EM 1951 CÉSAR ABOUD GOVERNOU O MARANHÃO

0comentário

Um dos grandes empresários do Maranhão, no período de 13 de março a 18 de setembro de 1951, governou o Estado sem concorrer às eleições majoritárias de 1950: César Alexandre Aboud, sócio de um poderoso grupo empresarial, que dominava o mercado produtivo do Estado nas atividades da indústria e do comércio.

Mas por que César Aboud assumiu o Poder Executivo do Estado, no exercício do qual, com habilidade e competência, acalmou os ânimos de uma população revoltada, insurgida contra a eleição e a posse de um governador eleito sob o beneplácito de uma escandalosa fraude? 

Tudo isso aconteceu nas eleições de outubro de 1950, em que concorreram à sucessão de Sebastião Archer da Silva, o candidato governista Eugênio Barros e o oposicionista Saturnino Belo, ambos prósperos empresários.

Aquelas eleições e apurações realizaram-se sob o manto da fraude eleitoral, atos que as Oposições Coligadas protestavam e teriam, também, contribuído para a morte (ataque do miocárdio) do candidato Saturnino Belo, acirrando mais ainda os ânimos políticos em São Luís, onde se concentrava o imenso eleitorado contra o vitorinismo.

O Tribunal Regional Eleitoral, composto em sua grande maioria de magistrados corruptos e manobrados pelos governistas, não tomava conhecimento dos recursos impetrados pelos oposicionistas, para anulação das eleições em cidades nas quais a fraude foi desregrada e esmagadora.

Como não logravam êxitos no TRE, as indomáveis Oposições recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral, junto ao qual desejavam impedir a posse de Eugênio Barros, mas, este, destemido como o era e com uma decisão judicial em seu poder, resolve assumir o cargo.

Diante desse quadro adverso, as lideranças oposicionistas decidem convocar o povo para se reunir em protesto no Largo do Carmo, na tentativa de impedir a posse de Eugênio, ato que derivou numa luta a céu aberto, na Avenida Pedro II,  entre a enfurecida multidão, que tentava invadir o Palácio dos Leões, e as forças policiais, que resultou num saldo numeroso e triste de mortos e feridos.   

Para impedir novos confrontos entre populares e policiais, as forças federais tomaram conta da Avenida Pedro II e à espera da solução do impasse político, o que aconteceu depois de intensas e tumultuadas conversações entre governistas e oposicionistas, fórmula que Eugênio Barros concorda em adiar a sua posse e autorizado pela Assembleia Legislativa viaja para o Rio de Janeiro, onde aguardaria o julgamento dos processos no Tribunal Superior Eleitoral.   

Sem a posse do novo governador, quem ficaria no comando do Poder Executivo, tendo em vista que o vice-governador Renato Archer também estava impedido de substituir o titular?

Essa situação é resolvida pela Assembleia Legislativa, que apressadamente convoca os deputados eleitos nas eleições de outubro de 1950, para tomarem elegerem o novo presidente do Poder Legislativo, que, de comum acordo, governistas e oposicionistas escolhem o deputado César Aboud, que se compromete a substituir interinamente o cargo de governador e sem fazer  uma administração tutelada pelos vitorinistas, missão cumprida com tamanha  argúcia, que os oposicionistas tentaram fazer um movimento para o empresário continuar à frente do Governo, independentemente do julgamento do TSE, ato com o qual não concorda.

Depois de transferir o cargo de governador a Eugênio Barros (18-setembro-1951), César Aboud pratica um gesto pouco habitual na política maranhense: renuncia à presidência do Poder Legislativo.      

UM TRISTE PAPEL

O deputado federal Juscelino Resende praticou vergonhoso ato na semana passada, na Câmara Federal.

Se o povo maranhense soubesse votar, ele jamais merecia ser reeleito.

Prestou um triste papel, como relator do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentária, matéria que exige conhecimento, competência e estudo, atributos que não carrega consigo, ao aumentar o famigerado Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

GERAÇÕES E ELEIÇÕES

A grande maioria da bancada maranhense, que nos representa na Câmara e no Senado Federal, não teve altivez para votar contra o absurdo aumento do Fundo Eleitoral.

Apenas três deputados – Bira do Pindaré, Josivaldo e José Carlos e a senadora Elisiane Gama manifestaram-se contrários à aprovação de um projeto, que pensa menos nas gerações e mais nas eleições.

É MUITA AZARA

Tomei um brutal susto na semana passada, no Shopping da Ilha, ao tomar conhecimento de algo inacreditável do ponto de vista empresarial.

A loja Zara, famosa internacionalmente, encontra-se em processo de liquidação aqui e em todas as cidades nas quais tem loja.

Depois da liquidação, a Zara vai sumir do mapa, em função da crise provocada pela pandemia.

BRANDÃO EM ITAPECURU

Participei das festividades alusivas ao aniversário de Itapecuru, que completou, na última quarta-feira, 151 anos de elevação de vila à cidade.

Este ano, o primeiro comemorado na gestão do prefeito Benedito Coroba, foi marcado por uma programação bem movimentada e com a presença do vice-governador Carlos Brandão e de expressivo número de deputados, prefeitos e vereadores.

Em discurso firme e categórico, Brandão falou como candidato ao governo do Estado e do grupo do governador Flávio Dino.

Para alegria dos prefeitos, o vice afirmou que, se eleito, a sua gestão será marcada pelo municipalismo.

GASTÃO E AULAS

No seu discurso em Itapecuru, o deputado Gastão Vieira foi bastante aplaudido ao fazer um veemente apelo aos prefeitos e professores para recomeçarem as aulas urgentemente e de modo presencial.

Para o parlamentar, o fechamento das escolas por causa da pandemia, foi desastroso e de péssima repercussão no processo educacional do país.   

A POPULARIDADE DO FIX

Eu vi e quem quiser ver basta passar na avenida onde se localiza a sede do Detran.

Uma pequena barraca de frutas, postava num pedaço de papelão este inusitado aviso: “Aceitamos o pagamento em FIX”.

A PROFECIA DE ULYSSES

O sábio político Ulysses Guimarães, antes de morrer tragicamente num desastre de avião, deixou para a posteridade uma frase verdadeiramente incontestável: – Se você acha que esse Congresso é ruim, aguarde o próximo.

 PAU D’ARCO

Depois de mais de um ano ausentes de São Luís, por causa da Covid 19, o ex-presidente José Sarney e Dona Marly, estão novamente na terra e para matar as saudades dos parentes e amigos.

Sarney na terra, como dizia o poeta Sousândrade, pau d’arco em flor. F

sem comentário »

CARTA AO GOVERNADOR DO ESTADO

0comentário

Pela primeira vez, desde que Vossa Excelência ocupa o cargo de governador do Estado do Maranhão, uso este espaço jornalístico para lhe fazer reivindicações.  

Antes de mais nada, é de bom alvitre avisar, que não são reivindicações de interesse particular ou de proveito pessoal, até porque Vossa Excelência sabe que, conquanto tenho a honra de ser seu padrinho de batismo, nunca estive no Palácio dos Leões, ao longo de seu mandato de governador, para tratar de assunto de natureza privada.

Dirijo-me a Vossa Excelência, portanto, de maneira pública, porque urbi et orbi sabem que vim ao mundo em Itapecuru-Mirim, terra à qual reservo um inexcedível afeto e dela nunca me afastei, física e sentimentalmente.

Josué Montello costumava dizer que era um maranhense profissional. Parafraseando o renomado e saudoso escritor, não posso negar que sou um itapecuruense profissional, pois desde que os meus conterrâneos me elegeram deputado estadual nas eleições de 1962, mandato estupidamente surrupiado pela Assembleia Legislativa, sempre fui um permanente e fiel defensor dos interesses daquela terra e de seu povo.

