A VISÃO FUTURISTA DE NEIVA MOREIRA

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Em 10 de outubro de 1997 Neiva Moreira completou oitenta anos. Em sua homenagem, organizei o livro “O jornalista do povo”, com 100 artigos de sua autoria, extraídos do Jornal do Povo, editado sob sua direção.

Toda aquela produção jornalística de Neiva Moreira, selecionada por mim durante meses, serviu para avaliar não apenas o talento e o brilho de um intelectual, mas, também, a rica personalidade um ser humano que fez da política e da imprensa instrumentos de luta em favor de sua terra e de sua gente.

Ao longo de sua faina jornalística, no Jornal do Povo, que durou 15 anos, Neiva Moreira teve a oportunidade de mostrar aos seus leitores três singularidades. 1) a arte de bem escrever e de se comunicar com facilidade com o público. 2)  o que pensava sobre a situação de calamidade do Maranhão e o que precisava ser feito politicamente para o povo  expurgar do Palácio dos Leões o grupo que dominava o Estado por meio de processos violentos e fraudulentos. 3) a visão futurista acerca dos problemas maranhenses e como deveriam ser tratados pelos governantes para superá-los.

Dentre os numerosos artigos de sua lavra, destaquei alguns que, na década de 1950 ele considerava importantes e urgentes para o desenvolvimento do Maranhão. Com clarividência e conhecimento de causa, opinava sensatamente sobre o problema e exigia que o mesmo fosse o quanto antes enfrentado com responsabilidade pelas autoridades federais e estaduais.

Uma questão que sempre o preocupava: a barragem do Rio Parnaíba, que, como filho do sertão maranhense, clamava pela imperiosa construção da Hidrelétrica de Boa Esperança, a fim de que os municípios do Maranhão e do Piauí pudessem ter energia suficiente para combater o atraso econômico e a pobreza social.

Como jornalista e deputado, usava argumentos irrefutáveis para mostrar que a barragem além de “controlar as águas do Rio Parnaíba, iria transformá-las em energia para permitir a sua navegabilidade até o mar, numa extensão de mais de novecentos quilômetros”.

Outro assunto que Neiva Moreira entregava-se de corpo e alma: a  criação da Universidade Federal no Maranhão, pois sem ela o Estado não teria  quadros técnicos e preparados para a alavancagem do desenvolvimento econômico e social.

Nesse particular, não media elogios a um grupo de professores das Faculdades de Direito e de Farmácia e Odontologia, que se empenhava a fundo para apresentar aos Poderes Executivo e Legislativo da Nação, estudos e projetos para dotar o Estado de uma instituição de nível superior, voltada a criar centros de ciência e de cultura, capazes de gerar mecanismos técnicos e institucionais e destinados à remoção das velhas estruturas enraizadas no  Maranhão.

Com relação a São Luís, o seu maior reduto eleitoral e onde havia construído uma significativa liderança popular, fazia considerações de como melhorá-la e fazê-la crescer ordenada e urbanisticamente. Nesse sentido, preconizava, como medida prioritária, a conquista da autonomia política e administrativa da capital maranhense, cujos gestores, por serem  nomeados pelos governadores estaduais, não assumiam  compromissos com o povo e, por isso, se descuidavam dos problemas da cidade e de sua gente.

Um grave problema que rondava São Luís, de acordo com o brilhante jornalista, era a negligência de seus administradores com a expansão da cidade para a Ponta D’Areia e a construção de uma ponte para ligar a parte histórica da urbe à orla praiana, que se encontrava desabitada e abandonada, projeto, que defendia ardorosamente no Jornal do Povo e na tribuna parlamentar.

Em tempo: essas questões, levantadas e detectadas pela invejável visão de Neiva Moreira, que o preocupavam na década de 1950, a exemplo da construção da Hidrelétrica de Boa Esperança, da instalação Universidade Federal do Maranhão, da autonomia e da expansão da cidade para a Ponta D’Areia, dez anos depois, foram viabilizados na gestão do governador José Sarney.

PREFEITOS E IMPUNIDADE

Raro o dia que um órgão da mídia não divulga atos de juízes do interior do Maranhão, tomando por base denúncias do Ministério Público,  determinando o afastamento de prefeitos,  por práticas de improbidade administrativa, desvios de recursos públicos, má aplicação de verbas, descumprimento de leis, abusos de poder econômico, fraudes nas eleições e  infringência à Lei da Ficha Limpa.

Se essa conduta de promotores e juízes, de não contemporizar com as ilicitudes dos gestores municipais, deve ser louvada e aplaudida pela sociedade, a recíproca não é verdadeira no tocante aos magistrados de instância superior, salvo poucas exceções, que não hesitam em manter  nos cargos prefeitos que não desempenham o mandato como manda a lei e a ética.

TRÂNSITO LIVRE

Quando as obras para a recuperação da antiga fábrica Santa Amélia foram iniciadas, um trecho da Rua Cândido Ribeiro, compreendido entre as Ruas de Santana e Misericórdia, foi interditado.

A interdição, com o sinal verde da prefeitura, visava não atrapalhar os trabalhos ali executados, inclusive, em prédios vizinhos à antiga fábrica, destinados ao funcionamento dos cursos de Turismo e Hotelaria, da Universidade Federal do Maranhão.

Ocorre que na fase de conclusão das obras, os recursos deixaram de ser liberados. Resultado: há quase cinco anos nenhum prego foi colocado naquela construção, que, se concluída, embelezaria o centro da cidade.

Mas se a obra está parada e não se sabe quando será retomada, por que o trecho da Rua Cândido Ribeiro continua interditado?

FEIRA E FEIRINHA

Segundo a revista “Isto é”, só este ano a Câmara dos Deputados gastou uma fábula de dinheiro em viagens internacionais de seus membros.

Até agora, quase 300 viagens ao exterior, que, no jargão parlamentar são conhecidas por “missões oficiais”.

Da bancada maranhense, quem se beneficiou com uma dessas viagens foi o deputado Cleber Verde, que passou três dias em Manhattan, numa feira de alimentos e bebidas especiais.

Se era para ver alimentos e bebidas, a feirinha da Praça Benedito Leite, com  certeza, é melhor do que a de Manhattan.

BUSTO DE NEIVA MOREIRA

O depoimento do acadêmico Sálvio Dino, na Academia Maranhense de Letras, em homenagem ao centenário de nascimento de Neiva Moreira, foi bem aplaudido pela assistência.

Motivo: ele anunciou um movimento em favor da construção de um busto do vibrante jornalista e competente parlamentar.

Para Sálvio Dino, que teve um convívio de perto com Neiva Moreira, no Jornal do Povo, com o busto, se preservará a memória de um homem que honrou o Maranhão.

PALMAS PARA O TCE

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, Caldas Furtado, teve o seu trabalho à frente do órgão, publicamente louvado e exaltado pelos oradores, daqui e de outros estados, na solenidade de comemoração dos setenta anos do TCE.

Não foram elogios gratuitos ou produtos da retórica, mas verdadeiros e baseados em atos e iniciativas, que, na sua gestão, fizeram do Tribunal de Contas um órgão mais atuante, com outra filosofia de trabalho, modernizar-se, inovar-se e ser diferente do que era antigamente.

O TCE do Maranhão, sob o comando de Caldas Furtado, modernizou-se e inovou-se de tal modo, que hoje serve de modelo para outros estados da Federação, inclusive o Tribunal de Contas da União.

 

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LEMBRANÇAS DE NEIVA MOREIRA

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As minhas relações pessoais e políticas com Neiva Moreira começaram no final dos anos 1950, no Rio de Janeiro, então capital da República, onde estudava para ingressar numa faculdade de nível superior, e ele, cumpria o seu segundo mandato de deputado federal, pelo Partido Social Progressista.

Nossas conversas tinham por palco o Palácio Tiradentes, onde funcionava a Câmara Federal, e giravam, obviamente, em torno da política nacional e regional. Ele, àquela altura da vida, já pontificava no Congresso Nacional pelas suas posições nacionalistas e pelo modo como defendia as causas dos excluídos, sem deixar de lado as lutas travadas no Maranhão, como jornalista e parlamentar, contra o domínio do Partido Social Democrático, que considerava obstáculo à chegada ao poder estadual das Oposições Coligadas, estas, que desde a redemocratização do país, combatiam o vitorinismo.

Em 1960, logrei êxito no vestibular da Escola de Agronomia, da Universidade Rural, mas não consegui ajustar-me ao curso, razão pelo abandonei-o com intenção de voltar ao Maranhão e estudar Direito, tendo como alvo a vetusta Faculdade da Rua do Sol.

Neiva, com o qual estreitara as relações de amizade, percebendo minha inclinação para a política, passou a catequizar-me a ingressar na vida pública, filiar-me ao Partido Social Progressista e candidatar-me a deputado estadual, aproveitando o fato de o meu pai, Abdala Buzar Neto, ser o prefeito de Itapecuru e dotado de forte liderança popular no município.

Antes de retornar a São Luís, por iniciativa e empenho de Neiva, estagiei alguns meses nos jornais O Dia e a Notícia, de propriedade do deputado carioca, Chagas Freitas, do PSP, preparando-me assim para integrar o corpo redacional do Jornal do Povo, como de fato veio acontecer.

Deixei os encantos do Rio de Janeiro no final de 1961, trocando o que de bom e bonito a Cidade Maravilhosa oferecia, por São Luís, onde tratei de materializar dois projetos: ingressar na Faculdade de Direito e convencer o meu genitor de apoiar a minha candidatura à Assembleia Legislativa às eleições de outubro de 1962.

O primeiro projeto foi facilmente conquistado. O segundo, porém, exigiu tenacidade e habilidade para contornar a resistência paterna, tendo em vista o seu compromisso político com o PSD de Vitorino.

A legislação eleitoral da época, omissa quanto à fidelidade partidária, possibilitou um acordo proposto por Neiva Moreira: ele abria mão dos votos de Itapecuru, desde que eu fosse o candidato a deputado estadual pelo PSP.  Essa fórmula salvou a minha candidatura.

