Mirim, José Bezerra; Pinheiro, Benedito Durans; Porto Franco, Virgulino Vasconcelos; Curador, hoje, Presidente Dutra, Ariston Leda; Primeira Cruz, Lourival Simões; Riachão, Luso Rocha; Rosário, Raimundo Aquino; Santa Helena, José Weba; Santa Quitéria, Heitor Pedrosa; São Bento, Florêncio Soares; São Bernardo, Cleres Costa; São Francisco do Maranhão, José Eudoxo Vieira; São João dos Patos, Joana Rocha Santos; São Raimundo das Mangabeiras, Raimundo Nonato Santos; São Vicente Ferrer, José Salustiano Serra; Timbiras, Antônio Rivas Ribeiro; Timon, Jaime Rios; Turiaçu, João de Carvalho Leite; Tutoia, Lucas Veras; Urbano Santos, Jonas Araújo; Vargem Grande, Luís Barros; Viana, Ezequiel Gomes; Vitória do Mearim, Pedro Gonçalves.

Legenda da foto: Constituintes estaduais de 1947, que marcaram as eleições municipais para o Dia de Natal.

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A BRAVURA E COMPETÊNCIA DE KÁTIA BOGÉA

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Em março de 2016, a historiadora Kátia Bogéa foi nomeada presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo presidente Michel Temer, por indicação do ex-presidente José Sarney, que conhecia e acompanhava o extraordinário trabalho técnico que realizava na Superintendência do IPHAN no Maranhão, ao longo de 12 anos, em que se dedicou integralmente à causa da recuperação do patrimônio histórico e artístico de São Luís.   

Ao assumir a presidência da República, Jair Bolsonaro, manteve Kátia Bogéa no cargo, supondo-se assim o seu reconhecimento ao incansável trabalho por ela desenvolvido em favor da preservação do patrimônio das cidades brasileiras, e louvado pelos que lutam por tão emblemática causa.

Mas quem conhece o modo correto e eficiente de Kátia trabalhar e a maneira desastrosa como Jair Bolsonaro governa(?) o Brasil, sabia que a permanência dela no comando do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não seria longo.

Como se imaginava, em dezembro de 2019, de maneira insólita e indelicada, um ato do Palácio do Planalto a exonera da presidência do IPHAN, cargo que até agora permanece sem dirigente, porque as indicadas para substituí-la, não preencheram os requisitos exigidos pela burocracia estatal. 

Na gestão do atual presidente da República, foram nomeadas para comandar o IPHAN, Luciana Rocha Feres e Larissa Peixoto, que não se mantiveram no cargo, pela ausência de habilitações para a função que requer, de quem vai desempenhá-la, competência profissional e capacidade técnica, atributos imprescindíveis para enfrentar inescrupulosos empresários e setores de uma classe política atrasada.

DEMISSÃO DE KÁTIA

Na edição de 24 de maio recente, a jornalista Camila Matoso, na sua coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, publica matéria sobre a demissão de Kátia Bogéa da presidência do IPHAN, mostrando que, “além da tentativa de interferência indevida na Polícia Federal, para proteger amigos e família, a reunião ministerial revelou ação semelhante de Jair Bolsonaro no IPHAN, responsável por zelar pelo patrimônio”.

Para colocar as coisas em prato limpo, a ex-presidente do instituto, a respeito de tão mesquinho assunto, disse à jornalista paulista “ter sido demitida após reclamações de Luciano Hang e Flávio Bolsonaro e de que é mentiroso o discurso do presidente Bolsonaro, de ter pessoas técnicas para cargos, pois ele quer no órgão alguém que aceite passar por cima da lei”.     

A RAZÃO DA DEMISSÃO

Segundo Kátia, “a sua demissão ocorreu por causa de uma obra do empresário e dono das lojas Havan (o que financia as fakes news veiculadas pelo gabinete do ódio), executada no sul do país e onde a empresa contratada por Hange deparou-se com um achado arqueológico, fato semelhante ao acontecido em Salvador, Bahia, que levou o ex-ministro Gedel Vieira, por ser amigo do presidente Michel Temer, a tentar passar por cima da lei, ato repelido pela presidente do IPHAN.

Por contrariar o interesse do dono das lojas Havan, Kátia pagou um preço alto: foi exonerada do cargo por Jair Bolsonaro, sob o pretexto de paralisar uma obra de um amigo e aliado, que como o político baiano, desejava se prevalecer de um achado arqueológico e numa área tombada, para tirar proveito empresarial.

DISCURSO MENTIROSO

Na entrevista, Kátia fez esta revelação: “Flávio Bolsonaro esteve em Salvador e se reuniu com construtores locais que fizeram reclamações. No dia 11 de maio, o governo escolheu para dirigir o IPHAN uma amiga da família. Depois disso, veio com esse discurso mentiroso de que teria que ter perfil técnico para ocupar cargo no seu governo. Tudo mentira”.  

A BRAVURA DE KÁTIA

A bravura de Kátia, quando se reporta à  verdade e à defesa da lei, faz lembrar um ato ocorrido em dezembro de 1998, na inauguração da reforma da Praça do Panteon, quando no palanque, na presença do governador Flávio Dino, à época, inimigo figadal de José Sarney, corajosamente, fez questão de ressaltar em alto e bom som e cercada por gente do governo estadual, o seu agradecimento ao ex-presidente da Nova República, pela efetiva participação na concretização de tão importante obra.