Por causa desse devotado apego ao meu torrão natal, fato devidamente reconhecido pelos que me conhecem, os itapecuruenses sempre me assediaram para ser novamente candidato a cargos eletivos, mas sempre afastei de minhas cogitações, para que o sentimento de afeto à minha cidade não fosse confundido com interesses políticos.   

Dito isto e para não tomar mais tempo de Vossa Excelência, permita-me, como admirador de sua inteligência e de seu preparo intelectual, levando em conta também a minha avançada idade e antes que ocorram acidentes de percurso, gostaria de ver implantado em minha cidade quatro projetos, considerados viáveis administrativamente e não dispendiosos do ponto de vista financeiro.

São obras de pequeno porte, mas de significado cultural e educacional de relevante repercussão numa cidade de um povo que traz no sangue a marca das letras e das artes.    

O primeiro: a construção de uma praça com o busto da poeta itapecuruense, Mariana Luz, membro da Academia Maranhense de Letras, que, em novembro vindouro completaria 150 anos.   

O segundo e o terceiro, de natureza educacional, a construção de dois colégios na área urbana. Um, com o nome de Gomes de Sousa, renomado matemático e reconhecido internacionalmente; o segundo, em homenagem à professora Anosilda (Santinha)Fonseca, que ensinou várias gerações, encontra-se viva e com 105 anos de idade.

O quarto e último: a criação do Parque Natural de Preservação da Miquelina, projeto que a Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes elaborou, mas não dispõe de recursos para transformá-lo em realidade.

Sem mais delongas, despeço-me com a minha benção e o meu voto antecipado para o Senado e à Academia Maranhense de Letras.         

EFEMÉRIDES ITAPECURUENSES

Na semana entrante, dois eventos marcantes e históricos aconteceram na vila de Itapecuru e que não podem passar em brancas nuvens.

O primeiro, a 20 de julho de 1823, quando José Felix Pereira de Burgos, proclamou a Adesão do Maranhão ao Império e o juramento de fidelidade a D.Pedro I, com a eleição de uma Junta Provisória Independente para Província, composta por sete membros, sendo quatro de Itapecuru e três reservados para São Luís, ato que aconteceu a 28 de julho.

O segundo, a 21 de julho de 1870, quando a Assembleia Legislativa Provincial do Maranhão, vota e aprova a Lei 919, que eleva a vila de Itapecuru-Mirim, fundada a 27 de novembro de 1817, à categoria de cidade. A lei foi sancionada pelo governador em exercício, José da Silva Maia.

SOLUÇO DE BOLSONARO

Se Bolsonaro fosse um cara do interior do Maranhão, não precisava se internar em hospital para curar o seu soluço.

Bastava fazer o que recomenda a medicina caseira: tomar um susto bem grande. Se isso não resolvesse, bebesse água com o nariz tapado.

NICOLAU DINO

O Maranhão deve se honrar de ter o conterrâneo Nicolau Dino como sub procurador geral da República.

Motivo: ele, como membro dessa instituição, foi um dos cinco a pedir ao procurador geral da República, Augusto Aras, a abertura de uma investigação eleitoral contra o presidente Jair Bolsonaro, por abuso e supressão das regras democráticas do país.  

VOTO DE ELIZIANE GAMA

O Brasil espera ser rebate falso a notícia de que a senadora Eliziane Gama, cuja atuação na CPI da Covid, vem sendo brava e firme, votará em André Mendonça para membro do Supremo Tribunal Federal.

Dizem que a senadora maranhense votará no candidato de Bolsonaro por ser evangélico como ela.

Senadora, política é uma coisa e religião é outra bem diferente.

EDVALDO NO INTERIOR

O anúncio de que o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda se candidatará a governador do Maranhão, nas eleições de 1922, tende a mudar o quadro político na capital do Estado.

Inegavelmente, pela boa atuação dele na prefeitura de São Luís, será expressivamente bem votado.

Quem se encarregará de fazer Edivaldo ser conhecido no interior do Estado, é o deputado Edilázio Junior, que o levará a todos os rincões do Estado, após a filiação ao PDS.

MANUTENÇÃO DAS IGREJAS

Ao longo do tempo, o funcionamento regular das igrejas católicas, sempre provinha de doações dos seguidores do Vaticano.

De um ano para cá, por conta da deflagração da Covid 19, as igrejas católicas passaram a sofrer terríveis necessidades, face à restrita realização dos ofícios religiosos, principalmente de batizados e casamentos, que diminuíram sensivelmente.

PRESENÇA DO VICE

O vice-governador Carlos Brandão avisou ao prefeito de Itapecuru, Benedito Coroba, que marcará presença naquela cidade, quarta-feira vindoura, 21 de julho, quando ela completará 151 anos de criação. 

sem comentário »

JOÃO ALBERTO: O ÚLTIMO DOS MOICANOS

0comentário

Conheço João Alberto de Sousa desde os meados de 1950, quando fomos colegas de turma no Liceu Maranhense, onde se percebia que o sangue da política corria em suas veias e o seu destino, ao deixar os bancos escolares, seria a vida pública e concorrer a cargos eletivos.

Esse objetivo começa a ser traçado no Rio de Janeiro, no começo da década de 60, quando o reencontro na presidência do Centro de Estudantes Maranhenses, entidade que lutava e ajudava os conterrâneos a vencerem as adversidades na então capital da República.

Concomitantemente, trabalhava, como economista,  num banco privado e com vigor desenvolvia atividades sindicais que o conduziram ao engajamento nos embates políticos, à época,  apoiando as reformas de base que o presidente da República, João Goulart, pretendia implantar no Brasil, mas interrompidas pelo movimento militar de 1964, razão porque João Alberto passou a ser perseguido, fato determinante para retornar ao Maranhão.    

Ele chega a São Luís após as eleições de 1965, que resultaram na vitória de José Sarney a governador e do fim do mando senador Vitorino Freire, este, por sinal, seu padrinho de batismo. Nem por isso foi discriminado por Sarney que o convida a trabalhar no governo, necessitado de quadros jovens e preparados para ajudá-lo a mudar a situação de atraso e de pobreza do Estado.

A primeira missão a ele confiada foi um cargo importante na secretaria da Fazenda, recebendo do governador carta branca para limpar um setor administrativo dominado pela corrupção. Agindo com mão de ferro e não contemporizando com as maracutaias ali praticadas, João Alberto, recebe como prêmio o apelido de Carcará, epíteto que o acompanho ao longo da vida pública.

 Mas ele veio para o Maranhão não com o fim de ser burocrata. O seu desejo era participar da política partidária, o que acontece nas eleições de 1970, elegendo-se deputado estadual pela Arena, para o mandato de 1971-1975, que, pela convincente atuação, concorre a outros cargos eletivos proporcionais e majoritários. 

Para representar o Maranhão na área federal, elege-se deputado federal e cumpre três mandatos, conquistados em 1978, 1982 e 1994.  Disputando cargos majoritários, conquista a prefeitura de Bacabal, em 1988, e a vice-governança do Estado em 1986 e 2006, nas chapas encabeçadas por Epitácio Cafeteira e Roseana Sarney. Para o Senado da República, vence as eleições de 1998 e 2010.

Ao longo desse tempo de atividade em cargos públicos proporcionais e majoritários, enfrenta duas problemáticas questões políticas, ambas vencidas com base em decisões judiciais. A primeira, como vice-governador de Cafeteira e autorizado pela Assembleia Legislativa, concorre à prefeitura de Bacabal, ato contestado na Justiça pelo deputado Bete Lago. A segunda, impetrada pelo governador em exercício Ivar Saldanha, ao tentar impedir por força policial a posse de João Alberto na chefia do Executivo, cargo com o direito de assumir por ser o substituto legal de Cafeteira, que renuncia ao mandato e se candidata ao Senado, nas eleições de 1990. O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal, que deu ganho de causa a João Alberto, realizando um invejável governo no curto período de abril de 1990 a março de 1991.