Nas eleições, eu e Neiva fomos vitoriosos, ainda que a sua recondução à Câmara de Deputados tenha sido penosa e problemática. De um lado, a forte e irresistível campanha movida por setores empresariais e segmentos do catolicismo maranhense que o acusavam, pela sua participação nas lutas pelas reformas de base, de comunista e inimigo da igreja. De outro, pelo seu posicionamento no pleito de 1960, não apoiando a candidatura de Ademar de Barros à presidência da República, optando pelo engajamento, por questão ideológica, ao movimento nacionalista em favor do marechal Henrique Lott, candidato do PSD.

Em 1963, assumimos os mandatos parlamentares. Enquanto Neiva continuava, no Congresso Nacional, a tomar posições arrojadas e firmes, como integrante da Frente Parlamentar Nacionalista, em prol de mudanças econômicas e sociais no país, eu, fazia parte de um grupo de deputados que, na Assembleia Legislativa dava combate frontal ao sistema político vigente no Maranhão.

Com a deflagração no país do movimento político-militar, em abril de 1964, que soterrou as conquistas democráticas e expulsou do poder os que lutavam pelas reformas estruturais, Neiva Moreira, depois de cassado, perseguido e preso, deixou o Brasil e exilou-se em diversos países da Europa e da América Latina, nos quais, com denodo e sacrifício, continuou a defender os ideais que abraçara.

Retorna ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia.  Ao voltar, retoma a militância político-partidária no Maranhão, aliando-se a Jackson Lago na organização do diretório regional do PDT, pelo qual disputou o pleito para a Câmara Federal em 1982.

Em outubro de 1997, quando completou 80 anos de vida, em sua  homenagem, publiquei um livro cuja matéria prima era a sua produção jornalística. Para isso, tive o prazeroso trabalho de pesquisar, na Biblioteca Pública Benedito Leite, as edições diárias do Jornal do Povo. Nessa garimpagem de 15 anos de seu trabalho jornalístico, selecionei 100 artigos que me pareceram os mais adequados à realidade maranhense e invariavelmente escritos com discernimento, competência e paixão pela terra em que nasceu.

Neles, Neiva Moreira, além de evidenciar a sua qualidade de primoroso redator, apontava, como se fosse um profeta, soluções para os problemas do Estado e de São Luís, dentre outros, as construções da Ponte do São Francisco, da Barragem do Bacanga, da Hidrelétrica de Boa Esperança, do Porto do Itaqui, da instalação da Universidade Federal do Maranhão e da autonomia política e administrativa de São Luís, que, anos depois, se transformaram em realidade pelo governador José Sarney.

SARNEY E MEDIDA PROVÍSSÓRIA

Os inimigos e adversários de José Sarney sempre encontram pretextos para conspurcar a sua gestão na Presidência da República, estigmatizando-a junto à opinião pública.

Injustamente imputa-se a Sarney a prática de atos de somenos importância e premeditadamente esquece-se de enaltecê-lo, por exemplo, quanto ao uso moderado de Medida Provisória, instrumento não muito democrático introduzido na Carta Magna de 1988, com força de lei e tranca a pauta do Poder Legislativo.

De acordo com avaliações recentes, dos presidentes da República que passaram pelo Palácio do Planalto – Sarney, Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer, este, foi o que usou a Medida Provisória  e Sarney foi o que menos a utilizou.

CARTAS IMPORTANTES

De acordo com o cineasta Joaquim Haickel,  na História do Brasil, três cartas ganham relevo.

Pela ordem cronológica: A carta de Pero Vaz de Caminha, a carta-testamento de Getúlio Vargas e a carta de Antônio Palloci.

O RECORDISTA

Pelo andar da carruagem, nenhum chefe do Executivo maranhense, no período de um ano, visitou mais o interior do Estado do que Flávio Dino.

Raro é o dia que ele não troca a rotina do Palácio dos Leões por conversas de pé de ouvido com prefeitos e vereadores.

Este ano, o governador já esteve em quase todas as cidades maranhenses. São visitas para inaugurar obras e sentir o cheiro de Roseana no ar.

PALESTRAS EM ESCOLAS

Iniciativas formidáveis tiveram as juízas e promotoras de Itapecuru-Mirim: promoveram palestras nas escolas municipais e estaduais, para os alunos mais adiantados dos cursos fundamental e médio.

Objetivo: prepará-los para o mundo que os espera fora das escolas, onde a corrupção se faz presente e despertar o senso crítico dos estudantes acerca de situações  comuns e aparentemente vivenciadas no dia a dia da sociedade.

Depois das palestras, os alunos apresentam trabalhos sobre o tema discutido.

PADROEIRO  DO MARANHÃO

Os vereadores da Câmara Municipal da cidade de Ribamar tomaram uma iniciativa nada comum no meio parlamentar maranhense.

Respaldados e apoiados pelos padres da paróquia da cidade praiana, apresentaram e aprovaram uma lei municipal que fixa a data de 19 de setembro e não 19 de março  o dia dedicado ao santo milagroso.

Não satisfeitos, deram ainda o título de Padroeiro do Maranhão a São José de Ribamar.

O VICE DO TJ

Antes mesmo de tomar posse como vice-presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, o desembargador Lourival Serejo já disse a que veio.

Ao contrário de seus antecessores ele não quer ser figura decorativa na Mesa Diretora do TJ.

Quer dar visibilidade ao cargo e trabalhar harmoniosamente com os colegas de diretoria.

 

 

 

 

 

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MANSÃO DA CORRUPÇÃO

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O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, na semana passada, dedicou página inteira à casa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e da sua mulher Adriana Ancelmo, localizada em Mangaratiba.

Ao longo da esclarecedora reportagem o leitor toma conhecimento do que a mansão  apresentava  e oferecia de conforto e  de lazer  ao corrupto casal e aos que a frequentavam e participavam de comemorações  e de festas realizadas sob a marca registrada do dinheiro fácil  e das ilicitudes.

A matéria aponta ainda os ambientes mais expressivos do imóvel paradisíaco, em que avultam obras de artes, que impressionam pelo valor e deslumbramento.

Em todos os cômodos, são marcantes as presenças de imagens sacras e quadros de renomados artistas plásticos. No corredor, cinco suítes – três delas com vistas para o mar- com telas de Adriana, fotografias de família, móveis valiosos e decorativos, preciosidades na biblioteca, bem como de numerosos eletrodomésticos e eletrônicos.

Na área externa, de aproximadamente mil metros quadrados, duas piscinas, sauna, quadras esportivas, churrasqueira e campo de golfe.  Na cozinha, fogão industrial e três geladeiras.

No imóvel, que fazia parte do condomínio Portobello, a família Cabral organizava  festas monumentais, ressaltando-se o réveillon, com direito a mergulho no mar para celebrar o ano novo. Nos finais de semana, ali o casal refugiava-se, usando o helicóptero do governo ou a lancha Manhattan.

A reportagem traz ainda fatos bem ruidosos e termina com esta bombástica informação: tudo que se encontra na mansão de Mangaratiba, onde a fantasia e o desperdício se misturavam, como resultado e produto de práticas ilícitas, no dia 3 de outubro vindouro, por decisão judicial, será leiloado, com o lance mínimo de 8 milhões, valor avaliado aos  462 metros quadrados de área construída. O dinheiro arrecadado retorna direto para os cofres públicos.

Ao final da matéria de O Globo, o meu pensamento viaja até o Presídio de Bangu, onde o ex-governador do Rio de Janeiro, cumpre pena de  45 anos de condenação em regime fechado, num cubículo sem conforto e alimentando-se com comida bem simples, apenas para fazer a Sérgio Cabral esta simples pergunta: valeu roubar tanto?

Como a pergunta não será respondida, deixo registrada estas duas pérolas da autoria do jornalista Millor Fernandes: 1)Os corruptos são encontrados em várias partes do mundo, quase todas no Brasil. 2) A corrupção anda tão generalizada que já tem político ofendido ao ser chamado de incorruptível.

SETENTA ANOS DO TRIBUNAL DE CONTAS

Na próxima semana, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, um marcante evento  comemorará os setenta anos do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

Foram os ventos da democracia que levaram o interventor Saturnino Belo a criar um órgão destinado a fiscalizar os atos da administração pública estadual. A iniciativa veio no bojo de uma reforma administrativa e com base no Decreto-Lei 1.434, de dezembro de 1946.

Ao ser criado, o Tribunal de Contas não tinha sede própria, razão pela qual o órgão só começou a funcionar precariamente a 2 de fevereiro de 1947, numa sala do Palácio dos Leões. Pela legislação, o TCE seria composto de quatro membros e teve como primeiros ocupantes figuras conceituadas da sociedade maranhense: Humberto Pinho Fonseca, Celso Ribeiro Aguiar, Cícero Neiva e Joaquim Salles de Oliveira Itapary, sendo este o seu primeiro presidente.

O sucessor de Saturnino Bello, Sebastião Archer da Silva, eleito para governar o Estado após a redemocratização do país, ao chegar ao poder tentou extinguir o Tribunal de Contas, sob o pretexto de que os membros do órgão faziam oposição ao seu governo.

O assunto foi bastante discutido por ocasião da elaboração da nova Constituição do Estado do Maranhão. Quando da votação da polêmica matéria, a imprensa se posicionou contra a extinção do Tribunal de Contas, fato que levou a maioria dos constituintes, mesmo sendo governistas, a votar pela continuidade do órgão.

Sem conseguir extinguir o TCE, ao governador foi dada a prerrogativa de aumentar a composição do órgão, que passou de quatro para cinco membros e por conta disso o chefe do Executivo conseguiu ter maioria no colegiado.

Depois de funcionar vários anos sem nenhuma alteração na sua composição e na sua estrutura organizacional, o Tribunal de Contas sofreu modificações em outubro de 1970, em decorrência da Lei Estadual 3086, que atribuiu ao órgão fiscalizar financeira e orçamentariamente os municípios maranhenses (prefeituras e câmaras de vereadores) .

O TCE, contudo, não chegou a cumpriu rigorosamente essa determinação legal por lhe faltar estrutura, sobretudo pessoal em quantidade e qualidade, daí porque o órgão viveu anos de marasmo funcional. Essa situação interrompeu-se em 1981, quando o governador João Castelo, criou por meio da Lei 4.299, de 23 de junho de 1981, o Conselho de Contas dos Municípios, que passou a controlar e a fiscalizar as finanças e os orçamentos  das administrações municipais, reservando-se ao TCE a competência constitucional de órgão auxiliar e técnico do Poder Legislativo.