A PRIMEIRA DEMISSÃO

O injusto e ignóbil ato de demissão, perpetrado pelo atual chefe da Nação, não foi o primeiro registrado ao longo da brilhante vida profissional de Kátia, toda voltada para a recuperação e preservação do patrimônio cultural de nosso país.

Se a memória não me falha, em outubro de 2015, como superintendente do IPHAN, em São Luís, inesperada e cavilosamente, viu-se demitida do cargo que ocupava há 12 anos, por iniciativa do deputado federal, Waldir Maranhão, à época, 1º vice-presidente da Câmara Federal, que se valendo do posto que exercia,  imerecidamente, conseguiu junto à presidente Dilma Roussef afastá-la de suas atribuições funcionais.

EM DEFESA DE KÁTIA

Lembro que, através desta coluna, veiculada a 25 de outubro de 2015, reportei-me à sua demissão, lavrada em uma crônica intitulada “Kátia e o IPHAN”, do qual extraí este texto: “Para prejudicar São Luís, no que tem de mais precioso – o seu rico acervo artístico e arquitetônico – um indesejável político maranhense armou-se de duvidoso prestígio para exigir a cabeça da competente e incansável profissional, ela, que, no exercício do cargo, luta bravamente pela preservação e recuperação desta cidade e impedir que vândalos e insensatos a destruam e vilipendiam.”

“Só quem acompanha a árdua batalha que Kátia trava contra esses malfeitores, que, ao arrepio da lei, tentam transformar São Luís numa urbe sem alma e vida, pode avaliar a lacuna que deixará e a falta que fará ao IPHAN, como sua grande comandante.”

“Quantas vezes eu e tantos maranhenses a vimos colocar a fragilidade feminina de lado, para enfrentar com coragem e altivez os valentões, os falsos empreendedores e os especuladores imobiliários, os quais, em pleno uso da ignorância, da arrogância e da má-fé, fazem de tudo para São Luís perder as características que a diferenciam de qualquer outra cidade brasileira.”

“Como não conseguem afastá-la dos princípios que defende, tentam macular a sua imagem e acusá-la de radical e intransigente. Para esse tipo de gente, ela costuma jogar duro, mas sem perder a ternura. O que faz com toda dignidade.”     

Legenda da foto: Kátia Bogeá, ao lado do ex-presidente José Sarney e do ex-presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, sendo homenageada pelos acadêmicos, no final do ano passado, pela sua brilhante atuação à frente do IPHAN.

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RAIMUNDO NONATO CASSAS

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É com saudade e perenes lembranças que escrevo sobre o meu conterrâneo e amigo de infância, Raimundo Nonato Coelho Cassas, falecido recentemente em São Luís, depois de alguns anos de sofrimento, mas graças à sua vontade de viver, enquanto as forças não lhe faltaram, resistiu às adversidades impostas por uma atroz enfermidade.

De Nonato, guardo recordações que permanecem vivas na minha memória e que o tempo não conseguirá apagá-las, até porque procedem de fases importantes de nossas vidas, que tiveram como marco referencial a cidade onde nascemos: Itapecuru Mirim, eu, em fevereiro de 1938, ele, em abril de 1939, somos, portanto, de uma mesma geração, crescemos praticamente juntos e participamos de momentos inesquecíveis e inerentes àquela fase da vida de sonhos e fantasias.

Fomos alfabetizados no Grupo Escolar Gomes de Sousa, no qual a sua querida mãe, a competente professora Maria de Lourdes Coelho Cassas, fazia parte do corpo docente.

Naquela época, desfrutamos, das gloriosas brincadeiras e dos saudáveis divertimentos que  Itapecuru nos proporcionava, ainda acanhada do ponto de vista populacional e espacial, com destaque para as partidas de futebol, praticadas livremente nas ruas e praças de nossa cidade e usando bolas de pano, de borracha ou de couro, artefatos sob os quais ele mostrava impressionante domínio, a ponto de se tornar, com o passar dos anos, um craque de primeira linha.       

Concluído o curso primário, em Itapecuru, continuarmos os estudos secundários em São Luís, eu, nos Maristas, ele, no Liceu Maranhense, de onde partimos para enfrentar o vestibular na Faculdade de Direito.  

Ao longo da existência, Nonato Cassas, teve três paixões: o futebol, a política e a família.

O FUTEBOL

Desde criança, a bola de futebol contagiou a vida do meu conterrâneo. Na sua fase de jovem, jogando pela seleção itapecuruense, que participava do torneio Intermunicipal,  encantou a torcida que comparecia ao Estádio Santa Isabel, tanto que recebeu, face às qualidade de excepcional driblador, o apelido “De Mola”, virtude que o levou a jogar pelo principal time da segunda divisão do campeonato maranhense, o Santos Futebol Clube, treinado por Jafé Nunes.

Depois do Santos, vestiu as camisas do Sampaio Corrêa, pelo qual disputou vários campeonatos da primeira divisão, e do Ferroviário e por este sagrou-se campeão maranhense, em 1958.

Ao pendurar as chuteiras como jogador, resolveu ser cartola no futebol do Maranhão, aceitando as presidências do Sampaio Corrêa e do Moto Clube, que graças ao seu comando, conquistaram títulos importantes.

Nonato, no futebol de salão, também foi craque e um dos melhores do Maranhão, integrando a equipe do Cometas, do qual foi um dos fundadores.