João Alberto, na semana passada, encerrou definitivamente a sua carreira política, transferindo o comando do MDB para a ex-governadora Roseana Sarney e deixando o filho, João Marcelo, como herdeiro político. Antes de encerrar a sua vida pública, sofre terrível ingratidão do eleitorado de Bacabal, terra pela qual luta e tudo faz para ser hoje um município dos mais desenvolvidos do Maranhão. Candidatando-se nas últimas eleições, à Câmara de Vereadores de Bacabal, não se elege para o único cargo político que não havia exercido,  derrota que o abate de modo contundente, pois como edil e o trânsito político conquistado em Brasília, trabalharia para conseguir recursos substanciais para uma terra que sempre foi a sua principal prioridade.

BOLSONARISTAS DE ESQUERDA

 De uns tempos para cá, acontece em São Luís algo estranho: pessoas de bom nível intelectual e politicamente engajadas em movimentos de esquerda, mudaram de posição e se transformaram em intransigentes adeptos de Bolsonaro.

Por um passe de mágica, esqueceram o ideário esquerdista e passaram a defender teses da direita, praticadas pelo atual presidente da República, que está levando o nosso país ao caos.

LÍDER NAS PESQUISAS

Uma pergunta que não quer calar: se Roseana Sarney continuar liderando as pesquisas de opinião pública como candidata ao cargo de governador do Maranhão nas eleições de 2022, como se comportarão os partidos, os políticos e os postulantes à sucessão de Flávio Dino?

A minha pergunta se baseia na presença dela, cada vez mais crescente, nas consultas com vistas ao próximo ocupante do Palácio dos Leões.   

VOTO IMPRESSO

Os deputados estaduais, federais e senadores, sem exceção, que atualmente representam(?) o povo maranhense em nossas Casas Legislativas, são jovens, portanto, não participaram das eleições realizadas em tempos passados, sob o esquema da fraude eleitoral, usando o famigerado voto impresso.

Como se elegeram pelo voto eletrônico, que dispensa qualquer dúvida quanto à sua lisura, não podem, para agradar Bolsonaro, e votar pelo retorno do abominável voto impresso.

   EUROCOPA E COPA AMÉRICA

Quem assiste pela televisão os jogos de futebol da Eurocopa e da Copa América, não hesita quanto à discrepante diferença entre as seleções que disputam tais campeonatos.

O excelente futebol hoje praticado na Europa não pode ser comparado com os medíocres times que ora representam os países da América do Sul.  

Se o atual time brasileiro jogar contra qualquer uma das principais seleções europeias, certamente perderá pelo placar semelhante ao da última Copa do Mundo, quando a Alemanha, dentro de nosso país, nos goleou por sete a um.

CHAVE DO COFRE

Aquele recado do governador Flávio Dino de “Que há quem queira governar o Estado apenas para abrir a chave do cofre”, teve endereço certo.

Quem milita ou acompanha a vida pública maranhense, sabe para quem o governador arremessou aquele tijolaço. Eu sei para quem foi, mas mantenho a boca fechada para não criar um problema fora de época.

SINAL DOS TEMPOS

No governo do presidente Jair Bolsonaro a famosa frase “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, foi substituída por “um manda, outro obedece”.

sem comentário »

DE COMUNISTA A SOCIALISTA

0comentário

Dias atrás, o governador Flávio Dino, assistido por amigos e correligionários, trocou o comunismo pelo socialismo, que são posturas políticas, filosóficas e ideológicas bem diferenciadas.

Em poucas palavras, se comunista é ser adepto do marxismo-leninismo, do materialismo dialético e da preponderante intervenção do Estado na vida econômica e social, o socialista defende ações que se movem rigorosamente no âmbito das instituições liberal-democráticas, aceitando, dentro de certos limites, a função positiva do Estado no mercado e da propriedade privada. 

 Para um agente político do porte de Flávio Dino e pela maneira como se movimenta no cenário partidário brasileiro, indiscutivelmente, tomou uma decisão certa, inobstante ter sido filiado ao Partido Comunista jamais devorou criancinhas ou defendeu propostas de encontro às leis vigentes.

Quando afirmo que ele acertou trocar o Partido Comunista pelo Partido Socialista, o faço na condição de seu padrinho de batismo e por conhece-lo desde os primeiros anos de vida, quando tive a oportunidade de acompanhar a sua brilhante trajetória estudantil, jurídica e política, o que me investe de autoridade para dizer, “em alto e em bom som”, lembrando o seu saudoso pai e meu compadre Sálvio Dino, que  Flávio, desde os tempos de estudante secundarista e universitário, sempre abraçou as causas da esquerda democrática, sob a bandeira da qual lutou contra atos inidôneos praticados pelos donos do poder e a favor da justiça social.

Mesmo vestindo a camisa do PC do B, o governador nunca deu qualquer demonstração de querer passar por cima das leis ou tentar implantar no Maranhão uma estrutura administrativa e política com base no marxismo-leninismo ou se apoiasse em cartilhas autoritárias, para praticar atos de confronto ao ideário democrático.

Ao contrário, sempre se apoiou nas leis e nas Constituições, para encontrar soluções dos problemas do povo, com base no diálogo e no entendimento.

Ainda que tenha pela frente um presidente da República, que não lhe dispensa o mínimo de respeito e consideração, o governador Flávio Dino discorda frontalmente de Jair Bolsonaro, quanto à maneira como desgoverna o país e pelas sandices que proclama e faz diariamente no exercício do cargo que ocupa.                  

UM ALEMÃO CHAMADO CLAÚDIO VAZ

Mais uma personalidade da minha geração partiu do nosso convívio, logo ele que, ao longo da vida, sempre foi um cara saudável, esportista, que detestava bebida alcóolica e cigarro, não tinha inimigos e só fazia o bem.

Cláudio Vaz dos Santos, mais conhecido por Alemão, devido ao seu porte atlético, foi uma figura humana com ativa participação em numerosas e diversificadas ações na sociedade maranhense, onde sempre se conduziu com altivez e dignidade.

Ao longo de sua positiva e reconhecida atuação na vida esportiva e social desta cidade, Alemão exerceu cargos públicos nas esferas municipal e estadual, sem deixar o nome marcado por práticas nocivas e interesses inconfessáveis, ao contrário, sempre se notabilizou por   iniciativas saudáveis e ações que resultavam em benefícios de grande alcance social e destinadas sobretudo à juventude maranhense.

Um homem como Cláudio Vaz dos Santos não merecia ter o final de vida que teve, sofrendo alguns anos em função de doenças e enfermidades que lhe tiraram o prazer da sadia convivência com os familiares e amigos.

Mauro Fecury, amigo inseparável de Alemão, teve a feliz ideia de deixar o nome de Cláudio Vaz dos Santos perpetuado num espaço esportivo localizado na Universidade CEUMA, para não ser jamais esquecido pelo que fez em favor da juventude maranhense.

Como disse um poeta, com a morte de Cláudio Alemão, apaga-se uma luz na terra, mas acende-se uma no céu.

PROJETO REVIVER

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está executando um projeto semelhante e com o mesmo nome dado pelo Epitácio Cafeteira, quando governava o Maranhão.

Trata-se do Projeto Reviver. O de Cafeteira, tinha a finalidade de construir obras e restaurar casarões e sobrados, localizados no centro da cidade, sobretudo na Praia Grande.

O de Eduardo Paes, tem o mesmo objetivo.

TERCEIRA VIA

Como eu já declarei, tempos atrás, nesta coluna, eu não votarei para a Presidência da República nos dois principais nomes que aparecem nas pesquisas de opinião Pública: Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

Estava torcendo para surgir um terceiro nome e com capacidade e lisura moral para governar o Brasil.

Acho que encontrei o nome para figurar como terceira via: o da senadora Simone Tebet, competente, honesta e brava.      

CANDIDATO GASTRONÔMICO

Quem vem de Brasília, faz uma revelação sensacional sobre o senador Weverton Rocha, na sua volúpia de ser o futuro governador do Estado.