Com a promulgação da Constituição de 1989, o Conselho de Contas dos Municípios foi transformado em Tribunal de Contas dos Municípios, colegiado que teve vida curta, haja vista a Emenda Constitucional nº 9, de 25 de março de 1993, da autoria do deputado Manoel Ribeiro, que preconizava a incorporação pelo TCE das atribuições do TCM.

A apresentação dessa Emenda Constitucional causou um enorme rebuliço nos meios políticos, pois o parlamentar justificava a necessidade da aprovação da sua proposta para acabar com os serviços paralelos  praticados por alguns de seus membros, que, de maneira desonesta, aprovavam prestações de contas de prefeitos e de vereadores mediante propinas.

Revoltados contra as imputações que os deputados estaduais, sobretudo o deputado Manoel Ribeiro, assacavam contra os membros do TCM, os conselheiros José Ribamar Marão, Ronald Sarney, Artur Teixeira de Carvalho Filho, Artur da Veiga Cruz, Paula Maria Gaspar, José Maria de Jesus e Silva e Maria do Carmo Saldanha, bateram às portas do Supremo Tribunal Federal, por meio da Procuradoria Geral da República, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.

O STF, contudo, por unanimidade, indeferiu a medida cautelar e, também, por unanimidade, em outubro de 1994, julgou improcedente a Ação e declarou constitucional a PEC aprovada pela maioria da Assembleia Legislativa.

AML NA PASSARELA PAULISTA

A Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, de São Paulo, vai apresentar no desfile carnavalesco de  2018 o enredo “Maranhão: os tambores vão ecoar na terra da encantaria”.

Ainda que não seja oficial, chegou ao conhecimento da Academia Maranhense de Letras, que uma ala da Acadêmicos do Tatuapé será dedicada à Casa de Antônio Lobo.

A direção da Escola de Samba paulista quer que uma representação da AML marque presença no desfile e caia na folia com toda força.

MÉDICOS DA ACADEMIA DE LETRAS

O professor João Bentevi, que  integra o corpo docente do curso de Medicina da Universidade Ceuma, graças à sua aguçada competência e criatividade, está sempre à frente dos colegas de magistério.

Não por acaso, é um dos professores mais estimados pelo corpo discente da Universidade dos Fecury.

Aluno dele não se diploma sem antes apresentar trabalho de pesquisa sobre assuntos do Maranhão. Este ano só participa da solenidade de colação de grau quem elaborar esta monografia: Os médicos da Academia Maranhense de Letras. Do passado e do presente.

À guisa de informação, eis os médicos da AML: Fernando Viana, João Mohana, Amaral de Matos, Clarindo Santiago, Odilon Soares, Bacelar Viana, Salomão Fiquene, Álvaro Serra de Castro, Bacelar Portela, Pedro Braga Filho, Pedro Neiva de Santana e Natalino Salgado.

VICE-GOVERNADOR

Como se não bastasse o problema do candidato de seu grupo político ao Senado, nas eleições de 2018, o governador Flávio Dino agora está às voltas com a questão de quem será o seu futuro companheiro de chapa.

Não mais que de repente veio à tona a situação do candidato que substituirá Carlos Brandão, tendo em vista que este está impedido de concorrer ao posto de vice-governador por que o PSDB, agora nas mãos do senador Roberto Rocha, não se coligará com o PC do B.

Já está na fila dos pretendentes ao cargo de vice-governador o atual secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Simplício Araújo, do Partido Solidariedade.

EXCESSO DE PESO

A foto do governador Flávio Dino com a camisa do Sampaio Correia remete aos anos de 1950 e  lembra um jogador da Bolívia Querida chamado Batistão.

O que lembra jogador de ontem, no estádio Santa Isabel, e o governador de hoje, no Palácio dos Leões?

Resposta: o excesso de peso. Se Batistão, com os quilos a mais, não comprometeu a arte do futebol, Flávio Dino, na arte da política, faz de tudo para não decepcionar.

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O REITOR PRÓ-TEMPORE JOSUÉ MONTELLO

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No ciclo de palestras que a Universidade Federal do Maranhão organizou para homenagear Josué Montello, pelo centenário do seu nascimento, a mim foi dada a tarefa de falar sobre a sua gestão à frente UFMA, na condição de reitor pró-tempore.

Cumpri tão honrosa incumbência louvando-me no Diário do Entardecer, do próprio Josué, que relata de maneira brilhante e transparente, a sua passagem pela reitoria da Universidade Federal do Maranhão, começada no dia 2 de outubro de 1972, quando recebeu um telefonema do senador José Sarney, rogando-lhe para comandar e pacificar a instituição, que passava por momentos de turbulência e descontentamento, face à tumultuada gestão do reitor Ribamar Carvalho.

No Diário do Entardecer, o escritor conta as conversas mantidas com o então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, ao qual salientou o receio de aceitar o cargo e ser vetado pelo SNI, devido as suas ligações de fraterna amizade com o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, que o regime militar perseguia de maneira satânica.

Afastada a hipótese de veto, Josué, assume a 20 de novembro de 1972, em São Luís, o cargo de reitor. Quatro dias após a sua investidura, afloram em série problemas que vão desafiá-lo a resolvê-los, mas sem necessidade de usar as armas do autoritarismo.

O primeiro, com os formandos, que desejavam colar grau numa solenidade a céu aberto, no Estádio Nhozinho Santos. Consegue demovê-los dessa empreitada de forma diplomática. Sem traumas, os estudantes concordam realizar o ato de formatura no Ginásio Costa Rodrigues.

O segundo, ao enfrentar o arrogante comandante do 24º Batalhão de Caçadores, coronel Agostinho, ao exigir que o discurso dos formandos passasse pela censura do Quartel. Com habilidade, ele contorna a questão e a formatura ocorre sem os sobressaltos previstos.

O terceiro e o mais delicado: esvaziar o discurso do ex-reitor Ribamar Carvalho, paraninfo dos formandos, que ameaçava investir contra a gestão do novo reitor, que estaria envidando esforços para abrir inquéritos e processar o sacerdote pela prática de atos ilícitos. A catilinária do cônego não se materializa porque Josué prova que não usará na Universidade de métodos revanchistas ou porá em ação vinditas contra o antecessor.

No auge da incompatibilidade entre o novo e o antigo reitor, que gera um clima nada agradável no campus da Universidade, ocorre a repentina morte do cônego Ribamar Carvalho, vítima de um enfarte fulminante, ato que mereceu de Josué Montello este comentário no seu Diário do Entardecer: “E o responsável teria sido eu, se tivesse assumido uma posição de hostilidade a ele, inclusive mudando a diretora da Biblioteca Central.”

Nas proximidades de completar a sua missão na reitoria da UFMA, Josué registra: “Paguei dívidas, assegurei a ordem e a disciplina, descentralizei a administração, e já começo a sentir à minha volta os bons resultados na consideração de alunos e professores.” E completa: “Criei assim em meu redor uma agitação construtiva, e o certo é que ninguém me faltou com seu entusiasmo e sua colaboração, e a obra da recuperação da nova sede da Reitoria vai crescendo depressa, para que eu possa ter orgulho de dizer que nesses poucos meses de trabalho porfiado dotei minha terra natal om uma sede condigna de sua Universidade.”

Com a restauração do Palácio Cristo Rei, para sede da reitoria, Josué encerra a sua gestão pró-tempore, em solenidade que conta com a presença do Presidente da República, do ministro da Educação e dos membros da Academia Brasileira de Letras, Pedro Calmon e Odilo Costa, filho.

Do seu Diário, recolho este pedaço de texto em que se despede do cargo: “Cumpri minha missão. Muito além do que me competia. Poderia permanecer aqui ao longo dos quatro anos de mandato, conforme me propôs o Ministro. Reduzi de quatro a um. Começado a 20 de novembro de 1972 e concluído a 20 de novembro de 1973. Com a Universidade saneada e pacificada. Ampliada e restituída a si mesma.”

Mas o final do reinado de Josué não foi tão feliz como ele esperava, haja vista o lamentável choque com o Conselho Universitário, convocado para votar a lista sêxtupla a ser encaminhada a Brasília, de onde o ministro da Educação escolheria o nome do professor que o substituiria na direção da UFMA.

O entrevero entre os conselheiros e o reitor chega ao domínio público, a 3 de agosto de 1972,  através da coluna Roda Viva que eu assinava em O Imparcial: “Na votação da lista, o nome do professor Domingos Vieira Filho foi trocado pelo do professor Pompílio Albuquerque, ato que recebe o imediato desagrado de Josué, que inconformado com a posição contrária do Conselho, nega-se a enviar a lista a Brasília.”

Diante do impasse criado, “dias depois, os conselheiros novamente se reuniram, anularam a eleição do professor Pompílio Albuquerque, elegendo o intelectual Domingos Vieira Filho para figurar na lista sêxtupla, eleição que não aceita e por isso renuncia, ato que faz vir à tona nova crise, que só acaba com a eleição do professor Manoel Estrela a vice-reitor, a quem Josué transferiu o cargo.”

PONTE BANDEIRA TRIBUZI

Dois assíduos leitores de Roda Viva, Aparício Bandeira e Aderson Lago Filho alertaram-me para o equívoco cometido na semana passada. Ao contrário do relatado, a Ponte Bandeira Tribuzi foi inaugurada sem festa e sem pompa pelo governador João Castelo e pelo secretario de Infraestrutura, João Rodolfo, evento que não contou com a presença da comitiva do presidente da República, João Figueiredo, nem do senador José Sarney.

DOIS PRESENTÕES

Indiscutivelmente, São Luís ganhou dois magníficos presentes no dia 8 de setembro, ao completar 405 anos.

Do Governo do Estado, a recuperação do Forte de Santo Antônio, fortaleza histórica, localizado na Ponta D’areia, que deu nova alma àquele espaço físico.

No interior do Forte, a presença de um memorial sobre o seu passado e um museu repleto de réplicas de embarcações maranhenses.

Da iniciativa privada, o Grupo Fribal oferece à cidade um mural fantástico pintado pelo artista Eduardo Kobra, que usou toda a sua criatividade e genialidade, para retratar a rica cultura do Maranhão, através dos maiores expoentes da sua prosa e poesia.

EMBATE NO JUDICIÁRIO

Aproxima-se o dia da eleição da nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Maranhão: 4 de outubro.