As últimas partidas de futebol que jogou foram no campo do Clube Recreativo Jaguarema, nas tardes de sábados, participando do campeonato disputado pelos times dos associados.

 Torcedor fanático do Botafogo, acompanhava pelo rádio todas as partidas do time carioca, sobretudo o da época em que pontuavam no time jogadores do nível de Manga, Newton Santos, Garrincha, Didi e Zagalo.

A POLÍTICA

Ao encerrar as suas ações como jogador e cartola, bandeou-se para outra atividade, que exercia sobre ele enorme fascínio: a política partidária, iniciada em 1969, quando submete o seu nome à consideração das lideranças políticas de sua terra natal, com vistas às eleições de prefeito municipal.

Venceu o pleito, tendo como vice, Leonel Amorim. Cumpriu o mandato de janeiro de 1970 a janeiro de 1973, no exercício do qual empreendeu ações importantes e obras de infraestrutura.

Nos anos 1980, mudou o domicílio eleitoral para São Luís. Nas eleições de 1982, elege-se vereador à Câmara Municipal da capital maranhense. Pelo bom desempenho parlamentar, foi alçado ao posto de vice-presidente, no biênio 1987-1988.

Quando o presidente José Sarney assumiu a Presidência da República, em 1985, realizaram-se eleições diretas nas capitais dos Estado. Em São Luís, depois de anos sob as   administrações de prefeitos nomeados pelos governadores, o povo foi às urnas e elegeu Gardênia Ribeiro Gonçalves, para um mandato de três anos. A eleição foi decidida no segundo turno contra os candidatos a prefeito e vice, Jaime Santana e Nonato Cassas.

A FAMÍLIA

Em, 10 de abril de 1969, Nonato Cassas despediu-se da vida de solteiro e contraiu casamento com uma das moças mais bonitas da cidade e de família tradicional: Carmen Aroso, com a qual construiu uma família bem estruturada, formada por três filhos, seis netos e duas bisnetas.  

A VIDA PÚBLICA

Além dos postos eletivos, todos desempenhados com dignidade e altivez, Nonato teve uma trajetória rica e exemplar, no que tange às atividades exercidas ao longo da vida pública, que começou nos anos 1960, no Banco da Amazônia, após o que ocupou os cargos de Diretor Administrativo da Copema, Secretário adjunto da SEDEL, Assessor Legislativo da Assembleia Legislativa e Auditor Fiscal, no qual se aposentou.

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O NOTÁVEL PROFESSOR CABRAL MARQUES

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Foi nos meados da década de 1960, quando o Maranhão era governado pelo escritor José Sarney, no governo do qual José Maria Cabral Marques exercia com brilhantismo e competência o cargo de secretário de Educação do Estado, que eu tive o prazer e a honra de conhecê-lo pessoalmente, de tomar conhecimento do que fazia como homem público e do formidável trabalho que realizava, como membro do primeiro escalão da nova administração, eleita em 1965 pelo povo maranhense.

Meus primeiros contatos com aquela extraordinária figura humana, aconteceram no órgão mais importante da administração pública estadual, a Sudema – Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão, com as atribuições de planejar e acompanhar a execução dos recursos liberados para as obras governamentais.

Naquela repartição pública, onde eu prestava serviços administrativos, Cabral marcava presença com frequência, para discutir e tratar dos interesses da secretaria que comandava, construímos uma amizade sincera e sólida, a ponto de dele receber irrecusável convite para passar uma temporada na secretaria de Educação, para ajudá-lo nas ingentes tarefas impostas por aquela pesada máquina burocrática.

Anos depois, Cabral, então à frente da Secretaria de Administração, mais uma vez, lembra-se da minha pessoa e convida-me a fazer parte de um grupo selecionado, que no Rio de Janeiro, passaria um ano para participar de um curso na Escola Brasileira de Administração Pública, vinculada à Fundação Getúlio Vargas.

O grupo, constituído, dentre outros, por figuras do quilate intelectual e moral de José Joaquim Filgueiras, Artur Almada Lima (eram juízes), Mundicarmo Ferreti e José Bastos Silva, formaria o núcleo para o treinamento em São Luís dos futuros professores da Escola de Administração do Estado do Maranhão.

Os gestos de Cabral, praticados espontaneamente e com objetivos claramente confessáveis de fazer com que eu crescesse profissionalmente, ficaram indelevelmente marcados na minha alma e ao longo da vida jamais foram esquecidos, motivos pelos quais passei a ter por ele uma incomensurável admiração como homem público, onde se impôs pela retilínea conduta pessoal e moral e sem tirar proveito de qualquer natureza no desempenho das elevadas funções exercidas.

REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL

 De Cabral, não esqueço a edificante e segura atuação à frente da reitoria da Universidade Federal do Maranhão, cargo que ocupou ao longo dos anos de chumbo, quando enfrentou embates aguerridos e sem tréguas, de setores docentes e discentes, contra os quais jamais usou o poder que detinha sob suas mãos, para punir ou vingar-se dos que tentavam denegri-lo ou jogá-lo no limbo da vida pública.

NA ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS

No ano 2000, quando se abre uma vaga na Academia Maranhense de Letras, para ocupar o lugar do escritor Franklin de Oliveira, os acadêmicos, por unanimidade, elegeram Cabral Marques para tê-lo como confrade e fazer parte de um sodalício que o reconhecia como figura humana de valor pelas suas qualidades profissionais e intelectuais.