O que ele vem gastando para oferecer de almoços e jantares em sua residência, com o objetivo de se viabilizar como sucessor de Flávio Dino é algo nunca visto.

Dizem que o seu maior sonho é botar na mesma mesa o governador Flávio Dino e o presidente Jair Bolsonaro, tendo como prato de resistência os mariscos do Maranhão.

ESPERANÇA DE LONGEVIDADE

Estudos científicos, revelaram que a Covid-19 fez o Brasil perder uma década de avanços em esperança de longevidade, sobretudo entre homens idosos.

Com base nesses estudos, no Maranhão, a queda de expectativa de vida em 2021 foi de um ano e meio.

DEUS E O BRASIL

O presidente Jair Bolsonaro disse que só Deus o tira do cargo que ocupa.

Como Deus é brasileiro, só Ele pode salvar o nosso país.

VAGAS NA ABL

Por conta da Covid-19, do ano passado aos nossos dias, morreram na Academia Brasileira de Letras cinco intelectuais: Alfredo Bosi, Murilo Melo Franco, Afonso Arinos de Melo Franco e Marco Maciel.

Para uma dessas vagas, concorre e com chances de ser eleito, o poeta maranhense Salgado Maranhão.

Em Brasília e São Luís há um movimento visando convencer outro maranhense, o renomado escritor Ronaldo Costa Fernandes, a também disputar uma das cadeiras da Casa de Machado de Assis.

PRECE POR MARLY

Marly Abdala, viúva do saudoso empresário Alberto Abdala, foi internada no UDI Hospital, para livrar-se desse maldito vírus, que vem destruindo a humanidade.

Marly, pela sua conduta retilínea na sociedade maranhense e dedicação em favor dos mais necessitados, como política ou cidadã, os que privam de sua amizade torcem e fazem preces para ela sair dessa internação hospitalar rapidamente e completamente curada.           

sem comentário »

O GABEIRISMO SEM GABEIRA

0comentário

Com o meu aguçado olhar de pesquisador, encontrei na edição do Diário Oficial do Maranhão, de 4 de outubro de 1937, a publicação de um longo pronunciamento do deputado Felix Valois, integrante da bancada que apoiava o então governador Paulo Ramos.
O discurso do parlamentar ocorreu dias antes do presidente Getúlio Vargas decretar o Estado Novo no Brasil, ato que estabeleceu um regime ditatorial e transformou os governadores em interventores, situação que só acabou nos idos de 1945, graças ao processo de redemocratização do País.
O discurso do deputado Felix Valois, devidamente combinado com Paulo Ramos, atacava sem dó e piedade os parlamentares estaduais, liderados pelo deputado João Braulino de Carvalho, que haviam se comprometido com o chefe do Executivo estadual a participar de uma nova agremiação política no Maranhão, de apoio ao governador, denominado Partido Evolucionista Maranhense, mas face à conjuntura política que vivia o Brasil, resolveram, como fazem até hoje, a esperar o desfecho da crise, para assinar ou não o documento.
No raivoso pronunciamento do parlamentar, no qual dedicava palavras ácidas e venenosas aos deputados que deixaram de cumprir o assumido com Paulo Ramos, encontrei um vocábulo que me chamou a atenção, por desconhecê-la literalmente: Gabeirismo.
O meu primeiro impulso foi imaginar que os parlamentares fossem aliados do jornalista Fernando Gabeira, hipótese logo afastada porque, naquela época, o político e intelectual ainda não havia nascido e nenhum Gabeira militava em qualquer agremiação política daqui ou alhures.
Para dissipar as minhas dúvidas quanto ao incógnito vocábulo, recorri aos mais tradicionais e importantes dicionários brasileiros para ver se encontrava algo que me permitisse achar ou esclarecer a origem da palavra Gabeirismo.
Depois dessa caçada infrutífera aos dicionários brasileiros, recorri ao livro do professor Domingos Vieira Filho – A Linguagem Popular do Maranhão, na esperança de nele encontrar o registro de algum verbete regionalista que definisse ou explicasse o que era Gabeirismo. Em vão.
Como não achei nada para esclarecer a origem da palavra, retomei a leitura do longo e candente discurso do deputado Felix Valois, no qual, em determinado momento, ele explica o que é Gabeirismo.
Com a palavra o parlamentar: “Gabeirismo é hoje um vocábulo do nosso idioma. É a última palavra na tradução exata da degenerescência de nossos costumes políticos. É a ação nefasta dos deputados de Norte a Sul do País, faltando aos compromissos assumidos, não honrando a palavra empenhada da solução dos problemas do Estado”.
Como se não bastasse, o deputado, que era oficial do Exército, afirmou “Que entre nós no Maranhão, esta palavra passará à História, porque é antes de mais nada, o atestado evidente de que a crise no Brasil é essencialmente uma crise moral”.
De 1937, quando Felix Valois discursou e descobriu esse neologismo, aos dias de hoje, já transcorreram mais de oitenta anos. Significa dizer que essa falta de compostura dos políticos brasileiros, com relação aos compromissos assumidos e não cumpridos, não é um problema dos dias correntes.
No passado como no presente, os políticos, salvo poucas e honrosas exceções, continuam sendo inconfiáveis e nada coerentes com que prometem nos palanques e nas tribunas, razão porque o Gabeirismo, vocábulo inventado pelo parlamentar maranhense, continua em voga e mais atual do que nunca.

sem comentário »

AS MÁSCARAS DE BOLSONARO E DE CAFETEIRA

0comentário

No Senado, instalou-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para apurar a participação ou não do presidente da República na contratação de vacinas, para livrar a população do Brasil de uma grave epidemia.

A CPI de Brasília, remete os maranhenses para a década de 1960, quando pipocou uma crise, gerada por um impensado ato do prefeito Epitácio Cafeteira, que, também, resultou na criação pela Câmara Municipal de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Diante de quadros que entre um e outro registram-se mais de cinquenta anos, uma pergunta está no ar: há algo em comum entre as ações do presidente da República, Jair Bolsonaro e as do ex-prefeito de São Luís, Epitácio Cafeteira, mormente quando o fulcro da questão reside no uso de um artefato de tecido popularmente conhecido por máscara?

Ainda que a situação cronológica e a atuação de ambos na vida pública sejam marcadas por gritantes diferenças, não há como deixar de fazer um paralelo do que acontece hoje no Brasil e do ocorrido na capital maranhense há 55 anos.

  O prefeito Epitácio Cafeteira, eleito em outubro de 1965, mal sentou na cadeira de gestor da cidade, assinou um decreto sustentado num falso moralismo, para vigorar no carnaval de 1966, que proibia o ingresso de mulheres nos salões dos bailes populares, que portassem máscaras nos rostos para não serem identificadas.

 Já, o atual chefe da Nação, que sempre foi contra  o uso de máscaras, pediu ao seu ministro da Saúde, “um tal de Queiroga”, um estudo circunstanciado, para servir de suporte a um decreto com o objetivo de proibir a população de usar aquele artefato de tecido, no entendimento de ser desnecessário à proteção contra a epidemia do coronavírus, moléstia que vem ceifando diariamente milhões de brasileiros.

As aversões de Cafeteira e Bolsonaro quanto ao uso de máscaras, inobstante apresentarem motivações distintas, tiveram acentuadas repercussões no plano político. 

Em São Luís, o decreto municipal ecoou intensamente, levando o  governador José Sarney, recentemente empossado, a autorizar o secretário de Segurança, coronel Antônio Medeiros, à publicação de uma portaria para assegurar às mulheres o direito de participar dos bailes com as máscaras, ato que fez o caso invadir a seara jurídica e provocar na Câmara Municipal, por iniciativa dos vereadores de oposição, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra o gesto de Cafeteira,  que resultou numa solicitação ao governador para o Estado intervir na Prefeitura de São Luís, mas Sarney, prudente como sempre foi, esperou o caso ser resolvido na  Justiça, que, sabidamente, aguardou o carnaval acabar e dar tempo para os políticos se entenderem, o que, na realidade aconteceu, depois de agressões e acusações de ambos os lados, mas, afinal, encontraram uma fórmula em que vencidos e vencedores, sem exceção, se salvaram.