Se o TJ seguisse a norma das eleições passadas, a presidência do Judiciário ficaria nas mãos da desembargadora Nelma Sarney.

Mas este ano, os desembargadores atropelaram a tradição do Judiciário e partiram para uma eleição disputadíssima e imprevisível entre a desembargadora Nelma e o desembargador José Joaquim Figueiredo.

Se a eleição fosse hoje eu não arriscaria quanto ao vencedor. Uma coisa é certa, o ganhador chegará à presidência com a vantagem de no máximo dois votos.

APLAUSOS FRENÉTICOS

NA noite de segunda-feira passada, britanicamente o governador Flávio Dino ingressou no salão do Espaço Renascença para proferir palestra sobre o Direito e o Desenvolvimento Social.

Ficou impressionado com duas coisas: a grande quantidade de universitários no auditório e a popularidade do professor Samuel Melo, saudado pelos estudantes de modo vibrante e frenético.

Mais impressionado ficou ao saber que Samuel é professor de Direito Tributário.

CENTENÁRIO DE NEIVA MOREIRA

Ainda sob o rescaldo das homenagens ao escritor Josué Montello, pelo seu centenário de nascimento, vem aí mais um evento em comemoração a outro ilustre maranhense.

Trata-se do ex-deputado e jornalista Neiva Moreira, que no dia 10 de outubro chegaria aos cem anos.

A Academia Maranhense de Letras, da qual Neiva Moreira foi membro, prestará homenagem ao ilustre e saudoso conterrâneo, com a reedição do livro “Neiva Moreira, o jornalista do povo”, organizado por Benedito Buzar, e de uma solenidade especial com os jornalistas Edson Vidigal, Joaquim Itapary, Nagib Jorge Neto, Benedito Buzar e Sálvio Dino, que trabalharam  no Jornal do Povo.

RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS

Nesta segunda-feira, 25 de setembro, há 93 anos, o notável e culto Domingos Vieira Filho nascia em São Luís.

A Academia Maranhense de Letras não poderia prestar melhor homenagem ao saudoso professor e homem de letras do que relançar o magnífico livro de sua autoria “Breve História das Ruas e Praças de São Luís”.

A última edição da obra data de 1973. Passaram-se, portanto, 44 anos para o leitor maranhense, sobretudo as novas gerações, disponibilizar do melhor livro já produzido a respeito das ruas e praças que enfeitam esta histórica cidade, mérito que coube ao professor Vieira Filho.

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A PONTE QUE NÃO FOI INAUGURADA

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No regime militar, por força do Ato Institucional nº 3, editado em 5 de fevereiro de 1966, pelo presidente Castelo Branco, as eleições de governadores estaduais deixaram de ser diretas e transformaram-se em indiretas. Significa dizer que não era mais o povo, mas os seus representantes na Assembleia Legislativa que ficaram com a prerrogativa de eleger os que iriam reger os destinos dos estados membros.

Com base nessa nova regra política, elegeram-se pelo processo indireto à chefia do Poder Executivo do Maranhão os governadores Pedro Neiva (1971-1975), Nunes Freire (1975-1979) e João Castelo (1979-1982).

Castelo, então deputado federal da Arena, chegou ao poder pelas mãos do senador José Sarney, a quem era atribuído, pela sua inquestionável liderança política no Estado, escolher e submeter ao comando do país o nome do substituto do governador Nunes Freire.

À frente do governo estadual, Castelo realizou uma administração profícua, com obras importantes. Na capital do Estado, destaque para o Italuís, destinado à captação e tratamento de água do Rio Itapecuru; o complexo esportivo, com o nome de Castelão; o Hospital Carlos Macieira, a Casa do Trabalhador; o Fórum-Tribunal de Justiça, o Centro Recreativo do IPEM; os Conjuntos Habitacionais da Cidade Operária e do Maiobão, o Programa Bom Preço e a Ponte sobre o Rio Anil (a segunda). No interior, pontificaram estações rodoviárias, estradas, ginásios esportivos, fóruns judiciários, pontes, escolas e aeroportos.

Antes de deixar o governo, em cumprimento à legislação eleitoral, que mandava desincompatibilizar-se do cargo executivo para concorrer às eleições do Senado da República, Castelo organizou um programa de inauguração de obras, ressaltando-se a Ponte sobre o Rio Anil, que batizou com o nome do poeta e economista, Bandeira Tribuzi, pelos relevantes serviços técnicos prestados ao Maranhão nos governos José Sarney, Pedro Neiva de Santana e João Castelo.

Para inaugurá-las, o governador convidou o presidente da República, general João Figueiredo, que marcou a data de 21 de setembro de 1982 para vir a São Luís. Mas um fato inesperado veio a lume: o Palácio do Planalto tomou conhecimento, através do Serviço Nacional de Informações, de que entre as obras a inaugurar figurava a Ponte sobre o Rio Anil à qual o Governo do Estado outorgou o nome do jornalista Bandeira Tribuzi.

Sem pestanejar, o SNI fez prevalecer a sua força institucional e comunica ao Palácio dos Leões que o Presidente João Figueiredo não poderia comparecer à solenidade de inauguração de uma obra em homenagem a homem que o regime militar considerava marxista assumido, de vida profissional dedicada ao Partido Comunista e punido pelo regime militar, com a perda do emprego num órgão federal – o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, com jurisdição em São Luís do Maranhão, nomeado graças ao prestígio do ex-deputado federal Neiva Moreira.

Para reverter esse quadro, Castelo entra em ação e através do senador José Sarney espera convencer o Serviço Nacional de Informação a mudar de posição em relação ao clamoroso assunto.

Sarney, em Brasília, com o seu empenho pessoal e político, faz de tudo para modificar esse cenário desagradável, procurando mostrar às autoridades federais que Tribuzi não era do Partido Comunista e que, mesmo punido pela Revolução de 1964, trabalhou no seu governo e no do governador Pedro Neiva, nos quais o seu despenho foi puramente técnico e marcado não por ideologia extremista, mas por um trabalho sério e voltado para o progresso do Maranhão.

A despeito dessas tratativas, realizadas na capital do país por Sarney, o SNI pesou mais forte e manteve o veto à presença do presidente da República nas inaugurações do governador.

Quando tudo parecia irreversível, eis que surge uma luz no fundo do túnel, com o desiderato de garantir a presença do chefe da Nação na solenidade marcada para 21 de setembro de 1982. De Brasília, para contornar o impasse, a fórmula salvadora: o Governo do Maranhão teria de suprimir da solenidade a inauguração da Ponte sobre o Rio Anil.

Como o tempo urgia e a palavra de ordem era evitar o desgaste do governador, as forças políticas que gravitavam em torno de Castelo, concordaram em retirar da programação a solenidade em homenagem ao poeta Bandeira Tribuzi.

Conquanto a ponte não tenha sido inaugurada, que se faça justiça ao governador João Castelo: ele manteve o nome do consagrado jornalista como patrono de uma obra de importância vital para a mobilidade urbana da capital maranhense.

QUALQUER SEMELHANÇA

Quando esse tal Joesley Batista abria a boca e começava a agredir a língua portuguesa, a gente não esquece de um empresário, em São Luís, que, também, costumava atropelar o nosso idioma.

Embora cometesse o mesmo pecado, no que diz respeito aos destemperos verbais, o empresário do Maranhão era bastante diferente, quanto ao aspecto moral, dessa figura abominável que capitaneava o grupo JBS.

Enquanto o nosso negociante comportava-se com retidão, trabalhava honestamente, desfrutava de bom conceito como pai de família e figura humana, o Joesley não passa de um pilantra e adepto de abomináveis maracutaias.

JOÃO DORIA VEM AÍ

O atual prefeito de São Paulo e possível candidato à presidência da República, João Doria,  pode vir a São Luís em novembro.

Vem a convite do deputado estadual Wellington do Curso, que pretende apoiá-lo para suceder o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto.

Em São Luís, o prefeito paulistano deverá ser agraciado com a Medalha Nagib Haickel, conferida pela Assembleia Legislativa, e terá um encontro com o empresariado na Federação das Indústrias do Maranhão, para falar sobre o momento político e econômico do Brasil.

PROPAGANDA DE BOLSONARO

Eu fiquei sumamente impressionado com uma cena que vi no desfile da juventude em Itapecuru.

De repente, no meio da multidão, surge um grupo de jovens empunhando bandeirolas e cartazes de propaganda do deputado Jair Bolsonaro, candidato da extrema direita à Presidência da República, nas eleições do ano vindouro.

Além do susto, a preocupação de ver jovens, no interior do Maranhão, abraçando uma candidatura que poderá levar o país a um caminho sem volta para a democracia, forma de governo que, por pior que seja, é melhor do que a ditadura.

DESFILE E HOTEL

Convidado do prefeito Miguel Lauand, assisti ao desfile da juventude itapecuruense, dia 7 de setembro, em homenagem à Independência do Brasil.

Valeu a pena participar daquele maravilhoso evento cívico, vendo a mocidade de minha terra voltar às ruas da cidade, depois de alguns anos de ausência, pela inépcia e falta de brasilidade dos gestores que antecederam a Miguel na prefeitura.

Aproveitei a oportunidade para junto com Solange passar o feriadão em Itapecuru, hospedados no Green Village, construído pelo empresário Antônio Lages Barbosa, que, com o seu arrojo e inteligência, tem feito investimentos produtivos naquela cidade.

Trata-se de um empreendimento com as características de resort, que não fica a dever a qualquer hotel de sua categoria.  Para quem gosta de conforto e de lazer vale a pena visitá-lo.

LULA E ZÉ REINALDO

Na recente visita a São Luís, o ex-presidente Lula da Silva notou a ausência do deputado José Reinaldo Tavares no seu palanque.

Dizem que chegou a perguntar por Zé Reinaldo ao governador Flávio Dino e sobre as suas possibilidades nas eleições de 2018 para o Senado.

Lula ainda lembrou o esforço que fez para evitar o rompimento político e pessoal do governador Zé Reinaldo com o senador José Sarney.

MAIS DESEMBARGADORES

Deve chegar, neste mês de agosto, à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, uma mensagem do presidente do Poder Judiciário do Maranhão, Cleones Cunha.

Nela, o pedido de votação para a criação de mais três cargos de desembargador, para que o Tribunal de Justiça atenda com mais eficiência e rapidez a demanda de processos que ali ingressam diariamente.