O GOSTO PELA POESIA

No seu discurso de posse, na Casa de Antônio Lobo, a 6 de abril de 2001, revelou o seu gosto pela poesia, com esta informação: “Quando eu era ainda muito jovem, foi noticiado que Margarida Lopes de Almeida, iria recitar poesias no Teatro Artur Azevedo. No dia e hora anunciados, lá estava eu, de terno e gravata, sentado na primeira fila. Imaginei deleitar meus ouvidos com a declamação e os meus olhos com uma mulher jovem e bonita. Na minha imaginação ela seria bela como as musas dos poetas. Minha surpresa e desagrado vieram juntos. Uma senhora de idade, gorda trajando um modelo do início do século, entrou no palco. Minha primeira reação foi retirar-me. Não tive coragem de sair e me detive. Foi bom ter ficado. Ainda hoje recordo o êxtase que se apossou de mim. Margarida começou a recitar divinamente. De repente, todo o meu ser ficou reduzido à dimensão dos ouvidos. Não falava, estava imóvel e absorto e aprendi a respiração para não perturbar o espetáculo.”    

O GOSTO PELA LEITURA.

Em outro trecho, bastante interessante de sua oração, relatou este fato: “Minha mãe, apesar do pouco tempo disponível, depois dos afazeres domésticos, lia muito. Fazia economia com o dinheiro das despesas de casa e comprava romances em fascículos. Presumo que poucas pessoas, sabem que se vendia, nesta cidade, de porta em porta, nos bairros pobres, romances em fascículos. Ela me incutiu o gosto pela leitura, contando-me histórias lendárias. Creio que ela me iniciou na literatura universal e que me fez ser encontrado muitas vezes, na minha mocidade, nesta Casa de Antônio Lobo, quando aqui funcionava a Biblioteca Pública. Com certeza, vinha guiado pela minha mão invisível de minha mãe, para ler os livros que eu não podia comprar, dentre os quais os didáticos.”

UM HOMEM DE FÉ

Sebastião Moreira Duarte, no maravilhoso discurso de saudação ao novo acadêmico, além de destacar,  de maneira irretocável e brilhante, as suas atuações na cena pública e privada, evocou também atos que marcaram a sua trajetória de virtudes nobres e multifacetadas, dentre as quais a de ser um homem de fé, o que pode ser avaliado por este episódio:  “Para comprová-lo, valho-me apenas do que sejam fatos recentes ou habituais em sua biografia, dispensando-me de trazer à nossa presença aquele rapagote que, envergonhado por não haver mais missa em dia de Sexta-Feira Santa, cobrou maior coerência à própria convicção e passou a vestir batina como coroinha nas procissões religiosas de São Luís, sem de incomodar o que dissessem seus companheiros. Também não precisarei tirar do baú de relembranças a foto do ajudante de missas dos frades capuchinhos ou, mais tarde, a do acólito de Dom José Delgado. Ou a do congregado mariano, do delegado da Juventude Universitária Católica, do presidente do Movimento Familiar Cristão.”   

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GRIPE ESPANHOLA MATA GOVERNADOR MARANHENSE

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No começo deste mês, o jornalista e confrade Antônio Carlos Lima, publica matéria em O Estado do Maranhão, focalizando o falecimento de um dos homens públicos mais importantes de nossa terra, Urbano Santos, que não resistiu ao vírus da gripe espanhola e contraiu uma infecção pulmonar, quando viajava de São Luís para o Rio de Janeiro, a bordo do vapor “Minas Gerais”, no dia 7 de maio de 1922, para tomar posse, pela segunda vez, na função de vice-presidente da República.

Urbano Santos não foi o único governante maranhense, que falece em decorrência da devastadora gripe que invadiu e se alastrou em São Luís, no século passado, ceifando a vida de muitos conterrâneos.

Quatro anos antes da morte do vice-presidente, a 9 de outubro de 1918, quando o vírus da moléstia atingia o pico em nossa cidade, o político José Joaquim Marques, eleito 1º vice-governador do Estado, que se encontrava no exercício do cargo de governador, morre em sua residência, na Rua de Santana.

  QUEM ERA JOSÉ JOAQUIM MARQUES

Nascido em Penalva e sobrinho do grande intelectual, Celso Magalhães, inicia os estudos no Seminário das Mercês, pois pensava dedicar-se à atividade religiosa. Anos depois, troca o Seminário pela Escola de Agronomia de Minas Gerais, pela qual gradua-se, após o que parte para a Europa, onde faz cursos de especialização. De volta ao Brasil, ingressa no magistério, tornando-se professor e diretor das Escolas de Agronomia da Bahia e de Uberaba.

No seu retorno ao Maranhão, exerce o cargo de diretor da Estação Experimental de Coroatá, de onde, pelas mãos de Benedito Leite, torna-se político e elege-se deputado estadual na legislatura de 1916 a 1918. Pela brilhante atuação parlamentar, preside a Assembleia Legislativa do Maranhão em 1917, legislatura em que pontificavam figuras de realce como Henrique Costa Fernandes, Georgino Gonçalves, Inácio Parga, Libânio Lobo, Tarquínio Lopes Filho, Tucídides Barbosa, Afonso Giffening Matos e Luís Carvalho.

VICE- GOVERNADOR E GOVERNADOR

Para cumprir o mandato de governador do Maranhão, no quadriênio 1918 – 1922, elege-se, pela terceira vez, Urbano Santos de Araújo Costa. Pela legislação da época, o governador poderia ter como companheiros de chapa três candidatos, razão porque os políticos José Joaquim Marques, Raul Machado e Lisboa Filho se elegeram 1º, 2º e 3º vice-governadores.