Mais de meio século depois do decreto de Cafeteira, aqueles pedaços de tecidos voltaram a ser objetos de discussão política, desta feita a nível nacional, com o atual presidente da República, que, de forma irredutível e irracional, deseja assinar um decreto para obrigar o povo brasileiro a se desfazer das máscaras, estas, que estão prestando benfazejos serviços à saúde pública.   

Se a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Luís não deu em nada, a CPI do Senado, só Bita do Barão poderá dizer o que vem por aí.

O TURISMO DA VACINAÇÃO

Por incrível que pareça, em pleno ativismo maléfico da Coronavírus no Brasil, o bumba-boi e outras manifestações folclóricas e culturais do Maranhão, deixaram de ser este ano os nossos principais produtos turísticos.

Quem vem atraindo gente de outras cidades para a nossa capital, é o processo de vacinação contra a Covid-19, que o governador Flávio Dino e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, resolveram atacar de modo eficiente e prioridade.

CAIXÃO DE PANCADA

Por conta dessa sinistra política externa montada pelo ex-chanceler Ernesto Araújo, o Brasil vem sendo depreciado ou agredido por autoridades estrangeiras.

Se até pouco tempo, o Brasil tinha a fama de não ser um país sério, agora até o Papa referiu-se aos brasileiros como cachaceiros e o presidente da Argentina descobriu que as nossas origens procedem das selvas.

A POLÍTICA DOS PNEUS

Nas últimas eleições, elegeu-se no Maranhão à Assembleia Legislativa, um empresário conhecido pela alcunha de Felipe dos Pneus. 

No pleito seguinte, de caráter majoritário, o Felipe dos Pneus renunciou ao mandato parlamentar porque se elegeu prefeito de Santa Inês.

Como a alcunha de Pneus, agora é moda na política, no Rio de Janeiro, acaba de ser nomeado para comandar a Secretaria de Transportes, um cidadão conhecido por Juninho dos Pneus.

RAVE E ARRAIAL

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu o troco que merecia do governador Flávio Dino, criticado por fazer “rave da vacinação” no Maranhão.

Flávio Dino retrucou com veemência a crítica do gestor carioca, explicando que no Maranhão, no mês de junho, em vez de rave se faz é arraial, festa popular e genuinamente regional. 

 Para quem não sabe, rave é uma festa eletrônica, em lugar amplo e aberto e sem hora para acabar, que os cariocas, estes, sim, adoram.

FOBIA PRESIDENCIAL

Em Brasília, corre a notícia de que depois do parecer do “tal Queiroga” ministro da Saúde, destinado à extinção das máscaras no país, o próximo alvo do Presidente da República será o trânsito.

Bolsonaro, segundo se comenta, teria mandado fazer um estudo para acabar com as placas que mandam o motorista “virar à esquerda”. 

AS ZPES NO MARANHÃO

Desde os tempos de José Sarney, na presidência da República, que se ouve falar na implantação das Zonas de Processamento de Exportação no Maranhão.

O projeto das ZPEs, que teve um avanço na época de Sarney, depois foi engavetado no Palácio do Planalto pelos que o sucederam, que nunca viram com bons olhos a sua instalação no Maranhão, razão pela qual nunca sairá do papel.

INTELECTUAIS E LIVROS

Intelectuais brasileiros de todos os matizes se reuniram para cada escrever sobre o livro que mudaram as suas vidas.

Eis os selecionados: Cem anos de solidão, de Garcia Marques; Em busca do tempo perdido, de Proust; O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger; O encontro marcado, de Fernando Sabino; A montanha mágica, de Thomas Mann; O segundo sexo, de Simone Beauvoir e Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado.   

CANHOTEIRO

Se o grande jogador maranhense, Canhoteiro, extraordinário ponta esquerda do Brasil, se vivo fosse teria de mudar o nome pelo qual se tornou famoso aqui e alhures.

Motivo: Canhoteiro lembra esquerdista, gente que o atual Governo da República abomina visceralmente.    

sem comentário »

A HISTÓRIA COMO FARSA OU A FARSA COMO A HISTÓRIA

0comentário

Hegel dizia que a história se repete sempre pelo menos duas vezes

Karl Marx deixou registrado que a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

Luís Fernando Verissimo, que não é filósofo como Hegel e Marx, mas do alto de sua competência jornalística, disse que no Brasil a história não se repete como farsa, mas as farsas é que se repetem com a história.

Com vistas a dirimir este dilema, submeto à consideração do leitor, dois episódios vindos à tona em épocas diferentes, com forte repercussão nos meios políticos e militares, gerando crises e polêmicas, com o objetivo de arrastar o Brasil para tempos de incerteza democrática e de intranquilidade institucional.

O primeiro, aconteceu depois das eleições de outubro de 1955, quando o ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, derrotou por pequena margem de votos os candidatos da UDN, general Juarez Távora, do PSP, Ademar de Barros, e do PRP, Plínio Salgado.

Derrotada nas urnas, a retrógada UDN, tendo o deputado Carlos Lacerda como porta-voz, passou a defender a tese de que só poderia assumir o cargo presidencial o candidato que tivesse obtido a maioria absoluta de votos, ou seja, a metade mais um.

Tratava-se de uma ardilosa manobra para impedir a posse de JK, que não havia conseguido  o que os udenistas desejavam e apregoavam, tese que hoje se assemelha ao artifício levantado pelo presidente Jair Bolsonaro, de querer que as eleições de 2022 ocorram pela extinta cédula única, no irracional  entendimento de que o processo eleitoral, pelo sistema eletrônico, enseja o renascimento da fraude.

 Com o pensamento de anular as legítimas eleições presidenciais, no dia 1º de novembro de 1955, no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, presidente do Clube Militar, o coronel Jurandir Bizarria Mamede, insurgiu-se contra a vitória eleitoral de JK, por considerá-la “uma mentira democrática e por estabelecer o predomínio da minoria, baseada numa pseudalegalidade imoral e corrompida.”

O general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, um militar legalista, anunciou a punição do coronel Mamede, que, como oficial da ativa, não poderia fazer manifestação política, assim como o fez recentemente o general Eduardo Pazuello, num ato político em favor da reeleição do presidente Jair Bolsonaro.    

À época, encontrava-se à frente do Palácio do Catete, o presidente da Câmara Federal, deputado Carlos Luz, substituto do sucessor de Vargas, João Café Filho, licenciado para tratamento de saúde.  No exercício do cargo presidencial, o udenista Carlos Luz, por não concordar com a punição de Mamede, demitiu o general Henrique Lott do cargo de ministro da Guerra, mas, este, com o apoio de outros militares, destacando-se o general Odilo Denis, comandante do I Exército,  coloca as tropas nas ruas do Rio de Janeiro, a 11 de novembro, ato que conduz o Congresso Nacional a destituir Carlos Luz e elege para substitui-lo o senador Nereu Ramos, do PSD, dando o chamado “golpe preventivo”, não para impedir, mas para garantir a posse de Juscelino Kubitschek.

Diante do cenário político-militar de 2021, quando ao contrário de 1955, o general Eduardo Pazuello,  no exercício da atividade militar, não foi punido pelo superior hierárquico, que mandou arquivar o processo contra o ex-ministro da Saúde, vale perguntar ao leitor: quem está certo no que se refere à dicotomia história-farsa: Hegel, Marx ou Luís Fernando Verissimo?  

O OUTRO LADO DE HAROLDO SABOIA

Eu sabia que Haroldo Saboia, pela sua atuação na vida pública, foi uma figura política competente e com atuação destacada nos cargos eletivos para os quais se elegeu: vereador à Câmara Municipal de São Luís, deputado à Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado à Câmara federal e deputado Constituinte.