Se a proposta for aprovada, sobe de 27 para 30 a composição do Judiciário maranhense.

 

 

BONS TEMPOS

Bons tempos aqueles em que as propinas dos políticos cabiam nas cuecas. Nessa época, éramos felizes e não sabíamos.

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RUAS E PRAÇAS DE SÃO LUÍS

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Há livros, que pelo conteúdo e narrativa, se tornam referências e jamais são esquecidos.  Resistem ao tempo, ficam guardados em nossa memória e prontos para a qualquer momento serem lidos, relidos e consultados.

Na bibliografia de autores maranhenses, um livro traz a marca da perenidade e da unanimidade: o precioso “Breve História das Ruas e Praças de São Luís”, da autoria do professor e folclorista Domingos Vieira Filho, que desde o seu primeiro lançamento público, em 1971, foi alvo de elogios e de aceitação pelo mais exigente leitor.

Pela sua importância e atualidade,  é considerada obra de referência histórica, pois oferece ao leitor  valiosa quantidade de informações sobre uma cidade onde a cultura está presente desde os tempos remotos.

O assunto que Domingos Vieira Filho aborda no seu livro é singular, valioso e não encontra similar. Até hoje, poucos intelectuais se atreveram a fazer trabalho semelhante. Os que se arriscaram, não conseguiram o seu sucesso e ficaram esquecidos na rua da amargura.

Quando se fala em obra que trata de questões alusivas aos aspectos urbanísticos da capital maranhense, o autor citado e único é Domingos Vieira Filho, pesquisador emérito e culto, que passou anos em cima de livros, jornais e revistas, no afã de descobrir atos e fatos referentes ao passado e ao presente dos logradouros públicos, nos quais aconteceram episódios marcantes da História do Maranhão ou viveram figuras humanas que prestaram relevantes serviços à nossa terra e à nossa gente.

“Breve História das Ruas e Praças de São Luís” é um dos livros mais procurados e consultados por estudantes, jornalistas, urbanistas, historiadores e pesquisadores, que há anos se ressentem de uma nova edição. Para preencher essa lacuna, a Academia Maranhense de Letras, valendo-se da Lei de Incentivo Fiscal, da Secretaria da Cultura, reedita tão magnífica obra, na certeza de que se harmonizará com o anseio de um imenso público, desejoso de tê-lo novamente em mãos para buscar informações sobre uma cidade cujas ruas e praças nem sempre foram bem cuidadas pelos que receberam a incumbência de dar a elas um tratamento  à altura do que merecem, pois quando não carregam nomes de vultos renomados da vida maranhense, guardam denominações pitorescas e  jocosas, que se perpetuaram no tempo e no espaço.

O nosso notável escritor Josué Montello, que tantas homenagens têm recebido pelo seu centenário de nascimento, em se reportando à obra “Breve História das Ruas e Praças de São Luís” fez uma apologia ao seu autor numa crônica publicada em O Jornal do Brasil e inserido no livro “Janela de Mirante”, editado pelo Sioge, em 1993.

Com a palavra Josué: “O livro de Domingos Vieira Filho, sobre as ruas e praças da capital maranhense, favorece-nos cômodas viagens ao passado. Sem sair do presente, retornamos aos dias antigos, levados pela simplicidade do cicerone prestimoso, que nos vai contando casos de outrora. Da rua atual, com um nome de um figurão já esquecido, e que só as memórias tenazes lograrão identificar, parte ele para a rua de antanho, lembrando-lhe o velho nome apagado, e nos dias a sua história e a sua lenda, com o bom gosto e a exatidão certeira de Camille Julian refazendo a crônica de aventuras e mistérios das ruas de Paris.”

“Assim como nas grandes cidades – Rio de Janeiro ou Paris” continua Montello, “as pequenas cidades, como São Luís do Maranhão, têm ruas afáveis, acolhedoras, docemente  mexeriqueiras, e são elas que dão à vida da província o traço inconfundível, com que os tipos populares, os bancos da praça pública onde se reúnem as mesmas pessoas a horas certas, as velhas senhoras debruçadas nas janelas para ver quem passa, os vendedores ambulantes com os seus pregões costumeiros.”

Em outro trecho, afirma o autor de Cais da Sagração, “Urgia escrever a história das ruas de São Luís, pois, de uns tempos para cá a cidade cresceu muito, ganhou uma ponte sobre o rio Anil, alargou-se em várias direções. A Praia Grande, que serviu de cenário a boa parte de O Mulato, tem agora menos movimento que ao tempo de Aluísio Azevedo. E é aí que se erguem os mais belos sobrados de azulejos de São Luís – majestosos, imponentes, guarnecidos de sacadas de ferro, como seus mirantes abertos para o mar.”

Ao final de sua crônica, Josué afirma categoricamente: “O livro de Domingos Vieira Filho vem na hora oportuna, com a verdade de hoje misturada à poesia do tempo que se foi.”

CASA DO REGUEIRO

Ainda não se sabe se será Casa do Regueiro ou Casa do Reggae. Mas São Luís brevemente verá esta iniciativa transformada em realidade, por vontade do Governo do Estado.

As primeiras ações nesse sentido foram iniciadas com a ida do secretário de Cultura e Turismo, Diego Galdino, à Jamaica.

Em Kingston, capital do país, Galdino e assessores fizeram contatos com autoridades e agentes culturais jamaicanos, buscando informações e acertando tratativas para que o reggae e os regueiros sejam atrativos turísticos em São Luís.

PROJETO INFELIZ

Mesquinharia pura a intenção do deputado Bira do Pindaré de, através de projeto de lei, propor a mudança do nome do município José Sarney.

Ainda bem que o parlamentar pensou no desatinado gesto que iria praticar e mudou de ideia.

Ele deve ter tomado conhecimento do que a população do município pensava e estava preparada para fazer se o malfadado projeto de Bira fosse aprovado pela Assembleia Legislativa.

CRIME DA BARONESA

O famigerado crime da Baronesa de Grajaú, praticado pela esposa do vice-presidente da província do Maranhão, em que ela matou dois escravos adolescentes, no seu sobrado à Rua de São João, continua sendo objeto de estudos e dissertações de mestrado e doutorado em diversas instituições de ensino superior do país.

Quem acaba de ver a tese de doutorado aprovado com louvor pela Universidade da Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, foi o professor do curso de História da Universidade Estadual do Maranhão, Yuri Costa.

Ao longo da dissertação, o mestre maranhense mostrou o saliente papel que teve o jovem advogado, de 26 anos, Celso Magalhães, recém-chegado de Recife, onde se formara, e nomeado promotor em São Luís, que não hesitou em formar o processo contra a Baronesa, a despeito de sua posição social e política. Foi além: prendeu-a num quarto de guarnição local e a levou a júri.

O processo da Baronesa só não foi jogado no lixo, graças à iniciativa do jovem José Sarney, que trabalhava no Tribunal de Justiça, e evitou que aquela documentação tomasse outro destino.

COLINAS E CHINA

Neste ano, ninguém acumulou mais pontos em viagem internacional do que o vice-governador Carlos Brandão.

A título de costurar acordos entre o Governo do Maranhão e o da China, ele esteve várias vezes na capital do país, Pequim. Há quem diga que viajou mais para a China do que para Colinas, sua terra natal.

Por conta disso, o Parlamento chinês poderá  lhe outorgar o título de Cidadão Chinês.

FUTEBOL GAY

Vem aí o 1º Campeonato Brasileiro de Futebol Gay.

No Rio de Janeiro, onde será disputado o campeonato, foi fundada a LiGay Nacional de Futebol.

Até agora, estão inscritos os times do Rio de Janeiro, os Bravus; de Belo Horizonte, os Barbichas; de Coritiba, o Capi Vara; de São Paulo, o  Futeboy; de Porto Alegre, o Magia.

A turma de São Luís está em preparativos para disputar o campeonato com um time que leva o nome de Os Qua Liras.

SUGESTÃO AOS VEREADORES

Tramita na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro um projeto de lei que estabelece descontos progressivos e até isenção de imposto, por conta da violência que impera na cidade.

De acordo com o projeto, os imóveis localizados nas chamadas “áreas de risco”, definidas pelos órgãos de segurança, seriam isentos de pagamento do IPTU.

Outro ponto interessante da lei: seriam estabelecidos descontos progressivos no tributo de 10, 30, 50 e 100 por cento, a quem fosse vítima da criminalidade no bairro onde fica o imóvel.

Como vivemos numa “cidade de risco”, uma lei dessa natureza poderia amenizar o sofrimento do povo.

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O SEXAGENÁRIO NO CENTENÁRIO

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A Semana Montelliana que este ano foi devidamente preparada pela Casa de Cultura Josué Montello, para as comemorações dos cem anos do autor de Tambores de São Luís, encerrou-se gloriosamente e cumpriu plenamente o seu objetivo: lembrar, evocar, reverenciar e homenagear o grande escritor maranhense, ele, que em prosa fez de São Luís o cenário de seus romances, cujas personagens, figuras reais ou imaginárias da cidade, pululavavam

A Semana Montelliana provou uma verdade insofismável: Josué Montello, pela obra literária que construiu, jamais será esquecido em São Luís. A expressiva quantidade de gente que marcou presença na Casa que leva o seu nome, atrás de seus livros e de sua história de vida e de intelectual, não deixa a menor dúvida de que ele continuará apreciado e admirado por todas as gerações de maranhenses.

Aproveitei a Semana Montelliana para reler os Diários de JM e para o meu deleite encontrei no Diário do Entardecer este texto maravilhoso, produzido no dia 21 de agosto de 1977, quando ele completava 60 anos de vida. Por se tratar de uma declaração de amor à vida, à sua terra, à família, à esposa Ivonne e aos amigos, faço questão de levá-la ao conhecimento de meus leitores.  Vale a pena ler e guardar.

Assim começou: Acordei mais cedo. Três horas da madrugada. Ontem, ao me deitar, já o velho relógio, à entrada do gabinete, havia batido 11 pancadas vagarosas – as mesmas do relógio da parede, na minha casa, em São Luís. O relógio se não é o mesmo, é pelo menos igual. Olho este e reencontro o outro, na memória. Um bateu no começo da minha vida; o que vejo agora, no meu apartamento da Avenida Atlântica, há de bater com Deus me chamar.”