 Também, pela permissividade da legislação, pela segunda vez, Urbano Santos se elegia vice-presidente da República, desta feita, na chapa encabeçada pelo mineiro Artur Bernardes.

Convocado para tomar posse como vice-presidente da República, Urbano Santos não assume o cargo de governador do Estado do Maranhão, ato que enseja a ascendência do 1º vice, José Joaquim Marques, à chefia do Poder Executivo, a 1º de março de 1918, cargo que recebe das mãos de Brício de Araújo.

Marques, portanto, na condição de 1º vice-governador, ocupa o Palácio dos Leões até o dia 9 de outubro de 1918, quando a gripe espanhola atacava indiscriminadamente a população da capital maranhense.

VERSÃO FALSA DA MORTE

O governador em exercício, contava 49 anos e morreu, segundo informações nada oficiais, “pelo peso das contrariedades e pela baixa politicagem vigente no Maranhão”, divulgação essa contraditada pela imprensa, que a achava falsa, descabida e fruto da invencionice política, com o objetivo de embair a sociedade, que tinha absoluta certeza de que a morte de José Joaquim Marques resultara, como centenas de outros maranhenses, da terrível moléstia que contaminava estupidamente a cidade de São Luís.

A GRIPE ESPAHOLA NO BRASIL

 A epidemia começou em agosto de 1917 nas casernas e rapidamente ganhou as ruas.

 Com medo de ser contaminada, a população brasileira evitou sair de casa, mas de pouco adiantava se esconder, porque a doença alcançava suas vítimas em qualquer lugar e os hospitais sem leitos disponíveis para atender os doentes, que acabavam morrendo em casa ou nas ruas, onde, muitas vezes, ficavam insepultos.

Só no Rio de Janeiro, o vírus matou em poucos meses, cerca de 15 mil pessoas.

A GRIPE ESPANHOLA NO MARANHÃO

De acordo com o jornal Pacotilha, no ano de 1918, a gripe espanhola atacou a população de São Luís sem dó e piedade, doença que já vinha ceifando a vida dos maranhenses desde 1917.

A moléstia chegou na capital maranhense a bordo dos vapores que atracavam em nosso porto, que transportavam gente e cargas, mas só desembarcavam depois que os agentes sanitários inspecionavam as embarcações, os passageiros e as bagagens.

Mesmo assim, a doença não estancava e provocava numerosas mortes na cidade, cujos doentes eram encaminhados a um hospital de isolamento, instalado no bairro do Lira, onde os médicos Almeida Nunes, Carlos Nunes e Hamleto Godois se desdobravam para atendê-los e curá-los à base de remédios que visavam combater a profilaxia da gripe, para isso praticavam a antissepsia da cavidade bucal e das fossas nasais.

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JOSUÉ MONTELLO E A GRIPE ESPANHOLA

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Da fabulosa obra romanesca do escritor Josué Montello, constituída de vinte e quatro livros, quatorze ele privilegiou o Maranhão como cenário.

São Luís e Alcântara foram as cidades que serviram de pano de fundo para o intelectual conterrâneo  construir os enredos de seus romances, que se tornaram nacionalmente conhecidos com estes títulos: Janelas fechadas, Labirinto de espelhos, Os degraus do paraíso, Cais da Sagração, Os tambores de São Luís, Noite sobre Alcântara, A coroa de areia, Largo do Desterro, Aleluia, Pedra Viva, Perto da meia-noite, Um beiral para os bentevis, Uma sombra na parede e Sempre serás lembrada.

A GRIPE E A ELETRICIDADE

No terceiro livro, da saga montelliana, intitulado “Degraus do paraíso”, editado em 1965, a ação transcorre em São Luís durante a epidemia da gripe espanhola e trata do fanatismo religioso, em que a morte é a presença constante, tanto física como espiritual.

Ao escolher tema tão dramático como a morte,  Josué transporta o leitor para o século passado, mais precisamente para o ano de 1918, quando a  gripe espanhola invadiu o Brasil e chegou ao Maranhão num momento paradoxalmente auspicioso, em que o prefeito de São Luís, Clodomir Cardoso, inaugurava a iluminação elétrica na cidade, fazendo-a ingressar no processo de modernização, assunto tratado com muita competência pelo professor Raimundo Palhano, no extraordinário livro “A coisa pública em São Luís”.

A GRIPE ATACA

Ao mesmo tempo em que a população ludovicense vibrava com a introdução da eletricidade, se deparava com a presença da gripe espanhola, assim relatada pela pena brilhante de Josué: “Como se a nova luz da noite os atraísse, começaram a chegar as más notícias do Norte, do Centro e do Sul. A morte andava lá fora matando às cegas. Um arrepio de frio, febre alta, delírio, e o que há pouco não era nada passou a ser o desespero e a sepultura. Dezenas, centenas de casos, destruindo famílias inteiras de um dia para outro, no Rio de Janeiro. Ninguém tinha sossego. E quando a morte chegaria também a São Luís? Toda gente se entreolhava, apegando-se aos seus santos. E as lâmpadas elétricas, nos negros postes da iluminação urbana, tinham um ar de espanto, que amedrontava. De repente, uma noite, no começo de outubro, a morte entrou de manso pelas ruas tortas que se esgueiram para o mar, escondida no corpo de um marujo de olhos em brasa e andar gingado. Dias depois a cidade lhe sentiu a presença fatal, nos primeiros esquifes roxos que saíram as casas do meretrício para o cemitério, à noite, sem acompanhamento, sob o olhar das lívidas lâmpadas elétricas.”      