Por reconhecê-lo dono dessas virtudes políticas, tomei um estrondoso e alegre susto, quando dele recebi mensagem, na qual revelava a outra vertente de sua personalidade: o de apreciador e restaurador de casarões históricos abandonados ou em processo de ruínas. Eis a mensagem: “Meu amigo Buzar, li sua nota sobre a localização da secretaria da Cultura na Avenida dos Holandeses. Lamentável é a realidade do nosso Estado. Na verdade, quem mais contribui para o esvaziamento do Centro Histórico são os poderes públicos federal, estadual e municipal. Passei, por exemplo, 10 anos restaurando um belíssimo casarão, na Rua da Savedra, com fachadas de azulejo e três andares. Há um ano procuro alugá-lo. Foi um trabalho primoroso. Seu confrade, Phillipe Andres esteve lá recentemente e saiu encantado com o que viu.”

DOM BELISÁRIO

Dos últimos arcebispos nomeados para a Arquidiocese do Maranhão, Dom José Belisário, que acaba de nos deixar, preocupou-se apenas com os problemas eclesiásticos e pastorais.

Os seus antecessores, Dom Carlos Carmelo, Dom Adalberto Sobral, Dom José de Medeiros Delgado, Dom Antônio Fragoso e Dom João José da Mota e Albuquerque, além das pertinentes ações sacerdotais, não deixavam de participar de atividades públicas e privadas, desde que tivessem repercussão na vida eclesiástica.

Se Dom Belisário era arredio socialmente e não se imiscuía em atos que achava descabidos à sua esfera de atuação, era dotado de uma virtude que os seus antecessores se ressentiam: ser uma figura humana cordial, fraterna e extremamente culta.

NAVIO INDIANO

Em matéria de saúde pública e relacionada com o problema infeccioso da Covid-19, o melhor que aconteceu no Maranhão foi o anúncio da chegada no porto de São Luís de um navio-cargueiro, vindo da Índia, com a tripulação contaminada pelo vírus.

A notícia, como um rastilho de pólvora, apavorou as autoridades brasileiras e os governantes maranhenses, que montaram em São Luís um aparato para defender a nossa população com vacinas de todos os tipos, vindas aos montes de Brasília, imediatamente aplicadas em pessoas ainda não vacinadas daqui e de outras cidades.

FESTIVAL DE BESTEIRA

O competente jornalista carioca, Sérgio Porto, mais conhecido por Stanislau Ponte Preta, criou no jornal Última Hora uma coluna intitulada Festival de Besteira que Assola o País ou Febeapá.

Se Sérgio Porto não tivesse falecido, certamente não deixaria de incluir no seu Febeapá um assunto que anda circulando na internet condenando o Governo do Maranhão pela veiculação de uma oportuna e comovente peça publicitária, que tem como fundo musical a bela composição de Sérgio Bittencourt, intitulada Naquela Mesa, criada como um apelo para a população se vacinar e não perder os familiares.         

sem comentário »

HOJE COMO ONTEM OU ONTEM COMO HOJE

0comentário

Nos dias correntes é comum ouvir dos mais idosos reclamações quanto ao comportamento das novas gerações, acusadas de não darem o valor merecido às pessoas que em vida lutaram ou cuidaram dos nossos valores culturais e artísticos.

O desprezo das gerações de hoje às figuras humanas que se destacam ou ganham relevo nas letras e nas artes maranhenses, não é, entre nós, novidade, pois, também, em tempos remotos, fatos e atos semelhantes aconteciam e com a mesma indiferença e intensidade.

Imaginar, portanto, que no passado, havia reconhecimento, respeito ou veneração pelos homens de cultura que em vida trataram de elevar o nome do Maranhão às alturas, é um tremendo equívoco.  

Essa afirmação o faço louvado num texto extraordinário e brilhante produzido pela inteligência do jornalista conterrâneo, Franklin de Oliveira, publicado em São Luís, em O Imparcial, a 01 de dezembro de 1950, em memória do inesquecível escritor, nascido em Viana, Antônio Lopes, que morreu angustiado por não se ver reconhecido pelos seus contemporâneos.

O texto é longo, razão pela qual limitar-me-ei a reproduzir trechos que considero antológicos, expressivos e contundentes: “De todos os escritores com que até hoje privei, foi Antônio Lopes o que maior impressão de força e segurança de voo me deu. Tudo, nele, sob a unção de sua palavra, era amplo e transfigurava-se. E nenhuma força o galvanizava mais do que o amor pelo Maranhão. “Amor da terra, da paisagem, das tradições, dos hábitos, dos costumes das heranças sociais, amor primordial de tudo aquilo que constitui a história e a alma da velha província que nunca soube compreender o mestre, sempre ingrata à sua ternura e insensível à nobreza mental de seu afeto.

“Dir-se-ia, e estou certo disso, de que o Maranhão, com esta decorrência que o corroe estava muito abaixo da espécie de afeição que lhe dedicava Antônio Lopes.

“Pobre, porque generoso e abnegado, porque idealista e não pragmático, pobre porque inteligente e não falcatrueiro, pobre porque digno e não fraudulento, nunca o Estado lhe procurou tornar a vida mais leve, que assim precisava fosse não por egoísmo, mas pelo desejo de poder melhor trabalhar pela sua terra.

“Homem intensamente mentalizado, ardentemente intelectualizado, que tudo compreendia em termos de arte e de pensamento, e que não podia aceitar que não fosse filtrado pela cultura e purificado pela sensibilidade, Antônio Lopes sentia a não correspondência de seu amor como uma injustiça, não ao seu nome, mas ao próprio patrimônio do Maranhão. Ele se excluía do episódio para testemunhar a vilania do desapreço, a vileza da desatenção que estávamos dando miseravelmente a nós mesmos. Isto o matou. Não foi a doença. Foi isto.

“E que fica para o Maranhão? Em tempos antigos, desaparecia um mentor de gerações, e outro ocupava o lugar. Hoje, andam por aí, um ultraje tão grande e uma canalhice tão proliferante, que a velha fisionomia da terra é quase irreconhecível.

“O que Antônio Lopes criou de inteligência e nobreza de alma persistirá. Tão poderosamente forte, como o remorso dos que, nesta terra, não amparam a única coisa que sempre distinguiu o Maranhão do resto do Brasil: não amparam seus homens de cultura.

“Mestre, se em vida não ajudou a tua terra, é um escárnio o resgaste que à última hora se tentou. Tu a perdoarás que teu amor era magnífico. Ela, porém, não se perdoará a si mesma. Os crimes contra o Espírito são crimes sem recessão.”   

A TIQUIRA PAPAL

O Papa Francisco não foi feliz quando disse no Vaticano que o Brasil não tem salvação, porque o povo bebe muita cachaça e reza pouco.

Frase impensada como esta do Papa é que tem levado o povo brasileiro a trocar a religião católica pela evangélica.

Em tempo: o Papa disse isso porque não conhece a tiquira maranhense.

COCAR PRESIDENCIAL

Nos meios oficiais de Brasília, não é de bom tom colocar o cocar de índio na cabeça de políticos.

Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Lula e Dilma foram alguns políticos que usaram o cocar e não foram bem-sucedidos.

José Sarney, supersticioso como o é, quando ocupou o cargo presidencial, jamais permitiu que um cocar fosse colocado em sua cabeça.

Recentemente, Jair Bolsonaro deixou-se fotografar com aquele adorno indígena na sua cabeça oca.

AMIGO DO JORNALISTA

Um dos mais completos jornalistas do Brasil, Milton Coelho da Graça, faleceu recentemente no Rio de Janeiro, onde prestou serviços nos melhores jornais e revistas do País.

Milton tinha um grande amigo em São Luís: Eduardo Lago. 

STAFF DO VICE

Nenhum candidato pode disputar cargo importante seja no Executivo ou Legislativo, prescindindo de uma boa assessoria política.