“Entra-se neste mundo chorando; sai-se deste mundo em silêncio. Convém atentar para o contraste. No começo, como que adivinhamos a luta que nos espera; no fim, como que antevemos a paz do imenso mistério. Daqui a momentos, ou seja, quando o relógio bater pelas quatro e meia, estarei completando 60 anos.”

“Nos romances de José de Alencar e Joaquim Manoel de Macedo, os velhos têm 50 anos. No século XX, com os romances de José Lins do Rego e Jorge Amado, corrigiu-se o equívoco: velho é o ser fatigado, que perdeu o gosto da vida. Fiel aos meus cabelos bancos, não deixo de admirar os velhotes que se pintam, escondendo a idade, embora saibam que vão por um caminho errado. Só há um meio de atenuar a devastação do tempo: manter a curiosidade pela vida que se renova diante de nós. Quem tem os olhos para ver já sabe que Deus não se repete: uma aurora não é igual a outra aurora, embora se pareçam.”

“Cada um de nós é o que é, com o seu semblante, com o seu modo de ser, e assim vai o mundo, variando sempre, mudando sempre, porque tudo é criação perene, obedecendo à sequência harmoniosa do princípio, do meio e do fim, e trazendo em si a variedade infinita na repetição também infinita.”

“Busco na companheira dileta, que soube fazer de sua ternura a paz essencial para o meu trabalho, os vestígios da passagem do tempo, e dou com os meus olhos nos seus olhos. São os mesmos esses olhos. O próprio tempo os protegeu e preservou, na luz que nela fulgura. Nossos cílios raramente embranquecem. Bom sinal: protegem os olhos que nos mostram o caminho.”

“Seguro as mãos da amiga, retomamos a caminhada. E vou repetindo Sófocles, para concordar com ele: É preciso esperar pela noite para saber que o dia foi belo. Solidário, quando preciso, sem abdicar da minha independência.”

“Ponho de lado o sofrimento; não a luz tenaz para suportá-lo. É esta a luta que me revigora. Diz-me a consciência que sempre fiz o que Deus queria que eu fizesse. Na essência de cada um de meus gestos, de meus atos, de meus impulsos, sempre encontrei meu Pai, com o seu rigor obstinado, ou minha Mãe, com a sua ternura natural.”

“Se busco em mim, neste marco da viagem, a explicação da paz que vem comigo, não tardo a descobri-la: nunca tomei a iniciativa de agredir quem quer que fosse; não transmiti a meus descendentes a memória de um castigo. Em vez do ódio, indulgência e a compreensão. Em vez da lamúria, o silêncio ou o canto, mas sabendo defender-me, quando necessário.”

E assim terminou: “Dou outro passo em frente; sinto mais uma vez a firmeza do chão. Quando ainda há luz sobre as árvores do nosso caminho, na suavidade da tarde que lentamente vai baixando, sempre ouvimos, nas margens da estrada, o canto puro dos pássaros em liberdade, e que só cantam porque são livres.” Antes que a noite se feche, seguro na minha mão, a mão da companheira. Vamos, assim, os dois. Sobre nós, a grande noite estrelada.”

TRISTES DECISÕES

Na semana passada, a sociedade maranhense ficou perplexa diante de duas decisões judiciais, que, pelo conteúdo, abalaram o conceito dos magistrados que as prolataram  e contribuíram para desprestigiar e desacreditar do Poder Judiciário.

A primeira, veio de um juiz da Fazenda Pública de São Luís, por não tomar conhecimento do parecer do Ministério Público, que no seu relatório, apontou como ato de improbidade  o  praticado pelo ex-secretário de Esporte e Lazer, Weverton Rocha, mandando extinguir a ação impetrada contra o mesmo, dando-lhe assim o atestado de honestidade.

A segunda, oriunda de uma sentença de um desembargador, que determinou o desbloqueio judicial de todos os postos de combustíveis de um tal Pacovan, que se vangloria de ser useiro e vezeiro na arte da agiotagem.

FUFUCA EM ALTA

Da redemocratização do Brasil, em 1946, aos nossos dias, até antes do deputado André Fufuca, só três parlamentares federais do Maranhão, ocuparam cargos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados: Neiva Moreira, Henrique de La Rocque Almeida e Cid Carvalho.

Neiva e La Rocque exerceram o cargo de 2º secretário, respectivamente, de 1959 a 1962.

Cid Carvalho chegou a ocupar o mesmo cargo de Fufuca: 2º vice-presidente, em 1965. Mas há uma gritante diferença entre Cid e Fufuquinha.  O primeiro chegou ao posto depois de vários mandatos e de muita luta política. O segundo, o exerceu logo no primeiro mandato.

DE PMDB PARA MDB

A moda na cena política brasileira é a mudança de nome dos partidos políticos.

O PMDB, por exemplo, quer voltar às origens e ser novamente conhecido por MDB, sigla adotada na vigência do regime militar, quando o partido notabilizou-se na luta pela redemocratização do país.

No Maranhão, dessa época gloriosa do MDB, integravam o partido oposicionista: Renato Archer, Cid Carvalho, José Burnett, Epitácio Cafeteira, Baima Serra, Isaac Dias, José Brandão e Adail Carneiro e outros menos votados.

PRESTÍGIO DE HAICKEL

O cineasta Joaquim Haickel mostra ser realmente amigo do novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Por conta dessa amizade, o Maranhão ganhou um Núcleo de Produção Digital, equipamento imprescindível para que as produções audiovisuais possam se desenvolver em nossa terra com mais vigor.

Nesse sentido, o professor Roberto Brandão celebrou com o Ministério da Cultura convênio, por maio do qual o Núcleo de Produção Digital ficará no Maranhão sob a responsabilidade do IFMA.

PALMAS PARA VELOSO

O juiz federal Roberto Veloso não vacila agir quando os interesses da Associação dos Juízes Federais estão em pauta.

Na semana passada, a entidade que ele preside, com sabedoria e firmeza, precisou de sua palavra e de sua ação para manifestar o repúdio ao ministro do STF, Gilmar Mendes, pelas suas estocadas contra a Operação Lava-Jato, não negou fogo.

Veloso, à frente da Associação dos Juízes Federais, além de ser uma voz permanente e corajosa, não se intimida diante dos poderosos, que desejam embaraçar ou tumultuar as iniciativas de seus colegas.

CORAL E TEATRO

No entendimento de que a Uni Ceuma não deva ser apenas uma instituição voltada para a educação de nível superior, o seu criador, engenheiro Mauro Fecury, resolveu fazer, também, da cultura um dos focos do seu empreendimento.

Esse processo, iniciado com a criação de um coral, firmou-se com como iniciativa vitoriosa, a ponto de ser hoje requisitado para se apresentar além do âmbito universitário.

Agora, Mauro volta suas vistas para o teatro. Para fomentar essa atividade na sua instituição, contratou o Coteatro para apresentar no Campus Renascença a peça grega Édipo Rei, de Sófocles, sob a direção de Tácito Borralho, com participação de alunos e do Coral Ceuma.

A peça, apresentada na noite de quarta-feira, foi um sucesso total, sendo assistida por uma plateia constituída de mais de dois mil espectadores, entre alunos e professores.

 

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CONSELHO PARA BEM-GOVERNAR

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No dia 31 de agosto de 1750, ascendeu ao trono de Portugal, D. José I, que nomeou Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, como primeiro ministro.

Homem inteligente e arrojado promoveu grandes reformas no Brasil colonial, destacando-se a criação da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, para a qual nomeou o sobrinho, o coronel-engenheiro Joaquim de Melo e Póvoas para administrá-la.

À frente desse empreendimento, o sobrinho do Marquês de Pombal desencadeou ações e iniciativas que  mudaram significativamente a situação econômica do Maranhão, dentre as quais a substituição da mão de obra indígena pela escrava, a concessão de crédito, a introdução de equipamentos e máquinas para beneficiar e incrementar o comércio e a incipiente indústria.

Na partida de Joaquim de Melo e Póvoas para o Maranhão, o tio Sebastião José de Carvalho Melo entregou-lhe uma carta, em 16 de julho de 1761, que, pelo seu conteúdo e atualidade, parece não escrita no século XVIII, mas nos dias correntes.

Na carta, além dos conselhos para bem-governar, encontram-se avisos, advertências, orientações e recomendações que o sobrinho deve tomar para se prevenir contra os que não se preocupam em bem servir, mas querem apenas  aproveitar e usufruir das benesses e vantagens que o poder  oferece.

As primeiras palavras do Marquês de Pombal mostram o tipo de gente que o sobrinho vai encontrar em terras maranhenses: “O povo que V. Ex. vai governar é obediente, fiel a El-Rei, aos seus generais e ministros. Com estas circunstâncias, há de amar um general afável, prudente, modesto e civil. A justiça e a paz com que V.Ex. governar o farão igualmente benquisto e respeitado porque, com uma e outra causa se sustenta a saúde pública.”

Em seguida, um alerta sobre os bajuladores: “Quase todos os que governam querem que se lisonjeiem, e sempre ouvem com agrado os elogios que lhes fazem. Desta espécie de homens ou de inimigos em toda a parte se encontram e V. Ex. os achará também no seu governo, aparte-os de si como veneno mortal. O Espírito Santo diz que os que governam devem ter ouvidos cercados de espinhos só para que quando os aduladores se cheguem a eles, os lastimem e os façam afugentar.”

Depois, esta oportuna advertência: “V. Ex. vai para um governo moderno, mas continue a criar; imite em tudo aquilo que achar ter sido grato ao povo e útil a serviço de El-Rei e a República. Não altere cousa alguma com força e nem violência, porque é preciso muito tempo e muito jeito para emendar costumes inveterados, ainda que sejam escandalosos. Quando a razão o permite e é preciso desterrar abusos e destruir costumes perniciosos, em benefício de El-Rei, da justiça e do bem comum, seja com muita prudência e moderação, que o modo vence mais do que o poder.”

Agora um relevante conselho para governar: “Em qualquer resolução que V.Ex. intentar, observe estas três cousas – prudência para deliberar, destreza para dispor e perseverança para acabar. Não resolva V.Ex. com aceleração as pendências árduas de seu governo para que não lhe aconteça logo emenda; menos mal é dilatar-se para acertar com maduro conselho, que deferir com ligeireza para se arrepender com pesar sem remédio. Quando duvidar, informe-se e pergunte, para não dar a entender oque quer obrar, figure o caso, como questão, às pessoas que o possam saber, para o informarem em termos.”