O PÂNICO NA CIDADE

Prossegue o escritor, fazendo da realidade um episódio de sua obra ficcional: “Dentro em pouco, não apenas dali, das sombrias ruas cambaleantes, partiram outros esquifes. Também dos sobrados da Rua Grande, da Rua da Paz, do Largo do Desterro, da Praça da Misericórdia, do Largo da Madre Deus e do Beco de Santo Antônio. Depois, foi o pânico. Todos fugiam da morte e a morte os seguia, invisível e tenaz. Quando menos se esperava, ei-la a dar de si, levando homens, noivas e crianças. E São Luís a fulgurar, nas suas horas de recolhimento e medo, perplexa, atarantada, o esbanjamento da luz elétrica no ermo das ruas.”

A METÁFORA DA MORTE

Num trabalho, sobre a metáfora da morte em Os degraus do paraíso, de Josué Montello, inserido no livro “Entre memória, ficção e cultura”, os professores Thiago Victor Araújo dos Santos Nogueira e José Dino Costa Cavalcante, escreveram: “N’os Degraus do Paraíso, não raro, buscou-se a morte como última demonstração de Vontade, de consciência diante da inevitabilidade da Morte, logo nos primeiros momentos em que a doença se espalha pela cidade, em que a fuga também foi um recurso derradeiro na tentativa de manterem-se vivos. Entretanto, a Morte os segue, faz-se presente quando tentam fugir do ambiente urbano, ou se manifesta num tiro de revólver direcionado à própria têmpora, ou ainda as cordas de uma rede a servirem de instrumento para dar cabo a própria vida, como nos dizeres do autor do romance.

A REALIDADE DA MORTE

Dizeres assim registrados por Josué Montello: “Quem podia dispor de um abrigo no interior da Ilha, nas casas de sitio ou nas palhoças de beira de estrada, tratara de fugir da Morte. E a Morte não raro acompanhava os fugitivos, oferecendo-lhes de repente na Maioba, no Anil, Jordoa, em São José de Ribamar, e obrigando os sobreviventes a novas fugas para lugares ainda mais apartados. Na Rua dos Afogados, um senhor louro tinha-se atirado da janela do mirante, depois de gritar que estava doente. E não fora esse o único caso do medo da Morte, a impedir ao suicídio. Um oficial da Polícia, sentindo-se febril, encostara o cano da arma na cabeça e dera ao gatilho, diante dos companheiros estupefatos. Um funcionário do Tesouro, gripado havia dois dias, amanhecera enforcado na escápula da rede. E mais de um corpo amanhecera boiando na orla da Praia do Caju.”

ONTEM COMO HOJE

Naquele tempo, relatava o romancista maranhense: “Com a morte a devastar a cidade, já as famílias não se socorriam mutuamente, como nos primeiros dias da gripe. As reuniões e ajuntamentos tinham sido proibidos pela Saúde Pública. Cada pessoa cuidava de si, agarrando-se à vida com as cautelas mais desumanas. Não raro os corpos das vítimas eram abandonados nas casas vazias ou largados à porta do Cemitério. E do Sul, continuavam a chegar notícias arrepiantes de cadáveres que eram jogados uns sobre os outros, nas largas cavas coletivas. No Maranhão, por seu lado, não havia mais ataúdes. Até mesmo a simples mortalha dos lençóis tinha sido dispensada. Um horror. Ninguém parava nas calçadas para saudar um conhecido, na velha São Luís ensolarada e jovial: andava-se de fugida, passo apressado, lenço ao nariz, e só por extrema necessidade se saia à rua. Um espirro, longe, criava o pânico, determinando reviravoltas e correrias. As janelas fechadas, nas estreitas ruas desertas, mesmo nas horas altas do dia, em pleno centro da cidade, davam medo.”               

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A GRIPE ESPANHOLA NO MARANHÃO

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Envaideço-me de possuir em minha casa uma boa biblioteca, que se notabiliza pela expressiva quantidade e qualidade de livros de autores maranhenses, do passado e do presente, sobre literatura, história, economia, sociologia e outros gêneros.

Confiado nesse formidável acervo bibliográfico, imaginava não encontrar dificuldade para achar um livro, de qualquer autor, que me desse informações sobre a epidemia da febre espanhola, que no século XX, mais precisamente em 1918, que matou muita gente no Maranhão.

Depois de intensas buscas, para saber o que aconteceu em São Luís, quando a epidemia da febre amarela atacou avassaladoramente o povo maranhense, afinal, apareceu uma luz no fundo do túnel.

Essa luz veio no bojo de um extraordinário livro, publicado em 2015, sob os auspícios da Alumar, da autoria da competente professora e historiadora, Maria de Lourdes Lauande Lacroix, intitulado “História da Medicina em São Luís”, dedicado ao estudo dos médicos, das enfermidades e das instituições de saúde, do passado e do presente de nossa cidade.  

No sumário do livro, um capítulo sobre o assunto que exaustivamente  procurava, com o título de Epidemia e Endemias, trazendo comentários e informações sobre as chamadas doenças de massa, como a malária, febre amarela, febre tifoide, varíola, gripe espanhola, peste bubônica, tuberculose, hanseníase, venéreas, leishmaniose e esquistossomose, que infestaram São Luís ao longo do tempo.