É com esta visão que o vice-governador Carlos Brandão se prepara para suceder o seu leal amigo, Flávio Dino.

Dentre os convidados para integrar a sua assessoria, Brandão convidou o tarimbado e competente engenheiro, Aparício Bandeira, que tem PHd em assuntos partidários e políticos.    

VAGA DO TCE

Na vida pública maranhense, jamais se viu uma torcida tão grande em favor de um candidato aos quadros do Tribunal de Contas do Estado, como a formada em torno de Marcelo Tavares.

O problema não é a eleição Marcelo Tavares, para a vaga do conselheiro Nonato Lago, que se dará em agosto, mas quem vai substituí-lo no cargo que ocupa no Palácio dos Leões.

BEM E CULTURA

Uma notícia que me deixou alegre: a mudança da secretaria da Fazenda Municipal e de outros órgãos da Prefeitura de São Luís para o prédio onde funcionava o Banco do Estado do Maranhão.

Com isso o Centro da Cidade ganhará mais vitalidade e movimentação.

Atenção governador Flávio Dino: a secretaria da Cultura, que funciona inexplicavelmente na Avenida dos Holandeses (Calhau), precisa retornar ao Centro Histórico.

COMUNISTA NO SIOGE

Os militantes da esquerda maranhense pediram ao governador Epitácio Cafeteira a nomeação do competente jornalista comunista, recentemente falecido, Luís Pedro, para dirigir o SIOGE- Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado.

Depois de alguns dias, Cafeteira revelou o motivo por que não nomeou Luís Pedro para o cargo: – Seria transformar o SIOGE numa sucursal do Partido Comunista.

MINISTÉRIO DA M Segundo Chico Buarque de Holanda, todo o governo deveria contar com um Ministério do Vai dar M, para evitar que os presidentes tomassem decisões polêmicas e equivocadas.

sem comentário »

JAIR BOLSONARO E FLÁVIO DINO

0comentário

Na História do Brasil, até antes de Jair Bolsonaro assumir a presidência da República, não há registro de qualquer ato ou fato público, capaz de perturbar o bom relacionamento entre os chefes da Nação e os governadores do Maranhão.

Entre as duas maiores figuras políticas e representativas do povo brasileiro e da sociedade maranhense, em alguns momentos da vida nacional, podem ter vindo à tona estremecimentos ou discordâncias, em função de posicionamentos e de compromissos políticos e partidários, mas nunca, como nos tempos atuais, chegaram a se estranhar ostensivamente ou de nutrirem  sentimentos  recíprocos e nada republicanos, semelhantes aos que ora são visíveis e repercutidos pelos meios de comunicação.

Para quem acompanha, como eu e desde a juventude, os eventos e os protagonistas da cena política brasileira e maranhense, a minha memória lembra apenas de um governador maranhense, que de livre e espontânea vontade, só marcou presença no Palácio do Planalto, ao final do mandato, assim mesmo para manter uma conversa nada amistosa com o chefe da Nação.

Trata-se de Nunes Freire, que no apagar das luzes do seu governo, encontrou-se com o presidente Ernesto Geisel, que o chamou para anunciar quem iria sucedê-lo no Palácio dos Leões, o deputado João Castelo.

Excetuando-se este caso, acontecido quando o Brasil estava sob o tacão do regime militar, só agora, na vigência da democracia, o país, de modo estarrecido, assiste o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, por motivos ideológicos, dar um tratamento nada compatível com o cargo que ocupa, a um governador de Estado, que vem exercendo o mandato de maneira correta e sem praticar atos comprometedores à sua administração.

Tem, portanto, origem ideológica, a animosidade que Jair Bolsonaro devota a Flávio Dino, pois se o presidente da República é e faz parte da direita radical e raivosa, o governador do Maranhão, desde a militância estudantil, sempre se comportou e agiu como uma figura humana e politicamente comprometida com a esquerda democrática e cristã.

Essa animosidade mostrou-se em toda plenitude depois das eleições de 1918, quando Bolsonaro concorreu às eleições presidenciais, sendo batido de forma esmagadora no Maranhão pelo candidato de Flávio e de Lula, o petista Fernando Hadad.

Dino sentiu a primeira reação maldosa de Bolsonaro à sua pessoa, numa reunião em Brasília, com os governadores do Nordeste, quando foi presenteado com uma frase altamente preconceituosa e mal construída, que obteve péssima repercussão no país ao dizer que: “Dos governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão”.

A partir dessa famigerada reunião, sempre que a oportunidade se oferece, Bolsonaro, estimulado pelos maus políticos de nossa terra, só dispensa ao governador do Maranhão ataques pessoais e agressivos à sua gestão, usando aquele estilo picaresco e de péssimo gosto.

Ao contrário do presidente da República, o governador reage, mas sem perder a compostura, seja pelos meios de comunicação, seja por ações interpostas no Supremo Tribunal Federal, onde, quase sempre é bem-sucedido juridicamente, como ocorreu recentemente no caso do Censo Demográfico e agora quando a secretaria de Saúde lavrou um Auto de Infração contra Jair Bolsonaro, pela promoção no Maranhão de aglomerações sem nenhum cuidado sanitário. 

CLOROQUINA, HIDROXICLOROQUINA, AZITROMICINA E INVERMECTINA

No afã de comprometer Flávio Dino, a tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro, na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que apura a (ir)responsabilidade do governo federal no tratamento da Covid-19, mostrou um vídeo do governante maranhense, recomendando a ingestão de alguns remédios apontados para salvar os infectados pelo coronavirus, numa época em que a vacina ainda era um sonho de uma noite de verão, quando governantes  e médicos, literalmente desnorteados, procuravam desesperadamente achar medicamentos para livrarem a população da maldita pandemia, que grassava aceleradamente, contaminava sem dó e piedade a comunidade e enchia os hospitais ainda desprovidos de equipamentos e de profissionais para o atendimento dos infectados.

Ainda lembro e com tristeza daquele tempo em que a população sem lenço e sem documento, procurava as farmácias da cidade atrás de remédios para livrá-la de um vírus perverso e que chegou para ficar e matar.

Foi aí que o governador Flávio Dino, à falta da vacina e sem a perspectiva dela chegar ao Brasil com a devida urgência, pela má vontade e negligência do presidente da República, caiu em campo para indicar produtos farmacêuticos que pudessem salvar os maranhenses  da terrível enfermidade, que de modo galopante matava ou deixava a população em estado de absoluta fragilidade física.

Como se fosse uma panaceia e estimulado por Jair Bolsonaro, os laboratórios que produziam remédios rotulados de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e invermectina foram rapidamente colocados no mercado e divulgados de boca a boca como salvadores da pátria, fato comprovadamente irreal, mas vendidos às pencas e consumidos em larga escala pelos até então incautos.

Eu confesso que desesperado e com medo de ser atacado pela doença, cometi o desatino de comprar todos aqueles produtos farmacêuticos, considerados infalíveis para a proteção do vírus, mas não tive a coragem de ingerir nenhum deles.

Um amigo, convenceu-me a comprar a invermectina, como se o remédio fosse devidamente eficaz para enfrentar o coronavirus.

Comprei o produto, mas nunca o consumi. Continua na caixa e lacrado, sobretudo ao saber que o meu amigo, de tanto tomar a invermectina, chegou a ser fortemente atacado pela covirus-19, mas, felizmente, depois de longos dias de luta tenaz contra a doença, ficar livre dela.

DUELO DE TITÃS

Nesse duelo de titãs entre Jair Bolsonaro e Flávio Dino, quem tem levado vantagem é o governador maranhense, pois enquanto o chefe da Nação, na tentativa de ofendê-lo política e pessoalmente, usa o deboche, como aconteceu recentemente em Açailândia, chamando-o maliciosamente de “ditador gordinho”, este, dotado de acentuada cultura jurídica, recorre aos meios legais, para deixá-lo exposto ao julgamento do Poder Judiciário e à execração pública.