Sobre como proceder com amigos e inimigos: “A família de V.EX. seja a cousa mais importante e escolhida, que consigo leve, pois por ela há de V.Ex. ser amado ou aborrecido; e por ela há de ser aplaudido ou murmurado. São os criados inimigos domésticos, quando são desleais e companheiros estimados, quando são fieis. Se não são como devem ser, participam para fora o que sabem de dentro e depois passam a dizer o que não se sonha fora.”

Quanto ao dia a dia no governo, aduziu: “Tiradas as horas de seu natural e precioso descanso, dê V. Ex. audiência, todos os dias e a todos e em qualquer ocasião que lhe queiram falar. Das primeiras informações, nunca V.Ex. se capacite, ainda que estas venham acompanhadas de lágrimas e a causa justificada com o sangue do próprio queixoso, porque nesta mesma figura podem enganar V.Ex. e se a natureza deu com previdência  dois ouvidos, seja um para ouvir o ausente e o outro o acusado. Atenda V.Ex. e escute o aflito que se queixa, lastimado e ofendido, console-o, mas não lhe defira sem plena informação”.

Com relação aos conflitos sociais, lembrou: “Não consinta V. Ex. a violência dos ricos contra os pobres; seja defensor das pessoas miseráveis, porque de ordinário os poderosos são soberbos e pretendem destruir e desestimular os humildes; esta a recomendação das leis humanas e divinas. Toda a República se compõe de mais pobres e humildes que de ricos e opulentos; e nestes termos, conheça antes a maior parte do povo a V.Ex. por pai, para aclamarem defensor da piedade, do que o menos protetor das suas temeridades para se gloriarem de seu rigor”.

No que diz respeito ao comportamento com os súditos, explicitou: “Nunca V. Ex. trate mal de palavras nem ações a pessoa alguma dos seus súditos, porque o superior deve mandar castigar, que para isso tem cadeia, ferro e oficiais que lhe obedeçam, mas nunca deve injuriar com palavras e afrontas, porque os homens se são honrados sentem menos o peso dos grilhões e a privação da liberdade que a descompostura de palavras ignominiosas”.

Por fim, este admirável aviso: “Mostre-se V.EX. em todos os momentos, de paixão e de perigo, superior e inalterável; porque com os dois atributos, de prudência e valor, o temerão os seus súditos”.

A CARTA DE POMBAL

Assim como o compromisso constitucional, que todo governador se obriga a ler no ato de posse, a carta do Marquês de Pombal, da qual extraí as partes mais importantes, deveria, também, ser objeto de leitura a quem assumisse a nobre missão de governar, pois nela estão consignados os maiores e os menores problemas que um governante terá no poder.

Esta epístola histórica, redigida há três séculos,  revela, em toda a plenitude, que, ontem como hoje, as questões que dizem respeito à sociedade, mutatis mutandis, guardam semelhanças entre si, e que os governantes, para cumprirem a difícil arte de administrar, precisam estar preparados e prevenidos  contra as adversidades, as dificuldades e as animosidades geradas pelo poder.

PRAÇA E RUA

Um vereador apresentou à Câmara Municipal de São Luís um projeto de lei dispondo sobre a criação do programa “Música na Praça”.

Outro vereador, que faz oposição discreta a Edivaldo Holanda, sem querer hostilizá-lo, pretende apresentar um projeto de lei “Prefeito na Rua”.

Pelo projeto, doravante, os gestores, no exercício do mandato, se obrigarão a ficar mais na via pública e menos no gabinete.

A IDEOLOGIA DE ZÉ REINALDO

Num bem elaborado texto, publicado num jornal local, o deputado José Reinaldo revela que a sua ideologia na Câmara Federal não é a da direita e nem da esquerda, mas a do empenho pelas causas do povo do Maranhão.

Estribado nesse raciocínio, desde que chegou à Câmara dos Deputados só teve uma preocupação: fazer do Centro de Lançamento de Alcântara um projeto factível, verdadeiro e real.

Nesse sentido, apresentou um elenco de propostas viáveis, em que uma delas já é  realidade: a realização no Maranhão de um curso de especialização em Engenharia Espacial, o único no Brasil, graças a um protocolo de cooperação assinado entre o Centro de Lançamento de Alcântara, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica e a Universidade Federal do Maranhão.

ÉDIPO REI

A Universidade Ceuma convida a sociedade maranhense a assistir um belo espetáculo teatral, na noite desta quarta-feira, 30 de agosto, às 19 horas.

A encenação da peça grega Édipo Rei, de Sófocles, por um grupo artístico, dirigido pelo competente Tácito Borralho, que contará com a participação musical do Coral Ceuma.

O espetáculo acontecerá na área de lazer do Ceuma-Renascença e a entrada é livre.

CHORO DE GOVERNADOR

Nas cidades nordestinas, visitadas pelo ex-presidente Lula, os políticos não conseguem segurar as lágrimas no momento em que ele discursa e reporta-se à perseguição que vem sofrendo da Operação Lava-Jato.

Esse chororô ocorreu em Salvador, João Pessoa e Maceió.

Em São Luís, estão abertas as apostas em torno do choro do governador Flávio Dino ao ouvir o pronunciamento xaroposo de Lula.

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DE JOMAR E DE JOSUÉ

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Neste mês, duas datas marcam significativamente a Academia Maranhense de Letras: 16 de agosto de 2016, falecimento de Jomar Moraes; 21 de agosto de 1017, nascimento de Josué Montello.

São datas que trazem no seu bojo sentimentos diferenciados: tristeza pelo desaparecimento de Jomar; alegria pela chegada de Josué.

De Jomar Moraes, que nos deixou recentemente, vale dizer, sua presença ainda é muito forte em nosso meio, daí porque não conseguimos esquecer a sua figura humana e de intelectual, sempre a serviço da Casa de Antônio Lobo, pela qual devotava incomensurável paixão a partir de 10 de maio de 1969, ao nela ingressar pela vontade da maioria acadêmica, que, mais tarde, o conduziu à presidência da instituição.

No comando da AML, ao longo de 22 anos, entregou-se de corpo e alma e em tempo integral e dedicação exclusiva, a ponto de fazê-la renascer das cinzas, revigorando-a materialmente, de modo a impor-se na sociedade maranhense como o templo do saber e da cultura.

Concomitante ao trabalho em prol da Academia Maranhense de Letras, Jomar deixou o seu nome gravado no cenário cultural maranhense como pesquisador, ensaísta, cronista, historiador e editor. De sua vasta e rica bibliografia, destacam-se obras de grande repercussão nacional, que poderiam servir de passaporte para ingressar na Academia Brasileira de Letras, hipótese que jamais pensou, por pura modéstia.

A minha amizade com Jomar vem dos idos de 1968 e da redação do extinto Jornal do Dia, no qual, aos domingos, a gente publicava uma página literária, por meio da qual se lançou candidato à Academia Maranhense de Letras, para ocupar a cadeira 10, vaga com a morte de Henrique Costa Fernandes. Mesmo sabendo que enfrentaria o poeta Fernando Braga, apoiado pelo jornalista Erasmo Dias, partiu para a luta, à qual eu e a minha coluna Roda Viva, que escrevia diariamente no Jornal do Dia, nos engajamos. Lembro que no dia do pleito, um temporal desabou sobre a cidade, mas nem por isso deixamos de visitar os acadêmicos que participaram do processo eleitoral, que, ao final, apresentou o insofismável triunfo de Jomar.

Participei daquele embate acadêmico sem jamais pensar em recompensa. Por isso, num dia de abril de 1990, surpreendo-me com o convite de Jomar para candidatar-me à Academia Maranhense de Letras, à vaga do meu saudoso e querido professor Fernando dos Reis Perdigão, falecido no Rio de Janeiro.

Como a AML não estava em minhas cogitações, tentei recusar o convite, mas ele conseguiu quebrar a minha resistência e mudei de opinião.  Como estava escrito nas estrelas, a eleição foi tranquila, pois não tive competidor. A 2 de agosto de 1990 recebi 31 votos dos acadêmicos. Oito dias depois do pleito, a 10 de agosto, eu tomava posse na cadeira 13, patroneada por José Cândido de Moraes e Silva, sendo recepcionado por Milson Coutinho.

Quanto a Josué Montello, que seja, também, evocado e louvado neste mês, pelo seu nascimento, ocorrido no dia 21de agosto de 1017, em São Luís do Maranhão, cidade que  exaltou em prosa brilhante, pois sempre a usava para cenário de sua obra romanesca.

Antes de conhecê-lo pessoalmente, já tinha intimidade com os seus romances, que comecei a lê-los no Rio de Janeiro, quando fazia o curso de Agronomia, na Universidade Rural, onde costumava trocar as aulas enfadonhas pelas leituras de renomados autores da literatura brasileira e portuguesa.

Foi por obra do jornalismo que o meu relacionamento com Josué Montello corporificou-se. Sua nomeação para o cargo de reitor pro-tempore da Universidade Federal do Maranhão, em outubro de 1972, nos aproximou.  Muita gente, à época, pensava ser eu o seu assessor de imprensa, pois as informações mais preciosas da Universidade eram veiculadas através de Roda Viva, que ele fazia questão de dar em primeira mão.

Acompanhei de perto o seu trabalho na UFMA, bem como as desavenças verbais e explosivas que manteve com o ex-reitor, cônego Ribamar Carvalho, que repercutiram dentro e fora do campus universitário.

Ao término de sua gestão, retorna para o Rio de Janeiro, mas a nossa amizade permanece firme e forte. Com ele gostava de escrever cartas, não foram poucas as endereçadas à minha pessoa. Guardo-as todas com imenso carinho, uma delas com a revelação de um episódio, muito explorado politicamente, de um forte atrito dele com Nunes Freire, no Palácio dos Leões.

POSSES NO EXECUTIVO

Anotem, para conferir depois. Das novas regras eleitorais a serem votadas pelos deputados federais, só uma deverá ser aprovada.

A que estabelece novas datas para as posses dos eleitos para os cargos executivos: 6 de janeiro para governadores e prefeitos; 7 de janeiro para presidente da República e 1º de fevereiro para deputados e vereadores.