A DOENÇA NO BRASIL

Com referência à gripe espanhola, que ceifou a vida de numerosos maranhenses, Lourdinha Lauande, escreveu: “No último ano da I Guerra Mundial, a Europa foi assolada por uma efêmera epidemia de gripe. No final de agosto as consequências foram muito mais severas, transferindo-se para todos os continentes. Um navio vindo de Liverpool, com escala em Recife, Salvador e Rio de Janeiro trouxe para o Brasil a gripe, diferenciada de outras pelo vírus recém-criado e desconhecido do organismo humano, indefeso e impotente para enfrentar a extraordinária mortandade. 

 SINTOMAS DA DOENÇA

“O rápido contágio e a maneira como se alastrava assustou a população de São Luís: processo de sufocação, diarreia, dores insuportáveis, letargo, coma, uremia, síncope e morte, aconteciam em horas e poucos dias. Seu nome se relacionou com o maior número de casos fatais na Espanha. Pandemia de origem desconhecida, estarreceu o mundo. O meio médico, decepcionado ao pensar que os grandes flagelos epidêmicos e as doenças contagiosas fossem coisas do passado, se viu defronte de um problema não evitado mesmo com o desenvolvimento da bacteriologia.

A DOENÇA ATACA

“As cidades pararam, especialmente pelas baixas entre os mais pobres. Os hospitais foram insuficientes durante a pandemia da gripe espanhola, ocorrida em 2018. Alguns hospitais improvisaram isolamentos e o Serviço Sanitário do Estado convocou médicos e funcionários não atingidos pela doença para cuidarem dos enfermos. A crise hospitalar exposta pela epidemia incentivou grupos a lançar campanhas em prol da construção e novos hospitais.

A DOENÇA EM SÃO LUÍS

“Esta gripe incomum abalou São Luís no final da segunda década do século XX, atacando famílias inteiras, sem ter alguém para ajudar, tratar, aviar receitas, alimentar, ações indispensáveis na vida cotidiana. Os casos fatais desolaram a população e alertaram a Saúde Pública. A cidade foi abandonada pelas famílias, fugindo do mal para sítios na Maioba, Anil, Jordoa e São José de Ribamar, e quando a gripe chegava aos arrabaldes, os sobreviventes buscavam novos refúgios em locais mais distantes.

SOFRIMENTO E ÓBITOS

“O maior número de óbitos incidiu nas pessoas mais pobres, pelas péssimas condições de vida, defesas naturais enfraquecidas e sem maiores cuidados médicos. Os sãos fugiam da morte se alojando em palhoças de beira de estrada. O silêncio da urbe prevalecia com a falta do ruído do bondinho de tração animal, das caleças, das carroças e do trotear dos cavalos. Ruas vazias, casas abandonadas, janelas fechadas ou portas encostadas por luto ou por pessoas em estado grave. Urubus voavam atraídos pelo mau cheiro da cidade. Dia e noite os marceneiros preparavam caixões, sem atender à totalidade dos falecidos. Faltou coveiro para abrir covas individuais. A emergência levou muitos corpos a serem jogados nas valas comuns, sem a costumeira assistência religiosa. Nem médicos, nem padres davam conta dos inúmeros chamados.

ATUAÇÃO DOS MÉDICOS

“Para diminuir o pânico, os jornais não mais noticiavam o número de mortos, porém, tornou-se impossível encobrir os horrores da peste pelo movimento do Isolamento do Lira: entrava grande quantidade de doentes e saía quase o mesmo número de corpos. Distinguido por quatro penachos, todas as noites o carro funerário fazia percurso pela cidade e Casas de Saúde, sempre superlotados de mortos, uns sobre os outros, alguns com a roupa do corpo, outros amortalhados com o seu próprio lençol, a caminho do cemitério.

PÂNICO NA CIDADE

Para evitar maior pânico, os sinos da igreja de São Pantaleão não mais cumpriam a tradição de tocar com a passagem dos defuntos. Dia e noite os médicos atendiam doentes, quase todos graves. Ante o horror de proliferar a mortal gripe, cresceu o espírito de solidariedade entre pessoas de recursos. Muitos autorizavam o fornecimento pela Farmácia Garrido de medicamentos receitados por médicos a pessoas inválidas.

Alguns enfermos, sem coragem para enfrentar o sofrimento, suicidaram-se. Outros, se fortaleciam pelas suas crenças. O esforço médico de esclarecimento da população não arrefeceu a fé do povo. Uns encobriam a doença de seus familiares, preferindo aplicar a medicina popular e, no caso de morte, serem assistidos com carinho dos seus e assistência espiritual da igreja ou dos orixás. Outros fingiam tomar xaropes ou pílulas receitadas pelos médicos e os substituíam por orações, promessas e conversas com os seus santos de devoção.”

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OQUE OS MEUS AMIGOS FAZEM NA QUARENTENA

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EX-SENADOR JOÃO ALBERTO DE SOUSA.

 “Vejo redes sociais; jogo paciência; acompanho os telejornais; faço caminhadas no quintal de casa; telefono para parentes e amigos para saber se estão vivos.”

DEPUTADO GASTÃO VIEIRA.

“Leio bons livros, para aumentar os conhecimentos culturais; curto mais a família; assisto filmes e seriados no Netflix. Em cumprimento às orientações médicas, interrompi as caminhadas na praia.” 