PARA RIR OU CHORAR

Do alto de sua sabedoria, o presidente da República, recentemente pronunciou uma frase que eu não sei se é para rir ou chorar: -Eu sou imorrível, imbroxável e incomível.                            

sem comentário »

MORAR NO CENTRO DA CIDADE

0comentário

Um dos programas do Governo Flávio Dino que aplaudo com entusiasmo é o Nosso Centro, que estimula a criação de novos equipamentos sociais na área histórica de São Luís, com a reforma de prédios antigos e desativados, de modo a atrair novos moradores para um espaço que no passado foi o mais valorizado da cidade, mas a partir de tempos mais recentes, sobretudo após a inauguração da Ponte José Sarney, a população se deixou atrair para áreas mais novas e nobres.

Dentro do Programa Nosso Centro, para revitalizá-lo economicamente e preservá-lo histórica e culturalmente, insere-se o projeto Adote um Casarão, que disponibiliza imóveis pertencentes ao Governo do Estado, que estejam subutilizados ou vazios.

A minha empolgação com o programa do atual governo, deve-se ao fato de ser um privilegiado, pois na minha mocidade sempre residi no chamado perímetro urbano de São Luís, onde a população encontrava o que precisava para trabalhar e sobreviver.

Era nessa área da urbe ludovicense que quase toda a população da capital maranhense morava, alojada em sobrados, portas-janelas, meias e moradas inteiras, conforme as posses ou a renda familiar, bem como pontificavam as sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, os principais templos religiosos, os colégios públicos e privados, as casas de diversão e as destinadas às atividades artísticas, recreativas, esportivas e empresariais, fossem comerciais ou industriais, sem esquecer da renomada zona do meretrício.

Lembro ainda e com profunda emoção de quando troquei a minha terra natal por São Luís, pois em Itapecuru os estudos só chegavam até o curso primário, sendo internado em 1950 no Colégio dos Irmãos Maristas, inaugurado recentemente na Rua Osvaldo Cruz.

Depois de um ano de internato, a partir de 1951 comecei o meu périplo nesta cidade, morando em diversas casas e localizadas em ruas diferentes. Comecei na Rua dos Afogados, 220, nas proximidades da Praça João de Lisboa, onde, com a idade de 13 anos, fugia do controle de meus hospedeiros, para ver a multidão enfurecida pelos políticos oposicionistas, que, das sacadas da casa de Dona Maria Machado, falavam dia e noite contra a posse do governador Eugênio Barros.   

Em 1952, em companhia de meu irmão, Raimundo, que veio também estudar em São Luís, fomos morar numa casa localizada na Rua da Viração ou Carvalho Branco, onde ficamos dois anos, após o que nos transferimos para a Rua Pespontão, de propriedade do comerciante de Itapecuru, Wady Fiquene, que havia trazido os filhos para estudar em São Luís.

Da Rua Pespontão, nos mudamos para uma casa alugada por meu pai na Rua de Santana, para abrigar todos os filhos, que também passaram a estudar em São Luís. Depois de alguns anos naquela rua, os meus avós paternos compraram uma morada inteira, na Rua Misericórdia, 61, onde toda a família se instalou até que cada um se formasse, casasse ou se mudasse para outra cidade.

Eu, por exemplo, quando casei com Solange, em novembro de 1967, continuei a residir no centro da cidade. Primeiro, na Rua Godofredo Viana, depois na Avenida Magalhães de Almeida, de onde migrei para uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal, na Avenida Santos Dumont, no Anil.            

Como passei os melhores anos da minha vida morando no centro da capital maranhense, sinto vontade de retornar àqueles tempos inolvidáveis em que a gente era feliz e não sabia.

Eu só não cometo esse audacioso gesto de morar numa casa ampla e confortável no centro da cidade por dois motivos. Primeiro, pela falta de segurança, sobretudo à noite, ocasião em que os marginais mais agem. Segundo, pela ausência de garagem nos imóveis construídos no passado, na sua totalidade sem espaços destinados à guarda de automóveis, privilégio usufruído apenas pelos dotados de posses, que os importavam do exterior, geralmente dos Estados Unidos, porque a indústria automobilística nacional só começa a produzir veículos motorizados a partir dos anos 1960, no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

Retornar ao centro da cidade, na minha opinião, significa reencontrar um passado glorioso, que ficou anos estagnado e mutilado pela inércia dos governos estaduais e municipais, quando não pela voracidade da especulação imobiliária.

O projeto do governador Flávio Dino, mirado na recuperação do Centro Histórico, mesmo com os problemas da segurança e das garagens, não se afasta do meu pensamento e, quem sabe, não retornarei àquele espaço urbano para passar os meus últimos anos de vida. Mas essa decisão depende de Solange, que tenho absoluta certeza de que a recusará.

A FÓRMULA TRUMP

O presidente Jair Bolsonaro é o maior admirador e seguidor do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como Trump sabia que não seria bem-sucedido nas eleições presidenciais americanas, prematuramente, passou a atribuir fraudes à prevista e esmagadora derrota nas urnas.  

Com base nessa megalomania de Trump, Bolsonaro, já antevendo um possível insucesso nas eleições de 2022, começou também a defender fervorosamente mudança no processo eleitoral brasileiro, até agora, o mais limpo e o mais correto que já tivemos.

A FÓRMULA DINO

Pelo que informam os meios de comunicação, quase todos os partidos políticos, bem como os deputados federais, estaduais e prefeitos do Maranhão, já estão comprometidos no apoio às candidaturas de Weverton Rocha ou de Josimar do Maranhãozinho.

Diante desse quadro tenebroso, eu queria saber ou adivinhar a fórmula que usará o governador Flávio Dino para reverter essa situação política e fazer o seu candidato, o vice, Carlos Brandão, vencer as eleições de 2022.  

FLÁVIO CONTRA BOLSONARO

Não foram poucas as vezes que o governador Flávio Dino bateu às portas do Supremo Tribunal Federal, para se contrapor as ações danosas e propostas mirabolantes pelo presidente Jair Bolsonaro ao país.

Salvo melhor juízo, o governador maranhense não perdeu nenhuma ação, inclusive a impetrada recentemente, obrigando o Governo Federal realizar o Censo Demográfico, que deveria ser realizado em 2020, mas só acontecerá em 2022.

NÓS E COVID

Perguntei a um infectologista maranhense e meu amigo por quanto tempo seremos dependentes da vacina contra o Covid.

Resposta: – Pelo resto de nossas vidas.

UTI DO AR

Um amigo meu estava com um filho internado num dos hospitais de São Luís e infectado pelo Covid-19.

Como o jovem não melhorava e o pai tinha condições financeiras de mandá-lo para São Paulo, contratou um táxi aéreo, comumente chamado de Uti do Ar.

Custo da viagem São Luís-São Paulo, com acompanhamento médico e enfermeiro: R$ 150.000, 00.

Valeu a pena a providência paterna, pois depois de dez dias de internado num hospital paulista, o jovem já retornou são e salvo.

CIDADÃOS CLASSIFICADOS

Do escritor José Murilo de Carvalho: – No Brasil, há cidadãos de primeira, segunda e terceira classe. Os de primeira classe são os que passam por cima da lei e invariavelmente nada acontecem. Os de segunda classe, estão submetidos tanto aos rigores como os benefícios da lei. Os de terceira classe não têm direitos protegidos, porque não conseguem acesso à Justiça.

LIVRARIA FECHADA

Quando morei no Rio de Janeiro, no começo dos anos sessenta, uma das livrarias que mais frequentava era a São José, localizada no centro.

Depois de 85 anos de relevantes serviços prestados à cultura, a Livraria São José fechou as portas, deixando o Rio de Janeiro mais pobre.             

sem comentário »
https://www.blogsoestado.com/buzar/wp-admin/
Twitter Facebook RSS