Afinal, 1º de janeiro volta a ser o que era: o dia da confraternização universal.

FÓRMULA VITORINISTA

O secretário de Esportes do Governo do Estado, Márcio Jardim, quer que o PT do Maranhão  convide a ex-presidente Dilma Roussef para se candidatar ao Senado  da República.

Essa fórmula teve seus dias de glória no Maranhão, quando o vitorinismo reinava de modo avassalador na política estadual.

Estribada nela, o PSD maranhense fez o senador Antônio Bayma e o suplente Newton Bello renunciarem aos cargos, para que o jornalista Assis Chateaubriand, o poderoso dono dos Diários Associados, derrotado na Paraíba, recuperasse o mandato de senador, num pleito intempestivo, realizado em março de 1955.

Nas eleições majoritárias de 1962, o próprio senador Vitorino Freire trouxe do Rio de Janeiro o empresário Miguel Lins para ser o seu companheiro de chapa.

ZÉ REINALDO EM CENA

O deputado José Reinaldo encontra-se em estado de graça.

No sábado passado, a convite do amigo Mauro Fecury, marcou presença, em companhia da namorada, na festa realizada no Espaço Renascença, em comemoração ao Dia dos Pais. Dançou e se divertiu como nos velhos tempos.

Dias depois, reencontrou-se com o governador Flávio Dino, do qual havia se afastado politicamente. Pelo que se sabe, a conversa entre os dois foi proveitosa e parece que assumiram um pacto para marcharem novamente juntos nas eleições do ano vindouro.

ENREDOS CARNAVALESCOS

As escolas de samba de São Luís resolveram imitar as escolas de samba do Rio de Janeiro, quanto à maneira de arrebanhar recursos para os desfiles carnavalescos.

Se as escolas de sambas cariocas se valem dos temas regionais para atrair a grana dos governadores e dos empresários, as escolas de samba da capital maranhense correm atrás dos prefeitos e dos homens de negócios do interior em busca de verbas para exaltá-los em seus enredos.

A Flor do Samba, por exemplo, já encontrou um empresário forte para bancar o seu carnaval em 2018: Ilson Mateus, que terá a sua vida e o seu empreendimento louvados e cantados em pleno desfile carnavalesco.

DEPUTADOS FOLCLÓRICOS

Dois deputados federais do Maranhão, nesta legislatura, chegaram a fazer parte da Mesa Diretora da Câmara.

Waldir Maranhão ocupou o cargo de 1º vice-presidente, no exercício do qual praticou os maiores vexames e envergonhou a nossa terra e a nossa gente.

Agora é o deputado André Fufuca, eleito 2º vice-presidente, que não chega a cometer as sandices de Waldir Maranhão, mas faz sucesso nas redes sociais por causa do cabelo e do sobrenome, razão pela qual é comparado à figura folclórica de Zacarias, de Os Trapalhões.

A FEIRINHA E AS IGREJAS

Desde a instalação da Feirinha na Praça Benedito Leite, os padres que celebram os ofícios religiosos nas igrejas de Nossa Senhora do Carmo, da Sé e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, todas, no Centro da Cidade, passaram a viver dias de tranquilidade e de paz.

Os abusos, os roubos e assaltos, praticados à luz do dia, que espantavam os católicos dos atos litúrgicos, sumiram e as igrejas voltaram a ser frequentadas, pois sabem que um esquema de segurança ali marca presença nos finais de semana.

Se for pela vontade do clero e dos fiéis, nunca mais aquela Feirinha dali sairá.

 

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35 ANOS DA UEMA

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Recebo do reitor da Universidade Estadual do Maranhão, Gustavo Pereira da Costa, a comunicação de ser um dos homenageados com a Medalha Gomes de Sousa do Mérito Universitário, conferida pelo Conselho Universitário, nas comemorações dos 35 anos de fundação da Instituição.

Dias depois, outro comunicado do mesmo reitor, dando conta da minha indicação para falar em nome dos homenageados, na solenidade comemorativa da significativa efeméride, a 2 de agosto de 2017.

A honra de ser duplamente distinguido proporcionou-me alegria e felicidade, pois através da retórica teria a oportunidade de evocar e lembrar a trajetória da Instituição, que ao longo de 35 anos cumpriu o objetivo de fomentar o saber e de formar profissionais dos mais diversos campos do conhecimento humano e cientifico.

Para cumprir a incumbência a mim foi delegada, fiz um recuo no tempo e trouxe a lume, ainda que de forma sumária, a gloriosa história da Universidade Estadual do Maranhão, desde os seus primórdios, da qual participei como docente e com atuação, modéstia a parte, exemplar.

Sustentado na minha bem conservada memória de jornalista e de pesquisador, sempre pronta a me ajudar nesses momentos, transmiti preciosas informações sobre iniciativas e atos praticados por autoridades governamentais, que resultaram, depois de um processo de maturação, na fundação da Universidade Estadual do Maranhão.

Na condição de testemunha viva daquele processo histórico, afirmei que tudo começou nos meados da década de 1960, no governo José Sarney, que levado por circunstâncias conjunturais, decide criar as Faculdades de Engenharia, Administração e Agronomia, em São Luís, e a Escola Superior de Educação, em Caxias, para a preparação de quadros técnicos que o Maranhão carecia, com vistas a modernizar suas estruturas administrativas e promover o desenvolvimento econômico e social.

O sucessor de Sarney, professor Pedro Neiva, empenhado  na consolidação desse projeto educacional, cria as Faculdade de Veterinária, em São Luís,  e de Educação, em Imperatriz, que, aglutinadas em torno das existentes, formaram uma autarquia denominada Federação das Escolas Superiores do Maranhão.

Como substituto de Pedro Neiva, o governador Nunes Freire, também deu o seu contributo, levando as Faculdades instaladas em São Luís, que funcionavam isoladamente, para um campus próprio, com o nome de Cidade Universitária Paulo VI, onde alunos, professores e servidores comungaram vivências e trocaram experiências necessárias à formação do espírito universitário.

Para coroamento de tudo isso, o governador João Castelo, sucessor de Nunes Freire, realiza o sonho maior de todos nós: o envio à Assembleia Legislativa de um projeto de lei, criando a Universidade Estadual do Maranhão, sancionado pelo mesmo em 30 de dezembro de 1981.

Ao longo dessa árdua caminhada de  vitoriosas conquistas e exitosas iniciativas, no campo acadêmico, técnico e científico, mas, também, de tempos difíceis e de lutas adversas, a Instituição só não chegou a desativar o ensino, a pesquisa e a extensão, porque os corpos docente, discente e administrativo se levantaram e reagiram contra o impensado gesto de alguns gestores que criaram dezenas de cursos de graduação, muitos dos quais dispensáveis, mas, com o fito exclusivo de atender interesses eleitoreiros.

Felizmente, aquela maldita fase passou e se perdeu na poeira do tempo, graças aos compromissados assumidos pelos professores José Augusto Oliveira e Gustavo Pereira da Costa, o anterior e o atual reitor, que á frente da UEMA souberam com competência, seriedade e honestidade, darem a volta por cima, respaldados na máxima do grande escritor paraibano, José Américo, ao dizer que “voltar é renascer e no caminho da volta ninguém se perde”

APLAUSOS A SARNEY

O acadêmico Joaquim Haickel assistiu em Brasília, na semana passada, a posse do novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Ele saiu da solenidade radiante por uma cena que há muito tempo não via: o ex-presidente José Sarney receber as mais ruidosas manifestações de aplausos da plateia.

Essa manifestação de louvação deu-se no momento em que o ministro da Cultura,  em alto e bom som, proclamou que o Brasil devia duas coisas importantes ao político maranhense: a Lei Sarney, posteriormente adulterada no Governo Collor de Melo,  e a fundação do Ministério da Cultura.

RITUAL ACADÊMICO

Quem assistiu, na noite da última quarta-feira, a solenidade de posse do magistrado e intelectual Manoel Aureliano Neto, na Casa de Antônio Lobo, viu algo insólito.

Em dois bons momentos do discurso do novo imortal, deu-se  a quebra do ritual acadêmico, mas de forma sutil e adequada.

No primeiro, ao reportar-se à obra poética de Gonçalves Dias,  chamou o ator Tourinho para declamar um dos mais belos poemas do vate caxiense.

No segundo, ao falar sobre Catulo da Paixão Cearense, pediu que o Coral do Ceuma cantasse a linda canção Luar do Sertão.

VEREADORES E PREFEITURA

Depois que a prefeitura de São Luís ganhou autonomia política-administrativa, apenas um vereador chegou a exercer o cargo de prefeito: Tadeu Palácio, por meio de eleição universal, direta e secreta.

Depois de Tadeu nenhum vereador à Câmara Municipal de São Luís, concorreu ao cargo de gestor da capital maranhense.

Pelo andar da carruagem, nas eleições de 2018 à sucessão de Edivaldo Holanda Junior, dois representantes do povo pretendem conquistar o tão ambicioso cargo: o presidente da Câmara, Astro de Ogum, e o vereador Ivaldo Rodrigues, ora no exercício do posto de secretário de Agricultura, onde desenvolve um bom trabalho.

LUTA CORPORAL

Por pouco o livro do poeta Ferreira Gullar, Luta Corporal, não serve de pano de fundo ao confronto físico entre os senadores João Alberto e Lindberg Farias.

A luta entre os dois senadores só não houve porque João Alberto comportou-se à altura do cargo que exerce, não revidando as grosserias proferidas pelo parlamentar do PT.

A sorte do senador Lindberg é porque João Alberto deixou de ser carcará e virou xerife.

NOVENTA ANOS

Até antes do século XX acabar, São Luís contava com alfaiates de primeira linha, dentre os quais Mário Rocha, o preferido da elite empresarial e política.

Durante o tempo em que exerceu a profissão, para José Sarney não havia alfaiate que chegasse perto dele.

Mário, contudo, era um profissional diferenciado, porque politizado, intelectual e sabia português como poucos.

Antes de deixar a profissão, ingressou na Universidade Federal do Maranhão e diplomou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

Mário completa dia 18 de agosto noventa anos, ocasião em que os familiares realizarão um culto em ação de graças, na igreja Batista do Calhau, às 19: 30 horas.

Como seu antigo amigo, farei questão de marcar presença nessa solenidade religiosa.

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