ENGENHEIRO MAURO FECURY

“Faço fisioterapia. Pesquiso e penso em projetos para que professores e alunos se orgulhem do UniCeuma. Sonho também com a construção em São Luís de um grande hospital.”

ESCRITOR E DESEMBARGADOR LOURIVAL SEREJO

“Tomo providências com vistas à posse na presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão. Atualizo-me com bons lançamentos literários. Não esqueço a filatelia.  Reviso os trabalhos que desejo publicar sobre escritores que se dedicaram ao romance brasileiro.”

ESCRITOR ELIÉZER MOREIRA FILHO

“Recorro aos livros para me atualizar com a realidade brasileira. Reviso livros que pretendo reeditá-los. Assisto filmes em canais especializados.”

ENGENHEIRO E PROFESSOR NELSON ALMADA LIMA

“Leituras, leituras, leituras. Paralelamente, acompanho aulas ministradas e atividades realizadas à distância pelo corpo docente da FACAM. As horas que sobram, dedico aos exercícios físicos e ao piano.”

ENGENHEIRO E DIRETOR DA EQUATORIAL JOSÉ JORGE LEITE SOARES

“Montei uma academia de ginástica doméstica, para fazer exercícios físicos com minha mulher, filha e neta. Não deixei de cumprir a rotina de trabalho, mesmo sem a obrigação presencial. Para completar, delicio-me com a leitura do excelente livro O Poder do Hábito, do autor americano Charles Duhigg.”

EMPRESÁRIO E INTELECTUAL CARLOS GASPAR

“Passo grande parte do tempo no escritório, onde pesquiso jornais antigos, buscando informações do escritor Fran Pacheco, sobre o qual escrevo um livro biográfico. Antes de chegar ao escritório, não esqueço das caminhadas, ao alvorecer, na Litorânea. Nas horas vagas, passo em revista o WhastAppe, para saber dos amigos e dos acontecimentos.”

ENGENHEIRO E CONSULTOR LUIS RAIMUNDO AZEVEDO         

“Mantenho-me antenado com o Núcleo Tecnológico de Educação do UniCeuma, para suprir lacunas via tecnologia da Microsoft, com relatos de alunos que tem aulas virtuais e interativas com os professores.  Para variar, vejo televisão a cabo e assisto filmes do passado, que deixaram saudades.”

PROFESSOR E REITOR DA UFMA, NATALINO SALGADO

“Leio livros que servem de subsídios para as crônicas que semanalmente escrevo e divulgo. Pratico exercícios físicos com os familiares e mantenho contato por vídeo conferência com o pessoal da UFMA e do Hospital Universitário.”

PROCURADOR GERAL DA JUSTIÇA, LUIZ GONZAGA MARTINS

“Continuo trabalhando em tempo integral com a equipe que me assessora, por meio de vídeo conferência. Às noites, reúno a família para rezar o terço e aos domingos assisto missas pela televisão. Para combater os problemas do momento, sirvo-me dos livros de autoajuda.”

PROFESSOR E ESCRITOR SEBASTIÃO MOREIRA DUARTE

“Como vivo há anos confinado num aprazível sítio, localizado fora do burburinho urbano, não estranho o confinamento provocado pelo coronavírus, que cumpro para ser contaminado pela preguiça.”

ESCRITOR E CINEASTA JOAQUIM HAICKEL

“O telefone e o computador são as armas que me ajudam a atravessar esses dias de confinamento. Para não ficar entediado, escrevo crônicas, mantenho-me ligado ao Twitter e ao Face book, sem deixar de assistir filmes de arte pela Netflix.”

ARQUITETO E PROFESSOR LUIZ PHELIPE ANDRÉS

“ Para não interromper as minhas atividades nos  cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia na UNDB, aprendi a manobrar com os aplicativos do universo da computação e de técnicas pedagógicas do Ensino à Distância, com os quais não tinha muita proximidade, mas, agora, passo os dias no confinamento compulsório, com a mente bastante ocupada e fazendo o que mais gosto: ensinar.”

POETA E TEATRÓLOGO AMÉRICO AZEVEDO NETO

“Divido o meu tempo em duas atividades: leio o livro Origem, da autoria de Dan Brown, e escrevo uma peça teatral intitulada Festa – O Retorno, para ser encenada quando o confinamento acabar. Estava escrevendo um livro de contos – O Recluso, mas abandonei porque achei muito trágico.” 

POETA E CONTISTA IVAN SARNEY

“Faço exercícios físicos e tomo banhos de sol, pela manhã, na varanda do meu apartamento. Cuido de organizar três livros, que devo publicar este ano, com artigos de cunho político, produzidos antes, no mandato, e depois de ocupar o cargo de vereador à Câmara Municipal de São Luís, com os nomes de Tribuna de Domingo, Degraus do Futuro e Peço a Palavra. Também, participo ativamente dos grupos sociais, que apoiam e defendem o Presidente da República, Jair Bolsonaro.”   

ADVOGADO CARLOS NINA

“A querentena me afastou das ruas, mas não me impediu de continuar no exercício de minhas atividades advocatícias, as quais pratico diariamente e de modo virtual. Também, não deixo de dar atenção especial aos interesses do Grêmio Lítero Recreativo Português, entidade que estou empenhado em reativá-lo. Para os sócios do clube se prevenirem contra o coronavírus, estou entregando máscaras de pano. 

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